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sábado, 3 de junho de 2017

Realmente, O Melhor - Madrid Arrasa Juventus Em Gales

Sergio Ramos ergue a taça da Liga dos Campeões da Europa, a 12ª na história do Real Madrid. Foto: Getty.

Vamos evitar falar de números. Apenas para não dizer que eles não foram mencionados: o jogo Juventus 1, Real Madrid 4 representou a 12ª conquista de Liga dos Campeões da Europa da equipe da capital espanhola; o segundo de Zinedine Zidane em duas temporadas como técnico; a primeira vez em 59 anos que o clube consegue vencer a Liga Espanhola e a Européia no mesmo ano. Enfim, números.

Vamos falar de futebol.

Navas é um grande goleiro. Fez uma excepcional Copa do Mundo em 2014, no Brasil, ajudando a Costa Rica a chegar às quartas no Mundial. E por muito pouco a equipe não foi ainda mais longe (lembre-se que a Holanda só conseguiu a classificação nos pênaltis). As críticas que a imprensa espanhola faz em cima dele parecem-me desproporcionais. Será que eles preferem De Gea? Francamente...

Carvajal e Marcelo formam uma consistente dupla de laterais. Do lado direito, há mais marcação. Do lado esquerdo, mais ofensividade. E rola um equilíbrio entre eles, dados sobretudo pela sólida dupla de zaga - o capitão Sergio Ramos e o cada vez melhor Raphael Varane.

O setor de meio-campo começa com Casemiro, implacável protetor da última linha. Kroos e Modric agregam qualidade na posse de bola e na capacidade de encontrar os espaços vazios de tal forma que a impressão que dá é que sempre que a redonda passa por eles, ela chegará em boas condições em um lugar melhor. Isco, por sua vez, soma um nível de energia que permite integrar os três setores. Mais à frente, Benzema, que até quando não está bem, é útil. E o elemento por muitas vezes criticado mas quase sempre decisivo. Na ausência (vide final da Eurocopa) ou na participação (vide hoje), não há como não falar de Cristiano Ronaldo. Mas como prometi evitar falar de números, vamos apenas deixar aqui que Cristiano encaminha mais uma Bola de Ouro na carreira. Sua principal virtude me parece ser a força de vontade. Uma vontade de êxito pessoal que reflete no coletivo. Uma vaidade que se apresenta como mãe da perseverança. "Eu tô aqui", ele diz. Sabemos disso.

Mas o personagem que me parece o protagonista nessa história é mais humilde. Menos midiático. E demasiadamente talentoso: Zinedine Yazid Zidane. Conseguiu na base da simplicidade, da conversa, e de algo mais, modernizar um time que já tinha conceitos modernos. Pegou uma herança positiva deixada por Carlo Ancelotti e fortaleceu o grupo. Casemiro é um dos seus "achados". Tem o seu dedo também o ótimo rendimento de Cristiano. Com todas as arestas a serem aparadas num time que não é perfeito, o que vem sendo desenvolvido é, com méritos, vencedor. É muito mais legal ver o Real jogar hoje do que alguns anos atrás. O futebol te agradece, Zizou. E estamos na expectativa pelo que você poderá proporcionar na próxima temporada.

À Juve, que teve campanha estupenda, fica a frustração. Poderia ter sido a primeira conquista continental do mítico Gianluigi Buffon. Não foi. Coisa dos deuses do futebol, que usaram Bonucci e Khedira para desviar as bolas para longe das luvas do goleiro. O golaço de Mandzukic foi insuficiente. Faltou um pouco de Higuaín. Faltou um tanto de Dybala. E sobrou Massimiliano Allegri, que precisou ver o adversário ficar dois gols a frente para colocar Cuadrado. Por mais que haja uma diferença entre times e elencos, talvez o maior abismo entre Real e Juventus esteja na mentalidade de seus treinadores. Não sei se o jogo teria sido tão interessante e dinâmico caso a Juve tivesse ficado em algum momento na frente no placar. E, sinceramente, melhor nem saber. Os deuses nos deram um roteiro melhor. Parabéns, Real Madrid e obrigado, Zidane.
Zinedine Zidane em seus tempos de Juventus. Sobrava nos gramados. Imagem extraída de Sportsmo.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Equipe E Jogada Da Semana

A temporada começa muito bem para a Juventus. Atual bicampeã italiana, a Vecchia Signora já faturou a Supercopa Italiana sapecando 4a0 na Lazio (Pogba, Chiellini, Lichtsteiner e Tévez marcaram). Na rodada de abertura na Série A, o recém-contratado Carlitos Tévez marcou o gol único no jogo e a Juve conseguiu algo que não foi capaz de fazer na temproada passada: vencer a Sampdoria. E olha que a partida foi em Gênova, no estádio Luigi Ferraris. Tá ou não tá promissora a equipe comandada por Antonio Conte? Reforçada de Tévez e Llorente no ataque e somando mais um ano de entrosamento nos demais setores (que já mostraram solidez por diversas vezes), é de se colocar o Bianconero como forte candidato a uma conquista continental. Não que seja o estilo de jogo dos mais apreciáveis - muito pelo contrário -, mas o sistema tático montado em Turim vem se mostrando funcional e competitivo. Aguardemos as próximas semanas.

Jogada da semana

A semana que passou foi generosa em grandes jogadas. Podem-se citar dois belíssimos lances no Brasil (Éverton Ribeiro na vitória do Cruzeiro sobre o Flamengo pela Copa do Brasil, na quarta-feira, e Fabinho, que marcou de bicicleta na vitória do Criciúma sobre o Coritiba, sábado, em jogo válido pelo Campeonato Brasileiro). Na Europa, Arjen Robben arrasou a defesa do Nuremberg em jogada individual, selando mais uma vitória do Bayern de Munique na Bundesliga.

Só que a jogada da semana escolhida não foi nenhuma dessas. E antes que você possa ficar frustrado, mantenha o entusiasmo pois o vídeo a seguir mostra um grande lance que ocorreu no Campeonato Mexicano, domingo, na vitória do Cruz Azul sobre o Puebla. João Robin Rojas Mendoza chamou a defesa toda do adversário de... João. Tal qual tanto fizera Mané Garrincha. E, onde quer que o Anjo das Pernas Tortas esteja, certamente aprovou o lance. Já os quatro ou cinco oponentes que acompanhavam a jogada... estes devem estar até agora procurando a bola.


sexta-feira, 1 de março de 2013

Juve Empata No San Paolo E Se Aproxima Do Título

Napoli e Juventus fizeram no estádio San Paolo, nessa sexta-feira, o que pode ser considerada a final do Campeonato Italiano na presente temporada. E quem se deu bem nessa história foi a líder Juventus, que com o empate por 1a1 manteve a margem de seis pontos de diferença em relação aos napolitanos.

Preparada por Antonio Conte com uma escalação defensiva (eram cinco defensores em linha e três volantes logo a frente), a Vecchia Signora teve a felicidade de abrir o placar com nove minutos, quando Pirlo cruzou caprichosamente, Chiellini subiu bem e cabeceou para a rede.

O jogo tinha ritmo frenético, com cara de final mesmo. Exposto aos contra-ataques, o Napoli levou pelo menos dois sustos em bolas finalizadas por Vucinic dentro da área, ambas para fora. E conseguiu empatar a partida aos quarenta e dois: Inler chutou de fora da área, a bola desviou em Bonucci e entrou no canto esquerdo.

Na transmissão da partida em tempo real (você pode procurar por #NapJuv), rolou meio que uma profecia ao falarmos sobre Inler em chute dado antes do lance do gol.




No intervalo, Walter Mazzarri trocou o zagueiro Britos (que teve forte choque com a cabeça em Inler) pelo volante Dzemaili. Empurrado por uma torcida que impressiona na capacidade de fazer barulho sem praticamente qualquer interrupção, o Napoli foi para cima na busca pela vitória. Entre tentativas de Hamsik, Inler, Maggio e Cavani, brilhou a estrela de Buffon, que defendeu até um cabeceio de Bonucci para trás. Na maior das chances, aos vinte e sete (ou setenta e dois), Hamsik chutou de fora, Buffon conseguiu espalmar no canto esquerdo e, no rebote, Dzemaili emendou para fora, à direita.

Antonio Conte conseguiu a proeza de recuar ainda mais um time que já estava retrancado. Primeiro, prejudicou o próprio contra-ataque ao trocar Giovinco por Matri. Por último, a troca foi de Marchisio por Padoin. Mas a mexida que representou o auge da covardia foi a que ocorreu entre uma e outra: Vucinic por Pogba. Certamente, o treinador juventino tratou o empate como o resultado ideal. Deve estar se sentindo bicampeão italiano nesse momento.

Talvez pior tenha sido Mazzarri, que na necessidade da vitória, trocou Pandev por Insigne e Inler por Armero. Ou seja, um meia que poderia ser recuado para melhorar a qualidade na saída de bola (abriria mão de Behrami, por exemplo) e um ala de boa chegada que só entrou no final da partida, e ainda no lugar de alguém com ótimo chute de longa distância, tendo marcado o único gol do time. Acabou facilitando o trabalho do Conte.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Equipe E Jogada Da Semana

Fazendo sua parte dentro de campo em meio a dois torneios onde os teoricamente favoritos vêm sendo surpreendidos, o Manchester United se aproxima de dois títulos ingleses nessa temporada.

No dia vinte e seis de janeiro, sábado, os comandados de Alex Ferguson golearam o Fulham por 4a1 e avançaram na Copa da Inglaterra, torneio em que, naquele mesmo final-de-semana, equipes como Tottenham e Liverpool deram adeus ao serem derrotadas para Leeds United e Oldham Athletic. Na fase oitavas-de-final, o Manchester United receberá o Reading em Old Trafford, num duelo agendado para o dia dezoito de fevereiro.

Por mais bem-vindo que seja o título no mais antigo torneio de clubes do mundo, não há dúvidas de que o clube prioriza a conquista na Premiership. E, a julgar pelo desempenho do United e do concorrente ao título, é apenas uma questão de rodadas para a conquista ser celebrada. Concorrente ao título no singular, sim, pois a diferença para o terceiro colocado é de dezesseis pontos, o que praticamente tira o Chelsea da disputa - são nove pontos de distância em relação ao vice-lícer, Manchester City.

