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sexta-feira, 9 de julho de 2021

Dinamarca É Valente, Mas Não Resiste À Inglaterra E A Um Pênalti Duvidoso Em Plena Prorrogação

Pela primeira vez na história da Eurocopa, a Inglaterra consegue chegar na final do torneio. Após o empate por um a um com a Dinamarca, a seleção inglesa triunfou na prorrogação ao marcar o segundo gol em num pênalti bastante duvidoso - e, na base da imposição física e do toque de bola, segurar o resultado que a qualificou para tentar o título inédito.

Acho um erro metodológico focar no pênalti bastante duvidoso. É bem verdade que ele mancha a partida e coloca em dúvida o mérito do English Team num confronto que poderia tranquilamente caminhar para o desempate por penalidades. Porém, analisando a totalidade de um confronto que teve mais de duas horas de jogo, foi flagrante a superioridade técnica e tática dos comandados de Gareth Southgate.

A Dinamarca fez uma Eurocopa a ser lembrada com carinho - tanto pela forma como atuou quanto, principalmente, pela capacidade de superar o episódio marcante ocorrido no primeiro tempo do jogo de estreia. Um episódio que tornou o evento esportivo secundário - até porque, uma Eurocopa pode ser disputada a cada quatro anos, mas uma pessoa - uma vida - é única. E o maior "título" possível nesse torneio foi o fato de Christian Eriksen continuar vivo.

Ingleses começam bem, mas Dinamarca mostra qualidade no contra-ataque

A primeira chegada de ataque mais interessante foi da Inglaterra e aconteceu envolvendo seus dois jogadores que atuam como referência no setor ofensivo. Aos cinco minutos, Harry Kane recebeu pela direita, cruzou em diagonal encontrando Raheem Sterling nas costas de Andreas Christensen, mas o camisa dez não conseguiu alcançar para concluir.

Aos nove, uma jogada de troca de passes de primeira da Dinamarca deu o tom de como essa equipe é bem treinada. Sim, precisamos reverenciar Kasper Hjulmand pelo que vem desempenhando no comando da seleção nórdica. Quando quatro jogadores trocam passes de primeira, acionando um companheiro em contra-ataque, temos que entender que isso tem o dedo do treinador. Na jogada envolvente, Mikkel Damsgaard por pouco não chegou na bola, com Kyle Walker fazendo a proteção para Jordan Pickford recolher.

Aos doze, Kane passou novamente para Sterling - dessa vez pelo lado esquerdo de ataque. Ele carregou pra direita acompanhado por Christensen e chutou fraco, para defesa de Kasper Schmeichel.

Essas duas chegadas de ataque inglesas, onde Kane agia como uma espécie de garçom de Sterling, deram uma boa síntese do posicionamento do camisa nove na maior parte do tempo de jogo. Ele estava usualmente fora da área, misturado com outros meio-campistas, e se mostrando participativo num setor que mostrava alguma carência na capacidade criativa. Essa carência em muito se deve em parte ao próprio treinador Southgate, que se mostra bastante resistente a usar jogadores como Phil Foden e Jack Grealish entre os titulares. 

Dinamarca cresce, aparece e abre o placar em Wembley com o primeiro gol em cobrança de falta nessa edição

Aos catorze minutos, Pierre-Emile Højbjerg chutou rasteiro e parou em defesa de Pickford. No minuto seguinte, uma saída ruim de Pickford - que logo se desculpou com os companheiros - deu origem a uma chegada perigosa da Dinamarca, transformando-se em escanteio.

Passado o susto, a Inglaterra parecia retomar o controle territorial do setor de meio de campo. Mas a Dinamarca tinha seus recursos: aos vinte e quatro, Jannik Vestergaard tirou a bola de Kane no campo defensivo e deu início a um contra-ataque que que chegou até Damsgaard. Ele chutou cruzado buscando o ângulo esquerdo, mas a bola acabou indo para fora.

Aos vinte e seis minutos, Pickford superava uma marca do lendário goleiro Gordon Banks - ele acabava de completar setecentos e vinte e três minutos sem ser vazado pela seleção inglesa. 

Com o recorde estabelecido, veja o que é o futebol: apenas três minutos depois do feito histórico, a Dinamarca tinha uma cobrança de falta. Damsgaard na bola. O mesmo Damsgaard que ficou no quase duas vezes anteriormente. E Damsgaard foi brilhante: ele conseguiu fazer a bola encobrir uma barreira alta (com Kane pulando e não alcançando) e fazer a bola perder altura rapidamente, surpreendendo Pickford, que até resvalou na redonda mas sem ser capaz de evitar o gol. O primeiro gol sofrido por ele nessa Euro. O primeiro gol em cobrança de falta nessa edição. Um belo gol de Damsgaard. Dinamarca um a zero em pleno estádio de Wembley.

Inglaterra reage e alcança o empate ainda no primeiro tempo

Pela primeira vez atrás no placar em todo o andamento da competição - afinal, sequer havia sofrido um único gol até então -, a Inglaterra não demorou a levantar a cabeça, sacodir a poeira e dar a volta por cima.

Aos trinta e sete minutos, um ensaio do gol de empate: Bukayo Saka tocou para Kane pela direita, o camisa nove cruzou e Sterling, de frente para o gol, teve seu chute defendido em excepcional intervenção de Schmeichel.

No minuto seguinte, o que era ensaio virou o gol de empate propriamente dito. E envolvendo os mesmos personagens da trama anterior: Saka recebeu de Kane pela direita e cruzou buscando Sterling, que simplesmente completaria para a rede. Só que Simon Kjær, de carrinho, evitou que a bola chegasse em Sterling - mas não na rede, marcando contra. Um a um em Londres.

Deitado após o carrinho, Simon Kjær vê a bola no fundo da rede. Foto: AFP.


Segundo tempo tem início com equipes alternando possibilidades de gol

Quando Kasper Dolberg recebeu de Joakim Mæhle e teve seu chute rasteiro espalmado por Pickford no canto direito, já havia impedimento no lance. Porém, aquela chegada aos seis minutos mostrava o ímpeto dinamarquês em retomar a liderança no placar.

A Inglaterra não ficava atrás e tratou de responder três minutos depois: aos nove, após Mæhle cometer falta em Kane, Jason Mount foi para a cobrança, levantou na área, Harry Maguire conseguiu cabecear no canto direito e Schmeichel tratou de salvar, espalmando.

Na marca de treze minutos, uma bonita jogada da Dinamarca: Højbjerg avançou pela direita e rolou a bola na direção de Martin Braithwaite, que fez o corta-luz. Na sequência, Dolberg girou e chutou rasteiro, com Pickford fazendo a defesa.

Aos dezoito, era a vez dos ingleses: Sterling carregou pela esquerda, entregou para Saka, que deixou com Mount - o chute foi defendido com segurança por Schmeichel.

Cansaço começa a bater à porta dinamarquesa e três substituições simultâneas são realizadas

Com vinte e um minutos, Hjulmand mexeu triplamente em sua equipe. Saíram Stryger Larsen, Damsgaard e Dolberg para as entradas de Daniel Wass, Yussuf Poulsen e Christian Nørgaard. São três alterações que remetem ao jogo de quartas de final com a República Tcheca, quando as três primeiras mexidas na equipe foram exatamente envolvendo esses jogadores.

Aos vinte e três, foi a vez de Southgate mexer, promovendo a entrada de Jack Grealish no lugar de Saka. E, tal qual ocorreu na partida de oitavas de final diante da Alemanha (curiosamente no mesmo minuto de jogo), Grealish foi para o lado esquerdo e Sterling passou a aparecer mais rotineiramente pela direita.

Inglaterra assume o controle na partida

Aos vinte e sete minutos, Kane abriu o jogo na direita com Mount, que cruzou fechado, com Schmeichel dando um tapa para escanteio em bola que parecia ter o endereço do gol.

Na marca de trinta e dois minutos, Grealish receberia ótima enfiada de bola. Receberia, no futuro do pretérito, pois Christensen se agigantou esticando a perna e fazendo interceptação quase acrobática. Só que a dita acrobacia acabou contundindo o defensor dinamarquês, que precisou ser substituído - Joachim Andersen entrou em seu lugar.

Aos trinta e quatro, Kalvin Phillips tentou de fora da área e a bola saiu à direita. Três minutos depois, Luke Shaw levantou pela esquerda em lance de bola parada e John Stones cabeceou à esquerda.

A quinta substituição de Hjulmand deu-se aos quarenta e dois minutos, tirando Thomas Delaney - jogador que merece os elogios pela partida e pela Eurocopa que realizou - para a entrada de Mathias Jensen.

A Inglaterra mostrava uma condição física bastante superior à Dinamarca, notadamente por Southgate carregar a equipe até o final dos noventa minutos tendo feito apenas aquela troca de Saka por Grealish. E o English Team teve ainda duas oportunidades de marcar nos acréscimos. Aos quarenta e sete minutos, Sterling tinha a bola pela direita, passou para Kane - recuado, como em quase todo o decorrer do jogo - e o camisa nove rolou atrás para Phillips, que chutou de fora, mandando por cima do travessão. Dois minutos depois, aos quarenta e nove, após lance de bola parada pela direita, Maguire, soberano no jogo aéreo, cabeceou no segundo poste e Schmeichel foi buscar no canto direito.

