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domingo, 22 de agosto de 2021

Chelsea Domina O Arsenal E Vence Clássico Londrino

Naquele que é considerado por muitos como o maior clássico da capital inglesa, Arsenal e Chelsea jogaram no Emirates Stadium pela segunda rodada na Premiership. E o que se viu foi um amplo domínio dos visitantes, com os comandados de Thomas Tuchel conseguindo ter a iniciativa das ações durante praticamente a totalidade na partida. Partida essa que começou com algum equilíbrio, mas que aos poucos foi explicitando a superioridade dos Azuis conforme os espaços no último terço de campo iam aparecendo.

Se tivesse que apontar um único destaque no jogo que terminou com o placar de dois a zero, seria o técnico alemão Thomas Tuchel. Ele conseguiu montar uma equipe com grande qualidade na posse de bola e com incrível aptidão em avançar de forma segura e objetiva. Mesmo com o Arsenal sendo altamente aplicado na marcação, foi dificílimo para os comandados de Mikel Arteta evitar lances perigosos do adversário. E, quando tais lances envolviam o ala direito Reece James e o atacante Romelu Lukaku, o perigo era ainda maior.

Foi exatamente em jogada de James servindo Lukaku que o Chelsea abriu a contagem, aos catorze. O atacante belga, de volta ao clube, marcou seu primeiro gol defendendo a instituição logo na reestreia, empurrando a bola para dentro após assistência de James.

Após receber de James, Lukaku completa para a rede e abre o placar em Londres, marcando seu primeiro gol a camisa do Chelsea logo em sua reestreia. Imagem extraída de PlugTimes.

Se em sua primeira passagem pelos Blues, dez anos atrás, Lukaku era reserva de Fernando Torres e Didier Drogba, hoje o centroavante belga se coloca como a incontestável principal peça de todo o setor ofensivo do time.

Vinte minutos após balançar a rede, Lukaku deixou a bola com Mason Mount e o meio-campista abriu de forma certeira para James, que finalizou com categoria para tirar do goleiro Leno. Dois a zero.

E se o Arsenal não tomou uma goleada dentro de casa, deve agradecer exatamente a Leno: no segundo tempo, o alemão foi espetacular em sua intervenção para evitar que o cabeceio forte e frontal de Lukaku estufasse a rede, com a bola sendo desviada ao travessão.

O Chelsea mostrou virtudes o bastante para se credenciar ao título inglês e ao título do que quer que esteja disputando nessa temporada. Já com relação ao Arsenal, a boa notícia é que se trata de uma equipe jovem, com alguns jogadores mostrando grande talento e dando a entender que é um time com muito a evoluir. Acontece que, para o torcedor mais fanático, esse "time com muito a evoluir" dificilmente vá atender seus anseios de curto-prazo. Mas quer saber? Cada torcedor que pediu a saída do mestre Arsène Wenger não deveria ter o direito de reclamar de nada. Apenas aceitar. Aquele time brilhante, que dava gosto de ver jogar, simplesmente não existe mais. E o trabalho fantástico de Wenger, que recrutou talentos, lapidou joias, impôs uma filosofia de jogo encantadora, ao invés de ser eternamente reverenciado, acabou sendo esmagado por críticas em torno da "falta de títulos". Ironicamente, hoje, não há da parte do Arsenal nem disputa por troféus nem tampouco bom futebol. E, surpreendendo um total de zero pessoa, aqueles mesmos que pediam a saída de Wenger, anseiam pela demissão de Arteta.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Arsène FC

Quantos treinadores o clube que você torce teve desde 1996?

Se você for torcedor do Arsenal, essa pergunta, mesmo sendo feita em pleno ano de 2018, oferta resposta fácil: um.

Arsène Wenger assumiu o comando técnico do Arsenal vinte e dois anos atrás e simplesmente revolucionou a maneira de se jogar futebol em toda a Inglaterra. Se hoje a Premier League é a liga mais prazerosa de se assistir (e muitos concordam que sim, é), parte significativa disso é legado desse francês nascido em 1949.

Particularmente, tornei-me fã do Arsenal numa época em que Bergkamp e Henry eram os atacantes da equipe. E meu deslumbramento não se limitava ao ilimitado talento da dupla. Fui me dar conta, mais tarde, que o que mais gostava no Arsenal transcendia a soma das partes: era o todo. Um todo que era rotineiramente elaborado, construído e treinado, sessão a sessão, dia a dia, pelo Wenger.

Nas mais de duas décadas que acompanho futebol, vi muitos timaços serem formados, mantidos e desfeitos. Nenhum que se compare aos Invencíveis de 2003-4. Lehmann, Lauren, Touré, Campbell, Cole, Vieira, Gilberto Silva, Ljungberg, Pirès, Bergkamp e Henry, juntos e misturados traduziam a essência da filosofia de jogo de Wenger. O Arsenal foi ali, mais do que nunca, Arsène. Um time de contra-ataques arrebatadores. Que, de qualquer lugar do campo - principalmente se o gramado fosse o de Highbury Park -, conseguia chegar dentro da área adversária em cerca de meia dúzia de toques na esfera. Com tal performance encantadora, não importaria (ou pelo menos não deveria importar) se o time era campeão ou não. Mas os deuses da bola premiaram aquele maravilhoso plantel com o título invicto na mais difícil competição no formato de pontos corridos. E marcou-se uma Era.

No esporte em geral e no futebol em particular, vitórias, empates e derrotas são ocorrências difíceis de prever. Veja por exemplo as páginas de apostas: a tendência é o indivíduo, por melhor informado que seja, perder dinheiro em vez de ganhar. A banca se favorece da imprevisibilidade. Do contrário, ser um apostador de favoritos equivaleria a um investimento em renda fixa. Não é. Longe de ser.

Infelizmente, muitos torcedores de diversos clubes (afirmo com segurança de que estejamos nos referindo à esmagadora maioria) preferem um time que "jogue feio para vencer" do que uma equipe treinada para "jogar bonito". Evidentemente, a feiúra ou a beleza de um estilo de jogo não são garantias de que o resultado será positivo ou negativo. E se o futebol tem algum valor enquanto entretenimento, é obrigação do fã de esporte valorizar a filosofia por trás de um trabalho técnico e tático. E a filosofia de jogo implementada por Wenger no Arsenal é uma bênção ao esporte mais popular deste planeta que orbita ao redor do sol.

Sem Wenger, o mundo da bola perderá bastante de sua luz. Espero e torço para que o anúncio de sua despedida do Arsenal não seja o sinônimo de uma aposentadoria precoce. Mas, independentemente de para onde irá o professor, já lamento pela seperação entre Arsène e Arsenal.

Tirando A R S È N E do A R S E N A L, restará ao clube somente A L. Algo que não sabemos exatamente o que é. Na melhor das hipóteses, será um legado filosófico e procedimental de jogar futebol com a beleza que nos acostumamos a ver ao longo dos últimos vinte e dois anos. E, no pior dos cenários, estaria o Arsenal rumando para se tornar mais um clube sedento meramente pelo resultado. Que talvez conquiste o troféu que lhe falta. Mas que corre o risco de cair na vala comum de tudo aquilo que é perecível. Coisa que uma ideologia jamais será. Pois esta é imortal. Assim como Wenger, a quem ofereço respeito e reverência.

E encerro com as palavras dele:
Para todos os que amam o Arsenal, tomem conta dos valores do clube. O meu amor e apoio para sempre.

