Mostrando postagens com marcador Quartas-de-final. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Quartas-de-final. Mostrar todas as postagens

domingo, 4 de julho de 2021

Inglaterra Passeia Em Roma, Faz Quatro A Zero Na Ucrânia, E Volta A Wembley Com Sede De Título

Se nas outras três partidas dessa fase tivemos três confrontos bastante disputados (Espanha e Suíça decidiram a vaga nos pênaltis, a Itália passou pela Bélgica com vitória por dois a um e a Dinamarca venceu a República Tcheca também por dois a um), a Inglaterra sobrou diante da Ucrânia e aplicou a sua maior goleada na história das Eurocopas: um inapelável quatro a zero, com dois gols de Harry Kane, um de seu xará Harry Maguire e um de Jordan Henderson, que anotou seu primeiro gol com a camisa que vestiu sessenta e duas vezes.

Mesmo com as ótimas atuações de Grealish, Southgate dá titularidade a Sancho

Com uma formação diferente da que venceu a Alemanha por dois a zero nas oitavas, o técnico Gareth Southgate diminuiu a última linha de cinco para quatro homens, com Kieran Trippier indo para o banco de reservas e Kyle Walker assumindo a lateral direita. Outra modificação foi no setor de meio campo, barrando Bukayo Saka e promovendo Jordan Sancho e Mason Mount aos onze iniciais. Um desenho mais ofensivo, sem dúvidas, mas que estranhamente abdicou de utilizar Jack Grealish, um dos destaques na vitória sobre os alemães.

Andriy Shevchenko, por seu turno, alterou o meio campo ucraniano em relação ao preparado na vitória por dois a um sobre a Suécia na prorrogação. E essa solitária mudança de jogadores - qual seja, a saída de Taras Stepanenko para a entrada de Vitaliy Mykolenko - modificou significativamente a forma da equipe jogar, pois Oleksandr Zinchenko, o melhor jogador em campo na partida diante dos suecos na fase de oitavas de final, retornava a uma posição mais centralizada, abandonando a bem-sucedida função de atuar pelo flanco esquerdo do gramado, que é exatamente a que ele está acostumado a fazer no Manchester City de Josep Guardiola.

Parceria entre Sterling e  Kane funciona e English Team abre o placar aos três minutos

Assumindo a iniciativa no uso da posse de bola, a Inglaterra foi ao ataque desde cedo. E logo aos três minutos, conseguiu chegar ao gol: Raheem Sterling conduziu a bola da esquerda para o centro, atraiu a marcação ucraniana e descolou excelente passe para Harry Kane, que só teve o trabalho de esticar a perna e desviar, de bico, antes da chegada do goleiro Heorhii Bushchan. Um gol com a marca de um goleador num lance que merece ser exaltado, mais ainda, pelo passe magistral de Sterling. Um a zero Inglaterra em Roma, na primeira partida da seleção inglesa fora de Wembley nesse Eurocopa.

Harry Kane estica a perna direita e, de bico, empurra para o gol: a Inglaterra abre o placar diante da Ucrânia. Foto: Estadão Conteúdo.

 

Ucrânia procura atacar, mas consistência inglesa inibe a ação ofensiva adversária

Com um plano de jogo inicial que parecia ser o de se fechar atrás e sair em contra-ataques, o gol sofrido aos três minutos foi um balde de água na temperatura ambiente do inverno ucraniano. A vontade de buscar o empate esbarrava nas limitações da equipe e, mais ainda, na muito bem postada defesa inglesa. Andriy Yarmolenko, um dos destaques da Ucrânia no torneio, era figura sumida na partida, sucumbindo em meio ao sólido sistema de marcação da Inglaterra. E se a capacidade criativa ucraniana estava totalmente abafada pelo adversário, a primeira grande oportunidade de empatar o jogo se deu graças a um erro da seleção inglesa: aos dezesseis minutos, Walker tocou curto demais para John Stones, Roman Yaremchuk fez a interceptação, avançou pela esquerda e chutou rasteiro, parando em defesa de Jordan Pickford no canto direito.

Inglaterra domina territorialmente e cria chances de ampliar

Mantendo o adversário fora do último terço do campo, a seleção inglesa foi exercendo um domínio cada vez maior. E, com naturalidade, criou oportunidades de chegar ao segundo gol.

Aos vinte e um minutos, numa jogada entre Sancho e Sterling, Luke Shaw cruzou rasteiro da esquerda mas ninguém apareceu para a finalização. Na marca de vinte e oito, Shaw cobrou falta pela esquerda levantando na área e Kane cabeceou por cima. Com trinta e dois, Declan Rice chutou com muita força uma bola que passou a centímetros (talvez milímetros) de Zinchenko, viajou entre Serhiy Kryvtsov e Mykola Matvienko e, sabe-se lá como, Bushchan conseguiu rebater mesmo com tantos jogadores cobrindo a sua visão do lance.

Por falar em Kryvtsov, o zagueiro central acabou sendo substituído ainda no primeiro tempo, dando lugar a Viktor Tsygankov aos trinta e quatro minutos.

A Inglaterra encontrava mais facilidade pelo lado esquerdo: aos trinta e nove minutos, Sterling passou para Shaw que, em posição duvidosa, tocou atrás para Sancho, que chutou firme e Bushchan voltou a rebater. 

Apesar do deserto de circunstâncias no campo de ataque, até houve uma última finalização ucraniana antes do intervalo, quando, aos quarenta e dois, Mykola Shaparenko pegou sobra de bola de Shaw e mandou para fora, à esquerda.

No segundo tempo, ingleses marcam dois gols nos primeiros quatro minutos

Logo no primeiro minuto na etapa complementar, a Inglaterra tinha uma falta para cobrar pelo lado esquerdo de ataque, quando Serhiy Sydorchuk derrubou Kane. Shaw se encarregou da cobrança, levantou na área, Maguire saltou se apoiando em Matvienko (não houve manifestação do VAR) e cabeceou para a rede. Dois a zero no placar.

O que estava bom para os ingleses ficou ainda melhor apenas três minutos depois: Sancho recuperou a bola na defesa, Mount puxou o contra-ataque arrancando em velocidade, Sterling recebeu e passou com estilo para Shaw, que cruzou na medida para Kane - com um cabeceio protocolar para o chão, o camisa nove colocou entre as pernas de Bushchan, marcando o terceiro da Inglaterra no jogo e seu terceiro gol na competição.

Jordan Henderson sai do banco e marca pela primeira vez com a camisa da seleção

Com o jogo sob controle e o resultado confortável, aos onze minutos o técnico Southgate trocou Rice por Jordan Henderson, experiente meio-campista do Liverpool e veterano na seleção inglesa.  

Cinco minutos após pisar no gramado, Henderson lançou Sterling, a defesa afastou e Kane emendou de primeira, com Bushchan sevitando o quarto gol ao espalmar no canto esquerdo. Veio a cobrança de escanteio: Mount cruzou e ele, Henderson, surgiu no primeiro poste cabeceando firme, marcando seu primeiro gol após sessenta e dois jogos representando o English Team. Interessante observar que, no último amistoso da Inglaterra antes da Eurocopa, Henderson havia desperdiçado um pênalti diante da Romênia.

Jordan Henderson é bastante festejado após marcar seu primeiro gol com a camisa da seleção inglesa, fechando os quatro a zero sobre a Ucrânia no estádio olímpico de Roma. Foto: AFP.
 

Gareth Southgate faz três substituições e a Inglaterra passa a administrar o jogo e o relógio

Imediatamente após marcar quatro a zero no placar, foram realizadas quatro substituições na partida. Primeiro, Shecvhenko trocou Sydorchuk (machucado) por Yevhen Makarenko. Depois, Southgate, já pensando na fase semifinal, tirou de campo Sterling, Shaw e Kalvin Phillips para as entradas de Marcus Rashford, Trippier e Jude Bellingham.

O jogo não ficou frio - ele ficou gélido, congelante. As únicas esparsas emoções daí para o final foram uma saída atrapalhada de Pickford - o goleiro inglês abandonou a área para afastar uma bola lançada nas costas da defesa mas pegou tão mal na redonda que quase piorou as coisas; e um chute forte de fora da área dado por Makarenko, que Pickford rebateu, mantendo sua meta inviolável na Eurocopa 2020.

Para puxar os aplausos no estádio olímpico de Roma, Southgate ainda trocou Kane por Dominic Calvert-Lewin, aos vinte e oito minutos.

Era difícil saber quem estava mais ansioso pelo apito final: os ingleses, já com a mente voltada para o o próximo confronto, ou os ucranianos, para tentar virar a página dessa contundente derrota na sua partida derradeira. Agradando gregos e troianos, digo, ingleses e ucranianos, o árbitro alemão Felix Brych soprou o apito precisamente aos quarenta e cinco.

