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quarta-feira, 17 de junho de 2015

Paraguai Vence Jamaica Graças A Lance Inusitado

Imagem extraída de FourFourTwo.
Quando alguém diz: "o goleiro falhou", é possível associar a frase a uma infinidade de situações diferentes. Geralmente, pensamos numa finalização na qual o arqueiro permitiu que a bola passasse por si (seja por baixo das pernas, por entre as luvas, por baixo do corpo). No caso do camisa um Duwayne Kerr, foi diferente de tudo isso: ele alcançou a bola. Ele rebateu a bola. Ele conseguiu a interceptação a qual se propôs a fazer. Enfim, ele foi bem-sucedido em sua intervenção. Quer dizer, nem tanto... O longo lançamento efetuado por Víctor Cáceres saiu forte demais. Bastaria ao goleiro aproveitar-se do privilégio de utilizar as mãos para recolher a bola e distribuir o jogo conforme julgasse conveniente. Só que ele estava fora da grande área. Optou, então, por um cabeceio. E conseguiu cabecear. Porém, como quem pergunta "quer o gol?" (Kerr, perdoe o trocadilho), acabou acertando a perna direita (não sei se o joelho, não se se a coxa) de Edgar Benítez, provável alvo da bola lançada por Cáceres. O jogador jamaicano que acompanhava o lance de perto até correu pra tentar evitar que a bola atravessasse a linha-de-fundo, mas precisaria de uma velocidade maior que a do recordista Usain Bolt para ter sucesso nessa empreitada. Gol paraguaio aos 35'.

O econômico (para não dizer escasso) futebol paraguaio proporcionou um ou outro momento interessante. No primeiro tempo, Roque Santa Cruz emendou bonito chute para boa defesa de Kerr. No segundo, Miguel Samudio arrancou, tabelou e chutou com precisão, carimbando o travessão na proximidade da bifurcação. A Jamaica, na base da empolgação e da pressão, até criou uma ou outra situação. Chegou de fato a assustar o goleiro Antony Silva, talvez causando no torcedor paraguaio uma leve acelerada na batida do coração. Mas não conseguiu um gol em Antofagasta. De toda forma, ainda não se pode falar em eliminação. Quem quer eliminar da mente essa partida é o goleiro Kerr. Quem sabe, diante da Argentina, não venha a redenção? Sinceramente... Não sei, não...

domingo, 14 de junho de 2015

Argentina Joga Com Graça, Mas Paraguai Busca Empate Na Raça

Imagem extraída de FCBarcelona.com.
Argentinos e paraguaios protagonizaram o que considero ter sido a melhor partida na Copa América 2015 nesses primeiros três dias (quatro jogos) de competição. Jogo que teve movimentação desde o início, com a Argentina pressionando o Paraguai, até o final, com as seleções fazendo um jogo franco e sem abdicar da procura pelo gol.

Se alguém viu apenas o primeiro tempo, provavelmente não acreditaria no placar final. Se alguém assistiu somente após o intervalo, não imaginaria o que foi o jogo até então. As seleções de Gerardo Martino e Ramón Díaz (ambos argentinos) alternaram seus momentos de alegria no campo de La Serena: se a Argentina conseguiu abrir 2a0 com 36 minutos, o Paraguai foi buscar o empate na última meia hora, garantindo a emoção num jogo surpreendente.

Teorias para explicar uma partida assim devem existir várias. A minha não é das mais elaboradas: entendo que, por se tratar de um torneio que começa após o final da temporada européia, o desgaste físico foi bastante sentido principalmente por parte da seleção que teve mais jogadores envolvidos em campeonatos mais competitivos - caso da Argentina. Argentina que, por sinal, iniciou a partida com o pé esmagando o acelerador, gerando um sufoco no adversário. O gol inaugural veio após Messi apertar a saída de bola paraguaia em disputa com Samudio - o erro aconteceu e Agüero não desperdiçou. O segundo veio após Di María cair em lance dentro da área, novamente envolvendo Samudio. Pênalti convertido por Messi, que mandou com precisão no canto esquerdo.

