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domingo, 22 de outubro de 2017

Péssimo Perdedor

Neymar ri da própria expulsão: moleque. Foto: Reuters.
Tarde de domingo no Brasil (noite na França). Olympique de Marseille e Paris Saint-Germain em campo. Uma instituição altamente tradicional recebendo em seu festivo estádio o clube de investimento financeiro mais pesado do planeta na atualidade. Sintomático para uma partida interessante. E não deu outra.

Mas quem esperava um espetáculo do trio MCN (Mbappé, Cavani e Neymar), não viu nada nem perto disso. Os três jogaram abaixo de seu potencial. E os três assistiram o adversário abrir o placar em lindo chute de Luiz Gustavo, mandando de fora da área um remate em curva que levou a bola para fora do alcance do goleiro Alphone Areola. Um prêmio ao volante brasileiro, que era naquele momento e continuou sendo com o desenrolar do jogo o melhor jogador em campo.

Porém, mesmo sem render aquilo que dele se espera, o PSG achou o gol de empate: Rabiot recebeu um tijolo de Neymar e amaciou devolvendo o passe. O astro camisa dez deu um chute mascado, mas que acabou tomando o endereço preciso do canto esquerdo, tocando na trave antes de entrar no gol de Steve Mandanda.

O empate seguiu ao intervalo. E caminhou pelo segundo tempo. A entrada de Draxler no lugar de Thiago Motta até sugeriria um maior ímpeto parisiense. Mas quem fez a diferença tendo saído do banco de reservas foi um jogador do time da casa: Clinton N'Jie recuperou a bola na área adversária e cruzou. Thauvin chegou antes de Thiago Silva e estufou a rede para recolocar o OM em vantagem.

E aí apareceu Neymar. Apareceu não da maneira que os 222 milhões de euros requeririam. Apareceu pelo seu já conhecido temperamento anti-desportivo, a justificar o título dessa postagem: péssimo perdedor.

Sem conseguir apresentar seu melhor futebol, o jogador mais caro da história dessa modalidade esportiva era acompanhado de perto pela forte marcação adversária. Sofria faltas, a grande maioria marcada corretamente pela arbitragem de Ruddy Buquet. Só que a paciência e aceitação de Neymar Júnior com os acontecimentos do jogo muda radicalmente de magnitude dependendo da situação no placar. Sete minutos após o 2a1, recebeu amarelo após agredir um oponente no chão. Sim, na mais pura covardia. E dois minutos depois disso, conseguiu ir além: com o jogo parado, não tolerou um toque por trás do argentino Lucas Ocampos e revidou desproporcionalmente com uma cabeçada na face do companheiro de profissão. Recebeu o segundo amarelo e foi expulso, deixando o campo aplaudindo ironicamente a decisão do juiz. Particularmente, acho que o sr. Buquet errou. Deveria é ter dado o cartão vermelho direto para o jogador.

Sem Neymar mas com força de vontade, o Paris Saint-Germain chegou ao empate nos acréscimos: Cavani sofreu falta de Sarr e ele próprio cobrou com firmeza, vendo a bola bater no travessão antes de entrar. Uma falta que, daquela posição e naquele momento do jogo, talvez fosse cobrada por Neymar. Por sorte da equipe, Neymar já não estava em campo. E o PSG mantém a invencibilidade no Campeonato Francês, com oito vitórias e dois empates. O OM aparece em quinto, com dezoito pontos.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

222 Milhões De Neymares

Um dos maiores talentos no futebol atual e forte concorrente a melhor jogador do mundo no futuro, Neymar conseguiu todos os holofotes nesta semana por uma razão improvável: uma transferência para fora do Barcelona.

O elenco barcelonista pediu pela permanência do brasileiro, que representa a terceira letra (mas não menos importante) no excepcional trio MSN. Mas, após um silêncio sepulcral e até inconveniente, ele anunciou a saída do clube catalão.