Mais uma vez nessa Euro, a definição da vaga rumava para a prorrogação

Sobrando fisicamente, Inglaterra consegue se impôr. Mas só chega ao gol em lance para lá de duvidoso

Aos três minutos, Kane recebeu pela direita nas costas de Vestergaard e chutou cruzado, para defesaça de Schmeichel com a mão direita.

Pouco após o lance, Southgate trocou Declan Rice e Mount por Jordan Henderson e Phil Foden. Sim, demorou mais de uma hora e meia para o talentoso Foden finalmente ser mandado a campo.

Aos sete, o camisa sete Grealish chutou firme e Schmeichel rebateu.

Os ingleses tinham a bola mas a Dinamarca se defendia bem. Até que, aos onze minutos, Sterling entrou na área pelo lado direito. Era perseguido por Mæhle. Caiu na grama. Assistindo ao vivo, parecia ter havido um toque. Mas ao olhar o lance de novo, e novamente, e mais uma vez, e por outro ângulo, fica muito difícil assegurar que tenha havido qualquer contato capaz de tombar Sterling. Ainda assim, a penalidade foi confirmada. De forma admirável, a seleção dinamarquesa pouco reclamou. Algo que transcende a competitividade e o calor do jogo. A isso, podemos chamar "educação".

Raheem Sterling cai na área - o árbitro holandês Danny Makkelie, que não aparece na foto, diz que houve pênalti. Imagem extraída do Twitter Sensacionalista.

A cobrança do pênalti - que sabe-se lá se foi realmente pênalti - coube a Harry Kane. Existe uma máxima futebolística que diz que pênalti que não é, não entra. Kasper Schmeichel deu uma mãozinha para o ditado popular e defendeu no canto esquerdo. Só que o rebote ficou com o próprio Kane. E, no jargão, não diz nada sobre rebote de pênalti que não é... Dois a um Inglaterra.

Harry Kane e Phil Foden em êxtase com o gol na prorrogação: a Inglaterra fazia dois a um sobre a Dinamarca. Foto: AFP.

Sem forças para reagir, Dinamarca entra na roda inglesa

No intervalo, uma mexida para cada lado: enquanto a Inglaterra trocava Grealish por Kieran Trippier (sim, senhoras e senhores, mesmo com a flagrante imposição física e superioridade técnica, o treinador Gareth Southgate optou por tirar Grealish de campo, colocar um homem na lateral e centralizar Walker, aumentando o contingente defensivo), o técnico Hjulmand, por sua vez, promoveu a entrada do atacante Jonas Older Wind no lugar do defensor Verstergaard.

Aos oito minutos, uma chegada com Braithwaite que foi frustrada pela boa marcação de Maguire e pela ação de Pickford foi a última ação ofensiva dinamarquesa. A Inglaterra, exercendo domínio territorial e circulando a bola sem qualquer sede de ampliar a vantagem, fazia o tempo passar. E ainda teve, aos quinze, uma situação derradeira, quando Sterling avançou pela direita, deixou Andersen para trás e parou em bloqueio de Schmeichel.

Desta forma, a seleção inglesa chega à sua primeira final de Eurocopa. É a equipe que mais me impressionou pela consistência tática. Tem um jeito de jogar bem definido, sendo sólida na defesa e contando com ótima proteção na dupla Phillips e Rice, gozando de boa qualidade técnica no último terço do gramado. É difícil apontar uma seleção com qualquer espécie de favoritismo na final, mas, analisando friamente, vejo a Inglaterra com maiores possibilidades do que a Itália em Wembley. Aguardemos. Minha maior torcida é para que Southgate não tenha medo de soltar o freio de mão de uma equipe que tem, sim, algo mais a oferecer.

À Dinamarca, meus parabéns. Fez belíssimo papel no torneio. E, graças a Deus, salvaram-se todos. Viva Eriksen!

quarta-feira, 7 de julho de 2021

Com Espanha Melhor No Jogo, Itália Arranca Classificação Nos Pênaltis

Wembley recebeu pela semifinal da Eurocopa 2020 um jogo que decidiu a Euro 2012. E se naquela oportunidade, em Kiev, a Espanha sapecou um quatro a zero sobre a Itália, dessa vez, em Londres, tivemos um confronto muito disputado e definido somente no desempate por pênaltis, com vitória italiana. 

No tempo regulamentar, os gols foram marcados por Federico Chiesa e Álvaro Morata, ambos no segundo tempo de jogo. Já nas penalidades, os espanhóis desperdiçaram duas cobranças enquanto os italianos deixaram de aproveitar somente uma, fechando a série em quatro a dois e garantindo presença na final - que também será disputada em Wembley.

Itália entra em campo praticamente idêntica à que enfrentou a Bélgica enquanto a Espanha surpreende com  Mikel Oyarzabal entre os titulares

A aparição de Emerson Palmieri na lateral-esquerda foi a única mudança em relação à Itália que iniciou a partida de quartas de final diante da Bélgica - Leonardo Spinazzola, titular na posição, rompeu o tendão de Aquiles no segundo tempo daquele jogo.

Já a Espanha fez três mudanças no comparativo dos onze iniciais que enfrentaram a Suíça na fase de quartas de final. Por questão física, Pablo Sarabia, que havia sido substituído no intervalo daquele jogo, deu lugar a Daniel Olmo, que foi exatamente quem substituiu Sarabia naquela ocasião. Por questões provavelmente de ordem técnica, Pau Torres deu lugar a Eric García (lembrando que Pau Torres foi um dos que falharam no lance do gol de Shaqiri). E, de forma surpreendente, numa escolha que me parece ser fundamentalmente tática, Álvaro Morata foi para o banco, promovendo a entrada de Oyarzabal. Embora Morata faça uma Eurocopa digna de questionamentos, ele vinha sendo sistematicamente conservado entre os titulares. Acredito que Luis Enrique optou pela mudança no ataque, principalmente, por levar em consideração o comportamento tático da seleção italiana - Oyarzabal se mostrava opção interessante para explorar a velocidade e a infiltração vindo mais de trás, se projetando ao espaço vazio ao invés de aguardar mais fixo na área, onde, em teoria, seria mais vulnerável à implacável marcação tanto de Giorgio Chiellini quando de Leonardo Bonucci.

Duas primeiras chances de gol no jogo são espanholas

Excluindo uma chegada italiana que parou na trave aos três - o lance teve apenas efeito moral, já que veio a ser invalidado por marcação de impedimento -, as duas primeiras chances de gol na partida foram da Espanha. Aos doze minutos, Pedri acionou Oyarzabal com ótimo passe rasteiro, mas o jogador recém-promovido aos titulares, em ótima condição para preparar a finalização, não conseguiu realizar o domínio de bola como gostaria e permitiu que Emerson fizesse a recuperação. Dois minutos depois, aos catorze, Ferran Torres driblou Jorginho e chutou à direita.

Espanha se impõe e Itália se limita a (tentar) contra-atacar

Com Sergio Busquets liderando o setor de meio de campo espanhol e Marco Verratti sobressaindo no lado italiano, as ações do jogo se concentravam entre as duas intermediárias. Aos vinte minutos, numa saída rápida da Azzurra, o goleiro Unai Simón deixou a área para intervir. Só que o ítalo-brasileiro Emerson chegou antes, tocou de lado e a defesa espanhola só conseguiu se recuperar no lance após a indecisão de Nicolo Barella.

Na marca de vinte e quatro minutos, tivemos a primeira boa defesa de um goleiro no jogo: Oyarzabal teve o chute travado, Dani Olmo pegou a sobra, foi bloqueado por Bonucci, pegou seu próprio rebote e chutou no canto direito, para defesa de Gianluigi Donnarumma.

Aos trinta e dois, uma nova tentativa de Olmo: ele carergou a bola observado por Chellini e chutou, dessa vez mandando por cima do travessão. Com trinta e oito no relógio, Pedri passou para Jordi Alba, que encontrou Oyarzabal - o chute do camisa vinte e um foi tão longe do gol que talvez os espanhóis pudessem começar a sentir saudade do Morata...

Embora o momento da Espanha fosse de flagrante superioridade, uma das maiores chances de tirar o zero no placar na etapa inicial foi italiana e aconteceu aos quarenta e quatro minutos: Lorenzo Insigne foi lançado pela esquerda e fez o passe na ultrapassagem de Emerson, que descolou chute no travessão.

Segundo tempo inicia confirmando cenário de antes do intervalo, com Espanha mantendo a iniciativa

Sem alterações, as seleções retornaram para a segunda etapa. E a Espanha se manteve no ataque. Aos quatro minutos, Daniel Olmo cruzou da direita e Giovanni Di Lorenzo foi providencial para cortar a bola quando um adversário vinha chegando às suas costas. Ao seis, Busquets recebeu de Oyarzabal e pegou de primeira, mandando a bola perto do travessão. No minuto seguinte, resposta italiana: em rara jogada envolvendo todo o trio de frente, Insigne passou para Ciro Immobile, que deixou com Chiesa, que trouxe para a perna direita diante da marcação de Alba e chutou cruzado, com Simón caindo para segurar à direita. Com doze minutos, Oyarzabal tentou de fora da área e Donnarumma fez a defesa.

Em contra-ataque, Itália marca o primeiro gol na semifinal

O ritmo do jogo era interessante, com a marcação alta italiana tentando recuperar a bola em posição mais avançada possível, enquanto a Espanha procurava verticalizar a troca de passes, visando encontrar os espaços vazios. Aos catorze, porém, quem tratou de encontrar tais espaços vazios foi a Itália. Em rápido contra-ataque iniciado com o goleiro Donnarumma, Immobile dividiu no ataque e a bola sobrou para Chiesa: esbanjando a objetividade que lhe é característica, o filho de Enrico tratou de imediatamente arrumar e chutar cruzado no canto esquerdo. Um a zero Itália, em jogada de aproximadamente quinze segundos desde a saída com Donnarumma até a finalização com Chiesa.

