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domingo, 5 de junho de 2016

Começou A Copa América 2016

Logomarca oficial da Copa América Centenário.
Começou na sexta-feira a Copa América 2016. Edição centenária comemorativa, no país que sediou a Copa do Mundo em 1994, a competição teve até o momento dessa postagem quatro partidas realizadas. E se há uma coisa rara até o momento é o gol. Sim, o gol. Momento ápice do antigo esporte bretão, o gol (objetivo) tornou-se artigo em escassez.

Na partida inaugural, a Colômbia até fez sua parte: dominante nas arquibancadas e no gramado, os colombianos marcaram dois gols nos anfitriões estadunidenses já antes do intervalo (gols de Zapata e Rodríguez), placar que quase aumentou no segundo tempo, quando Bacca carimbou o travessão. Só que nos outros três jogos, somente um golzinho de Guerrero, na vitória cambaleante do Peru sobre o Haiti. Costa Rica e Paraguai ficaram num 0a0 que provavelmente seria permanente mesmo se jogassem outros dois tempos de quarenta e cinco minutos. Pouquíssima criatividade em ambas as seleções. Brasil e Equador também não mexeram no placar, embora os equatorianos até tenham o direito de reclamar de um gol equivocadamente invalidado. A marcação do auxiliar de que a bola teria saído antes de ser chutada diminuiu em 25% o número de gols nesses primeiros dois dias de torneio. Sinal que, a exemplo dos atacantes, os árbitros também erram...

Breves pitacos sobre os jogos que assisti.

(1) A Costa Rica passa longe daquela que encantou no Mundial 2014. Joel Campbell atua mais recuado e Bolaños tornou-se suplente, desfazendo aquele poderoso trio com Bryan Ruiz.

(2) O Paraguai continua com aquela vocação de empatar seus jogos. Já foi vice-campeão de Copa América (2011) empatando até pensamento antes de ser esmagado na final. Mostrou credenciais para conseguir mais dois empates nessa primeira fase.

(3) O Haiti, embora derrotado, vendeu caro o resultado de 1a0. Equipe limitada tecnicamente, mas de grande disciplina tática. Seu esforço chega a contagiar e é daquelas seleções "simpáticas", que conquistam as torcidas neutras.

(4) Com um início imponente, o Peru foi aos poucos se enfraquecendo diante dos haitianos - um pouco por questões físicas, um tanto pela falta de capacidade tática de superar a organizada seleção adversária. Conseguiu o gol que lhe deu a vitória, mas o futebol apresentado ficou abaixo do da edição passada da Copa América, quando chegou às semifinais no Chile.

(5) Se muito, o Brasil criou meia dúzia de chances de gol em sua estréia. A grande maioria (talvez todas), na base da transpiração. Pouco (leia-se nada) em se tratando de uma seleção com a camisa que ostenta. E a verdade é que não podemos exigir muito mais que isso de uma equipe comandada pelo Dunga.

(6) Leve nos contra-ataques e pesado na marcação, o Equador mostrou alto poder de competitividade diante dos brasileiros. Sinal de que não é mera obra do acaso o bom início nas Eliminatórias Sul-Americanas. Mas, falta talento (talvez principalmente no meio-campo) para cravar que os equatorianos possam aprontar algo histórico na Copa América 2016.

Que venham os próximos jogos. E gols, por favor.

terça-feira, 30 de junho de 2015

A Experiência De Assistir Argentina E Colômbia Em Viña Del Mar

Sausalito! Saudades desse estádio, que tive a feliz oportunidade de visitar no dia 26 de junho de 2015 e no qual pude acompanhar o ótimo jogo entre Argentina e Colômbia, pela fase semifinal na Copa América.

Múltiplas alegrias. A alegria de estar viajando pela primeira vez para o Chile, na maravilhosa companhia da minha mãe. A alegria de estar assistindo o esporte que mais gosto de acompanhar, envolto de duas torcidas festivas. A alegria de estar presente num torneio como a Copa América, o mais antigo entre seleções do mundo. A alegria de assistir o maior da história: Lionel Messi. A alegria, enfim, de uma atmosfera especial.

A chegada ao estádio passava pelo terminal rodoviário de Viña del Mar e foi uma verdadeira aventura, pois chegamos à cidade-sede da partida sem ingressos em mãos - conseguimos buscá-los, gerando uma sensação de alívio. Nos molhamos no oceano Pacífico. Passeamos. E fomos ao jogo.

O estádio, bastante simpático, era de dimensões relativamente reduzidas (comportando algo em torno de vinte e duas mil pessoas) mas caprichado na sua simplicidade. Longe de ser dos mais confortáveis, era, porém, permeado por todo um clima já destacado anteriormente. E se o vento frio fazia despencar a temperatura nas arquibancadas, os festejos das torcidas (argentina, colombiana, chilena... e nós, brasileiros apoiando a Argentina) mantinha a sensação térmica nos conformes.

O jogo foi possivelmente um dos melhores na competição. Muita qualidade técnica dos dois lados e um futebol muito bem desenvolvido pela Argentina. Se a Colômbia decepcionou (muito abaixo da espetacular performance na Copa do Mundo), os argentinos mantiveram um bom nível de jogo, talvez até acima do Mundial. E mereciam a vitória. Vitória que teria acontecido com maior tranqüilidade se não fossem duas intervenções de caráter miraculoso do goleirão Ospina. Vitória que teria sido construída mais naturalmente se as traves estivessem "jogando a favor". Mas vitória que não seria a mesma do que a que de fato foi. Foi sensacional ver o gol da classificação sair nos pênaltis, numa cobrança de Tévez. Tévez, que "eliminou" a Argentina na Copa América 2011, ao desperdiçar, no seu país, a cobrança diante do Uruguai, também na fase quartas-de-final. Mais quatro voltas completas em torno do sol e o planeta Terra pôde testemunhar a volta por cima de Carlitos. Um prazer e um privilégio estar lá, vendo tudo de perto.








segunda-feira, 29 de junho de 2015

A Experiência De Assistir Chile E Uruguai Em Santiago

Numa experiência única, fui até o estádio Nacional de Santiago assistir a partida entre Chile e Uruguai, disputada no último dia 24 de junho (quarta-feira). Uma partida que teve a seleção chilena ditando o ritmo dos acontecimentos, mas não raramente esbarrando na barreira defensiva uruguaia. A Celeste, montada basicamente para (sobre)viver à base de contra-ataques, começou a sucumbir após a expulsão de Cavani, no segundo tempo (o jogador do PSG revidou provocação de Jara e recebeu seu segundo cartão amarelo na partida).

Mesmo sem repetir seus melhores momentos na primeira fase (longe disso), o Chile conseguiu a vitória com um gol de Isla e uma total falta de inspiração e proposta de jogo por parte do tradicional adversário. À parte a péssima arbitragem de Sandro Meira Ricci, a apresentação irregular dos comandados de Jorge Sampaoli e a postura covarde do time dirigido por Oscar Tabárez, foi sensacional viver o clima da partida que colocou os anfitriões na semifinal da Copa América 2015.

