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domingo, 4 de julho de 2021

Inglaterra Passeia Em Roma, Faz Quatro A Zero Na Ucrânia, E Volta A Wembley Com Sede De Título

Se nas outras três partidas dessa fase tivemos três confrontos bastante disputados (Espanha e Suíça decidiram a vaga nos pênaltis, a Itália passou pela Bélgica com vitória por dois a um e a Dinamarca venceu a República Tcheca também por dois a um), a Inglaterra sobrou diante da Ucrânia e aplicou a sua maior goleada na história das Eurocopas: um inapelável quatro a zero, com dois gols de Harry Kane, um de seu xará Harry Maguire e um de Jordan Henderson, que anotou seu primeiro gol com a camisa que vestiu sessenta e duas vezes.

Mesmo com as ótimas atuações de Grealish, Southgate dá titularidade a Sancho

Com uma formação diferente da que venceu a Alemanha por dois a zero nas oitavas, o técnico Gareth Southgate diminuiu a última linha de cinco para quatro homens, com Kieran Trippier indo para o banco de reservas e Kyle Walker assumindo a lateral direita. Outra modificação foi no setor de meio campo, barrando Bukayo Saka e promovendo Jordan Sancho e Mason Mount aos onze iniciais. Um desenho mais ofensivo, sem dúvidas, mas que estranhamente abdicou de utilizar Jack Grealish, um dos destaques na vitória sobre os alemães.

Andriy Shevchenko, por seu turno, alterou o meio campo ucraniano em relação ao preparado na vitória por dois a um sobre a Suécia na prorrogação. E essa solitária mudança de jogadores - qual seja, a saída de Taras Stepanenko para a entrada de Vitaliy Mykolenko - modificou significativamente a forma da equipe jogar, pois Oleksandr Zinchenko, o melhor jogador em campo na partida diante dos suecos na fase de oitavas de final, retornava a uma posição mais centralizada, abandonando a bem-sucedida função de atuar pelo flanco esquerdo do gramado, que é exatamente a que ele está acostumado a fazer no Manchester City de Josep Guardiola.

Parceria entre Sterling e  Kane funciona e English Team abre o placar aos três minutos

Assumindo a iniciativa no uso da posse de bola, a Inglaterra foi ao ataque desde cedo. E logo aos três minutos, conseguiu chegar ao gol: Raheem Sterling conduziu a bola da esquerda para o centro, atraiu a marcação ucraniana e descolou excelente passe para Harry Kane, que só teve o trabalho de esticar a perna e desviar, de bico, antes da chegada do goleiro Heorhii Bushchan. Um gol com a marca de um goleador num lance que merece ser exaltado, mais ainda, pelo passe magistral de Sterling. Um a zero Inglaterra em Roma, na primeira partida da seleção inglesa fora de Wembley nesse Eurocopa.

Harry Kane estica a perna direita e, de bico, empurra para o gol: a Inglaterra abre o placar diante da Ucrânia. Foto: Estadão Conteúdo.

 

Ucrânia procura atacar, mas consistência inglesa inibe a ação ofensiva adversária

Com um plano de jogo inicial que parecia ser o de se fechar atrás e sair em contra-ataques, o gol sofrido aos três minutos foi um balde de água na temperatura ambiente do inverno ucraniano. A vontade de buscar o empate esbarrava nas limitações da equipe e, mais ainda, na muito bem postada defesa inglesa. Andriy Yarmolenko, um dos destaques da Ucrânia no torneio, era figura sumida na partida, sucumbindo em meio ao sólido sistema de marcação da Inglaterra. E se a capacidade criativa ucraniana estava totalmente abafada pelo adversário, a primeira grande oportunidade de empatar o jogo se deu graças a um erro da seleção inglesa: aos dezesseis minutos, Walker tocou curto demais para John Stones, Roman Yaremchuk fez a interceptação, avançou pela esquerda e chutou rasteiro, parando em defesa de Jordan Pickford no canto direito.

Inglaterra domina territorialmente e cria chances de ampliar

Mantendo o adversário fora do último terço do campo, a seleção inglesa foi exercendo um domínio cada vez maior. E, com naturalidade, criou oportunidades de chegar ao segundo gol.

Aos vinte e um minutos, numa jogada entre Sancho e Sterling, Luke Shaw cruzou rasteiro da esquerda mas ninguém apareceu para a finalização. Na marca de vinte e oito, Shaw cobrou falta pela esquerda levantando na área e Kane cabeceou por cima. Com trinta e dois, Declan Rice chutou com muita força uma bola que passou a centímetros (talvez milímetros) de Zinchenko, viajou entre Serhiy Kryvtsov e Mykola Matvienko e, sabe-se lá como, Bushchan conseguiu rebater mesmo com tantos jogadores cobrindo a sua visão do lance.

Por falar em Kryvtsov, o zagueiro central acabou sendo substituído ainda no primeiro tempo, dando lugar a Viktor Tsygankov aos trinta e quatro minutos.

A Inglaterra encontrava mais facilidade pelo lado esquerdo: aos trinta e nove minutos, Sterling passou para Shaw que, em posição duvidosa, tocou atrás para Sancho, que chutou firme e Bushchan voltou a rebater. 

Apesar do deserto de circunstâncias no campo de ataque, até houve uma última finalização ucraniana antes do intervalo, quando, aos quarenta e dois, Mykola Shaparenko pegou sobra de bola de Shaw e mandou para fora, à esquerda.

No segundo tempo, ingleses marcam dois gols nos primeiros quatro minutos

Logo no primeiro minuto na etapa complementar, a Inglaterra tinha uma falta para cobrar pelo lado esquerdo de ataque, quando Serhiy Sydorchuk derrubou Kane. Shaw se encarregou da cobrança, levantou na área, Maguire saltou se apoiando em Matvienko (não houve manifestação do VAR) e cabeceou para a rede. Dois a zero no placar.

O que estava bom para os ingleses ficou ainda melhor apenas três minutos depois: Sancho recuperou a bola na defesa, Mount puxou o contra-ataque arrancando em velocidade, Sterling recebeu e passou com estilo para Shaw, que cruzou na medida para Kane - com um cabeceio protocolar para o chão, o camisa nove colocou entre as pernas de Bushchan, marcando o terceiro da Inglaterra no jogo e seu terceiro gol na competição.

Jordan Henderson sai do banco e marca pela primeira vez com a camisa da seleção

Com o jogo sob controle e o resultado confortável, aos onze minutos o técnico Southgate trocou Rice por Jordan Henderson, experiente meio-campista do Liverpool e veterano na seleção inglesa.  

Cinco minutos após pisar no gramado, Henderson lançou Sterling, a defesa afastou e Kane emendou de primeira, com Bushchan sevitando o quarto gol ao espalmar no canto esquerdo. Veio a cobrança de escanteio: Mount cruzou e ele, Henderson, surgiu no primeiro poste cabeceando firme, marcando seu primeiro gol após sessenta e dois jogos representando o English Team. Interessante observar que, no último amistoso da Inglaterra antes da Eurocopa, Henderson havia desperdiçado um pênalti diante da Romênia.

Jordan Henderson é bastante festejado após marcar seu primeiro gol com a camisa da seleção inglesa, fechando os quatro a zero sobre a Ucrânia no estádio olímpico de Roma. Foto: AFP.
 

Gareth Southgate faz três substituições e a Inglaterra passa a administrar o jogo e o relógio

Imediatamente após marcar quatro a zero no placar, foram realizadas quatro substituições na partida. Primeiro, Shecvhenko trocou Sydorchuk (machucado) por Yevhen Makarenko. Depois, Southgate, já pensando na fase semifinal, tirou de campo Sterling, Shaw e Kalvin Phillips para as entradas de Marcus Rashford, Trippier e Jude Bellingham.