Mesmo com Di María atuando muito abaixo do que pode render e inclusive já rendeu em outros anos, a Argentina se sobressaía. Algumas jogadas de ataque aconteciam com tamanha naturalidade que parecia que era questão de tempo para a vitória ficar mais elástica. Só que um lindo chute de Valdéz trouxe a diferença no placar de volta para um gol, proporcionando expectativas de pontuação ao Paraguai, que até minutos atrás era ameaçado de ser goleado. E o que é melhor: graças à postura argentina de mais se dedicar ao ataque do que se preocupar com a defesa, a partida ficou ótima de se assistir. Martino trouxe Tévez (retornando à seleção) e Higuaín para os lugares de Pastore e Agüero. Chances de gol se sucederam aos montes. Os goleiros Romero e Silva foram brilhantes em chutes de Samudio e Pastore, este em lance pouco antes de ser substituído. E a coragem paraguaia foi premiada aos 44': Paulo da Silva rolou e Lucas Barrios, que entrara no lugar de Roque Santa Cruz, chutou rasteiro para igualar o placar. Um ponto muito comemorado pela Albiroja que, na edição passada, foi vice-campeã e tinha como treinador o "agora" argentino Tata Martino.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

O Campeão Voltou

O Uruguai, campeão da primeira edição da Copa América (ano de 1916), voltou a vencer a competição continental (a última conquista havia sido em 1995) e reassumiu o posto de maior papa-títulos do torneio, com 15 taças.

Não sou a figura mais recomendada para dizer se esse título em 2011 é merecido ou não (na campanha uruguaia, havia assistido somente os minutos finais nas quartas-de-final diante dos argentinos, a partir dos 42 minutos do segundo tempo aproximadamente) mas a julgar pelo que foi apresentado no jogo derradeiro, a Celeste tinha mais é que levantar esse troféu: vi em campo um Paraguai irreconhecível, longe de um time que fez grandes partidas nos dois primeiros jogos do torneio (empates com Equador e Brasil) tanto na escalação como na maneira de atuar. Espero que o treinador argentino Gerardo Martino tenha aprendido alguma lição com essa derrota.

O jogo

O estádio Monumental de Núñez, palco que sediou uma selvageria na recente despromoção do River Plate para a segunda divisão nacional, recebeu grande público na tarde desse domingo, vinte e quatro de julho de dois mil e onze. Pelo visual das arquibancadas, daria facilmente para dizer que a partida estava ocorrendo no estádio Centenário em Montevidéu, tamanha a supremacia de uruguaios dentro e fora das quatro linhas.

Muito dessa supremacia se deve ao talento da dupla Diego Forlán e Luis Suárez, mas se a partida caminhou para um desequilíbrio flagrante, isso se deve também às escolhas dos treinadores Oscar Tabárez e Gerardo Martino. Enquanto o primeiro deu seqüência a uma maneira de jogar semelhante à apresentada na Copa do Mundo, em 2010, o segundo parece ter aberto mão de suas convicções táticas e preparou um time recheado de volantes no meio-campo, isolando o competente Haedo Valdéz e simplesmente impedindo o desenvolvimento do jogo paraguaio, que sequer tinha saída pelos flancos do campo (Marcelo Estigarribia na condição de reserva foi algo que fugiu de qualquer compreensão).

A pressão celeste começou cedo, com o goleiro Justo Villar trabalhando bem para impedir que um cabeceio de Forlán inaugurasse o placar - na seqüência, quem "fez a defesa" foi Néstor Ortigoza, em lance passível de marcação de pênalti (mas concordo com a interpretação de não ter havido intenção do paraguaio em levar as mãos à bola). No 12º minuto, Suárez recolheu a redonda pela direita, fintou Darío Verón, chutou, a bola desviou no próprio Verón - que apesar da grande habilidade de "Luisito" conseguiu manter-se firme no lance - e tocou na trave direita antes de entrar no gol. 1a0 Uruguai e festa em Núñez.
 
Luis Suárez age rápido após recolher a bola e solta o chute, que desviaria em Verón e tocaria na trave antes de entrar: assim era aberto o placar no estádio Monumental de Núñez.
Pouco depois disso, a partida passou a ter como protagonista o árbitro brasileiro Sálvio Spínola Fagundes Filho, que teve bastante trabalho no aspecto disciplinar. Apesar de terem sido relativamente poucas as faltas cometidas, a maioria delas estava carregada de força excessiva e colocava em risco a integridade física dos atletas. O baiano de 41 anos de idade optou por mostrar cartão amarelo para o paraguaio Víctor Cáceres e para os uruguaios Diego Pérez, Martín Cáceres e Maximiliano Pereira num intervalo de treze minutos (entre os 16 e os 29) e a bem da verdade poderia ter expulsado pelo menos dois jogadores nesse mesmo período.

