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terça-feira, 12 de junho de 2018

Análise Da Copa Do Mundo 2018 - Grupo F

Vamos analisar o grupo F da Copa do Mundo 2018 (leia o que colocamos sobre os grupos A, B, C, D e E).

Nele, estão quatro seleções que aparecem rotineiramente em mundiais, incluindo a atual campeã e também aquela que surpreendeu nas Eliminatórias ao deixar pelo caminho as tradicionais Holanda e Itália.

Grupo F: Alemanha, México, Suécia e Coréia do Sul.

Alemanha

Alemanha: 1ª colocada no ranqueamento da FIFA.
Revolucionada desde a chegada de Joachim Löw e rejuvenescida nesses últimos anos, a Alemanha tem muitos ingredientes que sugerem favoritismo ao penta. É bem verdade que a convocação trouxe algumas discordâncias, sendo provavelmente a maior delas a ausência de Sané, jovem promessa/realidade treinada por Josep Guardiola no Manchester City. Mas a realidade é que os alemães têm todos os motivos para confiar em sua seleção na Rússia.

Com uma campanha sólida nas Eliminatórias (com direito a 6a0 sobre a Noruega), com a bem-sucedida estratégia de usar a Copa das Confederações para possibilitar maior rodagem e experiência a atletas menos aproveitados e, principalmente, com um elenco qualificado técnica, tática e mentalmente, só duvida desta Alemanha quem não conhece esta Alemanha.

O radar do futebol arte há de apitar forte quando este time estiver em campo. Começamos a nos acostumar com isso desde 2010. E tivemos o desfrute de uma das maiores aulas no Mineirão, naquela memorável semifinal em 2014 que alguns, equivocadamente, chamam de "apagão". Aqueles 7a1 são o oposto: são luz. Que o ascendente futebol alemão possa continuar iluminando os gramados pelo mundo. Chegou a vez da Rússia.

México

A classificação sem maiores sustos - o oposto do cenário visto para a Copa 2014 - dá ao México maior tranqüilidade na preparação para este Mundial. Só que o recente escândalo envolvendo jogadores e prostitutas colocou a seleção nacional em maus lençóis, virando assunto não-esportivo e alimentando a engrenagem sensacionalista de setores midiáticos.
México: 15ª colocada no ranqueamento da FIFA.

Naquilo que tange ao campo de jogo, Juan Carlos Osorio leva para a Rússia um grupo experiente. Os 3 goleiros somam 104 anos de idade. Na zaga, o imortal Rafael Márquez nos brindará com seu talento e elegância novamente. No meio, o bom futebol está Guardado. No ataque, Peralta e Hernández marcam presença ao lado de Giovani dos Santos e Carlos Vela (aos 29 anos de idade e perto de tantos trintões, podem ser considerados dois meninos).

O único gol marcado nos últimos quatro amistosos levantam suspeitas sobre a efetividade do setor ofensivo da equipe, o que contrapõe uma defesa que foi vazada em apenas duas partidas nos últimos sete compromissos. A estréia com a Alemanha tem pelo menos uma coisa boa: dará aos mexicanos o direito de arriscar, pois uma derrota seria um resultado normal. Pontuando nessa partida, abre caminho para a classificação, que tem tudo para ser decidida somente na rodada derradeira, com a disciplinada seleção sueca. E é sempre bom ter em mente o seguinte: esse grupo cruza com o "do Brasil" e, se tem uma seleção que não tem medo da "Amarelinha", essa seleção é a mexicana...

Suécia

Com a autoconfiança de quem sobreviveu a um grupo com França e Holanda - eliminando a Itália na repescagem - e com a união de um grupo que superou todas as dificuldades sem sua principal estrela, a Suécia chega à Rússia com muitos motivos para acreditar em surpreender.

Suécia: 24ª colocada no ranqueamento da FIFA.
Os dois amistosos zerados realizados nesse mês (0a0 com Dinamarca e Peru) talvez sugiram ajustes para fortalecer um ataque habituado a marcar poucos gols. A boa notícia é que, em mais de 180 minutos de confronto, os suecos somente precisaram de um único gol para eliminar os italianos.

A Suécia tem na experiência de Toivonen, Larsson e Svensson, além do talento de Forsberg, seus principais trunfos no campo de ataque. Mas é a consistência coletiva o diferencial que pode fazer a equipe nórdica incomodar as outras três seleções nessa chave. No pouco que assisti no amistoso diante dos peruanos, foi notória a capacidade de conter o ímpeto de um adversário com vocação ofensiva, conseguindo bloquear os flancos e povoar o centro sem gerar grandes espaços ao adversário, além de ter relativo êxito em sair para o jogo com objetividade.

De destaque, fico com a declaração do treinador Janne Andersson sobre Zlatan Ibrahimovic: "Assim que Zlatan anunciou a aposentadoria depois da Eurocopa, comecei a planejar a seleção sem ele. Comecei a pensar no time sem ele. É um jogador que respeito muito, mas quis priorizar a equipe que classificou a Suécia para a Copa. Tira muito da minha energia esse tanto de perguntas sobre o Zlatan".

Coréia do Sul

Embora classificada de maneira direta com o segundo lugar em seu grupo nas Eliminatórias Asiáticas, a Coréia do Sul suou para chegar à Rússia. O 0a0 na rodada derradeira, no Uzbequistão, selou uma classificação que estaria ameaçada em caso de derrota, pois levaria os sul-coreanos, na melhor das hipóteses, à repescagem.

Coréia do Sul: 57ª colocada no ranqueamento da FIFA.
O atacante Son Heung-Min, há três temporadas no Tottenham, é o jogador que vive momento de maior destaque na seleção. Seu faro goleador na Premiership não é novidade, pois se mantém presente desde os tempos da Bundesliga, onde vestiu as camisas do Hamburgo e do Bayer Leverkusen. No setor de meio-campo, mais um jogador que atua no futebol inglês: Ki Sung-Yeung, do Swansea City. Mas se me perguntar como joga a equipe treinada por Shin Tae-Young, não saberei responder. E, considerando que houve somente uma vitória nos últimos seis jogos oficiais, é possível que o próprio treinador possa estar usando esses dias na Rússia para reformular a formação do time.

Guardo ótimas lembranças da Coréia do Sul na época em que a cultura holandesa de atuar com três atacantes permeou o paradigma futebolísitco do país, que teve Guus Hiddink e Dick Advocaat como alguns de seus técnicos. Vamos ver como a seleção se comporta nesse Mundial. O grupo é difícil, mas uma boa estréia diante da Suécia pode dar esperanças a um país que, entre méritos e apitos, chegou a uma semifinal de Copa do Mundo dezesseis anos atrás, para euforia de seus torcedores.

sábado, 24 de junho de 2017

México Vira, Avança, Elimina A Rússia E Auxílio Eletrônico Marca Presença

Lozano mais esperto que Akinfeev. Foto: Tolga Bozoglu/EFE/EPA
Havia visto alguns comentários que previam que a Copa das Confederações 2017 seria um fracasso. Os argumentos giravam em torno:
  • da pouca procura por ingressos;
  • da seleção alemã não levar seu "time principal";
  • da FIFA considerar que o modelo da competição encontra-se esgotado.
Talvez hajam ainda mais justificativas para criticar o torneio disputado na Rússia. Mas gostaria de me fixar em dois pontos positivos. O primeiro é que, do pouco que vi até agora, gostei: Rússia e México foi o primeiro jogo que assisti inteiro e achei a partida bem interessante. Duas equipes propositivas e, curiosamente, com a equipe russa conseguindo encaixar mais jogadas envolventes que seu adversário (considerado superior tecnicamente). O México primou pela organização, sobretudo entre as duas intermediárias. Mas raramente impôs um flagrante domínio sobre os donos da casa. Virou o jogo com um misto de sorte e mérito, mas não sobressaiu ao ponto de tornar o empate um resultado fora de contexto.
O outro ponto positivo é, na minha opinião, ainda mais importante. Principalmente pelo momento que vive o futebol mundial. É a incorporação do recurso eletrônico para auxiliar a arbitragem na tomada de decisão. Funcionou corretamente no jogo e proporcionou dois ganhos inestimáveis ao evento: a justiça no resultado e a sensação de justiça no resultado. Sim, uma coisa difere da outra. Quando os jogadores dentro de campo sentem que não está havendo interferência de terceiros (sim, o árbitro deve ser considerado como uma terceira parte nessa história toda), o jogo parece fluir melhor, parece transcorrer mais leve, parece seguir seu rumo com maior tranqüilidade.

