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domingo, 23 de agosto de 2020

Num Mundo Que Chora Mortes Na Pandemia, Bayern É Incontestável Campeão Continental

Manuel Neuer levanta a taça: o Bayern de Munique é pela sexta vez o campeão europeu. Foto: Reuters/Matthew Childs/Pool.
 

É um mundo diferente daquele de menos de um ano atrás. E uma rápida olhada para a Liga dos Campeões da Europa ajuda a ter a noção do quanto as coisas se modificaram em questão de meses.

Olhe para o estádio que sediou a final do maior torneio de clubes europeus de futebol: ninguém nas arquibancadas. Felizmente, ninguém nas arquibancadas, pois se houvesse aglomeração, seria uma gigantesca negligência em tempos de pandemia viral.

O coronavírus (SARS-CoV-2 ou COVID-19) foi, sem nenhuma dúvida, o elemento que mais marcou essa edição da UEFA Champions League. Há quem diga (inclusive infectologistas) que o confronto entre Atalanta e Valência, na cidade italiana de Milão, em 19.02.2020, foi uma bomba viral. Explica-se: a Itália vinha somando muitos casos de infecção e morte no norte do país e, com o deslocamento de dezenas de milhares de torcedores desde a cidade de Bérgamo (cidade sede da Atalanta) até Milão (local do jogo), é bastante provável que naquele momento estava sendo levado o coronavírus para uma nova região do país. As semanas que sucederam o jogo deram a dimensão da tragédia, com a Itália se tornando o epicentro europeu de contágios e mortes. Cenário que veio a atingir, também, a Espanha, país onde ocorreu o jogo de volta entre aquelas duas equipes: a Atalanta venceu novamente e celebrou a classificação (sabe-se lá espalhando quantas gotículas carregadas de vírus entre os dois países)...

Mas, evidentemente, não há que se responsabilizar um único confronto futebolístico pela enormidade das mazelas. Os maiores responsáveis pelos danos causados são os chefes de governo que fazem pouco caso do isolamento social. São aqueles que bradam que "a economia não pode parar" (como se o capital tivesse vida e a vida fosse desprovida de qualquer sentimento). Enfim, aqueles que sobreviveram, puderam assistir o Bayern de Munique campeão europeu pela sexta vez em sua história. Um título que é esvaziado pelo momento de dor que vive a humanidade (somente mentes de psicopatas podem achar que este ano de dois mil e vinte é como outro qualquer). Mas, ainda assim, há que se dizer: parabéns ao Bayern pela espetacular campanha na competição, tendo vencido todas as partidas disputadas - antes e durante o coronavírus. Foram 43 gols em 11 jogos. E uma atuação maiúscula na final, quando superou a qualificada equipe do Paris Saint-Germain por 1a0, gol de Coman (que é cria do PSG), e com grandes atuações de Neuer e Thiago Alcântara. Ainda assim, certamente, a partida que mais será lembrada nessa trajetória épica terá sido a implacável goleada de 8a2 sobre o Barcelona, na fase de quartas de final, nove dias antes de levantar o troféu, também em Lisboa, também com portões fechados ao público.

Que a festa esportiva seja feita com responsabilidade na Alemanha e em qualquer lugar. Há, nesse momento, famílias em luto. Pessoas que trocariam o êxito do seu time por simplesmente poder voltar ao convívio de seus entes queridos. Vidas que economia nenhuma poderá trazer de volta.

domingo, 22 de outubro de 2017

Péssimo Perdedor

Neymar ri da própria expulsão: moleque. Foto: Reuters.
Tarde de domingo no Brasil (noite na França). Olympique de Marseille e Paris Saint-Germain em campo. Uma instituição altamente tradicional recebendo em seu festivo estádio o clube de investimento financeiro mais pesado do planeta na atualidade. Sintomático para uma partida interessante. E não deu outra.

Mas quem esperava um espetáculo do trio MCN (Mbappé, Cavani e Neymar), não viu nada nem perto disso. Os três jogaram abaixo de seu potencial. E os três assistiram o adversário abrir o placar em lindo chute de Luiz Gustavo, mandando de fora da área um remate em curva que levou a bola para fora do alcance do goleiro Alphone Areola. Um prêmio ao volante brasileiro, que era naquele momento e continuou sendo com o desenrolar do jogo o melhor jogador em campo.

Porém, mesmo sem render aquilo que dele se espera, o PSG achou o gol de empate: Rabiot recebeu um tijolo de Neymar e amaciou devolvendo o passe. O astro camisa dez deu um chute mascado, mas que acabou tomando o endereço preciso do canto esquerdo, tocando na trave antes de entrar no gol de Steve Mandanda.

O empate seguiu ao intervalo. E caminhou pelo segundo tempo. A entrada de Draxler no lugar de Thiago Motta até sugeriria um maior ímpeto parisiense. Mas quem fez a diferença tendo saído do banco de reservas foi um jogador do time da casa: Clinton N'Jie recuperou a bola na área adversária e cruzou. Thauvin chegou antes de Thiago Silva e estufou a rede para recolocar o OM em vantagem.

E aí apareceu Neymar. Apareceu não da maneira que os 222 milhões de euros requeririam. Apareceu pelo seu já conhecido temperamento anti-desportivo, a justificar o título dessa postagem: péssimo perdedor.

Sem conseguir apresentar seu melhor futebol, o jogador mais caro da história dessa modalidade esportiva era acompanhado de perto pela forte marcação adversária. Sofria faltas, a grande maioria marcada corretamente pela arbitragem de Ruddy Buquet. Só que a paciência e aceitação de Neymar Júnior com os acontecimentos do jogo muda radicalmente de magnitude dependendo da situação no placar. Sete minutos após o 2a1, recebeu amarelo após agredir um oponente no chão. Sim, na mais pura covardia. E dois minutos depois disso, conseguiu ir além: com o jogo parado, não tolerou um toque por trás do argentino Lucas Ocampos e revidou desproporcionalmente com uma cabeçada na face do companheiro de profissão. Recebeu o segundo amarelo e foi expulso, deixando o campo aplaudindo ironicamente a decisão do juiz. Particularmente, acho que o sr. Buquet errou. Deveria é ter dado o cartão vermelho direto para o jogador.

Sem Neymar mas com força de vontade, o Paris Saint-Germain chegou ao empate nos acréscimos: Cavani sofreu falta de Sarr e ele próprio cobrou com firmeza, vendo a bola bater no travessão antes de entrar. Uma falta que, daquela posição e naquele momento do jogo, talvez fosse cobrada por Neymar. Por sorte da equipe, Neymar já não estava em campo. E o PSG mantém a invencibilidade no Campeonato Francês, com oito vitórias e dois empates. O OM aparece em quinto, com dezoito pontos.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

222 Milhões De Neymares

Um dos maiores talentos no futebol atual e forte concorrente a melhor jogador do mundo no futuro, Neymar conseguiu todos os holofotes nesta semana por uma razão improvável: uma transferência para fora do Barcelona.

O elenco barcelonista pediu pela permanência do brasileiro, que representa a terceira letra (mas não menos importante) no excepcional trio MSN. Mas, após um silêncio sepulcral e até inconveniente, ele anunciou a saída do clube catalão.

Havia um entendimento quase que automático apontando Neymar como o sucessor natural de Lionel Messi no Barcelona. Mas no meio do caminho havia uma tentação. Tentação essa que considero estritamente financeira e nada, repito, nada esportiva. Das finanças de Neymar cuida o xará paterno. Cuida com tanto afinco às cédulas que a troca do Santos pelo Barça virou literalmente um caso de polícia. Confesso que não sei quem é mais mercenário: se o irmão do Ronaldinho ou se o pai do Neymar. Mas não quero entrar nessa discussão entre ex-craques do Barcelona. Vamos nos ater a esta mudança do ex-santista para Paris.