O jogo não ficou frio - ele ficou gélido, congelante. As únicas esparsas emoções daí para o final foram uma saída atrapalhada de Pickford - o goleiro inglês abandonou a área para afastar uma bola lançada nas costas da defesa mas pegou tão mal na redonda que quase piorou as coisas; e um chute forte de fora da área dado por Makarenko, que Pickford rebateu, mantendo sua meta inviolável na Eurocopa 2020.

Para puxar os aplausos no estádio olímpico de Roma, Southgate ainda trocou Kane por Dominic Calvert-Lewin, aos vinte e oito minutos.

Era difícil saber quem estava mais ansioso pelo apito final: os ingleses, já com a mente voltada para o o próximo confronto, ou os ucranianos, para tentar virar a página dessa contundente derrota na sua partida derradeira. Agradando gregos e troianos, digo, ingleses e ucranianos, o árbitro alemão Felix Brych soprou o apito precisamente aos quarenta e cinco.

quarta-feira, 30 de junho de 2021

Ucrânia Consegue Vitória Histórica E Avança Às Quartas Na Eurocopa 2020

Suécia e Ucrânia fecharam a fase oitavas de final num jogo definido nos últimos instantes na prorrogação. Com a vitória por dois a um em Glasgow, a Ucrânia triunfa pela primeira vez na história em um confronto eliminatório de Euro e terá pela frente na fase quartas de final a Inglaterra, que venceu a Alemanha em jogo realizado também nessa terça-feira.

O primeiro tempo de jogo foi movimentado, com a Ucrânia mudando sua formação tática para uma composição com três zagueiros. Agora, diferentemente da fase de grupos, Zinchenko passava a jogar pelo flanco esquerdo em vez de ficar mais centralizado. E tal escolha do técnico Shevchenko se mostrou acertada tanto pela desenvoltura do jogo ucraniano quanto pelo próprio lance do gol inaugural: aos vinte e seis minutos de partida, Shaparenko fez ótima inversão com lançamento para o flanco direito e encontrou Karavaev, que tocou para Yarmolenko - de forma genial, o capitão abriu na esquerda com passe espetacular com o lado externo do pé e Zinchenko chegou chutando de primeira, cruzado, uma bola que ainda chegou a ser tocada pelo bom goleiro Olsen. Um dos mais belos gols da Eurocopa 2020.

A Suécia quase igualou a contagem aos vinte e nove minutos no que seria o primeiro gol em cobrança de falta nessa edição da competição: quando a maioria - ou mesmo todo mundo - esperava uma bola levantada no meio da área, Larsson viu o posicionamento do goleiro e decidiu cobrar direto pro gol. Cobrou bem, buscando o canto esquerdo, mas Bushchan conseguiu chegar a tempo na bola e evitar.

Já aos quarenta e dois, não teve jeito para Bushchan: Isak passou curto na esquerda e Forsberg chutou de fora uma bola que desviou no joelho de Zabarnyi, traindo a expectativa de trajetória da bola e tirando o goleiro da jogada.

Veio o segundo tempo e ambas as equipes se mantiveram dispostas a buscar o gol. Se a Ucrânia tinha em Yarmolenko seu jogador mais lúcido no último terço de campo, a Suécia contava com o talento de Forsberg para romper a última linha de marcadores. E as melhores chances das seleções se deram, não por acaso, em lance envolvendo esses jogadores - e tudo aconteceu em um intervalo de menos de dois minutos. Aos nove, Yarmolenko tinha a bola pelo lado direito e rolou atrás com afeto para Sydorchuk, que descolou bonito chute para carimbar a trave esquerda. Aos dez, Forsberg recebeu de Isak e chutou cruzado, acertando a trave esquerda.

A intensidade se manteve alta até os vinte e três minutos, quando Forsberg carregou pela esquerda, trouxe pra perna direita de chutou cruzado, mandando bonito chute no travessão.

A partir daí, os dois conjuntos deram preferência por atuar de forma mais cautelosa, diminuindo o ritmo na transição ao ataque e quebrando a sequência animadora de oportunidades de gol. Como resultado natural, o placar de um a um foi mantido e o jogo rumou para a prorrogação.

No primeiro tempo da prorrogação, manteve-se o deserto de oportunidades que se verificara na segunda metade do segundo tempo. Infelizmente, ocorreu um lance lamentável aos oito minutos. Daqueles que sequer deveriam existir: o defensor Danielsson, em disputa de bola com Besedin, levantou a perna enquanto aplicava um carrinho e violentamente atingiu o adversário próximo ao joelho, bastante acima da linha da bola. O árbitro italiano Daniele Orsato aplicou o cartão amarelo mas foi chamado a verificar no monitor a possibilidade de expulsão. E assim o fez: cartão vermelho para Danielsson. Para Besedin, também era o fim do jogo, pois a gravidade da agressão o impediu de continuar em campo - fica a torcida para que possa se recuperar o quanto antes.

Curiosamente, esse jogo entre suecos e ucranianos somente foi ter a primeira falta cometida aos vinte e quatro minutos de partida. Ou seja, essa entrada bizarra destoava completamente do próprio clima do jogo. Espero que a UEFA e a FIFA tenham rigor na suspensão ao jogador.

Veio o segundo tempo da prorrogação e a vantagem de jogar com onze contra dez foi se tornando cada vez mais explícita. O ímpeto ucraniano era o de uma equipe que queria tirar proveito do novo contexto do jogo e resolver a situação sem depender da disputa por penalidades. 

Aos cinco minutos, Dovbyk, que substituíra Yarmolenko próximo ao intervalo na prorrogação, recebeu enfiada de bola em posição duvidosa e rematou por cima do travessão. Aos onze, Malinovskyi - outro jogador vindo do banco, tendo entrado no segundo tempo regulamentar no lugar de Shaparenko - pegou sobra de bola e emendou de perna direita, mandando à esquerda.

A Suécia tinha dificuldades de passar do meio de campo e concentrava seus esforços em manter a igualdade no placar para conduzir o confronto à disputa por pênaltis. Um plano que foi frustrado aos quinze minutos: Zinchenko caprichou no cruzamento a partir do lado esquerdo e Dovbyk se projetou no espaço vazio para cabecear conforme orienta o manual de boas práticas do cabeceio. Dois a um Ucrânia, que arrancou uma classificação histórica na Escócia.

Oleksandr Zinchenko vibra muito com a classificação da Ucrânia às quartas: atuando pelo lado esquerdo, o camisa dezessete teve sua melhor atuação nessa Eurocopa, com gol, assistência e muita participação na vitória por 2a1 sobre a Suécia. Imagem extraída de Aire Digital.


segunda-feira, 21 de junho de 2021

Áustria Vence A Ucrânia E, Pela Primeira Vez, Avança De Fase Na Eurocopa

Com um futebol consistente tanto na marcação quanto no uso da posse de bola, a seleção austríaca conseguiu uma vitória histórica por um gol a zero sobre os ucranianos e, pela primeira vez desde sempre, se classificou para a fase eliminatória na Eurocopa. Com seis pontos (vitórias sobre Macedônia do Norte e Ucrânia; derrota para Holanda), a equipe comandada por Franco Foda avança na segunda colocação no grupo C. Líder na chave com 100% de aproveitamento, a Holanda venceu a Macedônia do Norte (que não pontuou) pelo placar de três a zero, em confronto realizado no mesmo horário. Já a Ucrânia, que somou pontos somente no jogo em que venceu os macedônios do norte, está na expectativa de se classificar entre as quatro melhores terceiras colocadas. A conferir.

