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quinta-feira, 14 de setembro de 2023

O Futebol Brasileiro Sendo Tomado De Assalto

 Gabriel, o Pensador já dizia em sua música que

futebol não se aprende na escola / é por isso que Brazuca é bom de bola.

A biografia do menino pobre e favelado, cantada pelo rapper, é um hino que nos faz lembrar daquilo que jamais deveríamos ousar esquecer: herdamos, habitamos e nos reproduzimos num país campeão da desigualdade social.

E é nesse persistente cenário, que se retroalimenta impiedosamente no sistema econômico capitalista, que temos hoje, em 2023, os seguintes preços para a final da Copa do Brasil a ser disputada pelo Clube de Regatas Flamengo e pelo São Paulo Futebol Clube, no estádio do Maracanã:

Setor Norte - R$400
Setor Sul - R$700
Setor Leste Superior - R$1000
Setor Leste Inferior - R$1200
Setor Oeste Inferior - R$1500
Setor Maracanã Mais - R$4500

Fonte: página oficial do Clube de Regatas Flamengo.

Lembrando que estamos falando de futebol, o esporte mais popular deste país que ajudou a internacionalizar tal modalidade esportiva. 

Lembrando que estamos falando de Flamengo, clube mais popular neste mesmo país.

Paralelamente a essa extorsão que se pratica na comercialização de ingressos para a partida entre Flamengo e São Paulo, temos outro caso absolutamente repugnante.

Trata-se do Clube de Regatas Vasco da Gama, segundo clube mais popular no Rio de Janeiro, um dos mais populares do país e que tem em sua mais do que centenária história uma marca de enfrentamento ao racismo.

Em pleno 2023, o estádio de São Januário, clássica sede do Gigante da Colina, está há três meses interditado por decisão judicial. O motivo original até era plausível, dada a confusão que ocorreu na ocasião da partida entre o Vasco e o Goiás, em 22 de junho, naquela que era a 11ª rodada no Campeonato Brasileiro deste ano. Só que a punição foi ampliada sob a esdrúxula e preconceituosa alegação sobre a "localização" do estádio.

Localização de São Januário é Rio de Janeiro, Brasil. Muito prazer, Rio de Janeiro. Muito prazer, Brasil. Procurar criminalizar a prática do futebol em um estádio baseado na proximidade de locais perigosos é o puro suco do racismo. Somos um país onde o 1% dos mais ricos detém perto de 50% de toda a renda nacional. Os outros 99%? Que se virem com a outra metade!

Essa é uma realidade que não é pontual, esporádica ou caso isolado. Ela é regra dentro do sistema capitalista de produção e consumo. As grandes fortunas se alimentam da miséria. Uma miséria que, nesse país de passado fortemente escravagista, tem cor muito bem definida. É a mesma cor que lota o sistema prisional. E é a mesma cor que, em pleno 2023, não consegue ir ao estádio ver o seu time jogar. Seja por causa dos preços dos ingressos, seja por proibição judicial.

Em síntese:

A interdição do estádio São Januário por motivos de "localização" e os preços astronômicos dos ingressos pra final da Copa do Brasil no Maracanã dizem muito sobre a mesma coisa: a elitização e o preconceito contra pobre que estão tomando de assalto o esporte mais popular do país.


 

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Porcaria No Parque

O estádio palmeirense recebeu grande público no jogo de ida pelas quartas-de-final na Copa do Brasil 2017, sendo palco de uma bela partida nessa noite de quarta-feira.

Então por que "Porcaria No Parque"?, alguém poderia indagar. Estimado leitor e estimada leitora, depende do que você atribui à palavra "porcaria". Reconhecendo os porcos como animais inteligentes, sensíveis e brincalhões, esse termo contempla a desenvoltura do futebol apresentado pelos comandados de Cuca. Um time alegre, envolvente, que busca o gol coletivamente. Porcos, por sinal, são seres altamente sociáveis.

Porém, o futebol não tem compromisso com a justiça (assim como muitos humanos também não têm, afinal, bastante gente submete porcos a uma vida miserável simplesmente para convertê-los em pedaços de lingüiça, salame, presunto, mortadela...). E o placar do primeiro tempo sentenciava 3a0 para o Cruzeiro, que chegou aos gols em três ótimas tramas, nas suas três finalizações até então. Um duro golpe aos donos da casa, que criavam chances mas não tinham a mesma felicidade no momento de concluir. Mas, ao contrário da sentença de morte nos matadouros - o Brasil mata oficialmente um porco a cada segundo - o futebol permite uma volta por cima. Viria o segundo tempo.

Teve comentarista esportivo que, no intervalo, comparou a atuação do Palmeiras diante do Cruzeiro com a do Brasil diante da Alemanha na fatídica semifinal de 2014. Péssima comparação. Se naquela ocasião a seleção de Felipão levou um baile de bola da equipe de Löw, dessa vez o que se via era uma partida equilibrada, apesar do placar elástico. E tanto o equilíbrio quanto a elasticidade foram rompidos no segundo tempo: o Palmeiras passou a dominar o jogo e o resultado foi refletindo essa predominância.

No final, um 3a3 construído com belo futebol. Uma porcaria de atuação. Infelizmente, durante os 90 minutos em que se disputou essa partida, esse país matou aproximadamente 5400 suínos. Todos inocentes. Todos sencientes. É o 7a1 que não vira notícia nos meios de comunicação. Que não possui apelo popular. E então, é a minha vez de perguntar: como pedir paz no esporte se nos alimentamos diariamente de violência?
Porco: símbolo do Palmeiras, vítima da indústria alimentícia. Imagem disponível em pesquisa no Bing.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Mineirão: Um Patrimônio Dos Deuses Do Futebol

Há alguma bênção sobre o estádio do Mineirão. Não sei quem a direcionou para aquele lugar, tampouco faço idéia de quando especificamente tenha ocorrido tal acontecimento fenomênico. Mas, reafirmo: há alguma bênção sobre o estádio do Mineirão.

Para comprovar essa constatação (veja bem, não é teoria ou suposição, mas uma constatação), não precisamos ir longe no tempo. Os feitos do Clube Atlético Mineiro na Copa Libertadores da América estão vivos na memória do futebol continental. E não vou me alongar aqui para descrever a sensacional trajetória daquela equipe comandada por Cuca na beira do gramado e por Ronaldinho dentro das quatro linhas. Vídeos com os melhores momentos de cada jogo de volta são o suficiente para mostrar o sobrenatural em ação, tanto no Independência quanto no Mineirão, palco da derradeira decisão.

Para comprovar aquela constatação (de que há alguma bênção sobre o estádio do Mineirão), vou me debruçar sobre dois jogos mais recentes do que a edição 2013 da Libertadores. São dois momentos marcantes, cada qual à sua maneira, cada qual com suas (in)devidas (des)proporções. Ei-los: a semifinal da Copa do Mundo 2014 entre Brasil e Alemanha; e a semifinal da Copa do Brasil 2014 entre Atlético Mineiro e Flamengo. Dois jogos sediados pelo mesmo abençoado Mineirão e que terminaram com muitos gols, quase todos eles para o mesmo lado.

Do lado da Alemanha, de Joachim Löw. Exaltamos aquela atuação nesse blógui. Quem quiser recordar, acesse "Em Nome Do Futebol, Sete Vezes Obrigado!".

E do lado do Atlético, de Levir Culpi. Levir não é nenhum Löw assim como o Galo não é nenhuma Alemanha. Sequer cabem maiores comparações entre esses treinadores e essas equipes. Só que o Mineirão estava lá. O bendito Mineirão estava lá, abençoando os amantes do futebol que lançavam olhares sobre aquele terreno. Tanto na goleada alemã quanto na atleticana, tivemos do lado oposto duas equipes afogadas na própria incompetência. O Brasil de Luiz Felipe Scolari era uma coisa esdrúxula desde que esse pseudo-treinador assumiu a seleção. Criticamos incansavelmente cada atuação daquele esboço de time de futebol durante a Copa, numa campanha que acabou enganando bastante gente "entendida" do assunto. Até a máscara cair no Mineirão. Ou você acha que com Neymar seria diferente? Aviso: cada segundo seu de reflexão é um meu de risada sarcástica. E o Flamengo de Vanderlei Luxemburgo, pecava pela organização. Mas como assim "pecava pela organização"? Sim, pecava pela organização. O time do Flamengo foi organizado por um sujeito que não queria que seus comandados jogassem futebol. E a equipe, esbanjando disciplina em sua retraída e acovardada formação tática, sucumbiu pela própria incompetência estratégica aliada ao ímpeto vencedor que havia do outro lado, vestindo preto e branco. Uma virada para deixar o mais preto dos flamenguistas vermelho de vergonha.

Um cântico ecoou no Mineirão na noite apoteótica em que o Atlético sapecou 4a1 no Flamengo (lembrando: o jogo de ida foi vencido pelo Rubronegro por 2a0 e a equipe carioca ainda abriu o placar em Belo Horizonte, se dando o direito de tomar três gols para ainda assim se classificar para a final do torneio em que é atual campeão). Esse cântico dizia assim, em duas palavras que formam uma frase que dispensa novos vocábulos: "Eu Acredito". Melhor que isso, só com o ponto de exclamação: "Eu Acredito!". Melhor ainda, quando entoado por dezenas de milhares de pessoas, a plenos pulmões: "EU ACREDITO!". Primeiro, a torcida do Flamengo entoou essas palavras, ironizando a crença atleticana no que parecia impossível. Pois é, parecia. Mas não era. "Yes, We C.A.M.". No final, foi a torcida da casa quem bradou a frase, como se fosse uma oração. Bendito legado do Cuca, bendito Mineirão.

Eu acredito em muitas coisas. Inclusive no futebol bem jogado. Abençoados sejam aqueles que acreditam. Amém.
 Luan aponta para os céus diante da torcida atleticana no Mineirão: equipe buscou quatro gols para se classificar à final da Copa do Brasil 2014. O último foi marcado por ele. Ou por Ele? 