Um ano depois de Pogba ser o primeiro jogador na história do futebol a ser negociado acima dos 100 milhões de euros, Neymar é negociado acima dos 200 milhões de euros. Mais precisamente, 222 milhões, o valor da multa rescisória. Um negócio que, incluindo impostos e pagamentos diversos ao jogador e seu pai-empresário, passa batido pelo um bilhão de reais. Um negócio que não é da China, mas do Catar. E que coloca em dúvida o jamais suficientemente bem explicado "fair play financeiro".

Fato é que Neymar chega ao Paris Saint-Germain com a responsabilidade de liderar o time da capital francesa ao título da Liga dos Campeões da Europa. Sim, é esse troféu que o clube e seus investidores procuram. Se acostumaram a vencer os torneios domésticos e a meta é o continente. Uma meta até modesta dado o orçamento galáctico do clube.

Mas então, Neymar fez bem em partir para o PSG? Diria que Neymar trocou uma história que o eternizaria por uma aventura que o enriquecerá. Não que ele já não fosse rico. Mas muito se torna pouco quando a ganância é grande.

Com todo respeito ao Mônaco, ao Olympique de Marselha, ao Lyon e a outros rivais, mas o Campeonato Francês não oferece a Neymar os mesmos desafios da Liga Espanhola. Tudo bem, tanto PSG quanto Barça são (muito) mais fortes que a (grande) maioria dos oponentes em seus países. Mas a Espanha está facilmente pelo menos um nível acima da França em sua principal divisão de clubes. E o Barcelona, como instituição, tem/tinha muito mais a oferecer ao jogador/pessoa Neymar do que os investidores catares poderão/quererão fazê-lo. Trocou-se filosofia por regalia.

Neymar e, principalmente, seu pai, não querem saber disso. O PSG oferecerá uma fortuna e um protagonismo que dificilmente seriam obtidos simultânea e imediatamente em qualquer outro lugar no mundo.

08.03.2017: noite inesquecível. Arquivo pessoal.
Particularmente, lamento a saída de Neymar. Tive o prazer e o privilégio de assistir o histórico jogo entre Barcelona e PSG no Camp Nou, em oito de março deste ano. Partida memorável por vários elementos e, esportivamente, uma das maiores viradas de qualquer modalidade. O 4a0 que o PSG obteve na ida gerou sentenças de "já era". Na volta, o Barça, com grande atuação de Neymar, alcançou 3a0. E o gol único do PSG no segundo tempo, retomou o "já era". Mas era possível. E o 6a1 imortalizou aquela gostosa noite na Catalunha. Lembro que, na saída do estádio, cheguei a puxar um "uh, tá maneiro, o Neymar é brasileiro". Por irônica coincidência, menos de cinco meses depois, a rima mais apropriada talvez seria "uh, tá maneiro, o Neymar quer mais dinheiro". E ele trocou Barcelona por Paris. Direito dele. Mas é meu dever dizer: havendo um novo Barça e PSG, estarei torcendo por Messi e companhia. Não se troca uma identificação por 222 milhões de nada.

domingo, 13 de março de 2016

9dade: Paris Saint-Germain É Campeão Francês

Imagem extraída de Yahoo!.
2012-3, 2013-4, 2014-5, 2015-6.

Pela quarta temporada consecutiva, o Paris Saint-Germain conquista o título de campeão francês. Dessa vez, com assombrosas oito rodadas de antecipação, numa campanha de 77 pontos e 77 gols marcados. E contando... Eu não ousaria duvidar de uma marca centenária. Ainda mais depois de hoje.

12', 16', 18'; 45', 51', 54', 57', 74', 87'. Foram nove os gols marcados pelos campeões diante do lanterna. Lanterna, tudo bem. Mas um lanterna que entrou em campo com  uma média de dois gols sofridos por partida. De dois para nove é uma outra conversa. É um outro adversário. É o Paris Saint-Germain.

Desde o gol inaugural do uruguaio Edinson Cavani, aproveitando um presente da defesa adversária, até o gol do sueco Zlatan Ibrahimovic, que fechou a contagem após contra-ataque veloz, iniciado após cobrança de escanteio, a preponderância da equipe visitante foi evidente, explícita, escancarada.

Os argentinos Javier Pastore e Ángel Di María sobravam no meio-campo, esbanjando talento e eficiência. A dupla de zaga brasileira composta por Thiago Silva e David Luiz, nas poucas vezes em que era envolvida, conseguia dificultar as ações oponentes. O goleiro Trapp ainda deu a sua contribuição para manter o zero dos mandantes. Mandantes que em nada mandavam. Só balançaram a rede em gol contra de Saunier - não fosse ele, Ibra provavelmente completaria para dentro.

Dreyer, arqueiro vazado em nove ocasiões diferentes, é dos menos responsáveis pelo resultado. Se houve uma ou outra bola defensável, a realidade é que não daria para Dreyer nem ninguém, sozinho na condição de goleiro, evitar uma goleada acachapante parisiense. Chegou a pegar um pênalti de Cavani, que acabou convertido no rebote da cobrança pelo próprio camisa nove.

Enfim, a temporada para o PSG caminha para um final feliz. O título francês, conquistado hoje, nenhuma novidade. O da Copa da França, que terá sua fase semifinal disputada em abril, seria uma dobradinha também já conhecida pela torcida tricolor. Mas o grande sonho, talvez até uma obsessão por parte do proprietário do clube da capital francesa, é a Liga dos Campeões da Europa, competição na qual o Paris Saint-Germain encontra-se classificado para a fase quartas-de-final. Ibrahimovic pediu paciência, evitando criar grandes expectativas em torno do tão cobiçado torneio. Mas como não alimentar esperanças de dimensões continentais depois de se firmar solidamente no cenário nacional? Depois de aplicar nove a zero no adversário?

O fato é que, com ou sem a Tríplice Coroa, o PSG não deixa dúvidas de que realiza excepcional temporada sob o comando de Laurent Blanc. O momento é de festa. E a força demonstrada dá ao clube o direito de sonhar com escaladas maiores. Talvez do tamanho de uma torre Eiffel.

domingo, 18 de janeiro de 2015

Je Suis Rico Com Futebol Pobre

Sabe quando você vê um jogo entre um clube multi-milionário (talvez não o clube, mas seu proprietário) e outro de orçamento modesto, e aí se pergunta: onde está, no desempenho dentro de campo, toda essa diferença de poder econômico?

Pois bem, esse é o retrato de Paris Saint-Germain e Evian Thonon Gaillard, no Parque dos Príncipes. O time de Lucas, Pastore e Ibrahimovic, que se dá ao luxo de colocar os indisciplinados Lavezzi e Cavani no banco de reservas (ambos atrasaram na reapresentação e foram punidos pelo treinador Laurent Blanc com três jogos de afastamento, retornando no segundo tempo aos jogos oficiais) não conseguia envolver um adversário que contava com Barbosa, Benezet e N'Sikulu. Sejamos francos: você conhece algum desses três nomes? Provavelmente, ouviu falar de Barbosa, goleiro da seleção brasileira na Copa de 1950. Mas e de Cédric Barbosa, camisa 14 do Evian? Pois vai ouvir falar agora: foi dele, aos 14 minutos, o gol que abriu o placar na capital francesa.

