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sábado, 6 de janeiro de 2018

Cuidado, O Tubarão Vai Te Pegar!

Janeiro é um período especial não somente por marcar o início de um novo ano. No calendário futebolístico, este mês abraça a competição sub-20 mais atrativa do Brasil, que é a Copa São Paulo de Futebol Júnior.

Hoje, na cidade de Marília, Tubarão e Fluminense entraram em campo para partida válida pela segunda rodada na fase de grupos - o clube catarinense havia estreado com derrota (4a3 para o Marília) enquanto o Tricolor das Laranjeiras já somava três pontos na tabela de classificação (3a0 sobre o Mogi Mirim).

Considerando a tradição da camisa, a quantidade de jogadores revelados ao longo do tempo, a estrutura na base, e tantos outros fatores, o favorito ao jogo só poderia ser o Flu. E o Flu abriu o placar no início, dando a impressão de que encaminharia a vitória com relativa naturalidade.

Mas o time carioca não contava com a astúcia do Peixe. Bem distribuído pelo oceano, digo, pelo gramado, o Tubarão conseguia alcançar o último terço de campo em jogadas bem tramadas que exploravam os flancos e causavam dificuldades aos defensores oponentes. Israel Júnior esbanjava habilidade e era a figura mais ativa no campo de ataque catarinense. E eis que saiu o gol de empate: o próprio Israel Júnior recebeu em velocidade, arrumou com um toque de qualidade, avançou e chutou com categoria para desviar a bola da rota do goleiro Heitor.

O segundo tempo era promissor, pois ambos os times mostraram qualidades ofensivas que deixavam a partida bastante aberta. E se o tubarão é o senhor dos mares, o Tubarão se mostrou dono de Mar-ília: jogando pra cima, impondo velocidade e rodando a bola, a equipe virou o jogo em belíssima finalização de Luciano. Mais tarde, ficou com um jogador a mais quando Alex foi expulso (poderia e deveria ter sido expulso minutos antes, por cotovelada que passara impune).

E o Tubarão, tal qual um legítimo predador, sacramentou a vitória em cobrança de pênalti no canto esquerdo. Naquele momento, o time de Santa Catarina adentrava na zona de classificação para a próxima fase, mas um gol do Fluminense nos acréscimos colocou os cariocas em melhor situação no saldo. Definições somente na rodada derradeira. Quem andar na prancha, já sabe: cuidado, o Tubarão vai te pegar!
Bruce, do filme Procurando Nemo: "peixes são amigos, não comida". O Tubarão hoje devorou o Pó-de-arroz.

domingo, 17 de agosto de 2014

Botafogo Vence Fluminense E Sobe 7 Posições Na Tabela

Foto: Bruno de Lima / LANCE!Press
O Clássico Vovô tem esse nome por esse tratar do mais antigo de todos os clássicos brasileiros. Com histórias de longa data no futebol nacional, o Alvinegro de General Severiano e o Tricolor das Laranjeiras foram travar mais um confronto em meio a mais de três centenas deles ao longo de mais de um século de longevidade. Nesse futebol onde a dita modernidade cria modelos insanos para a prática do esporte, o palco da partida foi bem longe do habitual Maracanã: o estádio Mané Garrincha, na capital federal Brasília.

Território com bastantes botafoguenses e tricolores, a cidade, que é jovem se compararmos sua data de fundação com a dos clubes Botafogo e Fluminense, recebeu cerca de trinta mil torcedores na noite de domingo. Número considerável, principalmente se avaliarmos a atual situação de ambas as instituições: enquanto o Botafogo está com salários atrasados e em cenário político conturbado, o Fluminense vem de uma eliminação vexatória na Copa do Brasil. De quebra, o preço do ingresso mais barato menos caro abusivo era de oitenta reais. Mais de 10% de um salário mínimo!

Mas lá foram dezenas de milhares de apaixonados acompanharem o jogo no estádio que sediou alguns belos jogos na Copa do Mundo (acredite: era possível assistir um jogo de Mundial por preço inferior ao cobrado nessa partida de Campeonato Brasileiro). O primeiro tempo não engrenou: as equipes faziam partida travada, mais disputada física e territorialmente do que desenvolvida futebolisticamente. Só que os deuses da bola reservaram algo de outro nível para depois do intervalo, e a partida melhorou demais.

O Botafogo sem Dória e o Fluminense sem Gum até que se comportavam bem no miolo de zaga. Mas o Flu só não levou o primeiro gol nos primeiros vinte segundos no segundo tempo graças ao seu goleiro: após chute forte e colocado de Gabriel, Diego Cavalieri desviou sutilmente para escanteio. Era a primeira chance de muitas do Alvinegro. E duas delas vieram a ser aproveitadas. Aos vinte e dois, Zeballos tocou para Daniel e o jovem descolou maravilhosa finalização, deixando Cavalieri sem ação diante de uma bola que foi parar no ângulo esquerdo. Golaço. Três minutos depois, foi a vez de Zeballos deixar o dele em jogada fabricada no paraguaio Olimpia, só que com inversões de papéis: o centroavante Ferreyra cruzou rasteiro como se fosse um ponta e o ponta Zeballos fechou na pequena área como se fosse um centroavante. Ponto para o Botafogo.

Cristóvão Borges ficou sem reação no banco de reservas, provavelmente sentindo que o time piorou justamente depois de ele ter realizado sua primeira substituição (Cícero por Wálter, pouco antes do primeiro gol alvinegro). Com dois gols de desvantagem, trocou Bruno por Diguinho, mas viu o volante começar a mancar após dividida com Aírton. Ou seja: não era dia.

Vágner Mancini precaveu-se: trocou Tanque Ferreyra pelo também argentino Bolatti, aumentando a presença no meio-campo. Depois, lançou Rogério no lugar de Daniel, renovando a velocidade para os contra-ataques. E ainda trocou seis por meia dúzia na lateral-esquerda de nomes similares: Júnior César por Júlio César. Graças a Jéfferson, Rafael Sóbis não descontou para os tricolores. Aos quarenta e dois, Fred tinha a chance máxima de recolocar fogo numa partida aparentemente definida: pênalti para o Fluminense, acusado por um daqueles auxiliares situados atrás da linha final, cometido por Júlio César em Sóbis. Só que não era dia: Fred, tão acostumado a marcar no Botafogo, mandou para fora.

Com o resultado, o Fluminense estaciona nos vinte e seis pontos, fechando a rodada em quarto lugar. E o Botafogo ganha novo ânimo, chegando aos dezesseis pontos, zerando o saldo de gol e subindo sete posições na tabela, aparecendo em décimo segundo lugar. Sete posições. Os botafoguenses supersticiosos não dormirão com dúvida: foi com as bênçãos do Mané.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Da Bola Aos Bastidores: Novas Manobras Num Tapete Mágico

Após 37 rodadas disputadas, faltava somente uma para a conclusão. Mais um Campeonato Brasileiro de pontos corridos chegava ao fim. Cruzeiro campeão com sobras. Grêmio assegurado na Libertadores. Atlético Paranaense, Goiás, Botafogo e Vitória disputando dois lugares no G4. Náutico e Ponte Preta rebaixados. Fluminense e Vasco querendo sair da zona de rebaixamento, colocando em grande risco o Coritiba e o Criciúma. Matematicamente, Internacional e Portuguesa tinham remotas possibilidades de descenso.

Veio a última rodada. A derrota do Goiás e a vitória do Botafogo renderam ao Alvinegro o quarto lugar na tabela de classificação (três dias depois, o título do Lanús na Copa Sul-Americana diante da Ponte Preta confirmou o retorno do Glorioso à Copa Libertadores da América). A derrota do Vasco sacramentou a despromoção cruzmaltina, além da permanência de Criciúma, Inter e Portuguesa. E o Fluminense, mesmo vencendo o Bahia, também se viu novamente rebaixado, pois o Coritiba vencera o São Paulo. Fim.