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Botafogo, Atlético Mineiro E O Prazer De Assistir Futebol

Botafogo e Atlético não são por acaso dois dos times que jogam o melhor futebol no país na atualidade. Aliás, não é nem um pouco desconfortável afirmar que sejam, de fato e de direito, as duas melhores equipes brasileiras hoje. O jogo de ida pela fase oitavas-de-final na Copa do Brasil 2013, disputado ontem, no estádio construído onde ficava o Maracanã, ratifica tais afirmações.

Mesmo sem Fellype Gabriel de um lado e Bernard de outro (negociados com clubes no exterior), mesmo sem Seedorf de um lado e Diego Tardelli de outro (poupados por questões físicas), os times de Oswaldo e Cuca renderam muito bem, obrigado. Ou seja, há time, elenco, entrosamento em ambos os lados. E o mais importante: há futebol de qualidade. Futebol daquele que dá gosto de assistir.

No início, o Galo teve as maiores chances. Velocíssimo em contra-ataques, voava da defesa ao ataque sem fazer escalas no meio-campo. Abriu o placar assim, em jogada envolvendo Luan, Ronaldinho e Marcos Rocha. Mas o Botafogo também tem as suas opções e construiu uma virada com imponência. Conduzido por Vitinho, o time mandante mandou no jogo e alcançou quatro gols diante dos campeões continentais.

4a1 seria um resultado justo pela avassaladora reação botafoguense, que ocorreu através da melhor das combinações: organização e ofensividade no gramado, participação e cantoria na arquibancada (quem foi, apoiou, inclusive nos momentos de placares adversos). Mas justo no final, o Galo, tão acostumado a marcar gols no fechar das cortinas quanto o Fogão em levá-los no apagar das luzes, descontou e deu aos atleticanos o direito de acreditar na classificação com vitórias por dois gols de diferença no jogo de volta.

E que bom que vai ter volta. Poderemos saborear mais noventa e alguns minutos do que tem tudo para ser outro grande jogo. Jogo entre as duas equipes que jogam o melhor futebol no Brasil nesse momento. Legítimos campeões estaduais, continentais e líderes de nacional, sérios candidatos a mais títulos nesse ano.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Heroísmos Numa Quarta-feira Futebolística

Vamos aqui falar sobre três jogos assistidos pelo blogueiro nessa última quarta-feira (ontem, 17.04.2013). Poderiam ser três tópicos diferentes, mas veio a idéia de juntar tudo numa única postagem, compactando o conteúdo e, na medida do possível, estabelecendo relações entre as diferentes partidas.

Seguindo a ordem cronológica dos eventos, comecemos pela fase quartas-de-final na Copa da França, onde Evian e Paris Saint-Germain se enfrentaram em jogo único, decidido somente nas cobranças de pênaltis. No tempo regulamentar, empate em 1a1 (Pastore abriu o placar com um golaço da meia-lua e Khelifa empatou para os donos da casa ainda no primeiro tempo).

Muito superior tecnicamente, tendo montado um time caríssimo e que recentemente conseguiu jogar de igual para igual com o Barcelona, o PSG voltou a atuar de maneira irregular, tal como tive a oportunidade de acompanhar algumas vezes nessa temporada. Sem Lucas (contundido) e com Ménez bastante sumido nas ações ofensivas, a equipe mostrava poucas alternativas para infiltrar na defesa cor-de-rosa, que tinha no brasileiro Betão uma de suas fortalezas para impedir o sucesso de jogadores como Ibrahimovic, Lavezzi (que entrou no segundo tempo) e o próprio autor do gol, Pastore, que não teve grandes facilidades nas proximidades da área.

Com duas ou três belas intervenções, o goleiro Laquait ajudou a levar o aplicado time de Pascal Dupraz às penalidades máximas, defendendo a cobrança de Ibra para se consagrar de vez no confronto que colocou, pela primeira vez na história, o Evian numa semifinal de Coupe de France. Para frustração de um PSG que sonhava com uma dobradinha inédita, restando agora o Campeonato Francês para "salvar" a temporada dos comandados de Carlo Ancelotti, líderes isolados na competição.

Depois de ver a festa de Laquait, Betão e companhia diante de seus torcedores na França, voltamos para o Brasil sem sair do sofá: era estréia do Botafogo na Copa do Brasil. Embalado por oito vitórias consecutivas na temporada (incluindo aí semifinal e final na Taça Guanabara), o Alvinegro jogou no campo do Sobradinho mas com clima de partida dentro de casa, pois a grande maioria presente nas arquibancadas era botafoguense. Seedorf teve grande atuação e a equipe dominou as ações por praticamente todo o tempo de jogo, mas não foi capaz de tirar o zero no placar. E ainda levou um susto no final, pois nos acréscimos levou um gol que veio a ser corretamente anulado, por impedimento de alguns centímetros. O heroísmo nessa partida fica para o esforço dos jogadores do Sobradinho e, em especial, para o goleiro Donizeti, que sempre correspondeu quando exigido, incluindo um lance em que evitou gol contra de Ronaldo, defendendo acrobaticamente. Com sorte, quem sabe a equipe não consegue o feito de sair classificada no Rio de Janeiro? Aliás, com muita sorte, porque tudo leva a crer que o Botafogo estará mais inspirado na partida de volta.

Finalmente, Copa Kevin Libertadores da América 2013. São Paulo, ameaçadíssimo de eliminação, e Atlético Mineiro, garantidíssimo com a melhor campanha na fase de grupos. Duelo colocando em choque times dos excepcionais Ney Franco e Cuca. Jogo com cara de decisão, bastante truncado. No segundo tempo, um pênalti cometido por Leonardo Silva abriu o caminho para a vitória tricolor: Rogério Ceni converteu a cobrança e, mais tarde, uma jogada iniciada por Ganso chegou até Osvaldo e terminou na conclusão de Ademílson. 2a0 e, com a vitória do Arsenal sobre o The Strongest, teremos nas oitavas-de-final... Atlético e São Paulo! Heroísmo? Dessa vez deixo para a torcida são-paulina, que fez bonita festa e abraçou o time. Não estranharia se desse duelo saísse o novo campeão continental...

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Palmeiras "Imita" Corinthians E Também É Campeão Invicto


Havia sido em 2008 o último título palmeirense, então campeão estadual. Extrapolando as fronteiras de São Paulo, datava do ano 2000 o troféu mais recente (a extinta Copa dos Campeões). Mas nessa quarta-feira, onze de julho de dois mil e doze, o Palmeiras conquistou a Copa do Brasil e fez a alegria de seus torcedores, o que deve transformar um clima tenso entre as partes em uma "lua-de-mel" sem data para terminar.

Para valorizar ainda mais o feito dos comandados de Luiz Felipe Scolari, a equipe foi para campo no estádio Couto Pereira desfalcada de Valdívia (suspenso após ser expulso por agressão na partida de ida) e Barcos (operado e ausente também no primeiro jogo da final). E, convenhamos, não é nada simples suportar a pressão do Coritiba naquele estádio, ainda mais quando o público comparece em peso e proporciona linda festa, como a que foi vista antes de a bola rolar.

Acontece que nem tudo foram flores nesse cenário de conquista. Na primeira partida, em Barueri, um erro flagrante da arbitragem de Wilton Pereira Sampaio prejudicou o time paranaense, que tinha um pênalti para bater e poderia caminhar em direção a um resultado menos desfavorável naquela noite de quinta-feira. Uma penalidade muito menos evidente foi marcada a favor do Palmeiras, o que coloca em dúvida a idoneidade do cidadão escalado para arbitrar. Quem apitou o jogo de volta foi Sandro Meira Ricci, personagem central da fatídica partida entre Corinthians e Cruzeiro, no Campeonato Brasileiro 2010, quando beneficiou por diversas vezes a equipe da casa, que venceu por 1a0 com um gol de pênalti aos quarenta minutos do segundo tempo (a partida envolvia duas equipes que disputavam o título no torneio e acabou beneficiando o Fluminense, campeão naquele ano). Embora não seja objetivo nesse texto ficar levantando suspeitas sobre o mérito palmeirense, não é nada legal ver tudo isso acontecendo envolvendo um torneio e uma equipe campeã detentoras de um mesmo patrocinador...

O jogo

O encontro no Couto Pereira envolvia duas equipes alviverdes com o mesmo objetivo: o título. O Coritiba, que disputou a final em 2011, queria voltar a faturar um título nacional após 27 anos (foi campeão brasileiro em 1985). O Palmeiras, com tantos títulos nacionais, buscava encerrar um período de 12 anos sem faturar nada fora dos limites estaduais. De diferente entre os times, era a postura para alcançar tal objetivo em comum.

Enquanto o Coritiba tinha a necessidade de sair para o jogo e correr atrás de um prejuízo de dois gols, o Palmeiras focava em se defender e explorar os contra-ataques. Uma falta cometida com quatro segundos de bola rolando dá uma idéia de como foi isso, embora o time visitante não tenha sido necessariamente violento ao longo do jogo. Jogo esse que teve sua qualidade reduzida por um gramado em más condições (muitos trechos estavam empoçados) e, talvez por isso, jogadores talentosos como Tcheco e Daniel Carvalho acabaram tendo desempenho muito aquém do que deles se espera, comprometendo a capacidade criativa de ambos os times, que eram mais perigosos em lances de bola parada do que em jogadas envolvendo trocas de passes.

Após um primeiro tempo de mais transpiração do que inspiração, Marcelo Oliveira mexeu na equipe da casa no intervalo, colocando Ayrton no lugar de Jonas. E foi de Ayrton o gol que inaugurou o placar no estádio Couto Pereira: através de uma cobrança de falta aos dezesseis minutos, o lateral colocou a bola no canto direito, marcando 1a0 para o Coritiba e proporcionando uma explosão de alegria nas arquibancadas.

