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sábado, 3 de junho de 2017

Realmente, O Melhor - Madrid Arrasa Juventus Em Gales

Sergio Ramos ergue a taça da Liga dos Campeões da Europa, a 12ª na história do Real Madrid. Foto: Getty.

Vamos evitar falar de números. Apenas para não dizer que eles não foram mencionados: o jogo Juventus 1, Real Madrid 4 representou a 12ª conquista de Liga dos Campeões da Europa da equipe da capital espanhola; o segundo de Zinedine Zidane em duas temporadas como técnico; a primeira vez em 59 anos que o clube consegue vencer a Liga Espanhola e a Européia no mesmo ano. Enfim, números.

Vamos falar de futebol.

Navas é um grande goleiro. Fez uma excepcional Copa do Mundo em 2014, no Brasil, ajudando a Costa Rica a chegar às quartas no Mundial. E por muito pouco a equipe não foi ainda mais longe (lembre-se que a Holanda só conseguiu a classificação nos pênaltis). As críticas que a imprensa espanhola faz em cima dele parecem-me desproporcionais. Será que eles preferem De Gea? Francamente...

Carvajal e Marcelo formam uma consistente dupla de laterais. Do lado direito, há mais marcação. Do lado esquerdo, mais ofensividade. E rola um equilíbrio entre eles, dados sobretudo pela sólida dupla de zaga - o capitão Sergio Ramos e o cada vez melhor Raphael Varane.

O setor de meio-campo começa com Casemiro, implacável protetor da última linha. Kroos e Modric agregam qualidade na posse de bola e na capacidade de encontrar os espaços vazios de tal forma que a impressão que dá é que sempre que a redonda passa por eles, ela chegará em boas condições em um lugar melhor. Isco, por sua vez, soma um nível de energia que permite integrar os três setores. Mais à frente, Benzema, que até quando não está bem, é útil. E o elemento por muitas vezes criticado mas quase sempre decisivo. Na ausência (vide final da Eurocopa) ou na participação (vide hoje), não há como não falar de Cristiano Ronaldo. Mas como prometi evitar falar de números, vamos apenas deixar aqui que Cristiano encaminha mais uma Bola de Ouro na carreira. Sua principal virtude me parece ser a força de vontade. Uma vontade de êxito pessoal que reflete no coletivo. Uma vaidade que se apresenta como mãe da perseverança. "Eu tô aqui", ele diz. Sabemos disso.

Mas o personagem que me parece o protagonista nessa história é mais humilde. Menos midiático. E demasiadamente talentoso: Zinedine Yazid Zidane. Conseguiu na base da simplicidade, da conversa, e de algo mais, modernizar um time que já tinha conceitos modernos. Pegou uma herança positiva deixada por Carlo Ancelotti e fortaleceu o grupo. Casemiro é um dos seus "achados". Tem o seu dedo também o ótimo rendimento de Cristiano. Com todas as arestas a serem aparadas num time que não é perfeito, o que vem sendo desenvolvido é, com méritos, vencedor. É muito mais legal ver o Real jogar hoje do que alguns anos atrás. O futebol te agradece, Zizou. E estamos na expectativa pelo que você poderá proporcionar na próxima temporada.

À Juve, que teve campanha estupenda, fica a frustração. Poderia ter sido a primeira conquista continental do mítico Gianluigi Buffon. Não foi. Coisa dos deuses do futebol, que usaram Bonucci e Khedira para desviar as bolas para longe das luvas do goleiro. O golaço de Mandzukic foi insuficiente. Faltou um pouco de Higuaín. Faltou um tanto de Dybala. E sobrou Massimiliano Allegri, que precisou ver o adversário ficar dois gols a frente para colocar Cuadrado. Por mais que haja uma diferença entre times e elencos, talvez o maior abismo entre Real e Juventus esteja na mentalidade de seus treinadores. Não sei se o jogo teria sido tão interessante e dinâmico caso a Juve tivesse ficado em algum momento na frente no placar. E, sinceramente, melhor nem saber. Os deuses nos deram um roteiro melhor. Parabéns, Real Madrid e obrigado, Zidane.
Zinedine Zidane em seus tempos de Juventus. Sobrava nos gramados. Imagem extraída de Sportsmo.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Atlético Faz A Trinca Sobre O Real No Bernabéu

Imagem extraída de Goal.com
Longe de ter sido um grande jogo, Real Madrid e Atlético de Madrid corresponderam ao que se espera de um clássico entre dois times fortes, rivais e que têm ambições no campeonato. Algumas vezes, infelizmente, atravessando a fronteira entre a desportividade e a deslealdade (embora, no geral, o jogo tenha sido tranqüilo no aspecto disciplinar).


Cada qual ao seu estilo, tanto os Blancos de Zinedine Zidane quanto os Colchoneros de Diego Simeone se portaram no gramado do estádio Santiago Bernabéu com o intuito de vencer a partida.

A diferença de postura, no entanto, era explícita. Os donos da casa, com o croata Modric articulando a transição ao ataque e o alemão Kroos dando equilíbrio ao meio de campo, tinham maior volume de jogo e superior acurácia na troca de passes. Já a equipe visitante, se defendia com a força e a aplicação de um time que atua na mais intensa noção de coletividade, destacando-se o empenho, técnica e perspicácia do uruguaio Godín no miolo de zaga.

No final das contas, pesou a tal da eficiência nas finalizações. O português Cristiano Rolando teve consigo uma meia dúzia de oportunidades, das quais três a gente não espera algo diferente de um gol quando se trata de alguém da sua categoria. Nada feito. O francês Griezmann, em tabela com o brasileiro Filipe Luís, mostrou como é que se faz, abrindo o placar e dando números finais ao jogo aos sete minutos no segundo tempo.


Em 2013-4: Real 0a1 Atlético.
Em 2014-5: Real 1a2 Atlético.
Em 2015-6: Real 0a1 Atlético.

E assim se construiu a trinca atleticana em pleno Bernabéu.

Enquanto os times da capital rivalizam entre si, quem sobra no Campeonato Espanhol é o Barcelona. Tanto na pontuação (com um jogo a menos, os catalães têm cinco pontos a mais que o Atlético e nove a mais que o Real) quanto, principalmente, no futebol. É como se os clubes de Madrid se comunicassem por carta colocada dentro da garrafa e o Barça... por MSN.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Real Mundial E Auckland Histórico

Sábado parei pra assistir os dois jogos derradeiros do Mundial de Clubes 2014: a disputa de terceiro lugar entre Auckland City e Cruz Azul, e a disputa de título entre Real Madrid e San Lorenzo.

Foram dois jogos interessantes. E vamos por partes. Primeiramente, tanto o 1a1 no primeiro jogo (vitória neo-zelandesa nos pênaltis) quanto o 2a0 no segundo foram justos. Uma justiça de precisão quase matemática. Explico daqui a pouco. Em segundo lugar, foi interessante observar o quanto o futebol está aberto a mudanças. Como tudo na vida, aliás. Aquelas imagens pré-concebidas de azarões e favoritos são negligenciadas quando soa o apito e tem início a prática esportiva - o que acho ótimo. Muitos poderiam imaginar que o Cruz Azul, por ser uma equipe do México enfrentando alguém da Oceania, venceria o jogo sem maiores transtornos. Enganaram-se. Muitos poderiam imaginar que o Real Madrid, com todo o seu poder financeiro, passaria fácil pelo modesto San Lorenzo. Enganaram-se. Quer dizer, em parte até que foi relativamente fácil. Explico daqui a pouco.

Retornando à "justiça de precisão quase matemática", o jogo entre Auckland e Cruz Azul teve um tempo de cada time. Surpreendentemente, a equipe da Nova Zelândia foi amplamente superior na primeira parte regulamentar e abriu o placar pouco antes do intervalo, em lance com direito a lançamento espetacular de Tade e conclusão consciente de De Vries. De dar gosto. Só que no segundo tempo o cenário mudou. Ambas as equipes mudaram de atitude e o que se viu foi um Cruz Azul sufocando o adversário. Veio o empate em gol de Rojas e só não pintou a virada por causa da grandiosa atuação do goleiro Spoonley.