Com Oleksandr Zinchenko atuando centralizado e tentando ser o motor da Ucrânia para fazer a bola chegar na boa dupla de ataque composta por Andrii Yarmolenko e Roman Yaremchuk, a realidade é que o atleta do Manchester City (que atua mais pelo lado esquerdo sob orientação de Josep Guardiola) pouco conseguiu produzir para a equipe comandada por Andriy Shevchenko.

Pelo lado austríaco, ao contrário, o setor de meio de campo como um todo se mostrava bastante funcional. Marcel Sabitzer, cerebral, coordenava as ações e ditava o ritmo da transição. Pelo lado direito, os quase xarás de sobrenome Konrad Laimer e Stefan Lainer davam apoio com a posse e também na recomposição. Eles contavam também com a participação ativa de Xaver Schlager, que de vez em quando arriscava chutes de fora da área. Caindo mais pelo lado esquerdo, Florian Grillitsch era mais discreto. Até porque nem precisava aparecer muito, pois aberto pelo seu setor estava o ótimo David Alaba, hábil no apoio e também na marcação. Por ali também participava Christoph Baumgartner, sempre apresentando bastante energia e movimentação. Com todos esses elementos bem entrosados, cabia à Marko Arnautovic a tarefa de ser a referência no ataque. Na realidade, ele nem deveria estar em campo após o ato racista na partida de estreia...

Fato é que, entre chutes, cruzamentos e bastante disputa, o lance de maior susto nos minutos iniciais foi por uma questão física: aos dezessete, um choque de cabeças entre Illia Zabarnyi e Baumgartner levou os dois ao chão e apressou o árbitro a chamar os médicos para o gramado. O filme que passa na cabeça é o pior possível, numa Eurocopa que já passou - e muito! - da cota nesse sentido. 

Três minutos após esse susto que, felizmente, não causou maiores problemas aparentes, saiu o gol austríaco: Alaba cobrou escanteio pela esquerda e, curiosamente, a disputa pela bola ficou exatamente entre Zabarnyi e Baumgartner. Dessa vez, nenhum dos dois levou a cabeça até a bola. Melhor para Baumgartner, que esticou a perna para mandar a bola na rede. Um a zero Áustria.

Momento do gol de Baumgartner, o único de Áustria e Ucrânia. Imagem extraída de El Dictamen.
 

Apenas doze minutos após o gol marcado (portanto, quinze após o incidente), Baumgartner foi substituído e deu lugar a Alessandro Schöpf. Tão logo deixou o campo de jogo, recebeu imediatamente aplicação de gelo na nuca, evidenciando que o choque foi realmente preocupante.

Para não dizer que a Ucrânia nada produziu no primeiro tempo de partida, houve uma excelente oportunidade de empatar a partida aos vinte e oito minutos: Yarmolenko avançou pela esquerda e, mesmo marcado por Lainer, chutou cruzado, com Daniel Bachmann espalmando e Yaremchuk quase conseguindo alcançar o rebote.

A Áustria teve pelo menos duas boas chances de ampliar a vantagem ainda antes do intervalo. Aos trinta e seis, Laimer (não confundir com Lainer) avançou pela esquerda e chutou cruzado, escapando da marcação de Oleksandr Karavaev - Heorhii Bushchan espalmou. Aos quarenta e um, na melhor de todas as oportunidades, Arnautovic recebeu passe de Schöpf em ótima condição mas chutou mal, à direita. Ainda houve tempo para Arnautovic desperdiçar outra chance, aos quarenta e seis, quando foi acionado por Sabitzer.

Na etapa final, a qualidade na troca de passe da seleção austríaca se mantinha praticamente inalterada. Porém, as aproximações da meta adversária se tornaram mais escassas. A Ucrânia, ao contrário, frequentou um pouco mais o campo de ataque. Aos seis minutos, após descida pelo flanco direito, a bola que foi cruzada para a área foi apenas resvalada por Yarmolenko, que falhou na tentativa de dominar e, na sequência, a finalização de Yaremchuk carimbou a marcação. Dois minutos depois, resposta da Áustria: após cobrança de falta realizada por Alaba pelo lado direito de ataque, Yarmolenko afastou apenas parcialmente e Arnautovic, no lado esquerdo da área, girou o corpo para pegar de primeira - a bola atravessou a área, com Martin Hinteregger e Laimer apenas assistindo, como se não acreditassem no lance. Aos quinze minutos, em lance de bola parada, Zinchenko levantou no primeiro poste e Mykola Matvienko mergulhou, mas não alcançou - na sequência, o goleiro Bachmann saltou para afastar.

Com a entrada de Marlos no lugar de outro Mykola, o camisa dez Shaparenko, até ficou a sensação que aumentaria de forma relevante o poder ofensivo ucraniano. Afinal, Yarmolenko e Yaremchuk continuavam em campo. Só que não foi o que aconteceu. Muito bem postada, a Áustria conseguiu conter o ímpeto adversário. Tirando um chute cruzado de Yeramchuk que passou à direita aos quarenta e um, não houve mais nada digno de nota que pudesse colocar a classificação austríaca em risco. Seja bem-vinda às oitavas de final da Eurocopa, Áustria!

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Forte, Irlanda Do Norte Escreve Sua Própria História Em Lyon

Há alguma coisa melhor do que marcar seu primeiro gol na história da Eurocopa? Sim, há. É marcar o primeiro e o segundo gol na história da Eurocopa no mesmo jogo. E há algo melhor que isso? Sim, há. É conquistar a primeira vitória na história do torneio. Com a satisfação de quem superou as mais ousadas expectativas, a seleção da Irlanda do Norte superou a Ucrânia, em Lyon. Para isso precisou enfrentar um adversário que fizera jogo duro com a Alemanha, precisou enfrentar chuva, precisou enfrentar até granizo. Sempre com o apoio das alas esverdeadas das arquibancadas e a aplicação dos jogadores comandados por Michael O'Neill.

Não sei se por mais méritos norte-irlandeses ou por falhas ucranianas (acredito que uma miscelânia dos dois fatores), mas o fato é que a Ucrânia rendeu menos do que na rodada inaugural. O primeiro tempo sem gol foi justo pela falta de inspiração de ambos os lados. Mas a segunda etapa reservou uma Irlanda do Norte esbanjando coragem e dedicação de fazer chover pedras de gelo. Já aos três minutos, McAuley tirou proveito de lance de bola parada e abriu o placar com cabeceio certeiro. Sem jamais abdicar do ataque mas em alguns momentos passando maus bocados em jogadas que passavam pelo talentoso Konoplyanka, o Exército Verde resistia como podia. E deve agradecimentos ao goleiro McGovern, que salvou a pátria em pelo menos duas oportunidades.

O alívio, o momento em que a torcida pôde definitivamente explodir com o sentimento de "sim, nós vencemos um jogo de Eurocopa" deu-se no sexto e último minuto de acréscimo: linda jogada de Magennis pela direita, chute de Dallas, rebote de Pyatov e presença precisa de McGinn para completar o lance na rede. 2a0, eternizando o evento para um país cuja última participação numa grande competição internacional tinha sido na Copa de 1986, no México.
Em meio à chuva de granizo, norte-irlandeses do céu e da terra comemoram gol diante da Ucrânia. Foto: Clive Brunskill / Getty Images.

domingo, 12 de junho de 2016

Em Belo Jogo, Alemanha Continua Representando O Futebol Arte

Teve o certificado de campeã do mundo. Com um futebol objetivo, eficiente e altamente competitivo, a Alemanha venceu a muito bem organizada seleção da Ucrânia na estréia dessas equipes na Eurocopa 2016. Se o primeiro gol teve a marca da "Alemanha antiga" (chuveirinho com cabeceio certeiro), o segundo foi o retrato do time comandado brilhantemente por Joachim Löw: um contra-ataque inapelável onde todos os jogadores envolvidos no lance foram precisos em suas funções. Detalhe: lance concluído por Schweinsteiger, que acabara de entrar e era dado por muitos como nome ausente na lista da Euro, por questões físicas. Felizmente, Löw pensa diferente dos críticos. E proporcionou, com sua filosofia de jogo, não apenas uma vitória por dois gols: proporcionou muita beleza na maneira de jogar.

