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domingo, 8 de setembro de 2013

O Que Dizer De Brasil 6a0 Austrália?

Era um Sete De Setembro, data onde se celebra "a independência do Brasil". Mesmo em tempos de ditadura. Nas dependências da arena Mané Garrincha, dezenas de milhares de lugares vagos. Nos arredores, opressão policial sobre manifestantes majoritariamente pacíficos.

Dentro de campo, uma Austrália pregada. Pregada a ponto de não chutar em gol, de não ganhar disputas pelo alto (e olha que eles têm 'tradição' nesse quesito). Vieram para assistir a seleção brasileira jogar. E a seleção brasileira... jogou. Com naturalidade e facilidade, marcou quatro gols em cada tempo (três deles validados) e goleou uma seleção que já está garantida no Mundial, via Eliminatórias Asiáticas. Se jogar desse jeito, será uma participação vexatória do maior país da Oceania. Mas duvido que joguem desse jeito. Como também duvido que a seleção de Felipão repita atuações como a diante dos australianos. Não por falta de capacidade técnica, mas por excesso de zelo defensivo e pela improbabilidade de defrontar com novas defesas tão desorganizadas e desleixadas.

Muito boa a atuação de Ramires, jogador que já deveria ser considerado intocável nesse meio-campo, principalmente após a maravilhosa performance na Copa América 2011. Precisa é ter maiores cuidados nas divididas, pois tanto na seleção quanto no Chelsea o ex-Cruzeiro vem distribuindo entradas imprudentes (para não dizer desleais). Bernard também teve rendimento satisfatório, principalmente se contrastarmos com o desempenho quase nulo de Lucas, que entrou em seu lugar. Neymar, entre acertos e firulas, teve um saldo positivo. Jô e Pato não precisaram de muito contato com a bola para balançarem a rede. Luiz Gustavo, autor de um golaço, é outro que parece à vontade com a camisa amarela e merece a titularidade. Maicon aproveitou as avenidas e fluiu como quis, apresentando-se como sombra ao não muito ensolarado Daniel Alves. Com a defesa firme e o adversário mole, Júlio César foi a Brasília a passeio. Jéfferson, que desfalca o Botafogo no Campeonato Brasileiro, assistiu do banco o goleiro que não joga nem precisar jogar.

O blogueiro assistiu a partida do alto, atrás do gol que no primeiro tempo foi enfeitado por Júlio e no segundo foi defendido (ou não) por Schwarzer. Aliás, bota alto nisso. Era o ingresso menos caro disponível (R$45 a meia-entrada), para um jogo onde cerca de quarenta mil marcaram presença e a renda chegou perto dos quatro milhões de reais. Para onde vai esse dinheiro, só Deus sabe. Em tempos onde Marín preside a CBF e o abuso de autoridade impera ditatorialmente, com privação de direitos básicos de ir e vir e aprovação de Lei Geral da Copa e afins, pode-se ter em mente que o 'investimento' ficará restrito aos poderosos. E o legado ó...

sábado, 3 de agosto de 2013

Estamos Aqui

Vinte e um dias depois, estamos de volta com uma postagem no blógui. O usuário de longa data sabe muito bem que as publicações nessa página obedecem uma freqüência mais assídua do que as dos tempos recentes e o blogueiro pede desculpas por não vir mantendo aquela gostosa rotina de tópicos novos. Mas cá estamos e, sem mais delongas, falemos de futebol.

Tivemos Cuca, Ronaldinho e Atlético Mineiro campeões continentais, fato que acho ótimo para o futebol. Primeiramente, pelo fato de o melhor técnico brasileiro das últimas décadas estar conquistando tão relevante torneio internacional - parabéns, Cuca! Em segundo lugar, por Ronaldinho Gaúcho, maior craque brasileiro em atividade, conseguindo conciliar dedicação profissional com aquela velha e conhecida arte de jogar bola que pouquíssimos conseguem fazer como ele - parabéns, Ronaldinho! E por último, ao Clube Atlético Mineiro, mais um campeão inédito de Libertadores - parabéns, Atlético!

A saída de Abel Braga do Fluminense (Luxemburgo assumiu após cerca de um mês desempregado) é outro daqueles casos que mostram o imediatismo no futebol. Atual campeão brasileiro, Abel deixa o cargo após desapontantes participações em todos os torneios disputados em 2013. Mas o futebol do Flu é aquele de sempre... burocrático. Quando ganhava jogos e campeonatos, tava tudo certo, né, tricolores? Procurar alguém que assuma o comando técnico com uma filosofia de jogo que vá além do mísero futebol-resultado é algo que ainda não entrou na cultura esportiva tupiniquim. Digo ainda porque sou otimista e acredito que muitos Cucas ainda surgirão.

No mais, hoje assisti dois jogos. Em Londres, o ótimo amistoso pré-temporada entre Arsenal e Napoli terminou empatado em 2a2, com a mesma rede sendo estufada quatro vezes. Partida movimentada, com o Arsenal mostrando aquela qualidade de posse de bola típica de um time (muito bem) treinado por Arsène Wenger, diante de um Napoli que conservou a agilidade de contra-atacar mesmo com a troca de Walter Mazzarri por Rafa Benítez. O uruguaio Edinson Cavani provavelmente fará falta ao clube celeste, mas não é prudente duvidar da capacidade do argentino Gonzalo Higuaín. Insigne também é boa opção, mostrando oportunismo no gol inaugural. Pelo lado londrino, seria interessante a equipe buscar um nome de impacto para o setor ofensivo. Apesar do golaço de Giroud.

Ah! O outro jogo que vi hoje foi a vitória do Cruzeiro sobre o Coritiba, no reencontro do treinador Marcelo Oliveira com o Alviverde Paranaense. A partida foi relativamente equilibrada, mas o Coxa sentiu a ausência de Alex. Lincoln e Bottinelli não deram conta da armação de jogadas e o jogador mais influente no resultado acabou sendo o goleiro Vanderlei, com diversas defesas difíceis que mantiveram o 1a0 cruzeirense, em gol que saiu no início, com Luan completando cruzamento de Mayke, aos onze. Amanhã, o Botafogo pode retomar a liderança no Campeonato Brasileiro se sair vencedor no clássico com o Vasco. Outro jogo interessante na rodada é o Gre-Nal, num confronto entre os ex-jogadores Renato Gaúcho e Dunga.

Saudações futebolísticas.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

O Haiti É Aqui

Pense no Haiti, reze pelo Haiti, como canta Caetano Veloso na música Haiti. Faça isso por motivos diversos. O país, que sofreu um terremoto avassalador em janeiro de 2010, busca a reconstrução. Reconstrução que já seria complicada caso se limitasse aos assuntos tangíveis aos engenheiros. Mas que é ainda mais dramática ao tratarmos dos traumas deixados por um evento que desencadeou o desencarne de mais de duzentos mil indivíduos, sonhos, famílias. E a gravidade só faz aumentar na medida em que nos deparamos com a profunda probreza que assola a república centro-americana.

Pense no Haiti, reze pelo Haiti e, futebolisticamente falando, inspire-se no Haiti. A seleção haitiana veio ao Rio de Janeiro, enfrentou a tetracampeã mundial Itália (que carrega o peso e a relevância da segunda maior vencedora na história das Copas) e... deu show. Sim, deu show. Um show de superação, de ousadia, de alegria. De jogar futebol. São Januário, estádio do Clube de Regatas Vasco da Gama, sede de tantas partidas válidas pelo calendário oficial brasileiro, recebeu o genuíno jeito de jogar tupiniquim. Ofensivo, valente, alegre. O Haiti empatou (com) a Itália. O Haiti é aqui!

Cesare Prandelli, treinador da Azzurra, disse que o resultado (2a2) foi vergonhoso para os italianos. Penso que não. O empate numa partida beneficente diante de uma seleção inexpressiva no futebol mundial não é uma vergonha. A vergonha reside, isto sim, na maneira de jogar. Por que os comandados de Prandelli não atuaram de maneira mais solta e envolvente? Tudo bem, não era um jogo oficial, etc e tal. Mas se o jogo teve alguma graça esportivamente falando, devemos todas as alegrias da tarde de terça-feira ao desempenho dos haitianos. Torço para que tenha sido deixada, naquele gramado de São Januário, uma semente no fértil solo do futebol brasileiro. Semente que, se Deus quiser, fará brotar em troncos fortes a autenticidade da seleção amarela, cinco vezes campeã mundial, e hoje entregue a indivíduos que não condizem com essa grandiosidade. E, da sombra dessa árvore imponente, que possamos voltar a saborear os frutos do futebol arte.

