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quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Grêmio Vence Lanús Em La Fortaleza E Fatura O Tri Continental

Pela terceira vez na história, o Grêmio é campeão na Copa Libertadores da América.

E a página que se escreve em 2017 há de reservar letras garrafais para figuras como Marcelo Grohe (principalmente pelas duas grandes defesas no primeiro tempo no jogo de ida), Arthur (um gigante diante do Botafogo e nomeado o melhor em campo nessa partida final), Geromel (o "Capitão América") e Luan (o mais bem dotado tecnicamente e autor de um gol desconcertante na decisão).

Também não se pode esquecer do trabalho realizado por Renato Gaúcho. Embora o time tenha oscilado ao longo da temporada, é fato que, nos momentos mais inspirados, o Grêmio jogou a bola mais redonda entre todos os times da Série A nacional. Lembrando que trata-se de um elenco com diversos jogadores que atravessavam momentos de declínio em suas carreiras, mas que Renato abraçou motivacional e esportivamente, como Leonardo Moura (tratado por alguns como "ex-jogador em atividade"), Cortez (alguém lembra que ele já foi convocado para a seleção brasileira?), Fernandinho (de jogador emprestado pelo clube a autor do primeiro gol nessa final em Buenos Aires) e Lucas Barrios (ex-Borussia Dormund e atual campeão da Libertadores).

São muitos elementos que tornam a conquista justa, mostrando que o Tricolor Gaúcho tem força suficiente para voar alto. A meu ver, nem precisaria de um veículo aéreo não tripulado - vulgo drone - para alcançar as alturas. Próxima parada: Emirados Árabes Unidos.

O jogo

Fernandinho celebra o êxito de sua jogada individual. Foto: Reuters.
O primeiro tempo de jogo deu ao torcedor gremista uma realidade que poucos devem ter ousado sonhar em suas noites melhor dormidas. Num contra-ataque após erro do adversário na última linha de defesa, Fernandinho arrancou em velocidade impressionante e concluiu firme para estufar a rede argentina aos vinte e seis minutos e levar ao delírio cerca de cinco mil gremistas no lotado estádio La Fortaleza.

Conseguindo chegar ao campo de ataque com uma rotina e envolvimento maior do que no jogo em Porto Alegre, o Grêmio deixava os donos da casa desconfortáveis na partida. A saída de bola do Lanús, característica marcante no time de Jorge Almirón, mostrava-se falha e até mesmo perigosa para dar mais chances ao adversário recuperar a posse. Tudo isso fruto, também, da postura do Grêmio de não abdicar de uma marcação desde as proximidades da baliza adversária, ao ponto de em plena reposição de linha e fundo serem vistos pelo menos três jogadores cercando a grande área defendida por Esteban Andrada.

Ainda no primeiro tempo, a vantagem, que já era boa, ficou ainda melhor: Luan recebeu no comando de ataque, carregou a bola sem receber um combate mais ativo e esbanjou calma e categoria para concluir o lance numa cavadinha que caprichosamente rumou para o canto direito do gol. 2a0, aos quarenta e um.

Na volta do intervalo, o Lanús cresceu. Não era um crescimento grande o bastante para ameaçar a margem de gols construída pelo time visitante, mas pelo menos serviu para trazer alguma emoção ao jogo: aos vinte e cinco, Jaílson cometeu pênalti na condição de último homem, puxando o adversário que ficaria em totais condições de finalizar. O árbitro paraguaio Enrique Cáceres errou acertando e acertou errando: marcou a penalidade mas não expulsou o infrator, limitando-se a um cartão amarelo que recebeu protestos dos donos da casa. Na cobrança, Sand converteu e isolou-se na lista de goleadores na competição, com nove.

Houve algumas outras chegadas da equipe argentina, mas sem muita contundência. A expulsão de Ramiro aos trinta e sete reacendeu a esperança num novo milagre para um clube que, na semifinal, conseguiu uma virada épica sobre o River Plate, em um cenário similar ao da final com o Grêmio. Mas o Grêmio manteve-se firme. Resistiu, embora tenha se abdicado de atacar como outrora. Talvez estivesse faltando fôlego. Talvez fosse o componente emocional - Renato era visto às lágrimas abraçado com Léo Moura aos quarenta e oito de um jogo que iria até os cinquenta. Deve ser porque, no fundo, eles já sabiam que estavam além dos cinquenta. Estavam na eternidade de uma conquista histórica.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Grohe Salva, Cícero Marca E Grêmio Conquista Vantagem Sobre Lanús

As finais na Copa Libertadores da América 2017 começaram em Porto Alegre e terminarão em Buenos Aires. A julgar pelo equilíbrio visto nessa partida de ida, o título continental tem tudo para ser definido em detalhes no jogo de volta.

O Grêmio tentou ser dominante diante do adversário. Mas a única imponência vista no estádio estava nas arquibancadas, com a festa áudio-visual proporcionada pela fanática torcida tricolor. Dentro de campo, era o Lanús quem demonstrava maior equilíbrio tático e emocional para fazer a bola rodar.

E se o primeiro tempo terminou zero a zero, o maior responsável por isso tem nome e sobrenome: Marcelo Grohe. O goleiro gremista fez duas intervenções importantes, ambas de alto grau de dificuldade, sendo uma em chute cruzado rasteiro no canto direito e outra em cabeceio firme para o chão pelo lado esquerdo.

Na segunda etapa, o volume de jogo dos donos da casa até aumentou, mas a criação de jogadas era escassa. O Grêmio chegava a ser previsível. Até que, dois elementos vindos do banco de reservas, participaram do gol único na partida: após levantamento de Edílson, Jael (que entrara no lugar de um quase inoperante Lucas Barríos) desviou e Cícero (que substituíra Jaílson) conseguiu dar um toque antes da chegada do goleiro Esteban Andrada, encaminhando a redonda para o fundo da rede.

A vitória com gol aos trinta e sete minutos no segundo tempo se confirmou após os mais de cinco minutos de acréscimos. Com direito a reclamação gremista por um suposto pênalti em jogada aérea - pareceu, de fato, ter havido um deslocamento faltoso no lance.

Mas o fato é que o placar não reflete o que foi a partida - a igualdade soaria mais apropriada a julgar o desempenho de ambas as equipes. Bola por bola, achei que os dois finalistas ficaram devendo. Mas o Lanús, principalmente pelo primeiro tempo, mostrou maior organização e proposta de jogo.

Resta, agora, ver quais serão as posturas dos times para o encontro derradeiro, na Argentina. Entre planos de jogo, vôos de drones, palestras motivacionais e algo mais, há fortes indícios de que haverá emoção na decisão. Sem a regra do gol qualificado como critério de desempate, aumenta sensivelmente a probabilidade de uma disputa de pênaltis. Espiemos. Digo, aguardemos.
Sand e Kannemann, com Arthur próximo, disputam o lance: jogo teve muita intensidade. Imagem extraída de FourFourTwo.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Um Sonho Que Vem Da Alma

Uma das discussões mais cativantes e desafiadoras a respeito da existência (animal em geral e humana em particular) é sobre o conceito de alma. Fato ou suposição? São muitas interpretações dentro e fora do âmbito religioso. Muitas crenças. Muitos achismos. Muitas sensações. Muitas percepções. Muitas convicções. Há quem veja a alma do Outro num olhar. Há quem sinta a alma do Próximo num abraço. Há quem capte a alma alheia numa conversa.