Precisando da vitória, ambos os times estavam. O Evian para tentar sair da zona de rebaixamento. O PSG, para diminuir a diferença para o topo da tabela. Para se reafirmar. Para justificar o investimento. E os donos da casa iam para o ataque. Às vezes com tanta sede que se expunha aos contra-ataques oponentes, quase sempre perigosos. Acredite: o Evian TG sabia rodar a bola com mais inteligência que o Paris SG. Era veloz e objetivo. Causava dificuldades. Mas, na defesa, não tinha muitos recursos para aguentar o monte de craques que vestiam azul. Aliás, tinha um grande recurso: o goleiro Leroy, que teve atuação sensacional. Suas intervenções em chutes de David Luiz, Ibrahimovic e Lucas foram algo extraordinário. Leroy já era o herói com menos de meia hora de jogo. Mas a bola parada castigou o Evian e seu ótimo arqueiro: Thiago Motta cobrou escanteio pela direita e David Luiz, que acabara de cumprimentar Leroy pela defesa em chute de Lucas (defesa que gerou esse escanteio), cabeceou firme uma bola indefensável. E olha que Leroy quase conseguiu espalmar para além do travessão. Um a um no placar.

Se com bola rolando nada feito, foi novamente na bola parada que o PSG achou o caminho da rede. Dessa vez, foi de Verratti o gol da equipe mandante. Ida para o vestiário com maior tranqüilidade, pois o placar era favorável. Porém, se formos pensar na atuação, o time de Blanc tinha todos os motivos para se preocupar. E não deu outra: aos dezessete, após cruzamento, Van der Wiel mandou contra o próprio patrimônio e marcou um irônico belo gol de cabeça. Consciente, diria, para incrementar a ironia. Consciente que, a partir dali, jogar melhor que aquilo virou uma questão de dignidade para o PSG. Imagine no final-de-semana seguinte à vexatória derrota de virada por 4a2 para o Bastia, um tropeço diante do Evian em pleno Parc des Princes? Com todo respeito ao Evian, é claro. Mas é aquela conversa do início do texto: "Sabe quando você vê um jogo entre um clube multi-milionário (talvez não o clube, mas seu proprietário) e outro de orçamento modesto, e aí se pergunta: onde está, no desempenho dentro de campo, toda essa diferença de poder econômico?"

Blanc resolveu mexer. E optou por colocar Cavani no lugar de Matuidi. Dessa forma, Verratti e Motta protegiam a defesa enquanto Ibrahimovic ganhava um companheiro de área. Matuidi era mais participativo que Pastore, mas o prêmio para o treinador por manter o meia argentino veio cinco minutos após a alteração: aos vinte e oito, Lucas fez o passe a Pastore mandou para a rede. Comemorou homenageando o filho, colocando a bola sob a camisa e simulando a gravidez. Talvez anunciando que estava para nascer uma boa atuação do PSG naquele jogo. Aos quarenta e três, já sem Lucas (que saiu de campo ovacionado pela torcida) e Pastore (entraram Lavezzi e Rabiot), brilhou a estrela de Cavani, que simplesmente empurrou a bola para a rede após boa jogada de Ibrahimovic.

Agora, o "poderoso" PSG vai torcer. Com 41 pontos e a quatro do líder Lyon, o clube mais rico da França torcerá pelo Rennes diante do Saint Éttiene e, mais tarde, para o Guingamp diante do Olympique de Marseille. É que Saint Éttiene e Olyimpique aparecem com 39 e 41 pontos, respectivamente. Mas, mais importante que essa "torcida contra", é torcer a favor. Torcer a favor do futebol. E isso quer dizer o seguinte: começar a jogar de maneira condizente ao nível técnico do elenco montado para essa temporada. Coisa que, pelo visto diante do Evian, parece estar longe de nascer.
Imagem extraída de Goal.com.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Mônaco E PSG Empatam "Final" Dos Pontos Corridos

Que a disputa pelo título no Campeonato Francês 2013-4 vai ficar restrita aos novos ricos Paris Saint-Germain e Mônaco, isso quase ninguém contesta. A dúvida é com quem ficará o troféu. Para ajudar a tirar essa dúvida - ou não -, o Mônaco recebeu o PSG no principado. Se vencesse, faria a diferença cair para dois pontinhos. Se perdesse, veria a distância se alargar para oito pontões. Mas o confronto terminou foi empatado, mantendo uma margem de cinco pontos, onde o time da capital depende apenas de si para faturar o caneco na liga nacional.

A partida, no geral, foi marcada pelo equilíbrio. Em lance de bola parada, Javier Pastore completou após desvio de Alex para inaugurar o marcador, com sete minutos de jogo. O PSG teve novas chances de gol, não muitas, mas o suficiente para, com eficiência, ampliar a vantagem. Não aproveitou, esbarrando na bela atuação do goleiro Danijel Subasic. Levou o empate, em lance onde o brasileiro Fabinho bateu cruzado e o também brasileiro Thiago Silva acabou tendo a infelicidade de tirar Salvatore Sirigu da jogada ao desviar para o próprio gol, aos vinte e oito minutos na etapa derradeira.

E olha que quase rolou a virada, em lance onde Fabinho voltou a ser acionado pela direita, chutou forte e Sirigu salvou os visitantes. Sumido em campo, Ibrahimovic teve grande oportunidade de desempatar, mas parou em nova defesa de Subasic. No final, um empate por 1a1 que deixa dúvida sobre quem ficará com o título - a vantagem de cinco pontos para o PSG, porém, é considerável - mas traz uma certeza: o jogo poderia ser ainda melhor com as presenças de Falcao García e Edinson Cavani.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Heroísmos Numa Quarta-feira Futebolística

Vamos aqui falar sobre três jogos assistidos pelo blogueiro nessa última quarta-feira (ontem, 17.04.2013). Poderiam ser três tópicos diferentes, mas veio a idéia de juntar tudo numa única postagem, compactando o conteúdo e, na medida do possível, estabelecendo relações entre as diferentes partidas.

Seguindo a ordem cronológica dos eventos, comecemos pela fase quartas-de-final na Copa da França, onde Evian e Paris Saint-Germain se enfrentaram em jogo único, decidido somente nas cobranças de pênaltis. No tempo regulamentar, empate em 1a1 (Pastore abriu o placar com um golaço da meia-lua e Khelifa empatou para os donos da casa ainda no primeiro tempo).

Muito superior tecnicamente, tendo montado um time caríssimo e que recentemente conseguiu jogar de igual para igual com o Barcelona, o PSG voltou a atuar de maneira irregular, tal como tive a oportunidade de acompanhar algumas vezes nessa temporada. Sem Lucas (contundido) e com Ménez bastante sumido nas ações ofensivas, a equipe mostrava poucas alternativas para infiltrar na defesa cor-de-rosa, que tinha no brasileiro Betão uma de suas fortalezas para impedir o sucesso de jogadores como Ibrahimovic, Lavezzi (que entrou no segundo tempo) e o próprio autor do gol, Pastore, que não teve grandes facilidades nas proximidades da área.

Com duas ou três belas intervenções, o goleiro Laquait ajudou a levar o aplicado time de Pascal Dupraz às penalidades máximas, defendendo a cobrança de Ibra para se consagrar de vez no confronto que colocou, pela primeira vez na história, o Evian numa semifinal de Coupe de France. Para frustração de um PSG que sonhava com uma dobradinha inédita, restando agora o Campeonato Francês para "salvar" a temporada dos comandados de Carlo Ancelotti, líderes isolados na competição.