Havia um entendimento quase que automático apontando Neymar como o sucessor natural de Lionel Messi no Barcelona. Mas no meio do caminho havia uma tentação. Tentação essa que considero estritamente financeira e nada, repito, nada esportiva. Das finanças de Neymar cuida o xará paterno. Cuida com tanto afinco às cédulas que a troca do Santos pelo Barça virou literalmente um caso de polícia. Confesso que não sei quem é mais mercenário: se o irmão do Ronaldinho ou se o pai do Neymar. Mas não quero entrar nessa discussão entre ex-craques do Barcelona. Vamos nos ater a esta mudança do ex-santista para Paris.

Um ano depois de Pogba ser o primeiro jogador na história do futebol a ser negociado acima dos 100 milhões de euros, Neymar é negociado acima dos 200 milhões de euros. Mais precisamente, 222 milhões, o valor da multa rescisória. Um negócio que, incluindo impostos e pagamentos diversos ao jogador e seu pai-empresário, passa batido pelo um bilhão de reais. Um negócio que não é da China, mas do Catar. E que coloca em dúvida o jamais suficientemente bem explicado "fair play financeiro".

Fato é que Neymar chega ao Paris Saint-Germain com a responsabilidade de liderar o time da capital francesa ao título da Liga dos Campeões da Europa. Sim, é esse troféu que o clube e seus investidores procuram. Se acostumaram a vencer os torneios domésticos e a meta é o continente. Uma meta até modesta dado o orçamento galáctico do clube.

Mas então, Neymar fez bem em partir para o PSG? Diria que Neymar trocou uma história que o eternizaria por uma aventura que o enriquecerá. Não que ele já não fosse rico. Mas muito se torna pouco quando a ganância é grande.

Com todo respeito ao Mônaco, ao Olympique de Marselha, ao Lyon e a outros rivais, mas o Campeonato Francês não oferece a Neymar os mesmos desafios da Liga Espanhola. Tudo bem, tanto PSG quanto Barça são (muito) mais fortes que a (grande) maioria dos oponentes em seus países. Mas a Espanha está facilmente pelo menos um nível acima da França em sua principal divisão de clubes. E o Barcelona, como instituição, tem/tinha muito mais a oferecer ao jogador/pessoa Neymar do que os investidores catares poderão/quererão fazê-lo. Trocou-se filosofia por regalia.

Neymar e, principalmente, seu pai, não querem saber disso. O PSG oferecerá uma fortuna e um protagonismo que dificilmente seriam obtidos simultânea e imediatamente em qualquer outro lugar no mundo.

08.03.2017: noite inesquecível. Arquivo pessoal.
Particularmente, lamento a saída de Neymar. Tive o prazer e o privilégio de assistir o histórico jogo entre Barcelona e PSG no Camp Nou, em oito de março deste ano. Partida memorável por vários elementos e, esportivamente, uma das maiores viradas de qualquer modalidade. O 4a0 que o PSG obteve na ida gerou sentenças de "já era". Na volta, o Barça, com grande atuação de Neymar, alcançou 3a0. E o gol único do PSG no segundo tempo, retomou o "já era". Mas era possível. E o 6a1 imortalizou aquela gostosa noite na Catalunha. Lembro que, na saída do estádio, cheguei a puxar um "uh, tá maneiro, o Neymar é brasileiro". Por irônica coincidência, menos de cinco meses depois, a rima mais apropriada talvez seria "uh, tá maneiro, o Neymar quer mais dinheiro". E ele trocou Barcelona por Paris. Direito dele. Mas é meu dever dizer: havendo um novo Barça e PSG, estarei torcendo por Messi e companhia. Não se troca uma identificação por 222 milhões de nada.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Derrota Emblemática: Na Cabeça, Na Bola E Na Tática

Imagem extraída de Sokkaa.
Decepcionante. Nessa palavra, sintetizo o sentimento fruto do desempenho visto nesse jogo. Não o desempenho da Colômbia, que jogou um futebol de qualidade, envolveu a seleção brasileira e mereceu a vitória. Não o desempenho do Brasil, que jogou mal mais ou menos na medida que espero dessa seleção comandada por Dunga e CBF. Decepcionante foi o desempenho de Neymar. Não que ele seja obrigado a todo jogo ter uma atuação formidável como a da estréia. Não que necessariamente ele precise ser o destaque do time ou da partida. Mas ele tem a obrigação de, na condição de profissional e capitão da seleção brasileira, honrar a camisa e a braçadeira.