Dinamarca Vence A República Tcheca, Avança Para A Semifinal E Sonha Repetir 1992

Jogando um futebol ofensivo e procurando rodar a bola no campo de ataque, a Dinamarca deu mais um passo gigante em sua já marcante trajetória na Eurocopa 2020. Com a vitória por dois a um sobre a República Tcheca, a equipe comandada por Kasper Hjulmand garantiu presença na fase semifinal do torneio. Um torneio que começou com o gigantesco susto em torno de Christian Eriksen - felizmente, o atleta de vinte e nove anos sobreviveu ao mal súbito e tem expectativas de um dia retornar aos campos. Porém, o que realmente importa é a vida. Dentro ou fora dos gramados, o camisa dez se faz presente no espírito competitivo da seleção dinamarquesa - e é, antes de tudo, em homenagem a ele que essa equipe se supera e avança mais uma vez.

Logo no início da partida, a Dinamarca abre o placar

Escalada com a mesma formação e os mesmos jogadores da goleada sobre País de Gales na fase oitavas de final, a Dinamarca tomou a iniciativa e foi para cima de uma República Tcheca ligeiramente modificada em relação ao jogo em que venceu a Holanda nas oitavas - dessa vez, o técnico Jaroslav Šilhavý optou por começar o jogo com Jan Bořil na lateral esquerda ao invés de Pavel Kadeřábek.

E se essa Eurocopa vem sendo relativamente tranquila e bem-sucedida com questões relacionadas à arbitragem, dessa vez aconteceu algo desagradável já nos primeiros minutos de partida: numa dividida de bola nas proximidades da linha de fundo, foi assinalado escanteio para a Dinamarca quando deveria ser concedida a posse para a República Tcheca (VAR, cadê você?). E, para piorar, saiu o gol imediatamente após a cobrança: aos quatro minutos, Jens Stryger Larsen fez o levantamento a partir do lado direito, os grandalhões da defesa se deslocaram em direção ao gol, mas a bola chegou mesmo foi no volante Thomas Joseph Delaney, que, gozando liberdade pouco a frente da marca do pênalti, cabeceou bem à vontade para mandar no canto direito. Um a zero para a Dinamarca, com Delaney se tornando o sétimo jogador dinamarquês a marcar gol nessa Euro.

Thomas Delaney comemora: a Dinamarca abria o placar aos quatro minutos de partida em Baku. Foto: DBU FodBold / Divulgação

 

República Tcheca equilibra as ações e jogo fica lá e cá

A primeira chegada mais interessante da República Tcheca se deu pelos pés daquele que vem se mostrando um dos jogadores mais efetivos na Eurocopa - não toca tanto na bola, mas quando o faz, esbanja qualidade tanto no passe quanto na finalização. Sim, estamos falando de Patrik Schick: aos onze minutos, ele recebeu a bola pela direita, fintou Joakim Mæhle do jeito que quis e chutou firme, mas foi bloqueado.

No minuto seguinte, aos doze, Pierre-Emile Højbjerg deu belo lançamento para Mikel Damsgaard, que na finalização conseguiu com um toque sutil tirar do goleiro Tomáš Vaclík. Só que o toque foi sutil demais, e permitiu que outro Tomáš - o zagueiro Kalas - chegasse para evitar o segundo gol dinamarquês.

O jogo era agitado e, mais um minuto passado, mais uma oportunidade: aos treze, após bola levantada e posteriormente ajeitada de cabeça, Petr Ševčík pegou de primeira, mas mandou longe.

Aos dezesseis, foi a vez da Dinamarca: Jens Stryger cruzou da direita e Delaney apareceu para finalizar. Os mesmos envolvidos no lance do gol. Só que, dessa vez, o camisa oito pegou mal na bola, mandando à esquerda.

Quando afirmamos que o jogo era lá e cá, era literalmente lá e cá: aos vinte e um, após o goleiro Kasper Schmeichel errar em lance de saída de bola, Lukáš Masopust foi acionado na esquerda e mandou para Tomáš Holeš na pequena área - Schmeichel, ligado no lance, fez o bloqueio.

Na marca de vinte e seis, Martin Braithwaite tinha a bola pela direita, avançou, levantou a cabeça procurando algum companheiro na área e percebeu que a melhor alternativa era chutar ao gol. Só que o remate foi à esquerda. 

Aos trinta e três, nova chegada dinamarquesa: em contra-ataque, Braithwaite dessa vez apareceu em velocidade pelo lado esquerdo, a bola chegou em Kasper Dolberg na direita, que tentou entregar para Stryger, mas Vaclík pegou.

No minuto seguinte, resposta tcheca: Vladimir Coufal cruzou da direita, Holeš chutou de primeira e Schmeichel encaixou.

Com trinta e seis minutos, Jannik Vestergaard enfiou na direita para Damsgaard, que entrou na área e chutou firme à meia altura, com Vaclík conseguindo rebater.

Lindo cruzamento dá origem ao segundo gol dinamarquês 

Procurando variar as jogadas ofensivas e causando uma canseira na marcação tcheca, a Dinamarca dessa vez avançou com o apoio de Mæhle, que vinha tendo bastante trabalho com as subidas de Coufal pelo seu setor. E Mæhle, um destro que atua pela esquerda, mostrou a melhor versão da sua perna direita as descolar cruzamento espetacular de três dedos aos quarenta e um minutos - a bola passou por Braithwaite e por Kalas, chegando até Dolberg, que completou de primeira para a rede. Dois a zero no placar.

República Tcheca volta diferente - nas peças e na atitude

Jaroslav Šilhavý aproveitou o intervalo para chacoalhar a equipe tcheca, que voltou do vestiário com o atacante Michael Krmenčík no lugar de Masopust e com o meio-campista canhoto Jakub Jankto no lugar de Holeš. Mais do que as boas entradas desses jogadores, a República Tcheca se mostrou determinada a pressionar a Dinamarca no último terço do campo.

Logo com vinte e cinco segundos, Krmenčík já participou ativamente, dando chute forte de fora da área que Schmeichel rebateu. Com 1,91m de altura, careca e esbanjando força física, Krmenčík me lembrou o também atacante tcheco Jan Koller - que, no alto de seus 2,02m, defendeu a seleção entre os anos de 1999 e 2009, formando uma dupla de ataque bem-sucedida com Milan Baroš.

Com um minuto, Antonín Barák quase marcou um belo gol: ele emendou de fora da área pegando na bola de primeira, chutando pro chão, com Schmeichel saltando para espalmar no canto direito.

Só dava República Tcheca: aos dois minutos, Krmenčík levantou a bola e Schick deu de bicicleta, com a bola batendo em Simon Kjær e Schmeichel recolhendo.

Aos três minutos, o goleador da Eurocopa 2020 diminui para os tchecos 

E a pressão tcheca deu resultado: Coufal cruzou da direita e Schick, de primeira, se aproveitou do atraso de Vestergaard para mandar no canto direito, com a precisão que lhe é característica. Era o quinto gol do camisa dez tcheco nessa Euro, igualando-se ao português Cristiano Ronaldo no topo da lista de goleadores nessa edição.

Dinamarca se reorganiza e cria chances

Se alguém achou que a pressão tcheca se estenderia até que saísse o gol de empate, o que ocorreu foi que a seleção dinamarquesa começou a assimilar a nova postura do adversário, reequilibrando a partida. 

Na marca de dez minutos, Coufal foi providencial ao mergulhar para tirar de peixinho uma bola enfiada às suas costas.

Aos treze minutos, Kasper Hjulmand promoveu suas primeiras substituições no jogo: Yussuf Yurari Poulsen no lugar de Dolberg e Christian Thers Nørgaard no lugar de Damsgaard. As mexidas fizeram bem à Dinamarca, principalmente pela participação de Poulsen, bastante ativo no campo de ataque e também contribuindo na defesa.

Aos quinze minutos, Yussuf Poulsen puxou contra-ataque pela esquerda escapando de Coufal, Braithwaite errou o passe, a bola voltou em Poulsen e o camisa vinte preparou o remate - Tomáš Souček foi preciso na intervenção e travou Poulsen no exato momento da finalização. Infelizmente, na continuação do movimento do chute, sobrou trava da chuteira de Poulsen na cabeça de Souček, cortando a orelha do tcheco.

Souček continuou o jogo com um amarrado na cabeça visando conter o sangramento. O aparato não se mostrou dos mais eficazes com o sangue escorrendo pela nuca e manchando a camisa do jogador.

Aos vinte, Šilhavý fez a terceira troca, dessa vez de menor impacto na estrutura do time: saiu o defensor Ondřej Čelůstka e entrou o também defensor Jakub Brabec.

Aos vinte e três, Poulsen arrancou pelo centro e chutou no canto direito, para defesa de Vaclík.

Aos vinte e cinco, quem tratou de fazer substituição foi Hjulmand, mais precisamente na lateral direita, trocando Stryger Larsen por Daniel Wass.