Depois de ver a festa de Laquait, Betão e companhia diante de seus torcedores na França, voltamos para o Brasil sem sair do sofá: era estréia do Botafogo na Copa do Brasil. Embalado por oito vitórias consecutivas na temporada (incluindo aí semifinal e final na Taça Guanabara), o Alvinegro jogou no campo do Sobradinho mas com clima de partida dentro de casa, pois a grande maioria presente nas arquibancadas era botafoguense. Seedorf teve grande atuação e a equipe dominou as ações por praticamente todo o tempo de jogo, mas não foi capaz de tirar o zero no placar. E ainda levou um susto no final, pois nos acréscimos levou um gol que veio a ser corretamente anulado, por impedimento de alguns centímetros. O heroísmo nessa partida fica para o esforço dos jogadores do Sobradinho e, em especial, para o goleiro Donizeti, que sempre correspondeu quando exigido, incluindo um lance em que evitou gol contra de Ronaldo, defendendo acrobaticamente. Com sorte, quem sabe a equipe não consegue o feito de sair classificada no Rio de Janeiro? Aliás, com muita sorte, porque tudo leva a crer que o Botafogo estará mais inspirado na partida de volta.

Finalmente, Copa Kevin Libertadores da América 2013. São Paulo, ameaçadíssimo de eliminação, e Atlético Mineiro, garantidíssimo com a melhor campanha na fase de grupos. Duelo colocando em choque times dos excepcionais Ney Franco e Cuca. Jogo com cara de decisão, bastante truncado. No segundo tempo, um pênalti cometido por Leonardo Silva abriu o caminho para a vitória tricolor: Rogério Ceni converteu a cobrança e, mais tarde, uma jogada iniciada por Ganso chegou até Osvaldo e terminou na conclusão de Ademílson. 2a0 e, com a vitória do Arsenal sobre o The Strongest, teremos nas oitavas-de-final... Atlético e São Paulo! Heroísmo? Dessa vez deixo para a torcida são-paulina, que fez bonita festa e abraçou o time. Não estranharia se desse duelo saísse o novo campeão continental...

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Em Belo Jogo, Messi Entra E "Salva" Barcelona Diante Do Paris Saint-Germain

Sem se intimidar por enfrentar o melhor time dos últimos tempos em pleno campo adversário, o Paris Saint-Germain mostrou para quem quisesse ver que sim, é possível duelar com o Barcelona no Camp Nou sem fazer uso de uma retranca. Não apenas é possível, como viável. E, principalmente, bonito. É melhor para o futebol.

No final das contas o empate por 1a1 na Catalunha somado ao empate por 2a2 na França classificou o Barça pelo número de gols marcados fora de casa. E o Barcelona teve dois elementos fundamentais para conseguir uma vaga na semifinal: o goleiro Valdés, com pelo menos três grandes intervenções, e o gênio Messi, que entrou no segundo tempo quando a equipe perdia por 1a0 e melhorou o jeito de jogar, reaproximando esse time dirigido pelo competente Vilanova daquele comandado pelo excepcional Guardiola.

Achei que esse jogo em Barcelona teve "1001 utilidades". Mostrou que é plenamente acertada a escolha de uma formação ofensiva para enfrentar o ótimo Barça (conforme dito no parágrafo inicial). Mostrou que Ancelotti está "se modernizando" desde que deixou o Milan, conseguindo preparar equipes atrativas e vencedoras em duas ligas diferentes (foi assim com o Chelsea e está sendo com o PSG). Mostrou que Lucas já está mais do que adaptado ao novo clube, exercendo inclusive uma notável liderança, esbanjando talento e personalidade. Mostrou que o Barça é fortíssimo mesmo sem Messi e praticamente imbatível com o argentino em campo.

Com Barcelona, Bayern, Borussia e Real na fase semifinal, seja lá o que o sorteio reservar, teremos quatro partidas (cinco, se já contarmos com a final em Wembley) para colocarmos carinhosamente na agenda e acompanharmos atentamente. Aliás, dá até para dizer que houve um upgrade em relação à edição passada da Liga dos Campeões: mantiveram os poderosos Barça, Bayern e Real e, no lugar do irregular Chelsea (atual campeão e eliminado na fase de grupos), entrou o eficiente e vistoso Dortmund para jogar as semifinais continentais. Não tenho a menor dúvida que será de arrepiar. Deuses do futebol capricharam na Europa e talvez estejam dando uma prévia para a Copa do Mundo 2014: Espanha e Alemanha podem vir melhores do que nunca. Sem esquecer, é claro, da Argentina. De Lionel Messi.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

PSG Busca Empate Duas Vezes E Agora Decide Vaga Em Barcelona

França e Espanha haviam jogado em Paris pelas Eliminatórias na semana passada. Agora foi a vez de um novo encontro na mesma cidade, mas dessa vez entre os clubes Paris Saint-Germain e Barcelona, respectivos líderes em suas ligas nacionais. E no duelo que abriu a fase quartas-de-final na Liga dos Campeões da Europa, o empate em 2a2 retratou uma partida movimentada onde ambas as equipes deram bastante atenção ao ataque, proporcionando um jogo interessante.

Carlo Ancelotti trouxe David Beckham entre os titulares e o experiente meio-campista inglês foi o principal articulador de jogadas dos donos da casa no primeiro tempo. Voltando para buscar o jogo, chegou inclusive a ofuscar o meia argentino Javier Pastore, que também era utilizado na armação mas não conseguia ter o mesmo volume de participação que seu companheiro vindo do Los Angeles Galaxy.

Tito Vilanova, com David Villa e Alexis Sánchez fazendo companhia a Lionel Messi na linha mais avançada barcelonista, conseguiu formar um time ofensivo e insinuante. Daniel Alves, aberto e livre pela direita, poderia ter sido mais acionado numa equipe que parecia viciada em avançar pelo lado esquerdo - setor forte, com Andrés Iniesta e Jordi Alba, mas mais bloqueado que o flanco oposto. E foi com participação de Daniel que o Barça abriu o placar, só que em jogada pelo setor esquerdo: o lateral-direito brasileiro deu ótimo passe de trivela e encontrou Lionel Messi, que com somente um toque na bola conseguiu superar Salvatore Sirigu.

Infelizmente, Messi sentiu alguma lesão na perna direita e não voltou para o segundo tempo - Francesc Fàbregas entrou em seu lugar. O PSG fazia partida de igual para igual com o melhor time do mundo mas só foi alcançar a igualdade no placar após as três substituições de Ancelotti. Primeiro, Ménez entrou no lugar de Lavezzi; depois, Beckham deu lugar para Verratti, e por último, foi a vez de Pastore ceder espaço para Gameiro. Em posição irregular, Ibrahimovic aproveitou um rebote para dar alegria aos torcedores anfitriões.

Com Tello no lugar de Villa e Bartra no de Mascherano, Vilanova mexeu no Barça. E a equipe conseguiu retomar a vantagem no marcador: Sirigu cometeu pênalti em Sánchez e Xavi Hernández não desperdiçou a cobrança. Mas quem achava que aquele gol aos quarenta e três minutos do segundo tempo decretaria a vitória barcelonista, enganou-se: aos quarenta e oito, Ibrahimovic ajeitou de cabeça e Matuidi pegou firme, superando Victor Valdés.