Fim? Hoje se discute mais um tapetão na história recente tricolor. O terceiro desde 1996. Mas, como o último foi catorze anos atrás, poucos poderiam supôr que manobras de bastidores pudessem se fazer presentes novamente. Héverton, reserva na Portuguesa, entrou em campo aos trinta e dois minutos do segundo tempo na última rodada. Não deveria. Pior: não poderia. Ele deveria cumprir um segundo jogo de suspensão por expulsão recebida duas rodadas atrás.

Agora vamos a algumas perguntas - bastante objetivas - para clarear a questão. Primeira pergunta: a Portuguesa cometeu um erro previsto em regulamento? Segunda pergunta: a Portuguesa se beneficiou do uso do jogador supostamente irregular? Terceira pergunta: alguém se prejudicou pelo uso do jogador supostamente irregular por parte da Portuguesa? Quarta pergunta: alguém se beneficiou pelo uso do jogador supostamente irregular por parte da Portuguesa?

Sim, para a primeira pergunta. Não, para as outras três perguntas. Ou seja, estamos num confronto entre a legalidade e a moralidade. Legalmente, a Portuguesa errou. Moralmente, a Portuguesa somou mais pontos que o Fluminense (independentemente do placar na última rodada, a pontuação da Portuguesa em 37 jogos foi maior que a do Fluminense em 38).

Cabe ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva decidir se condena a Portuguesa ou se a absolve. Absolvendo, não afetará em nada em termos de rebaixamento. Os quatro times com pior campanha serão rebaixados. Condenando, teremos de mudar a resposta para a última pergunta: alguém se beneficiou pelo uso do jogador supostamente irregular por parte da Portuguesa? Resposta: sim, o Fluminense.

Que vença a moralidade. É muito mais legal para o esporte e para a cidadania em geral.

sábado, 3 de agosto de 2013

Estamos Aqui

Vinte e um dias depois, estamos de volta com uma postagem no blógui. O usuário de longa data sabe muito bem que as publicações nessa página obedecem uma freqüência mais assídua do que as dos tempos recentes e o blogueiro pede desculpas por não vir mantendo aquela gostosa rotina de tópicos novos. Mas cá estamos e, sem mais delongas, falemos de futebol.

Tivemos Cuca, Ronaldinho e Atlético Mineiro campeões continentais, fato que acho ótimo para o futebol. Primeiramente, pelo fato de o melhor técnico brasileiro das últimas décadas estar conquistando tão relevante torneio internacional - parabéns, Cuca! Em segundo lugar, por Ronaldinho Gaúcho, maior craque brasileiro em atividade, conseguindo conciliar dedicação profissional com aquela velha e conhecida arte de jogar bola que pouquíssimos conseguem fazer como ele - parabéns, Ronaldinho! E por último, ao Clube Atlético Mineiro, mais um campeão inédito de Libertadores - parabéns, Atlético!

A saída de Abel Braga do Fluminense (Luxemburgo assumiu após cerca de um mês desempregado) é outro daqueles casos que mostram o imediatismo no futebol. Atual campeão brasileiro, Abel deixa o cargo após desapontantes participações em todos os torneios disputados em 2013. Mas o futebol do Flu é aquele de sempre... burocrático. Quando ganhava jogos e campeonatos, tava tudo certo, né, tricolores? Procurar alguém que assuma o comando técnico com uma filosofia de jogo que vá além do mísero futebol-resultado é algo que ainda não entrou na cultura esportiva tupiniquim. Digo ainda porque sou otimista e acredito que muitos Cucas ainda surgirão.

No mais, hoje assisti dois jogos. Em Londres, o ótimo amistoso pré-temporada entre Arsenal e Napoli terminou empatado em 2a2, com a mesma rede sendo estufada quatro vezes. Partida movimentada, com o Arsenal mostrando aquela qualidade de posse de bola típica de um time (muito bem) treinado por Arsène Wenger, diante de um Napoli que conservou a agilidade de contra-atacar mesmo com a troca de Walter Mazzarri por Rafa Benítez. O uruguaio Edinson Cavani provavelmente fará falta ao clube celeste, mas não é prudente duvidar da capacidade do argentino Gonzalo Higuaín. Insigne também é boa opção, mostrando oportunismo no gol inaugural. Pelo lado londrino, seria interessante a equipe buscar um nome de impacto para o setor ofensivo. Apesar do golaço de Giroud.

Ah! O outro jogo que vi hoje foi a vitória do Cruzeiro sobre o Coritiba, no reencontro do treinador Marcelo Oliveira com o Alviverde Paranaense. A partida foi relativamente equilibrada, mas o Coxa sentiu a ausência de Alex. Lincoln e Bottinelli não deram conta da armação de jogadas e o jogador mais influente no resultado acabou sendo o goleiro Vanderlei, com diversas defesas difíceis que mantiveram o 1a0 cruzeirense, em gol que saiu no início, com Luan completando cruzamento de Mayke, aos onze. Amanhã, o Botafogo pode retomar a liderança no Campeonato Brasileiro se sair vencedor no clássico com o Vasco. Outro jogo interessante na rodada é o Gre-Nal, num confronto entre os ex-jogadores Renato Gaúcho e Dunga.

Saudações futebolísticas.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

4 Cariocas, Nenhum Jogo No Rio De Janeiro

O Rio de Janeiro é o segundo estado brasileiro com maior número de representantes na Série A nacional, ficando atrás somente de São Paulo. Nessa que foi a sexta rodada no Campeonato Brasileiro 2013, sabe quantas partidas foram realizadas no estado do Rio? Nenhuma.

A situação é ainda mais curiosa (para não dizer misteriosa) na medida em que vemos o Maracanã bilionariamente reformado, enquanto o Engenhão, considerado um dos estádios mais modernos das Américas, continua estranhamente interditado para jogos (não para treinos ou comerciais).

O Vasco jogou fora de casa diante do Internacional, até porque o mando de campo era colorado. Levou de cinco a três no Rio Grande do Sul e seu técnico, Paulo Autuori, dá sinais de que vai abandonar a caravela, talvez já prevendo um naufrágio. Mas e o que dizer do Flamengo, que era mandante diante do Coritiba? Foi, mais uma vez, jogar no Distrito Federal. E cravou o segundo maior público no torneio, atrás somente da partida de estréia dele próprio e naquele mesmo estádio Mané Garrincha, em Brasília, diante do Santos, o então "time da casa".

Mas não é só de Vasco e Flamengo que vive o Rio de Janeiro. Havia o clássico Vovô, o mais antigo do futebol brasileiro, entre dois times que vão fazendo belas campanhas na competição. Então, bora pro Engenhão. Não? Maracanã então. Também não? Botafogo e Fluminense foram jogar no estado de Pernambuco. E foi um grande jogo, de duas equipes dinâmicas, ofensivas e um gramado impecável. O público é que não comprou a idéia de assistir o jogo tão longe da sede dos respectivos clubes de General Severino e Laranjeiras: cerca de dez mil presentes somente. E repetindo: foi um grande jogo.

Então fica a pergunta: é para encaramos com normalidade esse cenário esdrúxulo? Permita-me dar a resposta: não. Deve-se, isto sim, apurar as razões da interdição do Engenhão, sobretudo indagando onde fica a diferença entre liberar o estádio para treinos de seleção estrangeira, publicidade e não liberar para jogos oficiais. E talvez ainda mais grave: que concessão é essa que entrega o Maracanã para a iniciativa privada (neoMaracanãX, para bom entendedor) de forma a inviabilizar jogos de clubes que fizeram do Maracanã o Maracanã, ou seja, aquilo que ele é.

Levar jogos para outros estados é algo interessante, sobretudo para dar uso a estádios recém-construídos. Mas isso deve ser uma escolha espontânea, não um refugo ou válvula de escape. Está faltando uma coisinha básica: respeito. Aos clubes e aos torcedores.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Salgueiro Decide E Olimpia Elimina Fluminense

Novamente na fase quartas-de-final, o Fluminense de Abel Braga dá adeus à Copa Libertadores da América. Ano passado a campanha teve mais brilho, com classificação sobre o Internacional e queda para o tradicionalíssimo Boca Juniors (equipe que o Flu havia vencido em plena La Bombonera pela fase de grupos naquele ano); já em 2013, a equipe tricolor caiu para o paraguaio Olimpia (havia tido dificuldades para passar pelo Emelec nas oitavas, além de ter vivido algumas vergonhas na fase de grupos, quando dentro de casa empatou com o Huachipato e foi goleado pelo Grêmio por 3a0).

