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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

222 Milhões De Neymares

Um dos maiores talentos no futebol atual e forte concorrente a melhor jogador do mundo no futuro, Neymar conseguiu todos os holofotes nesta semana por uma razão improvável: uma transferência para fora do Barcelona.

O elenco barcelonista pediu pela permanência do brasileiro, que representa a terceira letra (mas não menos importante) no excepcional trio MSN. Mas, após um silêncio sepulcral e até inconveniente, ele anunciou a saída do clube catalão.

Havia um entendimento quase que automático apontando Neymar como o sucessor natural de Lionel Messi no Barcelona. Mas no meio do caminho havia uma tentação. Tentação essa que considero estritamente financeira e nada, repito, nada esportiva. Das finanças de Neymar cuida o xará paterno. Cuida com tanto afinco às cédulas que a troca do Santos pelo Barça virou literalmente um caso de polícia. Confesso que não sei quem é mais mercenário: se o irmão do Ronaldinho ou se o pai do Neymar. Mas não quero entrar nessa discussão entre ex-craques do Barcelona. Vamos nos ater a esta mudança do ex-santista para Paris.

Um ano depois de Pogba ser o primeiro jogador na história do futebol a ser negociado acima dos 100 milhões de euros, Neymar é negociado acima dos 200 milhões de euros. Mais precisamente, 222 milhões, o valor da multa rescisória. Um negócio que, incluindo impostos e pagamentos diversos ao jogador e seu pai-empresário, passa batido pelo um bilhão de reais. Um negócio que não é da China, mas do Catar. E que coloca em dúvida o jamais suficientemente bem explicado "fair play financeiro".

Fato é que Neymar chega ao Paris Saint-Germain com a responsabilidade de liderar o time da capital francesa ao título da Liga dos Campeões da Europa. Sim, é esse troféu que o clube e seus investidores procuram. Se acostumaram a vencer os torneios domésticos e a meta é o continente. Uma meta até modesta dado o orçamento galáctico do clube.

Mas então, Neymar fez bem em partir para o PSG? Diria que Neymar trocou uma história que o eternizaria por uma aventura que o enriquecerá. Não que ele já não fosse rico. Mas muito se torna pouco quando a ganância é grande.

Com todo respeito ao Mônaco, ao Olympique de Marselha, ao Lyon e a outros rivais, mas o Campeonato Francês não oferece a Neymar os mesmos desafios da Liga Espanhola. Tudo bem, tanto PSG quanto Barça são (muito) mais fortes que a (grande) maioria dos oponentes em seus países. Mas a Espanha está facilmente pelo menos um nível acima da França em sua principal divisão de clubes. E o Barcelona, como instituição, tem/tinha muito mais a oferecer ao jogador/pessoa Neymar do que os investidores catares poderão/quererão fazê-lo. Trocou-se filosofia por regalia.

Neymar e, principalmente, seu pai, não querem saber disso. O PSG oferecerá uma fortuna e um protagonismo que dificilmente seriam obtidos simultânea e imediatamente em qualquer outro lugar no mundo.

08.03.2017: noite inesquecível. Arquivo pessoal.
Particularmente, lamento a saída de Neymar. Tive o prazer e o privilégio de assistir o histórico jogo entre Barcelona e PSG no Camp Nou, em oito de março deste ano. Partida memorável por vários elementos e, esportivamente, uma das maiores viradas de qualquer modalidade. O 4a0 que o PSG obteve na ida gerou sentenças de "já era". Na volta, o Barça, com grande atuação de Neymar, alcançou 3a0. E o gol único do PSG no segundo tempo, retomou o "já era". Mas era possível. E o 6a1 imortalizou aquela gostosa noite na Catalunha. Lembro que, na saída do estádio, cheguei a puxar um "uh, tá maneiro, o Neymar é brasileiro". Por irônica coincidência, menos de cinco meses depois, a rima mais apropriada talvez seria "uh, tá maneiro, o Neymar quer mais dinheiro". E ele trocou Barcelona por Paris. Direito dele. Mas é meu dever dizer: havendo um novo Barça e PSG, estarei torcendo por Messi e companhia. Não se troca uma identificação por 222 milhões de nada.

domingo, 20 de dezembro de 2015

Dia De Graça: Com Arte, Mais Um Título Mundial Do Barça

Imagem extraída de ESPN.com.br
O Barcelona continua fazendo a história acontecer. Pela 3ª vez desde o nada distante ano de 2009, o clube catalão sagra-se campeão mundial de clubes. E o melhor de tudo: jogando aquele futebol que nos acostumamos a ver nos últimos anos.

Neymar, que estava presente naqueles 4a0 de 2011 (só que vestindo a camisa do Santos), dessa vez pôde se divertir na decisão intercontinental. Não chegou a marcar seu gol, mas foi elemento importante na construção do resultado, tendo dado a assistência para o gol inaugural, marcado pelo gênio Lionel Messi. O mesmo Messi, que marcara na prorrogação de 2009 diante do Estudiantes de Verón, que marcou duas vezes diante do Santos de Neymar. O maior futebolista que o mundo já viu. Ou pelo menos que esse blogueiro já viu. Simples assim.

Luisito Suárez, que havia sido o autor dos três gols nos 3a0 na semifinal, anotou mais dois na partida derradeira. Num lance de Busquets, e em outro de Neymar. Goleador absoluto no torneio.

Foto: Yoshizaku Tsuno.
Mas nem só de MSN vive a graça do Barça. Busquets é um volante que esbanja elegância, sem jamais deixar de ser discreto. Iniesta conduz os acontecimentos com uma postura de fazer lembrar o também carequinha Zinedine Zidane. Mascherano e Piqué compõem uma zaga que beira a perfeição. Bravo, com pelo menos duas defesas espetaculares, manteve a meta barcelonista inviolável. Enfim, não dava para o River Plate. Ainda mais para um River Plate com flagrantes limitações técnicas. O grande destaque argentino no Japão foi, sem dúvidas, sua fantástica torcida. A trilha sonora da partida foi o som ambiente do estádio em Yokohama: os cânticos de milhares de apaixonados, que cruzaram os oceanos e que, num intervalo de quatro anos, testemunharam um rebaixamento e um renascimento. Aliás, muitos renascimentos. Coisa típica dos gigantes.


Mais cedo, o japonês Sanfrecce Hiroshima conquistou o terceiro lugar com uma vitória por 2a1 sobre o milionário chinês Guangzhou Evergrande, de Luiz Felipe Scolari.

É um dia feliz para o futebol.

Mais detalhes sobre a partida entre Barcelona e River Plate podem ser vistos na narração em tempo real pelo Tuíter @jogandoagora. A maioria das postagens acompanham a #BarRiv.

domingo, 7 de junho de 2015

Menos FIFA, Mais Arsenal E Barcelona

As coisas acontecem muito rapidamente no futebol. Ficar algumas semanas sem atualizar esse espaço sentencia um atraso secular com relação ao fluxo de acontecimentos. Pude assistir o Arsenal dar um baile no Aston Villa para vencer a Copa da Inglaterra com sobras até maiores do que poderia sugerir o placar de 4a0. Pela enésima vez, fica registrado o quanto este blogueiro admira o técnico Arsène Wenger. Na semana seguinte, estourou o escândalo de acusação de corrupção envolvendo o alto escalão da FIFA. Joseph Blatter, pela primeira vez na história, se viu na obrigação de enfrentar um segundo turno nas eleições presidenciais da entidade. Seu adversário, porém, desistiu, promovendo a reeleição do franco-suíço. Só que o maior oponente de Blatter parece ser ele próprio: dias após a nomeação para mais um mandato, entregou o cargo em meio à turbulência. E eis que, no último sábado, o futebol voltou a ser protagonista nos noticiários. O futebol com o selo barcelonista de qualidade: com uma vitória por 3a1 sobre a Juventus e uma apresentação envolvente, os comandados de Luís Enrique Martínez fecharam a Tríplice Coroa conquistando a Liga dos Campeões Europeus.

