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domingo, 6 de fevereiro de 2022

Senegal Pára No Goleiro Gabal Mas, Nos Pênaltis E Com As Bênçãos De Mané, Conquista Título Continental

Pela primeira vez na história, Senegal faturou o título na Copa Africana de Nações. E a conquista veio da forma mais dramática possível, com vitória somente na disputa por penalidades diante do Egito, maior vencedor do torneio, com sete troféus continentais.

O jogo na capital camaronesa Yaoundé começou eletrizante e deu pinta de que já poderia ter o placar inaugurado logo no início, quando foi marcado pênalti a favor de Senegal com menos de cinco minutos no relógio. Mas a partir daquele momento, já começaria a brilhar a estrela daquele que veio a ser o melhor jogador em campo: o goleiro egípcio Mohamed Abou Gabal. Após Mohamed Salah cochichar alguma coisa antes da cobrança de Sadio Mané (lembrando que Salah e Mané são companheiros de clube, o Liverpool), Gabal ainda viu Mané apontar - talvez sarcasticamente -  para o lado esquerdo de sua meta. Gabal saltou para a direita e interveio brilhantemente ao evitar que o chute forte do camisa dez senegalês estufasse a rede, desviando para escanteio. 

Ainda no primeiro tempo, Abou Gabal voltou a ser protagonista ao esbanjar precisão no tempo de bola e fazer uma intervenção praticamente colada às chuteiras do adversário. As chances claras de gol eram escassas, mas as principais delas eram organizadas pelos senegaleses. Só que o desfecho dos lances era quase sempre o mesmo: defesa de Gabal para salvar os egípcios.

Na prorrogação, o Egito até teve uma boa chance com Mahmoud Trézéguet, mas quem brilhou dessa vez foi o outro goleiro de camisa dezesseis, Édouard Mendy, que espalmou por cima do travessão o remate forte que veio em sua direção.

O destino era de fato e de direito a disputa por pênaltis. E nela, acabaram desperdiçando Mohamed Abdelmonem (carimbando a trave direita), Bouna Sarr (que parou na muralha denominada Gabal) e Mohanad Lasheen, que chutou mal e facilitou a vida de Mendy.

Melhor nome não havia para sacramentar a inédita conquista senegalesa: Mané. Ele chutou no canto direito, Gabal novamente acertou o lado (somente uma vez ele escolheu o canto oposto ao da cobrança) e o resto foi festa de um país que pela primeira vez sente o sabor do título na Copa Africana de Nações.

Detalhe: já no mês de março, Egito e Senegal voltam a se enfrentar em um confronto de ida e volta valendo vaga na Copa do Mundo de 2022.

Senegaleses comemoram: após zero a zero no tempo regulamentar e na prorrogação, equipe triunfou por quatro a dois nos pênaltis e garantiu o inédito título continental. Foto: Charly Triballeau / AFP.


sábado, 2 de dezembro de 2017

Análise Da Copa Do Mundo 2018 - Grupo A

Foi realizado ontem o sorteio da fase de grupos para a Copa do Mundo 2018. Vamos iniciar agora uma análise de cada chave.

Nessa postagem, esmiuçaremos o grupo A, aquele que tem a anfitriã do Mundial como cabeça-de-chave e que, para muitos, é o grupo menos forte tecnicamente. Para se ter uma idéia, a partida de abertura da Copa será entre as duas seleções de pior ranqueamento no torneio. Seria coincidência? Tomara que sim. Basta de maracutaias no mundo do futebol...

Grupo A: Rússia, Arábia Saudita, Egito e Uruguai.

Rússia

Única seleção classificada para a Copa sem precisar jogar as repescagens (habitual privilégio do país-sede), a Rússia, apesar de todas as suas limitações, caiu numa chave que lhe dá o direito e o dever de sonhar com uma vaga nas oitavas.

Rússia: 65ª colocada no ranqueamento da FIFA.
Com exceção do ataque, a seleção comandada por Stanislav Cherchesov possui jogadores com pelo menos trinta anos de idade em todos os setores do campo. E dois deles são nomes relevantes no cenário europeu: Igor Akinfeev (31), eterno goleiro do CSKA Moscou, e Yuri Zhirkov (34), jogador polivalente de vasta experiência, com direito a passagem pelo Chelsea de Roman Abramovich, e atualmente no Zenit Saint Petersburg.

A equipe conta em seu elenco com a presença do lateral brasileiro Mário Fernandes (27), que, antes de trocar o Grêmio pelo CSKA Moscou, recusou uma convocação para a seleção brasileira de Mano Menezes.