Obrigado!
Busto de Arsène Wenger no estádio Emirates: toda homenagem é insuficiente para a histórica trajetória do francês no clube.

sábado, 19 de março de 2016

A Culpa É Do Wenger

Imagem publicada pelo Arsenal no Facebook.
Longe de escalar sua formação "ideal", Arsène Wenger mandou para o Goodison Park um Arsenal que tinha um desafio duplo: remontar-se após a saída na Liga dos Campeões da Europa (três dias antes era superado pelo Barcelona no Camp Nou) e partir em direção à vitória diante do Everton, tendo como meta o título inglês (os onze pontos de distância para o líder Leicester não permitem ao clube londrino novos tropeços).

E lá foi o Arsenal.

Sem Cech - Ospina era o goleiro. Com Mertesacker no banco - Gabriel e Koscielny formavam a dupla de zaga, apoiada pelos laterais Bellerín e Monreal. Sem Wilshere e Ramsey - Coquelín e Elneny formavam a dupla de volantes. Sem Cazorla nem Ox e com Walcott entre os suplentes - Özil, Sánchez e Welbeck formavam a trinca de aproximação ao ataque. Com Giroud na condição de reserva - tome Iwobi estreando como titular em jogos de Premiership.

A atuação do time? Muito boa, obrigado. O lance do gol inaugural, concluído por Welbeck após assistência de Sánchez, foi daqueles com o selo Wenger de qualidade. Muitas trocas de passes certeiros, envolvendo o sistema defensivo adversário por inteiro. Em contra-ataque ligeiro, Bellerín acionou Iwobi para marcar o segundo. 2a0, placar de um primeiro tempo onde o visitante foi preponderante. Dominante. Empolgante.

Na segunda etapa, o Everton conseguiu criar pouco mais. Mas o Arsenal mateve-se firme. Não permitiu que em momento algum os donos da casa se sentissem confortáveis na partida. E a realidade é que ficou barato o placar de 2a0, dada a estranha anulação de um gol de Giroud no segundo tempo.

Com preponderância na posse de bola, trocas de passes envolventes, contra-ataques interessantes, superação para lidar com os desfalques, é um dever reconhecer: a culpa é do Wenger.

domingo, 7 de junho de 2015

Menos FIFA, Mais Arsenal E Barcelona

As coisas acontecem muito rapidamente no futebol. Ficar algumas semanas sem atualizar esse espaço sentencia um atraso secular com relação ao fluxo de acontecimentos. Pude assistir o Arsenal dar um baile no Aston Villa para vencer a Copa da Inglaterra com sobras até maiores do que poderia sugerir o placar de 4a0. Pela enésima vez, fica registrado o quanto este blogueiro admira o técnico Arsène Wenger. Na semana seguinte, estourou o escândalo de acusação de corrupção envolvendo o alto escalão da FIFA. Joseph Blatter, pela primeira vez na história, se viu na obrigação de enfrentar um segundo turno nas eleições presidenciais da entidade. Seu adversário, porém, desistiu, promovendo a reeleição do franco-suíço. Só que o maior oponente de Blatter parece ser ele próprio: dias após a nomeação para mais um mandato, entregou o cargo em meio à turbulência. E eis que, no último sábado, o futebol voltou a ser protagonista nos noticiários. O futebol com o selo barcelonista de qualidade: com uma vitória por 3a1 sobre a Juventus e uma apresentação envolvente, os comandados de Luís Enrique Martínez fecharam a Tríplice Coroa conquistando a Liga dos Campeões Europeus.

Arsenal brilhante, Blatter renunciado, Barcelona coroado. Tanta coisa acontecendo em tão pouco tempo. Sinto que esse esporte tão apaixonante sai fortalecido com os três fatos supracitados. A preocupação com o futuro da FIFA, torço, deve ser menor que a preocupação com o futuro do futebol. A FIFA deve estar a serviço dele, e não o contrário. Por falar nisso, viva Wenger e viva Luís Enrique, pelos ótimos serviços prestados. E dá-lhe Lionel Messi! Independentemente de qualquer eleição da FIFA, continua sendo o que já era há muito tempo: o melhor jogador do mundo. Sempre um prazer vê-lo atuar.

sábado, 18 de abril de 2015

Reading Prorroga Próprio Sofrimento E Arsenal Avança Na Copa Da Inglaterra

Imagem extraída de SportingLife.
Se tem um torcedor de futebol que está calejado por tantas infelizes sincronias ocorrendo em partidas de caráter decisivo, este é o torcedor do Arsenal FC. Mas dessa vez, não houve azar que pudesse conter o atual campeão na Copa FA: após empate por 1a1 no tempo regulamentar, a equipe comandada por Arsène Wenger conseguiu a classificação para a final com um gol na prorrogação. Detalhe: numa falha impressionante do goleiro adversário.

Falha por falha, o próprio Szczesny também não primou pela eficiência no lance em que o Reading alcançou o empate. Mas a verdade é que Federici, que vinha sendo um dos destaques no jogo, conseguiu manchar com tinta permanente a sua atuação no estádio de Wembley. São coisas que acontecem no futebol e que goleiro nenhum está imune de protagonizar. Por "infedericidade" do australiano, aconteceu com ele, e o chute rasteiro de Sánchez passou por baixo de suas pernas e braços, em plena prorrogação.

Agora surge a pergunta: o Arsenal mereceu a vitória? Resposta categórica: completamente. Foi superior no primeiro tempo e também em toda a prorrogação, embora sem necessariamente dominar o adversário. No segundo tempo regulamentar, quando atuou de maneira menos organizada que o habitual, foi castigado pelo gol de empate. Mas seria um castigo muito grande se não conseguisse a classificação na busca pelo bicampeonato consecutivo no torneio mais antigo na Inglaterra. Federici evitou pelo menos dois gols, Giroud ainda acertou a trave no final, enfim... Seria azar arsenalístico demais acontecer alguma coisa diferente de uma vitória. Como o Arsenal é o Arsenal, quiseram os deuses do futebol que ocorresse na prorrogação.

Agora surge outra pergunta: o Arsenal conseguirá o título? Resposta categórica: não sou vidente. Primeiramente, aguardemos o encontro entre Aston Villa e Liverpool. O Arsenal será/seria favorito caso o primeiro avance/avançasse. Se o segundo seguir, é partida sem favoritismo e digo a razão: o aspecto emocional. E não pense que digo isso por causa de supostas assombrações que eventualmente acompanham o clube londrino. Não. É fundamentalmente porque a Copa da Inglaterra é a última chance de o capitão Steven Gerrard levantar um troféu com o Liverpool, já que o jogador anunciou sua saída do clube ao término da presente temporada. Bola por bola, o Arsenal tem mais que o Liverpool, com ou sem Gerrard. Mas vamos devagar... Há ainda o Aston Villa no meio do caminho.

No mais, parabéns ao Reading por sua segunda semifinal de Copa FA (a outra foi em 1927) e também pela entrega para tentar medir forças diante de um oponente explicitamente superior tecnicamente. Não fosse a fatídica falha, talvez pudesse ver a sorte lhe sorrir nas penalidades. Porém, não fosse o mesmo indivíduo que cometeu o erro, não teria sequer conseguido chegar à prorrogação. Suas defesas abrilhantaram o confronto.

domingo, 18 de janeiro de 2015

Vitória De Orgulharsenal

Foto: Reuters.
Na prévia da partida, estatísticas que sentenciavam o favoritismo do Manchester City. Afinal, o jogo com o Arsenal (perdão, podemos chamar de clássico) reunia um time invicto há doze partidas (com direito a nove vitórias no período) e outro que tem o pior aproveitamentos nos chamados "jogos grandes".