Se imagens descrevem melhor que palavras, lá vão algumas delas (todas exclusivas). Parabéns ao Chile pela vitória e aos chilenos pela festa. Obrigado, meu Deus, por me proporcionar essa oportunidade. Sempre na ótima companhia de mamãe - frio nenhum pode deter essa dupla. Viva o futebol!






sexta-feira, 19 de junho de 2015

Expulsão Ajuda E Peru Vence Venezuela Com Gol De Pizarro

Imagem extraída de Peru21.
No mais embolado, aberto e de difícil previsão grupo da Copa América 2015, o Peru venceu a Venezuela por 1a0 e igualou a chave em pontos e saldo de gols: todas as equipes ganharam uma e perderam outra, marcando tantos gols quanto sofreram.

A partida disputada no estádio Elías Figueroa Brander, em Valparaíso, teve um acontecimento fundamental para o andamento da partida: a expulsão de Amorebieta, punido com o rigor máximo pelo árbitro boliviano Raúl Orozco após pisar em Guerrero (assista o lance aqui). A pergunta que fica é: intencional ou acidental? Na minha opinião - baseada na imagem do contato e principalmente na reação do jogador venezuelano após ver o cartão vermelho, é que o lance foi absolutamente um acidente.

O castigo de jogar desde os 28 minutos com um jogador a menos ia sendo contornado bravamente pelos comandados de Noel Sanvicente: esbanjando boa forma física e aplicação tática, os dez homens da Venezuela conseguiram jogar de igual para igual com os onze do Peru. Quando havia igualdade numérica, uma ótima jogada de Vargas quase rendeu a abertura de placar para o Viño Tinto, mas Guerra não conseguiu fazer o domínio.

Para fortalecer a marcação que ficou enfraquecida após a expulsão, Sanvicente tirou Vargas - algo que lamento, embora compreenda a situação do treinador. Cichero entrou em seu lugar ainda antes do intervalo, contribuindo para conter as investidas adversárias.

No segundo tempo, Ricardo Gareca entusiasmou seus jogadores a avançarem e o Peru conseguiu aproximações da meta oponente. Porém, os contra-ataques venezuelanos costumavam levar perigo, possibilitando um jogo cheio de alternativas. Aos vinte e seis, Cueva, autor do gol da equipe diante do Brasil, conduziu a bola, tentou o passe e foi ajudado pelo desvio em Rincón - a bola sobrou limpa para Pizarro, que não desperdiçou. Aliás, quase que o goleiro Baroja conseguiu fazer defesa espetacular, mas a bola tocou no travessão e entrou (assista o lance aqui).

Nos minutos finais, o Peru preferiu segurar a situação de vencedor do que tentar aumentar o saldo de gol, o que lhe daria a liderança provisória. A Venezuela não deixou de tentar o empate que a colocaria no topo no grupo, mas àquela altura as forças faltavam.

Ficando a dúvida sobre a intenção ou o acidente no lance entre Amorebieta e Guerrero, resta o lamento do quanto uma decisão soberana de arbitragem pode influenciar uma partida de futebol.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Derrota Emblemática: Na Cabeça, Na Bola E Na Tática

Imagem extraída de Sokkaa.
Decepcionante. Nessa palavra, sintetizo o sentimento fruto do desempenho visto nesse jogo. Não o desempenho da Colômbia, que jogou um futebol de qualidade, envolveu a seleção brasileira e mereceu a vitória. Não o desempenho do Brasil, que jogou mal mais ou menos na medida que espero dessa seleção comandada por Dunga e CBF. Decepcionante foi o desempenho de Neymar. Não que ele seja obrigado a todo jogo ter uma atuação formidável como a da estréia. Não que necessariamente ele precise ser o destaque do time ou da partida. Mas ele tem a obrigação de, na condição de profissional e capitão da seleção brasileira, honrar a camisa e a braçadeira.

Neymar Júnior atravessou qualquer limite da imaturidade com sua atuação no estádio Monumental David Arellano. Ridículo ao extremo. Colocou a mão na bola, sendo punido com amarelo e puxando o árbitro pelo ombro, em reação digna de expulsão. Parou de jogar ao ser derrubado, preferindo reclamar do que tentar recuperar a bola, quando a redonda encontrava-se perto dele. Agrediu adversário intencionalmente. E proporcionou um vexame após o apito final, merecendo a expulsão - torço para que seja punido exemplarmente, se possível nos moldes da suspensão dada a Luis Suárez após a fatídica mordida em Giorgio Chiellini.

Fato é que o Brasil não contará com Neymar diante da Venezuela e eu já não confio mais nesse indivíduo. Quando conquista título, é "100% Jesus". Quando sai derrotado, é agressão ao adversário. Decepcionante.

Obrigado, Colômbia e Pekerman por proporcionarem alguns momentos de futebol em Santiago. Se dependensse de Brasil, Dunga e Neymar, seria uma noite pura e simplesmente para esquecer.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Agüero Decide No Clássico Entre Argentina E Uruguai

Foto: Andre Penner / AP Photo.
Argentina e Uruguai, futebol, Copa América.

Com essas poucas palavras já é possível imaginar o que foi o jogo realizado no estádio La Portada de La Serena, válido pela segunda rodada no grupo B. Era o reencontro nesse torneio continental entre essas seleções - na campanha de 2011, o Uruguai eliminou a anfitriã Argentina nas quartas-de-final, nos pênaltis. Lembro-me com carinho da ocasião, pois estava desembarcando no aeroporto de Ezeiza quando a bola rolava naquela partida eliminatória.

Retornando a 2015, o equilíbrio ditou o ritmo na maior parte do tempo, tornando o empate um resultado natural para essa partida. Só que Agüero conseguiu ir à rede após cruzamento de Zabaleta, marcando o gol solitário do jogo aos dez minutos no segundo tempo. Diferentemente do jogo de estréia, a Argentina não conseguiu criar tantas situações que envolvessem o adversário. E talvez o maior mérito desse cenário seja uruguaio, pois os comandados de Tabárez conseguiram encaixar a marcação de maneira a conter (na medida do possível) a efetiva participação de Messi. Do contrário, teríamos provavelmente um placar mais amplo. Outro mérito uruguaio foi o de ter conseguido produzir mais do que na pífia partida de estréia. Mas os desperdícios nas finalizações (talvez com Suárez o placar fosse outro) custaram pelo menos um ponto para a Celeste. Na melhor das chances, Rolan isolou o rebote do goleiro Romero.

Não sei se é intenção de Martino manter a mesma formação para a partida derradeira. Acredito que seja interessante testar a equipe com Tévez fazendo dupla com Agüero ou mesmo Higuaín, deixando Di María como opção para o decorrer dos acontecimentos. Lavezzi também pode ser uma opção para jogar pelos flancos, impondo maior força física pelas beiradas de campo. Enfim, acredito que seja válido experimentar essas situações tanto para procurar variações de jogo quanto para "se adaptar" a um adversário que conta com uma defesa fisicamente mais potente, como é o caso da Jamaica.

Já o Uruguai é mais carente de elementos para reposição. De toda forma, as entradas de Sánchez e Hernández melhoraram a equipe no segundo tempo e talvez sejam boas escolhas para iniciar entre os onze diante dos paraguaios. A habilidade de De Arrascaeta também surge como alternativa na criação de jogadas de ataque, notadamente em se tratando de um time que tem nos lances de bola parada e de chuveirinho suas maiores aptidões - é preciso encontrar outras soluções e o jogo com o Paraguai pode definir a classificação ou a eliminação do atual campeão.

