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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Entrevista Com Luiz Ademar

Se soubesse falar, a seção de entrevistas do blógui Jogada De Efeito diria: "olha eu aqui!". Cá estamos e, com grande satisfação, trazendo o jornalista Luiz Ademar para compartilhar conosco acerca de algumas das suas opiniões sobre o futebol.

Veja também como foram as entrevistas com Marcos Timóteo e Cleibson Ferreira.

Apresentando o entrevistado

Nome: Luiz Ademar Campos Júnior
Idade: 44 anos
Jornalista pela FIAM (formado em 1990), iniciou na Folha Metropolitana de Guarulhos (em 1991). Foi para o Diário Popular, que virou Diário de São Paulo. Também trabalhou no WebAmigos, Textual, Lance, Sobral, Jornal Arquibancada, Globoesporte.com, Kigol e Jornal O Movimento. Atualmente é comentarista esportivo no SporTV/PFC.
Administra o "Blog Do Ademar (Futebol Caipira, Nacional E Internacional)"

A entrevista

Jogada De Efeito: Hoje se discute muito a questão do calendário futebolístico brasileiro, apontando para um número de jogos altamente convidativo a ocorrência de lesões e desgastes físicos que poderiam ser amenizados se fosse menor a quantidade de partidas ao longo da temporada. Gostaria de saber como você vê esse cenário e, especificamente quanto aos Campeonatos Estaduais, se você defende sua permanência ou extinção.

Luiz Ademar: Existe muita hipocrisia no calendário do futebol brasileiro. Os clubes reclamam que jogam muito, mas pediram para jogar mais. Vejo o caso da nova Copa do Brasil em 2013. Até os clubes que disputam a Libertadores jogarão a Copa do Brasil. A não ser que estejam nas quartas-de-final. Os que forem eliminados antes na Libertadores seguem imediatamente para a Copa do Brasil. Ou seja, todos querem jogar competições importantes para ganhar dinheiro com a TV e com rendas. Eu entendo que o calendário do futebol brasileiro é adequado com Campeonatos Estaduais, Copa do Brasil, Libertadores, Sul-Americana e Brasileiro. Basta agendar jogos corretamente. O maior erro está no calendário da Seleção Brasileira. Quando o Brasil jogar, os demais campeonatos precisam parar.
Defendo Campeonatos Estaduais curtos. É um erro jogar 19 rodadas no Paulistão, por exemplo, para definir os 8 primeiros. Poderíamos dividir em duas chaves com 10 clubes. Nove jogos, em turno único, e os quatro primeiro de cada chave disputariam o título. Teríamos menos jogos. Lesões e desgaste físico acontecem porque no Brasil não estamos acostumados a ter um elenco e mudar o time titular de acordo com os interesses do clube. É possível, por exemplo, jogar o Brasileirão com o time titular, a Sul-Americana, com os reservas, ou o chamado time alternativo, e pronto.
Sou favorável ao calendário atual do Brasileiro, apenas com menos jogos nos Estaduais, com os grandes entrando a partir da terceira fase na Copa do Brasil, e Brasileirão com pontos corridos.

Jogada De Efeito: A seleção brasileira caminha para a Copa do Mundo sem obter resultados convincentes nas competições oficiais, situação diametralmente oposta à "Era Dunga", quando a equipe venceu todos os torneios disputados até cair nas quartas-de-final na Copa-2010. Como você avalia a "Era Mano" e onde precisamos melhorar com maior urgência a fim de chegarmos mais fortes na próxima Copa?

Luiz Ademar: O Mano não teve competência para definir um time titular, um grupo base e um determinado esquema tático. Também convocou muitos jogadores comuns para vestir a camisa brasileira. Mas ainda temos tempo de montar um time forte e competitivo. Basta definir o time titular. Tentar convocar, na medida do possível, os seus 22 jogadores preferidos, e definir esquema tático. Depois, o ideal, é fazer amistosos com seleções de ponta e não contra timinhos.

Mano Menezes, atual treinador da seleção brasileira, é alvo de críticas de Luiz Ademar: "não teve competência para definir um time titular".
 
