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sábado, 2 de dezembro de 2017

Análise Da Copa Do Mundo 2018 - Grupo A

Foi realizado ontem o sorteio da fase de grupos para a Copa do Mundo 2018. Vamos iniciar agora uma análise de cada chave.

Nessa postagem, esmiuçaremos o grupo A, aquele que tem a anfitriã do Mundial como cabeça-de-chave e que, para muitos, é o grupo menos forte tecnicamente. Para se ter uma idéia, a partida de abertura da Copa será entre as duas seleções de pior ranqueamento no torneio. Seria coincidência? Tomara que sim. Basta de maracutaias no mundo do futebol...

Grupo A: Rússia, Arábia Saudita, Egito e Uruguai.

Rússia

Única seleção classificada para a Copa sem precisar jogar as repescagens (habitual privilégio do país-sede), a Rússia, apesar de todas as suas limitações, caiu numa chave que lhe dá o direito e o dever de sonhar com uma vaga nas oitavas.

Rússia: 65ª colocada no ranqueamento da FIFA.
Com exceção do ataque, a seleção comandada por Stanislav Cherchesov possui jogadores com pelo menos trinta anos de idade em todos os setores do campo. E dois deles são nomes relevantes no cenário europeu: Igor Akinfeev (31), eterno goleiro do CSKA Moscou, e Yuri Zhirkov (34), jogador polivalente de vasta experiência, com direito a passagem pelo Chelsea de Roman Abramovich, e atualmente no Zenit Saint Petersburg.

A equipe conta em seu elenco com a presença do lateral brasileiro Mário Fernandes (27), que, antes de trocar o Grêmio pelo CSKA Moscou, recusou uma convocação para a seleção brasileira de Mano Menezes.

Mas é nos pés do ambidestro Alan Dzagoev (27) que residem as maiores esperanças da torcida russa. O meio-campista do CSKA Moscou, parceiro de longa data de Akinfeev, foi nomeado para a equipe do Campeonato Europeu Sub-21 de 2013, sendo premiado ao lado de nomes como o alemão Holtby, o italiano Verratti e os espanhóis Illarramendi, Isco, Koke e Thiago Alcântara.

É fato que trata-se de uma Rússia carente de um articulador mais hábil - Andrey Arshavin seria um nome encaixadíssimo para a função, mas questões diversas o afastaram do seu potencial. O ataque também não tem um personagem que imponha maior respeito às defesas adversárias. Mas o fator casa, a experiência de alguns jogadores e a "sorte" de cair numa chave acessível permitem vislumbrar uma classificação. Classificação essa que passa necessariamente por um resultado positivo na estréia diante da seleção saudita, adversária mais frágil do grupo. Na segunda rodada, o confronto será diante do sólido jogo coletivo egípcio, o que provavelmente trará complicações à seleção russa. E o fechamento é com o Uruguai, em tese a maior força da chave - seria bom não depender de uma vitória nesse jogo, a não ser que os cascudos sul-americanos já entrassem em campo com a vaga assegurada.

Em entrevista após o sorteio, Vicente del Bosque, técnico campeão do mundo com a Espanha em 2010, disse sobre a possibilidade de os espanhóis enfrentarem os russos nas oitavas: "a Rússia joga como anfitriã e isso imprime caráter".

Arábia Saudita

Classificada ao Mundial após conquistar o segundo lugar no hexagonal final pelas Eliminatórias Asiáticas (terminando atrás somente do Japão e a frente de Austrália, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Tailândia), a Arábia Saudita é uma incógnita. Não apenas para mim, que desconheço o futebol apresentado pela seleção, mas também para os adversários, que terão de estudar uma equipe cujos jogadores atuam basicamente em clubes longe dos holofotes hegemônicos. E as incertezas estão provavelmente a pairar sobre os próprios sauditas: afinal, o que esperar de uma seleção que era treinada pelo romeno Aurelian Cosmin Olăroiu na Copa da Ásia, passou aos cuidados do holandês Bert van Marwijk nas Eliminatórias Asiáticas e hoje está sob comando do argentino Juan Antonio Pizzi?

Arábia Saudita: 63ª colocada no ranqueamento da FIFA.
Particularmente, me causa surpresa a não manutenção do vice-campeão mundial de 2010 no comando tático da equipe saudita. Mas se foi essa a escolha da federação de futebol do país, vida que segue, tanto para Bert quanto para a seleção.

Uma coisa é certa: Pizzi tem como local de nascimento a chave para a Arábia ir adiante: Santa Fé. Ser movido pelo verde da esperança que colore a bandeira da nação pode ser o ingrediente determinante para que os sauditas surpreendam o grupo e o mundo com a classificação. Pizzi, apesar de falhar na empreitada de levar o Chile à Copa, assina a vitoriosa campanha na Copa América Centenário de 2016, com direito a um memorável 7a0 sobre o México de Juan Carlos Osorio na fase quartas-de-final.

Nawaf Shaker Al Abid, meio-campista de 27 anos e multi-campeão com o Al Hilal, figura no topo da lista de goleadores nas Eliminatórias Asiáticas, tendo deixado sua marca cinco vezes (quatro delas cobrando pênaltis). E como nem só de gols e pênaltis convertidos vive o bom jogador de futebol, Nawaf é também o saudita com maior número de assistências naquele torneio, tendo servido por três vezes seus companheiros para chegarem às redes - mesmo número de passes para gol do também meio-campista Taisir Jabir Al Jassim, de 33 anos e igualmente acostumado aos títulos em sua trajetória no Al Ahli.

Agora, fica a expectativa da montagem do elenco que irá à Rússia enfrentar os anfitriões na partida inaugural. Será que Pizzi tentará preparar a equipe com uma formação ofensiva, a exemplo do que fizera com os chilenos? O jogo diante dos russos tem ares de fundamental, inclusive para se ter uma idéia do tamanho da responsabilidade pelo resultado na segunda rodada diante do Uruguai. Lembrando que o Uruguai vem há alguns anos mostrando dificuldades ao enfrentar sistemas fechados que se baseiam em contra-ataques de transição rápida. Na Copa de 2014, sucumbiu diante da Costa Rica mas conseguiu a classificação diante de ingleses e italianos. De lá para cá, a base e o comando tático da Celeste foram conservados. Potencial vantagem para a Arábia de Pizzi, que tem muito material para estudar este adversário. Se tudo der certo e for vontade de Alah, poderá haver bastante coisa em jogo na partida derradeira com o Egito.

Egito

Mohamed é um dos nomes de Maomé, Aquele considerado no islamismo como o mais recente e último profeta do Deus de Abraão. Mohamed também é o nome dos dois maiores jogadores da atual geração egípcia: Elneny, do Arsenal, e Salah, do Liverpool, ambos com 25 anos de idade e que desfilam seus talentos na maior liga de clubes do mundo, dando à seleção um salto de qualidade que a coloca como forte candidata à classificação no acessível grupo A.

Egito: 33ª colocada no ranqueamento da FIFA.
Mohamed Salah foi o único jogador nas Eliminatórias Africanas a marcar cinco gols na fase final, incluindo aí os dois da vitória por 2a1 sobre o Congo (desempatando a partida nos últimos minutos e classificando os egípcios para a Copa). Contribuiu ainda com duas assistências, tendo participado, portanto, de sete dos oito gols do Egito na derradeira etapa das eliminatórias.

Estará em maus lençóis a seleção que se preocupar exclusivamente com Salah. Antes da bola chegar até ele, costuma passar pelos pés de Mohamed Elneny, meio-campista com bom passe e grande visão de jogo. São dois trunfos do argentino Héctor Raúl Cúper, treinador que fez história ao conduzir o Valencia a duas finais de Liga dos Campeões da Europa.

E para quem acredita que é importante contar com alguém de vasta experiência dentro de campo, o Egito tem em seu goleiro alguém que cumpre com louvor esse papel: aos 44 anos de idade (fará o próximo aniversário em janeiro), Essam Kamal Tawfik El Hadary carrega em sua bagagem pessoal um vice-campeonato (2017, no Gabão) e três títulos da Copa Africana de Nações (2010, em Angola; 2008, em Gana; e 2006, dentro de casa).

Há alguns anos, talvez mesmo antes de El Hadary ser goleiro da seleção, pode-se dizer que o Egito trata-se de uma das seleções mais equilibradas de seu continente, marcada pelo sólido jogo coletivo. Hoje, tem incorporado a isso a presença de pelo menos dois atletas acima da média e capazes de decidir partidas. Não há qualquer razão para julgar que essa seleção vá à Rússia apenas fazer número: será um adversário duríssimo tanto para os uruguaios na estréia quanto para os anfitriões na segunda rodada. Já dá para cravar como candidata a surpreender no Mundial.

Uruguai

Aquela camisa que você respeita. Aquela seleção que a história não dá brecha para que a subestimem. Aquela mística que complexifica a discussão da modalidade esportiva denominada futebol. Afinal, com explicar alguns dos sucessos uruguaios a não ser por algum aspecto que transcende o mundo visível?