Mas é nos pés do ambidestro Alan Dzagoev (27) que residem as maiores esperanças da torcida russa. O meio-campista do CSKA Moscou, parceiro de longa data de Akinfeev, foi nomeado para a equipe do Campeonato Europeu Sub-21 de 2013, sendo premiado ao lado de nomes como o alemão Holtby, o italiano Verratti e os espanhóis Illarramendi, Isco, Koke e Thiago Alcântara.

É fato que trata-se de uma Rússia carente de um articulador mais hábil - Andrey Arshavin seria um nome encaixadíssimo para a função, mas questões diversas o afastaram do seu potencial. O ataque também não tem um personagem que imponha maior respeito às defesas adversárias. Mas o fator casa, a experiência de alguns jogadores e a "sorte" de cair numa chave acessível permitem vislumbrar uma classificação. Classificação essa que passa necessariamente por um resultado positivo na estréia diante da seleção saudita, adversária mais frágil do grupo. Na segunda rodada, o confronto será diante do sólido jogo coletivo egípcio, o que provavelmente trará complicações à seleção russa. E o fechamento é com o Uruguai, em tese a maior força da chave - seria bom não depender de uma vitória nesse jogo, a não ser que os cascudos sul-americanos já entrassem em campo com a vaga assegurada.

Em entrevista após o sorteio, Vicente del Bosque, técnico campeão do mundo com a Espanha em 2010, disse sobre a possibilidade de os espanhóis enfrentarem os russos nas oitavas: "a Rússia joga como anfitriã e isso imprime caráter".

Arábia Saudita

Classificada ao Mundial após conquistar o segundo lugar no hexagonal final pelas Eliminatórias Asiáticas (terminando atrás somente do Japão e a frente de Austrália, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Tailândia), a Arábia Saudita é uma incógnita. Não apenas para mim, que desconheço o futebol apresentado pela seleção, mas também para os adversários, que terão de estudar uma equipe cujos jogadores atuam basicamente em clubes longe dos holofotes hegemônicos. E as incertezas estão provavelmente a pairar sobre os próprios sauditas: afinal, o que esperar de uma seleção que era treinada pelo romeno Aurelian Cosmin Olăroiu na Copa da Ásia, passou aos cuidados do holandês Bert van Marwijk nas Eliminatórias Asiáticas e hoje está sob comando do argentino Juan Antonio Pizzi?

Arábia Saudita: 63ª colocada no ranqueamento da FIFA.
Particularmente, me causa surpresa a não manutenção do vice-campeão mundial de 2010 no comando tático da equipe saudita. Mas se foi essa a escolha da federação de futebol do país, vida que segue, tanto para Bert quanto para a seleção.

Uma coisa é certa: Pizzi tem como local de nascimento a chave para a Arábia ir adiante: Santa Fé. Ser movido pelo verde da esperança que colore a bandeira da nação pode ser o ingrediente determinante para que os sauditas surpreendam o grupo e o mundo com a classificação. Pizzi, apesar de falhar na empreitada de levar o Chile à Copa, assina a vitoriosa campanha na Copa América Centenário de 2016, com direito a um memorável 7a0 sobre o México de Juan Carlos Osorio na fase quartas-de-final.

Nawaf Shaker Al Abid, meio-campista de 27 anos e multi-campeão com o Al Hilal, figura no topo da lista de goleadores nas Eliminatórias Asiáticas, tendo deixado sua marca cinco vezes (quatro delas cobrando pênaltis). E como nem só de gols e pênaltis convertidos vive o bom jogador de futebol, Nawaf é também o saudita com maior número de assistências naquele torneio, tendo servido por três vezes seus companheiros para chegarem às redes - mesmo número de passes para gol do também meio-campista Taisir Jabir Al Jassim, de 33 anos e igualmente acostumado aos títulos em sua trajetória no Al Ahli.

Agora, fica a expectativa da montagem do elenco que irá à Rússia enfrentar os anfitriões na partida inaugural. Será que Pizzi tentará preparar a equipe com uma formação ofensiva, a exemplo do que fizera com os chilenos? O jogo diante dos russos tem ares de fundamental, inclusive para se ter uma idéia do tamanho da responsabilidade pelo resultado na segunda rodada diante do Uruguai. Lembrando que o Uruguai vem há alguns anos mostrando dificuldades ao enfrentar sistemas fechados que se baseiam em contra-ataques de transição rápida. Na Copa de 2014, sucumbiu diante da Costa Rica mas conseguiu a classificação diante de ingleses e italianos. De lá para cá, a base e o comando tático da Celeste foram conservados. Potencial vantagem para a Arábia de Pizzi, que tem muito material para estudar este adversário. Se tudo der certo e for vontade de Alah, poderá haver bastante coisa em jogo na partida derradeira com o Egito.