Precisariam das penalidades para desempatarem definitivamente a disputa de terceiro lugar. E se as primeiras cobranças foram convertidas, coube a Irving desperdiçar a sua. Logo Irving, que fez ótima partida até então. Seria injusto com o defensor, que inclusive evitou gol oponente com bola rolando, que caísse sobre as suas costas o peso da derrota nos pênaltis. Não caberia a expressão "justiça de precisão quase matemática" nessas circunstâncias. Então, Fórmica perdeu sua cobrança logo na seqüência, igualando o número de desperdícios. Duas séries depois, foi a vez de Valadéz não aproveitar. E caiu nos pés do nigeriano Issa a cobrança histórica: bola na rede e, pela primeira vez em todos os tempos, uma equipe da Oceania faturava o terceiro lugar na Copa do Mundo de Clubes. Uma festa para lá de Marrakech.
Imagem extraída de Enlasgardas.
Auckland City celebra o feito histórico: com vitória nos pênaltis, clube neo-zelandês sagrou-se terceiro colocado no Mundial de Clubes 2014.

Se a disputa de terceiro lugar teve um tempo de cada time, a final do torneio teve dois tempos de uma equipe só: o Real Madrid. Por uma questão de "justiça de precisão quase matemática", o clube espanhol marcou um gol em cada parte e faturou o caneco. Só que, por maior que tenha sido a superioridade da equipe branca, é fato que houve dificuldades na construção do resultado. Os gols do jogo sentenciam isso. O placar foi inaugurado em lance de bola parada: após escanteio cobrado por Kroos, Ramos cabeceou para a rede. Pós-intervalo, Bale recebeu de Isco e chutou bola defensável, que passou por baixo de Torrico.

Mas seria simplista dizer que o Real conquistou o troféu intercontinental por causa de um lance de bola parada e de uma falha do goleiro. É claro que, não fossem esses gols, a equipe poderia se complicar e o San Lorenzo, quem sabe?, crescer a ponto de construir a vitória. Mas o time comandado por Carlo Ancelotti mostrou-se hábil em diversas situações. Uma delas, a bola parada que abriu a contagem. Os contra-ataques, rápidos e produtivos, renderam outros bons momentos. E a posse de bola é explicitamente superior a dos tempos de seu antecessor, o português Mourinho. Por falar em lusitano, quem teve atuação abaixo do que se espera foi Cristiano. E, pra coroar sua performance em Marrakech, sequer cumprimentou Platini na premiação e ainda se recusou a dar entrevista. Quando se é mais estrela (no sentido opaco da palavra) do que profissional (no sentido humano do termo), acontece dessas coisas. De resto, parabéns para a sensacional torcida do San Lorenzo. Possivelmente, os adeptos argentinos foram os personagens mais marcantes nesse evento disputado no Marrocos. Ao lado do Auckland, claro, que conseguiu fazer história.
Foto: Christoph Ena / AP.
 Elenco do Real Madrid celebra o título mundial: equipe chegou à 22ª vitória consecutiva diante do San Lorenzo e está perto de recorde histórico.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Mundial De Clubes 2014: Momento De Definições

Imagem extraída da seguinte URL.

O Mundial de Clubes 2014 está rolando no Marrocos e, mesmo antes da final, já podemos declarar uma equipe como "vencedora" no torneio internacional: o Auckland City, da Nova Zelândia.

O time neozelandês conseguiu eliminar o argelino ES Setif com uma vitória por 1a0 (gol de Irving), protagonizando a primeira classificação para a semifinal de um representante da Oceania na história da competição. Na semifinal, se alguém imaginou que o Auckland seria engolido pelo argentino San Lorenzo, se enganou. Se enganou redondamente. A vitória do time do papa Francisco (aniversariante do dia) foi na base do sufoco, talvez até com alguma intervenção miraculosa, em partida que, com direito à prorrogação, terminou 2a1 para o campeão da Libertadores. A equipe neozelandesa irá disputar o terceiro lugar de cabeça erguida. E se o mexicano Cruz Azul (que venceu o australiano Western Sidney por 3a1 antes de levar 4a0 do espanhol Real Madrid) achar que terá moleza, talvez também sucumba diante do surpreendente Auckland.

Final entre San Lorenzo e Real Madrid

Para a disputa pelo título, o favorito é o Real Madrid. Atravessa um grande momento, estando próximo de igualar o recorde mundial de 24 vitórias consecutivas do Coritiba, além de contar com um elenco tecnicamente forte e taticamente consistente. Reitero aqui os elogios a mais um grande trabalho realizado pelo treinador italiano Carlo Ancelotti.

O San Lorenzo tem totais condições de criar dificuldades aos merengues, e para isso contam com um time determinado (os jogadores jamais entregam os pontos, vide a própria campanha na Libertadores, quando chegaram a ser lanternas no grupo que tinha Botafogo, Unión Española e Independiente Del Valle), com atletas de boa qualidade técnica (Más, Buffarini, Villalba e Matos são alguns exemplos), com uma torcida entusiasmada (simplesmente contagiante a participação dos adeptos em Marrakech, pela semifinal) e... tchan, tchan, tchan, tchan... com o papa Francisco. Pensando bem, será que o Real é realmente favorito?

Separe o sábado com carinho: às 14e30 tem Auckland City e Cruz Azul; e às 17e30 rola a bola para San Lorenzo e Real Madrid.

Ah! A disputa de quinto lugar rolou ontem: após empate por 2a2 que persistiu até a prorrogação, o ES Setif superou o Western Sidney nos pênaltis, por 5a4, após oito cobranças de cada lado.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Alfredo Di Stéfano. Eterno.

Imagem extraída de Kabir News
Pelo que li de sua biografia, o futebol espanhol em geral e o Real Madrid em particular não seriam os mesmos se não fosse Alfredo di Stéfano.

Sua transferência para os merengues se deu não por um diretor de futebol, não por um presidente de clube, mas pelo Ministro dos Esportes da Espanha - nascia ali a maior rivalidade de clubes do futebol mundial (Real Madrid e Barcelona), em plena ditadura do general Francisco Franco.

307 gols em 371 jogos com a camisa madridista, entre 1953 e 1964. Pentacampeão europeu consecutivamente. Se hoje o Real festeja "la décima", veja o tamanho da contribuição daquela geração.

Nasceu em Buenos Aires, tendo completado 88 anos e 1 dia na data do jogo em que a Argentina eliminou a Bélgica no Mané Garrincha. Deu adeus hoje.

Será lindo se Lionel Messi, ídolo do Barcelona, erguer o troféu no Maracanã homenageando a lenda Di Stéfano.

Descanse em paz, mito. Muchas gracias, Viejo.
Vídeo com alguns momentos de Alfredo Di Stéfano

sábado, 24 de maio de 2014

Real Dança O Vira Em Portugal: "La Décima" Européia

A final madrilenha em Lisboa foi de arrepiar. O Atlético fez 1a0 e soube se comportar em campo, voltando a exibir uma equipe compacta e determinada na busca pelo triunfo. O adversário, porém, se agigantou no segundo tempo - sobretudo após a ótima entrada de Marcelo, que conseguiu dar outro ânimo ao setor esquerdo merengue.

Os colchoneros resistiram bravamente até onde puderam. Até quando puderam. Aos 48 minutos do segundo tempo, em lance de bola parada, não puderam evitar: Sérgio Ramos foi à rede com cabeceio irrepreensível, empatando a partida.

Aquilo transformou a final, elevando o moral do Real e fazendo o Atleti sucumbir no gramado. No fim, uma goleada por 4a1 - falaciosa, é verdade, porém conquistada com méritos. É estranho proferir essa frase, pois como algo pode ser falso e meritoso? Sei lá, foi assim que senti. A diferença de três gols não traduz o equilíbrio do confronto, mas o fato é que o time branco chegou lá por competência. E tem que ser muito competente para superar uma defesa como aquela que conta com Miranda e Godín.

Carlo Ancelotti conseguiu reinventar a equipe que era comandada pelo arrogante José Mourinho. Cristiano Ronaldo, apesar do gol derradeiro, foi mero coadjuvante num time liderado por Modric e Di María. Mas o que empolga mesmo é a entrega física e tática da limitada equipe comandada por Diego Simeone: faltaram pernas, mas sobrou coração aos alvirrubros. Talvez por isso a dor possa ser maior. Mas o orgulho deve ficar nas alturas.

