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domingo, 12 de novembro de 2017

Sem Gols Nem Emoção, Croácia Elimina Grécia E Emplaca Penta Na Repescagem

Após uma expressiva vitória dentro de casa (4a1), a seleção croata foi à Grécia sabendo que somente uma tragédia grega, ou melhor, um heroísmo grego, lhe tiraria da próxima Copa do Mundo.

A alegria croata contrasta com a desolação grega. Foto: Catherine Ivill / Getty.
Infelizmente para o futebol, a virtuosa seleção da Croácia sentou em cima do regulamento e jogou pragmaticamente para confirmar a vaga no Mundial 2018.

Poderia limitar esse texto a frisar o quanto ficou devendo futebolisticamente uma seleção que conta com jogadores do nível de Rakitic, Modric e Perisic. Mas não. Vamos colocar o foco nos gregos - até porque raramente se vê a história sendo contada a partir da parte "derrotada".

Na fase de grupos, a Grécia caiu na mesma chave de Bélgica, Bósnia-Herzegovina, Chipre, Estônia e Gibraltar. Conseguiu o segundo lugar (dois pontos a mais que os bósnios) e foi a única seleção capaz de evitar os 100% de aproveitamento dos belgas ao empatarem por 1a1 em plena Bruxelas. Detalhe: foi levar o gol de empate aos quarenta e três no segundo tempo.

Nessa repescagem, o cruzamento trouxe como presente de grego uma embalagem quadriculada. Dentro dela, um conteúdo forte, difícil de ser quebrado. Com a rodagem de quem obteve êxito em todas as quatro vezes em que precisou jogar a fase de repescagem para a Copa do Mundo. E a realidade é que a Grécia, no jogo de ida, cometeu muito mais erros do que reza a cartilha ao se enfrentar um adversário tecnicamente superior. Os quatro gols sofridos trazidos na bagagem eram pesados demais, embora a esperança residia no gol marcado fora.

Mas o milagre não aconteceu. Não faltou entrega. Sokratis Papasthatopoulos agigantava-se em cada disputa de bola. Kostas Mitroglou procurava cada centímetro disponível na linha de defesa oponente. Vassilis Torosidis percorria o campo procurando participar ativamente pelo flanco direito. A trinca Christodoulopoulos, Zeca e Bakasetas corria "pacaceta", mas sendo incapaz de criar o volume de jogo necessário para causar alguma fissura no sistema de jogo croata.

Simplesmente não deu. Eram necessários pelo menos três gols e o único que saiu foi corretamente invalidado por impedimento. Com tudo isso, lá para os quarenta e quatro no segundo tempo, ocorreu o fato mais emocionante na partida: o som dos cânticos e dos aplausos vindos das arquibancadas no estádio Georgios Karaiskaki. Era a torcida grega reconhecendo a dedicação de seus conterrâneos. Um país que atravessa crise socioeconômica severa tentava a alegria pela via do futebol. Ela pode não ter vindo com a almejada vaga no próximo Mundial, mas a celebração demonstrou que viver é algo maior do que apenas vencer. É reconhecer.

Parabéns aos gregos pela bonita manifestação de apoio e que a seleção croata, merecedora da classificação, possa render na Rússia algo próximo ao futebol que dela se espera. Independentemente de resultado. Os deuses da bola serão gratos.

domingo, 29 de junho de 2014

Eterno Prestígio, Estima E Honra: Costa Rica Elimina Grécia E Faz História

Recife fechou com chave-de-ouro sua participação na Copa do Mundo 2014. Recebeu duas das maiores surpresas pelas performances na fase de grupos e sediou uma partida dramática, definida somente no desempate por pênaltis. Promovendo lágrimas para todos os lados - as de alegria e alívio contrastando com as de tristeza e decepção -, o encontro entre Costa Rica e Grécia entra para a vasta galeria dos bons jogos nesse Mundial.

Taticamente, duas equipes com formações quase espelhadas. A Costa Rica foi a campo com uma linha de cinco defensores (Gamboa, Duarte, González, Umaña e Díaz), dois volantes (Borges e Tejeda) e um trio de dar gosto de ver jogar: Bryan Ruiz e Bolaños na armação, com Campbell como referência. Sem esquecer, é claro, do ótimo goleiro Keylor Navas. Já a Grécia se apresentou com uma linha de quatro defensores (Torosidis, Manolas, Papastathopoulos e Holebas), dois volantes (Maniatis e Samaris), um armador (o incansável e interminável Karagounis), dois meias mais adiantados (Salpingidis e Christodoulopoulos), além de Samaras como referência. O arqueiro é Karnezis, que assumiu a titularidade durante a Copa.

Leitores mais atentos ficarão em dúvida sobre o termo "formações quase espelhadas", notadamente pela diferença na linha de defesa. É que muitas das vezes os gregos migravam um dos volantes para a zaga (ora Maniatis, ora Samaris), deixando Karagounis próximo ao outro volante (ora Samaris, ora Maniatis). Dessa forma, tínhamos duas formações 5-2-2-1 no gramado. Números são frios, e às vezes não identificam algumas dinâmicas que diferenciam as equipes. Uma delas é que no esquema tático de Fernando Santos, Samaras é mais convidado a recuar do que Campbell na estratégia de Jorge Pinto. Outra é a participação dos laterais: é mais fácil ver os gregos subindo ao ataque com Torosidis e Holebas do que os costarricenses com Gamboa e Díaz. 

O primeiro tempo possibilitou muita disputa territorial e algumas chances de gol. Na maior oportunidade, Holebas cruzou da esquerda e encontrou Salpingidis em ótima condição de abrir o placar. E o camisa catorze grego finalizou bem, com firmeza e colocação. Mas protegendo a baliza da Costa Rica estava Navas, que realizou intervenção sensacional, colocando a canela no rumo da bola para evitar o primeiro gol no jogo. 

No segundo tempo, a dinâmica mudou. As equipes passaram a conseguir imprimir maior velocidade e as chances se multiplicaram. Já aos cinco, Navas encaixou após cabeceio de Samaras. A resposta costarricense foi ligeira e eficiente: aos sete minutos, Bolaños avançou pela esquerda, cruzou rasteiro e a defesa grega assistiu Bryan Ruiz pegar na bola com sua calibrada perna esquerda. A finalização saiu vagarosamente e rasteira, mas sua colocação a centímetros da trave esquerda deixou o goleiro Karnezis estático. Como se fosse um gol em câmera lenta. A Costa Rica abria o placar em Pernambuco!

A nova circunstância do jogo, que passava a ter um time em vantagem no placar, motivou Fernando Santos a mexer na Grécia: aos doze, o português colocou o atacante Mitroglou no lugar de Samaris. Dessa forma, os gregos passavam a jogar com dois atacantes, com Mitroglou na função de nove (número que não por acaso estampa sua camisa) e Samaras saindo mais da área. Era o fim das "formações quase espelhadas". 

A reação de Jorge Pinto foi a de também realizar uma substituição. Só que a motivação não era a de buscar o ataque, mas possivelmente a de preservar um jogador com cartão amarelo: saiu Tejeda e entrou o também meio-campista Cubero. No mesmo minuto, um golpe. Se a mexida do colombiano era pelo medo de ficar com um jogador a menos, a Costa Rica passou a viver um pesadelo: Duarte recebeu o segundo amarelo pessoal e foi expulso de campo pelo árbitro australiano Benjamin Williams. Eram vinte e um minutos no segundo tempo naquele momento. Já aos vinte e quatro, Fernando Santos trouxe mais um atacante para lançar a Grécia de vez ao ataque: Gekas entrou no lugar de Salpingidis.

Sem Salpingidis para armar o jogo grego pelo lado direito e com Christodoulopoulos encontrando forte resistência pelo flanco oposto (Gamboa e depois Acosta, que o substituiu aos trinta e um, foram bastante atuantes para proteger aquele setor na defesa de Costa Rica), a articulação da Grécia parecia precisar passar pelos pés do capitão e camisa dez Karagounis. Sobrecarregado na função, o veterano jogador tinha dificuldades de acionar os três homens de frente. Santos colocou Katsouranis no lugar de Maniatis, agregando experiência ao setor de meio-campo a partir dos trinta e dois minutos. Era sua última alteração por direito. E Jorge Pinto também mexeu pela última vez: cinco minutos depois, tirou Bolaños de campo para colocar Brenes. Dessa forma, a Costa Rica ganhava velocidade para contra-atacar. Só que perdia alguém para, juntamente ao camisa dez Bryan Ruiz, pensar o contra-ataque. E a Costa Rica passou a penar no jogo.

Sem se entregar em momento algum, motivada pela vantagem numérica, pela superioridade física diante de um adversário que começava a explicitar cansaço e possivelmente recordando o feito de buscar a classificação na terceira rodada com um gol no finalzinho, a Grécia proporcionou mais um momento marcante em sua campanha no Brasil. Novamente nos acréscimos (daquela vez diante da Costa do Marfim, dessa diante da Costa Rica), os gregos não deram as costas para o impossível, foram para dentro e encontraram o que tanto queriam: após chute cruzado de Gekas, Navas rebateu e Papastathopoulos mandou de canela para a rede. Era heroísmo à altura da Mitologia Grega! A Grécia empatava a partida de maneira incrível!