O início da partida no estádio Defensores Del Chaco deve ter sido melhor do que o mais otimista torcedor tricolor poderia supôr: com gol de Rhayner, aproveitando tremendo vacilo da defesa paraguaia. Só que o Flu também cometeria deslizes perto de sua área e, em dois lances de bola parada, o Olimpia virou através de Salgueiro. Primeiro, cobrando falta e surpreendendo Diego Cavalieri (sai pra lá quem defende sua titularidade na seleção brasileira!), depois cobrando pênalti que ele próprio havia sofrido. Isso tudo no primeiro tempo.

Veio o intervalo e, depois, um Fluminense enérgico na busca pelo empate que o classificaria. Encontrou do outro lado uma defesa esforçada mas longe de ser das mais organizadas. Como o Tricolor das Laranjeiras também carecia de um padrão de jogo capaz de envolver os adversários, o gol tão procurado acabou não acontecendo. E olha que a equipe terminou o jogo com Wágner, Fred, Rhayner, Thiago Neves, Samuel e Rafael Sóbis. Aliás, esse tanto de meias e atacantes mostram que não é a posição de origem do atleta que define a capacidade de uma equipe colocar a bola na rede. Estranhíssima a escolha de Abel em tirar Jean de campo, notadamente pelo fato de estarmos falando de um jogador polivalente, de relevância ainda maior em jogos eliminatórios de contornos dramáticos. Mas deve fazer sentido para o treinador. O mesmo sentido, talvez, do raciocínio de que "empatar por 0a0 em casa é melhor do que vencer por 2a1". O Olimpia de Ever Almeida discorda. Vide o resultado.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Campanha Convincente, Conquista Merecida - Botafogo Campeão Estadual 2013

Com uma vitória por 1a0 sobre o Fluminense, o Botafogo encerrou sua participação na Taça Rio com 100% de aproveitamento (ganhou todos os sete jogos na fase de grupos e os dois eliminatórios). Como também havia faturado a Taça Guanabara, sacramentou o título estadual 2013 para não deixar dúvidas. Mais do que ser o time mais eficiente no Rio de Janeiro, o Alvinegro é o time que mais encanta na maneira de jogar futebol. Quando não tinha a vantagem do empate, partia para o ataque. Quando tinha a vantagem do empata, partia para o ataque. É uma equipe (bem) montada para atacar. Envolvente, dinâmica, insinuante. E equilibrada. Equilibradíssima. Talvez seja o time mais equilibrado no futebol brasileiro nesse primeiro semestre. Claro que essa afirmativa é perigosa na medida em que os Estaduais não servem de parâmetro para análises de maior profundidade, mas comparando com o grosso do que se joga no país, ninguém tem conseguido conciliar força no ataque e solidez na defesa como faz o time comandado por Oswaldo de Oliveira.

A partida diante do Flu começou "nervosa", e há quem possa supôr que isso tenha influência do polêmico vídeo de bastidores divulgados após o jogo em que Botafogo e Fluminense empataram por 1a1 na Taça Guanabara. Mas se tinha alguém nervoso, era o Fluminense. Com a bola nos pés, o Bota mostrava maior capacidade de trocar passes. Entrosamento afinado. O Tricolor conseguiu levar perigo nas finalizações (Jéfferson justificou, de novo, porque é para muitos o melhor goleiro do Brasil), mas foi ainda mais perigoso nas divididas de bola e até nos lances sem bola: Rhayner deu dois carrinhos por trás em Lucas, Thiago Neves puxou Marcelo Mattos pelo pescoço, e por aí vai (a violência, não o futebol). Falando de futebol propriamente dito, o título ficou nas melhores mãos possíveis. Mãos de Jéfferson. E nos melhores pés: jogadores como Fellype Gabriel, Nicolás Lodeiro e Clarence Seedorf são os favoritos a craque do campeonato. Mas a partida terminou 1a0, logo, queremos saber quem foi o autor do "gol do título" (o empate já servia, e o Botafogo ainda teve 3 gols anulados, mas tudo bem). Por um capricho dos deuses do futebol, foi de Rafael Marques. Ou, como diz ele, foi do Botafogo. Foi do grupo todo. Mas nada mais simbólico do que ele - Rafael - ter mexido no placar com exclusividade. Depois de 20 jogos sem balançar as redes, anotou o gol do 20º estadual botafoguense. Tantas críticas e gozações. Humilhado. Agora exaltado. Reconhecidamente o dono da posição, deixando Bruno Mendes e Henrique como meras opções. É claro que para as disputas de Campeonato Brasileiro, Copa Sul-Americana e Copa do Brasil, é relevante que o campeão estadual traga um nome forte para o ataque. Mas o torcedor alvinegro tem mais é que se orgulhar de ver um atleta trabalhador, humilde e aplicado vestindo essa camisa. Merecidamente, o autor do gol do título.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Fluminense Oscila E Cede Empate Ao Huachipato

O grupo oito na Copa Kevin Libertadores da América 2013 é, definitivamente, um caso curioso. Dos seis primeiros jogos, os visitantes somaram cinco vitórias para somente um triunfo dos donos da casa (aconteceu na última terça-feira, com o Grêmio marcando 4a1 no Caracas). E, na abertura do returno, um empate entre Fluminense e Huachipato voltou a surpreender os mais lógicos. Ainda mais levando-se em consideração que, quando se encontraram no Chile, o Flu saiu vencedor (2a1).

No Engenhão, a torcida tricolor experimentou mais uma decepção no torneio continental. Talvez não tenha sido tão grave quanto a goleada sofrida para o Grêmio (3a0), mas foi provavelmente mais frustrante. Imagine você o time atacando com vigor, criando oportunidades diversas e abrindo o placar no primeiro tempo. Melhor: abrindo o placar com Fred, centroavante idolatrado por muitos torcedores tricolores e que colocou fim numa sequência de três jogos sem marcar gol.

Veio o segundo tempo e o Fluminense teve novas chances de marcar. O tempo foi passando e, talvez por alguma espécie de acomodação (que não se justifica pelo palcar, pois um a zero nada tem de confortável), os comandados de Abel Braga diminuíram o ímpeto ofensivo drasticamente e passaram a aceitar as investidas do time visitante. Investidas que beiravam a inexistência no primeiro tempo, toranaram-se raras no segundo e passaram a acontecer com frequência a partir de um dado momento.

Como explicar, sinceramente não sei. Posso supôr que tenha havido uma certa arrogância tricolor por perceber a superioridade técnica em relação a um oponente que errava bastante e dava espaços. Mas o nome desse esporte é futebol, senhoras e senhores de todas as cores. Vestindo grená da camisa ao meião, o Fluminense amoleceu, tornou-se apático. E o Huachipato, fez a sua: empatou o jogo através de Núñez. E, se por um lado contou com defesaças do ótimo goleiro Veloso, por outro teve ainda uma grande chance de virar o jogo, com Bryan Rodríguez tendo finalização cruzada espalmada por Cavalieri.

A situação do Fluminense está muito longe de ser desesperadora: embora faça jogo difícil com o Grêmio em Porto Alegre, encerra sua participação recebendo o Caracas no Engenhão, dependendo somente de seus próprios resultados para conseguir a classificação. A dúvida que deve incomodar os adeptos do clube das Laranjeiras é: qual Fluminense enfrentará o Grêmio e qual Fluminense enfrentará o Caracas? As vaias que ecoaram no final do jogo diante do Huachipato denunciam uma insatisfação da massa. Os gritos de "time sem vergonha", embora pesados, fazem algum sentido. Até porque, faltou muito mais atitude para "resolver o jogo" (ou pelo menos tentar fazê-lo) do que qualidade técnica. O Fluminense depende de si e seria interessante que começasse refletindo sobre quem seja o Fluminense e o que quer o time na Libertadores.