Federico Chiesa chuta cruzado e inaugura o marcador em Wembley. Foto: Facundo Arrizabalaga / Pool / AFP.
 

Equipes mexem no ataque e surgem chances para ambos os lados

Logo após o gol, tanto Roberto Mancini quanto Luis Enrique Martínez mexeram no ataque de suas equipes: na Itália, saiu Immobile para a entrada de Domenico Berardi; na Espanha, Morata entrou no lugar de Ferran Torres.

Aos dezenove minutos,uma chance clara de empate foi desperdiçada: Koke fez ótima enfiada de bola desmontando toda a defesa italiana e Oyarzabal, livre, leve, solto e de frente com Donnarumma, falhou na tentativa de cabeceio.

Aos vinte e um, nova participação de Oyarzabal: ele recebeu, fez a parede diante da marcação de Chiellini, rolou atrás e Dani Olmo chutou de primeira, mandando à esquerda.

No minuto seguinte, resposta da Itália: Chiesa recebeu pela direita, carregou e passou para Berardi, que ficou de frente com Simón, chutou rasteiro e viu o goleiro rebater com a perna.

Após novas alterações nas duas seleções, jogo volta a se agitar e Espanha empata

Com Gerard Moreno no lugar de Oyarzabal e Rodri no lugar de Koke, Luis Enrique procurava alternativas no setor ofensivo. Já Mancini, visando fortalecer a marcação na última linha, trocou Emerson por Rafael Tolói. Também tirou Verratti, colocando Massimo Pessina em seu lugar e renovando o fôlego na proteção à defesa.

Aos trinta e um minutos, Morata teve sua tentativa de cruzamento pela direita travada por Bonucci. Três minutos depois, após recuperação de bola no ataque, Berardi teve nova oportunidade, mas parou novamente em Simón, que segurou no lado direito. E, ainda aos trinta e quatro, saiu o gol de empate espanhol: em ótima tabela entre Morata e Olmo, o atacante tocou e recebeu de volta do meio-campista e, centralizado, nas costas da defesa, chutou com precisão no contrapé de Donnarumma, estufando a rede no canto direito. Um a um no placar, em jogada onde uma rápida tabela arruinou a última linha de defesa adversária.

Álvaro Morata comemora o gol de empate da Espanha diante da Itália. Imagem extraída de Bola Vip.
 

A Espanha ainda teve uma possibilidade de virar o jogo: aos trinta e oito, Morata levou a bola para a linha de fundo e rolou atrás para Moreno, que, da meia-lua, isolou.

No minuto posterior, um total de três substituições: na Itália, saíram Barella e Insigne para as entradas de Manuel Locatelli e Andrea Belotti; na Espanha, entrou Marcos Llorente no lugar de César Azpilicueta.

Prorrogação tem pequeno número de oportunidades de gol e jogo caminha para a decisão por pênaltis

Talvez por falta de gás, talvez por sobra de vantagem do sistema defensivo, talvez por um pouco de cada, o fato é que a prorrogação não teve lá grandes situações de gol. Mas, quando teve, foi espanhola. Aos sete minutos, Olmo cobrou falta da esquerda, Donnarumma rebateu, Morata chutou rasteiro e Cheillini conseguiu bloquear. Aos onze, Moreno levantou da direita e Donnarumma afastou em disputa com Morata e Bonucci.

Daí para a frente, nem as mexidas mudaram o panorama da partida. No intervalo, Luis Enrique trocou Busquets por Thiago Alcântara. Com um minuto no segundo tempo, Chiesa deu lugar Filippo Bernardeschi na Itália. E, aos três, Pau Torres entrou no lugar de Eric García na Espanha. Todas as seis mexidas autorizadas para cada conjunto foram usufruídas e, bastante alteradas em suas composições, as seleções definiriam a classificação nas penalidades.

Nos pênaltis, Locatelli e Olmo desperdiçam logo de cara. No final, Donnarumma pega a cobrança de Morata e Jorginho sela a classificação italiana.

Na primeira cobrança, Unai Simón saltou para o lado direito e defendeu o chute rasteiro de Locatelli.
Dani Olmo, que atuou bem no tempo regulamentar, poderia colocar a Espanha em vantagem. Mas chutou por cima do travessão.

Na segunda cobrança italiana, Simón novamente acertou o canto, mas o chute de Belotti foi muito bem realizado, firme e próximo à trave, anotando o primeiro gol.
Moreno cobrou alto, à esquerda - Donnarumma acertou o lado, mas não alcançou. Um a um.

Na terceira cobrança, Bonucci foi o primeiro a conseguir colocar a bola no lado oposto à escolha do goleiro, estufando a rede entre o meio do gol e o canto esquerdo.
Thiago Alcântara, com estilo, mandou a bola no canto direito e viu Donnarumma pular o outro lado. Dois a dois.

Na quarta cobrança, Bernardeschi bateu firme, alto, sem chance de defesa para Simón, que acertou a escolha do lado esquerdo. Três a dois Itália.
Morata, que jogou a temporada 2020/1 na italiana Juventus, foi para a cobrança. No gol, o rossonero Donnarumma. Morata escolheu chutar no lado esquerdo do gol. Donnarrumma, também. E a Itália ficava em vantagem.

Coube a Jorginho, batedor oficial da Azzurra - que cobrou cinco penalidades em partidas oficiais com a seleção italiana e converteu todas elas - se encarregar da quinta cobrança. Esbanjando tranquilidade e lucidez, partiu pra bola, mudou o ritmo da passada e, com Simón se deslocando para a direita, não teve dúvidas e mandou no canto esquerdo. Quatro a dois e fim de papo. A Itália está na final da Eurocopa 2020!

Consciente e cheio de frieza: Jorginho converte a cobrança de pênalti derradeira. Foto: Getty Images.

sábado, 18 de abril de 2015

Reading Prorroga Próprio Sofrimento E Arsenal Avança Na Copa Da Inglaterra

Imagem extraída de SportingLife.
Se tem um torcedor de futebol que está calejado por tantas infelizes sincronias ocorrendo em partidas de caráter decisivo, este é o torcedor do Arsenal FC. Mas dessa vez, não houve azar que pudesse conter o atual campeão na Copa FA: após empate por 1a1 no tempo regulamentar, a equipe comandada por Arsène Wenger conseguiu a classificação para a final com um gol na prorrogação. Detalhe: numa falha impressionante do goleiro adversário.

Falha por falha, o próprio Szczesny também não primou pela eficiência no lance em que o Reading alcançou o empate. Mas a verdade é que Federici, que vinha sendo um dos destaques no jogo, conseguiu manchar com tinta permanente a sua atuação no estádio de Wembley. São coisas que acontecem no futebol e que goleiro nenhum está imune de protagonizar. Por "infedericidade" do australiano, aconteceu com ele, e o chute rasteiro de Sánchez passou por baixo de suas pernas e braços, em plena prorrogação.

Agora surge a pergunta: o Arsenal mereceu a vitória? Resposta categórica: completamente. Foi superior no primeiro tempo e também em toda a prorrogação, embora sem necessariamente dominar o adversário. No segundo tempo regulamentar, quando atuou de maneira menos organizada que o habitual, foi castigado pelo gol de empate. Mas seria um castigo muito grande se não conseguisse a classificação na busca pelo bicampeonato consecutivo no torneio mais antigo na Inglaterra. Federici evitou pelo menos dois gols, Giroud ainda acertou a trave no final, enfim... Seria azar arsenalístico demais acontecer alguma coisa diferente de uma vitória. Como o Arsenal é o Arsenal, quiseram os deuses do futebol que ocorresse na prorrogação.

Agora surge outra pergunta: o Arsenal conseguirá o título? Resposta categórica: não sou vidente. Primeiramente, aguardemos o encontro entre Aston Villa e Liverpool. O Arsenal será/seria favorito caso o primeiro avance/avançasse. Se o segundo seguir, é partida sem favoritismo e digo a razão: o aspecto emocional. E não pense que digo isso por causa de supostas assombrações que eventualmente acompanham o clube londrino. Não. É fundamentalmente porque a Copa da Inglaterra é a última chance de o capitão Steven Gerrard levantar um troféu com o Liverpool, já que o jogador anunciou sua saída do clube ao término da presente temporada. Bola por bola, o Arsenal tem mais que o Liverpool, com ou sem Gerrard. Mas vamos devagar... Há ainda o Aston Villa no meio do caminho.

No mais, parabéns ao Reading por sua segunda semifinal de Copa FA (a outra foi em 1927) e também pela entrega para tentar medir forças diante de um oponente explicitamente superior tecnicamente. Não fosse a fatídica falha, talvez pudesse ver a sorte lhe sorrir nas penalidades. Porém, não fosse o mesmo indivíduo que cometeu o erro, não teria sequer conseguido chegar à prorrogação. Suas defesas abrilhantaram o confronto.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Mineirão: Um Patrimônio Dos Deuses Do Futebol

Há alguma bênção sobre o estádio do Mineirão. Não sei quem a direcionou para aquele lugar, tampouco faço idéia de quando especificamente tenha ocorrido tal acontecimento fenomênico. Mas, reafirmo: há alguma bênção sobre o estádio do Mineirão.

