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domingo, 23 de agosto de 2020

Num Mundo Que Chora Mortes Na Pandemia, Bayern É Incontestável Campeão Continental

Manuel Neuer levanta a taça: o Bayern de Munique é pela sexta vez o campeão europeu. Foto: Reuters/Matthew Childs/Pool.
 

É um mundo diferente daquele de menos de um ano atrás. E uma rápida olhada para a Liga dos Campeões da Europa ajuda a ter a noção do quanto as coisas se modificaram em questão de meses.

Olhe para o estádio que sediou a final do maior torneio de clubes europeus de futebol: ninguém nas arquibancadas. Felizmente, ninguém nas arquibancadas, pois se houvesse aglomeração, seria uma gigantesca negligência em tempos de pandemia viral.

O coronavírus (SARS-CoV-2 ou COVID-19) foi, sem nenhuma dúvida, o elemento que mais marcou essa edição da UEFA Champions League. Há quem diga (inclusive infectologistas) que o confronto entre Atalanta e Valência, na cidade italiana de Milão, em 19.02.2020, foi uma bomba viral. Explica-se: a Itália vinha somando muitos casos de infecção e morte no norte do país e, com o deslocamento de dezenas de milhares de torcedores desde a cidade de Bérgamo (cidade sede da Atalanta) até Milão (local do jogo), é bastante provável que naquele momento estava sendo levado o coronavírus para uma nova região do país. As semanas que sucederam o jogo deram a dimensão da tragédia, com a Itália se tornando o epicentro europeu de contágios e mortes. Cenário que veio a atingir, também, a Espanha, país onde ocorreu o jogo de volta entre aquelas duas equipes: a Atalanta venceu novamente e celebrou a classificação (sabe-se lá espalhando quantas gotículas carregadas de vírus entre os dois países)...

Mas, evidentemente, não há que se responsabilizar um único confronto futebolístico pela enormidade das mazelas. Os maiores responsáveis pelos danos causados são os chefes de governo que fazem pouco caso do isolamento social. São aqueles que bradam que "a economia não pode parar" (como se o capital tivesse vida e a vida fosse desprovida de qualquer sentimento). Enfim, aqueles que sobreviveram, puderam assistir o Bayern de Munique campeão europeu pela sexta vez em sua história. Um título que é esvaziado pelo momento de dor que vive a humanidade (somente mentes de psicopatas podem achar que este ano de dois mil e vinte é como outro qualquer). Mas, ainda assim, há que se dizer: parabéns ao Bayern pela espetacular campanha na competição, tendo vencido todas as partidas disputadas - antes e durante o coronavírus. Foram 43 gols em 11 jogos. E uma atuação maiúscula na final, quando superou a qualificada equipe do Paris Saint-Germain por 1a0, gol de Coman (que é cria do PSG), e com grandes atuações de Neuer e Thiago Alcântara. Ainda assim, certamente, a partida que mais será lembrada nessa trajetória épica terá sido a implacável goleada de 8a2 sobre o Barcelona, na fase de quartas de final, nove dias antes de levantar o troféu, também em Lisboa, também com portões fechados ao público.

Que a festa esportiva seja feita com responsabilidade na Alemanha e em qualquer lugar. Há, nesse momento, famílias em luto. Pessoas que trocariam o êxito do seu time por simplesmente poder voltar ao convívio de seus entes queridos. Vidas que economia nenhuma poderá trazer de volta.

sábado, 3 de junho de 2017

Realmente, O Melhor - Madrid Arrasa Juventus Em Gales

Sergio Ramos ergue a taça da Liga dos Campeões da Europa, a 12ª na história do Real Madrid. Foto: Getty.

Vamos evitar falar de números. Apenas para não dizer que eles não foram mencionados: o jogo Juventus 1, Real Madrid 4 representou a 12ª conquista de Liga dos Campeões da Europa da equipe da capital espanhola; o segundo de Zinedine Zidane em duas temporadas como técnico; a primeira vez em 59 anos que o clube consegue vencer a Liga Espanhola e a Européia no mesmo ano. Enfim, números.

Vamos falar de futebol.

Navas é um grande goleiro. Fez uma excepcional Copa do Mundo em 2014, no Brasil, ajudando a Costa Rica a chegar às quartas no Mundial. E por muito pouco a equipe não foi ainda mais longe (lembre-se que a Holanda só conseguiu a classificação nos pênaltis). As críticas que a imprensa espanhola faz em cima dele parecem-me desproporcionais. Será que eles preferem De Gea? Francamente...

Carvajal e Marcelo formam uma consistente dupla de laterais. Do lado direito, há mais marcação. Do lado esquerdo, mais ofensividade. E rola um equilíbrio entre eles, dados sobretudo pela sólida dupla de zaga - o capitão Sergio Ramos e o cada vez melhor Raphael Varane.

O setor de meio-campo começa com Casemiro, implacável protetor da última linha. Kroos e Modric agregam qualidade na posse de bola e na capacidade de encontrar os espaços vazios de tal forma que a impressão que dá é que sempre que a redonda passa por eles, ela chegará em boas condições em um lugar melhor. Isco, por sua vez, soma um nível de energia que permite integrar os três setores. Mais à frente, Benzema, que até quando não está bem, é útil. E o elemento por muitas vezes criticado mas quase sempre decisivo. Na ausência (vide final da Eurocopa) ou na participação (vide hoje), não há como não falar de Cristiano Ronaldo. Mas como prometi evitar falar de números, vamos apenas deixar aqui que Cristiano encaminha mais uma Bola de Ouro na carreira. Sua principal virtude me parece ser a força de vontade. Uma vontade de êxito pessoal que reflete no coletivo. Uma vaidade que se apresenta como mãe da perseverança. "Eu tô aqui", ele diz. Sabemos disso.

Mas o personagem que me parece o protagonista nessa história é mais humilde. Menos midiático. E demasiadamente talentoso: Zinedine Yazid Zidane. Conseguiu na base da simplicidade, da conversa, e de algo mais, modernizar um time que já tinha conceitos modernos. Pegou uma herança positiva deixada por Carlo Ancelotti e fortaleceu o grupo. Casemiro é um dos seus "achados". Tem o seu dedo também o ótimo rendimento de Cristiano. Com todas as arestas a serem aparadas num time que não é perfeito, o que vem sendo desenvolvido é, com méritos, vencedor. É muito mais legal ver o Real jogar hoje do que alguns anos atrás. O futebol te agradece, Zizou. E estamos na expectativa pelo que você poderá proporcionar na próxima temporada.

À Juve, que teve campanha estupenda, fica a frustração. Poderia ter sido a primeira conquista continental do mítico Gianluigi Buffon. Não foi. Coisa dos deuses do futebol, que usaram Bonucci e Khedira para desviar as bolas para longe das luvas do goleiro. O golaço de Mandzukic foi insuficiente. Faltou um pouco de Higuaín. Faltou um tanto de Dybala. E sobrou Massimiliano Allegri, que precisou ver o adversário ficar dois gols a frente para colocar Cuadrado. Por mais que haja uma diferença entre times e elencos, talvez o maior abismo entre Real e Juventus esteja na mentalidade de seus treinadores. Não sei se o jogo teria sido tão interessante e dinâmico caso a Juve tivesse ficado em algum momento na frente no placar. E, sinceramente, melhor nem saber. Os deuses nos deram um roteiro melhor. Parabéns, Real Madrid e obrigado, Zidane.
Zinedine Zidane em seus tempos de Juventus. Sobrava nos gramados. Imagem extraída de Sportsmo.

domingo, 7 de junho de 2015

Menos FIFA, Mais Arsenal E Barcelona

As coisas acontecem muito rapidamente no futebol. Ficar algumas semanas sem atualizar esse espaço sentencia um atraso secular com relação ao fluxo de acontecimentos. Pude assistir o Arsenal dar um baile no Aston Villa para vencer a Copa da Inglaterra com sobras até maiores do que poderia sugerir o placar de 4a0. Pela enésima vez, fica registrado o quanto este blogueiro admira o técnico Arsène Wenger. Na semana seguinte, estourou o escândalo de acusação de corrupção envolvendo o alto escalão da FIFA. Joseph Blatter, pela primeira vez na história, se viu na obrigação de enfrentar um segundo turno nas eleições presidenciais da entidade. Seu adversário, porém, desistiu, promovendo a reeleição do franco-suíço. Só que o maior oponente de Blatter parece ser ele próprio: dias após a nomeação para mais um mandato, entregou o cargo em meio à turbulência. E eis que, no último sábado, o futebol voltou a ser protagonista nos noticiários. O futebol com o selo barcelonista de qualidade: com uma vitória por 3a1 sobre a Juventus e uma apresentação envolvente, os comandados de Luís Enrique Martínez fecharam a Tríplice Coroa conquistando a Liga dos Campeões Europeus.

