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quinta-feira, 14 de setembro de 2023

O Futebol Brasileiro Sendo Tomado De Assalto

 Gabriel, o Pensador já dizia em sua música que

futebol não se aprende na escola / é por isso que Brazuca é bom de bola.

A biografia do menino pobre e favelado, cantada pelo rapper, é um hino que nos faz lembrar daquilo que jamais deveríamos ousar esquecer: herdamos, habitamos e nos reproduzimos num país campeão da desigualdade social.

E é nesse persistente cenário, que se retroalimenta impiedosamente no sistema econômico capitalista, que temos hoje, em 2023, os seguintes preços para a final da Copa do Brasil a ser disputada pelo Clube de Regatas Flamengo e pelo São Paulo Futebol Clube, no estádio do Maracanã:

Setor Norte - R$400
Setor Sul - R$700
Setor Leste Superior - R$1000
Setor Leste Inferior - R$1200
Setor Oeste Inferior - R$1500
Setor Maracanã Mais - R$4500

Fonte: página oficial do Clube de Regatas Flamengo.

Lembrando que estamos falando de futebol, o esporte mais popular deste país que ajudou a internacionalizar tal modalidade esportiva. 

Lembrando que estamos falando de Flamengo, clube mais popular neste mesmo país.

Paralelamente a essa extorsão que se pratica na comercialização de ingressos para a partida entre Flamengo e São Paulo, temos outro caso absolutamente repugnante.

Trata-se do Clube de Regatas Vasco da Gama, segundo clube mais popular no Rio de Janeiro, um dos mais populares do país e que tem em sua mais do que centenária história uma marca de enfrentamento ao racismo.

Em pleno 2023, o estádio de São Januário, clássica sede do Gigante da Colina, está há três meses interditado por decisão judicial. O motivo original até era plausível, dada a confusão que ocorreu na ocasião da partida entre o Vasco e o Goiás, em 22 de junho, naquela que era a 11ª rodada no Campeonato Brasileiro deste ano. Só que a punição foi ampliada sob a esdrúxula e preconceituosa alegação sobre a "localização" do estádio.

Localização de São Januário é Rio de Janeiro, Brasil. Muito prazer, Rio de Janeiro. Muito prazer, Brasil. Procurar criminalizar a prática do futebol em um estádio baseado na proximidade de locais perigosos é o puro suco do racismo. Somos um país onde o 1% dos mais ricos detém perto de 50% de toda a renda nacional. Os outros 99%? Que se virem com a outra metade!

Essa é uma realidade que não é pontual, esporádica ou caso isolado. Ela é regra dentro do sistema capitalista de produção e consumo. As grandes fortunas se alimentam da miséria. Uma miséria que, nesse país de passado fortemente escravagista, tem cor muito bem definida. É a mesma cor que lota o sistema prisional. E é a mesma cor que, em pleno 2023, não consegue ir ao estádio ver o seu time jogar. Seja por causa dos preços dos ingressos, seja por proibição judicial.

Em síntese:

A interdição do estádio São Januário por motivos de "localização" e os preços astronômicos dos ingressos pra final da Copa do Brasil no Maracanã dizem muito sobre a mesma coisa: a elitização e o preconceito contra pobre que estão tomando de assalto o esporte mais popular do país.


 

domingo, 8 de abril de 2018

Daria Um Filme: Nos Acréscimos E Nos Pênaltis, Botafogo Vence Vasco E É Campeão Estadual

Alan Ball, Cameron Crowe, Julian Fellowes, Pedro Almodóvar, Sofia Coppola, Charlie Kaufman, Paul Haggis, Bobby Moresco, Michael Arndt, Diablo Cody e Dustin Lance Black.

Vou parar a lista em onze nomes, que é a quantidade de elementos que formam  um time de futebol. Todos aqueles indivíduos mencionados são  roteiristas vencedores do Oscar, prêmio máximo conferido pela indústria cinematográfica.

Vasco e Botafogo, pela final  no Campeonato Estadual 2018, se fosse filmado sem qualquer edição, daria um Oscar de melhor roteiro original para o documentarista que se apropriasse da obra escrita por Deus e roteirizada pelos deuses da bola. Um final impecável: expulsão nos acréscimos, gol no último lance (não é força de expressão, foi  no último lance mesmo) e triunfo definitivo nas cobranças de pênaltis.

Curiosamente, os três personagens citados são os três estrangeiros do cinema. Digo, do Botafogo.

Primeiro, Leo Valencia, meio-campista chileno que recebeu o cartão vermelho aos quarenta e oito minutos do segundo tempo de um jogo que parecia seguir ao zero a zero mesmo que fosse jogado por mais duas horas. Mas mal poderíamos esperar pelos próximos dois minutos...

Depois, Joel Carli, zagueiro argentino que se aventurou de atacante na necessidade de sua equipe marcar um gol. A bola o encontrou e ele a direcionou para a rede. E foi comemorar com o grande público, uma platéia que não caberia em nenhuma sala de reprodução audiovisual e que fez o próprio Maracanã parecer pequeno - os botafoguenses aplaudiam de pé, gritavam a plenos pulmões e festejavam efusivamente o gol que levaria o confronto às penalidades.

Finalmente, Gatito Fernández, goleiro paraguaio que teve em 2017 momentos heróicos na campanha histórica na Copa Libertadores da América. E que reviveu o protagonismo nesse oito de abril de dois mil e dezoito, defendendo duas cobranças e ajudando de maneira decisiva o Botafogo de Futebol e Regatas a ser aquilo que ele é desde 1907: campeão.

E o Oscar de melhor ator vai para... a torcida botafoguense. Por acreditar, até o final, no mais improvável dos roteiros. E por incentivar, desde o início, um elenco que possui limitações. Um filme que muitos alvinegros irão querer assistir de novo.
Elenco do Botafogo posa para a foto antes do jogo derradeiro no Estadual 2018: um campeão que foi herói em cada jogo.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Vasco Caiu. E Não Foi Hoje

Imagem extraída de NetVasco.
Não foi em seis de dezembro de dois mil e quinze que o Vasco mereceu cair pela terceira vez para a Segunda Divisão do futebol nacional. Nesta data, a matemática sacramentou um prenúncio mais pretérito. A data em que o Clube de Regatas Vasco da Gama fez por merecer um novo rebaixamento para a Série B se deu quando a instituição elegeu Eurico Miranda como seu "novo" presidente.

O título carioca foi mera ilusão num trajeto recheado de pênaltis inventados no torneio férjico. As declarações arrogantes do "dono" do Vasco afirmando que não havia qualquer possibilidade de rebaixamento eram sintomáticas. Demitiu-se treinador campeão. Montou-se elenco com torneio em andamento. Reclamou-se bastante. Fumou-se charuto em ambientes proibidos por lei vigente. Somou-se quarenta e um pontos em cento e catorze disputados. Caiu-se.

E se alguém por São Januário disser que o respeito voltou, diga que foi engano. Respeito não se obtém na marra. Se conquista. E o Vasco escolheu a vergonha. Não em seis de dezembro de dois mil e quinze. Mas no dia em que reelegeu Eurico Miranda.

Que o Gigante reflita. Até para não se apequenar.

domingo, 11 de agosto de 2013

Campeonato Brasileiro: Balanço Na 13ª Rodada

As partidas disputadas entre sábado e domingo (dez e onze de agosto) confirmaram aquilo que tanto se fala sobre o Campeonato Brasileiro ser uma das ligas nacionais mais equilibradas no mundo - isso se não for de fato a mais competitiva de todas elas. Nenhuma equipe que integrava o badalado G4 na noite de sexta-feira conseguiu vencer: Cruzeiro e Botafogo empataram, Coritiba e Vitória perderam.

O blogueiro acompanhou os jogos de Botafogo e Cortiba (o Alvinegro empatou com o Goiás no sábado e o Alviverde perdeu para o Vasco no domingo) e concluiu que ambas as equipes dependem do talento de seus principais craques para obterem sucesso: Seedorf e Alex não renderam nem perto daquilo que estamos habituados a ver (muito provavelmente por ambos estarem exaustos fisicamente). E por falar em "fisicamente", é curioso observar que o jogador que mais se destaca no elenco esmeraldino é Walter - tanto pela silhueta quanto pelo talento. Por muito pouco não marcou o gol da virada, acertando a trave direita do goleiro Jéfferson nos últimos minutos de partida no estádio Mané Garrincha. O Coxa, que só contou com Alex no primeiro tempo, perdeu a invencibilidade que detinha no estádio Couto Pereira ao ser derrotado pelo Vasco - gol de Pedro Ken, velho conhecido dos torcedores coritibanos.