Em poucas palavras, vão os parabéns aos finalistas - campeões e vices. Se o Real faturou a Liga dos Campeões, o Atlético conquistou a Europa. A noite foi espanhola na capital portuguesa. Quem diria isso seis séculos atrás?

terça-feira, 29 de abril de 2014

Bye, Bye, Bayern

A definição do primeiro finalista na Liga dos Campeões da Europa 2013-4 trouxe uma grande surpresa. Não que o Real Madrid passar pelo Bayern de Munique seja algum absurdo, mas fazendo 4a0 na Allianz Arena?

Pep Guardiola não conseguiu repetir o desempenho de seu antecessor Jupp Heynckes. Se na temporada passada o Bayern atropelou o Barcelona nas semifinais, dessa vez foi um time espanhol que castigou os alemães. Curiosamente, também no ano passado o Real Madrid havia caído nessa mesma fase no torneio levando uma sapecada do também alemão Borussia Dortmund.

Pelo menos uma conclusão dá pra tirar desses dois eventos (o sucesso do Bayern de Heynckes sobre o Barça e o fracasso do Bayern de Guardiola diante do Real Madrid): o jogo de velocidade com marcação adiantada e saída objetiva nos contra-ataques encaixa bem no modelo de intensas trocas de passes. Em outras palavras, para defrontar a escola barcelonista-guardioliana, não é necessário (nem viável) jogar na retranca, no feitio de José Mourinho. Carlo Ancelotti mostrou-se superior ao seu antecessor de Real Madrid, pois conseguiu encarar um estilo de jogo imponente de uma maneira eficaz sem abdicar do ataque.

Talvez o maior adversário do Bayern nem tenha sido o fortíssimo Real, mas o próprio Bayern. O incentivo de Pep para o time "jogar com agressividade" não parece ter sido assimilado ou, pelo menos, bem compreendido. Alemães costumar ser frios, estratégicos, disciplinados. Agressividade, no primeiro tempo, foi confundida com violência. Poderia até ter pintado um cartão vermelho para Dante, por carrinho imprudente em Cristiano Ronaldo. Aproveitando-se de erros de marcação dos donos da casa na bola parada, Sérgio Ramos marcou duas vezes e encaminhou a classificação. Num contra-ataque à la Bayern de Heynckes, Modric acionou Bale, que serviu Cristiano. O português aproveitou. Se ele agradeceu? Que nada, comemorou egocentricamente celebrando o recorde pessoal de quinze gols numa edição de UCL. Este é Cristiano: grande talento e um ego ainda maior.

No segundo tempo, o Bayern desenvolveu seu jogo na busca pelo improvável que o avançar dos minutos iam tornando impossível. A entrada do ótimo Götze aumentou a qualidade da equipe no meio-campo (Ribèry e Müller não renderam, restando saber até que ponto por influência da tal proposta de "agressividade"). No final, uma cobrança de falta de Cristiano por baixo da saltitante barreira selou a goleada merengue.

Vindo quem vier - Atlético de Simeone (clássico local) ou Chelsea de Mourinho (imagina só...) -, Ancelotti terá de conviver com o favoritismo na decisão de 24 de maio. Do jeito que o italiano é cascudo e vencedor, deve nesse momento estar tranqüilo e calmo, pronto pra mais uma. Se alguém ainda achava que faltava ao italiano ex-Milan, Chelsea e PSG
provar algo no futebol, acho que esse 29 de abril deixou um ponto final. O multicampeão mostrou que o rótulo de retranqueiro, que por tanto tempo o acompanhou, não lhe cabe. Pelo menos não se a idéia for desqualificá-lo.

Observação: a Alemanha pode ter sido a maior vencedora nessa história toda. A julgar pelo maior descanso que jogadores terão com a eliminação do Bayern e levando em consideração o esquema de jogo de Joachim Löw (que mescla um pouco de Guardiola com um pouco de Ancelotti, guardadas as devidas proporções), é bem provável que o técnico alemão tenha o antídoto para defrontar adversários que tenham a tendência de utilizar um estilo mais à exaustão. Seja de posse, seja de contra-ataque, seja de retranca. Pintou o tetra? Aguardemos.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Questão De Coragem

As semifinais na Liga dos Campeões da Europa na presente temporada permitem fazermos comparações entre dois treinadores muito badalados no futebol atual. Um é Josep Guardiola, do qual sou grande admirador. Outro é José Mourinho.

A maior semelhança entre ambos - além da grande quantidade de troféus levantados - está na grafia do primeiro nome: são quatro letras idênticas. Só que se o talento fosse medido dessa forma, poderíamos afirmar que a letra "P" é muito mais poderosa que o acento agudo.

Explicando e comparando. Mourinho e Guardiola viajaram para a capital espanhola. O Chelsea visitou o Atlético no Vicente Calderón e, no dia seguinte, o Bayern enfrentou o Real no Santiago Bernabéu. Tanto os Azuis de Londres quanto o Gigante da Baviera carregam consigo elencos milionários, que em nada devem aos adversários. Vale lembrar que esses dois clubes se enfrentaram na final continental apenas duas temporadas atrás (então treinados por Roberto Di Matteo e Jupp Heynckes). Ou seja, talento é o que não falta nesses plantéis. Saca só o nível: Cech, Neuer, Terry, Boateng, David Luiz, Dante, Lampard, Schweinsteiger, Ramires, Lahm, Willian, Robben, Hazard, Müller, Oscar, Götze, Ribèry, Schürrle, Torres, Mandzukic, Demba Ba, Kroos etc. Com esse material humano, Mourinho e Guardiola podem buscar diversas maneiras de jogar. E a cidade de Madrid viu bem isso.

Na terça-feira, um Chelsea covarde foi montado com uma linha de quatro na defesa (Azpilicueta, Terry, Cahill, Cole) e uma linha de cinco no meio (Willian, Mikel, David Luiz, Lampard, Ramires) e Torres na frente. Na frente e isolado, pois Willian e Ramires mais acompanhavam os laterais oponentes do que se aproximavam do atacante espanhol. Resultado: zero a zero numa partida com poucas emoções. Diria que beirou o entediante. Triste para o esporte.

Já na quarta-feira, outra conversa. O Bayern atuou com a posse de bola e ofensivamente, mesmo diante de um adversário fortíssimo nos contra-ataques (há que se respeitar um time que conta com Modric, Cristiano, Di María e Benzema, além de Bale). Mas covardia não é palavra para o vocabulário de Pep. A equipe atuou com Rafinha e Alaba se apresentando ao ataque de modo a deixar somente Boateng e Dante como autênticos defensores; Lahm e Scheinsteiger encostavam na trinca de meias (Robben, Kroos e Ribèry) enquanto Mandzukic, ao contrário de Torres no dia anterior, tinha com quem conversar. Resultado: um a zero para o Real numa partida repleta de alternativas. Tivemos um jogo. Um grande jogo. Ótimo para o esporte.

No final, os placares na Espanha dão aos times de Diego Simeone e Carlo Ancelotti a vantagem do empate na volta. Teoricamente, melhor para o italiano, que pode perder por um gol de diferença caso marque pelo menos uma vez. Porém, vejo mais possibilidades de sucesso para o argentino. O motivo? Seu adversário é Mourinho. Será muito mais difícil sobreviver ao Bayern de Guardiola. E olha que nem precisa de coragem para afirmar isso: basta ter algum bom senso. Coisa que por vezes falta para aqueles que têm medo.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Borussia: De Dortmund Para Wembley, Passando Por Madrid

Apesar da boa margem de gols conseguida em Dortmund (4a1), o Borussia só conseguiu a vaga na final européia após um final de jogo dramático. O apito derradeiro aos cinquenta minutos e cinquenta e cinco segundos no segundo tempo foi para aliviar a tensão de um time que estava sob pressão.

Para ler a transmissão da partida em tempo real, acesse @jogandoagora e procure pela #RMDBVB

A partida no estádio Santiago Bernabéu confirmou as expectativas: foi agradável, dinâmica, de ótimo nível técnico. No primeiro tempo, o maior responsável pela manutenção do 0a0 foi o goleiro Weidenfeller, que realizou duas grandes defesas em finalizações de Higuaín e Cristiano.