Arsenal brilhante, Blatter renunciado, Barcelona coroado. Tanta coisa acontecendo em tão pouco tempo. Sinto que esse esporte tão apaixonante sai fortalecido com os três fatos supracitados. A preocupação com o futuro da FIFA, torço, deve ser menor que a preocupação com o futuro do futebol. A FIFA deve estar a serviço dele, e não o contrário. Por falar nisso, viva Wenger e viva Luís Enrique, pelos ótimos serviços prestados. E dá-lhe Lionel Messi! Independentemente de qualquer eleição da FIFA, continua sendo o que já era há muito tempo: o melhor jogador do mundo. Sempre um prazer vê-lo atuar.

sábado, 25 de abril de 2015

Barça Vence Clássico Catalão No Ritmo Do MSN

Partidas de ligas nacionais que envolvem clubes rivais costumam ser diferentes dos "jogos comuns". Espanyol e Barcelona, dois catalães no Campeonato Espanhol, se encontraram para confirmar a regra. Quer dizer, pelo menos até certo ponto. De diferente do habitual, talvez tenham sido as duas expulsões por reclamações vistas no segundo tempo: primeiro Jordi Alba, que reclamava marcação de cobrança de escanteio e por último Héctor Moreno, após cometer falta a quase 100 metros de distância do próprio gol.

Só que, àquela altura, a parada já estava mais do que encaminhada. É que o Barcelona resolveu jogar bola desde o apito inicial. Contando com um Suárez muito participativo e voluntarioso, a equipe comandada por Luís Enrique Martínez abriu o placar com Neymar e ampliou com Messi, com duas assistências do uruguaio. O placar ao intervalo só não foi de uma goleada porque o goleiro Kiko Casilla interveio para manter alguma dignidade aos donos da casa em Cornella de Llobregat.

No segundo tempo, houve menos futebol e mais reclamações. Mesmo assim, tanto Espanyol quanto principalmente o Barcelona tiveram oportunidades de chegar às redes. Persistiu o 2a0 e a certeza de que, independentemente do que aconteça, o Barça de Luís Enrique joga uma bola suficiente para correr atrás da Tríplice Coroa nessa temporada. Que se cuidem o Bayern de Munique na Liga dos Campeões, o Real Madrid na Liga Espanhola e o Athletic de Bilbao na Copa do Rei.

O trio MSN (Messi-Neymar-Suárez) vai muito bem, obrigado. Comunicação total, instantânea e eficaz. ICQ (leia-se "isso é que") é um ataque de respeito...

P.S.: hoje completa-se um ano do desencarne de Tito Vilanova, ex-técnico do Barcelona e seguidor do estilo de jogo implementado por Josep Guardiola. É possível que a atuação inspirada do Barça como um todo e do trio ofensivo em particular tenha uma explicação.

P.S. 2: entre dribles, arrancadas, tabelas e gols, o momento mais bonito do jogo veio das arquibancadas quando, aos 21 minutos, ressoaram os sons dos aplausos da torcida para homenagear Dani Jarque, ex-jogador do Espanyol, falecido em 2009. Ele vestia a 21.
Foto: Alberto Estévez / EFE.
Um ano após o adeus de Tito, Neymar aponta em sua direção.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Lições

A torcida barcelonista cantava a plenos pulmões quando soou o apito final do árbitro esloveno Damir Skomina. Alguns poderão contestar uma ou outra decisão dele e de seus auxiliares nos pouco mais de noventa minutos de jogo, mas o resultado foi incontestável. Um adulto com uma criança flagrados pela transmissão televisiva após o encerramento do jogo (provavelmente eram pai e filho, este seguramente com menos de seis anos de idade) davam o tom do quão especial foi o jogo disputado no Camp Nou. O adulto sorria com a camisa azul-grená do Barcelona, levantando a criança que, com semblante também alegre, exibia a camisa amarela da mesma instituição catalã. A felicidade transcende circunstâncias. É um estado de espírito. Ou "o caminho", como disse Mahatma Gandhi.

Por que, afinal, aquelas dezenas de milhares de pessoas cantavam com força e emoção ao final da partida? Por que aplaudiam seus jogadores? Por que estampavam no rosto um ar de satisfação quase intangível? Por que essas imagens se o time que mobilizou essas pessoas a comparecerem ao estádio na noite de quarta-feira perdeu o jogo por 3a0 e a eliminatória por 7a0? Sim, três e sete! A zero! Será que, de tão acostumados a vencerem partidas e torneios, estes indivíduos não sabem mais expressar o sentimento característico dos derrotados? Como ensinar essa gente a manifestar aquilo que a situação lhes impõe?

Pois acho que não temos nada a lhes ensinar. Temos, isto sim, é muito o que aprender com eles. O Barcelona, dentro de campo, jogou um pouco diferente do habitual. Não foi tão paciente com a posse de bola, não foi tão criterioso para escolher o momento de chutar em gol, nem tão comportado em determinadas divididas de bola. Faltava-lhe Messi, sentado no banco por estar longe das condições ideais de jogo. Uma frustração para imprensa, torcida, elenco catalão. Todos queriam ver o gênio conduzindo o melhor time do mundo a uma virada improvável diante do poderoso Bayern de Munique. O Barça não foi capaz de superar o Bayern. Parou algumas vezes em Neuer e muitas em Javi Martínez, Bastian Schweinsteiger e companhia. Não poderiam supôr que o 0a0 ao intervalo era uma parte das menos amargas da noite. No segundo tempo, Robben (golaço, no melhor estilo Robben de se resolver um lance), Piqué (contra, pois só faz contra quem está na jogada, e Piqué está sempre na jogada) e Muller, o mais centroavante dos meias bávaros, marcaram nos 3a0. Mas voltemos ao "temos, isto sim, é muito o que aprender com eles". Dentro de campo, quem deu aula foi o Bayern. Ponto. Mas nas arquibancadas, se não tivemos nada comparável ao caldeirão que foi montado pelos alemães na partida de ida, ficamos diante de imagens marcantes. Aquele adulto com aquela criança e tantas outras pessoas que ficaram até que seus jogadores deixassem as dependências do campo de jogo e aplaudiram cada um deles, essas dezenas de milhares de pessoas servem de inspiração. Se o futebol nos mostrou hoje que o Bayern é uma máquina e chega à final continental com o Borussia com todo o merecimento possível, os catalães nos mostraram que o Barcelona é muito mais que um clube. Confesso não saber definir o que seja exatamente, e nem tenho essa pretensão. Talvez seja um estado de espírito.
Mosaico de quase cem mil pessoas, onde cartazes e mãos exibem o orgulho catalão. Após o jogo, mesmo com a goleada sofrida e a eliminação, a grande maioria permaneceu no seu lugar e deu linda lição de amor pelo clube do coração.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Bayer(celo)n(a)

 Confirmou-se a expectativa de que seria um grande jogo em Munique. Afinal, o que esperar de Bayern e Barcelona, dois expoentes do que é o futebol na melhor qualidade que se joga hoje? Mas, surpreendentemente, foi praticamente um jogo de um time só. Assistido por milhões de pessoas pela televisão, por milhares de pessoas nas arquibancadas e por um único no gramado: Manuel Neuer, o goleiro que mais foi espectador. Interveio no minuto 61 (16 do segundo tempo) para não mais precisar realizar defesas. Resultado: 4a0 para os donos da casa, que abusaram do jogo aéreo (o "calcanhar de Aquiles" no Barcelona) e, também, do bom futebol, principalmente nos minutos finais.

A próxima partida é na quarta-feira da semana que vem, na Catalunha. Que também será feriado, graças a Deus. É evidente que por se tratar de um jogo envolvendo dois timaços, a margem de diferença obtida pelos bávaros no jogo de ida é expressiva. Quase irreversível. Só não é porque há um Barcelona em campo. E se for aquele Barça que, por exemplo, sapecou 4a0 no Milan, melhor aguardar fortes emoções.