Neymar Júnior atravessou qualquer limite da imaturidade com sua atuação no estádio Monumental David Arellano. Ridículo ao extremo. Colocou a mão na bola, sendo punido com amarelo e puxando o árbitro pelo ombro, em reação digna de expulsão. Parou de jogar ao ser derrubado, preferindo reclamar do que tentar recuperar a bola, quando a redonda encontrava-se perto dele. Agrediu adversário intencionalmente. E proporcionou um vexame após o apito final, merecendo a expulsão - torço para que seja punido exemplarmente, se possível nos moldes da suspensão dada a Luis Suárez após a fatídica mordida em Giorgio Chiellini.

Fato é que o Brasil não contará com Neymar diante da Venezuela e eu já não confio mais nesse indivíduo. Quando conquista título, é "100% Jesus". Quando sai derrotado, é agressão ao adversário. Decepcionante.

Obrigado, Colômbia e Pekerman por proporcionarem alguns momentos de futebol em Santiago. Se dependensse de Brasil, Dunga e Neymar, seria uma noite pura e simplesmente para esquecer.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Neymar: A Andorinha Que Faz Verão Na Seleção

Imagem extraída de Statesman.
A seleção brasileira estreou na Copa América 2015 com uma vitória sobre o Peru.

Seria muito simples girar o presente tópico em torno da frase acima posta, mas a realidade é que o fluxo de acontecimentos foi mais complexo que a mera conquista de três pontos. Um jogo com algumas características típicas de uma estréia, outras típicas de uma seleção com bastante talento e mais algumas outras que denotam o quanto estamos carentes de uma organização tática minimamente decente.

Vou dar um crédito para a falha generalizada do sistema defensivo brasileiro no lance do primeiro gol da partida. Aconteceu com menos de 3 minutos de jogo e foi bizarro. Mas qualquer time pode se complicar num lance como esse, embora seja raro no futebol. O que não dá para admitir é a dependência da equipe num único jogador: o craque Neymar. Foi ele quem pegou a bola pela esquerda, driblou quem quer que se aproximasse, carregou até o meio e propôs a inversão do ataque para o flanco direito. Daniel Alves cruzou para a área e encontrou um indivíduo livre dentro da área. Que indivíduo era esse senão Neymar? Era o gol de empate do Brasil, menos de dois minutos depois, em rápida resposta (mais do jogador do Barcelona do que do time do Dunga).

Daí até o final do jogo tivemos mais chances de gol para ambos os lados. Principalmente para o Brasil, sobretudo quando a jogada envolvia Neymar. Ou seria melhor dizer quando o Neymar envolvia a jogada? Fato é que, entre lençóis, dribles, passes e chutes, o atleta criado no Santos tomou conta do jogo. Mas faltava a vitória, para coroar a exibição. Então, somou-se ao gol do camisa 10 uma assistência primorosa para que Douglas Costa, nos acréscimos, sacramentasse o triunfo.

Até quando dependeremos de um talento individual para "resolver" uma partida? Até quando nos contentaremos com um futebol que não privilegia o jogo coletivo? Se formos campeões da Copa América com esse "estilo", seria razoável comemorar o título ou, ao contrário, criticar a maneira de jogar?