Vamos comentar brevemente cada resultado nessa rodada.

Botafogo (2º) 1a1 (12º) Goiás. O Botafogo saiu na frente com gol de Rafael Marques mas se abalou quando sofreu o gol de empata (André Bahia marcou contra). Passou os últimos minutos basicamente jogando a bola para a área, contando com Henrique, Alex e Dória (!) como atacantes.

Náutico (20º) 0a0 (16º) Atlético Mineiro. Se o atual campeão na Libertadores achou que fosse começar a engrenar no Brasileiro na partida em que enfrentava o lanterna na competição, enganou-se. A equipe não conseguiu sair do zero e, carente de um companheiro de criação para Ronaldinho, anunciou a contratação do ex-colorado Dátolo.

Fluminense (14º) 2a3 (11º) Flamengo. O Tricolor até saiu na frente, mas levou a virada do Rubronegro e amargou a primeira derrota desde a chegada de Vanderlei Luxemburgo no lugar de Abel Braga. Destaques para Hernane e Rafael Sóbis, cada um com dois gols no jogo.

Corinthians (4º) 2a0 (8º) Vitória. Com um gol no início de cada tempo (Ralf no primeiro e Alexandre Pato no segundo), o Timão venceu o jogo e encostou nos líderes, afinal, foi uma rodada marcada pelos tropeços das equipes situadas na parte de cima da tabela. O Vitória sai do G4.

Cruzeiro (1º) 0a0 (15º) Santos. Serviu para conservar a liderança, mas certamente os cruzeirenses esperavam um resultado melhor nessa partida dentro de casa. Os santistas terminam a rodada fora da zona de rebaixamento, mas cientes de que estão numa situação onde qualquer vacilo poderá levá-los para lá.

Coritiba (3º) 0a1 (10º) Vasco. Dorival Júnior, treinador revelado no Coxa, conseguiu montar o Vasco de forma a praticamente neutralizar as investidas do adversário. Marquinhos Santos procurou alternativas, mas não conseguiu envolver o time visitante, que mereceu a surpreendente vitória no Couto Pereira.

Bahia (9º) 0a3 (7º) Grêmio. Com três gols marcados no segundo tempo (dois deles após passar a jogar em vantagem numérica), o Tricolor Gaúcho venceu o Tricolor de Aço em plena Arena Fonte Nova, subindo consideravelmente na tabela de classificação e ultrapassando o próprio Bahia.

Internacional (6º) 2a2 (5º) Atlético Paranaense. O Colorado conseguiu buscar o empate duas vezes em jogo onde o Furacão marcou um gol-relâmpago: com cerca de meio minuto, João Paulo já havia aberto o placar em Novo Hamburgo. Ambos desperdiçam chance de entrar no badalado G4.

Ponte Preta (13º) 3a1 (18º) Criciúma. A Macaca fez valer o mando de campo e conseguiu importante resultado em confronto direto entre clubes ameaçados pelo rebaixamento. Pior para o Tigre, antepenúltimo colocado.

Portuguesa (17º) 2a1 (19º) São Paulo. Com dois gols de Diogo e com direito ao goleiro Lauro pegar pênalti do também goleiro Rogério Ceni, a Lusa alcançou sua segunda vitória no Campeonato Brasileiro 2013, afundando o Tricolor na vice-lanterna na competição.

Os cerebrais camisas dez Seedorf (acima) e Alex (abaixo) não renderam o esperado e seus times decepcionaram diante de Goiás e Vasco, respectivamente.

domingo, 4 de agosto de 2013

Clássico De Golaços

Podemos - e devemos - reclamar de muita coisa no cenário nacional atual. Especificamente nos esportes, já há muito o que contestarmos. A concessão do Maracanã é uma delas. Explicações precisam ser dadas a uma população que paga pelo estádio e que, repentinamente, vê-se usurpada de usufruir de suas instalações devido a uma política privatizatória encabeçada pelo governador Sérgio Cabral e pelo prefeito Eduardo Paes, atuais colegas de partido.

Mas há uma coisa que não podemos - nem devemos - reclamar: a qualidade do jogo entre Vasco e Botafogo, em ótimo confronto realizado nesse domingo, pela décima primeira rodada no Campeonato Brasileiro 2013. Com a vitória por 3a2, o Alvinegro de General Severiano mantém-se na condição de líder na competição, agora com vinte e três pontos conquistados - dois a mais que o Cruzeiro e três de frente em relação ao Coritiba. O Vasco aparece em décimo lugar, com catorze pontos.

Foi uma partida corrida, bem disputada, com muitos lances de ataque e diversas disputas pelo domínio territorial no meio de campo. No final, fez diferença o talento do maestro holandês Clarence Seedorf e o poder de decisão do outrora bastante criticado atacante Rafael Marques (autor de dois gols, sendo o último deles uma pintura). André marcou dois para o Vasco, Juninho apareceu bastante, mas o time de Dorival Júnior acabou derrotado no Maracanã.

Aliás, se cinco gols num clássico já é um indicativo interessante, esse jogaço entre Vasco e Botafogo foi especial pela qualidade dos gols marcados. Seedorf foi categórico para marcar 2a0 com um toque encobrindo o goleiro Diogo Silva. Juninho foi ágil para girar sobre a bola e servir André, descontando no final do primeiro tempo. E Rafael Marques anotou um golaço após deixar Nei deitado no gramado e mandar a bola em direção ao ângulo esquerdo, logo depois de os vascaínos celebrarem o gol de empate.

Vitinho teve grande atuação (especialmente no primeiro tempo) e os jovens Dória e Gabriel vão confirmando se tratarem de dois grandes jogadores vindos da base botafoguense. O lateral-direito Gilberto, também cria alvinegra, foi outro a ter atuação interessante. André foi o destaque cruz-maltino, tendo ido às redes por três vezes - a primeira delas invalidada sob alegação de centimétrico impedimento.

O blogueiro tem grandes expectativas em relação ao time comandado por Oswaldo de Oliveira. Mesmo após a saída de Fellype Gabriel - jogador importante para o esquema tático do treinador, negociado com o exterior -, a equipe não perdeu o equilíbrio e vem se mostrando forte em todos os setores. Genial, Seedorf consegue conduzir o time ao ataque pela sua técnica apurada e liderança, atuando como um legítimo auxiliar técnico dentro das quatro linhas. As coisas poderiam ter sido mais fáceis para o Botafogo se o uruguaio Nicolás Lodeiro tivesse tido uma atuação pelo menos razoável. Já o Vasco, que fez começo de campeonato preocupante, parece evoluir desde as chegadas de Dorival e Juninho. Sabe-se lá em que parte da tabela o Clube da Colina irá terminar, mas se André mantiver o faro de gol, já é um começo para o time almejar coisas maiores do que uma mera fuga de rebaixamento.

Na próxima rodada, o Vasco recebe a Ponte Preta (quinta-feira) e o Botafogo visita o Atlético Mineiro (quarta). Alvinegros pra tudo quanto é lado.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

4 Cariocas, Nenhum Jogo No Rio De Janeiro

O Rio de Janeiro é o segundo estado brasileiro com maior número de representantes na Série A nacional, ficando atrás somente de São Paulo. Nessa que foi a sexta rodada no Campeonato Brasileiro 2013, sabe quantas partidas foram realizadas no estado do Rio? Nenhuma.

A situação é ainda mais curiosa (para não dizer misteriosa) na medida em que vemos o Maracanã bilionariamente reformado, enquanto o Engenhão, considerado um dos estádios mais modernos das Américas, continua estranhamente interditado para jogos (não para treinos ou comerciais).

O Vasco jogou fora de casa diante do Internacional, até porque o mando de campo era colorado. Levou de cinco a três no Rio Grande do Sul e seu técnico, Paulo Autuori, dá sinais de que vai abandonar a caravela, talvez já prevendo um naufrágio. Mas e o que dizer do Flamengo, que era mandante diante do Coritiba? Foi, mais uma vez, jogar no Distrito Federal. E cravou o segundo maior público no torneio, atrás somente da partida de estréia dele próprio e naquele mesmo estádio Mané Garrincha, em Brasília, diante do Santos, o então "time da casa".