Na quarta-feira, dia trinta de janeiro, o United venceu o Southampton por 2a1, fazendo o dever de casa. Três dias depois, no sábado, dia dois de fevereiro, tratou de vencer o Fulham (aquele mesmo, que enfrentara pela fase dezesseis-avos-de-final na Copa Inglesa), por 1a0, em jogo com direito a queda de energia no estádio Craven Cottage. Pode cair a energia em estádio britânico, em Super Bowl estadunidense, mas parece que o que não cai é a invencibilidade da equipe, que nesse momento está em treze jogos consecutivo (a última foi para o romeno Cluj, na fase de grupos na Liga dos Campeões da Europa, em cinco de dezembro de dois mil e doze).

Longe de ser um time que encante - ou que pelo menos me encante -, há que se reconhecer, porém, a competitividade e regularidade dessa equipe, que deve ser levada em conta como candidata ao título em qualquer competição que participe. Principalmente quando os concorrentes vacilam...

Jogada da semana

Na Itália, a Juventus continua na liderança na Série A nacional, agora com o Napoli no encalço na disputa pelo Scudetto. Como os napolitanos venceram o Catania no sábado (dia dois), a Juve foi até Verona no domingo (três) precisando vencer para reestabelecer a diferença de três pontos. E venceu, 2a1. Destaque para o segundo gol, marcado pelo suíço Stephen Lichtsteiner em assistência de Sebastian Giovinco. E que assistência. É basicamente por ela que esse vídeo se faz presente. Curiosamente, não é a primeira vez que um gol de Lichtsteiner com a camisa juventina aparece como destaque na semana. Relembre esse tópico, com vídeo da assistência de Mirko Vucinic.

Dessa vez, com vocês, o passe de Giovinco para o segundo gol da Vecchia Signora.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Lazio Elimina Juventus Em Jogo De Final Eletrizante

Pelo jogo de volta na fase semifinal na Copa da Itália, a Lazio recebeu a Juventus no estádio Olímpico de Roma e conseguiu a classificação de maneira dramática. A partida teve um contraste muito grande entre o que foi o primeiro tempo e os minutos finais da segunda etapa: de um duelo pegado e por muitas vezes preso no setor de meio-campo até um confronto dinâmico e repleto de emoções.

Na partida de ida, terça-feira passada, em Turim, Juventus e Lazio terminaram empatadas em 1a1. Ou seja, para o jogo de volta o empate sem gol favoreceria a Lazio, novo 1a1 levaria o duelo para a prorrogação e igualdades de 2a2 em diante classificariam a Juventus.

Após um primeiro tempo de poucas chances de gol e algumas reclamações (Mirko Vucinic reivindicou pênalti quando caiu em dividida com o goleiro Federico Marchetti), a segunda etapa logo viu o primeiro zero sumir do placar: Cristian Ledesma caprichou no lançamento e achou Álvaro González nas costas de Federico Peluso. O uruguaio aproveitou a oportunidade mergulhando para marcar de cabeça o primeiro gol da noite na capital italiana, aos sete minutos.

Menos de dez minutos após celebrar o tento, a torcida biancocelesti levou um susto: Hernanes caiu no gramado de maneira estranha e deixou o campo com sangramento na lateral da face. No lugar do brasileiro entrou o bósnio Senad Lulic, de mesma nacionalidade do treinador Vladimir Petkovic.

Em desvantagem e precisando de um gol para pelo menos tentar levar o jogo para a prorrogação, Antonio Conte mexeu na Juventus com o intuito de levar o time à frente. Porém, Andrea Pirlo, Claudio Marchisio e Fabio Quagliarella não conseguiram fazer os bianconeros se sobressaírem diante de uma equilibrada equipe da Lazio. Petkovic ainda colocaria Sergio Floccari no lugar do inoperante Miroslav Klose e Lorik Cana em substituição ao autor do gol único, González.

As chances de gol ainda eram escassas e o árbitro Luca Banti indicou seis minutos como acréscimo (talvez metade desse tempo em função do atendimento ao Hernanes no momento de sua lesão). E foi exatamente nesse relativamente curto intervalo de tempo que uma partida por muitas vezes apática caminhou para um desfecho sensacional. Quando o cronômetro ia dos quarenta e cinco para os quarenta e seis, o chileno Arturo Vidal chegou na área adversária e completou para a rede um cruzamento vindo da esquerda. Era o gol de empate juventino, para desespero de Petkovic, e a promessa de que o jogo iria para a prorrogação.

Só que, aos quarenta e sete, a torcida da casa voltou a ter um motivo para explodir em alegria: após cobrança de escanteio pelo lado esquerdo, a bola chegou até Floccari, que desviou no canto esquerdo, colocando um ponto final nas possibilidades de prorrogação.

Como emoção pouca é bobagem, a disputa pela vaga na final teve ainda um lance incrível: aos quarenta e nove, Vidal finalizou, Marchetti deu rebote e, em posição legal e sem goleiro no lance, Marchisio tinha a oportunidade de reestabelecer o empate e colocar a Juventus em vantagem no duelo. Repetindo: aos quarenta e nove minutos do segundo tempo, sem goleiro. Mas Marchisio mandou para fora. A Juventus teve mais uma chegada aos cinquenta e um, quando o goleiro Marco Storari estava na área adversária se apresentando como opção: Pirlo cobrou a falta pela direita e Vidal cabeceou à direita. Se passasse pelo chileno, chegaria ao goleiro-atacante. E sabe Deus o que poderia acontecer, ainda mais num jogo com final tão espetacular quanto esse.

Classificada para a final, que será disputada no estádio Olímpico de Roma, a Lazio aguarda o vencedor do duelo entre Roma e Internazionale. O jogo de ida terminou com vitória romana por 2a1 e a partida de volta está agendada para dezessete de abril, em Milão. Ou seja, é razoável a possibilidade de termos uma decisão de Copa da Itália entre os dois times mais populares de Roma e exatamente no estádio onde esses clubes mandam seus jogos. A Inter fará o possível para que isso não aconteça.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Genoa Arranca Empate Em Pleno Estádio Juventino

Futebol é futebol, e vice-versa. Hoje assisti ao segundo tempo de Lazio e Chievo e à totalidade da partida entre Juventus e Gênova. Vamos aqui focar no jogo que assisti inteiro, mas o recado inicial vale para ambas as partidas. A Lazio, terceira colocada, era favorita para enfrentar o Chievo. Tão favorita que poupou alguns titulares, pensando na partida que fará terça-feira, com a Juventus, pela Copa da Itália. Resultado: Chievo 1a0, em pleno estádio Olímpico de Roma. Melhor para o Chievo, que não tinha nada com as supostas prioridades e expectativas do adversário, venceu a partida no campo oponente e ultrapassou, pelo menos provisioriamente, o Torino, assumindo o 11º lugar. E a Juve? Falemos nos próximos parágrafos.

Atuando dentro de casa, contando com o apoio da barulhenta torcida que tanto apóia o clube, o atual líder no Campeonato Italiano (e atual campeão invicto) recebeu o Genoa, equipe situada na zona do rebaixamento, em 18º lugar. Não há nem o que se discutir sobre favoritismo para uma partida como essa. A Juve, mesmo desfalcada de jogadores como Chiellini, Pirlo (ambos no estádio, assistindo o jogo na fria noite de Turim) e Asamoah (com a seleção de Gana na Copa das Nações Africanas), possui time muito mais forte que o adversário da cidade de Gênova. Gênova, cidade onde também tem sede a Sampdoria. Lembram do jogo entre Juventus e Samp?

É, pessoal. Talvez a Juve não tenha aprendido as lições daquela partida com a genovesa Sampdoria. Fez um primeiro tempo burocrático, de poucas criações de jogadas, aceitando a marcação imposta pelo adversário. Teve duas chances claras de gol, uma com Marchisio e outra com Quagliarella, mandando ambas para fora. Assim sendo, fica (mais) difícil entender como um jogador do perfil de Giovinco não tenha sido escalado como titular - ou o que talvez seja pior, não tenha sido colocado já (leia-se ainda) no intervalo. Apesar de voltar com os mesmos jogadores, a Juve teve mais atitude no segundo tempo. Avançou suas peças, pressionou o adversário. E, com justiça, abriu o placar: aos oito minutos, Vucinic deu bela enfiada de bola para Lichtsteiner e do lateral suíço veio o passe rasteiro final, aproveitado por Quagliarella. Deveriam dar metade da assistência para ele e outra para o montenegrino.

Davide Ballardini deve ter percebido que não seria com aquela postura que o Genoa fosse conseguir alguma coisa naquele jogo. Então, trouxe para campo Andrea Bertolacci e Marco Borriello. Borriello é um jogador de área que circulou times expressivos na Itália, como Milan, Roma e... Juventus. Estava no grupo campeão italiano invicto, isto é, temporada passada. E, vindo do banco de reservas do Genoa, eis que, aos vinte e dois minutos do segundo tempo, Jurajo Kucka fez ótima jogada pela direita, se livrou da marcação de De Ceglie e cruzou... gol de Borriello, que nem comemorou, no que vejo como um excesso de respeito por uma instituição onde só atuou por seis meses. De toda forma, toda manifestação de respeito é bem-vinda, e a comemoração ficou por conta dos companheiros de time. 1a1.

Se Ballardini precisou ficar atrás no placar para mexer na equipe, Antonio Conte precisou ver a equipe ceder o empate para fazer uma alteração. E colocou Giovinco, tirando Quagliarella. Ou seja, pôs alguém que já deveria estar em campo e tirou alguém que poderia permanecer. De toda forma, a Juve criou chances para desempatar a partida. Giovinco colocou uma bola na trave em cobrança de falta. Sebastien Frey realizou grandes defesas em remates quase sempre dados com muita força. E o único brasileiro em campo, Matuzalém, também apareceu bem, evitando que um rebote após defesa de Frey pudesse ser alcançado por Vucinic. O Genoa passou os últimos minutos com um jogador a menos, pois Antonio Floro Flores deixou o campo de jogo contundido num momento em que já não podia ser substituído. E a equipe visitante, de maneira heróica, afastava o perigo do jeito que dava, com todos seus jogadores entre a intermediária defensiva e a própria área. Não havia mais atacantes, meias e volantes, eram todos defensores. Defensores que ainda contaram com a ótima atuação de Frey para garantir o ponto fora de casa diante da líder.

