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domingo, 23 de agosto de 2020

Num Mundo Que Chora Mortes Na Pandemia, Bayern É Incontestável Campeão Continental

Manuel Neuer levanta a taça: o Bayern de Munique é pela sexta vez o campeão europeu. Foto: Reuters/Matthew Childs/Pool.
 

É um mundo diferente daquele de menos de um ano atrás. E uma rápida olhada para a Liga dos Campeões da Europa ajuda a ter a noção do quanto as coisas se modificaram em questão de meses.

Olhe para o estádio que sediou a final do maior torneio de clubes europeus de futebol: ninguém nas arquibancadas. Felizmente, ninguém nas arquibancadas, pois se houvesse aglomeração, seria uma gigantesca negligência em tempos de pandemia viral.

O coronavírus (SARS-CoV-2 ou COVID-19) foi, sem nenhuma dúvida, o elemento que mais marcou essa edição da UEFA Champions League. Há quem diga (inclusive infectologistas) que o confronto entre Atalanta e Valência, na cidade italiana de Milão, em 19.02.2020, foi uma bomba viral. Explica-se: a Itália vinha somando muitos casos de infecção e morte no norte do país e, com o deslocamento de dezenas de milhares de torcedores desde a cidade de Bérgamo (cidade sede da Atalanta) até Milão (local do jogo), é bastante provável que naquele momento estava sendo levado o coronavírus para uma nova região do país. As semanas que sucederam o jogo deram a dimensão da tragédia, com a Itália se tornando o epicentro europeu de contágios e mortes. Cenário que veio a atingir, também, a Espanha, país onde ocorreu o jogo de volta entre aquelas duas equipes: a Atalanta venceu novamente e celebrou a classificação (sabe-se lá espalhando quantas gotículas carregadas de vírus entre os dois países)...

Mas, evidentemente, não há que se responsabilizar um único confronto futebolístico pela enormidade das mazelas. Os maiores responsáveis pelos danos causados são os chefes de governo que fazem pouco caso do isolamento social. São aqueles que bradam que "a economia não pode parar" (como se o capital tivesse vida e a vida fosse desprovida de qualquer sentimento). Enfim, aqueles que sobreviveram, puderam assistir o Bayern de Munique campeão europeu pela sexta vez em sua história. Um título que é esvaziado pelo momento de dor que vive a humanidade (somente mentes de psicopatas podem achar que este ano de dois mil e vinte é como outro qualquer). Mas, ainda assim, há que se dizer: parabéns ao Bayern pela espetacular campanha na competição, tendo vencido todas as partidas disputadas - antes e durante o coronavírus. Foram 43 gols em 11 jogos. E uma atuação maiúscula na final, quando superou a qualificada equipe do Paris Saint-Germain por 1a0, gol de Coman (que é cria do PSG), e com grandes atuações de Neuer e Thiago Alcântara. Ainda assim, certamente, a partida que mais será lembrada nessa trajetória épica terá sido a implacável goleada de 8a2 sobre o Barcelona, na fase de quartas de final, nove dias antes de levantar o troféu, também em Lisboa, também com portões fechados ao público.

Que a festa esportiva seja feita com responsabilidade na Alemanha e em qualquer lugar. Há, nesse momento, famílias em luto. Pessoas que trocariam o êxito do seu time por simplesmente poder voltar ao convívio de seus entes queridos. Vidas que economia nenhuma poderá trazer de volta.

terça-feira, 21 de abril de 2015

É Lindo De Se Ver - Bayern Avança Dando Espetáculo

Foto: Getty Images.
Existem personalidades no futebol das quais jamais é recomendável duvidar de suas capacidades. Por mais que no jogo de ida sua equipe possa ter se apresentado de maneira abaixo do que se espera. Por mais que sua equipe entre em campo desfalcada de quatro jogadores considerados titulares. Por mais que sua equipe se veja na obrigação de vencer por 2a0 ou pelo menos três gols de diferença para avançar num torneio altamente competitivo. Por mais que se noticie a existência de uma crise interna no clube, culminando com a saída de um profissional da área médica que tinha décadas de vínculo com a instituição. Por mais ou por menos. Quando estamos falando de alguém da competência e do talento de Josep Guardiola, jamais é recomendável duvidar de suas capacidades.

A goleada do Bayern de Munique sobre o Porto nesse vinte e um de abril de dois mil e quinze - feriado de Tiradentes no Brasil - serve como mais um exemplo de aula de futebol proporcionado por um time comandado por Pep. O Porto, por mais inferior que possa ser se comparado ao Bayern, não tinha muito o que fazer a não ser assistir cada lição ensinada na Baviera. Entre tantas belas jogadas, gols construídos com posse de bola, infiltração, triangulação, troca de passes de primeira, entre tantas outras diversificações, foram ingredientes que valorizaram a vitória, valorizaram a classificação e, melhor que tudo isso, valorizam o esporte futebol.

Por isso, um registro, mais um registro, de agradecimento ao Guardiola por proporcionar momentos como esse ao amante do futebol arte. O placar em si (6a1) chega a ser o menos relevante. Se tivesse terminado 2a0, já estava tudo certo. O mais importante mesmo é sermos agraciados com um desempenho de tão alto nível agora e, se os deuses do futebol permitirem, nas próximas fases da Liga dos Campeões da Europa. As quartas-de-final na UCL nem terminaram mas já estou na expectativa da semi. Lembrando que, esse ano, a final será em Berlin, capital alemã.

Alguém duvida do Bayern?

sábado, 18 de abril de 2015

Borussia, Bayern E Bundesliga - Como Não Se Deliciar?

Fazia tempo que não assistia jogos no Campeonato Alemão, mas a liberação de sinal dos canais ESPN me possibilitou degustar um pouco da liga nacional com maior média de público no planeta Terra: a Bundesliga, que leva mais de 43000 espectadores ao estádio por partida.

Enquanto o Borussia Dortmund recebia o Paderborn no sempre lotado Signal-Iduna-Park, o Bayern de Munique visitava o Hoffenheim na Wirsol Rhein-Neckar-Arena. 80667 presentes em Dortmund, 30150 em Sinsheim e uma média, nesses dois jogos, de mais 55000 presentes. Presentes para o jogo, para a transmissão, para o entretenimento. O talento e a qualidade técnica do Borussia de Jürgen Klopp e do Bayern de Josep Guardiola, outros presentes.

Na alternância entre canais, pude ver o Bayern tocar a bola quase como aquele Barcelona do mesmo Pep Guardiola (enquanto digito isso, o Nice empata com o Paris Saint-Germain). Rode abriu o placar em lance de fazer lembrar Robben: se o experiente careca camisa 10 holandês, exímio na relação de sua perna esquerda com a bola, estava ausente do jogo, o jovem e também careca, porém alemão e camisa 20, trazia para a perna direita e mandava a bola na gaveta.

Foto: Getty.
O Hoffenheim até poderia empatar, mas a arbitragem chefiada por Tobias Stieler ignorou pênalti de Rode em Polanski. Se o torcedor do Hoffenheim se preocupava com o árbitro, o do Bayern ficava tenso quando Dante tocava na bola. E também quando não tocava, como quando deixou ela passar e permitiu finalização de Modeste frente a frente com o goleiro. Só que com o goleiro Neuer, né? E o excepcional arqueiro salvou a equipe e o Dante.

Se o Bayern foi ao intervalo com o 1a0 a seu favor, o Borussia não conseguiu mexer no placar diante de seus torcedores. Mas conseguiu deslanchar no segundo tempo. Após cruzamento de Aubameyang, Mkhitaryan abriu o placar com cabeceio certeiro. Sete minutos depois, aos nove, o próprio Aubameyang ampliou. Aos trinta e cinco, com o jogo dominado, Kagawa recebeu de Mkhitaryan, aproveitou descuido da defesa e apenas tirou do goleiro Kruse para marcar o terceiro.


Imagem extraída da página Borussia Dortmund, na rede social Facebook.
Mkhitaryan, Aubameyang e Kagawa comemoram seus gols na goleada do Borussia Dortmund sobre o Paderborn: já vai batendo uma saudade do Klopp, que afirmou estar de saída da equipe.

Já o Bayern, se sustentava com o 1a0. Placar que não deixava a vitória segura. Até que, nos acréscimos, Müller carregou a bola pela direita, cruzou rasteiro e contou com a colaboração do capitão adversário - Beck empurrou para a rede uma bola que não seria alcançada por ninguém do Bayern na grande área. 2a0. É esse o placar que o Bayern vai procurar diante do Porto na Allianz Arena, pela Liga dos Campeões, na próxima semana. E eu vou procurar continuar aproveitando partidas que forem transmitidas pela Bundesliga.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Bye, Bye, Bayern

A definição do primeiro finalista na Liga dos Campeões da Europa 2013-4 trouxe uma grande surpresa. Não que o Real Madrid passar pelo Bayern de Munique seja algum absurdo, mas fazendo 4a0 na Allianz Arena?