A entrada do meio-campista Lincoln, ex-Palmeiras, ocorreu no minuto anterior ao primeiro gol (entrara no lugar do volante Sérgio Manoel) e pode-se dizer que sua participação foi ativa na partida - a começar pelo próprio lance do gol, pois foi ele quem sofreu a falta cobrada por Ayrton. Buscando jogo, o atleta com passagem pelo Schalke 04 se movimentava e era bastante acionado pelos companheiros. Talvez por sentir o clima da final, talvez por alguma coisa originada em sua passagem pelo Parque Antarctica, Lincoln acabou se envolvendo em algumas confusões com jogadores adversários. Numa delas, colocou a bola no rosto de Marcos Assunção, em desentendimento que poderia tranqüilamente resultar em expulsão.

Ambos os jogadores permaneceram em campo (foram advertidos com cartão amarelo) e, dos pés de Assunção, teve início o gol de empate: cobrando falta pelo lado direito, o homem das bolas paradas colocou a redonda na medida para Betinho, que cabeceou no canto direito sem dar possibilidade de defesa para Vanderlei. 1a1 aos vinte e cinco minutos do segundo tempo, festa palmeirense no Paraná e o sentimento de que o título estava mais perto do Palestra do que nunca.

Obrigado a marcar pelo menos três gols, o Coritiba não tinha muito o que fazer a não ser atacar. A entrada de Ânderson Aquino no lugar de Roberto aumentou as opções ofensivas da equipe da casa, mas nem por isso foi estabelecida uma forte pressão sobre a meta defendida pelo goleiro Bruno. Aliás, esse goleiro Bruno merece algumas considerações mais extensas: com 28 anos de idade (13 de Palmeiras), Bruno Corez Cardoso é daqueles arqueiros que dão seqüência ao ótimo trabalho que o Palmeiras faz com relação aos goleiros. Não que devamos colocá-lo à altura de Veloso, Sérgio, Marcos, Diego Cavalieri ou Deola, mas é digno de dizer que Bruno é mais um fruto comum a uma mesma árvore, que a instituição mostra saber como regar.

Aparentemente sem forças nem inspiração para passar pela linha de defesa adversária e, nos raros momentos em que isso acontecia, sem poder para superar o goleiro Bruno, o Coritiba sucumbiu pela segunda vez seguida numa final de Copa do Brasil. Ano passado, pressionou enormemente o Vasco e só não faturou o título por detalhe. Dessa vez, esbarrou na arbitragem tendenciosa no jogo de ida e na solidez palmeirense no jogo de volta, além do gramado para lá de horroroso, destoando de tudo o que foi visto nas arquibancadas.

Garantido na próxima edição da Copa Libertadores da América, o Palmeiras tem agora um ingrediente fundamental para dar seqüência a um trabalho: paz. Afinal, nada como um título nacional para acalmar os ânimos no ambiente conturbado. Mas é necessário ponderarmos as coisas: nem toda derrota é sinal de que as coisas vão mal e nem toda vitória é sinal de que as coisas vão bem. Em paz, pelo menos, tudo fica mais claro.

P.S.: curiosamente, o Corinthians foi campeão na Libertadores e o Palmeiras na Copa do Brasil vencendo o adversário por 2a0 no jogo em São Paulo e empatando em 1a1 no campo oponente. Invencibilidades e títulos que merecem ser festejados, aos dois primeiros times garantidos na próxima Libertadores.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Vitória E Botafogo Empatam Na Ida E Conservam Invencibilidades

Vitória e Botafogo fizeram, em Salvador, a primeira partida no duelo de oitavas-de-final na Copa do Brasil 2012. O empate em 1a1 manteve a invencibilidade do Vitória em seu estádio na presente temporada (onze vitórias em quinze jogos no Barradão em 2012) e manteve também a condição de invicto ao Botafogo nesse ano (são vinte e quatro partidas até o momento).

Os gols foram marcados ainda no primeiro tempo. Após vacilo da defesa do Vitória, o argentino Germán Herrera esbanjou consciência ao servir Elkeson com um cruzamento que mais pareceu um passe. Coube ao ex-jogador do clube baiano completar pra rede e comemorar - coisa que ele fez discretamente, mostrando respeito e carinho pelo time que o projetou. Mas se os donos da casa sofreram 1a0 aos vinte e seis minutos, conseguiriam buscar o empate cinco minutos depois: após boa jogada de Tartá pela direita (o que inclui uma "caneta" em Maicosuel), Neto Baiano subiu sem tomar conhecimento da presença de Antônio Carlos e mandou para a rede. Neto Baiano é o jogador que mais marcou gols no futebol brasileiro em 2012: vinte e nove.

A partida foi bem disputada e marcada por um equilíbrio. Sem Jéfferson, Renato, Fellype Gabriel e Abreu, o Botafogo não apresentou o mesmo padrão de jogo visto nos últimos compromissos. A dupla de defesa composta por Antônio Carlos e Fábio Ferreira errou mais que o habitual e quase comprometeu o resultado, mas o goleiro Renan e a pontaria de Neto Baiano agiram em benefício do Alvinegro Carioca, que decidirá a vaga no Rio de Janeiro, na próxima quarta-feira, precisando de uma vitória simples ou até mesmo de uma igualdade sem gol. O vencedor deste confronto cruza com a chave de Coritiba e Paysandu (na ida, vitória paranaense por 4a1).

quinta-feira, 5 de abril de 2012

De Virada, Botafogo Busca Vitória Em Campinas E Se Aproxima Das Oitavas

Num dos duelos mais fortes na fase dezesseis-avos-de-final da Copa do Brasil 2012, quem saiu em vantagem do estádio Brinco de Ouro da Princesa foi o Botafogo. Vitorioso com uma virada por 2a1 sobre o Guarani, o Alvinegro fará o jogo de volta, dia dezenove, no estádio Engenhão, podendo empatar ou até mesmo perder por 1a0 para avançar às oitavas-de-final. Ao Bugre resta a tarefa de marcar pelo menos dois gols para correr atrás da classificação, que somente virá em caso de vitória no Rio de Janeiro.

Destaca-se aqui a atuação do meio-campista botafoguense Renato, que, dezesseis anos atrás, iniciava carreira justamente com a camisa do Guarani, seu clube de juventude entre os anos de 1996 e 2000. Hoje com trinta e um anos de idade e com passagens pela seleção brasileira, o camisa oito (que atua desde 2011 no Botafogo), marcou gol e deu assistência para o marcado por Herrera.

O jogo

Invicto há seis jogos na temporada e já classificado para fase eliminatória no Campeonato Estadual de São Paulo (onde pode inclusive terminar a primeira fase entre os quatro primeiros lugares), o time comandado por Oswaldo Alvarez preferiu iniciar a partida dentro de casa focando na defesa, respeitando o Botafogo, equipe invicta na temporada 2012. Se de um lado o Guarani não contava com Fumagalli, de outro o Botafogo estava desfalcado de Maicosuel e Sebastián "El Loco" Abreu, fatores que, de alguma forma, foram sentidos na parte ofensiva. Mesmo assim, o time visitante conseguiu encaixar algumas boas jogadas e ficou por pelo menos duas vezes próximo de abrir o placar. Não abriu e, aos trinta e seis minutos, foi castigado - em lance onde Andrezinho saiu jogando errado, o jovem Bruno Mendes (tem dezessete anos e é daqueles jogadores que parece interessante ficar de olho) recuperou a posse de bola, encarou a marcação de Fábio Ferreira, dividiu com Andrezinho, limpou o lance e conseguiu descolar uma finalização por entre as pernas do goleiro Jéfferson, marcando bonito gol para inaugurar o marcador.

O Botafogo seguiu procurando o ataque, só que dessa vez a busca era pelo gol de empate. Aos quarenta e quatro minutos, surgiu um lance de bola parada pelo lado direito de ataque botafoguense. Andrezinho encarregou-se da cobrança e colocou com precisão a bola na cabeça de Renato, que foi certeiro no cabeceio, conseguindo tirar do goleiro Émerson e empatando a partida ainda antes do intervalo. Veio o segundo tempo e o Botafogo, mais organizado no setor de meio-campo, passava a exercer um domínio maior do que o percebido durante os primeiros quarenta e cinco minutos. Mas esse domínio alvinegro não tirou do Guarani as possibilidades de marcar novamente no jogo: aos dezessete minutos, Fabinho foi acionado pelo lado esquerdo, chutou com força e Jéfferson interviu magnificamente ao desviar uma bola que ainda tocou na trave esquerda. Aos vinte e três minutos, o volume de jogo dos visitantes foi premiado com o gol da virada: Fellype Gabriel inverteu jogo para a direita, Renato recolheu, foi à linha-de-fundo e serviu Germán Herrera, que limitou-se a concluir o lance empurrando a bola para a rede.

Nessa fase da competição, o regulamento prevê classificação antecipada da equipe visitante em caso de vitória por mais que um gol de diferença. Mesmo tendo diminuído o ritmo de suas investidas ofensivas, o Botafogo demonstrava intenção de buscar esse gol, dando mais emoção a uma partida onde o Guarani corria atrás do empate. No final das contas, o zagueiro Domingos, que atuou bem na defesa, quase marcou de cabeça o que seria o gol de empate. Mas a partida em Campinas terminou mesmo em 2a1 para o Botafogo, que não perdeu nenhum jogo sob o comando de Oswaldo de Oliveira.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Com Azar E Sorte, Botafogo Passa Pelo Treze

Dizem que botafoguense é um tipo supersticioso. Evidente que a alcunha é generalista e leviana, mas não há como negar que é bastante fácil encontrar elementos que reforçem a máxima. O clube que, ao apresentar Sebastián "El Loco" Abreu como reforço, em 2010, fez o uruguaio receber das mãos de Mário Jorge Lobo Zagallo a camisa com o número 13, encarou na noite de ontem o adversário paraibano que carrega esse número primo como nome institucional. E acreditem: na Paraíba, a rivalidade entre o Treze e equipes como o Botafogo e o Campinense levaram esses dois últimos a não utilizar o número 13 entre seus jogadores. No próprio Treze, a camisa 13 é dedicada exclusivamente aos torcedores, não sendo vestida por nenhum atleta.