Longe de querer bancar o trombeteiro do apocalipse, mas me recuso a dizer que era apenas uma estréia. Era isso ou era aquilo. É a Era Dunga. De novo.

sábado, 25 de abril de 2015

Barça Vence Clássico Catalão No Ritmo Do MSN

Partidas de ligas nacionais que envolvem clubes rivais costumam ser diferentes dos "jogos comuns". Espanyol e Barcelona, dois catalães no Campeonato Espanhol, se encontraram para confirmar a regra. Quer dizer, pelo menos até certo ponto. De diferente do habitual, talvez tenham sido as duas expulsões por reclamações vistas no segundo tempo: primeiro Jordi Alba, que reclamava marcação de cobrança de escanteio e por último Héctor Moreno, após cometer falta a quase 100 metros de distância do próprio gol.

Só que, àquela altura, a parada já estava mais do que encaminhada. É que o Barcelona resolveu jogar bola desde o apito inicial. Contando com um Suárez muito participativo e voluntarioso, a equipe comandada por Luís Enrique Martínez abriu o placar com Neymar e ampliou com Messi, com duas assistências do uruguaio. O placar ao intervalo só não foi de uma goleada porque o goleiro Kiko Casilla interveio para manter alguma dignidade aos donos da casa em Cornella de Llobregat.

No segundo tempo, houve menos futebol e mais reclamações. Mesmo assim, tanto Espanyol quanto principalmente o Barcelona tiveram oportunidades de chegar às redes. Persistiu o 2a0 e a certeza de que, independentemente do que aconteça, o Barça de Luís Enrique joga uma bola suficiente para correr atrás da Tríplice Coroa nessa temporada. Que se cuidem o Bayern de Munique na Liga dos Campeões, o Real Madrid na Liga Espanhola e o Athletic de Bilbao na Copa do Rei.

O trio MSN (Messi-Neymar-Suárez) vai muito bem, obrigado. Comunicação total, instantânea e eficaz. ICQ (leia-se "isso é que") é um ataque de respeito...

P.S.: hoje completa-se um ano do desencarne de Tito Vilanova, ex-técnico do Barcelona e seguidor do estilo de jogo implementado por Josep Guardiola. É possível que a atuação inspirada do Barça como um todo e do trio ofensivo em particular tenha uma explicação.

P.S. 2: entre dribles, arrancadas, tabelas e gols, o momento mais bonito do jogo veio das arquibancadas quando, aos 21 minutos, ressoaram os sons dos aplausos da torcida para homenagear Dani Jarque, ex-jogador do Espanyol, falecido em 2009. Ele vestia a 21.
Foto: Alberto Estévez / EFE.
Um ano após o adeus de Tito, Neymar aponta em sua direção.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Um Por Todos

Felizmente optei por assistir México e Croácia em vez de Brasil e Camarões. Digo isso porque ao espiar a reprise da partida em que Neymar (bota Neymar nisso) e companhia (tira companhia disso), pude notar aquilo que já percebia há muito tempo nessa seleção: carecemos de um padrão de jogo, de uma cara de time, de um jeito de jogar.

Na falta disso tudo, um craque para compensar: dois gols, muita correria, habilidade e participação. Mas se precisamos de um craque para compensar, é sinal que precisamos parar para pensar: está o treinador fazendo um trabalho bem feito? Tantos meses no comando e tantos treinamentos à disposição para isso que foi visto no estádio Mané Garrincha?

Em suma, o Brasil está classificado na primeira posição no grupo A. Campanha onde houve vitória sobre a Croácia com o dedo e o apito do árbitro japonês (por onde anda ele?), empate sem gol com o México e essa vitória por 4a1 sobre o já eliminado Camarões. Aliás, Camarões sem Eto'o a onda leva, né?

O que pode servir de alento é que a seleção brasileira parece ter encontrado alguém para substituir Paulinho com segurança: Fernandinho. Pelo menos a julgar pelo (segundo) tempo em que esteve em campo, o meio-campista do Manchester City produziu mais do que o então titular da posição em dois jogos e meio.