Uruguai: 21ª no ranqueamento da FIFA.
Luís Suárez e Edinson Cavani formam uma das principais duplas de ataque do futebol mundial. Cada um nas suas características, mas ambos sendo retratados naquele autêntico espírito uruguaio, de se dedicar a cada lance e acreditar em cada situação que a partida lhes oferte.

Sinto falta de um homem de ligação na equipe de Óscar Tabárez. Esse homem seria Lodeiro em 2010. Não funcionou. E, via improvisação, "surgiu" Forlán, que se sagrou um dos destaques na campanha semifinalista da Celeste. Em 2014, Rodríguez não conseguiu nem de longe o mesmo impacto no último terço de gramado. E, de lá para cá, não houve um único nome que tenha emplacado para a função. De Arrascaeta pode vir a ser esse elemento, mas precisará ser desenvolvido por Tabárez. Será, provavelmente, o maior desafio do treinador, que conseguiu montar uma defesa firme (Diego Godín lidera o setor com maestria) e conta com um ataque potencialmente avassalador.

O sorteio acabou sendo generoso com a seleção uruguaia ao ponto de ser inegável haver um favoritismo sul-americano na chave e uma responsabilidade em, pelo menos, obter a classificação às oitavas. Talvez a parte negativa disso tudo seja o fato de que egípcios, sauditas e russos poderão especular o jogo uruguaio e adotar uma postura de contra-ataques, situação com a qual o Uruguai vem apresentando maior dificuldade. Caso conquiste de fato a classificação, é o típico adversário que nem Portugal, nem Espanha, nem ninguém quer enfrentar em uma partida eliminatória. Afinal, é aquela camisa que você respeita...

segunda-feira, 29 de junho de 2015

A Experiência De Assistir Chile E Uruguai Em Santiago

Numa experiência única, fui até o estádio Nacional de Santiago assistir a partida entre Chile e Uruguai, disputada no último dia 24 de junho (quarta-feira). Uma partida que teve a seleção chilena ditando o ritmo dos acontecimentos, mas não raramente esbarrando na barreira defensiva uruguaia. A Celeste, montada basicamente para (sobre)viver à base de contra-ataques, começou a sucumbir após a expulsão de Cavani, no segundo tempo (o jogador do PSG revidou provocação de Jara e recebeu seu segundo cartão amarelo na partida).

Mesmo sem repetir seus melhores momentos na primeira fase (longe disso), o Chile conseguiu a vitória com um gol de Isla e uma total falta de inspiração e proposta de jogo por parte do tradicional adversário. À parte a péssima arbitragem de Sandro Meira Ricci, a apresentação irregular dos comandados de Jorge Sampaoli e a postura covarde do time dirigido por Oscar Tabárez, foi sensacional viver o clima da partida que colocou os anfitriões na semifinal da Copa América 2015.

Se imagens descrevem melhor que palavras, lá vão algumas delas (todas exclusivas). Parabéns ao Chile pela vitória e aos chilenos pela festa. Obrigado, meu Deus, por me proporcionar essa oportunidade. Sempre na ótima companhia de mamãe - frio nenhum pode deter essa dupla. Viva o futebol!






quarta-feira, 17 de junho de 2015

Agüero Decide No Clássico Entre Argentina E Uruguai

Foto: Andre Penner / AP Photo.
Argentina e Uruguai, futebol, Copa América.

Com essas poucas palavras já é possível imaginar o que foi o jogo realizado no estádio La Portada de La Serena, válido pela segunda rodada no grupo B. Era o reencontro nesse torneio continental entre essas seleções - na campanha de 2011, o Uruguai eliminou a anfitriã Argentina nas quartas-de-final, nos pênaltis. Lembro-me com carinho da ocasião, pois estava desembarcando no aeroporto de Ezeiza quando a bola rolava naquela partida eliminatória.

Retornando a 2015, o equilíbrio ditou o ritmo na maior parte do tempo, tornando o empate um resultado natural para essa partida. Só que Agüero conseguiu ir à rede após cruzamento de Zabaleta, marcando o gol solitário do jogo aos dez minutos no segundo tempo. Diferentemente do jogo de estréia, a Argentina não conseguiu criar tantas situações que envolvessem o adversário. E talvez o maior mérito desse cenário seja uruguaio, pois os comandados de Tabárez conseguiram encaixar a marcação de maneira a conter (na medida do possível) a efetiva participação de Messi. Do contrário, teríamos provavelmente um placar mais amplo. Outro mérito uruguaio foi o de ter conseguido produzir mais do que na pífia partida de estréia. Mas os desperdícios nas finalizações (talvez com Suárez o placar fosse outro) custaram pelo menos um ponto para a Celeste. Na melhor das chances, Rolan isolou o rebote do goleiro Romero.

Não sei se é intenção de Martino manter a mesma formação para a partida derradeira. Acredito que seja interessante testar a equipe com Tévez fazendo dupla com Agüero ou mesmo Higuaín, deixando Di María como opção para o decorrer dos acontecimentos. Lavezzi também pode ser uma opção para jogar pelos flancos, impondo maior força física pelas beiradas de campo. Enfim, acredito que seja válido experimentar essas situações tanto para procurar variações de jogo quanto para "se adaptar" a um adversário que conta com uma defesa fisicamente mais potente, como é o caso da Jamaica.

Já o Uruguai é mais carente de elementos para reposição. De toda forma, as entradas de Sánchez e Hernández melhoraram a equipe no segundo tempo e talvez sejam boas escolhas para iniciar entre os onze diante dos paraguaios. A habilidade de De Arrascaeta também surge como alternativa na criação de jogadas de ataque, notadamente em se tratando de um time que tem nos lances de bola parada e de chuveirinho suas maiores aptidões - é preciso encontrar outras soluções e o jogo com o Paraguai pode definir a classificação ou a eliminação do atual campeão.

domingo, 14 de junho de 2015

Mesmo Com Performance Fraca, Uruguai Vence A Jamaica

Foto: Getty.
Fosse Uruguai e Jamaica um jogo qualquer, onde o espectador não soubesse quem é o Uruguai e quem é a Jamaica, ficaria praticamente impossível adivinhar de que lado estava o atual campeão na Copa América e de que lado estava o estreante no torneio, debutando graças a um convite para participar na competição. Tudo porque o que se viu no gramado de Antofagasta foi uma partida onde a tradicional seleção bicampeã mundial simplesmente não conseguiu se impôr em relação ao país que tem muito maior tradição nas pistas de atletismo do que nos campos de futebol.

Ilustres leitores, não quero aqui exigir que o Uruguai goleie a Jamaica sempre que enfrentá-la, nada disso. Reconheço que o futebol é um esporte altamente competitivo e surpreendente (o que o torna ainda mais apaixonante) - a questão é como se propôr a jogar. Mesmo dando um crédito por se tratar de uma estréia, é inaceitável que os uruguaios apresentem futebol tão precário com a bola nos pés. Salvo alguns lances de Lodeiro e uma ou outra jogada melhor trabalhada, o saldo da equipe comandada por Óscar Tabárez ficou abaixo do mínimo que se espera da Celeste.

Já a Jamaica, já marca uma coisa boa no torneio: não veio para a América do Sul por turismo. Perdeu por 1a0 uma partida onde teve chances claras de pelo menos empatar. Os cabeceios de Barnes e Brown no segundo tempo poderiam inclusive dar uma vitória de virada para a seleção da América Central, fazendo lembrar uma certa Costa Rica, que estreou na Copa do Mundo 2014 vencendo um tal de Uruguai, também de virada (nesse 14.06.2015 completa um ano daquele jogão).

Enfim, manteve-se o placar de 1a0. Aí você pergunta ao blogueiro: "mas como foi esse gol uruguaio que acabou valendo três pontos?". O gol foi marcado por Cristian Rodríguez, aos seis minutos no segundo tempo, em lance de bola parada que foi cobrada por Lodeiro e ajeitada por Giménez. Com um "detalhe": é muito difícil identificar qualquer infração no lance em que a falta foi assinalada. Ou seja: não bastando as chances de a Jamaica empatar ou virar a partida, o próprio gol do Uruguai é pra lá de contestável.

Na próxima rodada, teremos um Uruguai e Argentina. Espero ver alguma evolução na seleção uruguaia por três motivos. O primeiro, porque a seleção tem qualidade técnica para render mais. O segundo, porque o estilo de jogo argentino favorece o estilo uruguaio de atuar "em resposta" à iniciativa tomada pelo adversário. E o terceiro, porque sou otimista na prática do bom futebol. De toda forma, que falta faz o Luis Suárez...

Também na próxima rodada, a Jamaica tem pela frente o Paraguai. Entrando em campo ciente da necessidade de pelo menos pontuar, imagino que os comandados do alemão Winfried Schäfer possam aprontar alguma. Isso, claro, se a arbitragem autorizar.

domingo, 29 de junho de 2014

Tradição É O Talento: James Desequilibra E Colômbia Elimina Uruguai

Agraciado pela possibilidade de assistir Colômbia e Uruguai de dentro do estádio, trago a vocês algumas afirmações sobre essa grande partida válida pela fase oitavas-de-final na Copa do Mundo 2014.

[1] Ficou muito clara a superioridade técnica e tática dos colombianos, que foram merecedores da vitória.