Jogada De Efeito: Josep Guardiola é considerado por muitos como um técnico revolucionário na medida em que conseguiu realizar um trabalho desde a base barcelonista até a equipe principal onde a filosofia de jogo baseada na posse de bola ditava o ritmo das partidas. Além de bonito de se ver jogar, o Barcelona de Guardiola foi eficiente, ganhando diversos títulos importantes. O nome de Guardiola seria bem-vindo para assumir o comando da seleção brasileira ou você vê outras opções domésticas (ou mesmo internacionais) mais interessantes?

Luiz Ademar: Não apostaria em Guardiola. Ele não conhece o futebol brasileiro à risca. Conhece em teoria e não na prática. Até conhecer perderíamos tempo e a Copa das Confederações já será no ano que vem. Entendo que Muricy e Luxemburgo seriam mais interessantes.

JdE: Apesar dos tantos títulos no currículo, não acha que o atual trabalho de Muricy Ramalho no Santos deixa o time mais dependente do craque (Neymar) do que do conjunto da equipe? Com Neymar jogando, a equipe santista tem aproveitamento melhor que o do líder, enquanto sem ele em campo a campanha torna-se pior que a do lanterna...

LA: O Muricy é um dos melhores treinadores brasileiros. Conquistou títulos importantes no Santos. Em 2012, por exemplo, foi campeão no Paulistão e na Recopa. Porém, no Brasileiro, ele não conseguiu dar padrão tático. O Santos é muito dependente de Neymar. Mas qual time não seria? Essa avaliação só poderá ser feita em 2013, quando ele ganhará reforços e o time começará do zero, sem ter a vaga na Libertadores. Não podemos julgar o Muricy apenas pela má fase no Brasileirão, quando está muito dependente do Neymar.

JdE: Quais campeonatos pelo Brasil e pelo mundo mais gosta de assistir e quais suas expectativas para a próxima Copa do Mundo, a segunda a ser disputada em solo brasileiro?

LA: Eu assisto todos. Todos mesmo! Gosto do Brasileirão, da Libertadores e da Liga dos Campeões. Mas acompanho todas as divisões do Paulista, a Copa Paulista, adoro a Série B, C e D do brasileiro. Sou comentarista e não posso me dar ao luxo de assistir somente as melhores partidas e competições. Preciso e gosto de ver tudo! E a Copa do Mundo do Brasil será alegre, atrativa e, infelizmente, repleta de superfaturamentos em obras, como mostra a maioria dos estádios, e sem a infraestrutura necessária em todos os aeroportos. Uma pena!

Jogada De Efeito: A pergunta que não podia faltar: quem são, na sua opinião, os melhores jogadores de cada posição na atualidade? Pode escalar o seu "time dos sonhos" com a tática que preferir.

Luiz Ademar: Time dos jogadores que vi em ação. Nasci em 68 e passei a acompanhar futebol de 75 em diante. Portanto, a minha seleção, só com jogadores brasileiros, é a seguinte:
Rogério Ceni; Leandro (Flamengo), Oscar, Dario Pereyra e Júnior (Flamengo); Falcão, Sócrates e Zico; Careca, Romário e Ronaldo. Técnico: Telê Santana.
Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, o "Doutor Sócrates", foi lembrado por Luiz Ademar na escalação de seu "time dos sonhos".
 
Então é isso... fica aqui registrado o agradecimento ao Luiz Ademar, que contribuiu gentilmente para esse espaço. A todos vocês, Feliz Dia Das Crianças!

(entrevista concluída em 1º de outubro de 2012)


sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Barcelona De Josep Guardiola: Um Exemplo A Se Espelhar

Final de ano, época de festas. A data natalina de vinte e cinco de dezembro nos lembra o nascimento do Mestre Jesus, o que vejo como um convite à reflexão sobre o que estamos fazendo em/de nossas vidas (embora o comércio procure colocar o foco exclusivamente no Papai Noel, propondo o consumismo generalizado).

Este tópico de antemão deseja a todos um Natal o mais feliz possível, de muita consciência para cada um de nós. Que tenhamos discernimento para cada escolha que fizermos no decorrer da vida, lembrando sempre que não estamos sozinhos no planeta e que a vida de muitos pode estar relacionada às nossas escolhas.