No mais, quero aqui fazer um destaque para a partida jogada hoje na Alemanha. Um não, dois. O primeiro é o golaço do Bayern que foi anotado por Arjen Robben, em jogada iniciada por Franck Ribéry, que deixou o Lionel Messi sentado. Pintura do início ao fim. O outro destaque envolve dois desses três jogadores citados: os camisas 10 Robben e Messi. Dois craques que honram como pouquíssimos esse número simbólico no uniforme futebolístico. Enquanto o holandês voou calçando chuteiras, o argentino pouco participou. Só que ambos buscaram jogo, nenhum deles se escondeu. O desempenho de Robben foi facilitado pela melhor engrenagem ofensiva do Bayern, enquanto os parceiros de Messi, embora tivessem mais a bola, raramente conseguiam uma dinâmica capaz de os desvencilhar da marcação adversária. E o agravante: Messi estava longe de sua melhor forma física, recuperando-se de uma contusão que ocorreu em Paris, pela fase quartas-de-final, diante do Paris Saint-Germain. Messi, que tão raramente se machuca. Enquanto Robben, que tem uma carreira perseguida por contusões, parece estar mais em forma do que nunca. E levanta aquela dúvida cruel: até onde poderia ir se não fosse o acúmulo de lesões?

Que os dois estejam 100% para a partida de volta. E que, o que se classificar, esteja 100% na grande final em Wembley.  O futebol fica 100% agradecido.
Após cobrança de escanteio mágica de Robben, Muller ajeita de cabeça para conclusão de Gómez: Bayern marcava 2a0, em gol irregular. Mais tarde, o terceiro gol da equipe anfitriã também se daria com ocorrência polêmica, pois Muller obstruíra passagem de Alba - gol de Robben.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Em Belo Jogo, Messi Entra E "Salva" Barcelona Diante Do Paris Saint-Germain

Sem se intimidar por enfrentar o melhor time dos últimos tempos em pleno campo adversário, o Paris Saint-Germain mostrou para quem quisesse ver que sim, é possível duelar com o Barcelona no Camp Nou sem fazer uso de uma retranca. Não apenas é possível, como viável. E, principalmente, bonito. É melhor para o futebol.

No final das contas o empate por 1a1 na Catalunha somado ao empate por 2a2 na França classificou o Barça pelo número de gols marcados fora de casa. E o Barcelona teve dois elementos fundamentais para conseguir uma vaga na semifinal: o goleiro Valdés, com pelo menos três grandes intervenções, e o gênio Messi, que entrou no segundo tempo quando a equipe perdia por 1a0 e melhorou o jeito de jogar, reaproximando esse time dirigido pelo competente Vilanova daquele comandado pelo excepcional Guardiola.

Achei que esse jogo em Barcelona teve "1001 utilidades". Mostrou que é plenamente acertada a escolha de uma formação ofensiva para enfrentar o ótimo Barça (conforme dito no parágrafo inicial). Mostrou que Ancelotti está "se modernizando" desde que deixou o Milan, conseguindo preparar equipes atrativas e vencedoras em duas ligas diferentes (foi assim com o Chelsea e está sendo com o PSG). Mostrou que Lucas já está mais do que adaptado ao novo clube, exercendo inclusive uma notável liderança, esbanjando talento e personalidade. Mostrou que o Barça é fortíssimo mesmo sem Messi e praticamente imbatível com o argentino em campo.

Com Barcelona, Bayern, Borussia e Real na fase semifinal, seja lá o que o sorteio reservar, teremos quatro partidas (cinco, se já contarmos com a final em Wembley) para colocarmos carinhosamente na agenda e acompanharmos atentamente. Aliás, dá até para dizer que houve um upgrade em relação à edição passada da Liga dos Campeões: mantiveram os poderosos Barça, Bayern e Real e, no lugar do irregular Chelsea (atual campeão e eliminado na fase de grupos), entrou o eficiente e vistoso Dortmund para jogar as semifinais continentais. Não tenho a menor dúvida que será de arrepiar. Deuses do futebol capricharam na Europa e talvez estejam dando uma prévia para a Copa do Mundo 2014: Espanha e Alemanha podem vir melhores do que nunca. Sem esquecer, é claro, da Argentina. De Lionel Messi.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

PSG Busca Empate Duas Vezes E Agora Decide Vaga Em Barcelona

França e Espanha haviam jogado em Paris pelas Eliminatórias na semana passada. Agora foi a vez de um novo encontro na mesma cidade, mas dessa vez entre os clubes Paris Saint-Germain e Barcelona, respectivos líderes em suas ligas nacionais. E no duelo que abriu a fase quartas-de-final na Liga dos Campeões da Europa, o empate em 2a2 retratou uma partida movimentada onde ambas as equipes deram bastante atenção ao ataque, proporcionando um jogo interessante.

Carlo Ancelotti trouxe David Beckham entre os titulares e o experiente meio-campista inglês foi o principal articulador de jogadas dos donos da casa no primeiro tempo. Voltando para buscar o jogo, chegou inclusive a ofuscar o meia argentino Javier Pastore, que também era utilizado na armação mas não conseguia ter o mesmo volume de participação que seu companheiro vindo do Los Angeles Galaxy.

Tito Vilanova, com David Villa e Alexis Sánchez fazendo companhia a Lionel Messi na linha mais avançada barcelonista, conseguiu formar um time ofensivo e insinuante. Daniel Alves, aberto e livre pela direita, poderia ter sido mais acionado numa equipe que parecia viciada em avançar pelo lado esquerdo - setor forte, com Andrés Iniesta e Jordi Alba, mas mais bloqueado que o flanco oposto. E foi com participação de Daniel que o Barça abriu o placar, só que em jogada pelo setor esquerdo: o lateral-direito brasileiro deu ótimo passe de trivela e encontrou Lionel Messi, que com somente um toque na bola conseguiu superar Salvatore Sirigu.

Infelizmente, Messi sentiu alguma lesão na perna direita e não voltou para o segundo tempo - Francesc Fàbregas entrou em seu lugar. O PSG fazia partida de igual para igual com o melhor time do mundo mas só foi alcançar a igualdade no placar após as três substituições de Ancelotti. Primeiro, Ménez entrou no lugar de Lavezzi; depois, Beckham deu lugar para Verratti, e por último, foi a vez de Pastore ceder espaço para Gameiro. Em posição irregular, Ibrahimovic aproveitou um rebote para dar alegria aos torcedores anfitriões.

Com Tello no lugar de Villa e Bartra no de Mascherano, Vilanova mexeu no Barça. E a equipe conseguiu retomar a vantagem no marcador: Sirigu cometeu pênalti em Sánchez e Xavi Hernández não desperdiçou a cobrança. Mas quem achava que aquele gol aos quarenta e três minutos do segundo tempo decretaria a vitória barcelonista, enganou-se: aos quarenta e oito, Ibrahimovic ajeitou de cabeça e Matuidi pegou firme, superando Victor Valdés.

Para o jogo de volta, a expectativa é de que Messi não jogue, se recuperando da contusão. Pedro, autor do gol no duelo entre as seleções pelas eliminatórias na semana anterior e que foi desfalque nessa partida de ida, pode ser o reforço que o Barça necessita para dar um novo ânimo a um ataque que depende demais do brilho do gênio argentino. Suspensos, Matuidi e Mascherano não jogarão. Agora é aguardar o duelo no Camp Nou, que terá personagens como o seguro defensor Thiago Silva e o ótimo meia Lucas tentando estragar a festa catalã.

Outro resultado

Bayern de Munique 2a0 Juventus

segunda-feira, 18 de março de 2013

Equipe E Jogada Da Semana

As coisas voltaram ao normal para o Barcelona. Quer dizer, não que tenham ficado anormais em algum momento, mas é que do melhor time do mundo a gente espera grandes atuações e vitórias. Talvez seja uma expectativa mais instintiva do que racional. Afinal, todo e qualquer time, tem o direito de não viver um dia ou um jogo ideal. O Barça, que havia sido derrotado em três partidas num intervalo de quatro compromissos oficiais, voltou a desfilar sua grande forma.

Num final-de-semana (sábado, 09.03.2013) teve a vitória sobre o Deportivo La Coruña pelo Campeonato Espanhol (2a0, com gols de Sánchez e Messi). No outro, também pela liga espanhola, vitória fora de casa sobre o Rayo Vallecano (3a1, domingo, 17.03.2013, com um gol de Villa e mais dois de Lionel Messi).

Mas o grande destaque na semana barcelonista ficou para a terça-feira, dia doze. 4a0 pra cima do Milan, com um baile futebolístico e a vaga na fase quartas-de-final na Liga dos Campeões da Europa, silenciando os críticos que chegaram a ousar dizer que a derrota em San Siro comprometeria a permanência catalã no torneio europeu. Ingênuos e precipitados. O Barcelona precisa provar o que mais a alguém?