Após o apito final, o árbitro Marco Guida foi cercado por diversos juventinos, incluindo o treinador Conte, que esbravejou. Estava provavelmente reclamando de algum pênalti não marcado: houve um puxão de camisa em Vucinic, aos trinta e quatro, e um toque de mão de Granqvist, aos quarenta e sete. O segundo lance chamou mais atenção, tanto pela estética quanto pelo momento do jogo. Mas, pareceu-me involuntário, sendo correta a marcação de escanteio. Motivo para esbravejar mesmo quem tem são os torcedores bianconeros, que merecem uma explicação sobre algumas decisões do treinador.

E parabéns ao Genoa, que com esse empate ganha novo fôlego para fugir da zona de descenso.

No mais, futebol é futebol. E vice-versa.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Super Samp Surpreende Juventus Em Turim

Para aqueles indivíduos que têm alguma dúvida sobre o fato de o futebol ser um esporte especial dada a sua imprevisibilidade que beira o imponderável, o jogo de hoje entre Juventus e Sampdoria serve de ilustração para adjetivar o velho esporte bretão como uma das mais surpreendentes modalidades esportivas.

A atual campeã invicta e líder soberana nessa edição (recordista histórica de pontos no torneio durante o ano de 2012) recebeu em seu moderno estádio uma equipe rebaixada em 2011 e que retornou nessa temporada, fazendo campanha que a coloca bem perto da zona de descenso. Vinte e sete pontos separavam os dois times antes dessa partida válida pela décima nona rodada. No passado, Juventus e Sampdoria haviam duelado na cidade de Turim em 63 ocasiões, com 40 vitórias dos mandantes e apenas cinco do clube genovês.

Aí você os coloca frente a frente no dia seis de janeiro, abrindo os compromissos oficiais de ambas as instituições no ano de 2013 e vai assistir o jogo. E assiste o óbvio: empurrada pela torcida e impulsionada por um elenco tecnicamente superior, o time local pressiona para abrir o placar em seu estádio. E abre. Aos vinte e três minutos, Sebastian Giovinco converte penalidade máxima no canto direito. Diga-se de passagem que o zero não saiu mais cedo do placar porque o goleiro argentino Sergio Romero impediu.

Se no lance do pênalti Gaetano Berardi recebera cartão amarelo pela infração cometida dentro da área, aos trinta minutos o mesmo Berardi deu outro carrinho, dessa vez mais forte e mais distante do seu gol. Veio o segundo cartão amarelo, em correta decisão do árbitro Paolo Valeri. Ou seja, a Sampdoria passava a jogar não apenas atrás no placar como também com menos jogadores em campo.

O 1a0 se manteve até o intervalo e é bem possível que o mais otimista torcedor da Samp concordasse que se trataria de uma "missão impossível" evitar uma nova derrota na competição. Mas, queridas crianças de todas as idades, estamos falando de futebol. Veio o segundo tempo e, com ele, uma reviravolta de contornos épicos. Aos oito minutos, Andrea Pirlo, exímio distribuidor de lançamentos, errou um passe simples na intermediária ofensiva juventina. E foi de lá mesmo que, após fazer a interceptação, o sérvio Nenad Krsticic acionou um companheiro com lançamento ao melhor estilo Pirlo. O companheiro era Mauro Icardi, que avançou e chutou do jeito que tinha que ser: cruzado, firme. Para infelicidade de Gianluigi Buffon, a bola quicou imediatamente antes do goleiro tentar espalmá-la, traindo o consagrado arqueiro bianconero e indo parar no canto direito. O mesmo canto direito onde Giovinco abrira o placar na etapa inicial. 1a1.

Tão ou mais inesperado que o empate naquele momento foi o que viria a acontecer quinze minutos depois: a virada dos visitantes. Pedro Obiang carregou a bola pelo centro de ataque e abriu na direita para Icardi. Iluminado, o atacante da camisa 98 descolou remate indefensável, mandando um chute forte e preciso, no alto, estufando a rede e indo celebrar em êxtase. 2a1 Sampdoria, em pleno estádio Juventus.

O treinador Antonio Conte já havia colocado dois atacantes entre um gol e outro do adversário (Fabio Quagliarella e Mirko Vucinic entraram nos lugares de Alessandro Matri e Paolo de Ceglie). Pouco depois de ver seu time atrás no marcador, trocou Paul Pogba (meio-campista francês de visual a lembrar Mario Balotelli) por Emanuele Giaccherini, também jogador de meio-campo. Delio Rossi, que assumiu a Sampdoria após a demissão de Ciro Ferrara (vi Ferrara jogar com a camisa da Juventus, então na reta final de sua bem-sucedida carreira como zagueiro), já havia realizado uma mexida no intervalo, quando trocou Marcelo Estigarribia (jogador vindo da Juve) por Lorenzo de Silvestri. Embora Estigarribia não tenha feito um primeiro tempo brilhante (e ainda tivesse machucado a mão), não sei se foi essa alteração que mudou os rumos do jogo - e olha que De Silvestri, de fato, atuou bem. Prefiro acreditar na superação coletiva da Sampdoria e na força intransponível dos deuses do futebol.

São eles, só podem ser eles - os deuses do futebol - que fizeram com que o chutaço de Vucinic explodisse no travessão e ainda quicasse pouco antes da linha final, sem atravessá-la. Devem ter sido eles novamente que separaram Vucinic do gol de empate por centímetros, numa bola que passou pertinho da trave direita, já sem goleiro no lance. E, com goleiro no lance, nada passava por ele. Romero viveu dia de Buffon. Com as bênçãos dos deuses do futebol. Parabéns, Sampdoria.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Juventus Sofre, Mas Vence Cagliari Com Gols Nos Acréscimos

Líder absoluta e já campeã de inverno no Campeonato Italiano temporada 2012-3, a Juventus teve seu último jogo oficial nesse ano corrente na noite dessa sexta-feira, pela 18ª rodada. O adversário era a frágil equipe do Cagliari, que, impedida de jogar em seu novo estádio por medidas de segurança, mandou o jogo para o Ennio Tardini, na cidade de Parma. Vendo as respectivas campanhas no torneio, é flagrante a diferença: era o segundo melhor ataque enfrentando a segunda pior defesa no mesmo jogo em que a melhor defesa enfrantava o pior ataque. E não são apenas as estatísticas que separam as duas equipes, pois é explícita a diferença qualitativa no comparativo de cada plantel.

De toda forma, lá foram Cagliari e Juventus a campo e o que se viu foi uma partida parelha. É, parelha. Tudo bem, a Juventus criou mais chances, atacou mais, teve mais a bola etc e tal. Mas o desenho do jogo foi muito longe daqueles em que vemos uma equipe dominante diante de uma dominada. Lenta na transição ao ataque, a equipe de Antonio Conte facilitava a marcação do aplicado time comandado por Ivo Pulga. Faltava poder de criação e também velocidade. Pior: parecia faltar vontade ao time, que jogava um futebol tão frio quanto a temperatura ambiente em Parma. O Cagliari, que na rodada anterior havia sido goleado por 4a1 para o próprio Parma, nesse mesmo estádio, foi gostando do jogo e contou com uma certa benevolência do árbitro Antonio Damato, que marcou penalidade máxima em lance onde muitos deixariam o jogo seguir. Pênalti cometido pelo chileno Arturo Vidal e convertido pelo também chileno Mauricio Pinilla. 1a0 Cagliari, aos quinze minutos.

Como se não bastasse a resistência defensiva adversária, a Juve encontrou outro obstáculo de peso: a brilhante atuação do arqueiro Michael Agazzi. Mais do que as defesas em si, o que chamou mais atenção foi o fato de sequer haver rebote nas finalizações, muitas das vezes dadas com força tamanha que sugeriam uma espalmada. Muito seguro esse goleiro de 28 anos, em sua quarta temporada no Cagliari.

Veio o segundo tempo e, embora a Juventus ditasse o ritmo do jogo, a equipe só foi melhorar de maneira mais significativa após as substituições de Conte: aos quinze, trocou de atacante (Fabio Quagliarella por Alessandro Matri) e no minuto seguinte, finalmente, deixou a equipe um pouco mais ofensiva (Martín Cáceres por Simone Padoin). Pouco antes, Pulga havia trocado Nicola Murru por Gabriele Perico, diminuindo o elevado contingente de defensores com carão amarelo. E, de tanto cometer faltas, pintou a primeira expulsão: aos dezenove minutos, o capitão Davide Astori deixou a equipe "da casa" com um homem a menos, recebendo seu segundo cartão amarelo pessoal.

Diante da superioridade oponente e do desfalque no miolo de zaga, Pulga não viu outra alternativa a não ser trocar um homem de frente por um defensor. Optou por tirar Marco Sau (que sofreu o pênalti e descolou um belo chute defendido por Gianluigi Buffon) e colocar Dario del Fabro, aos vinte e um. Quatro minutos após colocar as chuteiras no campo de jogo, Del Fabro acabou envolvido em lance onde Sebastian Giovinco caiu na área e Damato, novamente em decisão altamente contestável, assinalou pênalti. Vidal tinha a chance de "se redimir" do "pênalti cometido" e anotar o segundo gol chileno no jogo, empatando a partida. Mas o versátil volante isolou a cobrança, mandando por cima.

Com a pressão se acentuando e o jogo concentrado na mesma metade de gramado, veio o empate. Mirko Vucinic (que acabara de entrar no lugar de Stephen Lichtsteiner, em substituição efetuada durante a cobrança de pênalti), chutou de fora da área e, dessa vez, Agazzi espalmou. Os defensores, talvez pelo costume de ver o goleiro encaixar até pensamento, não deram a devida atenção ao rebote e permitiram que Matri partisse sozinho para aproveitar a segunda bola. 1a1 no placar, em gol todinho vindo do banco de reservas.

Parecia questão de tempo a virada bianconera. A não ser por um motivo: Agazzi. Com uma defesa espetacular, o arqueiro impediu que o cabeceio de Kwadwo Asamoah fosse para a rede, que parecia o destino certo. A bola ainda tocou na trave e o camisa 1 complementou, esticando a perna para afastar a bola dali. Mágicas intervenções.