República Tcheca retoma ímpeto ofensivo, Dinamarca contra-ataca e joga fica muito interessante

Aos vinte e seis minutos, após levantamento da direita, Wass não conseguiu afastar, Jankto chutou cruzado do lado esquerdo e Kjær cortou.

Dois minutos depois, Barák cobrou falta pela direita e a bola tinha o endereço do "enfaixado" Souček, só que Schmeichel cortou antes e impediu o que seria o iminente gol de empate tcheco.

Aos trinta e dois, uma ótima chegada dinamarquesa: Braithwaite deixou a bola com Wass, que rolou para Poulsen, que chutou e viu Vaclík buscar a finalização com linda defesa no canto esquerdo.

Na marca de trinta e seis, mais Dinamarca no ataque: Christian Nørgaard passou para Poulsen, que entregou de primeira para Mæhle pelo lado esquerdo de ataque. Destro, o camisa cinco arrumou o corpo buscando o canto direito do goleiro - Vaclík defendeu o chute rasteiro com a perna.

Cansaço bate forte dos dois lados e República Tcheca tem uma última oportunidade

Com ambas as seleções já tendo feito as cinco substituições que tinham direito, os últimos minutos foram arrastados pela combinação de pelo menos dois motivos: os times desfigurados pelo acúmulo de alterações e, talvez principalmente, o cansaço de um jogo bastante movimentado.

Aos cinquenta minutos houve, porém, uma chance de empate. A chance derradeira: após levantamento da direita, Kjær afastou parcialmente e Souček pegou a sobra de primeira, chutando à direita.

O apito final do árbitro holandês Björn Kuipers sacramentou a classificação da Dinamarca no estádio olímpico de Baku. Se pensarmos que, em vinte e cinco confrontos anteriores entre as duas seleções, foram somente duas vitórias da Dinamarca (a República Tcheca venceu treze vezes e houve dez empates), o triunfo dinamarquês ganhou ainda mais contornos de feito histórico. 

Dinamarqueses comemoram após o apito final: com a vitória por dois a um sobre a República Tcheca, a seleção campeã continental em 1992 avança para a semifinal vinte e nove anos depois. Imagem extraída de Yahoo! Esportes.

sábado, 3 de julho de 2021

Itália E Bélgica Fazem Grande Jogo E Azzurra Avança À Fase Semifinal

No encontro entre duas seleções invictas no torneio, tivemos um ótimo jogo de futebol em Munique. Uma partida dinâmica, de muita movimentação, explícita objetividade na transição ao ataque e notória capacidade técnica tanto no trato com a bola quanto na realização da marcação.

Há muito o que se aprender com essas duas seleções. Tanto Bélgica quanto Itália mostraram força ofensiva sem dar indícios de qualquer sinal de fraqueza em seus sistemas defensivos. Se cometaram erros? Sim, cometeram. Alguns deles, inclusive, foram "punidos" com gol. Mas, em se tratando da estrutura de jogo e da proposição tática, temos aí duas fortes seleções a levarmos em conta rumo à Copa do Mundo 2022.

Nesse dois de julho de dois mil e vinte um, vitória italiana. E vitória do futebol. É sempre um prazer assistir jogos como esse.

Logo aos doze minutos, a rede balançaria e os italianos comemorariam: Lorenzo Insigne cobrou falta pela direita, e ambos os zagueiros italianos participaram do lance. Primeiro, Giorgio Chiellini com desvio sutil. Por último, Leonardo Bonucci, mandando pro gol. Só que a comemoração foi frustrada pela revisão tecnológica, que identificou impedimento na posição de Chiellini.

Esse gigante zagueiro de sobrenome Chiellini, que esteve ausente nos jogos anteriores após lesão ainda na primeira fase, voltou e voltou da forma que o conhecemos. Implacável na marcação e acreditando em todos os lances. Foi assim que, aos dezesseis minutos, Kevin De Bruyne viu seu chute forte ser bloqueado num cabeceio de Chiellini. Sim, Chiellini tratou de colocar a cabeça na rota de uma bola chutada com força por De Bruyne, evitando o que poderia ser o primeiro gol do jogo. Na sequência do lance, tanto o italiano quando o belga riram entre si, provavelmente admirando mutuamente o ato de coragem na interceptação. Felizmente, tudo bem com Chiellini.

O jogo era disputado arduamente no setor de meio de campo. Ambos os conjuntos procuravam espaços e tinham, sem a bola, o zelo de intensificar o confronto na zona da bola. Dois cartões amarelos em um intervalo de um minuto ilustraram a relevância da disputa na meiuca. Primeiro, Marco Verratti parou contra-ataque puxado por Youri Tielemans com falta intencional. O árbitro esloveno, Slavko Vinčić, corretamente aplicou o primeiro cartão no jogo. Praticamente na sequência, a reciprocidade: dessa vez, Tielemans cometeu a infração sobre Verratti, recebendo a mesma punição do árbitro.

Aos vinte e um minutos, uma grande arrancada em contra-ataque de De Bruyne tornou o outrora povoado meio-campo em uma avenida de trânsito livre para a Bélgica. E o próprio camisa sete tratou de finalizar, chutando firme no canto direito e com Gianluigi Donnarumma fazendo bonita defesa.

Na marca de vinte e cinco, novamente um contra-ataque para os belgas e novamente ele, De Bruyne, conduziu o time ao ataque: ele arrancou em velocidade e abriu na direita para Romelu Lukaku, que chutou cruzado e viu Donnarumma buscar no canto direito com uma ótima intervenção.

Após essas duas grandes chances de a Bélgica inaugurar o placar, a Itália reagiu. Aos vinte e cinco, Federico Chiesa foi acionado pela esquerda, chutou, a bola desviou em Toby Alderwireld e foi segura por Thibaut Courtois. No minuto seguinte, Insigne tentou de fora da área e a bola viajou perto do ângulo esquerdo. Na marca de trinta, o gol: em erro de saída de bola belga com Jan Vertonghen, Verratti recuperou a bola no ataque e passou para Nicolo Barella, que chutou cruzado no canto esquerdo. Um a zero Itália em Munique.

Nicolo Barella é festejado: a Itália abre o placar diante da Bélgica. Imagem extraída de El Litoral.

 

Se o primeiro tempo terminasse naquele momento, já teria sido ótimo pela qualidade do que foi apresentado. Mas havia mais guardado para ainda antes do intervalo. Aos trinta e nove, após escanteio pela direita, Chiesa pegou a sobra e mandou à esquerda. Aos quarenta e três, saiu o segundo gol italiano. Aliás, um golaço: Insigne carregou pela esquerda, trouxe para dentro driblando Tielemans e chutou bonito, no melhor estilo que o importalizou com a camisa do Napoli, mandando no canto esquerdo de um Courtois que saltou, esticou o corpo de cento e noventa e nove centímetros de estatura, ergues os braços em direção à bola, mas não alcançou. O destino do remate de Insigne era a rede. Dois a zero.

Desfalcada de um de seus principais jogadores - Eden Hazard não foi sequer listado para o banco de reservas -  e com desvantagem de dois gols, a Bélgica não tinha tempo para lamentações. E, numa jogada individual pelo lado esquerdo, o hábil Jeremy Doku foi derrubado dentro da área por Giovanni Di Lorenzo. Pênalti que Lukaku cobrou no meio, com Donnarumma se deslocando para a direita. Era o quinto gol do atacante da Internazionale em cinco jogos diante do goleiro do Milan. A provocação era bônus.

Se o primeiro tempo foi ótimo, o segundo também não decepcionou. Com um minuto, Verratti tinha a bola pelo lado esquerdo e rolou para Chiesa, que chutou à esquerda. Aos seis, Barella avançou e abriu na direita com Chiesa, que cruzou rasteiro com força demais e Ciro Immobile não conseguiu alcançar.

Não é trivial substituir Eden Hazard nos onze iniciais. Na primeira fase, vimos o técnico Roberto Martínez optar por Yannick Ferreira Carrasco, que até teve algumas participações interessantes. Mas se teve uma agradável surpresa nesse Bélgica e Itália foi a escolha de Martínez por Jeremy Doku. Um jovem de dezenove anos de idade, preferencialmente destro e que atua com extrema desenvoltura pelo flanco esquerdo. Tinha sofrido o pênalti convertido por Lukaku no final do primeiro tempo, mas tinha mais a oferecer.

Aos dez minutos, Doku driblou a marcação pela esquerda, foi à linha de fundo e cruzou rasteiro, com Donnarumma abafando em dois tempos e impedindo a saída da bola em escanteio. Na marca de quinze, em rápido de contra-ataque, Doku avançou nas costas de Di Lorenzo e passou para De Bruyne na jogada de ultrapassagem. De Bruyne conseguiu descolar passe para Lukaku que, sem goleiro, completou para o gol. Só que havia um Leonardo Spinazzola no meio do caminho, salvando a pátria italiana.

