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sábado, 3 de agosto de 2013

Estamos Aqui

Vinte e um dias depois, estamos de volta com uma postagem no blógui. O usuário de longa data sabe muito bem que as publicações nessa página obedecem uma freqüência mais assídua do que as dos tempos recentes e o blogueiro pede desculpas por não vir mantendo aquela gostosa rotina de tópicos novos. Mas cá estamos e, sem mais delongas, falemos de futebol.

Tivemos Cuca, Ronaldinho e Atlético Mineiro campeões continentais, fato que acho ótimo para o futebol. Primeiramente, pelo fato de o melhor técnico brasileiro das últimas décadas estar conquistando tão relevante torneio internacional - parabéns, Cuca! Em segundo lugar, por Ronaldinho Gaúcho, maior craque brasileiro em atividade, conseguindo conciliar dedicação profissional com aquela velha e conhecida arte de jogar bola que pouquíssimos conseguem fazer como ele - parabéns, Ronaldinho! E por último, ao Clube Atlético Mineiro, mais um campeão inédito de Libertadores - parabéns, Atlético!

A saída de Abel Braga do Fluminense (Luxemburgo assumiu após cerca de um mês desempregado) é outro daqueles casos que mostram o imediatismo no futebol. Atual campeão brasileiro, Abel deixa o cargo após desapontantes participações em todos os torneios disputados em 2013. Mas o futebol do Flu é aquele de sempre... burocrático. Quando ganhava jogos e campeonatos, tava tudo certo, né, tricolores? Procurar alguém que assuma o comando técnico com uma filosofia de jogo que vá além do mísero futebol-resultado é algo que ainda não entrou na cultura esportiva tupiniquim. Digo ainda porque sou otimista e acredito que muitos Cucas ainda surgirão.

No mais, hoje assisti dois jogos. Em Londres, o ótimo amistoso pré-temporada entre Arsenal e Napoli terminou empatado em 2a2, com a mesma rede sendo estufada quatro vezes. Partida movimentada, com o Arsenal mostrando aquela qualidade de posse de bola típica de um time (muito bem) treinado por Arsène Wenger, diante de um Napoli que conservou a agilidade de contra-atacar mesmo com a troca de Walter Mazzarri por Rafa Benítez. O uruguaio Edinson Cavani provavelmente fará falta ao clube celeste, mas não é prudente duvidar da capacidade do argentino Gonzalo Higuaín. Insigne também é boa opção, mostrando oportunismo no gol inaugural. Pelo lado londrino, seria interessante a equipe buscar um nome de impacto para o setor ofensivo. Apesar do golaço de Giroud.

Ah! O outro jogo que vi hoje foi a vitória do Cruzeiro sobre o Coritiba, no reencontro do treinador Marcelo Oliveira com o Alviverde Paranaense. A partida foi relativamente equilibrada, mas o Coxa sentiu a ausência de Alex. Lincoln e Bottinelli não deram conta da armação de jogadas e o jogador mais influente no resultado acabou sendo o goleiro Vanderlei, com diversas defesas difíceis que mantiveram o 1a0 cruzeirense, em gol que saiu no início, com Luan completando cruzamento de Mayke, aos onze. Amanhã, o Botafogo pode retomar a liderança no Campeonato Brasileiro se sair vencedor no clássico com o Vasco. Outro jogo interessante na rodada é o Gre-Nal, num confronto entre os ex-jogadores Renato Gaúcho e Dunga.

Saudações futebolísticas.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Soberano É O Futebol Arte: Atlético Mineiro 4a1 São Paulo

O Clube Atlético Mineiro está nas quartas-de-final na Copa Libertadores da América 2013. Ponto parágrafo.

Ler essa frase hoje é simples e redundante, pois o fluxo de informações já deixou cada um que se interessa em Taça Libertadores ciente da goleada por 4a1 sobre o São Paulo, totalizando 6a2 na soma dos resultados. Mas muitos "especialistas" e "entendidos" de futebol (aspas com valor de "pseudo") haviam sacramentado a eliminação atleticana após a derrota por 2a0 para o mesmo São Paulo Futebol Clube na última rodada pela fase de grupos no torneio.