Arsenal brilhante, Blatter renunciado, Barcelona coroado. Tanta coisa acontecendo em tão pouco tempo. Sinto que esse esporte tão apaixonante sai fortalecido com os três fatos supracitados. A preocupação com o futuro da FIFA, torço, deve ser menor que a preocupação com o futuro do futebol. A FIFA deve estar a serviço dele, e não o contrário. Por falar nisso, viva Wenger e viva Luís Enrique, pelos ótimos serviços prestados. E dá-lhe Lionel Messi! Independentemente de qualquer eleição da FIFA, continua sendo o que já era há muito tempo: o melhor jogador do mundo. Sempre um prazer vê-lo atuar.

terça-feira, 21 de abril de 2015

É Lindo De Se Ver - Bayern Avança Dando Espetáculo

Foto: Getty Images.
Existem personalidades no futebol das quais jamais é recomendável duvidar de suas capacidades. Por mais que no jogo de ida sua equipe possa ter se apresentado de maneira abaixo do que se espera. Por mais que sua equipe entre em campo desfalcada de quatro jogadores considerados titulares. Por mais que sua equipe se veja na obrigação de vencer por 2a0 ou pelo menos três gols de diferença para avançar num torneio altamente competitivo. Por mais que se noticie a existência de uma crise interna no clube, culminando com a saída de um profissional da área médica que tinha décadas de vínculo com a instituição. Por mais ou por menos. Quando estamos falando de alguém da competência e do talento de Josep Guardiola, jamais é recomendável duvidar de suas capacidades.

A goleada do Bayern de Munique sobre o Porto nesse vinte e um de abril de dois mil e quinze - feriado de Tiradentes no Brasil - serve como mais um exemplo de aula de futebol proporcionado por um time comandado por Pep. O Porto, por mais inferior que possa ser se comparado ao Bayern, não tinha muito o que fazer a não ser assistir cada lição ensinada na Baviera. Entre tantas belas jogadas, gols construídos com posse de bola, infiltração, triangulação, troca de passes de primeira, entre tantas outras diversificações, foram ingredientes que valorizaram a vitória, valorizaram a classificação e, melhor que tudo isso, valorizam o esporte futebol.

Por isso, um registro, mais um registro, de agradecimento ao Guardiola por proporcionar momentos como esse ao amante do futebol arte. O placar em si (6a1) chega a ser o menos relevante. Se tivesse terminado 2a0, já estava tudo certo. O mais importante mesmo é sermos agraciados com um desempenho de tão alto nível agora e, se os deuses do futebol permitirem, nas próximas fases da Liga dos Campeões da Europa. As quartas-de-final na UCL nem terminaram mas já estou na expectativa da semi. Lembrando que, esse ano, a final será em Berlin, capital alemã.

Alguém duvida do Bayern?

sábado, 24 de maio de 2014

Real Dança O Vira Em Portugal: "La Décima" Européia

A final madrilenha em Lisboa foi de arrepiar. O Atlético fez 1a0 e soube se comportar em campo, voltando a exibir uma equipe compacta e determinada na busca pelo triunfo. O adversário, porém, se agigantou no segundo tempo - sobretudo após a ótima entrada de Marcelo, que conseguiu dar outro ânimo ao setor esquerdo merengue.

Os colchoneros resistiram bravamente até onde puderam. Até quando puderam. Aos 48 minutos do segundo tempo, em lance de bola parada, não puderam evitar: Sérgio Ramos foi à rede com cabeceio irrepreensível, empatando a partida.

Aquilo transformou a final, elevando o moral do Real e fazendo o Atleti sucumbir no gramado. No fim, uma goleada por 4a1 - falaciosa, é verdade, porém conquistada com méritos. É estranho proferir essa frase, pois como algo pode ser falso e meritoso? Sei lá, foi assim que senti. A diferença de três gols não traduz o equilíbrio do confronto, mas o fato é que o time branco chegou lá por competência. E tem que ser muito competente para superar uma defesa como aquela que conta com Miranda e Godín.

Carlo Ancelotti conseguiu reinventar a equipe que era comandada pelo arrogante José Mourinho. Cristiano Ronaldo, apesar do gol derradeiro, foi mero coadjuvante num time liderado por Modric e Di María. Mas o que empolga mesmo é a entrega física e tática da limitada equipe comandada por Diego Simeone: faltaram pernas, mas sobrou coração aos alvirrubros. Talvez por isso a dor possa ser maior. Mas o orgulho deve ficar nas alturas.

Em poucas palavras, vão os parabéns aos finalistas - campeões e vices. Se o Real faturou a Liga dos Campeões, o Atlético conquistou a Europa. A noite foi espanhola na capital portuguesa. Quem diria isso seis séculos atrás?

terça-feira, 29 de abril de 2014

Bye, Bye, Bayern

A definição do primeiro finalista na Liga dos Campeões da Europa 2013-4 trouxe uma grande surpresa. Não que o Real Madrid passar pelo Bayern de Munique seja algum absurdo, mas fazendo 4a0 na Allianz Arena?

Pep Guardiola não conseguiu repetir o desempenho de seu antecessor Jupp Heynckes. Se na temporada passada o Bayern atropelou o Barcelona nas semifinais, dessa vez foi um time espanhol que castigou os alemães. Curiosamente, também no ano passado o Real Madrid havia caído nessa mesma fase no torneio levando uma sapecada do também alemão Borussia Dortmund.

Pelo menos uma conclusão dá pra tirar desses dois eventos (o sucesso do Bayern de Heynckes sobre o Barça e o fracasso do Bayern de Guardiola diante do Real Madrid): o jogo de velocidade com marcação adiantada e saída objetiva nos contra-ataques encaixa bem no modelo de intensas trocas de passes. Em outras palavras, para defrontar a escola barcelonista-guardioliana, não é necessário (nem viável) jogar na retranca, no feitio de José Mourinho. Carlo Ancelotti mostrou-se superior ao seu antecessor de Real Madrid, pois conseguiu encarar um estilo de jogo imponente de uma maneira eficaz sem abdicar do ataque.

Talvez o maior adversário do Bayern nem tenha sido o fortíssimo Real, mas o próprio Bayern. O incentivo de Pep para o time "jogar com agressividade" não parece ter sido assimilado ou, pelo menos, bem compreendido. Alemães costumar ser frios, estratégicos, disciplinados. Agressividade, no primeiro tempo, foi confundida com violência. Poderia até ter pintado um cartão vermelho para Dante, por carrinho imprudente em Cristiano Ronaldo. Aproveitando-se de erros de marcação dos donos da casa na bola parada, Sérgio Ramos marcou duas vezes e encaminhou a classificação. Num contra-ataque à la Bayern de Heynckes, Modric acionou Bale, que serviu Cristiano. O português aproveitou. Se ele agradeceu? Que nada, comemorou egocentricamente celebrando o recorde pessoal de quinze gols numa edição de UCL. Este é Cristiano: grande talento e um ego ainda maior.