Superstições à parte, vamos falar do jogo realizado no estádio Engenhão: após empate por 1a1 no tempo regulamentar (o mesmo resultado visto na partida de ida, em João Pessoa), a equipe carioca conseguiu a classificação para a segunda fase na Copa do Brasil 2012 após disputa por pênaltis. E o negócio foi dramático: Renato e "Loco" Abreu desperdiçaram suas cobranças. Mas, no final, uma "cavadinha" (veja só!) defendida por Jéfferson selou a vaga aos botafoguenses. O próximo adversário do Glorioso na competição eliminatória é o Guarani, que passou pelo Brasiliense na primeira fase.

O jogo

Conforme esperado, o Botafogo iniciou a partida atacando. Só que o que poucos poderiam imaginar (talvez nem os mais fanáticos torcedores do Treze), é que o time visitante fosse, com menos de três minutos de jogo, conseguir abrir o placar no Rio de Janeiro. O chute de Amaral Rosa veio de longa distância e provavelmente não causaria grandes dificuldades ao goleiro Jéfferson, mas o desvio em Fábio Ferreira mudou o rumo da coisa e o arqueiro botafoguense viu-se em maus lençóis, não conseguindo alcançar a bola que tomou o caminho da rede.

E o Botafogo não reagiu bem ao golpe sofrido. Nervoso, o time confundia "pressa" com "velocidade", e ia ao campo ofensivo muitas das vezes sem conseguir "pensar a jogada". Mesmo assim, chances surgiram. Aos doze minutos, um chute de Herrera rendeu escanteio ao Alvinegro. Na cobrança, a bola chegou até Abreu, que desviou servindo Antônio Carlos. O zagueiro chutou e a bola bateu em seu companheiro Fellype Gabriel. No rebote, nova finalização de Antônio Carlos e, incrivelmente, novamente a redonda chocou-se a Fellype Gabriel, que naquele momento agia como zagueiro do Treze.

Aos vinte e um minutos, veio o gol de empate: Renato colocou a bola na área em cobrança de falta pelo lado esquerdo e Abreu foi no tempo exato para, soberano, subir e cabecear para a rede, antecipando-se ao goleiro Beto. E se Beto mostrou-se vacilante nas saídas de gol, o arqueiro do Treze passaria a se tornar personagem de destaque no duelo. Foram defesas em chutes de Andrezinho (um em remate frontal e outro em cobrança de falta), intervenção cara-a-cara com Herrera (impedindo duas vezes consecutivas que o argentino virasse o jogo) e uma atuação que parecia dar maior segurança ao time visitante. Quando atacava, o Treze até conseguia causar perigo, como em chute de Carlos Alberto aos trinta e um minutos, que desviou e passou perto da trave.

No segundo tempo, Oswaldo de Oliveira optou voltar com Jóbson no lugar de Herrera. E no primeiro minuto, um chute do jogador que acabara de entrar bateu no braço de Ânderson, com o árbitro Ronan Marques da Rosa, de Santa Catarina, alegando toque involuntário e não marcando penalidade máxima no lance. Aos quatro, Carlos Alberto quase marcou o segundo dos visitantes: ele arrancou desde o campo de defesa, passou por Marcelo Mattos como quis e chutou à esquerda. O Treze teria nova chance de se aproximar da classificação aos dezessete (isto é, treze minutos depois): nas costas de Marcelo Mattos, Thiago Cunha recebeu boa enfiada de bola e, livre, chutou para fora. De resto, falar do Treze era basicamente falar do goleiro Beto. Ele defendeu chute cruzado de Jóbson e evitou que pelo menos duas finalizações de Abreu terminassem em gol. E foram intervenções espetaculares: numa, espalmando no canto direito após a bola quicar e ganhar altura; noutra, em cabeceio do uruguaio, saltando ao canto esquerdo para espalmar com ambas as luvas. Aos quarenta e um minutos, o arqueiro partiu para cobrar um "tiro-de-meta" e caiu no gramado. Pediu atendimento alegando cãimbras, mas, após cerca de dois minutos de jogo parado, efetuou a cobrança com um chute que atravessou a metade da extensão do gramado. Recuperação rápida ou catimba clássica? O fato é que o Botafogo seguiu pressionando, mas, para passar por Beto, precisaria ser via desempate por pênaltis. Renato e Abreu não conseguiram superar a muralha paraibana, mas, no final das contas, o Botafogo venceu a série por 3a2. Na cobrança derradeira, o goleiro Jéfferson pegou a cobrança de Léo Rocha, que resolveu cobrar o pênalti de um modo que nem o "Loco" optou: de "cavadinha". E ainda ouviu do vibrante arqueiro: "Aqui não!". Não mesmo. Botafogo passa tem treze letras.
 
Lance derradeiro do confronto eliminatório em dois momentos: acima, Jéfferson espalma a cobrança de Léo Rocha, garantindo a classificação alvinegra; abaixo, goleiro dá o recado ao adversário sobre a opção em cobrar com "cavadinha": "Aqui, não!"

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Vasco Conquista Inédita Copa Do Brasil. Mas Precisava Ser Assim?

O tradicional clube cruzmaltino foi ao estádio Couto Pereira representado por cerca de 4.000 vascaínos presentes nas arquibancadas e tantos milhões que acompanharam os acontecimentos através dos veículos de comunicação diversos. Quem esteve longe de representar a grandeza do Vasco da Gama, porém, foi o treinador Ricardo Gomes - antes de mergulhar na crítica ao ex-zagueiro, cabe colocar que o Vasco conseguiu uma bela sacodidela desde que Gomes assumiu o posto deixado por Paulo César Gusmão, após o pior início de temporada da história da instituição. Mas a recuperação vascaína no decorrer do Campeonato Estadual e as algumas boas exibições na Copa do Brasil não dão ao time o direito de jogar tão mal a final da competição eliminatória. Muito pelo contrário: o Vasco, que tem um nome a zelar e já provou qualidade em seu plantel (um exemplo é a vitória sobre o Avaí, no jogo de volta pela fase semifinal), apresentou um futebol medonho. Medonho por ser medroso, acovardado diante de um adversário que não tem a mesma força nem na camisa nem no material humano dentro das quatro linhas. A grande vantagem do Coritiba, no meu entender, estava no comando técnico: a figura de Marcelo Oliveira, que, embora distante de armar um time envolvente, conseguiu amplo domínio territorial por praticamente a totalidade do tempo, não saindo campeão por detalhes que competem ao mundo dos esportes. Um desses "detalhes" atende pelo nome de Sálvio Spínola Fagundes Filho, árbitro de São Paulo que negou um pênalti claro em favor do clube paranaense aos 24 minutos do segundo tempo, de Dedé em Leonardo, quando a partida já estava 3a2 para o Coritiba.

Parabéns à imensa torcida vascaína por celebrar um título inédito, que recoloca o clube na disputa da Copa Libertadores da América. Mas o Vasco é grande demais para se contentar com uma exibição covarde, que por muito pouco não custou o tão aguardado caneco. Diego Souza e Felipe, dois dos elementos mais experientes do Clube da Colina, foram substituídos na etapa derradeira e, do banco de reservas, refletiam o que era o time nessa decisão, preferindo nem olhar o que estava acontecendo dentro das quatro linhas, entregues ao nervosismo e à tensão.

Se os torcedores trocariam o título jogando como "time pequeno" por um vice-campeonato cheio de dignidade? Creio que não. Mas certamente seria mais interessante o título vir acompanhado de uma atuação à altura da história do Clube de Regatas Vasco da Gama. Isso, definitivamente, passou longe de acontecer.

A campanha

1ª rodada eliminatória

Comercial/MS 1a6 Vasco

2ª rodada eliminatória

ABC 0a0 Vasco
Vasco 2a1 ABC

Oitavas-de-final

Náutico 0a3 Vasco
Vasco 0a0 Náutico

Quartas-de-final

Atlético/PR 2a2 Vasco
Vasco 1a1 Atlético/PR

Semifinal

Vasco 1a1 Avaí
Avaí 0a2 Vasco

Final

Vasco 1a0 Coritiba
Coritiba 3a2 Vasco

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Vasco Vence Coritiba Com Gol De Alecsandro

Na partida de ida pela final da Copa do Brasil em 2011, o Vasco recebeu o Coritiba num festivo estádio de São Januário, venceu o jogo por 1a0 com gol de Alecsandro e deu grande passo na direção de um título inédito na história do clube.

Esse foi o 1º de 3 jogos em seqüência entre os dois clubes, que no domingo se enfrentam pela 3ª rodada no Campeonato Brasileiro e na quarta-feira atuam para ver quem levanta o troféu na Copa do Brasil, garantindo vaga na próxima edição da Copa Libertadores da América.

O jogo

Embora a torcida vascaína tenha abraçado o time e marcado presença em São Januário, o Coritiba não se intimidou nem no campo e nem nas arquibancadas: dentro das quatro linhas, os comandados de Marcelo Oliveira buscavam ocupar o campo ofensivo e, fora delas, a torcida cantava a ponto de poderem ser ouvidos gritos de "Coxa, Coxa!". Outra coisa verde que dava as caras no gramado era o (reincidente) feixe luminoso, que com menos de 3 minutos ocasionou uma paralisação na partida com o árbitro Paulo César de Oliveira tendo a sensata idéia de pedir que os próprios jogadores vascaínos solicitassem o desligamento do objeto.

