O Botafogo quase foi para o carnaval com um vexame nas costas. Quase. Jogou um primeiro tempo apático, permitindo dois gols ao limitado time do Resende e outras oportunidades claras que poderiam encaminhar uma goleada para a equipe visitante.
Não tomou o terceiro gol antes do intervalo. Pelo contrário, numa rara jogada interessante produzida no campo de ataque, diminuiu a desvantagem. E, no segundo tempo, a equipe comandada por Oswaldo de Oliveira dominou as ações, impôs seu jeito de jogar e venceu de virada.
A partida serviu para sublinhar algumas coisas que já não são novidade para muita gente. A primeira é que, por mais frágil que possa ser um time, não existe essa de time bobo no futebol. Com uma marcação frouxa e vacilante na tentativa de fazer linha-de-impedimento, o Botafogo viu por diversas vezes os atacantes do Resende saírem na cara do goleiro Jéfferson. Jéfferson cometeu um pênalti num desses lances, ignorado pela arbitragem. Nada pôde fazer quando Marcel chutou no canto direito, abrindo o placar. Teve trabalho para evitar que novas enfiadas de bola resultassem em novos gols. E ainda foi vazado mais uma vez, em penalidade máxima cometida por Bolívar e convertida por Elias.
A segunda coisa que não é novidade para quem acompanha futebol com um mínimo de bom senso é que há diferenças grotescas no nível técnico entre as equipes que disputam a Série A nacional e as de divisões inferiores, exacerbadas no advento dos Campeonatos Estaduais. O Botafogo precisou pura e simplesmente impôr seu jogo para marcar gol atrás de gol, mudar o panorama da partida e terminar o jogo de maneira tranquila, o que dificilmente ocorreria diante de um oponente mais qualificado, até porque não é nada fácil virar uma partida quando se tem dois gols de prejuízo. Mas tanto Botafogo quanto Resende fizeram parecer fácil essa reviravolta no resultado.
E aí é que quero entrar na terceira coisa que não é novidade para os amantes e apreciadores do bom futebol: Seedorf é um gênio da bola. Marcou o seu em lance onde mostrou o que se espera de um jogador no momento da finalização: recebeu a bola, preparou para o remate e mandou na rede. Ótimo para semear um clima menos tenso no vestiário, até porque, conforme vimos nessa semana, Oswaldo de Oliveira anda com os nervos exaltados (há quem diga que ele é assim há muito tempo, enganando-se quem acredita na imagem de um treinador ponderado e tranquilo).
E o papo deve ter sido bom, pois já com um minuto no segundo tempo veio o empate botafoguense. Seedorf é um jogador tão especial, que até quando erra, acerta: a bola foi cruzada, o camisa dez furou a tentativa de voleio e a bola chegou limpa para Márcio Azevedo, que trouxe para a perna direita (!) e mandou pra rede. Se Seedorf pode furar, um canhoto pode marcar com a perna direita, né?
O que não pode parar é o show do holandês, que recuperou a posse de bola no campo de ataque, deu uma caneta no adversário com quem dividiu o lance e fez a assistência para Cidinho marcar o terceiro, o da virada. Quem fechou a conta foi Sassá, que entrou no lugar de Bruno Mendes e anotou o quarto gol alvinegro.
A torcida do Botafogo, que compareceu em número pífio ao Engenhão (menos de três mil presentes) agora tem dez dias para descansar, se divertir, gastar e juntar dinheiro até a próxima partida da equipe, que será daqui a dez dias, com o Flamengo. Não há momento mais adequado do que esse para o botafoguense mostrar-se ao lado do time e apoiar. Ponha na agenda, alvinegro: dia dezessete de fevereiro, domingo, no Engenhão, clássico com o Flamengo. Pode ser pra selar a classificação na fase semifinal na Taça Guanabara 2013. E, mais importante que isso, para selar a paz com um treinador que parece pressionado até quando as coisas dão indícios de caminharem bem.