Oscar teve alguns momentos de destaque, Luiz Gustavo teve nova atuação de bom nível e Daniel Alves continua sendo um tormento para a defesa ao mesmo tempo que parece nada acrescentar ao ataque. Ataque que tem Fred. Saiu o primeiro gol dele no Mundial: o terceiro da seleção no jogo, em posição de impedimento. Talvez o grande diferencial dessa equipe nessa Copa seja exatamente esse - a arbitragem. Além de Neymar. Se for com essa parceria (Neymar + arbitragens) que iremos rumar ao hexa, será uma sobrecarga para o jovem e um desgaste para a FIFA. Futebol que é bom, o do Brasil não foi localizado nessa primeira fase. Haja Neymar e apito para passar pelo Chile nas oitavas...

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Equipe E Jogada Da Semana

Se o Campeonato Brasileiro fosse um circuito de automobilismo, estaríamos nesse momento entrando na reta final do percurso. E a equipe da semana percorreu um belo trajeto na busca pelo primeiro lugar. Entre um domingo (14.10.2012) e outro (21.10.2012), o Atlético Mineiro somou sete pontos em três jogos. Começou com uma vitória dentro de casa diante do Sport Recife (2a1, de virada, com direito a gol nos minutos finais). Seguiu com um empate em 2a2 diante do Santos, na Vila Belmro (a equipe tomou o gol mais rápido na atual edição da competição, levou depois o 2a0 mas teve forçar para buscar a igualdade ainda antes do intervalo). E, para coroar a semana atleticana, uma vitória por 3a2 pra cima do Fluminense, encurtando para seis pontos a distância ao topo da tabela classificatória. Detalhe: gol da vitória saindo nos acréscimos.

O Atlético Mineiro não depende apenas de si para faturar o caneco nacional. Mas, se dependesse de mim, o título já era de Cuca e seus comandados. Não vejo no momento nenhuma equipe mais merecedora dessa conquista.

Jogada da semana

Com vocês, mais um espetáculo de Neymar na Vila Belmiro (quarta-feira, 17.10.2012, na 31ª rodada no Campeonato Brasileiro).

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Neymar Desequilibra Em Virada Brasileira Sobre Bielorrússia

A medalha de ouro olímpica é o único título que falta à seleção brasileira de futebol masculino. Londres-2012 está aí e a possibilidade dessa conquista inédita acontecer é considerável. Após estrear com vitória sobre o Egito (3a2), o Brasil voltou a marcar três gols num mesmo jogo e dessa vez passou pela Bielorrússia com o resultado de 3a1.

Vencer a partida realizada no estádio Old Trafford não foi tarefa simples, apesar do domínio territorial estabelecido pelos comandados de Mano Menezes. Com um belo gol do brasileiro naturalizado bielorrusso Renan Bressan, após rápida trama ofensiva que resultou em ótimo cruzamento de Aleksey Kozlov para certeiro cabeceio do camisa dez, a equipe do leste europeu abriu o placar aos oito minutos.

Mas a desvantagem no placar não intimidou a seleção sul-americana: seis minutos depois, aos catorze, Neymar lançou Alexandre Pato e o atacante empatou a partida, também de cabeça. A igualdade se manteve até o apito de intervalo, com o Brasil tendo a bola no ataque e a Bielorrússia basicamente se dedicando a contra-atacar quando possível fosse, na maioria das vezes conduzida por Renan Bressan.

O panorama pouco se modificou na etapa complementar, e a situação foi ficando mais fácil para o Brasil pois os jogadores adversários pareciam estar menos inteiros fisicamente. Aos dezenove, brilhou a estrela de Neymar: com cobrança de falta espetacular, o jogador colocou a redonda na gaveta, sem dar chance de defesa ao bom goleiro Aleksandr Gutor.