Para comprovar essa constatação (veja bem, não é teoria ou suposição, mas uma constatação), não precisamos ir longe no tempo. Os feitos do Clube Atlético Mineiro na Copa Libertadores da América estão vivos na memória do futebol continental. E não vou me alongar aqui para descrever a sensacional trajetória daquela equipe comandada por Cuca na beira do gramado e por Ronaldinho dentro das quatro linhas. Vídeos com os melhores momentos de cada jogo de volta são o suficiente para mostrar o sobrenatural em ação, tanto no Independência quanto no Mineirão, palco da derradeira decisão.

Para comprovar aquela constatação (de que há alguma bênção sobre o estádio do Mineirão), vou me debruçar sobre dois jogos mais recentes do que a edição 2013 da Libertadores. São dois momentos marcantes, cada qual à sua maneira, cada qual com suas (in)devidas (des)proporções. Ei-los: a semifinal da Copa do Mundo 2014 entre Brasil e Alemanha; e a semifinal da Copa do Brasil 2014 entre Atlético Mineiro e Flamengo. Dois jogos sediados pelo mesmo abençoado Mineirão e que terminaram com muitos gols, quase todos eles para o mesmo lado.

Do lado da Alemanha, de Joachim Löw. Exaltamos aquela atuação nesse blógui. Quem quiser recordar, acesse "Em Nome Do Futebol, Sete Vezes Obrigado!".

E do lado do Atlético, de Levir Culpi. Levir não é nenhum Löw assim como o Galo não é nenhuma Alemanha. Sequer cabem maiores comparações entre esses treinadores e essas equipes. Só que o Mineirão estava lá. O bendito Mineirão estava lá, abençoando os amantes do futebol que lançavam olhares sobre aquele terreno. Tanto na goleada alemã quanto na atleticana, tivemos do lado oposto duas equipes afogadas na própria incompetência. O Brasil de Luiz Felipe Scolari era uma coisa esdrúxula desde que esse pseudo-treinador assumiu a seleção. Criticamos incansavelmente cada atuação daquele esboço de time de futebol durante a Copa, numa campanha que acabou enganando bastante gente "entendida" do assunto. Até a máscara cair no Mineirão. Ou você acha que com Neymar seria diferente? Aviso: cada segundo seu de reflexão é um meu de risada sarcástica. E o Flamengo de Vanderlei Luxemburgo, pecava pela organização. Mas como assim "pecava pela organização"? Sim, pecava pela organização. O time do Flamengo foi organizado por um sujeito que não queria que seus comandados jogassem futebol. E a equipe, esbanjando disciplina em sua retraída e acovardada formação tática, sucumbiu pela própria incompetência estratégica aliada ao ímpeto vencedor que havia do outro lado, vestindo preto e branco. Uma virada para deixar o mais preto dos flamenguistas vermelho de vergonha.

Um cântico ecoou no Mineirão na noite apoteótica em que o Atlético sapecou 4a1 no Flamengo (lembrando: o jogo de ida foi vencido pelo Rubronegro por 2a0 e a equipe carioca ainda abriu o placar em Belo Horizonte, se dando o direito de tomar três gols para ainda assim se classificar para a final do torneio em que é atual campeão). Esse cântico dizia assim, em duas palavras que formam uma frase que dispensa novos vocábulos: "Eu Acredito". Melhor que isso, só com o ponto de exclamação: "Eu Acredito!". Melhor ainda, quando entoado por dezenas de milhares de pessoas, a plenos pulmões: "EU ACREDITO!". Primeiro, a torcida do Flamengo entoou essas palavras, ironizando a crença atleticana no que parecia impossível. Pois é, parecia. Mas não era. "Yes, We C.A.M.". No final, foi a torcida da casa quem bradou a frase, como se fosse uma oração. Bendito legado do Cuca, bendito Mineirão.

Eu acredito em muitas coisas. Inclusive no futebol bem jogado. Abençoados sejam aqueles que acreditam. Amém.
 Luan aponta para os céus diante da torcida atleticana no Mineirão: equipe buscou quatro gols para se classificar à final da Copa do Brasil 2014. O último foi marcado por ele. Ou por Ele? 

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Tener En Casa A Tu Papá

Cinco a zero num jogo semifinal de Libertadores é de chamar atenção. Quase tanta atenção quanto um sete a um em jogo semifinal de Copa do Mundo. Só que as semelhanças entre San Lorenzo e Bolívar, jogo de ida em Buenos Aires, e Brasil e Alemanha, jogo único em Minas Gerais, param no placar elástico. Se no mundial de seleções vimos um baile de bola (sobretudo de bola rolando) por parte dos alemães, no torneio continental de clubes viu-se um resultado construído na base da empolgação e da eficiência nos lances de bola parada. Um triunfo tático e técnico, sim, mas sobretudo espiritual.

No primeiro tempo não houve um banho de bola com gols sucedendo gols como passes atrás de passes e finalizações pós finalizações. Houve, isto sim, um confronto muito pegado. Com cara de Libertadores. Infelizmente, aquela face que não gostamos de lembrar. Mas o jogo duro e por vezes hostil por parte da equipe visitante não era desleal: era apenas uma energia mal canalizada. Nervosismo, talvez. Rendeu três cartões amarelos em vinte minutos (Yecerotte, Callejón e Gutiérrez). E muitas faltas cometidas. Em duas delas, castigos: tanto aos cinco quanto aos vinte e sete, Romagnoli caprichou no levantamento. Tanto aos cinco quanto aos vinte e sete, a defesa do Bolívar não conseguiu acompanhar o lance como deveria. Resultado: Matos inaugurou e Más ampliou o placar para o San Lorenzo.

No intervalo, Azkargorta realizou duas substituições (Miranda e Rodas saíram, Chávez e Tenorio entraram), mas o maior acerto do técnico espanhol foi fundamentalmente na mentalidade da equipe. O Bolívar voltou equilibrado emocionalmente e tal equilíbrio proporcionou uma melhor aplicação tática do plano de jogo do time. Passou a freqüentar mais o campo de ataque. As infrações que outrora cometera, tornaram-se faltas a favor. E o time parecia gostar do jogo, com todos os motivos para isso - exceto o placar adverso. Dava sinais de que poderia descontar e dar um novo rumo para a partida. Só que pagou caro por um vacilo em sua defesa. Dessa vez, com a bola rolando. O volante Mercier se lançou ao ataque, acreditou no lance mesmo quando a jogada parecia sob controle da defesa adversária e foi premiado pela perseverança, conseguindo finalizar no canto direito para marcar três a zero, aos vinte e quatro.

Naquele momento, Bauza já havia lançado Cauteruccio e Barrientos nos lugares de Matos e Romagnoli. Talvez nem o treinador do San Lorenzo botasse fé que a vitória se transformaria em goleada. Mas quem tem o papa consigo, vai duvidar do quê? Quatro minutos depois do terceiro gol, Buffarini recolheu bola mal afastada, avançou sem ser incomodado e soltou um chute que terminou num golaço, o quarto dos donos da casa.

Azkargorta trocou Callejón (omisso na marcação no lance do gol de Buffarini) por Saavedra. Pouco depois, Bauza fez a última substituição: Villalba por Verón. Já parecia desenhada a satisfação do placar para quem vencia e a aceitação do resultado para quem perdia. Algo como "que seja o que Deus quiser no jogo de volta". Só que havia tempo para mais. E voltamos ao princípio. De novo, a bola parada. De novo, levantamento preciso (dessa vez de Barrientos, aquele mesmo que substituiu Romagnoli). De novo, desvio certeiro de cabeça. De novo, Más. 5a0 San Lorenzo.

E agora vamos à maior diferença entre este cinco a zero e aquele sete a um: a torcida presente no estádio. Deixei para falar dela somente no último parágrafo com a intenção de deixar a melhor parte para o final. O comportamento da torcida do San Lorenzo no Nuevo Gasómetro foi uma coisa de outro mundo. Aliás, de outro país: Argentina. A celebração começou antes de a bola rolar, continuou por todo o decorrer do jogo e se manteve até após o apito derradeiro. É possível que estejam festejando até agora. E o melhor de tudo é que não foi por causa dos 5a0. É a causa dos 5a0. É aquele espírito que habita a matéria. É aquela prece que fica mais forte quando a bola está parada. É aquele empurrão para acreditar em qualquer lance. É aquele entusiasmo que contagia quem está no gramado. É um orgulho e um amor que não precisam ser ditos dessa forma, pois eles são sentidos em cada cântico, em cada grito, em cada salto, em cada aplauso. Se o San Lorenzo é o time do papa, o Nuevo Gasómetro é um templo onde os anfitriões não se dão o direito de pecar. E olha que os pecados capitais são sete...

Próxima parada: La Paz. Amém.
No país do papa Francisco, que também torce pelo San Lorenzo, fazer festa no estádio já é um ritual tradicional.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Copa 2014: Seleção Das Semifinais

As semifinais na Copa do Mundo 2014 tiveram dois fatos históricos. Enquanto a Alemanha aplicou a maior goleada já sofrida pela seleção brasileira (7a1, que poderia ter sido dez), Argentina e Holanda registraram o primeiro 0a0 na história dessa fase (a Argentina venceu nos pênaltis por 4a2).

