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sábado, 24 de junho de 2017

México Vira, Avança, Elimina A Rússia E Auxílio Eletrônico Marca Presença

Lozano mais esperto que Akinfeev. Foto: Tolga Bozoglu/EFE/EPA
Havia visto alguns comentários que previam que a Copa das Confederações 2017 seria um fracasso. Os argumentos giravam em torno:
  • da pouca procura por ingressos;
  • da seleção alemã não levar seu "time principal";
  • da FIFA considerar que o modelo da competição encontra-se esgotado.
Talvez hajam ainda mais justificativas para criticar o torneio disputado na Rússia. Mas gostaria de me fixar em dois pontos positivos. O primeiro é que, do pouco que vi até agora, gostei: Rússia e México foi o primeiro jogo que assisti inteiro e achei a partida bem interessante. Duas equipes propositivas e, curiosamente, com a equipe russa conseguindo encaixar mais jogadas envolventes que seu adversário (considerado superior tecnicamente). O México primou pela organização, sobretudo entre as duas intermediárias. Mas raramente impôs um flagrante domínio sobre os donos da casa. Virou o jogo com um misto de sorte e mérito, mas não sobressaiu ao ponto de tornar o empate um resultado fora de contexto.
O outro ponto positivo é, na minha opinião, ainda mais importante. Principalmente pelo momento que vive o futebol mundial. É a incorporação do recurso eletrônico para auxiliar a arbitragem na tomada de decisão. Funcionou corretamente no jogo e proporcionou dois ganhos inestimáveis ao evento: a justiça no resultado e a sensação de justiça no resultado. Sim, uma coisa difere da outra. Quando os jogadores dentro de campo sentem que não está havendo interferência de terceiros (sim, o árbitro deve ser considerado como uma terceira parte nessa história toda), o jogo parece fluir melhor, parece transcorrer mais leve, parece seguir seu rumo com maior tranqüilidade.

Houve dúvidas em pelo menos dois lances de queda na grande área (ambos, de fato, sem pênaltis) e um gol mexicano que colocaria 3a1 no placar (os russos sequer reclamaram de impedimento, mas ele realmente existiu).

O auxílio de vídeo chegou para ficar. Não há qualquer razão para não incorporá-lo nos próximos torneios da FIFA. Há, isto sim, a necessidade de seguirmos nessa direção e ampliá-lo quando necessário. O mundo - e isso inclui o futebol - precisa de justiça. Atentar contra ela em alguma parte é ameaçá-la em qualquer outra.

Em tempo: ótima arbitragem do árabe Fahad Al Mirdasi. Foi praticamente tão preciso quanto a própria tecnologia à sua disposição.

Ah! O jogo terminou 2a1 para o México. Os mexicanos avançam em segundo lugar (atrás de Portugal) e os russos são eliminados em terceiro (a frente da Nova Zelândia). Independentemente do que ocorra no outro grupo (onde Alemanha e Chile são as maiores forças diante de Austrália e Camarões), a Copa das Confederação já tem um vencedor: o futebol. Vitória com um golaço do auxílio eletrônico. Antes tarde do que Blatter...

domingo, 16 de junho de 2013

Campos No Maracanã: De Jogo Para Itália E México, De Guerra Para Os Brasileiros

Itália e México jogaram no Maracanã uma partida que tornou-se irrelevante se comparada à realidade circundante. Enquanto as seleções de Cesare Prandelli e José Manuel De La Torre disputavam algo que valia três pontos para o vencedor, nos arredores do estádio centenas de manifestantes eram reprimidos por policiais agressivos, violentos e fortemente armados. Manifestação pacífica. Então, fica a pergunta: para quem serve a polícia?

Dentro de campo - como se fosse humanamente aceitável olhar para o gramado enquanto nas ruas acontecia o que acontecia -, a Itália criou mais chances e mereceu vencer o jogo diante dos mexicanos. A transmissão televisiva, honrando os dizeres de que a revolução não será televisionada, não prestou uma única palavra sobre a barbárie e o caos que aconteciam a alguns metros de onde a partida se consumava. Mídia golpista é isso.

Guardado, Aquino, Giovani Dos Santos e Hernández participaram menos do jogo do que o amante de futebol gostaria: apesar da qualidade técnica nesse quarteto mexicano, faltava um ou outro elemento para fazer a bola neles chegarem. O meio-campo era italiano. Povoado por De Rossi, Pirlo, Montolivo, Marchisio e Giaccherini, a Azzurra levou a melhor territorialmente no setor. Mas sem jamais encantar. Faltava criatividade.

Chega a ser inconcebível pensar a Itália com Giovinco no banco. Ou mais grave: sem Francesco Totti ao menos relacionado. Mas o pior do dia não foi a falta de transição mexicana ou a escalação italiana. Foi a ação policial no Rio de Janeiro. As tropas das três esferas (Eduardo Paes, Sérgio Cabral e Dilma Rousseff) mostraram-se à postos para servir ao patrimônio privado concedido ao megaempresário Eike Batista. Tudo em detrimento da população. Resultado: derrota do Brasil.