Ainda houve tempo para Mitroglou tornar-se mito, mas seu lindo cabeceio foi parado em mais uma defesa espetacular de Navas (automaticamente me fez lembrar Buffon diante de Zidane na final em 2006). Na prorrogação, a superioridade numérica da Grécia em campo - que era de um homem - parecia ter se multiplicado. Na defesa, havia pelo menos três gregos vigiando um Campbell que já não mais conseguia correr. Mal andava o camisa nove. E quando a Costa Rica ousava se lançar ao ataque, via os gregos engolirem-na no contra-ataque, como em lance onde cinco homens de azul avançavam a toda velocidade diante de dois homens de branco. Mas havia também um homem de verde: o goleiro Navas, que impediu que o chute de Christodoulopoulos alcançasse a rede. Outra chance colossal de desempatar o jogo na prorrogação foi novamente grega. E dessa vez caiu nos pés de Mitroglou. Só que a finalização do atacante parou na muralha Navas, que conseguiu um desvio improvável com a parte lateral do corpo. Era ele, Keylor Navas, o maior responsável para o jogo tomar o rumo das penalidades máximas.

Borges e Mitroglou; Bryan Ruiz e Christodoulopoulos; González e Holebas. Cada um a seu jeito cobrou e converteu suas respectivas cobranças. Campbell partiu para a bola e marcou 4a3. Chegou a vez de Gekas. E teve início a tragédia grega: Navas defendeu a cobrança do camisa dezessete da Grécia. Coube a Umaña a cobrança para colocar a Costa Rica pela primeira vez na fase quartas-de-final de um Mundial. Com os olhares fixos na Brazuca, como quem estivesse em estado de hipnose onde o pêndulo era uma bola, o camisa quatro não desperdiçou a chance de fazer história. A Costa Rica avança na Copa, eliminando o terceiro europeu em sua trajetória. A Holanda que se cuide!


P.S.: "Eterno prestígio, estima e honra", que dá o título ao presente texto, é um trecho no hino nacional costarricense.
Conquistaron tus hijos, labriegos sencillos,
Eterno prestigio, estima y honor,
Eterno prestigio, estima y honor.
¡Salve oh tierra gentil!
¡Salve oh madre de amor!
Clique para ver a letra completa do hino nacional da Costa Rica.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Grécia Elimina Elefantes E Se Classifica Em Jogo De Desfecho Épico

O que você prefere: um carro zero quilômetro com vários itens de última geração (só que o veículo não tem direção nem consegue engatar a segunda marcha) ou um carro usado que funciona perfeitamente, com direito a direção hidráulica e câmbio automático?

Comparando os elencos de Costa do Marfim e Grécia você entenderá a analogia. De um lado, os consagrados Yaya Touré e Didier Drogba na companhia de jogadores que atuam ou já atuaram em clubes de ponta na Europa, como Gervinho, Kalou e Kolo Touré. De outro lado, os ilustres desconhecidos Holebas, Salpingidis e Samaris, jogadores que requerem uma pesquisa para descobrirmos em que canto atuam ou deixam de atuar.

Só que uma das grandes graças no futebol é que ele não se limita aos nomes, às famas, aos pré-conceitos. Existe permeando tudo isso alguns aspectos imponderáveis e outros concretos, como o sistema de jogo e a organização. Nesse sentido, os gregos comandados pelo português Fernando Santos deram um banho nos marfinenses comandados pelo francês Sabri Lamouchi. Praticamente impecável no ponto de vista tático, a Grécia conseguiu uma vitória histórica em Fortaleza e conseguiu sua primeira classificação para a fase oitavas-de-final numa Copa do Mundo. Um feito que só foi possível porque os jogadores foram heróicos e fiéis. Heroísmo que era flagrante na determinação em cada jogada de ataque ou defesa, fidelidade que era explícita na confiança no modelo de jogo proposto pelo treinador.

E olha que o percurso da Grécia no jogo foi duríssimo. Logo aos onze minutos, Panagiotis Kone precisou ser substituído por motivo de contusão - Andreas Samaris foi o escolhido para entrar em seu lugar. Uma seleção européia, acostumada a temperaturas mais amenas, que gasta uma substituição tão precocemente num jogo que promete ser desgastante, certamente sofre algum tipo de abalo. Pior que isso é ter que fazer nova substituição forçada doze minutos depois: dessa vez quem deixou o gramado foi o goleiro Orestis Karnezis, dando lugar para Panagiotis Glykos. Ouvi vaias vindo das arquibancadas no momento em que Karnezis deixava o campo de jogo e juro que prefiro não entender o que as motivou. Comportamento de gente que não deveria estar num estádio, mas num hospício (com todo respeito à luta antimanicomial).

Duas substituições precoces, calor e um adversário tecnicamente superior. O que fazer para buscar a vitória nessas condições? Jogando bola e sendo organizado. Simples assim. A Grécia jogou bola e foi organizada, às vezes não necessariamente nessa mesma ordem, mas o fato é que por todo o jogo os gregos mostraram mais conjunto, mais unidade, mais sincronia coletiva que os marfinenses. Construiu chances claras, como na jogada de contra-ataque onde Georgios Samaras serviu Jose Holebas e o lateral-esquerdo, que cruzou o campo como se fosse um raio, chutou com a perna direita e acertou o travessão de Boubacar Barry.

Se não foi daquela vez nem de outras, a Grécia merecidamente acabou abrindo o placar no Ceará: após saída de bola errada de Cheikh Tioté, Samaris tabelou com Samaras e mandou para a rede, ajudando a si e aos Samurais, pois naquele momento o Japão também era concorrente à classificação e dependia de um tropeço dos Elefantes para ter chance de avançar.

Veio o segundo tempo e a superioridade tática grega se manteve. Apostando numa defesa sólida e em saídas ligeiras nos contra-ataques, as principais oportunidades de gol eram dos europeus. Lamouchi finalmente abriu mão de um de seus volantes (escolheu tirar Tioté) para colocar Wilfried Bony, tendo no setor ofensivo um quarteto que também incluía Salomon Kalou, Gervinho e Didier Drogba. E foi através de uma assistência de Gervinho, grande destaque da Costa do Marfim nessa Copa, que Bony recebeu na área para empatar o jogo e recolocar os africanos na zona de classificação para a fase oitavas-de-final.

Restavam cerca de quinze minutos mais os acréscimos para os Elefantes confirmarem sua primeira classificação para as oitavas na história das Copas. Só que era exatamente esse o sonho dos gregos: o ineditismo das oitavas. Àquela altura, a Colômbia já era soberana no jogo diante dos japoneses, confirmando o primeiro lugar na chave e a eliminação asiática. Cabia a gregos e marfinenses resolverem no confronto direto com quem ficaria a segunda vaga no grupo C.

No mesmo minuto (o 78º) que Lamouchi trocou o astro Drogba (que não jogou no nível que dele esperamos) por Ismael Diomandé, Santos tirou o capitão Giorgios Karagounis (que teve atuação fantástica tanto pelo esforço no alto dos seus trinta e sete anos quanto pela liderança que exerce dentro das quatro linhas, com direito a chute no travessão) para colocar Theofanis Gekas, outro jogador experiente no elenco da Grécia. Cinco minutos depois, Lamouchi fez o inconcebível, tirando Gervinho de campo e colocando Giovanni Sio.

A bola pune, caro Lamouchi. Nos acréscimos, em descida da Grécia pelo lado esquerdo, Salpingidis cruzou rasteiro buscando Samaras e Sio, ironicamente Sio, calçou o camisa sete dentro da área. Carlos Vera viu e assinalou a penalidade máxima. Os gregos desabaram em comemoração. Era a chance que eles precisavam para arrancarem a classificação. Era tudo o que eles poderiam pedir aos deuses do Olimpo e da bola. E a bola ficou para aquele que sofreu o pênalti: Samaras. Com um chute no canto esquerdo que passou a centímetros das luvas de Barry, a Grécia comemorou o desempate como se fosse um título. Uma classificação épica. Com tamanha organização e entrega, é possível que esse carro usado ainda deixe para trás outros automóveis mais badalados. Fernando Santos já provou que sabe o que está guiando. E os gregos provaram que não estão no Brasil a passeio. Melhor não duvidar de até onde os campeões europeus de 2004 possam chegar.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Grécia E Japão Empatam: Decisão Fica Para Última Rodada

De um lado, a técnica e ofensividade de uma seleção japonesa que aceita se expor defensivamente em nome de um maior volume de jogo no campo de ataque.

De outro, o vigor e consistência de uma seleção grega que se coloca postada de tal maneira a tentar dar cada passo com o comprimento exato necessário a fim de atingir seus objetivos.

Para ilustrar as afirmações anteriores, vai aqui uma estatística auto-explicativa de dois momentos diferentes da partida. Com dezesseis minutos de jogo, o Japão havia trocado 132 passes no jogo, enquanto a Grécia havia realizado 26 trocas de passes. Aos quarenta e oito minutos do segundo tempo (isto é, instantes antes do apito final), a contagem acumulada era de 533 passes japoneses para 172 gregos.