No segundo tempo, o Bayern desenvolveu seu jogo na busca pelo improvável que o avançar dos minutos iam tornando impossível. A entrada do ótimo Götze aumentou a qualidade da equipe no meio-campo (Ribèry e Müller não renderam, restando saber até que ponto por influência da tal proposta de "agressividade"). No final, uma cobrança de falta de Cristiano por baixo da saltitante barreira selou a goleada merengue.

Vindo quem vier - Atlético de Simeone (clássico local) ou Chelsea de Mourinho (imagina só...) -, Ancelotti terá de conviver com o favoritismo na decisão de 24 de maio. Do jeito que o italiano é cascudo e vencedor, deve nesse momento estar tranqüilo e calmo, pronto pra mais uma. Se alguém ainda achava que faltava ao italiano ex-Milan, Chelsea e PSG
provar algo no futebol, acho que esse 29 de abril deixou um ponto final. O multicampeão mostrou que o rótulo de retranqueiro, que por tanto tempo o acompanhou, não lhe cabe. Pelo menos não se a idéia for desqualificá-lo.

Observação: a Alemanha pode ter sido a maior vencedora nessa história toda. A julgar pelo maior descanso que jogadores terão com a eliminação do Bayern e levando em consideração o esquema de jogo de Joachim Löw (que mescla um pouco de Guardiola com um pouco de Ancelotti, guardadas as devidas proporções), é bem provável que o técnico alemão tenha o antídoto para defrontar adversários que tenham a tendência de utilizar um estilo mais à exaustão. Seja de posse, seja de contra-ataque, seja de retranca. Pintou o tetra? Aguardemos.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Questão De Coragem

As semifinais na Liga dos Campeões da Europa na presente temporada permitem fazermos comparações entre dois treinadores muito badalados no futebol atual. Um é Josep Guardiola, do qual sou grande admirador. Outro é José Mourinho.

A maior semelhança entre ambos - além da grande quantidade de troféus levantados - está na grafia do primeiro nome: são quatro letras idênticas. Só que se o talento fosse medido dessa forma, poderíamos afirmar que a letra "P" é muito mais poderosa que o acento agudo.

Explicando e comparando. Mourinho e Guardiola viajaram para a capital espanhola. O Chelsea visitou o Atlético no Vicente Calderón e, no dia seguinte, o Bayern enfrentou o Real no Santiago Bernabéu. Tanto os Azuis de Londres quanto o Gigante da Baviera carregam consigo elencos milionários, que em nada devem aos adversários. Vale lembrar que esses dois clubes se enfrentaram na final continental apenas duas temporadas atrás (então treinados por Roberto Di Matteo e Jupp Heynckes). Ou seja, talento é o que não falta nesses plantéis. Saca só o nível: Cech, Neuer, Terry, Boateng, David Luiz, Dante, Lampard, Schweinsteiger, Ramires, Lahm, Willian, Robben, Hazard, Müller, Oscar, Götze, Ribèry, Schürrle, Torres, Mandzukic, Demba Ba, Kroos etc. Com esse material humano, Mourinho e Guardiola podem buscar diversas maneiras de jogar. E a cidade de Madrid viu bem isso.

Na terça-feira, um Chelsea covarde foi montado com uma linha de quatro na defesa (Azpilicueta, Terry, Cahill, Cole) e uma linha de cinco no meio (Willian, Mikel, David Luiz, Lampard, Ramires) e Torres na frente. Na frente e isolado, pois Willian e Ramires mais acompanhavam os laterais oponentes do que se aproximavam do atacante espanhol. Resultado: zero a zero numa partida com poucas emoções. Diria que beirou o entediante. Triste para o esporte.

Já na quarta-feira, outra conversa. O Bayern atuou com a posse de bola e ofensivamente, mesmo diante de um adversário fortíssimo nos contra-ataques (há que se respeitar um time que conta com Modric, Cristiano, Di María e Benzema, além de Bale). Mas covardia não é palavra para o vocabulário de Pep. A equipe atuou com Rafinha e Alaba se apresentando ao ataque de modo a deixar somente Boateng e Dante como autênticos defensores; Lahm e Scheinsteiger encostavam na trinca de meias (Robben, Kroos e Ribèry) enquanto Mandzukic, ao contrário de Torres no dia anterior, tinha com quem conversar. Resultado: um a zero para o Real numa partida repleta de alternativas. Tivemos um jogo. Um grande jogo. Ótimo para o esporte.

No final, os placares na Espanha dão aos times de Diego Simeone e Carlo Ancelotti a vantagem do empate na volta. Teoricamente, melhor para o italiano, que pode perder por um gol de diferença caso marque pelo menos uma vez. Porém, vejo mais possibilidades de sucesso para o argentino. O motivo? Seu adversário é Mourinho. Será muito mais difícil sobreviver ao Bayern de Guardiola. E olha que nem precisa de coragem para afirmar isso: basta ter algum bom senso. Coisa que por vezes falta para aqueles que têm medo.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Equipe E Jogada Da Semana

O Bayern de Munique fechou sua participação triunfante na Bundesliga 2012-3 com uma vitória por 4a3 sobre o Borussia Mönchengladbach, fora de casa. Nos trinta e quatro jogos na liga nacional, os comandados de Jupp Heynckes alcançaram a incrível marca de noventa e um pontos (vinte e nove vitórias, quatro empates e uma única derrota). Mas o melhor ainda estava por vir. Quer dizer, se é que dá pra ser melhor que isso. No sábado seguinte, vinte e cinco de maio de dois mil e treze, o Gigante da Baviera conquistou o quinto título na Liga dos Campeões da Europa vencendo o Borussia Dortmund por 2a1. E com o belo futebol que acompanhou o time durante praticamente toda a presente temporada. Um presente para os amantes desse esporte. No próximo sábado, o Bayern encerra a temporada com a possibilidade de conquistar a Tríplice Coroa, quando enfrentará o Stuttgart, pela Copa Alemã. Alguém duvida?

Jogada da semana

Para calar muitas bocas e dedos por aí, Arjen Robben, após algumas frustrações em finais, deu a assistência para abrir o placar e marcou ele próprio o gol de desempate para dar ao Bayern de Munique o troféu na Liga dos Campeões Europeus. Caiu em 2010 o mito da Espanha "amarelar" em Copas. Caiu em 2013 o mito de Robben "amarelar" em finais. Aliás, quem entende minimamente de futebol e assiste os jogos (sim, é importante assistir para comentar a respeito), jamais levou aqueles rótulos a sério. Uma baita seleção atual campeã mundial e bi-européia, e um craque de bola, atual campeão na maior competição de clubes do mundo. Cale-se quem puder.

sábado, 25 de maio de 2013

Em Final Sensacional, Bayern É Campeão Europeu Com Robben Decisivo

Ser apaixonado por futebol leva você a acompanhar diversos torneios. E não existe, nesse esporte, um torneio de clubes mais entusiasmante que a Liga dos Campeões da Europa. É lá onde está a maioria dos melhores jogadores do mundo (Ronaldinho já foi campeão, Lucas chegou recentemente, Neymar está a caminho etc). Tenho a felicidade de poder, há mais de uma década, acompanhar quase todas as finais nessa competição. E é por isso que tenho relativa autoridade para dizer o seguinte: Bayern de Munique e Borussia Dortmund fizeram uma das maiores finais européias da história. Ou, pelo menos, a melhor partida final européia que assisti até hoje, vinte e cinco de maio de dois mil e treze.