Mas não é só de Vasco e Flamengo que vive o Rio de Janeiro. Havia o clássico Vovô, o mais antigo do futebol brasileiro, entre dois times que vão fazendo belas campanhas na competição. Então, bora pro Engenhão. Não? Maracanã então. Também não? Botafogo e Fluminense foram jogar no estado de Pernambuco. E foi um grande jogo, de duas equipes dinâmicas, ofensivas e um gramado impecável. O público é que não comprou a idéia de assistir o jogo tão longe da sede dos respectivos clubes de General Severino e Laranjeiras: cerca de dez mil presentes somente. E repetindo: foi um grande jogo.

Então fica a pergunta: é para encaramos com normalidade esse cenário esdrúxulo? Permita-me dar a resposta: não. Deve-se, isto sim, apurar as razões da interdição do Engenhão, sobretudo indagando onde fica a diferença entre liberar o estádio para treinos de seleção estrangeira, publicidade e não liberar para jogos oficiais. E talvez ainda mais grave: que concessão é essa que entrega o Maracanã para a iniciativa privada (neoMaracanãX, para bom entendedor) de forma a inviabilizar jogos de clubes que fizeram do Maracanã o Maracanã, ou seja, aquilo que ele é.

Levar jogos para outros estados é algo interessante, sobretudo para dar uso a estádios recém-construídos. Mas isso deve ser uma escolha espontânea, não um refugo ou válvula de escape. Está faltando uma coisinha básica: respeito. Aos clubes e aos torcedores.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Crise Pouca É Bobagem: Nova Iguaçu 2a0 Vasco

A situação não está nada agradável para os vascaínos. Com atuação beirando a displicência (daquelas que deixam a dúvida se a intenção não seria a de derrubar o treinador), a equipe foi derrotada pelo Nova Iguaçu pelo placar de 2a0, no horrendo gramado do estádio da Cidadania, em Volta Redonda.

Não bastando o resultado ruim, a atuação tenebrosa e a superfície horrorosa, talvez o pior fato da noite cruz-maltina tenha sido a participação da torcida nas arquibancadas, que hostilizou elenco e treinador desde antes de sair o primeiro gol até depois do apito final.

Léo Salino marcou ambos os gols da partida, um em cada tempo: primeiro, aproveitando liberdade após falha flagrante de marcação da defesa do Vasco; depois, com lindo chute de fora da área. É apenas o segundo jogo do time comandado por Gaúcho na Taça Rio e a situação já é complicada, pois o clube não pontuou e pode ver adversários abrirem seis pontos já nessa segunda rodada.

Prefiro acreditar que o futebol apresentado pelo Vasco hoje não tenha sido "planejado": nem por um treinador que já mostrou preferência por se defender (foi demasiadamente cauteloso na final da Taça Guanabara) nem por um elenco que possa estar desejando se livrar dele. Há outras maneiras mais honestas de reivindicar mudanças de comando técnico.

O Nova Iguaçu, que nada tem a ver com isso, venceu. Não encantou, longe disso, mas mereceu a vitória. Está mais do que aberta a possibilidade de termos um time de menor expressão na fase semifinal na Taça Rio 2013. E o Vasco, bem, o Vasco... talvez esteja pagando seus pecados pelo tratamento dispensado ao competente Cristóvão Borges, injustamente hostilizado por considerável parcela de torcedores.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Não Podes Perder Nem Empatar Com Ninguém: Botafogo Campeão Na Taça Guanabara 2013

Vasco e Botafogo coloriram o Engenhão de preto e branco numa linda tarde de domingo. Em campo, duas equipes que integravam - e continuarão integrando - o grupo A no Campeonato Estadual 2013. Por ter feito melhor campanha naquela fase, o Vasco jogava com a vantagem de poder empatar para ser campeão. Só que deu Botafogo. Foi a vitória do time que mais procurou atacar, que mais buscou o gol, que teve maior volume de jogo, que mostrou-se mais preparado técnica e taticamente para levantar a taça Guanabara 2013.

Talvez o destino fosse diferente se Carlos Alberto tivesse concluído na parte interna da rede um lance ainda nos primeiros minutos de jogo. Só que não. Talvez nem Carlos Alberto nem nenhum vascaíno, por mais pessimista que pudesse ser, poderia imaginar que aquela oportunidade de gol seria a maior do time em toda a partida. O Botafogo dominou territorialmente, se impôs. E o gol do título tardou, mas veio: aos trinta e cinco minutos do segundo tempo, uma jogada iniciada por Seedorf pela esquerda terminou com assistência de Bolívar (que recebeu cruzamento de Júlio César) para a finalização precisa de Lucas.

Perceberam como o Botafogo pressionava? A bola passou pelo maestro holandês e por três jogadores que teoricamente compõem a linha de defesa, envolvendo um zagueiro e ambos os laterais. O Alvinegro mostrou que a melhor maneira de se defender é atacando. Manteve a bola longe do goleiro Jéfferson e deu muito trabalho para o goleiro Alessandro. No final, o Vasco enfim tirou a máscara que o assemelhava a um clube pequeno e foi para cima. Faltava organização, é verdade, mas pelo menos havia coragem. Coragem que não era vista anteriormente, num time que chegou ao cúmulo de simular lesões (até Dedé o fez) e retardar toda e qualquer reposição de bola em jogo (que o diga o goleiro Alessandro).

Houve tempo para um gol anulado de Renato Silva (o vídeo abaixo não tira dúvida nenhuma, mas deixa a certeza de que foi um momento dos mais emocionantes no torneio). Houve tempo também para defesa de Jéfferson, em nova cobrança de falta de Fellipe Bastos. Muito pouco. Mesmo para alguém que "jogava pelo empate". Parabéns, Botafogo, merecidamente campeão na Taça Guanabara 2013.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Time Da Virada Vence E Passa Em Primeiro

O Vasco da Gama, que tinha tudo e mais um pouco para terminar a Taça Guanabara na condição de vice-líder no grupo A, conseguiu a classificação para a semifinal como primeiro colocado em sua chave. Numa rodada em que todos os quatro clubes da Série A nacional marcaram dois gols cada (o Flamengo não foi vazado pelo Olaria no sábado enquanto, no domingo, Botafogo e Fluminense empataram com Boavista e Madureira, respectivamente), o Vasco saiu atrás mas conseguiu a virada pra cima do Duque de Caxias, em Macaé.

Desta forma, teremos como cruzamentos semifinais Vasco e Fluminense (Vasco com a vantagem do empate) e Flamengo e Botafogo (Flamengo com a vantagem do empate). O Duque de Caxias, que em alguns momentos dava pinta de vencer o jogo, amargou nova derrota e terminou o turno como lanterna no grupo B, com a terceira pior campanha no geral.

O jogo

Por mais que todos saibamos que o Campeonato Estadual no Rio de Janeiro tenha um abismo entre os quatro clubes mais ricos e os doze menos badalados, o que se viu no primeiro tempo em Macaé foi uma equipe do Duque de Caxias superior ao Vasco da Gama. Isso mesmo, superior. Se não tecnicamente, pelo menos no comportamento tático e, sobretudo, na disposição demonstrada.

Nove minutos depois de a bola começar a rolar, o atacante Charles Chad teve grandiosa oportunidade de abrir o placar, em lance semelhante àquele fatídico Corinthians e Vasco, quando Cássio foi buscar a finalização de Diego Souza, em 2012, pela Copa Libertadores da América daquele ano. Só que Charles, com um péssimo chute, facilitou a ação para o goleiro Alessandro, que pegou com tranquilidade.

Mas os deuses do futebol foram generosos com Charles, que nove minutos depois teve nova chance clara, dessa vez aproveitando o cruzamento de Leandro Cruz e mandando para a rede, se antecipando ao zagueiro Renato Silva e ao goleiro Alessandro. 1a0 Duque de Caxias.

E o Caxias só não foi para o vestiário com uma vantagem maior porque a arbitragem comandada por André Rodrigo Rocha inventou impedimento em lance onde Leandro Cruz marcaria o segundo gol, aos trinta e nove minutos.