Para o jogo de volta, a expectativa é de que Messi não jogue, se recuperando da contusão. Pedro, autor do gol no duelo entre as seleções pelas eliminatórias na semana anterior e que foi desfalque nessa partida de ida, pode ser o reforço que o Barça necessita para dar um novo ânimo a um ataque que depende demais do brilho do gênio argentino. Suspensos, Matuidi e Mascherano não jogarão. Agora é aguardar o duelo no Camp Nou, que terá personagens como o seguro defensor Thiago Silva e o ótimo meia Lucas tentando estragar a festa catalã.

Outro resultado

Bayern de Munique 2a0 Juventus

quarta-feira, 6 de março de 2013

PSG Joga Para O Gasto E Elimina O Valencia

Após perder para o Reims pelo Campeonato Francês no último sábado, o Paris Saint-Germain conseguiu, diante do Valência, a classificação para a fase quartas-de-final na Liga dos Campeões da Europa. O time comandado por Carlo Ancelotti não fez uma boa partida, mas reagiu bem quando sofreu o gol inaugural, buscando o empate e conseguindo manter o 1a1 até o apito final, usufruindo do triunfo em solo espanhol no jogo de ida (2a1).

O time visitante fez um primeiro tempo superior ao adversário, mostrando não se intimidar com o Parc des Princes lotado e saindo para o jogo. O ataque formado por Soldado e Jonas deu bastante trabalho a uma defesa que contava com o retorno de Thiago Silva e a proteção de outro Thiago - Motta -, além dos também brasileiros Alex e Maxwell. O mais badalado dos nossos compatriotas, porém, fazia partida no máximo discreta. Até porque Lucas raramente era acionado por um meio-campo mais focado em conter as investidas adversárias do que em criar jogadas de ataque.

O 0a0 se manteve até o intervalo e Ernesto Valverde trouxe o Valência com Banega no lugar de Albelda. E, com nove minutos, o seu time abriu o placar através de belo chute de Jonas, no canto direito. Ancelotti, que havia no primeiro tempo trocado Jallet por Van der Wiel devido a questões físicas, dessa vez mexeu no PSG por razões táticas, promovendo a entrada do atacante Gameiro no lugar do volante Thiago Motta. Matuidi, gigantesco no meio-campo, se desdobrou na função de volante e o time da casa foi premiado pela alteração realizada por seu treinador: Gameiro fez jogada individual e, aos vinte minutos, Lavezzi empatou a partida aproveitando o próprio rebote.

Valverde colocou Piatti no lugar de Feghouli e depois trocou Jonas por Valdéz. Mexidas que pouco mudavam a configuração tática de um time que precisava de um gol para levar o confronto até a prorrogação. Ancelotti, por sua vez, mexeu de forma mais contundente, trocando Lucas pelo zagueiro Sakho. Mostrou bem o que queria quando pôs Gameiro. Conseguiu o gol. Mostrou bem o que queria nessa substituição derradeira. Conseguiu manter o empate. Mesmo sem brilhar, o Paris Saint-Germain avança e há que se respeitar um time que tem um multicampeão no cargo de treinador.

sábado, 2 de março de 2013

Reims Surpreende E, Com Justiça, Vence PSG

De um lado, o modesto 17º colocado, equipe que beira a zona de rebaixamento. De outro, o badalado e bilionário líder no Campeoanto Francês. No meio dos dois, um negócio incrível, apaixonante e surpreendente chamado futebol. Resultado final: vitória do Stade de Reims sobre o Paris Saint-Germain, por 1a0, para delírio de um público que praticamente lotou o estádio Auguste-Delaune II, em Reims.

Não que tenha sido um grande jogo, longe disso. Na realidade, o primeiro tempo foi até de dar sono (ainda mais para alguém que tenha enchido a pança com um delicioso nhoque com molho de soja). Mas valeu o esforço de resistir à vontade de dormir, pois estamos aqui compartilhando os acontecimentos de mais um daqueles eventos que fazem do futebol um esporte tão especial.

A primeira etapa teve algumas poucas oportunidades para cada equipe, sendo as principais delas aos trinta e quatro minutos. Uma para cada lado, pois no contra-ataque de um quase-gol do Reims, o Paris Saint-Germain teve chance grandiosa para abrir o placar: o volante italiano Verratti bloqueou finalização que tinha o endereço do gol, Sakho emendou para afastar o perigo e, após trapalhada de Signorino no círculo central, o argentino Lavezzi partiu em disparada, tendo somente o goleiro togolês Agassa pela frente, em cena de fazer lembrar aquele duelo entre Diego Souza e Cássio, em 2012.

O desfecho do lance teve semelhanças e diferenças com o de Vasco e Corinthians. Chamou atenção a reação de Agassa, que ficou paradão, em pé, numa postura que talvez tenha complicado o raciocínio de Lavezzi, que acabou chutando para fora, também à esquerda. Diante de tamanho desperdício, o 0a0 persistiria até o intervalo.

Na volta, o sueco Ibrahimovic mandou pra rede aos dois minutos, mas foi marcado impedimento no lance, frustrando a comemoração dele e dos torcedores visitantes. Aos treze minutos não teve gol, mas ocorreu um fato que dava a enteder que a partir dali sairia a vitória do PSG: Glombard, que já havia recebido cartão amarelo no primeiro minuto do segundo tempo, recebeu o segundo por cometer nova entrada imprudente, deixando o Reims com um jogador a menos dentro de campo. Fournier, então, trocou Devaux por Ghisolfi, dois minutos depois. E, mais dois minutos passados, saiu o gol. Do Reims! Após cobrança de escanteio pela direita, Fofana ajeitou e Krychowiak completou pra rede. 1a0 e muita festa no estádio.

Ancelotti tratou de mexer no time para tentar reverter uma situação vexatória, pois é difícil de admitir uma derrota quando se tem um elenco muito mais qualificado e ainda em vantagem numérica no gramado. Imediatamente após o gol, trocou Verratti pelo inglês Beckham. Pouco depois, o argentino Pastore deu lugar para Menéz. E era pelo lado direito que o time da capital buscava a infiltração, com Beckham organizando a maioria das jogadas e contando com as aproximações de Van der Wiel e Menéz por aquele setor. Só que não. Nada dava certo. Faltava entrosamento para o trio e para o time como um todo. A troca do brasileiro Lucas (outro que rendeu abaixo do que se espera) por Gameiro foi a última tentativa de encontrar alguma alternativa. Mas a melhor chance de gol aconteceu em favor do Reims, com o goleiro italiano Sirigu evitando a ampliação na diferença com uma grande defesa no canto esquerdo, aos trinta e quatro.

Os mandantes ainda terminaram a partida com somente nove homens, pois houve uma contusão nos acréscimos quando não mais havia direito a uma nova substituição. Fato que engrandece ainda mais o feito da vitória dessa equipe, que deu forte sinal de que tem reais condições de se manter na Ligue 1. A performance do Paris SG deve dar esperanças ao Lyon, atualmente vice-líder, na disputa pelo título nacional.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Lucas Se Destaca Na Estréia, Mas PSG Pára No Ajaccio

No início do segundo turno no Campeonato Francês (20ª rodada das 38 no total), o líder Paris Saint-Germain recebeu o 16º colocado Ajaccio no Parque dos Príncipes e não conseguiu tirar o zero do placar, frustrando a torcida que marcou presença e fez bastante barulho durante o jogo. O empate sem gol certamente não era o resultado mais esperado pelos adeptos do PSG, até porque o clube vinha de sete vitórias consecutivas na temporada enquanto o adversário somava três derrotas sequenciais.