No meio de tanto meio-campista focado na marcação e abusando da violência, quem circulava pelo gramado de forma diferente dos demais companheiros era Arévalo Ríos: sem distribuir um único pontapé (não recordo de vê-lo cometer uma falta sequer) e participando do jogo com a simplicidade de quem busca levar a bola para o companheiro em melhores condições de recebê-la, o camisa 17 era o ponto de equilíbrio da equipe. E, aos 41 minutos, participou ativamente do 2º gol uruguaio: após recuperar a posse de bola, Arévalo viu Forlán livre à sua esquerda, rolou para o camisa 10 e este encerrou o jejum de gols com a camisa celeste chutando com a canhota no contrapé de Villar.

A inoperância paraguaia persistiu por toda a primeira etapa e se arrastou até por volta dos vinte minutos do segundo tempo, quando finalmente Martino resolveu mudar as coisas. Quer dizer, Martino mudou as coisas antes mesmo de a bola rolar, escolhendo escalar um time mais defensivo, menos hábil, menos veloz, menos criativo e, com isso tudo, facilitando a vida para o uruguaios. Com as entradas de Estigarribia e Hernán Pérez nos lugares de Cáceres e Enrique Vera, o Paraguai subiu de produção: agora passava a ter maiores recursos no uso da posse de bola, conseguindo envolver a defesa adversária pelos dois lados do campo.

Doze minutos depois daquelas substituições, veio a última de Martino: Pablo Zeballos por Lucas Barrios. Barrios, argentino de nascimento, é um dos maiores talentos da atual geração paraguaia. Não ficou muito tempo em campo pois precisou sair, contunidido, provavelmente em função de alguma complicação previamente conhecida e que justificava a sua escalação como suplente. Com um homem a menos no gramado, o Paraguai já não tinha muito o que fazer e, aos 44 minutos, assistiu mais um pouco do show uruguaio: em contra-ataque avassalador, Álvaro Gonález chapelou um adversário, passou para Edinson Cavani (que entrou no segundo tempo no lugar de Álvaro Pereira, retornando de uma contusão ocorrida na estréia) e este, de primeira, acionou Suárez com linda inversão para a direita. Também com um único toque, "Luisito" usou a cabeça para deixar que Forlán concluísse a jogada. E ela foi concluída com uma finalização sutil, levando a bola para o canto esquerdo e decretando o 3a0 triunfal.
Com categoria, Diego Forlán toca tirando de Justo Villar: Uruguai marca 3a0 e chega ao 15º título na história das Copas América.

A mística da camisa celeste, o trabalho sério de Tabárez e o talento nato de Forlán e Suárez talvez tenham sido o tripé da vitória uruguaia em Buenos Aires. Pelo lado dos comandados de Martino, uma atuação "made in Paraguay" no sentido mais esdrúxulo do termo, pois a "Albirroja" que foi a campo para essa decisão passou longe do time qualificado que iniciou a competição.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

A Eliminação Brasileira Na Copa América 2011 Diretamente De La Plata

No momento em que estas palavras são digitadas, o Paraguai está na final da Copa América 2011 (passou pela Venezuela no desempate por pênaltis, numa partida em que diz-se que os paraguaios foram beneficiados pela arbitragem). O adversário será o Uruguai (que após superar a Argentina nas penalidades máximas, passou pelo Peru com vitória por 2a0 no tempo regulamentar). Então, falar sobre o jogo entre Brasil e Paraguai, jogado pela fase quartas-de-final, parece fora de propósito. Resumidamente, tratou-se de uma partida onde apareceram os talentos individuais brasileiros mas faltou um jogo coletivo que mostrasse que aquele grupo de jogadores convocados por Mano Menezes formava um legítimo time de futebol. Aplicado, o Paraguai conseguiu suportar a pressão brasileira e, se por um lado escapou de levar o gol, por outro também teve chance de vencer a partida sem necessitar da disputa por pênaltis. Mas não é sobre os acontecimentos internos às quatro linhas que esse tópico versará: vamos, a partir de agora, compartilhar um pouco do que foi a atmosfera vivida naquele domingo, dezessete de julho de dois mil e onze, data em que o blogueiro desfrutou a memorável experiência de marcar presença no estádio Ciudad de La Plata.
Por volta das 14h, descemos na estação de trem em Tolosa (uma anterior à estação de La Plata), após cerca de uma hora de viagem desde que o transporte ferroviário partiu de Buenos Aires, na estação Constitución. Um dia muito bonito e de temperaturas baixas se comparadas às que estamos acostumados no Brasil.

Diferentemente do clima de tensão que pode ser visto ainda no futebol quando facções oponentes se enfrentam nos dias de jogos de "seus" times, um clima amistoso tomava conta do ambiente no caminho para o estádio Ciudad de La Plata. A foto a seguir demonstra a descontração entre brasileiros e paraguaios, unidos por uma mesma paixão.
Brasileiros e paraguaios a caminho do estádio: clima de festa serve como exemplo de conduta.