Houve dúvidas em pelo menos dois lances de queda na grande área (ambos, de fato, sem pênaltis) e um gol mexicano que colocaria 3a1 no placar (os russos sequer reclamaram de impedimento, mas ele realmente existiu).

O auxílio de vídeo chegou para ficar. Não há qualquer razão para não incorporá-lo nos próximos torneios da FIFA. Há, isto sim, a necessidade de seguirmos nessa direção e ampliá-lo quando necessário. O mundo - e isso inclui o futebol - precisa de justiça. Atentar contra ela em alguma parte é ameaçá-la em qualquer outra.

Em tempo: ótima arbitragem do árabe Fahad Al Mirdasi. Foi praticamente tão preciso quanto a própria tecnologia à sua disposição.

Ah! O jogo terminou 2a1 para o México. Os mexicanos avançam em segundo lugar (atrás de Portugal) e os russos são eliminados em terceiro (a frente da Nova Zelândia). Independentemente do que ocorra no outro grupo (onde Alemanha e Chile são as maiores forças diante de Austrália e Camarões), a Copa das Confederação já tem um vencedor: o futebol. Vitória com um golaço do auxílio eletrônico. Antes tarde do que Blatter...

terça-feira, 16 de junho de 2015

Chile E México Fazem Jogaço E Empatam Partida De Seis Gols

Imagem extraída de Copa Chile 2015.
Meia dúzia de gols (além de dois invalidados), muitas chances criadas, correrias, tabelas, infiltrações, alternâncias no placar. Chile e México fizeram um jogo espetacular pela Copa América 2015.

Na dificuldade de destacar um único jogador nessa partida, vou aqui exaltar três personagens. O primeiro, é o técnico Jorge Sampaoli e sua enorme capacidade de tornar uma equipe ao mesmo tempo intensa e envolvente. É evidente que isso não seria possível sem que os jogadores cumprissem o proposto e sem que houvesse uma preparação física adequada. Mas o trabalho de Jorge Sampaoli, mesmo considerando algumas pendências para corrigir na defesa, é admirável. O segundo personagem é o treinador mexicano Miguel Herrera. Não me vejo entre os grandes admiradores de seu trabalho, mas há que se ressaltar a competência em tornar o México "B" um time altamente competitivo, dedicado, reativo. O terceiro... melhor dizendo, os terceiros, são os torcedores do Chile presentes no estádio Nacional de Santiago. Festa linda desde antes do apito final até depois do encerramento. Foram honrados com cinco gols (só três valeram porque os outros dois continham alguns centímetros de irregularidade) e uma partida incrível de seus compatriotas. O hino à capela foi uma espécie de primeiro golaço da seleção, com assistência e finalização das arquibancadas.

Vuoso abriu o placar para o México aos 20', aproveitando jogada de Medina. O estádio manteve-se ativo e o Chile empatou depressa, com Vidal aproveitando cruzamento de Aránguiz, no minuto posterior. Aos 28', Jiménez recolocou o México na frente, dando o troco na mesma moeda: a jogada aérea (pouco antes, o goleiro Bravo havia feito defesaça, com a bola ainda batendo no travessão). Ainda no primeiro tempo, Sánchez fez bela inversão, Vidal cruzou milimetricamente e Vargas, livre, leve e solto na área adversária, cabeceou para o novo empate.

Veio o segundo tempo e, para delírio dos espectadores, a partida manteve-se frenética. Aos nove, Vidal cobrou pênalti para marcar seu segundo gol no jogo, terceiro no torneio e colocar o Chile pela primeira vez na frente no placar diante dos mexicanos. Vantagem que durou onze minutos: Vuoso, de novo, deixou sua marca, na segunda assistência de Aldrete.

Daí pro final, a partida teve muita movimentação. Valdívia protagonizou belos lances, mostrando que aquele papo de que estaria "acabado fisicamente" é ou coisa do passado ou mero boato. Sua bola na rede não valeu. Outro que sentiu o gosto de estufar a rede privado de comemoração foi Sánchez, com a chuteira em condição de impedimento. O que tirou do Chile a condição de alcançar a segunda vitória na competição, apesar da ótima atuação. Por mais jogos assim no futebol!

sábado, 13 de junho de 2015

Quando O Tabu Triunfa: México E Bolívia Ficam No Zero A Zero

Foto: Notimex.
Qualquer coisa que eu diga sobre México e Bolívia será parcial. Parcial não no sentido de eu ter torcido loucamente a favor ou contra uma das duas seleções. Parcial pura e simplesmente porque não assisti o primeiro tempo, iniciando o acompanhamento da transmissão a partir do intervalo.

Isto posto, venho dizer que gostei bastante da seleção mexicana. Principalmente levando-se em consideração o fato de que o México não leva muito em consideração a Copa América. É bem verdade que a Bolívia não se trata de uma seleção com grandes aspirações no torneio, mas mesmo assim, o fato de o México ter sobrado no jogo (leia-se no segundo tempo) indica o quanto há de qualidade no time (leia-se no elenco) de Miguel Herrera.

Não apostaria um único centavo nessas duas equipes para chegar além de uma improvável semifinal na competição. Mas vou gostar de vê-las enfrentando Equador e Chile, os outros componentes no grupo A.

O 0a0 no estádio Sausalito, em Viña del Mar, não reflete o volume de situações ofensivas proporcionado nos últimos 45 minutos de partida.  Mais especificamente aos 37', o México não saiu do zero por detalhes, no plural: primeiro detalhe foi a não marcação de um pênalti cometido por Morales; segundo detalhe foram os centímetros que desviaram o chute de Vuoso para o lado esquerdo da trave.

Jesús Corona e Raúl Jiménez apresentaram-se bem e causaram muitas dificuldades à defesa montada por Mauricio Soria. Talvez a presença de um jogador do nível do Carlos Vela ou do Javier Hernández fosse o suficiente para dar o gol que faltou para a vitória mexicana na estréia - mas nenhum dos dois foi convocado para a competição. Porém, há que se considerar que mesmo com todas as limitações bolivianas, o time também flertou com a vitória. Os constantes apoios de Alejandro Chumacero, o instinto goleador de Marcelo Moreno e a entrada animada de Pablo Escobar proporcionaram situações interessantes.

Mas vamos combinar: as duas equipes terão de jogar mais que isso para avançarem. E o tabu triunfou no zero a zero: a Bolívia, que nunca ganhou um jogo de Copa América em solo chileno, continua sendo a única seleção sul-americana que o México jamais venceu.

domingo, 29 de junho de 2014

No Confronto De Invictos, Holanda Elimina México Com Virada Emocionante

Quando alguém te pergunta o nome de um filme que você tenha gostado muito de assistir (aquele pra figurar no topo na lista de preferências), o que você responde? Bem, provavelmente, independentemente do nome da película, a resposta será em referência a alguma obra cinematográfica que tenha final emocionante. Pode ser suspense, drama, aventura. Mas, preferencialmente, com final emocionante. Às vezes o filme nem chega a ser primoroso em seu roteiro ou não tenha uma atuação inesquecível por parte de alguém do elenco. Mas, sendo o final emocionante, tudo muda de figura.

Holanda e México não fizeram um grande jogo no Castelão. Sol forte, horário ingrato, umidade alta, tudo parecia conspirar para uma partida arrastada em Fortaleza. Até a torcida fugiu das áreas iluminadas pelo astro-rei, deixando um clarão nas arquibancadas e procurando abrigo à sombra. Os jogadores não têm essas regalias. Pelo contrário. Uma bola lançada para Robin van Persie não foi dominada da maneira ideal pelo camisa nove muito provavelmente por causa do sol na cara do holandês. Uma marcação implacável. A pausa para reidratação era o mínimo do mínimo que poderia ser feito pelos atletas. Mesmo assim, é lamentável que nos sujeitemos a jogos em horários como esse. Atuar à uma da tarde no nordeste brasileiro é mais grave do que muita mordida no ombro.

Os primeiros vinte minutos foram no ritmo imposto pelo México. Posse de bola entre as duas intermediárias com cada vez mais aproximação da área holandesa. Já com oito minutos, Nigel de Jong deixou o campo por motivos clínicos - Bruno Martins Indi entrou em seu lugar. Uma mudança de nomes para diversas mudanças de posicionamento: Wijnaldum passou a ficar mais centralizado (na função então exercida por De Jong), Blind migrou uma linha à frente (ocupando a posição anterior de Wijnaldum) e Martins Indi foi fazer a lado esquerdo da defesa (onde estava Blind anteriormente). Na dinâmica da partida, pouca coisa mudou do antes para o depois: México com a bola, Holanda correndo atrás.