Obrigado pela bela lição, Haiti. Mostrou a nós algo que alguns dessa geração talvez tenham esquecido que existe: a alegria em se jogar futebol. Como se fosse... por música.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Futebol Argentino: Dinheiro Que Falta, Talento Que Sobra

Dois times de muita tradição no futebol argentino e sul-americano duelaram na noite desse domingo, abrindo o Torneio de Verão (Copa Centenário 2013), competição de inter-temporada realizada em Mar del Plata. É a primeira vez que esse blógui comenta um jogo entre equipes argentinas e o blogueiro tem a obrigação de começar com uma afirmação: gostou do que viu.

Já é sabido por muitos de nós que a Argentina atravessa momento complicado economicamente. Longe de ser exclusividade do nosso país vizinho, até porque a crise econômica atual tem dimensões internacionais, atingindo até alguns países europeus que, tempos atrás, pareciam imunes a esse tipo de transtorno.

Acontece que aqui falamos de futebol e a crise econômica argentina afeta os clubes nacionais de tal maneira que os principais craques da seleção atuam além dos limites das fronteiras do país. Para muitas nações, isso seria o suficiente para sacramentar um baixo nível técnico no futebol que se joga domesticamente. Não na Argentina. Celeiro de jogadores talentosos, a Argentina tem muito atleta interessante atuando em seu país. E o que é mais interessante: jogadores jovens, muitos dos quais vindos da base de seus respectivos clubes.

Foi flagrante a diferença técnica entre River Plate e Independiente. O River, que recentemente viveu o pesadelo de jogar a segunda divisão nacional, parece estar caminhando bem. Se falta dinheiro, sobra talento. Autor dos dois gols da vitória por 2a0, o centroavante Rogelio Funes Mori, de 21 anos de idade, mostrou ótimas qualidades enquanto finalizador. Com um lindo mergulho, cabeceou para abrir o placar no primeiro tempo. Na segunda etapa, aos três minutos, uma nova finalização de cabeça lembrou muito a do lance do gol, mas dessa vez a bola passou à direita da trave. Mais tarde, novamente de cabeça, Funes Mori marcou o segundo da equipe. Com 1,85m e ótimo senso de posicionamento, vale prestar atenção nesse camisa nove.

Aliás, nos dois primeiros lances citados (o gol no primeiro tempo e a bola cabeceada para fora no início do segundo tempo), ambos os cruzamentos foram de autoria de Tomás Martínez, jovem habilidoso de dezesseis anos que é apontado como sucessor de Erik Lamela (titular no meio-campo da Roma). Confesso não ter visto tantas semelhanças com Lamela, até porque Martínez atuou bastante aberto pelo flanco esquerdo, mas é fato que trata-se de mais uma grande promessa. Daniel Villalva, que deu a assistência para o segundo gol, também deixou ótima impressão.

Muitos poderão dizer que trata-se de um torneio de caráter amistoso, diminuindo a relevância dos comentários aqui colocados. Tudo bem, quando a competição é oficial as coisas geralmente mudam de figura. Mas seria insano fechar os olhos para a notável capacidade técnica de muitos dos jogadores que estavam em campo. Se titulares foram poupados em ambos os lados, não importa. A análise para os que atuaram continua valendo. E o Independiente, a julgar pela rispidez em algumas divididas e pela falta de paciência quando era colocado na roda, levou o "amistoso" a sério. Os torcedores presentes, idem. Principalmente aqueles situados atrás dos gols, que fizeram bonita festa nas arquibancadas.

Não serei leviano de afirmar que tenha visto em campo algum jogador para ser conovocado ao Mundial de 2014, no Brasil. Mas podem anotar: entre os que atuaram, teremos certamente algum(ns) podendo pintar na Olimpíada de 2016, também no Brasil.

Ah! Já ia esquecendo de um comentário que considero importante. O árbitro Silvio Trucco teve atuação excelente. Acertou na distribuição dos cartões (sim, o "amistoso" teve cartões amarelos e até uma expulsão) e foi um dos melhores em campo. Não sei se o padrão de arbitragem na Argentina segue o nível do Trucco. Se sim, bem que poderíamos importar alguns para cá...

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Brasil Goleia Em Amistoso De Araque


Agrada-me ver a seleção montada de maneira leve, que flui da defesa para o ataque. Paulinho e Ramires encabeçando a proteção à defesa e auxiliando Oscar na armação de jogadas para Kaká e Neymar é uma formação interessante. O próprio uso de Adriano na lateral-direita foi proveitoso - tá aí um jogador canhoto que dá pra chamar de ambidestro.

O que fico sem entender é a insistência de Mano Menezes com Givanildo (vulgo "Hulk"). A insistência da CBF em agendar amistosos com seleções de qualidade pra lá de duvidosa (se bem que no caso já dá pra ter certeza da falta de qualidade). Vamos combinar que não iremos encontrar China nem Iraque na Copa de 2014.

De toda forma, com esse desenho tático, creio que podemos avançar satisfatoriamente até a Copa das Confederações, último grande teste antes do Mundial. Gostaria de ver Lucas sendo mais - e melhor - utilizado. Gostaria de rever Ronaldinho e Nilmar entre os convocados. Mas, em se tratando de Mano, o que vi hoje diante dos iraquianos foi altamente positivo.

Não sei se diante de um adversário minimamente organizado (com todo respeito ao Zico, mas a seleção que o "Galinho de Quintino" comanda parece totalmente carente de um padrão), Mano quererá repetir formações sem um centroavante de referência. Se sim, que saia Hulk para a entrada do "camisa nove". Se não, que saia Hulk para a entrada de Lucas ou Ronaldinho. Mas com Hulk não dá.

Em tempo: ótimo o retorno de Kaká. Seu desuso no Real Madrid me leva a conclusão natural de que há alguma coisa não muito redonda na relação entre ele e José Mourinho. Digo isso porque não acredito na possibilidade de que sua condição de reserva por todo esse tempo se baseie em "critérios técnicos". Se for, ô técnico ruim esse português...

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Serra Dourada, Bola Quadrada

Analisando friamente, o jogo entre Brasil e Argentina foi fraco. Mas se analisarmos a partida levando em consideração a grandeza das duas seleções e o que elas representam para o futebol mundial, então o duelo em Goiânia beirou o patético.

Do ponto de vista técnico, muitos valores individuais a se respeitar, sobretudo vestindo amarelo - o fato de o amistoso se restringir aos jogadores que atuam nas ligas argentina e brasileira foi muito mais prejudicial aos hermanos do que a nosotros.

Do ponto de vista tático, é como se o jogo sequer tivesse acontecido. Talvez a dureza dessas palavras se devam por ter, horas antes, assistido a uma ótima partida entre Chelsea e Juventus, pela Liga dos Campeões da Europa, onde o brasileiro Oscar brilhou ao marcar dois gol no empate em 2a2. Mas independentemente do que acontecera em Stamford Bridge, Brasil e Argentina não podem achar que com esse futebolzinho apresentado no estádio Serra Dourada estejam perto da tradição dessas camisas tão respeitadas pelo planeta bola. Pelo contrário: precisam aumentar a exigência em si mesmos para que, até 2014, honrem as cores que trajam. Com esse futebol, é mais um ultraje.

A Argentina não precisou de mais que um único e solitário chute para abrir o placar. O Brasil empatou em lance de bola parada e com impedimento não marcado por um auxiliar que, se não detectou a irregularidade numa jogada como aquela, não tem condições de seguir na profissão. No final, quando alguns já haviam deixado as arquibancadas, um pênalti cometido nos acréscimos deu ao Brasil a virada e a vitória. O "Superclássico das Américas" terá seu jogo de volta em Resistencia, Argentina. Resistência teremos que ter nós, torcedores numa pátria pentacampeã e entregue a uma Confederação que acredita que Mano Menezes, Luiz Felipe Scolari, Muricy Ramalho, Dunga e companhia sejam técnicos de futebol. Desculpem-me, mas diferenças nos currículos à parte, nenhum destes é.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Não Vale Uma Prata

As Olimpíadas-2012 ficaram para trás e o próximo torneio oficial para a seleção brasileira será a Copa da Confederações-2013, competição que antece a tão aguardada Copa do Mundo-2014.

O amistoso de hoje, diante da Suécia, anima muito mais pelo resultado final de 3a0 do que pelo desempenho coletivo da equipe comandada por Mano Menezes.