É inegável que a qualidade da apresentação passa por um plantel talentoso. Neuer é um goleiro de mão cheia e fez pelo menos duas defesas daquelas pra estampar capa de publicação esportiva. Boateng, dos melhores zagueiros do mundo, salvou a equipe num lance e colaborou em incontáveis outros. Khedira, que parece ser dois em vez de um, participou ativamente. Müller, um maestro. Özil e Götze qualificaram a posse de bola. E todos, sem exceção, agiram em pró do jogo coletivo. Mas, nem só de talento se faz um time. A seleção brasileira, por exemplo, tem diversos jogadores de alto nível. Só que não há qualquer parâmetro de comparação (viva o 7a1!). Esta Alemanha é uma bênção ao futebol. Vitória na estréia deve ser valorizada também pela atuação do adversário: a Ucrânia foi forte na defesa e ágil na transição. Levou perigo em uma ou outra ocasião - talvez, diante de uma seleção menos potente, pudesse conseguir um resultado interessante. Aliás, com esse futebol, deverá disputar a classificação.

Sobre a apresentação alemã, uma pergunta: estão sentindo um cheiro de tinta? Pintou a campeã...
Mustafi é abraçado por Boateng e cumprimentado por Draxler após o primeiro gol no jogo. Foto: Getty Images.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Inglaterra Vence, Passa Em 1º E Ucrânia É Nova Vítima Da Arbitragem

Ucrânia e Inglaterra duelaram na noite dessa terça-feira, em Donetsk, e quem levou a melhor foram os ingleses: com um gol de Wayne Rooney no início do segundo tempo, a equipe comandada por Roy Hodgson venceu a partida pelo placar de 1a0. De quebra, contou com a vitória sueca sobre a França (2a0) para assegurar a primeira colocação no grupo D, escapando de enfrentar a Espanha na fase quartas-de-final - a próxima oponente do English Team será a Itália, segunda colocada no grupo C.

Desta forma, a Eurocopa 2012 segue para as fases eliminatórias sem contar com nenhuma seleção anfitriã, pois Polônia (lanterna no grupo A) e Ucrânia (terceira colocada no D) não conseguiram passar de fase.

Antes de adentrarmos na análise mais detalhada dos acontecimentos vistos nessa partida entre Ucrânia e Inglaterra, cabe colocar duas lamentações. A primeira é o estilo de jogo inglês, de um pragmatismo exaustivo e de poucas variações de jogadas. A segunda é a situação da arbitragem mundial. Em meio a tantas câmeras com imagens que proporcionam linda cobertura daquilo que ocorre no gramado, ainda estamos reféns dos erros humanos: nenhum dos membros da equipe de arbitragem viu - ou indicou ter visto - que a bola chutada por Marko Devic, aos dezesseis minutos do segundo tempo, ultrapassou a linha final, caracterizando o gol de empate ucraniano. Isso faz lembrar a Copa do Mundo 2010, quando um chute do inglês Frank Lampard (que, lesionado, deve ter acompanhado o jogo de seus compatriotas pela televisão), ultrapassou a linha final e o que seria o gol de empate diante dos alemães nas oitavas acabou não sendo assinalado. Até quando, Federação Internacional de Futebol Associado?

O jogo

Wayne Rooney, que cumpriu suspensão nas duas primeiras rodadas, fazia sua estréia pela Inglaterra nessa Eurocopa 2012. Andriy Shevchenko, Andriy Voronin e Sergey Nazarenko, titulares nas rodadas anteriores, foram para o banco de reservas na Ucrânia (ao que me consta, Shevchenko por motivos físicos e os demais por opção tática).

Os primeiros minutos de partida já mostraram o que viria pela frente. Com menos de um minuto, Yevhen Konoplyanka fugiu de Glen Johnson trazendo para a direita e chutou de fora, mas o remate saiu torto, sem colocar em risco a meta defendida por Joe Hart. No minuto seguinte, tanto Andriy Pyatov (ameaçado por Danny Welbeck) quanto Hart (ameaçado por Denis Garmash) viram-se sob pressão, recebendo recuo de bola com o pé e a aproximação oponente. Sinal de que as duas seleções estavam aplicadas em seus objetivos.

A aplicação não era sinônimo de infiltração na defesa adversária e o recurso utilizado para tentar chegar ao gol era basicamente o chute de fora da área. Aos seis minutos, Garmash recebeu de Yevhen Selin, chutou e quase colocou no ângulo esquerdo. Tentando chegar no toque de bola, a Inglaterra teve bom momento aos dez minutos, mas após a seqüência de passes curtos o goleiro Pyatov acabou com a festa e recolheu o cruzamento rasteiro dado por Ashley Cole. Aos doze, Konoplyanka passou para Selin pela esquerda e deste saiu passe rasteiro para trás - Devic chutou firme e a bola carimbou a marcação de Scott Parker.

Selin apoiava bastante e a Ucrânia dava seqüência ao seu ímpeto de chutar em gol: aos catorze minutos, o lateral-esquerdo rolou atrás e Yaroslav Rakitskiy chegou chutando, mandando por cima. Aos dezessete, Konoplyanka trouxe para a direita e chutou à meia-altura, carimbando o peito de Steven Gerrard - a trajetória da bola apontava o gol como destino, o que valoriza a intervenção do capitão.

Nos primeiros dezoito minutos, a posse de bola estava 60% do tempo com os donos da casa, e os remates de fora da área seguiam acontecendo. Aos vinte e um, Rakitskiy lançou do campo de defesa e a bola que parecia que seria interceptada pela marcação chegou até Oleg Husyev, que chutou e mandou perto do ângulo direito. Perceba como a estatística de chutes em gol separava as duas equipes: enquanto os ucranianos deram sete remates, os ingleses não deram nenhum.

Através da bola parada, a Inglaterra assustou: aos vinte e três minutos, Gerrard cobrou falta pela direita, Rooney e Garmash disputaram a bola aérea sem fazer encostarem nela e quem fez o desvio foi o goleiro Pyatov, protegendo a baliza ucraniana. Aos vinte e sete teve fez, finalmente, a primeira finalização inglesa: Gerrard fez lançamento primoroso invertendo o jogo na esquerda, Ashley Young dominou e efetuou belo cruzamento para a área - Rooney posicionou-se bem, usufruindo de liberdade para concluir, mas não leu corretamente o tempo de bola e acabou cabeceando mal, à esquerda. Talvez por falta de ritmo de jogo.

Se a Ucrânia tanto tentava de longa distância, aos vinte e nove minutos a equipe conseguiu entrar na área inglesa: Andriy Yarmolenko recebeu pela direita, entrou na área e chutou colocado, cruzado, tirando da marcação de Cole mas não do goleiro Hart, que defendeu à direita. Aos trinta e um, nova bola parada pra Inglaterra: Gerrard cobrou escanteio pela direita com aquela precisão que acompanha sua carreira e Rooney, livre, cabeceou mal, reforçando os comentários daquele lance aos vinte e sete.

A dificuldade em passar pela última linha de defesa inglesa acompanhava os jogadores ucranianos, que voltaram a arriscar de fora da área aos trinta e cinco minutos, em chute de Garmash que passou à direita. Parker decidiu tentar para a Inglaterra e, também de fora da área, mandou à direita, aos quarenta. No minuto posterior, a Ucrânia se aproximou do gol inaugural através de bela jogada individual: Yarmolenko entrou na área, deixou Parker caído no gramado, passou também por Cole na base do controle de bola mas a cobertura da marcação inglesa conseguiu ceder escanteio, evitando o que poderia ser um golaço.