É claro que são momentos diferentes e os números ilustram, mas não traduzem a totalidade de um jogo. Ainda por cima, houve a expulsão de Katsouranis aos trinta e sete do primeiro tempo. Só que dá tranqüilamente para girar a reflexão dessa partida em torno dessa estatística. Não vou fazê-lo, mas que dá, dá.

Fato é que o treinador português Fernando Santos conseguiu ser muito feliz na arte de mexer num time que passou a jogar com um homem a menos. Não um homem qualquer, mas o capitão da equipe, figura das mais experientes no elenco. Detalhe: minutos antes da expulsão do cabeça-de-área pelo segundo cartão amarelo, o atacante Mitroglou precisou sair de campo por sentir uma contusão. Naquele momento, Fernando Santos havia colocado Gekas em seu lugar. E não titubeou em realizar a segunda substituição ainda no primeiro tempo, trazendo para campo Karagounis no lugar de Fetfatzidis. Uma alteração magistral, de tão simples e funcional: Santos tratou de repôr no gramado de Natal não um jogador com características técnicas parecidas com a do atleta expulso, mas sim de realocar alguém experiente, para conduzir o time mentalmente dentro de campo. Karagounis era o cara para desempenhar esse papel e o que se viu foi uma Grécia valente, encarando de maneira heróica os Samurais, que estavam em maior número.

E se o Japão teve lá suas chances de vencer o jogo - principalmente após as entradas de Endo e Kagawa, o fato é que o goleiro Kawashima teve pelo menos duas participações relevantes para não permitir o gol grego. O 0a0 acabou se mantendo até o final e, mais do que a igualdade no placar, o que se mantém é a esperança de asiáticos e europeus em buscarem a segunda vaga num grupo que tem um sul-americano já classificado e um africano perto de conseguir avançar (mais cedo, a Colômbia venceu a Costa do Marfim por 2a1 por esse mesmo grupo C). Mas é bom não duvidar de heróis e samurais. Muito menos numa Copa do Mundo. Que venha a terceira rodada.

sábado, 14 de junho de 2014

Colômbia 3a0 Grécia Em BH: Bogotá Horizonte

Nunca antes na história desse país vimos o estádio do Mineirão com o espanhol como idioma oficial. Até a tarde desse sábado. Desde o hino arrepiante, cantado a plenos pulmões, até os festejos pela vitória na estréia, passando pelos gritos de gol, as arquibancadas na capital de Minas Gerais foram mais colombianas do que jamais registrou-se. Lindo de ser ver e ouvir.

Dentro de campo, os seríssimos desfalques de Freddy Guarín (ausente por suspensão) e Falcao García (cortado por lesão) foram compensados por um jogo coletivo muito bem treinado pelo competente argentino José Pekerman. Cuadrado e Rodríguez foram dois dos destaques da equipe sul-americana - equipe na melhor acepção do termo, pois todos pareciam cumprir suas funções em campo.

Pelo fato da Grécia ter feito surpreendentemente um jogo aberto (ainda hoje essa seleção é estigmatizada como retranqueira, e olha que já se passaram dez anos daquela Eurocopa em Portugal), tivemos uma partida absolutamente franca. E o placar de 3a0 mascarou o que foi um confronto marcado por um equilíbrio nas chances de gol. Só que enquanto os gregos pararam no goleiro Ospina, no travessão e nos centímetros que separavam a bola da baliza, a Colômbia esbanjou eficiência. Para delírio de um público que fez do Brasil o seu país, de Minas Gerais o seu estado, de Belo Horizonte a sua cidade e do Mineirão a sua casa.

Parabéns, Colômbia e colombianos! Quinta-feira nos veremos em Brasília!

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Com A Cara Do Mundial, Alemanha Vence Grécia E Vai À Semifinal

Sabe aquela Alemanha encantadora que foi vista na Copa do Mundo 2010, exibindo futebol envolvente em solo sul-africano? Pode-se dizer que aquela Alemanha fez, nessa sexta-feira, vinte e dois de junho de dois mil e doze, a sua estréia na Eurocopa 2012. Joachim Löw mexeu no time, deixou a equipe mais leve e o que se viu foi uma atuação sensacional, conciliando velocidade e precisão, para delírio dos alemães presentes na Arena Gdansk - incluindo a chanceler Angela Merkel, que não foi para a Conferência Rio+20 mas marcou presença no estádio para acompanhar a seleção na Euro.

O jogo

Desfalcada de seu maior ídolo e capitão Giorgios Karagounis, a Grécia foi a campo esbanjando aplicação tática. Só que não bastava a tentativa de anular atacantes e meias-de-ligação adversários, pois a Alemanha de Löw é marcada por uma grande rotatividade nas posições dos jogadores. E o elemento-surpresa que mais aparecia no ataque para surpreender o sistema defensivo grego era o volante Sami Khedira. Aos três minutos, Khedira recebeu, chutou de fora da área, Michalis Sifakis rebateu e Miroslav Klose marcou no rebote - só que o polonês de nascimento estava em posição de impedimento, conforme bem assinalou a arbitragem.

Aos cinco minutos, Khedira voltou a chutar de fora da área e dessa vez mandou por cima. Aos sete, a Grécia chegou ao ataque com Evripidis Grigorios Makos, que teve o chute rasteiro defendido por Manuel Neuer. Aos onze, Khedira recebeu e passou para Marco Reus, que chutou para fora, à direita. Aos quinze, Jérôme Boateng cruzou da direita e adivinhe quem estava na área disputando a bola com Vassilis Torosidis - Khedira. Só que a redonda passou pelos dois e saiu à direita.

Se nos minutos iniciais era impossível falar da Alemanha sem citar Khedira, a partir da altura da metade do primeiro tempo quem passou a se destacar era o atacante Reus. Aos vinte e dois, foi com ele que Mesut Özil tabelou antes de chutar uma bola rasteira, bloqueada pelo goleiro Sifakis. Aos vinte e três, Reus chutou da direita e Sifakis espalmou no canto esquerdo. Naquele mesmo minuto, Özil cruzou rasteiro da direita, Reus pegou cruzado de primeira e Klose quase conseguiu empurrar para a rede. Aos vinte e quatro, uma jogada que teve André Schürrle ajeitando a bola com o peito terminou em novo remate de Reus - o chute forte e de primeira passou à esquerda da meta.

A pressão alemã teve uma pausa, com a Grécia conseguindo chegar por duas vezes. Aos vinte e seis minutos, Dimitris Salpingidis foi lançado e Neuer, atento, saiu da área e fez a intervenção que mandou a bola para a lateral. Aos trinta e um, Sotiris Ninis chutou de fora, cruzado, e o goleiro Neuer buscou no canto direito. Mas logo a Alemanha retomaria o domínio e voltaria a criar chances. Aos trinta e dois, Schürrle recolheu a bola na esquerda, escapou de Torosidis e chutou à esquerda. Aos trinta e seis, Khedira recebeu de Schürrle, chutou de fora e Sifakis rebateu. Aos trinta e oito, saiu o primeiro gol alemão: Özil inverteu o jogo para o lado esquerdo, Philipp Lahm recebeu amortecendo e ajeitando com o peito, arrumou pro chute e mandou um remate forte e com efeito para superar Sifakis, que ainda conseguiu encostar alguns dedos da mão esquerda na bola, mas sem impedir o destino traçado, que era o canto esquerdo da rede. 1a0 Alemanha. No final do primeiro tempo, aos quarenta e seis, quase saiu o segundo: Schürrle chutou de fora da área pelo lado esquerdo e a bola passou muito perto da trave direita, chegando a balançar a rede pelo lado externo - Sifakis saltou bem para tentar a defesa, mas é difícil garantir que fosse possível pegar caso o endereço fosse o gol.

No intervalo, o português Fernando Santos mexeu na Grécia. Saíram Ninis e Georgios Tzavelas para as entradas de Theofanis Gekas e Georgios Fotakis. Se foi a dupla alteração ou a conversa no vestiário eu não sei - talvez tenham sido ambas - mas o fato é que a Grécia conseguiu voltar para o segundo tempo com mais atitude ofensiva. Aos quatro minutos, chamou minha atenção a raça demonstrada por Grigorios Makos, que arrancou em velocidade na proximidade da linha lateral direita e conseguiu escapar de dois ou três alemães que o acompanhavam. Lance que não levou perigo para o gol, mas que pelo desenho já sinalizava a disposição grega em encarar a fortíssima seleção oponente. Aos sete, Giannis Maniatis agiu bem para afastar uma jogada de ataque adversária. Aos nove, saiu o gol de empate: Salpingidis foi acionado pelo flanco direito, partiu em velocidade em direção à linha-de-fundo e cruzou baixo, encontrando Georgios Samaras, que foi mais esperto que Boateng e, com um carrinho, completou para a rede. A transmissão televisiva até flagrou uma puxada de camisa de Samaras em Boateng antes da bola ser passada por Salpingidis, mas o alemão nem reclamou de nada no lance. Talvez ele estivesse antevendo o que viria pouco depois: aos quinze, Boateng recebeu na direita, cruzou, Klose não alcançou de cabeça e Khedira pegou de primeira, marcando belo gol como aquele autêntico elemento-surpresa. Era a Alemanha retomando a frente no marcador.