Se por um lado foram raros os momentos em que nossa defesa se viu envolvida pelos adversários, por outro há que se considerar que também não tivemos uma performance das mais criativas.

Mas o pior nem é isso, e sim o fato de, em muitos momentos da partida, a seleção ainda parecer um time desentrosado, carente de um padrão de jogo melhor definido. E se estamos falando de "um ciclo de quatro anos", no momento vamos entrando na segunda metade deste. Isto é, já passou da hora de termos, pelo menos, uma consistência tática nas partidas realizadas.

Ramires atuou na extrema direita, com Rômulo e Paulinho mais centralizados. Formação que não faz muito sentido. De quebra, Mano trocou Oscar por Hulk no segundo tempo, isto é, levando-nos a atuar com autênticos três volantes e sem um camisa dez (leia-se meia de articulação) naquele momento.

Num lance de sorte, Pato, que acabara de entrar, teve a felicidade de marcar o segundo gol. Depois, marcou o terceiro, escorregando em cobrança de pênalti que ele próprio havia sofrido. Leandro Damião, que saiu para a entrada de Pato, cumpriu sua função: marcou gol ao ser acionado por Neymar, finalizou, se movimentou. A camisa nove, se por um lado não encontrará ninguém nem perto de um Careca ou um Ronaldo, por outro já não é motivo para grandes preocupações. Sinceramente, acho que estamos melhor servidos de centroavante que de treinador...

domingo, 3 de junho de 2012

México Mostra Força E Expõe Limitações Da Jovem Seleção Brasileira

Depois de vencer amistosos com Dinamarca e Estados Unidos, a seleção brasileira não resistiu ao México e perdeu por 2a0 na partida realizada em Dallas. E o placar do jogo refletiu o que foi, de fato, um encontro de superioridade mexicana. Mano Menezes voltou a colocar o time com Oscar atrás do trio Hulk-Damião-Neymar. Desse quarteto, o camisa 10 teve a melhor atuação, mas não foi capaz de criar tantas opções como nos jogos anteriores. Neymar não esteve bem e teve performance comprometedora na medida em que deu origem ao contra-ataque do primeiro gol adversário e comportou-se de maneira nada profissional ao mostrar destempero emocional a agressividade fora de contexto no segundo tempo, quando poderia ter sido expulso de campo em áspero desentendimento com Severo Meza. Leandro Damião mostrou-se um jogador muito dependente de jogar de frente para o gol para pura e simplesmente finalizar a jogada. Teve uma oportunidade aos nove minutos, colocou para dentro, mas estava em posição de impedimento - de resto, foi uma figura que beirou a nulidade tática. Hulk mostrou aquela disposição que o caracteriza ao mesmo tempo que justificou a implicância que tenho por ele: a impressão que dá é que esse camisa 20 não "pensa" a jogada, apenas tenta imprimir um ritmo acelerado e ver no que vai dar a investida. Foi bem marcado pelo sistema defensivo e acabou se tornando presa fácil - ora dos jogadores mexicanos que o acompanhavam, ora por si próprio, ao escolher carregar a bola para uma zona mais difícil de ser trabalhada. A dupla de volantes composta por Rômulo e Sandro não comprometeu ao mesmo tempo que não conseguiu dar aquela alavancada para o ataque, isto é, marcaram presença em campo de maneira discreta. A seleção melhorou quando o hábil meia Lucas entrou no lugar de Sandro, ganhando em velocidade e em aproximação com o trio de frente (que terminou o jogo composto por Wellington Nem, Alexandre Pato e Neymar). Agrada-me ver Lucas e Oscar jogando juntos, e vejo como uma opção muito mais viável do que insistir no uso de Hulk.

A defesa confirmou as impressões anteriores: Thiago Silva é dono da posição e Juan tem muito o que "rodar" para transmitir alguma confiança. Enquanto o primeiro parece estar sempre consciente de onde estar e o que fazer, o segundo passa aquela sensação de estar atrasado no lance, tentando preencher um espaço onde já deveria estar antes. O lance do pênalti é apenas um exemplo mais explícito disso. Os laterais Danilo e Marcelo atuaram bem. Lamento pelo fato de, com a bola nos pés, a seleção brasileira concentrar as jogadas naquele último, muitas das vezes ignorando a liberdade do lateral-direito, que avançava, pedia a bola e não recebia. No final do jogo, o individualismo exacerbado do lateral-esquerdo mostrou que seu temperamento não justificaria jamais o uso de uma braçadeira de capitão para um jogador com essas características. Antes um jovem com a cabeça no lugar do que um veterano assim para supostamente liderar a seleção.

No bem montado time do México, muito me chamou atenção a boa dupla de ataque composta por Giovani dos Santos (autor de um golaço, provavelmente desproposital) e Javier "Chicharito" Hernández, que marcou o segundo gol cobrando pênalti e, ao lado de Giovani, atormentou a defesa brasileira com investidas velozes e que esbanjavam uma técnica aprimorada. Pouco mais atrás, José Andrés Guardado Hernández era o elemento que mais conseguia fazer fluir cada avanço mexicano, dando coesão ao time e mostrando ser peça significativa no esquema de José Manuel de la Torre Menchaca. A linha de defesa estava tão bem posta e tão bem protegida, que sua harmonia fazia parecer haver uma unidade intransponível, dando uma aula na seleção brasileira de como inibir o talento individual oponente através da aplicação tática. E a cereja no topo do bolo é esse goleiro chamado José de Jesús Corona Rodríguez. Com 31 anos de idade, o arqueiro mexicano teve uma exibição maiúscula no sentido de sua segurança em cada movimento feito em direção à bola. Se o México tem como tradição ser associado a goleiros bons porém espalhafatosos, com Corona Rodríguez a equipe pode contar com alguém que em nada deve ao maiores goleiros do país e que tem esse diferencial absolutamente positivo: o de ser discreto em sua eficiência.

As viagens brasileiras por solo estadunidense terão sequência com o amistoso diante da Argentina, sábado próximo, em Nova Jersey. Um dia antes, na capital Cidade do México, a equipe da casa recebe a Guyana em compromisso pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2014.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Veloz E Aplicado, Jovem Brasil Mostra Qualidades

Maryland recebeu a seleção local e a brasileira para mais um amistoso preparativo envolvendo os comandados de Mano Menezes diante dos Estados Unidos - a estréia de Mano na seleção foi exatamente contra esse adversário, na época dirigido por Bob Bradley.

Hoje com o alemão Jürgen Klinsmann no comando, os EUA mostraram uma desorganização que eu não havia visto nos tempos de seu antecessor. A seleção brasileira, se por um lado não voltou a apresentar um futebol brilhante como o visto no último encontro entre esses dois times, pelo menos mostrou alguns reencontros - mesmo que tímidos - com algumas de suas características tradicionais. No jovem time que foi a campo, o jogador de maior idade era o zagueiro e capitão Thiago Silva (27). A média era inferior aos 22 anos, mostrando que estava no gramado um forte contingente de atletas a representarem o país nos Jogos Olímpicos de Londres. A julgar pelas ótimas atuações do estreante goleiro Rafael e do camisa 10 Oscar, estaremos bem representados em solo britânico.

O jogo

A marcação por pressão, que funcionou na partida amistosa passada diante da Dinamarca, foi novamente utilizada pela seleção brasileira. O time jovem mostrava disposição física e compromisso tático para desempenhar funções com e sem a bola, e o resultado disso foi benéfico para o estilo de jogo da equipe. Numa bola recuperada por Oscar, nasceu um contra-ataque no qual a bola chegou até Leandro Damião, sendo marcado pênalti controverso após a redonda ir de encontro ao braço de Oguchi Chijioke Onyewu. O costarriquenho Jeffrey Solis ouviu muitas reclamações, chegou a punir José Francisco Torres Mezzell com cartão amarelo e, finalmente, a penalidade foi batida por Neymar, que colocou no canto esquerdo e abriu o placar.

Se aos doze minutos a seleção brasileira já vencia por 1a0, aos vinte e cinco marcaria o segundo gol: Neymar cobrou escanteio pela esquerda e Thiago Silva tirou proveito da liberdade concedida, cabeceando sem ter nenhum oponente ao seu encalço. Embora melhor em campo, o Brasil não conseguia conciliar a velocidade do setor de ataque com uma marcação sólida, permitindo espaços aos estadunidenses, que chegaram ao gol no final do primeiro tempo: Fabian Johnson recebeu enfiada de bola nas costas de Danilo e cruzou para que Hérculez Gómes Hurtado completasse, o que foi feito com correção.