No futebol, um jogador pode ser criticado por errar passes simples. Vacilar em finalizações. Posicionar-se mal. Mas se esse mesmo jogador "deixa a alma em campo", a torcida o respeita. Por vezes, chega até a idolatrá-lo. O Botafogo de Jair Ventura é um time sem grandes craques. Mas é um time com alma. Pode o botafoguense reclamar de diversos aspectos do time alvinegro, mas jamais da entrega, da dedicação, da honra à camisa gloriosa. Da alma.

Hoje, diante do Nacional, pela Libertadores, ficou escancarada a alma que habita cada atleta da equipe. O espírito coletivo dos jogadores casou com a energia da torcida que lotou as arquibancadas no estádio Nílton Santos. Aliás, como não falar de alma quando o campo de jogo carrega o nome do mais lendário lateral-esquerdo de todos os tempos?

Foram dois gols em cinco minutos. Foi uma comunhão durante o jogo inteiro. Foi uma lição. Fato ou suposição? Creio que esse Botafogo, mais que qualquer outro clube, mereça essa Libertadores. De corpo e alma.
Jogadores, torcedores, ídolos lembrados na faixa... Uma atmosfera perfeita no Rio de Janeiro. Foto: Vítor Silva / SS Press / Botafogo.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Tener En Casa A Tu Papá

Cinco a zero num jogo semifinal de Libertadores é de chamar atenção. Quase tanta atenção quanto um sete a um em jogo semifinal de Copa do Mundo. Só que as semelhanças entre San Lorenzo e Bolívar, jogo de ida em Buenos Aires, e Brasil e Alemanha, jogo único em Minas Gerais, param no placar elástico. Se no mundial de seleções vimos um baile de bola (sobretudo de bola rolando) por parte dos alemães, no torneio continental de clubes viu-se um resultado construído na base da empolgação e da eficiência nos lances de bola parada. Um triunfo tático e técnico, sim, mas sobretudo espiritual.

No primeiro tempo não houve um banho de bola com gols sucedendo gols como passes atrás de passes e finalizações pós finalizações. Houve, isto sim, um confronto muito pegado. Com cara de Libertadores. Infelizmente, aquela face que não gostamos de lembrar. Mas o jogo duro e por vezes hostil por parte da equipe visitante não era desleal: era apenas uma energia mal canalizada. Nervosismo, talvez. Rendeu três cartões amarelos em vinte minutos (Yecerotte, Callejón e Gutiérrez). E muitas faltas cometidas. Em duas delas, castigos: tanto aos cinco quanto aos vinte e sete, Romagnoli caprichou no levantamento. Tanto aos cinco quanto aos vinte e sete, a defesa do Bolívar não conseguiu acompanhar o lance como deveria. Resultado: Matos inaugurou e Más ampliou o placar para o San Lorenzo.

No intervalo, Azkargorta realizou duas substituições (Miranda e Rodas saíram, Chávez e Tenorio entraram), mas o maior acerto do técnico espanhol foi fundamentalmente na mentalidade da equipe. O Bolívar voltou equilibrado emocionalmente e tal equilíbrio proporcionou uma melhor aplicação tática do plano de jogo do time. Passou a freqüentar mais o campo de ataque. As infrações que outrora cometera, tornaram-se faltas a favor. E o time parecia gostar do jogo, com todos os motivos para isso - exceto o placar adverso. Dava sinais de que poderia descontar e dar um novo rumo para a partida. Só que pagou caro por um vacilo em sua defesa. Dessa vez, com a bola rolando. O volante Mercier se lançou ao ataque, acreditou no lance mesmo quando a jogada parecia sob controle da defesa adversária e foi premiado pela perseverança, conseguindo finalizar no canto direito para marcar três a zero, aos vinte e quatro.

Naquele momento, Bauza já havia lançado Cauteruccio e Barrientos nos lugares de Matos e Romagnoli. Talvez nem o treinador do San Lorenzo botasse fé que a vitória se transformaria em goleada. Mas quem tem o papa consigo, vai duvidar do quê? Quatro minutos depois do terceiro gol, Buffarini recolheu bola mal afastada, avançou sem ser incomodado e soltou um chute que terminou num golaço, o quarto dos donos da casa.

Azkargorta trocou Callejón (omisso na marcação no lance do gol de Buffarini) por Saavedra. Pouco depois, Bauza fez a última substituição: Villalba por Verón. Já parecia desenhada a satisfação do placar para quem vencia e a aceitação do resultado para quem perdia. Algo como "que seja o que Deus quiser no jogo de volta". Só que havia tempo para mais. E voltamos ao princípio. De novo, a bola parada. De novo, levantamento preciso (dessa vez de Barrientos, aquele mesmo que substituiu Romagnoli). De novo, desvio certeiro de cabeça. De novo, Más. 5a0 San Lorenzo.

E agora vamos à maior diferença entre este cinco a zero e aquele sete a um: a torcida presente no estádio. Deixei para falar dela somente no último parágrafo com a intenção de deixar a melhor parte para o final. O comportamento da torcida do San Lorenzo no Nuevo Gasómetro foi uma coisa de outro mundo. Aliás, de outro país: Argentina. A celebração começou antes de a bola rolar, continuou por todo o decorrer do jogo e se manteve até após o apito derradeiro. É possível que estejam festejando até agora. E o melhor de tudo é que não foi por causa dos 5a0. É a causa dos 5a0. É aquele espírito que habita a matéria. É aquela prece que fica mais forte quando a bola está parada. É aquele empurrão para acreditar em qualquer lance. É aquele entusiasmo que contagia quem está no gramado. É um orgulho e um amor que não precisam ser ditos dessa forma, pois eles são sentidos em cada cântico, em cada grito, em cada salto, em cada aplauso. Se o San Lorenzo é o time do papa, o Nuevo Gasómetro é um templo onde os anfitriões não se dão o direito de pecar. E olha que os pecados capitais são sete...

Próxima parada: La Paz. Amém.
No país do papa Francisco, que também torce pelo San Lorenzo, fazer festa no estádio já é um ritual tradicional.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Libertadores Da América: Bolívar Fazendo História

Na história do continente americano, um personagem de nome Simón Bolívar foi marcante para a libertação perante a opressão do império espanhol. Na América Latina, Bolívar é visto como um revolucionário e libertador. O maior torneio de futebol ao sul da linha do Equador o homenageou no próprio nome: Taça Libertadores da América.

Nessa edição da competição, os livros de História encontraram um par perfeito: o Club Bolívar, sediado na capital boliviana La Paz. Pela primeira vez na história, um clube deste país consegue avançar à fase semifinal no torneio continental. Curiosamente, o técnico que desempenha brilhante trabalho na equipe é espanhol: só que longe de repetir a opressão de seus compatriotas séculos atrás, Azkargorta está conduzindo o time azul celeste ao infinito e além, de maneira heróica a ponto de honrar o nome de Bolívar.

É absolutamente incerto fazer previsões num esporte imponderável como o futebol. Mas uma coisa pode-se dizer repleto de convicção: é por merecimento que o Bolívar chegou até esta fase e não será nenhum espanto se chegar na final e levantar o troféu de campeão. Não será espanto nenhum. Será lindo, isto sim.