Pep Guardiola não conseguiu repetir o desempenho de seu antecessor Jupp Heynckes. Se na temporada passada o Bayern atropelou o Barcelona nas semifinais, dessa vez foi um time espanhol que castigou os alemães. Curiosamente, também no ano passado o Real Madrid havia caído nessa mesma fase no torneio levando uma sapecada do também alemão Borussia Dortmund.

Pelo menos uma conclusão dá pra tirar desses dois eventos (o sucesso do Bayern de Heynckes sobre o Barça e o fracasso do Bayern de Guardiola diante do Real Madrid): o jogo de velocidade com marcação adiantada e saída objetiva nos contra-ataques encaixa bem no modelo de intensas trocas de passes. Em outras palavras, para defrontar a escola barcelonista-guardioliana, não é necessário (nem viável) jogar na retranca, no feitio de José Mourinho. Carlo Ancelotti mostrou-se superior ao seu antecessor de Real Madrid, pois conseguiu encarar um estilo de jogo imponente de uma maneira eficaz sem abdicar do ataque.

Talvez o maior adversário do Bayern nem tenha sido o fortíssimo Real, mas o próprio Bayern. O incentivo de Pep para o time "jogar com agressividade" não parece ter sido assimilado ou, pelo menos, bem compreendido. Alemães costumar ser frios, estratégicos, disciplinados. Agressividade, no primeiro tempo, foi confundida com violência. Poderia até ter pintado um cartão vermelho para Dante, por carrinho imprudente em Cristiano Ronaldo. Aproveitando-se de erros de marcação dos donos da casa na bola parada, Sérgio Ramos marcou duas vezes e encaminhou a classificação. Num contra-ataque à la Bayern de Heynckes, Modric acionou Bale, que serviu Cristiano. O português aproveitou. Se ele agradeceu? Que nada, comemorou egocentricamente celebrando o recorde pessoal de quinze gols numa edição de UCL. Este é Cristiano: grande talento e um ego ainda maior.

No segundo tempo, o Bayern desenvolveu seu jogo na busca pelo improvável que o avançar dos minutos iam tornando impossível. A entrada do ótimo Götze aumentou a qualidade da equipe no meio-campo (Ribèry e Müller não renderam, restando saber até que ponto por influência da tal proposta de "agressividade"). No final, uma cobrança de falta de Cristiano por baixo da saltitante barreira selou a goleada merengue.

Vindo quem vier - Atlético de Simeone (clássico local) ou Chelsea de Mourinho (imagina só...) -, Ancelotti terá de conviver com o favoritismo na decisão de 24 de maio. Do jeito que o italiano é cascudo e vencedor, deve nesse momento estar tranqüilo e calmo, pronto pra mais uma. Se alguém ainda achava que faltava ao italiano ex-Milan, Chelsea e PSG
provar algo no futebol, acho que esse 29 de abril deixou um ponto final. O multicampeão mostrou que o rótulo de retranqueiro, que por tanto tempo o acompanhou, não lhe cabe. Pelo menos não se a idéia for desqualificá-lo.

Observação: a Alemanha pode ter sido a maior vencedora nessa história toda. A julgar pelo maior descanso que jogadores terão com a eliminação do Bayern e levando em consideração o esquema de jogo de Joachim Löw (que mescla um pouco de Guardiola com um pouco de Ancelotti, guardadas as devidas proporções), é bem provável que o técnico alemão tenha o antídoto para defrontar adversários que tenham a tendência de utilizar um estilo mais à exaustão. Seja de posse, seja de contra-ataque, seja de retranca. Pintou o tetra? Aguardemos.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Questão De Coragem

As semifinais na Liga dos Campeões da Europa na presente temporada permitem fazermos comparações entre dois treinadores muito badalados no futebol atual. Um é Josep Guardiola, do qual sou grande admirador. Outro é José Mourinho.

A maior semelhança entre ambos - além da grande quantidade de troféus levantados - está na grafia do primeiro nome: são quatro letras idênticas. Só que se o talento fosse medido dessa forma, poderíamos afirmar que a letra "P" é muito mais poderosa que o acento agudo.

Explicando e comparando. Mourinho e Guardiola viajaram para a capital espanhola. O Chelsea visitou o Atlético no Vicente Calderón e, no dia seguinte, o Bayern enfrentou o Real no Santiago Bernabéu. Tanto os Azuis de Londres quanto o Gigante da Baviera carregam consigo elencos milionários, que em nada devem aos adversários. Vale lembrar que esses dois clubes se enfrentaram na final continental apenas duas temporadas atrás (então treinados por Roberto Di Matteo e Jupp Heynckes). Ou seja, talento é o que não falta nesses plantéis. Saca só o nível: Cech, Neuer, Terry, Boateng, David Luiz, Dante, Lampard, Schweinsteiger, Ramires, Lahm, Willian, Robben, Hazard, Müller, Oscar, Götze, Ribèry, Schürrle, Torres, Mandzukic, Demba Ba, Kroos etc. Com esse material humano, Mourinho e Guardiola podem buscar diversas maneiras de jogar. E a cidade de Madrid viu bem isso.

Na terça-feira, um Chelsea covarde foi montado com uma linha de quatro na defesa (Azpilicueta, Terry, Cahill, Cole) e uma linha de cinco no meio (Willian, Mikel, David Luiz, Lampard, Ramires) e Torres na frente. Na frente e isolado, pois Willian e Ramires mais acompanhavam os laterais oponentes do que se aproximavam do atacante espanhol. Resultado: zero a zero numa partida com poucas emoções. Diria que beirou o entediante. Triste para o esporte.

Já na quarta-feira, outra conversa. O Bayern atuou com a posse de bola e ofensivamente, mesmo diante de um adversário fortíssimo nos contra-ataques (há que se respeitar um time que conta com Modric, Cristiano, Di María e Benzema, além de Bale). Mas covardia não é palavra para o vocabulário de Pep. A equipe atuou com Rafinha e Alaba se apresentando ao ataque de modo a deixar somente Boateng e Dante como autênticos defensores; Lahm e Scheinsteiger encostavam na trinca de meias (Robben, Kroos e Ribèry) enquanto Mandzukic, ao contrário de Torres no dia anterior, tinha com quem conversar. Resultado: um a zero para o Real numa partida repleta de alternativas. Tivemos um jogo. Um grande jogo. Ótimo para o esporte.

No final, os placares na Espanha dão aos times de Diego Simeone e Carlo Ancelotti a vantagem do empate na volta. Teoricamente, melhor para o italiano, que pode perder por um gol de diferença caso marque pelo menos uma vez. Porém, vejo mais possibilidades de sucesso para o argentino. O motivo? Seu adversário é Mourinho. Será muito mais difícil sobreviver ao Bayern de Guardiola. E olha que nem precisa de coragem para afirmar isso: basta ter algum bom senso. Coisa que por vezes falta para aqueles que têm medo.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Resumão Do Mundial De Clubes 2013 - Bayern Campeão, Raja Surpresa

Para não deixar passar em branco, aqui estamos para abordar brevemente o Mundial de Clubes 2013. Torneio que teve uma grande surpresa: o Raja Casablanca, representante do país-sede. Ou seja, único participante que não faturou um título continental.

Estreou na competição vencendo o campeão da Oceania - o Auckland City - por 2a1. Até aí, nada demais, pois o futebol que se joga entre clubes na Oceania carece de tradição (embora recentemente a liga australiana tenha recebido Alessandro Del Piero como jogador, o que por si só já gera um salto de qualidade ou pelo menos de atratividade para a modalidade naquele país). Na fase quartas-de-final, uma vitória sobre o mexicano Monterrey, na prorrogação, surpreendeu bastante gente. E colocou o Raja na reta do Atlético. E deu Marrocos em Marrakech. Uma vitória convincente e justa, por 3a1, acabou com o (mais novo) sonho atleticano. Fez os brasileiros voltarem a pronunciar o nome 'Mazembe'. Um feito histórico para o futebol marroquino.