Naquele momento, o Galo vinha de uma campanha com 100% de aproveitamento, já assegurando o primeiro lugar no grupo e no geral. Um simples empate no Morumbi eliminava o Tricolor. Só que os donos da casa mostraram sua força e vibração, vencendo a partida com dois gols no segundo tempo. Há quem sugira que o Atlético "tremeu". Que o São Paulo é mais "familiarizado" com Libertadores. A segunda premissa é verdadeira, mas pouco diz dentro de campo. Principalmente quando se está diante de uma equipe tão envolvente e eficiente como essa comandada por Cuca. Ou melhor, como mais essa comandada por Cuca.

As personificações do envolvimento e da eficiência no jogo de quarta-feira no Independência foram Ronaldinho Gaúcho e Jô. Os dribles, as arrancadas, os passes, os lançamentos, os deslocamentos e tudo o mais exibidos por Ronaldinho são para fazer lembrar os tempos de Barcelona. Sim, os tempos de Barcelona, aqueles que muitos garantiram que jamais voltariam. É aquele Ronaldinho! Só que em vez de vestir azul-grená sendo comandado por Rijkaard, é em alvinegro sob os cuidados de Cuca. Um gênio. Daqueles que encantam e que decidem jogos e classificações. Jô, autor de três gols - diga hat-trick, se preferir - mostrou que conhece o atalho para a rede. Não precisa de muitos toques na bola nem de muito espaço para resolver os lances que chegam a si. Ainda carimbou o travessão de Rogério Ceni (a exemplo de Ronaldinho). Foi quatro, mas poderia ter sido mais. Uma sacolada.

Bernard, Tardelli e tantos outros também foram importantes. E quando muitos (talvez todos) rendem bem, há que se olhar com carinho para o trabalho desepenhado pelo treinador. Invicto no Independência desde a reinauguração, o Galo tem a força, a coragem, a organização e o encanto dos verdadeiros campeões. Mostrou isso diversas vezes desde que Cuca assumiu o comando tático e ficou ainda mais belo desde a chegada de Ronaldinho. A participação dos fanáticos torcedores é a cereja no topo do bolo vegano. Se essa trajetória vai terminar na próxima eliminatória, na fase semifinal, em vice-campeonato ou em título, pouco importa. O reconhecimento por algo bem realizado independe disso. Mas será muito mais bonito - principalmente para o futebol - se tivermos um time que joga como joga o Atlético de Cuca (e como joga!) levantando um troféu tão almejado. Azar do São Paulo, do ótimo Ney Franco, que da fase de grupos até as oitavas jogou metade de suas partidas com o Galo (uma vitória e três derrotas). Quer dizer, azar em termos de resultados porque deve ter sido um belo aprendizado.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Galo Canta Forte Em Sarandí: 5a2 No Arsenal

Ronaldinho já havia feito a diferença na partida de estréia, quando o Atlético Mineiro venceu o São Paulo por 2a1 no estádio Independência. E, outra vez, o gênio foi fundamental para a construção de mais um resultado positivo. Mas para falar da histórica goleada do Galo sobre o Arsenal, em Sarandí, há que se falar de muitos outros personagens. Começando por Cuca, técnico de quem sou profundo admirador há algum tempo. Na entrevista pré-jogo, Cuca salientou a necessidade de tentar jogar em Buenos Aires da mesma maneira que o time atua quando está jogando dentro de casa. Lindo isso. Com bola rolando, um repórter de beira de campo deu ênfase durante a transmissão indicando algumas das orientações de Cuca, todas elas de cunho ofensivista: Júnior César tinha que se adiantar, atuando como um meia; Jô tinha que se posicionar entre os zagueiros; Leandro Donizete tinha que sair para o jogo.

Mas como traçar um plano de jogo quando o adversário marca 1a0 com um minuto de partida? Num vacilo da defesa, que errou o tempo de bola e permitiu que Furch recebesse em liberdade uma enfiada de bola de Aguirre, o Arsenal abriu o placar em chute cruzado do camisa nove. Na comemoração, Furch mostrou a camisa de Zelaya, jogador que rompeu ligamentos do joelho na sexta-feira, diante do Argentinos Juniors, pela liga nacional. Bacana a homenagem.