[2] O resultado de 2a0 teve contribuições decisivas de James Rodríguez (autor de dois gols, sendo o primeiro uma obra-de-arte) e de Ospina (que realizou defesas magníficas para manter o zero uruguaio).

[3] Lamentável o clima hostil nas arquibancadas, promovidos majoritariamente por brasileiros que provocavam uruguaios de uma forma que ia longe do que se espera do espírito esportivo. Há muita coisa saudável na relação entre torcedores de diferentes clubes e seleções, mas o xingamento gratuito jamais se justifica.

[4] De parabéns a organização para acesso às catracas e arquibancadas. O percurso fluiu tão rapidamente que chegou a ser estranho, sobretudo para alguém que encontrou enormes dificuldades para ver a fila andar em jogo na fase de grupos.

[5] José Pekerman está de parabéns pelo que vem desempenhando como técnico dessa talentosa seleção da Colômbia. Seu time funciona coletivamente e consegue fazer sobressair as diferentes qualidades individuais de seus jogadores. É como se o goleador Falcao García, cortado por lesão, simplesmente não fizesse falta numa engrenagem que vai do goleiro ao centroavante, titular e reserva.

[6] Oscar Tabárez fez o que pôde com o Uruguai, e é fato que a seleção sentiu a ausência de Luis Suárez, suspenso por agressão na última rodada na fase de grupos. Tentou uma solução através de Diego Forlán, que rendeu muito abaixo do que os uruguaios ficaram (mal) acostumados na Copa passada. Teve coragem para colocar Stuani, Ramírez e Hernández no segundo tempo, mas as jogadas ofensivas da equipe foram fruto muito mais de raça e entrega do que qualquer outra coisa. Os uruguaios ainda tiveram a falta de sorte de encontrarem um inspirado Ospina como obstáculo.

[7] Passou a melhor seleção pelo que fez no jogo e pelo que vem fazendo na Copa. A Colômbia tem tudo para proporcionar, diante do Brasil, mais um belo espetáculo. Estarei novamente torcendo por ela.

A seguir, alguns registros do belo jogo no Rio de Janeiro.

Acima: aquecimento dos jogadores antes de a bola rolar, telão anunciando o árbitro da partida, torcedor colombiano felicitando aniversário de casamento de seus amados pais.
Abaixo: Diego Forlán chutando em gol no aquecimento (a bola foi parar na rede), e dois registros de torcedores colombianos durante o intervalo.
 
Abaixo: momento de união instantes antes de a bola rolar para o segundo tempo e dois momentos da comemoração pela classificação inédita da Colômbia às quartas-de-final.

A seguir, dois vídeos exclusivos para sentir um pouco da atmosfera no estádio.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Godín Marca E Uruguai Elimina Itália Em Confronto Canibal

As duas primeiras campeãs mundiais na história das Copas se enfrentaram em Natal para ver quem seguiria para a fase oitavas-de-final. Só havia lugar para uma delas, pois a gigante Costa Rica já assegurara sua classificação com uma rodada de antecipação, vencendo tanto o Uruguai (3a1) quanto a Itália (1a0). Com a vantagem do empate, os italianos foram a campo com uma formação focada na manutenção da posse de bola, povoando o meio-campo com dois laterais e três volantes - atrás uma trinca de zagueiros e na frente a dupla Immobile e Balotelli. Era o suficiente para conter os uruguaios e manter o domínio da redonda consigo, até porque a equipe sul-americana foi derrotada territorialmente na zona central do gramado, só conseguindo como válvula de escape algumas jogadas pelos flancos, principalmente quando envolviam Álvaro Pereira e Cristian Rodríguez, que atormentaram Darmian, Barzagli e outros italianos que eventualmente faziam a cobertura naquele setor.

A melhor chance no primeiro tempo deu-se em lance de bola parada, com Andrea Pirlo cobrando falta e Fernando Muslera espalmando no alto e para cima. Ciente de que a produtividade uruguaia no primeiro tempo era pequena para quem necessitava vencer, Tabárez voltou com Maximiliano Pereira no lugar de Nicolás Lodeiro. Um contrassenso, por mais que Nico Lodeiro não tivesse ido bem nos primeiros quarenta e cinco minutos. Prandelli também mexeu no intervalo, provavelmente preocupado com o risco de jogar com dez: tirou Mario Balotelli, amarelado e automaticamente suspenso, por Marco Parolo. A preocupação era justa, notadamente levando em consideração que tratava-se de um jogo que tinha ingredientes e temperos suficientes para encaminhá-lo a momentos de tensão. O que o treinador da Azzurra talvez não imaginasse é que Claudio Marchisio fosse perder a cabeça e desferir uma solada em Arévalo Ríos: cartão vermelho direto para o camisa oito italiano.

Em vantagem numérica, Tabárez colocou Christian Stuani no lugar de Álvaro Pereira. Ganhou elementos ofensivos, mas não solucionou o problema da falta de articulação entre meio e ataque. Cavani e Suárez até voltavam para buscar jogo, mas tal retorno esvaziava o ataque da equipe e facilitava o trabalho de marcação da Itália, sempre bem postada na defesa. Aos vinte e cinco, Prandelli fez uma boa mexida, colocando Cassano no lugar do inoperante Immobile. Talvez o que faltasse para o Uruguai fosse exatamente um jogador com as características de Cassano - algo como aquele Forlán de 2010. E se faltava alguma coisa para o jogo pegar fogo no Rio Grande do Norte, passou a não faltar mais a partir do momento em que Luis Suárez perdeu a cabeça, a razão, a estribeira, e qualquer outra coisa que se espera de um desportista leal, ao desferir uma mordida no ombro de Chiellini. Suárez perdeu tudo ali. Só não perdeu o direito de continuar em campo, pois o árbitro mexicano Marco Antonio Rodríguez Moreno justificou seu apelido de Conde Drácula e tolerou o gesto vampiresco de Luisito, mesmo após Chiellini mostrar as marcas da arcada dentária do uruguaio por baixo da camisa.

Os italianos se revoltaram, pois tinham naquele momento a oportunidade de voltarem a jogar em igualdade numérica, tirando de campo a principal ameaça adversária - em todos os sentidos. Exausto, Verratti deu lugar para Thiago Motta, proporcionando uma queda de qualidade na saída de bola italiana. Do lado celeste, Rodríguez, que correu e jogou demais, saiu para a entrada de Gastón Ramírez. Três minutos após essa substituição - que era a última por direito -, saiu o gol uruguaio: escanteio cobrado pela direita pelo próprio Ramírez e subida de Diego Godín. Acredito que Godín nem sabia exatamente para onde havia direcionado a bola naquele momento, mas os deuses do futebol tinham certeza: para o fundo da rede. A partir dali, ouviram-se os sons da maioria uruguaia presente no estádio. A partir dali, a situação italiana virou um drama elevado ao cubo: precisavam do gol, estavam em desvantagem numérica e o cansaço físico e psicológico batiam cada vez mais forte com o avançar do cronômetro.

Uma tabela de Cassano com Thiago Motta foi o melhor lance ofensivo dos europeus. Talvez se fosse entre Cassano e Verratti, o desfecho fosse diferente. Fato é que Motta não conseguiu dar seqüência ao lance. E a Itália quase nada conseguiu criar novamente. Criou, isto sim, um possível trauma: se em 2002 a equipe de Trapattoni foi garfada na Coréia do Sul, doze anos depois o time de Prandelli foi mordido no Brasil. Pela segunda vez consecutiva, os tetracampeões mundiais caem na fase de grupos na Copa do Mundo. E o Uruguai segue em frente. Próxima parada: Maracanã. Quem não tem medo de vampiro, há de ter algum receio de fantasma.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Um Autêntico Encontro De Campeões, Com As Bênçãos De Suárez

O Itaquerão sediou nesse feriado de Corpus Christi um jogo daqueles com cara, corpo e alma de Copa do Mundo. Duas seleções que estrearam com derrota no Mundial (o Uruguai sendo surpreendido pela irrepreensível Costa Rica e a Inglaterra caindo em pé no clássico com a Itália) protagonizaram uma partida daquelas pra serem separadas para serem assistidas novamente.

As alterações de Tabárez em relação à estréia deixaram os uruguaios mais incisivos no campo de ataque. Alterações essas que certamente ocorreram no campo tático, técnico e psicológico. Ótimo para o Uruguai, ótimo para a qualidade do jogo diante do ingleses.

A escalação e proposta de jogo de Hodgson possibilitaram à Inglaterra uma atuação tão boa ou melhor que aquela vista diante dos italianos. Modelo de jogo onde a alternância de posições entre Welbeck, Sterling e Sturridge, sob a batuta de Gerrard e o auxílio de Rooney, proporcionou uma intensidade ofensiva muito acima do que nos habituamos a ver dos ingleses. Ótimo para a Inglaterra, ótimo para a qualidade do jogo diante dos uruguaios.