Mas o Borussia era muito mais que apenas um grande goleiro. Tinha o ótimo zagueiro Hummels, de atuação formidável, pagando com juros e correção a falha cometida no jogo de ida. Seu parceiro de zaga, Subotic, também correspondia. O volante Gundogan, por sua vez, encanta esse blogueiro pela exuberante capacidade de fazer a proteção à defesa e a transição ao ataque com qualidade e naturalidade. Há muita gente boa na posição no futebol alemão, mas já vejo com bons olhos se Gundogan for titular na Copa do Mundo, sob o comando de Joachim Low.

Então, como superar essa muralha amarela? Mourinho era um que não sabia a resposta. Demorou demais para buscar alternativas, colocando Kaká e Benzema aos onze minutos pós-intervalo. Tirou Coentrão e Higuaín, numa mexida aquém do que a situação pedia. Faltando pouco mais de meia hora, o Real abria mão de um atacante mesmo precisando de uma média de um gol a cada dez minutos. Só que, na base do abafa, o Real conseguiu um novo ânimo aos trinta e sete, quando marcou 1a0 - gol de Benzema em jogada iniciada por Kaká, isto é, gol vindo do banco.

O novo ânimo ganhou dimensões incendiárias aos quarenta e dois, quando Ramos recebeu de Benzema e marcou o segundo. Faltava o terceiro, que seria o da classificação. Howard Webb indicou cinco minutos como acréscimo. A torcida merengue, que minutos atrás parecia silenciar diante do impossível, agora estava a plenos pulmões acreditando no mais que tangível. No futebol é assim mesmo: o universo das possibilidades desafiam a própria natureza matemática.

No final, festa do time que jogou melhor a maior parte do confronto de 180 minutos. Com muito toque de bola, com muita personalidade, com muita qualidade, com um padrão de jogo envolvente e, sim, com contornos dramáticos também, o Borussia Dortmund estará em Wembley no dia vinte e cinco de maio. Descobriremos se diante de Bayern ou Barcelona. Mas uma certeza já fica: teremos uma decisão de Liga dos Campeões como há muito tempo não se via. Para deleite dos amantes do futebol arte.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Dortmund 'Lewandowski' O Futebol À Glória

Um show. Seja nas arquibancadas, seja no gramado, o Borussia Dortmund deu um show que o Real Madrid assistiu de pé. A goleada por 4a1 nem é o mais importante, embora deixe a equipe de Jurgen Klopp bastante perto da final em Wembley - o que mais importa é que estamos vivendo um momento histórico, que é uma revolução no futebol alemão. Inversão pelo alto, chutão pra cima, cruzamentos à exaustão não são recursos usados pelo fantástico Borussia. Da defesa ao ataque, a bola vai pela grama, de pé em pé, passando por volantes afinados (Bender e Gundogan), meias agudos (Blaszczykowsky, Gotze e Reus) e um atacante absolutamente goleador, o grande nome do jogo, Lewandowski. Claro que há que se falar também dos belos laterais Piszczek e Schmelzer, da competente dupla de zaga composta por Subotic e Hummels e do goleiro Weidenfeller, todos dignos de jogar por um time que tem uma torcida formidável desde antes de a bola rolar até depois do apito final. Mas o nome do jogo é aquele mesmo: Lewandowski. Não é todo ano que se marca quatro gols numa partida semifinal de Liga dos Campeões da Europa. E o adversário era o Real Madrid, maior conquistador dessa taça.

Amantes do futebol arte, o Real de Mourinho pareceu pequeno em Dortmund. Jogou menos do que se espera de um time com essa grandeza? Sim. Mas o maior responsável por fazê-los diminuídos foi o jeito de jogar e o jeito de querer vencer do Borussia. Com Joachim Low comandando a seleção do país, Jupp Heynckes conduzindo o Bayern após belo trabalho de Louis van Gaal e prestes a passar o bastão para Josep Guardiola, e com Klopp fazendo o que vem fazendo no Aurinegro, que todos os olhos do mundo estejam virados para a Alemanha na Copa do Mundo 2014. Aliás, pra que esperar até lá? Saboreemos essa Liga dos Campeões e a próxima. E também a Bundesliga e as Eliminatórias Européias. Ver o futebol sendo bem jogado é um prazer sempre bem-vindo. Se premiado com títulos, melhor ainda. Próxima parada: estádio Santiago Bernabéu.

(Ler também sobre o Bayern de Heynckes e a Alemanha de Low)

segunda-feira, 4 de março de 2013

Equipe E Jogada Da Semana

Nem os mais fanáticos torcedores do Real Madrid devem estar animados com relação ao Campeonato Espanhol, até porque o time de José Mourinho está com treze pontos a menos que o Barcelona e encontra-se atrás também do Atlético de Madrid na tabela classificatória.

Mas, a julgar pela semana que acabou de passar, até os merengues mais pessimistas devem conservar esperanças num final de temporada vitorioso. Começou com uma vitória sobre o Deportivo La Coruña (2a1, no estádio El Riazor, pelo Campeonto Espanhol) e terminou de maneira ainda mais empolgante, vencendo o Barcelona por 2a1 no estádio Santiago Bernabéu, também pelo Espanhol. Mas o feito mais incrível ocorreu na terça-feira, entre um jogo e outro: foi com uma vitória por 3a1 em pleno Camp Nou que a equipe avançou para a final na Copa do Rei (havia empatado a ida na semifinal em 1a1).

Com a autoestima elevada após os resultados recentes, resta saber o que o Real Madrid conseguirá fazer em Old Trafford, diante do Manchester United, no jogo de volta pela fase oitavas-de-final na Liga dos Campeões da Europa, dia cinco de março. A ida, no Bernabéu, terminou 1a1. Mas quem arrancou uma classificação jogando em Barcelona pode conseguir também em Manchester.

Jogada da semana

Numa partida com cara de decisão de campeonato, Flamengo e Botafogo fizeram jogo movimentado no Engenhão. Esse lance, nos acréscimos do segundo tempo, explica um pouco da emoção que foi o encontro pela semifinal na Taça Guanabara.

De Jéfferson para Gabriel, de Gabriel para Vitinho e de Vitinho para a rede. 2a0 Botafogo e fim de um tabu.

domingo, 7 de outubro de 2012

Super Clássico É Esse Aí


Barcelona e Real Madrid jogaram hoje, domingo eleitoral no Brasil, o clássico espanhol (ou hispânico-catalão, se preferir). Com dois gols pra lá e dois pra cá, Lionel Messi e Cristiano Ronaldo foram os protagonistas em partida bastante movimentada.

Tudo bem que o Barcelona não desenvolveu aquele estilo de jogo visto tantas vezes com Josep Guardiola, mas Tito Vilanova foi fiel à proposta implementada pelo seu antecessor e a equipe da casa ditou o ritmo dos acontecimentos. Esbarrou num Real Madrid bem postado, que saía em velocidade para os contra-ataques, e que na maior parte do primeiro tempo jogou de igual para igual (sendo inclusive superior em alguns momentos). Na segunda etapa, o Barça sobrou em campo. As maiores chances de desempate deram-se nos minutos finais, em finalizações de Montoya (no travessão) e de Pedro (perto da trave direita). Persistiu o 2a2, onde as alterações de cada treinador talvez possam explicar melhor quem gostou e quem não gostou do resultado: se Vilanova pôs Sánchez no lugar de Fàbregas, Mourinho trocou Di María por Essien...

Assim sendo, os barcelonistas lideram o Campeonato Espanhol (com seis vitórias e esse empate nos sete jogos) e os merengues aparecem em sétimo (três vitórias, dois empates e duas derrotas).

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Equipe E Jogada Da Semana

Com uma campanha histórica, o Real Madrid conquistou o título na Primera División na antepenúltima rodada, vencendo o Athletic Bilbao por 3a0 em pleno estádio San Mamés. Muitos poderiam pensar que o caneco assegurado faria com que os merengues se acomodassem nas duas rodadas derradeiras. Nada disso. Os comandados de José Mourinho conseguiram mais duas vitórias nos dois últimos finais-de-semana (2a1 fora de casa sobre o Granada e 4a1 diante do Mallorca no estádio Santiago Bernabéu) e alcançaram a marca centenária de pontos ganhos, num total de 32 vitórias e 4 empates, com apenas duas derrotas no decorrer da competição. Também chama atenção a quantidade de gols marcados: foram 121 nos 38 jogos, o que dá uma média superior a 3 gols por partida. No bipolarizado Campeonato Espanhol, tudo indica que a próxima temporada será, novamente, um duelo particular entre Real Madrid e Barcelona na disputa pelo troféu. Aliás, 100 pontos ganhos até poderiam valer uma taça à parte.