Mas mais homenageado que Zelaya foi o futebol. Já aos sete minutos, saiu o empate: ótima assistência de Ronaldinho Gaúcho e conclusão precisa de Bernard. 1a1 e festa de uma torcida alvinegra que compareceu em bom número. Naquele momento, Cuca foi flagrado comemorando muito o gol marcado e fazendo sinal para arquibancada pedindo um pouco de silêncio e paciência, da maneira mais educada que isso pode ser feito num ambiente como um estádio de futebol.

E quem seguiu as recomendações dele, não se arrependeu. O Galo se impôs em campo com a naturalidade daqueles que jogam um bolão no jogo da mesma maneira que treinam. E olha que o Arsenal jogava bem, embora falhasse demais na última linha de defesa. Aos vinte e seis, o time da casa iria à rede mais uma vez com Furth, mas a arbitragem do uruguaio Martín Vázquez viu a falta cometida pelo atacante no zagueiro Leonardo Silva, anulando acertadamente o lance. E se os mandantes não conseguiram assumir a frente naquele momento, não conseguiriam nunca mais na partida.

Através de uma troca de passes envolvente, Ronaldinho e Jô participaram da ótima jogada que terminou com assistência de Leandro Donizete para conclusão de Diego Tardelli - era o primeiro gol do camisa nove no retorno ao Galo e era visível a emoção estampada em sua face. 2a1 Atlético.

Leitores mais atentos lembrarão que Cuca havia pedido maiores avanços de Donizete e Júnior César. Se aos vinte e sete Donizete deu o passe para o gol de Tardelli, aos trinta e cinco foi a vez de Júnior César cruzar para Jô finalizar com precisão. 3a1 no placar.

Ainda no primeiro tempo, Aguirre cobrou uma falta pela direita com maestria e surpreendeu Victor, mandando a bola no ângulo direito. Cobrança que de alguma maneira lembra aquela de um certo Ronaldinho Gaúcho, nas quartas-de-final da Copa do Mundo de 2002, num Brasil e Inglaterra, encobrindo David Seaman (na minha opinião, embora RG seja genial, aquela cobrança não foi proposital).

Indo para o intervalo, Ronaldinho foi rapidamente entrevistado e afirmou que o negócio era jogar fechadinho e sair em contra-ataques. Fechadinho, Ronaldinho? Time do Cuca? Esperando o adversário? Vai nessa... O Atlético Mineiro voltou para o segundo tempo é tomando a iniciativa, que por sinal é algo que sabe fazer muito bem. E não apenas graças à vocação ofensiva de Cuca, mas também ao próprio Ronaldinho, exímio organizador de jogadas.

Bernard, que como jogador profissional fazia sua primeira partida fora do país, tratou de transformar a vitória em goleada. Aos oito, foi novamente lançado por Ronaldinho Gaúcho, aproveitou o vacilo do defensor que não soube dominar a bola, e mandou para a rede, marcando o quarto do time e o seu segundo pessoal.

Cinco minutos depois, Ronaldinho descolou mais um lançamento, Jô chutou bem, Campestrini espalmou e Bernard, no local exato, conferiu no rebote. Hat-trick, como dizem os britânicos. 5a2 e festa dos visitantes, que pareciam em casa.

As substituições promovidas por Cuca deram maior consistência à equipe, que jogou os últimos minutos ouvindo seus próprios adeptos entoarem gritos de olé, olé. Aos quarenta e dois minutos, Ronaldinho sofreu pênalti na jogada mais violenta de uma partida tranquila: Braghieri foi com as duas solas de chuteira na canela de Ronaldinho, que felizmente não sofreu nada mais grave em entrada daquelas "para quebrar". Vázquez, que atuava muito bem, acertou na marcação do pênalti mas cometeu o gravíssimo erro disciplinar de não aplicar cartão num lance que era para expulsão.