A Itália via a Bélgica crescer na proporção em que Doku era acionado. Àquela altura, já não se viam jogadas de infiltração no time de Roberto Mancini. Mas os italianos possuem outros recursos. Aos vinte e três, de fora da área, Insigne deu outro belo chute, dessa vez espalmado por Courtois no canto esquerdo.

Martínez trocou Tielemans por Dries Mertens aos vinte e três. E já no minuto seguinte, o meio-campista companheiro de Insigne no Napoli participou de ótima chegada belga: Mertens arrancou, rolou na esquerda para Nacer Chadli (que também acabara de entrar, substituindo Thomas Meunier), Chadli cruzou, a bola foi desviada e por pouco não foi alcançada por Lukaku nem por Thorgan Hazard, com Donnarumma já fora do lance.

Para infelicidade de Chadli, uma lesão não permitiu que ele ficasse mais do que cinco minuto no campo, forçando Martínez a substituí-lo. O técnico optou por Dennis Praet, mesmo tendo Carrasco, Batshuayi e Benteke à disposição.

Com uma Itália totalmente dedicada a se defender, a Bélgica via poucas alternativas para penetração na defesa adversária. Mancini já tinha trocado Verratti por Cristante, Immobile por Belotti e Insigne por Berardi, incrivelmente mexendo em três peças entre meio e ataque sem trazer para jogo Manuel Locatelli, que faz ótima Eurocopa. São coisas assim que dificultam eu criar qualquer admiração por esse treinador, mesmo quando monta equipes funcionais e interessantes como essa italiana. Simplesmente escapa da minha compreensão. Aos trinta e quatro, por motivo de força maior, precisou tirar Spinazzola por motivo de lesão (infelizmente, as notícias posteriores foram de ruptura no tendão de Aquiles daquele que foi possivelmente o melhor lateral esquerdo nessa edição da Euro). Se Roberto Mancini finalmente trouxe Locatelli? Que nada: escolheu Emerson Palmieri.

Aos trinta e oito minutos, a Bélgica apelou para aquele que era o mais insinuante de seus jogadores: Doku. O camisa vinte e cinco recebeu no flanco esquerdo, foi enfileirando marcadores enquanto trazia a bola pro centro e descolou chute forte, que passou perto do travessão.

O pavor da Azzurra com Doku se traduziu na última substituição de Mancini: saiu Chiesa para a entrada de Rafael Tolói. Com os três ítalo-brasileiros em campo e um time praticamente inteiro concentrado na defesa, a Itália já não mais atacava e tinha como dedicação exclusiva fazer o relógio correr mais do que o Doku. Para se ter uma ideia de a que ponto isso chegou, aos quarenta e sete minutos o goleiro Donnarumma ficou aproximadamente dezessete segundos com a bola na mão. Acho que não fui avisado sobre a supressão da "regra dos seis segundos"...

Com o apito final, a Itália avança para a semifinal, quando enfrentará a Espanha. 

A Bélgica, por sua vez, retorna para casa. Foi uma bela campanha, certamente prejudicada pela lesão de Eden Hazard e pela limitação física do valente e dedicado De Bruyne. Mas há uma ótima notícia para os belgas: Jeremy Doku. Olho nesse jovem. Provavelmente será a maior oxigenação dessa geração que já encanta e que, agora, passa a ter um novo elemento para chamar de seu.

Com muita velocidade e habilidade, Jeremy Doku foi um dos destaques na partida. Foto: Reuters.

sexta-feira, 2 de julho de 2021

Yann Sommer Brilha No Jogo E Unai Simón Se Consagra Nos Pênaltis: Espanha Joga Muito E Elimina Suíça

Precisará ser muito criativa a pessoa que quiser criticar a seleção espanhola. Já li e ouvi comentários insanos sobre a Espanha desde a primeira rodada nessa Eurocopa, quando a seleção comandada por Luís Enrique empatou em zero a zero com a Suécia, num jogo de domínio flagrante espanhol pela quase totalidade do jogo. Depois do novo empate - dessa vez por um a um com a Polônia -, mais críticas pesadas ao "rendimento" da seleção. Coloquei "rendimento" entre aspas porque o que essa gente analisa não é o "rendimento", mas o resultado. Teve jornalista esportivo (?) que chegou a declarar que 'a Espanha tem nojo de fazer gol'. Após essa frase totalmente fora da realidade, tivemos uma sapecada de cinco a zero sobre a Eslováquia e um cinco a três sobre a Croácia. Resultado: o ataque mais efetivo na Eurocopa 2020 é o espanhol. Aí passaram a elogiar a Espanha. Como se a Espanha tivesse mudado muito dos dois empates para as duas vitórias. Não, não mudou. Ela permanece soberana na posse de bola. Insinuante no último terço. Com fome - e não nojo - de gol. O que mudou foi, meramente, o resultado.

Mas, não vim aqui para falar de resultado. Vim aqui para analisar o jogo de hoje, pela fase quartas de final, em que a Espanha enfrentou a Suíça na bela cidade russa de São Petersburgo. Foi um jogo em que a Espanha abriu a contagem cedo: já aos sete minutos, após cobrança de escanteio pelo lado direito de ataque, a bola viajou ao encontro de Jordi Alba, que pegou de primeira e contou com desvio em Denis Zakaria para que a bola entrasse no canto direito.

O gol, como era de se esperar, não mudou a forma da Espanha jogar. Porque a Espanha não atua em função de um resultado - ela é movida por uma filosofia de jogo que consiste, fundamentalmente, em atacar a bola e, a partir de seu domínio físico, exercer o domínio territorial que permita atacar o adversário.

Aos dezesseis, Koke cobrou falta perto da quina da área e colocou pouco acima do travessão. Nada de gol de falta nessa Euro até o momento. Aos vinte e quatro, Ferran Torres cruzou da direita e Nico Elvedi cortou antes que a bola pudesse chegar até Álvaro Morata. No Escanteio daí originado, César Azpilicueta deslocou Manuel Akanji com um empurrão e cabeceou, com o goleiro Yann Sommer pegando no alto. Para não dizer que somente a Espanha finalizava, a Suíça teve um escanteio pela direita que Silvan Widmer cabeceou para fora.

Há um detalhe interessante a ser levado em conta: a Espanha, que até aquele momento era a terceira seleção que mais finalizou na Euro 2020, enfrentava uma equipe que era a quarta nesse mesmo quesito. Então, passar o primeiro tempo inteiro sem praticamente ser ameaçada por um conjunto que fez três gols na seleção francesa não é algo meramente trivial. Claro que a capacidade criativa suíça foi abalada pela ausência de Granit Xhaka. A suspensão do meio-campista pelo segundo cartão amarelo no torneio foi um duro golpe no equilíbrio de um time acostumado a ter Xhaka atuando. Para se ter uma ideia, o capitão que veste a camisa dez havia jogado todas as vinte e oito partidas da Suíça desde o término da Copa do Mundo 2018, disputada ali mesmo, na Rússia. Havia ficado de fora de somente dois jogos nos últimos sessenta e um compromissos na Suíça. Então, sua ausência é, de fato, impactante. Mas nada é mais impactante do que a imposição espanhola em deter a posse de bola.

A Espanha voltou do intervalo com Daniel Olmo no lugar de Pablo Sarabia, que havia ainda no primeiro tempo reclamado de uma situação física. Dani Olmo já mostraria serviço com um minuto, só que o chute que parou em defesa de Sommer já estava irregular devido à posição anterior de Morata.

Aos quatro, sem impedimento, Olmo tinha a bola pela esquerda, entortou a marcação e cruzou à meia altura, com Koke cabeceando por cima.

A Suíça tentava ser mais presente no ataque, mas entre ter a bola e criar uma chance de finalizar ia uma longa jornada. Aos seis minutos, Xherdan Shaqiri resolveu literalmente tentar sozinho, cobrando escanteio pela direita de forma a surpreender todo mundo numa tentativa de gol olímpico. A cobrança até foi interessante, mas se direcionou à rede externa. Na marca de dez minutos, novo escanteio para os suíços, dessa vez pelo lado direito: após o levantamento na área, Zakaria cabeceou cruzado e a bola passou perto da trave direita. A Espanha respondeu aos treze, em lance também de bola parada: Sergio Busquets cobrou falta pela direita levantando na área, Ferran Torres ajeitou no peito e chutou uma bola que bateu nas costas de Haris Seferović. Reparou como essa foi a primeira vez que apareceu digitado nessa publicação o nome do maior goleador suíço? Isso dá a dimensão do quanto a Espanha era dominante: o camisa nove, que faz ótima Eurocopa, aparecia mais para ajudar a defesa do que efetivamente para concluir alguma jogada de ataque.

Aos dezoito minutos aconteceu aquela que talvez tenha sido a primeira oportunidade suíça com bola rolando: Ruben Vargas, que havia entrado no lugar de Breel-Donald Embolo ainda no primeiro tempo, carregou pelo lado esquerdo e acionou Steven Zuber com passe entre as pernas de Azpilicueta, que chutou para defesa de Unai Simón no canto direito.