Jogada da semana

Troca de passes curtos e rápidos, buscando espaço diante de um time que era todo dedicado à defesa. Passes curtos, rápidos e certeiros, claro. Do jeito que o Barcelona está acostumado a fazer e a encantar. Mas a conclusão... ah! a conclusão... Com vocês, Lionel Messi. Aquele que encontra espaço onde parece inexistir. E que coloca magia em cada lance. Gênio. Estava aberto o placar no Camp Nou, em noite de espetáculo e goleada em azul-grená.

terça-feira, 12 de março de 2013

Barcelona Para Aplaudir De Pé: 4a0 No Milan

Aquietam-se os trombeteiros do apocalipse, ansiosos por anunciar tempos de crise no Barcelona. O revés em San Siro e as derrotas sequenciais para o Real Madrid foram motivos suficientes para que ressoassem os diagnósticos que atestam a irreversibilidade de um suposto cenário caótico.

Só que não. Num Camp Nou lotado - e festivo -, o Barça foi Barça. Messi foi Messi. E se foram, é porque são. E lá se vão para as quartas-de-final na Liga dos Campeões da Europa, com um apoteótico 4a0 pra cima do Milan, clube que estava invicto há dez jogos na temporada.

No primeiro tempo, dois gols do gênio Lionel Messi. Recebeu passe de Xavi para marcar o primeiro e de Iniesta para anotar o segundo. E Abbiati evitou que uma goleada acontecesse ainda antes do intervalo. Mas o Milan também tem algo a lamentar com a sorte: Niang acertou a trave menos de dois minutos antes de Messi encontrar a rede pela segunda vez.

Na etapa complementar, o Barcelona finalmente passou a frente no confronto quando David Villa marcou 3a0 aos nove minutos (nova assistência de Xavi). Allegri mexeu na equipe visitante, trouxe elementos que tornaram o time mais ofensivo. Aliás, que tornaram o time ofensivo, não cabe o "mais" na retrancada, retraída, recuada equipe preparada pelo treinador.

Mas o prêmio final foi para aqueles que jogam de um jeito quando perdem e do mesmo jeito quando ganham: nos acréscimos, Jordi Alba recebeu de Sánchez e marcou o quarto gol. Jogada iniciada por quem? Por Messi. Pra quem gosta de estatísticas, Messi marcou 33 gols em seus últimos 32 jogos pela Liga dos Campeões da Europa. Pra quem gosta de futebol, veja esse cara e esse time jogando.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Coletivamente Gigante, Milan Vence Barcelona

Pra quem achava que o Barcelona ia chegar lá no San Siro, impôr seu jogo e ganhar a partida diante do Milan, uma surpresa aconteceu. E o blogueiro assume: está no grupo dos surpreendidos.

Com um sistema de marcação que mostrou-se funcional em praticamente toda a partida, a equipe comandada por Massimiliano Allegri não somente conseguiu a proeza de "segurar" o poderio adversário como ainda teve a grandeza de criar ocasiões de gol.

Foram poucas as chances, é verdade, mas o Rossonero conseguiu aproveitar duas delas. E o placar de 2a0 é uma vantagem considerável para o duelo no Camp Nou, a ser realizado no dia doze de março de dois mil e treze. Resta saber se, na condição de visitante, o tão tradicional clube italiano conseguirá resistir ao Barça. Conseguindo novamente neutralizar Xavi e Messi, por que não?

Para aumentar o tamanho do feito milanista, temos que considerar que a equipe já não conta mais com jogadores como Thiago Silva, Alessandro Nesta, Mark van Bommel, Andrea Pirlo, Clarence Seedorf, entre outros. Ilustres desconhecidos como o zagueiro-central Zapata e o lateral-esquerdo Constant foram alguns dos elementos que formaram uma intransponível última linha de defesa, liderada por Mexès. Abate, pela direita, também deu conta do recado.

Mas a linha de marcação mais impressionante foi a que a antecedia. Ambrosini teve atuação assombrosa na dura missão de acompanhar Messi de perto. Montolivo e Muntari se agigantaram para fortalecer a pegada na marcação e equilibrar a saída de jogo. Boateng, o elo de ligação para os também voluntariosos El Shaarawy e Pazzini, esteve em grande noite também. E Abbiati, seguro como sempre, correspondeu cem por centro das poucas vezes em que foi exigido. De quebra, Niang entrou em campo bem o bastante para participar ativamente na jogada do segundo gol.

Aliás, o segundo gol milanista lembra muito mais o Barcelona do que o Milan atual. Lembrou muito mais o Barcelona do que o próprio Barcelona dessa quarta-feira. O lançamento de Montolivo, a presença de Niang atraindo uma marcação tripla, o toque de El Shaarawy sob medida e a finalização de Muntari esbanjando precisão, numa linha-de-passe ligeira e eficaz, levaram a torcida ao delírio. Jogada que destoa totalmente daquilo que habitualmente se vê desde que Allegri treina esse clube. Podia ser sempre assim, não é mesmo? Tenho a impressão que a filosofia de jogo barcelonista tem o poder de contagiar o adversário, como se fosse um benéfico vírus que se compartilha pelo ar.

O jogo de volta deverá ser dos mais interessantes nessa fase oitavas-de-final de Liga dos Campeões da Europa. Com a obrigação de marcar gols, o Barça provavelmente terá uma posse de bola mais incisiva, vertical, para pressionar um oponente que já mostrou saber se defender e contra-atacar. Curiosamente, esse 2a0 pra cima do Barcelona foi a primeira vitória do Milan dentro de casa nessa edição do torneio. Deve ser um reforço para aquela despretensiosa teoria do contágio pelo ar. Resta saber se as tendências defensivistas de Allegri criarão um fator de autoimunização que levará o Milan a uma performance como tantas outras sob seu comando. Agora, se o time pisar na Catalunha disposto a se manter infectado, poderá estar dando um grandioso passo para a classificação.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Equipe E Jogada Da Semana

Se alguém tinha alguma dúvida a respeito do "abalo psicológico" que poderia se implantar no Chelsea após a derrota na final do Mundial de Clubes, já não tem mais. De lá pra cá, a equipe comandada por Rafa Benítez atuou pela Copa da Liga Inglesa e pelo Campeonato Inglês, somando duas vitórias por goleada: 5a1 sobre o Leeds United, fora de casa (na quarta-feira, dia dezenove, ou seja, três dias após o vice-campeonato no Japão) e um estrondoso 8a0 pra cima do Aston Villa, em Stamford Bridge, um domingo depois da derrota para o Corinthians.

Em 3º lugar na Premiership, o Chelsea espera conseguir amenizar a dor da eliminação precoce na Liga dos Campeões e da derrota na Copa do Mundo de Clubes com, quem sabe, um título na mais forte liga nacional de que se tem notícia. Não será simples, pois há uma distância considerável de pontos em relação aos times da cidade de Manchester. A Copa da Liga Inglesa é uma competição mais ao alcance dos Blues, que enfrentarão o Swansea na fase semifinal.

Jogada da semana

Quebrando recordes atrás de recordes, Lionel Messi não somente impressiona pelas estatísticas como encanta pela maneira de jogar. Na vitória do Barcelona sobre o Real Valladolid (sábado, dia 22.12.2012), pela 17ª rodada no Campeonato Espanhol, o melhor jogador do mundo marcou o segundo gol catalão (a partida terminou 3a1). O Barça é líder soberano no torneio, com nove pontos de frente para o segundo colocado, o Atlético de Madrid. O vídeo a seguir é caseiro, pois está complicado encontrar algum que não tenha sido bloqueado pelos tais direitos autorais. A pintura de Messi aparece a partir dos 24 segundos de vídeo, recebendo passe de calcanhar de Xavi Hernández e partindo com a bola até a finalização, com direito a caneta em adversário que tentou desarmá-lo. Dá-lhe Messi! Dá-lhe Barcelona!
Deixo aqui registrado um Feliz Natal a cada um de vocês. E que o espírito natalino permeie todos os dias de nossas vidas, não ficando restrito a uma única data no calendário. 