Foi ótimo para mostrar a diferença entre uma seleção que planeja um desenvolvimento tático e técnico para uma seleção em franca decadência devido, fundamentalmente, à falta de competência na entidade cebeefiana. Entidade que tem na beira do campo o seu reflexo fiel: uma comissão "técnica" ultrapassada.

Entre argentinos e holandeses, houve jogo. Disputadíssimo, por sinal. E o que é melhor: com dois esquemas táticos tão consistentes e bem montados que a partida fluiu como se fosse um jogo de tabuleiro. Lionel Messi e Arjen Robben, embora muitíssimo bem acompanhados, ainda conseguiram proporcionar alguns belos momentos, dignos dos grandes craques. No final, brilhou a estrela de Romero. E teremos, na final, uma seleção buscando a terceira estrela e outra almejando a quarta. Será a reedição das finais de 1986 e 1990, só que dessa vez com a Alemanha unificada. Na disputa de terceiro, o encontro entre a Laranja e o Bagaço.

Titulares

Goleiro: Sergio Romero (Argentina)
Lateral direito: Pablo Zabaleta (Argentina)
Zagueiro: Ron Vlaar (Holanda)
Zagueiro: Stefan de Vrij (Holanda)
Lateral esquerdo: Marcos Rojo (Argentina)
Volante: Javier Mascherano (Argentina)
Meia: Toni Kroos (Alemanha)
Meia: Lionel Messi (Argentina)
Meia: Enzo Pérez (Argentina)
Meia: Arjen Robben (Holanda)
Atacante: Thomas Müller (Alemanha)
Técnico: Joachim Löw (Alemanha)

Suplentes

Goleiro: Manuel Neuer (Alemanha)
Lateral direito: Philipp Lahm (Alemanha)
Zagueiro: Martín Demichelis (Argentina)
Zagueiro: Ezequiel Garay (Argentina)
Lateral esquerdo: Dirk Kuyt (Holanda)
Volante: Georginio Wijnaldum (Holanda)
Volante: Sami Khedira (Alemanha)
Volante: Bastian Schweinsteiger (Alemanha)
Meia: Mesut Özil (Alemanha)
Meia: Ezequiel Lavezzi (Argentina)
Atacante: Gonzalo Higuaín (Argentina)
Técnico: Alejandro Sabella (Argentina)

Destaque

Com uma atuação antológica, Javier Mascherano foi soberano no meio-campo. Conseguiu correr os cento e vinte minutos, protagonizando cenas marcantes no jogo em que a Argentina conseguiu neutralizar a Holanda. O carrinho certeiro no momento da finalização de Robben, quando o argentino obteve a proeza de correr mais que o carequinha e ainda agir no tempo exato, ilustra a performance precisa de Mascherano. Olê olê olê olê... Maschê! Maschê! ecoaram no Itaquerão. Deve ser um misto de saudade da fiel torcida com reconhecimento albiceleste. Mascherano, que resistiu a uma cabeçada, que recebeu voadora, que "rasgou o ânus" (palavras dele próprio para descrever a dor sentida no lance em que evitou o gol de Robben), que parou a Laranja Mecânica. E que jogou muita bola. Destaque absoluto nas semifinais no Mundial 2014.
Foto: Hassan Ammar / AP Photo
Foto: Adrian Dennis / AFP

Javier Mascherano: o resistente (choque com Wijnaldum) e o implacável (intervenção milimétrica em  tentativa de finalização de Robben).

quinta-feira, 10 de julho de 2014

A Campeã Voltou: Nos Pênaltis E Na Raça, Argentina Papa A Laranja

Imagem extraída de EsporteInterativo
Sergio Romero, Pablo Zabaleta, Martín Demichelis, Ezequiel Garay, Marcos Rojo, Javier Mascherano, Lucas Biglia, Enzo Pérez, Lionel Messi, Ezequiel Lavezzi, Gonzalo Higuaín, Rodrigo Palacio, Sergio Agüero, Máxi Rodríguez. Alejandro Sabella. E todos os demais que compõem a delegação argentina na Copa do Mundo 2014. Sem jamais esquecer dos torcedores que dizem exatamente o que sentem nas arquibancadas.

Só há, no parágrafo inicial, menções a heróis. A atuação argentina diante da forte e bem treinada Holanda foi algo para constar nos livros de História.

Capítulo 1: Do contexto.

Imagem extraída de MaisFutebol
Em pleno dia da independência, a Albiceleste conquista, em semifinal disputadíssima com a Holanda, seu retorno a uma final de Copa do Mundo. São vinte e quatro anos desde a última aparição e a adversária será exatamente a Alemanha, oponente em 1990. Naquela época, ainda existia o Muro de Berlim, e a campeã foi a Alemanha Ocidental - quatro anos antes, a Argentina superou a mesma oponente. Nas Américas, jamais um europeu conquistou o caneco mundial. E lá vai a Argentina ao Maracanã, para manter a escrita e para sair de uma fila de títulos que já se arrasta desde a Copa América 1991.

Alfredo di Stéfano, um dos maiores nomes na história do futebol nacional argentino e do planeta como um todo, foi lembrado em São Paulo. Partiu aos 88 anos, essa semana, mas estava presente. Estava presente nas braçadeiras pretas dos jogadores argentinos. Estava presente no minuto de silêncio antes de a bola rolar. Estava, mais que isso, presente na alma de cada jogador que vestia azul-e-branco. Não duvido que a água que caiu sobre o estádio possa ter alguma relação com a emoção do mito que ascendeu.

Capítulo 2: Do talento.

Imagem extraída de Ahe
Mesmo havendo como adversário um time absolutamente bem postado desde o goleiro até o centroavante,
onde existir talento, sempre será fácil reconhecê-lo. Lionel Messi teve muitas dificuldades para achar e criar espaços no gramado em São Paulo. Mas ainda assim desfilou capacidade técnica no Itaquerão. Seu momento mais próximo do gol foi cobrando uma falta sofrida por Enzo Pérez, defendida pelo goleiro Jasper Cillessen. Porém, seus simples deslocamentos pelo gramado e movimentos por entre os defensores laranjas possibilitavam que, se não para si, aparecessem brechas a serem usufruidas por companheiros como Gonzalo Higuaín. Sua maneira de interagir com a bola é única. Seus passos pelo campo, uma marca registrada. Sua postura, plenamente identificável. Um capitão pelo talento, pelo exemplo, que sequer precisa desgastar além da medida suas cordas vocais. Basta olhar para ele e já se sabe o que fazer.

Capítulo 3: Da tática.

Foto: Getty Images
Sempre que você assistir um jogo de futebol onde estiverem presentes jogadores como Messi e Arjen Robben em lados opostos, tenha convicção de que algo de muito interessante poderá acontecer a qualquer momento na partida. Piscar os olhos é perigoso, pois pode ser exatamente ali que o gênio entre em ação. Acontece que tanto Louis van Gaal quanto Alejandro Sabella sabem disso. Um tem o seu Robben e teme o Messi. O outro tem o seu Messi e teme o Robben. Conseguiram ambos os técnicos preparar suas seleções de modo a conter o talento do maior jogador adversário. Não é fácil fazê-lo, e é por isso que precisam ser exaltados: fizeram de maneira esportiva, sem apelar para o antijogo (embora em alguns - raros - momentos tenham havido faltas com único intuito de interromper o progresso do craque).

Este capítulo três merece um parágrafo especial para Sabella. O treinador argentino mostrou aquilo que já foi possível ver desde as oitavas diante da Suíça e, mais ainda, nas quartas diante da Bélgica: solidez. Uma equipe bem distribuída em campo, sobretudo defensivamente. Mostrando uma capacidade quase infinita de estar preparada para o que quer que seja. E do outro lado havia Dirk Kuyt, Daley Blind, Wesley Sneijder, Robben, Robin van Persie. Mas a Argentina Sabella o que estava fazendo e, nas mais de duas horas de jogo, foi uma seleção consistente, valente, determinada. Contagiante.

Capítulo 4: Da raça.

Imagem extraída de EsporteInterativo
Por falar em contagiante, não saem da minha cabeça as imagens de Mascherano e Zabaleta. O volante e o lateral-direito foram sublimes. São os dois polegares que traduzem a impressão digital da seleção argentina. Vira-latas de raça. Pra tornar inofensivo qualquer Pastor Belga, Holandês, Alemão. Protegem a defesa sem perder a referência. Cercam o adversário sem usar a violência. Recuperam a bola mantendo a postura. Avançam e recuam de maneira segura. Gigantes pela própria natureza! Contagiam, contagiam, contagiam. A quem está assistindo de longe, a quem está perto no gramado. Vemos esse contágio quando nossa pele arrepia, quando automaticamente aplaudimos, quando olhamos hipnotizados tamanha bravura. Não tem choque de cabeça nem ombrada no queixo que os abalem. Podem derrubá-los, pois são humanos. Mas jamais enfraquecê-los, porque inabaláveis pelo espírito dos verdadeiros vencedores. E a Argentina consegue mais. Consegue ser mais. É Garay afastando a bola segurando a chuteira na mão direita. É Rojo mandando o perigo para longe mesmo estando mancando. É Romero festejando uma cobrança de pênalti defendida (Ron Vlaar, forte, no centro). É Romero festejando outra cobrança de pênalti defendida (Sneijder, colocada, buscando o ângulo direito). É Máxi Rodríguez partindo para a bola para selar a classificação com cara de quem não consegue conter a emoção. E não consegue porque o sentimento é maior do que o recipiente. Cillessen tocou no pênalti derradeiro. O travessão também encostou na bola. Mas o destino da Brazuca era a rede. Pois o destino da Argentina, só Deus sabe. Talvez o Papa também. Com as bênçãos de Alfredo di Stéfano.
Foto: Getty Images

Capítulo 5: Da final.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Em Nome Do Futebol, Sete Vezes Obrigado!