Faltava o gol de Ronaldinho. Ele foi para a cobrança da penalidade máxima e... mandou no travessão. Mais tarde, puxando contra-ataque, tocou para Luan na esquerda e o jogador que acabara de entrar chutou firme, superando Campestrini mas não Nervo, que salvou praticamente em cima da linha. Pênalti no travessão e bola salva incrivelmente nos minutos finais. Foi 5, mas o Galo pintou o 7.

domingo, 23 de outubro de 2011

Soberano Taticamente, Galo Vence Flu No Engenhão E Deixa Zona


Exaltado pela torcida tricolor antes de a bola rolar (visivelmente em reconhecimento pelo feito de escapar com o Fluminense de um rebaixamento em 2009, quando os "matemáticos" davam 99% de chances de descenso para o clube das Laranjeiras), o técnico Cuca teve o nome novamente gritado pelos cariocas no final do jogo realizado nesse sábado, no estádio Engenhão. O time dirigido por esse grande técnico, o Atlético Mineiro, conseguiu importante vitória por 2a0 (gols de Daniel Carvalho e André, ambos no primeiro tempo), construindo o resultado através de uma formidável consistência tática, principalmente no aspecto defensivo.

É verdade que os desfalques de Diguinho, Marquinho, Deco e Fred são impactantes ao Fluminense - como seriam em qualquer outro elenco no futebol brasileiro -, mas a opção de Abel Braga pelo uso de três volantes (Edinho até esteve bem, mas Rodrigo Caio e principalmente Fernando Bob foram elementos que beiraram a irrelevância) foram determinantes para condenar o Tricolor a ter dificuldades na criação de jogadas. Lanzini não dava conta de acionar Martinuccio e Rafael Sóbis. Mariano se apresentava pela direita, mas eram raros os momentos em que conseguia progredir até a linha-de-fundo. Carlinhos, que se aventurava pouco no campo de ataque, parecia temer os avanços de Carlos César. Nas arquibancadas, os mais de 24.000 presentes incentivavam suas equipes: as algumas dezenas de atleticanos vibravam com o belo desempenho tático da equipe enquanto os milhares de tricolores tentavam incorporar o espírito do 12° jogador, já que no onze-contra-onze a vantagem era da equipe visitante.

Mesmo que seja possível reclamar de algumas decisões do árbitro gaúcho Jean Pierre Lima (o jogo teve três lances discutíveis de pênalti no primeiro tempo, e em todos eles o apitador decidiu favorecendo o Atlético, que abriu o placar cobrando penalidade máxima aos dez minutos), o fato é que foram tão escassas as jogadas de penetração por parte dos donos da casa, que é mais sensato aceitar a superioridade do oponente e a conseqüente derrota. No final, gritos de "burro" para Abel, "Nense" para o time e "Cuca" para o treinador adversário resumiram bem o que foi a tarde tricolor no estádio: irritação com o próprio treinador, paixão por um time que não correspondeu e admiração por um técnico que fez história no clube e que, visivelmente, é muito querido pelos torcedores. Melhor para o Atlético, que conta com este baita profissional e, com o resultado, saiu, pelo menos provisoriamente, da zona de rebaixamento.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Treinador Brasileiro E A Arte De Viver Intensamente

Adílson, Cuca, Renato e Silas. Nomes de quatro treinadores que começaram o Campeonato Brasileiro no comando de seus respectivos times (Atlético Paranaense, Cruzeiro, Grêmio e Avaí) mas que já não estão mais na competição.

No momento da digitação desse tópico, a 7ª rodada ainda encontra-se em andamento - o que implica uma média superior a uma troca de treinador a cada duas rodadas. E não vou nem falar no nome de Ênderson Moreira, ex-Fluminense, pois a troca deste por Abel Braga já era anunciada antes de o torneio ter início.

Troca de treinador é algo bastante comum no futebol, principalmente no Brasil, que às vezes parece entregue a uma cultura do "menor esforço". Afinal, é muito "mais prático" trocar um único elemento do que um conjunto de atletas ou de diretores, não é verdade?

De toda forma, as saídas de Adílson Batista, Cuca, Renato Gaúcho e Silas apresentam uma coisa em comum: nenhum dos quatro foi demitido da instituição onde trabalhava. Cada um deles pediu para sair, o que não deixa de ser uma novidade no que se trata de Terra Brasilis.