Pulga realizou a última substituição aos trinta e dois, trocando o solitário atacante Pinilla pelo também atacante Ânderson da Silva, vulgo Nenê, brasileiro com passagem por Cruzeiro e Ipatinga. O Cagliari, que já tinha um homem a menos, passou a jogar com nove e meio, pois Albin Ekdal mal conseguia dar piques curtos, permanecendo contundido no gramado a fim de minimizar o prejuízo numérico. Damato indicou exagerados seis minutos como acréscimo e, para infelicidade do Cagliari, Nenê fez a lambança de, perto do próprio gol, chutar a bola contra Vidal. Após o choque da redonda contra o braço do chileno (involuntário, pois foi mero instinto de proteção), Matri recolheu em total liberdade e mandou para a rede, virando o jogo aos quarenta e seis minutos do segundo tempo.

Ainda houve tempo para Vucinic deixar o dele aos quarenta e oito, empurrando para dentro uma bola chutada por Giovinco que parecia tomar o rumo do gol. Os 3a1 enganam quem pensa que foi uma parada fácil. Quem não pode se enganar é o jogador da Juventus, pois com esse futebol apresentado diante do Cagliari, a equipe precisará abusar da sorte para vencer adversários mais qualificados. E o Cagliari, por sua vez, pode nessa rodada integrar a zona indesejável. Para isso, basta que ou o Genoa vença a Internazionale em Milão (improvável) ou que o Palermo, em casa, vença a Fiorentina (hipótese mais razoável). Caindo para as três últimas posições ou não, fato é que o Cagliari precisa melhorar seu jogo o quanto antes. Não fosse Agazzi, o resultado teria sido mais dilatado.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Equipe E Jogada Da Semana

O Chelsea atravessa momento singular nesse fim de ano (meio de temporada). Trocou de técnico algumas semanas atrás (Roberto di Matteo não resistiu à seqüência de maus resultados) e agora está no Japão para a disputa do Mundial de Clubes 2012. Na semana da viagem, a equipe jogou pela sexta rodada na fase de grupos na Liga dos Campeões da Europa, goleando o Nordsjaelland por 6a1. Mesmo assim, acabou se consumando a eliminação do maior torneio continental de clubes, sendo a primeira vez na história que o atual campeão cai em plena fase de grupos. Bola pre frente, vida que segue e Rafa Benítez conseguiu, finalmente, uma vitória com os Azuis na Premiership: 3a1 pra cima do Sunderland, com belas atuações de Ramires, Mata e Torres. Graças ao excelente início na competição, o Chelsea está em terceiro na tabela de classificação. Mas agora é esquecer os torneios locais e focar na Copa do Mundo de Clubes, onde enfrentará, na semifinal, o Monterrey, na quinta-feira, dia treze. Com nove gols marcados nos últimos dois compromissos, parece que a equipe londrina retoma a confiança, buscando mais uma inédita conquista.

Jogada da semana

Nesse domingo, dia nove, o Campeonato Italiano reservou belíssimos gols e jogadas. Poderia tranqüilamente figurar nesse tópico o lance em que Robinho se desvencilhou da marcação sem tocar na bola e estufou a rede na partida em que o Milan venceu o Torino, de virada. Poderia ser também o primeiro gol da Internazionale no jogaço diante do Napoli, quando Cassano e Guarín fizeram uma parceria sensacional - um cobrando o escanteio e outro concluindo em gol. Mas a jogada da semana "tinha" que ser outra. Não daria para deixar de fora a pintura do gol da vitória juventina sobre o Palermo. Desde o lançamento de Andrea Pirlo até a finalização de Stephen Lichtsteiner, tudo muito legal. Mas o grande atrativo mesmo foi o que aconteceu entre uma coisa e outra. A própria comemoração do gol mostra como os companheiros reconheceram a qualidade da assistência. Com vocês, o montenegrino Mirko Vucinic.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Oscar Marca Dois, Mas Juventus Busca Empate Em Londres


Teve início nessa terça-feira a fase de grupos na Liga dos Campeões da Europa. Hoje, em Stamford Bridge, Chelsea e Juventus estrearam no torneio e protagonizaram uma bela partida de futebol, que terminou empatada em 2a2 (Oscar marcou os gols dos donos da casa e, depois, os visitantes chegaram ao empate com gols de Vidal e Quagliarella). Veja como foi a transmissão da partida em tempo real, realizada através do Twitter @jogandoagora (acompanhado pela #CHEvJUV).

O jogo não marcava apenas o encontro do atual campeão europeu (o Chelsea, que alcançou o inédito caneco na história do clube) com o atual campeão italiano (a Juventus, que terminou invicta a liga nacional). Marcava também o encontro entre os líderes na Inglaterra e na Itália na presente temporada. A começar pelos dois grandes goleiros presentes em campo (o tcheco Petr Cech e o italiano Gianluigi Buffon), já tínhamos indícios de um jogo interessante.

Apesar de circularem a bola e buscarem o ataque, as equipes tinham dificuldades de criarem ocasiões claras de gol. Uma boa chance deu-se aos 28 minutos, mas Vucinic chutou na rede externa, perto da trave esquerda de Cech. Dois minutos depois, o Chelsea chegou e marcou: Oscar recebeu de Hazard e o chute desviou em Bonucci, enganando Buffon e indo parar na rede, abrindo o placar.

Mais dois minutinhos passados e Oscar, que acabara de marcar seu primeiro gol com a camisa do Chelsea (justo na sua estréia como titular), foi lá e marcou o segundo. Aliás, que golaço do jovem meia brasileiro. Com um remate maravilhoso, o ex-jogador de Internacional e São Paulo surpreendeu Buffon, colocando a bola praticamente no ângulo esquerdo. 2a0 em Stamford Bridge.

Aos trinta e sete minutos, foi a vez da Juventus chegar à rede: Vidal recebeu de Marchisio, limpou a jogada e, da meia-lua, descolou chute rasteiro, no canto esquerdo. Tão ou mais belo que o gol em si foi ver o ótimo volante chileno comemorar mancando, pois minutos antes tinha deixado o gramado com dores. Exemplo esportivo.

Teve início o segundo tempo e não demorou para vermos que a tônica de antes do intervalo se mantinha: o que era ótimo, afinal, as duas equipes buscavam o ataque. Com mais posse de bola, a Juventus dava as cartas na partida, mas a boa presença de Fernando Torres causava dificuldades à bem postada equipe italiana. Giovinco, hábil jogador vindo do Parma, não rendia atuando tão à frente e Carrera (auxiliar do suspenso Antonio Conte) o trocou pelo atacante Quagliarella. E não demorou cinco minutos para surtir efeito: aos trinta e quatro, o ex-jogador do Napoli recebeu linda enfiada de bola de Marchisio e esbanjou tranqüilidade para finalizar por baixo de Cech, igualando o placar.

Após o empate conquistado, a torcida juventina fez grande festa no setor do estádio que lhe era destinado enquanto dentro de campo a equipe alvinegra concentrava seus esforços em manter o resultado até o apito final, diminuindo seu próprio ímpeto ofensivo e mantendo sob controle as investidas dos Azuis. Um ótimo reencontro do Bianconero com a Liga dos Campeões. Seria melhor ainda se um certo Alessandro Del Piero tivesse seu contrato renovado, mas paciência... o mundo cartolístico é muitas das vezes de difícil compreensão...

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Lecce Azeda Vitória Juventina Empatando Com Gol No Fim

Líder e invicta, com possibilidades de ser campeã italiana por antecipação e jogando dentro de casa diante de um time que integra a zona de rebaixamento. O que para muitos se trataria de uma vitória certa para a Juventus, acabou virando um empate diante da valente Lecce, resultado que combinado ao triunfo milanista diante da Atalanta diminui a diferença em relação ao vice-líder para apenas um ponto, a duas rodadas da conclusão da Série A 2011-2. A situação da Lecce continua complicada, mas a bravura da equipe na Arena Juventus dá a entender que os comandados de Serse Cosme não pouparão esforços para buscar os seis pontos e continuar sonhando com a permanência na primeira divisão (o próximo desafio será um confronto direto diante da Fiorentina, que encontra-se seis pontos acima).

Havia assistido uma partida da Lecce nessa temporada (1a0 sobre a Internazionale, na primeira vitória da equipe atuando em seu estádio na atual edição da Série A) e fiquei impressionado com a qualidade do goleiro Massimiliano Benassi. No jogo de hoje, diante da Juve, o arqueiro cometeu o deslize de escorregar no lance que abriu o placar em favor do time mandante. Mas seu desempenho após o incidente ratificou a impressão que havia tido com relação a esse jogador, personagem fundamental para esse empate por 1a1 em Turim, com pelo menos duas grandiosas defesas na partida. E como nenhum goleiro está imune a falhas, até Gianluigi Buffon, para mim o melhor do mundo na função, vacilou no gol que rendeu o empate aos visitantes.

Antonio Conte levou a Juventus para campo com uma formação que considero excessivamente cautelosa, sobretudo considerando a qualidade do elenco bianconero montado para essa temporada. Três zagueiros, nenhum jogador com a função de "dez" no meio-campo e jogadores como Alessandro Del Piero e seu xará de sobrenome Matri sentados no banco de suplentes. Com menos de seis minutos, uma lesão na coxa tirou Paolo de Ceglie de campo. Em seu lugar entrou o uruguaio José Martín Cáceres - vou tentar acreditar que Conte imaginava que Matri (retornando de contusão) e Del Piero não tivessem condição de atuar por tanto tempo e por isso não foram chamados para o jogo naquele momento.

De toda forma, aos oito minutos a Vecchia Signora já abriria a contagem: Andrea Pirlo abusou do direito de ser preciso em seus lançamentos e fez a bola viajar até a cabeça de Claudio Marchisio. Não sei se Marchisio quis mandar pra rede ou servir Mirko Vucinic, mas o fato é que a bola entrou no canto esquerdo num lance em que Benassi teve a infelicidade de escorregar quando se preparava para saltar na tentativa de fazer a defesa. 1a0 Juventus e festa nas arquibancadas do mais moderno estádio italiano.

A Juventus era tão superior e senhora da partida que Buffon foi para o vestiário sem precisar fazer nenhuma defesa no primeiro tempo. Mas até que participou bem quando o jogo ainda estava com o placar zerado: ele recebeu bola recuada e deixou o adversário no chão antes de sair jogando com tamanha naturalidade, usando apenas os pés. Veio o segundo tempo e se a Lecce tinha uma figura em campo que causava alguma dificuldade ao sistema defensivo juventino, esta figura era o hábil colombiano Juan Cuadrado. Era. Aos oito minutos, Cuadrado chegou firme e, se por um lado não atingiu Cáceres com a força acusada pelo uruguaio, por outro sua imprudência era efetivamente digna de cartão amarelo - e como Cuadrado já havia levado outro na etapa inicial, foi corretamente expulso pelo árbitro Paolo Valeri.

