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sábado, 11 de agosto de 2012

Obrigado, México!

A seleção brasileira caminhava em direção ao inédito ouro olímpico no futebol masculino, numa trajetória que começou antes das Olimpíadas através de um trabalho muito bem feito quando sob o comando de Ney Franco. Mas erros foram cometidos, sendo talvez o maior deles o fato de a CBF "passar o bastão" para Mano Menezes, que tratou de bagunçar uma equipe até então bem arrumada taticamente.

Mesmo assim, vencemos cada um dos cinco jogos realizados na Grã-Bretanha, mascarando uma realidade que foi exposta nesse sábado, no estádio Olímpico de Londres, para quase 90.000 presentes. Graças aos deuses do futebol, esse sonho pela conquista inédita foi adiado para Rio-2016. Quem sabe lá, daqui a quatro anos, façamos um melhor planejamento, estejamos sob comando técnico de algum treinador com mentalidade digna de um país pentacampeão mundial e façamos por merecer o feito do ouro.

Felizmente, dessa vez ficou com o México. Time que deu aula de consistência tática, consciência do que fazer na transição ao ataque, posicionamento, atitude, marcação, tempo de bola. Mesmo cometendo alguns erros pontuais e estando desfalcado de seu maior jogador na atualidade - Giovani dos Santos -, os mexicanos foram merecedores desse título. O futebol brasileiro, que precisa se reencontrar, e o mundial, que vem sendo agraciado pela vistosa seleção espanhola, agradecem ao México.

Alguns do erros de Mano Menezes

- Inisistir em repetir na final a pífia escalação utilizada na semifinal, com Alex Sandro, Sandro e Rômulo titulares para Lucas, Ganso e Pato reservas
- Acreditar que Hulk possa ser mais útil que Lucas, sub-aproveitando um jogador talentoso que, nos poucos minutos em que atuou, esteve na maior parte do tempo fora de posição
- Não conseguir dar a devida proteção a uma defesa que, exposta por um meio-campo irregular no combate e por dois laterais que rotineiramente dão espaço às suas costas, acabou sofrendo muitos gols ao longo da competição
- Não dar um padrão de jogo compatível ao talento dos jogadores, apostando muito mais na individualidade dos atletas do que na força do jogo coletivo

Um trabalho que deveria ter terminado na Copa América 2011 chegou a Londres-2012. Ganhou a prata. Será que vai adiante?
Seleção brasileira cabisbaixa em campo enquanto mexicanos festejam nas arquibancadas: o ouro não veio e foi melhor assim.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

De Novo, Brasil Vence De Três E Sem Convencer

Vinte e quatro anos depois da presença na final olímpica em Seul-1988, o Brasil retorna a uma disputa pela medalha de ouro. O título inédito para a modalidade será disputado diante do México, que passou pelo Japão com uma vitória de virada, por 3a1. A seleção brasileira, que também enfrentou uma equipe asiática na fase semifinal, goleou por 3a0 em partida onde foi, novamente, beneficiada pela arbitragem européia.

Curiosamente, esse foi o quinto jogo - em cinco disputados nessas Olimpíadas - que a equipe marcou três gols na mesma partida.

A Coréia do Sul, que conseguiu dominar o jogo em seus primeiros minutos, não abriu o placar por detalhes. Aos poucos, a seleção brasileira melhorou em campo (leia-se passou a contra-atacar com mais perigo), e conseguiu inaugurar o marcador aos trinta e sete minutos, quando Rômulo recebeu de Oscar após jogada iniciada por Neymar e chutou rasteiro, no canto esquerdo, dando chance mas não defesa ao goleiro Lee Beom-Young, que falhou na tentativa de defender com a perna esquerda.

Mantidas as formações no intervalo, Mano Menezes continuou fazendo uso de três volantes (Sandro, Rômulo e Alex Sandro) e parecia não se esforçar em impôr um estilo de jogo baseado na posse de bola. Pelo contrário: o Brasil se fechava atrás e, pouco compacto, apostava no talento de Oscar, Neymar e Leandro Damião mais à frente.