Paraguai Vence Jamaica Graças A Lance Inusitado

Imagem extraída de FourFourTwo.
Quando alguém diz: "o goleiro falhou", é possível associar a frase a uma infinidade de situações diferentes. Geralmente, pensamos numa finalização na qual o arqueiro permitiu que a bola passasse por si (seja por baixo das pernas, por entre as luvas, por baixo do corpo). No caso do camisa um Duwayne Kerr, foi diferente de tudo isso: ele alcançou a bola. Ele rebateu a bola. Ele conseguiu a interceptação a qual se propôs a fazer. Enfim, ele foi bem-sucedido em sua intervenção. Quer dizer, nem tanto... O longo lançamento efetuado por Víctor Cáceres saiu forte demais. Bastaria ao goleiro aproveitar-se do privilégio de utilizar as mãos para recolher a bola e distribuir o jogo conforme julgasse conveniente. Só que ele estava fora da grande área. Optou, então, por um cabeceio. E conseguiu cabecear. Porém, como quem pergunta "quer o gol?" (Kerr, perdoe o trocadilho), acabou acertando a perna direita (não sei se o joelho, não se se a coxa) de Edgar Benítez, provável alvo da bola lançada por Cáceres. O jogador jamaicano que acompanhava o lance de perto até correu pra tentar evitar que a bola atravessasse a linha-de-fundo, mas precisaria de uma velocidade maior que a do recordista Usain Bolt para ter sucesso nessa empreitada. Gol paraguaio aos 35'.

O econômico (para não dizer escasso) futebol paraguaio proporcionou um ou outro momento interessante. No primeiro tempo, Roque Santa Cruz emendou bonito chute para boa defesa de Kerr. No segundo, Miguel Samudio arrancou, tabelou e chutou com precisão, carimbando o travessão na proximidade da bifurcação. A Jamaica, na base da empolgação e da pressão, até criou uma ou outra situação. Chegou de fato a assustar o goleiro Antony Silva, talvez causando no torcedor paraguaio uma leve acelerada na batida do coração. Mas não conseguiu um gol em Antofagasta. De toda forma, ainda não se pode falar em eliminação. Quem quer eliminar da mente essa partida é o goleiro Kerr. Quem sabe, diante da Argentina, não venha a redenção? Sinceramente... Não sei, não...

terça-feira, 16 de junho de 2015

Chile E México Fazem Jogaço E Empatam Partida De Seis Gols

Imagem extraída de Copa Chile 2015.
Meia dúzia de gols (além de dois invalidados), muitas chances criadas, correrias, tabelas, infiltrações, alternâncias no placar. Chile e México fizeram um jogo espetacular pela Copa América 2015.

Na dificuldade de destacar um único jogador nessa partida, vou aqui exaltar três personagens. O primeiro, é o técnico Jorge Sampaoli e sua enorme capacidade de tornar uma equipe ao mesmo tempo intensa e envolvente. É evidente que isso não seria possível sem que os jogadores cumprissem o proposto e sem que houvesse uma preparação física adequada. Mas o trabalho de Jorge Sampaoli, mesmo considerando algumas pendências para corrigir na defesa, é admirável. O segundo personagem é o treinador mexicano Miguel Herrera. Não me vejo entre os grandes admiradores de seu trabalho, mas há que se ressaltar a competência em tornar o México "B" um time altamente competitivo, dedicado, reativo. O terceiro... melhor dizendo, os terceiros, são os torcedores do Chile presentes no estádio Nacional de Santiago. Festa linda desde antes do apito final até depois do encerramento. Foram honrados com cinco gols (só três valeram porque os outros dois continham alguns centímetros de irregularidade) e uma partida incrível de seus compatriotas. O hino à capela foi uma espécie de primeiro golaço da seleção, com assistência e finalização das arquibancadas.

Vuoso abriu o placar para o México aos 20', aproveitando jogada de Medina. O estádio manteve-se ativo e o Chile empatou depressa, com Vidal aproveitando cruzamento de Aránguiz, no minuto posterior. Aos 28', Jiménez recolocou o México na frente, dando o troco na mesma moeda: a jogada aérea (pouco antes, o goleiro Bravo havia feito defesaça, com a bola ainda batendo no travessão). Ainda no primeiro tempo, Sánchez fez bela inversão, Vidal cruzou milimetricamente e Vargas, livre, leve e solto na área adversária, cabeceou para o novo empate.

Veio o segundo tempo e, para delírio dos espectadores, a partida manteve-se frenética. Aos nove, Vidal cobrou pênalti para marcar seu segundo gol no jogo, terceiro no torneio e colocar o Chile pela primeira vez na frente no placar diante dos mexicanos. Vantagem que durou onze minutos: Vuoso, de novo, deixou sua marca, na segunda assistência de Aldrete.

Daí pro final, a partida teve muita movimentação. Valdívia protagonizou belos lances, mostrando que aquele papo de que estaria "acabado fisicamente" é ou coisa do passado ou mero boato. Sua bola na rede não valeu. Outro que sentiu o gosto de estufar a rede privado de comemoração foi Sánchez, com a chuteira em condição de impedimento. O que tirou do Chile a condição de alcançar a segunda vitória na competição, apesar da ótima atuação. Por mais jogos assim no futebol!

Equador 2, Bolívia 3, Vento 5

Foto: Jorge Saenz / AP Photo.
A seleção boliviana deu um passo gigante rumo à classificação na Copa América 2015. Em sua primeira vitória na competição no século 21, a equipe abriu incríveis 3a0 no primeiro tempo e, na etapa final, resistiu à pressão equatoriana e à força do vento para conseguir o triunfo em Valparaíso.

A pessoa que começou a acompanhar a partida a partir dos 28 minutos de jogo deve ter tido uma surpresa. Pelo menos eu tive: como é que pode a Bolívia estar fazendo 2a0 no Equador? Pois pode, com gols de Raldes (aos quatro minutos) e de Smedberg-Dalence (aos dezessete). E pode ainda mais porque o goleiro Romel Quiñónez defendia tudo que viesse, inclusive uma finalização dificílima de seu xará de sobrenome, Pedro Quiñónez. Pegou, também, uma cobrança de pênalti (inexistente e repetida) de Enner Valencia. Pênalti que, quando houve, foi convertido (mas não repetido) por Marcelo Moreno - 3a0 Bolívia.

Só que veio o segundo tempo, e com ele a necessária troca de campo. Os ventos passavam a soprar a favor do Equador, que diminuiu a desvantagem aos dois, com Valencia (excelente jogada de Montero). A vida do goleiro Quiñónez não estava fácil: a partida era jogada praticamente inteiramente no campo de defesa boliviano. A essa altura, a pressão já tinha características de tornar o vento um furacão. Aos 37', chute de Bolaños, vento firme e bola na rede. 3a2 no placar. Mas não houve tempo nem pontaria para a derrota virar empate. Quando a pontaria estava boa, Quiñónez estava melhor ainda. Foi o goleiro boliviano a barreira mais difícil para o vento transpôr. Para tristeza do Equador.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Neymar: A Andorinha Que Faz Verão Na Seleção

Imagem extraída de Statesman.
A seleção brasileira estreou na Copa América 2015 com uma vitória sobre o Peru.