O título do Bayern é merecido. Merecido, primeiramente, porque tivemos uma arbitragem correta em quase 100% do jogo. Errou por infelicidade ao atrapalhar um ataque do Borussia (Nicola Rizzoli, único italiano em campo, estava na trajetória da bola e sem querer ligou contra-ataque para os bávaros, felizmente não resultando em gol) e errou por falta de rigor (ou mesmo de bom senso) ao não aplicar sequer um cartão amarelo para Franck Ribèry após cotovelada em Robert Lewandowski, em lance de expulsão, pois caracterizou covarde agressão. De resto, sem maiores queixas a Rizzoli e auxiliares. E aí podemos falar de futebol. De futebol do mais alto nível.

Para início de conversa, o jogo teve dois responsáveis para caminhar ao intervalo com o placar ainda zerado: os goleiros Manuel Neuer e Roman Weidenfeller. Nascidos nas respectivas cidades de Gelsenkirchen e Diez, esses arqueiros alemães eram mais intransponíveis do que o Muro de Berlin. Foram defesas estupendas a se perder a conta. E se perdemos a conta das defesas dos goleiros, é sinal que os times finalizaram, chegaram ao ataque, buscaram o gol. E essa é a melhor parte da história: a capacidade dos comandados de Jupp Heynckes e Jürgen Klopp buscarem o gol. Organizados, ligeiros, astutos, entrosados, valentes. Dois times com alma de campeão.

O Borussia começou melhor, ficando menos tempo com a bola mas mais tempo perto do gol adversário. Fruto de uma bem executada marcação por pressão combinada a uma transição ao ataque feita de maneira eficiente e objetiva. O meio-campista Ilkay Gündogan foi talvez o maior responsável por essa exuberante performance aurinegra na aproximação ao ataque, pois o camisa oito esbanjava visão de jogo e dinamismo para cumprir uma função que muitas das vezes é feita por dois jogadores em conjunto. Pois é, Gündogan é daqueles jogadores que valem por dois. Mas, aos poucos, os outros dez jogadores do Bayern foram crescendo no jogo, fazendo com que Neuer aparecesse menos e Weindenfeller passasse a protagonista no primeiro tempo. Como está bem servida de goleiros a seleção alemã! Estimo que nem o lendário Oliver Kahn teria facilidades para assumir a titularidade com esses dois aí em atividade. Excelentes mesmo.

No intervalo de jogo, vi no Tuíter o jornalista Júlio Gomes Filho cornetar Arjen Robben. Situação que exigiu de mim, fã do hábil ponta holandês, uma manifestação. A qual fiz quase prontamente, antes mesmo de o jogo retornar para o segundo tempo. Comentário de Júlio Gomes no microblog: "Robben, você não nasceu para finais de campeonato, amigo". A resposta: (Júlio) Você não nasceu para comentar finais de campeonato, amigo". Veja a tuitada.

Mas a melhor resposta a ele e a todos os demais corneteiros seria dada não por mim, mas por quem melhor poderia fazê-lo: o próprio Robben. Foi dele a assistência para Mario Mandzukic abrir o placar, aos catorze. Oito minutos depois, um tosco e tolo pênalti cometido por Dante em Marco Reus foi convertido por Gündogan, reestabelencendo o empate no placar. Empate que se encaminhava até o apito final, levando o jogo para a prorrogação. Mas eis que, aos quarenta e três, os deuses do futebol premiaram a fera: Robben recebeu, ficou mais uma vez de frente com Weidenfeller e, finalmente, conseguiu superar o ótimo goleiro. Foi com um toque categórico, típico dos craques. Com uma frieza digna de quem nasceu para as finais. Um ponto final num rótulo injusto sobre um dos maiores jogadores da atualidade. Que nasceu, sim, para finais de campeonato. Inclusive para ser campeão. Com gol e assistência.

Wembley foi palco de uma partida épica. Germânica como nunca, a capital inglesa recebeu dois expoentes do bom futebol atual. Heynckes está de saída do Bayern, deixando como herança um elenco forte, funcional e vencedor. Guardiola vai assumir o comando técnico. Ou seja, o Bayern tem tudo para ir daí para melhor. Já o Borussia tem mais é que seguir esse trabalho também maravilhoso de Klopp. Jovem, renovado, ofensivo. É o desenho do futuro do futebol alemão. Uma Alemanha que caminha a passos largos para se tornar uma potência. E com uma diferença daquela Alemanha de décadas atrás: uma potência que, agora, joga futebol. Com tudo isso que vimos em Wembley e ao longo da Liga dos Campeões, com a chegada de Pep ao Bayern e com o trabalho desenvolvido por Joachim Löw na seleção, pode-se afirmar com segurança: a revolução está em curso.

Parabéns, Bayern! Parabéns, Borussia! Parabéns, Robben! Viva o futebol!
Arjen Robben comemora de joelhos: holandês perdeu chances claras no primeiro tempo mas evitou novo vice-campeonato na carreira com performance decisiva na volta do intervalo, levando o Bayern de Munique ao quinto título europeu em sua história.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Lições

A torcida barcelonista cantava a plenos pulmões quando soou o apito final do árbitro esloveno Damir Skomina. Alguns poderão contestar uma ou outra decisão dele e de seus auxiliares nos pouco mais de noventa minutos de jogo, mas o resultado foi incontestável. Um adulto com uma criança flagrados pela transmissão televisiva após o encerramento do jogo (provavelmente eram pai e filho, este seguramente com menos de seis anos de idade) davam o tom do quão especial foi o jogo disputado no Camp Nou. O adulto sorria com a camisa azul-grená do Barcelona, levantando a criança que, com semblante também alegre, exibia a camisa amarela da mesma instituição catalã. A felicidade transcende circunstâncias. É um estado de espírito. Ou "o caminho", como disse Mahatma Gandhi.

Por que, afinal, aquelas dezenas de milhares de pessoas cantavam com força e emoção ao final da partida? Por que aplaudiam seus jogadores? Por que estampavam no rosto um ar de satisfação quase intangível? Por que essas imagens se o time que mobilizou essas pessoas a comparecerem ao estádio na noite de quarta-feira perdeu o jogo por 3a0 e a eliminatória por 7a0? Sim, três e sete! A zero! Será que, de tão acostumados a vencerem partidas e torneios, estes indivíduos não sabem mais expressar o sentimento característico dos derrotados? Como ensinar essa gente a manifestar aquilo que a situação lhes impõe?

Pois acho que não temos nada a lhes ensinar. Temos, isto sim, é muito o que aprender com eles. O Barcelona, dentro de campo, jogou um pouco diferente do habitual. Não foi tão paciente com a posse de bola, não foi tão criterioso para escolher o momento de chutar em gol, nem tão comportado em determinadas divididas de bola. Faltava-lhe Messi, sentado no banco por estar longe das condições ideais de jogo. Uma frustração para imprensa, torcida, elenco catalão. Todos queriam ver o gênio conduzindo o melhor time do mundo a uma virada improvável diante do poderoso Bayern de Munique. O Barça não foi capaz de superar o Bayern. Parou algumas vezes em Neuer e muitas em Javi Martínez, Bastian Schweinsteiger e companhia. Não poderiam supôr que o 0a0 ao intervalo era uma parte das menos amargas da noite. No segundo tempo, Robben (golaço, no melhor estilo Robben de se resolver um lance), Piqué (contra, pois só faz contra quem está na jogada, e Piqué está sempre na jogada) e Muller, o mais centroavante dos meias bávaros, marcaram nos 3a0. Mas voltemos ao "temos, isto sim, é muito o que aprender com eles". Dentro de campo, quem deu aula foi o Bayern. Ponto. Mas nas arquibancadas, se não tivemos nada comparável ao caldeirão que foi montado pelos alemães na partida de ida, ficamos diante de imagens marcantes. Aquele adulto com aquela criança e tantas outras pessoas que ficaram até que seus jogadores deixassem as dependências do campo de jogo e aplaudiram cada um deles, essas dezenas de milhares de pessoas servem de inspiração. Se o futebol nos mostrou hoje que o Bayern é uma máquina e chega à final continental com o Borussia com todo o merecimento possível, os catalães nos mostraram que o Barcelona é muito mais que um clube. Confesso não saber definir o que seja exatamente, e nem tenho essa pretensão. Talvez seja um estado de espírito.
Mosaico de quase cem mil pessoas, onde cartazes e mãos exibem o orgulho catalão. Após o jogo, mesmo com a goleada sofrida e a eliminação, a grande maioria permaneceu no seu lugar e deu linda lição de amor pelo clube do coração.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Borussia: De Dortmund Para Wembley, Passando Por Madrid

Apesar da boa margem de gols conseguida em Dortmund (4a1), o Borussia só conseguiu a vaga na final européia após um final de jogo dramático. O apito derradeiro aos cinquenta minutos e cinquenta e cinco segundos no segundo tempo foi para aliviar a tensão de um time que estava sob pressão.