Voltaremos qualquer dia, de preferência ainda esse ano para desejar a todos um Feliz 2013.

Fraternais abraços.

domingo, 7 de outubro de 2012

Super Clássico É Esse Aí


Barcelona e Real Madrid jogaram hoje, domingo eleitoral no Brasil, o clássico espanhol (ou hispânico-catalão, se preferir). Com dois gols pra lá e dois pra cá, Lionel Messi e Cristiano Ronaldo foram os protagonistas em partida bastante movimentada.

Tudo bem que o Barcelona não desenvolveu aquele estilo de jogo visto tantas vezes com Josep Guardiola, mas Tito Vilanova foi fiel à proposta implementada pelo seu antecessor e a equipe da casa ditou o ritmo dos acontecimentos. Esbarrou num Real Madrid bem postado, que saía em velocidade para os contra-ataques, e que na maior parte do primeiro tempo jogou de igual para igual (sendo inclusive superior em alguns momentos). Na segunda etapa, o Barça sobrou em campo. As maiores chances de desempate deram-se nos minutos finais, em finalizações de Montoya (no travessão) e de Pedro (perto da trave direita). Persistiu o 2a2, onde as alterações de cada treinador talvez possam explicar melhor quem gostou e quem não gostou do resultado: se Vilanova pôs Sánchez no lugar de Fàbregas, Mourinho trocou Di María por Essien...

Assim sendo, os barcelonistas lideram o Campeonato Espanhol (com seis vitórias e esse empate nos sete jogos) e os merengues aparecem em sétimo (três vitórias, dois empates e duas derrotas).

terça-feira, 24 de abril de 2012

Caiu, Em Pé, O Melhor Time Do Mundo

Barcelona e Chelsea fizeram um duelo que nasceu, cresceu e morreu com ares de épico. O confronto começou muito antes de ser dado o apito inicial hoje no Camp Nou (confira como foi a transmissão da partida em tempo real) ou semana passada em Stamford Bridge - a polêmica semifinal de 2009 se fazia presente, mesmo que de maneira oculta. O embate se desenvolveu com um domínio absoluto por parte dos Blaugranas, visto tanto em Londres quanto em Barcelona. Esse domínio traduziu-se em diversas chances de gol, incluindo bolas batendo na trave, sendo defendidas magicamente por Petr Cech, rebatidas salvificamente por defensores, enfim, um autêntico duelo de ataque contra defesa. Mas gol mesmo o Barça foi conseguir fazer aos trinta e quatro minutos desse jogo de volta, em jogada com a cara do time de Guardiola, isto é, de intensa troca de passes à procura de espaços, finalizada por Sergio Busquets após assistência de Isaac Cuenca.

Uma agressão de John Terry em Alexis Sánchez rendeu cartão vermelho ao experiente (?) defensor inglês, fato que naquele momento sugeria maiores facilidades para os donos da casa, afinal, os espaços tenderiam a aparecer com maior frequência. Aliás, mais cedo, Gary Cahill, parceiro de Terry na zaga, havia deixado o campo por motivos clínicos e José Bosingwa havia entrado em seu lugar, com Branislav Ivanovic sendo deslocado para o miolo de defesa (se bem que no Chelsea tudo parecia um "miolo de defesa"). Após a expulsão de Terry, Ramires, que fazia boa partida na penúltima linha de defesa, foi recuado para a zaga. E, aos 42 minutos, aquilo que estava bom para o Barcelona, ficou ainda melhor: Andrés Iniesta recebeu de Lionel Messi e marcou 2a0.

Ramires recebeu cartão amarelo no minuto seguinte e já não poderia ser relacionado no caso de uma improvável presença do Chelsea na final da competição. O que ninguém imaginava é que, ainda antes do intervalo, o meio-campista brasileiro marcaria um golaço, no melhor estilo Messi: ele recebeu de Frank Lampard e encobriu Victor Valdés com um toque sensacional. Com isso, os Azuis tomaram o rumo do vestiário novamente em vantagem no confronto. E não demorou para o Barcelona ter nova grande oportunidade no jogo: no terceiro minuto do segundo tempo, Didier Drogba cometeu pênalti ao derrubar Francesc Fàbregas. Só que Lionel Messi cobrou no travessão.

O jogo era uma festa no gramado e nas arquibancadas. Dentro de campo porque o Barcelona desfilava talento no trato com a bola, esbanjando um entrosamento formidável em seu jogo coletivo. Fora dele porque os culés cantavam sem cessar, dando como fundo sonoro gritos incentivadores para manter o time no ataque. Mas o cenário foi ficando tenso, pois o tempo corria e o terceiro gol não ocorria. Aos trinta e sete minutos, uma finalização rasteira de Messi carimbou a trave esquerda, mas não sem antes ser desviada pelo excepcional Cech.

As tentativas de superar a retranca armada por Roberto Di Matteo pareciam incessantes ao mesmo tempo que parecia ser a defesa do Chelsea uma muralha intransponível, sobretudo quando a bola chegava no goleiro. Javier Mascherano descolou bom chute aos 44 minutos, mas também parou em intervenção de Cech. Nos acréscimos, um contra-ataque fatal terminou em arrancada e gol de Fernando Torres, selando a classificação inglesa.

Muito se especula na imprensa que o presidente do Chelsea, Roman Abramovich, tenha como sonho de consumo o técnico Pep Guardiola, estando disposto a oferecer ao barcelonista quantias jamais vistas na profissão. E veja como são as coisas no futebol: o time de um treinador interino eliminou a equipe de Guardiola.

Não sei o que esperar da final, mas estimo que o Chelsea terá de ser novamente heróico para, sem Terry, Ramires nem Raul Meireles, conseguir medir forças com Bayern de Munique ou Real Madrid. Mas uma certeza eu tenho: não dá para ver como "perdedor" um time que joga a bola que joga o Barcelona. São mais do que campeões: são exemplos.

Parabéns ao Chelsea, finalista da Liga dos Campeões da Europa após eliminar um adversário que vem marcando época. Parabéns ao Barcelona, fiel a um estilo de jogo que encanta, inspira e funciona. Independentemente do resultado.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Sábado Decisivo Pros Semifinalistas Da Liga Dos Campeões

Os deuses do futebol capricharam, ou melhor, estão caprichando nesse ano.

Na terça-feira, Barcelona e Chelsea duelam no Camp Nou procurando uma vaga na final da Liga dos Campeões da Europa. Na quarta-feira, Real Madrid e Bayern de Munique medem forças com o mesmo ideal.

Só que, por mais importantes quem sejam tais confrontos, nenhuma das quatro instituições pode (ou pelo menos não deveria) desprezar seus respectivos compromissos no próximo sábado. Sábado que para nós, brasileiros, já é especial por sua própria natureza - afinal, 21 de abril trata-se de uma data que homenageia Tiradentes, um dos maiores brasileiros de todos os tempos.

Então vamos analisar a situação de cada um desses quatro times semifinalistas na Liga. Com um detalhe: dois deles se enfrentam em confronto direto no sábado.

Bayern de Munique. Vice-líder na Bundesliga, o time do Bayern não tem outra alternativa para evitar o praticamente certo título do Borussia Dortmund no Campeonato Alemão: vencer e secar. A equipe vai até Bremen enfrentar o Werder e, caso não consiga a vitória, não terá mais chances de alcançar o Borussia, pois os oito (ou sete, em caso de empate) pontos de diferença seriam maiores que os seis disputados nas duas últimas rodadas. Então, a missão dos bávaros é simples e direta: vencer o Werder e torcer para o Dortmund não vencer o "duelo de Borussias" com o Mönchengladbach.

Chelsea. Os Azuis irão até o estádio Emirates fazer o clássico londrino com o Arsenal. Chances de título na Premiership inexistem para ambos - essa disputa está restrita aos "Manchesters" United e City. Mas o duelo na capital inglesa é mais do que relevante, afinal, uma vitória do Arsenal praticamente tira do Chelsea qualquer chance de chegar ao 3º lugar (última posição no Campeonato Inglês a dar vaga direta na fase de grupos na próxima Champions League). Vencendo, o Chelsea não somente fica a quatro pontos do Arsenal (e com um jogo em atraso), como não permitirá que Tottenham e Newcastle, dois pontos a frente, se afastem na disputa pela 4ª colocação (lugar que dá direito a disputar a fase eliminatória da Champions que antecede a fase de grupos).