Veio o intervalo e com ele a esperança ucraniana de que Shevchenko retornasse para o segundo tempo, a fim de levar a equipe à vitória que classificaria a anfitriã. Só que a Ucrânia retornou do vestiário com os mesmos jogadores, a exemplo da Inglaterra. E os ingleses abriram o placar aos dois minutos: pela direita, Gerrard deu drible desconcertante em Devic, cruzou da direita e aí a força do acaso trabalhou a favor dos ingleses. Digo isso porque tanto o desvio em Selin quanto em Yevhen Kacheridi "colaboraram" para que Pyatov falhasse na tentativa de bloquear a bola. E o destino da redonda foi a cabeça de Rooney, que só desperdiçaria a oportunidade se fizesse muito esforço. 1a0 Inglaterra, no 29º gol do Shrek com a camisa da seleção (o primeiro nos seus últimos oitos jogos entre Copa do Mundo e Eurocopa).

O gol inglês abateu mais as arquibancadas do que a seleção ucraniana, que seguiu a partida com a atitude vista enquanto o placar estava zerado. Aos seis minutos, Husyev aparentemente tentou cruzar da direita, mas por muito pouco não marcou o gol ele próprio, com Hart levando a mão até perto do travessão para mandar para fora. Aos oito, a defesa ucraniana ficou escancarada e os ingleses saíram em rápido contra-ataque: Rooney recebeu de Gerrard, avançou acompanhado por Yarmolenko, teve a camisa puxada dentro da área, tocou atrás e James Milner chutou, tendo o remate bloqueado na marcação. No minuto posterior, Konoplyanka voltou a tentar de fora da área, sem mais uma vez conseguir acertar o alvo, mandando por cima.

A Suécia fazia 1a0 na França (golaço de Zlatan Ibrahimovic), aproximando a Inglaterra ainda mais da liderança no grupo (o empate naquele jogo já era suficiente em caso de vitória inglesa). Mas, num jogo tão em aberto quanto o entre ingleses ucranianos, o que menos importava era o resultado alheio. Aos quinze minutos, Konoplyanka cobrou escanteio pela esquerda com passe curto, Yarmolenko cruzou no capricho e encontrou o sumido Artem Milevskiy que, livre e (des)impedido, cabeceou por cima, desperdiçando grande chance de marcar gol ilegal. No minuto seguinte, árbitro e auxiliar errariam de maneira mais grave e influente no resultado da partida: em rápida saída para o ataque, Devic recebeu, fintou a marcação e chutou no contrapé de Hart. O goleiro inglês conseguiu desviar, amortecendo o remate, e a bola tomou o rumo do gol - no percurso, John Terry evitou que a redonda chegasse até a rede, mas não que atravessasse completamente a última linha que demarca o campo. Gol de empate, para agitar de vez a já movimentada partida. Só que nem o árbitro húngaro Viktor Kassai, nem o assistente, nem aquele auxiliar que acompanha o jogo situado próximo à linha-de-fundo sinalizaram aquilo que de fato aconteceu. Não quero aqui desenvolver uma teoria conspiratória contra a arbitragem, que já falha demais por conta própria. Mas e aí? Se três pessoas supostamente não viram o gol, ele deixa de existir?

Por motivo de força maior, o placar seguiu 1a0 para a Inglaterra. Aos vinte e dois minutos, quase saiu o segundo: Milner driblou Selin, cruzou e Pyatov saltou para afastar, evitando cabeceio de Rooney. Na seqüência, Cole recolheu a sobra de bola soltando chute firme, que Pyatov conseguiu espalmar no canto direito. Dois minutos depois, Hodgson e Oleg Blokhin mexeram pela primeira vez: na Inglaterra, Theo Walcott entrou no lugar de Milner; na Ucrânia, Devic deu lugar para o maior goleador na história da seleção, Shevchenko.

Com novo ânimo em campo e nas arquibancadas - a presença de Sheva parece contagiar companheiros e torcedores -, a Ucrânia quase empatou a partida aos vinte e oito minutos: Konoplyanka chutou de fora, a bola fez curva para dentro e Hart, que já havia passado da trajetória da bola, conseguiu levar a mão esquerda até ela e evitar o gol ucraniano. No rebote, Joleon Lescott chegou antes de Milevskiy, aliviando.

A parceria entre Gerrard e Rooney teve novo episódio aos vinte e nove minutos: novamente, o capitão cruzou (dessa vez em cobrança de escanteio pela esquerda) e novamente o goleador cabeceou livre (dessa vez parando em defesa de Pyatov). Aos trinta e um, Shevchenko teve sua primeira participação efetiva no ataque: o camisa sete carregou da direita para o centro, abriu na esquerda e Konoplyanka chutou por cima. Naquele mesmo minuto, Blokhin trocou o pouco acionado Milevskiy por Bohdan Butko. E, no minuto posterior, colocou Nazarenko no lugar de Garmash, mantendo Voronin na condição de suplente.

Se a Inglaterra mostrava através do cartão amarelo recebido por Cole (por retardar a reposição de bola em jogo na cobrança de lateral) qual era sua intenção na partida, a Ucrânia continuava indo para cima. Aos trinta e cinco, Nazarenko tabelou e chutou de fora, por cima. Aos trinta e seis, Hodgson trocou Welbeck por Andrew Carroll, em mexida envolvendo dois jogadores que marcaram gol na Suécia, na rodada anterior. Aos quarenta e um, tirou Rooney para colocar Alex Oxlade-Chamberlain.

Sobrava disposição mas faltava criatividade aos ucranianos na tentativa de superar a barreira inglesa posta em duas linhas de quatro bastante disciplinadas taticamente. Aos quarenta e cinco minutos, um último suspiro: Yarmolenko recebeu e colocou a bola buscando o canto direito e por muito pouco não acertou o ângulo. Mas e se acertasse, será que o gol valeria?

No final, o último gol da primeira fase na Euro 2012 saiu na capital Kiev: foi de Sebastian Larsson, que marcou 2a0 para a Suécia diante da França.

Cruzamentos na fase quartas-de-final

Quinta-feira, 21.06.2012
República Tcheca e Portugal

Sexta-feira, 22.06.2012
Alemanha e Grécia

Sábado, 23.06.2012
Espanha e França

Domingo, 24.06.2012
Inglaterra e Itália

Encerro essa postagem parabenizando Andriy Shevchenko pela bela carreira como futebolista profissional, a qual tive o prazer de acompanhar o período de auge, vestindo a camisa do Milan. Marcou dois gols na estréia ucraniana nessa Euro 2012, proporcionando um dos momentos mais marcantes do torneio e desenhando uma despedida digna para um dos maiores centroavantes da última década. Boa sorte nas futuras empreitadas, Shevchenko!

sexta-feira, 15 de junho de 2012

França Vence Ucrânia Com Futebol Para Lavar A Alma

Voltando a apresentar um bom toque de bola e atuando a maior parte do tempo no campo de ataque, a seleção francesa venceu a ucraniana pelo placar de 2a0, na Donbass Arena, em Donetsk. Os gols foram marcados por Jérémy Ménez e Yohan Cabaye, ambos após assistências de Karim Benzema, no segundo tempo de partida.

Esse foi o primeiro jogo na Eurocopa 2012 iniciado debaixo de chuva - o temporal foi tão intenso que o árbitro holandês Björn Kuipers (o mesmo que apitou Croácia e Irlanda) decidiu paralisar a partida quando o cronômetro apontava quatro minutos, o que foi uma escolha prudente e sensata. Após cerca de cinqüenta e quatro minutos de interrupção, o jogo foi reiniciado sem chuva e sob um gramado que apresentou excelente drenagem, permitindo que a bola rolasse naturalmente. Qualquer diferença em relação aos campos brasileiros não é mera coincidência...