O Huachipato, com todas as suas limitações, mostrou-se focado e determinado do apito inicial ao derradeiro. Com chances de classificação mas ainda azarão, tem pelo menos uma história para contar: em duas viagens ao Brasil, voltou invicto para casa (venceu o Grêmio e empatou com o Fluminense).

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

No Grupo Dos Visitantes, Grêmio Goleia Fluminense

Vi gente dizendo por aí que o Grêmio, após perder dentro de casa a partida de estréia diante do Huachipato, estava correndo risco de eliminação e tinha no jogo com o Fluminense uma decisão.

Gente do céu, é apenas a segunda rodada numa fase de grupos onde são disputadas seis partidas por cada equipe. Mesmo que o Grêmio perdesse o jogo no Engenhão, haveria muita água para rolar pela frente. E o Grêmio não perdeu. Nem empatou. Venceu. E de goleada. A primeira goleada que o Fluminense sofreu desde... 90 partidas atrás!

O grupo oito na Copa Libertadores da América tem a curiosa configuração de quatro times com três pontos, com cem por cento de vitória das equipes que atuaram na condição de visitante. É muita ingenuidade afirmar a essa altura e com esse quádruplo empate na pontuação que já haja alguém classificado ou mesmo eliminado. Por favor, menos sensacionalismo, menos convicções que atentem contra a matemática.

Com o futebol apresentado hoje, o Grêmio se coloca como forte candidato à classificação. Independentemente de ter três pontos ganhos, o futebol do Grêmio na noite dessa quarta-feira foi de time grande. Poderia sair de campo com uma derrota, isso não mudaria a realidade de que os gremistas atuaram muito bem. Líderes nos critérios de desempate, os comandados de Vanderlei Luxemburgo não esbanjaram entrosamento - longe disso. Então imagine só no momento em que essa equipe entrosar. A aplicação tática hoje foi explicitada no melhor estilo gremista. E o Fluminense, pretenso postulante ao título, com diversos jogadores de qualidade, respeitáveis peças de reposição e manutenção da base campeã nacional ano passado, simplesmente não conseguiu sequer esboçar reação. De toda forma, não anunciemos o apocalipse. Pode ter sido apenas uma noite infeliz para os comandados de Abel Braga.

Por sinal, houve algo mais do que um Fluminense e Grêmio. Foi o décimo quinto confronto direto entre Luxa e Abel. E sabe o que mais? Luxa está invicto, com doze vitórias e três empates. Aí sim pode ser que caiba algum comentário sensacionalista. 1, 2, 3, Abel Braga é freguês.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Botafogo E Fluminense Empatam O Primeiro Clássico Carioca De 2013: 1a1

O Campeonato Estadual no Rio de Janeiro teve na noite do último domingo de janeiro o seu primeiro clássico no ano de 2013. O jogo envolvia simplesmente os atuais campeão e vice na competição. Mesmo assim, público de 10.500 pessoas, o que corresponde a cerca de 25% da capacidade do estádio Olímpico no Engenho de Dentro. Sinal de que o torneio necessita de reformulação em seu modelo de disputa.

A partida em si envolveu dois times desfalcados. O Fluminense mais que o Botafogo: não teve jogadores como Gum, Edinho, Deco e Fred, enquanto o Alvinegro não contou com Lucas nem Renato. Mesmo assim, o atual campeão brasileiro conseguiu desenvolver o seu jogo, até porque o estilo proposto por Abel Braga não tem nenhuma complexidade: marcação firme e saída em velocidade. O Botafogo esteve mais perto de abrir o placar, colocando Diego Cavalieri para trabalhar mais do que o Fluminense fazia em relação a Jéfferson. Só que quem abriu a contagem foi mesmo o Tricolor: Wellington Nem escapou pela direita aproveitando espaço concedido por Márcio Azevedo, tabelou com Bruno e chutou rasteiro, no canto esquerdo.

No segundo tempo, o Fluminense quase ampliou em toque de letra de Valência, defendido por Jéfferson. O excelente goleiro botafoguense ainda voltou a salvar a equipe em lance onde agiu espetacularmente, abafando remate de Wellington Nem e rebatendo a sobra de Jean. E se o Flu não conseguiu aumentar a diferença nessas oportunidades, passou a se ver em apuros com a atuação maiúscula de Clarence Seedorf, que entrou em campo aos sete minutos do segundo tempo. Já na primeira participação da fera nascida no Suriname, inversão de jogo digna de craque: sem olhar, abriu na direita com precisão espantosa. E o gol de empate deu-se em jogada do genial camisa 10 vindo do Milan: Seedorf tocou de lado de primeira, recebeu de volta e, em novo toque de primeira, lançou Bolívar na área. O zagueiro cabeceou para a rede e marcou seu segundo gol na temporada.

O jogo foi perdendo fluidez e ganhando nervosismo, com o acontecimento mais tenso envolvendo dois estrangeiros: Valência se descontrolou e agrediu Seedorf com uma cabeçada. Armou-se um princípio de tumulto, logo contornado graças a atitudes como as de Wágner e Marcelo Mattos, que chegaram para apartar. O árbitro aplicou um cartão amarelo para o colombiano e outro para o holandês. E a partida seguiu, com os ânimos um pouco menos exaltados, mantendo-se os vinte e dois jogadores em campo e os dois gols no placar.

3º colocado no grupo A, o Botafogo tem como próximo adversário o Audax Rio. Já o Fluminense, que lidera o grupo B com o mesmo número de pontos de Flamengo e Audax, enfrenta o Friburguense. Curiosamente, como os times de um grupo enfrentam nessa fase os times da chave oposta, uma vitória de Botafogo e Fluminense nessas respectivas partidas irá ajudá-los mutuamente. O que falta é ajudar o torcedor a encontrar motivos suficientes para marcar presença nos estádios.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Gol De Kléber Gladiador Faz Grêmio Derrubar Último Invicto

Não há mais ninguém invicto no Campeonato Brasileiro 2012. Na 12ª rodada na liga nacional, o Fluminense foi até Porto Alegre e não resistiu ao Grêmio, que venceu o jogo por 1a0 com gol de Kléber, aos vinte e três minutos no segundo tempo. Com o resultado, o Tricolor Gaúcho cola no Tricolor Carioca na tabela de classificação, ficando um ponto (25a24) e uma posição (3º e 4º) atrás do adversário.

Agora, o torneio encontra-se com todos os times tendo sentido o gosto da vitória e da derrota. O empate, porém, é algo que o time do Grêmio não experimentou por nenhuma vez até o momento, tendo vencido oito e perdido as outras quatro partidas disputadas.

O jogo

Por mais que as duas equipes apresentassem uma certa vontade de ir ao ataque, o fato é que nenhum dos dois times mostrou organização ofensiva boa o suficiente para superar as defesas oponentes, na maioria das vezes bem postadas e dificultando qualquer eventual tentativa de penetração. Jogadas aéreas foram tentadas diversas vezes, quase sempre parando ou na falta de precisão do autor dos lançamentos ou na vantagem de posicionamento por parte dos zagueiros que acompanhavam o lance.

No finalzinho do primeiro tempo - mais precisamente no último lance antes do apito de intervalo -, uma dessas bolas alçadas na área chegou limpa até Elano, mas antes que o meio-campista pudesse concluir para a rede, a arbitragem assinalou alguma coisa favorável ao Fluminense, gerando protestos na torcida gremista.

Na etapa complementar, o Grêmio intensificou a presença no campo de ataque, mas as investidas continuavam nos moldes anteriores, isto é, com foco no "chuveirinho". E, de tanto insistir, a equipe da casa perseverou: aos vinte e três, Elano cobrou rapidamente uma falta pela direita, Edílson cruzou, Marcelo Moreno não conseguiu concluir nem Gum conseguiu afastar e a bola chegou até Kléber, que mandou no canto esquerdo, escapando do goleiro Diego Cavalieri e também de Gum. 1a0 Grêmio.