É bem verdade que todos faziam campanhas aquém das expectativas na liga nacional (expectativa é algo muito perigoso, pode acreditar). Mas é relevante mencionar que Silas saiu do Avaí porque teve uma proposta que julgou mais interessante e hoje comanda o Al-Arabi, do Catar. Se Adílson e Renato fracassaram nessa temporada com o Rubronegro Paranaense e o Tricolor Gaúcho, é bem razoável estimar que não demorará muito para que eles estejam dirigindo um novo clube (embora sinceramente não sei se tenham espaço na Série A). Cuca é um caso à parte. Se, semanas atrás, havia um nome no cenário futebolístico brasileiro que ninguém imaginaria desempregado seria certamente o do técnico ex-Cruzeiro. Encantando o Brasil e a América com uma performance sensacional na Libertadores, o negócio começou a desmoronar na surpreendente eliminação para o Once Caldas, na fase oitavas-de-final. O título mineiro diante do Atlético amenizou as coisas, mas após cinco rodadas sem vitória no Campeonato Brasileiro, o próprio Cuca achou melhor dar a vez para outro profissional. Particularmente, acho uma perda incalculável para o Cruzeiro Esporte Clube trocá-lo por Joel Santana. Mas, falando em números, Joel inicia o trabalho na Toca da Raposa com duas vitórias em duas partidas.

Enfim, há muita água para rolar nesse Campeonato Brasileiro. Espero que a "dança das cadeiras" dos treinadores só aconteça para aqueles times que apresentam um futebol ruim e desejam acrescentar arte no estilo de jogo da equipe. Pode parecer um discurso exageradamente romântico, mas não devemos esquecer que arte e eficiência podem - e devem - caminhar conjuntamente. O Barcelona de Josep Guardiola está aí para dar subsídios a essa afirmativa.

Em tempo, na enquete perguntando sobre o Barça de Guardiola, dez votos foram computados: 4 acham esse "Blaugrana" o maior time que já viram jogar; 4 colocam esse Barcelona como um dos melhores times já vistos e 2 entendem que trata-se de um time de qualidade, mas não no grupo dos melhores que já foram vistos (pergunto-me quais seriam eles!). Que Pep tenha vida longa no Camp Nou. A não ser que ele próprio, por livre e espontânea vontade, sinta ter chegado a hora de respirar novos ares.
Cuca é saudado após o título estadual com o Cruzeiro: treinador, hoje sem clube, está no topo da lista de preferência das diretorias de Atlético Paranaense e Grêmio, que já não contam mais com Adílson Batista e Renato Gaúcho.

domingo, 3 de abril de 2011

No mineiro, Cruzeiro praticamente consolida liderança ao comando de Montillo

Quase todo jogo na Arena do Jacaré com mando de campo do Cruzeiro terminou em goleada celeste este ano. Os comandados de Cuca estão avassaladores. E hoje, em mais uma bela atuação do camisa 10 Montillo, a equipe belohorizontina fez um belo jogo contra o Guarani de Divinopólis. 4x1 com direito a show do argentino.

Pela primeira vez no ano de 2011 o Cruzeiro jogou de branco, estreando o uniforme 2 da temporada 2011. E a estreia deu sorte. Tal como a estreia da camisa com o "v", que resultou numa goleada sobre o Estudiantes, o uso da cor branca como predominante trouxe sorte a raposa. Vamos ao jogo:

Além da estreia do novo uniforme, o Cruzeiro tinha mais uma novidade em campo: a titularidade do paraguaio Ortigoza, jogando com 9, que vinha perteçendo a Welligtom Paulista que ainda esta semana deve deixar Minas para assinar com o Palmeiras.

Os primeiros 15 minutos de jogo, a pressão foi total do time do Guarani. Logo aos dois minutos, Carlos Cesar da equipe visitante apareçeu na área pra chutar cruzado e ver Fábio fazer boa defesa. Com mais dois minutos de jogo, a equipe de Dininopólis marcariam o primeiro gol do jogo. Em escanteio cobrado por Luís Fernando (jogador que veio das categorias de base cruzeirenses) Paulo César aproveitaria uma falha de Gil e Leandro Guerreiro na defesa pra subir sozinho e testar a rede o primeiro gol do jogo. 1x0 Guarani.