Jogada da semana

Nem tanto pela jogada em si, mas pelo que ela representou. Foi com esse gol de Sergio Agüero que o Manchester City virou o jogo diante do Queens Park Rangers, em jogo onde somente a vitória lhe garantiria o título inglês na temporada 2011-2. Detalhe: se o gol da virada saiu aos quarenta e oito minutos do segundo tempo, o de empate havia ocorrido dois minutos antes. Agora tente imaginar o que esse gol de Agüero representou. A cidade de Manchester viveu sentimentos intensamente opostos em suas cores azul e vermelha.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Sorriam, Bávaros: A Final Terá O Bayern Em Munique

O Gigante da Baviera não se intimidou com o estádio Santiago Bernabéu e tratou de fazer na capital espanhola aquilo que faz de melhor: atacar o adversário. Apresentou falhas na defesa, é verdade, mas contou com o ótimo goleiro Manuel Neuer para, na disputa por pênaltis, conseguir a vaga na final da Liga dos Campeões da Europa 2011-2, que será disputada sabe onde? Na Allianz Arena, casa do Bayern.

Bayern que viu o Real Madrid abrir o placar com gol de Cristiano Ronaldo, cobrando pênalti aos cinco minutos. Penalidade essa que ocorreu num lance complicado, diria até interpretativo: Ángel Di María chutou, David Alaba mergulhou virando-se de costas pra bola e acabou cortando a finalização com o braço. Se por um lado ganhou espaço projetando o braço, por outro não pareceu intencionado em usá-lo para bloquear o chute. O fato é que Viktor Kassai assinalou a infração e o Real passou a ficar em vantagem no duelo.

Vantagem que terminaria logo, mas Arjen Robben, que surgiu como uma flecha na pequena área e foi parar dentro da rede tamanha velocidade, não conseguiu direcionar para o gol um cruzamento de Alaba, que fez grande jogada pelo flanco esquerdo, pronto para se redimir de um pênalti que nem sei se ele cometera.

Quem trataria de mandar a bola pra dentro era novamente Cristiano: aos treze minutos, o português recebeu de Mesut Özil e, livre de marcação, chutou no canto direito. É difícil explicar como o Bayern permite que um jogador adversário receba a bola em liberdade naquelas condições, em erro de posicionamento reincidente no duelo com os merengues.

Mas as coisas melhorariam para o Bayern, que, por sinal, era melhor em campo. Aos vinte e seis minutos, a bola foi cruzada na área e Pepe empurrou Mario Gómez. Pênalti que Robben cobrou e converteu, no seu retorno ao estádio Santiago Bernabéu.
Arjen Robben, que disputara a final da Liga dos Campeões nesse mesmo estádio em 2010, converte cobrança de pênalti: torcedores do Real Madrid devem sentir saudades do holandês.

O placar que levava o jogo para a prorrogação veio relativamente cedo e a partida frenética sugeria que novos gols acontecessem. Mas a segurança de Neuer, o mau aproveitamento de Gómez quando acionado, as boas atuações de Pepe e Marcelo, além da maior solidez defensiva do Bayern após o primeiro intervalo sustentaram o 2a1 até o 120º minuto.

Restou desempatar o duelo nos pênaltis. E quem iria abrir a série de cobranças? Cristiano Ronaldo, figura bastante ausente durante o jogo, embora tenha a seu favor as estatísticas oportunas de ter marcado dois gols e descolado alguns outros remates. E Cristiano parou em Neuer, que foi fantástico ao chegar no canto direito. Kaká também teve sua cobrança defendida por Neuer, novamente no canto direito. Os desperdícios de Toni Kroos e Philipp Lahm - ambos parando em defesas de Iker Casillas, que no tempo normal por muito pouco não evitou o gol de Robben - deram maior emoção ao confronto. Até que Sergio Ramos isolou por cima do travessão e, para fechar, Bastian Schweinsteiger, que não jogava noventa minutos há algum tempo e dessa vez não somente jogou os cento e vinte como manteve-se em bom nível, estufou a rede para classificar os bávaros.

Munique ficará pequena em dezenove de maio. Os Azuis de Londres devem ter certeza disso: a Baviera é vermelha.

Outro resultado

Terça-feira

Barcelona 2a2 Chelsea (2a3 na soma dos resultados)

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Sábado Decisivo Pros Semifinalistas Da Liga Dos Campeões

Os deuses do futebol capricharam, ou melhor, estão caprichando nesse ano.

Na terça-feira, Barcelona e Chelsea duelam no Camp Nou procurando uma vaga na final da Liga dos Campeões da Europa. Na quarta-feira, Real Madrid e Bayern de Munique medem forças com o mesmo ideal.

Só que, por mais importantes quem sejam tais confrontos, nenhuma das quatro instituições pode (ou pelo menos não deveria) desprezar seus respectivos compromissos no próximo sábado. Sábado que para nós, brasileiros, já é especial por sua própria natureza - afinal, 21 de abril trata-se de uma data que homenageia Tiradentes, um dos maiores brasileiros de todos os tempos.

Então vamos analisar a situação de cada um desses quatro times semifinalistas na Liga. Com um detalhe: dois deles se enfrentam em confronto direto no sábado.

Bayern de Munique. Vice-líder na Bundesliga, o time do Bayern não tem outra alternativa para evitar o praticamente certo título do Borussia Dortmund no Campeonato Alemão: vencer e secar. A equipe vai até Bremen enfrentar o Werder e, caso não consiga a vitória, não terá mais chances de alcançar o Borussia, pois os oito (ou sete, em caso de empate) pontos de diferença seriam maiores que os seis disputados nas duas últimas rodadas. Então, a missão dos bávaros é simples e direta: vencer o Werder e torcer para o Dortmund não vencer o "duelo de Borussias" com o Mönchengladbach.

Chelsea. Os Azuis irão até o estádio Emirates fazer o clássico londrino com o Arsenal. Chances de título na Premiership inexistem para ambos - essa disputa está restrita aos "Manchesters" United e City. Mas o duelo na capital inglesa é mais do que relevante, afinal, uma vitória do Arsenal praticamente tira do Chelsea qualquer chance de chegar ao 3º lugar (última posição no Campeonato Inglês a dar vaga direta na fase de grupos na próxima Champions League). Vencendo, o Chelsea não somente fica a quatro pontos do Arsenal (e com um jogo em atraso), como não permitirá que Tottenham e Newcastle, dois pontos a frente, se afastem na disputa pela 4ª colocação (lugar que dá direito a disputar a fase eliminatória da Champions que antecede a fase de grupos).

Barcelona. Correndo atrás do prejuízo para chegar ao topo na tabela no Campeonato Espanhol, o Barcelona já reduziu para quatro pontos uma desvantagem que era de dois dígitos. E tem no confronto direto com o Real Madrid a oportunidade de diminuir para um único ponto essa diferença. Após a disputa desse clássico (ou superclássico, se preferir), restarão quatro rodadas. E o Barça sabe que será difícil tirar quatro ou sete pontos em relação ao Real. Portanto, só a vitória interessa aos catalães nesse sábado.

Real Madrid. Líder com quatro pontos de vantagem em relação ao Barcelona, o Real Madrid provavelmente tem em mente que um empate no Camp Nou terá sabor de vitória e cheiro de título, afinal, a manutenção da diferença em quatro pontos lhe daria a margem de tropeçar uma vez sem poder ser alcançado. A vitória praticamente dará o caneco espanhol ao time da capital, que dificilmente permitiria deixar escapar sete pontos em doze disputados.

É interessante observarmos como, num intervalo de alguns dias, todo o desenrolar da temporada ganha contornos decisivos para quatro instituições diferentes. Então, aguardemos. Entre sábado e quarta-feira muita coisa pode - e irá - acontecer.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Bayern Vence Real Na Ida Da Semifinal: 2a1

O Bayern de Munique recebeu o Real Madrid no estádio Allianz Arena (palco da final da Liga dos Campeões da Europa nessa temporada, em dezenove de maio de dois mil e doze) e fez valer tanto a história de anos pretéritos quanto o momento recente. Com o triunfo por 2a1, o Gigante da Baviera segue invicto dentro de casa quando atua diante dos merengues (esse foi o décimo confronto entre Bayern e Real na Alemanha) e confirmou os 100% de aproveitamento nas partidas disputadas como mandante nessa temporada de Champions League (venceu todos os seis jogos disputados na Allianz Arena).

