Mostrando postagens com marcador França. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador França. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 28 de junho de 2021

Era Uma Vez, Um Jogo Para A História: Suíça Elimina A França Em Partida Emocionante

França e Suíça fizeram um jogo para ficar guardado na memória. Hoje, vinte e oito de junho de dois mil e vinte e um, digito as presentes palavras torcendo para que, ao lê-las num futuro qualquer, possa conseguir trazer de volta as imagens dessa partida. 

O futebol é um jogo com início, meio e fim. Apesar dessa inevitável finitude, tudo o que acontece entre o apito inicial e o derradeiro não se repete jamais. E esse confronto válido pela fase oitavas de final na Eurocopa 2020, com toda a sua singularidade, remete ao que existe de melhor nessa modalidade esportiva.

Remete, logo de cara, à máxima de que o jogo é jogado, isto é, que ninguém ganha de véspera. Remete, também, ao pensamento de que a melhor defesa é o ataque. E como é gostoso digitar uma frase dessa! A melhor defesa é o ataque.  Tanto franceses quanto suíços saborearam, em Bucareste, essa realidade.

Foi precisamente quando a França mais se lançou ao ataque, que conseguiu os seus três gols na partida. E poderiam ter sido mais! Com o relógio ainda mais apertado do que quando a França alcançou seus gols, a Suíça se mandou para o campo ofensivo e conseguiu buscar um empate que parecia improvável.

Ah, o improvável! Que bacana que essa palavra existe! O mundo estaria condenado à tristeza se improvável e impossível fossem uma coisa só! A probabilidade nos salva da certeza. E, na dúvida, há um universo de possibilidades. O jogo tinha infinitas possibilidades de ser diferente. Sorte que não foi!

O jogo de hoje, que foi exatamente como tinha que ser, premiou os amantes do futebol com uma bênção em forma de partida eliminatória. Para êxtase geral, com direito à prorrogação. E, de bônus, pênaltis, para aumentar a dose de emoção. Me permitam outra máxima: o futebol é a maior invenção do homem.

Então, peço licença para contar abaixo uma rápida história, baseada em fatos reais.

Capítulo 1: a Suíça abre o placar

Quando Haris Seferović recebeu ótimo cruzamento de Steven Zuber, tanto um quanto outro estavam no exercício pleno de suas funções. Zuber, que atua pelo flanco esquerdo e é bastante participativo no jogo, cruzou uma bola que podemos chamar de passe. Mais caprichado que isso, somente se estivesse embrulhado para presente.

Mas não precisava estar. Para Seferović, toda encomenda que chega é recebida com carinho. E essa, entregue com tanto zelo, não poderia ser diferente. O camisa nove honrou a tradição do número que carrega no uniforme e, cheio de oportunismo, cabeceou no canto direito, para goleiro nenhum interceptar - nem mesmo um Hugo Lloris. 

E aqui, no primeiro capítulo dessa breve história, eu me recuso a culpar Clement Lenglet no lance. Quero, em verdade, é te agradecer, Lenglet. Graças ao fato de Seferović ter se posicionado melhor do que você, o jogo foi do jeito que foi. E o jogo ter sido do jeito que foi, passava necessariamente por esse gol de Seferović para abrir a contagem aos catorze minutos no primeiro tempo.

Capítulo 2: a França tem pelo menos quatro chances antes do intervalo, e nada

Antes de mais nada, não pense você que o fato de a França ter tido pelo menos quatro oportunidades de gol, que apenas ela atacou. Não mesmo. É que ela, fundamentalmente pela qualidade de seus jogadores postados mais à frente, conseguiu desencadear situações mais interessantes. 

Dito isto, vamos agora falar sobre uma parceria iniciada anos atrás no Paris Saint-Germain: Kylian Mbappé tocou para seu antigo companheiro Adrien Rabiot. Rabiot se mudou para Turim, onde defende a Juventus. Mbappé seguiu em Paris, com as cores do PSG. Mas parece que não esqueceram os tempos juntos de outrora.

O tal toque de Mbappé para Rabiot teve sequência com um cruzamento para a área. Só que Karim Benzema, que não mora atualmente nem em Paris, nem em Turim, mas em Madrid, foi mais rápido que a bola, e o cobiçado objeto esférico passou nas suas costas.

Aos vinte e cinco minutos, havia uma falta para a França bater. E Mbappé, naquele momento, não queria saber nem de Rabiot nem de Benzema. Queria chutar pro gol. E chutou. Mas, no meio do caminho havia uma barreira de jogadores suíços. A bola voltou. Voltou no próprio Mbappé. Na fome por marcar seu primeiro gol nessa Eurocopa, Mbappé chutou do jeito que a bola veio. E chutou forte, como se tivesse pressa de ver a redonda no fundo da rede. Mas a pressa, inimiga de longa data da perfeição, direcionou a bola para longe, à esquerda.

Dois minutos depois, talvez Rabiot tenha pensado: "se meu companheiro pode tentar, eu também posso". Ou seja, Rabiot resolveu chutar pro gol. E, a exemplo de Mbappé, resolveu chutar forte pro gol. E a bola... a exemplo do lance anterior, resolveu ir novamente para fora e à esquerda. 

A Suíça, então, pediu licença para colocar seu nome nesse capítulo de chances criadas no primeiro tempo. Licença concedida. Em lance de bola parada, Xherdan Shaqiri preferiu priorizar o coletivo. Levantou na área. Mas, o coletivo não ajudou Shaqiri, com a bola passando a alguns centímetros de Manuel Akanji e também de Breel-Donald Embolo. 

Vida que segue, vamos ao segundo tempo. Ou melhor, aos próximos capítulos.

Capítulo 3: quando o prêmio se torna castigo

No intervalo, Didier Deschamps mexeu de forma estrutural na seleção francesa. Ele resolveu trocar o defensor Lenglet - aquele mesmo ao qual agradeci pelo cabeceio de Seferović - e colocar em seu lugar o habilidoso e insinuante Kingsley Coman. Entendem por que devemos agradecer ao Lenglet? Vocês acham que, se o defensor tivesse conseguido impedir o perfeito cabeceio de Seferović naquele momento do gol, o Deschamps faria uma subsituição ousada como essa? Jamais! Ou, como diriam os franceses: jamé, mané! Portanto, merci, Lenglet. A vitória suíça começava a dar bons frutos.

Nesse momento, pode surgir a pergunta: por que causa, motivo, razão ou circunstância, o indivíduo nomeou esse capítulo "quando o prêmio se torna castigo"? Calma, que você vai ver. Fica comigo.

Um chute de Antoine Griezmann de fora da área, à esquerda, poderia passar a impressão de que a França teria um início de segundo tempo demolidor. Ledo engano. A Suíça, mesmo vencendo, queria mais. E esse querer mais proporcionou jogadas interessantes. Por exemplo: aos quatro minutos, Silvan Widmer passou para Embolo, que cruzou rasteiro mas a bola não chegou em nenhum companheiro. Era a Suíça marcando presença na área francesa. Aos seis, lá estava a Suíça novamente marcando presença na área francesa. E, dessa vez, bateu o desespero em Benjamin Pavard quando Zuber arrancava em velocidade. O árbitro não marcou, mas o VAR o intimou à revisão. E, voilá!, pênalti para a Suíça!

Nesse momento, vocês entenderão o prêmio que virou castigo. Os suíços tinham chance preciosa para abrir dois a zero na cobrança de Ricardo Rodríguez. Só que, entre a bola na marca do pênalti e a rede, havia um Lloris. E, saltando para o lado direito, Lloris defendeu a cobrança. Era simplesmente o sétimo pênalti perdido em treze cobrados nessa Eurocopa. Ou seja, a vida difícil do goleiro era a dificílima do batedor. 

E o prêmio virou castigo...

A França cresceu no jogo de forma avassaladora. Como se o quase segundo gol suíço, salvo por Lloris, despertasse um instinto de auto preservação. De defender a própria pele de uma eliminação. E, qual a melhor forma de se defender? Acertou: atacar.

Aos dez minutos, Coman rolou para Pogba, que entregou para Mbappé. Mbappé pegou de primeira, cruzado, mandando perto da trave esquerda.

No minuto seguinte, numa jogada rápida envolvendo N`Golo Kanté (que recuperou a bola no campo de ataque), Griezmann e Mbappé, dessa vez o camisa dez abriu mão de chutar e fez algo mais inteligente: tocou para Benzema. Em seu habitat natural, Benzema foi hábil para puxar a bola e finalizar de forma inapelável. Estava empatada a partida em solo romeno. E o castigo para a Suíça não pararia por aí...

Capítulo 4: a França em sua melhor versão

Embalada no seu próprio êxito, a seleção francesa tratou de transformar o empate em virada dois minutos depois: numa belíssima combinação de troca de passes, Paul Pogba deu para Coman, que entregou para Griezmann, que tabelou com Mbappé e cruzou para Benzema, que só teve o trabalho de conferir de cabeça. Bendito seja o esporte que proporciona jogadas como essa! Que golaço!

A Suíça tentou reagir à repentina virada e, aos vinte minutos, teve boa chance em lance de bola parada: Shaqiri levantou, Widmer e Seferović surgiram no espaço vazio fechando na segunda trave, mas nenhum dos dois conseguiu completar para o gol. Ah, a bola parada... Lembranças do pênalti perdido, né, Suíça?

Com bola rolando, a França era soberana. Aos vinte e dois minutos, Pogba buscou Mbappé, mas o goleiro Yann Sommer chegou antes. No minuto seguinte, Sommer tomou um susto quando Widmer fez um recuo estranhíssimo - será que ele quis mesmo recuar? - e a bola saiu em escanteio, à esquerda. 

Aos vinte e oito minutos, Coman arriscou de fora da área e Sommer, sem correr riscos, pegou.

No minuto seguinte, um chute esplendoroso de Pogba aumentou a vantagem francesa. Que batida na bola! Que precisão! A bola viajou para adormecer no ângulo esquerdo. Sabe quando tudo no lance é bonito? A forma como chutou. A trajetória. O local onde entrou. Até o salto de Sommer se esticando todo para tentar defender o indefensável embelezou o que já era belo. A cereja no bolo de uma atuação magistral de Pogba. Três a um no placar.

Mas vamos com calma porque essa história ainda está longe de terminar...

Capítulo 5: Suíça, como você consegue ser tão linda?

Pouco antes de ter sofrido o terceiro gol, o técnico bósnio Vladimir Petković tinha realizado suas duas primeiras substituições no jogo, colocando Mario Gavranović e Melingo Kevin Mbabu nos lugares de Shaqiri e Widmer. É bem verdade que a França teve nova chance aos trinta e um, quando Coman recebeu de Benzema pela esquerda, chutou de fora e Sommer segurou. Mas, tirando isso, a Suíça passou a exercer uma preponderância nas ações ofensivas. 

Tal preponderância se transformaria em domínio flagrante após as duas substituições seguintes: saíram Zuber e Embolo para as entradas de Christian Fassnacht e Ruben Vargas.