A Grécia não desanimou ao se ver novamente em desvantagem no placar e seguiu com ímpeto ofensivo no jogo. Aos dezessete, Gekas recebeu perto da grande área, trouxe para a perna direita e chutou da meia-lua, por cima. Aos dezoito, a defesa grega conseguiu intervir após Özil dar passe para Reus na direita. Mas, na bola parada, a Alemanha chegou ao terceiro gol. Tudo começou quando Özil sofreu falta de Sokratis Papastathopoulos. Antes da cobrança ser efetuada, Löw trocou Schürrle por Thomas Müller. Então, Özil cruzou, Klose subiu com Kiriakos Papadopoulos e, antecipando-se a Sifakis, cabeceou para o gol, marcando 3a1 aos vinte e dois minutos.

Embalada pela vantagem de dois gols, a Alemanha seguiu atacando. Aos vinte e três, só não saiu o quarto porque Sifakis realizou defesa com o pé. Dois minutos depois, Müller recebeu dentro da área pelo lado direito e o chute desviou na marcação, passando à esquerda. Aos vinte e oito, os alemães marcaram o quarto gol: Klose recebeu na esquerda, Sifakis bloqueou e a sobra chegou até Reus, que pegou de primeira para guardar o seu.

A vantagem de três gols no placar e a superioridade alemã anunciavam a oitava presença dos tricampeões europeus e mundiais numa semifinal de Eurocopa. Mas nem por isso a Grécia deixou de jogar o jogo com dedicação, valorizando a classificação adversária e a sua própria participação no torneio continental. Löw, aos trinta e quatro, fez as duas últimas substituições que podia: Klose por Mario Gómez e Reus por Mario Götze. Aos trinta e cinco, Özil entrou na área, chutou para o gol, Sifakis rebateu e foi marcado impedimento de Gómez, realmente adiantado no lance. Aos trinta e sete, Samaras tinha a bola pela esquerda, tocou, Fotakis chutou de fora da área, a bola desviou em Bastian Schweinsteiger e Neuer segurou. Aos trinta e nove, Samaras entrou na área pela esquerda e Mats Hummels protagonizou uma das mais belas jogadas da partida, efetuando desarme com carrinho limpo e certeiro. Tô gostando muito desse zagueiro alemão, que não conhecia antes da Euro 2012. Ainda aos trinta e nove, Özil recebeu de Gómez e chutou firme uma bola rasteira que foi defendida em dois tempos por Sifakis.

Por mais que a Alemanha jogasse melhor e reencontrasse aquele futebol vistoso apresentado na última Copa, a participação grega na Euro 2012 era digna de mais um gol. E, aos quarenta e dois, foi feita a encomenda. Após bola chutada com força, Boateng fez o desvio com o braço. Pênalti assinalado pelo esloveno Damir Skomina e convertido por Salpingidis: bola no quadrante quinze e Neuer no lado direito. Placar final de quatro para a encantadora Alemanha e dois para a valente Grécia, nesse que foi o jogo de mais gols na atual edição da Euro. Já cravo aqui: jogando assim, a Alemanha dificilmente seja parada por italianos ou ingleses na semifinal.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Eurocopa 2012: Pitacos Para As Quartas-de-final

Após os vinte e quatro jogos disputados na fase de grupos, os amantes do futebol foram agraciados pelo fato de ter saído gol em todas as partidas. Destaco três gols. Na primeira rodada, no jogo em que a Rússia goleou a República Tcheca, Roman Pavlyuchenko fez linda jogada individual e concluiu com remate que foi parar no ângulo direito de Petr Cech. Na terceira, o gol espanhol na triangulação entre Francesc Fàbregas, Andrés Iniesta e Jesús Navas foi daquelas jogadas que mostram o quão é vistoso o estilo de jogo dessa seleção, que teve muitas dificuldades para vencer a Croácia por 1a0 (esse gol saiu aos 42 minutos no 2º tempo). E, também na terceira rodada, saiu um golaço do sueco Zlatan Ibrahimovic, abrindo caminho para a vitória por 2a0 sobre a França com um lindo voleio no canto direito.

É chegada a hora da fase quartas-de-final. Vamos aos pitacos.

República Tcheca e Portugal
Tchecos e portugueses correram atrás da classificação após estrearem com derrota na Euro 2012 (para russos e alemães, respectivamente). Nas rodadas seguintes, conseguiram duas vitórias para chegarem até aqui. O fato de a República Tcheca não enfrentar as temidas Alemanha (líder no grupo B) e Holanda (lanterna na mesma chave) deve aumentar as esperanças de retornar a uma semifinal de Eurocopa, coisa que aconteceu pela última vez em 2004. Já Portugal, que naquela edição de 2004 chegou até a final, ganha credencial na competição pelo fato de ter sobrevivido ao "grupo da morte". Particularmente, acho que será interessante o duelo pelo flanco direito tcheco e esquero português, que envolverá jogadores como Gebre Selassie, Tomas Rosický, Fabio Coentrão e Cristiano Ronaldo. Quer dizer, Rosický está com uma lesão no tendão de Aquiles e dificilmente atue. Mas fica a torcida de vê-lo em campo. Pitaco: dá República Tcheca.

Alemanha e Grécia
Esse é o duelo da fase quartas-de-final onde há maior grau de favoritismo para um dos lados. A Alemanha, com 100% de aproveitamento no grupo mais difícil da Euro (venceu Portugal, Holanda e Dinamarca), enfrenta a Grécia (empatou com a Polônia, perdeu para a República Tcheca e venceu a Rússia). A tudo isso soma-se o fato de que os gregos não contarão com um jogador importantíssimo, o camisa dez e capitão Giorgios Karagounis, suspenso pelo segundo cartão amarelo (pra variar, amarelo esse recebido em lance polêmico). Os alemães, finalistas na edição passada, querem avançar em direção ao título europeu e coroar um trabalho muito bem realizado por Joachim Löw. Os gregos, campeões históricos duas edições atrás, sonham repetir aquele feito incrível e provar que, quando os deuses desejam, o raio pode cair duas vezes no mesmo lugar. Pitaco: dá Alemanha.

Espanha e França
Atual campeã do continente e do planeta, a Espanha tem diante da França um desafio: vencer pela primeira vez esse adversário em jogos de Eurocopa/Mundial (nos seis encontros anteriores, cinco vitórias francesas e um empate). Vicente del Bosque chegou a declarar que, na derrota por 3a1 nas oitavas-de-final na Copa 2006, os espanhóis teriam subestimado os franceses. A seleção da França está em reconstrução, com muitos jogadores interessantes e desenvolvendo bom toque de bola, principalmente quando a redonda passa por Samir Nasri, Franck Ribèry e Karim Benzema. Mas no assunto toque de bola a Espanha é referência mundial. Promessa de um grande jogo. Pitaco: dá Espanha.

Inglaterra e Itália
Eis um grande clássico do futebol europeu e mundial. São duas seleções onde a tradição não se faz presente apenas na história: o velho estilo de jogo britânico de ligação direta, cruzamentos e cabeceios vem sendo praticado à exaustão nessa Eurocopa, enquanto a Itália segue apostando na solidez defensiva para procurar o resultado positivo. Duas equipes que não me agradam pelo estilo de jogo adotado, mas que, quando bem encaixadas, são difíceis de ser batidas por quem quer que seja. Embora ingleses e italianos tenham elementos que podem decidir a partida num lance individual - notadamente pela precisão de jogadores como Steven Gerrard e Andrea Pirlo -, tudo leva a crer que passará a equipe que estiver mais firme coletivamente. Pitaco: dá Itália.

Na torcida para que tenhamos muito o que falar sobre gols e jogadas de efeito e, se possível, nada a comentar a respeito de arbitragem.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Após Início Arrebatador, República Tcheca Vence Grécia Na Euro 2012

Grécia e República Tcheca abriram a segunda rodada na Eurocopa 2012 com uma partida de três gols no estádio Miejski, em Wroclaw, Polônia. Melhor para os tchecos, que abriram dois a zero com cinco minutos de jogo (estabelencendo um recorde histórico na competição) e, mesmo depois de verem os gregos dominarem a partida territorialmente, saíram com uma vitória por dois a um.

O jogo

Desfalcada de Sokratis Papasthatopoulos (expulso injustamente na estréia diante da Polônia) e Avram Papadopoulos (que se lesionou naquele mesmo jogo), a Grécia foi uma presa fácil para o bem articulado sistema ofensivo tcheco nos minutos iniciais. Com dois minutos e quinze segundos, saiu o primeiro gol (o mais rápido nessa Euro 2012): a República Tcheca recuperou a posse de bola no campo de ataque, Hübschman enfiou caprichosamente para Jiracek e o camisa dezenove ajeitou e finalizou rasteiro uma bola que ainda foi tocada pelo goleiro Chalkias antes de entrar. E os gregos sequer tiveram tempo para assimilarem o golpe: aos cinco minutos, Petr Cech mandou a bola para a frente, Rosický recolheu e enfiou para Selassie. O primeiro jogador preto da história da seleção tcheca deu um passe rasteiro que foi desviado por Chalkias mas chegou até Pilar, que mesmo marcado por Katsouranis conseguiu dar um jeito de empurrar a bola para a rede. 2a0 República Tcheca em tempo recorde nas edições de Eurocopa.