Se em 1813 Simón Bolívar entrou em Mérida e lá foi proclamado El Libertador, 201 anos depois chegou a vez do Club Bolívar avançar em uma caminhada igualmente histórica. O destino final é a taça da Libertadores. Mais do que nunca, que os deuses do futebol possam caminhar ao lado da equipe boliviana. Sobretudo porque o próximo adversário será o San Lorenzo, time do papa. Vida longa, Bolívar!

Com campanha surpreendente e empolgante, o Club Bolívar passou pelo argentino Lanús em confronto sensacional e avançou para as semifinais na Libertadores da América: uma linda história está sendo escrita.

sábado, 3 de agosto de 2013

Estamos Aqui

Vinte e um dias depois, estamos de volta com uma postagem no blógui. O usuário de longa data sabe muito bem que as publicações nessa página obedecem uma freqüência mais assídua do que as dos tempos recentes e o blogueiro pede desculpas por não vir mantendo aquela gostosa rotina de tópicos novos. Mas cá estamos e, sem mais delongas, falemos de futebol.

Tivemos Cuca, Ronaldinho e Atlético Mineiro campeões continentais, fato que acho ótimo para o futebol. Primeiramente, pelo fato de o melhor técnico brasileiro das últimas décadas estar conquistando tão relevante torneio internacional - parabéns, Cuca! Em segundo lugar, por Ronaldinho Gaúcho, maior craque brasileiro em atividade, conseguindo conciliar dedicação profissional com aquela velha e conhecida arte de jogar bola que pouquíssimos conseguem fazer como ele - parabéns, Ronaldinho! E por último, ao Clube Atlético Mineiro, mais um campeão inédito de Libertadores - parabéns, Atlético!

A saída de Abel Braga do Fluminense (Luxemburgo assumiu após cerca de um mês desempregado) é outro daqueles casos que mostram o imediatismo no futebol. Atual campeão brasileiro, Abel deixa o cargo após desapontantes participações em todos os torneios disputados em 2013. Mas o futebol do Flu é aquele de sempre... burocrático. Quando ganhava jogos e campeonatos, tava tudo certo, né, tricolores? Procurar alguém que assuma o comando técnico com uma filosofia de jogo que vá além do mísero futebol-resultado é algo que ainda não entrou na cultura esportiva tupiniquim. Digo ainda porque sou otimista e acredito que muitos Cucas ainda surgirão.

No mais, hoje assisti dois jogos. Em Londres, o ótimo amistoso pré-temporada entre Arsenal e Napoli terminou empatado em 2a2, com a mesma rede sendo estufada quatro vezes. Partida movimentada, com o Arsenal mostrando aquela qualidade de posse de bola típica de um time (muito bem) treinado por Arsène Wenger, diante de um Napoli que conservou a agilidade de contra-atacar mesmo com a troca de Walter Mazzarri por Rafa Benítez. O uruguaio Edinson Cavani provavelmente fará falta ao clube celeste, mas não é prudente duvidar da capacidade do argentino Gonzalo Higuaín. Insigne também é boa opção, mostrando oportunismo no gol inaugural. Pelo lado londrino, seria interessante a equipe buscar um nome de impacto para o setor ofensivo. Apesar do golaço de Giroud.

Ah! O outro jogo que vi hoje foi a vitória do Cruzeiro sobre o Coritiba, no reencontro do treinador Marcelo Oliveira com o Alviverde Paranaense. A partida foi relativamente equilibrada, mas o Coxa sentiu a ausência de Alex. Lincoln e Bottinelli não deram conta da armação de jogadas e o jogador mais influente no resultado acabou sendo o goleiro Vanderlei, com diversas defesas difíceis que mantiveram o 1a0 cruzeirense, em gol que saiu no início, com Luan completando cruzamento de Mayke, aos onze. Amanhã, o Botafogo pode retomar a liderança no Campeonato Brasileiro se sair vencedor no clássico com o Vasco. Outro jogo interessante na rodada é o Gre-Nal, num confronto entre os ex-jogadores Renato Gaúcho e Dunga.

Saudações futebolísticas.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Do Pânico Ao Êxtase: Uma Classificação Histórica

Um empate por 2a2 em Tijuana, outro empate (dessa vez por 1a1) em Belo Horizonte e o time de melhor campanha na Libertadores avança para a semifinal continental. Se os resultados lidos friamente já denotam um confronto equilibrado, o jogo propriamente dito consegue ser ainda mais transparente: qualquer um que avançasse, merecedor seria.

No conjunto dos noventa minutos no Independência, uma partida alucinante do início ao fim. Com poucos segundos, os visitantes quase abriram o placar após falha de Réver, com Riascos parando em defesa do goleiro Victor. O mesmo Victor que, nos acréscimos, salvou o Galo ao defender pênalti de Riascos.

Entre uma finalização e outra, muita coisa aconteceu no gramado em Minas Gerais. O ritmo dos comandados de Antonio Mohamed era algo sobrenatural, num empenho formidável para conter o volume de jogo atleticano e lançar-se com competência ao ataque. Fruto de uma equipe bem preparada física e taticamente. Aliás, este blógui acompanhou a estréia do Tijuana na Libertadores e recomenda a leitura: Muito Prazer, Club Tijuana Xoloitzcuintles De Caliente.

O Galo, de tantos encantos desde que assumido pelo excepcional técnico Cuca, teve raros momentos onde conseguiu desenvolver sua capacidade de envolver o adversário. O time parecia um pouco afoito, apressado, mas o mérito maior pela incapacidade de infiltrar era... do Tijuana. Bem postado, bem disposto. Pra acabar de vez com aquela balela de que clube mexicano não leva a Libertadores a sério. Leva, e muito. Vide o Tijuana. A Libertadores é que precisa levá-los mais a sério.

Um gol de Riascos (é bom jogador esse colombiano), em sensacional contra-ataque pelo flanco direito, abriu a contagem para os Xolos. Mas ainda no primeiro tempo, em jogada de bola parada, o Galo empatou através de Réver. No segundo tempo, brilharam os goleiros Saucedo e Victor. Belíssimas defesas para impedir um resultado com muito mais gols. E o momento máximo foi nos acréscimos. Uma tuitada para um momento épico (não veja como profecia, mas pressentimento).

Na entrevista pós-jogo, Cuca disse que não havia euforia no vestiário atleticano. Agradeceu a bênção pela sorte e lamentou o futebol abaixo do apresentado habitualmente pelo time (insisto: mérito maior pelo Galo não ter rendido como costuma render é do Tijuana). Aliás, há alguém que esteja lendo isso que ache o Cuca... hum... azarado?

Por último, olhe bem para aquela imagem que abriu a presente postagem. Na campanha do título corinthiano em 2012, uma defesa de Cássio em chute de Diego Souza na fase quartas-de-final marcou a trajetória do Corinthians na Libertadores. Se o Atlético levantar o troféu em 2013, pode ter certeza que essa intervenção de Victor na cobrança de pênalti de Riascos também ficará eternizada.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Salgueiro Decide E Olimpia Elimina Fluminense

Novamente na fase quartas-de-final, o Fluminense de Abel Braga dá adeus à Copa Libertadores da América. Ano passado a campanha teve mais brilho, com classificação sobre o Internacional e queda para o tradicionalíssimo Boca Juniors (equipe que o Flu havia vencido em plena La Bombonera pela fase de grupos naquele ano); já em 2013, a equipe tricolor caiu para o paraguaio Olimpia (havia tido dificuldades para passar pelo Emelec nas oitavas, além de ter vivido algumas vergonhas na fase de grupos, quando dentro de casa empatou com o Huachipato e foi goleado pelo Grêmio por 3a0).