Apenas um minuto depois dessas trocas, a Suíça chegaria ao segundo gol: Mbabu cruzou e, ele, ele mesmo, o próprio, o camisa nove, Seferović, marcou novamente de cabeça. Dessa vez, sem nenhum Lenglet para que eu possa agradecer, o centroavante levou a melhor sobre Raphaël Varane. Não adianta, pode colocar quem for para acompanhar, Seferović é soberano naquele pedaço de campo.

A Suíça queria mais. A Suíça precisava de mais. E, nessa busca, nesse ímpeto, a Suíça foi demais!

Aos trinta e nove minutos, Granit Xhaka rolou na esquerda, Rodríguez chutou rasteiro, Gavranović interceptou já fazendo o domínio e chutando na esquerda. Seria o empate, não fosse o impedimento.

Na marca de quarenta e quatro minutos, nada nem ninguém impediria a igualdade no placar: na base da raça, Admir Mehmedi (que entrara minutos antes no lugar de Rodríguez) desarmou Pogba no meio de campo e Xhaka, com ótimo passe, serviu Gavranović, que chutou rasteiro, firme, no cantinho. Um momento enlouquecedor!

Pouco antes de ceder o empate, Deschamps tinha trocado Griezmann por Moussa Sissoko. E o próprio Sissoko tratou de fazer jogadaça pela direita: cheio de ginga diante do marcador, ele trouxe pro fundo, fez o levantamento e serviu Coman, que dominou no peito e chutou cruzado, com estilo e com curva, mandando no travessão. Seria um gol belíssimo aos quarenta e sete minutos do segundo tempo. Mas os deuses do futebol tinham outros planos. Eles queriam é mais jogo. Então, vamos à prorrogação...

Capítulo 6: França insiste, Suíça resiste

Se o título desse capítulo trocasse o nome da França pelo nome do Coman, o resultado seria praticamente o mesmo. Fato é que Coman protagonizou a maioria dos principais lances de perigo em toda a prorrogação.

Com quatro minutos, foi ele, Coman, quem cruzou da esquerda. Pavard chutou e Sommer foi espetacular ao levar ao mão direita até a bola e desviá-la do rumo do gol.

A Suíça, em resposta aos seis minutos, teve boa chegada com Mbabu pela direita, mas o cruzamento rasteiro foi cortado por Varane na pequena área.

Aos sete minutos, foi novamente ele, Coman que avançou pelo lado esquerdo e chutou na rede pelo lado de fora.

Veio o segundo tempo da prorrogação. E ganha um pão francês quem adivinhar o jogador que construiu a jogada finalizada por Mbappé à esquerda do gol. Pois é: Coman, sempre pelo lado esquerdo.

No minuto seguinte, mais Coman: dessa vez ele passou para Pogba, que enfiou para Mbappé, que chutou na face externa da rede.

Era a última participação de Coman, que, provavelmente com alguma questão física, dava lugar a Marcus Thuram. Seja com Coman, seja com Thuram, a França escolheu o flanco esquerdo: aos oito Pogba lançou Thuram por aquele lado do campo e o camisa vinte e seis rolou para o meio da área. Olivier Giroud - que entrara no lugar de Benzema no primeiro tempo na prorrogação - teve seu chute desviado no próprio companheiro Mbappé, saindo pela linha de fundo.

Ainda houve tempo para, aos treze, Giroud levar a melhor no jogo aéreo diante de Fabian Schär (que substituíra Seferović). Acontece que Sommer estava ali e fez linda defesa no canto direito para evitar o quarto gol francês num momento delicadíssimo da partida.

Vamos, finalmente, ao último capítulo de um desfecho emocionante

Capítulo 7: muito prazer, Mbappé, me chamo Sommer

Se nos pênaltis cobrados nessa Eurocopa o índice de aproveitamento dos batedores estava abaixo de 50%, na disputa de penalidades máximas entre França e Suíça o que se viu foi um excelente nível na realização das cobranças.

Primeiro, Gavranović cobrou forte e no alto. Um a zero Suíça.
Depois, Pogba empatou também cobrando com força e ainda mais no alto, beirando o ângulo direito. Um a um.
Schär foi o primeiro a escolher o canto esquerdo do goleiro. Dois a um Suíça.
Giroud seguiu o mesmo caminho. Dois a dois.
Na cobrança de Akanji, Lloris resolveu esperar. E o chute rasteiro no canto direito ficou fora de alcance. Três a dois Suíça.
Thuram cobrou firme no canto direito e Sommer acertou o canto, mas não alcançou a bola. Três a três.
Lloris optou novamente por aguardar. Vargas bateu no canto direito. Lloris chegou a tocar na bola, mas sem evitar que entrasse. Quatro a três Suíça.
Acertar o canto da cobrança virou rotina para Sommer, que voou para o lado esquerdo. Só que Kimpembe chutou muito bem e converteu. Quatro a quatro.
Na cobrança de Mehmedi, Lloris escolheu o lado direito e a bola estufou a rede no lado esquerdo. Cinco a quatro Suíça.
Era a vez de Mbappé. Maior craque dessa geração francesa. Uma das maiores promessas (leia-se realidade) no futebol mundial. Chute firme, buscando o canto direito. Mas, dessa vez, o voo de Sommer alcançaria a bola. Para aumentar a dramaticidade, a arbitragem orientou que esperasse a verificação do lance por possível "andada" do goleiro. Ora! Sommer não anda! Sommer voa! E, para a Suíça, o céu é o limite.

Yann Sommer voa e defende a cobrança de Kylian Mbappé: Suíça triunfa nos pênaltis em partida antológica com a França. Foto: Franck Fife / Reuters.


domingo, 17 de dezembro de 2017

Análise Da Copa Do Mundo 2018 - Grupo C

Foi realizado no dia primeiro de dezembro o sorteio da fase de grupos para a Copa do Mundo 2018. Analisamos o grupo A e também o grupo B. Chegou a vez de dar alguns pitacos sobre o grupo C. Chave que reúne três seleções entre as doze primeiras do mundo na mais recente divulgação do ranqueamento da FIFA.

Grupo C: França, Austrália, Peru e Dinamarca.

França

Didier Deschamps, capitão da seleção campeã mundial em 1998, conta com uma geração especial. São muitos jogadores talentosos e que estão em ascensão nas suas carreiras. Além desse "material humano" qualificado, a França vai ao Mundial com a credencial de ter sido vice-campeã continental em 2016, numa campanha que, em alguns momentos, comprovou a qualidade técnica da equipe.

França: 9ª colocada no ranqueamento da FIFA.
Talvez o maior desafio do treinador seja saber manejar a jovialidade do elenco. Mbappé (18 anos), Coman (21) e Martial (22) são alguns dos nomes mais badalados na atualidade. E pra quem acha pouco, o potente setor ofensivo dos Bleus conta também com atletas do nível de Giroud, Griezmann e Lacazette. Ou seja, dá para montar diversas combinações de respeito no ataque francês.

A campanha nas Eliminatórias foi sólida: sete vitórias, dois empates e somente uma derrota num grupo que tinha a Suécia e a Holanda como principais rivais. Destaques para as vitórias sobre a Laranja: 1a0, em Amsterdã, e 4a0, em Paris.

Os dezoito gols azuis foram relativamente bem distribuídos: Giroud e Griezmann anotaram quatro; Gameiro, Lemar, Payet e Pogba marcaram duas vezes cada; Matuidi e Mbappé fizeram um. A defesa, aparentemente cada vez mais consistente, cedeu seis gols e foi a menos vazada na chave. Se Deschamps conseguir o ponto de equilíbrio (a meu ver, passa necessariamente pela interação de Matuidi e Pogba entre a marcação e a transição), não há limites para a França nessa Copa. É daquelas seleções que darão gosto de ver jogar.

Austrália

Do relativo amadorismo ao hábito de jogar mundiais: a Rússia-2018 será a quarta Copa do Mundo consecutiva da Austrália, que até então só havia participado em 1974. Nessa caminhada dos Socceros, o passo (leia-se salto de canguru) mais ousado foi possivelmente a filiação à Federação Asiática. Encontraram uma eliminatória mais difícil que a da Oceania mas de uma dificuldade acessível - e mais do que isso, capaz de impulsionar a seleção a um nível mais alto e que lhe trouxesse alguma perspectiva de competir diante de seleções mais tradicionais.

Austrália: 39ª colocada no ranqueamento da FIFA.
Não havendo nenhum nome destacável na nova geração, a realidade é que os australianos têm suas esperanças majoritariamente depositadas nos veteranos Jedinak (meio-campista capitão da equipe aos 33 anos de idade) e Tim Cahill (atacante, 38, e maior goleador na história da seleção com 50 gols).

Tomi Juric, um dos goleadores nas Eliminatórias Asiáticas com cinco gols, atua no futebol suíço e foi campeão na Liga dos Campeões da Ásia em 2014, quando vestia a camisa do Western Sidney Wanderers. Mathew Leckie, meio-campista autor de três gols e duas assistências nas mesmas eliminatórias, atua no Hertha Berlin, estando em sua sétima temporada no futebol alemão. E aí você pergunta: "beleza, quem desses daí resolveu as coisas na repescagem com a seleção de Honduras"? Resposta: nenhum deles, mas o trintão Jedinak, que marcou todos os três gols nos 3a1 em Sydney (a partida de ida havia terminado 0a0).

Peru

36 anos depois, o Peru está de volta a uma Copa do Mundo. Com tantos personagens que compuseram esse roteiro cinematográfico que terá suas próximas locações em território russo, há um protagonista a ser enaltecido: o técnico argentino Ricardo Gareca.

Peru: 11ª colocada no ranqueamento da FIFA.
Uma campanha consistente na Copa América. Uma surpreendente arrancada nas Eliminatórias Sul-Americanas. Uma partida fantástica no jogo de volta na Repescagem. Desde fevereiro de 2015, quando assumiu a seleção peruana após breve passagem pelo Palmeiras, o quatro vezes campeão argentino com o Vélez Sarsfield vem fazendo um trabalho excepcional com La Blanquirroja.

O cerebral Cueva, principal articulador de jogadas, tem sua tarefa facilitada graças às muitas opções de aproximação tanto pelo centro com Flores e Ruidíaz, quanto pelas beiradas - Advíncula e Polo pela direita, Trauco e Farfán pela esquerda. É um time que se movimenta bastante, que esbanja entrosamento e que "não aceita" a marcação adversária, sabendo dela se desvencilhar.

O primeiro tempo de partida com a Nova Zelândia, no estádio Nacional de Lima, foi uma aula tática. Com um detalhe: estava ausente o principal nome do futebol peruano, Guerrero, suspenso por uso de substância proibida. O atacante se defende e mantém esperanças de ser inocentado a tempo de reverter a ausência no Mundial (a atual punição de banimento por um ano impede sua participação na próxima Copa). Mas, Gareca conseguiu montar um time que não dependerá de Guerrero para jogar com classe e estilo. A torcida pela presença de Guerrero é mais por uma questão de justiça (a dopagem foi provavelmente por contaminação) do que por necessidade técnica/tática da equipe. E teria, a meu ver, um efeito muito mais moral do que esportivo.