A parcial derrota acendeu o Cruzeiro, que até então jogava pior, um minuto posterior ao gol tomado, em bola lançanda na área, Gil ajeita pra Leandro Guerreiro mandar rente a meta. E se o zagueiro Gil queria se redimir da falha que resultou o gol da parcial da derrota, conseguiu. Aos 21 minutos do primeiro tempo em falta cobrada por Montillo o zagueiro celeste anotaria o segundo gol de cabeça no jogo, e primeiro do Cruzeiro, empatando o duelo na Arena do Jacaré.

E com apenas mais um minuto de jogo veio a virada. Ortigoza faz boa jogada toca pra Montillo na entrada da área, o suficiente pro argentino levantar a cabeça driblar dois adversários e chutar no ângulo. Belo Gol. O camisa 10 prestaria uma bela homenagem ao filho mostrando uma camisa com os dizeres: Fuerza Santi, papa te ama. (O cruzeirense vive drama pessoal na vida, pois seu filho de quase dois anos sofre constantemente com problemas de saúde)

A partir dae o domínio foi todo celeste, o time criava boas chanches, mais pecava no ultimo passe. O terçeiro gol todavia, não demorou a sair e veio aos 34 com Thiago Ribeiro, que pra variar, recebeu passe de Montillo na segunda assistência do argentino na partida. O Guarani que jogava bem, chegou a assustar aos 44, mas Fábio faria mais uma bela defesa pra ter seu nome exaltado pela torçida.

O segundo tempo começou com duas alterações na equipe do Cruzeiro, saíram o polivalente Marquinhos Paraná e o experiente Gilberto para as entradas de Everton e Diego Renam. Até os primeiros 15 minutos inicias do segundo tempo o jogo permaneceria travado no meio de campo. Aos 16 Montillo teria uma boa chanche para coroar de vez a sua partida, mais a bola passaria a cima do gol. Pra variar ainda veriamos uma bela defesa de Fábio aos 20 do segundo tempo... Suficiente para os gritos de "Melhor goleiro do Brasil" ecoarem no estádio.

Aos 23 Cuca anuncia a mudança. Wallyson entraria no lugar de Ortigoza. Deu tempo do camisa 9 chutar cruzado pra defesa do goleiro adversário, mas o paraguaio ficou devendo o gol, e deixando em aberto a dispusta pela 9 no Cruzeiro (Além dele, a briga conta com o recem chegado Brandão. Farias, Reis e André Dias). Mas se Cuca sofre pra firmar um camisa 9, o mesmo não podemos dizer do segundo atacante. Com Thiago Ribeiro em excelente fase, o treinador ainda vê Wallyson fazendo uma bela temporada, o jovem atacante além de fazer gols, tem se mostrado um excelente garçom. Mais hoje foi com um belo gol que ele presentou o treinador e a torçida azul, aos 29 ele recebeu passe na entrada da área, correu pela lateral e fez um belo gol quase sem ângulo. Placar fechado e festa cruzeirense na Arena do Jacaré.

O resultado praticamente consolida a liderança do Cruzeiro, que fica com 5 pontos de vantagem ao vice líder Atlético-MG. Confira a classificação do mineiro a duas rodadas do fim:


1
Cruzeiro
25








2
Atlético-MG
20








3
América-MG
19








4
América TO
18








5
Villa Nova-MG
15








6
Tupi-MG
12








7
Uberaba
10








8
Caldense
10








9
Guarani-MG
7








10
Funorte
5








11
Democrata GV
4








12
Ipatinga
4








*Lembrando que pelo formato da disputa do mineiro, os 4 primeiros se classificam as semi-finais, e os dois ultimos são rebaixados ao modulo II.


O Cruzeiro agora folga 10 dias, e se prepara pro confronto contra o Estudiantes, pela ultima rodada do grupo 7 na libertadores, onde o time celeste já tem a liderança praticamente assegurada.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Equipe E Jogada Da Semana

Cuca vem demonstrando - e não é de hoje nem de ontem - uma grande capacidade de fazer equipes que jogam bonito, com arte e que conseguem ser altamente competitivas. Os títulos expressivos na carreira ainda são escassos, mas o atual Cruzeiro Esporte Clube dirigido pelo técnico curitibano de 47 anos mostra-se em grande momento na Série A 2010. As duas vitórias conquistadas semana passada (1a0 sobre o Goiás, fora de casa, e 1a0 sobre o Fluminense, em Uberlândia) fizeram da equipe celeste a nova líder da competição. A vitória sobre o Tricolor, de Muricy Ramalho (agora vice-líder), embala definitivamente um seríssimo candidato ao título. Se no domingo a equipe superou o então líder do torneio, a próxima parada é dificílima: os cruzeirenses vão ao Olímpico para jogar com o Grêmio, no jogo entre as duas melhores campanhas no segundo turno. Mas o Cruzeiro de Cuca parece apto para qualquer desafio.