Curiosamente, os mexicanos atuavam espalhados pelo campo. A alma do time estava no trio formado por Herrera, Salcido e Guardado, que ditava o compasso e tinha a missão de acionar Giovani dos Santos e Peralta. A liderança técnica e psicológica de Rafa Márquez na linha de cinco defensores era a segurança que o México precisava para conter os contra-ataques holandeses, que só ofereciam perigo quando passavam pelos pés de Arjen Robben. Se bem que Van Persie ainda descolou uma ou duas finalizações. Mas foi só. O primeiro tempo foi do sol, do calor e do México, talvez nessa mesma ordem.

No segundo tempo, o gol mexicano veio ligeiro: Giovani dos Santos acompanhou a trajetória da bola e, mesmo vigiado de perto por Blind e com a marcação dobrada, conseguiu chutar no canto esquerdo de Cillessen, abrindo o placar no Ceará. 1a0 e festa da maior parte da torcida presente no estádio.

A Holanda precisaria achar uma nova maneira de jogar. E achou. Com Memphis no lugar de Verhaegh, Louis van Gaal redesenhou a formação tática da equipe: de quatro para três defensores; três meio-campistas; e Memphis aberto pelo flanco esquerdo, possibilitando que Robben ficasse mais dedicado ao lado direito, com Kuyt se deslocando pelos dois extremos.

Se Miguel Ernesto Herrera havia mexido no intervalo por motivo de contusão (Reyes entrou no lugar de Moreno), aos quinze o treinador mexicano substituiu para promover uma mudança estratégica: saiu o autor do gol Giovani dos Santos e entrou o meio-campista Aquino. Uma opção que chamou ainda mais os holandeses para o campo do México. Percebendo o tamanho do perigo e tentando não perder completamente a possibilidade de contra-atacar, Herrera colocou Javier Hernández no lugar de Peralta. Ganhou velocidade, mas não tinha conexão do resto do time com Chicharito.

Van Gaal fez sua última modificação imediatamente depois, trazendo Huntelaar para o lugar de Van Persie. E aqui, aos trinta minutos no segundo tempo, foi dada oportunidade para cornetarmos o consagrado técnico. Senhor treinador, concordamos plenamente que Van Persie não está bem no jogo. E se não está bem é, basicamente, porque não está participando o suficiente para manifestar o seu reconhecido talento. Sneijder recuou para buscar jogo, isolando o atacante. Memphis não vem rendendo aberto pelo lado esquerdo. Blind e Wijnaldum pouco acrescentam na articulação. Apenas Robben representa real ameaça aos adversários. Não seria melhor, caro treinador, mexer em algum elemento mais recuado e trazer alguém que eventualmente pudesse fazer Van Persie aparecer mais?

Mas a cagada, digo, a substituição estava feita. Com determinação e apostando alto em Robben, a Holanda foi criando chances em cima da bem postada defesa do México. Houve um pênalti claro que foi negado à Laranja, em lance onde Robben foi atingido duas vezes, por dois marcadores diferentes - ambos dentro da área. O português Pedro Proença nada assinalara. Como se não bastasse enfrentar sol, calor, umidade elevada e uma arbitragem errante, a Holanda também enfrentava uma zaga liderada por Rafa Márquez e uma baliza protegida por Guillermo Ochoa. Que missão ingrata virar esse jogo!

Foi então que, aos quarenta e dois minutos no segundo tempo no quarto jogo holandês no Mundial, Wesley Sneijder mostrou um pouco do que é, ou melhor, de quem é Wesley Sneijder. Após cobrança de escanteio pelo lado esquerdo, a sobra de bola ficou para o camisa dez holandês, que pegou do jeito que veio para marcar belíssimo gol, não dando sequer oportunidade de reação para Ochoa. Era o empate no Castelão!

Por gols, substituições e reidratação, foram indicados seis minutos como acréscimo. Ou seja, tudo levava a crer que teríamos pela frente uns trinta e seis minutos de futebol praticado no limite da resistência física (já incluindo os dois tempos de quinze minutos de prorrogação). Só que a Holanda queria mais. Ou seja, queria menos tempo de jogo. E era o time com mais jogadores voltados para buscar o gol: enquanto o México era quase que exclusivamente Chicharito no campo ofensivo, os holandeses contavam naquele momento com Sneijder, Kuyt, Robben, Memphis e Huntelaar. E, para confirmar a ótima Copa que vem fazendo, Robben arrancou pelo lado direito, fez um carnaval fora de época na defesa mexicana e caiu ao ter o pé de Rafa Márquez colocado à sua frente. Dessa vez, Pedro Proença assinalou a penalidade máxima, para desespero da seleção que talvez tenha pensado que pênaltis só existiriam se fosse para a série derradeira de desempate.

Lembram da cornetada que tivemos a oportunidade de dar em Van Gaal por ter trocado Van Persie por Huntelaar? Pois bem: aos quarenta e oito, o próprio Huntelaar pegou a bola, colocou na marca e cobrou com categoria, com Ochoa caindo no canto oposto na fotografia. Virada holandesa. Virada laranja. Uma seleção que mostrou que é casca grossa. Que não azeda por qualquer coisinha. E que chega fortíssima na fase quartas-de-final. 100% saborosa. Não é cebola, mas proporcionou lágrimas nos olhos dos mexicanos. E, tal qual filmes que ficam na memória da gente, o jogo no Castelão também merece ser lembrado.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Não Mexe Comigo: Na Bola E Na Raça, México Supera Croácia

Quem disse que os confrontos eliminatórios começariam no dia 28? Croácia e México foram a campo em Pernambuco para decidirem o futuro de ambos na Copa: enquanto os mexicanos garantiriam classificação às oitavas com um empate, aos croatas só a vitória não os fariam depender de uma derrota do Brasil no jogo com Camarões. Se durante a semana rolaram provocações (principalmente a partir dos croatas), o clima no jogo foi tenso, sobretudo no segundo tempo e mais ainda a partir do momento que o México passou a estar vencendo a partida.

Escalada com Modric, Rakitic e Pranjic na armação, Olic e Perisic na aproximação e Mandzukic como referência, a Croácia parecia ter elementos suficientes para transpôr a defesa adversária. Só parecia. A linha de cinco defensores composta por Paul Aguilar, Rodríguez, Rafa Márquez, Moreno e Layún conseguiu levar vantagem quando ameaçada pelos croatas e ainda contou com a ajuda fundamental de três jogadores de meio-campo que tiveram atuações maiúsculas: Vázquez, Herrera e Guardado. E a bem da verdade, no time montado por Miguel Ernesto Herrera Aguirre, até os atacantes Giovani dos Santos e Peralta desempenham relevantes serviços defensivos. De quebra, o arqueiro é ninguém menos que Ochoa. Com todos esses ingredientes no caldeirão mexicano, a Croácia só iria conseguir sentir o sabor da classificação se estivesse com seus jogadores inspirados. Perisic jogou demais, confirmando uma ótima Copa por parte do camisa quatro. Só que Modric e Rakitic não conseguiram render aquilo que deles se esperava, fato que acabou comprometendo a articulação de jogo da equipe. Niko Kovac não encontrou alternativas táticas para reverter o cenário e ainda viu o México subir de produção no campo de ataque. Até tentou alguma solução, colocando Kovacic no lugar de Vrsaljko, mas o efeito da transformação não foi o suficiente para tornar a Croácia superior.

Aos vinte e seis minutos, começou a se desenhar a classificação que já estava esboçada: após escanteio cobrado por Herrera, o capitão Rafa Márquez conseguiu a proeza de subir mais que Corluka para abrir o placar com um cabeceio consciente. Um momento marcante para aquele que é o único jogador na história dos Mundiais a usar a braçadeira de capitão de uma seleção em quatro edições de Copas - a terceira edição marcando gol. Tem que respeitar!

Três minutos depois, uma rápida troca de passes com participação de Javier Hernández (que entrara no lugar de Giovani) e Peralta foi concluída por Guardado, estufando a rede de Pletikosa, que até chegou a encostar na bola. 2a0 México e festa incrível nas arquibancadas do Azteca, digo, de Recife.

O momento do jogo era de decisão, e ambos os treinadores àquela altura já haviam realizado as três modificações a que tinham direito. Kovac trouxe Rebic para o lugar de Olic e Jelavic no lugar de Pranjic, mantendo Eduardo da Silva no banco. Herrera pôs Peña no lugar de Peralta e Fabián no de Guardado. E o balanço disso foi tudo foi melhor para os mexicanos: aos trinta e seis, para alegria geral da nação que cantou o hino com força e que não cessava de apoiar seus compatriotas, Chicharito encerrou a seqüência de jogos sem marcar. Foi em nova jogada aérea com participação de Rafa Márquez, que dessa vez resvalou de cabeça e Chicharito completou. 3a0 no placar.