Invicta há dez partidas, a seleção do Peru terá no jogo de estréia um confronto fundamental em suas pretensões no Mundial: a Dinamarca, em dezesseis de junho. Considerando o favoritismo francês e o fato da Austrália ser o adversário menos qualificado no grupo, essa partida é chave. E tenho grandes expectativas de que será um jogaço.

Dinamarca

Se alguém tinha alguma dúvida sobre as capacidades da seleção dinamarquesas, elas foram
suprimidas no jogo derradeiro rumo à Copa: a partida de volta com a Irlanda, pela Repescagem Européia. Após o 0a0 em Copenhaguen, a equipe nórdica se viu atrás no marcador já no sexto minuto em Dublin. E, de virada, aplicou uma goleada de 5a1, com direito a três gols do craque Christian Eriksen.

Dinamarca: 12ª colocada no ranqueamento da FIFA.
E então, dá pra cravar que seja favorita à "segunda vaga" na chave? Não, não dá. Não dá porque fica difícil saber se veremos uma Dinamarca que perde dentro de casa para Montenegro ou uma Dinamarca que aplica 4a0 na Polônia (sim, a única derrota polonesa nas Eliminatórias Européias foi uma goleada de quatro a zero em Copenhaguen). A certeza que fica é que a Dinamarca tem condições de apresentar um bom futebol, restando observar se o equilibrado sistema 4-5-1 do norueguês Åge Fridtjof Hareide será mais ofensivo ou pragmático. Se Nicklas Bendtner será opção para o decorrer do jogo ou titular do time, também é questão incerta. Será dada preferência a um homem de referência dentro da área? A um jogador de mais mobilidade? Poderá se formar uma dupla de frente incluindo ambas as características e teoricamente diminuindo a necessidade de Eriksen se apresentar como finalizador?

Seja como for, por mais que Eriksen seja capaz de decidir partidas (ele marcou oito gols e deu três assistências na fase de grupos nas Eliminatórias Européias, participando diretamente de mais da metade dos vinte gols dinamarqueses), é importante ter em mente que, na Copa, é mais difícil uma andorinha sozinha fazer verão. Se bem que será verão na Rússia...

domingo, 10 de julho de 2016

Longe De Encantar, Portugal Fatura Inédita Eurocopa

O que seria de Portugal sem Cristiano Ronaldo?

O futebol respondeu essa pergunta hoje: campeão da Eurocopa.

Foi sem seu principal astro e capitão que a seleção portuguesa enfrentou a França durante mais de 80% do tempo de jogo na final em Paris. Esbanjando aplicação tática e força coletiva, os comandados de Fernando Santos foram bem-sucedidos na famigerada estratégia de "jogar por uma bola". Na covarde postura de reagir em vez de propôr, a bola do "golo" saiu no segundo tempo da prorrogação, em chute de Éder, de fora da área.
Éder, que entrou no lugar de Renato Sanches, comemora o gol do título. Foto: Christian Hartmann / Reuters.

Foi justo o título português?

O futebol enquanto esporte e o futebol enquanto arte oferecem respostas distintas para essa indagação.

No sentido da estrita competitividade, Portugal é campeão europeu com justiça. Jogou pelo regulamento. Já no sentido da qualidade do entretenimento, da diversão, do prazer em assistir um jogo desse tão antigo esporte bretão, o título português é de uma injustiça tremenda. Pelo futebol apresentado, poderia ter se despedido na fase de grupos, quando empatou três partidas numa chave onde era apontada como a maior força. Mas viu a Islândia e, principalmente, a Hungria encantarem naquela etapa da competição. A própria Áustria, que perdeu para aquelas seleções, conseguiu conter os lusitanos. Senhoras e senhores de todas as idades, se o primeiro critério de desempate fosse o número de vitórias, Portugal estaria eliminado com a campanha de três empates. Classificou-se com saldo zero. Graças, por exemplo, à goleada da seleção espanhola sobre a Turquia. Ou à vitória francesa sobre a Albânia. Coisas do futebol (e do regulamento).

Passou pela Croácia na prorrogação, em jogo onde viu o adversário criar as maiores chances de gol. Passou pela Polônia nos pênaltis. No tempo regulamentar, somente conseguiu superar o País de Gales, que sucumbiu na ausência de Aaron Ramsey. Mas pior que os placares em si, era o desenvolvimento dos jogos: a seleção portuguesa resumia sua produtividade a sair em velocidade e colocar a bola na área.

Talvez o grande mérito de Portugal tenha sido o de conseguir manter seu nível de jogo sem o seu jogador mais badalado - embora, diga-se, o nível de jogo português não é lá grandes coisas. Prima, isto sim, pela competitividade e pela capacidade de dar à partida uma feição que lhe ofereça condições favoráveis para "brigar" pelo resultado. Não duvido que possa haver uma "inspiração" na Grécia de 2004, um dos maiores traumas de Portugal, e seleção que teve recentemente como treinador o próprio Fernando Santos. Ao futebol, um presente de grego.

Faltou à França o futebol que apresentou em outros momentos no torneio. Os primeiros 45 minutos diante da Islândia, por exemplo, foram mais convincentes que a soma de cada segundo português na Eurocopa inteira. Mas o que fica registrado é o resultado. Brasileiros em geral (incluindo aí parcela majoritária e quase unânime da mídia) eram satisfeitíssimos com o "trabalho" de Dunga. Baseavam-se nos títulos na Copa América, Copa das Confederações e primeiro lugar também nas Eliminatórias. Até cair para a Holanda nas quartas do Mundial. A partir daí, Dunga já não mais prestava. Mas o mundo gira, e se Mano Menezes e Luiz Felipe Scolari também não prestam mais, chamemos o Dunga de novo. Dessa vez, os resultados não "permitiram" que fosse mantido até uma eventual Copa do Mundo em 2018. Só que o que pouco se aborda é que, no jeito de jogar, a seleção de Dunga ficou na fronteira da mediocridade nas vitórias, nos empates e nas derrotas. Acontece que, nas vitórias, tá tudo bem quanto ao fato de ser medíocre... Enquanto essa cultura do resultado sentenciar que um treinador seja bom ou ruim em função de placares e posições, estaremos fadados a vermos gente afirmar que Portugal mereceu o título. Se mereceu, então, o futebol é que não merece Portugal. Com ou sem Cristiano Ronaldo.

domingo, 3 de julho de 2016

Resumão Das Quartas Na Eurocopa 2016

As quartas-de-final na UEFA Euro 2016 reservaram fortes emoções aos apaixonados por futebol. De surpresas a confirmações de favoritismo, de jogos definidos nos pênaltis a goleada, bastante coisa aconteceu de interessante entre quinta-feira e domingo. Vamos a alguns pitacos.

[1] Polônia 1(3)a(5)1 Portugal.
[1.1] Saiu o primeiro gol de Robert Lewandowski na Eurocopa 2016. Logo no início da partida, ele aproveitou passe de Grosicki em jogada pela esquerda e completou esbanjando aquele oportunismo habitual que é exibido temporada após temporada na Bundesliga.
[1.2] Renato Sanches, jovem talento que será parceiro de Lewandowski no Bayern de Munique, mostrou que está pronto e preparado para ajudar a seleção portuguesa. Marcou o gol de empate após tabela com Nani e, principalmente, se ofereceu à equipe. Demonstra mais senso de coletividade que alguns astros consagrados (sim, isso foi uma indireta - que com esses parênteses se torna direta - ao Cristiano Ronaldo).
[1.3] Desempate por pênaltis é uma coisa que foge completamente da análise pragmática: na definição da classificação portuguesa, eis que o único polonês a desperdiçar a cobrança foi exatamente aquele jogador que tem uma das melhores pontarias da equipe: Blaszczykowski. Grande defesa do goleiro Rui Patrício.
[1.4] Capricho dos deuses do futebol que a cobrança derradeira tenha cabido a Ricardo Quaresma. O tatuado camisa 20, que veio do banco para novamente contribuir, vem fazendo bela competição e dando uma força ofensiva muito útil para abrir a última linha de defesa adversária, principalmente pelos flancos.

[2] País de Gales 3a1 Bélgica.
[2.1] Considerando a diferença de nível técnico entre as equipes (com todo respeito aos galeses, que têm muitas qualidades) e a circunstância do jogo (leia-se o golaço de Nainggolan aos doze minutos para abrir a contagem), País de Gales conseguiu um resultado histórico ao conseguir virar a partida.
[2.2] Curiosamente, em nenhum dos três gols houve participação direta do sempre participativo Gareth Bale. Coube a Aaron Ramsey conduzir a classificação com duas assistências na partida. Sua suspensão a ser cumprida na semifinal terá, sem dúvida, um impacto no time. Será desafiador jogar sem o cerebral camisa 10.
[2.3] A excepcional geração belga merece os elogios que recebe e o que Marc Wilmots vem fazendo frente a esta seleção é algo que não pode ser jogador fora pura e simplesmente devido a uma ou outra eliminação. Deve, isto sim, ser exaltado o esforço de fazer um elenco talentoso jogar de maneira a evidenciar essa capacidade técnica acima da média. Os desfalques na última linha de defesa pesaram, mas talvez sejam os jovens que não funcionaram nesse jogo aqueles que irão suceder os mais experientes. E Wilmots mostra sensatez ao pedir que os garotos sejam poupados de críticas. Hoje, a Bélgica caminha no sentido certo.

[3] Alemanha 1(6)a(5)1 Itália.
[3.1] Embora dominante territorialmente e sendo propositiva na maior parte do tempo, a Alemanha esbarrou na estratégia italiana. Uma estratégia que, diferentemente das oitavas diante da Espanha, zelou muito mais pelo anti-jogo do que por qualquer outra coisa. A Azzurra jogou por menos do que "uma bola". Se pudesse definir a classificação no cara-ou-coroa, provavelmente Antonio Conte se prontificaria a fazê-lo.
[3.2] Inegável que haja mais qualidade na equipe alemã, mas não justifica o excesso de defensivismo italiano na partida. De toda forma, fica evidente que os campeões mundiais, com toda a dificuldade que tiveram para obter a classificação, não são um time imbatível. Mas são o time a ser batido. Um time que dá gosto de ver jogar, mesmo quando o jogo é truncado.
[3.3] Seguindo o fluxo ilógico de um esporte onde vemos perderem pênaltis Lionel Messi e Arturo Vidal numa final de Copa América, a Alemanha viu Müller, Özil e Scweinsteiger desperdiçarem cobranças. Buffon estava pronto para sair como herói. Mas Neuer, com a frieza e a competência que lhe caracterizam, conseguiu ajudar os alemães a, finalmente, superarem os italianos em "jogo pra valer".
[3.4] Apenas para não deixar passar em branco: Boateng cometeu o pênalti convertido por Bonucci porque marcava corretamente o Chiellini. Curiosamente, seus braços esticados de modo a não cometer infrações no adversário, acabaram encontrando a bola naquela cobrança de escanteio. Faz grande Eurocopa o defensor alemão, que terá a missão de conduzir novamente o setor, dessa vez sem Hummels ao lado.