O jogo

Se por um lado a equipe da Ucrânia contava com seis titulares que atuam juntos no Dynamo de Kiev, por outro era a França que parecia o conjunto melhor entrosado desde os minutos iniciais. Antes que o dilúvio que ocorria naquele momento levasse o holandês Björn Kuipers a interromper a partida, cada goleiro teve que agir rapidamente sob pressão do ataque adversário. Com um minuto, a marcação adiantada dos ucranianos complicou a saída de bola francesa e Philippe Mexès recuou "na fogueira" para o goleiro Hugo Lloris, que saiu jogando rapidamente ao ver a chegada de Andriy Shevchenko. Aos três, uma enfiada de bola de Samir Nasri para Ménez entre dois marcadores ia complicar a defesa ucraniana, mas o goleiro Andriy Pyatov saiu da área e afastou.

Passados cerca de 54 minutos de paralisação em função da chuva torrencial, a partida retornou com a França atuando de maneira ofensiva e dominando as ações. A equipe comandada por Laurent Blanc escolhia quase que exclusivamente o flanco esquerdo, explorando a velocidade de Franck Ribéry por aquele setor, que contava com o auxílio de Gaël Clichy, Benzema e, principalmente, Nasri, elemento mais acessado no meio-campo. Aos quinze minutos, Ribéry tabelou com Benzema, avançou de maneira rápida e enfiou para Ménez, que mandou para a rede - só que em posição de impedimento, detectada pela arbitragem.

Se as jogadas de ataque francesas aconteciam basicamente pela esquerda, então Ménez tratou de ir abandonando sua solidão no flanco direito e a se aproximar dos companheiros. Aos vinte e cinco minutos, Ribéry foi até a linha final pelo lado esquerdo, tocou atrás e Ménez aparecer, dominando a bola e chutando por cima. Aos vinte e sete, Benzema recebeu de Nasri na esquerda, trouxe para dentro e chutou de fora da área, com Pyatov defendendo. No minuto seguinte, Ribèry mostrou quem é que manda naquele canto do campo, ganhou na corrida da marcação que tentava acompanhá-lo, tocou rasteiro, a bola passou por Benzema e chegou até Ménez, que chutou para defesa salvadora de Pyatov.

Com trinta e três minutos, a Ucrânia finalmente conseguiu levar perigo. E, talvez inspirada no exemplo francês, avançando pelo lado esquerdo: Shevchenko foi lançado em velocidade, deu um toque de cabeça ajeitando para o chute e descolou remate forte, rebatido por Lloris. Aos trinta e oito minutos, quase saiu o primeiro gol da França: Nasri cobrou falta pela esquerda fazendo-a viajar até a direita e lá a redonda encontrou Mexès, que subiu mais que Yevhen Selin e cabeceou firme, com Pyatov realizando defesaça com a mão esquerda.

Como o jogo se concentrava no campo de ataque francês e no de defesa da seleção anfitriã, Oleg Blokhin achou por bem trocar Andrey Voronin (figura pouco acionada) e colocar Marko Devic, que ajudou a imprimir maior velocidade na transição ao ataque, participando bastante do jogo pelo lado esquerdo de ataque ucraniano. E o segundo tempo começou lá e cá. Aos três minutos, Ménez estava pelo lado esquerdo de ataque francês, chutou rasteiro e cruzado, e Pyatov rebateu. No mesmo minuto, Shevchenko avançou pela esquerda, fintou Adil Rami trazendo a bola pra direita e chutou mandando rente ao ângulo direito. No minuto posterior, Yevhen Konoplyanka avançou e deu na esquerda com Devic, que inverteu rasteiro, Anatoliy Tymoschuk pegou a bola sem dominar da maneira ideal e acabou finalizando com chute que saiu por cima.

E foi justamente no momento que a Ucrânia parecia melhor no jogo que a França chegou ao gol. Aos sete minutos, ma jogada que passou pelos pés de Ribéry pela esquerda (como de hábito) chegou até Benzema, que abriu na direita, Ménez dominou e chutou na paralela, mandando no canto direito para abrir o placar - o chute por pouco não desviou em Selin e em Ribéry, talvez dificultando ainda mais uma intervenção de Pyatov.

Três minutos após abrir a contagem, a França alcançou o segundo gol: Benzema deu bonito giro para sair da marcação e passou na medida para Cabeye, que escapou de Oleg Gusev e chutou rasteiro no canto esquerdo. 2a0 França.

Blokhin, que havia feito uma boa mexida no intervalo, tentou tirar mais uma carta da manga e, aos catorze minutos, trocou Sergey Nazarenko por Artem Milevskiy. Mas a aposta em colocar um homem mais fixo na área francesa não deu o efeito desejado, deixando o jogador que acabara de entrar isolado e pouco acionado no jogo. A França aproveitava seu bom momento e continuava criando chances. Aos dezesseis, Nasri carregou, tabelou com Ribéry, Benzema recebeu e chutou de fora da área, para mais uma defesa de Pyatov. Três minutos depois, aos dezenove, uma intensa troca de passes da seleção francesa terminou em chute forte de Cabaye, que bateu na trave esquerda.

Aos vinte e dois minutos, Blanc mexeu pela primeira vez enquanto Blokhin realizava sua última substituição por direito: na França, entrou Yann M'Vila no lugar de Cabaye, e, na Ucrânia, Andriy Yarmolenko deu lugar para Oleksandr Aliyev. O jogo foi diminuindo de ritmo, o que parecia mais interessante aos franceses do que os ucranianos, que não conseguiam repetir aquele poder de reação que culminou na virada diante dos suecos na estréia. Blanc ainda mexeu mais duas vezes. Aos vinte e sete minutos, trocou Ménez por Marvin Martin. Três minutos depois, aos trinta, colocou Oliver Giroud no lugar de Benzema. Daí para o final, a França teve relativa tranqüilidade na tarefa de administrar o resultado e conquistar uma vitória que quebrou um tabu histórico: em torneios de Eurocopa e Copa do Mundo, a última vez que os franceses venceram um jogo foi em 2006, na semifinal diante de Portugal, em solo alemão, com gol de Zinedine Zidane. E tem mais: essa foi a primeira vez que a França venceu um jogo de Euro sem contar com Michel Platini ou Zidane no elenco. Se esse futebol apresentado nessa sexta-feira se repetir, tudo indica que novas vitórias virão na competição. Já a Ucrânia terá a missão de reencontrar um futebol mais parecido com o visto no segundo tempo da estréia do que nessa partida válida pela segunda rodada, a fim de marcar presença na próxima fase da Euro 2012.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Para Felicidade Geral Da Nação, Saiu A Primeira Virada Da Eurocopa 2012

Quiseram os deuses do futebol guardar para o último jogo a partida mais emocionante na primeira rodada da Euro 2012. A Ucrânia de Shevchenko protagonizou a primeira virada na competição diante da Suécia de Ibrahimovic, brindando o público presente no estádio municipal de Kiev com um jogo para se guardar na memória.