Durante a partida, um confronto de gigantes. Se o desfalque de Yaya Touré pesava para os donos da casa (a equipe empatou nas três vezes em que o marfinense não atuou nessa temporada), há que se considerar o impacto positivo pelo retorno de Sergio Agüero, jogador com melhor relação gol/minuto na história da competição (o argentino só precisa de 108 minutos, de média, para deixar sua marca). Do lado visitante, novamente muitas lesões impediram a "formação ideal". Mas todos que entraram, deram conta. O jovem Coquelin, na incumbência de acompanhar feras como David Silva e Jesús Navas, saiu-se fenomenal. Atuação daquelas pra contagiar o grupo.

Mas, se é pra destacar atuações individualmente, vamos falar dos espanhóis do Arsenal. Primeiramente, o jovem Bellerín, que aos dezenove anos esbanjou maturidade numa partida de alta responsabilidade. Sua jovialidade residia na disposição e na fisionomia de garoto. De resto, foi um veterano. No flanco oposto, Monreal. Um monstro. Permitam-me o trocadilho: Monstreal. Obrigado. Qualquer adjetivo menor, seria subestimar o nível de atuação de alguém que ganhou praticamente todas as divididas que disputou. E que ainda sofreu o pênalti que originou o primeiro gol. Então, vamos falar do terceiro espanhol do Arsenal: Santi Cazorla. Abriu o placar cobrando a penalidade no canto esquerdo. Detalhe: nos outros cinco pênaltis que cobrou, converteu quatro (três no canto direito e um no centro) e perdeu o único que direcionou para a esquerda. Encarou as estatísticas e superou Hart. Mas o pênalti convertido foi mero detalhe perto da atuação sensacional do camisa dezenove. Dribles desconcertantes. Arrancadas alucinantes. Passes precisos. Desarmes incisivos. Um gigante. Gigante Cazorla.

Foi necessário tudo isso e algo mais para superar o qualificado time do City. Por exemplo, a boa atuação de Aaron Ramsey, tanto ofensiva quanto defensivamente. A eficiência de Giroud, que deixou sua marca e incomodou bastante com sua presença de área. A zaga com Koscielny e Mertesacker beirou o impecável. Sánchez, que costuma ser o destaque individual da equipe de Wenger, saiu-se bem como coadjuvante. Chamberlain também contribuiu, acelerando as jogadas pelas beiradas. Rosicky, que entrou no segundo tempo e trouxe consigo o gol de Giroud, distribuiu passes e lançamentos dignos de um futebol que se jogava décadas atrás e que deixa saudades até para quem não assistiu. Que elegância! Que capricho! Que visão de jogo do tcheco! Mais pro final, Gibbs e Flamini aumentaram a solidez do que já era sólido e garantiram os três pontos.

Se o Manchester City deve se desesperar com a derrota e a distância de cinco pontos para o Chelsea? Diria que não, em hipótese alguma. E digo isso tanto pela qualidade da equipe comandada por Pellegrini quanto pelo fato de, na próxima rodada, haver um confronto direto diante do líder.

Se é para o Arsenal traçar sonhos maiores na temporada? Matematicamente, diria que o título no Campeonato Inglês é uma realidade distante. Mas se essa atuação na cidade de Manchester virar um marco para daqui em diante, não se pode descartar nada com relação a esse time. Nada.

Bendito seja o futebol, que nos possibilita partidas como essa.

domingo, 31 de agosto de 2014

Arsenal É Pouco Para Derrubar Muro Azul: 1a1 Em Leicester

Imagem extraída de ESPN.com.br
De volta à Premiership (a primeira divisão no futebol inglês) após dez anos, o Leicester City fez a alegria de seus torcedores presentes no estádio King Power. Com a força de quem é o rei do pedaço, a equipe comandada por Nigel Pearson conseguiu arrancar um empate diante do qualificado conjunto do Arsenal, apontado entre os candidatos ao título nessa temporada.

Não que a igualdade no placar ajude muito o time de Leicestershire, que sobe algumas posições mas permanece próximo à zona de rebaixamento. Só que o efeito moral após esse resultado vale muito mais do que um ponto somado na tabela de classificação. Atuações como a do capitão Wes Morgan contagiam e estimulam, mostrando que a determinação e a concentração são dois ingredientes que, em conjunto, formam um verdadeira muralha na defesa.

Mesmo com a muralha composta pelo jamaicano Morgan e companhia, o time de Arsène Wenger conseguiu atravessar o obstáculo: em grande jogada de Santi Cazorla, Sanogo recebeu do espanhol e viu a bola chegar até Sánchez, que marcou seu primeiro gol na competição e o segundo na temporada (o chileno havia ido à rede na vitória por 1a0 sobre o Besiktas, que selou a classificação à fase de grupos na Liga dos Campeões da Europa, quarta-feira).

A desvantagem no placar durou pouco. Dois minutos, para ser mais específico. Aos vinte e um, Jeffery Schlupp cruzou da esquerda e Leonardo Ulloa cabeceou no contrapé de Szczesny para empatar a partida.

Pouco depois, Wenger trocou Koscielny por Chambers. O zagueiro francês havia sofrido choque de cabeça minutos antes e inclusive mostrou-se fora do tempo de jogo no momento do gol de empate dos donos da casa. Suscita-se uma questão cada vez mais pertinente: capacete no futebol. Qualquer mecanismo que aumente a segurança dos atletas precisa ser avaliada com carinho e o fato é que choques de cabeça ficaram mais freqüentes do que o que esse uniforme atual propõe.

O primeiro tempo avançou até o seu final com o placar de 1a1 mantido. Na volta do intervalo, a partida acelerou. Foram cinco novas substituições, a maioria delas trazendo maior velocidade ao confronto. Se o Arsenal passava a ter mais agilidade com Chamberlain e Podolski nos lugares de Cazorla e Sanogo, o Leicester quase virou o jogo com Jamie Vardy, que em contra-ataque deixou dois adversários para trás e quase marcou.

Com 67% do tempo de posse de bola e toda aquela qualidade na troca de passes, o Arsenal acabou não conseguindo o gol nos minutos finais - coisa que acontecera tanto na estréia diante do Crystal Palace quanto na segunda rodada diante do Everton. Méritos para o muro Morgan e os demais tijolos, muito bem posicionados à frente do goleiro Schmeichel. Que, por sinal, nem teve muitas oportunidades de mostrar que filho de muro, murinho é.

sábado, 23 de agosto de 2014

Com Dois Gols No Final, Arsenal Busca Empate Na Casa Do Everton

Imagem extraída da página do The Sun.
Goodison Park foi sede de mais uma partida de Campeonato Inglês definida nos minutos finais. O Everton chegou a construir uma situação que parecia lhe encaminhar os três pontos diante de seus torcedores (um pouco pela vantagem de 2a0 no placar, um tanto pela solidez tática da equipe comandada por Roberto Martínez). Só que, no final, restou a sensação de ter visto evaporar dois pontos em seu próprio campo: o Arsenal correu atrás, atacou intensamente, rodou a bola, chutou em gol e conseguiu a igualdade no placar, mostrando todo o poder de reação e determinação da equipe dirigida por Arsène Wenger.

O início de partida teve o Arsenal freqüentando o campo ofensivo e quase abrindo o placar com Chamberlain, em lance onde Coleman, em vez afastar o perigo, acabou dando um passe para o adversário, que chutou rente à trave direita. Se naquele momento Coleman vacilara, aos dezoito minutos ele se redimiria de todos os seus pecados cometidos até então na partida: após jogada ensaiada de toques rápidos que envolveram todo o sistema defensivo oponente, Gareth Barry cruzou e Seamus Coleman cabeceou firme, inaugurando o marcador na cidade de Liverpool.