A baixa temperatura e os ventos constantes que sopravam na região convidavam os torcedores a manterem-se devidamente agasalhados. Mas a imagem ao lado, capturada por volta das 15:30h, pouco antes de uma das entradas ao estádio, mostra que nem todos parecem preocupados com o frio.
 
Já do lado de dentro do estádio, os amigos brasileiros registram a presença instantes antes de as equipes entrarem em campo.

O Paraguai tinha a seu favor uma torcida que estava em maior número que a brasileira (talvez numa proporção de 3 para 1). Tudo bem que esse tipo de coisa não ganha jogo, mas não tenho dúvidas de que exerce um papel importante pelo menos do ponto de vista emocional. E o jogo teve muitas emoções durante as mais de duas horas de duração, sendo decidido somente no desempate por pênaltis, momento em que a seleção brasileira foi bizarra, desperdiçando todas as quatro cobranças e acabando eliminada nas quartas-de-final numa competição onde é atual bicampeã.
Goleiro paraguaio Justo Villar prepara o chute (visão da Popular Sul): Brasil teve mais chances, mas não foi capaz de tirar o zero do placar durante os mais de 120 minutos de jogo.

Enfim, foi maravilhoso viajar pela Argentina e assistir esse jogo entre Brasil e Paraguai. Uma experiência que transcende qualquer registro fotográfico e que considero merecedora de ser compartilhada. Em breve, serão anexados vídeos exclusivos nessa postagem. Aguardem e, é claro, retornem.
[Vídeo 1] Caminhando em La Plata rumo ao estádio que carrega o nome da cidade: paraguaios em maior número que brasileiros.
[Vídeo 2] Atmosfera contagiante no momento em que os times entram em campo e tocam os hinos nacionais (diretamente do setor Popular Sul no estádio Ciudad de La Plata).
[Vídeo 3] Fred cobra o quarto pênalti brasileiro e, seguindo o exemplo de Elano, Thiago Silva e André Santos, também desperdiça. O resto é festa paraguaia no estádio Ciudad de La Plata.

domingo, 10 de julho de 2011

Mano 'À La' Dunga, Martino 'À La' Bielsa

Brasil e Paraguai, duas equipes que chegaram às quartas-de-final no Mundial 2010, mediram forças no estádio Mario Alberto Kempes, em Córdoba, e protagonizaram a partida de mais gols nessa Copa América ao empatarem em 2a2.

O jogo

Foram feitas modificações nas seleções brasileira e paraguaia em relação aos times que foram a campo na estréia da competição - Mano Menezes barrou Robinho e optou por colocar Jádson, reforçando o setor de criação e possibilitando maior interação com o camisa 10 Paulo Henrique Ganso, enquanto o argentino Gerardo Martino mexeu na defesa (deslocando Darío Verón da zaga para a lateral-direira, ocupando o lugar de Iván Piris e cedendo espaço para a entrada de Antolín Alcáraz) e também no meio-campo, colocando Enrique Vera como titular (na estréia, Vera teve atuação destacada saindo do banco para substituir o contundido Édgar Barreto).

O início de jogo foi de amplo domínio paraguaio: com os apoios de Verón pela direita, de Aureliano Torres pela esquerda e principalmente graças a atuação inspirada de Marcelo Estigarribia, o time tomava conta dos flancos do campo e deixava os laterais brasileiros Daniel Alves e André Santos sob pressão. O camisa 2 barcelonista levou um verdadeiro baile de Estigarribia nos minutos iniciais, e a bem da verdade não recordo de em algum momento vê-lo levar vantagem pra cima do interessante camisa 21 paraguaio.

Impulsionado pela atuação maiúscula de Ramires, o Brasil foi equilibrando a partida e fazendo aparecer o talento de Paulo Henrique, que, ao lado de Jádson, conseguia tramar algo diferenciado. E o primeiro gol do jogo contou exatamente com esses três jogadores: Ramires disputou a bola em pé e também deitado, conseguiu fazê-la chegar em PH Ganso e este tocou para Jádson, que chutou de fora da área mandando rasteiro, no canto direito. Primeiro gol do jogo, do Brasil e do grupo B na Copa América 2011, aos 38 minutos do primeiro tempo na segunda rodada.

Se o Brasil crescia de produção na parte final do primeiro tempo, nada como voltar do intervalo mantendo essa crescente. Soa óbvio? Talvez não para o treinador Mano Menezes, que tirou Jádson de campo e colocou Elano, jogador que tem lá as suas qualidades mas longe da mesma capacidade de criação que o camisa 20. Portanto, Mano Menezes partia para um esquema semelhante ao da "Era Dunga": dois homens à frente de um único meia-de-ligação de origem. Resultado: Ganso ficou mais isolado e o Brasil mais perdido para articular a dupla Alexandre Pato e Neymar.