Então, veio a final. E é hora de falarmos do Bayern de Munique. De Josep Guardiola. O Bayern de Guardiola jogou muita bola. Cometeu erros na defesa, mais até do que se espera de um time bem organizado, mas não pagou caro por isso, pois o Casablanca não estava num dia dos mais inspirados em termos de finalização. Com gols dos brasileiros Dante e Thiago, os bávaros celebraram o tricampeonato intercontinental. Também foi o terceiro troféu mundial de Pep, que havia faturado as outras duas vezes com o Barcelona. Esse casamento entre Bayern e Guardiola começou há menos de um semestre e a verdade é que as expectativas estão lá em cima. É a "máquina vermelha", fortíssima candidata a levantar o caneco na Bundesliga e na Liga dos Campeões da Europa. O que engrandece ainda mais o feito do Raja Casablanca, que conseguiu chances claras para pelo menos forçar uma prorrogação diante do Gigante da Baviera.

O Galo, que assegurou o terceiro lugar após vitória sobre o chinês Guangzhou Evergrande por 3a2 (em jogo de duas viradas, com o último gol saindo nos acréscimos), se despede de Cuca, que vai exatamente para a China. O Guangzhou, que no Mundial venceu o Al Ahly, do Egito, e depois perdeu para o Bayern, é multicampeão naquelas terras. Mas quem está preocupado com isso agora é o Cuca. Ao Atlético, com Autuori, cabe a difícil missão de conquistar novamente a América. Não será simples, mas Cuca já mostrou a este clube qual é o caminho da glória continental. Caminho que o próprio Autuori já percorrera em duas ocasiões. Portanto, cabeça erguida, Galo! E boa sorte do outro lado do mundo, Cuca!

De resto, cabe parabenizar o Raja Casablanca pela surpreendente campanha (sua torcida foi um espetáculo à parte) e parabenizar o Bayern de Munique pelo futebol apresentado, com o padrão Pep de qualidade. Resumidamente, é isso. Até o fechamento desta postagem, o Fluminense não entrou com recurso contra Auckland, Al Ahly, Monterrey, Guangzhou, Atlético, Raja nem Bayern.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Equipe E Jogada Da Semana

O Bayern de Munique fechou sua participação triunfante na Bundesliga 2012-3 com uma vitória por 4a3 sobre o Borussia Mönchengladbach, fora de casa. Nos trinta e quatro jogos na liga nacional, os comandados de Jupp Heynckes alcançaram a incrível marca de noventa e um pontos (vinte e nove vitórias, quatro empates e uma única derrota). Mas o melhor ainda estava por vir. Quer dizer, se é que dá pra ser melhor que isso. No sábado seguinte, vinte e cinco de maio de dois mil e treze, o Gigante da Baviera conquistou o quinto título na Liga dos Campeões da Europa vencendo o Borussia Dortmund por 2a1. E com o belo futebol que acompanhou o time durante praticamente toda a presente temporada. Um presente para os amantes desse esporte. No próximo sábado, o Bayern encerra a temporada com a possibilidade de conquistar a Tríplice Coroa, quando enfrentará o Stuttgart, pela Copa Alemã. Alguém duvida?

Jogada da semana

Para calar muitas bocas e dedos por aí, Arjen Robben, após algumas frustrações em finais, deu a assistência para abrir o placar e marcou ele próprio o gol de desempate para dar ao Bayern de Munique o troféu na Liga dos Campeões Europeus. Caiu em 2010 o mito da Espanha "amarelar" em Copas. Caiu em 2013 o mito de Robben "amarelar" em finais. Aliás, quem entende minimamente de futebol e assiste os jogos (sim, é importante assistir para comentar a respeito), jamais levou aqueles rótulos a sério. Uma baita seleção atual campeã mundial e bi-européia, e um craque de bola, atual campeão na maior competição de clubes do mundo. Cale-se quem puder.

sábado, 25 de maio de 2013

Em Final Sensacional, Bayern É Campeão Europeu Com Robben Decisivo

Ser apaixonado por futebol leva você a acompanhar diversos torneios. E não existe, nesse esporte, um torneio de clubes mais entusiasmante que a Liga dos Campeões da Europa. É lá onde está a maioria dos melhores jogadores do mundo (Ronaldinho já foi campeão, Lucas chegou recentemente, Neymar está a caminho etc). Tenho a felicidade de poder, há mais de uma década, acompanhar quase todas as finais nessa competição. E é por isso que tenho relativa autoridade para dizer o seguinte: Bayern de Munique e Borussia Dortmund fizeram uma das maiores finais européias da história. Ou, pelo menos, a melhor partida final européia que assisti até hoje, vinte e cinco de maio de dois mil e treze.

O título do Bayern é merecido. Merecido, primeiramente, porque tivemos uma arbitragem correta em quase 100% do jogo. Errou por infelicidade ao atrapalhar um ataque do Borussia (Nicola Rizzoli, único italiano em campo, estava na trajetória da bola e sem querer ligou contra-ataque para os bávaros, felizmente não resultando em gol) e errou por falta de rigor (ou mesmo de bom senso) ao não aplicar sequer um cartão amarelo para Franck Ribèry após cotovelada em Robert Lewandowski, em lance de expulsão, pois caracterizou covarde agressão. De resto, sem maiores queixas a Rizzoli e auxiliares. E aí podemos falar de futebol. De futebol do mais alto nível.

Para início de conversa, o jogo teve dois responsáveis para caminhar ao intervalo com o placar ainda zerado: os goleiros Manuel Neuer e Roman Weidenfeller. Nascidos nas respectivas cidades de Gelsenkirchen e Diez, esses arqueiros alemães eram mais intransponíveis do que o Muro de Berlin. Foram defesas estupendas a se perder a conta. E se perdemos a conta das defesas dos goleiros, é sinal que os times finalizaram, chegaram ao ataque, buscaram o gol. E essa é a melhor parte da história: a capacidade dos comandados de Jupp Heynckes e Jürgen Klopp buscarem o gol. Organizados, ligeiros, astutos, entrosados, valentes. Dois times com alma de campeão.

O Borussia começou melhor, ficando menos tempo com a bola mas mais tempo perto do gol adversário. Fruto de uma bem executada marcação por pressão combinada a uma transição ao ataque feita de maneira eficiente e objetiva. O meio-campista Ilkay Gündogan foi talvez o maior responsável por essa exuberante performance aurinegra na aproximação ao ataque, pois o camisa oito esbanjava visão de jogo e dinamismo para cumprir uma função que muitas das vezes é feita por dois jogadores em conjunto. Pois é, Gündogan é daqueles jogadores que valem por dois. Mas, aos poucos, os outros dez jogadores do Bayern foram crescendo no jogo, fazendo com que Neuer aparecesse menos e Weindenfeller passasse a protagonista no primeiro tempo. Como está bem servida de goleiros a seleção alemã! Estimo que nem o lendário Oliver Kahn teria facilidades para assumir a titularidade com esses dois aí em atividade. Excelentes mesmo.

No intervalo de jogo, vi no Tuíter o jornalista Júlio Gomes Filho cornetar Arjen Robben. Situação que exigiu de mim, fã do hábil ponta holandês, uma manifestação. A qual fiz quase prontamente, antes mesmo de o jogo retornar para o segundo tempo. Comentário de Júlio Gomes no microblog: "Robben, você não nasceu para finais de campeonato, amigo". A resposta: (Júlio) Você não nasceu para comentar finais de campeonato, amigo". Veja a tuitada.

Mas a melhor resposta a ele e a todos os demais corneteiros seria dada não por mim, mas por quem melhor poderia fazê-lo: o próprio Robben. Foi dele a assistência para Mario Mandzukic abrir o placar, aos catorze. Oito minutos depois, um tosco e tolo pênalti cometido por Dante em Marco Reus foi convertido por Gündogan, reestabelencendo o empate no placar. Empate que se encaminhava até o apito final, levando o jogo para a prorrogação. Mas eis que, aos quarenta e três, os deuses do futebol premiaram a fera: Robben recebeu, ficou mais uma vez de frente com Weidenfeller e, finalmente, conseguiu superar o ótimo goleiro. Foi com um toque categórico, típico dos craques. Com uma frieza digna de quem nasceu para as finais. Um ponto final num rótulo injusto sobre um dos maiores jogadores da atualidade. Que nasceu, sim, para finais de campeonato. Inclusive para ser campeão. Com gol e assistência.

Wembley foi palco de uma partida épica. Germânica como nunca, a capital inglesa recebeu dois expoentes do bom futebol atual. Heynckes está de saída do Bayern, deixando como herança um elenco forte, funcional e vencedor. Guardiola vai assumir o comando técnico. Ou seja, o Bayern tem tudo para ir daí para melhor. Já o Borussia tem mais é que seguir esse trabalho também maravilhoso de Klopp. Jovem, renovado, ofensivo. É o desenho do futuro do futebol alemão. Uma Alemanha que caminha a passos largos para se tornar uma potência. E com uma diferença daquela Alemanha de décadas atrás: uma potência que, agora, joga futebol. Com tudo isso que vimos em Wembley e ao longo da Liga dos Campeões, com a chegada de Pep ao Bayern e com o trabalho desenvolvido por Joachim Löw na seleção, pode-se afirmar com segurança: a revolução está em curso.