Vladimir Petković tinha planos de mexer na equipe, com Kevin Mbabu e Mario Gavranović se preparando para entrar. Só que, para felicidade do técnico bósnio, um lance aos vinte e dois minutos o fez desistir das substituições naquele momento: após descuido de Pau Torres e Aymeric Laporte, Remo Freuler recuperou a bola em plena área espanhola e tocou para Shaqiri, que mandou um chute devagarzinho, cruzado, tocando na trave direita antes de entrar caprichosamente. Tudo igual no placar em São Petersburgo.

A Espanha, que é movida muito mais por um ideal do que pelas circunstâncias, manteve seu estilo. Aos trinta, em jogada pela esquerda, Olmo recebeu na área e chutou travado por Widmer. No minuto seguinte, um carrinho duro de Freuler em Gerard Moreno (que entrara no lugar de Morata) acabou sendo um duro golpe para a Suíça: o árbitro inglês Michael Oliver não pestanejou e aplicou o cartão vermelho ao agressor.

Se jogar com a Espanha já é difícil em igualdade numérica de jogadores, imagina com o déficit de um homem. Aos trinta e oito minutos, Moreno recebeu perto da área e tratou de chutar de primeira, com a perna esquerda - Sommer defendeu no meio do gol. Dois minutos antes desse lance, Gavranović finalmente entrou em campo, substituindo Seferović. Nos últimos minutos do tempo regulamentar, a Suíça mexeu mais uma vez (Zuber por Christian Fassnacht) e a Espanha outras duas (Ferran Torres por Mikel Oyarzabal e Koke por Marcos Llorente).

A partida foi para a prorrogação e o que se viu nela, principalmente no primeiro tempo, foi uma pressão espanhola daquelas dignas de entrar na galeria das maiores imposições táticas na história das prorrogações em grandes competições. 

Com um minuto, Alba recebeu na esquerda e cruzou para Moreno, que pegou de primeira (só que de canela) e mandou à direita. Aos cinco, Alba chutou forte e Sommer, bem posicionado, esticou o braço para defender no alto. No minuto seguinte, aos seis, Olmo recebeu de Pedri e chutou, mas a bola desviou em Moreno e passou à direita.

A Espanha era intensa e não dava sossego aos suíços, tornando Sommer o protagonista da partida. Aos dez minutos, após bola lançada, Oyarzabal cabeceou, Ricardo Rodríguez cortou parcialmente e Moreno, cara a cara com Sommer, chutou para grande defesa do goleiro. 

Na marca de doze minutos, Oyarzabal recebeu pela direita, chutou cruzado e Sommer espalmou bonito no canto direito. Com quinze, novamente Oyarzabal, novamente pelo lado direito e, adivinhe só, novamente defesa de Sommer - dessa vez encaixando o chute do espanhol.

Não tinha jeito, o destino era o desempate nas penalidades máximas.

A primeira cobrança coube ao capitão espanhol Busquets, que acertou a trave direita quando Sommer saltou para a esquerda. 

Logo na sequência, Gavranović cobrou de forma parecida à sua própria cobrança diante da França: no alto (dessa vez não tão no alto), e no canto direito. Simón foi para a esquerda. Suíça um a zero.

Talvez os corneteiros estivessem preparando o texto para criticar a Espanha pela eliminação nas quartas. Só que não foi dessa vez, caros trombeteiros do apocalipse e comentaristas de resultado. Se nas oitavas a Suíça acertou todas as cobranças diante da França, dessa vez o cenário seria bastante diferente. 

Dani Olmo cobrou o segundo pênalti espanhol e marcou, mandando firme no canto direito, com Sommer acertando o lado mas sem conseguir alcançar o ótimo chute. Um a um.

Fabian Schär, que havia entrado durante a prorrogação, tinha sido bem-sucedido na penalidade diante da França, quando cobrou no canto esquerdo de Lloris. Dessa vez, escolheu o lado direito. E parou em defesa de Unai Simón.

A Espanha podia ficar pela primeira vez na frente quando Rodri, que substituiu Pedri nos últimos minutos na prorrogação, era o próximo a bater. Sommer apontou para o canto direito, desafiando o espanhol. E Rodri optou pelo lado esquerdo, mordendo a isca do jogo psicológico do goleiro, que fez a defesa do chute à meia altura.

Mas, após esse momento, tudo viria a dar certo para a Espanha. Primeiro, Unai catou no canto direito a cobrança rasteira de Akanji, numa batida na bola muito parecida à que Akanji realizou nas oitavas, naquela oportunidade com sucesso. Depois, Moreno, que havia jogado na trave direita diante da Polônia, dessa vez escolheu o canto esquerdo e estufou a rede, com Sommer acertando o lado mas não conseguindo alcançar. Na sequência, Vargas chutou por cima do travessão. Coube a Oyarzabal a chance de colocar a Espanha nas quartas - com os olhos vidrados na bola, ele mandou rasteiro no canto esquerdo e foi para a comemoração.

Unai Simón defende a cobrança de Manuel Akanji: nos pênaltis, a Espanha superou a Suíça nas quartas de final na Eurocopa 2020. Imagem extraída de Impala.

 

A Espanha avança às semifinais e não há qualquer razão para duvidar de sua capacidade de conquistar a Eurocopa mais uma vez, podendo ser o tricampeonato num intervalo de quatro edições.

Já a Suíça, que foi gigante diante da França e, com um jogador a menos, resistiu como pôde diante da Espanha, tem muitos motivos para acreditar na possibilidade de fazer ótimas Eliminatórias Europeias visando a classificação para a próxima Copa do Mundo.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Porcaria No Parque

O estádio palmeirense recebeu grande público no jogo de ida pelas quartas-de-final na Copa do Brasil 2017, sendo palco de uma bela partida nessa noite de quarta-feira.

Então por que "Porcaria No Parque"?, alguém poderia indagar. Estimado leitor e estimada leitora, depende do que você atribui à palavra "porcaria". Reconhecendo os porcos como animais inteligentes, sensíveis e brincalhões, esse termo contempla a desenvoltura do futebol apresentado pelos comandados de Cuca. Um time alegre, envolvente, que busca o gol coletivamente. Porcos, por sinal, são seres altamente sociáveis.

Porém, o futebol não tem compromisso com a justiça (assim como muitos humanos também não têm, afinal, bastante gente submete porcos a uma vida miserável simplesmente para convertê-los em pedaços de lingüiça, salame, presunto, mortadela...). E o placar do primeiro tempo sentenciava 3a0 para o Cruzeiro, que chegou aos gols em três ótimas tramas, nas suas três finalizações até então. Um duro golpe aos donos da casa, que criavam chances mas não tinham a mesma felicidade no momento de concluir. Mas, ao contrário da sentença de morte nos matadouros - o Brasil mata oficialmente um porco a cada segundo - o futebol permite uma volta por cima. Viria o segundo tempo.

Teve comentarista esportivo que, no intervalo, comparou a atuação do Palmeiras diante do Cruzeiro com a do Brasil diante da Alemanha na fatídica semifinal de 2014. Péssima comparação. Se naquela ocasião a seleção de Felipão levou um baile de bola da equipe de Löw, dessa vez o que se via era uma partida equilibrada, apesar do placar elástico. E tanto o equilíbrio quanto a elasticidade foram rompidos no segundo tempo: o Palmeiras passou a dominar o jogo e o resultado foi refletindo essa predominância.

No final, um 3a3 construído com belo futebol. Uma porcaria de atuação. Infelizmente, durante os 90 minutos em que se disputou essa partida, esse país matou aproximadamente 5400 suínos. Todos inocentes. Todos sencientes. É o 7a1 que não vira notícia nos meios de comunicação. Que não possui apelo popular. E então, é a minha vez de perguntar: como pedir paz no esporte se nos alimentamos diariamente de violência?
Porco: símbolo do Palmeiras, vítima da indústria alimentícia. Imagem disponível em pesquisa no Bing.

domingo, 3 de julho de 2016

Resumão Das Quartas Na Eurocopa 2016

As quartas-de-final na UEFA Euro 2016 reservaram fortes emoções aos apaixonados por futebol. De surpresas a confirmações de favoritismo, de jogos definidos nos pênaltis a goleada, bastante coisa aconteceu de interessante entre quinta-feira e domingo. Vamos a alguns pitacos.