Houve tempo ainda para a Croácia contar com um lampejo de lucidez: Rakitic deu lindo passe para Perisic descontar aos quarenta e um. O primeiro gol marcado em cima de Ochoa nessa Copa. Só que a Croácia precisava de mais três. Era um convite a perder as esperanças. Mas não precisava perder a cabeça: aos quarenta e três, uma entrada desleal de Rebic em Peña deixou os croatas com um homem a menos.

No final das contas, 3a1 para o México e classificação de uma seleção que chegou aos trancos e barrancos ao Mundial. Dentro dele, fez três gols em Camarões (a arbitragem anulou erradamente dois deles), resistiu aos donos da casa criando ainda chances de vencer o jogo e poderia ter até goleado a boa seleção croata (o árbitro Ravshan Irmatov ignorou pênalti do "goleiro" Srna quando a partida ainda estava 0a0). O próximo adversário dos mexicanos é a Holanda, favorita para o confronto. Mas quer saber de uma coisa? Quem precisa de favoritismo quando se tem uma torcida apaixonada e um time determinado? Vem jogo imperdível por aí.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Guillermo Ochoa: O Dono Da Bola, Senhor Da Baliza, Nome Do Jogo

Sabe quando o dia é do goleiro? Dezessete de junho de dois mil e catorze, em Fortaleza, o dia foi do goleiro. Guillermo Ochoa, que está em sua terceira Copa do Mundo, sendo a primeira na condição de titular no México, atuou magistralmente para proteger a baliza de sua pátria.

De perder a conta a quantidade de intervenções importantes. De defesas difíceis. E o que é melhor: fazendo tudo isso de maneira discreta, usufruindo de um ótimo posicionamento e agindo da maneira mais simples possível para cumprir o difícil ofício que é o de ser goleiro. Fez parecer fácil!

Seria um mundo muito melhor esse em que vivemos se houvessem vários Ochoas espalhados pelo planeta. Imagina só um presidente que, de maneira objetiva e direta, defendesse os interesses da população de seu país. Ou um juiz que agisse única e exclusivamente visando defender a aplicação da justiça. Ou que tal pensarmos num policial que, em vez de defender os interesses do capital, voltasse seus olhos para os oprimidos e reféns da ditadura empresarial? Daria para enumerar exemplos e mais exemplos, mas fiquemos com o de Ochoa, o goleiro. Foi um 0a0 com encanto, porque quando lembrarmos desse placar, lembraremos de sua performance. Não teria a mesma graça se a partida terminasse 1a1, por exemplo.

Claro que houve um outro grande facilitador para o jogo terminar sem gol: Luiz Felipe Scolari, aquele indivíduo que comanda a seleção brasileira e que muitos acham apropriado chamar de "técnico". Eu sinceramente me sinto mais seguro de chamar Ochoa de goleiro do que Felipão de técnico. Goleiro é aquele que está lá para defender, e Ochoa sabe fazer isso. Técnico é aquele que está lá para organizar, dar padrão de jogo, transformar o time quando necessário. Não vejo nenhuma dessas características em Scolari. Não vi no ano do título de 2002, não vejo doze anos depois. Mas sigamos em frente, o futuro a Deus pertence. Quem diria que uma ex-guerrilheira se tornasse presidente para defender o grande capital em detrimento de gente? Pode ser que um dia Felipão vire técnico. Só acho que não dará tempo de fazê-lo nessa Copa. Enquanto isso, deixo os aplausos para Ochoa, goleiro.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Apesar Da Arbitragem, México Vence Camarões

A Copa do Mundo começou catastrófica dentro e fora de campo. Nosso relato sobre os fatos que cercaram Brasil 3a1 Croácia rendeu um recorde recente de acessos (222 até o presente momento na postagem a respeito).

E o jogo que completou a primeira rodada no grupo A seguiu tônica parecida: novamente a arbitragem envolvendo a partida acabou tendo papel influente no resultado final. Pelo menos, dessa vez, a equipe prejudicada conseguiu sair com a vitória e o México passou por Camarões com o placar de 1a0.

Disputado sob chuva, o jogo em Natal foi bastante corrido e cheio de alternativas. Mais pelos esforços dos atletas do que propriamente por algum sinal de consistência tática. Mas o que vem chamando atenção até aqui não são os jogadores, cabendo a pergunta: até quando toleraremos árbitros e auxiliares como protagonistas em espetáculos futebolísticos? Eu, já há algum tempo, não aguento mais. Mais do que na bola, precisamos colocar um chip é nos árbitros. De preferência com uma tecnologia fora do "padrão FIFA", pois é aí que mora o perigo...

domingo, 16 de junho de 2013

Campos No Maracanã: De Jogo Para Itália E México, De Guerra Para Os Brasileiros

Itália e México jogaram no Maracanã uma partida que tornou-se irrelevante se comparada à realidade circundante. Enquanto as seleções de Cesare Prandelli e José Manuel De La Torre disputavam algo que valia três pontos para o vencedor, nos arredores do estádio centenas de manifestantes eram reprimidos por policiais agressivos, violentos e fortemente armados. Manifestação pacífica. Então, fica a pergunta: para quem serve a polícia?

Dentro de campo - como se fosse humanamente aceitável olhar para o gramado enquanto nas ruas acontecia o que acontecia -, a Itália criou mais chances e mereceu vencer o jogo diante dos mexicanos. A transmissão televisiva, honrando os dizeres de que a revolução não será televisionada, não prestou uma única palavra sobre a barbárie e o caos que aconteciam a alguns metros de onde a partida se consumava. Mídia golpista é isso.

Guardado, Aquino, Giovani Dos Santos e Hernández participaram menos do jogo do que o amante de futebol gostaria: apesar da qualidade técnica nesse quarteto mexicano, faltava um ou outro elemento para fazer a bola neles chegarem. O meio-campo era italiano. Povoado por De Rossi, Pirlo, Montolivo, Marchisio e Giaccherini, a Azzurra levou a melhor territorialmente no setor. Mas sem jamais encantar. Faltava criatividade.

Chega a ser inconcebível pensar a Itália com Giovinco no banco. Ou mais grave: sem Francesco Totti ao menos relacionado. Mas o pior do dia não foi a falta de transição mexicana ou a escalação italiana. Foi a ação policial no Rio de Janeiro. As tropas das três esferas (Eduardo Paes, Sérgio Cabral e Dilma Rousseff) mostraram-se à postos para servir ao patrimônio privado concedido ao megaempresário Eike Batista. Tudo em detrimento da população. Resultado: derrota do Brasil.

sábado, 11 de agosto de 2012

Obrigado, México!

A seleção brasileira caminhava em direção ao inédito ouro olímpico no futebol masculino, numa trajetória que começou antes das Olimpíadas através de um trabalho muito bem feito quando sob o comando de Ney Franco. Mas erros foram cometidos, sendo talvez o maior deles o fato de a CBF "passar o bastão" para Mano Menezes, que tratou de bagunçar uma equipe até então bem arrumada taticamente.

Mesmo assim, vencemos cada um dos cinco jogos realizados na Grã-Bretanha, mascarando uma realidade que foi exposta nesse sábado, no estádio Olímpico de Londres, para quase 90.000 presentes. Graças aos deuses do futebol, esse sonho pela conquista inédita foi adiado para Rio-2016. Quem sabe lá, daqui a quatro anos, façamos um melhor planejamento, estejamos sob comando técnico de algum treinador com mentalidade digna de um país pentacampeão mundial e façamos por merecer o feito do ouro.

Felizmente, dessa vez ficou com o México. Time que deu aula de consistência tática, consciência do que fazer na transição ao ataque, posicionamento, atitude, marcação, tempo de bola. Mesmo cometendo alguns erros pontuais e estando desfalcado de seu maior jogador na atualidade - Giovani dos Santos -, os mexicanos foram merecedores desse título. O futebol brasileiro, que precisa se reencontrar, e o mundial, que vem sendo agraciado pela vistosa seleção espanhola, agradecem ao México.