A partida foi bastante disputada, com o desempate derradeiro tendo ocorrido aos quarenta e três minutos do segundo tempo. O resultado obriga o Real Madrid a vencer ou por 1a0 ou por mais que um gol de diferença para sair classificado do estádio Santiago Bernabéu, na quarta-feira da próxima semana. Se devolver o 2a1, a partida irá para a prorrogação. O Bayern está a um empate de retornar à Allianz Arena em 19.05.2012 para a final da Liga - e, caso marque pelo menos dois gols, avançará para a decisão mesmo em caso de derrota por um gol de diferença na Espanha.

O jogo

Festiva desde antes mesmo do apito inicial, a torcida do Bayern fez bonita festa nas arquibancadas do estádio, atuando como se fosse um décimo segundo jogador. O Real Madrid não se intimidou e iniciou a partida com maior volume de jogo que os donos da casa, aproximando-se de abrir o placar aos seis minutos, quando Karim Benzema recebeu belo passe de Mesut Özil, chutou forte e Manuel Neuer rebateu maravilhosamente.

Se o Bayern tinha na torcida uma espécie de décimo segundo jogador, o Real tinha como "reforço" a presença do árbitro inglês Howard Webb (aquele mesmo da final da Copa do Mundo 2010). Aos quinze minutos, uma rápida jogada dos donos da casa foi interrompida quando, dentro da área, Franck Ribèry caiu após ser tocado por Sergio Ramos - o jogo seguiu sem qualquer infração ter sido marcada por Howard Webb.

Não vamos aqui responsabilizar o árbitro por uma eventual injutiça nesse lance. Até porque, houve pelo menos duas jogadas de pênalti para o Bayern mais claras que essa, as quais trataremos no devido momento. E o próprio Ribèry se encarregaria de tirar o primeiro zero do placar pouco depois do lance em que caíra na disputa com Ramos: após cobrança de escanteio, o hábil jogador francês pegou o rebote e chutou firme, rasteiro, estufando a rede. Luiz Gustavo estava em posição de impedimento na jogada, restando a dúvida de ter ou não participado do lance - não tocou na bola e nem foi em direção a ela, mas pode ter atrapalhado a visão do goleiro Iker Casillas. De toda forma, o arqueiro espanhol não reclamou e o gol foi confirmado. 1a0 Bayern e explosão de alegria dos torcedores bávaros.

A partir de então, viu-se uma subida de produção no Bayern, que passou a encaixar maior número de jogadas, com Arjen Robben, Ribèry e Toni Kroos fazendo boas aproximações de Mario Gómez. E a maior chance de ampliar a vantagem deu-se em lance onde Kroos encontrou Gómez e o centroavante chutou bem, mas parou em intervenção sensacional de Casillas, que espalmou esticando ambos os braços. Se o Bayern não conseguiu aumentar a diferença no final do primeiro tempo, foi castigado no início do segundo: após grande vacilo de toda a defesa bávara, a bola atravessou a pequena área e chegou até Cristiano Ronaldo, que passou para Özil finalizar, empatando a partida em Munique, aos sete minutos.

Aos quinze minutos, Jupp Heynckes tratou de colocar Thomas Müller em campo (não sei por que tão tarde), mas tirou um jogador que fazia boa partida - Bastian Schweinsteiger, que deixou o gramado explicitando chateação. Só que substituição menos compreensível fez José Mourinho: aos vinte e três, tirou Özil para colocar Marcelo. E pior: não deixou Marcelo solto o bastante para explorar jogadas ofensivas, limitando o poder de ataque madridista. Melhor para o Bayern, que foi ganhando terreno, impondo-se territorialmente e dominando as ações, em jogo que ia se concentrando no campo de defesa do Real. Os comandados de Mourinho paravam muitas das jogadas adversárias com faltas. Só que Webb se recusava a assinalar aquelas que ocorriam dentro das fronteiras da grande área, frustrando os jogadores do Bayern por pelo menos duas vezes, em penalidades cometidas por Pepe e Fábio Coentrão.

Se Heynckes seguiu até o final sem mexer novamente no time (e olha que tinha Ivica Olic no banco), Mourinho foi bisonho o bastante para gastar as três substituições e não levar Kaká a campo. E o castigo ao foco defensivista do treinador português veio aos quarenta e três minutos: em bela jogada de Philipp Lahm pelo flanco direito, o lateral alemão escapou de Coentrão, cruzou rasteiro e encontrou Gómez, que mandou pra rede e levou o público à loucura. 2a1 Bayern.

Nos acréscimos, Marcelo tomou uma atitude de marginal e pontapeou Müller sem esboçar qualquer intenção de pegar a bola. E o senhor Howard Webb afinou mais uma vez, dando apenas um cartão amarelo para o destemperado jogador brasileiro - qualquer semelhança com o "critério" visto na final da Copa 2010 no lance em que Nigel De Jong foi de voadora em Xabi Alonso parece não ser mera coincidência...

No jogo de volta, espero que o Real de Mourinho faça jus ao grande elenco que dispõe e procure atacar (não fisicamente, como fizera Marcelo). E espero que a UEFA coloque em campo um árbitro menos frouxo do que Webb. Seriam dois ingredientes relevantes para termos uma ótima partida de volta.

sábado, 14 de abril de 2012

Quatro Timaços, Duas Vagas: Eis As Semifinais Na Liga Dos Campeões Da Europa

Aproximam-se os confrontos semifinais na Liga dos Campeões da Europa e, para delírio dos amantes do futebol, sobraram quatro equipes capazes de proporcionar belos espetáculos nos gramados europeus. Barcelona, Bayern de Munique, Chelsea e Real Madrid são os remanescentes e, desde que acompanho esse torneio, não recordo de ver esta fase da competição tão bem representada como nessa temporada 2011-2.

Não bastasse a qualidade presente em cada um desses quatro elencos, temos alguns atrativos a mais. O Barcelona, comandado por Josep Guardiola, concilia beleza e eficiência como jamais visto na história do futebol. Seu principal jogador é o melhor do mundo na atualidade e, possivelmente, de todos os tempos na modalidade - Lionel Messi. O Real Madrid, maior vencedor do torneio (9 canecos), não conquista este troféu desde 2001-2 e acredita no treinador José Mourinho, campeão com a Internazionale na temporada 2009-10, para voltar ao topo na Europa. Cristiano Ronaldo faz temporada com números incríveis e é uma das maiores esperanças dos merengues. O Chelsea, que jamais conquistou a Liga dos Campeões, quer porque quer provar o gosto do inédito. E especula-se que Roman Abramovich, magnata presidente do clube, estaria se propondo a pagar o equivalente a seiscentos mil reais por jogador em caso de título. Dentro das quatro linhas, o rendimento dos Azuis de Londres melhorou bastante depois que Roberto Di Matteo assumiu interinamente o posto outrora ocupado por André Villas-Boas. O Bayern de Munique, que busca o quinto título de Liga dos Campeões da Europa tem talvez a maior das motivações possíveis para querer erguer o troféu este ano: é que a disputa da partida final será dentro da Allianz Arena, estádio do clube bávaro.

Vamos agora analisar cada um dos duelos e, é claro, opinar sobre quem deve avançar. Nos palpites para a fase quartas-de-final, 100% de acerto.

Bayern de Munique e Real Madrid. Vice-líder na Bundesliga e a uma distância considerável do Borussia Dortmund, tudo leva a crer que o foco do Bayern reside nesse confronto semifinal. Com 100% de aproveitamento nas partidas dentro de casa, o ótimo time comandado por Jupp Heynckes tem totais condições de manter esse índice perfeito diante da forte equipe adversária. Do contrário, será muito difícil buscar o resultado no estádio Santiago Bernabéu, local da partida de volta. O Real, que lidera o Campeonato Espanhol com quatro pontos de vantagem sobre o Barcelona, vem se mostrando uma máquina de fazer gols. Para se ter uma idéia, nos últimos sete jogos na temporada o time marcou pelo menos três gols em seis partidas (duas vezes três, uma vez quatro e, veja só, três vezes cinco gols). Para seus planos de classificação, será importante marcar gols em Munique, mesmo que não consiga sair da Alemanha com a vitória. Palpite: avança o Bayern de Munique.