[4] França 5a2 Islândia.
[4.1] Possivelmente a melhor atuação de uma seleção nos primeiros quarenta e cinco minutos de partida nessa Euro. 4a0 com autoridade, naturalidade, intensidade. Tudo junto e misturado num liquidificador que triturou completamente a defesa e o sonho islandês em Paris. Deschamps conseguiu o ponto de equilíbrio num time marcado pela leveza e movimentação. Grandes atuações de Payet e Griezmann.
[4.2] A Islândia fez história nessa Eurocopa. Marcando gol em todos os jogos, não se intimidando em nenhum deles, procurando sair para o jogo quando via a possibilidade - conseguiu superar as próprias limitações e proporcionar um nível de competitividade de uma maneira a protagonizar jogos agradáveis de se assistir. Sair com uma goleada nas costas é doloroso. Mas a campanha viking na França é para ser lembrada com carinho por gerações. Sobretudo pela mobilização popular, desde as menos conhecidas cidades islandesas até as arquibancadas dos mais famosos estádios franceses. Engrandeceu o futebol. E merece os nossos aplausos.
Sinergia entre time, torcida e nação: a Islândia deu um espetáculo na França. Foto: Reuters / C. Hartmann.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Afinal, Aqui É A França!

Equipe renovada, motivada, jogando em casa. A França, no final das contas, cumpriu o favoritismo diante da Albânia. E foi bem no final das contas mesmo: seus dois gols saíram nos últimos minutos de partida (o segundo deles, mais precisamente no lance derradeiro).

O persistente zero a zero deu-se basicamente por dois motivos: a barreira albanesa em sua última linha de defesa e a pontaria francesa. Foram mais de dez finalizações para fora. Duas na trave. Até saírem os dois gols que fizeram Marselha vibrar.

Payet comemora o segundo gol francês. Imagem extraída de InAlbânia.
Por mais que os franceses tenham sido dominantes, é de se contestar a insistência de Didier Deschamps no esquema com dois volantes. Kanté e Matuidi, que fizeram boa atuação, poderiam dar conta das investidas albanesas sem um companheiro a seu lado. A entrada de Pogba poderia tranqüilamente ter sido no lugar de um desses jogadores. Só que Deschamps abriu mão de Martial. Depois, trouxe Griezmann para o lugar de Coman. Mais tarde, trocou Giroud por Gignac. Sempre com os dois volantes, mesmo diante de um adversário dedicado ao 0a0.

No final, de tudo certo para a anfitriã: Griezmann, de cabeça, e Payet, em bela jogada individual, sacramentaram o triunfo que assegura a classificação. Talvez seja a chance de o treinador testar, sem medo de ser feliz, um esquema com um único volante. Sem esse tipo de alternativa, vejo a França abaixo de seleções de ponta como Alemanha e Espanha. Com esse recurso, será ainda mais forte na disputa pelo título.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Não Vi Beckenbauer, Mas Vejo Hummels: Alemanha Vence A França E Chega Em Nova Semifinal

Alemanha e França, de confrontos bélicos no passado, jogaram por uma vaga na semifinal. O ex-novo-Maracanã recebia duas seleções com boas campanhas no Mundial, ambas invictas e com três vitórias em quatro jogos. Seleções acostumadas a vencer. A vencer e a abrir o placar.

Aos doze minutos, Kroos cruzou e Hummels conseguiu subir com mais precisão no tempo de bola que Varane, cabeceando de modo a superar Lloris - com direito a um empurrãozinho do travessão. A Alemanha, pela quinta vez em cinco partidas no Mundial, inaugurava o marcador. Foi assim diante de Portugal, Gana, EUA e Argélia. Era assim novamente. Só que para a França, aquilo era um fato inédito, pois jamais havia concedido o primeiro gol numa partida nessa Copa. Até porque só havia levado gols da Suíça, quando já vencia a partida por 5a0.

A França parecia não saber reagir à desvantagem. E não é que tenha se descontrolado emocionalmente, nada disso. Foi exatamente o contrário: a França manteve-se fria. Se por um lado tal frieza é positiva na medida em que as jogadas podem ser calculadas da melhor maneira possível, por outro pode ser nociva, pois não dinamiza um cenário que clama por uma novidade. Valbuena fez mais um bom jogo. Benzema, novamente, mostrou-se a melhor opção no momento de concluir. Pogba teve alguns bons momentos na partida. Matuidi apareceu bem no segundo tempo. Mas faltou algo mais. Talvez fosse um Griezmann para entrar e mudar o rumo dos acontecimentos - dessa vez ele foi titular e participou discretamente. As entradas de Rémy e Giroud pouco ou nada acrescentaram. A Alemanha, muito bem postada na defesa, teve Hummels como grande nome no jogo. Nada nem ninguém em momento algum conseguiu levar vantagem sobre o camisa cinco alemão. Podemos, naturalmente, valorizar a participação de Lahm na lateral-direita. Também merece elogio a presença de Khedira, que atuou os noventa minutos ao lado do ótimo Schweinsteiger. Boateng e Höwedes também contribuíram. Müller foi bastante acionado, Klose se mostrou voluntarioso, Schürrle teve duas oportunidades. Mas o cara que foi lá e fez, foi ele: Hummels.

Löw, que chega a mais uma semifinal como técnico da Alemanha (Euros 2008 e 2012, além da Copa 2010), afirmara na véspera do jogo que Mats Hummels havia contraído uma gripe. Mas nem os vírus têm vez com o zagueirão. Para alegria geral da nação alemã, Hummels foi o imunizador do ataque francês. E, se lá no passado, confrontos sangrentos marcaram conflitos entre alemães e franceses, hoje a "guerra" foi vencida sem nenhum indício de agressão. A Hummels e companhia, minha virtual condecoração.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Com O Dedo De Deschamps, França Elimina Nigéria

O bom futebol apresentado pela França na fase de grupos demorou para aparecer nas oitavas-de-final. Não saberemos até que ponto isso se deve ao fator psicológico de ser um jogo eliminatório ou de ser a Nigéria uma equipe que encontrou melhores fórmulas que Honduras, Suíça e Equador para medir forças com os franceses. Mas o fato é que, por mais que tenha demorado, o bom futebol da seleção comandada por Didier Deschamps apareceu. Foi em algum momento depois do intervalo no estádio Mané Garrincha, mais precisamente após o minuto 62, quando o técnico capitão de 1998 colocou Griezmann no lugar de Giroud. Apareceu. Poderia ter sido tarde, pois ainda no primeiro tempo os nigerianos tiveram um gol de Emenike anulado por questão de centímetros. Poderia ter sido tarde também porque a França contou com a complacência do árbitro estadunidense Mark Geiger para continuar com onze em campo: a entrada de Matuidi em Onazi, que lesionou o camisa dezessete, era digna de expulsão.

Contudo, com tudo isso salvando a França do que poderia ser um primeiro tempo trágico, houve algo de bom por parte dos Azuis antes do intervalo: em lance onde Pogba tabelou com Valbuena, só não tivemos um dos gols mais bonitos na Copa porque Enyeama realizou uma das mais belas defesas no Mundial. Que goleiraço!

Veio o segundo tempo e cada minuto que avançava no cronômetro parecia dar mais esperanças às Águias. Em lances como o chute firme e rasteiro de Odemwingie, que foi bloqueado em defesa difícil de Lloris, parecia estar sendo construída mais uma surpresa na Copa do Mundo 2014. Até porque o ataque francês era naquele momento inofensivo: Benzema não conseguia dialogar com Giroud, os avanços de Pogba e Matuidi eram bem vigiados por Gabriel (que substituiu Onazi, vítima de Matuidi) e Obi Mikel. A França, talvez pela primeira vez no torneio, vinha se tornando um time previsível.

Foi então que Deschamps teve uma visão. E mudou o jogo numa substituição: Griezmann no lugar de Giroud. Não abriu mão de jogar com três volantes, mesmo quando dois deles pareciam suficientes para conter uma Nigéria onde Musa estava apagado e Moses também pouco rendia no campo de ataque, isolando Emenike e sobrecarregando Odemwingie. Enyeama passou a ser mais exigido, praticando defesas espetaculares, como em lance onde Benzema surgiu cara-a-cara, parou no goleiro e ainda viu Moses afastar praticamente em cima da linha final. Os nigerianos foram também salvos pelo travessão, após chute de longe de Debuchy. Mas, aos trinta e três, não houve salvação: escanteio cobrado pela esquerda, Enyeama não conseguiu afastar e Pogba aproveitou o raro vacilo do goleiro para cabecear na rede.

Com Griezmann bem no jogo, Valbuena sobrando por todos os cantos do campo, Benzema subindo de rendimento ao lado dos companheiros e a vantagem no placar, a França finalmente mostrava algo próximo àquela França dos três jogos anteriores. Stephen Keshi demorou para tomar alguma providência, só mexendo no time aos quarenta e três: Nwofor no lugar de Moses. Era a segunda alteração e ele preferiu não fazer a terceira. Até porque, pouco depois, Valbuena avançou pela direita em liberdade, cruzou rasteiro buscando Griezmann e Yobo, zagueiro nigeriano, fez a tarefa do atacante francês, desviando para a rede. Aí não tem Enyeama que dê jeito. 2a0 França, que avança. Pela frente virá o vencedor de Alemanha e Argélia. Ou seja, teremos ou um encontro de gigantes ou de rivais históricos na geopolítica mundial. Liberdade, igualdade e fraternidade, antes de mais nada.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Domínguez Pára A França, Mas Equador Dá Adeus À Copa

A França confirmou seu favoritismo de não-cabeça-de-chave-que-deu-sorte-no-sorteio e terminou em primeiro lugar no grupo E. Após golearem Honduras na estréia e Suíça na segunda rodada, os franceses foram a campo sabendo que um empate diante dos equatorianos era mais que suficiente para sair do Maracanã com a liderança mantida. Confiante na situação e no elenco à disposição, Didier Deschamps montou a seleção com algumas modificações típicas de quem iria aproveitar a ocasião favorável para fazer experiências e poupar jogadores. Sucesso: a França jogou bem, viu-se com opções entre os reservas e o 0a0 ratificou a primeira colocação na chave. Para o Equador, o resultado combinado à goleada suíça sobre os hondurenhos (3a0, com hat-trick de Shaqiri), representou a primeira e única eliminação sul-americana na fase de grupos. Nada que abale a digna campanha dos comandados do colombiano Reinaldo Rueda, que haviam perdido a estréia para a Suíça nos acréscimos e vencido Honduras na segunda rodada.