Alguns do erros de Mano Menezes

- Inisistir em repetir na final a pífia escalação utilizada na semifinal, com Alex Sandro, Sandro e Rômulo titulares para Lucas, Ganso e Pato reservas
- Acreditar que Hulk possa ser mais útil que Lucas, sub-aproveitando um jogador talentoso que, nos poucos minutos em que atuou, esteve na maior parte do tempo fora de posição
- Não conseguir dar a devida proteção a uma defesa que, exposta por um meio-campo irregular no combate e por dois laterais que rotineiramente dão espaço às suas costas, acabou sofrendo muitos gols ao longo da competição
- Não dar um padrão de jogo compatível ao talento dos jogadores, apostando muito mais na individualidade dos atletas do que na força do jogo coletivo

Um trabalho que deveria ter terminado na Copa América 2011 chegou a Londres-2012. Ganhou a prata. Será que vai adiante?
Seleção brasileira cabisbaixa em campo enquanto mexicanos festejam nas arquibancadas: o ouro não veio e foi melhor assim.

domingo, 3 de junho de 2012

México Mostra Força E Expõe Limitações Da Jovem Seleção Brasileira

Depois de vencer amistosos com Dinamarca e Estados Unidos, a seleção brasileira não resistiu ao México e perdeu por 2a0 na partida realizada em Dallas. E o placar do jogo refletiu o que foi, de fato, um encontro de superioridade mexicana. Mano Menezes voltou a colocar o time com Oscar atrás do trio Hulk-Damião-Neymar. Desse quarteto, o camisa 10 teve a melhor atuação, mas não foi capaz de criar tantas opções como nos jogos anteriores. Neymar não esteve bem e teve performance comprometedora na medida em que deu origem ao contra-ataque do primeiro gol adversário e comportou-se de maneira nada profissional ao mostrar destempero emocional a agressividade fora de contexto no segundo tempo, quando poderia ter sido expulso de campo em áspero desentendimento com Severo Meza. Leandro Damião mostrou-se um jogador muito dependente de jogar de frente para o gol para pura e simplesmente finalizar a jogada. Teve uma oportunidade aos nove minutos, colocou para dentro, mas estava em posição de impedimento - de resto, foi uma figura que beirou a nulidade tática. Hulk mostrou aquela disposição que o caracteriza ao mesmo tempo que justificou a implicância que tenho por ele: a impressão que dá é que esse camisa 20 não "pensa" a jogada, apenas tenta imprimir um ritmo acelerado e ver no que vai dar a investida. Foi bem marcado pelo sistema defensivo e acabou se tornando presa fácil - ora dos jogadores mexicanos que o acompanhavam, ora por si próprio, ao escolher carregar a bola para uma zona mais difícil de ser trabalhada. A dupla de volantes composta por Rômulo e Sandro não comprometeu ao mesmo tempo que não conseguiu dar aquela alavancada para o ataque, isto é, marcaram presença em campo de maneira discreta. A seleção melhorou quando o hábil meia Lucas entrou no lugar de Sandro, ganhando em velocidade e em aproximação com o trio de frente (que terminou o jogo composto por Wellington Nem, Alexandre Pato e Neymar). Agrada-me ver Lucas e Oscar jogando juntos, e vejo como uma opção muito mais viável do que insistir no uso de Hulk.

A defesa confirmou as impressões anteriores: Thiago Silva é dono da posição e Juan tem muito o que "rodar" para transmitir alguma confiança. Enquanto o primeiro parece estar sempre consciente de onde estar e o que fazer, o segundo passa aquela sensação de estar atrasado no lance, tentando preencher um espaço onde já deveria estar antes. O lance do pênalti é apenas um exemplo mais explícito disso. Os laterais Danilo e Marcelo atuaram bem. Lamento pelo fato de, com a bola nos pés, a seleção brasileira concentrar as jogadas naquele último, muitas das vezes ignorando a liberdade do lateral-direito, que avançava, pedia a bola e não recebia. No final do jogo, o individualismo exacerbado do lateral-esquerdo mostrou que seu temperamento não justificaria jamais o uso de uma braçadeira de capitão para um jogador com essas características. Antes um jovem com a cabeça no lugar do que um veterano assim para supostamente liderar a seleção.

No bem montado time do México, muito me chamou atenção a boa dupla de ataque composta por Giovani dos Santos (autor de um golaço, provavelmente desproposital) e Javier "Chicharito" Hernández, que marcou o segundo gol cobrando pênalti e, ao lado de Giovani, atormentou a defesa brasileira com investidas velozes e que esbanjavam uma técnica aprimorada. Pouco mais atrás, José Andrés Guardado Hernández era o elemento que mais conseguia fazer fluir cada avanço mexicano, dando coesão ao time e mostrando ser peça significativa no esquema de José Manuel de la Torre Menchaca. A linha de defesa estava tão bem posta e tão bem protegida, que sua harmonia fazia parecer haver uma unidade intransponível, dando uma aula na seleção brasileira de como inibir o talento individual oponente através da aplicação tática. E a cereja no topo do bolo é esse goleiro chamado José de Jesús Corona Rodríguez. Com 31 anos de idade, o arqueiro mexicano teve uma exibição maiúscula no sentido de sua segurança em cada movimento feito em direção à bola. Se o México tem como tradição ser associado a goleiros bons porém espalhafatosos, com Corona Rodríguez a equipe pode contar com alguém que em nada deve ao maiores goleiros do país e que tem esse diferencial absolutamente positivo: o de ser discreto em sua eficiência.

As viagens brasileiras por solo estadunidense terão sequência com o amistoso diante da Argentina, sábado próximo, em Nova Jersey. Um dia antes, na capital Cidade do México, a equipe da casa recebe a Guyana em compromisso pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2014.

sábado, 9 de julho de 2011

Peru Vence México E Mostra Qualidades

Peru e México fecharam a 2ª rodada pelo grupo C na Copa América (mais cedo o Uruguai e o Chile empataram por 1a1) e quem levou a melhor no estádio Malvinas Argentinas foi a seleção peruana, que fez uma boa partida e venceu o jogo por 1a0, gol do centroavante José Paolo Guerrero Gonzales, goleador isolado na competição, com dois gols marcados.

O jogo

O Peru iniciou o jogo com intensidade e prova disso foram as 3 finalizações dadas antes do relógio marcar 10 minutos. Mas o México encaixou a marcação e a partida passou a ter como desenho ambos os conjuntos fazendo a bola circular pelo gramado na busca por espaços. Espaços esses que sumiam quando as equipes se aproximavam da intermediária oponente.

Veio o intervalo e com ele uma substituição para cada lado: no time peruano, o treinador uruguaio Sergio Apraham Markarián Abrahamian trocou Luis Jan Piers Advíncula Castrillón por Víctor Yoshimar Yotún Flores; já na jovem equipe mexicana, Luis Fernando Tena Garduño pôs Édgar Iván Pacheco Rodríguez na vaga de Paul Nicolás Aguilar Rojas.

O Peru só fazia crescer de produção e, com naturalidade, envolvia o México em tramas de jogadas muito bem trabalhadas. José Guerrero teve grande chance de abrir o placar aos quatro minutos, quando cabeceou com estilo e mandou perto da trave esquerda. Dos pés de Juan Manuel Vargas Risco, versátil jogador de 27 anos com passe pertencendo à italiana Fiorentina, saíam coisas interessantes, como por exemplo duas bolas na trave. A primeira delas aconteceu aos 13 minutos, em finalização cruzada; a segunda deu-se aos 27, quando cobrou falta de forma caprichada e mandou a redonda no vértice esquerdo, fora de alcance para os mortais.

Após tantos sustos, Luis Fernando Tena mexeu no México pela segunda vez, trazendo Miguel Angel Ponce Briseño para o lugar de Darvin Francisco Chavez Ramirez. Três minutos depois, aos 31', Sergio Markarián também realizou a segunda substituição: entrou Michael Fidel Guevara Legua, saiu Paulo Rinaldo Cruzado Durand. Se anteriormente a trave rebateu o que poderiam ser dois gols peruanos, a essa altura quem aparecia salvificamente era a defesa mexicana, que colocada sob pressão rebatia do jeito que dava. De quebra, o goleiro Luis Ernesto Michel Vergara ainda fez grande defesa após novo cabeceio bem dado por Guerrero.

De tanto insistir e mostrar merecer a vitória, o Peru chegou ao gol. Aos 36 minutos, uma troca de passes bem realizada chegou até Fidel Guevara e este honrou os nomes socialistas que carrega consigo, servindo o companheiro Guerrero, que apenas completou para a rede. No lance, o mexicano Javier Aquino Carmona mostrou-se perdidinho, sem marcar ninguém e ainda dando condição de jogo para o camisa 9 peruano.