Com bola rolando, dois chutes - um para cada lado - mereceram destaque no primeiro tempo: tanto na finalização de Diego Souza quanto na de Bill (ambas buscando o canto direito), os goleiros Édson Bastos e Fernando Prass conseguiram defender.

Bola na rede ficou para o segundo tempo: aos seis minutos, Bernardo passou para Diego Souza, que abriu na direita com Allan. O lateral cruzou pra área e Alecsandro fez exatamente aquilo que se espera de um centroavante efetivo, abrindo o placar com um cabeceio certeiro entre a trave esquerda e o goleiro. Na comemoração, homenagem ao pai Lela, ex-jogador e ídolo no Coritiba.

Em competições no formato ida-e-volta onde o gol fora conta como critério de desempate, o 1a0 é muitas das vezes um resultado comemorável para os mandantes. O Vasco parecia satisfeito com o placar e passou a "aceitar" as rotineiras investidas paranaenses. Não era apenas a falta de habilidade de Ânderson Aquino (goleador do Coxa na competição, com 4 marcados) que dificultava o trabalho alviverde, mas sobretudo a boa performance de Prass e do zagueiro Dedé. Nos minutos finais, a equipe visitante - que havia feito as 3 substituições trocando Davi, Aquino e Bill por Geraldo, Marcos Paulo e Leonardo - foi bastante incisiva na busca pelo gol e chegou perto de conseguí-lo, mas o Vasco resistiu e carregou para o jogo de volta uma relevante vantagem do empate e da derrota simples em caso de gol marcado no campo oponente.

Nessa Copa do Brasil, o Vasco fez suas melhores exibições atuando como visitante. Resta saber se conseguirá concretizar isso na duríssima partida a ser disputada no estádio Couto Pereira, na próxima quarta-feira, estádio onde o Coritiba está invicto nessa temporada. O jogo de domingo, pelo Brasileiro, também será lá - mas definitivamente não é nesse duelo que os torcedores estão focados.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Superior, Vasco Vence Avaí Na Ressacada E Está Na Final

Jogando uma boa partida em todos os setores, o Vasco da Gama venceu o Avaí em pleno estádio da Ressacada, em Florianópolis, e garantiu sua 2ª presença na final da Copa do Brasil. Diante do Coritiba, o Cruzmaltino tentará um desfecho diferente da edição de 2006, quando foi derrotado pelo Flamengo e amargou o vice-campeonato.

O jogo

Desde o início de partida, o Clube da Colina mostrou não se intimidar com a presença maciça dos torcedores catarinenses (apesar de muitos vascaínos serem vistos nas arquibancadas, a maioria era, naturalmente, avaiana). O gol inaugural saiu aos 3 minutos: Felipe cobrou falta pela direita colocando a bola com efeito no miolo da área, Diego Souza foi disputar pelo alto mas quem cabeceou para a rede foi o zagueiro Révson, marcando contra.

Difícil saber se aquele gol foi um golpe sentido pelos donos da casa dentro de campo, mas entre os torcedores era perceptível que o revés abateu os adeptos alvi-celestes. O fato é que o Vasco seguia melhor e criou muitas chances para ampliar a vantagem. Com chutes conciliando força e precisão, as finalizações vascaínas convidaram o goleiro Renan para trabalhar e logo se transformar no destaque da equipe mandante.

Com menos de meia hora de jogo, Silas realizou sua primeira substituição, trazendo o atacante Rafael Coelho (ex-Vasco) para o lugar do volante Acleisson (que cometia muitas faltas e pouco acrescentava quando com a posse de bola). Fazendo justiça ao amplo volume de jogo, o Vasco chegou ao 2º gol aos 34 minutos: Alecsandro, costumeiro finalizador, agiu como garçom e serviu Diego Souza, que com um toque categórico tirou de Renan e encaminhou a bola para dentro.

O Avaí até teve uma chance interessante de diminuir o prejuízo ainda na etapa inicial, mas a bola chutada por Julinho pelo lado esquerdo foi parar na trave esquerda. Foi somente após o intervalo que o time da casa melhorou visivelmente no jogo, conseguindo freqüentar o campo ofensivo com um pouco mais de organização na construção de jogadas. Porém, o Vasco seguia perigoso: aos oito, Diego Souza recebeu pela direita, avançou escapando da marcação na base da técnica e da força física e, quando poderia ser esperado um passe procurando um companheiro, o meio-campista tratou de chutar direto e carimbar a trave esquerda.

Apesar de precisar de 3 gols para reverter a situação, o Avaí pouco conseguia produzir e ainda levava um sufoco quando o Vasco se mandava ao ataque: aos catorze minutos, Ramón chutou pelo lado esquerdo, Renan não conseguiu abafar e a bola foi parada novamente pela trave, dessa vez a direita. Uma das melhores empreitadas avaianas ocorreu aos 27 minutos, quando Marquinhos chutou perto do ângulo direito, mandando a bola na haste horizontal que fica atrás da trave, na altura do travessão.

A torcida vascaína já fazia a festa na capital catarinense, soltando gritos de "olé" e cânticos provocando o rival Flamengo (que não são publicáveis em áreas freqüentadas por crianças e adolescentes). E a vitória somente não virou goleada porque a arbitragem errou ao marcar impedimento de Alecsandro quando o atacante completava para a rede uma bola recebida em posição legal, em jogada iniciada magistralmente por Diego Souza, que aplicara lençol sensacional em Marcinho Guerreiro. Para delírio da galera, que passou a entoar "ah! Diego Souza!".

No pós-jogo, Felipe, que deixou o campo no segundo tempo dando lugar ao volante Jumar, desabafou perante as provocações do atacante adversário Willian, figura apagada em campo: 'ele disse que ia nos atropelar, acho que o carro dele enguiçou'.

Outro resultado

Coritiba 1a0 Ceará (1a0 no agregado)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Com Empurrão Da Torcida E Da Arbitragem, Vasco Empata Com Avaí

Vasco da Gama e Avaí fizeram na noite de ontem a partida de ida no duelo que vale vaga na final da Copa do Brasil 2011. E a equipe catarinense não se intimidou com o estádio São Januário lotado: os comandados de Silas portaram-se bem, saíram para o jogo e só não venceram a partida porque o time da casa buscou o empate através de pênalti polêmico aos 47 minutos do segundo tempo. Na partida de volta, a ser disputada na próxima quarta-feira no estádio Ressacada, o empate de 0a0 classifica os donos da casa.

O jogo

Os primeiros minutos foram no ritmo das arquibancadas - frenético. Com um minuto, Éder Luís recebeu pela direita, tocou para Alecsandro e o centroavante, já dentro da área, ajeitou rolando atrás para Diego Souza, que chutou firme tirando do goleiro Renan em lance onde a bola somente não entrou porque Marcinho Guerreiro impediu com um cabeceio no mais puro reflexo, praticamente embaixo da barra. Aos dez minutos foi a vez de Renan impedir o gol vascaíno após chute colocado de Felipe, espalmado brilhantemente pelo arqueiro.

Os avaianos foram equilibrando a partida, conseguindo conter o ímpeto cruzmaltino e também criar jogadas de ataque. Aos catorze, Julinho chutou e a bola passou perto do ângulo. A partida foi ficando cada vez mais igual no que tange ao meio-campo, fato que foi escasseando as oportunidades de gol para ambos os lados, levando a partida ao intervalo com a persistência do zero a zero.

A volta para o segundo tempo foi semelhante ao início de partida: Vasco no ataque. Aos oito minutos, Diego Souza soltou chute cruzado que passou pertinho da trave direita. Os donos da casa seguiam criando chance e contavam com o bom passe de Felipe para buscar uma brecha na defesa adversária. Mas os avaianos também se mandavam ao campo ofensivo e a partida ganhava em emoção com ambos os times chegando perto do gol. Com o placar longe de refletir a dinâmica de jogo, Julinho tratou de inaugurar o marcador aos 35 minutos: ele recebeu pela esquerda, cortou Allan trazendo pra perna direita e chutou cruzado, mandando no canto direito de um Fernando Prass que não conseguiu alcançar a bola.

Se o Vasco não se satisfazia antes, agora que perdia o jogo a equipe comandada por Ricardo Gomes se mandou de vez para o ataque. Uma das melhores jogadas vascaínas deu-se quando Diego Souza avançou pela direita escapando de 3 marcadores e, próximo à linha-de-fundo, cruzou para Élton, que deu uma canelada com a perna esquerda e mandou para fora. Fico pensando o que passava pela cabeça de Diego Souza naquele momento. Devia ser algo como: "faço tudo direito, cruzo certinho e o cara encarregado de finalizar o lance me faz um negócio feio desse". Mas o alento viria nos acréscimos, quando o árbitro Wilson Luiz Seneme - até então bem na partida - foi altamente generoso (para não dizer "caseiro") e apitou pênalti de Gustavo Bastos em Élton. Diego Souza pegou a bola e chutou forte, um pouco à direita do centro do gol, estufando a rede e indo comemorar efusivamente com as arquibancadas.

Outro resultado

Ceará 0a0 Coritiba

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Dois Pra Lá, Dois Pra Cá - Passa O Ceará

Após quebrar a invencibilidade do Flamengo na quinta-feira passada e faturar o Campeonato Estadual pela 40ª vez no domingo, o Ceará deu seqüência a uma semana mágica ao arrancar um empate por 2a2 diante do Rubro-negro Carioca e garantir presença na fase semifinal da Copa do Brasil, quando enfrentará o Coritiba por um lugar na final.

O jogo

Muitos foram os ingredientes que indicavam uma partida relevante. Em campo, duas equipes que recentemente conquistaram títulos estaduais em suas unidades federativas. Nas arquibancadas, o público eufórico marcava presença com vibração e bandeirão. Some-se a isso a disposição dos jogadores em seguir na competição que dá vaga à Libertadores e não será difícil imaginar a boa partida que aconteceu no estádio Presidente Vargas, uma das sedes para a Copa do Mundo em 2014.