Seria muito simples girar o presente tópico em torno da frase acima posta, mas a realidade é que o fluxo de acontecimentos foi mais complexo que a mera conquista de três pontos. Um jogo com algumas características típicas de uma estréia, outras típicas de uma seleção com bastante talento e mais algumas outras que denotam o quanto estamos carentes de uma organização tática minimamente decente.

Vou dar um crédito para a falha generalizada do sistema defensivo brasileiro no lance do primeiro gol da partida. Aconteceu com menos de 3 minutos de jogo e foi bizarro. Mas qualquer time pode se complicar num lance como esse, embora seja raro no futebol. O que não dá para admitir é a dependência da equipe num único jogador: o craque Neymar. Foi ele quem pegou a bola pela esquerda, driblou quem quer que se aproximasse, carregou até o meio e propôs a inversão do ataque para o flanco direito. Daniel Alves cruzou para a área e encontrou um indivíduo livre dentro da área. Que indivíduo era esse senão Neymar? Era o gol de empate do Brasil, menos de dois minutos depois, em rápida resposta (mais do jogador do Barcelona do que do time do Dunga).

Daí até o final do jogo tivemos mais chances de gol para ambos os lados. Principalmente para o Brasil, sobretudo quando a jogada envolvia Neymar. Ou seria melhor dizer quando o Neymar envolvia a jogada? Fato é que, entre lençóis, dribles, passes e chutes, o atleta criado no Santos tomou conta do jogo. Mas faltava a vitória, para coroar a exibição. Então, somou-se ao gol do camisa 10 uma assistência primorosa para que Douglas Costa, nos acréscimos, sacramentasse o triunfo.

Até quando dependeremos de um talento individual para "resolver" uma partida? Até quando nos contentaremos com um futebol que não privilegia o jogo coletivo? Se formos campeões da Copa América com esse "estilo", seria razoável comemorar o título ou, ao contrário, criticar a maneira de jogar?

Longe de querer bancar o trombeteiro do apocalipse, mas me recuso a dizer que era apenas uma estréia. Era isso ou era aquilo. É a Era Dunga. De novo.

Com Jogo Coletivo Exemplar, Venezuela Supera Colômbia Na Estréia

Imagem extraída de El Eco.
O que esperar de um encontro entre uma seleção que encantou na última Copa do Mundo e outra que jamais participou de um Mundial? O inesperado!

Particularmente, não me surpreendeu o bom desempenho venezuelano diante dos colombianos. Simplesmente porque já correm alguns anos de uma ascensão clara e evidente no futebol que se pratica na Venezuela. Mas a capacidade de neutralizar os jogadores mais talentosos da Colômbia é de um mérito formidável tanto para a comissão técnica quanto para os jogadores. A vitória por 1a0 conquistada no estádio El Teniente, em Rancagua, é histórica. A quinta da Venezuela na história da competição, aliás.

O triunfo não teria ocorrido não fosse a ótima atuação do goleiro Baroja, um dos maiores destaques na partida. Também ficaria difícil conter Falcao García, Carlos Bacca, Teo Gutiérrez e Jackson Martnínez se não fosse a enorme disciplina da linha de defesa composta por Rosales, Vizcarrondo, Túñez e Amorebieta. A proteção proporcionada por Rincón e Seijas (mais tarde Lucena, que conseguiu a proeza de levar um cartão amarelo antes de entrar no gramado) ajudou demais a lidar com as feras James Rodríguez e Juan Cuadrado. Tudo isso fruto, também, da correta formação que alternava compactação e espalhamento no trio de meias Vargas, Arango e Guerra. Cabendo ao centroavante Rondón o gol da vitória: aos catorze minutos no segundo tempo, o camisa nove cabeceou no canto esquerdo de Ospina, concluindo jogada rápida e inteligente que começara com um arremesso lateral de Rosales e terminou em cruzamento certeiro de Guerra, decretando a paz de espírito ao Viño Tinto.

Mais tarde, com o placar favorável e a dedicação ofensiva da qualificada seleção da Colômbia, Sanvicente trouxe para campo González e Cichero, conseguindo o equilíbrio e solidez necessários para assegurar os três pontos na estréia. Vida longa, Venezuela!

domingo, 14 de junho de 2015

Argentina Joga Com Graça, Mas Paraguai Busca Empate Na Raça

Imagem extraída de FCBarcelona.com.
Argentinos e paraguaios protagonizaram o que considero ter sido a melhor partida na Copa América 2015 nesses primeiros três dias (quatro jogos) de competição. Jogo que teve movimentação desde o início, com a Argentina pressionando o Paraguai, até o final, com as seleções fazendo um jogo franco e sem abdicar da procura pelo gol.

Se alguém viu apenas o primeiro tempo, provavelmente não acreditaria no placar final. Se alguém assistiu somente após o intervalo, não imaginaria o que foi o jogo até então. As seleções de Gerardo Martino e Ramón Díaz (ambos argentinos) alternaram seus momentos de alegria no campo de La Serena: se a Argentina conseguiu abrir 2a0 com 36 minutos, o Paraguai foi buscar o empate na última meia hora, garantindo a emoção num jogo surpreendente.

Teorias para explicar uma partida assim devem existir várias. A minha não é das mais elaboradas: entendo que, por se tratar de um torneio que começa após o final da temporada européia, o desgaste físico foi bastante sentido principalmente por parte da seleção que teve mais jogadores envolvidos em campeonatos mais competitivos - caso da Argentina. Argentina que, por sinal, iniciou a partida com o pé esmagando o acelerador, gerando um sufoco no adversário. O gol inaugural veio após Messi apertar a saída de bola paraguaia em disputa com Samudio - o erro aconteceu e Agüero não desperdiçou. O segundo veio após Di María cair em lance dentro da área, novamente envolvendo Samudio. Pênalti convertido por Messi, que mandou com precisão no canto esquerdo.

Mesmo com Di María atuando muito abaixo do que pode render e inclusive já rendeu em outros anos, a Argentina se sobressaía. Algumas jogadas de ataque aconteciam com tamanha naturalidade que parecia que era questão de tempo para a vitória ficar mais elástica. Só que um lindo chute de Valdéz trouxe a diferença no placar de volta para um gol, proporcionando expectativas de pontuação ao Paraguai, que até minutos atrás era ameaçado de ser goleado. E o que é melhor: graças à postura argentina de mais se dedicar ao ataque do que se preocupar com a defesa, a partida ficou ótima de se assistir. Martino trouxe Tévez (retornando à seleção) e Higuaín para os lugares de Pastore e Agüero. Chances de gol se sucederam aos montes. Os goleiros Romero e Silva foram brilhantes em chutes de Samudio e Pastore, este em lance pouco antes de ser substituído. E a coragem paraguaia foi premiada aos 44': Paulo da Silva rolou e Lucas Barrios, que entrara no lugar de Roque Santa Cruz, chutou rasteiro para igualar o placar. Um ponto muito comemorado pela Albiroja que, na edição passada, foi vice-campeã e tinha como treinador o "agora" argentino Tata Martino.