Barcelona. Correndo atrás do prejuízo para chegar ao topo na tabela no Campeonato Espanhol, o Barcelona já reduziu para quatro pontos uma desvantagem que era de dois dígitos. E tem no confronto direto com o Real Madrid a oportunidade de diminuir para um único ponto essa diferença. Após a disputa desse clássico (ou superclássico, se preferir), restarão quatro rodadas. E o Barça sabe que será difícil tirar quatro ou sete pontos em relação ao Real. Portanto, só a vitória interessa aos catalães nesse sábado.

Real Madrid. Líder com quatro pontos de vantagem em relação ao Barcelona, o Real Madrid provavelmente tem em mente que um empate no Camp Nou terá sabor de vitória e cheiro de título, afinal, a manutenção da diferença em quatro pontos lhe daria a margem de tropeçar uma vez sem poder ser alcançado. A vitória praticamente dará o caneco espanhol ao time da capital, que dificilmente permitiria deixar escapar sete pontos em doze disputados.

É interessante observarmos como, num intervalo de alguns dias, todo o desenrolar da temporada ganha contornos decisivos para quatro instituições diferentes. Então, aguardemos. Entre sábado e quarta-feira muita coisa pode - e irá - acontecer.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Caiu, Em Pé, O Último Invicto Da Liga Dos Campeões Da Europa

Foram muitos os detalhes presentes em Stamford Bridge para o jogo que terminou com vitória do Chelsea sobre o Barcelona. Talvez o primeiro que possa vir a cabeça seja o detalhe chamado Didier Drogba, autor do único gol do jogo e figura bastante participativa na partida. Apesar de ter sido o único atacante escalado por Roberto Di Matteo, Drogba talvez tenha sido mais visto no campo de defesa do que no ofensivo - e mais vezes estirado no gramado do que propriamente de pé. De causar admiração tamanha entrega do marfinense, aos trinta e quatro anos de idade. Mas o detalhe da grande atuação de Drogba foi somente um entre tantos outros. Para falar da vitória do Chelsea - e do próprio gol de Drogba - precisamos falar também de Ramires. Mano, por que não o convocas mais? O que se passa contigo, ó treinador da seleção brasileira? Algum problema de relacionamento com o meio-campista azul? Não posso acreditar que seja deixado de lado nas convocações por "motivos técnicos"! Ramires fez partida excepcional mais uma vez. Quando víamos o Chelsea com dois homens de frente, eram Drogba e Ramires. Quando víamos o Chelsea com cinco homens no meio, eram Joh Obi Mikel, Raul Meireles, Frank Lampard, Juan Mata e Ramires. Quando víamos o Chelsea com cinco marcadores formando a última linha de defesa, eram Branislav Ivanovic, Gary Cahill, John Terry, Ashley Cole e Ramires. E, se pudesse, talvez veríamos dois goleiros protegendo o gol dos londrinos: Petr Cech e Ramires. Mas aí entramos em outro detalhe, talvez o mais determinante do resultado final: a atuação do goleiro tcheco de vinte e nove anos de idade. Desde algum tempo - talvez desde o dia em que bati o olho nesse magnífico arqueiro pela primeira vez - o considero um dos melhores goleiros do mundo. Hoje, particularmente, penso Buffon, Cech e Jéfferson pelo menos um degrau acima dos demais da posição. E a atuação de Cech nessa quarta-feira foi estupenda. Agiu bem sempre que foi exigido - não sendo poucas as situações em que teve de tomar uma decisão frente ao poderio barcelonista - e fez uma defesa daquelas para servir de referência na partida para a posteridade, indo buscar um cabeceio de Carles Puyol, após cobrança de falta de Lionel Messi, de forma simplesmente sensacional. E se sorte é atributo que cabe aos grandes goleiros, o que dizer do travessão parando Alexis Sánchez, da trave esquerda parando Pedro Rodríguez e, entre uma coisa e outra, de Ashley Cole salvando no último instante um gol certo de Francesc Fàbregas?

Embora o Chelsea tenha conseguido o feito de vencer o Barcelona - ninguém mais conseguiu isso nessa Liga dos Campeões da Europa 2011-2 -, o camisa dez Juan Mata não teve boa atuação. Lampard, embora tenha participado no lance do gol, também esteve abaixo daquilo que usualmente vemos do camisa oito. Some-se a isso a maravilhosa performance de Andrés Iniesta (o camisa oito barcelonista estava em dia inspirado, mostrando talento no toque e na condução de bola, tendo sido muitas vezes parado com falta, algumas delas sequer assinaladas pelo senhor Felix Brych, de atuação confusa). E some-se também que, embora tenha sido muito bem marcado a maior parte do tempo, ainda foi possível ver lances geniais de Lionel Messi, enfileirando adversários em alta velocidade e esbanjando aquele controle de bola que lhe parece exclusividade no futebol. Com tudo isso, poderemos entender o quão foi importante para o Chelsea a atuação do trio Cech-Ramires-Drogba. Chego a pensar que aquela chuva que molhou o gramado de Stamford Bridge tenha sido obra desses três. E se essas nuvens conseguirem se deslocar carregadas até o Camp Nou, será difícil demais a tarefa barcelonista de reverter o resultado. Mas, nas condições normais de temperatura e pressão, vejo o Barça em vantagem para pegar a primeira vaga na final desse ano. Coloque com carinho a próxima terça-feira na agenda para assistir o jogo de volta. Faça chuva ou faça sol.

Outro resultado

Terça-feira
Bayern de Munique 2a1 Real Madrid

sábado, 14 de abril de 2012

Quatro Timaços, Duas Vagas: Eis As Semifinais Na Liga Dos Campeões Da Europa

Aproximam-se os confrontos semifinais na Liga dos Campeões da Europa e, para delírio dos amantes do futebol, sobraram quatro equipes capazes de proporcionar belos espetáculos nos gramados europeus. Barcelona, Bayern de Munique, Chelsea e Real Madrid são os remanescentes e, desde que acompanho esse torneio, não recordo de ver esta fase da competição tão bem representada como nessa temporada 2011-2.

Não bastasse a qualidade presente em cada um desses quatro elencos, temos alguns atrativos a mais. O Barcelona, comandado por Josep Guardiola, concilia beleza e eficiência como jamais visto na história do futebol. Seu principal jogador é o melhor do mundo na atualidade e, possivelmente, de todos os tempos na modalidade - Lionel Messi. O Real Madrid, maior vencedor do torneio (9 canecos), não conquista este troféu desde 2001-2 e acredita no treinador José Mourinho, campeão com a Internazionale na temporada 2009-10, para voltar ao topo na Europa. Cristiano Ronaldo faz temporada com números incríveis e é uma das maiores esperanças dos merengues. O Chelsea, que jamais conquistou a Liga dos Campeões, quer porque quer provar o gosto do inédito. E especula-se que Roman Abramovich, magnata presidente do clube, estaria se propondo a pagar o equivalente a seiscentos mil reais por jogador em caso de título. Dentro das quatro linhas, o rendimento dos Azuis de Londres melhorou bastante depois que Roberto Di Matteo assumiu interinamente o posto outrora ocupado por André Villas-Boas. O Bayern de Munique, que busca o quinto título de Liga dos Campeões da Europa tem talvez a maior das motivações possíveis para querer erguer o troféu este ano: é que a disputa da partida final será dentro da Allianz Arena, estádio do clube bávaro.

Vamos agora analisar cada um dos duelos e, é claro, opinar sobre quem deve avançar. Nos palpites para a fase quartas-de-final, 100% de acerto.