Após o gol, cada selecionado realizou uma última substituição. No México, saiu Javier Carmona (sabe-se lá se não foi exatamente devido à sua "participação" no lance anterior) e entrou Oribe Peralta Morones. No Peru, Carlos Augusto Lobatón Espejo deu lugar para Josepmir Aaron Ballón Villacorta. O jogo seguiu com os peruanos encaixando passes, naquela altura buscando o gol que o colocaria na liderança da chave e no direito de jogar pelo empate diante do Chile para manter a ponta no grupo C. Mas o placar permaneceu até o apito final do árbitro argentino Sergio Pezzotta, que teve atuação correta.
José Guerrero comemora o gol do jogo: camisa 9 é o primeiro jogador a marcar duas vezes na Copa América 2011.

domingo, 27 de junho de 2010

Gol Irregular Abre Caminho Na Vitória Argentina

No duelo que reeditou o encontro de oitavas-de-final da Copa 2006, a Argentina confirmou o favoritismo, superou os mexicanos, mas só abriu caminho para a vitória por 3a1 através de um gol irregular. Agora, a seleção comandada por Diego Armando Maradona terá o direito de reeditar o encontro de quartas-de-final da mesma Copa 2006, quando foi eliminada nos pênaltis para a então anfitriã Alemanha.

Não sei se existe alguma data no calendário futebolista em homenagem aos árbitros. Mas, se desajarem implementá-la, ela definitivamente não pode ser celebrada num 27 de junho.

México encara a Argentina sem medo, leva perigo mas é injustiçada pela arbitragem

Maradona mandou a campo um time com três modificações em relação à formação considerada titular na fase de grupos: na lateral direita, Jonás Gutiérrez deu lugar a Nicolás Otamendi; na zaga o lesionado Walter Samuel deu lugar a Nicolás Burdisso; e no meio-campo o técnico optou por iniciar a partida com Maximiliano Rodríguez em vez de Juan Sebastián Verón.

Javier Aguirre também mudou um pouco o México: Carlos Vela, machucado, abriu vaga para Javier Hernández enquanto o centroavante Guillermo Franco deu lugar para Adolfo Bautista.

Logo aos dois minutos, a Jabulani mostrou ter vontade própria e foi à procura do craque, saindo pela linha lateral e indo ao encontro de Maradona, que sempre tratou os objetos esféricos com grande carinho.

Com bola dentro de campo, a Argentina esboçou um lance de ataque aos 7 minutos: Carlitos Tévez deixou a bola para Lionel Messi, que carregou e chutou, mas foi bloqueado. O México respondeu no mesmo minuto e de forma convincente: Carlos Salcido chutou de perna direita de fora da área, a bola passou por Sergio Romero e carimbou o travessão. No minuto seguinte, os mexicanos chegaram mais uma vez com grande perigo: Giovani dos Santos vai à linha-de-fundo pelo lado direito de ataque e passa pra trás na direção de José Andrés Guardado, que chuta cruzado, com efeito, rente à trave direita.

Após os sustos seqüenciais, a Argentina tentou buscar fôlego da maneira que mais sabe: atacando. Aos 11 minutos, Tévez driblou Francisco Rodríguez e tentou enfiada para Gonzalo Higuaín, mas a bola saiu com mais força que o ideal e permitiu a chegada do goleiro Óscar Pérez, que recolheu. Ainda na marca de 11 minutos, Messi carregou a bola se livrando de Rafael Márquez e chutou dando uma cavada na redonda - Pérez defendeu em dois tempos. Com 12 minutos no cronômetro, a Argentina chegou mais duas vezes. Primeiro, lançamento para Higuaín, que dominou e viu Salcido cortando imediatamente, negando-lhe qualquer possibilidade de finalização. Depois, na cobrança de escanteio originada nesse lance, Ángel Di María pegou a sobra chutando de primeira, a bola saiu torta e Burdisso a redirecionou também de primeira, mas sem conseguir mandar no rumo do gol. O México respondeu no minuto seguinte: Hernández foi acionado no ataque e agiu rapidamente, arrumando para o chute cruzado que acabou saindo à esquerda do gol.

As equipes continuavam buscando aproximação da área adversária, mas os sistemas defensivos conseguiam se portar bem e levar vantagem na maioria dos lances. Até que, aos 25 minutos, veio o lance polêmico: Messi enfiou para Tévez, o goleiro Pérez saiu para abafar mas não conseguiu segurar, a bola retornou para Messi, que deu um tapinha provavelmente visando o gol. Tévez, em posição de impedimento, colocou a cabeça na bola e mandou para a rede. Seguiu-se um princípio de confusão, pois o árbitro italiano Roberto Rosetti dialogava prolongadamente com seu auxiliar envolvido no lance, dando a pinta de que o gol seria anulado - nos telões do estádio Soccer City a jogada foi repetida e a irregularidade detectada. Cercado por argentinos e mexicanos, Rosetti optou por manter a decisão inicial e o gol ilegal foi validado.

Na volta da bola rolando, Rafa Márquez deu entrada dura em Messi, mostrando claramente que os ânimos ficaram exaltados. Acabou recebendo cartão amarelo.

Outro que mostrou ter perdido a concentração foi o zagueiro Ricardo Osorio: dentro da área, ele fez o movimento de passar a sola por cima da bola e puxá-la para perto de si. Mas acabou encostando com a ponta da chuteira e presenteando Higuaín. Logo ele. Higuaín mostrou como se passar o pé por cima da bola, driblando Pérez, fazendo 2a0 aos 32' e isolando-se como goleador da Copa com 4 gols marcados.

No minuto seguinte, Salcido voltou a dar um chute de perna direita de fora da área e novamente levou perigo: Romero dessa vez alcançou a bola e afastou espalmando. Aos 35', Osorio voltou a errar com a bola dominada e dessa vez presenteou Tévez: o camisa 11 tentou cruzar para Messi mas a defesa mexicana afastou. No minuto seguinte, a Argentina teve arremesso lateral, a bola chegou em Di María pelo lado esquerdo, que finalizou e Pérez rebateu - na seqüência, Tévez chutou a bola em cima da defesa mexicana.

Na marca de 41', Higuaín teve a chance de ampliar: Maxi Rodríguez cruzou da direita, a bola passou por Osorio e chegou no camisa 9, que cabeceou livre, mas à direita do gol. No minuto seguinte foi a vez dos mexicanos tentarem cruzamento: Bautista colocou na área a partir do lado esquerdo e Romero subiu para agarrar. Aos 43', o capitão Márquez chutou da intermediária à meia-altura e Romero encaixou. Na marca de 45', novamente pelo lado esquerdo de ataque mexicano, a bola foi colocada firme para dentro da área, Hernández esticou-se e por pouco não alcançou - Romero segurou.

Após o apito de intervalo, o movimento natural de deslocamento para os vestiários foi trocado por uma confusão entre alguns jogadores de ambas as seleções e indivíduos trajando uniformes da FIFA, do lado de fora do campo de jogo. Roberto Rosetti foi conferir do que se tratava mas não precisou punir ninguém: Maradona foi um dos que se aproximou da muvuca para acalmar os ânimos e tudo se ajeitou.

Golaço de Tévez aos 6 minutos liquida a fatura diante de um México que jamais entregou os pontos

Na volta para a etapa complementar, Aguirre decidiu dar maior agilidade ao time e trocou Bautista por Pablo Barrera.

Com 1 minuto, o participativo Salcido pegou sobra de escanteio e chutou de primeira, à direita. Aos 2 minutos, Martín Demichelis seguiu o exemplo de Osorio e presenteou o adversário: mas teve a felicidade de recuperar-se no lance com Barrera e ceder apenas arremesso lateral.

Os argentinos chegaram ao ataque aos 6 minutos. E foi pra valer. Tévez tentou passe, Osorio fez o bloqueio e a bola retornou para Carlitos: com precisão impressionante, Tévez pegou de primeira e mandou um chutaço inapelável à meia-altura, no canto esquerdo de Pérez.

Aos 14 minutos, linda jogada individual de Barrera pelo lado esquerdo: o camisa 7 driblou Otamendi, canetou Maxi Rodríguez mas acabou sendo levado pela empolgação, chutando na rede externa em vez de servir um companheiro na área. Aos 15', Guardado tentou de fora da área e a bola saiu por cima. Foi a última participação do camisa 18, substituído pelo centroavante Guille Franco.

Aos 16 minutos, Salcido deu novo chute de fora da área e Romero caiu além da trave direita para espalmar. O escanteio foi cobrado, Barrera levantou na área e Hernández subiu soberano, mas acabou cabeceando por cima do travessão.