Para ler a transmissão da partida em tempo real, acesse @jogandoagora e procure pela #RMDBVB

A partida no estádio Santiago Bernabéu confirmou as expectativas: foi agradável, dinâmica, de ótimo nível técnico. No primeiro tempo, o maior responsável pela manutenção do 0a0 foi o goleiro Weidenfeller, que realizou duas grandes defesas em finalizações de Higuaín e Cristiano.

Mas o Borussia era muito mais que apenas um grande goleiro. Tinha o ótimo zagueiro Hummels, de atuação formidável, pagando com juros e correção a falha cometida no jogo de ida. Seu parceiro de zaga, Subotic, também correspondia. O volante Gundogan, por sua vez, encanta esse blogueiro pela exuberante capacidade de fazer a proteção à defesa e a transição ao ataque com qualidade e naturalidade. Há muita gente boa na posição no futebol alemão, mas já vejo com bons olhos se Gundogan for titular na Copa do Mundo, sob o comando de Joachim Low.

Então, como superar essa muralha amarela? Mourinho era um que não sabia a resposta. Demorou demais para buscar alternativas, colocando Kaká e Benzema aos onze minutos pós-intervalo. Tirou Coentrão e Higuaín, numa mexida aquém do que a situação pedia. Faltando pouco mais de meia hora, o Real abria mão de um atacante mesmo precisando de uma média de um gol a cada dez minutos. Só que, na base do abafa, o Real conseguiu um novo ânimo aos trinta e sete, quando marcou 1a0 - gol de Benzema em jogada iniciada por Kaká, isto é, gol vindo do banco.

O novo ânimo ganhou dimensões incendiárias aos quarenta e dois, quando Ramos recebeu de Benzema e marcou o segundo. Faltava o terceiro, que seria o da classificação. Howard Webb indicou cinco minutos como acréscimo. A torcida merengue, que minutos atrás parecia silenciar diante do impossível, agora estava a plenos pulmões acreditando no mais que tangível. No futebol é assim mesmo: o universo das possibilidades desafiam a própria natureza matemática.

No final, festa do time que jogou melhor a maior parte do confronto de 180 minutos. Com muito toque de bola, com muita personalidade, com muita qualidade, com um padrão de jogo envolvente e, sim, com contornos dramáticos também, o Borussia Dortmund estará em Wembley no dia vinte e cinco de maio. Descobriremos se diante de Bayern ou Barcelona. Mas uma certeza já fica: teremos uma decisão de Liga dos Campeões como há muito tempo não se via. Para deleite dos amantes do futebol arte.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Dortmund 'Lewandowski' O Futebol À Glória

Um show. Seja nas arquibancadas, seja no gramado, o Borussia Dortmund deu um show que o Real Madrid assistiu de pé. A goleada por 4a1 nem é o mais importante, embora deixe a equipe de Jurgen Klopp bastante perto da final em Wembley - o que mais importa é que estamos vivendo um momento histórico, que é uma revolução no futebol alemão. Inversão pelo alto, chutão pra cima, cruzamentos à exaustão não são recursos usados pelo fantástico Borussia. Da defesa ao ataque, a bola vai pela grama, de pé em pé, passando por volantes afinados (Bender e Gundogan), meias agudos (Blaszczykowsky, Gotze e Reus) e um atacante absolutamente goleador, o grande nome do jogo, Lewandowski. Claro que há que se falar também dos belos laterais Piszczek e Schmelzer, da competente dupla de zaga composta por Subotic e Hummels e do goleiro Weidenfeller, todos dignos de jogar por um time que tem uma torcida formidável desde antes de a bola rolar até depois do apito final. Mas o nome do jogo é aquele mesmo: Lewandowski. Não é todo ano que se marca quatro gols numa partida semifinal de Liga dos Campeões da Europa. E o adversário era o Real Madrid, maior conquistador dessa taça.

Amantes do futebol arte, o Real de Mourinho pareceu pequeno em Dortmund. Jogou menos do que se espera de um time com essa grandeza? Sim. Mas o maior responsável por fazê-los diminuídos foi o jeito de jogar e o jeito de querer vencer do Borussia. Com Joachim Low comandando a seleção do país, Jupp Heynckes conduzindo o Bayern após belo trabalho de Louis van Gaal e prestes a passar o bastão para Josep Guardiola, e com Klopp fazendo o que vem fazendo no Aurinegro, que todos os olhos do mundo estejam virados para a Alemanha na Copa do Mundo 2014. Aliás, pra que esperar até lá? Saboreemos essa Liga dos Campeões e a próxima. E também a Bundesliga e as Eliminatórias Européias. Ver o futebol sendo bem jogado é um prazer sempre bem-vindo. Se premiado com títulos, melhor ainda. Próxima parada: estádio Santiago Bernabéu.

(Ler também sobre o Bayern de Heynckes e a Alemanha de Low)

terça-feira, 23 de abril de 2013

Bayer(celo)n(a)

 Confirmou-se a expectativa de que seria um grande jogo em Munique. Afinal, o que esperar de Bayern e Barcelona, dois expoentes do que é o futebol na melhor qualidade que se joga hoje? Mas, surpreendentemente, foi praticamente um jogo de um time só. Assistido por milhões de pessoas pela televisão, por milhares de pessoas nas arquibancadas e por um único no gramado: Manuel Neuer, o goleiro que mais foi espectador. Interveio no minuto 61 (16 do segundo tempo) para não mais precisar realizar defesas. Resultado: 4a0 para os donos da casa, que abusaram do jogo aéreo (o "calcanhar de Aquiles" no Barcelona) e, também, do bom futebol, principalmente nos minutos finais.

A próxima partida é na quarta-feira da semana que vem, na Catalunha. Que também será feriado, graças a Deus. É evidente que por se tratar de um jogo envolvendo dois timaços, a margem de diferença obtida pelos bávaros no jogo de ida é expressiva. Quase irreversível. Só não é porque há um Barcelona em campo. E se for aquele Barça que, por exemplo, sapecou 4a0 no Milan, melhor aguardar fortes emoções.

No mais, quero aqui fazer um destaque para a partida jogada hoje na Alemanha. Um não, dois. O primeiro é o golaço do Bayern que foi anotado por Arjen Robben, em jogada iniciada por Franck Ribéry, que deixou o Lionel Messi sentado. Pintura do início ao fim. O outro destaque envolve dois desses três jogadores citados: os camisas 10 Robben e Messi. Dois craques que honram como pouquíssimos esse número simbólico no uniforme futebolístico. Enquanto o holandês voou calçando chuteiras, o argentino pouco participou. Só que ambos buscaram jogo, nenhum deles se escondeu. O desempenho de Robben foi facilitado pela melhor engrenagem ofensiva do Bayern, enquanto os parceiros de Messi, embora tivessem mais a bola, raramente conseguiam uma dinâmica capaz de os desvencilhar da marcação adversária. E o agravante: Messi estava longe de sua melhor forma física, recuperando-se de uma contusão que ocorreu em Paris, pela fase quartas-de-final, diante do Paris Saint-Germain. Messi, que tão raramente se machuca. Enquanto Robben, que tem uma carreira perseguida por contusões, parece estar mais em forma do que nunca. E levanta aquela dúvida cruel: até onde poderia ir se não fosse o acúmulo de lesões?