[1] Polônia 1(3)a(5)1 Portugal.
[1.1] Saiu o primeiro gol de Robert Lewandowski na Eurocopa 2016. Logo no início da partida, ele aproveitou passe de Grosicki em jogada pela esquerda e completou esbanjando aquele oportunismo habitual que é exibido temporada após temporada na Bundesliga.
[1.2] Renato Sanches, jovem talento que será parceiro de Lewandowski no Bayern de Munique, mostrou que está pronto e preparado para ajudar a seleção portuguesa. Marcou o gol de empate após tabela com Nani e, principalmente, se ofereceu à equipe. Demonstra mais senso de coletividade que alguns astros consagrados (sim, isso foi uma indireta - que com esses parênteses se torna direta - ao Cristiano Ronaldo).
[1.3] Desempate por pênaltis é uma coisa que foge completamente da análise pragmática: na definição da classificação portuguesa, eis que o único polonês a desperdiçar a cobrança foi exatamente aquele jogador que tem uma das melhores pontarias da equipe: Blaszczykowski. Grande defesa do goleiro Rui Patrício.
[1.4] Capricho dos deuses do futebol que a cobrança derradeira tenha cabido a Ricardo Quaresma. O tatuado camisa 20, que veio do banco para novamente contribuir, vem fazendo bela competição e dando uma força ofensiva muito útil para abrir a última linha de defesa adversária, principalmente pelos flancos.

[2] País de Gales 3a1 Bélgica.
[2.1] Considerando a diferença de nível técnico entre as equipes (com todo respeito aos galeses, que têm muitas qualidades) e a circunstância do jogo (leia-se o golaço de Nainggolan aos doze minutos para abrir a contagem), País de Gales conseguiu um resultado histórico ao conseguir virar a partida.
[2.2] Curiosamente, em nenhum dos três gols houve participação direta do sempre participativo Gareth Bale. Coube a Aaron Ramsey conduzir a classificação com duas assistências na partida. Sua suspensão a ser cumprida na semifinal terá, sem dúvida, um impacto no time. Será desafiador jogar sem o cerebral camisa 10.
[2.3] A excepcional geração belga merece os elogios que recebe e o que Marc Wilmots vem fazendo frente a esta seleção é algo que não pode ser jogador fora pura e simplesmente devido a uma ou outra eliminação. Deve, isto sim, ser exaltado o esforço de fazer um elenco talentoso jogar de maneira a evidenciar essa capacidade técnica acima da média. Os desfalques na última linha de defesa pesaram, mas talvez sejam os jovens que não funcionaram nesse jogo aqueles que irão suceder os mais experientes. E Wilmots mostra sensatez ao pedir que os garotos sejam poupados de críticas. Hoje, a Bélgica caminha no sentido certo.

[3] Alemanha 1(6)a(5)1 Itália.
[3.1] Embora dominante territorialmente e sendo propositiva na maior parte do tempo, a Alemanha esbarrou na estratégia italiana. Uma estratégia que, diferentemente das oitavas diante da Espanha, zelou muito mais pelo anti-jogo do que por qualquer outra coisa. A Azzurra jogou por menos do que "uma bola". Se pudesse definir a classificação no cara-ou-coroa, provavelmente Antonio Conte se prontificaria a fazê-lo.
[3.2] Inegável que haja mais qualidade na equipe alemã, mas não justifica o excesso de defensivismo italiano na partida. De toda forma, fica evidente que os campeões mundiais, com toda a dificuldade que tiveram para obter a classificação, não são um time imbatível. Mas são o time a ser batido. Um time que dá gosto de ver jogar, mesmo quando o jogo é truncado.
[3.3] Seguindo o fluxo ilógico de um esporte onde vemos perderem pênaltis Lionel Messi e Arturo Vidal numa final de Copa América, a Alemanha viu Müller, Özil e Scweinsteiger desperdiçarem cobranças. Buffon estava pronto para sair como herói. Mas Neuer, com a frieza e a competência que lhe caracterizam, conseguiu ajudar os alemães a, finalmente, superarem os italianos em "jogo pra valer".
[3.4] Apenas para não deixar passar em branco: Boateng cometeu o pênalti convertido por Bonucci porque marcava corretamente o Chiellini. Curiosamente, seus braços esticados de modo a não cometer infrações no adversário, acabaram encontrando a bola naquela cobrança de escanteio. Faz grande Eurocopa o defensor alemão, que terá a missão de conduzir novamente o setor, dessa vez sem Hummels ao lado.

[4] França 5a2 Islândia.
[4.1] Possivelmente a melhor atuação de uma seleção nos primeiros quarenta e cinco minutos de partida nessa Euro. 4a0 com autoridade, naturalidade, intensidade. Tudo junto e misturado num liquidificador que triturou completamente a defesa e o sonho islandês em Paris. Deschamps conseguiu o ponto de equilíbrio num time marcado pela leveza e movimentação. Grandes atuações de Payet e Griezmann.
[4.2] A Islândia fez história nessa Eurocopa. Marcando gol em todos os jogos, não se intimidando em nenhum deles, procurando sair para o jogo quando via a possibilidade - conseguiu superar as próprias limitações e proporcionar um nível de competitividade de uma maneira a protagonizar jogos agradáveis de se assistir. Sair com uma goleada nas costas é doloroso. Mas a campanha viking na França é para ser lembrada com carinho por gerações. Sobretudo pela mobilização popular, desde as menos conhecidas cidades islandesas até as arquibancadas dos mais famosos estádios franceses. Engrandeceu o futebol. E merece os nossos aplausos.
Sinergia entre time, torcida e nação: a Islândia deu um espetáculo na França. Foto: Reuters / C. Hartmann.

terça-feira, 30 de junho de 2015

A Experiência De Assistir Argentina E Colômbia Em Viña Del Mar

Sausalito! Saudades desse estádio, que tive a feliz oportunidade de visitar no dia 26 de junho de 2015 e no qual pude acompanhar o ótimo jogo entre Argentina e Colômbia, pela fase semifinal na Copa América.

Múltiplas alegrias. A alegria de estar viajando pela primeira vez para o Chile, na maravilhosa companhia da minha mãe. A alegria de estar assistindo o esporte que mais gosto de acompanhar, envolto de duas torcidas festivas. A alegria de estar presente num torneio como a Copa América, o mais antigo entre seleções do mundo. A alegria de assistir o maior da história: Lionel Messi. A alegria, enfim, de uma atmosfera especial.

A chegada ao estádio passava pelo terminal rodoviário de Viña del Mar e foi uma verdadeira aventura, pois chegamos à cidade-sede da partida sem ingressos em mãos - conseguimos buscá-los, gerando uma sensação de alívio. Nos molhamos no oceano Pacífico. Passeamos. E fomos ao jogo.

O estádio, bastante simpático, era de dimensões relativamente reduzidas (comportando algo em torno de vinte e duas mil pessoas) mas caprichado na sua simplicidade. Longe de ser dos mais confortáveis, era, porém, permeado por todo um clima já destacado anteriormente. E se o vento frio fazia despencar a temperatura nas arquibancadas, os festejos das torcidas (argentina, colombiana, chilena... e nós, brasileiros apoiando a Argentina) mantinha a sensação térmica nos conformes.

O jogo foi possivelmente um dos melhores na competição. Muita qualidade técnica dos dois lados e um futebol muito bem desenvolvido pela Argentina. Se a Colômbia decepcionou (muito abaixo da espetacular performance na Copa do Mundo), os argentinos mantiveram um bom nível de jogo, talvez até acima do Mundial. E mereciam a vitória. Vitória que teria acontecido com maior tranqüilidade se não fossem duas intervenções de caráter miraculoso do goleirão Ospina. Vitória que teria sido construída mais naturalmente se as traves estivessem "jogando a favor". Mas vitória que não seria a mesma do que a que de fato foi. Foi sensacional ver o gol da classificação sair nos pênaltis, numa cobrança de Tévez. Tévez, que "eliminou" a Argentina na Copa América 2011, ao desperdiçar, no seu país, a cobrança diante do Uruguai, também na fase quartas-de-final. Mais quatro voltas completas em torno do sol e o planeta Terra pôde testemunhar a volta por cima de Carlitos. Um prazer e um privilégio estar lá, vendo tudo de perto.








segunda-feira, 29 de junho de 2015

A Experiência De Assistir Chile E Uruguai Em Santiago

Numa experiência única, fui até o estádio Nacional de Santiago assistir a partida entre Chile e Uruguai, disputada no último dia 24 de junho (quarta-feira). Uma partida que teve a seleção chilena ditando o ritmo dos acontecimentos, mas não raramente esbarrando na barreira defensiva uruguaia. A Celeste, montada basicamente para (sobre)viver à base de contra-ataques, começou a sucumbir após a expulsão de Cavani, no segundo tempo (o jogador do PSG revidou provocação de Jara e recebeu seu segundo cartão amarelo na partida).

Mesmo sem repetir seus melhores momentos na primeira fase (longe disso), o Chile conseguiu a vitória com um gol de Isla e uma total falta de inspiração e proposta de jogo por parte do tradicional adversário. À parte a péssima arbitragem de Sandro Meira Ricci, a apresentação irregular dos comandados de Jorge Sampaoli e a postura covarde do time dirigido por Oscar Tabárez, foi sensacional viver o clima da partida que colocou os anfitriões na semifinal da Copa América 2015.