Se até aquele momento nem Vanderlei Luxemburgo nem Abel Braga haviam realizado substituições, pouco depois foram acontecendo alterações atrás de alterações. Abelão tratou de tirar dois elementos do sistema defensivo (Gum e Edinho) para colocar dois homens com características ofensivas (Wagner e Rafael Sóbis). Luxa, por sua vez, repetiu as modificações feitas após marcar 1a0 sobre o Botafogo, domingo, no Engenhão: saíram Zé Roberto e Elano para as entradas de Léo Gago e Marquinhos. Depois, Abel ainda trocou o inoperante Wellington Nem por Rafael Moura e Vanderlei colocou André Lima no lugar de Marcelo Moreno.

Sólido em campo e com uma determinação daquelas vistas por time que está jogando pelo título, o Grêmio manteve-se firme e venceu o Fluminense, coisa que ninguém havia conseguido fazer nas onze rodadas anteriores. Mas não sem antes contar com outra "aparição" de Kléber, que levou dois cartões amarelos num intervalo de treze minutos e acabou expulso de campo aos quarenta e três, só não deixando a equipe em desvantagem numérica porque, minutos antes, Ânderson deixou o gramado contundido e o Flu já não podia mais efetuar substituição.

O próximo adversário do Grêmio é o Coritiba. E em dose dupla: no sábado pelo Campeonato Brasileiro (no estádio Couto Pereira) e na terça-feira pela Copa Sul-Americana (no estádio Olímpico). Já o Fluminense terá pela frente o Atlético Mineiro, domingo, no Rio de Janeiro, em mais um confronto direto na disputa seja por título, seja por vaga na Libertadores. No domingo seguinte, vai ao Paraná enfrentar o Coritiba, também pelo Campeonato Brasileiro.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Buscando A Vitória, Botafogo E Fluminense Empatam No Engenhão

Botafogo e Fluminense, o clássico mais antigo no futebol brasileiro (apelidado "Clássico Vovô"), terminou empatado em 1a1, na nona rodada no Campeonato Brasileiro 2012. As duas equipes atuaram buscando a vitória, mostrando que não era mero acaso o fato de estarem atravessando bom momento na temporada (o Botafogo vinha de duas vitórias seguidas e o Fluminense, invicto na competição, de quatro).

O primeiro tempo foi de domínio tricolor, com direito a bola na trave em cabeceio de Fred logo no início e muitas jogadas de linha-de-fundo, a maioria delas afastada pela zaga botafoguense. A equipe do Botafogo voltou melhor depois do intervalo, muito provavelmente em função da troca promovida pelo treinador Oswaldo de Oliveira, que colocou Fellype Gabriel no lugar de Cidinho. Curiosamente, foi justamente no momento em que o Botafogo se mostrava superior no jogo que o Fluminense conseguiu abrir o placar: Fred, de cabeça, após cobrança de escanteio de Thiago Neves, aos sete minutos.
O gol não abateu a equipe alvinegra, que fazia boas transições ao ataque através das investidas pelo lado esquerdo, contando com as ótimas participações de Fellype Gabriel, Márcio Azevedo e Andrezinho. E, de tanto insistir, empatou a partida aos vinte e um minutos: Márcio Azevedo cruzou da esquerda e Andrezinho completou de cabeça.

Dali em diante, com o jogo novamente empatado, ambos os times procuravam o segundo gol, para dar sequência a ótima série na temporada. A maior chance foi do Botafogo: aos trinta, Elkeson tocou para a área e Fellype Gabriel tinha somente o goleiro diante de si, concluindo com toque rasteiro e parando em grande defesa de Ricardo Berna, que conseguiu bloquear com a perna direita.

Após essas 9 rodadas disputadas, Fluminense (3º) e Botafogo (4º) mostram qualidades para disputar o título nacional. Vale colocar que a partida não teve a participação de Deco (suspenso pelo acúmulo de três cartões amarelo) nem de Clarence Seedorf, que deverá estrear no próximo domingo, dia 22, quando o Botafogo receberá o Grêmio no estádio Rio.

domingo, 8 de julho de 2012

Gol De Fred Decide Centenário Fla-Flu No Engenhão

Cem anos e um dia depois do primeiro Fla-Flu que se tem notícia, o Fluminense venceu o Flamengo por 1a0 em partida válida pela oitava rodada no Campeonato Brasileiro 2012. O gol solitário do jogo foi de autoria de alguém que jamais havia marcado nesse clássico: o experiente atacante Fred, que teve a felicidade de quebrar o tabu logo numa data simbólica para o encontro.

O placar foi aberto já aos dez minutos de partida, quando Thiago Neves recebeu pela direita, escapou da marcação e cruzou rasteiro para o camisa nove concluir, de primeira, para a rede. O primeiro tempo foi de um Fluminense melhor postado em campo, embora por vezes excessivamente recuado. O goleiro Paulo Victor precisou agir para evitar que o Tricolor das Laranjeiras fosse para o intervalo com vantagem maior.

No segundo tempo, porém, o que se viu foi um Flamengo mais arisco, tendo voltado do intervalo com Adryan no lugar de Diego Maurício. Mas a equipe comandada por Joel Santana tinha dois entraves na elaboração e conclusão das jogadas: a irregular atuação do meia argentino Dario Bottinelli e a performance ruim do atacante Vágner Love, que mais se jogava no chão do que dava seqüência aos lances em que era acionado. O caso de Bottinelli é mais emblemático, já que o jogador mostrava bom deslocamento pelo campo e buscava participar a todo momento da partida, mas vacilava muito mais na precisão nas tentativas de chute e lançamento do que propriamente na visão de jogo.

Apostando nos contra-ataques, o Fluminense chegou perto de marcar o segundo gol por mais de uma vez, mas ora era barrado em posições de impedimento, ora cometia erros no momento do último passe, como quando Wellington Nem tocou errado quando eram dois tricolores para um único zagueiro rubronegro, que ainda assim conseguiu levar a melhor no lance.

No final, duas tentativas em jogadas aéreas poderiam levar o clássico ao empate, mas Adryan e Arthur Sanchez não aproveitaram suas oportunidades (o primeiro cabeceou pertinho da trave direita e o segundo mandou, também de cabeça, a bola na trave esquerda).

Único invicto e vice-líder na Série A 2012 (só o Atlético Mineiro de Cuca faz campanha melhor que o Fluminense de Abel Braga), o Tricolor tem como futuro compromisso outro clássico local, dessa vez com o Botafogo, no próximo domingo. Já o Flamengo de Joel Santana, em nono na tabela, visita o Bahia na mesma data. Sabe-se lá com que treinador no comando, já que a situação de Joel é tida como das mais complicadas.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Pela 31ª Vez, Fluminense É Campeão Estadual

Numa tarde fria e chuvosa no Rio de Janeiro, o Fluminense venceu o Botafogo por 1a0 no estádio Engenhão e conquistou seu 31º título estadual (já havia vencido a primeira partida das finais pelo placar de 4a1). O resultado confirmou os momentos opostos vividos pelas instituições que disputaram o título: enquanto o Fluminense atravessa ótima fase, garantindo o caneco estadual e marcando presença na fase quartas-de-final na Copa Libertadores da América, o Botafogo sofreu sua terceira derrota consecutiva, já tendo dado adeus à Copa do Brasil na última quarta-feira.

O triunfo tricolor deu ao Rio de Janeiro seu 3º campeão diferente nas últimas 3 edições do Campeonato Estadual, uma vez que o torneio foi vencido em 2010 pelo Botafogo e em 2011 pelo Flamengo. O último título da equipe das Laranjeiras na competição datava de sete anos atrás.

O jogo

Os primeiros minutos de partida foram de intensa pressão do Botafogo. E isso nada mais era do que o esperado para o duelo, uma vez que a equipe alvinegra já entrava em campo com uma desvantagem de três gols. A maior chance da equipe comandada por Oswaldo de Oliveira abrir o placar e diminuir o prejuízo deu-se aos sete minutos, quando Maicosuel passou para "Loco" Abreu e o uruguaio, livre, chutou para grande defesa de Diego Cavalieri. No minuto seguinte, o Fluminense teve oportunidade claríssima, mas Jéfferson realizou magistral defesa na finalização de Rafael Moura.