Melhor desde o apito inicial, o Flamengo era arisco e perigoso em suas empreitadas ofensivas, tanto que aos 5 minutos já colocaria o goleiro Fernando Henrique para praticar difícil defesa no canto esquerdo após chute de fora da área dado por Thiago Neves. Mostrando dificuldades para se defender, o Ceará de Vágner Mancini viu as coisas se complicarem quando o lateral-direito Boiadeiro precisou ser substituído, dando lugar para Diego Macedo.

Para sair o gol, precisaram aparecer os dois jogadores mais talentosos em campo numa mesma jogada: aos 18 minutos, Ronaldinho Gaúcho passou pelo alto para Thiago Neves, que dominou e finalizou com precisão e frieza rara a muitos centroavantes. 1a0 Flamengo.

Embora o revés ainda classificasse o Ceará, o time da casa passou a ser mais incisivo e partiu em busca do gol. Porém, o Flamengo voltaria a balançar a rede cearense aos 26 minutos. E dessa vez bastou o talento de Thiago Neves, que pegou a bola, procurou encontrar um espaço para chutar e, quando encontrou, descolou um remate cruzado da entrada da área, mandando no canto direito e colocando 2a0 no placar.

Com o adversário revertendo a vantagem tão rapidamente, Mancini decidiu mudar as coisas de maneira mais intensa: aos 30 minutos, saiu o lateral-esquerdo Vicente e entrou o atacante Osvaldo. Aos 34', o próprio Osvaldo sofreria uma falta que seria cobrada na cabeça de Washington, diminuindo para 2a1 e naquele momento gerando um resultado que levaria a partida para os pênaltis.

O momento era vantajoso ao time da casa: aos 39 minutos, Sandro Meira Ricci (o mesmo árbitro do polêmico Corinthians e Cruzeiro de 2010) deu o segundo cartão amarelo para Ronaldo Angelim, expulsando o zagueiro-lateral de campo, que na saída do gramado queixou-se alegando que nem falta havia cometido no lance. Para tentar diminuir o prejuízo naquele setor, Vanderlei Luxemburgo optou por trocar o argentino Dario Bottinelli por Egídio, lateral-esquerdo de origem. E eis que aos 42 minutos o Ceará teve escanteio para cobrar pelo lado esquerdo. Após a cobrança, Thiago Humberto escorou dividindo com a marcação e a bola chegou em Washington, que embora não tenha pego na bola do jeito que gostaria, acabou finalizando da forma que precisava para colocar a redonda na rede. 2a2 e tome festa no estádio.

O primeiro tempo ainda não tinha terminado e o Flamengo chegaria ao ataque ficando muito perto de retomar a vantagem no duelo: após a bola bater no travessão, Wanderley pegou o rebote sem goleiro e mandou na trave direita, perdendo gol incrível. Tão logo veio o apito anunciando o intervalo, uma confusão se estabeleceu no gramado, com o goleiro Felipe se desentendendo com alguns policiais que cercavam o árbitro. Ainda sobrou uma expulsão para o treinador Vanderlei Luxemburgo, que não pestanejou em acusar Sérgio Corrêa, presidente da Comissão Nacional de Arbitragem de Futebol (CONAF), de perseguição.

Veio o segundo tempo e o ritmo não era tão intenso quanto o visto na etapa anterior. De toda forma, as chances continuavam a aparecer. Prova disso é que nos dez primeiros minutos os dois goleiros já haviam evitado novos gols adversários, merecendo destaque a defesa de Fernando Henrique em chute de Renato Abreu aos 3 minutos e a defesa de Felipe após chute de Geraldo, dado de fora da área aos 10.

Com 12 minutos, Luxemburgo tirou Leonardo Moura de campo (não me pergunte o motivo, até agora estou sem entender) e colocou o chileno Gonzalo Fierro. Três minutos depois, Mancini trocou Thiago Humberto por Eusébio. Aos 31, Luxa faria a última mexida do jogo trocando Willians por Negueba, figura bastante acionada pelo lado direito mas que mostrava severas dificuldades em efetuar cruzamentos - e Léo Moura no banco...

O cronômetro avançava e o desfecho era cada vez mais próximo. Embora precisando de um gol para se classificar, o Flamengo parecia esbarrar nas próprias pernas cansadas e ficava mais exposto a contra-ataques do que propriamente mostrava-se capaz de criar situações de gol. O Ceará, valente, contava com Geraldo para cadenciar o toque de bola no meio-campo quando o outrora atacante Iarley já havia sido deslocado para a função de ala-direito, mais focado na marcação do que em qualquer outra coisa. Valeu o esforço: Ceará classificado.

Outro resultado

Palmeiras 2a0 Coritiba (2a6 no agregado)

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Além Do Horizonte Existe O Ceará

O Flamengo foi ao estado do Ceará pela segunda vez nessa Copa do Brasil (havia enfrentado o Fortaleza) e saiu de lá sabendo que irá retornar para aquela unidade da federação: com a vitória por 3a0 sobre o Horizonte, o Rubro-negro terá pela frente na fase quartas-de-final o Ceará.

O jogo

Desfalcado de Leonardo Moura, Maldonado e Ronaldinho Gaúcho, Vanderlei Luxemburgo montou o time sem inventar muito: Galhardo na lateral-direita, Renato ao lado de Willians na proteção à defesa (Rodrigo Alvim na lateral-esquerda) e o argentino Dario Bottinelli auxiliando Thiago Neves na armação de jogadas para a dupla de ataque composta por Deivid e Wanderley. O começo não foi dos melhores para a equipe visitante, que levou alguns sustos e viu o Horizonte esboçar repetir a atuação vista no jogo de ida. Porém, aos 8 minutos Galhardo desceu pela direita, tinha somente a opção de Thiago Neves na grande área e tentou o cruzamento (como ele próprio declarou no intervalo). Só que a tentativa de cruzamento acabou tomando um rumo diferente do planejado e, para alegria do jovem de 19 anos, a bola entrou no canto direito após resvalar no goleiro Alex. 1a0 Flamengo.

O Horizonte tentava reagir e, tal como na partida disputada no Rio de Janeiro, Diego Palhinha e Siloé eram as figuras mais acionadas. Porém, foram finalizações de Renato Abreu, Dario Bottinelli, Wanderley e Deivid os lances que mais chegaram perto de mudar o placar. No segundo tempo, bastaram 3 minutos para que o Flamengo conseguisse o 2º gol e encaminhasse a classificação sem maiores transtornos: Thiago Neves recebeu de Rodrigo Alvim, driblou o zagueiro e, de frente pro gol, serviu Deivid. Sem goleiro fica fácil, e o centroavante empurrou a bola para a baliza que encontrava-se escancarada.

Mesmo diminuindo o ritmo, o Urubu seguia dominando as ações e chegando perto do gol. Aos 21 minutos, uma seqüência bizarra. Vamos por etapas. Primeiro, a bola foi levantada na área do Horizonte e o goleiro Alex se atrapalhou todo, não conseguindo encaixá-la e deixando que ela caísse na grama. Depois, o zagueiro Carlinhos tentou afastar a redonda dali e acabou furando. Com o gol à sua frente, o atacante Wanderley conseguiu chutar a bola para fora, para desespero de Rodrigo Alvim, que estava pronto para empurrá-la pra dentro. Quer dizer, de repente Wanderley evitou que Alvim fosse o próximo a fazer uma lambança naquela interminável jogada.

Não tão bizarro quanto o lance acima citado, aos 28 minutos Deivid desperdiçou uma chance daquelas que atacante nenhum deveria perder: lançado por Thiago Neves, o camisa 9 do Flamengo ficou cara-a-cara com o goleiro. Tinha tempo e espaço para escolher como colocar a bola na rede, mas finalizou mandando à esquerda. Não quero nem imaginar o que ele ouviria da torcida se o Flamengo dependesse daquele gol para buscar a vaga...

Aos 30 minutos, Hércules cometeu uma falta que rendeu-lhe o 2º cartão amarelo, sendo expulso de campo e deixando os donos da casa com um homem a menos. Cinco minutos depois, Willians partiu do campo de defesa, avançou sendo minimamente incomodado, passou em velocidade por um marcador, driblou o goleiro e rolou para a rede. Luxemburgo, diante de cena rara e conhecedor do atleta autor do feito, soltou: "é mentira, isso não está acontecendo", rindo e se divertindo com o lance, numa brincadeira bem-humorada com o volante mais conhecido pelo vigor na marcação do que pela habilidade com a bola nos pés.

O Flamengo agora retorna as atenções ao Estadual: domingo, a partida com o Vasco decide a Taça Rio e, em caso de vitória rubro-negra, põe um ponto final na competição.

Outros resultados

Vasco 0a0 Náutico (3a0 no agregado)
São Paulo 1a0 Goiás (2a0 no agregado)
Grêmio Prudente 1a2 Ceará (2a4 no agregado)

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Tão Novo E Com Uma Personalidade Tão Grande

Fundando em 27.03.2004, o Horizonte Futebol Clube foi ao estádio Olímpico João Havelange enfrentar o Flamengo, insituição de mais de 115 anos de existência. A partida, válida pela fase oitavas-de-final na Copa do Brasil 2011, terminou empatada por 1a1. Mais do que o resultado em si, surpreende observar a grandeza do clube cearense no que tange a sua postura dentro de campo: mesmo pressionado pelo tradicional adversário, o time comandado pelo treinador Roberto Carlos saía para o jogo, desfilava bonitas jogadas individuais (sobretudo através do talentoso atacante Siloé, que por diversas vezes bagunçou a defesa rubro-negra) e ainda encaixava algumas tramas que causavam dificuldades ao sistema defensivo de Vanderlei Luxemburgo.

