Mostrando postagens com marcador Rússia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Rússia. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 22 de junho de 2021

Dinamarca Faz Grande Exibição, Goleia A Rússia E Avança Com Ajuda Da Bélgica

Se tem uma coisa que eu acho curiosa nessa Eurocopa 2020 é a questão do "mando de campo". "Mando de campo" que somente pode ser dito entre aspas. E no caso desse jogo entre a "mandante" Rússia e a Dinamarca, a distorção do termo assumiu proporções bizarras. 

Veja só: são onze cidades-sede nessa Euro 2020 - que completa sessenta anos desde a primeira edição da competição. Entre essas onze localidades que recebem jogos, estão a russa São Petersburgo e a dinamarquesa Copenhagen. Acontece que São Petersburgo foi o local de jogo de Finlândia (país localizado bastante próximo dessa cidade histórica) e Bélgica. Portanto, o jogo entre Rússia e Dinamarca se realizou na capital do país nórdico. E com um detalhe a mais: devidos a questões restritivas de deslocamento no espaço geográfico em função de medidas sanitárias para contenção da pandemia, os russos foram impedidos de entrarem na Dinamarca. Ou seja, o "mando de campo" da Rússia foi num estádio onde todo o público presente nas arquibancadas era dos "visitantes" - e tome aspas.

No jogo, a visitante de fato e mandante de direito foi corajosa, tendo chegado ao ataque numa boa situação aos dezessete minutos: Aleksandr Golovin carregou em jogada individual, entortou a marcação de Pierre-Emile Kordt Højbjerg (isso é um nome ou um título?) e chutou rasteiro. Kasper Schmeichel, honrando a genética do pai - o lendário goleiro Peter -, conseguiu rebater e impedir que os russos abrissem o placar em sua casa. Sua, que eu digo, a de Schmeichel e dos demais dinamarqueses.

Se essa boa chegada da Rússia passou a impressão de que a Dinamarca estaria caminhando para mais um resultado adverso no torneio, a impressão começaria a ser desconstruída com um domínio territorial crescente da seleção mandante de fato e visitante de direito. Aos vinte e oito minutos, Højbjerg arriscou de fora da área, Matvei Safonov se esticou e a bola passou perigosamente à direita. Nove minutos depois, era aberto o placar na capital dinamarquesa: possivelmente encorajado pelo ótimo chute do companheiro, Mikkel Damsgaard recebeu de Højbjerg entre as linhas de marcação, arrumou para a perna direita e, antes da chegada de Georgiy Dzhikiya, descolou lindo chute no canto esquerdo. Golaço.

A exemplo do que ocorrera na rodada anterior, diante da Bélgica, a Dinamarca ia novamente ao vestiário com a vantagem de um gol a zero. E talvez a virada concedida naquela partida tenha servido de lição. Bastante atenta em todos os setores do campo, com Simon Kjær liderando uma defesa costumeiramente bem postada - há que se elogiar também as atuações de Andreas Christensen e de Jannik Vestergaard -, a Dinamarca buscava o segundo gol e marcava firme desde o campo ofensivo. Numa dessas, a pressão na saída de bola deu resultado: aos treze, Roman Zobnin teve a infelicidade de, na tentativa de recuar para o goleiro Safonov, acabar presenteando o atacante Yussuf Poulsen, que sequer precisou ajeitar a bola na jogada, bastando empurrá-la para a rede. Dois a zero.

A festa dinamarquesa se multiplicou quando veio a notícia de um gol de Lukaku para abrir a contagem a favor da Bélgica, algo bastante celebrado pelo fato de permitir que a Dinamarca ultrapassasse a Finlândia naquele momento. Só que a euforia rapidamente deu lugar à apreensão: o gol belga foi anulado por marcação de impedimento e, instantes depois, foi concedido pênalti para a Rússia em jogada onde houve tranco de Stryger Larsen em Vyacheslav Karavaev seguido de possível empurrão de Vestergaard em Alexander Sobolev. O centroavante goleador Artem Dzyuba se encarregou da cobrança e mandou no meio do gol, com Schmeichel saltando para a esquerda de forma a não conseguir chegar na bola mesmo esticando a perna direita.

Com um retrospecto histórico amplamente favorável aos russos (foram nove vitórias em dez confrontos diretos diante dos dinamarqueses), o público presente em Copenhagen silenciou como se pressentisse o pior. Mas uma torcida que presenciou um milagre com seu camisa dez Christian Eriksen no primeiro jogo não deveria se abater por nada mais. E, dentro de campo, a seleção da Dinamarca deu a melhor resposta: aos trinta e três minutos, numa pressão intensa, o goleiro Safonov salvou a Rússia uma, duas, três vezes em sequência. Até não conseguir mais: na quarta finalização praticamente consecutiva, Christensen soltou um foguete que viajou direto para o fundo do gol. Três a um.

O clima voltou a ser de euforia absoluta, pois cinco minutos antes a Bélgica marcava o primeiro no jogo diante da Finlândia - dessa vez sem anulação. Um a zero lá e três a um aqui, o que poderia ser melhor? Lukaku marcar o segundo gol belga, aos trinta e cinco, e Joakim Mæhle marcar o quatro dinamarquês, aos trinta e seis. Na comemoração, Mæhle exibiu os dez dedos das mãos, homenageando Eriksen. 

Com o apito final nas duas partidas, a Dinamarca conseguiu confirmar a classificação na segunda colocação após iniciar a rodada na lanterna na chave. Qual o limite do sonho de quem já viu um milagre?

Festa completa em Copenhagen: Dinamarca goleia a Rússia e se classifica para as oitavas na Eurocopa 2020. Imagem extraída de Giro de Notícia.


quinta-feira, 14 de junho de 2018

Arábia Moscou? Rússia Passeou!

O campo do estádio Luzhniki não é um terreno agrícola, mas a Rússia passou um trator no gramado. Não estávamos no meio do mar, mas a Arábia Saudita ficou a ver navios em plena Moscou. Senhoras e senhores, a Copa do Mundo 2018 começou com uma goleada de cinco a zero da seleção anfitriã. Quase - eu disse quase - arrancou um sorriso do Vladimir Putin.

Já no décimo segundo minuto de partida, Yury Gazinskiy abriu a contagem após cruzamento certeiro de Aleksandr Golovin.
Gazinskiy salta em comemoração ao primeiro gol na Copa do Mundo 2018. Foto: Carl Recine (Reuters)
 
Só que a alegria deu lugar à preocupação cerca de doze minutos depois: em contra-ataque ligeiro, Alan Dzagoev, um dos maiores astros da seleção russa, sentiu algum desconforto grande o suficiente para impedi-lo de continuar correndo. Deixou o campo e deu lugar a Denis Cheryshev.

Atuando pelo flanco esquerdo, Cheryshev era bastante acionado. Em duas oportunidades, chegou a estar em boas condições na grande área árabe, mas faltou um pouco de sorte e/ou qualidade para encaminhar melhor os lances. Só que, ainda antes do intervalo, quando este blogueiro estava pronto para cornetar o atleta, Cheryshev marcou o segundo gol dos donos da casa.

Veio o segundo tempo. A Arábia Saudita, apática, não conseguia propôr rumos diferentes a uma partida com o feitio de triunfo russo. Golovin, um dos destaques no jogo, ampliou seu repertório de ótimos cruzamentos e dessa vez serviu Artem Dzyuba (que acabara de entrar em campo). Dzyuba anotava aos vinte e cinco no segundo tempo seu nono gol nos últimos treze jogos com a seleção.