Vamos aqui debater brevemente algo que seria um misto de retrospectiva com possibilidade futura. A retrospectiva vai nos levar a este Barcelona de Josep Guardiola, um time que encanta todo e qualquer amante do futebol que encontre-se gozando de suas faculdades mentais sem maiores problemas. A possibilidade futura seria o ato de incorporar esse estilo de jogo na seleção brasileira de futebol masculino, atualmente comandada por Mano Menezes e dirigida por Ricardo Teixeira (não necessariamente nessa ordem). E creio que essa incorporação seja mais simples do que eventualmente possa parecer.

Em primeiro lugar precisamos lembrar que falar de seleção brasileira é falar de um celeiro de grandes jogadores. Logo, a tarefa de um treinador que conta com tantas opções para o elenco torna-se ligeiramente facilitada. Pep Guardiola, inspirador com o Barcelona que comanda desde 2008, chegou a dizer que o que a equipe catalã faz é algo baseado no que seus avós lhe contaram sobre a seleção brasileira de décadas atrás.

Peço a cada um de vocês que agora está lendo esse texto que faça a leitura do artigo "O dia em que Guardiola apontou para o nosso "elo perdido"", de Lúcio de Castro. Se já conhece o artigo, ótimo. Se não, corra pra lá o quanto antes (pode ser agora mesmo, eu espero sem pressa). Trata-se talvez do melhor artigo sobre futebol que li desde que fui alfabetizado, na já remota década de 1990.

Pois bem. A dinâmica de jogo deste Barça consiste na idéia de "a bola é minha", filosofia implementada nas categorias de base do clube há cerca de quarenta anos. De lá pra cá, tivemos por exemplo a brilhante "Geração 1987", com o argentino Lionel Messi e os espanhóis Francesc Fàbregas e Gerard Piqué. Goleadas atrás de goleadas, numa história que pode ser vista em vídeo.

Em 2008, Guardiola assumiu o comando do elenco profissional e, desde então, o Barcelona sempre teve maior posse de bola que o adversário. Repetindo: desde que Guardiola é técnico do Barça, o time sempre teve maior tempo de posse de bola que o adversário. E o que é isso, caro(a) leitor(a), se não a aplicação da filosofia "a bola é minha"?

Variações táticas são uma constante no time azul-grená da Catalunha. Alguns taxaram o esquema de jogo na final do Mundial de Clubes como sendo um 3-7-0, mas não foram raros os momentos em que metade do time barcelonista estava rondando a área santista, com Daniel Alves pelo flanco direito, Thiago Alcântara pelo esquerdo, Messi, Fàbregas, Xavi Hernández e Andrés Iniesta mais centralizados. Prefiro chamar isso de "carrossel", "rotação incessante", "dinamismo intenso" do que 3-7-0 ou qualquer outra combinação de algarismos que somem 10. Isso faz bater em mim uma saudade da Laranja Mecânica de Rinus Michels - saudades de um time que não vi jogar, mas que de alguma forma sinto pulsar em mim.

Mas e o que o Brasil de Mano Menezes poderia fazer para se aproximar desse Barcelona? A mãe natureza nos foi muito gentil, acho que precisamos não bloqueá-la com padrões defensivistas tão propagados por figuras como o treinador atual campeão da Libertadores da América, detonado pelo Barcelona em Yokohama. Se o Barça tem no gol o ótimo Victor Valdés, nós temos as não menos boas opções de Jéfferson e Júlio César. Daniel Alves e Adriano/Maxwell, todos utilizados por Guardiola, podem também jogar pela seleção nos mesmos setores onde atuam. A excelente dupla de zaga composta por Carles Puyol e Piqué tem uma concorrência à altura se pensarmos em Lúcio e Thiago Silva (talvez fiquemos devendo em velocidade, mas vejo a possibilidade de, dependendo da situação, improvisar Luiz Gustavo, Arouca ou Ramires por ali). Onde vemos Sergio Busquets no Barça, o Brasil pode escalar Ramires. A trinca Iniesta-Xavi-Messi, do mais alto nível, não tem como ser equiparada. Mas o que me diriam de usarmos Kaká-Ganso-Neymar? Creio que o maior desafio seria fazer Ganso ter uma disciplina tática que não se limite ao momento da posse de bola, porque com a redonda nos pés, ele sabe bem o que fazer. O brasileiro-espanhol Thiago Alcântara e a fera David Villa formam um senhor poder-de-fogo para o Barça, mas o Brasil também tem suas alternativas: Nilmar caindo pelos cantos e Fred como referência (não é nenhum Ronaldo, aposentado em 2011, mas não devemos desvalorizar alguém de sua técnica). O celeiro é tão farto que nem citei nomes como os dos jovens Lucas Rodrigues e Oscar!