O início da partida no estádio Defensores Del Chaco deve ter sido melhor do que o mais otimista torcedor tricolor poderia supôr: com gol de Rhayner, aproveitando tremendo vacilo da defesa paraguaia. Só que o Flu também cometeria deslizes perto de sua área e, em dois lances de bola parada, o Olimpia virou através de Salgueiro. Primeiro, cobrando falta e surpreendendo Diego Cavalieri (sai pra lá quem defende sua titularidade na seleção brasileira!), depois cobrando pênalti que ele próprio havia sofrido. Isso tudo no primeiro tempo.

Veio o intervalo e, depois, um Fluminense enérgico na busca pelo empate que o classificaria. Encontrou do outro lado uma defesa esforçada mas longe de ser das mais organizadas. Como o Tricolor das Laranjeiras também carecia de um padrão de jogo capaz de envolver os adversários, o gol tão procurado acabou não acontecendo. E olha que a equipe terminou o jogo com Wágner, Fred, Rhayner, Thiago Neves, Samuel e Rafael Sóbis. Aliás, esse tanto de meias e atacantes mostram que não é a posição de origem do atleta que define a capacidade de uma equipe colocar a bola na rede. Estranhíssima a escolha de Abel em tirar Jean de campo, notadamente pelo fato de estarmos falando de um jogador polivalente, de relevância ainda maior em jogos eliminatórios de contornos dramáticos. Mas deve fazer sentido para o treinador. O mesmo sentido, talvez, do raciocínio de que "empatar por 0a0 em casa é melhor do que vencer por 2a1". O Olimpia de Ever Almeida discorda. Vide o resultado.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Boca Juniors: Espetáculo Nas Arquibancadas, Marasmo No Gramado

 
A Copa Libertadores da América 2013 chega em sua fase quartas-de-final com duas equipes brasileiras (Atlético Mineiro e Fluminense), uma mexicana (Tijuana), uma paraguaia (Olímpia), uma colombiana (Santa Fé), uma peruana (Real Garcilaso) e as argentinas Boca Juniors e Newell's Old Boys. Boca e Newell's que jogaram nessa última quinta-feira e terminaram a partida com um empate sem gol. Ou seja, os boquenses irão até Rosário com a vantagem do empate enquanto qualquer vitória classificará os mandantes do jogo de volta.

É difícil fazer uma previsão sobre o que irá ocorrer no próximo jogo entre esses dois times argentinos. Em La Bombonera, o Boca foi ligeiramente superior. Mais pela atitude do que pela organização. Só que o zero a zero ficou de ótimo tamanho para ambos os lados. Carlos Bianchi preparou o time com Riquelme e Martínez buscando jogadas de aproximação, mas raramente conseguindo desenvolver reais chances de gol. Gerardo Martino (treinador vice-campeão na Copa América 2011 com a seleção paraguaia) conseguiu manter o time bem compactado durante praticamente a totalidade do jogo em Buenos Aires, dificultando a transição dos donos da casa.

Aliás, que casa! Se a partida era carente de emoções dentro das quatro linhas, fora delas e alguns metros acima da superfície verde, o Boca Juniors era espetacular através de dezenas de milhares de vozes nas arquibancadas. O canto era forte, embora o time não tivesse um volume de jogo igualmente imponente. A movimentação era intensa, com torcedores o tempo todo se balançando e sacodindo bandeiras e faixas em azul e amarelo, embora os jogadores raramente apresentassem algum lampejo de insipiração. Há que se respeitar o Boca. Com Bianchi e Riquelme, mais ainda. Os números mostram bem as razões para isso. Mas, mais do que tudo isso, há que se exaltar o Boca. Com essa torcida, até partidas de desenrolar desinteressante tornam-se uma atração marcante.

O Newell's talvez seja favorito para a classificação pelo fator campo. Mas, assim como o Newell's de Martino (que venceu o Vélez nas oitavas e empatou com o Boca), o time comandado por Bianchi também sabe jogar fora de casa. Resta saber se o suficiente para seguir adiante no torneio continental. E, em conseqüência, termos novas oportunidades de assistir o espetáculo proporcionado pela apaixonada e apaixonante torcida xeneize.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Boca E Apito Eliminam Corinthians Na Libertadores

O confronto entre Boca Juniors e Corinthians pela fase oitavas-de-final na Copa Libertadores da América 2013 pode ser dividido em duas partes. A primeira foi aquela disputada em La Bombonera, onde o time da casa mostrou-se superior, venceu por 1a0 e poderia até ter conseguido uma vantagem ainda melhor. A segunda parte realizou-se nessa última quarta-feira, no estádio Pacaembu, onde o time mandante jogou melhor, criou muitas chances e até converteu o suficiente, mas acabou esbarrando na arbitragem de Carlos Amarilla e amargando a eliminação diante do mesmo clube sobre o qual, ano passado, sagrou-se campeão na competição.

O curioso nessa história toda é ver como o fator campo pode influenciar o comportamento de cada equipe e, consequentemente, o andamento da partida. O apático Corinthians que se apresentou em Buenos Aires transformou-se num time com cara de campeão em São Paulo. Principalmente no segundo tempo, quando precisava correr atrás de três gols. O Boca, que impôs seu jogo na capital argentina, atacou apenas esporadicamente em solo brasileiro, tendo a felicidade de encontrar um golaço através de Riquelme e a sorte de ver a arbitragem anular dois lances de gols corinthianos.

O Corinthians sai da Libertadores de cabeça erguida e isso se deve fundamentalmente pelo rendimento no segundo tempo no segundo jogo. Nos outros três (principalmente nos dois primeiros, na Argentina), ficou devendo. É uma equipe que tem totais condições de sair campeã paulista na Vila Belmiro e, mais relevante que isso, que disputará o Campeonato Brasileiro com possibilidade real de título, para usar termo do técnico Tite.

Quanto ao Boca Juniors, não vejo lá grande qualidade técnica nem vigorosa consistência tática. Mas vejo o Boca. Vejo a Libertadores. Vejo Bianchi. Vejo Riquelme. Vejo uma torcida fantástica, que faz de um estádio, caldeirão. Vendo tudo isso, há que se respeitar. Quem tem tudo isso, junto e misturado, vai longe.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Soberano É O Futebol Arte: Atlético Mineiro 4a1 São Paulo

O Clube Atlético Mineiro está nas quartas-de-final na Copa Libertadores da América 2013. Ponto parágrafo.

Ler essa frase hoje é simples e redundante, pois o fluxo de informações já deixou cada um que se interessa em Taça Libertadores ciente da goleada por 4a1 sobre o São Paulo, totalizando 6a2 na soma dos resultados. Mas muitos "especialistas" e "entendidos" de futebol (aspas com valor de "pseudo") haviam sacramentado a eliminação atleticana após a derrota por 2a0 para o mesmo São Paulo Futebol Clube na última rodada pela fase de grupos no torneio.