O jogo

Começou sob o agradável contexto de uma temperatura de 25ºC, de ventos soprando a uma velocidade de 6km/h e de uma umidade relativa do ar em torno de 51% e terminou de maneira espetacular a partida realizada na capital ucraniana. Já com vinte e cinco segundos, aquele individualismo exacerbado que acompanha a carreira de Zlatan Ibrahimovic pôde ser visto, com o jogador prendendo demais a bola consigo e desperdiçando a posse, que ali passava ao adversário. Mas não vou aqui cravar que a partida de Ibrahimovic tenha sido ruim. Pelo contrário: no geral, o camisa 10 sueco conseguiu participar bem das jogadas de ataque da equipe. Na primeira delas, aos dezesseis minutos, Ibra fintou Mykhalyk pelo flanco esquerdo, colocou a bola na área, o goleiro Pyatov socou a redonda com os dois punhos e só na seqüência a defesa ucraniana conseguiu finalmente afastar o objeto esférico de sua área. Antes disso, porém, ambas as equipes já haviam chutado a gol. Aos três minutos, Konoplyanka recebeu de Selin, carregou e rematou à direita. No minuto seguinte, os suecos responderam com chute de longa distância de Källström, que passou por cima.

Das arquibancadas saía bastante barulho, mostrando que a torcida local estava disposta a participar do jogo e a empurrar seus compatriotas na direção da vitória. Quando Shevchenko tocava na bola, as manifestações pareciam se multiplicar. Aos vinte e dois minutos, o maior ídolo futebolista do país puxou contra-ataque em velocidade, tabelou, recebeu de volta em liberdade e decidiu chutar, mandando uma bola cruzada que acabou saindo à direita. É bem verdade que Shevchenko poderia rolar de lado para permitir a finalização a um de seus dois companheiros que acompanhavam o lance de frente para a baliza, mas o remate se justifica até pelo delírio coletivo de ver o craque partindo em velocidade com a possibilidade de abrir o placar em Kiev.

Três minutos depois, a Ucrânia chegou novamente: Voronin foi lançado nas costas de Granqvist e não alcançou a bola por pouco - talvez se alcançasse receberia o cartão amarelo, porque o camisa 10 ucraniano esticou o braço voluntariamente para um suposto toque irregular. Aos dezoito, Nazarenko cobrou falta na área e convidou Isaksson para trabalhar - o goleiro sueco segurou a bola com segurança. Tarefa mais complicada teria o arqueiro ucraniano, dois minutos depois, quando Rosenberg recebeu de Toivonen, girou e chutou, com Pyatov agindo bem ao abafar e pegar na esquerda. Aos trinta e dois minutos, Voronin puxaria contra-ataque perigoso, mas a arbitragem inventou uma falta no desarme feito sobre Olsson, invalidando o lance.

A Ucrânia detinha 56% do tempo de posse de bola e mostrava-se cada vez mais presente no campo de ataque. Aos trinta e quatro, Voronin chutou forte de fora da área e Isaksson, por medida de segurança, defendeu em dois tempos. No minuto seguinte, Ibrahimovic voltou a pecar pelo excesso de tempo carregando a bola, permitindo o desarme feito por Gusev. As maiores chances de gol na primeira etapa estavam por vir. Aos trinta e sete minutos, Voronin deixou com Shevchenko, que tabelou com Yarmolenko, conseguiu cruzar mesmo travado e o camisa 11 chutou firme - os suecos foram salvos pelas pernas de Granqvist, responsáveis pelo bloqueio na finalização que tinha a rede como endereço. Aos trinta e oito, um ótimo lançamento deixou Ibrahimovic na boa para cabecear, e o cabeceio carimbou caprichosamente a trave esquerda, com o goleiro Pyatov já batido no lance após ter sido pego no contrapé. Na última chance anterior ao intervalo, Gusev recebeu na direita e mandou para Konoplyanka, que mandou por cima com um voleio aos quarenta e um.

Oleg Blokhin e Erik Hamrén trouxeram os mesmos jogadores para o segundo tempo, e a Suécia teve a primeira chance aos três minutos, em lance que começou numa recuperação de bola de Larsson e terminou em finalização de Rosenberg, travada por Selin. Aos seis, a Suécia abriu o placar: Larsson cruzou, Yarmolenko desviou de cabeça sem conseguir afastar o perigo, Källström recolheu pela esquerda e serviu Ibrahimovic, que completou pra rede. O desagradável na construção da jogada é que Selin estava caído próximo à linha lateral esquerda, aguardando atendimento médico - e nem por isso os suecos mandaram a bola para fora, tratando de manter o espírito competitivo acima do esportivo.

A partir daquele momento, o jogo nunca mais seria o mesmo. A seleção ucraniana parece ter transformado aquela situação em energia propulsora para renovar suas forças dentro de campo. E a recompensa veio depressa: aos nove minutos, Gusev carregou e entregou para Yarmolenko, autor de um cruzamento tão caprichado que prefiro chamar de passe, com a bola seguindo seu curso passando por Mellberg e indo ao encontro de Shevchenko, que cabeceou no contrapé de Isaksson para empatar a parada. 1a1 e festa no estádio municipal da capital.

Se quando falei em 'energia propulsora para renovar as forças ucranianas no jogo' a frase pareceu de alguma forma abstrata, a figura de Selin correndo pelo mesmo setor onde minutos atrás estivera caído no gramado serve como exemplo concreto: o lateral-esquerdo deu um pique contagiante para desarmar um adversário e recuperar a posse de bola.

A Ucrânia já havia trocado 273 passes quando a Suécia não havia passado dos 166 e o ímpeto pela virada só fazia crescer. Aos quinze minutos, Voronin recebeu na área, fintou Granqvist e teve o chute bloqueado. Nascia ali um escanteio. Melhor dizendo: nascia ali o escanteio. Konoplyanka encarregou-se de efetuar a cobrança pelo lado esquerdo enquanto Shevchenko e os deuses do futebol cuidariam de todo o resto - com um drible de corpo em Ibrahimovic, Shevchenko escapou da marcação contornando o adversário e foi ao encontro da bola, cabeceando na altura do primeiro poste e direcionando o objeto esférico exatamente no espaço vazio que o levaria para a rede, isto é, entre Lustig e o ferro vertical situado logo ali. 2a1 Ucrânia, para enlouquecer o mais são dos torcedores locais.

A reação de Hamrén foi trocar Toivonen por Svensson, substituição realizada aos dezessete minutos. A reação de Ibrahimovic foi se atracar com Khacheridi em disputa de bola, em lance onde foi marcada falta do sueco em cima do ucraniano. Aos vinte e dois, a segunda mexida na Suécia: Larsson por Wilhelmsson. Naquele mesmo minuto, Elm chutou de fora da área e mandou à direita. Elm voltaria a aparecer dois minutos depois, quando foi lançado e pegou de primeira - a bola acabou sendo recolhida por Pyatov. Hamrén não queria saber de perder tempo e mexeu novamente, trocando Rosenberg por Elmander e mudando a referência no ataque. Os ucranianos até tiveram uma chance aos vinte e oito, depois que Selin cobrou lateral com força e Konoplyanka chutou de fora, à esquerda. Mas o que se via em campo era a Suécia atacando como nunca antes no jogo.

Aos trinta minutos, Ibra fez a tabela e bateu forte, com Pyatov defendendo na base do reflexo. No minuto seguinte, Pyatov interviu na base da coragem, mergulhando para desarmar Wilhelmsson. Aos trinta e quatro, Wilhelmsson recolheu a bola na esquerda, chutou e Pyatov defendeu novamente.

Com quatro chutes, três na direção do gol e dois estufando a rede, Shevchenko deixou o campo e a braçadeira de capitão aos trinta e seis minutos no segundo tempo, sendo ovacionado pelos ucranianos, que fizeram questão de aplaudí-lo de pé no estádio. Quem entrou em seu lugar foi Milevskiy.