Gutor que evitou novos gols brasileiros com pelo menos três belas defesas, sendo uma delas absolutamente maravilhosa, dando sutil desvio com as pontas dos dedos após cobrança de falta de Oscar. Oscar que, por sinal, também atuava muito bem, sobretudo do ponto de vista tático, equilibrando o meio-campo brasileiro e facilitando a transição ao ataque através de bons passes.

No final do jogo, Oscar foi premiado com o último gol do jogo. Um gol que teve a marca de Neymar: o santista recebeu a bola já escapando da marcação com um cabeceio, partiu em velocidade, entrou na área e serviu o companheiro com magistral toque de calcanhar - e o novo reforço do Chelsea não desperdiçou a oportunidade, pegando firme e mandando perto do ângulo direito. 3a1 Brasil.

Não dá para afirmar se vai terminar em medalha essa participação brasileira nas Olimpíadas - que o diga que seja dourada. Mas esboça-se uma seleção capaz de vencer qualquer adversário que cruze seu caminho até a eventual final olímpica. Para diminuir o grau de dificuldade nessa jornada, a seleção espanhola já está eliminada, pois perdeu a segunda partida na fase de grupos e não tem mais chances de avançar.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Equipe E Jogada Da Semana

Com uma virada sensacional na quarta-feira (venceu o Santos por 5a4 após chegar a estar perdendo por 3a0) e uma vitória por 2a0 sobre o Grêmio no sábado, para mais de 28.000 presentes no estádio Engenhão, o Flamengo encontra-se em "estado de graça" nesse presente momento. Invicto no Campeonato Brasileiro, vice-líder na classificação e no embalo do craque Ronaldinho Gaúcho, o Rubronegro da Gávea parece pronto para disputar mais um título na temporada 2011 (já faturara no primeiro semestre a Copa São Paulo de Juniores e o Campeonato Estadual).

Jogada da semana

O final-de-semana reservou um grande momento para os cariocas no Brasileiro 2011: todos os quatro representantes da Cidade Maravilhosa venceram seus jogos, totalizando 9 gols marcados e nenhum concedido. Teve golaço de Sebastián "El Loco" Abreu, que estreou no torneio marcando o gol da vitória botafoguense sobre o Cruzeiro (quebrando um tabu de 14 anos em partidas diante desse adversário em Minas Gerais). Teve golaço de Felipe, que, com belo chute, concretizou linda jogada vascaína tramada com Diego Souza e Jumar, garantindo a vitória sobre o São Paulo no Morumbi (o time não vencia este adversário desde 2005). Teve belo gol do Fluminense através do recém-contratado Rafael Sóbis, que tabelou e concluiu com categoria na goleada tricolor por 4a0 sobre o Ceará. Mas a jogada da semana não poderia deixar de ser a obra-prima de Neymar, quarta-feira, na Vila Belmiro. Em noite onde Ronaldinho Gaúcho brilhou marcando três gols e conduzindo o Flamengo à vitória, o santista fez algo de espetacular. Digno de uma placa.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Um Jogo Que Dispensa Adjetivos

Não estou lembrado de quando foi a penúltima partida de nove gols que assisti. A última foi na noite de quarta-feira, 27.07.2011, quando o Flamengo venceu o Santos em plena Vila Belmiro com o placar de 5a4. Partida sensacional desde o resultado, mas sobretudo pelo que foi o jogo propriamente dito. Um desfile de talentos, com Neymar e Ronaldinho Gaúcho em noite inspirada. Tenho convicção de que tanto o santista quanto o flamenguista que pagou para ver esse jogo, saiu do estádio com a sensação de que valeu o ingresso. E digo isso sem nem saber o preço do bilhete.