Parabéns, Bayern! Parabéns, Borussia! Parabéns, Robben! Viva o futebol!
Arjen Robben comemora de joelhos: holandês perdeu chances claras no primeiro tempo mas evitou novo vice-campeonato na carreira com performance decisiva na volta do intervalo, levando o Bayern de Munique ao quinto título europeu em sua história.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Lições

A torcida barcelonista cantava a plenos pulmões quando soou o apito final do árbitro esloveno Damir Skomina. Alguns poderão contestar uma ou outra decisão dele e de seus auxiliares nos pouco mais de noventa minutos de jogo, mas o resultado foi incontestável. Um adulto com uma criança flagrados pela transmissão televisiva após o encerramento do jogo (provavelmente eram pai e filho, este seguramente com menos de seis anos de idade) davam o tom do quão especial foi o jogo disputado no Camp Nou. O adulto sorria com a camisa azul-grená do Barcelona, levantando a criança que, com semblante também alegre, exibia a camisa amarela da mesma instituição catalã. A felicidade transcende circunstâncias. É um estado de espírito. Ou "o caminho", como disse Mahatma Gandhi.

Por que, afinal, aquelas dezenas de milhares de pessoas cantavam com força e emoção ao final da partida? Por que aplaudiam seus jogadores? Por que estampavam no rosto um ar de satisfação quase intangível? Por que essas imagens se o time que mobilizou essas pessoas a comparecerem ao estádio na noite de quarta-feira perdeu o jogo por 3a0 e a eliminatória por 7a0? Sim, três e sete! A zero! Será que, de tão acostumados a vencerem partidas e torneios, estes indivíduos não sabem mais expressar o sentimento característico dos derrotados? Como ensinar essa gente a manifestar aquilo que a situação lhes impõe?

Pois acho que não temos nada a lhes ensinar. Temos, isto sim, é muito o que aprender com eles. O Barcelona, dentro de campo, jogou um pouco diferente do habitual. Não foi tão paciente com a posse de bola, não foi tão criterioso para escolher o momento de chutar em gol, nem tão comportado em determinadas divididas de bola. Faltava-lhe Messi, sentado no banco por estar longe das condições ideais de jogo. Uma frustração para imprensa, torcida, elenco catalão. Todos queriam ver o gênio conduzindo o melhor time do mundo a uma virada improvável diante do poderoso Bayern de Munique. O Barça não foi capaz de superar o Bayern. Parou algumas vezes em Neuer e muitas em Javi Martínez, Bastian Schweinsteiger e companhia. Não poderiam supôr que o 0a0 ao intervalo era uma parte das menos amargas da noite. No segundo tempo, Robben (golaço, no melhor estilo Robben de se resolver um lance), Piqué (contra, pois só faz contra quem está na jogada, e Piqué está sempre na jogada) e Muller, o mais centroavante dos meias bávaros, marcaram nos 3a0. Mas voltemos ao "temos, isto sim, é muito o que aprender com eles". Dentro de campo, quem deu aula foi o Bayern. Ponto. Mas nas arquibancadas, se não tivemos nada comparável ao caldeirão que foi montado pelos alemães na partida de ida, ficamos diante de imagens marcantes. Aquele adulto com aquela criança e tantas outras pessoas que ficaram até que seus jogadores deixassem as dependências do campo de jogo e aplaudiram cada um deles, essas dezenas de milhares de pessoas servem de inspiração. Se o futebol nos mostrou hoje que o Bayern é uma máquina e chega à final continental com o Borussia com todo o merecimento possível, os catalães nos mostraram que o Barcelona é muito mais que um clube. Confesso não saber definir o que seja exatamente, e nem tenho essa pretensão. Talvez seja um estado de espírito.
Mosaico de quase cem mil pessoas, onde cartazes e mãos exibem o orgulho catalão. Após o jogo, mesmo com a goleada sofrida e a eliminação, a grande maioria permaneceu no seu lugar e deu linda lição de amor pelo clube do coração.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Bayer(celo)n(a)

 Confirmou-se a expectativa de que seria um grande jogo em Munique. Afinal, o que esperar de Bayern e Barcelona, dois expoentes do que é o futebol na melhor qualidade que se joga hoje? Mas, surpreendentemente, foi praticamente um jogo de um time só. Assistido por milhões de pessoas pela televisão, por milhares de pessoas nas arquibancadas e por um único no gramado: Manuel Neuer, o goleiro que mais foi espectador. Interveio no minuto 61 (16 do segundo tempo) para não mais precisar realizar defesas. Resultado: 4a0 para os donos da casa, que abusaram do jogo aéreo (o "calcanhar de Aquiles" no Barcelona) e, também, do bom futebol, principalmente nos minutos finais.

A próxima partida é na quarta-feira da semana que vem, na Catalunha. Que também será feriado, graças a Deus. É evidente que por se tratar de um jogo envolvendo dois timaços, a margem de diferença obtida pelos bávaros no jogo de ida é expressiva. Quase irreversível. Só não é porque há um Barcelona em campo. E se for aquele Barça que, por exemplo, sapecou 4a0 no Milan, melhor aguardar fortes emoções.

No mais, quero aqui fazer um destaque para a partida jogada hoje na Alemanha. Um não, dois. O primeiro é o golaço do Bayern que foi anotado por Arjen Robben, em jogada iniciada por Franck Ribéry, que deixou o Lionel Messi sentado. Pintura do início ao fim. O outro destaque envolve dois desses três jogadores citados: os camisas 10 Robben e Messi. Dois craques que honram como pouquíssimos esse número simbólico no uniforme futebolístico. Enquanto o holandês voou calçando chuteiras, o argentino pouco participou. Só que ambos buscaram jogo, nenhum deles se escondeu. O desempenho de Robben foi facilitado pela melhor engrenagem ofensiva do Bayern, enquanto os parceiros de Messi, embora tivessem mais a bola, raramente conseguiam uma dinâmica capaz de os desvencilhar da marcação adversária. E o agravante: Messi estava longe de sua melhor forma física, recuperando-se de uma contusão que ocorreu em Paris, pela fase quartas-de-final, diante do Paris Saint-Germain. Messi, que tão raramente se machuca. Enquanto Robben, que tem uma carreira perseguida por contusões, parece estar mais em forma do que nunca. E levanta aquela dúvida cruel: até onde poderia ir se não fosse o acúmulo de lesões?

Que os dois estejam 100% para a partida de volta. E que, o que se classificar, esteja 100% na grande final em Wembley.  O futebol fica 100% agradecido.
Após cobrança de escanteio mágica de Robben, Muller ajeita de cabeça para conclusão de Gómez: Bayern marcava 2a0, em gol irregular. Mais tarde, o terceiro gol da equipe anfitriã também se daria com ocorrência polêmica, pois Muller obstruíra passagem de Alba - gol de Robben.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Equipe E Jogada Da Semana

A doce rotina das vitórias foi coroada nesse sábado com o título na Bundesliga 2012-3. É isso mesmo, com 6 rodadas de antecipação o Bayern de Munique é campeão alemão!

Para se ter uma idéia da maravilhosa sequência bávara, o time comandado por Jupp Heynckes venceu todos os jogos disputados em 2013, com exceção de um, diante do Arsenal, em partida onde o resultado de ida "permitiu" a derrota por 2a0. Ou seja, uma derrota com sabor de... vitória.

O gol de letra de Bastian Schweinsteiger deu a vitória sobre o Eintracht Frankfurt, fora de casa, selando o caneco nacional e podendo ser o primeiro passo para uma inédita Tríplice Coroa. Pela Liga dos Campeões da Europa, o Bayern venceu a Juventus por 2a0 na última terça-feira e, caso marque gol em Turim, se classificará para a semifinal mesmo perdendo por até dois de diferença.

Aplausos para esse belíssimo time que tem tudo para ficar ainda melhor na próxima temporada, pois Josep Guardiola já foi anunciado.

Jogada da semana

Finalização digna dos gênios. Com vocês, Ronaldinho Gaúcho em ação com a camisa do Clube Atlético Mineiro, que goleou o Arsenal por 5a2 pela 5ª rodada na fase de grupos na Copa Libertadores da América 2013.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Arsenal Consegue Vitória Em Munique, Mas Bayern Avança

Os três minutos de acréscimo nessa partida de volta deram o tom do que o futebol é capaz de proporcionar. Não, não aconteceu nenhum gol nesse período. Lance polêmico, nada disso. Na realidade, dá para se dizer que não houve jogo nesse período. E é exatamente aí que está a surpresa.