Sem qualquer modificação de jogadores no intervalo, EUA e Brasil retornaram para o segundo tempo e não demorou muito para que fosse reestabelecida a diferença de dois gols no marcador: aos seis minutos, uma nova jogada de contra-ataque originada na forte marcação brasileira terminou em gol, dessa vez com Marcelo recebendo de Neymar e mandando para a rede. E quem estava iniciando novamente a jogada? Oscar.

Klinsmann, enfim, colocou Clint Dempsey em campo (Torres saiu) e muitas outras alterações sucederam. A de maior efeito foi a troca de Damião por Alexandre Pato - o atacante milanista entrou aos dezenove minutos e teve tempo para pôr uma bola na trave direita e uma na rede, fechando a contagem aos quarenta e um minutos em gol que esbanjou frieza e precisão, recebendo com o peito um belo toque de Marcelo e concluindo com chute cruzado.

O elástico placar de 4a1 não retratou as dificuldades que a seleção brasileira passou, sobretudo após a entrada de Dempsey. Bolas alçadas na área demonstraram fraqueza do sistema defensivo nesse quesito. Tabelas em velocidade pelos flancos explicitaram que precisamos de um melhor mecanismo de cobertura, a fim de inibir uma tão grande exposição dos zagueiros. De toda forma, esses erros serviram para mostrar um outro personagem de destaque na partida: o goleiro Rafael, que fez pelo menos 3 defesas magistrais e deu toda a pinta de estar a caminho das Olimpíadas.

A formação com dois pontas é interessante, mas defendo a idéia de que seja importante Mano Menezes montar esse time com dois meias. Não somente porque a atual geração nos oferta com abundância elementos para essa posição, mas também porque parece mais proveitoso dexar alguém mais próximo de Oscar - não será sempre que nosso camisa 10, seja ele quem for, terá tanto espaço para trabalhar.

sábado, 26 de maio de 2012

Dinamarca Facilita No 1º Tempo E Brasil Vence Amistoso Na Alemanha

A seleção brasileira muito mais se aproveitou de erros cometidos pelos dinamarqueses do que propriamente usufruiu de um bom futebol praticado por si. E, desta forma, construiu uma tranqüila vitória por 3a1, indo para o intervalo com uma vantagem de 3 gols e sofrendo um que foi marcado em condição irregular.

O Brasil de Mano Menezes veio montado com um olhar olímpico, usando diversos jogadores com idade sub-23 e que provavelmente estarão em Londres. Já a Dinamarca de Morten Olsen foi a campo na cidade de Hamburgo (Alemanha) com um elenco que provavelmente representará o país durante a Eurocopa 2012, na Polônia e na Ucrânia. E, a julgar pelo desenrolar dos acontecimentos, pela proximidade do evento e pela força do grupo B, a equipe dificilmente conseguirá avançar diante de Portugal, Holanda e Alemanha.

Os destaques da partida realizada na Imtech Arena me pareceram poucos. Uma coisa que funcionou bem foi a marcação-pressão brasileira, notadamente nos primeiros minutos de partida. O comprometimento de jogadores como Lucas, Oscar, Hulk e Damião dificultaram a saída de bola dinamarquesa, ajudando o adversário a se complicar. Foi numa parceria entre Hulk e Oscar que saiu o segundo gol, marcado contra por Niki Zimling, aos doze minutos. Antes disso, aos sete, um chute de longa distância de Hulk colocou o experiente goleiro Thomas Sorensen em maus lençóis, fazendo a bola passar por baixo dos braços do camisa 1. O outro camisa 1, Jéfferson, teve até mais trabalho que os dois goleiros utilizados pela Dinamarca, mas saiu-se muito bem. Foram pelo menos duas defesas plasticamente bonitas e outras intervenções que ajudaram a seleção a não ceder gols ao oponente, principalmente no segundo tempo. Quer dizer, até houve um gol dinamarquês, mas a boa jogada de Zimling que terminou em conclusão de Nicklas Bendtner deveria ter sido invalidada por impedimento. O atacante portista Givanildo, vulgo Hulk, teve como maior momento o belo terceiro gol brasileiro, ainda na etapa inicial. Em contra-ataque aproveitando nova falha adversária (boa recuperação de bola de Oscar), o camisa 20 avançou, limpou a marcação e concluiu com frieza, em oportunismo não exibido pelo centroavante Leandro Damião.

A seleção brasileira volta a campo na terça-feira para enfrentar os Estados Unidos, em nova partida amistosa. Ainda enfrentará México e Argentina. Já os dinamarqueses duelam com os australianos, dia dois de junho, no último jogo amistoso antes da estréia na Eurocopa 2012, maracada para o dia nove, diante da atual vice-campeã mundial, a Holanda.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Seleção Brasileira Fecha 2011 Vencendo Mas Não Convencendo

Dois gols do atacante Jonas (ex-Grêmio e atualmente no espanhol Valência) deram ao Brasil uma vitória por 2a0 sobre o Egito, no último compromisso da seleção brasileira em 2011. A julgar pelas atuações dos conjuntos vistos em campo, tanto Bob Bradley (treinador estadunidense que dirigiu a seleção de seu país numa bela campanha na Copa do Mundo 2010) quanto Mano Menezes terão muito trabalho pela frente e desafios que, embora distintos, são parecidos em suas dificuldades: Bob tentará conduzir a limitada seleção egípcia ao Mundial de 2014, enquanto Mano buscará levar o país-sede ao hexacampeonato.

O jogo (confira como foi a transmissão da partida em tempo real)


A última vez que egípcios e brasileiros haviam se enfrentado foi no dia quinze de junho de dois mil e nove, pela fase de grupos na Copa das Confederações - naquela ocasião, a vitória dos comandados de Dunga deu-se de forma dramática, com o desempate em 4a3 ocorrendo nos últimos minutos de partida. Nesse catorze de novembro de dois mil e onze, quase dois anos depois, as coisas foram relativamente mais tranqüilas na partida amistosa. Não que o Brasil tenha sobrado em campo ou que tenha criado muitas oportunidades - pelo contrário, a capacidade criativa da equipe estava bastante aquém do que esperamos de uma seleção brasileira, mesmo uma seleção brasileira bastante descaracterizada (em respeito à reta final de Campeonato Brasileiro, nenhum jogador que atua na competição foi convocado, o que enfraqueceu a qualidade técnica do selecionado).

As finalizações de um lado e de outro ocorriam basicamente em remates de longa distância, notadamente em lances de bola parada. De toda forma, pelo menos duas jogadas interessantes ocorreram nos primeiros quarenta e cinco minutos. Aos trinta e dois, Hulk recebeu a bola no flanco esquerdo e, de calcanhar, passou para seu companheiro de Porto Alex Sandro, que escapou da marcação com uma meia-lua e chutou rasteiro, no canto direito, com o goleiro Ahmed Al Shenawy se esticando para realizar a defesa. Seis minutos mais tarde, placar aberto no estádio Ahmed Bin Ali: Hulk, desta vez pelo lado direito, chegou à linha-de-fundo e cruzou rasteiro para Jonas apenas completar para a rede.

Logo no primeiro minuto do segundo tempo, o Brasil ficou muito perto de chegar ao segundo gol em proporção similar do Egito perder um jogador por lesão. Mas, no lance em que Jonas driblou o goleiro, chutou e o defensor Ahmed Hegazi deu de carrinho chocando-se forte com a trave esquerda, nem a bola entrou e nem Hegazi teve maiores problemas, dando apenas um susto pela impactante imagem dele colidindo a canela ao poste.

De tanto ter faltas para bater e de tanto cobrá-las para longe do gol em tentativas diretas (sobretudo com Hulk, que o que sobra de potência no chute falta em pontaria), dessa vez aconteceu algo de diferente. Em vez de Hulk, quem estava na bola era o benfiquista e ex-Corinthians Bruno César, que cruzou na área, Fernandinho cabeceou, Ahmed Al Shenawy defendeu parcialmente e Jonas, mostrando presença de área e faro de goleador, conferiu no rebote. 2a0 para o Brasil.