E se futebol muitas das vezes é decidido em detalhes, o detalhe desse jogo tem nome e sobrenome: Luis Suárez. Operado do menisco cerca de um mês atrás e com sua presença na Copa sendo colocada em xeque, Luisito não atuou na estréia mas foi miraculosamente escalado como titular na segunda rodada. Em pleno dia de Corpus Christi, Suárez foi o redentor da seleção uruguaia. Quase marcou um gol olímpico no primeiro tempo e quase marcou um gol olímpico no segundo tempo - em ambos os lances, o goleiro Joe Hart precisou intervir para salvar a meta inglesa. Só que alguém da qualidade e determinação - talvez até predestinação - de Luisito não costuma ficar no quase. Foi ele quem abriu o placar em Itaquera, cabeceando com precisão após excepcional passe de Cavani.

Melhor no jogo, a Inglaterra correu atrás e fez por merecer a conquista do gol de empate, através de Wayne Rooney, que anotou seu primeiro gol em Mundiais. Só que a tarde era do Uruguai. Era de Suárez. Após lançamento do goleiro Fernando Muslera, um cabeceio do companheiro de clube de Luisito (mas não de seleção) Steven Gerrard permitiu que o camisa nove da Celeste avançasse em liberdade. Era tudo e somente o que ele precisava para marcar o segundo e desabar em emoção no gramado. Emoção que contagia quem com ele joga, quem a ele assiste. A Copa já tem um personagem. Valeu, Suárez! Aliás, valeu mais uma vez, pois não esqueceremos do que fizeste na Copa passada, naquela épica quartas-de-final diante de Gana.

P.S.: Necessário também falar de Álvaro Pereira: após ser atingido por uma joelhada na cabeça, cair desacordado no gramado e ver o médico da seleção solicitar sua substituição, o lateral-esquerdo simplesmente se recusou a sair de campo. Atitude que contagia quem com ele joga, quem a ele assiste. Talvez seja coisa de maluco. Mas qual a loucura que não conserva um pingo de razão? Com tamanha alma colocada na ponta das chuteiras, é como se tudo estivesse escrito para que desse certo. Que venha a Itália.

sábado, 14 de junho de 2014

Tem Zebra No Castelão: Costa Rica Esmaga O Uruguai

Pra quem gosta de zebra, há excepcionais filmagens de documentários abordando a vida selvagem na África. São animais astutos, que reconhecem a ameaça dos predadores e, estrategicamente, convivem em bando para defenderem-se uns aos outros. As próprias disposições das listras se comportam de maneira a confundir aqueles que podem tentar capturá-las.

No futebol, chamamos de zebra aquele resultado surpreendente. E a primeira aparição de uma zebra nos campos brasileiros nessa Copa do Mundo deu-se em Fortaleza, no estádio Castelão: a Costa Rica virou o jogo, se impôs e venceu o Uruguai por 3a1. Atuação fantástica coletivamente, com direito a performance sensacional de Campbell, autor do segundo gol e com participação efetiva no terceiro, dando ótima enfiada de bola para desmontar a defesa uruguaia.

Pra não dizer que não falei de árbitros (e preferia mesmo não falar), o alemão Félix Brych teve dois pesos, duas estaturas e duas caras para apitar. Deu pênalti quando um uruguaio foi agarrado na área e mandou o jogo seguir quando o uruguaio agarrava o adversário. Mas a Costa Rica foi maior que qualquer alemão nessa tarde de sábado. Maior que qualquer uruguaio. Maior que qualquer prognóstico. E largou na frente num grupo que tem três campeões mundiais. Uruguai, Itália e Inglaterra que se virem! A Costa Rica veio querendo ficar! E sabe rugir como um leão!

sábado, 13 de julho de 2013

Era Só O Que Faltava: França Campeã Mundial Sub-20


Copa do Mundo, Copa das Confederações e Mundial Sub-17 os franceses já haviam faturado. E, nesse sábado, treze de julho de dois mil e treze, os Bleus completaram o ciclo de competições FIFA, tornando-se a primeira seleção de futebol a conquistar todos os torneios da entidade máxima na modalidade.

Foi uma final difícil diante do Uruguai. Os dois goleiros - ambos vestindo laranja - tiveram atuações destacadas, com diversas defesas difíceis que garantiram o 0a0 por mais de 120 minutos. Nas penalidades, Areola tratou de defender logo de cara as duas primeiras cobranças uruguaias e encaminhou o título francês em território turco - Istanbul até torceu pelo Uruguai, provavelmente em resposta ao fato de a Turquia ter sido eliminada exatamente pela França, com uma goleada por 4a1 na fase oitavas-de-final.

Aliás, esse Mundial Sub-20 foi um torneio interessante. Acompanhei quatro jogos (três na fase quartas-de-final e essa final entre França e Uruguai). E olha isso: todas essas partidas assistidas foram para a prorrogação! Competitividade e equilíbrio até dizer chega. O título fica em boas mãos com a França, que tem o talentoso Paul Pogba, da Juventus, comandando a meiuca, além de alguns outros jogadores interessantes, como o ótimo goleiro Areola e o aplicado lateral-direito Foulquier. Sanogo, camisa nove, embora tenha ficado neutralizado pela defesa uruguaia, também parece tratar-se de um jogador com futuro promissor. Quanto aos vice-campeões, destaque para a atuação maiúscula do goleiraço De Amores (te cuida, Muslera!) e do atacante Avenatti, que apesar de grandalhão, mostrou que sabe lidar com a redonda colada na superfície.
Alphonse Areola salta para defender a cobrança de Velázquez: arqueiro francês teve atuação decisiva, defendendo também a penalidade de De Arrascaeta e conduzindo a França ao título inédito.

Muitos falarão que esse Mundial ficou marcado pela ausência de Argentina e Brasil, as duas maiores campeãs na categoria (seis e cinco títulos, respectivamente). Mas prefiro valorizar aqui a campanha de uma outra seleção: a do Iraque, quarta colocada no torneio. Foi muito bacana assistir os iraquianos jogando bem, com graça, desenvoltura, aplicando jogadas de efeito e passando para a fase semifinal após disputa com os sul-coreanos. Caíram para o Uruguai nos pênaltis, ou seja, não estiveram longe de jogar a final e conquistar o que seria um título marcante. Detalhes separam um quarto colocado de um troféu. E o Iraque tem todo o direito de voltar para casa se sentido um time verdadeiramente campeão.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

O Campeão Voltou

O Uruguai, campeão da primeira edição da Copa América (ano de 1916), voltou a vencer a competição continental (a última conquista havia sido em 1995) e reassumiu o posto de maior papa-títulos do torneio, com 15 taças.

Não sou a figura mais recomendada para dizer se esse título em 2011 é merecido ou não (na campanha uruguaia, havia assistido somente os minutos finais nas quartas-de-final diante dos argentinos, a partir dos 42 minutos do segundo tempo aproximadamente) mas a julgar pelo que foi apresentado no jogo derradeiro, a Celeste tinha mais é que levantar esse troféu: vi em campo um Paraguai irreconhecível, longe de um time que fez grandes partidas nos dois primeiros jogos do torneio (empates com Equador e Brasil) tanto na escalação como na maneira de atuar. Espero que o treinador argentino Gerardo Martino tenha aprendido alguma lição com essa derrota.

O jogo

O estádio Monumental de Núñez, palco que sediou uma selvageria na recente despromoção do River Plate para a segunda divisão nacional, recebeu grande público na tarde desse domingo, vinte e quatro de julho de dois mil e onze. Pelo visual das arquibancadas, daria facilmente para dizer que a partida estava ocorrendo no estádio Centenário em Montevidéu, tamanha a supremacia de uruguaios dentro e fora das quatro linhas.

Muito dessa supremacia se deve ao talento da dupla Diego Forlán e Luis Suárez, mas se a partida caminhou para um desequilíbrio flagrante, isso se deve também às escolhas dos treinadores Oscar Tabárez e Gerardo Martino. Enquanto o primeiro deu seqüência a uma maneira de jogar semelhante à apresentada na Copa do Mundo, em 2010, o segundo parece ter aberto mão de suas convicções táticas e preparou um time recheado de volantes no meio-campo, isolando o competente Haedo Valdéz e simplesmente impedindo o desenvolvimento do jogo paraguaio, que sequer tinha saída pelos flancos do campo (Marcelo Estigarribia na condição de reserva foi algo que fugiu de qualquer compreensão).

A pressão celeste começou cedo, com o goleiro Justo Villar trabalhando bem para impedir que um cabeceio de Forlán inaugurasse o placar - na seqüência, quem "fez a defesa" foi Néstor Ortigoza, em lance passível de marcação de pênalti (mas concordo com a interpretação de não ter havido intenção do paraguaio em levar as mãos à bola). No 12º minuto, Suárez recolheu a redonda pela direita, fintou Darío Verón, chutou, a bola desviou no próprio Verón - que apesar da grande habilidade de "Luisito" conseguiu manter-se firme no lance - e tocou na trave direita antes de entrar no gol. 1a0 Uruguai e festa em Núñez.
 