O Vasco voltou para o segundo tempo mais ligado e a defesa passou a conceder menos espaços aos atacantes adversários. Com duas bolas na trave (uma de Bernardo cobrando falta e outra de Dakson, que entrara no lugar de Dieyson), o Clube da Colina dava sinais de melhora. Mas mesmo assim, o Duque de Caxias esteve muito perto de balançar a rede novamente: aos vinte e três, Leandro Cruz voltou a efetuar cruzamento pelo flanco esquerdo e Charles Chad, em ótima condição, não tirou proveito da falha de Renato Silva, chutando para fora e desperdiçando o que seria o segundo gol (moralmente, o terceiro, não esquecendo da anulação no lance de Leandro Cruz no primeiro tempo).

Não ampliou a diferença aos vinte e três, tomou o empate aos vinte e nove. Realidade dura para os comandados de Mário Júnior: após bela jogada individual de Carlos Alberto, Fernando rebateu, a zaga não afastou e Bernardo conseguiu mandar para dentro, cabeceando após chute de Dakson. 1a1.

E se o meia estava contente naquele momento (chegou a tirar a camisa na comemoração, recebendo cartão amarelo), o que dizer cinco minutos depois, com o gol da virada? Aos trinta e quatro, Carlos Alberto acertou o travessão e Bernardo aproveitou o rebote. 2a1 Vasco.

Torcedores presentes no estádio Cláudio Moacyr cantarolavam "ô Urubu, pode esperar, a sua hora vai chegar". Curiosamente, o encontro entre Bacalhau e Urubu só aconteceria se o Vasco fosse vice-líder no grupo A. Mas os vascaínos, talvez sem contar com o tropeço do Botafogo diante do Boavista, terminaram líderes, e por isso enfrentam o Fluminense. Seria aquele cântico um complexo de vice ou a antecipação da final? Veremos o que acontece em cada semifinal.

domingo, 14 de outubro de 2012

Santos Supera 'Neymardependência' E Vence Vasco


Santos e Vasco se enfrentaram na Vila Belmiro com pelo menos uma coisa em comum: ambos foram a campo desfalcados de seus principais jogadores. Sem a experiência e liderença de Juninho Pernambucano, o meio-campo vascaíno foi sofrível na partida. Felipe e Carlos Alberto não foram capazes de conduzir o time com grande qualidade ao ataque, embora uma ou outra oportunidade tenham sido criadas. A entrada de Marlone no segundo tempo até deu novo ânimo, mas pouco acrescentou ao time comandado por Marcelo Oliveira. Pelo lado do Santos, a ausência de Neymar já é por si só significativa. Somando-se a ela as de Bernardo e André, imagina o estrago ofensivo. Mas Muricy Ramalho, pasmem, conseguiu armar uma equipe ligeira e, em alguns momentos, envolvente. E, tirando proveito da marcação em linha da defesa oponente, o argentino Miralles precisou de dois momentos de liberdade para marcar os dois gols do jogo, um no início de cada tempo. Primeiro, recebeu passe de Bill, que estava praticamente na linha média do gramado. Depois, mais próximo da área, Felipe Ânderson deu a assistência, também tirando proveito da (des)marcação em linha dos visitantes.

O Santos não encantou, até porque time de Muricy Ramalho não vai a campo com esse objetivo. Mas jogou para vencer e mereceu a vitória. O Vasco, ineficaz sem a bola e inoperante com ela, foi presa fácil. Com Neymar em campo, talvez tivéssemos uma goleada na tarde santista. Com Juninho, talvez o Vasco, pelo menos, impusesse maior resistência.

Com 41 pontos, o Santos sobe na tabela e se afasta da zona de descenso (o Sport abre o setor indesejável na tabela classificatória com 27). Com 50, o Vasco vê interrompida uma sequência de 54 rodadas integrando o chamado "G4", situando-se dois pontos abaixo do São Paulo, que pela primeira vez nessa edição consegue chegar lá.

Na próxima rodada, o Santos recebe o vice-líder Atlético Mineiro. O Vasco faz clássico carioca e alvinegro com o Botafogo.

Anteontem publicamos entrevista com Luiz Ademar, que defende o trabalho de Muricy. Confira!

domingo, 16 de setembro de 2012

Pouco Inspirados, Cruzeiro E Vasco Apenas Empatam

Cruzeiro e Vasco empataram em Varginha, pela 25ª rodada no Campeonato Brasileiro 2012. A torcida cruzeirense, insatisfeita, entoou nos últimos minutos de jogo os dizeres "Adeus, Roth". Já os vascaínos, que recentemente testemunharam uma troca de treinador (Marcelo Oliveira assumiu após a saída de Cristóvão Borges), comemoram um ponto conquistado fora de casa mas lamentam o fato de não terem conseguido uma vitória que esteve mais perto de si que do adversário.

Se para o Cruzeiro o duelo poderia ser visto como um confronto direto por vaga na Libertadores-2013, a equipe celeste perdeu a oportunidade de se aproximar do G4, mantendo-se a oito pontos do Vasco, quarto colocado. Vasco que, devido às derrotas de Fluminense e Atlético Mineiro, termina a rodada um ponto mais próximo ao topo da tabela (está a dez pontos do Tricolor Carioca e a oito do Galo, que tem um jogo a menos).

Pelo futebol apresentado, acho pouco provável que o Cruzeiro consiga arrancar em direção à Libertadores e o Vasco ao título, faltando treze rodadas para o encerramento do campeonato. No próximo domingo, às quatro da tarde, Cruzeiro e Vasco atuarão no mesmo estado, quando visitarão, respectivamente, o São Paulo e a Ponte Preta.

O jogo

As coisas começaram dando certo para os cruzeirenses, que abriram o placar aos três minutos em lance onde Renato Silva cabeceou para a própria rede numa tentativa de cortar o cruzamento de Éverton. Aos oito, Wallyson quase ampliou, parando em defesa de Fernando Prass.

Só que o Vasco conseguiu chegar ao empate: aos vinte e sete minutos, Juninho Pernambucano cobrou falta para a área, Fábio deu um soco na bola incapaz de afastar o perigo e Nilton aproveitou o rebote. 1a1 no placar.

A maior chance de desempate antes do intervalo foi dos visitantes, com o equatoriano Carlos Tenório cabeceando bem e Fábio intervindo de maneira ainda melhor, fazendo difícil defesa. No segundo tempo, Tenório teve nova oportunidade e desperdiçou de forma incrível: após driblar Fábio, chutou torto, para fora. Aos quinze, o Cruzeiro respondeu com Wellington Paulista, outro a parar em grande defesa de Prass.

O Vasco tinha mais volume de jogo, mas eram escassas as tramas de jogadas que envolvessem o sistema defensivo oponente, fato que justificou a persistência do empate até o apito final. Aos trinta e oito, um lance que faço questão de comentar: após tentativa de lançamento do argentino Walter Montillo, Prass dominou a bola no peito para somente depois pegar com as mãos. Um pouco de arte num jogo de pouquíssima inspiração. Mas eis que Wellington Paulista foi reclamar acintosamente com o goleiro adversário, provavelmente alegando que aquilo tenha sido algum tipo de provocação. Ora, Wellington, provocação é maltratar a bola - provocação com quem quer ver um jogo bem jogado. Cuide mais do seu relacionamento com a redonda antes de se indignar tão gratuita e inoportunamente.

domingo, 12 de agosto de 2012

Com Cara De Líder, Atlético Vence Vasco

Líder e vice-líder na tabela de classificação, Atlético Mineiro e Vasco se encontraram no estádio Independência e não decepcionaram aqueles que esperavam um grande jogo. A partida foi movimentada (principalmente devido ao ótimo sistema de criação de jogadas atleticano) e o resultado final de 1a0 não retratou a dinâmica dos acontecimentos.

O jogo

Num país onde a mídia sensacionalista parece se multiplicar, o Atlético Mineiro foi recentemente alvo da imprensa por fatores extra-campo. Mas, se aconteceu alguma coisa mais ou menos perto do que foi noticiado, o relfexo no campo teve efeito inverso - com ótima atuação coletiva e conduzida pelo talento inconfundível de Ronaldinho Gaúcho, a equipe comandada por Cuca se impôs, foi superior durante a maior parte do tempo e por muitas vezes colocou o competente sistema defensivo de Cristóvão Borges na roda.

O ritmo acelerado atleticano no campo de ataque foi visto com intensidade nos primeiros minutos, com o Vasco, aos poucos, conseguindo se portar no gramado de modo a diminuir as oportunidades de gol ao adversário. Gramado que, diga-se, mostrou não ter condições de comportar os jogos de Atlético, Cruzeiro e América, dando claros sinais de desgaste. Isto é, o jogo que era bom, poderia ter sido ainda melhor se disputado num terreno mais apropriado para a prática esportiva.