Com Barry comandando as ações no meio-campo e a defesa dando conta de neutralizar Sánchez, tudo ia fluindo bem para os donos da casa no primeiro tempo. E o cenário ficou ainda melhor pouco antes do intervalo: aos quarenta e quatro, em rápido contra-ataque pela direita, Lukaku deu a assistência para Naismith ampliar a vantagem. Cabem aqui elogios à ótima transição ofensiva da equipe azul mas também sem esquecer de prestar críticas à arbitragem, que ignorou duas irregularidades no mesmo lance: houve falta de Lukaku em Mertesacker e impedimento de Naismith na jogada do 2a0.

O espanhol Roberto Marínez, que está em sua segunda temporada como técnico do Everton, tinha no gramado um time que variava sua disposição de jogadores. E essa versatilidade entre um grupo ora compacto, ora espalhado pelo campo, conseguia dar ao mesmo tempo consistência para a defesa e agilidade para as saídas ao ataque, explorando a lentidão de Mertesacker e os eventuais espaços que Debuchy e Monreal cediam pelos flancos, com participações constantes de Coleman, Baines e Mirallas. A troca de Pienaar por Osman (o sul-africano sentiu contusão e saiu antes dos nove minutos) não comprometeu em nada o sistema de jogo, tanto é que foi após a alteração que vieram os dois gols.

Enfim, tudo muito bem e muito legal para o time anfitrião. Restaria o segundo tempo para concretizar a vitória sobre um sério candidato ao título. Só que quando alguém é creditado ao caneco na Inglaterra, é necessário não subestimar suas capacidades. Wenger mexeu no intervalo, colocando Giroud no lugar de Sánchez. Não sei se foi pela substituição em si ou por alguma mudança de atitude coletiva (possivelmente por ambos os fatores), mas o fato é que o Arsenal passou a atuar melhor. Giroud desperdiçou uma. Desperdiçou duas chances. Desperdiçou uma terceira oportunidade. Ou seja: o Arsenal construía ocasiões de gol. Aos vinte e oito, Wenger mexeu mais duas vezes: saíram Wilshere e Chamberlain, entraram Cazorla e Campbell. E o dinamismo ofensivo do time aumentou ainda mais. Debuchy e Monreal jogavam como autênticos pontas enquanto Flamini era o único homem de meio-campo que parecia se dedicar a proteger a zaga. Zaga essa que passou a requerer menor proteção assim que Martínez trocou o participativo Lukaku por McGeady.

Aos trinta e sete, o Arsenal descontou: Cazorla cruzou rasteiro da esquerda e Ramsey apareceu na pequena área para concluir. É incrível a capacidade do meio-campista galês de se apresentar com precisão geográfica e cronométrica para colocar a bola na rede. Foi assim na primeira rodada e novamente agora, na segunda. Segundo gol de Ramsey nessa temporada, que está apenas começando.

Dois minutos após sofrer o gol, Martínez colocou o ganês Atsu para estrear na Premiership, tirando o outro belga que tinha além de Lukaku: Mirallas. Era um ganho de velocidade que poderia render o terceiro gol à equipe. Talvez fosse esse o plano do espanhol. Só que do outro lado há um certo francês, que dirige o Arsenal há quase duas décadas e que adora ver seu time com a bola nos pés. E o Arsenal tinha a bola nos pés, não possibilitando para Atsu nem ninguém que vestisse azul a possibilidade de arrancar em velocidade. Aos quarenta e quatro, brilhou a estrela de outro francês: em sua quarta finalização no jogo, Giroud conseguiu, de cabeça, empatar a partida após cruzamento de Monreal. Pensando bem, brilhou a estrela dos franceses, pois não podemos esquecer daquele que, no intervalo de partida, escolheu colocá-lo em campo no lugar de Sánchez.

sábado, 16 de agosto de 2014

Virada Suada Do Arsenal: A Única Vitória Dos Mandantes Nesse Sábado Na Inglaterra

Começou o Campeonato Inglês na temporada 2014-5! Isso quer dizer que seremos agraciados com grandes partidas e ótimos momentos, naquela que considero a maior liga nacional de futebol no planeta Terra. Esse sábado, dezesseis de agosto, marcou a abertura nessa edição, que já começou reservando uma grande surpresa: em pleno Old Trafford, o Swansea City derrotou o Manchester United de Louis van Gaal (2a1). Aliás, quem jogou em casa não encontrou vida fácil. Quer ver?

- O Leicester teve que se contentar com um empate diante do Everton, alcançando a igualdade aos quarenta minutos no segundo tempo (2a2, placar final);

- O Queens Park Rangers caiu por 1a0 diante do Hull City;

- Também com resultado de 1a0, o Stoke sediou a festa do Aston Villa;

- Em jogo de uma expulsão para cada lado, mais uma vitória por 1a0 para os visitantes: o Tottenham venceu o West Ham;

- O West Bromwich também não venceu em casa, mas pelo menos pontuou: 2a2 com o Sunderland.

Então, para salvar o dia dos donos da casa, faltava o Arsenal. A equipe, recém-campeã na Supercopa da Inglaterra (venceu o Manchester City por 3a0 no encontro entre os campeões da FA Cup e da Premiership), teve pela frente o Crystal Palace. Tarefa fácil, certo? Errado. A equipe visitante abriu o placar em lance de escanteio, com o grandalhão Hangeland aparecendo no primeiro poste para desviar dentro do gol após a cobrança de Puncheon. Nos acréscimos do primeiro tempo, Koscielny igualou o placar também em lance de bola parada: Sánchez levantou e o zagueiro francês concluiu.

Na volta do intervalo, a dedicação da defesa do Crystal Palace quase garantiu um ponto em Londres. Quase, pois, nos acréscimos, Ramsey estava no lugar exato e no momento preciso para, em condição legal, aproveitar o rebote e virar o jogo. Festa de quase sessenta mil presentes, que após quatro temporadas puderam celebrar uma estréia vitoriosa da equipe de Arsène Wenger no Campeonto Inglês.

Domingo teremos Liverpool e Southampton, em Anfield Road, e Newcastle e Manchester City, em St. James Park. A rodada inaugural termina na segunda-feira, com o Burnley recebendo o Chelsea, no Turf Moor.

sábado, 17 de maio de 2014

Ponto Final Na Agonia: Com Título, Arsenal É Só Alegria


Teve fim a seqüência de quase uma década sem títulos oficiais. Fiel ao estilo de posse de bola com velocidade e infiltração, o Arsenal demorou para acordar para o jogo. Só que, depois de despertar, partiu pra própria felicidade: virou o jogo diante de um valente Hull City e, após prorrogação, gritou "é campeão" em Wembley.

As coisas começaram altamente favoráveis aos Tigres: com duas chegadas ao ataque, a equipe aproveitou-se de vacilos na marcação adversária para já abrir 2a0 com oito minutos. Os autores dos gols foram os defensores Chester e Davies. Porém, nove minutos depois, Cazorla foi muito feliz em cobrança de falta e diminuiu o impensável prejuízo para um gol de diferença.

O que era uma partida até então frenética foi se tornando um jogo mais estudado. Ou seja, um andamento no mínimo inusitado para uma partida de futebol - sobretudo se tratando de uma final, quando costumamos ver o confronto sendo primeiro "pensado" e depois "jogado".

No segundo tempo, o Arsenal passou a mostrar quem é que manda. E subiu visivelmente de produção após a primeira mexida de Wenger: Sanogo no lugar de Podolski. O atacante francês marcou presença em campo com estilo e causou diversos transtornos a até então aparentemente tranqüila defesa do Hull. O empate veio com Koscielny, que sentiu as dores do choque com o goleiro McGregor e não pôde comemorar o gol com o entusiasmo que a ocasião merecia: era o início da redenção de um zagueiro que ficou marcado por vacilar numa final de Copa da Liga Inglesa.