Aos trinta e sete minutos, Voronin sofreu uma falta que rendeu cartão amarelo para Elm pela entrada. Na cobrança, Nazarenko mandou a bola perto do ângulo esquerdo. Dois minutos depois, aos trinta e nove, Voronin deu lugar a Rotan na seleção ucraniana. E a pressão sueca se intesificou depois disso. Aos quarenta, Wilhelmsson pôs na área mas a bola não chegou em Mellberg, que naquele momento era muito mais um centroavante do que qualquer outra coisa. Com quarenta e quatro minutos, uma bela tabela entre Ibrahimovic e Elmander terminou em chute de Elmander para fora. O mesmo Elmander que, no minuto seguinte, daria com o joelho nas costas de Mykhalyk, em lance onde vai entender como conseguiu sair sem qualquer cartão por parte do turco Cüneyt Çakir (o mesmo daquele Barcelona 2a2 Chelsea). Aos quarenta e seis, Konoplyanka saiu para a entrada de Devic, na última substituição do jogo. E a última oportunidade de gol deu-se no minuto posterior: Elm lançou Mellberg, que até mostrou um certo cacoete de atacante ao pegar de primeira na bola e encobrir o goleiro Pyatov, mas talvez naquele momento o vento tenha passado a soprar mais forte e a redonda passou por cima do travessão, estufando a rede pelo lado externo. Para felicidade geral da nação.

A seleção co-anfitriã, que vinha de duas derrotas antecedendo sua preparação para a Euro, certamente surpreendeu bastante gente com essa estréia maíúscula no torneio. E digo isso não apenas pela vitória de virada diante de uma adversária qualificada, mas sobretudo pela maneira como jogou, sabendo fazer fluir seu jogo e chegando por diversas vezes ao ataque, mantendo a posse de bola em 53% sob seus domínios e cometendo somente doze faltas (sofreu vinte). A Suécia, que vinha de quatro vitórias consecutivas na reta final de preparação, acabou derrotada diante daquela que talvez fosse considerada a adversária mais fácil na chave. As boas entradas de Svensson, Wilhelmsson e Elmander podem servir de alento para a equipe, que não pode, não deve e certamente não quer depender meramente do talento de Ibrahimovic para selar sua sorte na competição. Por mais que às vezes ele apareça bem.

Outros resultados

Sexta-feira (Grupo A)
Polônia 1a1 Grécia
Rússia 4a1 República Tcheca

Sábado (Grupo B)
Holanda 0a1 Dinamarca
Alemanha 1a0 Portugal

Domingo (Grupo C)
Espanha 1a1 Itália
Croácia 3a1 Irlanda

Hoje (Grupo D)
França 1a1 Inglaterra

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Eurocopa 2012: Pitacos Para O Grupo D

Sexta-feira, oito de junho de dois mil e doze. Nessa data a bola rolará para a primeira partida pela Eurocopa 2012. Este blogueiro está empolgado com a competição continental e traz para cá a última postagem de análise prévia para a fase de grupos no torneio. Já tratamos do grupo A (Polônia, Grécia, Rússia e República Tcheca), do grupo B (Holanda, Dinamarca, Alemanha e Portugal) e do grupo C (Espanha, Itália, Irlanda e Croácia). E, para concluir, chegou o momento de analisarmos o grupo D. Vamos a ele.

Grupo D: Ucrânia, Suécia, França e Inglaterra.

Essa talvez seja a chave que reserva a maior incógnita na fase de grupos na Euro 2012. Nome por nome, França e Inglaterra aparecem como favoritas. Mas as coisas podem não ser tão simples assim: enquanto os franceses experimentaram uma vergonhosa eliminação na primeira fase do Mundial 2010, os ingleses atravessam momento ainda mais delicado, com recente troca de treinadores, jogadores lesionados e intrigas no elenco. Resta saber como ucranianos e suecos poderão tirar proveito disso para, quem sabe, surpreender os supostos favoritos.

A Ucrânia de Oleg Blokhin talvez seja o exemplo máximo na competição daquilo que podemos chamar de "time de um homem só". O homem é, a bem da verdade, um craque de bola: chama-se Andriy Shevchenko, atacante de 35 anos e de qualidade técnica incontestável (mas sem o mesmo pique de antigamente). Nomes como o do meio-campista Anatoliy Tymoschuk e os dos atacantes Artem Milevskiy e Andriy Voronin agregam qualidade à equipe, que tem no fator campo um de seus maiores trunfos para tentar triunfar no torneio. Será fundamental para os ucranianos um resultado positivo na estréia diante dos suecos, pois a seqüência da tabela reserva duas pedreiras para os anfitriões. Pitaco: a Ucrânia não se classifica.

Com quatro vitórias nos últimos quatro amistosos, a Suécia parece estar "no ponto" para disputar a competição. O treinador Erik Hamren dá sinais de que montará um time ofensivo, com dois volantes de bom toque de bola - o que deve facilitar a transição da defesa para o ataque e convidar os homens de frente a participarem do jogo. E é ao falar nos "homens de frente" que chegamos no ponto-chave para as pretensões dessa seleção na Eurocopa: se Zlatan Ibrahimovic estiver comprometido taticamente (coisa que não é nada comum de se ver) e inspirado tecnicamente (algo mais usual, embora bastante esporádico em se tratando de jogos pela seleção), a equipe nórdica pode sonhar alto. Atletas como Kim Källström, Anders Svensson, Christian Ulf Wilhelmsson e Johan Elmander têm técnica apurada o bastante para assumirem um protagonismo no caso da "ausência" de Ibra. Pitaco: a Suécia não se classifica.

Agora é a hora para a seleção francesa. Parece ser um ótimo momento para os campeões mundiais de 1998 apagarem (ou pelo menos ofuscarem) a pífia e problemática performance na África do Sul com um desempenho convincente na Polônia e na Ucrânia. O trabalho de Laurent Blanc vem se mostrando bem-sucedido e a França levará a campo um time forte em todos os setores. A começar pelo gol, com o ótimo Hugo Lloris. Passando pela defesa, com Philippe Mexès e Laurent Koscielny, pelo hábil meio-de-campo, que conta com gente como Florent Malouda, Samir Nasri, Jèrèmy Ménez e Franck Ribèry. E chegando ao ataque, com o goleador Karim Benzema. Nessa engrenagem azul, a peça que talvez mais possa atrapalhar a funcionalidade do conjunto seja um elemento chamado Patrice Evra. Embora tecnicamente trate-se de um dos maiores laterais-esquerdos na atualidade, Evra é daqueles indivíduos capazes de tumultuar um ambiente sem fazer muito esforço. E a França sabe o estrago que algo dessa natureza é capaz de fazer... Pitaco: a França avança de fase.

Fechar a análise da fase de grupos falando da Inglaterra é mais complexo do que talvez possa parecer. Na preparação para a Euro, o English Team perdeu somente um dos últimos cinco amistosos disputados (para a Holanda, em partida com desfecho sensacional em Wembley) - os demais quatro jogos foram todos eles vitórias pelo placar de 1a0 (sobre Espanha, Suécia, Noruega e Bélgica). Roy Hodgson chegou para o cargo de treinador sob desconfiança, sobretudo porque muita gente dava como certo que Harry Redknapp assumiria a seleção. Mas a Euro está aí e a primeira missão de Hodgson será conduzir uma equipe forte, com jovens valores e atletas veteranos, até as fases eliminatórias na competição. Desfalques como os de Jack Wilshere e Frank Lampard certamente causam impacto significativo na equipe. Outra questão delicada é John Terry, elemento desagregador e responsável direto (embora o treinador não confirme isso) pela não-convocação de Rio Ferdinand, que não foi chamado nem mesmo após o anúncio do corte de Gary Cahill, machucado. Wayne Rooney, maior nome na atual geração inglesa, cumpre suspensão nas duas primeiras rodadas e sua convocação indica que o pensamento na equipe é o de ir longe. Ou então não chamaria alguém para jogar uma única partida. Pitaco: a Inglaterra avança de fase.

Desta forma, fechamos os pitacos para os quatro grupos. Que rolem as bolas para a Eurocopa!