Bernard e Guilherme se deslocavam bastante e aumentavam as opções de passe para um lúcido Ronaldinho, que tinha ainda Jô mais à frente como referência no ataque. Mas, bem marcado por uma defesa atenta, o Atlético só conseguiu abrir a contagem aos 24 minutos no segundo tempo: Ronaldinho cruzou da esquerda, Fernando Prass desviou com um tapa e a bola chegou até Jô, que completou para a rede, no canto esquerdo. 1a0 Atlético e explosão de alegria da maior parcela de torcedores presentes nas arquibancadas. Detalhe: o Vasco não sofria gol há oito jogos.

Atrás no placar, o Vasco levava perigo basicamente nos lances de bola parada, com Juninho Pernambucano mostrando seu reconhecido talento nesse fundamento. Porém, a cobrança de falta que mais deu trabalho a um dos goleiros foi efetuada por Ronaldinho, que chutou forte e parou em defesa de Prass, que espalmou no alto. Cristõvão alternou formações no ataque, jogando o primeiro tempo com Éder Luís e Alecsandro, iniciando a segunda etapa com o equatoriano Tenório no lugar de Éder e terminando a partida com Alecsandro ao lado de William Barbio (Tenório saiu sentindo uma contusão que, a princípio, foi dita como estiramento na panturrilha direita). E se nenhuma das formações deu grande efeito, muito se deve a atuação pouco produtiva de Carlos Alberto, sobrecarregado na função de conectar o meio ao ataque.

Com essa vitória, o Atlético aumentou para quatro pontos a diferença para o Vasco na ponta da tabela - e tem um jogo a menos, podendo aumentá-la para sete. E o mais importante: o Atlético mostrou futebol de líder, postura de campeão e contou com o apoio de uma torcida que parece sentir que as coisas caminham muito bem, obrigado. Digam os sensacionalistas o que quiserem...

quinta-feira, 24 de maio de 2012

No Fim, Corinthians Vence Vasco E Avança Na Libertadores

Corinthians e Vasco travaram duelo pra lá de interessante valendo vaga na fase semifinal da Copa Libertadores da América 2012. Longe de terem sido dois jogos vistosos, mas de valor futebolístico exaltável pela solidez tática apresentada por ambos os conjuntos. Dois times brasileiros que, por permitirem a seus treinadores uma sequência no trabalho (algo que contraria aquele cacoete dos dirigentes tupiniquins de demitir o comandante a torto e a direito), puderam proporcionar uma partida que se aproximava de um jogo de xadrez. De um jogo de xadrez bem jogado.

A vitória corinthiana no Pacaembu aconteceu, a meu ver, em dois momentos-chave: [1] a defesa milagrosa de Cássio num lance em que parecia gol certo de Diego Souza e [2] o gol propriamente dito, marcado por Paulinho aos 42 minutos do segundo tempo.

Por se tratar de um jogo de poucas chances de gol - mais méritos defensivos do que deméritos ofensivos, embora o pragmatismo tenha pesado muito mais que a audácia -, a oportunidade desperdiçada por Diego Souza foi, sim, impactante. Mas se o zagueiro Rodolfo tivesse pelo menos acompanhado Paulinho no lance do gol, talvez o 0a0 persistisse até o apito final e tivéssemos o classificado conhecido nos pênaltis.

Mas, numa noite onde foi perceptível o esforço de cada elemento escalado tanto por Tite quanto por Cristóvão Borges, vamos relevar aqui os prováveis vacilos de Diego e Rodolfo e valorizar, isto sim, a grande defesa de Cássio aos 18 minutos do segundo tempo e o oportunismo de Paulinho para marcar o único gol dos 180 minutos - embora muitos ainda acreditem que, em São Januário, aquele gol de Alecsandro devesse valer...

Faltaram arte, jogadas de efeito, tabelas etc. Mas pelo ponto de vista tático, Tite e Cristóvão merecem o respeito dos amantes do futebol - as atuações coletivas e a organização de ambos os times explicitam a qualidade do trabalho que vem sendo feito nessas instituições.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Vasco E Corinthians Se Anulam No Rio E Decidirão Vaga Em São Paulo

No duelo entre os alvinegros Vasco e Corinthians, o marrom completou o espectro de cores no lamaçento gramado do estádio São Januário. Mas muito mais determinante que o campo pesado para o empate em 0a0 foi a postura adotada por ambos os times no confronto de ida pela fase quartas-de-final na Copa Libertadores da América 2012.

O duelo colocava frente a frente dois times qualificados, um atual campeão da Copa do Brasil e outro atual campeão do Campeonato Brasileiro, equipes que disputaram ponto a ponto essa última edição de Série A nacional. Com a manutenção da base de ambos os elencos, Cristóvão Borges e Tite tinham à sua disposição um plantel de entrosamento muito acima do visto na média nacional. E optaram por armar times cautelosos, embora com elementos de grande qualidade técnica.

O time da casa veio com um meio-campo formado por Nilton, Rômulo, Juninho e Diego Souza (Felipe e Carlos Alberto entraram somente no segundo tempo, nos lugares dos dois últimos). Os visitantes, com Ralf, Paulinho, Danilo e Alex - só que era mais comum Jorge Henrique e Émerson recuarem para a meiuca do que qualquer um desses quatro encostar na suposta dupla de ataque.

Tais desenhos táticos minimizaram o trabalho dos goleiros Fernando Prass e Cássio, mas mesmo assim foram vistas boas intervenções dos arqueiros. A mais impressionante delas foi de Prass, que defendeu cabeceio de Jorge Henrique no contrapé. Uma bola cabeceada por Alecsandro até foi parar na rede, no único gol do jogo. Mas a arbitragem acertou ao anular sob alegação de impedimento do centroavante vascaíno - e o 0a0 refletiu bem o que foi a partida no Rio de Janeiro. Para o jogo de volta, em São Paulo, qualquer empate com gol dá a classificação ao Vasco.

Se pensarmos que esse 0a0 diante do Corinthians foi a única partida no ano em que o Vasco não marcou gol, o torcedor cruzmaltino deve se manter confiante nas possibilidades de classificação. E confiante também deve estar o torcedor corinthiano, que viu na fase anterior o time empatar fora de casa com o Emelec em 0a0 e arrancar uma goleada de 3a0 no jogo de volta. Resta saber se Cristóvão e Tite montarão times mais preocupados em manter a meta inviolável ou em marcar gol no adversário.

domingo, 29 de abril de 2012

Invicto Em 2012, Botafogo Vence Vasco E É Campeão Na Taça Rio

Num Engenhão 100% alvinegro, quem fez a festa no estádio foi a metade que tinha como emblema a estrela solitária. Por sinal, essa conquista da Taça Rio 2012 representa o primeiro título botafoguense na casa que administra desde o ano 2007.

A vitória por 3a1 sobre o Vasco confirma a boa temporada que vem sendo feita pelo Botafogo, que mantém-se invicto no ano, e coroa o belo início de trabalho do técnico Oswaldo de Oliveira, que vai implementando sua filosofia de trabalho e conquistando os exigentes torcedores com bons resultados e boas atuações.

O primeiro gol saiu no começo de partida, com participação relevante de uma gandula: ao entregar rapidamente a bola para Maicosuel, o camisa sete cobrou o arremesso lateral para Márcio Azevedo e este explorou a brecha deixada pela defesa vascaína, cruzando na medida para que Sebastián "El Loco" Abreu concretizasse a abertura no placar.

Os comandados de Cristóvão Borges não pareciam ter se abalado com o acontecimento e foram criando chances para tentar reestabelecer a igualdade no marcador. O sistema defensivo botafoguense, embora às vezes envolvido pelas trocas de passe oponentes, foi se encaixando e o público passou a ver grandes atuações de Antônio Carlos, Márcio Azevedo e, principalmente, de Fellype Gabriel, que substituiu Renato (contunido na semifinal diante do Bangu) na função de segundo volante e teve performance formidável.

Se no parágrafo anterior não foi citado o nome de Fábio Ferreira - que também marcava bem -, o nome do zagueiro entra agora como o autor da assistência para o segundo gol. No final do primeiro tempo, Elkeson cobrou falta levantando a bola na área e o camisa quatro cabeceou para Abreu simplesmente concluir o lance para o gol.