Bob Bradley até procurava alternativas, mas as substituições realizadas pelo estadunidense pareciam desentrosar cada vez mais o time, que teve seis alterações de jogadores no decorrer do amistoso. Mano mexeu menos (quatro no total) e o suplente que melhor entrou em campo foi justamente o último brasileiro a pôr as chuteiras no gramado: o jovem atacante goiano Eduardo Pereira Rodrigues, o ex-cruzeirense Dudu, que aos dezenove anos atua no ucraniano Dynamo Kyiv. Ele entrou no lugar de Hulk aos trinta e oito e, aos quarenta, quase marcou: Dudu levantou a partir da esquerda, Kléber (que substituíra Jonas aos trinta e cinco) cabeceou mandando a bola na trave direita e, no rebote, Dudu cabeceou para grande defesa de Al Shenawy, naquela altura destaque absoluto da seleção egípcia. Aos quarenta e dois, Dudu foi novamente acionado pela esquerda, avançou e chutou rasteiro, com Shenawy intervindo mais uma vez e impedindo que a vitória tomasse contornos de goleada. Foi até melhor assim, porque pelo futebol apresentado ao longo do jogo e pelo rendimento no decorrer do ano, poderia soar enganoso encerrar 2011 com um placar mais dilatado.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Super Fiasco Das Américas



Se a idéia era ressuscitar toda a tradicionalidade da extinta Taça Roca, resgatando a rivalidade entre Brasil e Argentina com belos jogos, esqueceram de avisar os 22 jogadores da noite desta quarta.

Excluindo apenas o genial lance de Leandro Damião, mas não isentando o próprio jogador que perdeu um gol inacreditável no início da partida, foram longos 90 minutos sem emoção nenhuma.

O Brasil totalmente apagado, sem nenhum pingo de criatividade, dependendo exclusivamente da individualidade de Neymar, que na maioria das vezes preferia o drible do que um passe, acabou demonstrando que alguns jogadores definitivamente não merecem ao menos ter a oportunidade com a camisa da seleção.

O Sr. Ronaldinho Gaúcho deu uma bela recordada de suas antigas atuações pela amarelinha. Totalmente apagado em campo.

E do outro lado, o torcedor argentino percebeu, que sem Messi e suas outras estrelas européias, o time competiria de igual pra igual com os piores times da América. Basta analisar que temos Desábato e Sebá como titulares. E poupar o restante dos comentários

Dentro de 2 semanas teremos o jogo de volta. Dá pra apostar tranquilamente no Brasil, mas principalmente pela medíocridade argentina, que levou perigo ao gol de Jefferson com um ou dois chutes de fora da área. E só !!!

Paulinho? Ralf? Quando Mano Menezes vai deixar de ouvir seus empresários ou seu coração e montar um time com os melhores jogadores da atualidade no país?

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Com Ronaldinho Muito Bem, 11 Brasileiros Vencem 10 Ganeses Por 1a0

 
Brasil e Gana atuaram em Londres numa partida que pouco teve de amistosa: muitas entradas ríspidas, muitos cartões e uma expulsão ainda no primeiro tempo. A seleção de Mano Menezes tirou proveito da vantagem numérica e venceu o jogo por 1a0, gol de Leandro Damião. Mas o destaque do encontro foi Ronaldinho Gaúcho, que participou do jogo esbanjando aquele talento diferenciado e protagonizou lances de maestria na armação de jogadas. Tem tudo para ser um retorno definitivo, rumo à Copa em 2014.

O jogo

Desprestigiada com um sexto lugar no ranking da FIFA, a seleção brasileira foi até o belo estádio Craven Cottage (modesto, se comparado com o palco do estádio Emirates) e demorou um pouco para encaixar seu jogo no sensacional gramado que servia de superfície. Uma lesão de Paulo Henrique Ganso forçou a saída do meia com nove minutos de partida, e o treinador abriu mão de seu propagandeado sistema tático para colocar Elias, em vez de Lucas. Elias até entrou bem, dinamizando a transição ao ataque, mas é lamentável ver como uma figura experiente como o ex-treinador de Grêmio e Corinthians abre mão de um estilo de jogo tão rapidamente, restando saber se era a circunstancial superioridade de Gana naqueles minutos iniciais ou uma falta de convicção pessoal que motivaram-no a substituir desta forma e não da que parecia mais coerente.

Com um vigor físico avantajado e um excesso de vontade em cada dividida de bola, os comandados do sérvio Goran Stevanovic cometiam muitas faltas, algumas delas colocando em risco a integridade física dos brasileiros que estavam em campo. Mike Dean, árbitro do jogo, não economizou nos cartões amarelos e inclusive avisou Daniel Tawiah Opare que, na próxima infração, o expulsaria por reincidência. E Daniel Opare, aos trinta e dois minutos, calçou Lúcio e foi expulso pelo segundo cartão amarelo pessoal. A leitura labial de Mike Dean não deixa dúvidas: "five fouls".

Leandro Damião já havia recebido uma bola e finalizado com belo toque por cobertura, em gol corretamente anulado por um impedimento praticamente indetectável no jogo corrido. E, aos quarenta e quatro, o atacante do Internacional recebeu enfiada de bola caprichada de Fernandinho, deu uma ajeitada e chutou firme, rasteiro, cruzado, marcando 1a0. Posição legal e gol corretamente validado, mostrando que o auxiliar daquele setor sabe das coisas.

A entrada do ponta-direita Givanildo de Souza (vulgo "Hulk") no lugar do meio-campista Fernandinho no intervalo sugeriam um Brasil mais ofensivo. Mas a realidade é que o poder de aproximação da seleção ficou dependente das aparições de Ronaldinho. Para nossa alegria, a atuação inspirada do camisa 10 proporcionou diversos momentos interessantes na etapa complementar. No que considero o mais bonito deles, Gaúcho lançou lindamente Alexandre Pato (que entrara no lugar de Damião) e o atacante milanista cabeceou bonito, parando em defesa espetacular do goleiro Adam Larsen Kwarasey. Mais tarde, Adam Kwarasey mostrou-se o maior responsável pelo placar seguir como estava até então, defendendo brilhantemente uma cobrança de falta precisa que Ronaldinho Gaúcho colocou na proximidade da trave esquerda.

De resto, cabe destacar a correta atuação de Marcelo (que volta à seleção em nível suficiente para não mais sair da posição) e as poucas substituições utilizadas por Mano Menezes - fez somente três enquanto Stevanovic efetuou o dobro. Aliás, a julgar pela primeira mexida de Mano, deu a entender que o treinador estava mais preocupado com o resultado do que com a arte, cuidando mais do próprio vínculo empregatício do que de qualquer outra coisa. Mas a genialidade de Ronaldinho Gaúcho fez tudo parecer mais vistoso. Que o craque tenha voltado para ficar. Afinal de contas, jamais deveria ter ficado afastado de uma camisa que lhe cai tão bem.
 
Ronaldinho Gaúcho cobra escanteio durante Brasil 1a0 Gana: no final da partida, jogador levou público ao delírio mostrando um pouco do seu repertório de jogadas de efeito.

Para terminar esse tópico em alto astral, o blogueiro se reserva o direito de não incluir nessa postagem os convocados por Mano Menezes para os amistosos com a seleção argentina. Vamos ficar com a imagem de Ronaldinho Gaúcho, que parece melhor.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Equipe E Jogada Da Semana

Entre o domingo e o sábado que passaram, o Botafogo conseguiu 3 vitórias nos 3 jogos disputados naquele período. Tudo começou com um clássico diante do dito favorito Vasco da Gama, partida que o Alvinegro de General Severiano teve atuação sensacional e sapecou um inapelável 4a0 pra cima do Clube da Colina. Três dias depois, o time foi até Minas Gerais enfrentar o Atlético Mineiro, equipe que estreava o técnico Cuca, ex-Cruzeiro e com passagem marcante pelo Botafogo. E o time comandado por Caio Júnior conseguiu estrear com vitória na Copa Sul-Americana, vencendo por 2a1 e podendo avançar na competição mesmo perdendo por 1a0 no jogo de volta. E se o assunto é clube mineiro, a equipe retornou ao Rio de Janeiro e, de virada, venceu o América por 4a2, ocupando a 5ª colocação no Campeonato Brasileiro 2011. Foram 10 gols marcados e 100% de aproveitamento na semana em que completou 107 anos de fundação futebolística. Poderia ser melhor para o Botafogo?

Jogada da semana

Sabe aquele toque de bola envolvente que, historicamente, definiu o futebol arte por muito tempo praticado pela seleção brasileira? Ele deu o ar de sua graça em Stuttgart, no amistoso em que o Brasil de Mano Menezes enfrentou a Alemanha de Joachim Löw. E a jogada da semana é alemã, veja que grande performance da equipe anfitriã, finalizada por Mario Götze.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Quem Seria O País Do Futebol?