Na marca de 23 minutos, Tévez deu lugar a Verón, e mostrou-se insatisfeito com o fato de deixar o campo. Nada contra a substituição em si, provavelmente foi uma reação de alguém que estava determinado a dar ainda mais pelo time.

Com 24 minutos, o México quase chegou ao gol: Salcido fez jogada pela esquerda, levantou na área, a defesa argentina desviou e a bola chegou na direita para Barrera, que chutou para o chão - Gabriel Heinze tirou em cima da linha com a cabeça uma bola que já tinha passado por Romero.

No minuto seguinte, a seleção mexicana chegou enfim ao gol que não cessou de buscar: Hernández recebeu na área, escapou rapidamente de Otamendi e Demichelis, arrumou pra canhota e encheu o pé para colocar no canto direito, descontando o placar.

3 minutos depois, Messi, apagado na segunda etapa, arrancou mas foi desarmado por Márquez. Mais 3 minutos passados e Javier Mascherano lançou Di María: Pérez saiu da área e chutou a bola pela lateral. Com 33 minutos, Di María saiu para entrada de Gutiérrez, aumentando de vez o poder de marcação no meio-campo.

Aos 35', Barrera cruzou com curva a partir do lado esquerdo de ataque e Heinze cortou de cabeça antes de Márquez, em lance que o goleiro Romero ficou parado.

Aos 37', Franco dá um chapéu em Demichelis, mas não consegue mais do que um escanteio e uma jogada de efeito. Na marca de 41', Efraín Juárez recebe de Giovani, rola atrás e Salcido chuta mandando à esquerda, longe do gol. Deu-se, então, a última mexida na seleção argentina: Maxi Rodríguez por Javier Pastore.

Com 42 minutos, Osorio tenta pelo lado direito, de longe, e manda à direita. Na marca de 43 minutos, Barrera abre na direita com Osorio, que cruza rasteiro e Romero defende. Aos 45 minutos, Salcido afasta mal, Pastore intercepta, parte pra jogada individual e sofre falta de Torrado. E Messi, por alguns minutos sumido, mostrou que estava em campo daquele jeito que todo mundo gosta (exceto os adversários): pegou a bola, driblou Márquez, driblou Torrado e chutou cruzado. Pérez se esticou para espalmar. Não foi dessa vez, ainda, que saiu o gol da fera. Mas com certeza está guardado para um momento mais oportuno. Ele merece.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Insinuante México Supera Apática França: 2a0

A apresentação da seleção mexicana demontrou que é perfeitamente possível ser competitiva atuando com 3 atacantes. A França, por sua vez, aceitou a desenvoltura do veloz ataque adversário e, mesmo quando em desvantagem no marcador, não teve a vibração que se espera de uma equipe que esteja interessada em reverter um resultado que lhe é adverso. Há fortes indícios de que o grupo convocado por Raymond Domenech não esteja no melhor dos ambientes - o treinador francês sequer usou a 3ª substituição a que tinha direito, mesmo contando com jogadores como Yoann Gourcuff, Djibril Cissé e Thierry Daniel Henry no banco de suplentes. O México, que não tem nada com isso, fez o seu jogo e venceu a França pela primeira vez na história das Copas.

O jogo

Com 2 minutos de partida, Carlos Vela passou para Giovani dos Santos avançar e chutar cruzado na trave esquerda, mas o auxiliar flagou impedimento no lance. Serviu para já mostrar que o México viria para cima, como veio de novo aos 7 minutos: Rafa Márquez deu lindo lançamento para Vela chutar por cima da meta. Aos 11 minutos, mais México: Guillermo Luis Franco Farquarson recebeu próximo da meia-lua, dominou, cortou Eric Abidal e chutou por cima do travessão. A França finalmente respondeu, aos 12': Florent Malouda cobrou falta a 33 metros do gol rolando para Nicolas Anelka, que abriu de primeira na direita para Franck Ribèry, mas o cruzamento do camisa 7 saiu com muita força.

Na marca de 16 minutos, Hugo Lloris deu um chutão para a frente que quase foi dominado por Malouda na área adversária, mas saiu pela linha-de-fundo. No minuto seguinte, os mexicanos chegavam novamente na primeira boa participação do lateral esquerdo Carlos Salcido, que recebeu a bola em liberdade pelo seu setor e chutou cruzado, para fora.

Aos 26 minutos, Salcido se livrou de Bacary Sagna com um toque e bateu de bico para defesa de Lloris. 3 minutos depois, Vela sentiu contusão e deixou o gramado. Javier Aguirre optou por colocar Pablo Edson Barrera Acosta, aos 31'. Um minuto depois, Salcido levantou com a direita e Lloris socou a bola contra o corpo de Barrera, ganhando tiro-de-meta.

A França detinha 51% da posse de bola mas não incomodava o goleiro Óscar Pérez Rojas, com o time mexicano sendo muito mais objetivo. Aos 38', Guillermo Franco, caído no gramado, deu passe de voleio para Giovani, que dominou e chutou à esquerda do gol. 7 minutos mais tarde, Jérémy Toulalan parou contra-ataque com falta, foi amarelado, e cumprirá suspensão automática na 3ª rodada com a África do Sul.

Domenech realizou uma troca no time ao intervalo: Anelka não voltou para a segunda etapa, dando lugar a André-Pierre Gignac. Pobre Anelka... isolado na frente e com pouco diálogo com os meias, não teve qualquer chance de demonstrar seu faro de artilheiro.

Com 1 minuto, a França teve cobrança de falta perto da área mexicana. Ribèry preferiu levantar em vez de chutar direto e a zaga afastou. No minuto seguinte o México também viu um jogador seu ter de cumprir suspensão na 3ª rodada: Efraín Juárez Váldez empurrou Malouda com a bola parada e o saudita Khalil Al Ghamdi o presenteou com o cartão amarelo.

A partida era brigada, com muitas faltas e farta distribuição de cartões. Aos 6 minutos, momento curioso: uma 2ª Jabulani entrou no gramado do estádio Peter Mokaba e o juíz a afastou, seguindo o jogo.

Com 8 minutos, Pérez foi convidado a trabalhar quando Malouda recebeu, avançou e chutou de perto da área para bonita defesa do goleiro. No minuto seguinte, Aguirre trocou Juárez pelo atacante Javier Hernández, deixando o time mais ofensivo. Na seqüência, a França teve o que seria sua última chance clara de abrir o placar: de Gignac para Ribèry, que chutou à meia-altura e viu Pérez mandar para escanteio. Aos 16', Franco deu lugar a Cuauhtémoc Blanco. Do minuto seguinte em diante, o que se viu foi o México trabalhando a bola sempre buscando o gol e a França incapaz de oferecer um contra-ataque ou uma investida à altura da qualidade dos seus jogadores.

Aos 17', Giovani dos Santos rolou atrás para Rafa Márquez chutar - Lloris encaixou. Aos 18', não teve jeito: o capitão Rafa Márquez deu enfiada de bola primorosa e Hernández saiu cara-a-cara com Lloris, driblando o goleiro e chutando para fazer 1a0 a favor dos mexicanos.

Com 24', Sidney Govou, quase despercebido com a camisa que nas últimas Copas foi vestida por Zinedine Zidane, saiu para a entrada de Mathieu Valbuena. 4 minutos depois, a França conseguiu um roubo de bola, Malouda recebeu e serviu Gignac, que chutou por cima. Na marca de 32 minutos, Abidal deu carrinho no espaço vazio, após a passagem da bola, e acabou encontrando o corpo de Hernández, que agradeceu [nesse momento que digito isso, 13:43h, recebo a notícia do falecimento do escritor José Saramago, que Deus o receba na Santa Paz] e mergulhou: pênalti marcado. Para realizar a cobrança? Ele, o lendário e ídolo mexicano Cuauhtémoc Blanco. O goleiro Lloris acertou o canto, mas a bola foi no cantinho, em zona indefensável, para delírio de uma nação. Era a primeira vez que um mexicano marcava gol em 3 edições de Copa.

Aos 38', Hernández tentou de fora da área, mas Lloris encaixou. Aos 43', uma França entregue e apática chegava pela última vez, com Patrice Evra lançando a Jabulani para o lado direito da área e Valbuena isolando a finalização.

O México enfrentará o Uruguai ciente de que o empate classifica ambas as seleções num grupo que cruzará nas oitavas com alguém da chave liderada pela Argentina. A França pode se despedir diante dos anfitriões, mas, caso queira continuar na África do Sul, dependerá de um resultado diferente do empate no outro jogo e, também, de vitória no seu próprio compromisso, sem perder atenção no saldo de gols. A campeã de 1998 despediu-se da Copa 2002 na 1ª fase, sem marcar um único gol. Na Copa 2006, quando foi vice-campeã, classificou-se para as oitavas vencendo apenas o 3º jogo. O que acontecerá nesse Mundial 2010?