O destino da final era a prorrogação. No intervalo do primeiro para o segundo tempo, Wenger fez outras duas substituições: saíram Cazorla e Özil, entraram Wilshere e Rosicky. Ganhou solidez no meio a ponto de assumir quase que inteiramente o controle das ações. E o prêmio pela superioridade caiu para aquele que mais merecia: Aaron Ramsey, que, embora bastante tempo afastado por lesões, foi o grande destaque do clube na temporada. Aliás, vai saber até que ponto a saída da disputa pelo título na Premiership não tenha sido derivada exatamente da contusão do meio-campista galês. Pois foi de Ramsey o gol do título. Título que só se confirmou com o apito final de Lee Probert. Houve tempo ainda para o Hull quase empatar a partida, em lance que contou com escorregão de Mertesacker, saída em vão de Fabianski e quase-gol-contra de Gibbs após a finalização/cruzamento de Aluko, que ainda apareceu bem em finalização de média distância muito bem defendida por Fabianski.

Quem não infartou, celebrou. O Arsenal é campeão na Copa da Inglaterra 2013-4. E que venha a próxima temporada.
 Aaron Ramsey com o troféu de campeão na Copa da Inglaterra (a "FA Cup"): meia galês marcou o gol do título e foi um dos destaques na temporada.

sábado, 29 de março de 2014

Arsenal E Manchester City Empatam - Os Sonhos Continuam

Primeiro de tempo de um, segundo tempo de outro. Grosso modo, foi assim a síntese de Arsenal e Manchester City, em Londres. Se os visitantes se sobressaíram na primeira etapa (quando abriram o placar com gol de David Silva), a equipe da casa subiu de rendimento após o intervalo e buscou o empate diante de seus torcedores (gol marcado por Mathieu Flamini, que teve atuação destacada).

Era de longe a partida mais aguardada nessa rodada. Inclusive já a havíamos mencionado em tópico anterior (atenção também para Tottenham e Liverpool, nesse domingo). E as equipes comandadas por Arsène Wenger e Manuel Pellegrini não decepcionaram, proporcionando uma bela partida de futebol nesse sábado. Sábado que teve derrota do Chelsea, que parece perder o fôlego na liderança, mesmo após a contundente goleada por 6a0 sobre o Arsenal.

Ainda há muito o que acontecer nas jornadas vindouras, mas é difícil imaginar o Manchester City fora da disputa pelo caneco. Talvez o fiel da balança seja o Liverpool, forte concorrente que ainda tem pela frente confrontos com City e Chelsea, ambos em Anfield Road.

Para ver mais comentários sobre Arsenal 1a1 Manchester City, veja nosso Tuíter @jogandoagora.

Aqui, alguns breves pitacos sobre a partida.

- David Silva e Pablo Zabaleta tiveram ótimo início de partida, comandando as ações pelo lado direito de ataque azul celeste. Com o transcorrer dos minutos, o argentino passou a se dedicar mais à linha de defesa, enquanto o espanhol seguiu buscando jogadas de infiltração, só que variando também entre o centro e o lado esquerdo.

- Lukas Podolski errou no lance do gol do City, mas se redimiu com uma atuação premiada pela assistência para o gol de Mathieu Flamini. É bom lembrar que, no primeiro tempo, também aconteceu um cruzamento de Podolski para Flamini que também terminou na rede, só que o francês foi flagrado em condição de impedimento.

- Fernandinho esbanjou personalidade. Sólido na marcação e decidido quando no campo ofensivo, o meio-campista brasileiro foi um dos pontos de equilíbrio no esquema tático de Manuel Pellegrini. É nome plausível para a Copa do Mundo de 2014.

- Mathieu Flamini foi um dos melhores jogadores em campo. Marcou dois gols (um corretamente anulado), teve outra boa chance e esteve incansável na marcação diante de um adversário repleto de jogadores talentosos circulando pelo seu setor.

Na próxima rodada, o City receberá o Southampton e é favorito para somar três pontos, o que representaria importante passo em direção ao título. Já o Arsenal tem um desafio mais complicado: o Everton, em Goodison Park. Apenas a vitória deve ser encarada como um resultado que mantenha a esperança de título na equipe.

domingo, 16 de março de 2014

Campeonato Inglês Do Equilíbrio: 4 Equipes Buscam O Título

Old Trafford e White Hart Lane receberam dois clássicos nesse domingo. E em ambos os estádios, a festa foi dos visitantes, com a goleada do Liverpool sobre o Manchester United (3a0) e a vitória do Arsenal sobre o Tottenham (1a0).

A corrida pelo título inglês na presente temporada fica restrita a quatro clubes: o Chelsea (atual líder), o Liverpool (vice-líder e que vem mostrando atuações sólidas), o Arsenal (atual terceiro colocado e esbanjando determinação mesmo com muitos desfalques) e o Manchester City (em quarto lugar e sendo a equipe com melhor índice de aproveitamento no torneio).

Em Manchester, o Liverpool foi melhor que o United a maior parte do tempo. Mostrou maior articulação ofensiva, maior capacidade de manter a defesa protegida e as atuações dos goleiros confirmam tais afirmações: De Gea teve muito mais trabalho que Mignolet. A vitória foi construída na base dos pênaltis: dos três assinalados (dois reais e um simulado), Gerrard converteu os dois primeiros e desperdiçou o último, quando carimbou a trave. No final, o terceiro gol veio com Luis Suárez, que teve mais uma bela atuação e só não anotou um golaço porque De Gea impediu de maneira espetacular.

Em Londres, o Arsenal teve a felicidade de abrir o placar cedo. Muito cedo. Foi o gol mais rápido na história do confronto entre Tottenham e Arsenal pelo Campeonato Inglês: um minuto e doze segundos após o apito inicial, Rosicky abriu o placar no clássico da capital. O Tottenham até teve algumas chances claras de empatar a partida, mas parou na bem preparada defesa do Arsenal e também no goleiro Szczesny, que alternou momentos de quase entregar o ouro com defesas providenciais para manter a meta inviolável.

Se Liverpool e Arsenal mostram-se firmes na disputa pelo troféu na Premiership, resta a Manchester United e Tottenham tentar um lugar na próxima Liga dos Campeões da Europa - o Everton também é forte concorrente nessa empreitada continental. E se emoção pouca é bobagem, veja só alguns dos jogos que teremos pela frente nas próximas rodadas.

31ª rodada: Chelsea e Arsenal
32 rodada: Liverpool e Tottenham; Arsenal e Manchester City
33ª rodada: Everton e Arsenal
34ª rodada: Liverpool e Manchester City
35ª rodada: Everton e Manchester United
36ª rodada: Liverpool e Chelsea
37ª rodada: Everton e Manchester City
38ª rodada: cada um por si e de olho nos jogos dos outros pra ver como termina a tabela.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Super Liverpool

Hoje, Liverpool se escreve também com "S". De super. De Skrtel, Sterling e Sturridge, autores dos gols. De Steven e Suárez, fundamentais na construção da goleada. Uma goleada que significa ainda mais por ser diante do atual líder no Campeonato Inglês: o Arsenal.

Em dezenove minutos de partida, a equipe da casa já encaixava um contundente 4a0, para delírio da massa em Anfield Road. O zagueiro eslovaco Skrtel foi à rede duas vezes, ambas em lances de bola parada. Depois, Sterling e Sturridge também marcaram. Foram quatro, mais poderiam ter sido seis.

O intervalo foi o momento que os visitantes tiveram para respirar diante de tamanha intensidade do adversário. Só que Sterling ainda marcaria o quinto, cabendo a Arteta descontar, em cobrança de pênalti cometido por Gerrard.

O Liverpool de Brendan Rodgers mostrou força coletiva de tal forma que simplesmente não é prudente descartar a equipe da disputa pelo título. Tudo leva a crer que teremos um retorno triunfal do clube à Liga dos Campeões da Europa, mas ainda há que se trabalhar com a hipótese de conquistar a liga doméstica este ano, algo que não ocorre desde 1990.