Foto: Sérgio Barzaghi / Gazetta Press
O Maracanã, em 1950, sediou o último jogo naquela edição de Copa do Mundo. Como tratava-se de um confronto direto pelo título mundial, dá para chamar aquele encontro entre brasileiros e uruguaios pela última rodada de quadrangular final de... final. O Brasil seria campeão com um empate, mas acabou derrotado pelo Uruguai pelo placar de 2a1. Conta a história que, por causa de uma suposta falha individual, o goleiro Barbosa foi escolhido como vilão. Nas imagens que a mim chegaram, não vi qualquer falha que seja digna de responsabilizar um único indivíduo pelo insucesso no jogo. Jogo de placar apertado, que por detalhes poderia ter tido um desfecho diferente. Mas, no final das contas, título uruguaio num episódio até hoje tratado como uma tragédia, com direito a nome próprio: Maracanazo.

Num estádio com público recorde de 199.854 espectadores, o oba-oba pelo título que era dado como certo foi substituído por um silêncio sepulcral. Gigghia, autor do gol da virada, afirmou certa vez: "O silêncio era tão grande que se uma mosca estivesse voando por lá, ouviríamos o seu zumbido".

Passaram-se 64 anos e creio não haver uma única testemunha presente naquele Maracanã que também estivesse nesse Mineirão, em 08.07.2014, para a semifinal entre Brasil e Alemanha. Creio que não e torço para que não. Dessa vez, um público muito menor presente nas arquibancadas, em função do novo modelo de estádios brasileiros. Um formato padronizado que tira quantidade e qualidade dos estádios, pois elimina do local do jogo o povo apaixonado pelo futebol, em função de uma elitização impositiva. Sai a festa da autenticidade, entra o comportamento padrão FIFA. Não leve a mal, são apenas negócios. Não pode consumir o produto futebol? Viva essa paixão assistindo pela televisão.

Dessa vez, ao contrário de 1950, não houve tragédia. Em 2014, houve conseqüência. Conseqüência de um cenário trágico, que assola estruturalmente a instituição que se apropriou do futebol nacional: a Confederação Brasileira de Futebol. O deputado federal Romário, protagonista no tetracampeonato em 1994, alega já ter pedido por diversas vezes uma intervenção política do governo federal no futebol brasileiro. Em 2012, apresentou um pedido de CPI da CBF, "baseado em uma série de escândalos envolvendo a entidade, como o enriquecimento ilícito de dirigentes, corrupção, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e desvio de verba do patrocínio da empresa aérea TAM. O pedido está parado em alguma gaveta em Brasília há dois anos". O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, julga não ser o momento adequado para instalar a CPI.

Enquanto isso, vamos sendo presididos por José Maria Marín, indivíduo que participou ativamente da ditadura militar, apontado como envolvido em torturas e assassinatos. Enquanto isso, vamos vendo Parreiras, Dungas, Manos e Scolaris assumindo o comando da seleção brasileira de futebol profissional. Ou seja: o futebol arte, no Brasil, está tão engavetado quanto o pedido de instalação de CPI. Só que há muito mais tempo.

Na Alemanha, o fluxo é no sentido contrário: a seleção age no sentido de encontrar, abraçar, casar e constituir família com o futebol que abandonamos em algum momento no passado. Sugiro uma (re)leitura num texto publicado nesse blógui em 13.06.2010: "Amantes Do Futebol Arte, Eu Vos Apresento... A Alemanha!". Outra recomendação é assistir essa Alemanha de Joachim Löw jogar. Simplesmente assistir. Saborear. Apreciar. O oito de julho de dois mil e catorze é uma data a ser lembrada com alegria pelo futebol mundial. Data em que o planejamento que privilegia tática e talento superou, com sobras arrebatadoras, o acaso e a malandragem. Data em que o toque refinado superou a simulação para ludibriar a arbitragem. Data em que o futebol venceu com uma goleada histórica. Com direito a gol de Miroslav Klose, o seu décimo sexto na história das Copas, o que dá ainda mais relevo à data pois torna o camisa onze alemão o maior goleador de todos os tempos na competição.

Vinda de um passado onde jogava algo muito parecido com futebol, mas que não era futebol, a Alemanha há alguns anos atua com graça, beleza, encanto, magia. Atua como uma certa seleção brasileira, que não cheguei a ver jogar, mas cujos relatos me fazem sentir saudade de um tempo que não presenciei. Quer dizer, talvez não neste corpo. Fato é que o Brasil de hoje não parece o Brasil que a história endeusa. Muito pelo contrário. O Brasil de hoje é um desaforo à prática futebolística. É como se tivéssemos parado no tempo. Antes tivéssemos parado no tempo certo, mas escolhemos os anos de Parreiras, Dungas, Manos e Scolaris. Tempos de Ricardo Teixeira e José Maria Marín. Talvez a culpa não seja nossa. Talvez a culpa seja do resto do mundo, que evoluiu e nos deixou para trás. Que o goleiro Barbosa possa, de uma vez por todas, descansar em paz.

Extraído de Soccerway
Extraído de Soccerway
Foto: David Gray / Reuters

terça-feira, 29 de abril de 2014

Bye, Bye, Bayern

A definição do primeiro finalista na Liga dos Campeões da Europa 2013-4 trouxe uma grande surpresa. Não que o Real Madrid passar pelo Bayern de Munique seja algum absurdo, mas fazendo 4a0 na Allianz Arena?

Pep Guardiola não conseguiu repetir o desempenho de seu antecessor Jupp Heynckes. Se na temporada passada o Bayern atropelou o Barcelona nas semifinais, dessa vez foi um time espanhol que castigou os alemães. Curiosamente, também no ano passado o Real Madrid havia caído nessa mesma fase no torneio levando uma sapecada do também alemão Borussia Dortmund.

Pelo menos uma conclusão dá pra tirar desses dois eventos (o sucesso do Bayern de Heynckes sobre o Barça e o fracasso do Bayern de Guardiola diante do Real Madrid): o jogo de velocidade com marcação adiantada e saída objetiva nos contra-ataques encaixa bem no modelo de intensas trocas de passes. Em outras palavras, para defrontar a escola barcelonista-guardioliana, não é necessário (nem viável) jogar na retranca, no feitio de José Mourinho. Carlo Ancelotti mostrou-se superior ao seu antecessor de Real Madrid, pois conseguiu encarar um estilo de jogo imponente de uma maneira eficaz sem abdicar do ataque.

Talvez o maior adversário do Bayern nem tenha sido o fortíssimo Real, mas o próprio Bayern. O incentivo de Pep para o time "jogar com agressividade" não parece ter sido assimilado ou, pelo menos, bem compreendido. Alemães costumar ser frios, estratégicos, disciplinados. Agressividade, no primeiro tempo, foi confundida com violência. Poderia até ter pintado um cartão vermelho para Dante, por carrinho imprudente em Cristiano Ronaldo. Aproveitando-se de erros de marcação dos donos da casa na bola parada, Sérgio Ramos marcou duas vezes e encaminhou a classificação. Num contra-ataque à la Bayern de Heynckes, Modric acionou Bale, que serviu Cristiano. O português aproveitou. Se ele agradeceu? Que nada, comemorou egocentricamente celebrando o recorde pessoal de quinze gols numa edição de UCL. Este é Cristiano: grande talento e um ego ainda maior.

No segundo tempo, o Bayern desenvolveu seu jogo na busca pelo improvável que o avançar dos minutos iam tornando impossível. A entrada do ótimo Götze aumentou a qualidade da equipe no meio-campo (Ribèry e Müller não renderam, restando saber até que ponto por influência da tal proposta de "agressividade"). No final, uma cobrança de falta de Cristiano por baixo da saltitante barreira selou a goleada merengue.

Vindo quem vier - Atlético de Simeone (clássico local) ou Chelsea de Mourinho (imagina só...) -, Ancelotti terá de conviver com o favoritismo na decisão de 24 de maio. Do jeito que o italiano é cascudo e vencedor, deve nesse momento estar tranqüilo e calmo, pronto pra mais uma. Se alguém ainda achava que faltava ao italiano ex-Milan, Chelsea e PSG
provar algo no futebol, acho que esse 29 de abril deixou um ponto final. O multicampeão mostrou que o rótulo de retranqueiro, que por tanto tempo o acompanhou, não lhe cabe. Pelo menos não se a idéia for desqualificá-lo.

Observação: a Alemanha pode ter sido a maior vencedora nessa história toda. A julgar pelo maior descanso que jogadores terão com a eliminação do Bayern e levando em consideração o esquema de jogo de Joachim Löw (que mescla um pouco de Guardiola com um pouco de Ancelotti, guardadas as devidas proporções), é bem provável que o técnico alemão tenha o antídoto para defrontar adversários que tenham a tendência de utilizar um estilo mais à exaustão. Seja de posse, seja de contra-ataque, seja de retranca. Pintou o tetra? Aguardemos.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Questão De Coragem

As semifinais na Liga dos Campeões da Europa na presente temporada permitem fazermos comparações entre dois treinadores muito badalados no futebol atual. Um é Josep Guardiola, do qual sou grande admirador. Outro é José Mourinho.