Egito

Mohamed é um dos nomes de Maomé, Aquele considerado no islamismo como o mais recente e último profeta do Deus de Abraão. Mohamed também é o nome dos dois maiores jogadores da atual geração egípcia: Elneny, do Arsenal, e Salah, do Liverpool, ambos com 25 anos de idade e que desfilam seus talentos na maior liga de clubes do mundo, dando à seleção um salto de qualidade que a coloca como forte candidata à classificação no acessível grupo A.

Egito: 33ª colocada no ranqueamento da FIFA.
Mohamed Salah foi o único jogador nas Eliminatórias Africanas a marcar cinco gols na fase final, incluindo aí os dois da vitória por 2a1 sobre o Congo (desempatando a partida nos últimos minutos e classificando os egípcios para a Copa). Contribuiu ainda com duas assistências, tendo participado, portanto, de sete dos oito gols do Egito na derradeira etapa das eliminatórias.

Estará em maus lençóis a seleção que se preocupar exclusivamente com Salah. Antes da bola chegar até ele, costuma passar pelos pés de Mohamed Elneny, meio-campista com bom passe e grande visão de jogo. São dois trunfos do argentino Héctor Raúl Cúper, treinador que fez história ao conduzir o Valencia a duas finais de Liga dos Campeões da Europa.

E para quem acredita que é importante contar com alguém de vasta experiência dentro de campo, o Egito tem em seu goleiro alguém que cumpre com louvor esse papel: aos 44 anos de idade (fará o próximo aniversário em janeiro), Essam Kamal Tawfik El Hadary carrega em sua bagagem pessoal um vice-campeonato (2017, no Gabão) e três títulos da Copa Africana de Nações (2010, em Angola; 2008, em Gana; e 2006, dentro de casa).

Há alguns anos, talvez mesmo antes de El Hadary ser goleiro da seleção, pode-se dizer que o Egito trata-se de uma das seleções mais equilibradas de seu continente, marcada pelo sólido jogo coletivo. Hoje, tem incorporado a isso a presença de pelo menos dois atletas acima da média e capazes de decidir partidas. Não há qualquer razão para julgar que essa seleção vá à Rússia apenas fazer número: será um adversário duríssimo tanto para os uruguaios na estréia quanto para os anfitriões na segunda rodada. Já dá para cravar como candidata a surpreender no Mundial.

Uruguai

Aquela camisa que você respeita. Aquela seleção que a história não dá brecha para que a subestimem. Aquela mística que complexifica a discussão da modalidade esportiva denominada futebol. Afinal, com explicar alguns dos sucessos uruguaios a não ser por algum aspecto que transcende o mundo visível?

Uruguai: 21ª no ranqueamento da FIFA.
Luís Suárez e Edinson Cavani formam uma das principais duplas de ataque do futebol mundial. Cada um nas suas características, mas ambos sendo retratados naquele autêntico espírito uruguaio, de se dedicar a cada lance e acreditar em cada situação que a partida lhes oferte.

Sinto falta de um homem de ligação na equipe de Óscar Tabárez. Esse homem seria Lodeiro em 2010. Não funcionou. E, via improvisação, "surgiu" Forlán, que se sagrou um dos destaques na campanha semifinalista da Celeste. Em 2014, Rodríguez não conseguiu nem de longe o mesmo impacto no último terço de gramado. E, de lá para cá, não houve um único nome que tenha emplacado para a função. De Arrascaeta pode vir a ser esse elemento, mas precisará ser desenvolvido por Tabárez. Será, provavelmente, o maior desafio do treinador, que conseguiu montar uma defesa firme (Diego Godín lidera o setor com maestria) e conta com um ataque potencialmente avassalador.

O sorteio acabou sendo generoso com a seleção uruguaia ao ponto de ser inegável haver um favoritismo sul-americano na chave e uma responsabilidade em, pelo menos, obter a classificação às oitavas. Talvez a parte negativa disso tudo seja o fato de que egípcios, sauditas e russos poderão especular o jogo uruguaio e adotar uma postura de contra-ataques, situação com a qual o Uruguai vem apresentando maior dificuldade. Caso conquiste de fato a classificação, é o típico adversário que nem Portugal, nem Espanha, nem ninguém quer enfrentar em uma partida eliminatória. Afinal, é aquela camisa que você respeita...