O futebol tem umas coisas curiosas. Se em igualdade numérica a Lecce tinha dificuldades de criar jogadas de ataque, você imagina agora que seu elemento mais perigoso no sistema ofensivo foi expulso. Pois acredite: nem parecia que a equipe estava em desvantagem numérica diante da líder e invicta Juventus. É bem verdade que Benassi salvou o time de tomar o segundo gol, mas as entradas de Luis Muriel (atacante compatriota de Cuadrado, que entrou no lugar do suíço Haris Seferovic), do uruguaio Guillermo Giacomazzi (que não entendo como pode ser reserva, tento entrado no lugar de David di Michele) e de Andrea Bertolacci (em substituição ao nigeriano Christian Obodo) deram novo ânimo aos visitantes. Aos trinta e seis minutos, Muriel foi acionado e caiu após Cáceres deslocá-lo com o braço, o que dentro da área caracterizaria pênalti. Caracterizaria. Valeri não apenas ignorou a infração como aplicou cartão amarelo em Muriel por suposta simulação, fato que gerou insatisfação em Gennaro Delvecchio, também punido com o cartão por protestar.

Mas os deuses do futebol desenharam um final de jogo mais justo do que seria se nada de novo acontecesse. Uma bola recuada para Buffon, que tão bonito havia saído jogando em situação semelhante no começo de partida, dessa vez acabou deixando o goleiro em maus lençóis. Aproveitando-se do vacilo, eis que Muriel, aquele mesmo que havia sofrido o pênalti não marcado, pegou a bola e a mandou para a rede, aos trinta e nove minutos.

Naquele momento do jogo, Conte já havia feito suas três substituições (as últimas foram as entradas dos Alessandros nos lugares de Fabio Quagliarella e Vucinic). Ou seja, a Juventus começou e terminou a partida com três zagueiros, dois alas que sequer apoiavam com muita freqüência e dois volantes. Aliás, dois baita volantes: Pirlo e o chileno Arturo Vidal foram possivelmente os dois melhores jogadores da Juventus no jogo. Para um time que lidera a competição de maneira invicta e que atuava com um jogador a mais, lamento pela postura do treinador. E parabenizo Cosme e seus comandados, que fizeram por merecer o gol de empate.

Outros resultados

Terça-feira
Chievo (12º) 0a0 (7º) Roma
Napoli (3º) 2a0 (16º) Palermo

Quarta-feira
Milan (2º) 2a0 (11º) Atalanta
Catania (10º) 0a1 (9º) Bologna
Genoa (17º) 2a1 (14º) Cagliari
Parma (8º) 3a1 (6º) Internazionale
Fiorentina (15º) 2a2 (19º) Novara
Lazio (5º) 1a1 (13º) Siena
Cesena (20º) 0a1 (4º) Udinese

segunda-feira, 26 de março de 2012

Equipe E Jogada Da Semana

Invicta na presente temporada, a Juventus segue na corrida pelos dois títulos nacionais possíveis em 2012 - o da Copa da Itália e o do Campeonato Italiano. No torneio eliminatório, a equipe passou pelo Milan na fase semifinal (classificando-se com um gol na prorrogação) e fará a decisão com o Napoli, que eliminou o Siena. Na liga nacional, os comandados de Antonio Conte estão na vice-liderança, a quatro pontos de distância do Milan, faltando nove rodadas para o encerramento da competição.

Entre esses dois últimos finais-de-semana, a Juve conseguiu uma goleada pra cima da Fiorentina (5a0, em Florença) e um triunfo por 2a0, em casa, diante da Internazionale. Além do já mencionado duelo com o Milan, pela semifinal na Copa da Itália. Vamos ver como a invicta e embalada Juventus se comporta na seqüência: a tabela não está nada simples para o Bianconero, que enfrenta Napoli, Palermo e Lazio nas próximas rodadas de Campeonato Italiano.

Não há dúvidas de que o elenco juventino é qualificado o bastante para conseguir ambos os canecos em disputa, mas mesmo que eventualmente saiam dois vice-campeonatos, deve-se exaltar o "ressurgimento" desse gigante no futebol internacional, que tem tudo para retornar em grande estilo para a Liga dos Campeões Europeus na próxima temporada. A vasta experiência de jogadores como Buffon, Pirlo e Del Piero combinada com o talento de Vidal, Estigarribia e Quagliarella formou uma química que vem dando certo. Para alegria de uma torcida que vem fazendo bonito no mais moderno estádio italiano - a Juventus Arena.

Jogada da semana

Na partida em que Stoke City e Manchester City empataram em 1a1, dois belos chutes - um para cada time - foram os responsáveis pelas mexidas no placar. Destaque para o primeiro deles, de Peter Crouch, maior contratação na história do Stoke. Raro vermos um gol assim, mantendo a bola no ar e finalizando com um remate tão espetacular. Segue o vídeo: "Peter Crouch Amazing Volley Goal".

terça-feira, 20 de março de 2012

Na Prorrogação, Juventus Consegue Classificação Para A Final Na Copa Da Itália

A Juventus fez a festa em Turim. Não foi fácil - pela primeira vez na temporada 2011-2, a equipe comandada por Antonio Conte foi derrotada nos noventa minutos regulamentares -, mas com um golaço do atacante montenegrino Mirko Vucinic na prorrogação, a Vecchia Signora eliminou o Milan e marcará presença na final da Copa da Itália, buscando seu décimo título no torneio (o mais recente ocorreu no ano de 1995).

O jogo

Embora precisasse correr atrás, necessariamente, de dois gols para ter chance de classificação (afinal, no jogo de ida o Milan perdeu em San Siro por 2a1), o time comandado por Massimiliano Allegri adotou uma postura cautelosa, escalado com Muntari, Aquilani e Emanuelson no meio-campo. A Juve, com mais recursos para aproximar-se da meta adversária, fazia circular melhor a bola no campo de ataque, contando com uma boa participação de Alessandro Del Piero, que buscava o jogo. O Milan até teve uma boa chance de inaugurar o marcador, mas Storari defendeu a finalização cruzada de Ibrahimovic. E quem abriu o placar foi o dono da casa: Pirlo acionou Lichtsteiner e o lateral-direito suíço, próximo da linha final, passou rasteiro. E acabou encontrando Del Piero, que foi ágil para se antecipar a Amelia com um rápido drible e mandar para a rede. 1a0 Juventus, aos vinte e sete minutos, para delírio de uma festiva Juventus Arena.

Com relativo controle dos acontecimentos, a Juventus conseguiu ir para o intervalo sem levar sustos na defesa e ainda pleiteando um segundo gol. No intervalo, Allegri trocou Ibrahimovic por Máxi López. E logo aos cinco minutos, o Rossonero conseguiu chegar ao gol de empate: Mexès lançou Mesbah e o argelino, livre da marcação de Pepe (que não o acompanhou em direção à bola), deu de peixinho para mandar pra rede. O Milan ganhou novo ânimo com o gol e ficaria mais forte no ataque depois das duas últimas substituições de Allegri: Aquilani por Nocerino e El Shaarawy por Inzaghi. Aos trinta e cinco, Máxi López recebeu, passou por dois jogadores e mandou um chute forte para marcar um golaço, o da virada milanista e que levava o jogo para a prorrogação. Prorrogação que somente aconteceu porque a Juventus não aproveitou oportunidades criadas com Borriello (que entrara no lugar de Del Piero) e Vucinic. Só que Vucinic se redimiria de qualquer vacilo quando, aos cinco minutos de prorrogação, descolou um remate maravilhoso que tomou o rumo do ângulo esquerdo, sem dar defesa para Amelia, que ainda resvalou na bola.

A Juventus retomava a vantagem no placar somado e o Milan dependia de um gol para reverter esse cenário. Mas, melhor organizado em campo, o Bianconero soube administrar o resultado da melhor maneira possível: com a bola e marcando presença no campo de ataque. Com um elenco bastante transformado da temporada passada para a atual, a Juve tem grandes chances de conseguir dois títulos nessa temporada: é finalista na Copa da Itália e vice-líder, invicta, no Campeonato Italiano. Mas, para isso, terá que superar o adversário que se apresentar na competição eliminatória (Napoli ou Siena, que se enfrentam nessa quarta-feira) e ultrapassar o Milan, que tem quatro pontos de vantagem na liga nacional. Seria frustrante para a torcida alvinegra não conseguir nenhum dos dois títulos, mas sem dúvidas, é perceptível que esse gigante do futebol italiano, europeu e mundial está no caminho certo para retomar as conquistas. E me parece nome certo na próxima Liga dos Campeões da Europa, o que é bacana para o futebol.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Líder E Invicta, Juventus Vence Novara E Mostra Força

A Juventus recebeu o Novara e retomou a liderança no Campeonato Italiano com uma vitória por 2a0, chegando aos trinta e três pontos e permanecendo invicta após quinze rodadas disputadas.

Na partida disputada em Torino, algumas coisas chamaram atenção do blogueiro. Podemos começar falando do belo estádio da "Vecchia Signora", nos moldes daqueles que vemos na Inglaterra: a Juventus Arena mantém a torcida próxima do campo e parece ser um grande avanço ao clube, que jogava num estádio rotulado como "frio".

Dentro de campo, o talento de Alessandro Del Piero continua sendo esbanjado, mostrando que os trinta e sete anos de idade não são empecilho nenhum para alguém de sua categoria. Mesmo sem ter marcado nenhum gol na presente temporada, o lendário camisa dez juventino me parece bastante útil ao elenco não apenas pela sua personalidade, mas também pelo seu rendimento interno às quatro linhas. Uma finalização de bico pelo lado esquerdo que passou pertinho do ângulo, uma cobrança de falta colocada buscando o canto direito que foi defendida pelo arqueiro Samir Ujkani e uma investida que só não terminou em gol graças à intervenção sensacional do defensor Massimo Paci nos mostram que Del Piero, por detalhes, não saiu de campo com um hat-trick. Eu tiro o chapéu pra ele assim mesmo.

Outra figura de larga experiência que dá gosto de ver atuar é o ótimo goleiro Gianluigi Buffon: aos trinta e três anos, o dono da camisa um foi pouco acionado, mas sempre preciso quando exigido. Uma defesa no segundo tempo após cabeceio de Raffaele Rubino no canto direito foi daquelas para ficarem na memória.