Naquele momento, o Galo vinha de uma campanha com 100% de aproveitamento, já assegurando o primeiro lugar no grupo e no geral. Um simples empate no Morumbi eliminava o Tricolor. Só que os donos da casa mostraram sua força e vibração, vencendo a partida com dois gols no segundo tempo. Há quem sugira que o Atlético "tremeu". Que o São Paulo é mais "familiarizado" com Libertadores. A segunda premissa é verdadeira, mas pouco diz dentro de campo. Principalmente quando se está diante de uma equipe tão envolvente e eficiente como essa comandada por Cuca. Ou melhor, como mais essa comandada por Cuca.

As personificações do envolvimento e da eficiência no jogo de quarta-feira no Independência foram Ronaldinho Gaúcho e Jô. Os dribles, as arrancadas, os passes, os lançamentos, os deslocamentos e tudo o mais exibidos por Ronaldinho são para fazer lembrar os tempos de Barcelona. Sim, os tempos de Barcelona, aqueles que muitos garantiram que jamais voltariam. É aquele Ronaldinho! Só que em vez de vestir azul-grená sendo comandado por Rijkaard, é em alvinegro sob os cuidados de Cuca. Um gênio. Daqueles que encantam e que decidem jogos e classificações. Jô, autor de três gols - diga hat-trick, se preferir - mostrou que conhece o atalho para a rede. Não precisa de muitos toques na bola nem de muito espaço para resolver os lances que chegam a si. Ainda carimbou o travessão de Rogério Ceni (a exemplo de Ronaldinho). Foi quatro, mas poderia ter sido mais. Uma sacolada.

Bernard, Tardelli e tantos outros também foram importantes. E quando muitos (talvez todos) rendem bem, há que se olhar com carinho para o trabalho desepenhado pelo treinador. Invicto no Independência desde a reinauguração, o Galo tem a força, a coragem, a organização e o encanto dos verdadeiros campeões. Mostrou isso diversas vezes desde que Cuca assumiu o comando tático e ficou ainda mais belo desde a chegada de Ronaldinho. A participação dos fanáticos torcedores é a cereja no topo do bolo vegano. Se essa trajetória vai terminar na próxima eliminatória, na fase semifinal, em vice-campeonato ou em título, pouco importa. O reconhecimento por algo bem realizado independe disso. Mas será muito mais bonito - principalmente para o futebol - se tivermos um time que joga como joga o Atlético de Cuca (e como joga!) levantando um troféu tão almejado. Azar do São Paulo, do ótimo Ney Franco, que da fase de grupos até as oitavas jogou metade de suas partidas com o Galo (uma vitória e três derrotas). Quer dizer, azar em termos de resultados porque deve ter sido um belo aprendizado.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Quem Tem Essa Torcida, Vai Longe

Quando alguém diz "no embalo da torcida", talvez não faça idéia do que isso representa quando estamos falando de um jogo do Boca Juniors em La Bombonera. O que os torcedores boquenses realizam naquelas arquibancadas ininterruptamente é daqueles acontecimentos que fazem-nos parar, olhar, ouvir... e rever os conceitos sobre a influência que os adeptos presentes no estádio podem ter no andamento da partida. Vindo de uma péssima sequência de resultados, uma péssima colocação na liga nacional e, consequentemente, um péssimo momento na temporada, o multicampeão Boca Juniors passou por cima de tudo isso para enfrentar o atual campeão continental e mundial. E se passou por cima de tudo isso, muito se deve ao que veio de cima. Literalmente. A força que emana das arquibancadas é algo mais que um 12º jogador. E o Boca precisou desse algo mais, principalmente depois que teve um atleta expulso.

Dentro de campo, os comandados de Carlos Bianchi foram dinâmicos e por algumas vezes envolventes a ponto de deixar o bem organizado time corinthiano em apuros. O gol demorou para acontecer, mas premiou quem jogava melhor no gramado e quem dava festa fora dele: a aparente tentativa de chute de Erbes virou assistência para Blandi abrir a contagem aos treze no segundo tempo. Aos trinta e sete, Ledesma também foi às redes. Mais que isso, foi à loucura. Difícil não enlouquecer com aquela atmosfera bomboneriana. Só que a loucura custou-lhe um cartão amarelo, pois tudo estava parado por alegação de impedimento e o atleta vindo do banco ainda tirou a camisa na celebração. No minuto seguinte, novo cartão amarelo para o mesmo Ledesma fez o Boca jogar com um a menos. Quer dizer, talvez a partir dali houvesse uma aproximação numérica. Com Orion no gol e dezenas de milhares de apaixonados alguns metros mais em cima, o Boca resistiu à tentativa corinthiana de buscar o empate e carrega para São Paulo uma relevante vantagem.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Heroísmos Numa Quarta-feira Futebolística

Vamos aqui falar sobre três jogos assistidos pelo blogueiro nessa última quarta-feira (ontem, 17.04.2013). Poderiam ser três tópicos diferentes, mas veio a idéia de juntar tudo numa única postagem, compactando o conteúdo e, na medida do possível, estabelecendo relações entre as diferentes partidas.

Seguindo a ordem cronológica dos eventos, comecemos pela fase quartas-de-final na Copa da França, onde Evian e Paris Saint-Germain se enfrentaram em jogo único, decidido somente nas cobranças de pênaltis. No tempo regulamentar, empate em 1a1 (Pastore abriu o placar com um golaço da meia-lua e Khelifa empatou para os donos da casa ainda no primeiro tempo).

Muito superior tecnicamente, tendo montado um time caríssimo e que recentemente conseguiu jogar de igual para igual com o Barcelona, o PSG voltou a atuar de maneira irregular, tal como tive a oportunidade de acompanhar algumas vezes nessa temporada. Sem Lucas (contundido) e com Ménez bastante sumido nas ações ofensivas, a equipe mostrava poucas alternativas para infiltrar na defesa cor-de-rosa, que tinha no brasileiro Betão uma de suas fortalezas para impedir o sucesso de jogadores como Ibrahimovic, Lavezzi (que entrou no segundo tempo) e o próprio autor do gol, Pastore, que não teve grandes facilidades nas proximidades da área.

Com duas ou três belas intervenções, o goleiro Laquait ajudou a levar o aplicado time de Pascal Dupraz às penalidades máximas, defendendo a cobrança de Ibra para se consagrar de vez no confronto que colocou, pela primeira vez na história, o Evian numa semifinal de Coupe de France. Para frustração de um PSG que sonhava com uma dobradinha inédita, restando agora o Campeonato Francês para "salvar" a temporada dos comandados de Carlo Ancelotti, líderes isolados na competição.