Mesmo Com Performance Fraca, Uruguai Vence A Jamaica

Foto: Getty.
Fosse Uruguai e Jamaica um jogo qualquer, onde o espectador não soubesse quem é o Uruguai e quem é a Jamaica, ficaria praticamente impossível adivinhar de que lado estava o atual campeão na Copa América e de que lado estava o estreante no torneio, debutando graças a um convite para participar na competição. Tudo porque o que se viu no gramado de Antofagasta foi uma partida onde a tradicional seleção bicampeã mundial simplesmente não conseguiu se impôr em relação ao país que tem muito maior tradição nas pistas de atletismo do que nos campos de futebol.

Ilustres leitores, não quero aqui exigir que o Uruguai goleie a Jamaica sempre que enfrentá-la, nada disso. Reconheço que o futebol é um esporte altamente competitivo e surpreendente (o que o torna ainda mais apaixonante) - a questão é como se propôr a jogar. Mesmo dando um crédito por se tratar de uma estréia, é inaceitável que os uruguaios apresentem futebol tão precário com a bola nos pés. Salvo alguns lances de Lodeiro e uma ou outra jogada melhor trabalhada, o saldo da equipe comandada por Óscar Tabárez ficou abaixo do mínimo que se espera da Celeste.

Já a Jamaica, já marca uma coisa boa no torneio: não veio para a América do Sul por turismo. Perdeu por 1a0 uma partida onde teve chances claras de pelo menos empatar. Os cabeceios de Barnes e Brown no segundo tempo poderiam inclusive dar uma vitória de virada para a seleção da América Central, fazendo lembrar uma certa Costa Rica, que estreou na Copa do Mundo 2014 vencendo um tal de Uruguai, também de virada (nesse 14.06.2015 completa um ano daquele jogão).

Enfim, manteve-se o placar de 1a0. Aí você pergunta ao blogueiro: "mas como foi esse gol uruguaio que acabou valendo três pontos?". O gol foi marcado por Cristian Rodríguez, aos seis minutos no segundo tempo, em lance de bola parada que foi cobrada por Lodeiro e ajeitada por Giménez. Com um "detalhe": é muito difícil identificar qualquer infração no lance em que a falta foi assinalada. Ou seja: não bastando as chances de a Jamaica empatar ou virar a partida, o próprio gol do Uruguai é pra lá de contestável.

Na próxima rodada, teremos um Uruguai e Argentina. Espero ver alguma evolução na seleção uruguaia por três motivos. O primeiro, porque a seleção tem qualidade técnica para render mais. O segundo, porque o estilo de jogo argentino favorece o estilo uruguaio de atuar "em resposta" à iniciativa tomada pelo adversário. E o terceiro, porque sou otimista na prática do bom futebol. De toda forma, que falta faz o Luis Suárez...

Também na próxima rodada, a Jamaica tem pela frente o Paraguai. Entrando em campo ciente da necessidade de pelo menos pontuar, imagino que os comandados do alemão Winfried Schäfer possam aprontar alguma. Isso, claro, se a arbitragem autorizar.

sábado, 13 de junho de 2015

Quando O Tabu Triunfa: México E Bolívia Ficam No Zero A Zero

Foto: Notimex.
Qualquer coisa que eu diga sobre México e Bolívia será parcial. Parcial não no sentido de eu ter torcido loucamente a favor ou contra uma das duas seleções. Parcial pura e simplesmente porque não assisti o primeiro tempo, iniciando o acompanhamento da transmissão a partir do intervalo.

Isto posto, venho dizer que gostei bastante da seleção mexicana. Principalmente levando-se em consideração o fato de que o México não leva muito em consideração a Copa América. É bem verdade que a Bolívia não se trata de uma seleção com grandes aspirações no torneio, mas mesmo assim, o fato de o México ter sobrado no jogo (leia-se no segundo tempo) indica o quanto há de qualidade no time (leia-se no elenco) de Miguel Herrera.

Não apostaria um único centavo nessas duas equipes para chegar além de uma improvável semifinal na competição. Mas vou gostar de vê-las enfrentando Equador e Chile, os outros componentes no grupo A.

O 0a0 no estádio Sausalito, em Viña del Mar, não reflete o volume de situações ofensivas proporcionado nos últimos 45 minutos de partida.  Mais especificamente aos 37', o México não saiu do zero por detalhes, no plural: primeiro detalhe foi a não marcação de um pênalti cometido por Morales; segundo detalhe foram os centímetros que desviaram o chute de Vuoso para o lado esquerdo da trave.

Jesús Corona e Raúl Jiménez apresentaram-se bem e causaram muitas dificuldades à defesa montada por Mauricio Soria. Talvez a presença de um jogador do nível do Carlos Vela ou do Javier Hernández fosse o suficiente para dar o gol que faltou para a vitória mexicana na estréia - mas nenhum dos dois foi convocado para a competição. Porém, há que se considerar que mesmo com todas as limitações bolivianas, o time também flertou com a vitória. Os constantes apoios de Alejandro Chumacero, o instinto goleador de Marcelo Moreno e a entrada animada de Pablo Escobar proporcionaram situações interessantes.

Mas vamos combinar: as duas equipes terão de jogar mais que isso para avançarem. E o tabu triunfou no zero a zero: a Bolívia, que nunca ganhou um jogo de Copa América em solo chileno, continua sendo a única seleção sul-americana que o México jamais venceu.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Sem Vida Fácil: Chile Vence Equador Em Partida Dura Como Paredes

Imagem extraída de Taringa.net.
Começou bem a Copa América 2015. Teve hino nacional cantado a plenos pulmões pela torcida chilena, repetindo o espetáculo proporcionado ano passado na Copa do Mundo no Brasil. Teve ótima atuação de Alexis Sánchez, jogador mais acionado e inspirado dentro de campo. Teve muito frio na capital Santiago. E teve, também convém dizer, um Equador com atuação surpreendentemente positiva.

No final, o placar de 2a0 reflete apenas parcialmente o que foi a partida. Sim, o Chile até mereceu marcar gols nesse jogo, apesar de não render tudo aquilo que se espera dessa seleção. Só que não, o Equador não merecia sair zerado no placar - a bola de Enner Valencia no travessão, se alguns centímetros mais baixa, daria números mais reais à partida.

Fato é que o Chile tem muito mais a agradecer do que a comemorar nesses três pontos conquistados. Se por um lado começou o jogo em ritmo alucinante, criando duas chances claras com três minutos, por outro só foi capaz de mexer no placar graças a vacilos equatorianos. Bolaños cometeu pênalti tolo em Arturo Vidal, que cobrou e converteu. Ibarra presenteou Sánchez em recuo de bola mal feito, e o atacante do Arsenal serviu Vargas para o segundo gol anfitrião. De gols, nada mais.

O Chile até mostrou coisas boas nessa estréia - e a que mais me agradou foi o ímpeto ofensivo, apresentando não raramente meia dúzia de jogadores nas proximidades da área adversária. Porém, há muito o que acertar na defesa e na distribuição de jogadores pelo meio-campo. Fernández, que entrou no segundo tempo, foi o destaque negativo no jogo: levou cartão amarelo por simulação dentro da área e ainda foi expulso após falta dura que colocou Paredes no chão, nos acréscimos. Já o Equador, que chegou na Copa América com alguns desfalques e até com rótulo de azarão, mostrou força. Força em Paredes. Em Ayovi. E o principal: na postura em geral. Houve momentos em que conseguiu neutralizar o oponente e se sobressair no gramado. Mas pagou pelos erros com uma moeda cara: dois gols e a derrota na partida inaugural. Porém, tem totais condições de, diante de Bolívia e México, buscar os resultados que lhe colocariam na fase quartas-de-final.