Bayern de Munique e Arsenal são duas das equipes que mais se dedicam ao ataque, a um jogo marcado pela ofensividade e dedicação em aproximar a bola da área adversária a todo momento. São possivelmente os dois clubes mais fáceis de se comparar ao modelo-Barcelona.

Na partida de ida, em Londres, o Bayern conseguiu uma contundente vitória por 3a1, dando a entender que a eliminatória estaria resolvida, faltando apenas "cumprir tabela" no estádio Allianz Arena. Seria até covardia, pois os bávaros detém invencibilidade de respeito nesse campo.

Mas, não é demais lembrar, é de futebol que estamos falando. Com menos de três minutos, os visitantes marcaram um a zero em jogada belíssima, de toque de bola pelo chão em velocidade, chegando a Walcott através de Rosický e terminando na conclusão de Giroud.

O Arsenal, apesar do belo início, ainda precisava de mais dois gols para passar a frente. E levou um sufoco do Bayern em alguns momentos, com Robben, Kroos, Muller, Lahm e Luiz Gustavo se apresentando bastante. O volante brasileiro, por sinal, fez grande partida no geral.

Mas o Arsenal resistiu. Ora graças ao goleiro Fabianski, ora devido à falta de capricho da equipe anfitriã. Por vezes, o Bayern parecia um time displicente. Mas, quando avançava, conseguia ser envolvente. Há que se respeitar esse forte conjunto comandado hoje por Heynckes e futuramente por Guardiola.

O desacreditado Arsenal, por sua vez, mostrou não estar em Munique a passeio. Gervinho entrou muito bem no jogo e protagonizou jogada maravilhosa aos trinta e três minutos do segundo tempo, com o lance quase resultando no segundo gol.

Talvez você esteja pensando como uma partida como essa pode ter terminado com os acréscimos relatados no parágrafo inicial. É que, aos quarenta minutos, a classificação-de-véspera do clube da Baviera foi colocada em risco: Cazorla caprichou na cobrança de escanteio e Koscielny fez 2a0.

O Bayern não queria que a bola voltasse ao Arsenal de jeito nenhum, com Neuer segurando a redonda perto da rede e retardando a reposição em meio-campo, que por sinal pertencia ao seu próprio time. Uma confusão se iniciou e logo acabou. O jogo tinha que continuar.

E continuou, com o ótimo Bayern de Munique prendendo a bola no campo de ataque, mais precisamente no canto direito, perto do vértice de escanteio, através do controle e habilidade de Robben. E o apito final acabou sendo um alívio aos alemães.

O Bayern, que pode e deverá jogar mais que isso, avança para as quartas-de-final. O Arsenal, que concentra seus esforços na Premiership, talvez tenha encontrado ali mesmo, na Alemanha, a força e a confiança que precisa para arrancar em direção ao 4º lugar na tabela e retornar na próxima Liga dos Campeões. Mas uma lição fica: em futebol, não se ganha de véspera.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Equipe E Jogada Da Semana

Vitória, vitória e mais vitória. Gols, muitos gols. Palavras que estão sendo rotina no Bayern de Munique - e há muito mais do que uma semana. Para se ter uma idéia, a equipe comandada por Jupp Heynckes vem de treze vitórias consecutivas na temporada, incluindo aí todas as competições a que se tem direito. Uma sequência que começou em 2012 e que parece não ter data para terminar. E se formos falar em invencibilidade, então tratam-se de vinte e cinco partidas sem derrota.

Líder soberano na Bundesliga 2012-3, o Bayern aplicou uma goleada de 6a1 no último sábado, diante de um Werder Bremen que pouco poderia fazer, ainda mais jogando o segundo tempo inteiro em desvantagem numérica. Mas o maior resultado bávaro na semana nem foi esse. Na terça-feira, dia dezenove de fevereiro, pela fase oitavas-de-final na Liga dos Campeões da Europa, a equipe encarou o Arsenal e saiu do Emirates Stadium com uma contundente vitória por 3a1.

O próximo compromisso da equipe na temporada é pela fase quartas-de-final na DFB Pokal: enfrenta o Borussia Dortmund, na quarta-feira. São as duas equipes de melhor campanha na liga nacional, mas o momento do Bayern é tão positivo e o time parece tão encaixado que não é nenhum exagero apontá-lo como favorito à classificação. E pensar que na próxima temporada Pep Guardiola vem aí...

Jogada da semana

Houve gols plasticamente mais bonitos do que esse que aqui se analisa. Mas sem dúvida alguma, a jogada envolvendo Niang, El Shaarawy e Muntari tem alguma coisa de emblemática. E há pelo menos duas razões que levam a essa conclusão: [1] por se tratar do Milan de Massimiliano Allegri, equipe carente de grandes jogadas coletivas como essa; e [2] por se tratar de um duelo diante do Barcelona, isto é, fazendo uma linda linha-de-passe diante de um adversário que é especialista nisso.

No clássico com a Internazionale, El Shaarawy, autor da assistência nessa jogada aqui abordada, marcou um golaço para abrir o placar, chutando com a parte externa do pé. Poderia ser a jogada da semana. Mas pelos dois motivos expostos no parágrafo anterior, vamos ficar com a jogada do Milan pra cima do Barça, marcando 2a0 no jogo de ida pela fase oitavas-de-final na Liga dos Campeões da Europa, em partida realizada na quarta-feira, dia vinte de fevereiro de dois mil e treze.

sábado, 19 de maio de 2012

Chelsea Cala Bayern Em Munique E Conquista Inédita Liga

Os deuses do futebol capricharam na noite desse sábado em Munique, Alemanha. Depois de despacharem os favoritos Barcelona e Real Madrid na fase semifinal, Chelsea e Bayern duelaram pelo título europeu no estádio dos bávaros - a partida, emocionante, só foi definida nos pênaltis.

E a disputa por pênaltis foi justamente o último dos caprichos promovidos por essas entidades ocultas que atuam governando os acontecimentos futebolísticos. Nunca antes na história das competições européias o Bayern de Munique havia sido derrotado nessas condições (ganhou todas as quatro vezes anteriores). Nunca antes na história das competições européias o Chelsea havia sido vencedor nessas condições (perdeu nas duas vezes anteriores). Então, passando por cima de qualquer prognóstico que olhasse para o passado estatístico, deu Chelsea nas penalidades.

Para dar ainda mais emoção, o Bayern esteve em vantagem nas penalidades, pois converteu suas primeiras cobranças e viu o goleiro Manuel Neuer defender o chute de Juan Manuel Mata. Mas no final das contas, brilhou a estrela de Petr Cech e de Didier Drogba: o goleiro tcheco evitou que os remates de Ivica Olic e Bastian Schweinsteiger encontrassem a rede. E coube ao aplicado atacante marfinense a cobrança derradeira, para sacramentar o título inédito dos Azuis de Londres.

Mas, como alertado no segundo parágrafo, esse desfecho em disputa por pênaltis foi o último dos caprichos proporcionados pelos deuses do futebol. Antes disso, quiseram eles que o holandês Arjen Robben, ex-jogador do Chelsea e um dos melhores em campo nessa final em Munique, desperdiçasse uma cobrança de pênalti em plena prorrogação - Cech defendeu. E sabe quem havia cometido a infração? Drogba, derrubando Frank Ribèry na grande área. O mesmo Drogba que, heróico diante do Barcelona, havia cometido pênalti no Camp Nou (para sua sorte e do Chelsea em geral, Lionel Messi mandou no travessão naquela ocasião).

Agora acreditem: esse cenário de Drogba cometendo pênalti em Ribèry, Robben cobrando e Cech salvando o Chelsea não foi o primeiro dos caprichos da noite. E me atrevo a dizer que o primeiro deles foi justamente o mais relevante, embora para muitos possa vir a passar despercebido. Para mim não - aquilo que aconteceu nos últimos minutos do segundo tempo de jogo fica registrado na história do futebol como um castigo a um time que preferiu focar na marcação em vez de ousar encontrar o segundo gol. Aos trinta e sete minutos, Thomas Müller completou o cruzamento de Toni Kroos e teve a felicidade de cabecear com precisão, para o chão, tirando do ótimo Cech. 1a0 Bayern, fazendo explodir em alegria uma torcida que ficou a maior parte do tempo apreensiva com os acontecimentos que sucediam naquele estádio tão familiar. Pois então, estava tudo se encaminhando para um título histórico, dentro de casa. Mas o treinador Jupp Heynckes vacilou naquilo que tange a fidelidade a um jeito de jogar bola, a uma proposta de jogo. Viu Roberto Di Matteo trocar Salomon Kalou por Fernando Torres e decidiu mexer no Bayern tirando Müller para colocar Daniel van Buyten. A fatídica substituição pode não ser a responsável direta pelo empate do Chelsea, em inapelável cabeceio de Drogba após cruzamento de Mata, no primeiro escanteio de um time que via o outro ter cobrado pelo menos catorze vezes um córner naquele jogo. Mas foi emblemática. Foi uma resposta dos deuses do futebol, encarnados naquele marfinense, a um Bayern que jamais deveria ter tirado Müller de campo. Sem Müller e sem o mesmo futebol envolvente de outrora, o Bayern passou sufoco nos últimos minutos do segundo tempo e nos primeiros da prorrogação. Depois, foi se reencontrando. Mas o final você já sabe.