Bayern de Munique e Real Madrid. Vice-líder na Bundesliga e a uma distância considerável do Borussia Dortmund, tudo leva a crer que o foco do Bayern reside nesse confronto semifinal. Com 100% de aproveitamento nas partidas dentro de casa, o ótimo time comandado por Jupp Heynckes tem totais condições de manter esse índice perfeito diante da forte equipe adversária. Do contrário, será muito difícil buscar o resultado no estádio Santiago Bernabéu, local da partida de volta. O Real, que lidera o Campeonato Espanhol com quatro pontos de vantagem sobre o Barcelona, vem se mostrando uma máquina de fazer gols. Para se ter uma idéia, nos últimos sete jogos na temporada o time marcou pelo menos três gols em seis partidas (duas vezes três, uma vez quatro e, veja só, três vezes cinco gols). Para seus planos de classificação, será importante marcar gols em Munique, mesmo que não consiga sair da Alemanha com a vitória. Palpite: avança o Bayern de Munique.

Chelsea e Barcelona. Por um capricho dos deuses do futebol, está desenhada a semifinal entre dois times que se encontraram rigorosamente nessa mesma fase da competição na temporada 2008-9. Naquela oportunidade, com um gol de Andrés Iniesta nos acréscimos do segundo tempo e muita polêmica em torno da arbitragem, o time de Guardiola tirou o Chelsea da Liga dos Campeões, na época dirigido por Guus Hiddink. Hoje, me parece que a diferença entre as duas equipes é maior que naquela época, o que aumenta a dificuldade do Chelsea em buscar esse título inédito. A temporada do time londrino é bastante irregular, e o 6º lugar na Premiership coloca em risco a presença do clube na próxima Liga dos Campeões. Enquanto isso, a equipe que encanta o mundo com seu formidável jogo coletivo e o jogador que encanta o mundo com seu talento aparentemente infindável - Messi -, estão prontos para buscar o bicampeonato consecutivo, que seria o quinto do clube na história do torneio. A partida de ida, em Stamford Bridge, pode ser o termômetro do confronto - creio que as chances do Chelsea iriam a quase zero se o time não conseguir uma vitória na capital inglesa. Palpite: avança o Barcelona.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Equipe E Jogada Da Semana

Invicto há treze jogos (com somente um empate neste período, e em partida onde "podia empatar"), o Barcelona de Josep Guardiola arranca em direção a mais uma Tríplice Coroa. No Campeonato Espanhol, a equipe venceu o Athletic Bilbao por 2a0, no sábado, dia 31 de março. No domingo de Páscoa, dia 8 de abril, vitória por 4a1 sobre o Zaragoza, fora de casa. Resultados que, combinados ao recente empate do Real Madrid diante do Valencia (0a0), diminuíram a distância em relação ao topo da tabela para quatro pontos - essa diferença já esteve em dez pontos num passado não muito distante. Na Liga dos Campeões da Europa, o Barcelona passou pelo Milan na fase quartas-de-final com uma vitória por 3a1, na terça-feira passada, dia três. Quebrando recordes históricos - tanto a instituição quanto o craque Lionel Messi -, o clube catalão continua encantando o mundo da bola com seu repertório aparentemente infindável de jogar futebol em alto nível. E o mês de abril promete para o Barça: o calendário reserva, por exemplo, os jogos semifinais diante do Chelsea (dias 18 e 24), além de, entre uma data e outra, o jogo com o Real Madrid pela Liga Espanhola (dia 21). Uma boa data para assumir a liderança na competição nacional.

Jogada da semana

No clima ambientalista que sugere o uso de veículos não poluentes para diminuir a pegada ecológica e minimizar os impactos ambientais, a jogada da semana é a bicicleta de Stefano Mauri, numa obra-prima vista no jogo em que a Lazio venceu o Napoli por 3a1, na capital italiana, pela 31ª rodada na Série A 2011-2. Que precisão!

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Barcelona Passa Pelo Milan E Avança Na Liga Dos Campeões Da Europa

Deu Barcelona no duelo de gigantes na fase quartas-de-final na Liga dos Campeões da Europa 2011-2. O duelo disputado no Camp Nou teve gols, pênaltis, alternativas. E, no final das contas, venceu a equipe que se mostrou mais apta a buscar o gol. Diria até mais: venceu o time que defende um estilo de jogar futebol. O Milan até resistiu bastante, mas para o bem do esporte, o foco defensivista de Massimiliano Allegri sucumbiu ao futebol total de Josep Guardiola.

Na soma dos 180 minutos, o Barcelona só conseguiu fazer um gol de bola rolando (Andrés Iniesta, aos sete minutos do segundo tempo deste segundo jogo). Não é que o Barça não tenha criado, muito pelo contrário, mas o Milan, mesmo desfalcado de Thiago Silva e Mark van Bommel, conseguiu jogar de forma muito concentrada e minimizar os erros diante de um adversário tão encaixado. Às vezes recorreu a cometer faltas (duas delas dentro da área), às vezes foi salvo pelo goleiro Christian Abbiati, às vezes teve a sorte de as finalizações barcelonistas não entrarem por detalhes e muitas vezes conseguiu bloquear as investidas através de um sólido sistema defensivo. Mas, repetindo o dito no parágrafo anterior, venceu a equipe que se mostrou mais apta a buscar o gol. Felizmente.

O jogo (confira como foi a transmissão da partida em tempo real)

Os times foram a campo de maneira parecida com o utilizado inicialmente na partida de ida, em Milão. No Barcelona, Francesc Fàbregas (que estava contundido e por isso não atuou na Itália) reassumiu a titularidade no Camp Nou (Seydou Keita foi para a reserva) enquanto Isaac Cuenca, que sequer havia sido relacionado para o jogo em San Siro, foi escalado entre os onze iniciais (o chileno Alexis Sánchez ficou no banco). Já no Milan, a única mudança foi Ignazio Abate titular na posição ocupada por Daniele Bonera no estádio Giuseppe Meazza. E se as formações se pareciam, o jeito de jogar também foi semelhante. Só que dessa vez o Barcelona teve a felicidade de, logo no começo, conseguir tirar o zero do placar.

Antes de balançar a rede, o Barcelona teve duas boas chances de balançar a rede. Aos quatro minutos, a equipe saiu em contra-ataque com Lionel Messi, que partiu desde a metade do gramado, arrancou driblando quem se colocasse no caminho até o gol, chutou e parou em defesa de Abbiati. Aos seis minutos, linda jogada do Barça: Daniel Alves começou uma triangulação passando para Francesc Fàbregas e o camisa quatro tratou de servir Messi. O craque argentino recebeu e no domínio já preparou a bola pra finalização, mas a redonda passou caprichosamente ao lado da trave direita. Seria um golaço, com a cara desse Barcelona de Guardiola. Aos nove minutos, teve origem o primeiro gol Azul-grená: Messi tirou a bola de Philippe Mexès, avançou pela esquerda e centralizou o lance com passe para Xavi Hernández. Luca Antonini conseguiu desarmar parcialmente mas acabou perdendo a bola para Messi, que sofreu pênalti do camisa setenta e sete italiano. Com uma cobrança rasteira e precisa, Messi pôs a bola no quadrante onze, sem defesa para Abbiati, que saltou exatamente para aquele canto mas não alcançou o objeto esférico. 1a0.

O gol dava a certeza de que o duelo seria definido no tempo regulamentar (somente novo zero a zero levaria a partida para prorrogação). Isto é, o Milan precisava atacar. Kevin-Prince Boateng teve chance pelo lado esquerdo, mas teve o ângulo fechado pela boa saída de Victor Valdés e chutou para fora, aos doze minutos. O Barcelona marcava muito bem, dificultando a saída de bola milanista. Quando o Rossonero passava do meio-campo, esbarrava nos gigantes Javier Mascherano, Gerrard Piqué e Carles Puyol, na maioria das vezes soberanos nos lances que participavam. Robinho se deslocava bem e era um elemento que conseguia, na medida do possível, arrancar algum espaço na defesa barcelonista. Zlatan Ibrahimovic, ao contrário, atravancava as jogadas ao segurar demais a bola e não conseguir se desvencilhar da parede que se formava para proteger a meta de Valdés. Mas, aos trinta e dois minutos, o sueco recebeu toque de Robinho e descolou ótimo passe para Antonio Nocerino. Livre e na cara do gol, Nocerino não desperdiçou e chutou rasteiro, cruzado, no canto direito, empatando a partida e colocando o Milan em vantagem no confronto.