Na meiuca, Simone Pepe foi bastante participativo, caindo por ambos os flancos do campo e sempre avançando em direção ao gol. O placar foi aberto através dele, logo aos três minutos: Paolo De Ceglie cruzou a partir do lado esquerdo e Pepe apareceu na pequena área para completar. Na comemoração, sua tradicional tacada de golfe.

Não podemos esquecer que essa Juve de Antonio Conte conta também com Andrea Pirlo, figura que dá equilíbrio ao setor de meio-campo, e Fabio Quagliarella, daqueles atacantes que a qualquer momento pode deixar sua marca. E a combinação Pirlo-Quagliarella mexeu no placar aos vinte e nove minutos da etapa final: o meio-campista ex-Milan cobrou escanteio pela direita e o avante ex-Napoli cabeceou de pouco a frente da marca do pênalti, mandando no canto direito de Ujkani, goleiro albanês e nascido no Kosovo.

O que também me agradou no jogo foi a atuação do time do Novara. Tudo bem que a líder Juventus venceu a partida e mereceu o resultado, mas a equipe atual vice-lanterna mostrou qualidades técnicas e principalmente táticas que devem ajudar o time comandado por Attilio Tesser a sair da zona de despromoção.

O vídeo a seguir mostra os dois gols do jogo, a linda defesa de Buffon mencionada alguns parágrafos acima, além de um lance de quase-gol do Del Piero que não foi narrado na postagem (perceba que belo passe de Pepe, que ainda viria a colocar uma bola na trave).

domingo, 16 de outubro de 2011

0a0 Para Dar E Vender

A líder Juventus, bastante reforçada para essa temporada, viajou até Verona para enfrentar o Chievo na 6ª rodada do Campeonato Italiano 2011-2. Este blogueiro estava muito curioso para ver os comandados de Antonio Conte atuarem e de certa maneira acabou se decepcionando com a falta de poder de penetração da equipe juventina, que era superior tecnicamente mas tinha sérias dificuldades de se desvencilhar da marcação dos donos da casa. No final, mais um 0a0 numa rodada onde cinco jogos terminaram sem gol (50% das partidas).

O jogo

Com Andrea Pirlo e o chileno Arturo Vidal tomando conta do setor de meio-campo, a Juventus tinha tudo para conseguir impôr uma forte pressão sobre a equipe do Chievo, mas o sistema defensivo montado por Domenico Di Carlo teve o mérito de conseguir dificultar as ações de um jogador bastante importante taticamente para a equipe visitante: o sérvio Milos Krasic, que quase nada conseguiu produzir em campo. Tudo bem que a Juve subiu de produção nos últimos minutos do primeiro tempo (tendo inclusive reclamado dois pênaltis: um perceptível em Vidal aos 39 minutos e um duvidoso no suíço Stephan Lichtsteiner aos 42 minutos), mas quem esteve mais perto de abrir o placar na primeira etapa foram os donos da casa: aos 19 minutos, o francês Cyril Théréau desarmou Pirlo no campo ofensivo, avançou ficando de frente com Gianluigi Buffon e chutou pra rede. Só que o árbitro Andrea De Marco entendeu falta em cima de Pirlo, apitou a infração e deu cartão amarelo a Théréau por dar continuidade ao lance, sob fortes reclamações do atacante.

Não foram feitas modificações no intervalo (a única mexida havia acontecido aos vinte minutos de jogo, quando Gennaro Sardo saiu aparentando estiramento na coxa direita e deu lugar ao francês Nicolas Frey) e somente aos dez minutos Conte realizou a primeira substituição em sua equipe: saiu o inoperante Krasic para a entrada de Emanuele Giaccherini. Giaccherini até entrou bem no jogo, dando uma finalização que passou perto do ângulo esquerdo. Mas o elemento que mais poderia transformar o jogo na base do talento individual só foi colocado em campo aos vinte e quatro minutos: Alessandro Del Piero, que entrou no lugar de Claudio Marchisio. Aos 27 minutos, Vidal cruzou pela direita e Del Piero cabeceou mandando a bola na trave esquerda. A resposta do Chievo veio - ou  viria - no minuto seguinte, quando Sergio Pellissier e Giorgio Chiellini se enroscaram na área e Andrea De Marco optou por deixar o jogo seguir. No minuto posterior, Simone Pepe decidiu tentar de fora da área e mandou um chute que tinha o endereço do gol, mas o arqueiro Stefano Sorrentino conseguiu bonita defesa, saltando e espalmando.

Se Di Carlo já havia efetuado as três substituições (as duas últimas foram a entrada do peruano Rinaldo Cruzado no lugar de Paolo Sammarco e a entrada de Davide Mandelli no lugar do argentino Santiago Morero), Conte ainda podia realizar uma última alteração. E escolheu colocar o paraguaio Marcelo Estigarribia (quem acabou saindo foi Giaccherini, que deixou o campo sentindo uma lesão na coxa, semelhante ao caso de Sardo no primeiro tempo). Creio que a idéia original de Conte seria tirar Chiellini, mas não cabe aqui fazer especulações: o fato é que o treinador da Juve demorou para mexer na equipe. Del Piero poderia ter entrado antes e Pepe, por mais esforçado que seja, não me parece jogador para ser titular. Sobretudo num time que conta com Del Piero e Alessandro Matri entre os suplentes.

Nos minutos finais, cada time teve uma boa chance de chegar à vitória. Na oportunidade dos donos da casa, a bola passou lentamente por Buffon mas Del Piero afastou. Na chance juventina, Vidal lançou Del Piero e o camisa dez chutou bonito, mas por cima do travessão. As estatísticas pós-jogo apontavam o Chievo com 21min52seg de tempo de posse de bola para 34min34seg da Juventus. Mas não basta ter a bola consigo: é necessário saber o que fazer com ela. Vejo muito potencial nessa equipe bianconera, mas será necessário dar um padrão de jogo ao time numa forma que não foi vista no estádio Marc'Antonio Bentegodi. E os adeptos da Vecchia Signora torcem para que Antonio Conte, ídolo no clube, seja capaz de fazê-lo.

Curiosamente, o Jogada De Efeito também acompanhou a partida entre Chievo e Juventus realizada nesse mesmo estádio na temporada passada. Naquela oportunidade, empate por 1a1 que você pode relembrar aqui.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A Janela Fechou: Veja Algumas Das Principais Transferências Na Europa

Encerrou-se ontem a janela de transferências que marca o início de temporada européia. Muitas transferências de impacto se fizeram presentes, e vamos a uma breve análise sobre algumas negociações. 

Futebol espanhol

Atlético de Madrid


Negociou as saídas dos atacantes Sergio Agüero e Diego Forlán (com Manchester City e Internazionale, aos respectivos custos de 45 milhões pelo argentino e de 5 milhões de euros pelo uruguaio) e também do meio-campista brasileiro Elias (que passa a ser a maior contratação da história do Sporting: 8,85 milhões de euros). Outro que partiu foi o goleiro David de Gea, no Manchester United por um valor estimado em 19 milhões de libras. Quem chega ao Vicente Calderón é o goleador colombiano Falcao García, pelo qual os Colchoneros pagaram €40 milhões ao Porto. O meia brasileiro Diego, que saiu do Wolfsburg pela porta dos fundos, custou €15,5 milhões aos cofres do clube e tem no futebol espanhol a chance de retomar a carreira.
Falcao García tem sua apresentação no Atlético de Madrid presenciada por quinze mil torcedores: atacante colombiano foi o maior investimento do clube para a presente temporada.


Barcelona

Mantendo o elenco que vem encantando o futebol mundial, o Barça de Josep Guardiola conseguiu ficar ainda mais forte ao acertar as contratações do atacante chileno Alexis Sánchez (22 anos, ex-Udinese, em transação que pode chegar a 37 milhões de euros) e do meio-campista Francesc Fàbregas (24 anos, ex-Arsenal, pelo qual o Barcelona desembolsou 34 milhões de euros, com possibilidade de outros 6 milhões em bonificação por desempenho). Parece uma utopia, mas é realidade: os amantes do futebol arte podem ver Xavi, Iniesta, Cesc e Messi atuando juntos. Ah! O zagueiro argentino Gabriel Milito, de 30 anos e que estava desde 2007 no Barça, saiu e agora joga no Independiente. Mas ao que tudo indica nenhum barcelonista sentirá a falta dele: mesmo com as lesões de Puyol e Piqué, o Barça reagiu muito bem à proposta de Pep Guardiola. Qual proposta? Jogar seu um único zagueiro de origem.
Criado nas divisões de base do Barcelona, Francesc Fàbregas foi lapidado por Arsène Wenger no Arsenal e agora retorna ao Camp Nou, vestindo a camisa que um dia foi usada por Josep Guardiola.

Real Madrid

Pelo turco Nuri Sahin, meio-campista de 22 anos (completa 23 em 05.09.2011), o Real Madrid pagou aproximadamente €10 milhões ao Borussia Dortmund. Também da Alemanha veio outro meia turco: Hamit Altintop, que deixou o Bayern de Munique a custo zero. Mas talvez a maior novidade merengue tenha sido a de um compatriota do treinador José Mourinho: o lateral-esquerdo português Fábio Coentrão, nomeado o melhor jogador da posição na Copa do Mundo 2010, chega do Benfica por 30 milhões de euros. No fluxo contrário, o zagueiro argentino Ezequiel Garay trocou o Real pelo Benfica, que pagou €5,5M por 50% do passe desse jogador de 24 anos. O atacante togolês Emmanuel Adebayor retornou ao Manchester City após o empréstimo e o goleiro polonês Jerzy Dudek anunciou aposentadoria.
Contratado junto ao Benfica por €30M, lateral-esquerdo português Fábio Coentrão junta-se ao Real Madrid de seus compatriotas José Mourinho e Cristiano Ronaldo.
 