Aliás, por falar em capricho dos deuses do futebol, sugiro que cada um que lê esse texto pense no seguinte: não foi com o badalado José Mourinho, o competente Guus Hiddink nem com o vitorioso Carlo Ancelotti. O Chelsea conquistou a Liga dos Campeões da Europa com um treinador interino: Roberto Di Matteo, que assumiu o time na competição somente a partir do jogo de volta na fase oitavas-de-final (André Villas-Boas, contratação caríssima, havia sido demitido). Será que o bilionário dono do clube, o magnata russo Roman Abramovich, ainda pensa em dedicar montanhas de petroeuros na contratação de Josep Guardiola?

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Sorriam, Bávaros: A Final Terá O Bayern Em Munique

O Gigante da Baviera não se intimidou com o estádio Santiago Bernabéu e tratou de fazer na capital espanhola aquilo que faz de melhor: atacar o adversário. Apresentou falhas na defesa, é verdade, mas contou com o ótimo goleiro Manuel Neuer para, na disputa por pênaltis, conseguir a vaga na final da Liga dos Campeões da Europa 2011-2, que será disputada sabe onde? Na Allianz Arena, casa do Bayern.

Bayern que viu o Real Madrid abrir o placar com gol de Cristiano Ronaldo, cobrando pênalti aos cinco minutos. Penalidade essa que ocorreu num lance complicado, diria até interpretativo: Ángel Di María chutou, David Alaba mergulhou virando-se de costas pra bola e acabou cortando a finalização com o braço. Se por um lado ganhou espaço projetando o braço, por outro não pareceu intencionado em usá-lo para bloquear o chute. O fato é que Viktor Kassai assinalou a infração e o Real passou a ficar em vantagem no duelo.

Vantagem que terminaria logo, mas Arjen Robben, que surgiu como uma flecha na pequena área e foi parar dentro da rede tamanha velocidade, não conseguiu direcionar para o gol um cruzamento de Alaba, que fez grande jogada pelo flanco esquerdo, pronto para se redimir de um pênalti que nem sei se ele cometera.

Quem trataria de mandar a bola pra dentro era novamente Cristiano: aos treze minutos, o português recebeu de Mesut Özil e, livre de marcação, chutou no canto direito. É difícil explicar como o Bayern permite que um jogador adversário receba a bola em liberdade naquelas condições, em erro de posicionamento reincidente no duelo com os merengues.

Mas as coisas melhorariam para o Bayern, que, por sinal, era melhor em campo. Aos vinte e seis minutos, a bola foi cruzada na área e Pepe empurrou Mario Gómez. Pênalti que Robben cobrou e converteu, no seu retorno ao estádio Santiago Bernabéu.
Arjen Robben, que disputara a final da Liga dos Campeões nesse mesmo estádio em 2010, converte cobrança de pênalti: torcedores do Real Madrid devem sentir saudades do holandês.

O placar que levava o jogo para a prorrogação veio relativamente cedo e a partida frenética sugeria que novos gols acontecessem. Mas a segurança de Neuer, o mau aproveitamento de Gómez quando acionado, as boas atuações de Pepe e Marcelo, além da maior solidez defensiva do Bayern após o primeiro intervalo sustentaram o 2a1 até o 120º minuto.

Restou desempatar o duelo nos pênaltis. E quem iria abrir a série de cobranças? Cristiano Ronaldo, figura bastante ausente durante o jogo, embora tenha a seu favor as estatísticas oportunas de ter marcado dois gols e descolado alguns outros remates. E Cristiano parou em Neuer, que foi fantástico ao chegar no canto direito. Kaká também teve sua cobrança defendida por Neuer, novamente no canto direito. Os desperdícios de Toni Kroos e Philipp Lahm - ambos parando em defesas de Iker Casillas, que no tempo normal por muito pouco não evitou o gol de Robben - deram maior emoção ao confronto. Até que Sergio Ramos isolou por cima do travessão e, para fechar, Bastian Schweinsteiger, que não jogava noventa minutos há algum tempo e dessa vez não somente jogou os cento e vinte como manteve-se em bom nível, estufou a rede para classificar os bávaros.

Munique ficará pequena em dezenove de maio. Os Azuis de Londres devem ter certeza disso: a Baviera é vermelha.

Outro resultado

Terça-feira

Barcelona 2a2 Chelsea (2a3 na soma dos resultados)

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Sábado Decisivo Pros Semifinalistas Da Liga Dos Campeões

Os deuses do futebol capricharam, ou melhor, estão caprichando nesse ano.

Na terça-feira, Barcelona e Chelsea duelam no Camp Nou procurando uma vaga na final da Liga dos Campeões da Europa. Na quarta-feira, Real Madrid e Bayern de Munique medem forças com o mesmo ideal.

Só que, por mais importantes quem sejam tais confrontos, nenhuma das quatro instituições pode (ou pelo menos não deveria) desprezar seus respectivos compromissos no próximo sábado. Sábado que para nós, brasileiros, já é especial por sua própria natureza - afinal, 21 de abril trata-se de uma data que homenageia Tiradentes, um dos maiores brasileiros de todos os tempos.

Então vamos analisar a situação de cada um desses quatro times semifinalistas na Liga. Com um detalhe: dois deles se enfrentam em confronto direto no sábado.

Bayern de Munique. Vice-líder na Bundesliga, o time do Bayern não tem outra alternativa para evitar o praticamente certo título do Borussia Dortmund no Campeonato Alemão: vencer e secar. A equipe vai até Bremen enfrentar o Werder e, caso não consiga a vitória, não terá mais chances de alcançar o Borussia, pois os oito (ou sete, em caso de empate) pontos de diferença seriam maiores que os seis disputados nas duas últimas rodadas. Então, a missão dos bávaros é simples e direta: vencer o Werder e torcer para o Dortmund não vencer o "duelo de Borussias" com o Mönchengladbach.

Chelsea. Os Azuis irão até o estádio Emirates fazer o clássico londrino com o Arsenal. Chances de título na Premiership inexistem para ambos - essa disputa está restrita aos "Manchesters" United e City. Mas o duelo na capital inglesa é mais do que relevante, afinal, uma vitória do Arsenal praticamente tira do Chelsea qualquer chance de chegar ao 3º lugar (última posição no Campeonato Inglês a dar vaga direta na fase de grupos na próxima Champions League). Vencendo, o Chelsea não somente fica a quatro pontos do Arsenal (e com um jogo em atraso), como não permitirá que Tottenham e Newcastle, dois pontos a frente, se afastem na disputa pela 4ª colocação (lugar que dá direito a disputar a fase eliminatória da Champions que antecede a fase de grupos).

Barcelona. Correndo atrás do prejuízo para chegar ao topo na tabela no Campeonato Espanhol, o Barcelona já reduziu para quatro pontos uma desvantagem que era de dois dígitos. E tem no confronto direto com o Real Madrid a oportunidade de diminuir para um único ponto essa diferença. Após a disputa desse clássico (ou superclássico, se preferir), restarão quatro rodadas. E o Barça sabe que será difícil tirar quatro ou sete pontos em relação ao Real. Portanto, só a vitória interessa aos catalães nesse sábado.

Real Madrid. Líder com quatro pontos de vantagem em relação ao Barcelona, o Real Madrid provavelmente tem em mente que um empate no Camp Nou terá sabor de vitória e cheiro de título, afinal, a manutenção da diferença em quatro pontos lhe daria a margem de tropeçar uma vez sem poder ser alcançado. A vitória praticamente dará o caneco espanhol ao time da capital, que dificilmente permitiria deixar escapar sete pontos em doze disputados.