A boa atuação do jovem volante Jádson (o jogador de 18 anos foi titular porque Marcelo Mattos, lesionado, não foi relacionado para a partida) inibia o setor de criação tricolor, que esbarrava na marcação acirrada do botafoguense. Aos trinta e um minutos, Elkeson cobrou falta fugindo da barreira e o chute forte passou perto da trave esquerda. Veio o segundo tempo, e Oswaldo de Olveira optou por voltar com Herrera no lugar do irregular Elkeson. Abel Braga manteve a formação anterior (já havia substituído Deco, que deixou o campo sentindo dores, dando lugar para Wagner) e o Fluminense foi equilibrando as ações.

O Botafogo chegou perto do gol aos cinco minutos (Márcio Azevedo recebeu uma cobrança rápida de falta de Abreu mas chutou por cima) e aos treze (Herrera pegou sobra de bola mas teve o remate defendido por Cavalieri). Coube ao Fluminense ser eficiente e marcar 1a0 aos dezessete: Carlinhos escapou pelo lado esquerdo, cruzou rasteiro e Rafael Moura chegou junto com Thiago Neves. É bem verdade que quem comemorou de maneira mais festiva foi o "He-Man", mas guardo a sensação de que a perna que finalizou o lance era de Thiago. De toda forma, gol do Fluminense e vantagem ainda mais dilatada na soma dos resultados.

O cronômetro avançava e, com ele, aumentavam os festejos da torcida tricolor. Aos botafoguenses, o que já era difícil com onze jogadores ficou definitivamente complicado após a expulsão de Maicosuel, por entrada destemperada em Rafael Moura. E por muito pouco não saiu o segundo gol do Fluminense, que teve ótimas chances bloqueadas por Jéfferson e Márcio Azevedo. Aí está o Flu, que mostra força no elenco ao jogar desfalcado de elementos como Diguinho, Wellington Nem e Fred. E como time vencedor não tem muito tempo para descanso, já é hora de pensar no Boca Juniors.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Equipe E Jogada Da Semana

O último título do Manchester City na Premiership data de quarenta e quatro anos atrás. Mas tudo leva a crer que esse período sem conquistar o Campeonato Inglês terá um fim no próximo domingo, quando o time receberá o Queens Park Rangers para confirmar o caneco através de uma vitória simples.

Os dois últimos compromissos dos Citizens não foram nada simples. Na segunda-feira, dia trinta de abril, o duelo de Manchester colocou frente a frente líder e vice-líder na tabela de classificação da primeira divisão. Melhor para os comandados de Roberto Mancini, que alcançaram a vitória dentro de casa e assumiram a liderança na competição. No domingo seguinte (dia seis de maio), a equipe teve outra parada duríssima e novamente saiu-se bem: conseguiu vencer o Newcastle em St. James Park (2a0, com os dois gols tendo sido marcados no segundo tempo pelo volante marfinense Yaya Touré).

Muita grana foi investida nesse time desde a aquisição feita alguns anos atrás por seu bilionário atual proprietário. E, se não ocorrer nenhum grande imprevisto, o City tem tudo para celebrar uma conquista que não vem há quase meio século. Há um ditado que afirma que "dinheiro não compra felicidade". Concordo. Mas, nesse caso específico, é inegável que as libras e mais libras investidas estão ajudando a promover a alegria daqueles que vestem azul em Manchester.

Jogada da semana

A jogada da semana vem do Rio de Janeiro. E, para valorizar ainda mais o feito, ocorreu na primeira partida da final estadual, disputada entre Fluminense e Botafogo. Confira como Fred concluiu a jogada que dava, naquele momento, o gol de empate ao seu time. Típico de quem entende da coisa.

domingo, 6 de maio de 2012

Fluminense Larga (Muito) Na Frente Em Decisão Estadual

O Clássico Vovô, que marcou uma final de Campeonato Estadual pela última vez no ano 1971, retomou o protagonismo no Rio de Janeiro e teve sua partida de ida dominada pelo Fluminense. A vitória por 4a1 deu ao Tricolor das Laranjeiras a significativa vantagem de se tornar campeão mesmo em caso de derrota por dois gols de diferença no próximo domingo. Para o Botafogo reverter a situação, precisará golear o adversário por pelo menos quatro gols de margem - em caso de vitória por três gols, o título será decidido nos pênaltis.

Essa foi a primeira vez que o Fluminense venceu o Botafogo no estádio Engenhão. De quebra, o time comandado por Abel Braga ainda acabou com a invencibilidade do Alvinegro dirigido por Oswaldo de Oliveira - a partir de hoje, pode-se dizer que não há mais nenhum time invicto nas séries A e B brasileiras nesse ano de 2012.

O jogo

As coisas começaram bem para o Botafogo, que iniciou a partida buscando o ataque e não tardou para marcar 1a0: aos oito minutos, o camisa oito Renato pegou de primeira uma sobra de bola originada em cruzamento de Fellype Gabriel e mandou no canto direito. Belo gol para abrir a contagem na final estadual.

Mas o rendimento do Alvinegro de General Severiano foi caindo a ponto de ver-se em campo um time que sequer era sombra daquele que venceu o Vasco na final da Taça Rio. Um pouco pela postura do Fluminense e um tanto pelos erros do próprio Botafogo, que desperdiçava a posse de bola em lances que se complicavam sem qualquer cabimento.

O Tricolor ia chegando com mais freqüência ao ataque, descolando finalizações atrás de finalizações. Parou em Jéfferson, carimbou Antônio Carlos, chutou para fora. Mas, aos quarenta e três minutos, a insistência na busca pelo gol foi recompensada não com um gol qualquer, mas com uma pintura de Fred: após cruzamento de Thiago Neves, o camisa nove emendou uma bicicleta improvável, pegando na veia e mandando a redonda no canto direito. Golaço e 1a1 no placar.

A partida foi para o intervalo após um primeiro tempo onde o Flu era flagrantemente superior dentro das quatro linhas. As jogadas pela esquerda com Carlinhos criavam dificuldades à defesa botafoguense, que tinha o lateral-direito Lucas pendurado com cartão amarelo e bastante perdido no combate aos adversários que caíam pelo seu setor. Oswaldo manteve o mesmo time para a segunda etapa e o Botafogo quase desempatou aos seis minutos, quando Sebastián "El Loco" Abreu, mesmo agarrado por Leandro Euzébio em lance de pênalti não marcado, cabeceou parando em defesa de Diego Cavalieri.

Quem não tinha mais como manter Lucas em campo era o árbitro Luís Antônio Silva Santos: aos dez minutos, o camisa dois calçou Thiago Neves impedindo contra-ataque tricolor e recebeu o segundo cartão amarelo, sendo corretamente expulso. Se naquele momento o Fluminense conquistava uma vantagem numérica no gramado, dois minutos depois passou a obter vantagem também no placar: Deco serviu Rafael Sóbis com belo passe e a jogada foi concluída com uma bela finalização do camisa vinte e três, no ângulo direito. Era a  virada do Fluminense.

Objetivo na construção de jogadas e sabendo explorar os espaços vazios, o Flu não demorou para marcar o terceiro gol: Thiago Neves passou para Sóbis e, após driblar Jéfferson, ele marcou seu segundo gol na partida. 3a1. O gol foi sucedido imediatamente pela parada técnica prevista em regulamento. Fellype Gabriel, deslocado para a lateral-direita, até saiu-se bem por ali. O Botafogo tentava compensar a desvantagem no número de jogadores na base do esforço e dedicação e a partida seguiu movimentada. Melhor para o Fluminense: com o jovem e veloz Marcos Júnior em campo, o Tricolor chegou ao quarto gol em bela jogada, envolvendo Deco, Rafael Sóbis, Fred e o jogador que entrara no segundo tempo, que não desperdiçou a oportunidade.