Portanto, material humano não falta. O negócio é a filosofia, o trabalho, a busca. A busca que não pode e não deve se fundamentar no resultado do jogo, mas nos frutos colhidos pelo (re)encontro com a arte que encantou o mundo. E que, quase naturalmente, trará os resultados. Veja, novamente, o exemplo do Barcelona de Guardiola, com 13 títulos em 16 possíveis (como por exemplo o baile na final da última Liga dos Campeões da Europa, diante do Manchester United em Wembley)...

São lições da bola que aprendemos nesse ano de 2011 e que, se bem estudadas, poderemos usá-las a favor do futebol arte para os anos vindouros. Se não voltarmos a nos encontrar, um feliz 2012 para você.

Editando

Minutos depois de publicar este texto, acabou chegando até mim a "Foto Do Ano", prêmio concedido pela Unicef. Achei por bem compartilhar com vocês essa imagem, que mostra um menino num lixão tóxico de Acra, capital ganesa. Uma síntese da sociedade atual, apaixonada pelo futebol mas com tantos abismos sociais. Dias melhores virão, se Deus quiser.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Quem Seria O País Do Futebol?

O Brasil de Mano Menezes muito se parece com o Brasil de Dunga. Na partida de ontem, diante da Alemanha, a seleção brasileira voltou a jogar focada em contra-ataques. Contra-atacava bem, mas não tinha nem de longe a mesma qualidade no toque de bola que a apresentada pelos alemães. A julgar pela tradição futebolística dessas duas escolas, a conclusão que chego é que o Brasil de Ricardo Teixeira anda para trás, enquanto a Alemanha, comandada pelo competente e revolucionário Joachim Löw, avança a passos largos e de mãos dadas ao ideal do futebol arte, algo impensável uma década atrás.

Saímos da "Era Dunga", época em que os resultados apareceram mas o futebol, não. Em um ano de "Era Mano", não tivemos nem uma coisa, nem outra. Mudança no comando se faz necessário? Talvez. Mas o que deve ser modificado, sem dúvidas, é a forma de pensar o futebol da seleção brasileira. Figuras como André Santos não combinam com a história de uma camisa que já foi vestida por Nilton Santos. E o que dizer de vestir Fernandinho com a camisa 11, deixando Paulo Henrique Ganso como opção no banco e sequer convocando jogadores qualificados como Kaká e Ronaldinho Gaúcho? Alguma coisa está fora de ordem...

O jogo

A partida teve em seu início - mais precisamente na primeira terça parte do primeiro tempo - um domínio alemão. Domínio esse que invertia aquilo que conhecemos de Alemanha e Brasil: a seleção européia com a bola nos pés, trocando passes e atacando, enquanto o selecionado sul-americano respirava em esporádicos contra-ataques. A qualidade de jogadores como Lúcio, Thiago Silva e Ramires foram relevantes para, diante de cerca de 80% de tempo de posse de bola com os adversários, o Brasil ter conseguido resistir ao 0a0 até os 15 minutos do segundo tempo. A partir dali, o jogo passou a ter no placar uma maior afinidade com os acontecimentos internos às quatro linhas. Após mais uma boa troca de passes, a Alemanha entrou na área brasileira e lá ocorreu um choque entre Lúcio e Toni Kroos, em lance onde a interpretação de pênalti é altamente subjetiva. Para o húngaro Viktor Kassai, houve a penalidade. Para o ótimo Bastian Schweinsteger foi a oportunidade de abrir o placar, que ele aproveitou com uma cobrança bem realizada, no quadrante 11, estufando a rede e sacodindo uma câmera que estava posicionada ali por perto da trave direita.
Bastian Schweinsteiger convertendo o pênalti que abriu o placar em Stuttgart: com atuação fantástica, jogador participou diretamente dos 3 gols alemães no jogo.