Torcida chilena, uma mensagem: nem só de hino e gols vive o jogo de futebol. Façam festa também com bola rolando. É belo e vocês, quando querem, têm o dom de (en)cantar.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

O Campeão Voltou

O Uruguai, campeão da primeira edição da Copa América (ano de 1916), voltou a vencer a competição continental (a última conquista havia sido em 1995) e reassumiu o posto de maior papa-títulos do torneio, com 15 taças.

Não sou a figura mais recomendada para dizer se esse título em 2011 é merecido ou não (na campanha uruguaia, havia assistido somente os minutos finais nas quartas-de-final diante dos argentinos, a partir dos 42 minutos do segundo tempo aproximadamente) mas a julgar pelo que foi apresentado no jogo derradeiro, a Celeste tinha mais é que levantar esse troféu: vi em campo um Paraguai irreconhecível, longe de um time que fez grandes partidas nos dois primeiros jogos do torneio (empates com Equador e Brasil) tanto na escalação como na maneira de atuar. Espero que o treinador argentino Gerardo Martino tenha aprendido alguma lição com essa derrota.

O jogo

O estádio Monumental de Núñez, palco que sediou uma selvageria na recente despromoção do River Plate para a segunda divisão nacional, recebeu grande público na tarde desse domingo, vinte e quatro de julho de dois mil e onze. Pelo visual das arquibancadas, daria facilmente para dizer que a partida estava ocorrendo no estádio Centenário em Montevidéu, tamanha a supremacia de uruguaios dentro e fora das quatro linhas.

Muito dessa supremacia se deve ao talento da dupla Diego Forlán e Luis Suárez, mas se a partida caminhou para um desequilíbrio flagrante, isso se deve também às escolhas dos treinadores Oscar Tabárez e Gerardo Martino. Enquanto o primeiro deu seqüência a uma maneira de jogar semelhante à apresentada na Copa do Mundo, em 2010, o segundo parece ter aberto mão de suas convicções táticas e preparou um time recheado de volantes no meio-campo, isolando o competente Haedo Valdéz e simplesmente impedindo o desenvolvimento do jogo paraguaio, que sequer tinha saída pelos flancos do campo (Marcelo Estigarribia na condição de reserva foi algo que fugiu de qualquer compreensão).

A pressão celeste começou cedo, com o goleiro Justo Villar trabalhando bem para impedir que um cabeceio de Forlán inaugurasse o placar - na seqüência, quem "fez a defesa" foi Néstor Ortigoza, em lance passível de marcação de pênalti (mas concordo com a interpretação de não ter havido intenção do paraguaio em levar as mãos à bola). No 12º minuto, Suárez recolheu a redonda pela direita, fintou Darío Verón, chutou, a bola desviou no próprio Verón - que apesar da grande habilidade de "Luisito" conseguiu manter-se firme no lance - e tocou na trave direita antes de entrar no gol. 1a0 Uruguai e festa em Núñez.
 
Luis Suárez age rápido após recolher a bola e solta o chute, que desviaria em Verón e tocaria na trave antes de entrar: assim era aberto o placar no estádio Monumental de Núñez.
Pouco depois disso, a partida passou a ter como protagonista o árbitro brasileiro Sálvio Spínola Fagundes Filho, que teve bastante trabalho no aspecto disciplinar. Apesar de terem sido relativamente poucas as faltas cometidas, a maioria delas estava carregada de força excessiva e colocava em risco a integridade física dos atletas. O baiano de 41 anos de idade optou por mostrar cartão amarelo para o paraguaio Víctor Cáceres e para os uruguaios Diego Pérez, Martín Cáceres e Maximiliano Pereira num intervalo de treze minutos (entre os 16 e os 29) e a bem da verdade poderia ter expulsado pelo menos dois jogadores nesse mesmo período.

No meio de tanto meio-campista focado na marcação e abusando da violência, quem circulava pelo gramado de forma diferente dos demais companheiros era Arévalo Ríos: sem distribuir um único pontapé (não recordo de vê-lo cometer uma falta sequer) e participando do jogo com a simplicidade de quem busca levar a bola para o companheiro em melhores condições de recebê-la, o camisa 17 era o ponto de equilíbrio da equipe. E, aos 41 minutos, participou ativamente do 2º gol uruguaio: após recuperar a posse de bola, Arévalo viu Forlán livre à sua esquerda, rolou para o camisa 10 e este encerrou o jejum de gols com a camisa celeste chutando com a canhota no contrapé de Villar.

A inoperância paraguaia persistiu por toda a primeira etapa e se arrastou até por volta dos vinte minutos do segundo tempo, quando finalmente Martino resolveu mudar as coisas. Quer dizer, Martino mudou as coisas antes mesmo de a bola rolar, escolhendo escalar um time mais defensivo, menos hábil, menos veloz, menos criativo e, com isso tudo, facilitando a vida para o uruguaios. Com as entradas de Estigarribia e Hernán Pérez nos lugares de Cáceres e Enrique Vera, o Paraguai subiu de produção: agora passava a ter maiores recursos no uso da posse de bola, conseguindo envolver a defesa adversária pelos dois lados do campo.

Doze minutos depois daquelas substituições, veio a última de Martino: Pablo Zeballos por Lucas Barrios. Barrios, argentino de nascimento, é um dos maiores talentos da atual geração paraguaia. Não ficou muito tempo em campo pois precisou sair, contunidido, provavelmente em função de alguma complicação previamente conhecida e que justificava a sua escalação como suplente. Com um homem a menos no gramado, o Paraguai já não tinha muito o que fazer e, aos 44 minutos, assistiu mais um pouco do show uruguaio: em contra-ataque avassalador, Álvaro Gonález chapelou um adversário, passou para Edinson Cavani (que entrou no segundo tempo no lugar de Álvaro Pereira, retornando de uma contusão ocorrida na estréia) e este, de primeira, acionou Suárez com linda inversão para a direita. Também com um único toque, "Luisito" usou a cabeça para deixar que Forlán concluísse a jogada. E ela foi concluída com uma finalização sutil, levando a bola para o canto esquerdo e decretando o 3a0 triunfal.
Com categoria, Diego Forlán toca tirando de Justo Villar: Uruguai marca 3a0 e chega ao 15º título na história das Copas América.