Jogada da semana

O Atlético Goianiense foi ao Pacaembu e surpreendeu o Corinthians com uma vitória por 4a3. Adílson Batista pediu demissão do comando do Timão após o "vexame". O fato é que os comandados de René Simões estão conseguindo mostrar forças de escapar da zona de descenso, o que coloca pressão na equipes situadas pouco acima daquela indesejável área da tabela de classificação. A jogada da semana saiu nesse jogo, num golaço de Marcão. A finalização em si não teve nada de especial, mas a construção, a troca de passes que culminou com o gol mostraram um jogo coletivo belíssimo. O lance pode ser visto no línqui a seguir e, de brinde, você pode ver outros belos gols que rolaram nesse final-de-semana pelos gramados brasileiros: belos gols na rodada do Campeonato Brasileiro. Vamos ver se o leitor também preferirá a jogada atleticana.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Fluminense Vence E Alcança A Liderança

Se na semana passada, no mesmo Maracanã, o Fluminense dominou as ações e não conseguiu a vitória sobre o Grêmio Prudente, dessa vez a equipe foi envolvida pelo Cruzeiro mas acabou conseguindo o resultado que o coloca na liderança da Série A 2010. O próprio treinador Muricy Ramalho reconheceu a superioridade dos comandados de Cuca, afirmando que "o time adversário nos dominou no setor de meio-campo".

A partida, antes do início, já ganhou uma atmosfera especial: em gratidão pela inesquecível campanha que salvou a equipe do rebaixamento no ano passado, os torcedores tricolores ecoaram o grito de "olê, olê, olê, olá... Cuca, Cuca!". O técnico agradeceu e reconheceu que tratava-se de um momento especial e pouco comum no meio futebolístico.

Fred, capitão tricolor, e Cuca, comandante celeste, se saúdam antes da bola rolar, no reencontro de uma parceria que deu muitas alegrias ao Fluminense. Após o jogo, o presidente Roberto Horcades também mostrou carinho pelo técnico.

Com bola rolando, o Cruzeiro parecia estar jogando no Mineirão: trocava passes com objetividade no campo de ataque, sufocava o Fluminense, criava oportunidades. Porém, esbarrava na boa atuação do goleiro Fernando Henrique ou na falta de pontaria dos próprios jogadores. Após o apito final da primeira etapa, Fred foi perguntado por um repórter sobre o que achou dos 45 minutos iniciais e respondeu com franqueza: "vocês viram o que aconteceu, nós fomos dominados pelo Cruzeiro".

Na volta para o segundo tempo, o desenho do jogo esboçava se repetir, com Wellington Paulista e Thiago Ribeiro tendo boas chances de abrir o placar a favor dos visitantes. Mas, aos 8 minutos, veio o gol tricolor: em cobrança de escanteio pelo lado esquerdo, Leandro Euzébio subiu e cabeceou no canto direito para estufar a rede de Fábio.

Muricy decidiu recuar ainda mais a equipe para tentar conservar o resultado e o Cruzeiro, que já parecia em casa, ficou com volume de jogo muito maior. Porém, mesmo sob intensa pressão, o "time de guerreiros" (apelido dado pela torcida tricolor durante a passagem de Cuca pelo clube) fez jus à alcunha e resistiu às investidas adversárias, garantindo a vitória e chegando à liderança da competição, para alegria de mais de 28.000 pagantes.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

"Resultado" Justificando Qualquer Incoerência: Flu Demite Cuca

Alexi Stival, mais conhecido no meio futebolístico como Cuca, iniciou sua segunda passagem pelo Fluminense em 1º de setembro de 2009. Naquele momento, o Tricolor das Laranjeiras encontráva-se em situação dramática na Série A do campeonato brasileiro, com estimativas matemáticas de rebaixamento na competição nacional dadas como de quase 100%. Porém, o que se viu foi uma arrancada sensacional da equipe carioca, que não apenas saiu da lanterna do torneio como ainda conseguiu sair da zona de descenso e escapar de disputar a Série B em 2010, algo que era dado como irreversível até pelos mais fanáticos torcedores do clube.