O jogo

A partida começou intensa. Seguiu intensa. Terminou intensa. Com 4 minutos, uma enfiada de bola primorosa de Elano foi a assistência que Borges precisava para abrir o placar. Doze minutos depois, Neymar ficou de frente com Felipe, chegou no próprio rebote e, de bicicleta assistiu Borges completar para a rede. Se o que Neymar fizera já era belo, o que aconteceu aos 25 minutos foi maravilhoso: o craque partiu com a bola escapando de dois adversários, tabelou já recebendo de volta, deixou mais dois marcadores para trás e finalizou para marcar um golaço. 3a0 Santos. O detalhe é que o Flamengo não fazia uma má partida, pelo contrário, também diversificando jogadas e criando oportunidades. O goleiro santista Rafael atuava bem, garantindo a meta inviolável diante de uma defesa que dava espaços para Ronaldinho Gaúcho e companhia trabalharem a bola.

Com 28 minutos, a reação rubronegra teve início naquilo que tange ao resultado: Ronaldinho aproveitou que nem Rafael nem Edu Dracena cortaram o cruzamento rasteiro vindo da direita e tratou de mandar pra rede. Três minutos mais tarde, cruzamento de Leonardo Moura e cabeceio de Thiago Neves - era o Flamengo, até pouco tempo goleado, "de volta" à partida. O Santos até poderia retomar a vantagem de dois gols aos 41 minutos: Neymar sofreu pênalti de Willians, mas Elano cobrou fraco, no meio, numa má-sucedida "cavadinha", defendida por Felipe. Péssima cobrança, mas não pior do que aquela diante dos paraguaios (relembre). O Flamengo não esperou o intervalo para igualar o marcador: Deivid completou de cabeça após cobrança de escanteio e deixou tudo equiparado em incríveis 3a3.

Se o Santos tinha Neymar e o Flamengo Ronaldinho, então tome mais gols no segundo tempo. Aos 5, Neymar recolocou o time da casa na frente. Aos 22, Ronaldinho cobrou falta tirando da barreira para empatar novamente (observação: tirando da barreira colocando a bola por baixo dela, em cobrança rasteira da mais pura astúcia). Aos 35 minutos, Ronaldinho chegou ao "hat-trick" após receber passe de Thiago Neves e chutar cruzado. De se tirar o chapéu para o camisa 10, que fez atuação ao nível dos bons tempos de Barcelona. De se tirar o chapéu para a partida, agradável de ser assistida. O futebol merece espetáculos assim. E os 12.968 pagantes terão história pra contar. Eu guardaria o bilhete.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Envolvente E Ofensivo, Brasil De Mano Presenteia O Futebol

3 atacantes. Um meia criativo. 2 volantes com grande qualidade na saída de bola. 2 laterais que se apresentavam constantemente. Uma dupla de zagueiros de boa técnica. Com essa equipe comandada por Mano Menezes, o goleiro Victor foi praticamente um espectador da partida (no lance em que mais foi exigido, correspondeu demonstrando reflexo).

O público presente no estádio Meadowlands (de custos bilionários e dedicado originalmente ao futebol americano) pôde testemunhar o reencontro da seleção brasileira com o futebol arte. Robinho, com a braçadeira de capitão, fez grande partida. Neymar, estreante, parecia surpreendentemente bem a vontade com o uniforme canarinho e teve a boa atuação premiada com um gol de cabeça, após cruzamento (leia-se passe) de André Santos. Alexandre Pato funcionou bem como referência na área e demonstrou oportunismo para marcar dois gols (o primeiro deles corretamente anulado). André, que entrou em seu lugar, movimentou-se bem e também experimentou algumas finalizações. O meio-campo foi praticamente perfeito: a dupla de volantes composta por Lucas e Ramires mostrou grande sintonia, preenchendo os espaços, dando combate, e saindo jogando de forma encantadora. Paulo Henrique Ganso, honrando a camisa 10 que já foi trajada por Pelé e Ronaldinho, ratificou a postura de grande jogador, com direito a uma jogada sensacional na etapa final, quando deu um elástico com a perna esquerda e chutou cruzado com a direita, para fora. Thiago Silva e David Luiz pareciam defensores altamente rodados no futebol mundial e, quando passaram a "sentir o clima do jogo" (demoraram alguns minutos para isso), tiveram atuações seguras e convincentes. Hernanes entrou no lugar de Ramires e, se não mostrou o mesmo nível do camisa 8, também fez partida satisfatória. Jucilei pouco apresentou, mas o que fora exibido por Ganso antes da substituição já era o bastante para aquela noite. Diego Tardelli foi colocado na vaga de Robinho e, se é reconhecidamente um artilheiro, também mostrou credenciais para cair pelos lados do campo. Neymar deu lugar para Éderson, que teve a infelicidade de não ficar mais que 2 minutos no gramado (sentiu uma lesão na coxa em lance próximo à linha-de-fundo, dando vaga para Carlos Eduardo, que saiu-se razoavelmente bem, mostrando velocidade).