Futebol inglês


Arsenal

Dificilmente um outro clube tenha sofrido tanto com as perdas de jogadores quanto o Arsenal. Cesc Fàbregas (para o Barcelona), Samir Nasri e Gaël Clichy (ambos para o Manchester City) foram negociados. Para preencher lacunas como essas, o time foi às compras. E passam a integrar o elenco de Arsène Wenger: André Santos (transferência estimada em 7 milhões de euros junto ao Fenerbahce pelo lateral-esquerdo brasileiro de 28 anos), Per Mertesacker (zagueiro que aos 26 anos sai pela primeira vez do futebol alemão, ao deixar o Werder Bremen por 9 milhões de euros), Mikel Arteta (que chega por indicação de Wenger como substituto de Fàbregas, tendo o clube pago 10 milhões de libras ao Everton pelo meio-campista espanhol de 29 anos), Yossi Benayoun (meia israelense de 31 anos e que já atuou nos ingleses West Ham, Liverpool e Chelsea), Park Chu-Young (hábil meia sul-coreano de 26 anos, que vem do Mônaco por cerca de €5M para vestir a camisa 9 do Arsenal) e Gervinho (marfinense de 24 anos, contratado junto ao Lille por €13,5 milhões).
Destaque da Coréia do Sul na Copa do Mundo 2010, Park Chu-Young, ex-Mônaco, foi trazido pelo Arsenal em contratação que custou €5M ao clube londrino.


Chelsea

Saiu o treinador italiano Carlo Ancelotti, entrou o português André Villas-Boas, que faturou a Tríplice Coroa com o Porto na temporada passada. O clube tentou trazer o meio-campista croata Luka Modric, mas o Tottenham Hotspur não aceitou as ofertas. Se Modric não chegou, a equipe conseguiu acertar com o meia espanhol Juan Manuel Mata, de 23 anos e que custou 28 milhões de euros junto ao Valência. Outra novidade é o também meio-campista Raul Meireles, 28 anos, vindo do Liverpool por €13M.
No Valência desde 2007, Juan Manuel Mata chega ao Chelsea de André Villas-Boas em negociação de €28M.

Liverpool

A equipe comandada por Kenny Dalglish foi mais discreta nas suas transferências - modificou-se consideravelmente, mas sem envolver nomes tão badalados como os vistos na janela de janeiro. Chegaram o goleiro brasileiro Doni, o zagueiro uruguaio Sebastián Coates, o lateral-esquerdo espanhol José Enrique, os meio-campistas Jordan Henderson, Stewart Downing (pelo qual o clube pagou 20 milhões de libras ao Aston Villa), o escocês Charlie Adam, além do atacante galês Craig Bellamy, que retorna aos Reds após quatro anos. Dentre os que deixaram o clube, destacam-se Raul Meireles (o Chelsea pagou 13 milhões de euros pelo português) e o meia Joe Cole, emprestado ao Lille.
Atacante galês Craig Bellamy, hoje com 32 anos, em ação na sua primeira passagem pelo Liverpool: jogador esteve em Anfield Road entre 2006 e 2007, período em que marcou nove gols em quarenta e dois jogos.

Manchester City

45 milhões de euros por Agüero. 22 milhões de libras por Nasri. 8 milhões de euros por Clichy. Nadando em notas graúdas, os Citizens investiram forte para fazerem bonito nessa temporada, o que inclui uma participação na Liga dos Campeões da Europa, onde caíram num grupo com Napoli, Villarreal e Bayern de Munique. Os jogadores considerados mais importantes pelo treinador Roberto Mancini permanecem no clube, que pode ter como maior reforço um jogador que já faz parte do elenco: o argentino Carlos Alberto Tévez. Se "Carlitos" retomar o gosto por jogar futebol, o time tem maiores chances de sucesso ao longo das competições.
Samir Nasri posa com a camisa do Manchester City: jogador francês teve saída conturbada do Arsenal e foi negociado por 22 milhões de libras com sua nova equipe.


Manchester United

Se por um lado nomes de peso como o goleiro holandês Edwin van der Sar e o meio-campista Paul Scholes anunciaram aposentadoria, o técnico escocês Alex Ferguson conseguiu contratar jogadores de qualidade suficiente para pelo menos manter o nível visto em anos anteriores. Chegaram o jovem goleiro espanhol David de Gea (de 20 anos, trazido junto ao Atlético de Madrid por algo em torno de 19 milhões de libras) e o atacante Ashley Young (26, ex-Aston Villa e trazido por 16 milhões de libras), bem como retornaram de empréstimo os jovens Tom Cleverley (meio-campista de 22 anos) e Danny Welbeck (atacante de 20).
David De Gea, ex-Atlético de Madrid, tem aos vinte anos de idade a missão de vestir a camisa que era usada pelo lendário Edwin van der Sar.

Futebol italiano


Internazionale

Um dos melhores centroavantes na atualidade (na minha opinião o melhor, se relevarmos Lionel Messi) trocou Milão por Makhachkala, onde vestirá a camisa do russo Anzhi, equipe que vem investindo fortemente em contratações e que desembolsou €27M para tirar Samuel Eto'o do Nerazzurri. O camaronês de 30 anos de idade passa a ser o futebolista de maior salário no mundo: serão €20,5M anuais. Para a posição, os interistas pagaram €5M pelo uruguaio Diego Forlán, restando saber se estão trazendo o melhor jogador no Mundial 2010 ou uma figura bastante sumida na temporada passada com a camisa do Atlético de Madrid. Entre idas e vindas, a Internazionale cedeu o meia macedônio Goran Pandev por empréstimo ao Napoli e contratou, também por empréstimo (com custos de €2,7M), o atacante argentino Mauro Zárate, da Lazio. Vamos ver como se comportará a Internazionale com essas mudanças pontuais - porém significativas - no setor de ataque. Para alegria dos interistas, o camisa 10 Wesley Sneijder, fortemente especulado no Manchester United, segue sendo o maestro da equipe comandada por Gian Piero Gasperini, que assumiu o lugar do brasileiro Leonardo, que aceitou o convite para o cargo de diretor esportivo no Paris Saint-Germain.
Diego Forlán em ação contra a Internazionale: atacante uruguaio foi trazido do Atlético de Madrid para a vaga de Samuel Eto'o, que fez muito sucesso com a camisa interista.

Juventus

A equipe comandada por Antonio Conte (que atuou no clube como jogador entre 1992 e 2004) contou com reforços para todos os setores. Na defesa, chegou o lateral-direito suíço Stephan Lichtsteiner, de 27 anos, vindo da Lazio e com preço de 10 milhões de euros. No meio-campo, o experiente volante ex-milanista Andrea Pirlo, de 32 anos, veio a custo zero enquanto foram pagos €10,5M pelo chileno Arturo Vidal, 24 anos, ex-Bayer Leverkusen. Outro nome que reforça a meiuca juventina é o do paraguaio Marcelo Estigarribia, que aos 23 anos de idade teve bela participação na Copa América 2011 a serviço da seleção paraguaia, sendo emprestado pelo Le Mans à Juve por meio milhão de euros, com valor de transferência fixado em €5M. Para o ataque, chegam o montenegrino Mirko Vucinic (27 anos, ex-Roma, por €15M) e o habilidoso holandês Eljero Elia, de 24 anos, trazido do Hamburgo por €9M. E teve mais um reforço ao Bianconero: o volante brasileiro Felipe Melo foi emprestado para o futebol turco, onde atuará pelo Galatasaray. Por algo em torno de €8M, Mohamed Sissoko, de 26 anos, foi vendido ao Paris Saint-Germain.
Eljero Elia em ação pela seleção holandesa: jovem atacante é uma das maiores promessas do futebol mundial e chega em Turim numa negociação de nove milhões de euros.

Milan

Mantida a base campeã italiana na temporada passada, a maior perda milanista foi a saída de Pirlo para a Juventus, apesar de o veterano volante não ter atuado bastante no último ano. Juntam-se ao plantel de Massimiliano Allegri os defensores Philippe Mexès (francês de 29 anos, ex-Roma, chegando a custo zero), Taye Taiwo (nigeriano de 26 anos, ex-Olympique de Marselha, também em transferência livre), além dos meio-campistas Alberto Aquilani (de 27 anos, emprestado pelo Liverpool) e Antonio Nocerino (de 26 anos, chegando do Palermo em negociação que inclui um pagamento de €2,7M além da cessão de 50% dos direitos do jovem zagueiro português Ricardo Ferreira, de 18 anos, ao Rosanero).
Meio-campista italiano Alberto Aquilani, que tem vínculo contratual com o Liverpool, chega ao Milan por empréstimo.

Roma

Está aí um time que se modifica bastante em relação à temporada passada. Trocou de treinador (o espanhol Luís Enrique assume o comando técnico prometendo um estilo de jogo vistoso), perdeu jogadores importantes e trouxe muitas novidades. Dos que saíram, destaques para Mexès (agora no Milan), Vucinic (vendido à Juventus por €15M) e Jérémy Ménez, que se junta ao Paris Saint-Germain de Leonardo por um preço de €8M (e que pode ser acrescido em um milhão caso o PSG chegue à Liga dos Campeões da Europa). Entre os que chegam, vale destacar o goleiro holandês Maarten Stekelenburg (28 anos, ex-Ajax, por €6,8M), o meio-campista bósnio Miralem Pjanic (21 anos, ex-Lyon, por preço especulado em €11M), o também meio-campista Fernando Gago (argentino, 25 anos, ex-Real Madrid, por €7M) e o jovem atacante ex-Barcelona Bojan Krkic (espanhol, 20 anos, em transferência oficializada com valor de €12M).
 
Holandês Maarten Stekelenburg, vice-campeão mundial com a seleção holandesa em 2010, chega para proteger a baliza "Giallorossi" a um nível fora do alcance das capacidades técnicas do brasileiro Doni.

Saindo do eixo Espanha-Inglaterra-Itália, o time que mais se destacou no mercado de transferências nessa janela aqui abordada foi o francês Paris Saint-Germain, que depois de adquirido por um grupo sediado no Catar, passou a "assoar o nariz em notas de 100". Só para citar algumas das contratações do time que tem Leonardo como novo diretor esportivo: Sirigu (ex-Palermo, por €3,5M), Lugano (ex-Fenerbahce, por €3,5M), Bisevac (ex-Valenciennes, por €3,5M), Sissoko (ex-Juventus, por €7M), Ménez (ex-Roma, por €8M), Matuidi (ex-Saint Etienne, por €10M), Gameiro (ex-Lorient, por €11M) e a mais bombástica das contratações registradas nesta época: o meia argentino Javier Pastore, que veio do Palermo custando €42M.
Javier Pastore no momento de sua apresentação no Paris Saint-Germain: meia argentino de 22 anos chega como contratação mais cara dessa janela de transferências e é a maior esperança da equipe que tem Leonardo como novo diretor esportivo e um investidor disposto a gastar bastante com o clube.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Juve Vence Lazio E Cola Nas Competições Européias

A Juventus foi até a capital italiana e, embora não tenha feito uma boa partida, voltou de Roma com uma vitória providencial na empreitada de disputar ou a Liga Europa ou a Liga dos Campeões na próxima temporada. Com um gol solitário de Simone Pepe aos 42 minutos do segundo tempo, a "Vecchia Signora" chegou aos 56 pontos, ficando na 7ª colocação a 4 pontos de distância da 4ª colocada, que é exatamente a Lazio.