Os gritos de "olé" deram o tom antes do apito final e deixaram a impressão de que o título estadual de dois mil e doze, embora não definido, está pra lá de encaminhado. Agora, Fluminense e Botafogo voltam suas atenções para suas respectivas eliminatórias de oitavas-de-final: na quinta-feira, o Flu joga com o Internacional, pela Libertadores (0a0 na ida); na quarta-feira, o Botafogo encara o Vitória (1a1 na ida), pela Copa do Brasil. Ambos os jogos serão disputados no Engenhão.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Zzzero A Zzzero Sob Medida

Foi de dar sono a partida entre Internacional e Fluminense. A começar pelo horário "pós-novela", escolhido pela emissora detentora dos direitos de transmissão. Até quando teremos de conviver com essa tirania? Fugindo das questões extra-campo (embora isso provavelmente gere influência no jogo em si), Inter e Flu não atuaram bem no estádio Beira-Rio. Aplicados na marcação, muitas das vezes iam com excesso de força nas disputas de bola - para se ter uma idéia, com vinte e sete minutos o time visitante havia cometido pelo menos dez faltas assinaladas pelo árbitro Paulo César de Oliveira.

Com a bola nos pés, os conjuntos de Dorival Júnior e Abel Braga mostravam dificuldades para criarem jogadas envolventes. Talvez isso se deva às ausências de Andrés D'Alessandro e Wellington Nem, mas acho que dava para esperar mais do sistema de jogo de ambos os times, pois haviam outros jogadores talentosos de um lado e de outro. As tentativas até aconteceram, mas a execução das jogadas era problemática. Ilustra essa afirmação a estatística de que, de treze bolas levantadas por cada equipe, nenhuma foi cabeceada a gol. Nenhuma. De treze. E estamos falando de times que contam com Leandro Damião e Fred...

No segundo tempo, o Internacional teve duas grandes chances de tirar o zero do placar. Mas Diego Cavalieri, que disse ter assistido a partida entre Real Madrid e Bayern de Munique, horas antes de entrar em campo, parece ter se inspirado no alemão Manuel Neuer e no espanhol Iker Casillas, que haviam pego cada um duas penalidades. Pois bem, Cavalieri escolheu o canto esquerdo e lá foi buscar o pênalti cobrado por Dátolo, que ainda bateu na trave antes de sair em escanteio. Detalhe no lance é que Dorival teria orientado o goleiro Muriel a pedir para que Nem efetuasse a cobrança. Mas o argentino bateu assim mesmo e deu no que (não) deu.
Diego Cavalieri defende cobrança de pênalti efetuada por Jesús Dátolo: qualquer semelhança com Manuel Neuer e Iker Casillas pode não ser mera coincidência.

A oportunidade derradeira deu-se no último minuto, quando Jô, que entrou no segundo tempo, chutou, a bola desviou na marcação e tomou o rumo da trave esquerda. Cavalieri, totalmente batido no lance, parece ter defendido com a força do pensamento. Talvez não muito diferente do que seu companheiro de profissão, Neuer, fizera na hora da cobrança de pênalti isolada por Sergio Ramos. E por falar em goleiros, vamos aqui deixar um feliz dia do goleiro registrado. Zero a zero é o típico placar que muitas das vezes não agrada o torcedor, mas que certamente soa bem para aqueles encarregados de evitar que a bola entre.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Boca Devora Fluminense No Engenhão

Se com Riquelme e na mística La Bombonera o limitado time do Boca Juniors perdeu para o Fluminense por 2a1, o que esperar da equipe comandada por Julio Cesar Falcioni desfalcada de Riquelme e jogando no Engenhão diante do mesmo Fluminense? Pois a vitória de 2a0 dos visitantes confirma a afirmação de que futebol não e uma ciência exata. O resultado tirou os 100% de aproveitamento do Tricolor das Laranjeiras e deu ao clube de Buenos Aires a possibilidade de fechar essa fase como líder no grupo: precisará vencer o lanterna Zamora e contar com tropeço do Flu diante do Arsenal, na sexta e derradeira rodada.

O jogo

Muitos ingressos vendidos por antecipação, presença maciça dos tricolores, equipe com 100% de aproveitamento na competição, classificação assegurada, adversário desfalcado de seu principal jogador. Ingredientes que sugeririam uma coisa que não foi vista na prática.

Abel Braga insistiu com um modelo de jogo e desperdiçou inestimável oportunidade de testar uma variação tática num time que não vem conseguindo emplacar boas atuações. A chance de Fred, aos nove minutos, após receber lançamento de Deco, foi uma das raras oportunidades dos donos da casa na partida. Diguinho parecia estar fora do tempo de bola. Edinho, pior que o companheiro de proteção à defesa, parecia estar fora do tempo de jogo. Thiago Neves, pior ainda, nem parecia estar no jogo propriamente dito. Com tanta mazela junta pra pouco espaço de campo, as razoáveis atuações de Deco, Fred e Wellington Nem acabaram se destacando no fraco conjunto tricolor - fraco de desempenho, forte de nome.

Aos trinta e três minutos, uma bola afastada por Schiavi encontrou a cabeça de Leandro Euzébio, que desviou para trás e deu condições para Cvitanich abrir o placar, chutando próximo a marca do pênalti e fazendo a alegria da sempre festiva e presente torcida do Boca. No lance, Diguinho ainda tentou parar o atacante na base da falta, mas a bravura e determinação de Cvitanich deram o 1a0 ao Boca e evitaram que Diguinho fosse expulso - um pênalti naquela situação era para cartão vermelho inapelável. Aliás, por falar em "cartão vermelho inapelável", braço no rosto e sola no tornozelo de dois adversários deveriam ter rendido uma expulsão a Diguinho, que resistiu até o apito final da arbitragem com uma atuação abaixo da crítica.

Pouca coisa mudou no desempenho tricolor para o segundo tempo - um treinador que troca Edinho por Jean e mantém Rafael Sóbis entre os suplentes não parece estar muito entusiasmado com mudanças - e o Boca Juniors consumou a vitória no Rio de Janeiro após novo gol. Aos vinte e nove minutos, a equipe encaixou contra-ataque veloz, onde Mouche cruzou, Jean tentou afastar mas direcionou a bola para Sanchez Miño e este mandou para a rede. 2a0 Boca, silenciando três alas de um estádio que fazia barulho, quase que exclusivamente, a partir do setor Norte - aquele destinado ao público da torcida visitante.

Aos quarenta minutos, uma jogada individual de Wellington Nem (talvez a única fonte de investida com alguma eficiência) terminou em pênalti cometido por Schiavi no hábil meia tricolor. Rafael Moura, que entrara no lugar de Fred, mandou a bola no canto esquerdo e parou em defesa do goleiro Orion.

Foi o primeiro revés tricolor na Libertadores da América 2012, mas não foi a primeira má atuação dessa equipe nessa edição da competição continental. Gilberto Gil sabe das coisas.

sábado, 7 de abril de 2012

Campeonato Estadual Fluminense: Aspectos Positivos E Negativos De Uma Fórmula Polêmica

Os primeiros meses do ano no calendário futebolístico brasileiro são reservados basicamente a três competições: a Copa Libertadores da América (de dimensão continental, organizada pela CONMEBOL e com seis clubes brasileiros na disputa), a Copa do Brasil (de dimensão nacional, organizada pela CBF e iniciada com 64 clubes) e os Campeonatos Estaduais (organizados por cada federação e abrangendo somente time nos limites da respectiva fronteira estadual). Neste tópico iremos lançar um olhar sobre o Campeonato Estadual disputado no Rio de Janeiro, que nos últimos anos vem repetindo a fórmula de disputa em dois turnos. O objetivo não é exaltar nem desmerecer a competição e seu formato, mas buscar um entendimento do modelo vigente para que possamos concluir se dá ou não para ser melhorado para as próximas temporadas.

A fórmula

Com dezesseis clubes integrantes, o Campeonato Estadual Fluminense conta com dois grupos, cada um com oito clubes, não podendo ter nem mais nem menos do que dois "grandes" em cada chave - em 2012 ficaram Botafogo e Flamengo no grupo A; Fluminense e Vasco no grupo B.

No primeiro turno (Taça Guanabara), cada equipe enfrenta os sete outros times de seu mesmo grupo (ou seja, há dois clássicos: Botafogo e Flamengo, e Fluminense e Vasco). As duas equipes que mais pontuarem, avançam para a fase semifinal. As vencedoras na fase semifinal jogam a final - sempre em jogo único, com desempate em disputa por pênaltis em caso de igualdade no tempo regulamentar.