Presente no campo de ataque e desenvolta com a posse de bola, a República Tcheca dava pinta de que poderia rapidamente zerar o saldo de gols no torneio (estreou com derrota por 4a1 para a Rússia). Mas a Grécia foi começando a equilibrar o jogo. Aos sete minutos, os gregos recuperaram a posse de bola após tabela mal-sucedida entre Rosický e Baros, e contra-ataque chegou até Salpingidis, que fez alguma coisa entra um chute e um cruzamento, colocando Cech para trabalhar - o arqueiro tcheco fez a defesa na bola rasteira. Aos dezoito minutos, Pilar recebeu na esquerda seguido por Maniatis, chutou marcado por Katsouranis e mandou a bola à direita da meta... Aos vinte minutos, Chalkias recebeu recuo de bola e a mandou para fora, dando sinais de que não permaneceria em campo. Conversou com o árbitro francês Stéphane Lannoy (em qual idioma não faço a menor idéia) e, aos vinte e dois minutos, deixou as quatro linhas e deu lugar ao goleiro reserva Sifakis. Seguindo os preceitos do "jogo limpo", os tchecos devolveram a posse de bola aos gregos.

Sifakis já seria convidado a trabalhar de maneira efetiva aos vinte e oito minutos, quando espalmou chutou de Rosický no canto direito. Aos quarenta, sairia o primeiro gol da Grécia: Torosidis cobrou falta pela direita colocando a bola na área, Fotakis cabeceou no canto direito, mas a comemoração grega foi frustrada pela correta marcação de impedimento, digna de elogios ao auxiliar, que teve olho clínio para perceber a pequena margem que deixava Fotakis em posição irregular no lance. No minuto seguinte, Jiracek recebeu na direita marcado por Holebas e chutou por cima.

No intervalo, Fernando Santos e Michal Bílek mexeram em seus times. Na Grécia, entrava Gekas no lugar de Fotakis, substituição compreensível, até porque Gekas foi titular na partida de estréia. Já Bílek tomou uma decisão esquisita, trocando Rosický por Kolar. E quando digo esquisito é porque não visualizei nada de ordem física no hábil capitão tcheco, o que me parece a única possibilidade de tirar de campo um jogador de sua qualidade e de sua importância no esquema tático da equipe - vide o lance do segundo gol.

No primeiro minuto de segundo tempo, uma boa investida de Selassie pela direita quase terminou na rede: o lateral filho de pai etíope apoiou com velocidade, invadiu a área, dividiu mas Baros não conseguiu fazer o domínio na seqüência. Aos sete minutos, uma infelicidade do ótimo goleiro Cech renovou o ânimo grego na partida: Samaras fez um passe que dava toda a pinta de ser recolhido tranqüilamente pelo arqueiro, mas Cech vacilou - talvez pela aproximação repentina de um defensor de sua equipe, que pode tê-lo causado preocupação acerca de um eventual desvio no curso da bola - e permitiu que a redonda escorregasse por suas luvas. Gekas, que não tinha nada com isso, aproveitou e mandou para dentro.

Se foi aquele lance específico que animou os gregos e que abateu os tchecos eu não posso afirmar, mas que o jogo passou a ser dominado pela Grécia, isso não resta a menor dúvida. Acontece que a opção da equipe foi a de colocar a bola na área pelo auto de maneira exaustiva. Samaras era a principal referência para esse jogo aéreo, mas a maioria das investidas eram sem sucesso. Aos quinze minutos, Karagounis cobrou falta levantando na área, Cech afastou, a bola voltou e a finalização foi bloqueada na defesa tcheca.

Aos dezoito minutos, Pekhart era colocado em campo no lugar de Baros, que naquele momento jogava muito isolado do restante de um time que parecia disposto a apenas se defender. Aos vinte e dois minutos, Muniatis recebeu pela direita e seu chute saiu à esquerda. Três minutos depois, o português Fernando Santos trocou Fortounis por Mitroglou. No minuto seguinte, Karagounis chutou de fora e Gekas buscou a sobra da rebatida, sendo marcado impedimento onde não havia.

O jogo seguiu de maneira arrastada, com a Grécia num deserto de criatividade, que mesmo com 55% do tempo de posse de bola, muito pouca coisa de interessante conseguia fazer com ela. Os tchecos, que tão bem haviam começado a partida, praticamente não passavam do meio-campo. E pareciam nem querer se opôr a isso, afinal, a bola nos pés da Grécia não incomodava a meta defendida por Cech. Aos quarenta e cinco, Kolar, que entrou no intervalo no lugar de Rosický, deixou o campo para dar a vez a Rajtoral. Foi o último evento digno de nota numa partida que, duas edições de Euro atrás, marcava uma das semifinais no torneio. Com esse futebol de hoje, um lugar nas quartas pode ser encarado como lucro.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Polônia E Grécia Empatam Em Estréia Movimentada

Com uma bonita cerimônia de abertura no estádio Narodowy, na capital polonesa Varsóvia, e um bem disputado jogo entre a Polônia e a Grécia, podemos afirmar que a Euro 2012 já começou. E começou com gols, com expulsões, com erro flagrante de arbitragem, com pênalti desperdiçado, com emoções. E se isso é o começo do torneio, tentemos imaginar o que o futebol pode nos reservar nessa edição da competição continental...

O jogo

A equipe da casa iniciou a partida bem, atacando os gregos e dominando as ações ofensivas. Aos três minutos, Murawski pegou o rebote e colocou o goleiro Chalkias para trabalhar, realizando linda defesa no alto. No lance seguinte, originado da cobrança de escanteio, Rybus pegou a sobra e mandou à esquerda. A Grécia até conseguiu uma chance aos onze minutos, quando Karagounis levantou pela direita em cobrança de falta e Gekas cabeceou à direita (Polanski vacilou na marcação, concedendo espaço ao grego), mas os poloneses eram melhores em campo e seguiram pleiteando o gol. Ainda aos onze minutos, uma bela troca de passes pela direita terminou em finalização de Blaszczykowski, que saiu por cima. Novamente pelo lado direito, dessa vez aos treze minutos, Piszczek cruzou e Lewandowski não alcançou a bola por muito pouco, talvez resvalando alguns fios de cabelo na redonda. E se o placar tinha que ser aberto em Varsóvia, tinha que ser pela Polônia e tinha que ser pelo flanco direito: aos dezesseis minutos, Obraniak passou para Blaszczykowski, que cruzou na medida e Lewandowski cabeceou para o chão, como orienta o manual das finalizações de cabeça, mandando no ângulo direito.

Após o gol que colocava 1a0 no placar, a partida caiu em termos de oportunidades criadas. Para se ter uma idéia, uma nova chance clara só foi surgir aos trinta e seis minutos - isto é, vinte após Lewandowski ter balançado a rede -, em lance onde Perquis pegou a sobra e chutou forte, à esquerda. Tal situação aconteceu instantes depois da primeira substituição no jogo, pois a Grécia trocara de Papadopoulos: saiu Avram e entrou Kiriakos. O que poucos poderiam imaginar é que o primeiro tempo, naquele momento em ritmo lento, fosse ter um desfecho tão frenético. Tudo começou de maneira implícita aos 34 minutos, pois naquele momento Sokratis Papastathopoulos recebia o primeiro cartão amarelo da partida, após dividida pelo alto. Naquele lance, a aplicação do cartão era controversa. Mas nada que se compare ao absurdo que estava para acontecer aos 43 minutos, quando o mesmo Papastathopoulos recebeu novo cartão amarelo em lance onde nem falta ele cometeu. Na realidade, Murawski escorregou em direção ao corpo do grego e caiu, muito mais cometendo falta do que sofrendo. Mas o árbitro espanhol Carlos Velasco Carballo teve a insanidade de expulsar Sokratis com o segundo cartão amarelo.

Aos 45 minutos, a Polônia, em vantagem numérica, se aproximou do segundo gol em lance onde Perquis cabeceou à esquerda após bola levantada na área. No minuto seguinte, os gregos tiveram novo contexto para reclamar das decisões do árbitro espanhol: é que houve um toque com o braço dentro da área polonesa, mas o sujeito do apito mandou a partida seguir. Quer dizer, não sem punir Holebas por reclamação. Mas se alguém pensava que a desvantagem no placar e no número de jogadores faria da Grécia um adversário frágil e entregue aos donos da casa, não perdia por esperar o segundo tempo. No intervalo, o português Fernando Santos trocou Ninis por Salpingidis. E seria exatamente Salpingidis um dos elementos mais determinantes para mudar o panorama na partida.

A primeira chance no segundo tempo foi polonesa, com Piszczek carregando a bola aos dois minutos, dando para Lewandowski e o camisa nove chutando para fora. Mas a Grécia chegaria ao ataque para empatar o jogo aos cinco minutos: Torosidis cruzou da direita, Wasilewski e Gekas dividiram se trombando e a bola tomou um rumo que surpreendeu o goleiro Szczesny, que não pôde fazer mais nada a não ser ver Salpingidis alcançar a redonda e mandá-la para a rede, promovendo o empate. Após o gol de empate grego, a partida ficou lá e cá. Aos doze minutos, Obraniak cobrou falta à esquerda. Aos dezessete, Samaras foi lançado e chutou à direita. Três minutos depois, Boenisch cruzou da esquerda e, no primeiro poste, Rybus chegou de peixinho, mandando à direita.