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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
domingo, 25 de março de 2012
Vasco E Resende Empatam Em São Januário Numa Tarde Para Chico
O duelo entre Vasco e Resende, em São Januário, colocava em campo uma equipe tradicional e outra pouco conhecida fora do Rio de Janeiro. Colocava o líder no grupo B diante do 4º colocado no grupo A (se bem que, se o Vasco estivesse no grupo do Resende, estaria na 5ª colocação, atrás do adversário). E, na partida, o que se viu foi cada equipe atuando melhor em um tempo. O Resende, que fez ótima primeira etapa, saiu na frente. Mas, na etapa final, o Vasco cresceu, dominou e chegou ao empate. Com o resultado de 1a1, o Vasco cai para a vice-liderança em sua chave (foi ultrapassado pelo Bangu, invicto na Taça Rio) enquanto o Resende, invicto como o Bangu, fica na quarta colocação em seu grupo, três pontos atrás do Macaé e do vice-líder Flamengo (o Botafogo aparece em primeiro lugar, com a bela campanha de quatro vitórias e um empate nesse segundo turno, mantendo a invencibilidade no Campeonato Estadual 2012).Na próxima rodada, o Vasco joga com o Macaé às 16h de sábado. Já o Resende - que torcerá pelo Vasco - pega o Americano no mesmo horário.
O jogo
Diferentemente de grande parte dos times ditos "pequenos", o Resende adotou diante do Vasco uma postura de atacar o adversário, não se limitando a se defender. E fez isso muito bem, causando dificuldades ao sistema defensivo vascaíno através de saídas velozes pelos flancos do gramado. Só que enfrentar o lado direito de defesa do Vasco não era simples: Fágner e Dedé, dois atletas velozes, formavam uma dupla difícil de ser ultrapassada. Mesmo assim, o ligeiro Elias ainda se atreveu a partir pra cima desses dois jogadores, mostrando personalidade ao tentar dribles diferentes para ganhar espaço. Só que o gol do Resende saiu pelo outro lado, o direito de ataque e esquerdo de defesa do Vasco. Aos vinte e sete minutos, Thiago Feltri saiu jogando errado e foi tentar recuperar a posse de bola. Wellington visualizou o espaço deixado por Feltri e acionou Marcelo Régis com boa enfiada de bola. Renato Silva foi tentar cobrir o espaço deixado pelo companheiro e Dedé foi cobrir a posição de Renato, situação que não foi perdoada pelo bem organizado time comandado por Paulo Campos: Marcelo Régis cruzou rasteiro e Elias completou para a rede. 1a0 Resende na ensolarada tarde carioca, com direito a mal-estar do autor do gol ainda antes da reposição da bola em jogo (esse horário para a prática do futebol é uma coisa desumana).
O Vasco até teve algumas chances para empatar ainda no primeiro tempo, mas o goleiro Mauro deu conta do recado e foi importante para manter o Resende em vantagem até o apito de intervalo. No segundo tempo, o ímpeto vascaíno parece ter crescido, com os donos da casa estabelecendo uma pressão e jogando grande parte do tempo na metade ofensiva do campo. Aos dez minutos, Wellington cometeu pênalti em Feltri e até poderia ter sido expulso pelo advento de um eventual segundo cartão amarelo, mas o árbitro Marcelo de Lima Henrique limitou-se a indicar a penalidade máxima. Alecsandro "Nazareno" foi pra bola e chutou com firmeza, no canto direito, mas parou em grande defesa de Mauro, que saltou certinho e esticou-se para espalmar.
Novas chances claras apareceram, como por exemplo aos quinze minutos, quando Éder Luís desceu pela direita, cruzou por baixo, Alecsandro deixou passar e William Barbio chutou por cima da barra. O time de Cristóvão Borges detinha 65% do tempo de posse de bola e envolvia o Resende, que naquele momento sequer conseguia contra-atacar. Paulo Campos mexeu no time aumentando o poder de marcação, e o Vasco parecia ficar cada vez mais no campo de ataque. E, aos trinta e cinco minutos, o gol de empate saiu: Allan levantou a bola para a área, a defesa do Resende cabeceou para trás e Alecsandro, também de cabeça, mandou o objeto esférico no canto direito. 1a1 no placar.
Daí para o final, o Vasco teve algumas ocasiões para virar o jogo, mas também tomou um ou outro susto em respostas do Resende. Fernando "Robert Taylor" Prass, aos quarenta e sete minutos, conseguiu bloquear chute forte que tinha o endereço do gol, e acabou garantindo um ponto na partida em que o Cruzmaltino prestou homenagens a Chico Anyisio, torcedor do clube, falecido sexta-feira.
Detalhe da parte frontal na camisa do Vasco. Na parte de trás, nomes de personagens magistralmente interpretados por um dos maiores humoristas brasileiros.
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