O jogo

Estreando no Rio de Janeiro pela Copa do Brasil 2011 (nas fases anteriores dispensou o jogo de volta através do resultado no campo oponente), o Flamengo tomou a iniciativa e procurou abrir o placar com um time escalado mais solto que o habitual: Renato Abreu na lateral esquerda, Thiago Neves e Ronaldinho Gaúcho na armação, e Negueba e Wanderley mais à frente. O prêmio pela formação mais voltada ao ataque veio com 17 minutos: o xará do treinador recebeu, chutou e a bola ganhou velocidade quando desviou na marcação, entrando no canto direito.

As chances continuavam a aparecer, como em chute forte de Willians que o goleiro Alex rebateu dando uma "manchete" e viu a bola chocar-se com a trave esquerda. A maior chegada dos visitantes no primeiro tempo ocorreu aos 35 minutos, quando Júnior Cearense chutou com força e o goleiro Felipe espalmou usando ambas as luvas. Soltando-se cada vez mais em campo, o Horizonte foi ao ataque na base da habilidade de Siloé e, derrubado por David faltosamente na grande área, o time teve pênalti para cobrar. Quem se encarregou de ir para a bola foi Elanardo, que empatou a partida.

No intervalo, Luxemburgo optou por trocar o volante chileno Maldonado (que era envolvido na maioria dos lances que se davam sobre si) pelo lateral-esquerdo Rodrigo Alvim, aproximando Renato da criação de jogadas. Porém, Renato aparecia mesmo era nos chutes de longe, como em cobrança de falta que colocou Alex para trabalhar, realizando bela defesa. Era evidente que o Flamengo não se contentava com o resultado de 1a1, até porque este dá ao Horizonte o direito de empatar sem gol dentro de casa. Porém, muito pouco era produzido para um time que, no papel, era franco favorito ao duelo. De quebra, o Horizonte ainda causava alguns alvoroços nas investidas em contra-ataque, um deles de chance clara de gol mas que não teve continuidade nos pés de Jackie Chan (que entrara no lugar de Diego Palhinha, outro jogador interessante, que quando esteve em campo mostrou comprometimento com a marcação e competência com a bola nos pés, até sair explicitando cansaço). A maior oportunidade flamenguista de desempatar a partida aconteceu aos 42 minutos, com Ronaldinho Gaúcho cabeceando em total liberdade mas mandando a bola sobre o travessão - minutos antes, ele e Luxemburgo abriram os braços um para o outro, dando a entender que a insatisfação era mútua.

Vamos aguardar o jogo de volta. Após assistir essa partida de ida, fui convidado pelo desenrolar do jogo a recordar que a Copa do Brasil é um terreno fértil para surpresas. Se bem que, pela personalidade desse time do Horizonte, não me surpreenderia se o clube cearense pudesse desfrutar do maior feito de sua história, que começou a ser contada há bem pouco tempo.

Outros resultados

Avaí 1a1 Botafogo (3a3 no agregado, Avaí avança nos gols marcados fora)
Atlético/PR 5a0 Bahia (6a1 no agregado)
Goiás 0a1 São Paulo

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Vasco Goleia Náutico E Volta Dos Aflitos Com Vaga Encaminhada

Sem tomar conhecimento do adversário e tampouco do campo de jogo, o Vasco da Gama fez uma boa partida no estádio dos Aflitos e, com uma convincente vitória por 3a0, deixou a classificação para a fase quartas-de-final na Copa do Brasil muito bem encaminhada. Em São Januário, o Clube da Colina poderá perder por até dois gols de diferença que mesmo assim garante vaga.

O jogo

Após levar uma pressão inicial dos donos da casa, o Vasco pegou a bola para si, foi ao ataque e simplesmente tomou conta da partida. Se aos 11 minutos o zagueiro Dedé cabeceou uma bola na trave, vinte minutos depois o mesmo Dedé tratou de, também com um cabeceio, mandar a redonda no ângulo direito e abrir o placar (a bola ainda tocou no travessão antes de entrar). Por falar em traves, quem tratou de carimbar o poste esquerdo foi Felippe Bastos, que aos 37 minutos chutou com efeito de fora da área e quase ampliou a diferença. Ramon ainda teve uma grande chance, encobrindo o goleiro Douglas com uma cavadinha mas vendo o zagueiro Wescley tirar com um cabeceio providencial (dessa vez sem a bola tocar na trave).

Veio o segundo tempo e o Vasco manteve a postura ofensiva. Aos seis minutos, Éder Luís desceu pela direita e acionou Alecsandro que, em posição pra lá de duvidosa, completou o lance mandando a bola por baixo de Douglas, que tocou na bola mas não impediu o segundo gol vascaíno.

Felipe ditava o ritmo no meio-campo e, naquele momento, o jogador conduzia as jogadas de maneira mais cadenciada, com mais toques de lado do que para frente. Com a expulsão do volante Élton, punido com o segundo cartão amarelo, o Náutico entregou de vez os pontos. Aos 47 minutos, Bernardo fez jogada individual e caiu a alguns passos da meia-lua. Pediu a bola, posicionou-se para a cobrança e fechou a conta com um chute no quadrante 2. 3a0 Vasco e fim de papo no Recife. Fosse numa das fases anteriores, nem haveria o jogo de volta no Rio de Janeiro.

Outros resultados

Botafogo 2a2 Avaí
Santo André 1a2 Palmeiras
Bahia 1a1 Atlético/PR

Com 4 Gols No 1º Tempo, Botafogo E Avaí Empatam No Engenhão

Tanto Botafogo quanto Avaí têm algo a lamentar e a comemorar após o término da partida de ida válida pela fase oitavas-de-final na Copa do Brasil 2011. O Avaí, que saiu na frente e abriu 2a0, lamenta ter cedido o empate mas comemora o resultado que lhe dá o direito de se classificar com igualdades em 0a0 ou 1a1 na Ressacada. Já o Botafogo, se por um lado comemora a reação vista no 1º tempo, por outro não conseguiu fazer valer o mando de campo e terá de marcar gol em Santa Catarina.

O placar de 2a2 dentro de casa diante de um público de 5.574 presentes - regado a vaias de torcedores - mostram que alguma coisa está fora de ordem em General Severiano. O primeiro semestre botafoguense está perigando: dependendo de resultados alheios na Taça Rio (o 2º turno do Campeonato Estadual) e precisando buscar o resultado na partida de volta pela Copa do Brasil para seguir na competição nacional, o início de trabalho do treinador Caio Júnior já pode ser considerado sob pressão.

O jogo

Escalado com 3 atacantes (Caio, Herrera e Abreu) e jogando dentro de casa, nada mais natural que o Botafogo tomar a iniciativa e ir ao campo ofensivo. Encolhido na própria metade do campo e contando com a dupla Rafael Coelho e William no ataque, o Avaí parecia jogar aguardando um erro do adversário. E ele ocorreu aos 13 minutos: o zagueiro João Filipe, ex-Figueirense, saiu jogando errado, a equipe catarinense contra-atacou em velocidade com Bruno acionando William e o camisa 9 não desperdiçou, pegando de primeira para estufar a rede, abrindo o placar.

A torcida não deu segunda chance ao camisa 4 e passou a vaiar o defensor toda vez que ele pegava na bola. E o que estava ruim, piorou: aos 21 minutos, Marquinhos Gabriel cruzou da esquerda e Rafael Coelho, livre de marcação, apareceu nas costas de Márcio Azevedo para cabecear. 2a0 Avaí e tome vaias para mais um jogador alvinegro, dessa vez o lateral-esquerdo Márcio Azevedo.

No minuto seguinte, Caio avançou pela esquerda, cruzou rasteiro e o argentino Germán Herrera tratou de amenizar o clima no estádio completando para a rede. Pouco depois do gol, o vaiado Márcio Azevedo deu lugar para outro cabeludo na lateral-esquerda: Cortês, recém-contratado ao Nova Iguaçu e que fazia sua estréia no novo clube. Aos 29 minutos, Alessandro quase empatou a partida ao dar bonito chute de fora da área, com a bola passando perto da trave esquerda. Com 44 minutos, o goleiro Renan viu-se em maus lençóis após o recuo de cabeça de Bruno e quem aproveitou o vacilo foi o uruguaio Sebastián "El Loco" Abreu, que acompanhou o lance e dividiu com o arqueiro para empatar a partida.

É fato que o empate conquistado ainda antes do intervalo dava um novo ânimo ao Botafogo, embora alguns torcedores teimassem em vaiar alguns atletas na descida para os vestiários. Perseguição tola, pois aumentava a pressão sobre um time que precisava de apoio. A torcida que gritava pelo nome de Lucas desde o primeiro tempo foi atendida na etapa complementar, mas não aprovou a escolha de Caio Júnior para deixar o gramado: era Herrera, autor do 1º gol e figura que buscava jogo, mostrando-se participativo. Lucas atuou aberto pela direita, como se fosse um ponta, protagonizando algumas boas jogadas individuais.

Mas quem teve a maior chance de voltar a mexer no placar foi o time visitante: aos 27 minutos, Evando foi lançado na área, driblou Alessandro e também o goleiro Jéfferson, finalizou e eis que Alessandro, até então perseguido por alguns torcedores, salvou o time bloqueando uma bola que, se passasse por ele, tinha a rede como endereço certo. Alessandro ainda daria lugar para Somália, que mostrou-se esforçado mas ineficaz em praticamente todas as tentativas de cruzamentos.

Quarta-feira que vem, no estádio da Ressacada, o Avaí deverá contar com o apoio dos torcedores para buscar a classificação para a fase quartas-de-final. O Botafogo, por sua vez, talvez possa ter melhor rendimento jogando longe de sua torcida. Como diz o ditado: "muito ajuda quem não atrapalha".