O Brasil de Mano Menezes muito se parece com o Brasil de Dunga. Na partida de ontem, diante da Alemanha, a seleção brasileira voltou a jogar focada em contra-ataques. Contra-atacava bem, mas não tinha nem de longe a mesma qualidade no toque de bola que a apresentada pelos alemães. A julgar pela tradição futebolística dessas duas escolas, a conclusão que chego é que o Brasil de Ricardo Teixeira anda para trás, enquanto a Alemanha, comandada pelo competente e revolucionário Joachim Löw, avança a passos largos e de mãos dadas ao ideal do futebol arte, algo impensável uma década atrás.

Saímos da "Era Dunga", época em que os resultados apareceram mas o futebol, não. Em um ano de "Era Mano", não tivemos nem uma coisa, nem outra. Mudança no comando se faz necessário? Talvez. Mas o que deve ser modificado, sem dúvidas, é a forma de pensar o futebol da seleção brasileira. Figuras como André Santos não combinam com a história de uma camisa que já foi vestida por Nilton Santos. E o que dizer de vestir Fernandinho com a camisa 11, deixando Paulo Henrique Ganso como opção no banco e sequer convocando jogadores qualificados como Kaká e Ronaldinho Gaúcho? Alguma coisa está fora de ordem...

O jogo

A partida teve em seu início - mais precisamente na primeira terça parte do primeiro tempo - um domínio alemão. Domínio esse que invertia aquilo que conhecemos de Alemanha e Brasil: a seleção européia com a bola nos pés, trocando passes e atacando, enquanto o selecionado sul-americano respirava em esporádicos contra-ataques. A qualidade de jogadores como Lúcio, Thiago Silva e Ramires foram relevantes para, diante de cerca de 80% de tempo de posse de bola com os adversários, o Brasil ter conseguido resistir ao 0a0 até os 15 minutos do segundo tempo. A partir dali, o jogo passou a ter no placar uma maior afinidade com os acontecimentos internos às quatro linhas. Após mais uma boa troca de passes, a Alemanha entrou na área brasileira e lá ocorreu um choque entre Lúcio e Toni Kroos, em lance onde a interpretação de pênalti é altamente subjetiva. Para o húngaro Viktor Kassai, houve a penalidade. Para o ótimo Bastian Schweinsteger foi a oportunidade de abrir o placar, que ele aproveitou com uma cobrança bem realizada, no quadrante 11, estufando a rede e sacodindo uma câmera que estava posicionada ali por perto da trave direita.
Bastian Schweinsteiger convertendo o pênalti que abriu o placar em Stuttgart: com atuação fantástica, jogador participou diretamente dos 3 gols alemães no jogo.

Com 21 minutos, Schweinsteiger iniciou magistralmente a jogada que resultou no segundo gol da equipe da casa. Um gol com o "carimbo Joachim Löw de qualidade", isto é, através de toques rápidos e objetivos. O camisa 7 fez "1-2" com Miroslav Klose e serviu Mario Götze com primorosa enfiada de bola. O jovem de 19 anos, campeão alemão com o Borussia Dortmund na última temporada, driblou o goleiro Júlio César e mandou pra rede. 2a0 Alemanha, para agitação de flâmulas listradas horizontalmente em preto, vermelho e amarelo, que davam o colorido nacionalista em Stuttgart.

Quatro minutos depois, um carrinho do capitão alemão Philipp Lahm para desarmar Daniel Alves dentro da área foi interpretado equivocadamente como pênalti por Viktor Kassai. Depois de quatro cobranças desperdiçadas diante dos paraguaios, aquele que seria o quinto a cobrar naquela disputa em La Plata partiu pra bola e... fez o primeiro gol brasileiro: Robinho, mandando no canto direito.

Naquela altura, o Brasil já estava com PH Ganso no lugar de Fernandinho, jogador que apareceu mais cometendo faltas do que criando ocasiões de gol. Talvez inspirado pelo jogador escolhido como titular, uma das primeiras participações de Ganso deu-se com o meia cometendo falta dura, que resultou no primeiro e único cartão amarelo mostrado por Kassai na partida. Na marca de 34 minutos, André Santos, que não apoiava o ataque e nem neutralizava as jogadas ofensivas alemães pelo seu setor, errou na saída de bola e acabou desarmado limpamente por Schweinsteiger. E que beleza de jogador é esse meio-campista do Bayern de Munique: correto na proteção da defesa, eficaz no toque de bola, astuto nas finalizações e incansável no deslocamento, o versátil atleta de 27 anos não somente tirou a redonda de André como serviu caprichosamente o companheiro André Schürrle. A finalização do atacante de 20 anos foi muito bonita, indo parar no ângulo direito.

Se Mano já havia trocado Alexandre Pato por Fred cerca de três minutos antes de levar o terceiro gol alemão, após o 3a1 o treinador trouxe a campo dois jogadores que atuam em campos alemães: entraram o estreante Luiz Gustavo (companheiro de Schweinsteiger no Bayern) e Renato Augusto (que joga com Schürrle no Leverkusen) e saíram André Santos (tomara que para nunca mais retornar) e Robinho (um dos melhores brasileiros em campo, atuando como meia-de-ligação).

Nos acréscimos, Neymar recebeu na proximidade da área, Fred o acompanhou atraindo a marcação, e o santista resolveu o lance sozinho, finalizando rasteiro no canto direito e diminuindo a derrota para 3a2. Entre amistosos com as seleções uruguaia (2a1) e brasileira (3a2), e partidas pelas eliminatórias para a Eurocopa 2012 com Áustria (2a1) e Azerbaijão (3a1), esta foi a quarta vitória consecutiva de uma Alemanha que tem tudo para ser uma das sensações nos torneios vindouros. Com bons resultados desde 2002 e bom futebol desde que Löw assumiu após a Copa 2006, os tricampeões mundiais têm todo o direito de sonhar com uma quarta estrela na camisa no Mundial a ser disputado no Brasil: renovada, rápida, entrosada e envolvente, a Alemanha de Löw está hoje entre os times que mais gosto de ver atuar. Enquanto isso, o Brasil de Mano - que venceu somente o Equador em quatro jogos de Copa América - soma mais uma derrota em partidas com os ditos "adversários top": perdeu para a Argentina em campo neutro (1a0), para a França fora de casa (1a0), empatou em casa com a Holanda (0a0) e, se por um lado conseguiu marcar gols na Alemanha, tomou 3 e conheceu mais um revés.

Ninguém em sã consciência pediria pelo retorno de Dunga (pelo menos espero que não). Mas, analisando jogo a jogo, escalação a escalação, convocação a convocação, estimo que a passagem de Mano Menezes não esteja nada satisfatória. E a julgar pelo que venho vendo dele na seleção, não vislumbro grandes horizontes no caso de sua permanência no comando técnico canarinho.
Mano Menezes esbraveja enquanto Joachim Löw observa: trabalho do brasileiro vem sendo cada vez mais colocado em dúvida enquanto o futebol arte agradece os serviços prestados pelo alemão.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Camisas 10 Se Destacam E Messi Decide

Bolas acertaram a trave. Goleiros realizaram defesas. Sistemas defensivos tiveram bastante trabalho para conter as investidas adversárias. Quando o encontro entre Argentina e Brasil diminuiu de intensidade e finalmente passou a ter cara de zero a zero, apareceu o melhor jogador da atualidade para transformar o empate em vitória. Com um golaço de Lionel Messi, nos acréscimos, a Argentina superou o Brasil em Doha. Foi a primeira derrota e o primeiro gol sofrido pela seleção brasileira desde que Mano Menezes assumiu o posto de treinador canarinho. Sergio Daniel Batista, efetivado como treinador definitivo após a saída de Diego Armando Maradona, estreou com o pé direito.

Veja como foi a transmissão do Jogada De Efeito, em tempo real, através do "Twitter" @jogadadefeito.

O jogo

Ronaldinho Gaúcho, de volta à seleção, mostrou serviço desde que a bola começou a rolar no estádio Internacional Khalifa. Com 1 minuto, já havia alçado uma bola na área, interceptada pelo goleiro Sergio Romero. Aos 6 minutos, quase conseguiu acionar Neymar na área, mas Romero novamente mostrou estar atento.

Ambas as seleções rodavam bastante a bola, mas as oportunidades pouco apareciam. Até que, comandado por Ronaldinho Gaúcho e contando com o apoio constante dos laterais Daniel Alves e André Santos, o Brasil passou a se sobressair em campo. Aos 18', o lateral barcelonista tabelou com David Luiz e chutou no travessão. 3 minutos depois, Ronaldinho pegou sobra de bola após cobrança de escanteio e quase marcou de calcanhar, parando em defesa de Romero.