Com 21 minutos, Schweinsteiger iniciou magistralmente a jogada que resultou no segundo gol da equipe da casa. Um gol com o "carimbo Joachim Löw de qualidade", isto é, através de toques rápidos e objetivos. O camisa 7 fez "1-2" com Miroslav Klose e serviu Mario Götze com primorosa enfiada de bola. O jovem de 19 anos, campeão alemão com o Borussia Dortmund na última temporada, driblou o goleiro Júlio César e mandou pra rede. 2a0 Alemanha, para agitação de flâmulas listradas horizontalmente em preto, vermelho e amarelo, que davam o colorido nacionalista em Stuttgart.

Quatro minutos depois, um carrinho do capitão alemão Philipp Lahm para desarmar Daniel Alves dentro da área foi interpretado equivocadamente como pênalti por Viktor Kassai. Depois de quatro cobranças desperdiçadas diante dos paraguaios, aquele que seria o quinto a cobrar naquela disputa em La Plata partiu pra bola e... fez o primeiro gol brasileiro: Robinho, mandando no canto direito.

Naquela altura, o Brasil já estava com PH Ganso no lugar de Fernandinho, jogador que apareceu mais cometendo faltas do que criando ocasiões de gol. Talvez inspirado pelo jogador escolhido como titular, uma das primeiras participações de Ganso deu-se com o meia cometendo falta dura, que resultou no primeiro e único cartão amarelo mostrado por Kassai na partida. Na marca de 34 minutos, André Santos, que não apoiava o ataque e nem neutralizava as jogadas ofensivas alemães pelo seu setor, errou na saída de bola e acabou desarmado limpamente por Schweinsteiger. E que beleza de jogador é esse meio-campista do Bayern de Munique: correto na proteção da defesa, eficaz no toque de bola, astuto nas finalizações e incansável no deslocamento, o versátil atleta de 27 anos não somente tirou a redonda de André como serviu caprichosamente o companheiro André Schürrle. A finalização do atacante de 20 anos foi muito bonita, indo parar no ângulo direito.

Se Mano já havia trocado Alexandre Pato por Fred cerca de três minutos antes de levar o terceiro gol alemão, após o 3a1 o treinador trouxe a campo dois jogadores que atuam em campos alemães: entraram o estreante Luiz Gustavo (companheiro de Schweinsteiger no Bayern) e Renato Augusto (que joga com Schürrle no Leverkusen) e saíram André Santos (tomara que para nunca mais retornar) e Robinho (um dos melhores brasileiros em campo, atuando como meia-de-ligação).

Nos acréscimos, Neymar recebeu na proximidade da área, Fred o acompanhou atraindo a marcação, e o santista resolveu o lance sozinho, finalizando rasteiro no canto direito e diminuindo a derrota para 3a2. Entre amistosos com as seleções uruguaia (2a1) e brasileira (3a2), e partidas pelas eliminatórias para a Eurocopa 2012 com Áustria (2a1) e Azerbaijão (3a1), esta foi a quarta vitória consecutiva de uma Alemanha que tem tudo para ser uma das sensações nos torneios vindouros. Com bons resultados desde 2002 e bom futebol desde que Löw assumiu após a Copa 2006, os tricampeões mundiais têm todo o direito de sonhar com uma quarta estrela na camisa no Mundial a ser disputado no Brasil: renovada, rápida, entrosada e envolvente, a Alemanha de Löw está hoje entre os times que mais gosto de ver atuar. Enquanto isso, o Brasil de Mano - que venceu somente o Equador em quatro jogos de Copa América - soma mais uma derrota em partidas com os ditos "adversários top": perdeu para a Argentina em campo neutro (1a0), para a França fora de casa (1a0), empatou em casa com a Holanda (0a0) e, se por um lado conseguiu marcar gols na Alemanha, tomou 3 e conheceu mais um revés.