A mística da camisa celeste, o trabalho sério de Tabárez e o talento nato de Forlán e Suárez talvez tenham sido o tripé da vitória uruguaia em Buenos Aires. Pelo lado dos comandados de Martino, uma atuação "made in Paraguay" no sentido mais esdrúxulo do termo, pois a "Albirroja" que foi a campo para essa decisão passou longe do time qualificado que iniciou a competição.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

A Eliminação Brasileira Na Copa América 2011 Diretamente De La Plata

No momento em que estas palavras são digitadas, o Paraguai está na final da Copa América 2011 (passou pela Venezuela no desempate por pênaltis, numa partida em que diz-se que os paraguaios foram beneficiados pela arbitragem). O adversário será o Uruguai (que após superar a Argentina nas penalidades máximas, passou pelo Peru com vitória por 2a0 no tempo regulamentar). Então, falar sobre o jogo entre Brasil e Paraguai, jogado pela fase quartas-de-final, parece fora de propósito. Resumidamente, tratou-se de uma partida onde apareceram os talentos individuais brasileiros mas faltou um jogo coletivo que mostrasse que aquele grupo de jogadores convocados por Mano Menezes formava um legítimo time de futebol. Aplicado, o Paraguai conseguiu suportar a pressão brasileira e, se por um lado escapou de levar o gol, por outro também teve chance de vencer a partida sem necessitar da disputa por pênaltis. Mas não é sobre os acontecimentos internos às quatro linhas que esse tópico versará: vamos, a partir de agora, compartilhar um pouco do que foi a atmosfera vivida naquele domingo, dezessete de julho de dois mil e onze, data em que o blogueiro desfrutou a memorável experiência de marcar presença no estádio Ciudad de La Plata.
Por volta das 14h, descemos na estação de trem em Tolosa (uma anterior à estação de La Plata), após cerca de uma hora de viagem desde que o transporte ferroviário partiu de Buenos Aires, na estação Constitución. Um dia muito bonito e de temperaturas baixas se comparadas às que estamos acostumados no Brasil.

Diferentemente do clima de tensão que pode ser visto ainda no futebol quando facções oponentes se enfrentam nos dias de jogos de "seus" times, um clima amistoso tomava conta do ambiente no caminho para o estádio Ciudad de La Plata. A foto a seguir demonstra a descontração entre brasileiros e paraguaios, unidos por uma mesma paixão.
Brasileiros e paraguaios a caminho do estádio: clima de festa serve como exemplo de conduta.

A baixa temperatura e os ventos constantes que sopravam na região convidavam os torcedores a manterem-se devidamente agasalhados. Mas a imagem ao lado, capturada por volta das 15:30h, pouco antes de uma das entradas ao estádio, mostra que nem todos parecem preocupados com o frio.
 
Já do lado de dentro do estádio, os amigos brasileiros registram a presença instantes antes de as equipes entrarem em campo.

O Paraguai tinha a seu favor uma torcida que estava em maior número que a brasileira (talvez numa proporção de 3 para 1). Tudo bem que esse tipo de coisa não ganha jogo, mas não tenho dúvidas de que exerce um papel importante pelo menos do ponto de vista emocional. E o jogo teve muitas emoções durante as mais de duas horas de duração, sendo decidido somente no desempate por pênaltis, momento em que a seleção brasileira foi bizarra, desperdiçando todas as quatro cobranças e acabando eliminada nas quartas-de-final numa competição onde é atual bicampeã.
Goleiro paraguaio Justo Villar prepara o chute (visão da Popular Sul): Brasil teve mais chances, mas não foi capaz de tirar o zero do placar durante os mais de 120 minutos de jogo.

Enfim, foi maravilhoso viajar pela Argentina e assistir esse jogo entre Brasil e Paraguai. Uma experiência que transcende qualquer registro fotográfico e que considero merecedora de ser compartilhada. Em breve, serão anexados vídeos exclusivos nessa postagem. Aguardem e, é claro, retornem.
[Vídeo 1] Caminhando em La Plata rumo ao estádio que carrega o nome da cidade: paraguaios em maior número que brasileiros.
[Vídeo 2] Atmosfera contagiante no momento em que os times entram em campo e tocam os hinos nacionais (diretamente do setor Popular Sul no estádio Ciudad de La Plata).
[Vídeo 3] Fred cobra o quarto pênalti brasileiro e, seguindo o exemplo de Elano, Thiago Silva e André Santos, também desperdiça. O resto é festa paraguaia no estádio Ciudad de La Plata.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Ataque Compensa Falhas De Júlio César E Brasil Avança Líder

Se o grupo B na Copa América 2011 começou com dois empates em 0a0 na rodada de abertura, o encerramento foi alucinante em termos de quantidade de bola na rede: 12 nos dois jogos (Paraguai e Venezuela empataram por 3a3, além da vitória brasileira sobre o Equador por 4a2). Desta forma, o Brasil avança em 1º lugar na chave e na fase quartas-de-final reencontra o Paraguai, classificado como 2º melhor 3º. Já o Equador despede-se com 1 ponto ganho.

O jogo

Com a marcação funcionando a contento e o ataque mais lento do que o desejado, o Brasil fazia um começo de jogo sem grande inspiração numa partida onde o 0a0 o classificaria como 2º melhor 3º colocado. Ramires já dava indícios de uma nova grande atuação (foi possivelmente o melhor brasileiro em campo diante do Paraguai), exibindo uma consciência tática tanto no deslocamento pelo campo como quando tinha a bola nos pés. E saiu de seus pés uma abertura de jogo para o lado esquerdo, chegando no lateral canhoto André Santos, até então praticamente nada participativo no campo ofensivo: aos 28 minutos, André lançou a bola na área para o espaço vazio e Alexandre Pato direcionou-se até lá, cabeceando com precisão para abrir o placar.

O Equador não tinha grande volume de jogo no campo de ataque, mas chegou ao empate aos 36 minutos: Lúcio não conseguiu afastar uma bola dividida pelo alto, ela chegou em Walter Ayoví e o camisa 10 equatoriano rolou para Felipe Caicedo, que chutou da entrada da meia-lua uma bola que passou por baixo dos braços de Júlio César. Forte e rasteira a finalização de Caicedo, é verdade, mas que poderia - e deveria - ser rebatida por aquele que é considerado por muitos como um dos melhores goleiros na atualidade.

Veio o segundo tempo e o Brasil tomava a iniciativa contando basicamente com dois recursos: o domínio territorial na altura do círculo central (zona que parecia propriedade particular de Ramires) e boas subidas de Maicon pelo flanco direito, sempre dando trabalho à defesa equatoriana. Aos 3 minutos, Ramires carregou a bola dominada, passou para Paulo Henrique Ganso e este deu para Neymar, que deu continuidade à jogada fazendo o mais simples - tirando do goleiro Marcelo Elizaga para estufar a rede.

O resultado de 2a1 indicava a necessidade de um sorteio para decidir o desempate entre Brasil e Venezuela na liderança da chave (ambos naquele momento estavam com 5 pontos, 4 gols marcados e 3 gols concedidos, além de terem empatado por 0a0 no confronto direto). Mas, aos 13 minutos, uma nova finalização de Caicedo acabou com as possibilidades de o 1º lugar ser resolvido nessas condições: o camisa 9 recebeu de Christian Noboa na entrada da meia-lua, fintou Thiago Silva e, da entrada da área, mandou mais um chute rasteiro. Bola difícil de ser defendida, sobretudo se o goleiro resolver mergulhar sobre ela - o mais simples parecia ser colocar a chuteira na bola e rebatê-la para onde quer que fosse, desde que impedindo que ela tomasse o rumo da rede. De toda forma, menos grave que a falha no outro lance.

O Brasil não demorou a reagir ao segundo empate cedido na partida, conseguindo retornar à frente no placar aos 15 minutos: Robinho tocou para Paulo Henrique, que deixou com Neymar (nesse momento os torcedores santistas devem ter recordado algum momento positivo na história recente do clube) e o camisa 11 teve a atitude de chutar ao gol. Marcelo Elizaga "bateu-roupa" e, atento ao rebote, Alexandre Pato conseguiu chutar um objeto redondo que estava entre um tanto de pernas adversárias, contando com a sorte para vê-lo entrar no canto esquerdo.