Chelsea e Barcelona. Por um capricho dos deuses do futebol, está desenhada a semifinal entre dois times que se encontraram rigorosamente nessa mesma fase da competição na temporada 2008-9. Naquela oportunidade, com um gol de Andrés Iniesta nos acréscimos do segundo tempo e muita polêmica em torno da arbitragem, o time de Guardiola tirou o Chelsea da Liga dos Campeões, na época dirigido por Guus Hiddink. Hoje, me parece que a diferença entre as duas equipes é maior que naquela época, o que aumenta a dificuldade do Chelsea em buscar esse título inédito. A temporada do time londrino é bastante irregular, e o 6º lugar na Premiership coloca em risco a presença do clube na próxima Liga dos Campeões. Enquanto isso, a equipe que encanta o mundo com seu formidável jogo coletivo e o jogador que encanta o mundo com seu talento aparentemente infindável - Messi -, estão prontos para buscar o bicampeonato consecutivo, que seria o quinto do clube na história do torneio. A partida de ida, em Stamford Bridge, pode ser o termômetro do confronto - creio que as chances do Chelsea iriam a quase zero se o time não conseguir uma vitória na capital inglesa. Palpite: avança o Barcelona.

terça-feira, 27 de março de 2012

Apoel Faz Festa, Mas Real Conquista Vantagem Na Ida: 3a0

O Apoel recebeu o Real Madrid na capital cipriota Nicósia e resistiu, pelo menos até os vinte e sete minutos do segundo tempo, à superioridade técnica da equipe espanhola. A partir dali, saíram três gols merengues e desenhou-se a classificação madridista para a fase semifinal na Liga dos Campeões da Europa: para reverterem a situação, os comandados de Ivan Jovanovic dependem de um triunfo por pelo menos três gols de diferença no estádio Santiago Bernabéu, no próximo dia quatro.

O resultado foi construído após muita insistência do time visitante, que deteve 69% do tempo de posse de bola sob seu domínio mas esbarrava, basicamente, em três fatores: a aplicada marcação dos donos da casa, a boa atuação do goleiro Dionisis Chiotis e o excesso de individualismo de Cristiano Ronaldo, que ora conseguia desconcertar a marcação e ora desperdiçava a melhor opção de jogada por exceder o número de toques na bola. Não fossem as ótimas entradas dos brasileiros Marcelo e Kaká, talvez o jogo tivesse um destino bastante diferente do visto no estádio Neo GSP.

O jogo

A torcida local desempenhou lindamente o seu papel em Nicósia: cantou, vibrou, se mexeu, incentivou o time da casa, fazendo valer não somente o fator campo como o momento histórico da instituição, pela primeira vez numa fase quartas-de-final em Liga dos Campeões da Europa.

O Real Madrid, superior tecnicamente, fazia circular a bola no campo de ataque de forma a procurar espaços na defesa cipriota. Espaços esses que apareciam raramente, pois estava estabelecida uma muralha amarela para impedir os avanços do time que vestia branco.

Nas vezes em que finalmente conseguiu superar o forte bloqueio da defesa oponente, o time comandado por José Mourinho esbarrou no grego Chiotis, que mostrou eficiência tanto na bola aérea quanto nas finalizações a gol, rebatendo remates frontais e mantendo o placar zerado.

Gonzalo Higuaín parecia esmagado na defesa do Apoel e raramente aparecia para o jogo. Quem muito se movimentava era o firulento Cristiano Ronaldo e o esforçado Karim Benzema, que freqüentava majoritariamente o flanco esquerdo - mas foi na posição de centroavante que acabou perdendo gol feito.

Veio o segundo tempo e Mourinho parecia não perceber que não seria com aquela formação que seus jogadores conseguiriam transpôr o sistema defensivo de Jovanovic. E o jogo só não era mais interessante porque, quando tinha a bola consigo, o Apoel não mostrava muita idéia do que fazer de produtivo com ela.

Aos dezoito minutos, foram a campo dois brasileiros que se tornariam peças-chave na construção da vitória do Real Madrid: o lateral-esquerdo Marcelo (saiu Fábio Coentrão) e o meio Kaká (Higuaín deixou o jogo). Do lado do Apoel, Jovanovic pareceu bem-intencionado ao trocar Hélio Pinto por Esteban Solari, provavelmente visando dar maior aproximação a Aílton, que participava pouco porém muito bem quando acionado no ataque. Só que foi dois minutos após essa mexida que o Apoel sofreu o 1º gol: Kaká recebeu de Marcelo pela esquerda e colocou na cabeça de Benzema, que finalizou de peixinho para abrir o placar.

Oito minutos depois de marcar 1a0, viria o segundo gol em nova jogada envolvendo Marcelo e Kaká: avançando pelo flanco esquerdo, Marcelo parecia sofrer pênalti na arrancada em direção à linha-de-fundo mas foi premiado com seu esforço de manter a bola em jogo, tocando atrás e encontrando Kaká, que completou para a rede. Mourinho ainda trocou Nuri Sahin (que atuou bem, principalmente no primeiro tempo) por Esteban Granero, aos trinta e oito. No final, ainda houve tempo e condição para que Benzema marcasse o seu segundo no jogo, o terceiro do Real: Cristiano abriu na direita com Mesut Özil e o camisa 10 deu lindo passe de três dedos, em assistência aproveitada pelo atacante francês Benzema, um dos destaques na partida.

O Apoel e seus vibrantes torcedores não devem se abater com o resultado: devem, isto sim, lembrar da data de hoje com muito carinho. E os jornalistas esportivos brasileiros que disseram que o Real Madrid se classificou com este resultado (caso de Paulo Vinícius Coelho) ou até que o Real já garantira classificação no momento do sorteio do confronto (caso de Mauro Cezar Pereira) devem rever suas posturas nas transmissões televisivas. PVC, a quem admiro pelo vasto conhecimento futebolístico, parece ter confundido o regulamento da Liga dos Campeões com o da Copa do Brasil, onde vitória do visitante por mais de um gol de diferença anula a partida de volta. Mauro Cezar, também da ESPN, foi pior: faltou com respeito ao Apoel, instituição que, se fosse uma pessoa física, teria idade para ser pai ou mesmo avô do comentarista. E, provavelmente, o teria colocado de castigo.

Outro resultado

Benfica 0a1 Chelsea

Amanhã jogam Olympique de Marselha e Bayern de Munique, na França, e Milan e Barcelona, na Itália.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Às Quartas Da Liga Dos Campeões Da Europa

Sobraram oito clubes na mais forte competição européia de futebol profissional. Entre os dias 27 e 28 de março (jogos de ida) e 3 e 4 de abril (partidas de volta), serão travados oito duelos envolvendo sete países diferentes (a Espanha é o único país com dois representantes nessa fase).

Vamos nesse espaço abordar cada um desses encontros e dar um palpite sobre o que achamos que poderá acontecer ao término dos 180 minutos - ou, quem sabe, até mais...

Apoel e Real Madrid
A maior surpresa nessa edição de Liga dos Campeões vem do Chipre. Líder no grupo G (que tinha também Zenit, Porto e Shakhtar Donetsk), o time comandado pelo sérvio Ivan Jovanovic tem campanha marcada pela economia. Economia tanto nos gols marcados quanto nos sofridos (foram 6 feitos e 6 tomados na fase de grupos, além de uma vitória e uma derrota pela contagem mínima no duelo eliminatório com o Lyon, na fase oitavas-de-final). No elenco, há meia dúzia de brasileiros (os defensores Kaká, Marcelo Oliveira e William, o meio-campista Marcinho e os atacantes Aílton Almeida e Gustavo Manduca). Para continuar fazendo história no Velho Continente, a missão é duríssima: passar pelo tradicional Real Madrid, dirigido desde a temporada passada pelo perspicaz português José Mourinho, campeão na competição quando treinador da Internazionale, em 2009-10. O Real não atravessa o seu melhor momento no ano, vindo de dois empates consecutivos no Campeonato Espanhol e vendo uma diferença de dois dígitos perante o Barcelona cair para apenas seis pontos. Mas o time que conta com os brasileiros Marcelo e Kaká é franco favorito para o duelo e tem toda a responsabilidade de avançar para a fase semifinal. Pitaco: avança o Real Madrid.