Aos vinte e dois minutos, Fernando Santos fez a terceira e última substituição por direito, trocando Gekas pelo camisa 22 Fortounis. E foi exatamente aos vinte e dois minutos que ocorreu um lance-chave no jogo: Salpingidis recebeu ótima enfiada de bola, dominou já fintando Szczesny e acabou derrubado pelo goleiro polonês. Dessa vez o árbitro acertou ao marcar a penalidade máxima, expulsando o arqueiro de campo. Franciszek Smuda colocou o goleiro reserva (aliás, o terceiro goleiro) no lugar de Rybus. E não é que o camisa 22 Tyton se tornaria herói? Ele simplesmente saltou no canto esquerdo e defendeu a cobrança de Karagounis!

A Grécia não se abateu com o pênalti perdido pelo seu capitão e, reestabelecida a igualdade numérica, ainda chegou a balançar a rede com Salpingidis, mas foi flagrado impedimento de Fortuine, autor do cruzamento, aos vinte e nove minutos. Dois minutos mais tarde, Torosidis emendou de longe e mandou para fora. Com as duas seleções interessadas na vitória, o jogo teve oportunidades de gol alternadas. Aos trinta e três, Obraniak recebeu na área, foi deslocado e, em vez de marcar pênalti, Carlos Carballo deu tiro-de-meta. No minuto seguinte, Boenisch afastou parcialmente e Samaras pegou como veio, isolando. Aos trinta e sete minutos, Polanski chutou de fora da área, rasteiro, e Chalkias segurou. Aos trinta e oito foi a vez da Grécia, que chegou com Karagounis: o camisa 10 limpou o lance e chutou para fora, por cima. Os poloneses responderam no minuto seguinte: Lewandowski recebeu na direita, acompanhou o quique da bola sem encostar nela e chutou na rede externa, à esquerda. A chance derradeira foi da seleção anfitriã, que aos 45 minutos chegou na linha-de-fundo e Katsouranis cortou do jeito que dava, quase marcando contra.

A boa participação de Lewandowski será fundamental para a Polônia na sequência da Euro, mas o time não se limita a ele e ao bom meio-campista Blaszczykowski: o camisa 10 Obraniak mostrou habilidade e Rybus também atuou bem, até ser substituído para a entrada do goleiro Tyton, que terá a responsabilidade de ser o titular na segunda rodada, já que Szczesny cumprirá suspensão automática. Aliás, Tyton mostrou que tem estrela, pois sua primeira participação na Euro foi defendendo o pênalti de Karagounis, que poderia ter sido o gol da virada e da vitória grega. Pelo lado da Grécia, espero que o treinador arrume um espaço para Salpingidis nesse time. Na metade de jogo em que esteve em campo, o camisa 14 marcou o gol de empate, sofreu o pênalti e faria mais um gol, só que houve impedimento do jogador de quem recebeu a bola. O desfalque forçado de Sokratis é uma pena, pois o jogador não era para ter sido expuldo. Coisas da arbitragem...

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Eurocopa 2012: Pitacos Para O Grupo A

Antes de mais nada, que fique bem claro que a pessoa que digita esse texto tem profundo apreço pela Eurocopa. Apreço tão grande que é particularmente empolgante falar a respeito desse torneio. Na edição passada, as performances de Espanha, Rússia e Holanda foram altamente benéficas para o futebol mundial no sentido de que essas três seleções apresentaram um jogo ofensivo, envolvente, audacioso. E se deram bem: a Holanda caiu para a Rússia nas quartas (após fazer uma primeira fase sensacional num grupo com Itália, França e Romênia), a Rússia caiu para a Espanha na semi, e a Fúria sagrou-se campeã continental com totais méritos. Isso sem falar na vice-campeã Alemanha, do revolucionário Joachim Low, que transformou uma seleção pragmática em algum esporte parecido com futebol numa equipe encantadora, haja visto a Copa do Mundo 2010.

Agora é hora de conhecer os quatro grupos, cada um deles com quatro selecionados. E, é claro, pitaquear. Por mais perigoso que isso possa ser.

Grupo A: Polônia, Grécia, Rússia e República Tcheca.

Aí está uma chave que não conta com nenhuma potência do futebol europeu na atualidade. Por esse motivo, tudo leva a crer que poloneses, gregos, russos e tchecos disputarão as duas vagas até os últimos minutos da última rodada.

A vantagem polonesa reside no fator campo: por ser um dos países-sede, a seleção comandada por Franciszek Smuda deverá contar com a presença maciça de seus compatriotas nas arquibancadas, o que pode ser um fator positivo para estimular essa limitada seleção a superar seus primeiros oponentes.

O goleiro Wojciech Szczesny, em franca ascensão e hoje titular incontestável no Arsenal, é um dos pontos fortes da equipe. Jakub Blaszczykowski e Robert Lewandowski, jogadores de meio-campo e ataque, respectivamente, também têm qualidade e podem ajudar o time na busca por uma vaga na fase eliminatória. O adversário teoricamente mais fraco será justamente o de estréia, isto é, para se tornar plausível a classificação polonesa, parece fundamental que o time da casa vença os gregos no dia oito. Pitaco: a Polônia não se classifica.

A Grécia, surpreendente campeã na edição 2004, traz para a Euro2012 um selecionado com número considerável de jogadores presentes na última Copa do Mundo. E isso pode ser um diferencial benéfico: a experiência internacional. Os 35 anos do meio-campista Giorgios Karagounis deverão ditar o rimto da meiuca grega, que conta com jogadores como Gekas, Samaras e Salpingidis para colocar a bola na rede. Defensivamente, será um desafio brutal exigir que o português Fernando Costa consiga a mesma consistência alcançada por Otto Rehaggel. Tão brutal que é melhor nem contar com isso. Pitaco: a Grécia não se classifica.

Os russos, que fizeram bonito na edição 2008 quanto comandados pelo holandês Guus Hiddink, voltam para a Eurocopa com outro treinador daquele país: Dick Advocaat. Nomes como os de Andrey Arshavin (sensacional na Euro2008), Marat Izmailov e Yuri Zhirkov dão uma qualidade respeitável ao setor de meio-campo. E, lá na frente, se Roman Pavlyuchenko estiver inspirado, há que se considerar a Rússia como um adversário dos mais perigosos. Pitaco: a Rússia avança de fase.

Fechando o grupo A, temos a República Tcheca, do grande goleiro Petr Cech e do hábil meia Tomás Rosický. Tudo bem, os tchecos não têm nessa geração jogadores como Galasek, Poborsky e Nedved, mas o treinador Michal Bílek pode contar com dois elementos interessantes no ataque: o ótimo Milan Baros e o jovem Tomas Necid. Resta saber se essa espinha-dorsal é sólida o suficiente para conduzir os tchecos às fases seguintes. Pitaco: a República Tcheca avança de fase.

Na próxima postagem, abordaremos o grupo B.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Naturalmente, Argentina Mostra A Força Do Elenco

Matematicamente falando, a Argentina não entrou no estádio Peter Mokaba com a classificação assegurada. Porém, nem a matemática nem nenhuma outra ciência seria capaz de provar o contrário da seguinte premissa: o grupo convocado por Diego Armando Maradona é um dos mais fortes e talentosos da Copa do Mundo 2010. Colocando 7 jogadores que não haviam atuado como titulares nos dois jogos anteriores, Maradona manteve a mesma filosofia de jogo: toque de bola, busca pelo gol e, de preferência, com as jogadas passando pelos pés do genial camisa 10 - hoje com a braçadeira de capitão - Lionel Andrés Messi.

A Grécia, que mantinha um olho no forte adversário e outro no resultado de Coréia do Sul e Nigéria - que se enfrentavam simultaneamente no estádio Moses Mabhida -, não foi páreo para o envolvente futebol argentino. Detalhe: Juan Sebastián Verón e companhia desenvolviam as jogadas bem à vontade, como se estivessem fazendo mais um coletivo de treinamento visando a próxima partida.

O jogo

A partida começou morna, com a Argentina cadenciando e ditando o ritmo que queria. A Grécia aceitava a proposta de jogo sul-americana e ficava encolhida, minimizando os espaços para criação de jogadas a partir da intermediária defensiva. E o negócio ficou mais interessante para os gregos a partir do momento em que, aos 12 minutos da partida entre sul-coreanos e nigerianos, em Durban, Uche abriu o placar para a equipe africana - aquele resultado de 1a0 combinado ao 0a0 diante dos argentinos dava a segunda vaga para a Grécia.

Aos 17 minutos, a Argentina ofereceu o primeiro lance de perigo: Sergio Leonel Agüero del Castillo partiu em jogada individual carregando a bola do centro para a esquerda, em diagonal, e, mesmo acompanhado por Avram Papadopoulos, conseguiu um ótimo chute, que parou em boa defesa de Alexandros Tzorvas. Após a cobrança de escanteio originada naquele lance, Verón recolheu a sobra na intermediária e chutou forte, para difícil defesa de Tzorvas.