E pra quem acha que três é pouco, vieram mais dois gols nos acréscimos. Primeiro, Dzyuba serviu Cheryshev, que anotou um golaço em chute de trivela. Depois, em cobrança de falta digna de chamarmos de "perfeita", Golovin, que havia anotado duas assistências, colocou ele próprio a bola na rede. Não deve ser por acaso que seu sobrenome é Gol-ovin (o hífen é por minha conta).

Se a Rússia está classificada? Por mais que um 5a0 seja contundente - ainda mais numa atuação bastante equilibrada e imponente -, ainda considero Egito e Uruguai como as maiores forças na chave A. Só que a vitória dilatada na estréia pode motivar os russos a acreditar mais em si, a vislumbrar de maneira menos utópica e mais pragmática um avanço às oitavas. E isso deve aumentar o rendimento da equipe diante de egípcios e uruguaios.

Quanto à Arábia... Essa daí tem que celebrar sua passagem pelo Mundial 2018 se conseguir pontuar. Mas celebrar muito. Tirando a lucidez do zagueiro e capitão Osama Hawsawi, há pouquíssimos destaques positivos na seleção de Juan Antonio Pizzi.

sábado, 2 de dezembro de 2017

Análise Da Copa Do Mundo 2018 - Grupo A

Foi realizado ontem o sorteio da fase de grupos para a Copa do Mundo 2018. Vamos iniciar agora uma análise de cada chave.

Nessa postagem, esmiuçaremos o grupo A, aquele que tem a anfitriã do Mundial como cabeça-de-chave e que, para muitos, é o grupo menos forte tecnicamente. Para se ter uma idéia, a partida de abertura da Copa será entre as duas seleções de pior ranqueamento no torneio. Seria coincidência? Tomara que sim. Basta de maracutaias no mundo do futebol...

Grupo A: Rússia, Arábia Saudita, Egito e Uruguai.

Rússia

Única seleção classificada para a Copa sem precisar jogar as repescagens (habitual privilégio do país-sede), a Rússia, apesar de todas as suas limitações, caiu numa chave que lhe dá o direito e o dever de sonhar com uma vaga nas oitavas.

Rússia: 65ª colocada no ranqueamento da FIFA.
Com exceção do ataque, a seleção comandada por Stanislav Cherchesov possui jogadores com pelo menos trinta anos de idade em todos os setores do campo. E dois deles são nomes relevantes no cenário europeu: Igor Akinfeev (31), eterno goleiro do CSKA Moscou, e Yuri Zhirkov (34), jogador polivalente de vasta experiência, com direito a passagem pelo Chelsea de Roman Abramovich, e atualmente no Zenit Saint Petersburg.

A equipe conta em seu elenco com a presença do lateral brasileiro Mário Fernandes (27), que, antes de trocar o Grêmio pelo CSKA Moscou, recusou uma convocação para a seleção brasileira de Mano Menezes.

Mas é nos pés do ambidestro Alan Dzagoev (27) que residem as maiores esperanças da torcida russa. O meio-campista do CSKA Moscou, parceiro de longa data de Akinfeev, foi nomeado para a equipe do Campeonato Europeu Sub-21 de 2013, sendo premiado ao lado de nomes como o alemão Holtby, o italiano Verratti e os espanhóis Illarramendi, Isco, Koke e Thiago Alcântara.

É fato que trata-se de uma Rússia carente de um articulador mais hábil - Andrey Arshavin seria um nome encaixadíssimo para a função, mas questões diversas o afastaram do seu potencial. O ataque também não tem um personagem que imponha maior respeito às defesas adversárias. Mas o fator casa, a experiência de alguns jogadores e a "sorte" de cair numa chave acessível permitem vislumbrar uma classificação. Classificação essa que passa necessariamente por um resultado positivo na estréia diante da seleção saudita, adversária mais frágil do grupo. Na segunda rodada, o confronto será diante do sólido jogo coletivo egípcio, o que provavelmente trará complicações à seleção russa. E o fechamento é com o Uruguai, em tese a maior força da chave - seria bom não depender de uma vitória nesse jogo, a não ser que os cascudos sul-americanos já entrassem em campo com a vaga assegurada.

Em entrevista após o sorteio, Vicente del Bosque, técnico campeão do mundo com a Espanha em 2010, disse sobre a possibilidade de os espanhóis enfrentarem os russos nas oitavas: "a Rússia joga como anfitriã e isso imprime caráter".

Arábia Saudita

Classificada ao Mundial após conquistar o segundo lugar no hexagonal final pelas Eliminatórias Asiáticas (terminando atrás somente do Japão e a frente de Austrália, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Tailândia), a Arábia Saudita é uma incógnita. Não apenas para mim, que desconheço o futebol apresentado pela seleção, mas também para os adversários, que terão de estudar uma equipe cujos jogadores atuam basicamente em clubes longe dos holofotes hegemônicos. E as incertezas estão provavelmente a pairar sobre os próprios sauditas: afinal, o que esperar de uma seleção que era treinada pelo romeno Aurelian Cosmin Olăroiu na Copa da Ásia, passou aos cuidados do holandês Bert van Marwijk nas Eliminatórias Asiáticas e hoje está sob comando do argentino Juan Antonio Pizzi?

Arábia Saudita: 63ª colocada no ranqueamento da FIFA.
Particularmente, me causa surpresa a não manutenção do vice-campeão mundial de 2010 no comando tático da equipe saudita. Mas se foi essa a escolha da federação de futebol do país, vida que segue, tanto para Bert quanto para a seleção.

Uma coisa é certa: Pizzi tem como local de nascimento a chave para a Arábia ir adiante: Santa Fé. Ser movido pelo verde da esperança que colore a bandeira da nação pode ser o ingrediente determinante para que os sauditas surpreendam o grupo e o mundo com a classificação. Pizzi, apesar de falhar na empreitada de levar o Chile à Copa, assina a vitoriosa campanha na Copa América Centenário de 2016, com direito a um memorável 7a0 sobre o México de Juan Carlos Osorio na fase quartas-de-final.

Nawaf Shaker Al Abid, meio-campista de 27 anos e multi-campeão com o Al Hilal, figura no topo da lista de goleadores nas Eliminatórias Asiáticas, tendo deixado sua marca cinco vezes (quatro delas cobrando pênaltis). E como nem só de gols e pênaltis convertidos vive o bom jogador de futebol, Nawaf é também o saudita com maior número de assistências naquele torneio, tendo servido por três vezes seus companheiros para chegarem às redes - mesmo número de passes para gol do também meio-campista Taisir Jabir Al Jassim, de 33 anos e igualmente acostumado aos títulos em sua trajetória no Al Ahli.

Agora, fica a expectativa da montagem do elenco que irá à Rússia enfrentar os anfitriões na partida inaugural. Será que Pizzi tentará preparar a equipe com uma formação ofensiva, a exemplo do que fizera com os chilenos? O jogo diante dos russos tem ares de fundamental, inclusive para se ter uma idéia do tamanho da responsabilidade pelo resultado na segunda rodada diante do Uruguai. Lembrando que o Uruguai vem há alguns anos mostrando dificuldades ao enfrentar sistemas fechados que se baseiam em contra-ataques de transição rápida. Na Copa de 2014, sucumbiu diante da Costa Rica mas conseguiu a classificação diante de ingleses e italianos. De lá para cá, a base e o comando tático da Celeste foram conservados. Potencial vantagem para a Arábia de Pizzi, que tem muito material para estudar este adversário. Se tudo der certo e for vontade de Alah, poderá haver bastante coisa em jogo na partida derradeira com o Egito.