Na beira do gramado, Gerardo Martino mostrava ter outras intenções para a partida e conversava com o atacante Haedo Valdéz, pronto para entrar em campo - não sei quem sairia naquele momento, mas estou convicto de que o teor da conversa era mais atrativo do que o papo que Mano deve ter tido com Elano. Aos 9 minutos, Estigarribia desceu pela esquerda e centralizou com toque preciso, que passou por Thiago Silva e encontrou o atacante Roque Santa Cruz em liberdade para completar: 1a1 no placar. Se o gol fez Martino desistir de colocar Valdéz? Nada disso: pouco depois, saía Lucas Barrios para a entrada do atacante camisa 18.

Se Daniel Alves passava quase a totalidade da partida atormentado por Torres e Estigarribia, aos 21 minutos apareceu Cristian Riveros para incrementar o pesadelo que o lateral-direito vivenciava acordado: após bola lançada, Daniel se atrapalhou na passada e permitiu o desarme de Riveros. O camisa 15 rolou de lado, Santa Cruz pegou a bola e passou para Valdéz, que ficou de frente com o goleiro Júlio César, finalizou rasteiro, o zagueiro Lúcio conseguiu a proeza de chegar na bola, mas para sorte paraguaia a redonda tomou o rumo da rede.

Provando que a filosofia futebolística de Mano Menezes é condicionada pelo resultado da partida em andamento, o treinador trocou um volante por um meia. Não seria nada digno de críticas se ele não tivesse escolhido exatamente o melhor jogador em campo para deixar o gramado... Então, aos 24 minutos entrou Lucas Rodrigues, saiu Ramires. De forma patética, Mano retornava ao esquema que iniciou a partida e que quando permaneceu em campo vencia o jogo por 1a0.  Aos 36 minutos, trocou o inoperante Neymar por Fred. Para sorte de Mano e felicidade geral de uma nação que se move por resultados, aos 44 minutos Fred recebeu de Ganso e chutou no canto direito para empatar a partida.

Observando a história do jogo, analisando a reação dos treinadores ao desenrolar dos acontecimentos e sugerindo que havia uma seleção pentacampeã mundial em campo, eu jamais diria que esta trajava amarelo. Mano tem muito o que aprender com Martino e a escola desenvolvida por Marcelo "El Loco" Bielsa. Espero que esse aprendizado aconteça e seja posto em prática antes de deixar a seleção brasileira.
Em foco, Mano Menezes orienta seus comandados: treinador não "bancou" sua proposta inicial e levou a virada após mudar o time. Gerardo Martino, à frente, manteve-se fiel a um estilo independentemente do placar.

domingo, 3 de julho de 2011

Marcelo Elizaga Salva A Pátria Equatoriana

Nada de gol na primeira rodada pelo grupo B na Copa América 2011. Se na partida entre Brasil e Venezuela foram diversos os fatores para o placar seguir inalterado (vide postagem), no encontro entre Paraguai e Equador houve um personagem preponderante para que a rede não balançasse: o goleiro equatoriano Marcelo Ramón Elizaga Ferrero, de 39 anos de idade e vinculado ao Deportivo Quito. A julgar pelo desempenho de ambas as equipes - principalmente a paraguaia -, a missão brasileira de passar de fase não será nada fácil.

