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terça-feira, 22 de junho de 2021

Com Modrić Decisivo, Croácia Supera Escócia E Se Classifica

Cientes de que a classificação para as oitavas de final somente seria alcançada em caso de vitória no jogo de hoje, Croácia e Escócia fizeram, em Glasgow, um jogo de caráter eliminatório em plena fase de grupos, onde o empate eliminaria ambas as seleções. Na outra partida simultânea, Inglaterra e República Tcheca, já classificadas, decidiriam o primeiro lugar no grupo D. Com os resultados finais (Croácia 3a1 Escócia; e Inglaterra 1a0 República Tcheca), ingleses avançam em primeiro; croatas em segundo; tchecos em terceiro; e os escoceses estão eliminados.

Escalada com três zagueiros onde somente um é de fato e de direito um zagueiro (o camisa cinco Grant Hanley), a Escócia qualificava sua saída de jogo com Scott McTominay e Kieran Tierney. E foi a seleção escocesa quem teve as duas melhores oportunidades iniciais na partida. Aos cinco minutos, John McGinn, aparecendo pelo flanco esquerdo, usou a perna direita para levantar a bola na área, Che Adams apareceu na pequena área e esticou a perna na intenção de empurrar para o gol. mas acabou não alcançando por centímetros - o goleiro Dominik Livaković mandou para escanteio. Aos nove, Adams foi acionado no comando de ataque e, por estar isolado do restante do time, precisou se virar sozinho - ele trouxe a bola para a perna direita e chutou de fora da área, mandando à esquerda.

Com um meio de campo de boa qualidade técnica, a Croácia dessa vez tinha Luka Modrić atuando de forma mais adiantada em relação aos dois primeiros jogos, numa escolha acertada do técnico Zlatko Dalić. Quando tinha a bola nos pés, algo de interessante acontecia. Quando não tinha, sua movimentação por si só já atraía a atenção do sistema defensivo escocês, permitindo que outros jogadores croatas pudessem aparecer. Aos dezesseis, Josip Juranović levantou a bola, Ivan Perišić arrumou de cabeça e Nikola Vlašić agiu rápido para amortecer na coxa e, antes de permitir a chegada de McTominay, Hanley e Callum McGregor, chutar com a perna esquerda no canto direito. Um a zero Croácia na capital da Escócia.

Aos vinte e um minutos, Modrić quase ampliou quando deu ótimo chute, com força, e a bola passou pouco acima do travessão pouco após desvio sutil do goleiro David Marshall. Tão sutil, que a arbitragem nem viu e marcou equivocadamente posse de bola para os escoceses onde deveria ter sido assinalado escanteio para os croatas.

Aos vinte e três, a Escócia conseguiu um momento de pressão que quase rendeu o gol de empate: após troca de passes iniciada por Adams, a bola atravessou a área e retornou até ele, que evitou a saída pela linha de fundo e a manteve em jogo. Na sequência do lance, McGinn chutou de fora e Livaković defendeu no canto direito.

Bastante burocrático no meio de campo, o jogo diminuiu as opções de aproximação tanto da valente Escócia quanto da Croácia, que parecia se acomodar no resultado de vantagem mínima. Embora tivesse conseguido duas chegadas interessantes aos trinta e sete minutos (com chute de Juranović após boa troca de passes) e aos trinta e nove (em finalização de Perišić após jogada individual pela esquerda), ficava a nítida sensação de que a seleção da camisa xadrez podia render mais do que isso. E, aos quarenta e um, veio o empate escocês: após jogada de McGinn com Andrew Robertson pelo lado esquerdo, a bola alçada na área croata foi afastada apenas parcialmente por Domagoj Vida, indo parar no domínio de Mc Gregor que, livre de marcação, chutou da meia-lua e mandou no canto direito. Um a um, para muita festa no campo e nas arquibancadas - era o primeiro gol da Escócia nessa Eurocopa e também o primeiro gol de McGregor com a camisa da seleção após trinta e quatro jogos disputados.

Com o empate ao intervalo, as seleções se viam numa espécie de divisor de águas: teriam o segundo tempo inteiro para definir sua permanência ou despedida no torneio. Aos quatro minutos e também aos dez, a Croácia chegou com perigo em jogadas pelo centro. Na primeira, Joško Gvardiol foi bloqueado na valente e providencial saída do goleiro Marshall; na segunda, Perišić foi lançado por Modrić e parou em nova defesa de Marshall - mas, dessa vez, mesmo que a bola entrasse o placar permaneceria o mesmo, pois houve detecção de impedimento no lance. 

Aos treze, tivemos a primeira boa chegada escocesa na segunda etapa: Robertson lançou da esquerda, McGinn se projetou levando vantagem na disputa de espaço com Gvardiol e, na pequena área, de frente com o goleiro, até conseguiu realizar o desvio, mas sem dar à bola a direção do gol. 

Não sei se o lance assustou - e despertou - a Croácia. Não sei se a própria Croácia se viu na necessidade de jogar mais bola do que vinha jogando. O fato é que, três minutos depois, uma bela trama de jogada aconteceu a partir do flanco esquerdo. Já dentro da área, Bruno Petković fez a função de pivô, rolou atrás para Mateo Kovačić e este, para desafogar o lance e deixar com quem melhor entende do trato com a redonda, rolou um pouco mais atrás para Modrić. E o desfecho do lance foi com o selo Modrić de qualidade. Um chute de primeira, dando um tapa estiloso na bola, com o peito do pé num movimento para fora, como se fosse pegar de trivela. Na gaveta. Golaço. Dois a um para a Croácia.