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Vuvuzelas Ressoam E Silenciam Na Estréia Da Copa 2010

Num estádio Soccer City lotado e aquecido pelo som das cornetas, Johannesburgo e o mundo assistiram o 1º jogo de Copa do Mundo em solo africano.

O México começou dominando as ações, comandado pela agilidade e habilidade de Giovani dos Santos: numa das principais chances da equipe que vestia preto da cabeça aos pés - exceto por algumas chuteiras coloridas -, o jovem de 21 anos e 1 mês arrancou em velocidade e chutou rente à trave direita defendida por Itumeleng Khune. Guillermo Franco era soberano no jogo aéreo, cabeceando duas bolas para fora e outra que Carlos Vela completou para o gol, mas a arbitragem teve olhos de lince para flagrar impedimento do atacante do Arsenal.

No últimos minutos do 1º tempo, a África do Sul finalmente cresceu no jogo e por alguns centímetros (ou centésimos de segundo), Katlego Mphela não conseguiu concluir de cabeça o bom cruzamento que partiu da esquerda, em jogada que tinha cheiro de gol. A grande jogada da primeira etapa, porém, foi mexicana: Vela precisou de um pequeno espaço de gramado para enfiar excelente bola no espaço vazio, onde apareceu Franco, que dominou no peito e chutou tirando de Khune. O goleiro sul-africano assemelhou-se a um gato para impedir, com o antebraço direito, o que seria o primeiro gol da Copa.

E o primeiro gol da Copa estava guardado para depois do intervalo: em rápido contra-ataque, a seleção da casa tramou belíssima troca de passes até a bola chegar em Siphiwe Tshabalala, que finalizou com um lindo chute cruzado, de pé esquerdo, no ângulo de Óscar Pérez. Dancinha coreografada na comemoração e o estridente som das vuvuzelas para celebrar o 1a0, aos 9 minutos da segunda etapa.

5 minutos depois, outro chute tinha o endereço do ângulo: Giovani dos Santos bateu bonito na bola e Khune realizou grande defesa, mandando para escanteio e evitando o empate. Aos 20', Rafa Márquez saiu jogando errado, a África do Sul novamente encaixou o contra-ataque, mas Teko Modise chutou, livre, para fora. Foi então que o técnico Javier Aguirre fez duas substituições que mudaram o rumo da partida: aos 23', saiu o jovem Carlos Vela para a entrada do experiente Cuauhtémoc Blanco e aos 27' foi a vez do experiente Guillermo Franco dar lugar ao jovem Javier Hernández. Com 33 minutos, bola lançada na área sul-africana, e a linha de impedimento foi traída pelo posicionamento do capitão Aaron Mokoena, que acabou dando condições a 3 jogadores mexicanos. Entre eles, Rafa Márquez, que dominou a bola e chutou para estufar as redes e empatar o jogo em 1a1, silenciando o ensurdecedor estádio Soccer City.

Aos 38', Carlos Alberto Parreira optou por trocar Steven Pienaar por Bernard Parker, puxando Tshabalala mais para o centro. E aos 44 minutos veio a grande chance da equipe anfitriã de sair com a vitória: Mphela foi lançado, ganhou de toda a zaga mexicana na velocidade e chutou no pé da trave.

Um personagem que merece destaque foi Teko Tsholofelo Modise. Na primeira etapa, uma entrada dura de carrinho poderia ter resultado em sua expulsão, mas o árbitro Ravshan Irmatov, do Uzbequistão, apenas assinalou a infração sem levantar qualquer cartão. No segundo tempo, aos 24 minutos, Modise ficou cara a cara com Pérez mas foi atingido por Francisco Javier Rodríguez Pinedo em pênalti que, se fosse marcado, poderia mudar a história da partida. Sem esquecer que, 4 minutos antes, havia desperdiçado grande oportunidade de fazer o gol que daria uma vantagem de 2a0 no placar.

Agora, os olhos ficam voltados para outro jogo pelo Grupo A. Na Cidade do Cabo, as seleções azul-e-branca de Uruguai e França se enfrentam às 15:30 de Brasília sabendo que, caso haja um vencedor, esse já assume a liderança da chave.

A Copa está apenas começando!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Vai Rolar A Jabulani!

Tudo pronto e no esquema para a primeira disputa do Mundial da FIFA em continente africano. A África do Sul recebe a Copa do Mundo e abrirá a competição amanhã, em jogo diante do México, às 11h de Brasília. Às 15:30h, completando a primeira rodada pelo Grupo A, 3 títulos mundiais no gramado: Uruguai e França se reencontram - a última vez em que se enfrentaram na maior competição de seleções do mundo foi em 2002, com empate sem gols, também pela fase de grupos (de lá pra cá, apenas um amistoso em 2008, que também ficou no 0a0).

A seleção anfitriã encerrou sua série de amistosos preparativos para a Copa com 3 vitórias consecutivas: 2a1 na Colômbia, 5a0 na Guatemala e 1a0 na Dinamarca. Por sinal, terá pela frente exatamente uma nação sul-americana, uma da América Central e uma européia. O comandante Carlos Alberto Parreira anotará um recorde de presença em mundiais: será sua 6ª Copa, sendo a 5ª nação diferente do técnico campeão em 1994. O fato de ter cortado o astro Benny McCarthy, alguns quilos acima do peso, demonstra que Parreira aprendeu as lições de 2006, quando convocou jogadores que não estavam "em dia com a balança", como Ronaldo.

O grande resultado da equipe mexicana nessa preparação para a Copa foi justamente na mais recente partida disputada, quando venceram a Itália por 2a1 em partida onde obtiveram grande domínio - ficou barato para os italianos. Por falar em "condições físicas", o treinador Javier Aguirre ignorou o ponteiro da balança e chamou o astro Cuauhtémoc Blanco Bravo, de 37 anos, que vem exibindo uma silhueta dissonante daquela que imaginamos para um atleta, embora tenha talento incontestável. Será um novo "caso Ronaldo"?

O Uruguai conseguiu o interessante resultado de 3a1 sobre a Suíça, em território adversário, e depois aplicou um 4a1 em Israel, mostrando que o ataque celeste vai funcionando muito bem, obrigado. Por sinal, não são poucas as (boas) opções de Oscar Tabárez para o setor: Sebastian "El Loco" Abreu, Edison Cavani, Sebastian Fernández, Diego Forlán e Luís Suárez. Você que acompanha o blógui sabe que o momento de Forlán é especial, tendo sido decisivo nos 2 jogos semifinais diante do Liverpool e também na decisão da Liga Europa no jogo em Hamburgo com o Fulham, vencido pelo Atlético de Madrid por 2a1 e com 2 gols dele.

A França vem de 2 resultados preocupantes nos últimos amistosos realizados: empate em 1a1 com a Tunísia e derrota por 1a0 para a China. Sem um Zinedine Yazid Zidane para colocar ordem na casa e pedir a bola para criar algo, com um Thierry Henry bem abaixo do rendimento em que se encontrava em 2006 e pouca renovação nos setores (exceto o gol, defendido pelo magnífico Hugo Lloris), a França confia em Franck Ribèry para ir avançando na competição. Eu, particularmente, gostei muito do trabalho de Raymond Domenech no Mundial 2006, mas estranhei bastante a ausência de Karim Benzema entre os convocados (a de Patrick Vieira até se justifica em função do pouco número de jogos disputados pelo volante na atual temporada, mas a do jovem atacante do Real Madrid não pareceu muito lógica). Vamos ver se Domenech conseguirá tirar alguma carta da manga - o Ás de trunfo já se aposentou.

Pitacos

África do Sul e México. Parece que o maior orgulho de Parreira é o sistema defensivo arrumadinho que foi montado por ele, consolidado por Joel Santana e que ele trouxe de volta na sua segunda chegada à seleção. O time carece de grandes talentos, mas se Steven Pienaar estiver inspirado e a defesa efetivamente funcionar, pode rolar uma vitória ao som das vuvuzelas. Mas acredito que o placar de estréia será um empate e me atrevo a cravar um 1a1.

Uruguai e França. O favoritismo é francês mais em função de serem atuais vice-campeões mundiais do que pelo rendimento recente. Mas vejo força nessa seleção uruguaia o suficiente para não ser derrotada na estréia. Empate também.

Que comece a Copa!