O Arsenal, líder com toda justiça, precisa buscar forças para manter-se no topo: há Manchester City e Chelsea na cola, além de um Liverpool com sede de vitórias logo atrás. Talvez o maior mérito dos visitantes em Anfield, hoje, tenha sido a elegância de cair em pé. Com postura. Com posse de bola. Por mais que quase tudo tenha saído fora dos planos. O Arsenal é o Arsenal e não há goleada que o torne diferente. Foi dia do Liverpool e ponto final. Aliás, do Super Liverpool. Com tudo quanto é "S".

P.S.: essa é a nossa primeira publicação em 2014, cabendo ao blogueiro lamentar um janeiro inteiro de ausência nesse espaço. Mas também podemos nos ver no Tuíter @jogadadefeito e no Fêici Jogada De (E)feito, onde temos comparecido com maior freqüência. Saudações futebolísticas.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Arsenal Zero, Chelsea Zero, Liverpool Líder

Cá estamos, na noite de 23 de dezembro de 2013, para fazer duas coisas. Uma é comentar sobre o empate sem gol entre Arsenal e Chelsea, que deu a liderança no Campeonato Inglês ao Liverpool. Outra é desejar um Natal de felicidade e um ano novo repleto de bênçãos.

Quando digo felicidade, estou pensando em todos aqueles que têm interesse em viver uma vida feliz. Jogadores de futebol de Arsenal e Chelsea, por exemplo. Você, que lê esse tópico, também. Animais não-humanos das mais variadas espécies, idem. Somos todos nós - jogadores de futebol, leitores e animais - capazes de experienciar alegria, prazer, dor e sofrimento. Por isso, é necessário respeito para cada um desses seres. Espero que pensemos nisso, principalmente, quando formos tomar uma decisão em relação ao que consumiremos na nossa alimentação.

Arsenal e Chelsea foram ao jogo com fome. Fome de liderança. Mas a partida entre essas duas boas equipes acabou sendo mais travada por divididas duras do que por grandes chances de gol. Chances claras, dá para lembrar de uma dos Azuis (Lampard carimbou o travessão) e duas do Arsenal (Giroud chutou para fora e chutou travado na defesa). O 0a0 foi justo. Mais justo do que o fato de a partida terminar com 22 jogadores em campo.

Felizmente, ninguém se machucou. Ao contrário de muitos seres que, nesse momento, padecem em matadouros. Um Natal de felicidade e um ano novo repleto de bênçãos.

Mais sobre o jogo: https://twitter.com/jogandoagora #ArsChe
Mais sobre a realidade que te escondem: http://pecuaria.info/

domingo, 15 de dezembro de 2013

Campeonato Inglês - Análise De Dois Jogos Com Chuva De Gols

Nesse final-de-semana tive a oportunidade de ver em ação quatro dos sete primeiros colocados no Campeonato Inglês. Foram as partidas entre Manchester City e Arsenal (incríveis 6a3 para o time da casa) e entre Tottenham e Liverpool (não menos incríveis 5a0 a favor do time visitante).

Além do caminhão de gols (total de catorze validados e dois invalidados), chamou atenção a capacidade de transição das equipes ao ataque. Principalmente dos vencedores nos dois jogos. São equipes montadas de forma a proporcionar boas possibilidades de variação, ratificando os ótimos trabalhos de Manuel Pellegrini no City e de Brendan Rodgers no Liverpool. O Arsenal de Arsène Wenger até conseguiu mostrar-se um adversário à altura, sucumbindo apenas nos minutos finais. Mas o Tottenham de André Villas-Boas foi completamente esmagado pelo oponente.

A seguir, uma análise um pouco mais detalhada de cada uma dessas quatro equipes. São quatro times que, pela qualidade do elenco, têm a obrigação de buscarem um lugar na próxima Liga dos Campeões da Europa, por mais difícil e competitivo que seja a Premiership.

Arsenal (líder, com 35 pontos em 16 rodadas)

Foi a campo num 4-2-3-1, onde Flamini e Ramsey faziam a proteção e possibilitavam a aproximação de Wilshere em Özil, Walcott e Giroud. A quantidade de chances perdidas pelo centroavante francês denota que os comandados de Wenger tiveram boas possibilidades de conseguir um melhor resultado. Mas o fato é que faltou solidez defensiva para conter os ímpetos de um adversário velocíssimo na transição e bastante preciso nas trocas de passe. De quebra, o Arsenal levou pelo menos dois gols em erros primários de seu sistema defensivo. Para manter a liderança, terá de jogar mais que isso. E errar menos. Destaque positivo: a participação constante de Walcott. Destaque negativo: os sumiços de Özil.

Liverpool (vice-líder, com 33 pontos)

Envolvente e convincente, o time comandado por Rodgers praticamente não deu chances ao Tottenham, aplicando um 5a0 em pleno White Hart Lane. Sterling e Henderson foram soberanos pelos flancos. Coutinho também atuou em bom nível, flutuando do centro para os lados. E Suárez teve mais uma atuação daquelas - de craque. O volante galês Joe Allen foi fundamental para dar equilíbrio entre defesa, meio e ataque num time que fez o Tottenham parecer pequeno. E o que estava encaminhado ficou ainda mais fácil após a expulsão de Paulinho, que levou a sola da chuteira até a altura do peito de Luis Suárez. Destaque positivo: o trio Sterling-Henderson-Suárez. Destaque negativo: as chances perdidas por Luisito Suárez, que poderia facilmente ter alcançado um hat-trick.

Manchester City (quarto colocado, com 32 pontos)

Mostrou explicitamente porque tem o ataque mais efetivo na liga nacional inglesa. Yaya Touré e Fernandinho são dois volantes com muita capacidade de criar espaços, David Silva e Nasri incomodam constantemente o sistema defensivo adversário, Agüero está em ótimo momento técnico e Negredo funciona bem como referência. É uma equipe que parece ter vocação de chegar à área adversária. Jamais na história havia marcado cinco gols no Arsenal e, nesse sábado, sapecou meia dúzia. No Arsenal que lidera a competição. É um forte candidato ao título e deve ser levado em conta, também, na Liga dos Campeões da Europa. Destaque positivo: Fernandinho, que marcou dois gols e contribuiu na contenção. Destaque negativo: a falta de participação de Clichy, demasiado preso no campo defensivo.

Tottenham (sétimo colocado, com 27 pontos)

Com Sandro, Dembélé e Paulinho no meio, Lennon e Chadli mais abertos e Soldado à frente, o time não conseguiu nem de perto o rendimento que se espera de alguém que investiu tanto para essa temporada. Presa fácil quando o adversário tinha a bola, o time de André Villas-Boas em raros momentos conseguiu se impôr no gramado. Fica difícil defender o treinador, notadamente quando se vêem opções como Holtby, Towsend, Lamela e Defoe - pelo menos dois deles poderiam figurar entre os titulares, aumentando o poder de criação e de definição da equipe. Não sei quanto tempo mais o português ficará no cargo, mas acho que não é por falta de qualidade técnica que o time não decola. Destaque positivo: Lloris, que evitou uma goleada ainda mais acentuada. Destaque negativo: a agressão de Paulinho em Suárez, que rendeu cartão vermelho direto ao brasileiro.

Essa 16ª rodada no Campeonato Inglês teve um total de 30 gols (média de 3 por partida). Acho que dei sorte, pois vendo esses dois jogos pude acompanhar praticamente a metade dos gols na rodada.

sábado, 23 de novembro de 2013

Gira, Gira, Gira... Giroud!