No segundo turno (Taça Rio), cada equipe enfrente os times situados no outro grupo, isto é, em vez de sete rodadas há aqui oito jornadas para a conclusão da fase que antecede os jogos eliminatórios. Os clássicos passam a ser, no exemplo de 2012, Botafogo e Fluminense, Botafogo e Vasco, Flamengo e Fluminense, e Flamengo e Vasco. Copiando e colando o que ocorre no primeiro turno:  as duas equipes que mais pontuarem, avançam para a fase semifinal. As vencedoras na fase semifinal jogam a final - sempre em jogo único, com desempate em disputa por pênaltis em caso de igualdade no tempo regulamentar.

Se o time campeão na Taça Guanabara faturar também a Taça Rio, este é campeão estadual. Se os campeões de um turno e de outro forem clubes distintos, fazem-se dois novos jogos entre eles e o time que marcar mais gols é o campeão estadual (havendo igualdade na soma dos gols, desempate em disputa por pênaltis).

Ademais, os dois times com menor pontuação na soma dos quinze jogos não-eliminatórios (sete no primeiro turno e oito no segundo turno), são despromovidos para a Série B estadual.

Analisando

A fórmula de dois turnos no modelo atual vem sendo dominada pelos quatro "grandes", que constantemente integram as vagas na fase semifinal jogando entre si. As fases semifinal e final costumam reservar grandes emoções, muitas das vezes sendo definidas em disputa por penalidades máximas. Quando tem início o segundo turno, ocorre o que considero uma aberração na disputa pelas quatro vagas nas semifinais (duas de cada grupo): um time tem a possibilidade matemática de se classificar com oito derrotas enquanto outro time tem a possibilidade matemática de ser eliminado com oito vitórias em oito jogos.

Atualmente, estamos com seis rodadas disputadas, ou seja, faltando duas para a definição das semifinais na Taça Rio 2012. O líder no grupo B é o Vasco, com onze pontos ganhos. Essa pontuação do Vasco o colocaria apenas na quinta colocação no grupo A. Por outro lado, o Flamengo, líder no grupo A com quinze pontos, ainda pode ser ultrapassado por Botafogo, Macaé e Resende, isto é, não está matematicamente classificado. Se estivesse no grupo B com uma campanha rigorosamente igual a atual, não somente seria líder como já estaria garantido na semifinal independentemente dos resultados nas duas últimas rodadas.

Nova Iguaçu e Madureira, com sete pontos ganhos e nas respectivas 6ª e 7ª colocações no grupo A, estão fora da disputa por vaga na semifinal (o atual 2º colocado, o Botafogo, tem catorze pontos e não pode ser alcançado nem pelo Laranja da Baixada nem pelo Tricolor Suburbano). Já o Boavista, lanterna no grupo B com três pontos, ainda tem possibilidade matemática de classificação para a semifinal. É evidente que ninguém em sã consciência apostaria nessa hipótese, mas o simples fato de essa situação se oferecer, mostra que alguma coisa está fora de ordem no modo de disputa da competição.

Um outro caso curioso é o do Bangu. Depois de campanha pífia na Taça Guanabara, quando perdeu todos os sete jogos disputados, o Alvirrubro da Zona Oeste é atualmente vice-líder no grupo B na Taça Rio (ou seja, está na zona de classificação para a fase semifinal). Isso por si só não deixa de ser uma coisa interessante, mas tenhamos atenção no que poderia ocorrer com o Bangu: com nove pontos na soma dos dois turnos, o time está ameaçado pelo rebaixamento, ao mesmo tempo em que tem a possibilidade - e por que não? - de ser campeão estadual esse ano. Quer dizer, no mecanismo em vigor no Campeonato Estadual no Rio de Janeiro, poderíamos ter um clube campeão sendo rebaixado para a segunda divisão. Em que outro lugar do mundo admite-se algo dessa natureza? Sinceramente, acho que precisamos rever o calendário brasileiro com urgência. Isso inclui jogos realizados sob o sol no verão com sensações térmicas passando dos quarenta graus centígrados, isso inclui partidas tarde da noite para atender interesses de emissoras de televisão, e, no caso do Campeonato Estadual Fluminense, isso inclui também o modelo de disputa.

A sugestão que faço por ora é encontrarmos uma maneira de colocar os quatro "grandes" com o torneio já em andamento, o que diminuiria a carga de jogos desses times e daria aos demais clubes maiores possibilidades de chegar numa fase eliminatória na competição. Pretendo esquematizar algo com mais pormenores e postar neste blógui, mas a princípio acho relevante deixar bem claro que sou contra o modelo de pontos corridos nos estaduais (aprovo essa disputa para os Campeonatos Brasileiros em todas as suas séries). E que o formato do Estadual no Rio de Janeiro, sobretudo no que tange essa fase na Taça Rio, precisa ser revisto.

Abraços.

domingo, 1 de abril de 2012

Fluminense E Botafogo Empatam Clássico Vovô


No dia em que o blógui completou dois anos na atividade, o blogueiro que vos digita foi ao estádio Engenhão e assistiu ao clássico mais antigo do futebol brasileiro, apelidado carinhosamente como "Clássico Vovô". O encontro entre Fluminense e Botafogo era válido pela 6ª rodada na Taça Rio (uma espécie de segundo turno no Campeonato Estadual) e, como de hábito nos jogos entre essas equipes, houve gols, bolas na trave e belas defesas dos goleiros. No final, o empate em 1a1 teve melhor sabor para o Tricolor das Laranjeiras, que superou o cansaço (havia jogado quinta-feira na Venezuela, pela Copa Libertadores da América) e resistiu à pressão do Glorioso, com direito a duas bolas na trave em finalizações do argentino Germán Herrera. O Alvinegro de General Severiano permanece invicto em 2012 e é um forte concorrente ao título - o Flu, campeão na Taça Guanabara, pode definir o campeonato caso vença também a Taça Rio. Curiosamente, os dois duelos anteriores entre Flu e Bota terminaram nesse mesmo placar (pela última rodada no Campeonato Brasileiro 2011 e pela semifinal na Taça Guanabara 2012).

O jogo

Se por um lado a primeira oportunidade flagrante de gol foi em ataque do Fluminense (Carlinhos cruzou da esquerda e Fred cabeceou para fora, após saída equivocada do ótimo goleiro Jéfferson), por outro o Botafogo dominou as ações no início de partida. Marcelo Mattos fazia muito bem a proteção à defesa e ainda saía jogando com qualidade, fortalecendo um setor carcaterizado pelo bom toque de bola. E foi na base do toque que o Botafogo abriu o placar no Engenhão: Elkeson fez bonita tabela com Andrezinho e chutou alto, tirando de Diego Cavalieri, aos dezoito minutos.

Por coincidência ou não, o Botafogo teve uma queda de rendimento logo após o advento da primeira parada técnica. Aos vinte e dois minutos, Carlinhos cruzou da esquerda e Wellington Nem, livre na pequena área, cabeceou... o ar, mas não a bola. Aos trinta e cinco, em avanço pelo lado direito, Nem escapou de Márcio Azevedo e passou para Fred. Goleador, o camisa nove não desperdiçou e marcou com um carrinho, mesmo acompanhado de perto por Antônio Carlos. 1a1 no placar.

O segundo tempo teve início com os mesmos vinte e dois jogadores que atuaram na etapa inicial, mas não demorou para Fred pedir para sair (Rafael Moura entrou). E a primeira grande chance foi alvinegra: com um chute cruzado de fora da área, Herrera carimbou o pé da trave direita. Oswaldo de Oliveira resolveu atender os gritos da torcida presente no setor Oeste do estádio e colocou Jóbson em campo. O plano original me parece que era o de tirar Elkeson, que oscilava de rendimento na partida, mas Andrezinho caiu no gramado e deu a entender que não estava disposto a continuar em campo. Sem a cadência de Andrezinho e com a correria de Jóbson, o Botafogo impôs um ritmo mais forte mas sem conseguir conciliar velocidade com organização. Mesmo assim, a equipe alvinegra pressionou o adversário e teve nova bola na trave, em nova finalização de Herrera - dessa vez com a cabeça, aos quarenta e cinco minutos.