Egito

Mohamed é um dos nomes de Maomé, Aquele considerado no islamismo como o mais recente e último profeta do Deus de Abraão. Mohamed também é o nome dos dois maiores jogadores da atual geração egípcia: Elneny, do Arsenal, e Salah, do Liverpool, ambos com 25 anos de idade e que desfilam seus talentos na maior liga de clubes do mundo, dando à seleção um salto de qualidade que a coloca como forte candidata à classificação no acessível grupo A.

Egito: 33ª colocada no ranqueamento da FIFA.
Mohamed Salah foi o único jogador nas Eliminatórias Africanas a marcar cinco gols na fase final, incluindo aí os dois da vitória por 2a1 sobre o Congo (desempatando a partida nos últimos minutos e classificando os egípcios para a Copa). Contribuiu ainda com duas assistências, tendo participado, portanto, de sete dos oito gols do Egito na derradeira etapa das eliminatórias.

Estará em maus lençóis a seleção que se preocupar exclusivamente com Salah. Antes da bola chegar até ele, costuma passar pelos pés de Mohamed Elneny, meio-campista com bom passe e grande visão de jogo. São dois trunfos do argentino Héctor Raúl Cúper, treinador que fez história ao conduzir o Valencia a duas finais de Liga dos Campeões da Europa.

E para quem acredita que é importante contar com alguém de vasta experiência dentro de campo, o Egito tem em seu goleiro alguém que cumpre com louvor esse papel: aos 44 anos de idade (fará o próximo aniversário em janeiro), Essam Kamal Tawfik El Hadary carrega em sua bagagem pessoal um vice-campeonato (2017, no Gabão) e três títulos da Copa Africana de Nações (2010, em Angola; 2008, em Gana; e 2006, dentro de casa).

Há alguns anos, talvez mesmo antes de El Hadary ser goleiro da seleção, pode-se dizer que o Egito trata-se de uma das seleções mais equilibradas de seu continente, marcada pelo sólido jogo coletivo. Hoje, tem incorporado a isso a presença de pelo menos dois atletas acima da média e capazes de decidir partidas. Não há qualquer razão para julgar que essa seleção vá à Rússia apenas fazer número: será um adversário duríssimo tanto para os uruguaios na estréia quanto para os anfitriões na segunda rodada. Já dá para cravar como candidata a surpreender no Mundial.

Uruguai

Aquela camisa que você respeita. Aquela seleção que a história não dá brecha para que a subestimem. Aquela mística que complexifica a discussão da modalidade esportiva denominada futebol. Afinal, com explicar alguns dos sucessos uruguaios a não ser por algum aspecto que transcende o mundo visível?

Uruguai: 21ª no ranqueamento da FIFA.
Luís Suárez e Edinson Cavani formam uma das principais duplas de ataque do futebol mundial. Cada um nas suas características, mas ambos sendo retratados naquele autêntico espírito uruguaio, de se dedicar a cada lance e acreditar em cada situação que a partida lhes oferte.

Sinto falta de um homem de ligação na equipe de Óscar Tabárez. Esse homem seria Lodeiro em 2010. Não funcionou. E, via improvisação, "surgiu" Forlán, que se sagrou um dos destaques na campanha semifinalista da Celeste. Em 2014, Rodríguez não conseguiu nem de longe o mesmo impacto no último terço de gramado. E, de lá para cá, não houve um único nome que tenha emplacado para a função. De Arrascaeta pode vir a ser esse elemento, mas precisará ser desenvolvido por Tabárez. Será, provavelmente, o maior desafio do treinador, que conseguiu montar uma defesa firme (Diego Godín lidera o setor com maestria) e conta com um ataque potencialmente avassalador.

O sorteio acabou sendo generoso com a seleção uruguaia ao ponto de ser inegável haver um favoritismo sul-americano na chave e uma responsabilidade em, pelo menos, obter a classificação às oitavas. Talvez a parte negativa disso tudo seja o fato de que egípcios, sauditas e russos poderão especular o jogo uruguaio e adotar uma postura de contra-ataques, situação com a qual o Uruguai vem apresentando maior dificuldade. Caso conquiste de fato a classificação, é o típico adversário que nem Portugal, nem Espanha, nem ninguém quer enfrentar em uma partida eliminatória. Afinal, é aquela camisa que você respeita...

sábado, 24 de junho de 2017

México Vira, Avança, Elimina A Rússia E Auxílio Eletrônico Marca Presença

Lozano mais esperto que Akinfeev. Foto: Tolga Bozoglu/EFE/EPA
Havia visto alguns comentários que previam que a Copa das Confederações 2017 seria um fracasso. Os argumentos giravam em torno:
  • da pouca procura por ingressos;
  • da seleção alemã não levar seu "time principal";
  • da FIFA considerar que o modelo da competição encontra-se esgotado.
Talvez hajam ainda mais justificativas para criticar o torneio disputado na Rússia. Mas gostaria de me fixar em dois pontos positivos. O primeiro é que, do pouco que vi até agora, gostei: Rússia e México foi o primeiro jogo que assisti inteiro e achei a partida bem interessante. Duas equipes propositivas e, curiosamente, com a equipe russa conseguindo encaixar mais jogadas envolventes que seu adversário (considerado superior tecnicamente). O México primou pela organização, sobretudo entre as duas intermediárias. Mas raramente impôs um flagrante domínio sobre os donos da casa. Virou o jogo com um misto de sorte e mérito, mas não sobressaiu ao ponto de tornar o empate um resultado fora de contexto.
O outro ponto positivo é, na minha opinião, ainda mais importante. Principalmente pelo momento que vive o futebol mundial. É a incorporação do recurso eletrônico para auxiliar a arbitragem na tomada de decisão. Funcionou corretamente no jogo e proporcionou dois ganhos inestimáveis ao evento: a justiça no resultado e a sensação de justiça no resultado. Sim, uma coisa difere da outra. Quando os jogadores dentro de campo sentem que não está havendo interferência de terceiros (sim, o árbitro deve ser considerado como uma terceira parte nessa história toda), o jogo parece fluir melhor, parece transcorrer mais leve, parece seguir seu rumo com maior tranqüilidade.

Houve dúvidas em pelo menos dois lances de queda na grande área (ambos, de fato, sem pênaltis) e um gol mexicano que colocaria 3a1 no placar (os russos sequer reclamaram de impedimento, mas ele realmente existiu).

O auxílio de vídeo chegou para ficar. Não há qualquer razão para não incorporá-lo nos próximos torneios da FIFA. Há, isto sim, a necessidade de seguirmos nessa direção e ampliá-lo quando necessário. O mundo - e isso inclui o futebol - precisa de justiça. Atentar contra ela em alguma parte é ameaçá-la em qualquer outra.

Em tempo: ótima arbitragem do árabe Fahad Al Mirdasi. Foi praticamente tão preciso quanto a própria tecnologia à sua disposição.

Ah! O jogo terminou 2a1 para o México. Os mexicanos avançam em segundo lugar (atrás de Portugal) e os russos são eliminados em terceiro (a frente da Nova Zelândia). Independentemente do que ocorra no outro grupo (onde Alemanha e Chile são as maiores forças diante de Austrália e Camarões), a Copa das Confederação já tem um vencedor: o futebol. Vitória com um golaço do auxílio eletrônico. Antes tarde do que Blatter...