A maior semelhança entre ambos - além da grande quantidade de troféus levantados - está na grafia do primeiro nome: são quatro letras idênticas. Só que se o talento fosse medido dessa forma, poderíamos afirmar que a letra "P" é muito mais poderosa que o acento agudo.

Explicando e comparando. Mourinho e Guardiola viajaram para a capital espanhola. O Chelsea visitou o Atlético no Vicente Calderón e, no dia seguinte, o Bayern enfrentou o Real no Santiago Bernabéu. Tanto os Azuis de Londres quanto o Gigante da Baviera carregam consigo elencos milionários, que em nada devem aos adversários. Vale lembrar que esses dois clubes se enfrentaram na final continental apenas duas temporadas atrás (então treinados por Roberto Di Matteo e Jupp Heynckes). Ou seja, talento é o que não falta nesses plantéis. Saca só o nível: Cech, Neuer, Terry, Boateng, David Luiz, Dante, Lampard, Schweinsteiger, Ramires, Lahm, Willian, Robben, Hazard, Müller, Oscar, Götze, Ribèry, Schürrle, Torres, Mandzukic, Demba Ba, Kroos etc. Com esse material humano, Mourinho e Guardiola podem buscar diversas maneiras de jogar. E a cidade de Madrid viu bem isso.

Na terça-feira, um Chelsea covarde foi montado com uma linha de quatro na defesa (Azpilicueta, Terry, Cahill, Cole) e uma linha de cinco no meio (Willian, Mikel, David Luiz, Lampard, Ramires) e Torres na frente. Na frente e isolado, pois Willian e Ramires mais acompanhavam os laterais oponentes do que se aproximavam do atacante espanhol. Resultado: zero a zero numa partida com poucas emoções. Diria que beirou o entediante. Triste para o esporte.

Já na quarta-feira, outra conversa. O Bayern atuou com a posse de bola e ofensivamente, mesmo diante de um adversário fortíssimo nos contra-ataques (há que se respeitar um time que conta com Modric, Cristiano, Di María e Benzema, além de Bale). Mas covardia não é palavra para o vocabulário de Pep. A equipe atuou com Rafinha e Alaba se apresentando ao ataque de modo a deixar somente Boateng e Dante como autênticos defensores; Lahm e Scheinsteiger encostavam na trinca de meias (Robben, Kroos e Ribèry) enquanto Mandzukic, ao contrário de Torres no dia anterior, tinha com quem conversar. Resultado: um a zero para o Real numa partida repleta de alternativas. Tivemos um jogo. Um grande jogo. Ótimo para o esporte.

No final, os placares na Espanha dão aos times de Diego Simeone e Carlo Ancelotti a vantagem do empate na volta. Teoricamente, melhor para o italiano, que pode perder por um gol de diferença caso marque pelo menos uma vez. Porém, vejo mais possibilidades de sucesso para o argentino. O motivo? Seu adversário é Mourinho. Será muito mais difícil sobreviver ao Bayern de Guardiola. E olha que nem precisa de coragem para afirmar isso: basta ter algum bom senso. Coisa que por vezes falta para aqueles que têm medo.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Cardozo Resolve, Benfica Passa Pelo Fenerbahce E Encarnados Retornam A Uma Final Continental


Vinte e três anos depois, o Benfica está de volta a uma final continental. Com autoridade de quem era superior tecnicamente e jogava diante de seus entusiastas no estádio da Luz, o time comandado por Jorge Jesus venceu o Fenerbahce por 3a1, revertendo a desvantagem trazida da Turquia (onde havia perdido por 1a0 na semana anterior).

A partida em si não primou pela organização tática. Mas foi abençoada pela garra e empenho de ambas as partes. O primeiro tempo foi dos mais frenéticos possíveis, fazendo um período de 47 minutos parecer uma longa jornada onde os jogadores atravessavam a fronteira do futebol para a maratona, de forma a fazer inveja nos mais bem-sucedidos triatletas.

Uma bela jogada pelo lado direito aos oito minutos terminou com assistência de Lima para finalização magistral de Gaitán, abrindo a contagem em Lisboa e igualando o confronto na soma dos resultados. Desarticulado, o Fenerbahce teve a felicidade de "achar" um pênalti (ou, talvez melhor dizendo, ganhá-lo de presente da arbitragem chefiada por Stephane Lannoy). Aos vinte e dois, Kuyt converteu e colocou os visitantes em vantagem considerável, pois a partir dali garantia classificação mesmo perdendo por um gol de diferença.

Os turcos se animaram no jogo, mas tinham dificuldades de transformar ânimo em oportunidade de gol. E o Benfica, mais envolvente, conseguiu incendiar o que já estava quente: aos trinta e quatro, Cardozo desempatou a partida, deixando o Benfica a um gol da classificação. Era só o primeiro tempo! No segundo, o ritmo foi ligeiramente menos acelerado - o que é humanamente explicável. Mas as emoções se mantiveram acentuadas na capital portuguesa. Aos quinze, um susto: Gaitán foi emendar voleio e, em vez de acertar a bola, atingiu a cabeça de Gonul, que caiu desacordado no gramado. Imobilizado e na maca, foi levado para amublância e desta para um hospital próximo ao estádio. A cena era forte, daquelas que fazem você por um momento pensar no quão frágil é a vida de um simples futebolista, correndo riscos que ignoramos ou por estarmos entretidos com o jogo ou para evitarmos defrontar um problema tão incômodo.

 Após ser atingido por Gaitán, Gonul cai desacordado no gramado: graças a Deus, foi menos grave do que a cena sugeria (o atleta levou oito pontos na boca).

Intergun entrou em campo para manter o Fenerbahce com onze jogadores, mas a impressão que dava era que os Encarnados estavam em vantagem numérica. E se alguém tinha que fazer o gol derradeiro, aquele rotulado como "o da classificação", ninguém melhor do que Cardozo, que fazia excelente atuação e marcou o 3a1, aos vinte e um, cinco minutos depois do lamentável episódio que tirou Gonul do jogo.

Talvez pelo gol sofrido que colocava o time pela primeira vez em desvantagem na elimiantória, talvez pelo acidente com um companheiro de equipe, e provavelmente pelas duas coisas combinadas, o Fenerbahce, que já não era dos mais organizados em campo, sucumbiu. Faltava-lhe apenas um gol para retomar a vantagem no confronto que valia vaga na final, mas o Benfica conseguia se impôr territorialmente e ainda criava as melhores chances. Pode ser que os desfalques de Raul Meireles e Webó também tenham pesado, pois era difícil imaginar que um time tão "quebrado" no meio-campo e sem contundência no ataque pudesse vir de uma belíssima sequência de seis jogos invictos fora de casa em competição européia. Como faz falta um "camisa 10" tipo Alex, não é? Enfim... Na bravura típica dos turcos, os comandados de Aykut Kocaman foram buscar o gol na base do "abafa". Deram um ou outro susto na defesa portuguesa (ou sul-americana, pois há ali brasileiros, argentino, uruguaio e um "intruso" lusitano). Mas o time da casa resistiu e garantiu a festa dos adeptos. Agora, de volta a uma final continental, o desafio será com o Chelsea, que eliminou o Basel na semifinal e busca o bicampeonato no Velho Continente (faturou na temporada passada a Liga dos Campeões). Até Amsterdã!

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Lições

A torcida barcelonista cantava a plenos pulmões quando soou o apito final do árbitro esloveno Damir Skomina. Alguns poderão contestar uma ou outra decisão dele e de seus auxiliares nos pouco mais de noventa minutos de jogo, mas o resultado foi incontestável. Um adulto com uma criança flagrados pela transmissão televisiva após o encerramento do jogo (provavelmente eram pai e filho, este seguramente com menos de seis anos de idade) davam o tom do quão especial foi o jogo disputado no Camp Nou. O adulto sorria com a camisa azul-grená do Barcelona, levantando a criança que, com semblante também alegre, exibia a camisa amarela da mesma instituição catalã. A felicidade transcende circunstâncias. É um estado de espírito. Ou "o caminho", como disse Mahatma Gandhi.

Por que, afinal, aquelas dezenas de milhares de pessoas cantavam com força e emoção ao final da partida? Por que aplaudiam seus jogadores? Por que estampavam no rosto um ar de satisfação quase intangível? Por que essas imagens se o time que mobilizou essas pessoas a comparecerem ao estádio na noite de quarta-feira perdeu o jogo por 3a0 e a eliminatória por 7a0? Sim, três e sete! A zero! Será que, de tão acostumados a vencerem partidas e torneios, estes indivíduos não sabem mais expressar o sentimento característico dos derrotados? Como ensinar essa gente a manifestar aquilo que a situação lhes impõe?