Ninguém em sã consciência pediria pelo retorno de Dunga (pelo menos espero que não). Mas, analisando jogo a jogo, escalação a escalação, convocação a convocação, estimo que a passagem de Mano Menezes não esteja nada satisfatória. E a julgar pelo que venho vendo dele na seleção, não vislumbro grandes horizontes no caso de sua permanência no comando técnico canarinho.
Mano Menezes esbraveja enquanto Joachim Löw observa: trabalho do brasileiro vem sendo cada vez mais colocado em dúvida enquanto o futebol arte agradece os serviços prestados pelo alemão.

domingo, 10 de julho de 2011

Mano 'À La' Dunga, Martino 'À La' Bielsa

Brasil e Paraguai, duas equipes que chegaram às quartas-de-final no Mundial 2010, mediram forças no estádio Mario Alberto Kempes, em Córdoba, e protagonizaram a partida de mais gols nessa Copa América ao empatarem em 2a2.

O jogo

Foram feitas modificações nas seleções brasileira e paraguaia em relação aos times que foram a campo na estréia da competição - Mano Menezes barrou Robinho e optou por colocar Jádson, reforçando o setor de criação e possibilitando maior interação com o camisa 10 Paulo Henrique Ganso, enquanto o argentino Gerardo Martino mexeu na defesa (deslocando Darío Verón da zaga para a lateral-direira, ocupando o lugar de Iván Piris e cedendo espaço para a entrada de Antolín Alcáraz) e também no meio-campo, colocando Enrique Vera como titular (na estréia, Vera teve atuação destacada saindo do banco para substituir o contundido Édgar Barreto).

O início de jogo foi de amplo domínio paraguaio: com os apoios de Verón pela direita, de Aureliano Torres pela esquerda e principalmente graças a atuação inspirada de Marcelo Estigarribia, o time tomava conta dos flancos do campo e deixava os laterais brasileiros Daniel Alves e André Santos sob pressão. O camisa 2 barcelonista levou um verdadeiro baile de Estigarribia nos minutos iniciais, e a bem da verdade não recordo de em algum momento vê-lo levar vantagem pra cima do interessante camisa 21 paraguaio.

Impulsionado pela atuação maiúscula de Ramires, o Brasil foi equilibrando a partida e fazendo aparecer o talento de Paulo Henrique, que, ao lado de Jádson, conseguia tramar algo diferenciado. E o primeiro gol do jogo contou exatamente com esses três jogadores: Ramires disputou a bola em pé e também deitado, conseguiu fazê-la chegar em PH Ganso e este tocou para Jádson, que chutou de fora da área mandando rasteiro, no canto direito. Primeiro gol do jogo, do Brasil e do grupo B na Copa América 2011, aos 38 minutos do primeiro tempo na segunda rodada.

Se o Brasil crescia de produção na parte final do primeiro tempo, nada como voltar do intervalo mantendo essa crescente. Soa óbvio? Talvez não para o treinador Mano Menezes, que tirou Jádson de campo e colocou Elano, jogador que tem lá as suas qualidades mas longe da mesma capacidade de criação que o camisa 20. Portanto, Mano Menezes partia para um esquema semelhante ao da "Era Dunga": dois homens à frente de um único meia-de-ligação de origem. Resultado: Ganso ficou mais isolado e o Brasil mais perdido para articular a dupla Alexandre Pato e Neymar.

Na beira do gramado, Gerardo Martino mostrava ter outras intenções para a partida e conversava com o atacante Haedo Valdéz, pronto para entrar em campo - não sei quem sairia naquele momento, mas estou convicto de que o teor da conversa era mais atrativo do que o papo que Mano deve ter tido com Elano. Aos 9 minutos, Estigarribia desceu pela esquerda e centralizou com toque preciso, que passou por Thiago Silva e encontrou o atacante Roque Santa Cruz em liberdade para completar: 1a1 no placar. Se o gol fez Martino desistir de colocar Valdéz? Nada disso: pouco depois, saía Lucas Barrios para a entrada do atacante camisa 18.

Se Daniel Alves passava quase a totalidade da partida atormentado por Torres e Estigarribia, aos 21 minutos apareceu Cristian Riveros para incrementar o pesadelo que o lateral-direito vivenciava acordado: após bola lançada, Daniel se atrapalhou na passada e permitiu o desarme de Riveros. O camisa 15 rolou de lado, Santa Cruz pegou a bola e passou para Valdéz, que ficou de frente com o goleiro Júlio César, finalizou rasteiro, o zagueiro Lúcio conseguiu a proeza de chegar na bola, mas para sorte paraguaia a redonda tomou o rumo da rede.