Maicon já havia realizado cruzamentos interessantes, feito tabelas, se apresentado, enfim, fazendo em larga escala o que pouco viu-se Daniel Alves fazer nas rodadas anteriores. E, aos 26 minutos, teve sua grande atuação premiada com uma assistência para o 4º gol do Brasil: o camisa 13 desceu pelo lado direito, escapou da marcação na base do vigor físico (resistiu a um tranco mantendo-se firme) e, já dentro da área, tocou para que Neymar concluísse a jogada. Não tinha como o jovem atacante santista não abraçar o lateral interista.

O futebol apresentado pelo Brasil nessa noite de quarta-feira pode não ter sido dos mais convincentes, mas, no conjunto dos 90 minutos, foi a melhor atuação da equipe na fase de grupos. O suficiente para passar pelo Paraguai nas quartas? Talvez. Principalmente se não dependermos de Júlio César.

Outros resultados (entre parênteses a classificação final no grupo)

Domingo

Colômbia (1º A) 2a0 Bolívia (4º A)

Segunda-feira

Argentina (2º A) 3a0 Costa Rica (3º A)

Terça-feira

Chile (1º C) 1a0 Peru (3º C)
Uruguai (2º C) 1a0 México (4º C)

Quarta-feira

Paraguai (3º B) 3a3 Venezuela (2º B)
Brasil (1º B) 4a2 Equador (4º B)

Eis os duelos na fase quartas-de-final

Sábado: Colômbia e Peru; Argentina e Uruguai.
Domingo: Brasil e Paraguai; Chile e Venezuela.

Algumas curiosidades na fase de grupos

Maior número de gols marcados: Brasil (6).
Menor número de gols marcados: Bolívia e México (1).
Maior número de gols concedidos: Bolívia, Paraguai e Equador (5).
Menor número de gols concedidos: Colômbia (0).
Melhor campanha: Colômbia (2 vitórias, 1 empate, 3 gols marcados).
Pior campanha: México (3 derrotas, 1 gol marcado, 4 gols concedidos).
Goleador: Sérgio Agüero (Argentina), com 3.
Jogador mais indisciplinado: Ronald Rivero (Bolívia), com 2 cartões amarelos e uma expulsão.
Mais assistências: PH Ganso (Brasil), Michael Guevara (Peru) e Lionel Messi (Argentina), com duas.
- As únicas equipes que não empataram foram a Costa Rica e o México (ambas estão eliminadas).
- As únicas equipes com saldo de gol zero foram o Paraguai e o Peru (ambas avançam em 3º no grupo).
- O Paraguai é o único classificado que ainda não venceu no torneio.
- O Peru é a única equipe classificada que não está invicta.
- O blogueiro terá o prazer de assistir diretamente no estádio Ciudad de La Plata a partida pela fase quartas-de-final entre Brasil e Paraguai (domingo, 17.07.2011) e espera possibilitar uma postagem bem bacana sobre o jogo.

Abraços.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Equipe E Jogada Da Semana

Terminada a temporada européia 2010-1, o tradicional tópico de melhor equipe e jogada semanal entrou em recesso. Mas as competições internacionais que encontram-se em andamento vêm proporcionando momentos interessantes, que motivam o blogueiro a voltar a homenagear aqueles que parecem merecedores.

A seleção colombiana, primeira classificada à fase quartas-de-final na Copa América 2011, vem somando boa atuação atrás de boa atuação. Nessa última semana, encarou a anfitriã Argentina, foi superior durante quase a totalidade da partida mas acabou não conseguindo sair do 0a0 (o goleiro Sergio Romero contribuiu decisivamente para isso). Quatro dias depois, no domingo, os comandados de Hernán Darío Gómez ratificaram a classificação como líderes no grupo A após vencerem a Bolívia por 2a0 (dois gols do atacante Falcao García). Eis uma seleção que recomendo que o amante do futebol bem jogado preste atenção: com um padrão de jogo bem definido, boas variações de jogadas e atletas de técnica apurada, a Colômbia pode ir muito longe nessa Copa América.

Jogada da semana

Se na Argentina os homens disputam a Copa América, na Alemanha as mulheres jogam a Copa do Mundo. Na 3ª rodada pela fase de grupos, a brasileira Érika fez simplesmente isso que aparece em vídeo, abrindo caminho para a goleada por 3a0 sobre a Guiné Equatorial.

Colômbia Se Classifica Liderando Grupo A; Bolívia Está Fora Da Copa América 2011

 
Com dois gols de Radamel Falcao García Zárate - atacante de 25 anos e que vive temporada espetacular -, a Colômbia venceu a Bolívia por 2a0, garantiu a liderança no grupo A e, esbanjando consciência tática, agora aguarda o melhor terceiro colocado da fase de grupos para com ele duelar na fase quartas-de-final. A seleção boliviana despede-se da Argentina como lanterna na chave (pontuou somente na estréia, quando empatou com a anfitriã em 1a1).

O jogo

A partida até começou equilibrada, com os bolivianos acionando preferencialmente o atacante Juan Carlos Arce Justiniano em suas jogadas de ataque. Mas tão logo os comandados de Hernán Darío Gómez encontraram seu jogo, a Colômbia não teve dificuldades em tomar a frente no placar: com 14 minutos, Dayro Moreno deu bela enfiada de bola para Falcao García e o atacante portista, goleador na Liga Europa, mostrou seu faro de gol e fez tudo certinho, do domínio à finalização, abrindo o placar. Foi um lance que lembrou o gol colombiano na estréia da competição, só que naquela vez envolvendo Fredy Guarín como assistente e Adrián Ramos como finalizador.

A presença de García à frente da linha de quatro meias era uma constante ameaça à defesa boliviana, que via o camisa 9 a todo momento podendo levar perigo à sua meta. Não bastasse a preocupação com o astuto atacante, a Bolívia viu Pablo Armero se mandar ao ataque pelo lado esquerdo, entrar na área na base da jogada individual e sofrer pênalti de Santos Amador, corretamente assinalado pelo árbitro mexicano Francisco Chacón Gutiérrez. Falcao não fez a melhor das cobranças (principalmente para quem viu a "aula" que foi dada nesse quesito na partida entre Brasil e Estados Unidos, pelo Mundial Feminino 2011), mas colocou a bola na rede aos 27 minutos e igualou-se ao peruano José Guerrero com dois gols marcados na competição.

Na etapa complementar, a Bolívia aventurou-se mais vezes ao ataque e convidou o goleiro Luis Enrique Martínez Rodríguez a participar da partida. A Colômbia, bem postada na sua proposta de jogo, saía ao ataque parecendo saber exatamente o que queria, e conseguia levar perigo variando as jogadas. As saídas de Dayro Moreno, Fredy Guarín e Adrián Ramos não representaram uma perda no rendimento da equipe, com Hugo Rodallega, Juan Cuadrado e Elkin Soto dando conta do recado e participando satisfatoriamente do jogo.

Vou reforçar aqui a minha expectativa em torno desse time colombiano: não estranhem se a equipe de Perea, Guarín, Falcao e companhia aparecer na final da Copa América 2011. Não será por falta de méritos.

Falcao García comemora um de seus gols no jogo: atacante fez novamente uma boa partida.