Que os dois estejam 100% para a partida de volta. E que, o que se classificar, esteja 100% na grande final em Wembley.  O futebol fica 100% agradecido.
Após cobrança de escanteio mágica de Robben, Muller ajeita de cabeça para conclusão de Gómez: Bayern marcava 2a0, em gol irregular. Mais tarde, o terceiro gol da equipe anfitriã também se daria com ocorrência polêmica, pois Muller obstruíra passagem de Alba - gol de Robben.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Equipe E Jogada Da Semana

Longe de ser um fã de Roberto Mancini - muito pelo contrário -, talvez pelo fato de não ter assistido os jogos do Manchester City nessa última semana é que os Citizens figurem nesse tópico. Então, vai aqui uma análise não pelo desempenho, mas pelos resultados. E é inegável que a equipe treinada pelo italiano supracitado tenha conseguido dois belos placares na semana que passou.

Na segunda-feira, dia oito de abril de dois mil e treze, foi ao estádio Old Trafford enfrentar o líder na Premiership, fazendo o clássico local com o Manchester United. Venceu por 2a1. No domingo, dia catorze, a partida era válida pela Copa da Inglaterra, em Wembley. Digamos que Chelsea e City seja um clássico dos novos ricos ingleses. E deu City: 2a1.

Muitos poderão dizer que ambas as vitórias não garantem nada, pois será dificílimo evitar o título do United no Campeonato Inglês e ainda há uma final por fazer diante do Wigan na FA Cup (convenhamos: Citizens são amplamente favoritos; mas não esquecer que trata-se de jogo único e lembrar, por exemplo, da vitória do Birmingham sobre o Arsenal também numa final em Wembley). Só que o futebol vive também desses momentos e a torcida azul na cidade de Manchester tem o direito de comemorar. Claro que seria mais bonito se o time jogasse mais solto e tivesse menos receios quando na frente no placar, mas foram dois resultados grandiosos na mesma semana.

Jogada da semana

O Galatasaray recebeu o Real Madrid pela fase quartas-de-final com uma missão que muitos já rotularam como impossível: reverter um confronto que estava 3a0 para o oponente (placar no Santiago Bernabéu). De quebra, ainda levou 1a0 em Istanbul. Mas as coisas pareciam mudar de rumo e o Galatasaray virou o jogo para 3a1, assustando os favoritos. O placar terminou 3a2 e a equipe turca foi eliminada na Liga dos Campeões da Europa. Só que aqui estamos para compartilhar um dos golaços marcados pelos donos da casa - foram três! Eboué havia feito o primeiro do Galatasaray em um chute formidável e Drogba o terceiro, em conclusão um pouco de letra e um tanto de calcanhar. Mas a jogada da semana é "o gol do meio". Ou, talvez melhor dizendo, o gol do craque Wesley Sneijder. O meia holandês recebeu de Sabri Sarioglu e... fez o que fez. Dá até pra lembrar de um outro gênio nascido na Holanda: Dennis Bergkamp. Não duvido que possa haver influência...

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Em Belo Jogo, Messi Entra E "Salva" Barcelona Diante Do Paris Saint-Germain

Sem se intimidar por enfrentar o melhor time dos últimos tempos em pleno campo adversário, o Paris Saint-Germain mostrou para quem quisesse ver que sim, é possível duelar com o Barcelona no Camp Nou sem fazer uso de uma retranca. Não apenas é possível, como viável. E, principalmente, bonito. É melhor para o futebol.

No final das contas o empate por 1a1 na Catalunha somado ao empate por 2a2 na França classificou o Barça pelo número de gols marcados fora de casa. E o Barcelona teve dois elementos fundamentais para conseguir uma vaga na semifinal: o goleiro Valdés, com pelo menos três grandes intervenções, e o gênio Messi, que entrou no segundo tempo quando a equipe perdia por 1a0 e melhorou o jeito de jogar, reaproximando esse time dirigido pelo competente Vilanova daquele comandado pelo excepcional Guardiola.

Achei que esse jogo em Barcelona teve "1001 utilidades". Mostrou que é plenamente acertada a escolha de uma formação ofensiva para enfrentar o ótimo Barça (conforme dito no parágrafo inicial). Mostrou que Ancelotti está "se modernizando" desde que deixou o Milan, conseguindo preparar equipes atrativas e vencedoras em duas ligas diferentes (foi assim com o Chelsea e está sendo com o PSG). Mostrou que Lucas já está mais do que adaptado ao novo clube, exercendo inclusive uma notável liderança, esbanjando talento e personalidade. Mostrou que o Barça é fortíssimo mesmo sem Messi e praticamente imbatível com o argentino em campo.

Com Barcelona, Bayern, Borussia e Real na fase semifinal, seja lá o que o sorteio reservar, teremos quatro partidas (cinco, se já contarmos com a final em Wembley) para colocarmos carinhosamente na agenda e acompanharmos atentamente. Aliás, dá até para dizer que houve um upgrade em relação à edição passada da Liga dos Campeões: mantiveram os poderosos Barça, Bayern e Real e, no lugar do irregular Chelsea (atual campeão e eliminado na fase de grupos), entrou o eficiente e vistoso Dortmund para jogar as semifinais continentais. Não tenho a menor dúvida que será de arrepiar. Deuses do futebol capricharam na Europa e talvez estejam dando uma prévia para a Copa do Mundo 2014: Espanha e Alemanha podem vir melhores do que nunca. Sem esquecer, é claro, da Argentina. De Lionel Messi.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Equipe E Jogada Da Semana

A doce rotina das vitórias foi coroada nesse sábado com o título na Bundesliga 2012-3. É isso mesmo, com 6 rodadas de antecipação o Bayern de Munique é campeão alemão!

Para se ter uma idéia da maravilhosa sequência bávara, o time comandado por Jupp Heynckes venceu todos os jogos disputados em 2013, com exceção de um, diante do Arsenal, em partida onde o resultado de ida "permitiu" a derrota por 2a0. Ou seja, uma derrota com sabor de... vitória.

O gol de letra de Bastian Schweinsteiger deu a vitória sobre o Eintracht Frankfurt, fora de casa, selando o caneco nacional e podendo ser o primeiro passo para uma inédita Tríplice Coroa. Pela Liga dos Campeões da Europa, o Bayern venceu a Juventus por 2a0 na última terça-feira e, caso marque gol em Turim, se classificará para a semifinal mesmo perdendo por até dois de diferença.

Aplausos para esse belíssimo time que tem tudo para ficar ainda melhor na próxima temporada, pois Josep Guardiola já foi anunciado.

Jogada da semana

Finalização digna dos gênios. Com vocês, Ronaldinho Gaúcho em ação com a camisa do Clube Atlético Mineiro, que goleou o Arsenal por 5a2 pela 5ª rodada na fase de grupos na Copa Libertadores da América 2013.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

PSG Busca Empate Duas Vezes E Agora Decide Vaga Em Barcelona

França e Espanha haviam jogado em Paris pelas Eliminatórias na semana passada. Agora foi a vez de um novo encontro na mesma cidade, mas dessa vez entre os clubes Paris Saint-Germain e Barcelona, respectivos líderes em suas ligas nacionais. E no duelo que abriu a fase quartas-de-final na Liga dos Campeões da Europa, o empate em 2a2 retratou uma partida movimentada onde ambas as equipes deram bastante atenção ao ataque, proporcionando um jogo interessante.