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Quando A Genialidade Supera A Estratégia: Eslováquia 2a1 Rússia

Se fôssemos analisar Rússia e Eslováquia exclusivamente pelo fator estratégico, não restariam dúvidas de que os russos mereceriam a vitória no jogo disputado hoje no Stade Pierre-Mauroy. E é nesse sentido que reverencio o treinador Leonid Slutsky: sua seleção embaralhou e distribuiu as cartas do jogo tanto no primeiro quanto no segundo tempo. Teve ainda a sensibilidade tática de, no intervalo, trocar dois jogadores num setor fundamental para a distribuição de jogo, o que teve um flagrante impacto positivo na transição de sua equipe ao campo de ataque. Só que não foi possível evitar a derrota. E é a partir de agora que precisamos falar sobre uma coisa chamada talento.
Marek Hamsik comemora golaço após chute genial. Foto: EFE.

A seleção eslovaca, bem montada e bem distribuída em campo pelo treinador Jan Kozac, permitiu que a Rússia tivesse a iniciativa do jogo. Opção estranha em se tratando de um time com jogadores mais qualificados que o adversário, mas a idéia era, provavelmente, ter a opção do contra-ataque para vencer a pesada linha defensiva russa na base da velocidade. Particularmente, não sou muito fã dessa preferência por não ter a bola. Mas a genialidade de um craque foi o suficiente para encaminhar a primeira vitória da Eslováquia em Eurocopas.

Primeiro ato: assistência. Aos trinta e um minutos, Marek Hamsik acionou Vladimir Weiss com uma visão de jogo invejável e uma precisão de arrepiar. Weiss embelezou ainda mais a jogada quando, com o único toque na bola, tirou dois adversários do lance. E finalizou de maneira inapelável, cruzado, abrindo a contagem.

Segundo ato: remate. Aos quarenta e quatro, Weiss cobrou escanteio com um passe curto. Geralmente vejo esse lance como improdutivo, mas não se pode duvidar do desenrolar dos acontecimentos quando a bola passa pelos pés de Hamsik: com um chute maravilhoso, o camisa 17 marcou um dos mais belos gols nessa Euro-2016.

O esforço da Rússia tornou o segundo tempo ainda melhor do que o primeiro, principalmente após sair o gol de Glushakov, aos trinta e quatro. Os futuros anfitriões da Copa do Mundo tiveram pelo menos duas grandes chances de empatar a partida, o que traria contornos heróicos similares ao empate com a Inglaterra na estréia. Só que, dessa vez, não rolou. A busca pela classificação tanto de russos (1 ponto) quanto de eslovacos (3) ficará para a última rodada, num grupo que promete ainda mais emoções pela frente.

sábado, 11 de junho de 2016

É Eurocopa, É Futebol: Inglaterra E Rússia Empatam Na França

O futebol deve ser o único esporte já inventado nesse planeta que proporciona situações como as que ocorreram hoje em Marselha. Dá um livro. Como isso é um blógui, dá uma postagem.
Kokorin e Dier (autor do gol inglês) disputam a bola. Foto: EFE.

Capítulo 1. Sobre a paixão.

O estádio estava tomado de ingleses, russos e simpatizantes de outras não sei quantas nações. 62343 pessoas na contagem oficial. Enumerar aqueles que assistiam ao redor do mundo deve ser praticamente impossível. Infelizmente, há em alguns casos um misto de paixão com loucura que confronta os limites da liberdade individual a partir do momento que migra para a violência. Muitas das vezes, uma violência movida a álcool. Lamentável. Faz parte de um mundo onde a vida ainda é tratada como descartável. Duvida? Pense no que você comeu hoje.

Capítulo 2. Sobre aspectos técnicos.

A Inglaterra rejuvenesceu. Roy Hodgson, há quatro anos na função de treinador do English Team, montou uma seleção veloz e com ímpeto ofensivo flagrante. A base é o Tottenham. Mas são figuras como Wayne Rooney que fazem a engrenagem rodar com mais desenvoltura. Já a Rússia, futura sede da Copa do Mundo, tem muitos desafios pela frente até o ano de 2018. Porém, se um bom time começa por um bom goleiro, é fato que os russos já estão um passo a frente - Igor Akinfeev provou novamente as qualidades que o colocam como titular absoluto da seleção nacional desde, desde... sei lá desde quando. Entre os jogadores de linha, muito mais força física e disposição do que habilidade e categoria.

Capítulo 3. Sobre tática e estratégia.

Preparada para impôr velocidade diante de um adversário mais lento, a Inglaterra criou chances o suficiente para chegar ao intervalo com cômoda vantagem. Resultado? Zero a zero. Talvez seja essa uma das razões do capítulo um ser sobre a paixão. O desafio à lógica. Aos fatos. Zero a zero era inconcebível pelo volume de jogo inglês. Mas quase-gol vale, matematicamente, o mesmo que a completa inoperância. Então, o empate era justo.

Capítulo 4. Sobretudo, futebol.

No segundo tempo, já sem conseguir a mesma desenvoltura que nos quarenta e cinco minutos iniciais, eis que surge o gol. A Inglaterra, em cobrança de falta de Dier (que, embora mais bonita, até lembrou a de Bale no jogo entre Gales e Eslováquia), abriu a contagem. A Inglaterra não sabia o que era estrear com vitória em Eurocopa. Eram quatro empates e quatro derrotas em oito eventos. Chegava a hora. Só que não. Nos acréscimos, do jeito mais tradicionalmente inglês possível, a Rússia mandou a bola para a área. Levantamento de Schennikov. Cabeceio de Berezutski. Festa nas arquibancadas em Marselha. E, aposto, em muitos lares e bares em Moscou. O empate de 1a1 deixa o tabu inglês ainda vivo. E os russos, mais vivos ainda.

É ou não é um esporte especial? Ponto final.

sábado, 28 de junho de 2014

Sangue, Suor, Lágrimas E Muito Futebol: Argélia Conquista Classificação Histórica

A última vaga nas oitavas-de-final foi pra fechar com chave-de-ouro a fase de grupos na Copa do Mundo 2014. Sorte de quem estava em Curitiba e presenciou a história ser escrita diante dos seus olhos. E com emoção, o que torna tudo ainda melhor.

Com menos de cinco minutos de jogo, sangue. Era o primeiro ingrediente de que estávamos diante de algo marcante no jogo entre argelinos e russos. O camisa dez da Argélia, apontado como maior craque dessa seleção, sofreu um corte na cabeça e foi orientado pelo árbitro turco Cuneyt Çakir a deixar o campo de jogo. Enquanto Sofiane Feghouli era atendido na beirada de fora da lateral, Dmitri Kombarov aproveitou o espaço pelo flanco esquerdo (setor que era e seria vigiado pelo próprio Feghouli) e descolou cruzamento certeiro para Aleksandr Kokorin, que cabeceou esbanjando competência para tirar qualquer chance de intervenção do goleiro M'Bolhi. 1a0 Rússia.

Disciplinada taticamente e consciente do que deveria fazer com e sem a bola, a Rússia de Fabio Capello preenchia o gramado paranaense com o tom vinho de um dos mais belos uniformes confeccionados para essa Copa. A defesa dialogava com o meio, que dialogava com o ataque, que parecia ser o início da defesa. Um sistema retroalimentado, que avançava e recuava como que obedecendo os rigores de um quartel. Quase como uma marcha. A meta: a classificação. Eram os "soldados" do "general" Capello mostrando foco total no objetivo traçado.