Provando que a filosofia futebolística de Mano Menezes é condicionada pelo resultado da partida em andamento, o treinador trocou um volante por um meia. Não seria nada digno de críticas se ele não tivesse escolhido exatamente o melhor jogador em campo para deixar o gramado... Então, aos 24 minutos entrou Lucas Rodrigues, saiu Ramires. De forma patética, Mano retornava ao esquema que iniciou a partida e que quando permaneceu em campo vencia o jogo por 1a0.  Aos 36 minutos, trocou o inoperante Neymar por Fred. Para sorte de Mano e felicidade geral de uma nação que se move por resultados, aos 44 minutos Fred recebeu de Ganso e chutou no canto direito para empatar a partida.

Observando a história do jogo, analisando a reação dos treinadores ao desenrolar dos acontecimentos e sugerindo que havia uma seleção pentacampeã mundial em campo, eu jamais diria que esta trajava amarelo. Mano tem muito o que aprender com Martino e a escola desenvolvida por Marcelo "El Loco" Bielsa. Espero que esse aprendizado aconteça e seja posto em prática antes de deixar a seleção brasileira.
Em foco, Mano Menezes orienta seus comandados: treinador não "bancou" sua proposta inicial e levou a virada após mudar o time. Gerardo Martino, à frente, manteve-se fiel a um estilo independentemente do placar.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Novo Brasil Estréia Hoje Nos Estados Unidos

A seleção brasileira de Mano Menezes terá seu primeiro jogo oficial na noite de hoje, quando, em Nova Jersey, atuará diante da seleção dona da casa. A lista de convocados do ex-técnico do Corinthians está recheada de jogadores com características ofensivas, o que contrapõe o pragmatismo da Era Dunga, que findou com a eliminação nas quartas de final da Copa 2010.

Daquela seleção, 4 nomes estão relacionados para a partida de logo mais: o lateral Daniel Alves, o zagueiro Thiago Silva, o volante Ramires e o atacante Robinho. Dentre os outros 20 nomes, metade está experienciando sua primeira convocação para a seleção principal - casos dos goleiros Jéfferson e Renan, do lateral Rafael, dos zagueiros David Luiz e Réver, do volante Jucilei, dos meias Éderson e Paulo Henrique Ganso e também dos atacantes André e Neymar.

A Confederação Brasileira de Futebol, regida por Ricardo Teixeira, segue realizando trapalhadas. Tornou pública a intenção de contar com Muricy Ramalho mas o negócio foi embarreirado por uma cláusula contratual que dá ao Fluminense o direito de não liberar o treinador. Resultado: Muricy seguiu nas Laranjeiras e Mano Menezes assumiu com o status de segunda opção. Mano, aliás, mal foi anunciado como novo técnico da seleção e, cerca de 48 horas depois, já tinha que divulgar uma lista de convocados (referente a esse amistoso de hoje com os Estados Unidos). A lista é interessante, mostra renovação, tendência a um jogo menos preso e mais ofensivo, mas tem alguns senões, sobretudo no nome de Jucilei, jogador que era reserva no Corinthians quando dirigido pelo próprio Mano (Elias era o titular na posição, mas foi "esquecido"). Há quem suspeite que a idéia é valorizar o atleta e lucrar numa futura negociação...

Mas há de se mencionar também uma postura bastante válida por parte de Mano: visando um projeto olímpico (único título que falta à seleção brasileira de futebol), o treinador mudou-se para o Rio de Janeiro, ficando mais perto da Granja Comary, em Teresópolis, local onde encontra-se o Centro de Treinamento da seleção.

Vamos torcer para que a seleção brasileira reencontre o futebol que a caracterizou positivamente no mundo todo. A alegria, a arte, a ofensividade, tão relegadas a segundo plano em tempos de "futebol-resultado" pode voltar à tona. Com vitória, empate ou derrota, caso o Brasil volte a ser Brasil, o futebol sairá ganhando.