Demorou, mas a Argentina conseguiu chegar com perigo por duas vezes na etapa inicial. A primeira delas foi aos 28 minutos, quando Gonzalo Higuaín apareceu livre após escanteio e cabeceou para defesa difícil de Victor, que defenderia mais uma vez no rebote, mas com o impedimento já assinalado. 10 minutos mais tarde, a melhor jogada dos primeiros 45 minutos: Messi iniciou jogada na altura da linha que divide o campo, tabelou, recebeu de volta, arrancou e chutou de fora da área uma bola que beijou a trave direita de Victor. O Brasil teria uma oportunidade derradeira antes do apito de intervalo: aos 44 minutos, Ronaldinho abriu na direita com Daniel Alves, mas o camisa 2 preferiu cruzar em vez de mandar um chute cruzado e acabou entregando a bola para o goleiro Romero.

No intervalo, uma única substituição: saiu Higuaín para a entrada de Ezequiel Lavezzi. E foi o atleta napolitano o personagem que mais daria trabalho aos brasileiros dali em diante, principalmente em jogadas pra cima de André Santos, que, vendo a ameaça que o camisa 11 lhe apresentava, ficou a maior parte do tempo no campo defensivo, diminuindo as opções de ataque brasileiras. O Brasil seguia encontrando suas melhores alternativas a partir de Ronaldinho: aos 6 minutos, o camisa 10 brasileiro levantou na área e Thiago Silva quase conseguiu completar de cabeça o que seria um gol exclusivamente milanês.

Aos 10 minutos, a Argentina conseguiu sufocar o Brasil em lance iniciado por Lavezzi pelo lado direito e, durante bate-rebate, Thiago Silva bloqueou usando o braço direito, que estava aberto. Lance interpretativo, onde considero ter havido penalidade máxima, não apitada pelo árbitro Abdullah Balideh.

O jogo diminuiu de ritmo e Sergio Batista buscou novas opções, colocando o colorado Andrés D'Alessandro no lugar de Javier Pastore, aos 24 minutos. 3 minutos depois, Mano Menezes mexeu pela primeira vez, trocando o participativo Ronaldinho pelo gremista Douglas. Mais quatro minutos se passaram e Mano mexeria no ataque, trocando Neymar por André.

Se dentro de campo nada de muito diferente acontecia, um torcedor resolveu quebrar a monotonia do evento e invadiu o gramado. Será que fazia parte da festa nesse "lobby" visando a Copa-2022? Acho pouco provável.

De volta ao jogo, aos 37 minutos, Ángel Di María cruzou da esquerda e quase Lavezzi conseguiu alcançar de peixinho, mas a bola passou. A seleção brasileira nada criava e Mano Menezes parecia ignorar solenemente que o grupo contava com a presença de Philippe Coutinho no banco de suplentes. Quando resolveu mexer novamente no time, optou por, aos 40 minutos, trocar Ramíres por Jucilei, numa tremenda falta de ousadia.

E o castigo veio aos 46'. Castigo para Mano, prêmio para os amantes do futebol arte. Douglas foi desarmado no círculo central, Messi recebeu, tabelou com Lavezzi e partiu em velocidade, escapando de David Luiz, Thiago Silva e Lucas (tendo inclusive resistido a um tranco por trás dado pelo volante) para chutar cruzado no canto esquerdo e não dar chance de defesa para Victor, que saltou e esticou o braço até onde pôde. 1a0 Argentina, calando-se as cornetas de que Messi "é um jogador no clube e outro na seleção". Talvez até seja, em função das distintas estruturas táticas. Mas ambos são geniais.
Momento do chute certeiro, que passou entre as pernas de Thiago Silva antes de encontrar o quadrante 15 do gol defendido por Victor. Golaço.

Outros resultados

China 1a0 Letônia
Montenegro 2a0 Azerbaijão
Omã 0a4 Bielorrússia
Kuwait 1a1 Iraque
Eslováquia 2a3 Bósnia
Rússia 0a2 Bélgica
Estônia 1a1 Liechtenstein
Bulgária 0a1 Sérvia
Hungria 2a0 Lituânia
Senegal 2a1 Gabão
Egito 3a0 Austrália
Israel 3a2 Islândia
Dinamarca 0a0 Congo
Luxemburgo 0a0 Argélia
Suíça 2a2 Ucrânia
Áustria 1a2 Grécia
Polônia 3a1 Costa do Marfim
Irlanda do Norte 1a1 Marrocos
Irlanda 1a2 Noruega
Eslovênia 1a2 Geórgia

Nos outros quatro amistosos que destacamos no tópico anterior, tivemos:

- Vitória holandesa, em Amsterdã, sobre a Turquia (1a0, gol de Klaas-Jan Huntelaar);
- Triunfo francês sobre a Inglaterra, em pleno estádio de Wembley (2a1, com Karim Benzema e Mathieu Valbuena marcando para os visitantes e Peter Crouch descontando);
- Sapecada portuguesa pra cima da Espanha no estádio da Luz (Hélder Postiga, duas vezes, Carlos Martins e Hugo Almeida marcaram nos 4a0 de Lisboa);
- Na capital Santiago, o Chile venceu o Uruguai por 2a0 (gols de Alexis Sánchez e Arturo Vidal) no jogo de despedida de Marcelo Bielsa, que agradeceu o carinho de um público de 45.000 presentes no estádio.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Amistosos Internacionais De Alto Nível

Nessa quarta-feira, dezenas de amistosos entre seleções agitam o dia no calendário futebolístico. Tomei a liberdade de destacar 5 dessas partidas. Ei-las.

Argentina e Brasil

Em Doha, capital do Reino do Catar, duas gigantes do futebol mundial se reencontrarão após mais de um ano sem se enfrentarem (a última partida entre elas foi em 5 de setembro de 2009, pelas Eliminatórias para o Mundial 2010, vencido pelo Brasil, por 3a1, no território adversário).

Eliminadas nas quartas-de-final (a Argentina foi arrasada pela Alemanha enquanto o Brasil caiu de virada para a Holanda), o duelo sul-americano no Oriente Médio terá um ingrediente para amante do futebol arte nenhum colocar defeito: as presenças de Lionel Messi e Ronaldinho Gaúcho.

Holanda e Turquia

Na Arena de Amsterdã, a Holanda de Bert van Marwijk e a Turquia de Guus Hiddink farão o que promete ser um jogo bastante interessante. Vinda de um vice-campeonato mundial e de uma série invicta enorme - que teve uma pausa naquele gol de Andrés Iniesta no segundo tempo da prorrogação da final da Copa 2010 -, a Holanda encara uma Turquia que está, aos poucos, ganhando a face de seu técnico holandês, convicto implementador da filosofia de jogo ensinada em seu país de origem.

Inglaterra e França

Mais um jogo entre campeões mundiais para apimentar a quarta-feira. Ingleses e franceses não corresponderam às expectativas no último Mundial (o "English Team" caiu nas oitavas para a Alemanha enquanto os "Bleus" foram eliminados como lanternas no grupo A).

Se de lá para cá a Inglaterra não perdeu mais, assim mesmo o técnico Fabio Capello teve de ouvir críticas quanto ao empate sem gol diante de Montenegro. Já pelo lado francês, Laurent Blanc vem trabalhando na tentativa de renovar o elenco que brilhou em 2006 e fracassou em 2010 com o mesmo Raymond Domenech, e que parece ainda sentir falta da genialidade de Zinedine Zidane.

Portugal e Espanha

Em 29 de junho, essas seleções fizeram um duelo ibérico pelas oitavas-de-final do Mundial 2010. Melhor para a Espanha, que avançou com o gol de David Villa e depois se sagraria campeã. A Espanha convocada por Vicente Del Bosque é semelhante àquela, com o único campeão mundial ausente sendo Jesús Navas, contundido. No pós-Copa, a seleção portuguesa conseguiu a proeza de, dentro de casa, empatar com o Chipre numa partida de oito gols.

A qualidade dessa partida depende basicamente da postura lusitana: se tiverem o mesmo estilo visto na Copa, teremos um jogo concentrado no campo de ataque espanhol; se resolverem sair para o jogo e jogar futebol, poderemos ter um duelo bacana entre os países vizinhos.