Feghouli precisou sair novamente para estancar o sangramento que teimava em escorrer pelo rosto, gerando desespero nele próprio e no treinador Vahid Halihodzic, possivelmente traumatizados com o gol que aconteceu precisamente quando o jogador recebia atendimento. O confronto tático apontava equilíbrio no meio-campo, com Feghouli encarando Kombarov e Faizulin por um lado enquanto Djabou tinha pela frente a resistência de Glushakov e Kozlov. Tudo ficava menos complicado para a seleção africana quando os laterais Mandi e Mesbah apoiavam, mas era na habilidade de Brahimi que a Argélia esboçava maior poder de infiltração. Esboçava sem poder se dar ao luxo de se expôr, pois os russos tinham em Samedov e Shatov constantes ameaças nos contra-ataques, sempre procurando acionar Kokorin e Kerzhakov.


Mutuamente anuladas num dinamismo típico dos bons jogos, o placar de um a zero para os europeus se manteve até o intervalo. E a Rússia voltou com uma modificação para o segundo tempo: Glushakov por Denisov, substituição que Capello realizara na estréia e que, depois dela, a equipe conseguiu o gol de empate diante dos sul-coreanos. Só que dessa vez era um outro adversário e uma outra situação. Embalados pelas arquibancadas que não cessavam em apoiar a equipe, a Argélia teve num lance de bola parada pelo lado esquerdo a chance de empatar. Luz verde proveniente de algum objeto que não deveria estar no estádio foi direcionada para o rosto do goleiro Akinfeev. Bola levantada na área por Brahimi. O goleiro sai, não alcança a bola e quem cabeceia é Slimani. Slimani havia mostrado qualidade no jogo aéreo, tendo levado a melhor pelo menos duas vezes em lances anteriores. Dessa vez, não somente levou a melhor como conseguiu cabecear na rede. 1a1, retomada do segundo lugar e uma festa incrível no estádio, aos catorze minutos no segundo tempo.

Precisando de um novo gol, Capello recorreu a um de seus jogadores mais talentosos e colocou Dzagoev no lugar de Shatov. Halihodzic respondeu trocando Brahimi por Yebda, dando mais vigor físico ao meio-campo. Mas tarde foi a vez de Ghillas e seu penteado exótico entrarem no lugar de Djabou. A Rússia até conseguia algumas jogadas de aproximação, mas não com o volume e a intensidade que se espera de quem precisa quase que desesperadamente do resultado. Kanunnikov ainda entrou no lugar de Kerzhakov, na última cartada para tentar mudar o destino do jogo.

O goleiro M'Bolhi precisou agir para evitar o gol russo, e agiu bem, em mais uma boa atuação do camisa vinte e três argelino. Em uma escapada da equipe do norte da África, o arqueiro Akinfeev foi quem evitou a virada. Nos acréscimos, Slimani, autor do gol, deu lugar para Soudani. As câmeras já mesclavam a filmagem entre o campo de jogo, o banco de reservas argelino e a torcida. A emoção atravessava a televisão. A reação de Halihodzic sinalizando que o final estava próximo com um misto de alegria, empolgação e ansiedade foi algo difícil de narrar. Veio o apito final e com ele a consumação do fato histórico: pela primeira vez desde sempre, a Argélia avança para as oitavas-de-final numa edição de Copa do Mundo. Curitiba nunca foi tão verde.
Elenco argelino dá volta olímpica com a bandeira do país em Curitiba: torcedores brasileiros também foram ao delírio com o contagiante desempenho dos comandados de Halihodzic.

domingo, 22 de junho de 2014

Bélgica Supera A Rússia E Se Garante Nas Oitavas

O Maracanã sediou numa ensolarada tarde de domingo o encontro entre duas seleções européias que atraem bastante atenção sem necessariamente figurarem entre as grandes favoritas no Mundial. Uma detém aquela que pode ser considerada a melhor geração na história da seleção. Outra prepara um projeto de longo prazo, visando sobretudo ser bem-sucedida na Copa 2018, quando será o país-sede. E Bélgica e Rússia fizeram de fato um bom jogo. Com direito a muita correria nos minutos finais, mostrando que nem o calor poderia deter o ímpeto ofensivo de sair com a vitória.

E a sorte acabou sorrindo para os belgas. A sorte de ter uma ótima geração. A sorte de ter um treinador que vem conseguindo dar um padrão tático consistente à equipe. A sorte de contar com um erro de arbitragem em lance onde deveria ter sido marcado pênalti para os russos. A sorte de, aos quarenta e três minutos do segundo tempo encontrar o gol da vitória. A sorte de contar com Hazard.

A jogada do gol da Bélgica é um ótimo resumo do que foi a partida e do que vem sendo a Copa do Mundo para o país da capital Bruxelas. Arrancada de Hazard em bela jogada individual e conclusão de Origi para a rede. Hazard, com justiça, escolhido o melhor em campo: não que tenha feito uma partidaça, mas subiu de produção e foi decisivo, honrando a confiança que em si é depositada. Origi, reserva de Lukaku, foi novamente colocado no segundo tempo e mais uma vez mostrou boa participação. Não que seja necessariamente uma "sombra" para o titular, mas é sem dúvida alguma um elemento que pode ainda ser bastante útil. E a Bélgica é mais que um time com onze: tem elenco. Se Vermaelen precisou deixar o campo por motivos físicos, Wilmots pôde colocar Vertonghen. Perder o ótimo Mertens poderia ser impactante, mas o treinador tinha a opção de Mirallas. E hoje sequer foram utilizados jogadores como Dembélé, Chadli e Januzaj.

Capello não possui os mesmos recursos, o que torna ainda mais enigmático o motivo de o italiano optar por manter Dzagoev e Kerzhakov por tanto tempo no banco de reservas. De toda forma, a vigorosa seleção russa poderia ter tido melhor sorte no jogo: se o pênalti sofrido no primeiro tempo tivesse sido assinalado e, posteriormente, convertido, poderíamos ter tido um jogo bastante diferente no Rio de Janeiro. De toda forma, resta uma rodada. A Bélgica, classificada, está muito perto de confirmar o primeiro lugar na chave H (o que, em tese, pode significar uma "fuga" de enfrentar a Alemanha nas oitavas). A Rússia precisará vencer a Argélia para conseguir o segundo lugar. Já pensou um encontro entre russos e alemães em Salvador? Salve-se quem puder!

P.S.: o árbitro que prejudicou a Rússia ao negar-lhe uma penalidade máxima é Felix Brych, alemão.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Após Falha De Akinfeev E Alterações De Capello, Rússia Reage E Empata Com A Coréia Do Sul

Para fechar a primeira rodada na Copa do Mundo 2014, nada como um jogo que traga algo de diferente, não é verdade? Russos e sul-coreanos diferem-se entre si desde suas características físicas até a maneira de jogar. O estilo leve e veloz dos asiáticos contrasta com o jogo viril do maior país do mundo, que conta com um italiano de mão cheia no comando, o treinador Fábio Capello.

E o encontro em Cuiabá, com todos esses ingredientes, não poderia deixar de ser interessante. Principalmente no segundo tempo, quando a maior intensidade da Rússia obrigou o goleiro Jung Sung-Ryong a participar ativamente do jogo. Só que a Coréia do Sul também buscava a vitória, o que deixava o jogo lá e cá. Para infelicidade do ótimo arqueiro Igor Akinfeev, um chute de Lee Keun-Ho acabou escorregando em suas luvas e caracterizando uma falha bisonha. Acontece com os melhores do mundo, e para desolação do camisa um russo, aconteceu com ele em plena estréia de Copa.