O jogo

Admirador confesso do técnico Marcelo "El Loco" Bielsa, o também argentino Gerardo Martino honrou a alcunha de discípulo de seu compatriota: armou um Paraguai solto, arisco, envolvente, dinâmico e buscando o ataque a todo momento. Com uma dupla de ataque que se movimentava bastante - Lucas Barrios por ambos os flancos e Roque Santa Cruz mais pela zona central - e com as constantes aproximações de outros jogadores (Édgar Barreto, Néstor Ortigoza e Marcelo Estigarribia pareciam incansáveis indo e voltando ao ataque), o time paraguaio foi envolvendo o Equador com relativa naturalidade. Mas os comandados de Reinaldo Rueda também mostravam seus recursos, encaixando contra-ataques velozes (como um aos 21 minutos, quando "Chucho" Benítez passou como quis por Paulo da Silva, driblou também o goleiro Justo Villar, mas ficou sem ângulo para a finalização) e soltando chutes na maioria das vezes muito bem direcionados, principalmente quando saíam dos pés de Segundo Castillo.
Antes do final do primeiro tempo, uma contusão em Barreto forçou a primeira substituição paraguaia. Dizem que "há males que vêm para o bem". E acho que esse dito popular foi encarnado pela entrada de Enrique Vera aos 38 minutos: o meio-campista conseguiu se sair ainda melhor que o camisa 8, dando maior movimentação ao time e parecendo desdobrar-se dentro de campo ao desempenhar com maestria a função de proteger a defesa e sair para o jogo com notável qualidade. Foi no embalo da boa atuação de Vera que o Paraguai passou a dominar a partida no segundo tempo, contando com a subida de produção de Estigarribia para fortalecer as jogadas pelo lado esquerdo. Mas bastou um atleta equatoriano para frustrar a tentativa paraguaia de chegar à vitória: o arqueiro Elizaga. Se na primeira etapa o camisa 1 já havia realizado grandes defesas (aos 12 minutos pegou chute de Barreto dado praticamente da marca do pênalti, após linda jogada individual de Estigarribia, e aos 18 minutos foi buscar finalização de Ortigoza dada da pequena área no canto esquerdo), na etapa complementar Elizaga foi ainda mais espetacular ao conseguir catar um cabeceio certeiro de Roque Santa Cruz no canto esquerdo, após nova linda jogada de Estigarribia. Em outras palavras, se foi um pecado o Paraguai não conseguir chegar ao gol da vitória, por outro lado foi muito bacana ver o poder que tem uma atuação impecável de um goleiro em simplesmente salvar a equipe da derrota. Deu gosto de ver.
Marcelo Elizaga em ação durante a partida entre Paraguai e Equador: aos 39 anos de idade, arqueiro equatoriano foi decisivo para a manutenção do 0a0 com uma performance irretocável.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Iker Casillas E David Villa Garantem A Espanha


A exemplo de quando empatara na estréia diante da Itália, o Paraguai apresentou um futebol altamente competitivo, de muita pegada, minimização dos espaços e paciência para tentar decidir o jogo num contra-ataque bem sucedido. O diferencial da retranca paraguaia em relação à suíça e à portuguesa é que os sul-americanos exerceram uma marcação por pressão que tinha início já no campo de ataque. Os comandados de Gerardo Martino levaram tais orientações ao limite de suas forças, engrossaram a partida diante da Espanha e poderiam, inclusive, terem saído do estádio Ellis Park com a classificação. Mas o talento de David Villa, artilheiro da Copa com 5 gols, fez a diferença no final.

Espanha com mais de 60% da posse, mas a maior ameaça na primeira etapa foi paraguaia

Tão logo o árbitro guatemalteco Carlos Batres iniciou a partida, ficou perceptível que o Paraguai não iria se sujeitar a aceitar o bom toque de bola espanhol. Os sul-americanos começaram o jogo marcando a saída de bola européia e já tiveram uma chance com 1 minuto de bola rolando: após arremesso lateral, Óscar Cardozo ajeita escorando de cabeça, Jonathan Santana chuta e Iker Casillas defende.

Com 6 minutos, David Villa recebe de Xavier Hernández, rola atrás, Xabier Alonso chuta e ganha escanteio. Após a cobrança pelo lado direito, Xabi Alonso levanta, Paulo Da Silva desvia para fora mas o árbitro Carlos Batres marca tiro-de-meta.

A seleção espanhola dava mais chutões do que em todos os 4 jogos anteriores, mostrando o sucesso da empreitada paraguaia em dificultar a saída dos comandados de Vicente Del Bosque, inquieto na área técnica.

Aos 8 minutos, Victor Cáceres cruza da direita e encontra Cristian Riveros livre na área, mas o cabeceio sai por cima. 2 minutos depois, Claudio Morel Rodríguez cobra falta direto, de longe, e isola a bola.

Na marca de 11 minutos, bela jogada espanhola. Mas veja você: era um lance de recuperação da posse de bola. Gerard Piqué desarma Nelson Haedo Valdez próximo da lateral direita com um carrinho limpo, levanta-se e sai jogando sem deixar a bola sair.

Com 14', Santana choca-se com um adversário e sangra pelo nariz. Tudo bem com o paraguaio, que saiu de campo basicamente para trocar a camisa e cuidar do ferimento.

Aos 16 minutos, Sergio Ramos cruza da direita, Morel Rodríguez resvala, Villar tira espalmando e Xabi Alonso pega a sobra chutando de perna trocada, mas manda longe da meta.

4 minutos depois, Morel cobra falta pelo lado direito, pouco a frente da linha que divide o campo, põe na área a Antolín Alcáraz não alcança.