Confira a lista completa da primeira convocação de Mano Menezes, à disposição do treinador para a partida de hoje.

Goleiros
Jéfferson (Botafogo)
Renan (Avaí)
Victor (Grêmio)

Laterais
André Santos (Fenerbahce-TUR)
Daniel Alves (Barcelona-ESP)
Marcelo (Real Madrid-ESP)
Rafael (Manchester United-ING)

Zagueiros
David Luiz (Benfica-POR)
Henrique (Racing Santander-ESP)
Réver (Atlético-MG)
Thiago Silva (Milan-ITA)

Meio-campistas
Carlos Eduardo (Hoffenheim-ALE)
Éderson (Lyon-FRA)
Paulo Henrique Ganso (Santos)
Hernanes (São Paulo)
Jucilei (Corinthians)
Lucas (Liverpool-ING)
Ramires (Chelsea-ING)
Sandro (Internacional)

Atacantes
Alexandre Pato (Milan-ITA)
André (Santos)
Diego Tardelli (Atlético-MG)
Neymar (Santos)
Robinho (Manchester City-ING)
Outros amistosos internacionais de hoje

Bósnia-Herzegovina e Catar;
Itália e Costa do Marfim;
Kuwait e Azerbaijão;
Argélia e Gabão;
Egito e Congo;
Marrocos e Guiné Equatorial;
Senegal e Guiné.

Há ainda 35 jogos amistosos agendados para amanhã, dos quais destacamos os seguintes: Coréia do Sul e Nigéria; Angola e Uruguai; Rússia e Bulgária; Finlândia e Bélgica; Eslováquia e Croácia; Turquia e Romênia; Ucrânia e Holanda; Suécia e Escócia; Sérvia e Grécia; Dinamarca e Alemanha; Áustria e Suíça; Polônia e Camarões; Irlanda e Argentina; Eslovênia e Austrália; Inglaterra e Hungria; Noruega e França; e México e Espanha.

São as seleções retomando as atividades após o Mundial 2010!

sábado, 24 de julho de 2010

VAI MANO !!!!!


O novo treinador da seleção se tornou em um dos assuntos de mais discussão no futebol neste ano no país.


Era impossível uma unanimidade, visto o bom nível de treinadores que temos, contendo uma elite interessante no país (Mano, Muricy, Felipão), alguns nomes de respeito (Abel Braga, Paulo Autuori) e possíveis zebras (Ricardo Gomes, Leonardo).


Porém, nesta sexta-feira o Brasil inteiro, e principalmente a imprensa esportiva sofreu uma das maiores "pegadinhas" dos últimos tempos. Enquanto inúmeros sites e blogs postavam Muricy já antecipadamente como o novo comandante do esquadrão canarinho, o Fluminense fez todo mundo voltar atrás com o que tinha noticiado.


E eis que em uma segunda opção (e que honra ter uma segunda opção assim), Mano Menezes não teve os mesmos obstáculos e assumiu essa manhã, o segundo cargo mais importante do país, somente atrás do Presidente da República.


Um treinador que sempre se identificou com as torcidas por onde passou, e que passou a ser conhecido por livrar times do "buraco". Tirou o grêmio da série B, e o levou para a Libertadores quando retornou a série A. Em seguida assumiu o Corinthians, e transformou o horroroso time de 2005 em um dos times mais temidos do país nos últimos anos. Resgatou a alma gremista e corinthiana.


Por isso que afirmo que é o homem certo na hora certa. Em 2006, Parreira fez um país desanimar com uma seleção desleixada e sem amor a camisa. A partir daí a antipatia e arrogância de Dunga , fez o país não só desanimar quanto criar um sentimento de repugnação ao combinado nacional.


Mano tem a missão mais dura da história de uma seleção : Vai comandar o país dentro de sua casa, para conquistar a copa do mundo mais cobiçada de sua história. E pra isso vai precisar da nação ao seu lado. E é pra isso que veio. Pra buscar o amor do torcedor a sua seleção, que será crucial para o Hexa no Brasil.


Boa sorte a Mano Menezes, o líder da Seleção Brasileira.


E deixando de lado o politicamente correto de um blog esportivo :


VAI MANOOOO!!!! TRAS O HEXA PRA GENTE !!!!!