Pois acho que não temos nada a lhes ensinar. Temos, isto sim, é muito o que aprender com eles. O Barcelona, dentro de campo, jogou um pouco diferente do habitual. Não foi tão paciente com a posse de bola, não foi tão criterioso para escolher o momento de chutar em gol, nem tão comportado em determinadas divididas de bola. Faltava-lhe Messi, sentado no banco por estar longe das condições ideais de jogo. Uma frustração para imprensa, torcida, elenco catalão. Todos queriam ver o gênio conduzindo o melhor time do mundo a uma virada improvável diante do poderoso Bayern de Munique. O Barça não foi capaz de superar o Bayern. Parou algumas vezes em Neuer e muitas em Javi Martínez, Bastian Schweinsteiger e companhia. Não poderiam supôr que o 0a0 ao intervalo era uma parte das menos amargas da noite. No segundo tempo, Robben (golaço, no melhor estilo Robben de se resolver um lance), Piqué (contra, pois só faz contra quem está na jogada, e Piqué está sempre na jogada) e Muller, o mais centroavante dos meias bávaros, marcaram nos 3a0. Mas voltemos ao "temos, isto sim, é muito o que aprender com eles". Dentro de campo, quem deu aula foi o Bayern. Ponto. Mas nas arquibancadas, se não tivemos nada comparável ao caldeirão que foi montado pelos alemães na partida de ida, ficamos diante de imagens marcantes. Aquele adulto com aquela criança e tantas outras pessoas que ficaram até que seus jogadores deixassem as dependências do campo de jogo e aplaudiram cada um deles, essas dezenas de milhares de pessoas servem de inspiração. Se o futebol nos mostrou hoje que o Bayern é uma máquina e chega à final continental com o Borussia com todo o merecimento possível, os catalães nos mostraram que o Barcelona é muito mais que um clube. Confesso não saber definir o que seja exatamente, e nem tenho essa pretensão. Talvez seja um estado de espírito.
Mosaico de quase cem mil pessoas, onde cartazes e mãos exibem o orgulho catalão. Após o jogo, mesmo com a goleada sofrida e a eliminação, a grande maioria permaneceu no seu lugar e deu linda lição de amor pelo clube do coração.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Borussia: De Dortmund Para Wembley, Passando Por Madrid

Apesar da boa margem de gols conseguida em Dortmund (4a1), o Borussia só conseguiu a vaga na final européia após um final de jogo dramático. O apito derradeiro aos cinquenta minutos e cinquenta e cinco segundos no segundo tempo foi para aliviar a tensão de um time que estava sob pressão.

Para ler a transmissão da partida em tempo real, acesse @jogandoagora e procure pela #RMDBVB

A partida no estádio Santiago Bernabéu confirmou as expectativas: foi agradável, dinâmica, de ótimo nível técnico. No primeiro tempo, o maior responsável pela manutenção do 0a0 foi o goleiro Weidenfeller, que realizou duas grandes defesas em finalizações de Higuaín e Cristiano.

Mas o Borussia era muito mais que apenas um grande goleiro. Tinha o ótimo zagueiro Hummels, de atuação formidável, pagando com juros e correção a falha cometida no jogo de ida. Seu parceiro de zaga, Subotic, também correspondia. O volante Gundogan, por sua vez, encanta esse blogueiro pela exuberante capacidade de fazer a proteção à defesa e a transição ao ataque com qualidade e naturalidade. Há muita gente boa na posição no futebol alemão, mas já vejo com bons olhos se Gundogan for titular na Copa do Mundo, sob o comando de Joachim Low.

Então, como superar essa muralha amarela? Mourinho era um que não sabia a resposta. Demorou demais para buscar alternativas, colocando Kaká e Benzema aos onze minutos pós-intervalo. Tirou Coentrão e Higuaín, numa mexida aquém do que a situação pedia. Faltando pouco mais de meia hora, o Real abria mão de um atacante mesmo precisando de uma média de um gol a cada dez minutos. Só que, na base do abafa, o Real conseguiu um novo ânimo aos trinta e sete, quando marcou 1a0 - gol de Benzema em jogada iniciada por Kaká, isto é, gol vindo do banco.

O novo ânimo ganhou dimensões incendiárias aos quarenta e dois, quando Ramos recebeu de Benzema e marcou o segundo. Faltava o terceiro, que seria o da classificação. Howard Webb indicou cinco minutos como acréscimo. A torcida merengue, que minutos atrás parecia silenciar diante do impossível, agora estava a plenos pulmões acreditando no mais que tangível. No futebol é assim mesmo: o universo das possibilidades desafiam a própria natureza matemática.

No final, festa do time que jogou melhor a maior parte do confronto de 180 minutos. Com muito toque de bola, com muita personalidade, com muita qualidade, com um padrão de jogo envolvente e, sim, com contornos dramáticos também, o Borussia Dortmund estará em Wembley no dia vinte e cinco de maio. Descobriremos se diante de Bayern ou Barcelona. Mas uma certeza já fica: teremos uma decisão de Liga dos Campeões como há muito tempo não se via. Para deleite dos amantes do futebol arte.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Dortmund 'Lewandowski' O Futebol À Glória

Um show. Seja nas arquibancadas, seja no gramado, o Borussia Dortmund deu um show que o Real Madrid assistiu de pé. A goleada por 4a1 nem é o mais importante, embora deixe a equipe de Jurgen Klopp bastante perto da final em Wembley - o que mais importa é que estamos vivendo um momento histórico, que é uma revolução no futebol alemão. Inversão pelo alto, chutão pra cima, cruzamentos à exaustão não são recursos usados pelo fantástico Borussia. Da defesa ao ataque, a bola vai pela grama, de pé em pé, passando por volantes afinados (Bender e Gundogan), meias agudos (Blaszczykowsky, Gotze e Reus) e um atacante absolutamente goleador, o grande nome do jogo, Lewandowski. Claro que há que se falar também dos belos laterais Piszczek e Schmelzer, da competente dupla de zaga composta por Subotic e Hummels e do goleiro Weidenfeller, todos dignos de jogar por um time que tem uma torcida formidável desde antes de a bola rolar até depois do apito final. Mas o nome do jogo é aquele mesmo: Lewandowski. Não é todo ano que se marca quatro gols numa partida semifinal de Liga dos Campeões da Europa. E o adversário era o Real Madrid, maior conquistador dessa taça.

Amantes do futebol arte, o Real de Mourinho pareceu pequeno em Dortmund. Jogou menos do que se espera de um time com essa grandeza? Sim. Mas o maior responsável por fazê-los diminuídos foi o jeito de jogar e o jeito de querer vencer do Borussia. Com Joachim Low comandando a seleção do país, Jupp Heynckes conduzindo o Bayern após belo trabalho de Louis van Gaal e prestes a passar o bastão para Josep Guardiola, e com Klopp fazendo o que vem fazendo no Aurinegro, que todos os olhos do mundo estejam virados para a Alemanha na Copa do Mundo 2014. Aliás, pra que esperar até lá? Saboreemos essa Liga dos Campeões e a próxima. E também a Bundesliga e as Eliminatórias Européias. Ver o futebol sendo bem jogado é um prazer sempre bem-vindo. Se premiado com títulos, melhor ainda. Próxima parada: estádio Santiago Bernabéu.

(Ler também sobre o Bayern de Heynckes e a Alemanha de Low)

terça-feira, 23 de abril de 2013

Bayer(celo)n(a)

 Confirmou-se a expectativa de que seria um grande jogo em Munique. Afinal, o que esperar de Bayern e Barcelona, dois expoentes do que é o futebol na melhor qualidade que se joga hoje? Mas, surpreendentemente, foi praticamente um jogo de um time só. Assistido por milhões de pessoas pela televisão, por milhares de pessoas nas arquibancadas e por um único no gramado: Manuel Neuer, o goleiro que mais foi espectador. Interveio no minuto 61 (16 do segundo tempo) para não mais precisar realizar defesas. Resultado: 4a0 para os donos da casa, que abusaram do jogo aéreo (o "calcanhar de Aquiles" no Barcelona) e, também, do bom futebol, principalmente nos minutos finais.

A próxima partida é na quarta-feira da semana que vem, na Catalunha. Que também será feriado, graças a Deus. É evidente que por se tratar de um jogo envolvendo dois timaços, a margem de diferença obtida pelos bávaros no jogo de ida é expressiva. Quase irreversível. Só não é porque há um Barcelona em campo. E se for aquele Barça que, por exemplo, sapecou 4a0 no Milan, melhor aguardar fortes emoções.

No mais, quero aqui fazer um destaque para a partida jogada hoje na Alemanha. Um não, dois. O primeiro é o golaço do Bayern que foi anotado por Arjen Robben, em jogada iniciada por Franck Ribéry, que deixou o Lionel Messi sentado. Pintura do início ao fim. O outro destaque envolve dois desses três jogadores citados: os camisas 10 Robben e Messi. Dois craques que honram como pouquíssimos esse número simbólico no uniforme futebolístico. Enquanto o holandês voou calçando chuteiras, o argentino pouco participou. Só que ambos buscaram jogo, nenhum deles se escondeu. O desempenho de Robben foi facilitado pela melhor engrenagem ofensiva do Bayern, enquanto os parceiros de Messi, embora tivessem mais a bola, raramente conseguiam uma dinâmica capaz de os desvencilhar da marcação adversária. E o agravante: Messi estava longe de sua melhor forma física, recuperando-se de uma contusão que ocorreu em Paris, pela fase quartas-de-final, diante do Paris Saint-Germain. Messi, que tão raramente se machuca. Enquanto Robben, que tem uma carreira perseguida por contusões, parece estar mais em forma do que nunca. E levanta aquela dúvida cruel: até onde poderia ir se não fosse o acúmulo de lesões?

Que os dois estejam 100% para a partida de volta. E que, o que se classificar, esteja 100% na grande final em Wembley.  O futebol fica 100% agradecido.
Após cobrança de escanteio mágica de Robben, Muller ajeita de cabeça para conclusão de Gómez: Bayern marcava 2a0, em gol irregular. Mais tarde, o terceiro gol da equipe anfitriã também se daria com ocorrência polêmica, pois Muller obstruíra passagem de Alba - gol de Robben.