Na marca de 25', Villa vai à linha-de-fundo, cruza rasteiro e Alcáraz chuta para escanteio. 3 minutos depois, Xavi Hernández recebe de Joan Capdevila, dá uma levantadinha e chuta encobrindo Villar, com a bola descaindo pouco depois do travessão.

Com 33 minutos, Casillas repõe com a mão e coloca no peito de Capdevila além do meio do campo, Villa recebe, abre na direita com Andrés Iniesta, que cruza à meia-altura mas ninguém completa.

No minuto seguinte, Nelson Valdez abre na esquerda com Morel, que avança e cruza à meia-altura, mas Santana não consegue alcançar. Mais um minuto passado e a Espanha retorna ao ataque: Xavi abre na esquerda com Villa, que chuta de fora e manda à direita do gol.

A Espanha tinha 61% da posse de bola, mas não conseguia um único chute na direção do gol - os paraguaios, bem na marcação, passaram a se assanhar nos instantes finais da primeira etapa.

Aos 40 minutos, levantamento da direita atravessa a área espanhola e chega em Valdez, que estufa a rede. Porém, a arbitragem interpretou que o salto de Cardozo, no meio da área e sem encostar na bola, caracterizaria participação no lance em posição de impedimento, anulando a jogada.

5 minutos depois, Valdez recebe na esquerda, encara a marcação de Carles Puyol carregando a bola e chuta para fora.

Pênaltis incendeiam a partida na segunda etapa e o final é dramático

Com 1 minuto, bola esticada para Valdez e Casillas recolhe.

Na marca de 5 minutos, a primeira bobeada da defesa paraguaia: Morel e Alcáraz se atrapalham em lance aparentemente sob controle, Villa chega na bola mas acaba não conseguindo efetuar o cruzamento.

Vocês viram em algum momento o termo "Fernando Torres" nessa postagem? O camisa 9 até se esforçava, fazia deslocamentos para participar, mas a realidade é que a postura paraguaia dificultava seu jogo. Vicente Del Bosque também fez essa leitura da partida e, aos 10 minutos, trocou "El Niño" pelo camisa 10 Francesc Fàbregas, aumentando a criatividade no setor de meio-campo.

Aos 12 minutos, escanteio pelo lado esquerdo de ataque paraguaio, a bola viaja e Piqué puxa o braço de Cardozo. O flagrante rendeu uma penalidade máxima e cartão amarelo para o zagueiro. Na cobrança, Cardozo - que convertera a penalidade derradeira nas oitavas-de-final - parou em defesa de Casillas.


Casillas defende a cobrança de Cardozo. Houve invasão de área, mas o jogo seguiu.

Sem muita demora, a Espanha foi ao ataque: Villa partiu com a bola em direção ao gol até ser derrubado por Alcáraz dentro da área: pênalti e cartão amarelo para o zagueiro, que estava na condição de último homem. O cronômetro marcava 15 minutos quando Alonso convertia a cobrança no quadrante 6 e Justo Villar caía para o canto esquerdo. Mas, denunciando invasão espanhola, Carlos Batres ordenou que se repetisse a cobrança. Detalhe: no pênalti paraguaio houve invasão até mais acentuada. Então, aos 16', Alonso retorna para a marca de cal: dessa vez, chutou rasteiro no canto direito e Villar saltou conseguindo espalmar. No rebote, Cesc Fàbregas chega na bola, dribla Villar e é agarrado nas canelas pelo goleiro, sendo derrubado em pênalti ignorado por Batres. Na seqüência, Da Silva consegue afastar próximo da linha final um chute que tinha o endereço da rede.


Instantes após defender a cobrança de Alonso (14), Villar derruba Fàbregas mas a nova penalidade é ignorada pela arbitragem.

Com 17', Iniesta recebe na esquerda da área, chuta cruzado e Villar espalma. No minuto seguinte, a primeira substituição de Martino: Édgar Barreto por Enrique Vera.

Na marca de 24 minutos, Capdevila cruza rasteiro da esquerda e Iniesta, da meia-lua, manda de primeira, por cima do travessão. 2 minutos depois, Xavi cobra falta da esquerda e Villar vai além da trave para dar um tapa em escanteio.

Aos 27 minutos, mudança no ataque paraguaio: Valdez sai e quem entra é Roque Santa Cruz.

O momento espanhol era superior e o gol ia amadurecendo. Com 29', Fàbregas bloqueia uma bola que seria afastada pela defesa paraguaia e Xavi pega a sobra de primeira, pondo à direita do gol. No mesmo minuto, Del Bosque resolveu colocar velocidade e poder-de-fogo, fazendo uma troca interessante: Alonso por Pedro Rodríguez.