Depois de ver a festa de Laquait, Betão e companhia diante de seus torcedores na França, voltamos para o Brasil sem sair do sofá: era estréia do Botafogo na Copa do Brasil. Embalado por oito vitórias consecutivas na temporada (incluindo aí semifinal e final na Taça Guanabara), o Alvinegro jogou no campo do Sobradinho mas com clima de partida dentro de casa, pois a grande maioria presente nas arquibancadas era botafoguense. Seedorf teve grande atuação e a equipe dominou as ações por praticamente todo o tempo de jogo, mas não foi capaz de tirar o zero no placar. E ainda levou um susto no final, pois nos acréscimos levou um gol que veio a ser corretamente anulado, por impedimento de alguns centímetros. O heroísmo nessa partida fica para o esforço dos jogadores do Sobradinho e, em especial, para o goleiro Donizeti, que sempre correspondeu quando exigido, incluindo um lance em que evitou gol contra de Ronaldo, defendendo acrobaticamente. Com sorte, quem sabe a equipe não consegue o feito de sair classificada no Rio de Janeiro? Aliás, com muita sorte, porque tudo leva a crer que o Botafogo estará mais inspirado na partida de volta.

Finalmente, Copa Kevin Libertadores da América 2013. São Paulo, ameaçadíssimo de eliminação, e Atlético Mineiro, garantidíssimo com a melhor campanha na fase de grupos. Duelo colocando em choque times dos excepcionais Ney Franco e Cuca. Jogo com cara de decisão, bastante truncado. No segundo tempo, um pênalti cometido por Leonardo Silva abriu o caminho para a vitória tricolor: Rogério Ceni converteu a cobrança e, mais tarde, uma jogada iniciada por Ganso chegou até Osvaldo e terminou na conclusão de Ademílson. 2a0 e, com a vitória do Arsenal sobre o The Strongest, teremos nas oitavas-de-final... Atlético e São Paulo! Heroísmo? Dessa vez deixo para a torcida são-paulina, que fez bonita festa e abraçou o time. Não estranharia se desse duelo saísse o novo campeão continental...

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Equipe E Jogada Da Semana

A doce rotina das vitórias foi coroada nesse sábado com o título na Bundesliga 2012-3. É isso mesmo, com 6 rodadas de antecipação o Bayern de Munique é campeão alemão!

Para se ter uma idéia da maravilhosa sequência bávara, o time comandado por Jupp Heynckes venceu todos os jogos disputados em 2013, com exceção de um, diante do Arsenal, em partida onde o resultado de ida "permitiu" a derrota por 2a0. Ou seja, uma derrota com sabor de... vitória.

O gol de letra de Bastian Schweinsteiger deu a vitória sobre o Eintracht Frankfurt, fora de casa, selando o caneco nacional e podendo ser o primeiro passo para uma inédita Tríplice Coroa. Pela Liga dos Campeões da Europa, o Bayern venceu a Juventus por 2a0 na última terça-feira e, caso marque gol em Turim, se classificará para a semifinal mesmo perdendo por até dois de diferença.

Aplausos para esse belíssimo time que tem tudo para ficar ainda melhor na próxima temporada, pois Josep Guardiola já foi anunciado.

Jogada da semana

Finalização digna dos gênios. Com vocês, Ronaldinho Gaúcho em ação com a camisa do Clube Atlético Mineiro, que goleou o Arsenal por 5a2 pela 5ª rodada na fase de grupos na Copa Libertadores da América 2013.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Com Cara E Alma De Campeão, Atlético Goleia De Novo

Há um belo horizonte para os atleticanos. O time comandado por Cuca consegue carregar consigo a eficiência dos grandes vencedores e a categoria dos times que marcam época. Goleada por 5a2 sobre o Arsenal de Sarandí é um filme que já havíamos visto nessa Libertadores e que os deuses do futebol quiseram que assistíssemos novamente. Afinal, quem cansa da mais pura arte?

Dessa vez sem o ágil Bernard, contundido, o Atlético foi de Luan entre os atacantes. Diego Tardelli, autor do primeiro gol em jogada de grande arrancada pessoal e assistência de Jô, sentiu lesão na coxa direita e deixou o campo ainda no primeiro tempo. Teve tempo de ver sua equipe marcar o segundo, com Ronaldinho, cobrando pênalti onde deveria ter sido marcado falta. Mudaria pouco, creio eu.

Ainda antes do intervalo, Braghieri descontou e fez-nos lembrar que haviam dois times no gramado. Mas, na volta para o segundo tempo, demorou cerca de um minuto para termos a confirmação de quem é que manda no Independência: Luan começou a jogada e terminou ele próprio, mas não antes de a bola passar pelos pés de Ronaldinho e também de Jô. 3a1 Galo.

Gustavo Alfaro trocou Rolle por Benedetto. E viu o Atlético marcar o quarto: golaço de Ronaldinho. Daqueles gols que não precisam de nada acompanhando, apenas o bom senso do espectador para observar como trata-se de um craque do esporte, de um gênio da bola, de um dos maiores do mundo. Ronaldinho Gaúcho, como é bom te ver jogar! Que crime não te convocar!

Alfaro mexeu novamente no Arsenal, dessa vez colocando Torres no lugar de Aguirre. Aguerrido, o time visitante veio para cima tentando diminuir o prejuízo no saldo de gols. Mas Cuca e o Atlético queriam mais. Com Rosinei no lugar do exausto Luan e Alecsandro na posição de Jô, os donos da casa continuaram seu ímpeto ofensivo característico, sob a batuta do maestro da camisa dez.

O Arsenal descontou com Benedetto, em felicíssima cobrança de falta. Mas houve tempo para, nos acréscimos, Alecsandro repetir o resultado de Sarandí, em chute potente de longa distância. Cinco para o Atlético, dois para o Arsenal. De novo. Para não deixar dúvidas. É o melhor futebol que se joga nas Américas e o melhor técnico brasileiro. Independente do que possa dizer a CBF.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Com Pacaembu "Liberado", Timão Goleia Tijuana

Três a zero e resultado construído com relativa autoridade. Se considerarmos que o Tijuana, atual campeão mexicano, é um time de qualidade (e é mesmo), e que não por acaso venceu seus três primeiros jogos nessa Copa Kevin Libertadores da América 2013, goleá-los não é missão para qualquer um. E não é mesmo: quem conseguiu o feito foi o Corinthians, atual campeão continental e mundial.

Placar elástico mas à altura do que foi o domínio da equipe da casa. Não que tenha conseguido ser superior do início ao fim, mas soube reagir a cada mudança na partida. Tite precisou realizar sua primeira substituição já aos vinte e sete minutos, pois Pato sentiu alguma contusão e deu lugar para Romarinho. Foi logo depois de o próprio Pato abrir o placar: precisou apenas completar para a rede, aproveitando rebote de chutaço de Renato Augusto, que bateu no travessão, na trave e no travessão novamente, só entrando após intervenção do atacante que viria a ser substituído.

As coisas melhoraram para o Timão quando Guerrero marcou o segundo, após receber de Alessandro, em jogada também com participação de Renato Augusto. Veio o intervalo e Antonio Mohamed, compatriota do novo papa, modificou o Tijuana, trazendo Ruíz no lugar de Corona. Liberou os alas e o clube mexicano melhorou, chegando pelo menos duas vezes com perigo. Mas o Corinthians reagiu. Voltou a conseguir impôr seu jogo e seu ritmo de jogo. Dificultou a transição adversária e por vezes colocava o oponente na roda. No final, Guerrero ajeitou para Paulinho dar números finais no placar.

As posteriores entradas de Douglas e Jorge Henrique nos lugares de Renato Augusto e Danilo mostram que o Corinthians tem mais que onze jogadores qualificados. E talvez a maior qualificação do clube do Parque São Jorge esteja na figura de Tite, que desenvolve trabalho correto, taticamente bem resolvido, embora por vezes excessivamente pragmático. É um sério candidato ao bicampeonato.