Jogando com a bola e buscando o ataque, a Coréia tinha tudo para empatar a partida aos três minutos em cobrança de pênalti. Mas a tal cobrança jamais aconteceu, graças ao árbitro tcheco Pavel Kralovec, que ignorou, mesmo bem posicionado, a penalidade cometida por Sandro em Kim Bo-Kyung. Sem ter nada a ver com isso (quer dizer, vai saber...) a seleção brasileira foi lá e marcou mais dois gols, ambos contando com o oportunismo de Damião, goleador no torneio olímpico com seis gols.

Após a larga vantagem no placar, Mano realizou uma substituição de cada vez. Colocou Hulk no lugar de Marcelo, deslocando Alex Sandro para a lateral-esquerda e passando a jogar com dois volantes em vez de três, aos trinta minutos do segundo tempo. Dois minutos após, trocou Damião por Alexandre Pato. Mais cinco passados, pôs Bruno Uvini no lugar de Juan. Lucas e Ganso no banco permaneceram. E o futuro tático do futebol brasileiro treme com a possibilidade de ver uma seleção com cara de time de pelada avançar em direção a uma conquista inédita.

Será muito melhor, acredita este blogueiro, que a façanha dourada aconteça nas Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016, e de preferência com a equipe sendo treinada de forma condizente às tradições daquela camisa amarela.

domingo, 5 de agosto de 2012

Mesmo Com Jogador A Menos, Honduras Endurece Classificação Brasileira

Pela quarta vez em quatro partidas nessas Olimpíadas de Londres 2012, a seleção brasileira de futebol masculino conseguiu marcar três gols no jogo. Dessa vez, quem acabou sendo personagem central na vitória foi o atacante Leandro Damião, que se por um lado não teve atuação brilhante, por outro acabou conseguindo estar no lugar certo e na hora certa em momentos importantes da partida - foi pelo bom senso de posicionamento que o camisa nove empatou a partida aos trinta e sete minutos e sofreu o pênalti para reestabelecer a igualdade no marcador aos cinco minutos do segundo tempo. Aos catorze da etapa final, sua jogada mais exuberante rendeu a virada no placar, quando recebeu de Neymar, limpou a marcação e finalizou no contrapé do goleiro hondurenho.

É bem verdade que a grande atuação do arqueiro José Alberto Mendoza Posas evitou o que poderia ter sido um placar mais elástico a favor dos brasileiros. Mas o fato é que, a julgar pela expulsão de Wilmer Crisanto aos trinta e dois minutos e a superioridade técnica dos jogadores brasileiros, o desenrolar da partida denunciou fragilidades táticas na equipe comandada por Mano Menezes. O árbitro alemão Felix Brych, dúbio nos critérios disciplinares, sentenciou a vantagem numérica aos brasileiros diante de um adversário que, se por um lado era de fato faltoso, por outro não era violento - e terminou a partida com nove homens em campo.

Uma Honduras que, após vencer a Espanha na segunda rodada na fase de grupos (1a0), mostrou-se valente diante de um país pentacampeão mundial, abrindo o placar em boa jogada pelo lado esquerdo, com passe de Maynor Figueroa e finalização de Mario Roberto Martínez Hernández. Mario Martínez que também participou do segundo gol da seleção da América Central, tocando para Roger Espinoza, aos dois minutos do segundo tempo, recolocar os caribenhos em vantagem no placar. Uma seleção que, embora retraída em seu campo na maior parte do tempo, mostrou grandes qualidades na transição ao ataque e deu alguma canseira na defesa brasileira.

Mano Menezes, que via a seleção vencer por 3a2 e ter um homem a mais no gramado, mostrou mais um pouco de sua fraqueza ao trocar Hulk por Lucas, aos vinte minutos no segundo tempo. Em primeiro lugar porque Lucas como reserva de Hulk já é uma aberração. E depois porque, pelo contexto da partida e por mais que Hulk não atuasse em bom nível, era tranqüilamente possível experimentar a seleção com os dois juntos - poderia ter tirado Rafael e deslocado Danilo para a lateral-direita, ou então ter posto Lucas no lugar de Rômulo. Se fizesse isso, teríamos uma equipe com Oscar um pouco mais recuado, Hulk e Neymar pelas pontas e Lucas encostando no centroavante Damião, numa formação que teria a proteção de um volante a frente da linha de quatro defensores. Mas a filosofia do treinador parece diferente da do futebol brasileiro e foi dada preferência a tocar a bola de lado e manter o placar até o final. Talvez o castigo esteja guardado para a semifinal diante da Coréia do Sul. Talvez para mais tarde. Talvez não haja castigo. O fato é que as escolhas de Mano, muitas das vezes, castigam o futebol brasileiro.