Luis Suárez age rápido após recolher a bola e solta o chute, que desviaria em Verón e tocaria na trave antes de entrar: assim era aberto o placar no estádio Monumental de Núñez.
Pouco depois disso, a partida passou a ter como protagonista o árbitro brasileiro Sálvio Spínola Fagundes Filho, que teve bastante trabalho no aspecto disciplinar. Apesar de terem sido relativamente poucas as faltas cometidas, a maioria delas estava carregada de força excessiva e colocava em risco a integridade física dos atletas. O baiano de 41 anos de idade optou por mostrar cartão amarelo para o paraguaio Víctor Cáceres e para os uruguaios Diego Pérez, Martín Cáceres e Maximiliano Pereira num intervalo de treze minutos (entre os 16 e os 29) e a bem da verdade poderia ter expulsado pelo menos dois jogadores nesse mesmo período.

No meio de tanto meio-campista focado na marcação e abusando da violência, quem circulava pelo gramado de forma diferente dos demais companheiros era Arévalo Ríos: sem distribuir um único pontapé (não recordo de vê-lo cometer uma falta sequer) e participando do jogo com a simplicidade de quem busca levar a bola para o companheiro em melhores condições de recebê-la, o camisa 17 era o ponto de equilíbrio da equipe. E, aos 41 minutos, participou ativamente do 2º gol uruguaio: após recuperar a posse de bola, Arévalo viu Forlán livre à sua esquerda, rolou para o camisa 10 e este encerrou o jejum de gols com a camisa celeste chutando com a canhota no contrapé de Villar.

A inoperância paraguaia persistiu por toda a primeira etapa e se arrastou até por volta dos vinte minutos do segundo tempo, quando finalmente Martino resolveu mudar as coisas. Quer dizer, Martino mudou as coisas antes mesmo de a bola rolar, escolhendo escalar um time mais defensivo, menos hábil, menos veloz, menos criativo e, com isso tudo, facilitando a vida para o uruguaios. Com as entradas de Estigarribia e Hernán Pérez nos lugares de Cáceres e Enrique Vera, o Paraguai subiu de produção: agora passava a ter maiores recursos no uso da posse de bola, conseguindo envolver a defesa adversária pelos dois lados do campo.

Doze minutos depois daquelas substituições, veio a última de Martino: Pablo Zeballos por Lucas Barrios. Barrios, argentino de nascimento, é um dos maiores talentos da atual geração paraguaia. Não ficou muito tempo em campo pois precisou sair, contunidido, provavelmente em função de alguma complicação previamente conhecida e que justificava a sua escalação como suplente. Com um homem a menos no gramado, o Paraguai já não tinha muito o que fazer e, aos 44 minutos, assistiu mais um pouco do show uruguaio: em contra-ataque avassalador, Álvaro Gonález chapelou um adversário, passou para Edinson Cavani (que entrou no segundo tempo no lugar de Álvaro Pereira, retornando de uma contusão ocorrida na estréia) e este, de primeira, acionou Suárez com linda inversão para a direita. Também com um único toque, "Luisito" usou a cabeça para deixar que Forlán concluísse a jogada. E ela foi concluída com uma finalização sutil, levando a bola para o canto esquerdo e decretando o 3a0 triunfal.
Com categoria, Diego Forlán toca tirando de Justo Villar: Uruguai marca 3a0 e chega ao 15º título na história das Copas América.

A mística da camisa celeste, o trabalho sério de Tabárez e o talento nato de Forlán e Suárez talvez tenham sido o tripé da vitória uruguaia em Buenos Aires. Pelo lado dos comandados de Martino, uma atuação "made in Paraguay" no sentido mais esdrúxulo do termo, pois a "Albirroja" que foi a campo para essa decisão passou longe do time qualificado que iniciou a competição.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Lucas Letal Conduz Brasil À Goleada Sensacional

A seleção brasileira fechou com chave-de-ouro a sua participação no Sul-Americano Sub-20: 6a0 pra cima da Celeste Olímpica. O título canarinho na competição aumenta as expectativas para uma inédita medalha de ouro olímpica, a ser disputada em Londres, no ano que vem.

O jogo

Sendo o empate um resultado que classificava ambas as seleções para as próximas Olimpíadas (o Uruguai, que entrou em campo já classificado, garantiria o título continental em caso de igualdade no placar), pode ter ficado no ar uma idéia de que teríamos um "jogo de compadres". Mas o que se viu em Arequipa (além de um gramado em condições horrorosas) foi uma partida movimentada e bastante disputada, parecendo em alguns momentos que o jogo já valia uma medalha dourada. Neymar foi uma das figuras mais perseguidas em campo: foi agarrado por Federico Platero, derrubado por CamiloMayada, levado ao chão por Diego Polenta, agredido por Leandro Cabrera e às vezes até prejudicado pelo árbitro paraguaio Antonio Arias, que leu alguns lances como simulação do brasileiro. Entradas como a de Casemiro em Polenta e a de Saimon em Federico Rodríguez davam o tom de que a histórica rivalidade semeada entre Brasil e Uruguai estava aflorada no Peru.

Mas houve também futebol. Principalmente quando a bola encontrava os pés de Lucas. A primeira chegada interessante ocorreu com oito minutos: em jogada são-paulina, Lucas recuperou a bola no ataque e tocou para Casemiro, que avançou e chutou à esquerda. Aos 28 minutos, o camisa 10 escapou pela direita, cruzou, Neymar escorregou e a bola chegou em Willian José, que com uma puxada mandou a bola à esquerda. Com 39 minutos, Neymar e Alex Sandro tabelaram pelo lado esquerdo e a redonda chegou em Lucas, que recebeu na meia-lua, puxou pra direita e chutou cruzado, no contrapé do goleiro Salvador Ichazo. 1a0 Brasil.

O blogueiro ainda tomava nota do belo lance que resultou no primeiro gol do jogo quando lá viria o segundo: aos 41 minutos, Lucas recebeu no meio-campo, arrancou escapando de dois adversários pela direita e chutou cruzado à meia-altura para marcar um golaço. E dois minutos depois a coisa ficou ainda pior para o lado uruguaio: Adrián Luna deu carrinho lateral e foi expulso de campo sem nem precisar ter um prévio cartão amarelo.

O intervalo veio em boa hora para os uruguaios e o treinador Juan Verzeri tratou de mexer no time: entraram Ricardo Pereira e Pablo Cepelini nos lugares de Ángel Cayetano e Federico Rodríguez. Logo aos 36 segundos, o que parecia um chute facilmente defensável dado de fora da área acabou sendo defendido com dificuldades por Gabriel. Com 1 minuto, Saimon agarrou Cepelini quando este entrava na área brasileira: pênalti e expulsão do zagueiro, que naquele momento levava seu segundo cartão amarelo no jogo. Na marca de 3 minutos, Matias Vecino cobrou a penalidade no meio e mandou por cima do travessão, para sorte de Gabriel, que escolheu se deslocar para o lado esquerdo.

O momento era tão positivo para os uruguaios que naquele momento o 2a0 tratava-se de uma vantagem nada confortável para os brasileiros. Foi então que o lateral-direito Danilo teve a felicidade de marcar o 3º gol e dar uma ducha de água fria nos planos uruguaios: o camisa 2 avançou pela direita passando por Cabrera e escapando de Pereira, chutou cruzado no canto direito uma bola que deixou dúvidas se havia intenção de cruzamento ou finalização, mas que foi parar no lugar onde deveria.

Aos 9 minutos, um escanteio cobrado pela esquerda encontrou Nicolás Prieto na área, que subiu bem e cabeceou perto da trave direita. Dois minutos depois, Lucas voltou a entrar em ação: o meia recebeu de Danilo, clareou o lance e deu assistência para Neymar, que deu de chapa na bola para marcar o 4º gol brasileiro, no contrapé de Ichazo.

Impressionava como o placar de 4a0 não reduzia o ímpeto uruguaio e tampouco a determinação dos comandados de Ney Franco. Aos 13 minutos, Vecino chutou alto de fora da área e Gabriel saltou realizando bonita defesa. Três minutos depois, um chute de Willian de fora da área foi rebatido por Ichazo e encontrou Neymar, que não desperdiçou o rebote e colocou 5a0 no placar.

Na marca de 19 minutos, Casemiro deu a braçadeira de capitão para Lucas e a vaga para Galhardo. Com 24 minutos, Neymar e Willian tabelaram à vontade e o goleiro Ichazo evitou o gol de Willian. Na marca de 28 minutos, Juan Verzeri fez sua substituição derradeira: Prieto por Ramon Arias. Quem não parava de fazer bonito era Lucas: aos 31 minutos ele se livrou de quatro adversários e quase driblou também o goleiro, ficando perto de marcar um golaço.

Com 33 minutos, Galhardo recebeu na direita e chutou perto do ângulo esquerdo. A disposição dos jogadores brasileiros impressionava, parecendo que ninguém queria saber de "jogo resolvido", ficando objetivado marcar mais gols sempre que fosse possível. E aos 35 minutos veio nova possibilidade: Galhardo recebeu lançamento na direita e deu toque curto para Lucas. E o camisa 10 voltou a mostrar do seu repertório de grandes jogadas, passando com extrema facilidade pela marcação de "6" e chutando cruzado para fazer 6a0 e alcançar o "hat-trick".