Com força máxima no jogo (Caicedo entre os suplentes por opção tática), o Equador atuava com dois pontas (Valência pela direita e Montero pela esquerda) e dois atacantes (Arroyo e Enner Valência, autor dos três gols equatorianos no Mundial). Mas tal formação foi devidamente neutralizada pela postura tática francesa: com os flancos protegidos (Sagna atento pela direita e Digne recebendo auxílio de Sissoko na esquerda) e a zona central densamente povoada (Schneiderlin, Pogba e Matuidi atuavam por ali, gerando vantagem numérica em relação a dupla Minda e Noboa), a França conseguiu domínio territorial, domínio na posse de bola e domínio no número de oportunidades criadas. Só que Griezmann, Benzema e companhia encontraram uma forte resistência no sistema defensivo adversário, que contava com Paredes, Guagua, Erazo e Ayoví, além de um paredão chamado Domínguez - o goleiro de 1,93m foi o grande nome no jogo e personagem mais decisivo para a manutenção do placar até o apito final.

No início do segundo tempo, a expulsão de Antônio Valência deixou o Equador em desvantagem numérica. Com um detalhe: aparentemente, a decisão de dar o cartão vermelho no lance partiu de alguém que não o árbitro marfinense Noumandiez Desire Doue. Analisando a repetição do lance, por mais que seja esteticamente feio ver as travas da chuteira de um na perna de outro, a dinâmica da jogada não sugere maldade por parte do camisa sete equatoriano, tornando a decisão do (quarto-)árbitro duplamente contestável - uma pelo rigor, outra pela regra em si, pois diz-se não poder haver influência de terceiros (nem de quartos). De toda forma, o Equador perdia seu capitão naquele momento (que deixou o campo sem dar qualquer reclamação) e teria a missão ingrata de, nessas condições, ganhar da França para buscar a classificação.

O time de Rueda foi paciente, conseguindo a partir da solidez defensiva ameaçar a França em contra-ataques. No melhor deles, Noboa chutou desequilibrado em lance daqueles que não se devem desperdiçar, sobretudo numa situação como essa - talvez se caísse nos pés de Caicedo, que o substituiria nos minutos finais, o Equador tivesse melhor sorte. Só que se há alguma seleção que tem a lamentar pelos gols perdidos, essa é a européia. Seja por questões de pontaria, seja pela atuação maiúscula do goleiro Domínguez, o fato é que parecia não haver qualquer possibilidade de chegar ao gol. De dezesseis finalizações, nove foram no alvo. Só que o alvo parecia ser o arqueiro, de tão bem posicionado que ele estava nos lances.

Agora, o próximo adversário dos Bleus será a Nigéria. Partida para se contar com Valbuena (que fez falta hoje) e com aquele Benzema das duas primeiras rodadas. Talvez seja de se pensar começar com Giroud entre os titulares, opção que sugere mais mobilidade a Benzema. Lembrando que sempre que a França passou pela fase de grupos numa Copa do Mundo, chegou pelo menos até as semifinais.

sábado, 21 de junho de 2014

Queijo Suíço Cortado À Francesa

Pra quem achou pouco os três gols da França na estréia diante de Honduras (ou "dois gol e meio", com o empurrãozinho centimétrico do chip), a partida dos Azuis diante da Suíça foi para não deixar nenhuma dúvida: a seleção francesa, mesmo sem Ribèry, é forte candidata ao título mundial no Brasil. Não apenas pelo expressivo resultado alcançado diante de uma seleção que tem qualidades, mas sobretudo pela maneira de jogar, pela capacidade de chegar com velocidade nos contra-ataques e pelo equilíbrio tático promovido pelo competente Didier Deschamps, treinador que tem na sua história futebolística a braçadeira de capitão no título de 1998. Parece ser o nome certo para conduzir os Bleus ao bi. Sobretudo com o ótimo desempenho de Benzema.

Um dos aspectos mais interessantes na análise do jogo entre França e Suíça é que, na construção dos 5a2 (que por um ou dois segundos não se tornou meia dúzia) é que os suíços são reconhecidamente bons na arte de se defenderem. Mas não houve o que fazer diante do rolo compressor francês. Em jogada de bola parada, o escanteio cobrado por Valbuena encontrou Giroud soberano para cabecear muito bem uma bola que até foi alcançada pelo bom goleiro Benaglio, mas que entrou assim mesmo.

No minuto seguinte - e não é força de expressão -, Benzema tirou proveito do erro de Behrami para servir Matuidi: a festa da torcida que ainda comemorava o gol anterior era ampliada no estádio Fonte Nova, em Salvador. E não havia quem pudesse salvar a defesa suíça do ataque francês: ainda no primeiro tempo, em contra-ataque avassalador, Giroud correu como nunca e deixou para Valbuena apenas concluir para a rede. Detalhe: entre o segundo e o terceiro gols franceses, ainda houve um pênalti desperdiçado por Benzema, com direito a rebote de Cabaye dentro da pequena área explodindo no travessão.

Analisando mais friamente o primeiro tempo, talvez pudéssemos elencar razões do elástico 3a0. Uma delas seria a saída de Von Bergen, que após levar um chute de Giroud no rosto, teve um corte que não cessava de sangrar, sendo imediatamente substituído por Senderos. Mas será que essa mudança traria tanto efeito adverso? Creio que não, ainda mais considerando a qualidade e a experiência do ex-zagueiro do Arsenal, atualmente no Valência. O erro de Behrami, este sim, foi responsável direto pelo segundo gol francês, mas há méritos na aparição de Benzema para recuperar a bola. Enfim, poderíamos tirar a dúvida de quanto mérito havia após assistir o segundo tempo. E tivemos a França igualmente forte, só que com jogadores diferentes: prova da força do elenco à disposição de Deschamps. Se Hitzfeld trocou Behrami por Dzemaili (numa mexida à napolitana no intervalo) e mais tarde colocou Drmic no lugar de Seferovic (lembrando que Seferovic marcou o gol da vitória sobre o Equador), Dechamps optou por mudar zagueiros (Sakho, machucado, por Koscielny) e também alterar taticamente a seleção francesa, com Pogba entrando no lugar de Giroud. E veio de Pogba o excepcional passe para o gol de Benzema - quarto da França no jogo, terceiro dele na Copa. Recebendo assistência de Benzema, Cissoko marcou o quinto.

A Suíça, que repito, tem qualidades, reagiu. Descontou com o primeiro gol de cobrança de falta na Copa do Mundo 2014: Dzemaili, rasteirinho, com a barreira "traindo" Lloris. Seis minutos depois, Inler acionou Xhaqa com ótima enfiada de bola pelo alto e o camisa dez emendou belíssimo chute, sem deixar a bola encostar no gramado, para anotar o segundo. No final, o cinco não virou seis porque o árbitro holandês Bjorn Kuipers preferiu dar o jogo por encerrado antes da conclusão fantástica de Benzema. Tudo bem. Já tinha ficado claro a força e capacidade dessa ótima seleção francesa. Dessa vez, com direito a hino nacional e sem precisar da tecnologia.

domingo, 15 de junho de 2014

França Mostra Força E FIFA Mostra O "Chip": Pobre Honduras...

A última vez que a França estreou numa Copa do Mundo com vitória havia sido em 1998, ano do título dos Bleus. Após derrota em 2002 e empates nas duas últimas edições, os franceses fizeram sua estréia no Brasil com um desempenho muito bom, obrigado. É bem verdade que dá para contestar a atuação do árbitro brasileiro e até mesmo a tecnologia da linha do gol, mas esses eventos não tiraram o brilho do consistente meio-campo francês (Pogba e Matuidi estiveram muito bem) e a atuação maiúcula de Benzema. É como se Ribèry não fizesse falta - é claro que faz, mas é como se não. Aplausos para o treinador Deschamps, que montou uma França forte e determinada.

Honduras começou o jogo pressionando. Os primeiros cinco minutos foram de domínio da seleção da América Central. Só que aos poucos a França foi fazendo a leitura de como conter o ímpeto hondurenho e se sobressair na partida. Parou em Valladares e no travessão. Até Sandro Meira Ricci ajudar em dose dupla, ao marcar pênalti longe de ser uma unanimidade (na opinião desse blogueiro o pênalti aconteceu) e aplicar um cartão amarelo que gerou uma expulsão numa decisão, no mínimo, contestável (na opinião desse blogueiro o árbitro jamais faria isso se a jogada fosse com os uniformes invertidos).

A partir daí, Benzema conduziu a França à vitória. Converteu o pênalti supracitado e estufou a rede para fechar o placar em 3a0. Entre um lance e outro, deu um chute cruzado que bateu na trave esquerda e retornou ao canto direito, sendo desviada pelo goleiro Valladares e supostamente atravessado a linha final. Será que atravessou? A tal tecnologia da linha do gol garantiu que sim. Mas, na opinião desse que vos digita, não foi mostrada nenhuma imagem que convença a legalidade  do que foi apontado pela tecnologia e pelo árbitro. Quer dizer, não duvido que o chip-padrão-FIFA tenha ultrapassado a linha-de-fundo. Mas a bola? Ah, essa daí acho que não passou inteira, não...

Portanto, pela primeira vez na história, parece que tivemos uma seleção futebolística ser prejudicada pelo árbitro e pela tecnologia. A quem Honduras poderá recorrer?

sábado, 13 de julho de 2013

Era Só O Que Faltava: França Campeã Mundial Sub-20


Copa do Mundo, Copa das Confederações e Mundial Sub-17 os franceses já haviam faturado. E, nesse sábado, treze de julho de dois mil e treze, os Bleus completaram o ciclo de competições FIFA, tornando-se a primeira seleção de futebol a conquistar todos os torneios da entidade máxima na modalidade.

Foi uma final difícil diante do Uruguai. Os dois goleiros - ambos vestindo laranja - tiveram atuações destacadas, com diversas defesas difíceis que garantiram o 0a0 por mais de 120 minutos. Nas penalidades, Areola tratou de defender logo de cara as duas primeiras cobranças uruguaias e encaminhou o título francês em território turco - Istanbul até torceu pelo Uruguai, provavelmente em resposta ao fato de a Turquia ter sido eliminada exatamente pela França, com uma goleada por 4a1 na fase oitavas-de-final.

Aliás, esse Mundial Sub-20 foi um torneio interessante. Acompanhei quatro jogos (três na fase quartas-de-final e essa final entre França e Uruguai). E olha isso: todas essas partidas assistidas foram para a prorrogação! Competitividade e equilíbrio até dizer chega. O título fica em boas mãos com a França, que tem o talentoso Paul Pogba, da Juventus, comandando a meiuca, além de alguns outros jogadores interessantes, como o ótimo goleiro Areola e o aplicado lateral-direito Foulquier. Sanogo, camisa nove, embora tenha ficado neutralizado pela defesa uruguaia, também parece tratar-se de um jogador com futuro promissor. Quanto aos vice-campeões, destaque para a atuação maiúscula do goleiraço De Amores (te cuida, Muslera!) e do atacante Avenatti, que apesar de grandalhão, mostrou que sabe lidar com a redonda colada na superfície.
Alphonse Areola salta para defender a cobrança de Velázquez: arqueiro francês teve atuação decisiva, defendendo também a penalidade de De Arrascaeta e conduzindo a França ao título inédito.