Outros resultados

Japão 3a0 Egito
México 2a2 Senegal (4a2 na prorrogação)
Grã-Bretanha 1a1 Coréia do Sul (4a5 nos pênaltis)

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Eficiente, Japão Elimina Brasil No Futebol Feminino

A seleção feminina brasileira caiu para as japonesas na fase quartas-de-final nas Olimpíadas de Londres 2012. Analisando friamente a estatística, essa foi a pior campanha olímpica das mulheres do "país do futebol [masculino]". Mas vendo o jogo, é necessário fazer justiça: o time comandado por Jorge Barcellos começou bem a partida, dominou as ações, pressionou o Japão. Não aproveitou nenhuma oportunidade criada e, no momento em que as nipônicas melhoraram em campo e passaram a se sobressair, tiveram a felicidade de abrir o placar, com gol aos vinte e sete minutos, em lance de descuido da última linha de defesa brasileira, que permitiu que Ogimi recebesse cobrança de falta pelas costas da marcação e avançasse bem à vontade em direção à baliza.

A equipe brasileira não reagiu bem ao revés parcial e rumou para o vestiário com um rendimento abaixo daquele que era visto nos primeiros vinte minutos de jogo. Na etapa complementar, Marta continuou sem encantar (a camisa dez tantas vezes nomeada melhor do mundo não era nem sobra de si mesma) e a defesa cometia novas falhas. E foi jogando no erro brasileiro que, novamente aos vinte e sete minutos, o Japão chegou ao gol: Ohno foi lançada, limpou a marcação e finalizou lindamente, mandando no travessão e na rede. 2a0 para as japonesas.

Barcellos tardou a fazer alterações numa equipe visivelmente abatida psicologicamente e, por conseqüência, perdida do ponto de vista tático, contrastando fortemente com os minutos iniciais de partida. Por conta dessa queda de produção e da eficiência japonesa, o resultado acabou sendo justo. O Japão, atual campeão mundial, avança para enfrentar a França na semifinal olímpica. O Brasil já pode, ou melhor, deve, pensar nas Olimpíadas do Rio 2016. E precisará de um planejamento sólido, absolutamente diferente do descaso atual, onde a diferença ao tratamento dado a homens e mulheres nessa modalidade beira o sexismo. Olhando por esse ângulo, o país realmente não merecia uma medalha. Elas, sim, por mesmo diante de tudo isso estarem aí, vestindo a camisa e correndo atrás. Que elenco e nação façam por merecer a conquista do ouro daqui a quatro anos.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

De Três Em Três, O Brasil Enche O Balaio

A trajetória da seleção brasileira masculina de futebol nas Olimpíadas de Londres cumpriu bem a sua primeira etapa: com três vitórias em três partidas, a equipe avançou para a fase quartas-de-final, marcando três gols em cada jogo disputado na fase de grupos (começou sofrendo dois do Egito, depois levou um da Bielorrússia e por fim terminou a partida sem ser vazada perante a Nova Zelândia).

Diante dos neozelandeses, a construção dos 3a0 foi relativamente tranqüila, em partida onde ficou evidente que Lucas não pode, em hipótese alguma, ser reserva de Hulk. Mesmo com Neymar tendo atuação menos acesa que no jogo anterior, a seleção chegou aos gols naturalmente e raramente teve sua meta colocada em risco.

Diante de um adversário bastante retraído, o Brasil abriu a porteira na defesa dos All Whites após marcar o primeiro gol: aos vinte e dois minutos, Danilo se apresentou no ataque, tocou para Leandro Damião e o centroavante do Internacional fez muito bem o papel de pivô, recebendo na meia-lua e tocando no espaço vazio para Danilo, que entrou na área e, perto da marca do pênalti, concluiu ao gol. 1a0 no placar.