Lindo chute de Luka Modrić para recolocar a Croácia em vantagem diante da Escócia. Imagem extraída de Bola Na Rede.

 

Com dificuldades para se aproximar do ataque, a seleção escocesa precisava de algum fato novo. Steve Clarke optou por colocar em campo Ryan Fraser no lugar de Stuart Armstrong. Isso até aumentou a ofensividade da equipe, mas, para se ter uma ideia do deserto de criatividade no meio campo azul, a jogada seguinte de perigo da equipe foi construída graças à subida de McTominay, que iniciou o lance aos vinte e sete minutos e, após tabela curta, só não conseguiu finalizar porque Livaković chegou antes.

Aos trinta e dois, o pé bendito de Luka Modrić foi novamente fundamental para a Croácia: cobrando escanteio pelo lado esquerdo, ele levantou a bola no primeiro pau e contou com a excelente movimentação de Perišić, que mostrou saber antecipadamente exatamente onde a bola iria, desviando de cabeça, cruzado, e marcando no canto esquerdo. Três a um, nesse gol que tornou Perišić terceiro maior goleador na história da seleção de seu país, com trinta. Ele deixou para trás o brasileiro naturalizado croata, Eduardo da Silva, e tem a sua frente simplesmente os centroavantes Mario Mandžukić (trinta e quatro gols) e Davor Šuker (quarenta e cinco).

Aos trinta e quatro, um chute de Fraser pelo lado esquerdo sobrou para Adams no lado direito e a nova finalização foi bloqueada por Livaković. A Escócia tentava reagir. E seus maiores impulsos ao ataque eram a movimentação de Fraser e a técnica de McTominay, que finalmente foi deslocado da linha de defesa para o meio de campo, numa alteração tática que demorou demais para acontecer.

Aos quarenta e sete, McTominay estava dentro da área, chutou mas foi bloqueado pela marcação. No escanteio daí originado, Fraser recebeu, cruzou da esquerda e Scott McKenna cabeceou à direita.

Com Modrić tocando a bola no meio de campo, o árbitro argentino Fernando Rapallini deu o apito derradeiro. E a imagem que sucedeu era tão linda quando um golaço: Modrić, aos trinta e cinco anos de idade, ergueu os braços, gritou algo em comemoração e se ajoelhou no gramado, emocionado com a classificação. É isso mesmo, senhoras e senhores de todas as faixas-etárias. Um jogador finalista de Mundial, eleito melhor do mundo pela FIFA em 2018, estava absolutamente em êxtase pela vaga nas oitavas na Eurocopa 2020. Essa celebração dá a dimensão do comprometimento do camisa dez com sua seleção. Uma lição de profissionalismo e, sobretudo, amor. À camisa, ao país, ao futebol. Viva, Modrić!

Modrić, após o apito final de Croácia 3a1 Escócia. Imagem extraída de Independent En Español.

sábado, 10 de junho de 2017

Deus Salve A Rainha!

Como diria o lendário narrador Sílvio Luiz:

- Pelas barbas do profeta!

Foi de uma exclamação metafórica o final de partida entre os britânicos da Escócia e da Inglaterra, em Glasgow. Aquilo que rumava para um 0a0 se transformou em um jogo de quatro gols, todos na segunda metade do segundo tempo, sendo três deles para depois dos quarenta.

Primeiramente, #ForaTemer! (Não resisti hahaha...)

Aos vinte e quatro minutos no segundo tempo, quando os ingleses esbanjavam organização defensiva mas não traziam grandes inspirações no setor de ataque, uma bola recuada "na fogueira" pela defesa escocesa rendeu um arremesso lateral para a Inglaterra no campo de ataque. Seria um lance facilmente marcável, mas Oxlade-Chamberlain, que entrara a cerca de cinco minutos, fez brilhante jogada individual e chutou firme, contando com a contribuição do goleiro Gordon para inaugurar o marcador na Terra da Rainha. Sim, senhoras e senhores, em tempos de BrExit, é bom lembrar que a Escócia também é a Terra da Rainha. E, por aquelas terras, diz-se que a maioria da população é contrária à saída britânica da zona do Euro. Mas voltemos ao futebol.

Com Martin no lugar de Anya, o treinador Gordon Strachan mostrava-se à disposição de abrir o time para tentar pelo menos o empate nos minutos finais. O que ele talvez não esperava era que sua equipe viraria o jogo! Aos quarenta e um, Griffiths cobrou falta com precisão, no lado esquerdo de Joe Hart. Uma explosão de alegria da fanática torcida local. Três minutos depois, nova falta para a Escócia por aquela região. Nenhuma dúvida: era Griffiths novamente na cobrança. Dessa vez, ele escolheu uma cobrança no lado direito do goleiro. E, mais uma vez, festa no gramado e nas arquibancadas.

O êxtase era completo e já dava para imaginar quais seriam os títulos das publicações naquele país. Ainda mais em tempos inflamados na geopolítica mundial como um todo e britânica em particular. Só que no futebol, o improvável, provavelmente, acontece. Nos acréscimos, uma bola lançada caprichosamente por Sterling (outro jogador lançado por Gareth Southgate no segundo tempo), acabou encontrando o goleador Harry Kane, que estufou a rede oponente e foi para os braços de seus compatriotas. Se bem que, ali, eram todos eles compatriotas. Com ou sem saída da zona do Euro.
Finais de jogo como o de Escócia 2a2 Inglaterra fazem o futebol sorrir. Imagem extraída de Blog do Dirceu Rabelo.