Aos 38 minutos, Ney Franco trocou Neymar por Diego Maurício. Aos 40, saiu Lucas para a entrada de Gabriel Silva. Para fazermos justiça ao desempenho do atleta são-paulino, deveríamos ter três mãos: duas para aplaudí-lo e outra para tirar o chapéu. Na marca de 45 minutos e 32 segundos, Antonio Arias soou pela última vez o apito no Sul-Americano Sub-20: o Brasil é campeão e vai cheio de moral para Londres-2012. Antes disso, tem o Mundial na Colômbia. Vida longa a esses jovens!

Outros resultados

Colômbia (6º) 0a2 (3º) Argentina
Equador (4º) 1a0 (5º) Chile

Para o Mundial Sub-20, as seleções sul-americanas presentes serão a Colômbia (país-sede), além de Brasil, Uruguai, Argentina e Equiador.

Para a Olimpíada, classificaram-se Brasil e Uruguai.

Campanha brasileira no Sul-Americano 2011

Fase de grupos

4a2 Paraguai
3a1 Colômbia
1a1 Bolívia
1a0 Equador

Hexagonal final

5a1 Chile
2a0 Colômbia
1a2 Argentina
1a0 Equador
6a0 Uruguai
Foto posada da seleção brasileira que começou o jogo diante do Uruguai: goleada de 6a0, 11º título sul-americano sub-20 e confirmação da vaga para os Jogos de Londres em 2012.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Amistosos Internacionais De Alto Nível

Nessa quarta-feira, dezenas de amistosos entre seleções agitam o dia no calendário futebolístico. Tomei a liberdade de destacar 5 dessas partidas. Ei-las.

Argentina e Brasil

Em Doha, capital do Reino do Catar, duas gigantes do futebol mundial se reencontrarão após mais de um ano sem se enfrentarem (a última partida entre elas foi em 5 de setembro de 2009, pelas Eliminatórias para o Mundial 2010, vencido pelo Brasil, por 3a1, no território adversário).

Eliminadas nas quartas-de-final (a Argentina foi arrasada pela Alemanha enquanto o Brasil caiu de virada para a Holanda), o duelo sul-americano no Oriente Médio terá um ingrediente para amante do futebol arte nenhum colocar defeito: as presenças de Lionel Messi e Ronaldinho Gaúcho.

Holanda e Turquia

Na Arena de Amsterdã, a Holanda de Bert van Marwijk e a Turquia de Guus Hiddink farão o que promete ser um jogo bastante interessante. Vinda de um vice-campeonato mundial e de uma série invicta enorme - que teve uma pausa naquele gol de Andrés Iniesta no segundo tempo da prorrogação da final da Copa 2010 -, a Holanda encara uma Turquia que está, aos poucos, ganhando a face de seu técnico holandês, convicto implementador da filosofia de jogo ensinada em seu país de origem.

Inglaterra e França

Mais um jogo entre campeões mundiais para apimentar a quarta-feira. Ingleses e franceses não corresponderam às expectativas no último Mundial (o "English Team" caiu nas oitavas para a Alemanha enquanto os "Bleus" foram eliminados como lanternas no grupo A).

Se de lá para cá a Inglaterra não perdeu mais, assim mesmo o técnico Fabio Capello teve de ouvir críticas quanto ao empate sem gol diante de Montenegro. Já pelo lado francês, Laurent Blanc vem trabalhando na tentativa de renovar o elenco que brilhou em 2006 e fracassou em 2010 com o mesmo Raymond Domenech, e que parece ainda sentir falta da genialidade de Zinedine Zidane.

Portugal e Espanha

Em 29 de junho, essas seleções fizeram um duelo ibérico pelas oitavas-de-final do Mundial 2010. Melhor para a Espanha, que avançou com o gol de David Villa e depois se sagraria campeã. A Espanha convocada por Vicente Del Bosque é semelhante àquela, com o único campeão mundial ausente sendo Jesús Navas, contundido. No pós-Copa, a seleção portuguesa conseguiu a proeza de, dentro de casa, empatar com o Chipre numa partida de oito gols.

A qualidade dessa partida depende basicamente da postura lusitana: se tiverem o mesmo estilo visto na Copa, teremos um jogo concentrado no campo de ataque espanhol; se resolverem sair para o jogo e jogar futebol, poderemos ter um duelo bacana entre os países vizinhos.

Chile e Uruguai

O estádio Monumental David Arellano sediará a despedida do técnico Marcelo Bielsa do comando da seleção chilena (o argentino se recusa a trabalhar com o novo presidente da Federação Chilena de Futebol, o empresário Jorge Segovia, a quem já criticara duramente). Pior para a seleção do Chile, que não apenas fez uma boa Copa como exibiu um belo futebol no Mundial. Pelo lado uruguaio, o prestigiado Oscar Tabárez dá seqüência a um trabalho que devolveu a autoestima ao futebol do país com o honroso 4º lugar na África do Sul.

sábado, 10 de julho de 2010

Levando E Devolvendo Virada, Alemanha Ganha 3º Lugar

Repetindo o resultado final de 2006 mas apresentando um futebol muito mais atraente, a Alemanha venceu a disputa pelo 3º lugar na Copa 2010 com o placar de 3a2. Os uruguaios se esforçaram, mas a atuação insegura de Fernando Muslera aliada aos momentos de desatenção no sistema defensivo não puderam ser revertidos mesmo com a boa atuação do trio de ataque. A Alemanha, caso dê seqüência ao belo trabalho implementado por Joachim Löw, tem motivos suficientes para almejar vôos mais altos em solo brasileiro no próximo Mundial - a grande qualidade técnica e a disciplina tática da jovem seleção convocada por Löw a credenciam a isso. O trabalho de Oscar Tabárez também é digno de elogios: poucos imaginariam uma seleção classificada via repescagem chegar onde chegou, no melhor desempenho da Celeste desde 1970.

Ambas as equipes tiveram alterações em suas escalações e talvez a principal delas tenha sido a ausência de Miroslav Klose, com dor nas costas: o camisa 11 terminou seu 3º Mundial a um gol de igualar a marca de Ronaldo Nazário (15 gols marcados na história das Copas).

Jogo começa com ritmo acelerado e gols vão saindo naturalmente

Logo aos 3 minutos a rede balançaria pela primeira vez, mas a arbitragem detectou impedimento de Thomas Müller em lance onde o brasileiro Cacau pegaria a sobra para chutar cruzado.

Com 4 minutos, Dennis Aogo levanta demais a perna ao dar carrinho em Diego Pérez ainda no campo de defesa e recebe o primeiro cartão amarelo do jogo pelo árbitro mexicano Benito Archundia.

Aos 5', Diego Forlán cobra falta e Cacau, situado na barreira, bloqueia com a mão: segundo cartão amarelo da partida e novo lance de bola parada para o Uruguai. Na nova cobrança, Forlán manda perto do ângulo direito, assustando o goleiro Hans-Jörg Butt.

Na marca de 8 minutos, Marcell Jansen tabela com Aogo pelo lado esquerdo, cruza rasteiro e ganha escanteio. Bastian Schweinsteiger cobra fechado e Luis Suárez afasta de peixinho - na seqüência, Jorge Fucile corta cruzamento de Cacau e cede novo tiro-de-canto. Dessa vez, quem levanta na área é Mesut Özil e Arne Friedrich cabeceia no travessão - no rebote, Müller cabeceia e Diego Godín bloqueia com o peito.

A média de quase 4 gols por partida em jogos que valem o 3º lugar em Copa do Mundo (3,93 para ser mais exato) dava sinal de que seria elevada e que o 0a0 sairia de cena rapidamente. Não deu outra: aos 18', Schweinsteiger pega sobra de bola na intermediária, chuta forte (a 117 quilômetros horários para ser mais exato), Muslera rebate pro meio da área e Müller é recompensado por ser o único jogador a se antecipar ao lance acreditando no rebote, aparecendo no local exato para completar pra rede. 5º gol dele no Mundial, igualando-se com Wesley Sneijder e David Villa no topo da lista de goleadores.

Müller desloca-se sozinho para chegar no rebote concedido por Muslera, abrindo o placar.

Com 21 minutos, Özil enfia para Sami Khedira pela direita, que tenta centralizar para finalização de Cacau mas o passe sai forte e a bola atravessa a área. 3 minutos depois, Suárez chuta prensado pela direita, Forlán chega na sobra, cabeceia e Per Martesacker levanta a perna para fazer o bloqueio. No minuto posterior, a Alemanha ia encaixando um daqueles contra-ataques que lhe caracterizaram na Copa 2010, mas Khedira recebeu cruzamento de Özil em posição de impedimento, não valendo o cabeceio que foi mandado por Muslera para escanteio.

Na marca de 27', Pérez consegue belo desarme através de carrinho em disputa com Schweinsteiger, passa para Suárez, que serve caprichosamente Edinson Cavani: o camisa 7 domina ajeitando com o lado de fora do pé e chuta cruzado, na saída de Butt, para empatar a partida e fazer seu primeiro gol na Copa.

Chovia forte no estádio Nelson Mandela Bay, talvez anunciando que haveria também uma chuva de gols no decorrer da partida. Aos 37', Özil abre na esquerda com Jansen, mas o cruzamento do camisa 2 sai bastante torto e vai pela linha-de-fundo.