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Sem Sustos, Botafogo Avança Na Copa Do Brasil

O Paraná Clube não foi exatamente "uma prova-de-fogo" para os comandados de Caio Júnior, mas o encontro de caráter eliminatório numa competição que reserva alguns traumas aos botafoguenses (eliminações para o Americano e para o Santa Cruz, nessa mesma fase nas duas últimas edições) precisava ser encarado com atenção especial pelo Alvinegro. E, a julgar pela atuação principalmente no segundo tempo, o Botafogo de Caio Júnior passou com louvor no teste e conquistou com folgas a classificação, construindo um incontestável 3a0 (dois gols de Abreu e um de Caio). Na próxima fase, o Glorioso terá pela frente o Avaí, que eliminou o Ipatinga para alcançar as oitavas-de-final.

O jogo

O desfalque de Somália (suspenso automaticamente pela expulsão na partida de ida) possibilitou ao treinador uma escalação mais leve, com Bruno Tiago e Éverton à frente da dupla de volantes e encostando com freqüência na dupla de atacantes. Com a agilidade e disposição de Kelvin (que, pelo estilo de jogo, pela aparência física e pela camisa por ele trajada se assemelhava ao meia Maicosuel, ex-Paraná e que hoje recupera-se de contusão para voltar a jogar pelo Botafogo), o Paraná até causava um ou outro alvoroço na defesa botafoguense, mas o máximo que conseguiu em suas investidas foi defendido pelo ótimo goleiro Jéfferson, cada vez mais justificando a titularidade na seleção brasileira.

O comportamento botafoguense era melhor dentro das quatro linhas do que nas arquibancadas: o reduzido público de 6.014 espectadores mostrou desde os primeiros minutos que não estava lá para apoiar incondicionalmente, e sim para manifestar o que o agradava e o que o desagradava, muitas das vezes de forma precipitada e pouco razoável. Mesmo assim, o primeiro gol saiu: Germán Herrera, um dos que vinham sendo "exigidos" por parcela dos torcedores, cruzou da linha-de-fundo pela direita encontrando Sebastián "El Loco" Abreu em liberdade na área. E deixar o camisa 13 uruguaio nessas condições é pedir pra levar um gol: cabeceio certeiro e 1a0 no placar, com direito a uma comemoração de desabafo em defesa do companheiro argentino, que logo foi saudado pela massa alvinegra.

Com o clima entre jogadores e torcedores bem mais leve, as coisas passaram a fluir melhores para os donos da casa. A consciência tática de Abreu - que acumulava as funções de referência na área e de armador de jogadas - atrelada a funcional parceria entre o também uruguaio Arévalo Ríos e Marcelo Mattos eram a chave para o domínio botafoguense na partida. Domínio territorial que foi refletido no placar com mais dois gols na etapa complementar: Abreu marcou o 2º novamente aproveitando passe de Herrera (dessa vez pelo chão) e Caio fechou a conta cobrando pênalti sofrido por ele próprio. Entre um gol e outro, Éverton conseguiu a proeza de, após receber toque de Herrera, mandar no travessão um chute onde o goleiro já estava batido e a baliza escancarada alguns metros na frente. Tudo bem, com o placar resolvido, a classificação sob controle e o desempenho a contento, a alegria foi garantida. Os gritos de "Ô Urubu, pode esperar, a sua hora vai chegar" sugerem que teremos mais botafoguenses no Engenhão no próximo domingo diante do Flamengo do que tivemos nessa quarta-feira diante do Paraná. Melhor ainda para o Botafogo se o comportamento for de apoiar o elenco sem restrições, do apito inicial ao final.

Outros resultados

Caxias 3a1 Botafogo/PB (4a1 no agregado)
Santo André 1a0 Sampaio Corrêa (3a3 no agregado, Santo André avança)
Vasco 2a1 ABC (2a1 no agregado)
Bahia 2a1 Paysandu (2a1 no agregado)
São Paulo 2a0 Santa Cruz (2a1 no agregado)
Atlético/MG 0a0 Grêmio Prudente (1a2 no agregado)

quarta-feira, 30 de março de 2011

ABC 0a0 Vasco: Dia Das Defesas

Como era de se esperar, o estádio Frasqueirão recebeu grande público na noite dessa quarta-feira para a partida entre ABC e Vasco, pela 2ª rodada eliminatória na Copa do Brasil. No final, um empate sem gol refletiu o que foi o jogo em Natal: apesar das muitas finalizações que ambos os times tiveram (dados majoritariamente de fora da área), a maioria das tramas ofensivas esbarravam na marcação adversária ou em erros individuais. No jogo de volta, o ABC tem a vantagem de, caso marque ao menos um gol, se classificar com um empate (novo zero a zero levará a disputa para as penalidades).

O jogo

O clima do duelo alvinegro foi apimentado na véspera da partida: uma declaração do zagueiro vascaíno Dedé desagradou o atacante abecedista Leandrão que, indignado por ver seu time ser tratado como "de menor expressão", respondeu que o defensor cruzmaltino iria conhecer a força do ABC no Frasqueirão.

De fato, o Vasco teve dificuldades na partida: com menos tempo de posse de bola do que o adversário e sucumbindo ao forte poder de marcação dos comandados de Leandro Campos, a equipe carioca ainda levou dois sustos em chutes do lateral-direito Pio: aos 40 minutos, o camisa 2 emendou uma finalização que, embora rumasse para fora, fez uma curva para dentro e passou muito perto da trave direita; 2 minutos depois, Pio pegou de primeira uma bola que atravessou a beirada da área vascaína e dessa vez chutou na paralela, mandando perto da trave esquerda.

As equipes que terminaram o primeiro tempo voltaram para o segundo, com a única substituição tendo ocorrido com a etapa inicial ainda em andamento: Felippe Bastos entrou no lugar de Eduardo Costa, que pedira para sair. Com as defesas seguindo soberanas no que tange a proteção da grande área, a alternativa preferida para tentar o gol seguia sendo os chutes de longa distância. E, confirmando a boa técnica no remate que pôde-se observar no primeiro tempo, Pio voltou a levar perigo aos 7 minutos, quando em chute de fora da área colocou Fernando Prass para esquentar as luvas, desviando para escanteio.

Com 15 minutos foi a vez de Felippe Bastos tentar de fora e a bola passou perto do ângulo esquerdo. 3 minutos depois, Alecsandro teve rara oportunidade e mandou um chute cruzado perigosíssimo, na chance mais clara de gol da equipe visitante, passando a milímetros da trave direita.

Leandro Campos colocou Ray em campo no lugar de Éderson e a troca de atacantes melhorou a dinâmica ofensiva dos donos da casa. Aos 28 minutos, pouco depois de entrar, Ray recebeu passe primoroso de Cascata, ficou cara-a-cara com Fernando Prass mas foi bloqueado pelo goleiro vascaíno, que rebateu a finalização frontal. O camisa 10 Cascata ainda aprontaria em lance individual pelo lado esquerdo quando fintou Dedé mas, no momento de desfazer-se da bola, foi desarmado pelo zagueiro vascaíno.

Depois do 0a0 com o Fluminense (domingo, pelo Estadual), o Vasco volta a vivenciar um placar inalterado nessa quarta-feira. Sinal de alerta para os atacantes, mas boa notícia para os defensores que, desde a vitória por 2a0 sobre o Botafogo, totalizam 3 partidas com a meta inviolável. Eu disse 3 partidas? É esse, também, o período atual do ABC sem levar gols.

Outros jogos

Paraná 1a2 Botafogo

Caio Júnior, que assumiu o Botafogo após a saída de Joel Santana, estreou no Alvinegro Carioca justamente diante de um ex-clube que o projetou como treinador. Com a vitória por 2a1 na Vila Capanema, o Botafogo não evita o jogo de volta mas deixa a classificação encaminhada: mesmo perdendo por 1a0 no Engenhão, a equipe avançará na competição.

Guarani 2a2 Horizonte (3a3 no agregado)

O Guarani, clube que completará 100 anos no próximo dia 2 de abril, amargou uma eliminação surpreendente para o Horizonte, clube cearense fundado no ano de 2004. E em pleno estádio Brinco de Ouro da Princesa, com o Bugre indo para o intervalo vencendo por 1a0... Agora, o Horizonte terá pela frente na seqüência da competição o Flamengo.

Ceará 2a1 Brasiliense (2a1 no agregado)

No Castelão, o Ceará foi buscar a virada e a classificação para a próxima fase na Copa do Brasil com um gol aos 47 minutos do segundo tempo. Nas oitavas, o Vozão terá pela frente o vencedor de Atlético Mineiro e Grêmio Prudente.

Coritiba 3a1 Atlético/GO (5a2 no agregado)

Depois de já ter vencido o jogo de ida em Goiânia, o Coritiba confirmou a classificação diante do Atlético e, invicto na temporada 2011, segue o embalo com essa que é a 16ª vitória consecutiva do Alviverde Paranaense. Próximo adversário na Copa do Brasil é o Caxias, do Rio Grande do Sul.

Avaí 4a1 Ipatinga (5a2 no agregado)

O Ipatinga até abriu o placar na Ressacada, mas os 3 gols marcados por Rafael Coelho fizeram a diferença em Santa Catarina a favor dos donos da casa. Agora, o time comandado por Silas aguarda o desfecho do duelo entre Botafogo e Paraná para saber quem enfrentará nas oitavas.

Paysandu 0a0 Bahia

No duelo Norte-Nordeste, nada de gol em Belém. A vaga na fase oitavas-de-final entre o Papão da Curuzu e o Tricolor de Aço será decidida em Pituaçu, onde o Alvi-celeste se classificará em caso de empate com gols.

Santa Cruz 1a0 São Paulo

O pernambucano Rivaldo enfrentou seu time de coração e, tal como a maioria dos são-paulinos, foi surpreendido pelo Santa Cruz. A próxima parada é no Morumbi, mas vale lembrar: ano passado, mesmo na Série D brasileira, o Santa, que havia perdido no jogo de ida no estádio Arruda por 1a0, foi ao Engenhão e eliminou o Botafogo com uma vitória por 3a2.