A partir daí, a Rússia se lançou definitivamente ao ataque para buscar retomar a igualdade no marcador. Capello foi muito feliz nas substituições, trazendo Dzagoev, Kerzhakov e Denisov e aumentando o poder ofensivo da equipe. Em bate-rebate na área sul-coreana, Kerzhakov conseguiu concluir o lance mandando para a rede e reestabelecendo o empate no Mato Grosso.

Hong Myung-Bo, ex-jogador da Coréia do Sul e atual treinador da equipe, procurou alternativas para conter o ímpeto adversário e retomar a frente no placar. Mas os esforços de ambas as seleções acabaram anulando uma a outra e o 1a1 se manteve até o apito final. Está tudo aberto no grupo liderado pela Bélgica. Que venham as próximas rodadas!

quarta-feira, 13 de junho de 2012

A Eurocopa Ensina: Joguem Futebol, Não Façam Guerra

Poloneses, russos, alemães. Poucas coisas na vida seriam capazes de juntar indivíduos da espécie humana dessas três nacionalidades para uma atividade de fins pacíficos, afinal, as cicatrizes das Grandes Guerras permeiam o imaginários de muita gente, herdeiras ou não de pessoas que sofreram naquele lamentável período na história da humanidade. Fora do estádio, pelas ruas da capital polonesa Varsóvia, imagens flagraram confrontos entre russos e poloneses, mostrando que o embate transcendia o âmbito futebolista. E antes que você possa se perguntar onde entraria a Alemanha nesse negócio, o jogo foi apitado por Wolfgang Stark e auxiliado por dois compatriotas.

Felizmente, dentro de campo o que se viu foi uma boa partida, com vinte e cinco faltas assinaladas e apenas quatro cartões amarelos exibidos (dois para cada lado). Com a bola nos pés, os russos não chegaram a repetir a maravilhosa atuação vista na estréia, mas atuaram em bom nível mais uma vez. Já os poloneses, que oscilaram na partida diante dos gregos, dessa vez foram mais consistentes e mostraram um futebol que deve encher os torcedores de esperança na classificação para a próxima fase. O empate de 1a1 combinado à vitória tcheca sobre os gregos deixa o grupo A numa situação fantástica: todas as quatro seleções dependem de suas próprias forças para avançarem no torneio.

O jogo

Logo com seis minutos de jogo, o goleiro Malafeev teve que entrar em ação para impedir que a Polônia abrisse o placar no estádio Narodowy. E não foi uma ação qualquer: foi uma intervenção que esbanjou reflexo do camisa dezesseis russo: Obraniak cobrou falta pela direita, Piszczek desviou sutilmente com a cabeça e Malafeev salvou com a perna o remate frontal. No minuto seguinte, aos sete, Malafeev defendeu outro cabeceio, dessa vez após cruzamento pelo lado esquerdo de ataque polonês. Aos nove, Arshavin cobrou escanteio pela direita e mandou fechado, não marcando gol olímpico porque Tyton estava ligado e encaixou.

O jogo era bom e aos dez minutos Lewandowski recebeu uma bola escorada em cabeceio, ajeitou e chutou perto do ângulo direito. Aos onze, Kerzhakov recebeu enfiada de bola e Perquis deu carrinho certeiro, na bola, mas acabou sofrendo com as travas da chuteira do russo, que perfuraram sua canela quase na altura do joelho, colocando o sangue como novo ingrediente numa partida entre dois oponentes históricos na geopolítica de décadas atrás.

Aos dezessete minutos, uma linda troca de passes rápidos chegou até Lewandowski, que serviu Polanski e deste saiu um chute no canto direito, para abrir o placar. Só que foi flagrado impedimento, invalidando o lance. Aos dezoito, Perquis chutou rosto de Kerzhakov na área. A meu ver, nenhuma vingança tola daquele ocorrido na disputa entre os dois, mas mesmo que não tenha havido intenção, é inconcebível que a arbitragem alemã não tenha assinalado rigorosamente nada na jogada, deixando a partida seguir como se fosse natural algo como aquilo. Talvez as imagens de guerra estejam vivas na memória de alguns alemãs também... Jogo e vida que seguem. Aos vinte e quatro minutos, Arshavin cruzou da esquerda e Kerzhakov cabeceou à esquerda da meta. No minuto posterior, Wasilewski cabeceou e Malafeev defendeu. Com vinte e seis minutos, Kerzhakov cruzou rasteiro pela direita e bola passou Wasilewski, Arshavin e Piszczek. Talvez bastasse que uma dessa meia dúzia de pernas tocasse na redonda para que fosse marcado, contra ou a favor, o primeiro gol no jogo...

Kerzhakov era insistente: aos vinte e sete, avançou rapidamente pela esquerda e soltou chute que saiu por cima. E foi pela esquerda - mas não com Kerzhakov - que sairia o gol da Rússia. Aos vinte e sete minutos, os russos tinham uma falta para bater, sofrida por Zhirkov em lance onde preparava a ultrapassagem sobre Wasilewski. Arshavin colocou caprichosamente na área e quem foi ao encontra da bola quase na pequena área foi Dzagoev, que no momento da cobrança da falta estava na meia-lua. Uma estratégia interessante para se desvencilhar da marcação adversária (Piszczek não conseguiu acompanhar o atacante russo), premiada com um gol de ombro do goleador isolado na Euro 2012 - era o terceiro gol de Dzagoev no torneio.

A Polônia chegou ao ataque na busca pelo empate com Błaszczykowski, que chutou forte mas nem por isso conseguiu superar Malafeev, que rebateu aos trinta e oito minutos. Os russos não diminuíram a intensidade de seu jogo e seguiram criando chances. Aos quarenta e dois, Kerzhakov tabelou pela direita, cruzou rasteiro, mas foi feito o corte antes que a bola chegasse em Dzagoev. Ainda aos quarenta e dois, em conseqüência ao lance anterior, Arshavin cobrou escanteio pelo lado direito mandando aberto, na esquerda, no que caracteriza uma jogada ensaiada. Bem ensaiada: Zhirkov usufruiu de liberdade e pegou de primeira, mandando à direita da meta um chute difícil de direcionar ao gol, mas plausível enquanto tentativa. Aos quarenta e quatro, um levantamento da esquerda chegou até Dzagoev, que sofreu falta mas Wolfgang Stark resolveu inverter a infração e penalizar os russos no lance, apitando a favor dos poloneses.

O jogo foi para o intervalo com superioridade flagrante dos russos, que detinham 58% do tempo de posse de bola. Além disso, mostravam mais eficiência no uso dela, acertando 77% dos 254 passes trocados diante de 67% nos 156 toques poloneses. Dzagoev, goleador na partida e no torneio, era o atleta russo que mais havia corrido: 5,91 quilômetros. E estamos falando aqui de um atacante!

Com tudo isso e a lembrança de que a Polônia caiu de rendimento no segundo tempo na partida de estréia, parecia que o retorno dos vestiários seria para confirmar a vitória da Rússia. Mas futebol não é uma ciência exata e os poloneses cresceram na partida de modo tal modo que qualquer resultado não seria surpreendente. Já aos quarenta segundos, Lewandowski recebeu na esquerda, perdeu o ângulo e Malafeev bloqueou. Na seqüência, a Polônia teve dois escanteios consecutivos e no últimos deles Perquis subiu bem, cabeceando por cima. Aos quatro, Zhirkov escapou da marcação pela esquerda, chegou na linha-de-fundo, tocou atrás, mas a bola foi recuperada pela defesa polonesa. No minuto seguinte, Obraniak levantou a partir do lado direito e Malafeev mergulhou para impedir que a bola chegasse em Lewandowski, afastando a redonda dali. Aos seis, Arshavin era seguido por Piszczek e improvisou, chutando de bico e mandando à esquerda.