Nas arquibancadas, 33120 pessoas. Um aumento substancial em relação aos 4 presentes na partida diante do Millonarios. Só que, se pensarmos bem, passou depressa demais o "luto" por Kevin. A família do adolescente queixa-se de não receber qualquer condolência corinthiana, que responde em nota oficial afirmando ter entrado em contato com o Consulado. Entre a suposta demagogia, a politicagem e a generosidade, acho que está tudo muito mal dosado. A história merece muito mais atenção do que um minuto de silêncio.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Mesmo Jogando Em Casa, Caracas Vence O Grêmio

Quando dizem que o grupo oito na Copa Kevin Libertadores da América 2013 é um negócio difícil de explicar, não estão exagerando. Antes eram as seguidas vitórias dos visitantes (incluindo um triunfo do Huachipato em Porto Alegre) e, mais recentemente, depois de o Grêmio aplicar 4a1 no Caracas, vem a partida entre os dois em território venezuelano. Nova vitória gremista? Nada disso: deu Caracas, 2a1, de virada.

A partida começou movimentada, com dois times ágeis na transição. Esbarravam mais no gramado esburacado do que na marcação adversária. Aos dezesseis, porém, a jogada gremista veio pelo alto: André Santos cruzou e Elano, livre, leve e solto, cabeceou sem sequer precisar saltar do solo. 1a0 Grêmio, em lance onde o sistema defensivo dos donos da casa falhou quase que completamente: Sánchez marcava Barcos e Vargas ao mesmo tempo enquanto Carabalí apenas assistia a bola chegar até Elano. Facilitou demais as coisas pro time brasileiro, mas não tira o mérito do cruzamento de André Santos.

O time vinho era esforçado pra Caracas e conseguiu superar suas limitações em lance de bola parada: falta cobrada na barreira e, na sequência, chute certeiro de Louis Ángelo Peña Puentes. Era o empate nos acréscimos.

Na segunda etapa, o rendimento do Grêmio caiu. Mas caiu de tal forma que até o empate era colocado em risco. Ainda mais quando se desperdiça um contra-ataque como o que Vargas e Barcos avançavam com somente um adversário na marcação - no lance, o chileno passou errado e o goleiro Baroja ficou com a bola.

Zé Roberto se destacava mais pelo fôlego de passar por todas as partes do campo do que pelo poder de criação. Longe de uma atuação decepcionante, pois foi ele um dos melhores jogadores na partida, mas talvez a mística das estatísticas sugerisse uma atuação mais decisiva (Zé é o maior goleador que o Caracas conhece na Libertadores, já tendo sofrido cinco gols do gremista ex-Santos em edições do torneio continental).

Aos vinte e um minutos, uma rápida jogada pelo lado esquerdo terminou em assistência de Cure para finalização de Farías. O Caracas foi lá e fez. Virou o jogo. Venceu a partida. E pôde comemorar numa semana de luto após o desencarne de Hugo Chávez.
Eis a tabela atualizada no surpreendentemente equilibrado grupo 8. Na próxima rodada, Grêmio e Fluminense jogam em Porto Alegre. Uma semana antes, Caracas e Huachipato duelam na capital da Venezuela. Até agora, somente duas vitórias de times mandantes (ambas entre Grêmio e Caracas).

sexta-feira, 8 de março de 2013

Galo Mais Forte Que The Strongest

O Clube Atlético Mineiro deu na noite dessa última quinta-feira mais um sinal de sua força na disputa da Copa Kevin Libertadores da América. Força que está presente nas arquibancadas do estádio Independência, onde torcedores atleticanos cantaram antes, durante e depois da partida diante do The Strongest. Força que está no comando tático, através de uma filosofia de jogo ofensiva e de alta intensidade, promovida pelo excepcional técnico Cuca. Força que está na preparação física, pois há que se dar relevância ao fato de o Atlético conseguir impôr um dinamismo pouco comum e ainda assim manter fôlego até os minutos finais. Força que está no talento de seus jogadores, sobretudo no genial Ronaldinho Gaúcho, o grande nome do jogo.

Enfim, o Galo é forte. Fez um primeiro tempo razoável diante de um adversário organizado e aplicado. Criou pouco, basicamente através de jogadas de craque vindas dos pés de Ronaldinho. Levou alguns sustos, principalmente em jogadas que passassem pelo hábil Reina e pelo esperto Escobar. Mas veio o segundo tempo e com ele um crescimento do time da casa. Conseguindo fazer a bola circular com maior velocidade do que antes do intervalo, o time criou oportunidades de gol com maior frequência. Parou em grandes defesas de Vaca, mas conseguiu, finalmente, abrir a contagem. Cerca de um minuto antes do lance do gol, Tardelli havia cruzado da direita para conclusão de Bernard que carimbou a trave. Era o prenúncio da celebração: aos onze, Ronaldinho cruzou da esquerda e Jô, após desvio na defesa, concluiu para a rede. Ou seja, em duas jogadas de ataque, participação de dois pares de jogadores ofensivos no esquema tático de Cuca.

Tardelli marcaria o segundo após envolvente ataque atleticano, mas foi marcado impedimento daqueles que o assistente acusa na base do "chutômetro". Nesse caso, o chute foi tão certo quanto o de Tardelli. Aos vinte e sete, sem impedimento, Marcos Rocha recebeu magistral enfiada de bola de Ronaldinho e Torrico não viu outra alternativa que não fosse a de cometer pênalti. Cometeu, levou cartão amarelo e Ronaldinho partiu para a cobrança. Com a personalidade de quem não parecia vir de três desperdícios consecutivos, o craque cobrou rasteiro no canto direito e foi comemorar. 2a0.

No final, Mergal, que acabara de entrar, descontou para o The Strongest. Justo, até porque o time boliviano mostrou grande disciplina tática e alguma qualidade na transição ao ataque. Certamente dará muito trabalho quando estiver jogando em seus domínios altimétricos.

Com nove pontos em três jogos, o Atlético (grupo 3) e o Tijuana (grupo 5) são as únicas equipes com 100% de aproveitamento até o momento. E há que se valorizar os feitos, até porque fazem parte dessas chaves equipes da qualidade de um São Paulo e de um Corinthians, respectivamente.

Aproveite e lembre-se como foram as outras duas partidas do Galo na Libertadores: 2a1 sobre o São Paulo e 5a2 sobre o Arsenal de Sarandí.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Fluminense Oscila E Cede Empate Ao Huachipato

O grupo oito na Copa Kevin Libertadores da América 2013 é, definitivamente, um caso curioso. Dos seis primeiros jogos, os visitantes somaram cinco vitórias para somente um triunfo dos donos da casa (aconteceu na última terça-feira, com o Grêmio marcando 4a1 no Caracas). E, na abertura do returno, um empate entre Fluminense e Huachipato voltou a surpreender os mais lógicos. Ainda mais levando-se em consideração que, quando se encontraram no Chile, o Flu saiu vencedor (2a1).