Carlo Ancelotti trouxe David Beckham entre os titulares e o experiente meio-campista inglês foi o principal articulador de jogadas dos donos da casa no primeiro tempo. Voltando para buscar o jogo, chegou inclusive a ofuscar o meia argentino Javier Pastore, que também era utilizado na armação mas não conseguia ter o mesmo volume de participação que seu companheiro vindo do Los Angeles Galaxy.

Tito Vilanova, com David Villa e Alexis Sánchez fazendo companhia a Lionel Messi na linha mais avançada barcelonista, conseguiu formar um time ofensivo e insinuante. Daniel Alves, aberto e livre pela direita, poderia ter sido mais acionado numa equipe que parecia viciada em avançar pelo lado esquerdo - setor forte, com Andrés Iniesta e Jordi Alba, mas mais bloqueado que o flanco oposto. E foi com participação de Daniel que o Barça abriu o placar, só que em jogada pelo setor esquerdo: o lateral-direito brasileiro deu ótimo passe de trivela e encontrou Lionel Messi, que com somente um toque na bola conseguiu superar Salvatore Sirigu.

Infelizmente, Messi sentiu alguma lesão na perna direita e não voltou para o segundo tempo - Francesc Fàbregas entrou em seu lugar. O PSG fazia partida de igual para igual com o melhor time do mundo mas só foi alcançar a igualdade no placar após as três substituições de Ancelotti. Primeiro, Ménez entrou no lugar de Lavezzi; depois, Beckham deu lugar para Verratti, e por último, foi a vez de Pastore ceder espaço para Gameiro. Em posição irregular, Ibrahimovic aproveitou um rebote para dar alegria aos torcedores anfitriões.

Com Tello no lugar de Villa e Bartra no de Mascherano, Vilanova mexeu no Barça. E a equipe conseguiu retomar a vantagem no marcador: Sirigu cometeu pênalti em Sánchez e Xavi Hernández não desperdiçou a cobrança. Mas quem achava que aquele gol aos quarenta e três minutos do segundo tempo decretaria a vitória barcelonista, enganou-se: aos quarenta e oito, Ibrahimovic ajeitou de cabeça e Matuidi pegou firme, superando Victor Valdés.

Para o jogo de volta, a expectativa é de que Messi não jogue, se recuperando da contusão. Pedro, autor do gol no duelo entre as seleções pelas eliminatórias na semana anterior e que foi desfalque nessa partida de ida, pode ser o reforço que o Barça necessita para dar um novo ânimo a um ataque que depende demais do brilho do gênio argentino. Suspensos, Matuidi e Mascherano não jogarão. Agora é aguardar o duelo no Camp Nou, que terá personagens como o seguro defensor Thiago Silva e o ótimo meia Lucas tentando estragar a festa catalã.

Outro resultado

Bayern de Munique 2a0 Juventus

segunda-feira, 18 de março de 2013

Equipe E Jogada Da Semana

As coisas voltaram ao normal para o Barcelona. Quer dizer, não que tenham ficado anormais em algum momento, mas é que do melhor time do mundo a gente espera grandes atuações e vitórias. Talvez seja uma expectativa mais instintiva do que racional. Afinal, todo e qualquer time, tem o direito de não viver um dia ou um jogo ideal. O Barça, que havia sido derrotado em três partidas num intervalo de quatro compromissos oficiais, voltou a desfilar sua grande forma.

Num final-de-semana (sábado, 09.03.2013) teve a vitória sobre o Deportivo La Coruña pelo Campeonato Espanhol (2a0, com gols de Sánchez e Messi). No outro, também pela liga espanhola, vitória fora de casa sobre o Rayo Vallecano (3a1, domingo, 17.03.2013, com um gol de Villa e mais dois de Lionel Messi).

Mas o grande destaque na semana barcelonista ficou para a terça-feira, dia doze. 4a0 pra cima do Milan, com um baile futebolístico e a vaga na fase quartas-de-final na Liga dos Campeões da Europa, silenciando os críticos que chegaram a ousar dizer que a derrota em San Siro comprometeria a permanência catalã no torneio europeu. Ingênuos e precipitados. O Barcelona precisa provar o que mais a alguém?

Jogada da semana

Troca de passes curtos e rápidos, buscando espaço diante de um time que era todo dedicado à defesa. Passes curtos, rápidos e certeiros, claro. Do jeito que o Barcelona está acostumado a fazer e a encantar. Mas a conclusão... ah! a conclusão... Com vocês, Lionel Messi. Aquele que encontra espaço onde parece inexistir. E que coloca magia em cada lance. Gênio. Estava aberto o placar no Camp Nou, em noite de espetáculo e goleada em azul-grená.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Às Quartas Européias!

Foram sorteadas nessa sexta-feira as quartas-de-final na Liga dos Campeões da Europa e também na Liga Europa. Pela primeira vez desde a temporada 1995-6, nenhum clube inglês estará presente entre os oito que diputam o título máximo no Velho Continente. Porém, há três clubes da Inglaterra na Liga Europa. O futebol espanhol, ao contrário, não tem representante algum na Liga Europa mas conta com três clubes que seguem em frente na Liga dos Campeões. Turquia e Itália são os países que conseguiram sobreviver aos dois torneios, tendo um clube em cada competição. Sem mais delongas, vamos aos confrontos e aos respectivos pitacos.

Quartas-de-final na Liga dos Campeões da Europa

Real Madrid (70%) e Galatasaray (30%)
Vejo o favoritismo para o clube da capital espanhola, que fará o jogo de ida no estádio Santiago Bernabéu e tem totais condições de fazer um resultado interessante, a ser administrado na partida de volta, em Istanbul. A equipe comandada por José Mourinho é mais forte e mais acostumada a decisões, só que todo cuidado é pouco diante de um time que conta com atletas como Wesley Sneijder e Didier Drogba, ambos campeões continentais recentemente (o holandês com a Internazionale de Mourinho, em 2010, e o marfinense com o Chelsea de Di Matteo, na edição passada).

Paris Saint-Germain (20%) e Barcelona (80%)
O Barcelona, prestigiado pela belíssima recuperação na eliminatória diante do Milan (0a2 em San Siro e 4a0 no Camp Nou), é favoritíssimo para esse duelo, principalmente se o gênio Lionel Messi estiver em dia(s) dos mais inspirados. Porém, o PSG conta com um time forte e um elenco qualificado em todos os setores. Não bastando a qualidade técnica do plantel, há na equipe da capital francesa um comandante multicampeão chamado Carlo Ancelotti. As partidas que assisti do clube parisiense não foram encantadoras (eliminou o Valencia com dificuldades), mas não faltam jogadores capazes de desequilibrar em jogadas individuais. Pelo conjunto, superioridade barcelonista.

Málaga (10%) e Borussia Dortmund (90%)
Primeiro colocado no terceiro bloco do Campeonato Espanhol (há o bloco do solitário Barcelona e o dos madridistas Real e Atlético acima do Málaga), a equipe comandada por Manuel Pellegrini faz belíssima temporada. Medir forças com a ótima equipe do Borussia Dortmund será um desafio tremendo e a chave para o sucesso reside numa vitória em La Rosaleda, casa onde a equipe conseguiu marcar 2a0 e passar pelo Porto, com direito a gol e assistência de Isco. Vice-líder na Bundesliga, o Borussia conta com uma equipe jovem e muito bem montada pelo competente Jurgen Klopp - vale lembrar que a equipe foi líder no grupo mais difícil da Liga dos Campeões, deixando para trás Real Madrid, Ajax e Manchester City. O aurinegro alemão é favorito à vaga e candidatíssimo ao título.