Mas quem não decepcionou foi o estreante Lucas, ex-São Paulo. Com personalidade e repetindo no gramado parisiense parte daquele repertório que encantava o público que comparecia ao Morumbi e outros estádios brasileiros que receberam o talentoso jogador, o camisa 29 foi um dos melhores jogadores em campo. Protagonizou belos lances individuais, realizou tabelas, descolou chute de fora da área, se movimentando bastante com e sem a bola. Ficou 87 minutos em campo (48 no primeiro tempo e 39 no segundo), até sair sentindo cãimbras. Os torcedores, que têm o empate a lamentar, tiveram um grande motivo para celebrar, pois estão diante de mais um craque de bola representando as cores da tradicional equipe da capital francesa. Os gritos de "Lucas, Lucas", tornando a palavra oxítona, e os aplausos da massa foram um dos indícios de que a relação entre atleta e adeptos deverá ser muito bonita. Os outros indícios o próprio "Lucás" demonstrou enquanto esteve jogando.

Quem não tem motivo algum para comemorar o rendimento apresentado é o sueco Zlatan Ibrahimovic, que errou mais do que acertou. Tudo bem que em alguns momentos o atacante esteve cercado de adversários e sem muitas opções do que fazer, mas na maioria dos desperdícios, há que se responsabilizar o próprio Ibra. Talvez, se Carlo Ancelotti tivesse mantido Javier Pastore para o segundo tempo e tirado Ibrahimovic em vez do meia argentino, o PSG tivesse maiores chances de alcançar a vitória. De toda forma, a expulsão de Thiago Motta (nos acréscimos do primeiro tempo), a contusão de Thiago Silva (oito minutos após a volta do intervalo) e a solidez demonstrada pelo Ajaccio não deviam estar no script da equipe da casa. Destaques entre os visitantes para o sistema defensivo como um todo e, principalmente, para o seguro e elástico goleiro mexicano Guillermo Ochoa. Para mais detalhes sobre a partida, está disponível a transmissão através do @jogandoagora (#PSGAja).

Agora, o PSG "seca" o Lyon no sábado e o Marseille no domingo, únicas equipes que podem assumir a liderança nessa rodada (jogam fora de casa com Troyes e Sochaux, respectivamente). Já o Ajaccio, provisoriamente em 16º, só entrará na zona de rebaixamento na presente rodada se o Troyes golear o Lyon por mais que três gols de diferença. Não é difícil pitaquear que nem o PSG termina a rodada líder, nem o Ajaccio entra na zona de descenso.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A Janela Fechou: Veja Algumas Das Principais Transferências Na Europa

Encerrou-se ontem a janela de transferências que marca o início de temporada européia. Muitas transferências de impacto se fizeram presentes, e vamos a uma breve análise sobre algumas negociações. 

Futebol espanhol

Atlético de Madrid


Negociou as saídas dos atacantes Sergio Agüero e Diego Forlán (com Manchester City e Internazionale, aos respectivos custos de 45 milhões pelo argentino e de 5 milhões de euros pelo uruguaio) e também do meio-campista brasileiro Elias (que passa a ser a maior contratação da história do Sporting: 8,85 milhões de euros). Outro que partiu foi o goleiro David de Gea, no Manchester United por um valor estimado em 19 milhões de libras. Quem chega ao Vicente Calderón é o goleador colombiano Falcao García, pelo qual os Colchoneros pagaram €40 milhões ao Porto. O meia brasileiro Diego, que saiu do Wolfsburg pela porta dos fundos, custou €15,5 milhões aos cofres do clube e tem no futebol espanhol a chance de retomar a carreira.
Falcao García tem sua apresentação no Atlético de Madrid presenciada por quinze mil torcedores: atacante colombiano foi o maior investimento do clube para a presente temporada.


Barcelona

Mantendo o elenco que vem encantando o futebol mundial, o Barça de Josep Guardiola conseguiu ficar ainda mais forte ao acertar as contratações do atacante chileno Alexis Sánchez (22 anos, ex-Udinese, em transação que pode chegar a 37 milhões de euros) e do meio-campista Francesc Fàbregas (24 anos, ex-Arsenal, pelo qual o Barcelona desembolsou 34 milhões de euros, com possibilidade de outros 6 milhões em bonificação por desempenho). Parece uma utopia, mas é realidade: os amantes do futebol arte podem ver Xavi, Iniesta, Cesc e Messi atuando juntos. Ah! O zagueiro argentino Gabriel Milito, de 30 anos e que estava desde 2007 no Barça, saiu e agora joga no Independiente. Mas ao que tudo indica nenhum barcelonista sentirá a falta dele: mesmo com as lesões de Puyol e Piqué, o Barça reagiu muito bem à proposta de Pep Guardiola. Qual proposta? Jogar seu um único zagueiro de origem.
Criado nas divisões de base do Barcelona, Francesc Fàbregas foi lapidado por Arsène Wenger no Arsenal e agora retorna ao Camp Nou, vestindo a camisa que um dia foi usada por Josep Guardiola.

Real Madrid

Pelo turco Nuri Sahin, meio-campista de 22 anos (completa 23 em 05.09.2011), o Real Madrid pagou aproximadamente €10 milhões ao Borussia Dortmund. Também da Alemanha veio outro meia turco: Hamit Altintop, que deixou o Bayern de Munique a custo zero. Mas talvez a maior novidade merengue tenha sido a de um compatriota do treinador José Mourinho: o lateral-esquerdo português Fábio Coentrão, nomeado o melhor jogador da posição na Copa do Mundo 2010, chega do Benfica por 30 milhões de euros. No fluxo contrário, o zagueiro argentino Ezequiel Garay trocou o Real pelo Benfica, que pagou €5,5M por 50% do passe desse jogador de 24 anos. O atacante togolês Emmanuel Adebayor retornou ao Manchester City após o empréstimo e o goleiro polonês Jerzy Dudek anunciou aposentadoria.
Contratado junto ao Benfica por €30M, lateral-esquerdo português Fábio Coentrão junta-se ao Real Madrid de seus compatriotas José Mourinho e Cristiano Ronaldo.
 
Futebol inglês


Arsenal

Dificilmente um outro clube tenha sofrido tanto com as perdas de jogadores quanto o Arsenal. Cesc Fàbregas (para o Barcelona), Samir Nasri e Gaël Clichy (ambos para o Manchester City) foram negociados. Para preencher lacunas como essas, o time foi às compras. E passam a integrar o elenco de Arsène Wenger: André Santos (transferência estimada em 7 milhões de euros junto ao Fenerbahce pelo lateral-esquerdo brasileiro de 28 anos), Per Mertesacker (zagueiro que aos 26 anos sai pela primeira vez do futebol alemão, ao deixar o Werder Bremen por 9 milhões de euros), Mikel Arteta (que chega por indicação de Wenger como substituto de Fàbregas, tendo o clube pago 10 milhões de libras ao Everton pelo meio-campista espanhol de 29 anos), Yossi Benayoun (meia israelense de 31 anos e que já atuou nos ingleses West Ham, Liverpool e Chelsea), Park Chu-Young (hábil meia sul-coreano de 26 anos, que vem do Mônaco por cerca de €5M para vestir a camisa 9 do Arsenal) e Gervinho (marfinense de 24 anos, contratado junto ao Lille por €13,5 milhões).
Destaque da Coréia do Sul na Copa do Mundo 2010, Park Chu-Young, ex-Mônaco, foi trazido pelo Arsenal em contratação que custou €5M ao clube londrino.