Com 41 minutos, Suárez recebe em total liberdade pela direita após outro bom passe de Pérez, avança e chuta cruzado, perto da trave direita. No minuto seguinte, Özil tenta dar passe de primeira para Cacau, mas Diego Lugano corta com o braço esquerdo: falta. Schweinsteiger cobra, a bola desvia na cabeça de Lugano e sai em escanteio.

Aos 44', o Uruguai leva um pouco de sorte na sobra de bola e consegue emplacar um contra-ataque: Forlán abre na esquerda, Suárez tenta jogada individual e Jérôme Boateng corta em escanteio. Na cobrança, Forlán quase marca um gol olímpico, mas a bola vai na rede externa, por cima do travessão.

Segundo tempo começa lá e cá, mas com o passar do tempo a Alemanha consegue dominar as ações e merecer a vitória

Com 2 minutos, participação do trio de ataque uruguaio: Forlán passa para Cavani, Butt sai para abafar o lance, Suárez chega na sobra e chuta parando em defesa do goleiro.

Na marca de 5 minutos, a virada uruguaia: Egidio Arévalo faz bonita jogada pela direita tabelando com Suárez, cruza à meia-altura e Forlán emenda de voleio, chutando de primeira, pro chão, no contrapé de Butt. É o 4º jogador a chegar aos 5 gols no Mundial.

A vantagem no placar não durou muito tempo (6 minutos para ser mais exato): Boateng desce pela direita, cruza, Muslera e Godín não interceptam e Jansen cabeceia pro gol. 2a2, primeiro dele na Copa, em sua estréia na condição de titular.

No minuto seguinte, aos 12', Cacau arranca pelo meio com disposição, toca na esquerda para Özil que, dentro da área, corta a marcação mas é desarmado na seqüência.

Aos 14', Suárez passa para Forlán, recebe de volta, gira pro lado direito para escapar da marcação, finaliza e Arne Friedrich consegue bloquear. Na seqüência, Boateng afasta em definitivo.

Com 15 minutos, Pérez rapa Schweinsteiger e recebe o 3º amarelo da partida. No minuto posterior, bola levantada da esquerda, Müller escora de cabeça e Lugano corta antes que Cacau pudesse finalizar.

Na marca de 17 minutos, Suárez chuta de fora da área e Butt salta pra esquerda para espalmar. 2 minutos depois, Butt recebe recuo e afasta mal: Cavani ameaça chutar, avança, tabela com Suárez e abre com Forlán na esquerda. O goleiro alemão se recupera no lance e defende o chute do camisa 10.

Aos 21 minutos, Suárez recebe no lado direito da área, caneta Friedrich mas Schweinsteiger aparece na cobertura para cortar pela linha-de-fundo. Forlán cobra o escanteio pela direita, Suárez pega a sobra pelo lado esquerdo e isola.

Com 24', Jansen carrega pela esquerda e chuta à direita, desculpando-se pela opção da jogada individual. No minuto seguinte, Jansen não desperdiça a chance de se redimir: o lateral recebe a bola na esquerda e dessa vez rola de lado, achando Cacau. Mas quem desperdiça é o brasileiro, que chuta cruzado para fora, reclamando cotovelada de Lugano após a finalização.

Aos 28', a primeira substituição do jogo: Cacau por Stefan Kiessling. No mesmo minuto, Schweinsteiger recebe após cobrança de escanteio de Özil pelo lado esquerdo, chuta de fora e a bola desvia em novo escanteio.

Na marca de 30', Kiessling recebe na esquerda, limpa o lance e chuta à meia-altura: Muslera rebate e, na seqüência, impedimento é marcado.

Com 31 minutos, a primeira substituição uruguaia: Pérez por Walter Gargano. No minuto seguinte, Maximiliano Pereira cobra falta a 31 metros do gol e manda por cima.

Aos 34 minutos, Boateng recebe na direita e cruza fechado, mas Kiessling não consegue chegar para completar.

Aos 35', segunda mexida promovida por Löw: sai Jansen e entra Toni Kroos. No minuto posterior, Özil cobra escanteio pela direita, Friedrich escora de coxa na altura do segundo poste e Khedira cabeceia alto e cruzado para fazer 3a2, na primeira virada alemã na Copa 2010 e no primeiro gol dele na competição.

Na marca de 41 minutos, Özil se livra de Martín Cáceres no flanco direito e passa para Boateng, que chuta firme - Muslera encaixa. Os alemães já chegariam mais uma vez no minuto seguinte: após contra-ataque, Aogo recebe na esquerda e serve Kiessling que, livre, chuta colocado mandando para fora.

Com 43', Cavani dá lugar para Sebastián "El Loco" Abreu. 3 minutos depois, Özil sai para entrada de Serdar Tasci, em seus primeiros e últimos minutinhos de Copa 2010. Ainda aos 46', Muslera cobra tiro-de-meta, a bola viaja, Suárez chega nela e é derrubado faltosamente por Friedrich, que é punido com cartão amarelo. Mas a maior punição era a infração em si, pertinho da meia-lua. Estava ali a última chance do Uruguai de empatar a partida no tempo regulamentar. Forlán realiza a cobrança, a Jabulani passa pela barreira e se choca com o travessão. Fim de papo em Porto Elizabeth.

Chance derradeira: Forlán cobra falta e manda no travessão de Butt.

terça-feira, 6 de julho de 2010

100% Holanda

Ditando o ritmo da partida, mostrando a grande força ofensiva no seu elenco e contando com a primeira boa atuação de Robin van Persie na Copa 2010, a Holanda mantém os 100% de aproveitamento, chega à sua 3ª final de Mundial e fica a um passo do inédito título.

Os uruguaios reagiram bravamente à série de desfalques (os machucados Diego Lugano e Nicolás Lodeiro, além dos suspensos Jorge Fucile e Luis Suárez) e conseguiram proporcionar um final de jogo eletrizante, partindo para o abafa nos últimos minutos de uma partida que aparentemente caiu nos gostos do senhor Ravshan Irmatov: o árbitro prometera 3 minutos de acréscimo mas não se incomodou em levar o jogo para bem além dos 49'.

Chutes de longe para mexer no placar na primeira etapa

Aos 3 minutos, Arjen Robben já resolveu variar seu característico drible para o lado esquerdo e se livrou da marcação individual com um drible para a direita: o cruzamento com a perna destra foi bloqueado, Wesley Sneijder pegou a sobra, cruzou, Fernando Muslera socou e, na nova sobra, Dirk Kuyt chutou por cima do travessão.

Com 5 minutos, Álvaro Pereira arriscou de longe - pouco a frente da linha que divide o campo - tentando encobrir um supostamente adiantado Maarten Stekelenburg e mandou por cima do gol.

Na marca de 9 minutos, Kuyt cruza da esquerda, Robben cabeceia, a bola bate em Diego Godín (que era dúvida para o jogo), sobe alto e Muslera toma conta.

Aos 12 minutos, José Martín Cáceres afasta mal, Sneijder recolhe, dribla e chuta - a bola passa por Walter Gargano mas acaba batendo em van Persie e não chega ao gol.

Variando a dinâmica do jogo, Kuyt e Robben inverteram posições nos flancos do campo e seguiam dando trabalho para o sistema defensivo adversário. Mas o primeiro gol holandês não saiu em jogada pelas pontas. Aos 17', Demy De Zeeuw rolou para Giovanni van Bronckhorst na esquerda e o lateral tratou de ajeitar para chutar ao gol. E que chute maravilhoso! A bola percorreu uma distância de 37 metros, chegando a uma velocidade de 109 quilômetros por hora no ângulo esquerdo de Muslera, que saltou e esticou-se o máximo que podia para tentar evitar o golaço. A bola ainda beijou a trave antes de adormecer na rede.

Muslera até tenta evitar, mas a Jabulani fez uma das suas mais belas viagens no estádio Green Point, após lindo chute de Giovanni van Bronckhorst.

Com 20 minutos, Maximiliano Pereira recebe cartão amarelo por abraçar e dar rasteira em Robben, próximo da linha lateral.

A Holanda detinha 63% do tempo da posse de bola e, com a vantagem de 1a0, diminuiu a intensidade de seu jogo.

Aos 26', José Cáceres levou a perna ao 3º andar na disputa de bola com De Zeeuw e acabou atingindo o holandês no rosto. Houve uma pequena confusão e Irmatov deu cartões amarelos para Cáceres e também para Sneijder, que foi tirar satisfação com o uruguaio.

Na marca de 30 minutos, van Persie carrega e enfia para Robben, que tenta o drible mas Cáceres faz o corte providencial. 5 minutos depois, Álvaro Pereira recebe de Edison Cavani, chuta de fora e Stekelenburg encaixa. Com 37', Maxi Pereira cruza da esquerda e Diego Forlán cabeceia para fora, à direita. Aos 39 minutos, a Holanda chegou ao ataque através de Kuyt, que recebeu na esquerda, trouxe pro centro, chutou no canto direito mas parou em defesa de Muslera.