O jogo era lá e cá, e na marca de onze minutos o futebol mostrou o quanto é um esporte especial, onde num intervalo de alguns segundos, tudo pode mudar. Vamos ao(s) lance(s). A Rússia partiu em contra-ataque puxado por Arshavin pelo flanco esquerdo, atacando com quatro para três defensores oponentes. Arshavin viu um companheiro livre à sua direita e fez o passe, que acabou interceptado providencialmente por Boenisch. Se a bola passasse, provavelmente a Rússia marcaria dois a zero no placar. Mas nascia naquela interceptação um contra-ataque no qual Błaszczykowski recebeu de Obraniak, cortou para dentro fazendo a ultrapassagem na marcação e soltou um chute fantástico, com curva e velocidade estonteantes, estufando a rede no quadrante seis. O dois a zero potencial se transformou num um a um factual, deixando tudo igual no placar em Varsóvia.

A partida prosseguiu equilibrada, com duas seleções mostrando afinidade com a bola e nem tanta entre os jogadores de uniformes diferentes. Aos catorze, Denisov e Lewandowski se desentenderam e receberam cartão amarelo. Aos vinte e dois, Dzagoev tabelou e chutou cruzado, com Tyton conseguindo defender sem dar rebote e se mostrando um substituto e tanto para Szczesny, titular na posição que cumpria suspensão pela expulsão na estréia. No minuto posterior, Błaszczykowski chutou pelo lado direito e Malafeev rebateu. Naquele mesmo minuto, aos vinte e três, Kerzhakov partia em direção ao gol até cair com o último homem às suas costas. Lance de falta e expulsão, que Stark mandou seguir. Foi a última participação de Kerzhakov, que aos vinte e quatro minutos dava lugar a Roman Pavlyuchenko, em substituição que o holandês Dick Advocaat fizera diante dos tchecos e que deu resultado. Aos vinte e sete quem mexeu foi Franciszek Smuda: saiu Dudka, entrou Mierzejewski. E um minuto depois de entrar, Mierzejewski descolaria chute de fora, que saiu à esquerda. Aos vinte e nove, o alemão Wolfgang Stark voltou a aprontar contra os russos: Dzagoev sofreu falta por trás quando tinha a bola, sendo derrubado. Indignado com a não-marcação, protestou e recebeu cartão amarelo.

Aos trinta e um minutos, Boenisch, que muito ajudava na defesa, deu as caras no ataque e protagonizou bonito lance, quando recebeu na esquerda, passou por dois e chutou por cima. No minuto seguinte, o incansável Zhirkov partia em velocidade até ser parado em choque de joelhos com Polanski. Pior para o polonês, que ficou caído no gramado e recebeu cartão amarelo pela infração. Aos trinta e quatro, Advocaat trocou Dzagoev por Izmailov. Com trinta e oito, Stark ignorou pé alto em Perquis - tá vendo como é séria essa história sobre colocar alemão pra apitar duelo entre poloneses e russos? Aos trinta e nove, Polanski, que gesticulara pedindo para ser substituído após aquele choque de joelho com Zhirkov, deixou o campo e deu lugar a Matuszczyk. Aos quarenta e cinco, Arshavin avançou pela esquerda e passou para Zhirkov, que chegou mais uma vez na linha final e tocou atrás, com a defesa polonesa conseguindo recuperar a posse de bola, em lance que fez lembrar um ocorrido aos quatro minutos também no segundo tempo. Stark indicou três minutos como acréscimo e aos quarenta e sete Smuda trocou Obraniak por Brozek. O que mais chamou atenção foi a forma como Obraniak deixou o gramado, explicitando irritação. Talvez estivesse entusiasmado em cobrar a falta que a Polônia tinha para bater. O fato é que sua reação pareceu um tanto desproporcional. E o jogo terminou mesmo empatado.

Outro resultado

Terça-feira (Grupo A)
Grécia 1a2 República Tcheca

Situação no grupo

Na última rodada, a Polônia (2 pontos) enfrenta a República Tcheca (3) enquanto a Rússia (4) tem pela frente a Grécia (1). Sendo simples e direto: quem vencer, se classifica para a fase quartas-de-final (no caso da Grécia, há que se considerar o saldo de gols, questão que se resolve com uma vitória por três gols). Os russos têm a vantagem de garantirem a classificação com um empate sem depender de outro resultado.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Com Show De Arshavin, Rússia Estréia Goleando República Tcheca

Guiada por uma atuação espetacular de Andrey Arshavin, a Rússia sapecou uma goleada de 4a1 pra cima da República Tcheca, assumindo a liderança no grupo A da Euro 2012. Apesar do capitão e camisa 10 ter sido o protagonista na partida, há que se exaltar também o poderoso jogo coletivo da equipe comandada pelo holandês Dick Advocaat: os russos sabiam exatamente o que fazer com a bola nos pés, com destaque para os contra-ataques fulminantes, fazendo lembrar a Alemanha de Joachim Low na Copa do Mundo 2010.

O jogo (confira como foi a transmissão da partida em tempo real)

Dizer que a intensidade da partida podia ser flagrada desde pouco depois de a bola ter começado a rolar no estádio Miejski não é nenhum exagero. Logo aos dois segundos, tivemos a primeira falta cometida no jogo. Aos vinte e três segundos, a segunda infração. Mas engana-se quem pensa que estamos aqui falando de um confronto faltoso. Muito pelo contrário: russos e tchecos fizeram uma partida limpa, onde o árbitro inglês Howard Webb sequer precisou tirar os cartões do bolso.

Nos primeiros minutos, a República Tcheca até conseguiu marcar presença no campo de ataque, mas sem necessariamente estabelecer uma pressão pra cima da defesa adversária. A primeira grande chance deu-se na primeira boa chegada da Rússia: aos treze minutos, Zhirkov recebeu ótimo passe de Arshavin pelo lado esquerdo, cruzou rasteiro e a finalização saiu à esquerda. Era o anúncio de que o gol logo sairia, como saiu no minuto seguinte: em contra-ataque maravilhoso, Zyryanov cruzou da direita com precisão, Kerzhakov cabeceou no contrapé de Petr Cech carimbando a trave esquerda e, no rebote, Dzagoev encheu o pé para estufar a rede. 1a0 Rússia.

E para deleite dos amantes do futebol arte, muitos outros contra-ataques belíssimos aconteceriam ao longo da partida. Aos dezoito minutos, ele foi iniciado por Arshavin no campo de defesa e terminou com chute de Dzagoev, que passou à esquerda, quase resultando no segundo gol. Dessa forma, a Rússia postou-se em campo de modo a valorizar a saída em contra-ataque, dando campo aos tchecos. É claro que essa história de dar campo ao oponente é um negócio perigoso, e de fato a República Tcheca quase chegou ao empate aos vinte e um minutos: Pilar cruzou da esquerda buscando Rezek, mas Zhirkov conseguiu cortar em escanteio. Dois minutos depois, os russos responderam marcando o segundo gol: em nova saída rápida para o ataque, Arshavin deu passe magistral para deixar Shirokov na cara de Cech, e o camisa meia dúzia não desperdiçou, dando sutil toque para tirar do goleirão. 2a0 Rússia.

Aos vinte e seis minutos, houve um lance de pênalti, não marcado por Webb: Plasil fez a carga sobre Arshavin dentro da área, mas o árbitro inglês entendeu como lance normal. Arshavin estava inspirado e, aos vinte e oito, fez jogada individual pela direita, cruzou à meia-altura, mas ninguém chegou na bola para concluir o lance.