Se imagens descrevem melhor que palavras, lá vão algumas delas (todas exclusivas). Parabéns ao Chile pela vitória e aos chilenos pela festa. Obrigado, meu Deus, por me proporcionar essa oportunidade. Sempre na ótima companhia de mamãe - frio nenhum pode deter essa dupla. Viva o futebol!






terça-feira, 21 de abril de 2015

É Lindo De Se Ver - Bayern Avança Dando Espetáculo

Foto: Getty Images.
Existem personalidades no futebol das quais jamais é recomendável duvidar de suas capacidades. Por mais que no jogo de ida sua equipe possa ter se apresentado de maneira abaixo do que se espera. Por mais que sua equipe entre em campo desfalcada de quatro jogadores considerados titulares. Por mais que sua equipe se veja na obrigação de vencer por 2a0 ou pelo menos três gols de diferença para avançar num torneio altamente competitivo. Por mais que se noticie a existência de uma crise interna no clube, culminando com a saída de um profissional da área médica que tinha décadas de vínculo com a instituição. Por mais ou por menos. Quando estamos falando de alguém da competência e do talento de Josep Guardiola, jamais é recomendável duvidar de suas capacidades.

A goleada do Bayern de Munique sobre o Porto nesse vinte e um de abril de dois mil e quinze - feriado de Tiradentes no Brasil - serve como mais um exemplo de aula de futebol proporcionado por um time comandado por Pep. O Porto, por mais inferior que possa ser se comparado ao Bayern, não tinha muito o que fazer a não ser assistir cada lição ensinada na Baviera. Entre tantas belas jogadas, gols construídos com posse de bola, infiltração, triangulação, troca de passes de primeira, entre tantas outras diversificações, foram ingredientes que valorizaram a vitória, valorizaram a classificação e, melhor que tudo isso, valorizam o esporte futebol.

Por isso, um registro, mais um registro, de agradecimento ao Guardiola por proporcionar momentos como esse ao amante do futebol arte. O placar em si (6a1) chega a ser o menos relevante. Se tivesse terminado 2a0, já estava tudo certo. O mais importante mesmo é sermos agraciados com um desempenho de tão alto nível agora e, se os deuses do futebol permitirem, nas próximas fases da Liga dos Campeões da Europa. As quartas-de-final na UCL nem terminaram mas já estou na expectativa da semi. Lembrando que, esse ano, a final será em Berlin, capital alemã.

Alguém duvida do Bayern?

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Copa 2014: Seleção Das Quartas-de-finais

Nunca antes na história da Copa do Mundo havíamos tido uma fase de quartas-de-final com oito líderes de grupo. Até o Mundial-2014. Brasil (A) e Colômbia (C); Holanda (B) e Costa Rica (D); França (E) e Alemanha (G); e Argentina (F) e Bélgica (H) confirmaram que não houve obra do acaso para que liderassem suas respectivas chaves.

Só que, em termos de nível de jogo e de emoção, as quartas ficaram abaixo das oitavas. O que é até compreensível: o desgaste físico aumenta, a competitividade se acentua e o grau de dificuldade ganha relevo. No final das contas, restam dois gigantes sul-americanos e dois gigantes europeus. De um lado, Brasil e Alemanha. De outro, Argentina e Holanda. Todos os quatro com méritos por chegarem até essa fase, embora seja nítido que a seleção brasileira seja, disparada, a menos organizada das quatro remanescentes. E a que menos honra a camisa, absolutamente afastada das suas tradições de procurar jogar com graça e beleza - atualmente muito pelo contrário, vêem-se mais pontapés do que toques refinados, jogar no erro do adversário do que propôr o ritmo do jogo, garantir o resultado do que mostrar efetiva superioridade. Culpa de uma péssima gestão desde a Confederação Brasileira de Futebol como um todo até a comissão técnica em particular.

Vamos escalar.

Titulares

Goleiro: Keylor Navas (Costa Rica)
Lateral direito: Pablo Zabaleta (Argentina)
Zagueiro: Mats Hummels (Alemanha)
Zagueiro: David Luiz (Brasil)
Lateral esquerdo: José María Basanta (Argentina)
Volante: Yeltsin Tejeda (Costa Rica)
Volante: Javier Mascherano (Argentina)
Meia: Arjen Robben (Holanda)
Meia: Lionel Messi (Argentina)
Meia: James Rodríguez (Colômbia)
Atacante: Gonzalo Higuaín (Argentina)
Técnico: Louis van Gaal (Holanda)

Suplentes

Goleiro: Manuel Neuer (Alemanha)
Lateral direito: Camilo Zúñiga (Colômbia)
Zagueiro: Vincent Kompany (Bélgica)
Zagueiro: Mario Yepes (Colômbia)
Lateral esquerdo: Daley Blind (Holanda)
Volante: Bastian Schweinsteiger (Alemanha)
Volante: Marouane Fellaini (Bélgica)
Meia: Thomas Müller (Alemanha)
Meia: Neymar (Brasil)
Meia: Cristian Bolaños (Costa Rica)
Atacante: Karim Benzema (França)
Técnico: Alejandro Sabella (Argentina)

Destaque

Imagine você que o próximo jogo será diante de uma seleção que anotou 10 gols nos primeiros quatro jogos e que foi vazada somente duas vezes. Coincidentemente, foi isso que aconteceu com a Alemanha em 2010 (quando enfrentou a Argentina nas quartas-de-final) e voltou a ocorrer em 2014 (quando o adversário da vez nas quartas foi a França). Confronto complicado, né?

Mas os alemães trataram de descomplicar. Na África do Sul, foi um 4a0 avassalador. Dessa vez, um 1a0 relativamente apertado. Mas cuja vitória raramente foi colocada em risco. É que, se quatro anos atrás havia brilhado a estrela de Schweinsteiger (e de Müller e tantos outros), dessa vez quem comandou a seleção alemã foi um zagueiro. Aliás, melhor chamá-lo pelo artigo masculino definido singular: o zagueiro. O zagueiro Mats Hummels.

Impecável na defesa e oportunista no ataque (marcou o gol da vitória já no começa de jogo), Hummels foi elemento intransponível para o sistema ofensivo da França. Quem vê uma atuação dessa jamais imagina que estamos falando de alguém que não jogou as oitavas devido a uma gripe. E que, segundo Joachim Löw, teve uma espécie de recaída na véspera da partida. Ou seja, com Hummels não passa atacante, não passa meia, não passa vírus. E a Alemanha, com Hummels, passa de fase. Passa para mais uma semifinal de Mundial.
Foto extraída do Blog Campeões
Mats Hummels comemora o gol alemão, o da classificação: zagueiro foi decisivo nesse lance e em diversos momentos no campo de defesa.

domingo, 6 de julho de 2014

Van Gaal Dá A Receita Para A Classificação: Bom Futebol E Duas Laranjas Verdes

Foto: Michael Dalder / Reuters
De tantos gols nos outros jogos que sediou no Mundial, a Fonte Nova se despediu na Copa do Mundo 2014 com uma novidade: um 0a0. Só que o estádio em Salvador foi tão abençoado (nunca subestime a fé dos baianos!), que tivemos entre Holanda e Costa Rica uma das partidas mais emocionantes em todo o torneio. O placar foi apenas para enganar os que perderam um jogaço.

A Holanda foi escalada com Kuyt e Blind nas alas, Sneijder na ligação e Robben, Memphis e Van Persie mais à frente. Formação de dar gosto de ver. A Costa Rica tinha em Bryan Ruíz, Bolaños e Campbell seu trio ofensivo, contando com os cinco defensores e os dois volantes para darem a segurança necessária para conter o poderio ofensivo laranja. Laranja mesmo - a Holanda jogou com camisa, calção e meia na sua cor tradicional, o que acho particularmente belíssimo, um patrimônio do futebol mundial.

O treinador colombiano Jorge Pinto, mais uma vez, conseguiu jogar de igual para igual com um adversário tecnicamente superior. Resistiu defensivamente sem abrir mão de sair para o jogo. Só que a Holanda de Van Gaal foi esmagadora territorialmente, conseguindo principalmente através de Robben prensar a Costa Rica na própria área. O camisa onze laranja faz uma Copa fantástica, apresentando o repertório incrível de sempre e esbanjando uma forma física como talvez nunca antes vista em sua carreira.

Mas então, como explicar a ausência de gol? Em duas palavras: Keylor Navas. Para confirmar de uma vez por todas a excepcional Copa do Mundo do arqueiro costarricense, o camisa 1 só não fez chover porque parecia bem à vontade no gramado sob aquelas condições climáticas. Defesas dignas dos grandes goleiros e que, em alguns momentos, atravessavam a fronteira do futebol profissional para ação de pai-de-santo - seja colocando o corpo na direção da bola quando parecia impossível, seja sendo agraciado pela ação das traves. Ainda contou com ajuda de um companheiro, quando Tejeda evitou o gol holandês de maneira espetacular, desviando de maneira sutil o suficiente para levar a bola ao travessão. Isso no final no segundo tempo, para levar a partida à prorrogação!