Com a desvantagem de 2a0, Cristóvão preparou uma dupla mexida no intervalo. Allan entrou, Alecsandro saiu; Felipe saiu, Juninho entrou. Analisando friamente, o Vasco perdia um elemento de ataque, com Diego Souza sendo adiantado para a função de centroavante e formando dupla de frente com Éder Luís, quando no primeiro tempo era mais responsável por, ao lado de Felipe, servir a ambos. E o Botafogo nem deu tempo ao Vasco de respirar essa nova formação tática, pois Maicosuel foi lançado e não desperdiçou a oportunidade, chutando cruzado e marcando 3a0.

A festa tomava conta dos setores Norte e Oeste e o avançar do cronômetro foi trazendo gritos de "olé", "vice de novo" e o tradicional "é campeão". Carlos Alberto, que entrou como última substituição de Cristóvão (Fágner deixou o campo, depois de levar muita canseira de Maicosuel), marcou o gol de honra cruzmaltino.

No final, um Botafogo combativo sem a bola e objetivo quando com ela sagrou-se campeão da Taça Rio e agora decidirá o título estadual diante do Fluminense, campeão da Taça Guanabara. Mas, antes do primeiro jogo de uma final de 180 minutos, tem o jogo de ida das oitavas-de-final da Copa do Brasil, enfrentando quarta-feira o Vitória, em Salvador. Se o título na Taça Rio leva à disputa do caneco estadual, a conquista na Copa do Brasil leva à disputa da Copa Libertadores da América. O Vasco sabe muito bem disso e já deve estar pensando no confronto com o Lanús.

domingo, 22 de abril de 2012

Vasco Vence Flamengo De Virada E De Novo

Que "o Vasco é o time da virada", muita gente já sabe - seja de já ter ouvido esse cântico da torcida cruzmaltina, seja por ter passado nesse blógui anteriormente. E, a exemplo do ocorrido na semifinal da Taça Guanabara, a equipe comandada por Cristóvão Borges virou o jogo pra cima do Flamengo de Joel Santana e marcará presença numa final de turno no Campeonato Estadual.

A partida teve ritmo frenético, sobretudo no primeiro tempo. O Flamengo teve a felicidade de aproveitar sua primeira oportunidade de gol: no terceiro minuto de jogo, uma trama rápida e precisa envolvendo Ronaldinho Gaúcho (que fez o lançamento), Kléberson (que deu a assistência com um toque de primeira) e Vágner Love (que dominou e chutou para a rede) colocou o 1a0 no placar no Engenhão.

A resposta vascaína foi ligeira, e só não rendeu o empate no minuto seguinte porque Júnior César evitou que a bola chutada por Éder Luís atravessasse a linha derradeira. O Vasco só fazia subir de rendimento e pressionar o Flamengo. O prêmio pela superioridade em campo veio aos treze minutos: Felipe chutou de fora da área e Éder Luís aproveitou o rebote do goleiro rubro-negro. 1a1.

Por falar em chutes de fora da área, faz-se necessário citar um terceiro Felipe: o volante de sobrenome Bastos. A força e precisão nos remates de longa distância deste jogador chegam a impressionar. Até cobrança de falta de antes da intermediária ele estava mandando direto pro alvo, obrigando o goleiro que lhe é xará a intervir. Mas foi do Felipe camisa seis, e não de Bastos, o gol da virada: aos quarenta e um minutos, quando o Vasco seguia melhor em campo, o jogador calvo chutou no canto esquerdo, mas tão no canto esquerdo, que a bola bateu naquela trave e foi encontrar a rede no canto oposto. 2a1, virada vascaína.

Aos quarenta e quatro minutos, houve pênalti de Welinton em Rodolfo naqueles lances de escanteio, tão rotineiros no futebol. Achei curioso o comentário de Arnaldo Cezar Coelho a respeito do lance e até tomei nota: "agarra-agarra sempre há, mas houve agarra-agarra". O agarra-agarra comentado por Arnaldo, ex-árbitro que inclusive apitou a final da Copa do Mundo de 1982, nada mais era que Welinton agarrando e Rodolfo sendo agarrado. Em 2008, o árbitro Marcelo de Lima Henrique (o mesmo escalado para essa partida que estamos aqui analisando), marcou pênalti de Ferrero no agarra-agarra com Fábio Luciano. A diferença básica é que a camisa puxada era do Flamengo, na então final da Taça Guanabara.

No início do segundo tempo, Alecsandro recebeu de Thiago Feltri, tocou na bola forte demais e caiu em choque com o goleiro Felipe. Pênalti marcado, em lance difícil de atestar ter havido a infração. Mas como os flamenguistas poderiam reclamar de algo, pergunto. Na cobrança, Felipe mandou a bola pro lado esquerdo e Felipe mandou-se para o lado direito. 3a1 Vasco.

Mas o Flamengo tinha a seu serviço o melhor jogador da noite: Kléberson. Aos sete minutos, o meio-campista campeão mundial com a seleção brasileira em 2002, descolou chute maravilhoso de longa distância e superou o goleiro Fernando Prass. Chute tão bem dado que mesmo se o arqueiro vascaíno estivesse melhor posicionado, dificilmente conseguiria evitar que a bola tomasse o rumo da rede.

O placar de 3a2 deixava tudo em aberto, mas Joel Santana complicou as coisas aos vinte e nove minutos, quando trocou Kléberson por Renato Abreu, numa troca dupla que também envolveu a entrada de Negueba no lugar de Luiz Antônio (no intervalo, havia trocado Muralha por Darío Bottinelli). Mesmo com a mudança radical no setor de meio-campo e a saída de Kléberson, o Flamengo teve chances de empatar a partida. Uma das mais agudas ocorreu após descida de Leonardo Moura pela direita, com Ronaldinho Gaúcho chegando de carrinho para tentar completar o cruzamento, mas não conseguindo desviar o curso da bola para dentro da baliza.

Coube ao Vasco administrar a vantagem, algo que foi feito da melhor maneira possível: atacando o Flamengo. A entrada de Carlos Alberto deu nova dinâmica ao ataque vascaíno, mas nenhuma oportunidade foi convertida - nem precisava, a virada já estava consumada. Agora, Botafogo e Vasco decidem a Taça Rio 2012. O Fluminense, que faturou a Taça Guanabara mas não avançou para a semifinal na Taça Rio, aguarda o campeão para a decisão do título estadual. O Flamengo, eliminado na fase de grupos da Libertadores e fora da decisão do segundo turno estadual, aguarda o início do Campeonato Brasileiro para voltar a atuar em uma partida oficial.

Outro resultado

Sábado
Bangu 2a4 Botafogo

domingo, 15 de abril de 2012

Vasco Vence Nova Iguaçu E Reencontra Flamengo Na Fase Semifinal

O Vasco venceu o Nova Iguaçu por 3a1 na última rodada da Taça Rio e assegurou uma vaga na fase semifinal do segundo turno estadual. Sem riscos de rebaixamento nem chances de classificação, o Nova Iguaçu encerrou sua participação na Taça Rio como vice-lanterna na chave A (na classificação geral dos dois turnos foi 9º colocado). O Vasco, vice-líder no grupo B (ficou atrás do Bangu), pegará o Flamengo na fase semifinal, a exemplo do que ocorrera na Taça Guanabara. Bangu e Botafogo jogam a outra partida que dá vaga na final da Taça Rio. O Fluminense, campeão no primeiro turno, aguardará o campeão do segundo para fazer as finais estaduais.

O jogo

Logo no terceiro minuto de partida, William Barbio, jogador revelado no Nova Iguaçu, fez jogada individual pela esquerda, chutou e Rômulo apenas conferiu no rebote do goleiro Jéfferson: 1a0 Vasco.


Tudo aparentemente muito simples e muito fácil para os vascaínos, que faziam belo início de partida no sentido de buscar o ataque a todo instante. Acontece que buscar o ataque a todo instante não é sinônimo de ter oportunidades claras, e o Vasco tinha dificuldades de encarar a defesa do Nova Iguaçu e o péssimo gramado de Moça Bonita. Após a primeira parada técnica, o jogo teve uma mudança no panorama e passamos a ver o Nova Iguaçu mais envolvente nas jogadas ofensivas. Aos vinte e oito minutos, Fernando Prass evitou o gol de empate ao rebater chute forte de Dieguinho. Aos trinta e um minutos, quem encostou na bola com o braço dentro da área foi o zagueiro Douglas: pênalti que Zambi cobrou e colocou na rede, aos trinta e um.