Muitos falarão que esse Mundial ficou marcado pela ausência de Argentina e Brasil, as duas maiores campeãs na categoria (seis e cinco títulos, respectivamente). Mas prefiro valorizar aqui a campanha de uma outra seleção: a do Iraque, quarta colocada no torneio. Foi muito bacana assistir os iraquianos jogando bem, com graça, desenvoltura, aplicando jogadas de efeito e passando para a fase semifinal após disputa com os sul-coreanos. Caíram para o Uruguai nos pênaltis, ou seja, não estiveram longe de jogar a final e conquistar o que seria um título marcante. Detalhes separam um quarto colocado de um troféu. E o Iraque tem todo o direito de voltar para casa se sentido um time verdadeiramente campeão.

terça-feira, 26 de março de 2013

Paris Vermelha: Espanha Vence França E Assume Liderança

Paris recebeu o jogo mais aguardado nessa rodada pelas Eliminatórias Européias para a Copa do Mundo 2014. Pelo grupo I, líder e vice-líder em campo. Jogando em casa, a França teve alguns momentos interessantes na partida, e mais no embalo de Ribèry do que da própria torcida, esteve perto de abrir o placar no Stade de France. Não conseguiu aproveitar as oportunidades. Um luxo que, diante da Espanha, pode mandar qualquer chance de sucesso para o lixo. Resultado final: 1a0 para a envolvente seleção hispânico-catalã, que mais uma vez soube impôr seu estilo de jogo e proporcionar momentos de prazer aos amantes de um futebol jogado com toque de bola pelo chão. É a Fúria, nova líder no grupo I e cada vez mais perto do Mundial. Do bimundial.

Em resumo, alguns personagens precisam ser destacados nessa partida. O goleiro Valdés, com pelo menos três belas intervenções, foi fundamental para a manutenção de um zero no placar. Pedro, participativo como quase sempre, responsável direto pelo algarismo diferente de zero no marcador: não apenas completou para a rede como iniciou a jogada que teve a assistência de Nacho Monreal, aos doze minutos do segundo tempo. O gol saiu num momento em que realmente dava pinta de que aconteceria. Pouco antes, havíamos colocado no Tuíter a seguinte publicação


Busquets, Xavi e Iniesta, a trinca barcelonista no meio-campo, também foi de uma relevância tremenda na construção do resultado. Del Bosque, após ver o time em vantagem na contagem de gols, trouxe Navas para o lugar de Villa, aumentando a mobilidade de uma seleção que já era dinâmica. E, após ver o time em vantagem na contagem de jogadores (Pogba foi expulso com dois amarelos sequenciais), manteve o time com postura semelhante a de antes do cartão vermelho. Pelo lado francês, Ribèry atuou muito bem e Matuidi também teve momentos interessantes, além de Lloris, que evitou pelo menos um novo gol espanhol. A troca de Benzema por Sissoko foi acertada por parte de Deschamps. Ou, se não foi, pelo menos os Azuis reagiram bem e por pouco não alcançaram a igualdade.

Daqui para a frente, cada uma dessas seleções tem três partidas por realizar. Analisando a tabela, a vantagem de um ponto da Espanha deve ser o suficiente para confirmar o primeiro lugar aos atuais campeões mundiais, que jogam com Finlândia (fora de casa, jogo que deve ser o mais complicado de todos os restantes), Bielorrússia e Geórgia (ambos em casa). Ja a França, que pega os mesmos adversários que os espanhóis só que invertendo o mando de campo, tem até alguma chance de retomar a liderança, como também é possível que aconteça uma grande surpresa e sequer chegue na repescagem. Mas o cenário mais provável é que os franceses joguem a repescagem mesmo. O que não é nenhuma vergonha, até porque a líder é ninguém menos do que a melhor seleção do planeta.

domingo, 24 de junho de 2012

Com 2 Do "Centenário Alonso", Espanha Bate França E Quebra Tabu

No 100º jogo de Xabier Alonso Olana com a camisa da seleção espanhola, foi exatamente o volante de trinta anos de idade o grande protagonista na partida entre Espanha e França - com dois gols dele, a atual campeã européia e mundial venceu os franceses por 2a0, garantindo seu lugar na fase semifinal na Eurocopa 2012.

Desde o início da partida até o apito final, não parecia que a seleção espanhola entrava em campo sem jamais ter vencido os franceses num jogo válido por Copa do Mundo ou Eurocopa (foram seis encontros até então, o último deles nas oitavas-de-final de 2006). Mas nada de anormal, afinal, essa Espanha que vemos de alguns anos para cá consegue seguir sua filosofia de jogo com extrema naturalidade enquanto a França já não conta mais com um certo Zinedine Yazid Zidane, que precisamente nessa mesma data completava seu 40º aniversário de nascimento.

O jogo

Dominando o jogo territorialmente, a Espanha fazia circular a bola preferencialmente no campo de ataque, tirando proveito de um time montado por Vicente del Bosque exatamente para dar qualidade na troca de passes, abdicando de um atacante de origem - no caso, o ótimo Fernando Torres deu lugar para o camisa dez Francesc Fàregas. Laurent Blanc sabia que sua seleção, adepta a ter a bola consigo, passaria a maior parte do tempo vendo o adversário dominando o objeto esférico, e tratou de tentar minimizar esse impacto, abrindo mão do talentoso Samir Nasri e escalando o voluntarioso Florent Malouda entre os titulares.

Aos cinco minutos, Cesc Fàbregas foi lançado na área e caiu no gramado após Gaël Clichy empurrá-lo, em pênalti não assinalado pelo árbitro italiano Nicola Rizzoli. Dois minutos depois, Xabi Alonso apareceria com qualidade pela primeira vez e só não marcou um golaço porque o goleiro Hugo Lloris estava atento: é que Alonso viu Lloris adiantado e tratou de chutar da altura do meio do campo, mas o arqueiro conseguiu segurar. Lloris voltaria a intervir aos dez, recolhendo cruzamento vindo da direita de ataque espanhol, que contava com constantes apoios de Álvaro Arbeloa. Mas o placar seria aberto em jogada trabalhada pelo outro flanco do campo: aos dezoito minutos, Andrés Iniesta carregou a bola pela esquerda e fez o passe para a corrida de Jordi Alba, que fez a ultrapassagem sobre a marcação de Mathieu Debuchy, olhou pra área e efetuou cruzamento impecável para Alonso, que sequer precisou tirar os pés do chão para cabecear bem, no contrapé tanto de Clichy quanto de Lloris, marcando 1a0 para a Espanha.

Quando insisto em dizer que a Espanha joga com a mesma postura vencendo, perdendo ou empatando, não estou exagerando. Logo depois do gol, mais precisamente no minuto posterior, os espanhóis descolaram nova finalização: Cesc tocou atrás e Xavi Hernández chutou de fora da área, pegando de primeira e mandando por cima. O primeiro chute a gol francês só foi ocorrer aos vinte e cinco, quando Karim Benzema cobrou uma falta que ele próprio havia recebido, mas mandou longe da meta. Aos trinta, Benzema voltou a sofrer falta, dessa vez rendendo cartão amarelo para Sergio Ramos. E quem efetuou a cobrança foi Yohan Cabaye, que pegou bem na bola ao conseguir direcioná-la ao ângulo direito - só que protegendo a meta espanhola estava Iker Casillas, que foi até lá e espalmou, sem fazer pose nem nada, apenas cumprindo com precisão aquilo que se espera de um (grande) goleiro.

A França se apresentava com uma nova atitude, se mostrando mais arisca quando com a posse e bola e causando dificuldades ao sistema defensivo espanhol. Aos trinta e dois, Franck Ribéry ganhou disputa pela esquerda, cruzou rasteiro e Casillas colocou ordem na casa, recolhendo a bola. Aos trinta e sete, a Espanha chegou bem, mas a jogada entre Cesc e Iniesta foi travada no momento exato por Laurent Koscielny, evitando que o remate do camisa seis chegasse à meta protegida por Lloris.

Uma estatística divulgada aos quarenta e quatro minutos dava uma idéia do que era a partida: enquanto a Espanha havia trocado 324 passes (com 82% de acerto), a França havia realizado 165 (70% certos), isto é, praticamente uma relação de dois para um. E olha que estamos falando de duas seleções que costumam jogar com a bola nos pés.

Veio o segundo tempo e já aos dois minutos Iniesta parecia homenagear o aniversariante Zinedine Zidane, fazendo no círculo central uma jogada de efeito que dava a impressão de que entre suas chuteiras e a bola rolasse uma relação de magnetismo. Aos cinco, Alonso chutou de fora com força e sem direção, na primeira finalização pós-intervalo. A França, por sua vez, foi conseguir rematar aos catorze: Ribéry cruzou da esquerda e Debuchy, próximo à marca do pênalti, cabeceou por cima. Aos dezesseis, uma bela enfiada de bola de Xavi para Fàbregas quase resultou no segundo gol da partida, mas Lloris salvou a França ao conseguir inervir e desarmar Cesc no momento em que o drible parecia certo.

Dos dezoito para os dezenove minutos, três substituições simultâneas. Blanc trocou Debuchy por Jérémy Ménez e também Malouda por Nasri enquanto Del Bosque colocou Pedro Rodríguez no lugar de David Silva. Aos vinte, quem fez a intervenção na nova jogada de ataque da Espanha foi o zagueiro Adil Rami, cortando com a perna esquerda um cruzamento rasteiro vindo do lado esquerdo de ataque espanhol. Aos vinte e um minutos, Fàbregas saiu para a entrada de Torres. E se aos vinte e três não tivemos uma jogada de gol envolvendo os dois espanhóis que acabaram de entrar, muito se deve a Koscielny: Pedro recebeu de Alba pela esquerda, avançou, olhou pra área e cruzou rasteiro buscando Torres, mas o zagueiro francês que substituía o suspenso Philippe Mexès cortou.

A França nada conseguia criar, mas aos vinte e cinco saiu rapidamente em contra-ataque após raro erro de passe espanhol no círculo central: a bola chegou até Ribéry, que foi até a linha-de-fundo pelo lado esquerdo, cruzou rasteiro e Casillas agarrou. Buscando aumentar sua presença no ataque, Blanc fez da sua 3ª substituição aquela de maior ousadia quando aos trinta e três minutos trocou o volante Yann M'Vila pelo atacante Olivier Giroud. No minuto seguinte, a marcação de impedimento e a atuação de Lloris pararam Torres, que recebeu cara-a-cara com o goleiro, em posição irregular. Aos trinta e oito, Del Bosque mexeu pela última vez, trocando Iniesta - que vem colecionando grandes atuações nessa Euro 2012 - por Santiago Cazorla.