Até dava pinta de que o placar se manteria até o intervalo. Mas, aos 40 minutos, Diego Forlán recebeu uma bola no comando de ataque, levou para a perna esquerda e decidiu chutar: John Heitinga, que acompanhava de perto, abaixou a cabeça e a Jabulani passou fazendo uma curva contrária ao movimento inicial, entrando no meio do gol, próximo ao travessão e surpreendendo Stekelenburg, que resvalou a mão esquerda na bola mas não pôde evitar que ela entrasse.

E ambas as equipes demonstraram-se interessadas em rumar para os vestiários com vantagem no placar. Aos 43', Forlán cobrou falta pela direita, a 32 metros da linha final, e Stekelenburg foi até o canto esquerdo para encaixar. Com 46 minutos, Sneijder lançou Kuyt na direita e o camisa 7 mandou de peixinho à esquerda do gol. Na marca de 47', Ravshan Irmatov não quis nem saber se Robben ficava no mano-a-mano com a marcação uruguaia ao receber lançamento na direita de ataque holandês e apitou para terminar a etapa inicial.

Ousadia de Bert van Marwijk é premiada com bom futebol, gols e classificação

A Holanda voltava do intervalo com uma cara nova: Rafael Ferdinand van der Vaart. Se alguém pensou que o técnico Bert van Marwijk iria tirar alguém da linha de ataque, enganou-se: quem saía era o volante De Zeeuw, e a Holanda passava a jogar com 2 meias-armadores imediatamente atrás da linha de 3 atacantes.

Com 50 segundos, Kuyt recebe na esquerda e estica para van Bronckhorst que, em posição de impedimento, cruza uma bola que atravessa toda a pequena área.

Na marca de 5 minutos, Khalid Boulahrouz recua na fogueira, Stekelenburg sai para dividir com Cavani e o uruguaio é derrubado por Boulahrouz - o Uruguai dá seqüência ao lance com um chute de fora da área para aproveitar a saída do goleiro, mas van Bronckhorst trata de afastar.

Os uruguaios passavam a chegar mais vezes ao campo de ataque, colocando em dúvida a eficiência do sistema ultra-ofensivo holandês. Mas a verdade é que a meta holandesa estava bem protegida, sendo raramente de fato assustada. E, aos poucos, as jogadas características da escola holandesa começariam a aparecer.

Aos 21', em cobrança de falta, Forlán chuta e Stekelenburg salta bem para espalmar no canto direito. No minuto seguinte, grande resposta holandesa. Van Persie consegue belo domínio após lançamento, faz o giro para escapar da defesa uruguaia ao seu encalço e rola atrás para Rafael van der Vaart, que chuta cruzado para defesa de Muslera. Robben chega no rebote chutando de primeira, mas o pé direito do canhotinho manda a bola para fora.

Com 23 minutos, Robben tenta passar por Cáceres em velocidade, mas o uruguaio consegue manter-se inteiro no lance para realizar o desarme.

Não tinha jeito: o(s) gol(s) da Holanda estava(m) guardado(s), e quando a fruta está madura ela cai do pé.

Na marca de 24 minutos, Sneijder tem a bola na entrada da área, chuta e o desvio na marcação uruguaia leva a redonda para o canto esquerdo - van Persie, em posição de impedimento, recolhe o pé e vê a bola seguir sua trajetória, tocando na trave esquerda antes de ir para o gol. É possível interpretar que o movimento de van Persie tenha caracterizado participação no lance, mas a jogada foi validada.

Sneijder na finalização que recolocou a Holanda na frente no placar.

3 minutos depois, Kuyt recebe na esquerda e pega bonito na bola, fazendo um cruzamento-lançamento-passe que vai ao encontro de Robben: o camisa 11 cabeceia preciso no canto direito, sem qualquer chance para Muslera, em novo gol onde a bola toca caprichosamente na trave antes de entrar.

Após bela assistência de Kuyt, Robben usa a cabeça para ampliar a vantagem.

Oscar Tabárez resolve substituir pela primeira vez e troca Álvaro Pereira por Sebastián "El Loco" Abreu, aos 32'. No mesmo minuto, Boulahrouz entra de carrinho para pegar a bola em dividida com Cáceres e, por medida de segurança, é punido com o cartão amarelo.

6 minutos após a primeira troca, nova mexida promovida por Tabárez: sai Forlán e entra Sebastián Fernández. No minuto seguinte, Boulahrouz quase apronta de novo, mas o perigoso recuo de cabeça que por pouco não foi interceptado por Fernández acaba sendo seguro por Stekelenburg.

Aos 40 minutos, van Persie recebe enfiada de bola e passa magistralmente - sem sequer olhar - para Robben, que avança, fica cara-a-cara com Muslera, mas a cavadinha sai fraca e o goleiro consegue a defesa.

Com 42 minutos, Robben dá passe para o centro na direção de van der Vaart, que chuta e Muslera segura. No minuto seguinte, Loco Abreu coloca na área com um suave cruzamento e Stekelenburg faz linda defesa, apesar do impedimento já ter sido apontado.

Na marca de 44 minutos, a 2ª substituição holandesa: Robben por Eljero Elia.

Aos 46', falta cometida por Mark van Bommel em Diego Pérez. Talvez todos os jogadores posicionados na barreira e na grande área esperassem um levantamento, mas Walter Gargano fez melhor e rolou de lado para Maxi Pereira: o camisa 16 recebeu e bateu firme, cruzado, fazendo o segundo gol uruguaio.

Eram prometidos 3 minutos como acréscimo, mas já depois dos 48', van Bommel recebeu amarelo por pedir o apito final. As dezenas de segundos além da conta serviram para ver como a Holanda se comportaria ao abafa uruguaio, e eles reagiram muito satisfatoriamente, conservando o resultado e avançando para o tão aguardado primeiro título mundial. Detalhe: com 100% de aproveitamento.

Uruguai E Holanda - Um Invicto Irá À Final


Uruguaios e holandeses fazem o jogo das duas únicas seleções com possibilidades de ganhar a Copa do Mundo 2010 em campanha invicta. A outra equipe que não perdeu nesse Mundial foi a Nova Zelândia, eliminada na fase de grupos com 3 empates.

O Uruguai estreou com uma atuação no máximo razoável, empatando sem gol com a França. Na segunda rodada, com Forlán recuado para a função de criar as jogadas de ataque, a equipe aplicou um 3a0 na África do Sul, apresentando bom futebol. Na terceira, bastaria um empate diante do México para assegurar o primeiro lugar no grupo A, mas Luis Suárez fez o gol da vitória por 1a0. Nas oitavas, a equipe passou por alguns apertos na etapa complementar, sendo dominada pelos adversários, mas conseguiu vencer a Coréia do Sul por 2a1. Nas quartas, diante de Gana, o eletrizante lance no último minuto da prorrogação dispensa comentários extras nesse duelo definido nas penalidades.

A Holanda é a única equipe com 100% de aproveitamento: ganhou todos os jogos disputados na competição. Estreou superando a Dinamarca por 2a0, depois venceu o Japão por 1a0 e, já com a classificação assegurada, ratificou a liderança no grupo E ao vencer Camarões por 2a1, em partida que teve como ponto alto a estréia de Arjen Robben, que entrou na segunda etapa e participou diretamente no lance do gol da vitória. Nas oitavas, vitória por 2a1 sobre a Eslováquia na estréia de Robben entre os "onze iniciais". Nas quartas, vitória por 2a1, dessa vez de virada, no duelo com o Brasil.

Uruguai e Holanda se encontraram apenas uma vez na história das Copas. Foi na edição de 1974, quando a Laranja Mecânica encantou o mundo com o "Carrossel Holandês". Naquele 14 de junho, em Hannover, vitória holandesa por 2a0, gols de Nicolaas Johannes Rep. Por sinal, o técnico uruguaio Oscar Tabárez deu uma bela declaração em entrevista realizada ontem, quando sintetizou uma comparação daquela Holanda com a atual.
"Em 98, trabalhava para a Fifa e tive a honra de conhecer Rinus Michels. Ele me disse: 'Nós holandeses não sentimos o futebol se não for atacando'. Essa seleção atual mantém isso, mas agregou uma preocupação defensiva. Me disseram que criticam esse time em seu país, mas a verdade é que eles se adequam bastante ao futebol dos nossos tempos", elogiou Tabárez.
36 anos depois, o encontro de Copa entre essas seleções vale uma vaga na decisão do torneio. O Uruguai tem diversos desfalques para a partida, alguns deles significativos: Diego Lugano, Diego Godín e Nicolás Lodeiro estão machucados, enquanto Jorge Fucile e Luis Suárez cumprem suspensão. A Holanda terá de lidar com as ausências de dois jogadores que receberam o segundo cartão amarelo: Gregory van der Wiel e Nigel De Jong. A boa nova para os comandados de Bert van Marwijk é que o zagueiro Joris Mathijsen recuperou-se da lesão que o tirou de ação para a partida com o Brasil.

Que seja um grande jogo de futebol e que avance o melhor!

Pitaco básico: 3a1 Holanda.


Oscar Tabárez e Bert van Marwijk treinando suas equipes: na Copa 2010, ninguém os derrotou até o momento.