Van Gaal havia tentado aquele "algo mais" colocando Lens no lugar de Memphis e Huntelaar no lugar de Bruno Martins Indi, partindo pro ataque de maneira avassaladora e gerando lances espetaculares como os mencionados anteriormente. E outros mais.

Se a Costa Rica resistiu como pôde à pressão holandesa, a verdade é que também ficou perto de mais uma classificação histórica e heróica, parando em defesa salvadora de Jasper Cillessen nos instantes finais.

E aí, quando a gente fica na dúvida de qual goleiro fará história - se Navas ou Cillessen -, surge uma novidade. Surge um trunfo. Navas era atendido no campo de jogo enquanto um goleiro estava no aquecimento na beira do gramado. Só que Navas, costarricense, veste azul. Aquele grandalhão fora do campo vestia verde, a cor do uniforme do holandês Cillessen, inteiraço fisicamente. Como explicar? Navas foi atendido, permaneceu em campo e continuou sua grandiosa atuação. No último minuto na prorrogação, Van Gaal promoveu a última substituição: Cillessen por Tim Krul. Goleiro por goleiro. Era a confiança que o camisa vinte e três fizesse a diferença nos pênaltis. Estava sendo escrito um capítulo único na história das Copas: Krul entrou, acertou o lado em todas as cinco cobranças e, não satisfeito, defendeu os chutes de Bryan Ruiz e Umaña. A Holanda converteu suas quatro penalidades. Mais Navas a declarar. Com dois toques na bola, Krul era determinante a colocar os holandeses nas semifinais. O goleiro fez história. E viva a genialidade e a ousadia de um treinador que parece não cansar de surpreender. O futebol só tem a agradecer.

Papa Francisco Protege: Argentina Elimina Diabos Vermelhos

Foto: Getty Images
Vai passando o tempo, vão sucedendo as fases e chega o inevitável: o cruzamento de grandes equipes para ver quem segue no Mundial e quem se despede. O jogo entre Argentina e Bélgica representa isso. Duas seleções que brilharam em suas Eliminatórias (Argentina campeã na América do Sul; Bélgica líder e invicta em seu chaveamento na Europa). Duas seleções que ganharam todas as partidas que disputaram na Copa 2014 (a Argentina de Bósnia & Herzegovina, Irã, Nigéria e Suíça; a Bélgica de Argélia, Rússia, Coréia do Sul e Estados Unidos). Com todas as qualidades dos selecionados derrotados aqui mencionados, a Bélgica era para a Argentina o que a Argentina era para a Bélgica: seu maior adversário no Mundial até então. Felizardo que sou, aqueles ingressos adquiridos meses atrás, quando sequer os grupos haviam sido definidos, calhou de ser para esse encontro entre argentinos e belgas. E tive a experiência única e inesquecível de presenciar Lionel Messi no estádio Mané Garrincha. Uma bênção!

O clima nos arredores do estádio confundia os desavisados: era Argentina e Bélgica ou Argentina e Brasil? Era um pouco de cada coisa. Felizmente, dentro de campo, não havia brasileiro nenhum. E, na beira do gramado, Alejandro Sabella e Marc Wilmots dando seqüência a dois trabalhos elogiáveis. São times com grandes jogadores, mas que não dependem exclusivamente deles. Têm um sistema cada vez melhor definido. São consistentes. Sabem onde procurar e encontrar os companheiros desmarcados (ou, pelo menos, com mais espaço). Resultado disso, em números, foi a vitória da Argentina por 1a0. Resultado disso, em palavras, foi uma linda tarde em Brasília.

Porém nem tudo são flores, há dissabores, infelicidades (aqui usando trecho do enredo "É De Arrepiar" da Unidos do Viradouro, carnaval 2008). Havia brasileiros mais preocupados em atrapalhar o lazer dos argentinos do que em assistir o jogo em si. Sinceramente: para ir ao estádio nessas condições, é preferível nem ir. Mas cada um é cada um, e fiquei cercado de gente mala por tudo quanto é lado (exceto pelo meu lado direito adjacente, na ótima companhia da minha irmã). Lugar de mala não é no estádio, né? De toda forma, o futebol é muito maior que tudo isso. Lionel Messi é muito maior que tudo isso. E a manifestação dos torcedores argentinos, que foram assistir futebol, anula esses inconvenientes. Foi uma linda festa.

Ver Messi aquecendo no gramado, chutando no gol, já era uma sensação especial por si só. Ainda mais tendo dado a sorte de ficar tão bem posicionado no estádio. Para ter uma idéia, a bola de Gonzalo Higuaín que carimbou o travessão e subiu, por pouco não me atingiu. Aliás, por falar em Higuaín, que partidaça do atacante do Napoli! Marcou o gol no oitavo minuto mostrando oportunismo e precisão, em jogada com participação de Messi e Ángel di María.

Puxa vida... cá estou falando de Di María... Ainda no primeiro tempo, o herói nas oitavas sofreu uma contusão e precisou deixar o campo. Sabella colocou Enzo Pérez em seu lugar. Enzo entrou bem, compôs o meio-campo com ótimo senso de posicionamento. Mas a notícia mais desagradável veio depois: diz-se que a Copa acabou para Di María.

Bem postada, a Argentina não se abateu nem com a saída do camisa sete e conseguiu neutralizar a maioria das jogadas da Bélgica. Conteve o veloz Origi, novamente titular (no segundo tempo, Lukaku entrou em seu lugar). Acompanhou o participativo Fellaini de perto (o camisa oito parecia ter um ímã que atraía o chip e a bola para si). Reduziu os espaços para Hazard (que novamente não produziu o que dele se espera). E manteve-se firme defensivamente mesmo após as entradas de Mertens (saiu Mirallas, que quase marcou gol de cabeça ainda antes do intervalo) e Chadli (substituiu Hazard). Zabaleta foi gigantesco na marcação de Vertonghen. Mascherano foi fundamental na proteção à defesa. Basanta mostrou-se um bom substituto para o suspenso Rojo. Romero correspondeu quando exigido. Demichelis e Garay mostraram-se atentos nos noventa minutos. Biglia passou discreto aos meus olhos, o que considero um bom sinal tratando-se de um volante. Lavezzi buscou jogo, mas teve dificuldades diante de Vertonghen e Kompany. Palacio entrou em seu lugar agregando velocidade, dificultando a saída de bola oponente e nada mais. Também não precisava: Gago substituiu Higuaín para promover a definitiva segurança no meio-campo e os aplausos a um dos melhores jogadores em campo, um camisa nove que fez de tudo - não "apenas" o gol. Só não digo o melhor em campo porque naquele bendito gramado no estádio que carrega o nome do maior em todos os tempos estava ele, o maior que vi jogar. Messi faltou andar em cima da bola. Que categoria! Que elegância! Que talento! Só não marcou mais um na Copa porque sua cobrança de falta teimou em subir alguns centímetros a mais. Centímetros poucos. Ao contrário do goleiro Courtois, de centímetros muitos, cerca de dois metros, que conseguiu parar o gênio em contra-ataque bem diante dos meus olhos. É claro que torci pelo gol do mito, mas fui frustrado. Tudo bem. No final ficaram os aplausos para o goleiraço belga. E para Messi. Viva o futebol! Obrigado, Argentina e Bélgica!

Galeria de imagens de Argentina e Bélgica (incluindo registros pré e pós-jogo).

 Rodinha descontraída antes do jogo começar: Sergio Agüero presente.
 Lionel Messi e Gonzalo Higuaín aparentemente olhando para um ponto em comum: os dois jogaram muito.
 Lionel Messi chutando: a bola foi na gaveta, estufando a rede.
 Mais de Messi.
 Nunca é demais, porque ele é demais: Lionel Messi.
 Argentinos indo para os vestiários antes de voltarem para o jogo: torcedores já os saúdam com fervor.
 Juan Sebastián Verón (à direita): aposentado dos gramados e agora comentarista.
 Torcedores argentinos no estádio Mané Garrincha.
 Torcedores belgas no estádio Mané Garrincha.
 Seleções entrando em campo.
 Alinhando para os hinos nacionais.
 Dizem que os gênios sempre fazem algum movimento diferente. É verdade.
 Os 22 titulares de Argentina e Bélgica e o quarteto de arbitragem.
 Visão do gramado.
 Jogadores celebram a classificação - ao fundo, o lamento da eliminação.
 Argentinos comemorando o momento histórico: retorno às semifinais após 24 anos.
 Papa Francisco presente.
 Belgas agradecem carinho dos fãs.
 Festa argentina no estádio.
 Courtois agradece o público. E digo mais: ele olhou pra mim instantes antes desse registro.