Arsenal e Southampton foram a campo pela 12ª rodada no Campeonato Inglês temporada 2013-4. Antes que alguém consiga desmentir, jamais na história do futebol essas equipes se enfrentaram estando ambas nas 3 primeiras posições na tabela de classificação na liga nacional: o Arsenal lidera a competição enquanto o Southampton surpreende aparecendo na terceira colocação.

Como pouco mais cedo o Liverpool havia empatado o clássico da cidade com o Everton em jogo de meia dúzia de gols, era a chance do Arsenal abrir mais vantagem na ponta e do Southampton assumir a vice-liderança. No final das contas, os dois gols de Olivier Giroud selaram mais uma vitória dos comandados de Arsène Wenger, a nona em doze jornadas.

A partida, no geral, foi marcada pelo equilíbrio. Embora faltasse capacidade criativa ao time de Mauricio Pocchettino, a equipe visitante só não marcou um gol no primeiro tempo porque foi impedida em duas intervenções do goleiro polonês Szczesny. O Arsenal, por sua vez, parou duas vezes na trave do também polonês Boruc. Boruc que acabou fazendo uma trapalhada monumental aos vinte e um minutos: recebeu bola recuada, tentou driblar Giroud e viu o francês recuperar a redonda, mandando para o gol vazio.

Na segunda etapa, a partida teve menor quantidade de chances claras de gol. Melhor pro Arsenal, que ainda conseguiu encontrar um pênalti nos minutos finais e ampliar a vantagem em mais um gol de Giroud, goleador da equipe na presente temporada. Não é nenhum Thierry Henry (perdoem a grosseira "comparação") mas cumpre o seu papel o centroavante francês, autor de seis gols nessa edição do Inglês.

Não ouso cravar o segredo do sucesso do Arsenal nesse início de temporada. Mas sem dúvida alguma, um dos maiores responsáveis é o excepcional técnico Arsène Wenger, que consegue, ano após ano, desenvolver um estilo de jogo baseado em toques de bola e deslocamentos constantes dos jogadores de meio-campo. Aaron Ramsey tem feito um ano espetacular, Mesut Özil encaixou imediatamente no esquema tático e a defesa parece mais compacta que em outras ocasiões. Daí para se falar em título vai um longo percurso. Mas tal percurso já começou a ser percorrido. E em passos firmes.

Já o Southampton, que saboreia uma incrível terceira posição (estando a frente de times como Chelsea, Everton, Manchester United, Tottenham, Newcastle e Manchester City), dificilmente conseguirá se manter numa situação tão privilegiada. Mas seu jeito de jogar ensina. Ensina que, mesmo não tendo um plantel à altura do adversário, é possível entrar no gramado e jogar de igual para igual. Com limitações, desafios, dificuldades, mas sem medo. Inclusive diante do legítimo líder do torneio.

Acompanhe-nos também pelo Twitter @jogadadefeito e pelo Facebook Jogada De (E)feito.

domingo, 6 de outubro de 2013

West Brom Resiste E Interrompe Seqüência Do Arsenal

Com ótimo início de temporada, o Arsenal visitou o West Bromwich para retomar a liderança provisoriamente perdida para o Liverpool (que jogou no dia anterior ao time comandado por Arsène Wenger). E o empate no campo adversário serviu para o Arsenal terminar a sétima rodada como líder no Campeonato Inglês, só que igualado em pontos (16) e em saldo de gols (6) com os Reds (a diferença está no número de gols marcados: 14a11). Se tivesse vencido, a diferença para o vice-líder estaria em dois pontos e seria estabelecida uma marca histórica de oito triunfos consecutivos na condição de visitante em jogos pela liga nacional inglesa. Em 12º com nove pontos, o WBA deve ter festejado o empate, embora tivesse jogado de igual para igual com o Arsenal.

Cada time marcou o seu gol em um tempo. No primeiro, os donos da casa foram à rede através do argentino Yacob, aproveitando cruzamento do francês Amalfitano, um dos melhores jogadores em campo. No segundo, Wilshere chutou rasteiro no canto esquerdo para concluir em gol uma jogada com participações de Özil, Giroud e Rosický. Entre um gol e outro, o West Brom teve pelo menos duas grandes chances de ampliar a diferença no placar, mas Anelka não aproveitou nenhuma das oportunidades - numa sem conseguir dominar a bola, noutra finalizando rente à trave esquerda. Com o resultado em 1a1, Giroud desperdiçou o que poderia ser a virada do líder, chutando para fora após receber belo passe de Özil.

Na próxima rodada, Arsenal e West Bromwich Albion têm seus compromissos agendados para o sábado, 19.10.2013: respectivamente diante de Norwich (18º colocado, com sete pontos), em Londres, e Stoke (16º, também com sete), no campo oponente. Ambos marcados para 11h da manhã (fuso-horário de Brasília).

Para mais detalhes sobre a partida West Bromwich Albion 1a1 Arsenal, você pode acessar a página @jogandoagora, procurando pela #WBAArs.

sábado, 3 de agosto de 2013

Estamos Aqui

Vinte e um dias depois, estamos de volta com uma postagem no blógui. O usuário de longa data sabe muito bem que as publicações nessa página obedecem uma freqüência mais assídua do que as dos tempos recentes e o blogueiro pede desculpas por não vir mantendo aquela gostosa rotina de tópicos novos. Mas cá estamos e, sem mais delongas, falemos de futebol.

Tivemos Cuca, Ronaldinho e Atlético Mineiro campeões continentais, fato que acho ótimo para o futebol. Primeiramente, pelo fato de o melhor técnico brasileiro das últimas décadas estar conquistando tão relevante torneio internacional - parabéns, Cuca! Em segundo lugar, por Ronaldinho Gaúcho, maior craque brasileiro em atividade, conseguindo conciliar dedicação profissional com aquela velha e conhecida arte de jogar bola que pouquíssimos conseguem fazer como ele - parabéns, Ronaldinho! E por último, ao Clube Atlético Mineiro, mais um campeão inédito de Libertadores - parabéns, Atlético!

A saída de Abel Braga do Fluminense (Luxemburgo assumiu após cerca de um mês desempregado) é outro daqueles casos que mostram o imediatismo no futebol. Atual campeão brasileiro, Abel deixa o cargo após desapontantes participações em todos os torneios disputados em 2013. Mas o futebol do Flu é aquele de sempre... burocrático. Quando ganhava jogos e campeonatos, tava tudo certo, né, tricolores? Procurar alguém que assuma o comando técnico com uma filosofia de jogo que vá além do mísero futebol-resultado é algo que ainda não entrou na cultura esportiva tupiniquim. Digo ainda porque sou otimista e acredito que muitos Cucas ainda surgirão.

No mais, hoje assisti dois jogos. Em Londres, o ótimo amistoso pré-temporada entre Arsenal e Napoli terminou empatado em 2a2, com a mesma rede sendo estufada quatro vezes. Partida movimentada, com o Arsenal mostrando aquela qualidade de posse de bola típica de um time (muito bem) treinado por Arsène Wenger, diante de um Napoli que conservou a agilidade de contra-atacar mesmo com a troca de Walter Mazzarri por Rafa Benítez. O uruguaio Edinson Cavani provavelmente fará falta ao clube celeste, mas não é prudente duvidar da capacidade do argentino Gonzalo Higuaín. Insigne também é boa opção, mostrando oportunismo no gol inaugural. Pelo lado londrino, seria interessante a equipe buscar um nome de impacto para o setor ofensivo. Apesar do golaço de Giroud.