No Engenhão, a torcida tricolor experimentou mais uma decepção no torneio continental. Talvez não tenha sido tão grave quanto a goleada sofrida para o Grêmio (3a0), mas foi provavelmente mais frustrante. Imagine você o time atacando com vigor, criando oportunidades diversas e abrindo o placar no primeiro tempo. Melhor: abrindo o placar com Fred, centroavante idolatrado por muitos torcedores tricolores e que colocou fim numa sequência de três jogos sem marcar gol.

Veio o segundo tempo e o Fluminense teve novas chances de marcar. O tempo foi passando e, talvez por alguma espécie de acomodação (que não se justifica pelo palcar, pois um a zero nada tem de confortável), os comandados de Abel Braga diminuíram o ímpeto ofensivo drasticamente e passaram a aceitar as investidas do time visitante. Investidas que beiravam a inexistência no primeiro tempo, toranaram-se raras no segundo e passaram a acontecer com frequência a partir de um dado momento.

Como explicar, sinceramente não sei. Posso supôr que tenha havido uma certa arrogância tricolor por perceber a superioridade técnica em relação a um oponente que errava bastante e dava espaços. Mas o nome desse esporte é futebol, senhoras e senhores de todas as cores. Vestindo grená da camisa ao meião, o Fluminense amoleceu, tornou-se apático. E o Huachipato, fez a sua: empatou o jogo através de Núñez. E, se por um lado contou com defesaças do ótimo goleiro Veloso, por outro teve ainda uma grande chance de virar o jogo, com Bryan Rodríguez tendo finalização cruzada espalmada por Cavalieri.

A situação do Fluminense está muito longe de ser desesperadora: embora faça jogo difícil com o Grêmio em Porto Alegre, encerra sua participação recebendo o Caracas no Engenhão, dependendo somente de seus próprios resultados para conseguir a classificação. A dúvida que deve incomodar os adeptos do clube das Laranjeiras é: qual Fluminense enfrentará o Grêmio e qual Fluminense enfrentará o Caracas? As vaias que ecoaram no final do jogo diante do Huachipato denunciam uma insatisfação da massa. Os gritos de "time sem vergonha", embora pesados, fazem algum sentido. Até porque, faltou muito mais atitude para "resolver o jogo" (ou pelo menos tentar fazê-lo) do que qualidade técnica. O Fluminense depende de si e seria interessante que começasse refletindo sobre quem seja o Fluminense e o que quer o time na Libertadores.

O Huachipato, com todas as suas limitações, mostrou-se focado e determinado do apito inicial ao derradeiro. Com chances de classificação mas ainda azarão, tem pelo menos uma história para contar: em duas viagens ao Brasil, voltou invicto para casa (venceu o Grêmio e empatou com o Fluminense).

sexta-feira, 1 de março de 2013

São Paulo Vira Jogo Difícil E Vence The Strongest

Pela segunda rodada no grupo 3 na Copa Kevin Libertadores da América 2013, o São Paulo recebeu o The Strongest no Morumbi para uma partida onde muita gente discutia qual seria a diferença de gols, já pensando no saldo. Só que não. Não havia nada combinado com os bolivianos e o que se viu foi uma partida disputadíssima, inclusive com cara de jogo eliminatório. No final das contas, o Tricolor conseguiu uma vitória de virada e soma seus primeiros três pontos no torneio, igualando-se ao próprio The Strongest. Completam o grupo o líder Atlético e o lanterna Arsenal, que se enfrentaram na terça-feira.

O jogo já começou com uma grande chance do São Paulo abrir o placar: no primeiro minuto, Aluísio gozaria de ótima posição mas a arbitragem do paraguaio Enrique Cáceres ignorou solenemente a lei da vantagem, marcando falta para os donos da casa. Veio o cartão amarelo para Méndez e Rogério Ceni para a cobrança. Cobrança essa muito bem feita, como habitualmente ocorre quando o experiente goleiro goleador se encarrega de fazê-la. Só que melhor que o goleiro são-paulino foi o goleiro da equipe visitante: Vaca voou e espalmou no canto esquerdo.

Bem postado em campo e indo ao ataque quando com a posse de bola, o The Strongest parecia disposto a não ser mero coadjuvante. O camisa dez Pablo Escobar, que conhece o futebol brasileiro e paulista, articulava bem as jogadas, principalmente nos lances de bola parada. E foi num escanteio pelo lado esquerdo que os bolivianos saíram na frente: Escobar cruzou, Cristaldo cabeceou no primeiro poste encobrindo Ceni e Barrera entrou com bola e tudo. Talvez nem fosse necessário Barrera tocar na bola, pois pareceu que o ótimo desvido de Cristaldo tinha o endereço certo. De toda forma, 1a0 para os visitantes.

Com Osvaldo e Aloísio atuando como pontas e Jádson encostando em Luís Fabiano, os comandados de Ney Franco conseguiram construir algumas jogadas interessantes pra cima da aplicada defesa adversária. O empate saiu aos quarenta e dois, quando Aloísio cruzou da direita, Luís Fabiano finalizou centralizado, Vaca fez ótima intervenção e Osvaldo marcou no rebote, em remate que quase foi evitado no que seria uma defesa espetacular do ótimo Vaca.

Não sei qual seria o comportamento dos mais de trinta mil tricolores presentes nas arquibancadas caso a equipe fosse com uma derrota para o intervalo, mas o fato é que em momento algum pude ouvir som de vaias. Sinal positivo, até porque não faria sentido hostilizar um time esforçado, montado de maneira ofensiva e que procurava o gol de diferentes maneiras, mas sempre na base do que de bola em velocidade. Eduardo Villegas, este sim, merece reconhecimento pela maneira como trouxe o time boliviano para o Brasil, conseguindo ter equilíbrio e regularidade taticamente, sendo difícil de ser infiltrado na defesa e chato de ser marcado no ataque.

Foi um segundo tempo com o São Paulo melhor, sim, mas lá e cá em oportunidades de gol. Reina teve boa chance de recolocar os visitantes em vantagem quando Escobar cruzou da esquerda, cabeceando na altura da marca do pênalti para defesa de Ceni, em lance onde Tolói não marcava ninguém. Ney já havia trocado Denílson por Ganso, aumentando o poder de aproximação tricolor. Mas foi após a entrada do argentino Cañete no lugar de Aloísio que o time melhorou de vez. Habilidoso e com boa movimentação, o camisa vinte, único estrangeiro na equipe brasileira, iniciou a jogada do gol da virada: aos trinta e cinco, deu enfiada de bola para Ganso que, livre, levantou a cabeça e serviu Luís Fabiano, que cumpriu o ofício de centroavante. Demorou oitenta minutos, mas o São Paulo conseguiu assumir a frente no placar.

Logo depois do gol marcado, Ney optou trocar Jádson por Fabrício, recompondo uma formação com dois volantes. O The Strongest assustou uma vez ou outra, mostrando que aquela história de "perder de pouco" era balela dentro do plano de jogo da equipe. No final, o apito derradeiro soou como um alívo aos tímpanos são-paulinos. Prova de que esse grupo pode ser muito mais difícil do que previamente se apresentava. O The Strongest mostrou sua força. E no nível do mar.
Paz entre irmãos - eterno Kevin. Faixa trazida por compatriotas de Kevin ao Brasil mostram que o menino boliviano de catorze anos, vítima fatal de um sinalizador lançado por torcedor corinthiano em Oruro, não foi nem será esquecido.