Chile e Uruguai

O estádio Monumental David Arellano sediará a despedida do técnico Marcelo Bielsa do comando da seleção chilena (o argentino se recusa a trabalhar com o novo presidente da Federação Chilena de Futebol, o empresário Jorge Segovia, a quem já criticara duramente). Pior para a seleção do Chile, que não apenas fez uma boa Copa como exibiu um belo futebol no Mundial. Pelo lado uruguaio, o prestigiado Oscar Tabárez dá seqüência a um trabalho que devolveu a autoestima ao futebol do país com o honroso 4º lugar na África do Sul.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Envolvente E Ofensivo, Brasil De Mano Presenteia O Futebol

3 atacantes. Um meia criativo. 2 volantes com grande qualidade na saída de bola. 2 laterais que se apresentavam constantemente. Uma dupla de zagueiros de boa técnica. Com essa equipe comandada por Mano Menezes, o goleiro Victor foi praticamente um espectador da partida (no lance em que mais foi exigido, correspondeu demonstrando reflexo).

O público presente no estádio Meadowlands (de custos bilionários e dedicado originalmente ao futebol americano) pôde testemunhar o reencontro da seleção brasileira com o futebol arte. Robinho, com a braçadeira de capitão, fez grande partida. Neymar, estreante, parecia surpreendentemente bem a vontade com o uniforme canarinho e teve a boa atuação premiada com um gol de cabeça, após cruzamento (leia-se passe) de André Santos. Alexandre Pato funcionou bem como referência na área e demonstrou oportunismo para marcar dois gols (o primeiro deles corretamente anulado). André, que entrou em seu lugar, movimentou-se bem e também experimentou algumas finalizações. O meio-campo foi praticamente perfeito: a dupla de volantes composta por Lucas e Ramires mostrou grande sintonia, preenchendo os espaços, dando combate, e saindo jogando de forma encantadora. Paulo Henrique Ganso, honrando a camisa 10 que já foi trajada por Pelé e Ronaldinho, ratificou a postura de grande jogador, com direito a uma jogada sensacional na etapa final, quando deu um elástico com a perna esquerda e chutou cruzado com a direita, para fora. Thiago Silva e David Luiz pareciam defensores altamente rodados no futebol mundial e, quando passaram a "sentir o clima do jogo" (demoraram alguns minutos para isso), tiveram atuações seguras e convincentes. Hernanes entrou no lugar de Ramires e, se não mostrou o mesmo nível do camisa 8, também fez partida satisfatória. Jucilei pouco apresentou, mas o que fora exibido por Ganso antes da substituição já era o bastante para aquela noite. Diego Tardelli foi colocado na vaga de Robinho e, se é reconhecidamente um artilheiro, também mostrou credenciais para cair pelos lados do campo. Neymar deu lugar para Éderson, que teve a infelicidade de não ficar mais que 2 minutos no gramado (sentiu uma lesão na coxa em lance próximo à linha-de-fundo, dando vaga para Carlos Eduardo, que saiu-se razoavelmente bem, mostrando velocidade).

Do outro lado estava a ascendente seleção estadunidense, que conservou a base que fez um bom Mundial em junho, sob o comando do competente técnico Bob Bradley. Mas a equipe da casa pouco pôde fazer ontem, diante de um Brasil com cara de Brasil.

Mano Menezes, nosso muito obrigado pelo que pudemos ver ontem em Nova Jersey. São agradecimentos em nome do futebol. Em nome de uma seleção que não merecia se acostumar com atuações pragmáticas e um jogo engessado nas convicções bitoladas de uma comissão técnica que enxerga esse esporte com uma lente que não é a do espetáculo. E fazemos um pedido pra você, Mano: deixe a natureza agir nessa seleção! Esse belo desempenho de ontem aconteceu num grupo desentrosado, que treinou junto apenas duas vezes. Mas a natureza foi generosa com o país do futebol, basta não colocarmos canteiros apertados que essa árvore se expandirá e ofertará saborosos frutos. As sementes são, visivelmente, de qualidade incontestável. Reguemos e deixemos a luz penetrar. Não tem erro. É a natureza.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Novo Brasil Estréia Hoje Nos Estados Unidos

A seleção brasileira de Mano Menezes terá seu primeiro jogo oficial na noite de hoje, quando, em Nova Jersey, atuará diante da seleção dona da casa. A lista de convocados do ex-técnico do Corinthians está recheada de jogadores com características ofensivas, o que contrapõe o pragmatismo da Era Dunga, que findou com a eliminação nas quartas de final da Copa 2010.

Daquela seleção, 4 nomes estão relacionados para a partida de logo mais: o lateral Daniel Alves, o zagueiro Thiago Silva, o volante Ramires e o atacante Robinho. Dentre os outros 20 nomes, metade está experienciando sua primeira convocação para a seleção principal - casos dos goleiros Jéfferson e Renan, do lateral Rafael, dos zagueiros David Luiz e Réver, do volante Jucilei, dos meias Éderson e Paulo Henrique Ganso e também dos atacantes André e Neymar.

A Confederação Brasileira de Futebol, regida por Ricardo Teixeira, segue realizando trapalhadas. Tornou pública a intenção de contar com Muricy Ramalho mas o negócio foi embarreirado por uma cláusula contratual que dá ao Fluminense o direito de não liberar o treinador. Resultado: Muricy seguiu nas Laranjeiras e Mano Menezes assumiu com o status de segunda opção. Mano, aliás, mal foi anunciado como novo técnico da seleção e, cerca de 48 horas depois, já tinha que divulgar uma lista de convocados (referente a esse amistoso de hoje com os Estados Unidos). A lista é interessante, mostra renovação, tendência a um jogo menos preso e mais ofensivo, mas tem alguns senões, sobretudo no nome de Jucilei, jogador que era reserva no Corinthians quando dirigido pelo próprio Mano (Elias era o titular na posição, mas foi "esquecido"). Há quem suspeite que a idéia é valorizar o atleta e lucrar numa futura negociação...

Mas há de se mencionar também uma postura bastante válida por parte de Mano: visando um projeto olímpico (único título que falta à seleção brasileira de futebol), o treinador mudou-se para o Rio de Janeiro, ficando mais perto da Granja Comary, em Teresópolis, local onde encontra-se o Centro de Treinamento da seleção.

Vamos torcer para que a seleção brasileira reencontre o futebol que a caracterizou positivamente no mundo todo. A alegria, a arte, a ofensividade, tão relegadas a segundo plano em tempos de "futebol-resultado" pode voltar à tona. Com vitória, empate ou derrota, caso o Brasil volte a ser Brasil, o futebol sairá ganhando.

Confira a lista completa da primeira convocação de Mano Menezes, à disposição do treinador para a partida de hoje.

Goleiros
Jéfferson (Botafogo)
Renan (Avaí)
Victor (Grêmio)

Laterais
André Santos (Fenerbahce-TUR)
Daniel Alves (Barcelona-ESP)
Marcelo (Real Madrid-ESP)
Rafael (Manchester United-ING)

Zagueiros
David Luiz (Benfica-POR)
Henrique (Racing Santander-ESP)
Réver (Atlético-MG)
Thiago Silva (Milan-ITA)

Meio-campistas
Carlos Eduardo (Hoffenheim-ALE)
Éderson (Lyon-FRA)
Paulo Henrique Ganso (Santos)
Hernanes (São Paulo)
Jucilei (Corinthians)
Lucas (Liverpool-ING)
Ramires (Chelsea-ING)
Sandro (Internacional)

Atacantes
Alexandre Pato (Milan-ITA)
André (Santos)
Diego Tardelli (Atlético-MG)
Neymar (Santos)
Robinho (Manchester City-ING)
Outros amistosos internacionais de hoje

Bósnia-Herzegovina e Catar;
Itália e Costa do Marfim;
Kuwait e Azerbaijão;
Argélia e Gabão;
Egito e Congo;
Marrocos e Guiné Equatorial;
Senegal e Guiné.

Há ainda 35 jogos amistosos agendados para amanhã, dos quais destacamos os seguintes: Coréia do Sul e Nigéria; Angola e Uruguai; Rússia e Bulgária; Finlândia e Bélgica; Eslováquia e Croácia; Turquia e Romênia; Ucrânia e Holanda; Suécia e Escócia; Sérvia e Grécia; Dinamarca e Alemanha; Áustria e Suíça; Polônia e Camarões; Irlanda e Argentina; Eslovênia e Austrália; Inglaterra e Hungria; Noruega e França; e México e Espanha.

São as seleções retomando as atividades após o Mundial 2010!