Na marca de 22', Verón recebeu pela direita e colocou na área com chute rasteiro cruzado - a bola passou perto de três argentinos e saiu pela linha-de-fundo. A Argentina dominava amplamente as ações, com 69% da posse de bola. Aos 31', Mario Áriel Bolatti passou para Messi, que cruzou rasteiro - Tzorvas não afastou e Sergio Agüero chutou, mas a defesa grega conseguiu impedir que a bola chegasse no gol. 3 minutos depois, Clemente Juan Rodríguez faz "um-dois" com Verón, cruza, a bola passa por Tzorvas e Vassilis Torosidis corta.

Enquanto isso, em Durban, a Coréia do Sul chegava ao empate aos 37', quando Lee Jung-Soo, tentando cabecear, acabou acertando a canela na bola para fazer 1a1 - aquele resultado combinado ao 0a0 entre gregos e argentinos classificava os asiáticos. Detalhe: dois minutos antes, Uche chutou uma bola na trave esquerda de Jung Sung-Ryong, podendo ter ampliado a diferença a favor da Nigéria.

A última chance de gol na primeira etapa em Polokwane foi argentina: Clemente Rodríguez cruzou da esquerda, Maximiliano Rubén Rodríguez dominou no peito e chutou - Tzorvas espalmou. Na seqüência, Messi se livra da marcação com um drible e chuta de fora da área, para outra difícil defesa do goleiro Tzorvas.

A primeira etapa teve fim com a Argentina tendo o controle da bola por mais que o dobro do tempo que a Grécia (cerca de 20 minutos contra 10, ou 67% a 33%).

No intervalo, a braçadeira de capitão dos gregos saiu do braço de Giorgos Karagounis e foi para o de Kostas Katsouranis, pois o camisa 10 deu lugar ao defensor Nokolaos Spiropoulos.

Aos 2 minutos, Georgios Samaras recebeu lançamento, se livrou de Martín Gastón Demichelis, chutou e foi bloqueado. A bola voltou nele, que chutou cruzado perto da trave esquerda.

Se a Grécia desperdiçava uma chance, a Coréia do Sul aproveitava no outro jogo: em cobrança de falta fugindo da barreira, Park Chu-Young superou Vincent Enyeama para fazer 2a1 e melhorar a situação sul-coreana.

Aos 9', ciente do que acontecia na outra partida, Otto Rehhagel fez suas duas últimas substituições ao mesmo tempo, e nem por isso optou por dar maior ofensividade a um time acostumado a se defender: saíram Katsouranis e Torosidis para as entradas de Sotiris Ninis e Christos Patsatzoglou. Isto é, um meia pendurado com um cartão amarelo e um defensor por dois jogadores de meio-campo - tímido demais para quem o 0a0 não mais interessava.

Na marca de 11 minutos, Clemente Rodríguez coloca na área e por pouco Diego Alberto Milito não conseguiu desviar de cabeça, no que seria sua primeira finalização na partida - Tzorvas segura. Aos 12', Messi toca para a esquerda, Verón deixa passar e Clemente Rodríguez chuta à direita. Com 14 minutos, a Grécia chegou em jogada que lhe é característica: lançamento longo, escorada de cabeça e finalização. Mas, após fintar Demichelis, o chute de Samaras foi para fora.

Maradona mexeu pela primeira vez aos 17 minutos, colocando Ángel Di María no lugar de Maxi Rodríguez. Em Durban, Chu-Young ficava cara-a-cara com Enyeama, mas o goleiro nigeriano defendia esticando o braço direito.

Aos 19', Sotirios Kyrgiakos - 3º capitão grego no jogo -, puxou a camisa de Diego Milito dentro da área, mas o uzbeque Ravshan Irmatov inverteu a falta.

Voltando para Durban, o jogo entre Coréia do Sul e Nigéria pegava fogo. Aos 20', Uche passou para Etuhu, que cruzou rasteiro para Yakubu, livre e sem goleiro, pegar de primeira e mandar incrivelmente à direita da trave. 2 minutos depois, Kim Nam-Il cometeu pênalti ao entrar de carrinho em Obasi. Yakubu mandou rasteiro, no canto direito, enquanto Sung-Ryong pulou pra esquerda: 2a2 no placar, resultado que combinado ao persistente 0a0 classificava a Coréia do Sul. Naquele momento, Nigéria e Grécia estavam a um gol de avançar para as oitavas-de-finais.

Aos 24', Bolatti pegou sobra pelo lado esquerdo da área, chutou forte e Tzorvas conseguiu defender sem dar rebote. A Argentina detinha 66% do tempo de posse de bola, e dava sinais de que a qualquer momento chegaria, naturalmente, ao primeiro gol. Aos 28', enfiada de bola para Milito, que acaba desistindo do lance - mas a falta de comunicação entre Evangelos Moras e Tzorvas, que dividiram de forma meio atrapalhada, quase fez o dever do atacante.

Aos 31 minutos, a segunda substituição na Argentina: Agüero deu lugar a Javier Matías Pastore. No mesmo minuto, veio o gol. Escanteio cobrado pelo lado esquerdo, Milito acabou bloqueando o cabeceio de Demichelis e, na seqüência, o mesmo Demichelis chutou forte para estufar a rede e abrir o placar.

3 minutos depois, a 3ª troca: Martín Palermo em campo no lugar de Milito, que recebeu um caloroso cumprimento de Maradona.

Não esqueçamos da partida em Durban! Aos 35 minutos no cronômetro de lá - praticamente idêntico ao de Polokwane -, Obasi passou açucarado para "Oba-oba" Martins, que deu de cavadinha e mandou à esquerda do gol. Era a bola da classificação nigeriana, para desespero de Lars Lagerbäck.

Com 38 minutos, Messi carregou, foi desarmado e a bola foi ao encontro de Palermo, que girou e chutou à direita. 2 minutos depois, Pastore passou para Di María, que deu de primeira para Messi. O camisa 10 arrancou e mandou a Jabulani na trave direita.

Na marca de 43', brilhou a estrela de Palermo. Messi fez linda jogada individual, tabelou com Di María, recebeu de volta, chutou e Tzorvas rebateu. Palermo estava lá para conferir, chutando cruzado no canto esquerdo e fazendo 2a0.

A Grécia resolveu reagir e colocou Sergio Germán Romero para trabalhar, espalmando chute aos 44'. Aos 46', Samaras tentou de fora e Romero defendeu novamente.

Fim de papo. Argentina, 100% de aproveitamento, passa em primeiro lugar e reedita o encontro de oitavas-de-finais da Copa 2006, quando venceu os mexicanos na prorrogação. A Coréia do Sul, em segundo lugar, terá pela frente os uruguaios. A Grécia se despede em 3º, com 3 pontos, e a Nigéria completa o grupo pontuando apenas nesse empate por 2a2 com os sul-coreanos.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Grécia Aproveita Vantagem Numérica E Faz História

A exemplo da partida de estréia, novamente a Grécia viu o adversário fazer 1a0 no início do jogo num lance de bola parada. Porém, dessa vez houve um acontecimento que não ocorreu na primeira rodada: expulsão de um jogador adversário. O técnico Otto Rehhagel tirou proveito desse fato e foi feliz na substituição que realizou, tornando a Grécia mais agressiva e mostrando, em plena seleção que conquistou a Eurocopa em 2004 na base da retranca, que o ataque é a melhor defesa. A seleção nigeriana sentiu a desvantagem numérica e foi em alguns momentos sufocada pelos gregos. Mas a boa atuação de Vincent Enyeama - mais uma vez eleito o melhor em campo pela FIFA - evitou um resultado mais elástico. Ambas as equipes entram na terceira rodada com chances de classificação. A vantagem da Grécia é não depender do resultado da outra partida, mas a desvantagem é que sua adversária é a seleção argentina.

O jogo

Aos 12 minutos, Kostas Katsouranis tentou fazer "o gol que Pelé não fez" e arriscou do meio do campo um chute para surpreender Enyeama, mas o goleiro fez a defesa. 3 minutos depois saiu o gol da Nigéria. Kalu Uche cobrou falta da intermediária levantando na área, Peter Odemwingie deu pinta de que desviaria de cabeça e, sem tocar na bola, enganou Alexandros Tzorvas e a bola foi diretamente para a rede. O gol abateu a seleção grega: um minuto depois, Tzorvas colocou a mão numa bola que sairia em tiro-de-meta e cedeu escanteio gratuito para os africanos.

A partida seguia morna, com nenhuma das seleções oferecendo grande perigo para a meta adversária. A Grécia aparentava ainda sentir o golpe do gol e a Nigéria dava pinta de estar satisfeita com o desenrolar do jogo. Porém, aos 32 minutos, com a bola fora de jogo, Sani Haruna Kaita agrediu Vassilis Torosidis com uma solada na coxa e foi expulso pelo colombiano Oscar Ruíz.