Chelsea

Saiu o treinador italiano Carlo Ancelotti, entrou o português André Villas-Boas, que faturou a Tríplice Coroa com o Porto na temporada passada. O clube tentou trazer o meio-campista croata Luka Modric, mas o Tottenham Hotspur não aceitou as ofertas. Se Modric não chegou, a equipe conseguiu acertar com o meia espanhol Juan Manuel Mata, de 23 anos e que custou 28 milhões de euros junto ao Valência. Outra novidade é o também meio-campista Raul Meireles, 28 anos, vindo do Liverpool por €13M.
No Valência desde 2007, Juan Manuel Mata chega ao Chelsea de André Villas-Boas em negociação de €28M.

Liverpool

A equipe comandada por Kenny Dalglish foi mais discreta nas suas transferências - modificou-se consideravelmente, mas sem envolver nomes tão badalados como os vistos na janela de janeiro. Chegaram o goleiro brasileiro Doni, o zagueiro uruguaio Sebastián Coates, o lateral-esquerdo espanhol José Enrique, os meio-campistas Jordan Henderson, Stewart Downing (pelo qual o clube pagou 20 milhões de libras ao Aston Villa), o escocês Charlie Adam, além do atacante galês Craig Bellamy, que retorna aos Reds após quatro anos. Dentre os que deixaram o clube, destacam-se Raul Meireles (o Chelsea pagou 13 milhões de euros pelo português) e o meia Joe Cole, emprestado ao Lille.
Atacante galês Craig Bellamy, hoje com 32 anos, em ação na sua primeira passagem pelo Liverpool: jogador esteve em Anfield Road entre 2006 e 2007, período em que marcou nove gols em quarenta e dois jogos.

Manchester City

45 milhões de euros por Agüero. 22 milhões de libras por Nasri. 8 milhões de euros por Clichy. Nadando em notas graúdas, os Citizens investiram forte para fazerem bonito nessa temporada, o que inclui uma participação na Liga dos Campeões da Europa, onde caíram num grupo com Napoli, Villarreal e Bayern de Munique. Os jogadores considerados mais importantes pelo treinador Roberto Mancini permanecem no clube, que pode ter como maior reforço um jogador que já faz parte do elenco: o argentino Carlos Alberto Tévez. Se "Carlitos" retomar o gosto por jogar futebol, o time tem maiores chances de sucesso ao longo das competições.
Samir Nasri posa com a camisa do Manchester City: jogador francês teve saída conturbada do Arsenal e foi negociado por 22 milhões de libras com sua nova equipe.


Manchester United

Se por um lado nomes de peso como o goleiro holandês Edwin van der Sar e o meio-campista Paul Scholes anunciaram aposentadoria, o técnico escocês Alex Ferguson conseguiu contratar jogadores de qualidade suficiente para pelo menos manter o nível visto em anos anteriores. Chegaram o jovem goleiro espanhol David de Gea (de 20 anos, trazido junto ao Atlético de Madrid por algo em torno de 19 milhões de libras) e o atacante Ashley Young (26, ex-Aston Villa e trazido por 16 milhões de libras), bem como retornaram de empréstimo os jovens Tom Cleverley (meio-campista de 22 anos) e Danny Welbeck (atacante de 20).
David De Gea, ex-Atlético de Madrid, tem aos vinte anos de idade a missão de vestir a camisa que era usada pelo lendário Edwin van der Sar.

Futebol italiano


Internazionale

Um dos melhores centroavantes na atualidade (na minha opinião o melhor, se relevarmos Lionel Messi) trocou Milão por Makhachkala, onde vestirá a camisa do russo Anzhi, equipe que vem investindo fortemente em contratações e que desembolsou €27M para tirar Samuel Eto'o do Nerazzurri. O camaronês de 30 anos de idade passa a ser o futebolista de maior salário no mundo: serão €20,5M anuais. Para a posição, os interistas pagaram €5M pelo uruguaio Diego Forlán, restando saber se estão trazendo o melhor jogador no Mundial 2010 ou uma figura bastante sumida na temporada passada com a camisa do Atlético de Madrid. Entre idas e vindas, a Internazionale cedeu o meia macedônio Goran Pandev por empréstimo ao Napoli e contratou, também por empréstimo (com custos de €2,7M), o atacante argentino Mauro Zárate, da Lazio. Vamos ver como se comportará a Internazionale com essas mudanças pontuais - porém significativas - no setor de ataque. Para alegria dos interistas, o camisa 10 Wesley Sneijder, fortemente especulado no Manchester United, segue sendo o maestro da equipe comandada por Gian Piero Gasperini, que assumiu o lugar do brasileiro Leonardo, que aceitou o convite para o cargo de diretor esportivo no Paris Saint-Germain.
Diego Forlán em ação contra a Internazionale: atacante uruguaio foi trazido do Atlético de Madrid para a vaga de Samuel Eto'o, que fez muito sucesso com a camisa interista.

Juventus

A equipe comandada por Antonio Conte (que atuou no clube como jogador entre 1992 e 2004) contou com reforços para todos os setores. Na defesa, chegou o lateral-direito suíço Stephan Lichtsteiner, de 27 anos, vindo da Lazio e com preço de 10 milhões de euros. No meio-campo, o experiente volante ex-milanista Andrea Pirlo, de 32 anos, veio a custo zero enquanto foram pagos €10,5M pelo chileno Arturo Vidal, 24 anos, ex-Bayer Leverkusen. Outro nome que reforça a meiuca juventina é o do paraguaio Marcelo Estigarribia, que aos 23 anos de idade teve bela participação na Copa América 2011 a serviço da seleção paraguaia, sendo emprestado pelo Le Mans à Juve por meio milhão de euros, com valor de transferência fixado em €5M. Para o ataque, chegam o montenegrino Mirko Vucinic (27 anos, ex-Roma, por €15M) e o habilidoso holandês Eljero Elia, de 24 anos, trazido do Hamburgo por €9M. E teve mais um reforço ao Bianconero: o volante brasileiro Felipe Melo foi emprestado para o futebol turco, onde atuará pelo Galatasaray. Por algo em torno de €8M, Mohamed Sissoko, de 26 anos, foi vendido ao Paris Saint-Germain.
Eljero Elia em ação pela seleção holandesa: jovem atacante é uma das maiores promessas do futebol mundial e chega em Turim numa negociação de nove milhões de euros.

Milan

Mantida a base campeã italiana na temporada passada, a maior perda milanista foi a saída de Pirlo para a Juventus, apesar de o veterano volante não ter atuado bastante no último ano. Juntam-se ao plantel de Massimiliano Allegri os defensores Philippe Mexès (francês de 29 anos, ex-Roma, chegando a custo zero), Taye Taiwo (nigeriano de 26 anos, ex-Olympique de Marselha, também em transferência livre), além dos meio-campistas Alberto Aquilani (de 27 anos, emprestado pelo Liverpool) e Antonio Nocerino (de 26 anos, chegando do Palermo em negociação que inclui um pagamento de €2,7M além da cessão de 50% dos direitos do jovem zagueiro português Ricardo Ferreira, de 18 anos, ao Rosanero).
Meio-campista italiano Alberto Aquilani, que tem vínculo contratual com o Liverpool, chega ao Milan por empréstimo.