Vencendo o jogo por 1a0 e mantendo-se protegido ao conservar a posse de bola, o time da Espanha queria mais. Aos quarenta e quatro, Alba passou para Pedro, que pedalou, passou por Rami e foi derrubado por Cabaye - pênalti, dessa vez assinalado por Rizzoli. Quem cobrou foi Alonso, que colocou a bola no quadrante seis (canto direito à meia-altura) e viu Lloris se projetar para o lado esquerdo. Vitória consumada e fim de um tabu histórico.

Encerro o presente texto com uma frase de minha irmã, aos onze anos de idade esbanjando conhecimento futebolístico. Aos quarenta e sete minutos do segundo tempo, disse Luanna:

"A Espanha joga bem, ela parece o Barcelona".

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Eurocopa 2012: Pitacos Para As Quartas-de-final

Após os vinte e quatro jogos disputados na fase de grupos, os amantes do futebol foram agraciados pelo fato de ter saído gol em todas as partidas. Destaco três gols. Na primeira rodada, no jogo em que a Rússia goleou a República Tcheca, Roman Pavlyuchenko fez linda jogada individual e concluiu com remate que foi parar no ângulo direito de Petr Cech. Na terceira, o gol espanhol na triangulação entre Francesc Fàbregas, Andrés Iniesta e Jesús Navas foi daquelas jogadas que mostram o quão é vistoso o estilo de jogo dessa seleção, que teve muitas dificuldades para vencer a Croácia por 1a0 (esse gol saiu aos 42 minutos no 2º tempo). E, também na terceira rodada, saiu um golaço do sueco Zlatan Ibrahimovic, abrindo caminho para a vitória por 2a0 sobre a França com um lindo voleio no canto direito.

É chegada a hora da fase quartas-de-final. Vamos aos pitacos.

República Tcheca e Portugal
Tchecos e portugueses correram atrás da classificação após estrearem com derrota na Euro 2012 (para russos e alemães, respectivamente). Nas rodadas seguintes, conseguiram duas vitórias para chegarem até aqui. O fato de a República Tcheca não enfrentar as temidas Alemanha (líder no grupo B) e Holanda (lanterna na mesma chave) deve aumentar as esperanças de retornar a uma semifinal de Eurocopa, coisa que aconteceu pela última vez em 2004. Já Portugal, que naquela edição de 2004 chegou até a final, ganha credencial na competição pelo fato de ter sobrevivido ao "grupo da morte". Particularmente, acho que será interessante o duelo pelo flanco direito tcheco e esquero português, que envolverá jogadores como Gebre Selassie, Tomas Rosický, Fabio Coentrão e Cristiano Ronaldo. Quer dizer, Rosický está com uma lesão no tendão de Aquiles e dificilmente atue. Mas fica a torcida de vê-lo em campo. Pitaco: dá República Tcheca.

Alemanha e Grécia
Esse é o duelo da fase quartas-de-final onde há maior grau de favoritismo para um dos lados. A Alemanha, com 100% de aproveitamento no grupo mais difícil da Euro (venceu Portugal, Holanda e Dinamarca), enfrenta a Grécia (empatou com a Polônia, perdeu para a República Tcheca e venceu a Rússia). A tudo isso soma-se o fato de que os gregos não contarão com um jogador importantíssimo, o camisa dez e capitão Giorgios Karagounis, suspenso pelo segundo cartão amarelo (pra variar, amarelo esse recebido em lance polêmico). Os alemães, finalistas na edição passada, querem avançar em direção ao título europeu e coroar um trabalho muito bem realizado por Joachim Löw. Os gregos, campeões históricos duas edições atrás, sonham repetir aquele feito incrível e provar que, quando os deuses desejam, o raio pode cair duas vezes no mesmo lugar. Pitaco: dá Alemanha.

Espanha e França
Atual campeã do continente e do planeta, a Espanha tem diante da França um desafio: vencer pela primeira vez esse adversário em jogos de Eurocopa/Mundial (nos seis encontros anteriores, cinco vitórias francesas e um empate). Vicente del Bosque chegou a declarar que, na derrota por 3a1 nas oitavas-de-final na Copa 2006, os espanhóis teriam subestimado os franceses. A seleção da França está em reconstrução, com muitos jogadores interessantes e desenvolvendo bom toque de bola, principalmente quando a redonda passa por Samir Nasri, Franck Ribèry e Karim Benzema. Mas no assunto toque de bola a Espanha é referência mundial. Promessa de um grande jogo. Pitaco: dá Espanha.

Inglaterra e Itália
Eis um grande clássico do futebol europeu e mundial. São duas seleções onde a tradição não se faz presente apenas na história: o velho estilo de jogo britânico de ligação direta, cruzamentos e cabeceios vem sendo praticado à exaustão nessa Eurocopa, enquanto a Itália segue apostando na solidez defensiva para procurar o resultado positivo. Duas equipes que não me agradam pelo estilo de jogo adotado, mas que, quando bem encaixadas, são difíceis de ser batidas por quem quer que seja. Embora ingleses e italianos tenham elementos que podem decidir a partida num lance individual - notadamente pela precisão de jogadores como Steven Gerrard e Andrea Pirlo -, tudo leva a crer que passará a equipe que estiver mais firme coletivamente. Pitaco: dá Itália.

Na torcida para que tenhamos muito o que falar sobre gols e jogadas de efeito e, se possível, nada a comentar a respeito de arbitragem.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

França Vence Ucrânia Com Futebol Para Lavar A Alma

Voltando a apresentar um bom toque de bola e atuando a maior parte do tempo no campo de ataque, a seleção francesa venceu a ucraniana pelo placar de 2a0, na Donbass Arena, em Donetsk. Os gols foram marcados por Jérémy Ménez e Yohan Cabaye, ambos após assistências de Karim Benzema, no segundo tempo de partida.

Esse foi o primeiro jogo na Eurocopa 2012 iniciado debaixo de chuva - o temporal foi tão intenso que o árbitro holandês Björn Kuipers (o mesmo que apitou Croácia e Irlanda) decidiu paralisar a partida quando o cronômetro apontava quatro minutos, o que foi uma escolha prudente e sensata. Após cerca de cinqüenta e quatro minutos de interrupção, o jogo foi reiniciado sem chuva e sob um gramado que apresentou excelente drenagem, permitindo que a bola rolasse naturalmente. Qualquer diferença em relação aos campos brasileiros não é mera coincidência...

O jogo

Se por um lado a equipe da Ucrânia contava com seis titulares que atuam juntos no Dynamo de Kiev, por outro era a França que parecia o conjunto melhor entrosado desde os minutos iniciais. Antes que o dilúvio que ocorria naquele momento levasse o holandês Björn Kuipers a interromper a partida, cada goleiro teve que agir rapidamente sob pressão do ataque adversário. Com um minuto, a marcação adiantada dos ucranianos complicou a saída de bola francesa e Philippe Mexès recuou "na fogueira" para o goleiro Hugo Lloris, que saiu jogando rapidamente ao ver a chegada de Andriy Shevchenko. Aos três, uma enfiada de bola de Samir Nasri para Ménez entre dois marcadores ia complicar a defesa ucraniana, mas o goleiro Andriy Pyatov saiu da área e afastou.

Passados cerca de 54 minutos de paralisação em função da chuva torrencial, a partida retornou com a França atuando de maneira ofensiva e dominando as ações. A equipe comandada por Laurent Blanc escolhia quase que exclusivamente o flanco esquerdo, explorando a velocidade de Franck Ribéry por aquele setor, que contava com o auxílio de Gaël Clichy, Benzema e, principalmente, Nasri, elemento mais acessado no meio-campo. Aos quinze minutos, Ribéry tabelou com Benzema, avançou de maneira rápida e enfiou para Ménez, que mandou para a rede - só que em posição de impedimento, detectada pela arbitragem.

Se as jogadas de ataque francesas aconteciam basicamente pela esquerda, então Ménez tratou de ir abandonando sua solidão no flanco direito e a se aproximar dos companheiros. Aos vinte e cinco minutos, Ribéry foi até a linha final pelo lado esquerdo, tocou atrás e Ménez aparecer, dominando a bola e chutando por cima. Aos vinte e sete, Benzema recebeu de Nasri na esquerda, trouxe para dentro e chutou de fora da área, com Pyatov defendendo. No minuto seguinte, Ribèry mostrou quem é que manda naquele canto do campo, ganhou na corrida da marcação que tentava acompanhá-lo, tocou rasteiro, a bola passou por Benzema e chegou até Ménez, que chutou para defesa salvadora de Pyatov.

Com trinta e três minutos, a Ucrânia finalmente conseguiu levar perigo. E, talvez inspirada no exemplo francês, avançando pelo lado esquerdo: Shevchenko foi lançado em velocidade, deu um toque de cabeça ajeitando para o chute e descolou remate forte, rebatido por Lloris. Aos trinta e oito minutos, quase saiu o primeiro gol da França: Nasri cobrou falta pela esquerda fazendo-a viajar até a direita e lá a redonda encontrou Mexès, que subiu mais que Yevhen Selin e cabeceou firme, com Pyatov realizando defesaça com a mão esquerda.

Como o jogo se concentrava no campo de ataque francês e no de defesa da seleção anfitriã, Oleg Blokhin achou por bem trocar Andrey Voronin (figura pouco acionada) e colocar Marko Devic, que ajudou a imprimir maior velocidade na transição ao ataque, participando bastante do jogo pelo lado esquerdo de ataque ucraniano. E o segundo tempo começou lá e cá. Aos três minutos, Ménez estava pelo lado esquerdo de ataque francês, chutou rasteiro e cruzado, e Pyatov rebateu. No mesmo minuto, Shevchenko avançou pela esquerda, fintou Adil Rami trazendo a bola pra direita e chutou mandando rente ao ângulo direito. No minuto posterior, Yevhen Konoplyanka avançou e deu na esquerda com Devic, que inverteu rasteiro, Anatoliy Tymoschuk pegou a bola sem dominar da maneira ideal e acabou finalizando com chute que saiu por cima.

E foi justamente no momento que a Ucrânia parecia melhor no jogo que a França chegou ao gol. Aos sete minutos, ma jogada que passou pelos pés de Ribéry pela esquerda (como de hábito) chegou até Benzema, que abriu na direita, Ménez dominou e chutou na paralela, mandando no canto direito para abrir o placar - o chute por pouco não desviou em Selin e em Ribéry, talvez dificultando ainda mais uma intervenção de Pyatov.

Três minutos após abrir a contagem, a França alcançou o segundo gol: Benzema deu bonito giro para sair da marcação e passou na medida para Cabeye, que escapou de Oleg Gusev e chutou rasteiro no canto esquerdo. 2a0 França.

Blokhin, que havia feito uma boa mexida no intervalo, tentou tirar mais uma carta da manga e, aos catorze minutos, trocou Sergey Nazarenko por Artem Milevskiy. Mas a aposta em colocar um homem mais fixo na área francesa não deu o efeito desejado, deixando o jogador que acabara de entrar isolado e pouco acionado no jogo. A França aproveitava seu bom momento e continuava criando chances. Aos dezesseis, Nasri carregou, tabelou com Ribéry, Benzema recebeu e chutou de fora da área, para mais uma defesa de Pyatov. Três minutos depois, aos dezenove, uma intensa troca de passes da seleção francesa terminou em chute forte de Cabaye, que bateu na trave esquerda.