Otto Rehhagel agiu rápido e tornou a Grécia mais ofensiva trocando Sokratis Papastathopoulos por Georgios Samaras, aos 36 minutos de jogo. 2 minutos depois, a Grécia já dava sinais de melhora: Giorgios Karagounis passou para Katsouranis e esse tocou para Dimitris Salpingidis, que finalizou para defesa de Enyeama com o pé. Aos 40', mais Grécia: Karagounis cobrou escanteio, a bola chegou em Samaras, que chutou e viu Haruna Lukman salvar a pátria em cima da linha. 3 minutos depois, Alexandros Tziolis deu enfiada de bola para Katsouranis, que entregou de carrinho para Salpingidis. O chute do camisa 14 desviou e enganou Enyeama, no que foi o primeiro gol grego na história das Copas.

Lars Lagerbäck deve ter sentido que a Grécia terminou o primeiro tempo numa crescente e voltou para a segunda etapa com uma mudança na Nigéria, trocando Odemwingie por Chinedu Obasi.

Com 4 segundos foi a vez da Nigéria tentar marcar um gol histórico, do círculo central, mas a bola saiu por cima do travessão, em chute perigoso. O segundo tempo começava a todo vapor e aos 53 segundos Enyeama trabalhou bem ao saltar e amortecer com uma única mão cruzamento que tinha a cabeça de Samaras como endereço. A Nigéria respondeu aos 3 minutos: Uche tentou cruzar mas a bola foi diretamente ao gol e Tzorvas fez bela defesa.
Na marca de 13 minutos, um momento incrível do jogo. Primeiro foi a vez da Grécia chegar bem ao ataque graças ao presente de Joseph Yobo, mas Enyeama salvou maravilhosamente finalização de Theofanis Gekas à queima-roupa. No contra-ataque, a Nigéria saiu trocando passes em velocidade, com a Jabulani passando pelos pés de Uche, Obasi e chegando redondinha para finalização de Yakubu Aiyegbeni: Tzorvas defendeu e Obasi pegou o rebote, mas mesmo com o gol escancarado chutou para fora.
9 minutos depois, a Grécia tentou novamente na base do jogo aéreo: Salpingidis cruzou para Samaras cabecear bem, mas Enyeama foi melhor ainda e fez bonita defesa. Aos 26', a virada: Tziolis bateu de fora da área com força e rasteiro, Enyeama vacilou ao não encaixar e Torosidis aproveitou o rebote.

Aos 29', Karagounis soltou um foguete de fora da área e a bola passou perto da trave esquerda. No minuto seguinte, resposta africana: Yakubu recebeu perto da meia-lua, limpou e chutou perto da trave direita. Mas, no minuto seguinte, a Grécia voltou a levar perigo e Enyeama espalmou chute de Karagounis. Daí para o final, a Grécia parecia mais empenhada a buscar o 3º gol do que a Nigéria capaz de empatar. Aos 47 minutos, Tziolis recebeu e chutou cruzado mas Enyeama evitou o gol. Aos 48', Samaras fez bela jogada individual mas o chute foi na rede externa.

Após o apito final, festa em azul e branco para celebrar a primeira vitória da Grécia em Copa do Mundo, em uma das partidas mais interessantes da atual edição da competição.

sábado, 12 de junho de 2010

Sul-coreanos E Argentinos Largam Na Frente No Grupo B

A Coréia do Sul usou e abusou da velocidade que lhe é característica mas acabou vencendo o jogo aproveitando-se das falhas da Grécia.

Com 2 minutos de jogo, a primeira chance clara de gol: escanteio cobrado pelo capitão Giorgos Karagounis e conclusão de Vasilis Torosidis para fora. Aos 6', o gol sul-coreano: em cobrança de falta realizada próxima a marca de escanteio, a bola viajou para dentro da pequena área da Grécia. Lá estavam 5 jogadores europeus e 3 asiáticos, mas a Jabulani chegou limpinha para Lee Jung Soo, livre, escorar para dentro e abrir o placar.

Depois, 3 erros consecutivos da arbitragem do neo-zelandês Michael Hester. Aos 14' ele ignorou pênalti a favor da Coréia; aos 21', empurrão na meia-lua que daria falta perigosa para a Grécia, também ignorado; e aos 24' Park Ji-Sung ficou cara-a-cara com o goleiro Alexandros Tzorvas, mas o árbitro enxergou falta no lance.

Aos 27', em lance não atrapalhado pelo juíz, a Coréia do Sul encaixou rápido contra-ataque, que só não foi mortal pois Tzorvas defendeu a finalização de Park Chu-Young.

No intervalo, Rehhagel trocou Karagounis por Christos Patsatzoglou, passando a braçadeira de capitão para o atacante Angelos Charisteas.

Novamente na marca de 6 minutos, gol da Coréia: Loukas Vyntra vacilou no domínio de bola ainda no campo de defesa, Park Ji-Sung recuperou a bola e avançou para fazer belo gol.

Insatisfeito com a inoperância dos seus atacantes, Rehhagel mexeu mais duas vezes nos homens de frente: saíram Georgios Samaras e Charisteas para as entradas de Dimitris Salpingidis e Pantelis Kapetanos. A braçadeira de capitão rumou para o 3º dono, o meia Kostas Katsouranis.

E aos 17' a Coréia chegou muito perto do 3º gol, com o camisa 10 Park Chu-Young cabeceando rente ao ângulo outro cruzamento certeiro.

A partir daí, a seleção grega finalmente conseguiu pressionar e foi pra cima do adversário. Aos 22', Gekas recebeu lançamento dominando no peito e emendando uma bicicleta que saiu por cima do gol. 2 minutos depois, Salpingidis cabeceou para defesa de Jung Sung-Ryong. Na seqüência, Salpingidis limpou a jogada e rolou para Kapetanos, que finalizou por cima. A Grécia era só ataque e aos 25' Giorgios Seitaridis cruzou em altura baixa na direção de Salpingidis, que chutou mas viu a bola ser desviada para escanteio no meio do caminho.

Na marca de 35 minutos, a grande chance grega: Seitaridis passou para Theofanis Gekas, que chutou para bela defesa do goleiro, dando origem ao 11º escanteio da Grécia na partida.

Após esse lance, a Coréia do Sul retomou o controle do jogo. Sem conseguir penetrar na defesa adversária, Park Chu-Young chutou de fora da área para defesa de Tzorvas, aos 36'. Com 40 minutos, foi a vez do goleiro grego defender chute de Lee Chung-Young.

Cada time teve suas chances de gol, 50% da posse de bola, mas a Coréia acabou conseguindo ser mais organizada e produtiva do que a Grécia, que vai sentindo o peso de um tabu: ainda não marcou gol em Copa.

Argentina 1a0 Nigéria
O jogo foi eletrizante, com ambas as seleções mantendo o foco em atacar o adversário. Logo aos 2 minutos, Victor Obinna avançou nas costas de Martin Demichelis para soltar um foguete cruzado, mas sem direção. No minuto seguinte, a resposta: Lionel Messi arrancou em velocidade e rolou para Gonzalo Higuaín, que chutou para fora. Aos 5', Messi mirou o ângulo, a bola tinha o endereço exato, mas Vincent Enyeama vôou para mandar para escanteio. E foi após cobrança de escanteio que veio o gol do jogo: Juan Sebastián Verón fez o cruzamento e Gabriel Heinze mergulhou, livre, para mandar a bola no ângulo.

Com 9 minutos, Walter Samuel errou na saída de bola, armou o contra-ataque adversário, mas recuperou-se na jogada mandado para escanteio. A outra chance nigeriana na primeira etapa deu-se em chute cruzado de Chinedu Obasi, para fora, aos 27'. De resto, tudo o que se via era pressão argentina e grandes defesas de Enyeama: aos 20', Messi deu passe açucarado para Higuaín parar em defesa do goleiro e aos 36' Messi cobrou falta para Ángel Dí Maria, recebeu de volta e chutou com precisão, buscando o ângulo,para nova defesaça de Enyeama.

Na segunda etapa, o jogo incrivelmente seguia um ritmo frenético, com chances para ambos os lados. Destaques para um veloz contra-ataque argentino, aos 19', quando Carlitos Tévez avançou de uma intermediária até a outra, rolou para Messi que chutou raspando a trave. 6 minutos depois, Taye Taiwo chutou cruzado rente à trave esquerda de Sergio Romero - o jogador nigeriano sentiu uma contusão após o lance e saiu substituído por Kalu Uche. Na marca de 36', tanto a Argentina teve a chance de garantir a vitória quanto a Nigéria de alcançar o empate. Primeiro, linda tabela entre Dí Maria e Messi, que parou novamente em defesa de Enyeama. Na seqüência, triangulação entre Obafemi Martins, Yakubu Aiyegbeni e Uche, que chutou para fora.

Sentindo o perigo, Diego Armando Maradona trocou, aos 40', Di María por Nicolas Burdisso. E a última chance nigeriana deu-se no minuto seguinte, de fora da área, quando Aiyegbeni arriscou e quase colocou a Jabulani onde a coruja dorme.

A Argentina demonstrou forte poder ofensivo e só não saiu do estádio Ellis Park com uma chuvarada de gols porque a atuação de Vincent Enyeama foi simplesmente espetacular. A Nigéria, embora muitas vezes bombardeada, mostrou qualidades que a credenciam a buscar a vitória nos dois próximos compromissos.