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Seleção Brasileira Fecha 2011 Vencendo Mas Não Convencendo

Dois gols do atacante Jonas (ex-Grêmio e atualmente no espanhol Valência) deram ao Brasil uma vitória por 2a0 sobre o Egito, no último compromisso da seleção brasileira em 2011. A julgar pelas atuações dos conjuntos vistos em campo, tanto Bob Bradley (treinador estadunidense que dirigiu a seleção de seu país numa bela campanha na Copa do Mundo 2010) quanto Mano Menezes terão muito trabalho pela frente e desafios que, embora distintos, são parecidos em suas dificuldades: Bob tentará conduzir a limitada seleção egípcia ao Mundial de 2014, enquanto Mano buscará levar o país-sede ao hexacampeonato.

O jogo (confira como foi a transmissão da partida em tempo real)


A última vez que egípcios e brasileiros haviam se enfrentado foi no dia quinze de junho de dois mil e nove, pela fase de grupos na Copa das Confederações - naquela ocasião, a vitória dos comandados de Dunga deu-se de forma dramática, com o desempate em 4a3 ocorrendo nos últimos minutos de partida. Nesse catorze de novembro de dois mil e onze, quase dois anos depois, as coisas foram relativamente mais tranqüilas na partida amistosa. Não que o Brasil tenha sobrado em campo ou que tenha criado muitas oportunidades - pelo contrário, a capacidade criativa da equipe estava bastante aquém do que esperamos de uma seleção brasileira, mesmo uma seleção brasileira bastante descaracterizada (em respeito à reta final de Campeonato Brasileiro, nenhum jogador que atua na competição foi convocado, o que enfraqueceu a qualidade técnica do selecionado).

As finalizações de um lado e de outro ocorriam basicamente em remates de longa distância, notadamente em lances de bola parada. De toda forma, pelo menos duas jogadas interessantes ocorreram nos primeiros quarenta e cinco minutos. Aos trinta e dois, Hulk recebeu a bola no flanco esquerdo e, de calcanhar, passou para seu companheiro de Porto Alex Sandro, que escapou da marcação com uma meia-lua e chutou rasteiro, no canto direito, com o goleiro Ahmed Al Shenawy se esticando para realizar a defesa. Seis minutos mais tarde, placar aberto no estádio Ahmed Bin Ali: Hulk, desta vez pelo lado direito, chegou à linha-de-fundo e cruzou rasteiro para Jonas apenas completar para a rede.

Logo no primeiro minuto do segundo tempo, o Brasil ficou muito perto de chegar ao segundo gol em proporção similar do Egito perder um jogador por lesão. Mas, no lance em que Jonas driblou o goleiro, chutou e o defensor Ahmed Hegazi deu de carrinho chocando-se forte com a trave esquerda, nem a bola entrou e nem Hegazi teve maiores problemas, dando apenas um susto pela impactante imagem dele colidindo a canela ao poste.

De tanto ter faltas para bater e de tanto cobrá-las para longe do gol em tentativas diretas (sobretudo com Hulk, que o que sobra de potência no chute falta em pontaria), dessa vez aconteceu algo de diferente. Em vez de Hulk, quem estava na bola era o benfiquista e ex-Corinthians Bruno César, que cruzou na área, Fernandinho cabeceou, Ahmed Al Shenawy defendeu parcialmente e Jonas, mostrando presença de área e faro de goleador, conferiu no rebote. 2a0 para o Brasil.

Bob Bradley até procurava alternativas, mas as substituições realizadas pelo estadunidense pareciam desentrosar cada vez mais o time, que teve seis alterações de jogadores no decorrer do amistoso. Mano mexeu menos (quatro no total) e o suplente que melhor entrou em campo foi justamente o último brasileiro a pôr as chuteiras no gramado: o jovem atacante goiano Eduardo Pereira Rodrigues, o ex-cruzeirense Dudu, que aos dezenove anos atua no ucraniano Dynamo Kyiv. Ele entrou no lugar de Hulk aos trinta e oito e, aos quarenta, quase marcou: Dudu levantou a partir da esquerda, Kléber (que substituíra Jonas aos trinta e cinco) cabeceou mandando a bola na trave direita e, no rebote, Dudu cabeceou para grande defesa de Al Shenawy, naquela altura destaque absoluto da seleção egípcia. Aos quarenta e dois, Dudu foi novamente acionado pela esquerda, avançou e chutou rasteiro, com Shenawy intervindo mais uma vez e impedindo que a vitória tomasse contornos de goleada. Foi até melhor assim, porque pelo futebol apresentado ao longo do jogo e pelo rendimento no decorrer do ano, poderia soar enganoso encerrar 2011 com um placar mais dilatado.