Zambi fazia atuação interessante - foi jogada individual dele que deu origem ao pênalti convertido pelo próprio -, com deslocamentos pelo gramado e participação constante nas jogadas de ataque do Laranja da Baixada. O Vasco não atravessava bom momento na partida, mas mesmo assim conseguiu voltar a assumir a frente no marcador: Rômulo lançou, Alecsandro foi mais esperto que o zagueiro que o acompanhava e não se deixou trair pelo quique da bola, tocando na saída do goleiro. 2a1 Vasco, aos trinta e nove minutos do primeiro tempo.

No intervalo, Cristóvão Borges trouxe Nilton para o lugar de Juninho Pernambucano (que sentiu dores musculares na coxa) e Carlos Alberto para o lugar de Éder Luís (sumido demais no primeiro tempo). E Carlos Alberto reestreou bem, compensando a falta de ritmo de jogo na base de seu indiscutível talento com a bola nos pés. Arriscou um chute de fora da área que passou não muito longe do ângulo esquerdo. Correu. Dividiu sem poupar esforços. E quase marcou o que seria um golaço: aos trinta e dois minutos, driblou Filipe, ficou de frente pro gol e chutou à esquerda. Se tomasse um gol, o Vasco veria o Fluminense (que naquele momento goleava o Olaria) ultrapassá-lo na tabela de classificação, o que custaria uma eliminação. Só que aos quarenta e cinco minutos, Alecsandro tranqüilizou as coisas para o Cruzmaltino e marcou o terceiro, recebendo nova assistência de Rômulo e chutando cruzado, no canto direito.

sábado, 7 de abril de 2012

Campeonato Estadual Fluminense: Aspectos Positivos E Negativos De Uma Fórmula Polêmica

Os primeiros meses do ano no calendário futebolístico brasileiro são reservados basicamente a três competições: a Copa Libertadores da América (de dimensão continental, organizada pela CONMEBOL e com seis clubes brasileiros na disputa), a Copa do Brasil (de dimensão nacional, organizada pela CBF e iniciada com 64 clubes) e os Campeonatos Estaduais (organizados por cada federação e abrangendo somente time nos limites da respectiva fronteira estadual). Neste tópico iremos lançar um olhar sobre o Campeonato Estadual disputado no Rio de Janeiro, que nos últimos anos vem repetindo a fórmula de disputa em dois turnos. O objetivo não é exaltar nem desmerecer a competição e seu formato, mas buscar um entendimento do modelo vigente para que possamos concluir se dá ou não para ser melhorado para as próximas temporadas.

A fórmula

Com dezesseis clubes integrantes, o Campeonato Estadual Fluminense conta com dois grupos, cada um com oito clubes, não podendo ter nem mais nem menos do que dois "grandes" em cada chave - em 2012 ficaram Botafogo e Flamengo no grupo A; Fluminense e Vasco no grupo B.

No primeiro turno (Taça Guanabara), cada equipe enfrenta os sete outros times de seu mesmo grupo (ou seja, há dois clássicos: Botafogo e Flamengo, e Fluminense e Vasco). As duas equipes que mais pontuarem, avançam para a fase semifinal. As vencedoras na fase semifinal jogam a final - sempre em jogo único, com desempate em disputa por pênaltis em caso de igualdade no tempo regulamentar.

No segundo turno (Taça Rio), cada equipe enfrente os times situados no outro grupo, isto é, em vez de sete rodadas há aqui oito jornadas para a conclusão da fase que antecede os jogos eliminatórios. Os clássicos passam a ser, no exemplo de 2012, Botafogo e Fluminense, Botafogo e Vasco, Flamengo e Fluminense, e Flamengo e Vasco. Copiando e colando o que ocorre no primeiro turno:  as duas equipes que mais pontuarem, avançam para a fase semifinal. As vencedoras na fase semifinal jogam a final - sempre em jogo único, com desempate em disputa por pênaltis em caso de igualdade no tempo regulamentar.

Se o time campeão na Taça Guanabara faturar também a Taça Rio, este é campeão estadual. Se os campeões de um turno e de outro forem clubes distintos, fazem-se dois novos jogos entre eles e o time que marcar mais gols é o campeão estadual (havendo igualdade na soma dos gols, desempate em disputa por pênaltis).

Ademais, os dois times com menor pontuação na soma dos quinze jogos não-eliminatórios (sete no primeiro turno e oito no segundo turno), são despromovidos para a Série B estadual.

Analisando

A fórmula de dois turnos no modelo atual vem sendo dominada pelos quatro "grandes", que constantemente integram as vagas na fase semifinal jogando entre si. As fases semifinal e final costumam reservar grandes emoções, muitas das vezes sendo definidas em disputa por penalidades máximas. Quando tem início o segundo turno, ocorre o que considero uma aberração na disputa pelas quatro vagas nas semifinais (duas de cada grupo): um time tem a possibilidade matemática de se classificar com oito derrotas enquanto outro time tem a possibilidade matemática de ser eliminado com oito vitórias em oito jogos.

Atualmente, estamos com seis rodadas disputadas, ou seja, faltando duas para a definição das semifinais na Taça Rio 2012. O líder no grupo B é o Vasco, com onze pontos ganhos. Essa pontuação do Vasco o colocaria apenas na quinta colocação no grupo A. Por outro lado, o Flamengo, líder no grupo A com quinze pontos, ainda pode ser ultrapassado por Botafogo, Macaé e Resende, isto é, não está matematicamente classificado. Se estivesse no grupo B com uma campanha rigorosamente igual a atual, não somente seria líder como já estaria garantido na semifinal independentemente dos resultados nas duas últimas rodadas.

Nova Iguaçu e Madureira, com sete pontos ganhos e nas respectivas 6ª e 7ª colocações no grupo A, estão fora da disputa por vaga na semifinal (o atual 2º colocado, o Botafogo, tem catorze pontos e não pode ser alcançado nem pelo Laranja da Baixada nem pelo Tricolor Suburbano). Já o Boavista, lanterna no grupo B com três pontos, ainda tem possibilidade matemática de classificação para a semifinal. É evidente que ninguém em sã consciência apostaria nessa hipótese, mas o simples fato de essa situação se oferecer, mostra que alguma coisa está fora de ordem no modo de disputa da competição.

Um outro caso curioso é o do Bangu. Depois de campanha pífia na Taça Guanabara, quando perdeu todos os sete jogos disputados, o Alvirrubro da Zona Oeste é atualmente vice-líder no grupo B na Taça Rio (ou seja, está na zona de classificação para a fase semifinal). Isso por si só não deixa de ser uma coisa interessante, mas tenhamos atenção no que poderia ocorrer com o Bangu: com nove pontos na soma dos dois turnos, o time está ameaçado pelo rebaixamento, ao mesmo tempo em que tem a possibilidade - e por que não? - de ser campeão estadual esse ano. Quer dizer, no mecanismo em vigor no Campeonato Estadual no Rio de Janeiro, poderíamos ter um clube campeão sendo rebaixado para a segunda divisão. Em que outro lugar do mundo admite-se algo dessa natureza? Sinceramente, acho que precisamos rever o calendário brasileiro com urgência. Isso inclui jogos realizados sob o sol no verão com sensações térmicas passando dos quarenta graus centígrados, isso inclui partidas tarde da noite para atender interesses de emissoras de televisão, e, no caso do Campeonato Estadual Fluminense, isso inclui também o modelo de disputa.

A sugestão que faço por ora é encontrarmos uma maneira de colocar os quatro "grandes" com o torneio já em andamento, o que diminuiria a carga de jogos desses times e daria aos demais clubes maiores possibilidades de chegar numa fase eliminatória na competição. Pretendo esquematizar algo com mais pormenores e postar neste blógui, mas a princípio acho relevante deixar bem claro que sou contra o modelo de pontos corridos nos estaduais (aprovo essa disputa para os Campeonatos Brasileiros em todas as suas séries). E que o formato do Estadual no Rio de Janeiro, sobretudo no que tange essa fase na Taça Rio, precisa ser revisto.