É interessante observarmos como, num intervalo de alguns dias, todo o desenrolar da temporada ganha contornos decisivos para quatro instituições diferentes. Então, aguardemos. Entre sábado e quarta-feira muita coisa pode - e irá - acontecer.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Bayern Vence Real Na Ida Da Semifinal: 2a1

O Bayern de Munique recebeu o Real Madrid no estádio Allianz Arena (palco da final da Liga dos Campeões da Europa nessa temporada, em dezenove de maio de dois mil e doze) e fez valer tanto a história de anos pretéritos quanto o momento recente. Com o triunfo por 2a1, o Gigante da Baviera segue invicto dentro de casa quando atua diante dos merengues (esse foi o décimo confronto entre Bayern e Real na Alemanha) e confirmou os 100% de aproveitamento nas partidas disputadas como mandante nessa temporada de Champions League (venceu todos os seis jogos disputados na Allianz Arena).

A partida foi bastante disputada, com o desempate derradeiro tendo ocorrido aos quarenta e três minutos do segundo tempo. O resultado obriga o Real Madrid a vencer ou por 1a0 ou por mais que um gol de diferença para sair classificado do estádio Santiago Bernabéu, na quarta-feira da próxima semana. Se devolver o 2a1, a partida irá para a prorrogação. O Bayern está a um empate de retornar à Allianz Arena em 19.05.2012 para a final da Liga - e, caso marque pelo menos dois gols, avançará para a decisão mesmo em caso de derrota por um gol de diferença na Espanha.

O jogo

Festiva desde antes mesmo do apito inicial, a torcida do Bayern fez bonita festa nas arquibancadas do estádio, atuando como se fosse um décimo segundo jogador. O Real Madrid não se intimidou e iniciou a partida com maior volume de jogo que os donos da casa, aproximando-se de abrir o placar aos seis minutos, quando Karim Benzema recebeu belo passe de Mesut Özil, chutou forte e Manuel Neuer rebateu maravilhosamente.

Se o Bayern tinha na torcida uma espécie de décimo segundo jogador, o Real tinha como "reforço" a presença do árbitro inglês Howard Webb (aquele mesmo da final da Copa do Mundo 2010). Aos quinze minutos, uma rápida jogada dos donos da casa foi interrompida quando, dentro da área, Franck Ribèry caiu após ser tocado por Sergio Ramos - o jogo seguiu sem qualquer infração ter sido marcada por Howard Webb.

Não vamos aqui responsabilizar o árbitro por uma eventual injutiça nesse lance. Até porque, houve pelo menos duas jogadas de pênalti para o Bayern mais claras que essa, as quais trataremos no devido momento. E o próprio Ribèry se encarregaria de tirar o primeiro zero do placar pouco depois do lance em que caíra na disputa com Ramos: após cobrança de escanteio, o hábil jogador francês pegou o rebote e chutou firme, rasteiro, estufando a rede. Luiz Gustavo estava em posição de impedimento na jogada, restando a dúvida de ter ou não participado do lance - não tocou na bola e nem foi em direção a ela, mas pode ter atrapalhado a visão do goleiro Iker Casillas. De toda forma, o arqueiro espanhol não reclamou e o gol foi confirmado. 1a0 Bayern e explosão de alegria dos torcedores bávaros.

A partir de então, viu-se uma subida de produção no Bayern, que passou a encaixar maior número de jogadas, com Arjen Robben, Ribèry e Toni Kroos fazendo boas aproximações de Mario Gómez. E a maior chance de ampliar a vantagem deu-se em lance onde Kroos encontrou Gómez e o centroavante chutou bem, mas parou em intervenção sensacional de Casillas, que espalmou esticando ambos os braços. Se o Bayern não conseguiu aumentar a diferença no final do primeiro tempo, foi castigado no início do segundo: após grande vacilo de toda a defesa bávara, a bola atravessou a pequena área e chegou até Cristiano Ronaldo, que passou para Özil finalizar, empatando a partida em Munique, aos sete minutos.

Aos quinze minutos, Jupp Heynckes tratou de colocar Thomas Müller em campo (não sei por que tão tarde), mas tirou um jogador que fazia boa partida - Bastian Schweinsteiger, que deixou o gramado explicitando chateação. Só que substituição menos compreensível fez José Mourinho: aos vinte e três, tirou Özil para colocar Marcelo. E pior: não deixou Marcelo solto o bastante para explorar jogadas ofensivas, limitando o poder de ataque madridista. Melhor para o Bayern, que foi ganhando terreno, impondo-se territorialmente e dominando as ações, em jogo que ia se concentrando no campo de defesa do Real. Os comandados de Mourinho paravam muitas das jogadas adversárias com faltas. Só que Webb se recusava a assinalar aquelas que ocorriam dentro das fronteiras da grande área, frustrando os jogadores do Bayern por pelo menos duas vezes, em penalidades cometidas por Pepe e Fábio Coentrão.

Se Heynckes seguiu até o final sem mexer novamente no time (e olha que tinha Ivica Olic no banco), Mourinho foi bisonho o bastante para gastar as três substituições e não levar Kaká a campo. E o castigo ao foco defensivista do treinador português veio aos quarenta e três minutos: em bela jogada de Philipp Lahm pelo flanco direito, o lateral alemão escapou de Coentrão, cruzou rasteiro e encontrou Gómez, que mandou pra rede e levou o público à loucura. 2a1 Bayern.

Nos acréscimos, Marcelo tomou uma atitude de marginal e pontapeou Müller sem esboçar qualquer intenção de pegar a bola. E o senhor Howard Webb afinou mais uma vez, dando apenas um cartão amarelo para o destemperado jogador brasileiro - qualquer semelhança com o "critério" visto na final da Copa 2010 no lance em que Nigel De Jong foi de voadora em Xabi Alonso parece não ser mera coincidência...

No jogo de volta, espero que o Real de Mourinho faça jus ao grande elenco que dispõe e procure atacar (não fisicamente, como fizera Marcelo). E espero que a UEFA coloque em campo um árbitro menos frouxo do que Webb. Seriam dois ingredientes relevantes para termos uma ótima partida de volta.

sábado, 14 de abril de 2012

Quatro Timaços, Duas Vagas: Eis As Semifinais Na Liga Dos Campeões Da Europa

Aproximam-se os confrontos semifinais na Liga dos Campeões da Europa e, para delírio dos amantes do futebol, sobraram quatro equipes capazes de proporcionar belos espetáculos nos gramados europeus. Barcelona, Bayern de Munique, Chelsea e Real Madrid são os remanescentes e, desde que acompanho esse torneio, não recordo de ver esta fase da competição tão bem representada como nessa temporada 2011-2.

Não bastasse a qualidade presente em cada um desses quatro elencos, temos alguns atrativos a mais. O Barcelona, comandado por Josep Guardiola, concilia beleza e eficiência como jamais visto na história do futebol. Seu principal jogador é o melhor do mundo na atualidade e, possivelmente, de todos os tempos na modalidade - Lionel Messi. O Real Madrid, maior vencedor do torneio (9 canecos), não conquista este troféu desde 2001-2 e acredita no treinador José Mourinho, campeão com a Internazionale na temporada 2009-10, para voltar ao topo na Europa. Cristiano Ronaldo faz temporada com números incríveis e é uma das maiores esperanças dos merengues. O Chelsea, que jamais conquistou a Liga dos Campeões, quer porque quer provar o gosto do inédito. E especula-se que Roman Abramovich, magnata presidente do clube, estaria se propondo a pagar o equivalente a seiscentos mil reais por jogador em caso de título. Dentro das quatro linhas, o rendimento dos Azuis de Londres melhorou bastante depois que Roberto Di Matteo assumiu interinamente o posto outrora ocupado por André Villas-Boas. O Bayern de Munique, que busca o quinto título de Liga dos Campeões da Europa tem talvez a maior das motivações possíveis para querer erguer o troféu este ano: é que a disputa da partida final será dentro da Allianz Arena, estádio do clube bávaro.

Vamos agora analisar cada um dos duelos e, é claro, opinar sobre quem deve avançar. Nos palpites para a fase quartas-de-final, 100% de acerto.

Bayern de Munique e Real Madrid. Vice-líder na Bundesliga e a uma distância considerável do Borussia Dortmund, tudo leva a crer que o foco do Bayern reside nesse confronto semifinal. Com 100% de aproveitamento nas partidas dentro de casa, o ótimo time comandado por Jupp Heynckes tem totais condições de manter esse índice perfeito diante da forte equipe adversária. Do contrário, será muito difícil buscar o resultado no estádio Santiago Bernabéu, local da partida de volta. O Real, que lidera o Campeonato Espanhol com quatro pontos de vantagem sobre o Barcelona, vem se mostrando uma máquina de fazer gols. Para se ter uma idéia, nos últimos sete jogos na temporada o time marcou pelo menos três gols em seis partidas (duas vezes três, uma vez quatro e, veja só, três vezes cinco gols). Para seus planos de classificação, será importante marcar gols em Munique, mesmo que não consiga sair da Alemanha com a vitória. Palpite: avança o Bayern de Munique.