Roma

Está aí um time que se modifica bastante em relação à temporada passada. Trocou de treinador (o espanhol Luís Enrique assume o comando técnico prometendo um estilo de jogo vistoso), perdeu jogadores importantes e trouxe muitas novidades. Dos que saíram, destaques para Mexès (agora no Milan), Vucinic (vendido à Juventus por €15M) e Jérémy Ménez, que se junta ao Paris Saint-Germain de Leonardo por um preço de €8M (e que pode ser acrescido em um milhão caso o PSG chegue à Liga dos Campeões da Europa). Entre os que chegam, vale destacar o goleiro holandês Maarten Stekelenburg (28 anos, ex-Ajax, por €6,8M), o meio-campista bósnio Miralem Pjanic (21 anos, ex-Lyon, por preço especulado em €11M), o também meio-campista Fernando Gago (argentino, 25 anos, ex-Real Madrid, por €7M) e o jovem atacante ex-Barcelona Bojan Krkic (espanhol, 20 anos, em transferência oficializada com valor de €12M).
 
Holandês Maarten Stekelenburg, vice-campeão mundial com a seleção holandesa em 2010, chega para proteger a baliza "Giallorossi" a um nível fora do alcance das capacidades técnicas do brasileiro Doni.

Saindo do eixo Espanha-Inglaterra-Itália, o time que mais se destacou no mercado de transferências nessa janela aqui abordada foi o francês Paris Saint-Germain, que depois de adquirido por um grupo sediado no Catar, passou a "assoar o nariz em notas de 100". Só para citar algumas das contratações do time que tem Leonardo como novo diretor esportivo: Sirigu (ex-Palermo, por €3,5M), Lugano (ex-Fenerbahce, por €3,5M), Bisevac (ex-Valenciennes, por €3,5M), Sissoko (ex-Juventus, por €7M), Ménez (ex-Roma, por €8M), Matuidi (ex-Saint Etienne, por €10M), Gameiro (ex-Lorient, por €11M) e a mais bombástica das contratações registradas nesta época: o meia argentino Javier Pastore, que veio do Palermo custando €42M.
Javier Pastore no momento de sua apresentação no Paris Saint-Germain: meia argentino de 22 anos chega como contratação mais cara dessa janela de transferências e é a maior esperança da equipe que tem Leonardo como novo diretor esportivo e um investidor disposto a gastar bastante com o clube.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Jogando Bem, Fica O Sonho: Águias Seguem Vivas Na Liga Europa

Com uma equipe compacta que apresentava organização defensiva e velocidade para contra-atacar, o Benfica conseguiu a classificação com um empate por 1a1 diante do Paris Saint-Germain, no estádio Parc des Princes, na capital francesa. Como haviam vencido em Portugal por 2a1 na partida de ida, os benfiquistas garantiram a classificação para a fase quartas-de-final na Liga Europa.

O jogo

Era difícil, desde o início, envolver o sistema defensivo do Benfica através do toque de bola. Então, os donos da casa trataram de tentar a finalização lançando a bola na área. Aos 10 minutos, Nenê recebeu dentro da área em liberdade e finalizou para fora, após marcação de um impedimento para lá de duvidoso. 12 minutos depois, uma nova inversão acionando Nenê mais uma vez pelo lado esquerdo no interior da área e novo remate para fora, dessa vez sem marcação de impedimento.

O Benfica não chegava tanto ao ataque, mas guardou seu primeiro chute a gol justamente para inaugurar o placar em Paris aos 26 minutos: a equipe saiu em contra-ataque com grande velocidade (eram 5 atacando para 4 defendendo), o argentino Eduardo Salvio abriu na esquerda para o compatritota Nicolas Gaitán e o camisa 20 surpreendeu o goleiro camaronês Apoula Edima Bete Edel quando decidiu chutar de fora da área, mandando firme no canto direito. Apoula Edel até chegou a tocar na bola, mas não evitou o gol benfiquista.

O PSG não se abateu e logo no minuto seguinte ficou perto de empatar a partida: Mathieu Bodmer deu belo passe para o francês naturalizado turco Mevlüt Erdinç que, livre, teve o chute prensado nas pernas do goleiro espanhol Roberto Jiménez. Aos 34 minutos saiu o empate: o brasileiro Ceará alçou na área, Erdinç ajeitou de cabeça e Bodmer emendou bonito chute no canto direito, sem defesa para Roberto Jiménez. 1a1.

A torcida fazia barulho e incentivava a equipe da casa a virar o jogo ainda no primeiro tempo. Aos 36 minutos, Nenê veio de trás com a bola dominada, ameaçou chutar e rolou para Erdinç. O atacante estava livre, mas provavelmente não acreditou que a bola seria rolada para ele e acabou não chegando nela. Com 45 minutos, o experiente volante Claude Makélélé foi esperto ao optar por cobrar uma falta rapidamente tocando para Nenê, que chutou de fora da área e mandou perto da trave direita.

No segundo tempo, o Benfica passou a ter mais oportunidades em contra-ataques do que tivera na primeira etapa. Fábio Coentrão passou a se apresentar mais vezes no ataque e rotineiramente causava dificuldades para a defesa francesa. Para povoar mais o meio-campo, o treinador Jorge Jesus trocou o atacante argentino Javier Pedro Saviola por Carlos Martins aos 18 minutos. Já Antoine Kombouare promoveu uma dupla mexida aos 22: Erdinç e Bodmer por Guillaume Hoarau e o veterano Ludovic Giuly.

Ainda assim, era o Benfica quem mais levava perigo e o treinador francês resolveu partir pro tudo ou nada aos 32 minutos, tirando o lateral-direito Ceará para colocar o atacante Jean Maurice. No mesmo minuto, chance incrível para o Paris Saint-Germain chegar ao 2º gol: bola levantada da esquerda, a defesa não conseguiu afastar, Maurice apenas resvalou na tentativa de pegar de bicicleta e a bola sobrou limpa para Hoarau na pequena área. O que parecia um gol certo virou uma defesaça do goleiro Roberto, que foi buscar com o pé esquerdo.

Provavelmente temeroso após aquele lance, o treinador português colocou mais um defensor em campo: entrou César Peixoto no lugar do meia argentino Pablo Aimar. Dessa forma, Coentrão foi liberado para jogar mais à frente e aos 36 minutos mostrou o quanto pode ser útil ofensivamente, arrancando em velocidade e sendo parado somente no carrinho faltoso de Sylvain Armand, que levou cartão amarelo pela entrada. Na marca de 41 minutos, Nico Gaitán puxou contra-ataque de 3 contra 3 e preparou o passe para o lado direito buscando Carlos Martins, mas o ótimo zagueiro Mamadou Sakho interceptou a jogada em mais uma de suas grandes intervenções na partida. Sakho, aliás, foi um dos principais jogadores em campo: com grande noção de tempo e espaço, esse jovem de 21 anos tem todos os ingredientes para se tornar um dos melhores defensores do futebol mundial.

Com 44 minutos, Jorge Jesus passou a focar definitivamente na defesa: tirou Gaitán e pôs o zagueiro brasileiro Jardel Nivaldo Vieira, que entrou em campo com a cabeça enfaixada. O escocês William Collum indicou 5 minutos como acréscimo e foi exatamente na marca dos 50 no cronômetro que o Paris Saint-Germain teve sua chance derradeira de pelo menos forçar a prorrogação: Christophe Jallet recebeu na direita, deu ótimo passe para Maurice e o atacante ficou livre e em posição legal para virar o jogo. Mas acabou escorregando o pé de apoio e o que era para ser uma finalização com altas chances de gol virou uma deixadinha para o goleiro Roberto defender sem maiores transtornos.

Se por um lado parece impossível tirar a diferença para o líder Porto no Campeonato Português (são 13 pontos de desvantagem faltando 7 rodadas), por outro seguem as esperanças da conquista continental por parte das Águias.