Seis minutos depois, Damião foi à rede após bela jogada pela esquerda: Marcelo tocou de letra para Alex Sandro e deste saiu cruzamento rasteiro, completado pelo camisa nove. Na comemoração, Damião fez questão de apontar para o autor da assistência, mostrando maturidade.

No segundo tempo, um gol aos seis minutos deu números finais: Marcelo cobrou falta pela esquerda, Damião não alcançou a tentativa de cabeceio e Sandro, no segundo poste, completou.

A Nova Zelândia, que tinha no ataque um camisa nove que atuou na Copa do Mundo 2010 (Shane Smeltz), não ofereceu grande perigo ao time comandado por Mano Menezes. Tudo leva a crer que as dificuldades irão aumentar a partir de agora, com adversários mais qualificados pelo caminho. Nessas ocasiões, é bom ficar atento e não repetir erros vistos até aqui, como por exemplo o gol perdido por Neymar em lance sem goleiro e a expulsão de Alex Sandro pelo segundo cartão amarelo. Continuaremos no estádio St. James Park, em Newcastle, aguardando o oponente das quartas. Oponente maior que, a meu ver, talvez sejamos nós mesmos.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Neymar Desequilibra Em Virada Brasileira Sobre Bielorrússia

A medalha de ouro olímpica é o único título que falta à seleção brasileira de futebol masculino. Londres-2012 está aí e a possibilidade dessa conquista inédita acontecer é considerável. Após estrear com vitória sobre o Egito (3a2), o Brasil voltou a marcar três gols num mesmo jogo e dessa vez passou pela Bielorrússia com o resultado de 3a1.

Vencer a partida realizada no estádio Old Trafford não foi tarefa simples, apesar do domínio territorial estabelecido pelos comandados de Mano Menezes. Com um belo gol do brasileiro naturalizado bielorrusso Renan Bressan, após rápida trama ofensiva que resultou em ótimo cruzamento de Aleksey Kozlov para certeiro cabeceio do camisa dez, a equipe do leste europeu abriu o placar aos oito minutos.

Mas a desvantagem no placar não intimidou a seleção sul-americana: seis minutos depois, aos catorze, Neymar lançou Alexandre Pato e o atacante empatou a partida, também de cabeça. A igualdade se manteve até o apito de intervalo, com o Brasil tendo a bola no ataque e a Bielorrússia basicamente se dedicando a contra-atacar quando possível fosse, na maioria das vezes conduzida por Renan Bressan.

O panorama pouco se modificou na etapa complementar, e a situação foi ficando mais fácil para o Brasil pois os jogadores adversários pareciam estar menos inteiros fisicamente. Aos dezenove, brilhou a estrela de Neymar: com cobrança de falta espetacular, o jogador colocou a redonda na gaveta, sem dar chance de defesa ao bom goleiro Aleksandr Gutor.

Gutor que evitou novos gols brasileiros com pelo menos três belas defesas, sendo uma delas absolutamente maravilhosa, dando sutil desvio com as pontas dos dedos após cobrança de falta de Oscar. Oscar que, por sinal, também atuava muito bem, sobretudo do ponto de vista tático, equilibrando o meio-campo brasileiro e facilitando a transição ao ataque através de bons passes.

No final do jogo, Oscar foi premiado com o último gol do jogo. Um gol que teve a marca de Neymar: o santista recebeu a bola já escapando da marcação com um cabeceio, partiu em velocidade, entrou na área e serviu o companheiro com magistral toque de calcanhar - e o novo reforço do Chelsea não desperdiçou a oportunidade, pegando firme e mandando perto do ângulo direito. 3a1 Brasil.

Não dá para afirmar se vai terminar em medalha essa participação brasileira nas Olimpíadas - que o diga que seja dourada. Mas esboça-se uma seleção capaz de vencer qualquer adversário que cruze seu caminho até a eventual final olímpica. Para diminuir o grau de dificuldade nessa jornada, a seleção espanhola já está eliminada, pois perdeu a segunda partida na fase de grupos e não tem mais chances de avançar.