O Barça não demorou a reestabelecer o domínio territorial na partida, mas carecia de jogadas de penetração e optava por remates de fora da área. Aos trinta e cinco minutos, Abbiati espalmou chute de Xavi. Aos trinta e sete, Cesc Fàbregas foi quem finalizou e Abbiati encaixou. Aos trinta e oito, tentou e a bola desviou, saindo em escanteio. E foi aí que teve origem o segundo pênalti e segundo gol barcelonistas: após o levantamento de Xavi, a arbitragem holandesa comandada por Bjorn Kuipers flagrou puxão do experiente Alessandro Nesta em Sergio Busquets, naquela típica infração tão reincidente porém tão ignorada pela maioria dos apitadores. O fato é que a penalidade aconteceu, foi marcada e Messi tratou de converter em gol - dessa vez, a fera mandou a bola no canto esquerdo, surpreendendo Abbiati, que saltou novamente para a direita. 2a1 Barcelona, 14º gol de Messi nessa edição de Liga dos Campeões, igualando recorde histórico de Altafini, que marcou também catorze vezes na edição 1962-3.

Após um primeiro tempo com três gols e muita movimentação, a segunda etapa começou intensa. Logo no primeiro minuto, Ibrahimovic e Mascherano caíram na área em disputa de bola e Kuipers achou melhor deixar o jogo seguir, não apitando nem uma eventual falta do sueco no argentino nem um possível pênalti do argentino no sueco - achei que o holandês fez bem em tomar essa decisão, porque nem o replay me passou certeza de haver um responsável pela queda de ambos os jogadores. Aos sete minutos, saiu o terceiro gol do Barcelona: Messi chutou, Mexès conseguiu travar e a bola prensada foi ao encontro de Iniesta. Abate, que poderia tentar dar combate, preferiu investir num pedido de impedimento (que não havia), e facilitou o trabalho do camisa oito, que chutou no canto direito, tirando de Abbiati e estufando a rede. 3a1 Barcelona.

O jogo era intenso nas jogadas e também nas discussões, com Boateng protagonizando um momento de destempero e sendo acalmado por Daniel Alves. Boateng que, aos catorze, apareceu livre após cobrança de escanteio e cabeceou para fora.

Se Clarence Seedorf foi talvez o maior destaque no jogo de ida, as coisas pareciam não acontecer da melhor maneira para o camisa dez milanista dessa partida de volta. Até passes simples o experiente meia surinamês estava errando. Aos quinze minutos, Allegri trocou a fera por Alberto Aquilani. Naquele mesmo minuto, o Milan teve grande oportunidade de marcar um gol que, provavelmente, daria novo ânimo para a equipe visitante tentar retomar a vantagem: Robinho recuperou a bola, avançou e teve o chute rasteiro rebatido por Valdés. Na seqüência do lance, o Milan teria chance de finalizar novamente (e com o goleiro fora de posição), mas o árbitro marcou toque de mão inexistente do brasileiro, que reclamou com razão. Depois desse lance, não lembro de nenhum outro ataque do Milan que tenha colocado a meta de Valdés em risco. Guardiola trocou Xavi por Thiago Alcântara (aos dezessete), Piqué por Adriano (aos vinte e nove) e Cesc por Keyta (aos trinta e dois). Allegri, que precisava de dois gols improváveis, nem por isso teve audácia tática, trocando Boateng por Alexandre Pato, aos vinte e quatro. E o brasileiro não ficou nem catorze minutos em campo, deixando a partida aos trinta e dois para a entrada de Máxi López - preocupante a condição física de Pato, que vem acumulando lesões ao longo de sua passagem pelo Milan.

O Barça teve pelo menos duas grandes chances de colocar 4a1 no placar, mas desperdiçou ambas com chutes para fora (um de Thiago Alcântara, aos vinte e três, e outro de Adriano, aos quarenta e um minutos). O Milan, que na maior parte do confronto foi digno de elogios pelo sistema defensivo comandado pela proteção de Massimo Ambrosini e o vigor e entrega da dupla Nesta-Mexès, passa a concentrar seus esforços no Campeonato Italiano, onde lidera seguido de perto pela invicta Juventus. Ao Blaugrana, a Tríplice Coroa é um sonho possível, viável e merecido. Mas há muita coisa pela frente para se tornar um fato. Em tempo: essa é a quinta semifinal consecutiva do Barcelona na Liga dos Campeões da Europa.

Outro resultado

Bayern de Munique 2a0 Olympique de Marselha (4a0 na soma dos resultados)

sábado, 31 de março de 2012

Barça Vence Bilbao E Segue Corrida Pela Tríplice Coroa

Em jogo válido pela trigésima rodada na Liga Espanhola, o Barcelona recebeu o Athletic Bilbao no estádio Camp Nou e venceu por 2a0 (gols de Andrés Iniesta e Lionel Messi). Vindos de jogos intensos pelas competições européias, tanto Josep Guardiola quanto Marcelo Bielsa pouparam alguns jogadores de atuarem os noventa minutos (o Barcelona havia jogado quarta-feira na Itália e o Athletic atuara quinta-feira, na Alemanha).

Com 72 pontos, o Barcelona está seis pontos atrás do Real Madrid (que nessa rodada goleou o Osasuna, fora de casa, por 5a1). O Athletic encontra-se com 38 pontos, distante nove pontos da zona de classificação para a Liga dos Campeões da Europa e a cinco pontos da zona de classificação para a Liga Europa. Parece que o caminho mais curto - embora não necessariamente menos complicado - para o Athletic disputar um torneio continental na próxima temporada reside na conquista da própria Liga Europa.

O jogo

Conseguindo desenvolver seu estilo de jogo de troca de passes, o Barcelona logo ditou o ritmo da partida e manteve os acontecimentos limitando-se basicamente ao campo de ataque. Entre uma investida e outra, a defesa do Athletic evitava ser vazada do jeito que dava, como em lance polêmico onde a bola foi tirada praticamente em cima da linha, deixando dúvida sobre ter caracterizado gol. A força do elenco espanhol minimizava a ausência de Xavi Hernández e Carles Puyol entre os titulares (Xavi só foi colocado em campo aos trinta e um minutos do segundo tempo, enquanto Puyol permaneceu no banco por todo o decorrer do jogo). E o placar veio a ser inaugurado aos trinta e nove minutos do primeiro tempo: Alexis Sánchez desarmou Iñigo Pérez, passou para Messi e o craque serviu Iniesta, que arrancou em velocidade e chutou com força. 1a0 Barcelona, placar do primeiro tempo.

No intervalo, Bielsa promoveu as entradas dos titulares Iker Muniain e Ander Herrera (Ibai Pérez e Iñigo Pérez não retornaram para a etapa complementar). Apesar do Athletic ensaiar uma melhora no jogo, o domínio continuava sendo barcelonista, e aos doze minutos saiu o segundo gol. Tudo começou em novo lance duvidoso, uma vez que tenha ficado difícil garantir que Javi Martínez tenha de fato derrubado Cristian Tello. De toda forma, Antonio Miguel Mateu Lahoz marcou penalidade máxima na jogada e ainda deu cartão amarelo para Javi Martínez. Messi converteu a cobrança com um chute rasteiro no canto esquerdo, marcando seu trigésimo sexto gol nesse Campeonato Espanhol.

Ao gol sucedeu a última mexida de Bielsa, trocando Gaizka Toquero por Fernando Llorente. Mais tarde, Guardiola pôs em campo Pedro Rodríguez (Tello saiu) e Seydou Keyta (Sánchez deixou o gramado). O Athletic cresceu de rendimento e passou a marcar mais e melhor presença no campo ofensivo. Na maior oportunidade de se aproximar no placar, Muniain foi acionado em velocidade e chutou tirando de Victor Valdés. Mas não de Gerrard Piqué, que cortou e impediu que a bola entrasse. 2a0 foi mesmo o placar final.

Na próxima rodada pelo Espanhol, o Barcelona visita o Real Zaragoza e o Athletic Club recebe o Sevilla. Mas, antes disso, as equipes têm o compromisso de jogar a volta na fase quartas-de-final de suas respectivas competições européias, diante de Milan e Schalke 04. No final da temporada, Barça e Bilbao se reencontram no estádio Vicente Calderón, na capital Madrid: é a partida que vale o troféu de campeão na Copa do Rei 2011-2. Jogo altamente promissor.