Aos vinte e dois minutos, Blanc mexeu pela primeira vez enquanto Blokhin realizava sua última substituição por direito: na França, entrou Yann M'Vila no lugar de Cabaye, e, na Ucrânia, Andriy Yarmolenko deu lugar para Oleksandr Aliyev. O jogo foi diminuindo de ritmo, o que parecia mais interessante aos franceses do que os ucranianos, que não conseguiam repetir aquele poder de reação que culminou na virada diante dos suecos na estréia. Blanc ainda mexeu mais duas vezes. Aos vinte e sete minutos, trocou Ménez por Marvin Martin. Três minutos depois, aos trinta, colocou Oliver Giroud no lugar de Benzema. Daí para o final, a França teve relativa tranqüilidade na tarefa de administrar o resultado e conquistar uma vitória que quebrou um tabu histórico: em torneios de Eurocopa e Copa do Mundo, a última vez que os franceses venceram um jogo foi em 2006, na semifinal diante de Portugal, em solo alemão, com gol de Zinedine Zidane. E tem mais: essa foi a primeira vez que a França venceu um jogo de Euro sem contar com Michel Platini ou Zidane no elenco. Se esse futebol apresentado nessa sexta-feira se repetir, tudo indica que novas vitórias virão na competição. Já a Ucrânia terá a missão de reencontrar um futebol mais parecido com o visto no segundo tempo da estréia do que nessa partida válida pela segunda rodada, a fim de marcar presença na próxima fase da Euro 2012.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

França Se Impõe, Mas Inglaterra Suporta Empate Na Estréia

Num dos maiores clássicos reservados para essa primeira rodada de Eurocopa 2012, França e Inglaterra abriram o grupo D no torneio continental fazendo uma partida interessante, ondes os comandados de Laurent Blanc dominaram as ações, criaram mais chances, mas acabaram não conseguindo mais do que um empate diante da desfalcada - porém bem arrumada - seleção inglesa.

Os gols saíram ainda no primeiro tempo: em lance de bola parada, Joleon Lescott abriu a contagem para o Engilsh Team na marca de vinte e nove minutos, e nove minutos depois os Bleus igualaram o marcador após uma jogada muito bem trabalhada, que terminou em conclusão de Samir Nasri.

O jogo

Quando o somatório de vinte e dois jogadores escalados como titulares por seus respectivos treinadores inclui 15 atletas que atuam na Premiership (o time inteiro da Inglaterra, além dos franceses Evra, Cabaye, Malouda e Nasri), a partida só tem a ganhar em qualidade. E foi exatamente o que aconteceu no estádio Donbass Arena, campo do Shakhtar Donetsk. A temperatura era de 30ºC, com ventos a 14 quilômetros horários e umidade relativa do ar estimada em 29%. Sem mais delongas, a França não demorou a mostrar um futebol de alto nível, guiado sobretudo por um setor de meio-campo onde Nasri e Ribèry mandavam e desmandavam no ritmo dos acontecimentos. Aos nove minutos, Ribèry foi acionado na esquerda em boas condições, avançou mas teve sua investida cortada em escanteio pela defesa inglesa, num lance que já sinalizava uma França perigosa por aquele setor. No minuto seguinte, Nasri carregou a bola pela esquerda e chutou na rede externa, à direita.

Se a França parecia dar as cartas com a posse de bola, a Inglaterra mostrou estar pronta para aproveitar qualquer brecha para surpreender num contra-ataque: aos catorze minutos, Young deu bela enfiada de bola para deixar Milner na cara do gol. E Milner fez quase tudo certo, conseguindo driblar o goleiro Lloris trazendo a bola para a esquerda mas finalizando para fora. A França pode até ter tomado um susto, mas nem por isso se abateu: no minuto seguinte, aos quinze, Cabaye chutou de fora e o goleiro Hart tratou de ir buscar no canto esquerdo. Aos dezessete, a Inglaterra fez bonita jogada através do controle de bola do jovem Alex Oxlade-Chamberlain, que passou no meio de dois adversários e enfiou para Young, só que a arbitragem parou marcando impedimento.

Os ingleses jogavam preferencialmente pelo chão, mostrando que aquele negócio de concentrar os esforços em ligações diretas pelo alto é coisa do passado. Mas de um passado que, queiram ou não, está no sangue dos britânicos. E, aos vinte e nove minutos, esse passado se fez presente quando Gerrard cobrou falta pela direita fazendo a bola viajar da maneira exata para não ser alcançada por Diarra, mas sim por Lescott, que cabeceou sem dar chance de defesa. 1a0 no placar, do jeito mais inglês possível de ser.

Cinco minutos depois de sofrer o gol, a França ficou muito perto de empatar a partida, mas Hart salvou a pátria da rainha Elizabeth com uma defesa espetacular após cabeceio de Diarra - na seqüência do lance, Ribèry chegou no rebote e usou a cabeça para ajeitar para Diarra, que dessa vez cabeceou tirando tinta da trave direita.

O empate pode não ter saído aos trinta e quatro minutos, mas saiu aos trinta e oito. E o que é melhor: em linda jogada pelo chão. Começou com Ribèry, que parecia ter olhos nas costas no momento em que tocou para Malouda no flanco esquerdo. Continuou com rápida troca de passes: de Malouda para Evra, de Evra para Ribèry e deste de primeira para Nasri. E terminou com Nasri ajeitando, olhando pra baliza e chutando de forma inapelável, no canto direito, numa bola que Hart ainda conseguiu tocar com os dedos, mas sem condição de evitar a rede como destino do objeto esférico. 1a1 no marcador e comemoração abusada de Nasri, que levou o dedo indicador até os lábios como quem ordena silêncio ao adversário (dizem que o jogador do Manchester City é desafeto de Gary Neville, auxiliar de Roy Hodgson).

Seis minutos depois de chegarem ao empate, os franceses estiveram perto de virar o jogo, mas a arrancada de Benzema até a linha-de-fundo, escapando da marcação, terminou rebatida por Hart. Se o jogo havia começado com 30ºC de temperatura, o segundo tempo parece ter começado ainda mais quente, pois com um minutos Ribèry deu um tapa em Parker numa disputa de bola. Não que tenha havido maldade do jogador - particularmente acho que não -, mas daí ao árbitro italiano Nicola Rizzoli dar bola ao chão? Tapa no rosto é falta, senhor juiz.

Aos três minutos, Milner recuou uma bola que deixou Hart naquilo que chamamos de fogueira, pois Nasri apareceu e dividiu com o goleiro, que conseguiu recolher e evitar o pior. Com oito minutos, a França conseguiu estabelecer um momento de pressão no campo de ataque: Benzema tabelou com Nasri e teve seu chute bloqueado na marcação - na seqüência, Diarra deu na esquerda, Ribèry passou para Evra e Gerrard conseguiu cortar já dentro da área. Aos treze minutos, Debuchy partiu com a bola pra cima de Ashley Cole e aplicou uma caneta sensacional no bom lateral-esquerdo inglês - o lance só não levou maior perigo porque Lescott foi certeiro na cobertura, recebendo os cumprimentos de Cole pela intervenção providencial.

A França detinha 56% do tempo de posse de bola, com 10 chutes a 3 e 6 escanteios a 3 (dados fornecidos aos dezessete minutos). E a superioridade da equipe azul parecia até maior do que a apontada pelos números. Aos dezenove minutos, Benzema voltou a fazer a tabela com Nasri, chutando de fora e parando em defesa de Hart, que encaixou. No minuto seguinte, Johnson se apresentou no campo de ataque, trouxe para dentro e chutou de fora, mandando por cima. Perceba como a Inglaterra não conseguia chegar ao gol tocando a bola, ao contrário da envolvente seleção francesa. Aos vinte e nove minutos, mais França no ataque: Ribèry avançou pela direita e, mesmo acompanhado por Lescott e com ângulo de chute reduzido, tratou de mandar direto pro gol, parando em nova intervenção de Hart.

Os ingleses até se portavam bem na defesa, com duas linhas de quatro quase que geometricamente paralelas, compactas, com distância reduzida entre elas e reduzindo os espaços aos franceses. Mas Hodgson deve ter percebido que o desenho do jogo não lhe era favorável e tratou de fazer duas mexidas de uma só vez: aos trinta e um minutos, Oxlade-Chamberlain deu lugar a Defoe e Parker saiu para a entrada de Henderson. Talvez por efeito direto dessas alterações, o jogo ficou mais equilibrado. Aos trinta e três minutos, Welbeck salvou os ingleses ao desviar finalização de Cabeye. Aos trinta e seis, Young desceu pela esquerda, cruzou à meia-altura e Lloris segurou. Aos trinta e nove, quem resolveu fazer uma dupla substituição simultânea foi Blanc: saíram Cabaye e Malouda, entraram Ben Arfa (outro que atua na Premiership, companheiro de Cabaye no Newcastle) e Martin. Ainda aos trinta e nove, Benzema recolheu a bola na esquerda após lance originado em cobrança de escanteio, ajeitou e chutou buscando o ângulo oposto, mas Gerrard colocou a cabeça na bola e desviou.

Embora o empate na estréia não seja um resultado a se lamentar, os últimos minutos foram de duas equipes focadas na busca pela vitória, aceitando se expôr mutuamente e proporcionando um belo final de jogo aos espectadores. Aos quarenta e três, Milner recebeu na direita um passe de Defoe, centralizou rasteiro buscando Welbeck mas Mexès cortou em escanteio, mostrando um tempo de bola digno dos grandes defensores. Aos quarenta e cinco, Hodgson finalmente colocou o veloz Walcott em campo, tirando Welbeck. Mas a última chance de gol foi francesa: aos quarenta e sete, a bola foi circulando pelo gramado no campo de ataque até chegar em Benzema, que chutou de fora e... Hart voltou a intervir, defendendo no canto esquerdo e conservando o empate no placar.

A França de Blanc parece ter juntado os cacos da vexatória participação na Copa do Mundo 2010 (provavelmente fruto mais de um boicote dos jogadores a Domenech do que de insuficiência técnica) jogando um futebol leve, de toque de bola e presença marcante no campo adversário. A segura atuação de Mexès na zaga, a solidez de Diarra na proteção à defesa e a bela parceria de Nasri e Ribèry combinada a ótima atuação tática de Benzema foram alguns dos pontos altos dessa seleção que tem tudo para continuar fazendo bonito na competição. A Inglaterra tem muito a se fortalecer com o retorno de Rooney, que tem mais um jogo de suspensão para cumprir. Talvez seja mais interessante para a equipe fazer uso de Chamberlain e Walcott juntos, jogadores que se conhecem por jogarem no Arsenal e que, com boa técnica e grande velocidade, podem facilitar a transição para o ataque, algo que foi problemático para os ingleses na maior parte do tempo.