A República Tcheca tentava reencontrar seu jogo e até chegou a ter alguns momentos de pressão pra cima da defesa russa, mas o goleiro Malafeev mostrava segurança nas intervenções que lhe cabiam. E se os tchecos tinham dificuldade para criar as ocasiões de gol, os russos iam para o ataque quase sempre de maneira avassaladora: aos trinta e dois minutos, Zyryanov tocou rasteiro e Kerzhakov finalizou mandando por cima da barra horizontal. Com ritmo menos acelerado que o visto até então, o jogo rumou para o intervalo com a manutenção do placar de 2a0. Então, Michal Bílek tratou de mexer na equipe: trocou Rezek por Hubschman e conseguiu transformar o jeito de jogar da equipe. Com essa mudança de um atacante por um volante, Bílek deu maior liberdade para Plasil, Jiracek, Rosický e Pilar enconstarem em Baros. E o dedo do treinador teve resultado prático aos seis minutos: Plasil deu passe sensacional para Pilar, que driblou o goleiro Malafeev e mandou para a rede, marcando o primeiro gol da República Tcheca.

Os tchecos realmente melhoraram na partida, mostrando maior organização com e sem a bola. Só que os comandados de Dick Advocaat foram encontrando um jeito de jogar para reestabelecer o domínio na partida e a Rússia foi crescendo novamente no jogo. Aos dezessete, Zyryanov recebeu de Arshavin e chutou por cima. Aos dezoito, Arshavin fez nova grande jogada ao carregar a bola e entregá-la para Kerzhakov, que chutou cruzado e para fora, à direita. Só dava Rússia e só dava Arshavin: no minuto seguinte, o camisa 10 tocou na passagem de Zhirkov, que cruzou e a defesa tcheca conseguiu interceptar. Com vinte e dois minutos, Kerzhakov recebeu pela direita e voltou a falhar no remate, chutando com força de mais e direção de menos. Aos vinte e quatro, nova investida russa terminou em conslusão errada de Kerzhakov, dessa vez chutando torto e mandando à direita. Advocaat tratou de tomar uma atitude e trocou Kerzhakov por Pavlyuchenko, mexida que ajudaria a Rússia a transformar a vitória em goleada.

Aos trinta e três minutos, uma boa troca de passes da Rússia chegou até Pavlyuchenko, que enfiou sob medida para Dzagoev e o camisa dezessete tratou de marcar seu segundo gol no jogo, isolando-se na lista de goleadores na Eurocopa 2012. 3a1 Rússia. E, três minutos depois, na marca de trinta e seis no segundo tempo, saiu o gol mais bonito na partida e, desde já, candidato a gol mais bonito no torneio: Pavlyuchenko recebeu pela esquerda, limpou o lance diante dos marcadores que o acompanhavam e tratou de chutar com precisão. Cech resvalou na bola, mas sem conseguir evitar que ela entrasse no gol, indo parar no ângulo direito.

Nos acréscimos, a República Tcheca faria lindo gol para diminuir a diferença no placar, mas foi flagrado impedimento após bela troca de passes que terminou na rede. Mais do que o expressivo resultado de 4a1, diria que a Rússia mostrou um futebol que permite a essa seleção sonhar com uma Eurocopa tão boa - ou quem sabe até melhor - que aquela espetacular vista em 2008, quando também foram liderados por um Arshavin estupendo. Os tchecos precisam levantar a cabeça e não desanimar com o revés na estréia: o time tem qualidades, que apareceram mais depois que Pilar passou a ser melhor utilizado na partida.

Outro resultado
Polônia 1a1 Grécia

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Eurocopa 2012: Pitacos Para O Grupo A

Antes de mais nada, que fique bem claro que a pessoa que digita esse texto tem profundo apreço pela Eurocopa. Apreço tão grande que é particularmente empolgante falar a respeito desse torneio. Na edição passada, as performances de Espanha, Rússia e Holanda foram altamente benéficas para o futebol mundial no sentido de que essas três seleções apresentaram um jogo ofensivo, envolvente, audacioso. E se deram bem: a Holanda caiu para a Rússia nas quartas (após fazer uma primeira fase sensacional num grupo com Itália, França e Romênia), a Rússia caiu para a Espanha na semi, e a Fúria sagrou-se campeã continental com totais méritos. Isso sem falar na vice-campeã Alemanha, do revolucionário Joachim Low, que transformou uma seleção pragmática em algum esporte parecido com futebol numa equipe encantadora, haja visto a Copa do Mundo 2010.

Agora é hora de conhecer os quatro grupos, cada um deles com quatro selecionados. E, é claro, pitaquear. Por mais perigoso que isso possa ser.

Grupo A: Polônia, Grécia, Rússia e República Tcheca.

Aí está uma chave que não conta com nenhuma potência do futebol europeu na atualidade. Por esse motivo, tudo leva a crer que poloneses, gregos, russos e tchecos disputarão as duas vagas até os últimos minutos da última rodada.

A vantagem polonesa reside no fator campo: por ser um dos países-sede, a seleção comandada por Franciszek Smuda deverá contar com a presença maciça de seus compatriotas nas arquibancadas, o que pode ser um fator positivo para estimular essa limitada seleção a superar seus primeiros oponentes.

O goleiro Wojciech Szczesny, em franca ascensão e hoje titular incontestável no Arsenal, é um dos pontos fortes da equipe. Jakub Blaszczykowski e Robert Lewandowski, jogadores de meio-campo e ataque, respectivamente, também têm qualidade e podem ajudar o time na busca por uma vaga na fase eliminatória. O adversário teoricamente mais fraco será justamente o de estréia, isto é, para se tornar plausível a classificação polonesa, parece fundamental que o time da casa vença os gregos no dia oito. Pitaco: a Polônia não se classifica.

A Grécia, surpreendente campeã na edição 2004, traz para a Euro2012 um selecionado com número considerável de jogadores presentes na última Copa do Mundo. E isso pode ser um diferencial benéfico: a experiência internacional. Os 35 anos do meio-campista Giorgios Karagounis deverão ditar o rimto da meiuca grega, que conta com jogadores como Gekas, Samaras e Salpingidis para colocar a bola na rede. Defensivamente, será um desafio brutal exigir que o português Fernando Costa consiga a mesma consistência alcançada por Otto Rehaggel. Tão brutal que é melhor nem contar com isso. Pitaco: a Grécia não se classifica.

Os russos, que fizeram bonito na edição 2008 quanto comandados pelo holandês Guus Hiddink, voltam para a Eurocopa com outro treinador daquele país: Dick Advocaat. Nomes como os de Andrey Arshavin (sensacional na Euro2008), Marat Izmailov e Yuri Zhirkov dão uma qualidade respeitável ao setor de meio-campo. E, lá na frente, se Roman Pavlyuchenko estiver inspirado, há que se considerar a Rússia como um adversário dos mais perigosos. Pitaco: a Rússia avança de fase.

Fechando o grupo A, temos a República Tcheca, do grande goleiro Petr Cech e do hábil meia Tomás Rosický. Tudo bem, os tchecos não têm nessa geração jogadores como Galasek, Poborsky e Nedved, mas o treinador Michal Bílek pode contar com dois elementos interessantes no ataque: o ótimo Milan Baros e o jovem Tomas Necid. Resta saber se essa espinha-dorsal é sólida o suficiente para conduzir os tchecos às fases seguintes. Pitaco: a República Tcheca avança de fase.

Na próxima postagem, abordaremos o grupo B.