Ah! O outro jogo que vi hoje foi a vitória do Cruzeiro sobre o Coritiba, no reencontro do treinador Marcelo Oliveira com o Alviverde Paranaense. A partida foi relativamente equilibrada, mas o Coxa sentiu a ausência de Alex. Lincoln e Bottinelli não deram conta da armação de jogadas e o jogador mais influente no resultado acabou sendo o goleiro Vanderlei, com diversas defesas difíceis que mantiveram o 1a0 cruzeirense, em gol que saiu no início, com Luan completando cruzamento de Mayke, aos onze. Amanhã, o Botafogo pode retomar a liderança no Campeonato Brasileiro se sair vencedor no clássico com o Vasco. Outro jogo interessante na rodada é o Gre-Nal, num confronto entre os ex-jogadores Renato Gaúcho e Dunga.

Saudações futebolísticas.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Mesmo Sem Título, Arsenal Termina Temporada Por Cima

A grandiosa arrancada do Arsenal vivenciada nas últimas rodadas de Campeonato Inglês (sem esquecer a vitória por 2a0 sobre o Bayern, em Munique, na ocasião da eliminação européia) foram recompensadas no compromisso derradeiro dos comandados de Arsène Wenger na presente temporada: com uma vitória sobre o Newcastle em Saint James Park (1a0), a equipe manteve o retrospecto exitoso de marcar presença na maior competição continental de clubes.

O jogo em si não foi fácil, combinando com a dificuldade que foi a temporada como um todo. Mas é notório como houve grande evolução na competitividade da equipe no comparativo com momentos anteriores. O estilo de jogo é aquele à la Wenger, com trocas de passes rasteiros e movimentação intensa para envolver o oponente e achar espaços no campo. Mas, de alguma maneira, o Arsenal conseguiu desenvolver sua filosofia de forma mais equilibrada, isto é, comprometendo cada vez menos o sistema defensivo. Nessa partida diante do Newcastle, foram concedidas poucas oportunidades de gol ao adversário, que é um time qualificado (apesar da temporada ruim).

Fato é que o torcedor do Arsenal comemorou um desfecho positivo, pois muitos chegaram a duvidar da capacidade da equipe em ficar dentro da zona de classificação para a Liga dos Campeões da Europa, até porque por bastante tempo a equipe ficou abaixo dessa região na tabela de classificação. Para melhorar o gostinho do dever cumprido, o Tottenham ficou logo atrás, indo para a Liga Europa. Só que, convenhamos, estamos falando de um clube que precisa ter títulos e troféus em seu vocabulário anual, em seu linguajar cotidiano. O Arsenal sempre foi grande. E, desde Wenger, é um grande que tem enorme capacidade de encantar. Taças são consequência disso tudo, e o Arsenal está em ótimas mãos com esse que é o técnico de maior longevidade num clube inglês (Alex Ferguson está oficialmente aposentado). Talvez o que falte seja um maior ímpeto mercantil por jogadores de ponta, aquele tipo de atleta que seja o investimento pesado para decidir jogos específicos e conduzir o time a um degrau acima. Não é uma necessidade, mas uma alternativa altamente válida.

Quanto ao Newcastle, é plenamente possível almejar coisas maiores na próxima temporada. Pardew tem um contrato longo (até 2020) e a confiança da direção, apesar da colocação pífia na liga nacional (16º). Teve seu poder de ataque enfraquecido após a saída do goleador Demba Ba, mas com alguns ajustes poderá se colocar como concorrente a um lugar em competição européia. O grande atrativo nessa partida final foi a homenagem feita pelos torcedores, que chegaram a causar emoção no agora aposentado goleiro Harper, ícone na história do clube por sua longevidade e fidelidade. O camisa 37, aos 38 anos, foi às lágrimas entre os minutos 37 e 38, quando a massa nas arquibancadas celebrou em bonita manifestação. E o Newcastle tem nessa fanática torcida uma de suas mais fiéis ferramentas de buscar posições melhores na Inglaterra. O clube e os adeptos merecem.

Situação final na Premiership 2012-3

Campeão: Manchester United (89 pontos)
Vice-campeão: Manchester City (78 pontos)
Liga dos Campeões: United, City, Chelsea (75) e Arsenal (73)
Liga Europa: Tottenham (72)
Despromoção: Wigan (36), Reading (28) e Queens Park Rangers (25).
Goleadores: Robin van Persie (Manchester United, 26 gols), Luis Suárez (Liverpool, 23) e Gareth Bale (Tottenham, 21).

terça-feira, 14 de maio de 2013

Em Ótimo Jogo, Arsenal Assume 4º Lugar Rebaixando Campeão Wigan

Que o futebol é um esporte diferente, não há dúvidas. Mas o que o torna tão especial? Há várias maneiras de tentar explicar a paixão que cerca essa modalidade, mas às vezes é difícil mensurar com palavras. Hoje, em Londres, os torcedores do Arsenal e, principalmente, do Wigan, vivenciaram essa magia que apenas o football pode proporcionar.

Em campo, duas equipes que sequer queriam cogitar a possibilidade do empate. Para o dono da casa, isso poderia significar entrar na última rodada atrás do Tottenham e dependendo de dois resultados (o seu e o do rival) para conseguir um lugar na próxima edição de Liga dos Campeões da Europa. Para o visitante, seria a iminência do rebaixamento, pois ficaria com três pontos a menos que o Sunderland.

O primeiro tempo alternou domínios. O Arsenal começou melhor, abriu o placar com Podolski e teve chances de marcar o segundo. Só que não apenas não marcou como viu os comandados de Roberto Martínez melhorarem no jogo, chegando com mais frequência ao campo de ataque, equilibrando o tempo de posse de bola e ganhando solidez na defesa. Num erro do árbitro Mike Dean (que assinalou falta de Arteta em Maloney), os Latics empataram: o próprio Maloney cobrou muito bem a tal infração que não houve, levando a partida ao intervalo em igualdade no placar.

Foi então que veio o segundo tempo. Um mágico segundo tempo, de ritmo frenético entre duas equipes com velocidade e disciplina tática, jogando de maneira ofensiva e categórica, mantendo a bola preferencialmente em contato com o gramado liso londrino. Um deleite para os amantes do futebol. É assim que se joga! E vieram mais três gols. Todos do Arsenal. Primeiro Walcott, depois Podolski e, por fim, Ramsey. Uma goleada que engana o que foi a partida, por muito tempo jogada de igual para igual entre um ameaçado de rebaixamento e um postulante à UCL.

E é aí que retornamos ao primeiro parágrafo. Os torcedores do Arsenal saborearam uma gostosa vitória em seu estádio, arrancando para a goleada com um segundo tempo de alto nível e performance corajosa. Cazorla terminou o jogo com três assistências. Ramsey esteve muito bem. Walcott também foi decisivo. Podolski marcou duas vezes. Rosicky teve grande capacidade de organizar o meio-campo. Arteta contribuiu defendendo e articulando. Uma equipe muito bem treinada por Arsène Wenger e que, por acasos da vida esportiva, está há mais tempo do que deveria sem conquistar títulos. Mas que caminha para mais uma presença na competição máxima no Velho Continente. Com justiça. Porém, a noite deve ter sido ainda mais incrível para os torcedores do Wigan. Imaginem o sentimento daqueles que compareceram ao campo adversário nessa terça-feira e viram a derrota que sacramentou o descenso três dias após o time ser campeão inédito na Copa da Inglaterra. Aliás, como assim "imaginem"? Deve ser impossível imaginar! Hoje sou campeão, na semana seguinte estou rebaixado de divisão?! O futebol é assim, implacável. E as lágrimas combinadas aos aplausos vindas do setor destinado à torcida visitante sintetizam a situação. Sintetizam, mas não explicam. Porque há coisas que nem o futebol é capaz de explicar. O que talvez o torne ainda mais especial.

Para mais detalhes sobre a partida, confira a transmissão em tempo real através do Twitter (#ArsWig)