Bayern de Munique (60%) e Juventus (40%)
Eis o duelo mais parelho e, pelo menos na teoria, em aberto nessa fase quartas-de-final na Liga dos Campeões da Europa. Haverá em campo dois gigantes do continente, ambos caminhando para o título em suas respectivas ligas nacionais (a Juve partindo para o bi). Mas há grandes diferenças na maneira de jogar entre essas equipes. Jupp Heynckes prepara um Bayern ofensivo, dinâmico, de forte presença no campo de ataque e subidas constantes dos laterais Lahm e Alaba. Antonio Conte, por sua vez, prefere montar uma Juventus que priorize a solidez defensiva a uma formação ousada, equilibrando os setores num time compacto e eficiente, embora por vezes exageradamente cauteloso. O Bayern é ligeiramente favorito, mas se jogar o que jogou com o Arsenal no jogo de volta, sei não...

Quartas-de-final na Liga Europa

Chelsea (90%) e Rubin Kazan (10%)
O favoritismo dos Azuis de Londres é absoluto e o que subsidia a aposta em sua classificação diante do atual sexto colocado no Campeonato Russo é o forte elenco à disposição de Rafa Benítez e a recente experiência de conquistar a Liga dos Campeões. Mas há duas coisas que podem derrubar o Chelsea. A primeira chama-se Rubin Kazan, equipe que eliminou o Atlético de Madrid nesse torneio (lembrar que o Atlético é o atual campeão) e vem mostrando estatísticas defensivas invejáveis, tendo sofrido somente um gol nos últimos cinco jogos (de Falcao García, quando podia levar, pois havia feito 2a0 na partida de ida). A segunda chama-se Chelsea. Inconstante na temporada, o time tem ainda pela frente uma Premiership competitiva, onde disputa com Tottenham e Arsenal um lugar na próxima Liga dos Campeões. Se "precisar" priorizar a liga nacional, a Liga Europa pode "sobrar"...

Tottenham (80%) e Basel (20%)
Com a moral de quem eliminou a Internazionale mas com o abalo de quem viu uma eliminatória que parecia tranquila ir acabar na prorrogação e no sufoco, o time comandado por André Villas-Boas é mais qualificado que o Basel e favorito à classificação. Mas, voltando um pouquinho no tempo, quem imaginaria que o Basel pudesse eliminar o Manchester United em pleno Old Trafford? Pois é, aconteceu na Liga dos Campeões na temporada passada. E isso é motivo o suficiente para requerer cuidados com o clube suíço, que conta com o hábil marfinense Yapi Yapo no meio-campo e com os experientes Alexander Frei e Marco Streller no ataque. Outro fator que pode ser benéfico ao Basel é que o Tottenham deverá priorizar a Premiership, onde disputa posições com Chelsea e Arsenal.

Fenerbahce (40%) e Lazio (60%)
Vice-líder no Campeonato Turco, onde disputa o título com Galatasaray e Besiktas, o clube por onde Alex teve passagem marcante enfrenta a Lazio para um duelo que tende ao equilíbrio. Os comandados de Aykut Kocaman contam com pelo menos um estrangeiro para agregar grande qualidade e experiência aos setores: o nigeriano Yobo à defesa, o português Raul Meireles ao meio e o holandês Kuyt ao ataque. É também o time onde joga Krasic, hábil ponta sérvio sub-aproveitado na Juventus. Já a Lazio do bósnio Vladimir Petkovic, treinador vindo do suíço Sion e aposta bem-sucedida da equipe, tem um cenário duvidoso pela frente: está perto da zona da Liga dos Campeões (quatro pontos a menos que o Milan), perto da zona da Liga Europa (um ponto a menos que a Internazionale) e ao mesmo tempo fora de ambas. O que priorizar? Aguardemos.

Benfica (51%) e Newcastle (49%)
Esse se apresenta como o duelo mais equilibrado de todos nessa fase. A temporada benfiquista é melhor, pois lidera o Campeonato Português enquanto o Newcastle ocupa a modesta décima terceira posição no Campeonato Inglês. Mas não dá para comparar o nível de dificuldade entre essas duas ligas. O Newcastle, que perdeu o goleador Demba Ba (negociado com o Chelsea) vai se virando com os gols do também senegalês Papiss Demba Cissé, autor do gol da classificação diante do Anzhi Makhachkala. Tem também os argentinos Coloccini e Gutiérrez, que dão muita força ao sistema defensivo. Mas se há argentinos bons de bola nesse confronto, eles se concentram no lado dos Encarnados: são os meio-campistas Aimar, Salvio e Gaitán, além de Pérez e do zagueiro Garay. O jogo de ida será no estádio da Luz e a volta em Saint James Park. Tal qual na fase oitavas-de-final.

Que venham os jogos!

quarta-feira, 13 de março de 2013

Arsenal Consegue Vitória Em Munique, Mas Bayern Avança

Os três minutos de acréscimo nessa partida de volta deram o tom do que o futebol é capaz de proporcionar. Não, não aconteceu nenhum gol nesse período. Lance polêmico, nada disso. Na realidade, dá para se dizer que não houve jogo nesse período. E é exatamente aí que está a surpresa.

Bayern de Munique e Arsenal são duas das equipes que mais se dedicam ao ataque, a um jogo marcado pela ofensividade e dedicação em aproximar a bola da área adversária a todo momento. São possivelmente os dois clubes mais fáceis de se comparar ao modelo-Barcelona.

Na partida de ida, em Londres, o Bayern conseguiu uma contundente vitória por 3a1, dando a entender que a eliminatória estaria resolvida, faltando apenas "cumprir tabela" no estádio Allianz Arena. Seria até covardia, pois os bávaros detém invencibilidade de respeito nesse campo.

Mas, não é demais lembrar, é de futebol que estamos falando. Com menos de três minutos, os visitantes marcaram um a zero em jogada belíssima, de toque de bola pelo chão em velocidade, chegando a Walcott através de Rosický e terminando na conclusão de Giroud.

O Arsenal, apesar do belo início, ainda precisava de mais dois gols para passar a frente. E levou um sufoco do Bayern em alguns momentos, com Robben, Kroos, Muller, Lahm e Luiz Gustavo se apresentando bastante. O volante brasileiro, por sinal, fez grande partida no geral.

Mas o Arsenal resistiu. Ora graças ao goleiro Fabianski, ora devido à falta de capricho da equipe anfitriã. Por vezes, o Bayern parecia um time displicente. Mas, quando avançava, conseguia ser envolvente. Há que se respeitar esse forte conjunto comandado hoje por Heynckes e futuramente por Guardiola.

O desacreditado Arsenal, por sua vez, mostrou não estar em Munique a passeio. Gervinho entrou muito bem no jogo e protagonizou jogada maravilhosa aos trinta e três minutos do segundo tempo, com o lance quase resultando no segundo gol.

Talvez você esteja pensando como uma partida como essa pode ter terminado com os acréscimos relatados no parágrafo inicial. É que, aos quarenta minutos, a classificação-de-véspera do clube da Baviera foi colocada em risco: Cazorla caprichou na cobrança de escanteio e Koscielny fez 2a0.

O Bayern não queria que a bola voltasse ao Arsenal de jeito nenhum, com Neuer segurando a redonda perto da rede e retardando a reposição em meio-campo, que por sinal pertencia ao seu próprio time. Uma confusão se iniciou e logo acabou. O jogo tinha que continuar.

E continuou, com o ótimo Bayern de Munique prendendo a bola no campo de ataque, mais precisamente no canto direito, perto do vértice de escanteio, através do controle e habilidade de Robben. E o apito final acabou sendo um alívio aos alemães.

O Bayern, que pode e deverá jogar mais que isso, avança para as quartas-de-final. O Arsenal, que concentra seus esforços na Premiership, talvez tenha encontrado ali mesmo, na Alemanha, a força e a confiança que precisa para arrancar em direção ao 4º lugar na tabela e retornar na próxima Liga dos Campeões. Mas uma lição fica: em futebol, não se ganha de véspera.