Abraços.

domingo, 25 de março de 2012

Vasco E Resende Empatam Em São Januário Numa Tarde Para Chico

O duelo entre Vasco e Resende, em São Januário, colocava em campo uma equipe tradicional e outra pouco conhecida fora do Rio de Janeiro. Colocava o líder no grupo B diante do 4º colocado no grupo A (se bem que, se o Vasco estivesse no grupo do Resende, estaria na 5ª colocação, atrás do adversário). E, na partida, o que se viu foi cada equipe atuando melhor em um tempo. O Resende, que fez ótima primeira etapa, saiu na frente. Mas, na etapa final, o Vasco cresceu, dominou e chegou ao empate. Com o resultado de 1a1, o Vasco cai para a vice-liderança em sua chave (foi ultrapassado pelo Bangu, invicto na Taça Rio) enquanto o Resende, invicto como o Bangu, fica na quarta colocação em seu grupo, três pontos atrás do Macaé e do vice-líder Flamengo (o Botafogo aparece em primeiro lugar, com a bela campanha de quatro vitórias e um empate nesse segundo turno, mantendo a invencibilidade no Campeonato Estadual 2012).

Na próxima rodada, o Vasco joga com o Macaé às 16h de sábado. Já o Resende - que torcerá pelo Vasco - pega o Americano no mesmo horário.

O jogo

Diferentemente de grande parte dos times ditos "pequenos", o Resende adotou diante do Vasco uma postura de atacar o adversário, não se limitando a se defender. E fez isso muito bem, causando dificuldades ao sistema defensivo vascaíno através de saídas velozes pelos flancos do gramado. Só que enfrentar o lado direito de defesa do Vasco não era simples: Fágner e Dedé, dois atletas velozes, formavam uma dupla difícil de ser ultrapassada. Mesmo assim, o ligeiro Elias ainda se atreveu a partir pra cima desses dois jogadores, mostrando personalidade ao tentar dribles diferentes para ganhar espaço. Só que o gol do Resende saiu pelo outro lado, o direito de ataque e esquerdo de defesa do Vasco. Aos vinte e sete minutos, Thiago Feltri saiu jogando errado e foi tentar recuperar a posse de bola. Wellington visualizou o espaço deixado por Feltri e acionou Marcelo Régis com boa enfiada de bola. Renato Silva foi tentar cobrir o espaço deixado pelo companheiro e Dedé foi cobrir a posição de Renato, situação que não foi perdoada pelo bem organizado time comandado por Paulo Campos: Marcelo Régis cruzou rasteiro e Elias completou para a rede. 1a0 Resende na ensolarada tarde carioca, com direito a mal-estar do autor do gol ainda antes da reposição da bola em jogo (esse horário para a prática do futebol é uma coisa desumana).

O Vasco até teve algumas chances para empatar ainda no primeiro tempo, mas o goleiro Mauro deu conta do recado e foi importante para manter o Resende em vantagem até o apito de intervalo. No segundo tempo, o ímpeto vascaíno parece ter crescido, com os donos da casa estabelecendo uma pressão e jogando grande parte do tempo na metade ofensiva do campo. Aos dez minutos, Wellington cometeu pênalti em Feltri e até poderia ter sido expulso pelo advento de um eventual segundo cartão amarelo, mas o árbitro Marcelo de Lima Henrique limitou-se a indicar a penalidade máxima. Alecsandro "Nazareno" foi pra bola e chutou com firmeza, no canto direito, mas parou em grande defesa de Mauro, que saltou certinho e esticou-se para espalmar.

Novas chances claras apareceram, como por exemplo aos quinze minutos, quando Éder Luís desceu pela direita, cruzou por baixo, Alecsandro deixou passar e William Barbio chutou por cima da barra. O time de Cristóvão Borges detinha 65% do tempo de posse de bola e envolvia o Resende, que naquele momento sequer conseguia contra-atacar. Paulo Campos mexeu no time aumentando o poder de marcação, e o Vasco parecia ficar cada vez mais no campo de ataque. E, aos trinta e cinco minutos, o gol de empate saiu: Allan levantou a bola para a área, a defesa do Resende cabeceou para trás e Alecsandro, também de cabeça, mandou o objeto esférico no canto direito. 1a1 no placar.

Daí para o final, o Vasco teve algumas ocasiões para virar o jogo, mas também tomou um ou outro susto em respostas do Resende. Fernando "Robert Taylor" Prass, aos quarenta e sete minutos, conseguiu bloquear chute forte que tinha o endereço do gol, e acabou garantindo um ponto na partida em que o Cruzmaltino prestou homenagens a Chico Anyisio, torcedor do clube, falecido sexta-feira.
Detalhe da parte frontal na camisa do Vasco. Na parte de trás, nomes de personagens magistralmente interpretados por um dos maiores humoristas brasileiros.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Vasco, Libertad, Dores

Julgando meramente pelo resultado, o Vasco da Gama trouxe um relevante ponto de Assunción na bagagem. Mas fazendo uma análise mais sistemática pelo que foi o jogo no estádio Nicolás Leoz, a equipe brasileira poderia ter voltado para o Rio de Janeiro com a liderança do grupo 5 na Copa Libertadores da América 2012. Os comandados de Cristóvão Borges mostraram ter maiores recursos técnicos que os donos da casa, mas num ato de destempero de Diego Souza (autor do gol inaugural), passaram a jogar em desvantagem numérica e permitiram que o Libertad buscasse a igualdade no placar. Embora seja tranqüilamente discutível a qualidade da atuação do árbitro chileno Enrique Roberto Osses Zencovich - em determinado momento ele ficou absolutamente perdido nos critérios de ordem disciplinar -, o Vasco precisa, mais do que encontrar responsáveis externos pelo empate concedido, observar no próprio elenco os erros que custaram esses dois pontos não-ganhos. De toda forma, o vice-líder na chave tem nova chance de assumir a liderança: bastará vencer esse mesmo Libertad, na próxima quarta-feira, no estádio São Januário.

O jogo

Os dois times iniciaram a partida buscando o ataque, a exemplo da partida entre Chelsea e Napoli, pela Liga dos Campeões, realizada algumas horas mais cedo, em Londres. Só que as semelhanças entre um jogo e outro, infelizmente, terminam por aí. Com visíveis limitações técnicas, o time da casa não conseguia criar algo que envolvesse a defesa cruzmaltina e logo se viram sob pressão no campo defensivo. O placar foi aberto aos dezesseis minutos, em lance de bola parada. Se não havia Juninho Pernambucano (poupado para o clássico de domingo com o Botafogo, pelo Campeonato Estadual), quem levantou a bola na área foi Fágner, encontrando Diego Souza, que cabeceou (ou "nuqueou") para o gol.

Se o Vasco recuou intencionalmente ou não, não afirmarei de forma convicta. Mas o fato de freqüentar menos o campo de ataque trouxe o Libertad para a frente, e o time da casa foi exercendo domínio no jogo. De toda forma, o poder de criação paraguaia era limitado, apenas vez ou outra causando maiores dificuldades ao time brasileiro. Só que, aos sete minutos no segundo tempo, Diego Souza resolveu revidar uma agressão sofrida no primeiro tempo. E optou por fazer isso de um modo tolo e covarde. Tolo porque ele próprio estava com a bola (chamando a atenção da arbitragem) e covarde porque desferiu uma cotovelada no adversário. Expulsão correta e confusão no gramado, com direito a troca de dedos na cara, empurrões e outras expressões de natureza intimidatória.

De bonito mesmo, pouca coisa ocorreu. Um voleio de Dedé, aos dezoito, merece ser mencionado - o goleiro uruguaio Rodrigo Muñoz, bem colocado, encaixou após a bela finalização do zagueiro vascaíno. Aos vinte e cinco minutos, quando dava pinta de que o Vasco tinha se acertado com um homem a menos, veio o gol de empate: Velázquez escorou cruzamento para o meio da área e Núñez chutou no canto direito. 1a1.

Onze minutos depois, o próprio Núñez veio a ser expulso, reestabelecendo a igualdade numérica de jogadores (curiosamente, os dois jogadores que marcaram gol no jogo vieram a sair de campo expulsos). Daí para o apito final, destaque para uma finalização de Felipe, que passou perto do ângulo, e para um chute forte de Ayala, que colocou Fernando Prass para agir na base do reflexo.

Por esse mesmo grupo 5, o lanterna Allianza Lima venceu, no Peru, o uruguaio Nacional (1a0, assistência de Montaño para gol de Fernández). Desta forma, todos os quatro times dependerão somente de si para buscarem uma das duas vagas na fase oitavas-de-final. O Libertad está com 7 pontos, o Vasco com 4, o Nacional com 3 e o Allianza também com 3 pontos.