Do outro lado estava a ascendente seleção estadunidense, que conservou a base que fez um bom Mundial em junho, sob o comando do competente técnico Bob Bradley. Mas a equipe da casa pouco pôde fazer ontem, diante de um Brasil com cara de Brasil.

Mano Menezes, nosso muito obrigado pelo que pudemos ver ontem em Nova Jersey. São agradecimentos em nome do futebol. Em nome de uma seleção que não merecia se acostumar com atuações pragmáticas e um jogo engessado nas convicções bitoladas de uma comissão técnica que enxerga esse esporte com uma lente que não é a do espetáculo. E fazemos um pedido pra você, Mano: deixe a natureza agir nessa seleção! Esse belo desempenho de ontem aconteceu num grupo desentrosado, que treinou junto apenas duas vezes. Mas a natureza foi generosa com o país do futebol, basta não colocarmos canteiros apertados que essa árvore se expandirá e ofertará saborosos frutos. As sementes são, visivelmente, de qualidade incontestável. Reguemos e deixemos a luz penetrar. Não tem erro. É a natureza.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O Santos É O Novo Campeão

No lamaçento gramado do estádio Manoel Barradas, o Santos conquistou pela primeira vez o título na Copa do Brasil e é o primeiro clube brasileiro garantido na próxima edição da Libertadores da América. A campanha dos "Meninos da Vila" foi recheada de goleadas, com direito a um 10a0 sobre o Naviraiense e um 8a1 sobre o Guarani. Tudo isso num futebol alegre, envolvente e comprometido integralmente a atacar o adversário.

A equipe do Vitória, adversária na final, tentava abrir o placar e tinha algumas chances claras, mas o gol sofrido aos 44 minutos da primeira etapa (Edu Dracena, completando de cabeça um bom passe de Neymar pelo alto) deixou o time da casa em maus lençóis, precisando de 4 gols para reverter a situação. Após o intervalo, o rubro-negro conseguiu a virada (gols de Wallace, aos 11', e de Júnior, aos 31') e pressionou o então encolhido time do Santos, que resistiu às investidas do pouco criativo time dirigido por Ricardo Silva para sair de campo derrotado porém campeão.

Jogadores como Robinho e André, com participação ativa na conquista, deixam o clube. Outros, como Keirrison, estão chegando. Mas, transferências à parte, o momento é de plena alegria para a torcida santista, que fez uma bonita festa em Salvador. Serão os comandados de Dorival Júnior capazes de conquistar a Tríplice Coroa, como fez o Cruzeiro de Vanderlei Luxemburgo em 2003? A bem da verdade, nem há necessidade: o desempenho do Alvinegro Praiano já corresponde às expectativas e, salvo uma improvável tragédia na Série A, o ano de 2010 será lembrado com muito carinho pela torcida do Peixe.

Para consagração de uma geração, agora quem dá bola é o Santos. O Santos é o novo campeão.

Paulo Henrique Ganso, maduro aos 20 anos, e Neymar, garoto de 18: o primeiro foi nomeado o melhor em campo na final enquanto o segundo terminou a competição como goleador, estabelecendo recorde de 12 gols marcados.