O jogo

É bem verdade que a Lazio tem chances consideráveis de conseguir uma vaga na próxima Liga dos Campeões da Europa e que a Juventus também tem o direito de sonhar com a 4ª posição. Mas, a julgar pelo desempenho de ambas as equipes no estádio Olímpico de Roma nessa última segunda-feira, é bem razoável estimar que Udinese e Roma podem tranqüilamente figurar na mais importante competição européia de clubes. Apresentando um futebol burocrático e de pouca criatividade, a Lazio mostrava dificuldades de desenvolver um jogo ofensivo, contando com as subidas do suíço Stephan Lichtsteiner pela direita e com o talento do brasileiro Hernanes, ora centralizado, ora mais pelo flanco esquerdo de campo. Mas muito pouco de interessante saía dos pés desses jogadores, o que acabava resultando no sumiço de jogadores de qualidade, como Sergio Floccari e o argentino Mauro Zárate. Pelo lado juventino, Alberto Aquilani era quem melhor organizava o meio-campo, com Alessandro Del Piero aparecendo pouco mas dando aquele toque de qualidade capaz de deixar um companheiro a qualquer momento na cara do gol. Como em lance onde Alessandro Matri ficou de frente com o goleiro uruguaio Fernando Muslera mas acabou tendo a finalização defendida pelo camisa 86.

A partida seguia sem emoções na etapa complementar, com o 0a0 se arrastando com toda a naturalidade. As entradas do bósnio Hasan Salihamidzic e do centroavante Luca Toni podem até ter sido bem-intencionadas por parte de Luigi Del Neri, mas o que efetivamente mudou o jogo a favor da Juventus foi a expulsão de Cristian Daniel Ledesma: aos 35 minutos, o jogador calçou o brasileiro Felipe Melo por trás (em lance onde ficou difícil detectar se houve de fato o toque que caracterizasse a falta) e o árbitro Paolo Silvio Mazzoleni mostrou ao ítalo-argentino o segundo cartão amarelo, que automaticamente converteu-se na eliminação de Ledesma da partida. Foi então que abriu-se caminho para o triunfo "Bianconero": aos 42 minutos, numa rara aparição de Pepe, o camisa 23 não desperdiçou a chance ao recolher a bola pela esquerda e, contando com um desvio sutil na marcação, superou Muslera e marcou o gol do jogo.

Se entre a expulsão e o gol Edoardo Reja havia trocado Zárate pelo australiano Mark Bresciano numa demonstração de tentar segurar o 0a0, após o gol anotado pelo adversário o treinador tratou de trocar Cristian Brocchi pelo tcheco Libor Kozák. Tarde demais. Na próxima rodada, a Lazio tem outro "confronto direto" pela Liga dos Campeões: visita a Udinese no domingo. Já a Juventus fecha a 36ª rodada recebendo o Chievo na segunda-feira para vencer o jogo e se aproximar do retorno à "UEFA Champions League".

Outros resultados


Sábado

Cesena (16º) 1a2 (2º) Internazionale
Napoli (3º) 1a0 (10º) Genoa

Domingo

Milan (1º) 1a0 (15º) Bologna
Sampdoria (17º) 3a3 (19º) Brescia
Catania (14º) 2a0 (11º) Cagliari
Chievo (12º) 1a0 (18º) Lecce
Parma (13º) 3a1 (8º) Palermo
Fiorentina (9º) 5a2 (5º) Udinese
Bari (20º) 2a3 (6º) Roma

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Jogando Bem, Lecce Vence Juventus E Mostra Fortes Condições De Permanecer Na Série A

O Lecce recebeu a Juventus na 26ª rodada do Campeonato Italiano e, mesmo bastante desfalcado (entre lesões e suspensões, pelo menos seis jogadores não puderam atuar pela equipe da casa no domingo), conquistou uma vitória por 2a0 jogando melhor que o tradicional adversário.

O resultado deve ter esfriado o ânimo juventino (a equipe vinha de vitória por 1a0 sobre a Internazionale), deixando a equipe na 6ª posição e com prejuízo de sete pontos para a zona de classificação para a próxima edição da Liga dos Campeões da Europa. Já para o Lecce, o placar - e talvez principalmente a atuação - dá ao elenco um aumento de confiança na disputa pela permanência na Série A (a equipe está em 16º lugar, com 4 pontos acima da zona de descenso).

O jogo


No 12º minuto de partida, uma bola enfiada deixou David Di Michele em liberdade para abrir o placar em favor dos donos da casa. Para evitar o gol, Gianluigi Buffon saiu da área e tocou com a mão, rendendo a manutenção do 0a0 mas também a expulsão do goleiro "bianconero". O treinador Luigi Del Neri optou por tirar o sérvio Milos Krasic para colocar o goleiro Marco Storari no jogo, o que não considero uma escolha feliz. Se o Lecce já era melhor antes disso (teve chances de inaugurar o placar aos 2 e aos 9 minutos), com a vantagem numérica bastou ter calma e tranqüilidade para construir a vitória.

E o gol inaugural aconteceu na marca de 31 minutos: após lançamento primoroso de Gianni Munari, o argelino Djamel Mesbah dominou no peito e chutou por baixo de Marco Storari para marcar seu primeiro gol na presente temporada. Seis minutos depois, Giulio Donati recolheu a bola na área pela direita, três jogadores juventinos acompanharam passivamente o lance e o chute de Donati saiu à direita. Após a saída de bola, Felipe Melo mostrou-se nervoso com a marcação de seus companheiros.

Com 39 minutos, a Juventus foi ao ataque na base do talento de Alessandro Matri, que fez fila em três adversários e após bate-rebate a bola sobrou para Claudio Marchisio, que chutou prensado e o goleiro Antonio Rosati defendeu. Três minutos depois, o participativo Giorgio Chiellini apresentou-se pelo lado esquerdo, efetuou um cruzamento rasteiro e Alberto Aquilani acabou furando a tentativa de finalizar com um chute de primeira. Naquele mesmo minuto, o Lecce respondeu: Djamel Mesbah recebeu, chutou cruzado à meia-altura da entrada da área e Storari espalmou.

Se por um lado os 10 homens da Juventus tinham mais posse de bola (15 minutos e 11 segundos diante de 12 minutos e 29 segundos dos donos da casa), eram os 11 do Lecce que finalizaram mais na etapa inicial: 8a4. Provavelmente visando transformar a posse em oportunidades de gol, Luigi Del Neri trocou no intervalo o atacante Luca Toni pelo camisa 10 Alessandro Del Piero. É a típica substituição que acusa um arrependimento do treinador por ter tirado Krasic em vez do próprio Toni, afinal, faltava alguém pra fazer a bola chegar lá na frente.

E logo no início do segundo o tempo o time da casa chegou ao segundo gol: Giuseppe Vives lançou, Di Michele - livre da marcação de Andrea Barzagli - ajeitou de cabeça, Marchisio ficou pelo caminho e Andrea Bertolacci completou pra rede, fazendo a alegria dos torcedores no estádio Via del Mare. E quase rolou o 3º gol 3 minutos depois: em contra-ataque iniciado com toque de calcanhar de Munari, ficaram 3 jogadores do Lecce contra um da Juventus, a bola acabou chegando na direita com o uruguaio Carlos Javier Grossmüller e o goleiro Storari conseguiu bloquear a finalização.

Aos 7 minutos, Di Michele deu lugar para o experiente atacante uruguaio Ernesto Javier Chevantón Espinosa, que rapidamente ganharia destaque no jogo com bonitos lances individuais. Na marca de 10 minutos, Ernesto Chevantón ficou muito perto de encostar numa bola cruzada por Davide Brivio, mas quem conseguiu completar foi seu compatriota Grossmüller, que estufou a rede pelo lado externo e gerou um alarme falso do que quase foi o 3º gol "giallorossi".

A fraca atuação do dinamarquês Frederik Sorensen e a necessidade de sair para o jogo induziram Del Neri a trocá-lo pelo atacante Vincenzo Iaquinta aos 13 minutos. Acontece que o Lecce era organizado o suficiente para neutralizar as investidas juventinas, fazendo de Iaquinta mais um figurante na partida.

Aos 21 minutos, Vives derrubou Del Piero após ser driblado pelo camisa 10 e recebeu cartão amarelo. Dois minutos depois, o mesmo Vives atingiu Chiellini com um carrinho, o defensor gritou de dor, olhou pro árbitro Paolo Silvio Mazzoleni e logo ficou de pé quando viu que Vives estava sendo expulso pelo segundo cartão amarelo.

O jogo voltou a ficar em igualdade numérica (agora com 20 jogadores em campo) e era o Lecce quem seguia melhor: aos 31 minutos, Munari aplicou uma caneta de letra pra cima de Chiellini e sofreu falta do camisa 3, que dessa vez não podia simular dores, embora deva ter doído levar aquele drible desconcertante na quina do campo, pertinho da bandeira de escanteio.

Na marca de 33 minutos, uma bola recuada "na fogueira" para Storari acabou sendo chutada pelo goleiro em cima de um adversário: eis que a bola sobrou para Chevantón, que deu de voleio e mandou perto da trave esquerda, na tentativa de marcar um golaço. Pra não dizer que a Juve não chegava ao ataque, houve uma chance aos 37 minutos, quando Del Piero cobrou falta pela direita e Iaquinta quase desviou para dentro. Mas era basicamente só isso.

O treinador Luigi De Canio resolveu fazer suas últimas duas substituições nos minutos finais, em ambos os casos tirando os autores dos gols: aos 40 minutos Mesbah deu lugar para Andrea Rispoli e 6 minutos depois foi a vez de Bertolacci sair para a entrada de Manuel Coppola. Mesmo com menos tempo de posse de bola (6 minutos a menos que os 29:13 sob domínio juventino), o Lecce foi plenamente merecedor da vitória e mostrou potencial para manter-se na Série A italiana.