Benfica e Chelsea
Esse me parece ser o duelo mais equilibrado dos quatro sorteados nessa fase. Vice-líder no Campeonato Português a apenas um ponto do Porto, os Encarnados chegaram até aqui após liderarem um grupo que jogou o Manchester United para a Liga Europa e passarem, nas oitavas, pelo Zenit. Aliás, a única derrota da equipe portuguesa foi justamente na partida disputada em São Petersburgo. O desafio do time comandado por Jorge Jesus é complicado: o forte time do Chelsea, que parece ter ganho novo ânimo na temporada após a demissão do recém-contrado André Villas-Boas, também lusitano. Roberto Di Matteo assumiu o comando e a equipe passou pelo Napoli após partida antológica em Stamford Bridge, definida na prorrogação. Fora da disputa pelo título inglês, os Azuis estão a cinco pontos da zona de classificação para a próxima Liga dos Campeões. Mas, como já se sabe, a obsessão do presidente do clube, o russo Roman Abramovich, é o torneio europeu, que seria uma conquista inédita para os londrinos. Pitaco: avança o Chelsea.

Olympique de Marselha e Bayern de Munique
O Olympique Marseille chega até esse estágio com uma trajetória heróica. Na fase de grupos, a classificação deu-se na sexta e última rodada, com uma virada pra cima do Borussia Dortmund, na Alemanha, depois de estar perdendo por 2a0. Na fase oitavas-de-final, o time comandado por Didier Deschamps ia vendo o jogo migrar para a prorrogação no estádio Giuseppe Meazza, mas Brandão, que estava no banco de reservas, entrou e marcou para os visitantes, nos acréscimos (ainda houve tempo para o goleiro Mandanda, autor da assistência, cometer pênalti e ser expulso de campo, com direito a gol de Pazzini na cobrança antes do apito derradeiro). Só que o momento do OM não é dos melhores: a equipe soma sete derrotas consecutivas (entre elas esse 2a1 Inter, que teve sabor de vitória). E o oponente será um time que atravessa fase extraordinária: o Bayern de Munique, equipe da semana no blógui. Líder no grupo A (o mais forte nessa edição de Liga dos Campeões da Europa, com Napoli, Manchester City e Villarreal), o time comandado por Josef Heynckes arrasou o Basel no jogo de volta nas oitavas-de-final e parece disposto a passar o Borussia na Bundesliga. E tem uma motivação a mais para tentar o título continental nessa temporada, pois o palco da final é justamente o estádio do clube, a Allianz Arena. Pitaco: avança o Bayern de Munique.

Milan e Barcelona
Sem a menor dúvida, esse é o emparelhamento mais forte na fase quartas-de-final nessa atual edição de Liga dos Campeões da Europa. Duas instituições com camisas de peso no cenário internacional, mas que caminham em vias distintas. Enquanto o Milan, comandado por Massimiliano Allegri, vem se acostumando a atuar focado na marcação, o Barça, de Josep Guardiola, encanta o mundo com um estilo de jogo exuberante, de valorização da posse de bola como prioridade. As duas equipes se encontraram na fase de grupos, e aqui no blógui você pode relembrar como foi o duelo em San Siro, vencido pelos visitantes. O Milan lidera o Campeonato Italiano com quatro pontos a frente da Juventus e tem boas chances de conquistar o bicampeonato nacional. O Barcelona, seis pontos atrás do Real Madrid no Campeonato Espanhol, pode, logicamente, ultrapassar os merengues. Mas o foco para ambos os clubes é a Liga dos Campeões. E, num duelo entre dois gigantes, vale aquela máxima: "tudo pode acontecer". Pitaco: avança o Barcelona.

Nas semifinais, a chave de Apoel e Real cruza com a de Olympique e Bayern, enquanto a de Benfica e Chelsea encontra a de Milan e Barcelona. Sem mais pitacos por agora.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Em Bom Jogo, Real Madrid Consegue Vencer O Dínamo Em Zagreb: 1a0

Um público de 27.055 presentes no estádio Maksimir, em Zagreb, testemunhou uma bela partida de futebol. Os donos da casa conseguiram pressionar os madridistas nos primeiros minutos de cada tempo, mas no geral, prevaleceu a superioridade técnica da equipe da capital espanhola, que venceu por 1a0 (gol do argentino Ángel Di María) e só não conseguiu um resultado de maior saldo de gols porque o goleiro croata Ivan Kelava atuou em grande nível, sendo um dos destaques do jogo.

O jogo

Com a velocidade do brasileiro Sammir (que está para se naturalizar croata, a exemplo do que fez o atacante Eduardo da Silva), a interessante visão de jogo de Jerko Leko e a referência de Ante Rukavina entre os zagueiros merengues, a equipe do Dínamo Zagreb deixou fluir o empurrão vindo das arquibancadas e mandou-se ao ataque pra cima do Real Madrid, detentor de nove títulos de Liga dos Campeões. Só que o ímpeto inicial do valente time da casa - que retornava à competição após doze anos de espera - foi aos poucos sendo esmagado pelo toque de bola da equipe visitante, que tinha no português Cristiano Ronaldo e no francês Karim Benzema as duas opções mais interessantes no campo ofensivo. Benzema descolou duas finalizações de muito perigo, com direito a um chute que carimbou o travessão. Mas as chances mais agudas ainda estavam por acontecer, e cada time teve a sua. O Real, com Benzema escapando de três marcadores, poderia ter aberto o placar aos vinte e oito minutos, mas Ivan Kelava foi simplesmente espetacular para defender dois chutes em seqüência - o primeiro com a perna e o segundo com um tapa com a luva esquerda, quando ainda se levantava do chão após a intervenção anterior. Já o Zagreb poderia sair na frente quando Rukavina recebeu belo passe de Leko nas costas do português Pepe, avançou de frente com o goleiro Iker Casillas, mas não conseguiu chutar por cima do arqueiro espanhol, que soube sair do gol para bloquear a finalização.

Os times voltaram com as mesmas formações e o jogo teve um andamento semelhante ao visto no primeiro tempo: o Dínamo começou atacando mais, mas o Real foi, gradativamente, passando a dominar as ações. E o gol saiu aos sete: o brasileiro Marcelo, figura que aparecia constantemente no ataque, passou para Di María e o argentino finalizou certinho, mandado perto do ângulo direito. Mas Marcelo mancharia sua apresentação minutos mais tarde: aos vinte e quatro, o lateral esquerdo deu entrada dura em Leko e poderia ter sido expulso pelo excesso de força na disputa - mas o árbitro norueguês Svein Oddvar Moen optou pelo cartão amarelo. Só que três minutos depois não teve jeito: Marcelo se apresentou na área, atirou-se na grama e veio o segundo cartão de mesma cor, dessa vez por simulação, e o jogador ex-Fluminense deixava o Real Madrid com um homem a menos.

O Dínamo até tentou tirar proveito da vantagem numérica para buscar o empate, mas as substituições de José Mourinho (se bem que quem estava no banco era seu assistente, Aitor Karanka) reequilibraram o sistema defensivo merengue, que mesmo assim passou alguns sustos até o final da partida.

Com o empate entre Ajax e Lyon, 0a0, em Amsterdã, o Real Madrid lidera o grupo D com 3 pontos enquanto o Dínamo Zagreb aparece na lanterna com zero. Na próxima rodada, os croatas vão até a França enfrentar o Lyon, enquanto os espanhóis recebem o Ajax no estádio Santiago Bernabéu.

Nos palpites dados antes dos jogos, o blogueiro acertou somente três: o empate entre Benfica e Manchester United (1a1), a vitória do Basel sobre o Otelul Galati (2a1) e a vitória do Bayern de Munique sobre o Villarreal (2a0). De resto, tivemos empates entre Manchester City e Napoli (1a1), Lille e CSKA Moscou (2a2) e Ajax e Lyon (0a0). Mas o mais surpreendente ficou para Milão, onde o Trabzonspor derrotou a Internazionale por 1a0. Será que vai chover granizo no deserto do Saara? Quem leu o tópico anterior sabe o motivo da pergunta...