Como se não bastasse, aquela equipe desacreditada rumou até a final da Copa Sul-Americana, ficando por um gol de levar a decisão com a Liga Deportiva Universitária para os pênaltis.

Terminado o ano e de contrato renovado, o Fluminense de Cuca fez campanha no mínimo razoável no Estadual. Caiu na semifinal da Taça Guanabara para o Vasco, nas penalidades (o placar de 0a0 no tempo normal mascarou a grande superioridade tática do Fluminense nos 90 minutos regulamentares). Na Taça Rio, nova queda na semifinal, em derrota por 3a2 para o Botafogo (outro placar que não é fidedigno ao que foi construído durante o jogo: o Flu criou mais e o 3º gol alvinegro teve irregularidade no lance).

Pela Copa do Brasil, a equipe estava - aliás, está - nas oitavas-de-final e com um pé na fase seguinte: joga por um empate dentro do Maracanã para se classificar diante da Portuguesa.

O que justificaria a demissão de um treinador com esse retrospecto? Alcides Antunes, vice de futebol, argumentou que a "campanha ruim" no campeonato carioca é a principal razão para essa escolha. Há, porém, quem ache que a cúpula de futebol tricolor agiu dessa forma para se antecipar ao Flamengo numa possível contratação de Muricy Ramalho, sem emprego desde que saiu do Palmeiras. O clube da Gávea deu uma sobrevida ao técnico Andrade, tendo em vista a proximidade de um jogo decisivo pela Libertadores da América, competição a qual o clube rubro-negro corre o risco de ser eliminado ainda na primeira fase.

Por falar em Andrade, esse é o mesmo indivíduo que conduziu o Flamengo ao título nacional ano passado, assumindo o cargo justamente no lugar de Cuca, que migraria para as Laranjeiras.

Muricy, por sua vez, faturou 3 brasileiros com outro tricolor, o São Paulo, mas nem isso lhe deu estabilidade quando o clube se via em momento adverso na temporada 2009. Assumiu o Palmeiras na liderança da Série A, mas acabou fracassando não apenas na disputa pelo título como também na garantia de uma vaga na Libertadores na temporada 2010: ficou em 5º lugar na tabela de classificação. Foi demitido do Parque Antártica após derrota por goleada para o São Caetano, 4a1, dentro de casa.

Estabilidade. Uma palavra de 6 sílabas, 12 letras, e que parece tão estranha ao vocabulário dos dirigentes brasileiros quando o assunto é "treinador". Enquanto isso, na Inglaterra, Alexander Chapman Ferguson, mais conhecido na Terra da Rainha como Sir Alex Ferguson, está no comando técnico do Manchester United desde 1986. Detalhe: a diretoria do clube aguardou 7 anos até que o time conseguisse seu primeiro título de Premiership com o "novo" treinador. Outro exemplo cabível é o de Arsène Wenger, desde 1996 comandando o Arsenal. Nem o fato de estar há 5 anos sem títulos tiraram o prestígio do técnico francês, visto como autor de uma revolução na forma de se jogar futebol no clube londrino.

São tratamentos diferenciados, uma questão que talvez transcenda a noção de profissionalismo e chegue à esfera da cultura. O que fica evidente é que muitas das escolhas "curto-prazistas" que vemos no futebol brasileiro não apenas são injustificáveis como tratam-se de medidas absolutamente prejudiciais aos clubes por esses dirigentes gerenciados. Talvez falte reconhecimento, quem sabe? Mas o que parece mesmo, é que não existe sossego para um treinador envolvido em clubes onde o patrocinador tem a liberdade de bater na mesa e falar grosso em reuniões com a cúpula de futebol.

Boa sorte na sua próxima escolha, Cuca.