Chelsea e Barcelona. Por um capricho dos deuses do futebol, está desenhada a semifinal entre dois times que se encontraram rigorosamente nessa mesma fase da competição na temporada 2008-9. Naquela oportunidade, com um gol de Andrés Iniesta nos acréscimos do segundo tempo e muita polêmica em torno da arbitragem, o time de Guardiola tirou o Chelsea da Liga dos Campeões, na época dirigido por Guus Hiddink. Hoje, me parece que a diferença entre as duas equipes é maior que naquela época, o que aumenta a dificuldade do Chelsea em buscar esse título inédito. A temporada do time londrino é bastante irregular, e o 6º lugar na Premiership coloca em risco a presença do clube na próxima Liga dos Campeões. Enquanto isso, a equipe que encanta o mundo com seu formidável jogo coletivo e o jogador que encanta o mundo com seu talento aparentemente infindável - Messi -, estão prontos para buscar o bicampeonato consecutivo, que seria o quinto do clube na história do torneio. A partida de ida, em Stamford Bridge, pode ser o termômetro do confronto - creio que as chances do Chelsea iriam a quase zero se o time não conseguir uma vitória na capital inglesa. Palpite: avança o Barcelona.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Às Quartas Da Liga Dos Campeões Da Europa

Sobraram oito clubes na mais forte competição européia de futebol profissional. Entre os dias 27 e 28 de março (jogos de ida) e 3 e 4 de abril (partidas de volta), serão travados oito duelos envolvendo sete países diferentes (a Espanha é o único país com dois representantes nessa fase).

Vamos nesse espaço abordar cada um desses encontros e dar um palpite sobre o que achamos que poderá acontecer ao término dos 180 minutos - ou, quem sabe, até mais...

Apoel e Real Madrid
A maior surpresa nessa edição de Liga dos Campeões vem do Chipre. Líder no grupo G (que tinha também Zenit, Porto e Shakhtar Donetsk), o time comandado pelo sérvio Ivan Jovanovic tem campanha marcada pela economia. Economia tanto nos gols marcados quanto nos sofridos (foram 6 feitos e 6 tomados na fase de grupos, além de uma vitória e uma derrota pela contagem mínima no duelo eliminatório com o Lyon, na fase oitavas-de-final). No elenco, há meia dúzia de brasileiros (os defensores Kaká, Marcelo Oliveira e William, o meio-campista Marcinho e os atacantes Aílton Almeida e Gustavo Manduca). Para continuar fazendo história no Velho Continente, a missão é duríssima: passar pelo tradicional Real Madrid, dirigido desde a temporada passada pelo perspicaz português José Mourinho, campeão na competição quando treinador da Internazionale, em 2009-10. O Real não atravessa o seu melhor momento no ano, vindo de dois empates consecutivos no Campeonato Espanhol e vendo uma diferença de dois dígitos perante o Barcelona cair para apenas seis pontos. Mas o time que conta com os brasileiros Marcelo e Kaká é franco favorito para o duelo e tem toda a responsabilidade de avançar para a fase semifinal. Pitaco: avança o Real Madrid.

Benfica e Chelsea
Esse me parece ser o duelo mais equilibrado dos quatro sorteados nessa fase. Vice-líder no Campeonato Português a apenas um ponto do Porto, os Encarnados chegaram até aqui após liderarem um grupo que jogou o Manchester United para a Liga Europa e passarem, nas oitavas, pelo Zenit. Aliás, a única derrota da equipe portuguesa foi justamente na partida disputada em São Petersburgo. O desafio do time comandado por Jorge Jesus é complicado: o forte time do Chelsea, que parece ter ganho novo ânimo na temporada após a demissão do recém-contrado André Villas-Boas, também lusitano. Roberto Di Matteo assumiu o comando e a equipe passou pelo Napoli após partida antológica em Stamford Bridge, definida na prorrogação. Fora da disputa pelo título inglês, os Azuis estão a cinco pontos da zona de classificação para a próxima Liga dos Campeões. Mas, como já se sabe, a obsessão do presidente do clube, o russo Roman Abramovich, é o torneio europeu, que seria uma conquista inédita para os londrinos. Pitaco: avança o Chelsea.

Olympique de Marselha e Bayern de Munique
O Olympique Marseille chega até esse estágio com uma trajetória heróica. Na fase de grupos, a classificação deu-se na sexta e última rodada, com uma virada pra cima do Borussia Dortmund, na Alemanha, depois de estar perdendo por 2a0. Na fase oitavas-de-final, o time comandado por Didier Deschamps ia vendo o jogo migrar para a prorrogação no estádio Giuseppe Meazza, mas Brandão, que estava no banco de reservas, entrou e marcou para os visitantes, nos acréscimos (ainda houve tempo para o goleiro Mandanda, autor da assistência, cometer pênalti e ser expulso de campo, com direito a gol de Pazzini na cobrança antes do apito derradeiro). Só que o momento do OM não é dos melhores: a equipe soma sete derrotas consecutivas (entre elas esse 2a1 Inter, que teve sabor de vitória). E o oponente será um time que atravessa fase extraordinária: o Bayern de Munique, equipe da semana no blógui. Líder no grupo A (o mais forte nessa edição de Liga dos Campeões da Europa, com Napoli, Manchester City e Villarreal), o time comandado por Josef Heynckes arrasou o Basel no jogo de volta nas oitavas-de-final e parece disposto a passar o Borussia na Bundesliga. E tem uma motivação a mais para tentar o título continental nessa temporada, pois o palco da final é justamente o estádio do clube, a Allianz Arena. Pitaco: avança o Bayern de Munique.

Milan e Barcelona
Sem a menor dúvida, esse é o emparelhamento mais forte na fase quartas-de-final nessa atual edição de Liga dos Campeões da Europa. Duas instituições com camisas de peso no cenário internacional, mas que caminham em vias distintas. Enquanto o Milan, comandado por Massimiliano Allegri, vem se acostumando a atuar focado na marcação, o Barça, de Josep Guardiola, encanta o mundo com um estilo de jogo exuberante, de valorização da posse de bola como prioridade. As duas equipes se encontraram na fase de grupos, e aqui no blógui você pode relembrar como foi o duelo em San Siro, vencido pelos visitantes. O Milan lidera o Campeonato Italiano com quatro pontos a frente da Juventus e tem boas chances de conquistar o bicampeonato nacional. O Barcelona, seis pontos atrás do Real Madrid no Campeonato Espanhol, pode, logicamente, ultrapassar os merengues. Mas o foco para ambos os clubes é a Liga dos Campeões. E, num duelo entre dois gigantes, vale aquela máxima: "tudo pode acontecer". Pitaco: avança o Barcelona.

Nas semifinais, a chave de Apoel e Real cruza com a de Olympique e Bayern, enquanto a de Benfica e Chelsea encontra a de Milan e Barcelona. Sem mais pitacos por agora.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Equipe E Jogada Da Semana

Entre os dois últimos finais-de-semana, o Bayern de Munique realizou três partidas oficiais - duas na Bundesliga e uma na Liga dos Campeões da Europa. E os resultados são dignos de uma máquina de fazer gols: 7a1 sobre o Hoffenheim, 7a0 diante do Basel e 6a0 pra cima do Hertha Berlin. Vinte gols marcados para um único concedido num intervalo de três jogos. Desses, oito foram marcados por Mario Gómez e sete por Arjen Robben. E uma curiosidade: o gol do Hoffenheim foi de Luiz Gustavo, contra.

Bem, números e mais números. Mas para quem teve o prazer de assistir, por exemplo, à partida de volta pela fase oitavas-de-final na Liga dos Campeões, certamente deve ter pensado que esse Bayern de Munique comandado por Josef Heynckes tem tudo para marcar presença na final do torneio continental, que terá como sede nada mais, nada menos, que a Allianz Arena, estádio dos bávaros. Quer dizer, o Bayern deslumbra pelas estatísticas e, principalmente, pela forma de jogar futebol. Vale acompanhar.

Jogada da semana

Ia entrar aqui como jogada da semana o golaço de Fernando Llorente após maravilhoso lançamento de Fernando Amorebieta, abrindo o placar no jogo de volta entre Athletic Bilbao e Manchester United, na fase oitavas-de-final na Liga Europa 2011-2. Só que, após vasculhar, não encontrei um vídeo do lance por inteiro (apenas da belíssima finalização de Llorente). Então, o blogueiro resolveu fazer uma homenagem a outro jogador do Bilbao, que fez uma jogadaça naquela mesma partida. Com um detalhe: a jogada espetacular de Andoni Iraola não terminou em gol. Bem que merecia!