Na marca de 33 minutos, Capdevila faz o cruzamento, a bola passa por dois paraguaios mas também por Villa.

Aos 37', o gol. Iniesta recebe, passa por dois adversários e cria um clarão na defesa paraguaia: o camisa 6 rola caprichosamente para Pedro na direita, que chuta cruzado e carimba a trave direita. No rebote, Villa tem à sua frente a baliza aberta com Da Silva situado entre as traves: o camisa 7 chuta colocado, acerta a trave esquerda, a bola percorre a linha-de-fundo sob os olhares de Da Silva, beija a trave direita e vai para a rede. Dificilmente poderia ser mais chorado.

David Villa no lance do gol da partida: a bola foi nas duas traves antes de cruzar a linha final.

No minuto posterior, uma troca para cada lado: Puyol por Carlos Marchena e Cáceres por Lucas Barrios.

Com 39 minutos, Villa pega bola rebatida após chute de Iniesta e chuta perto do ângulo esquerdo. Na marca de 43', os atacantes paraguaios que entraram no segundo tempo tiveram a chance de empatar a partida: Barrios recebeu pela direita, chutou firme, Casillas rebateu, Santa Cruz pegou o rebote e soltou o pé, parando em defesa salvadora do camisa 1 espanhol.

Aos 44', contra-ataque da Espanha pela direita, Pedro centraliza com Villa, que chuta cruzado e Villar defende. Com 47 minutos, Santana e Ramos vão disputar uma bola à meia-altura - o paraguaio levanta a perna e o espanhol abaixa a cabeça. Resultado: canelada no rosto, sangue, faixa para estancar e segue o jogo rumo ao apito final de uma classificação suada, sangrada e sofrida, onde o melhor time avançou mais uma vez.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Paraguai-Japão Separados Pelo Travessão

No segundo duelo de oitavas-de-final entre América do Sul e Ásia, os sul-americanos conseguiram levar seu 4º representante para a próxima fase, ficando pela primeira vez na história das Copas com mais candidatos que a Europa (3) nessa altura do torneio. Os japoneses se despedem de cabeça erguida, jogando sem qualquer temor dos adversários e vendendo muito caro a classificação, definida nos detalhes das penalidades. Os paraguaios festejam o feito inédito de chegarem nas quartas-de-finais do Mundial.

Japão mostra saber jogar sem a bola

A partida que ficaria por mais de duas horas no 0a0 quase teve um gol-relâmpago: com 15 segundos de bola rolando, a defesa paraguaia sai jogando errado, Yoshito Okubo intercepta e chuta à direita do gol de Justo Villar.

Com 1 minuto, Daisuke Matsui dá carrinho feio e escapa de receber um cartão amarelo, que permaneceu no bolso do árbitro belga Frank De Bleeckere.

Aos 2 minutos, Yuichi Komano tem a bola pela direita, chuta de fora da área e Villar encaixa.

Com 4 minutos, Paulo Da Silva deu carrinho por trás em Okubo e Frank De Bleeckere apitou falta, seguindo o critério que demonstrou anteriormente.

Aos 6 minutos, Roque Santa Cruz, aberto pelo canto direito, tenta lançar pra área e a bola volta nele, que domina no peito, cruza, Edgar Benítez e Komano sobem para a disputa mas ninguém leva vantagem no lance e a bola sai em arremesso lateral.

Na marca de 9 minutos, Eiji Kawashima segura bola levantada na área e prontamente faz bom lançamento ligando contra-ataque, mas Matsui não consegue passar pela marcação adversária.

Nos primeiros 15 minutos de jogo já tínhamos o desenho do que aconteceria por praticamente toda a partida: o Paraguai mais tempo com a bola (naquela altura 60% da posse) e o Japão abusando daquilo que tem de melhor, que é a saída em velocidade.

Com 19 minutos, Lucas Barrios toma a iniciativa no comando de ataque, passa e recebe de volta, entra na área, dá bonito giro para se livrar de Komano e também de Yuji Nakazawa, chuta ao gol mas Kawashima consegue bloquear com bela defesa.

No minuto seguinte, uma resposta contundente dos japoneses: Matsui pega de primeira uma sobra de bola no ataque e manda chute de curva que carimba o travessão.

Aos 27', Claudio Morel Rodríguez cobra escanteio pela esquerda, paraguaios e japoneses disputam no ar mas quem vê a bola na sua frente é Roque Santa Cruz, que chuta de canhota perto da trave esquerda. Foi muita sorte e falta dela ao mesmo tempo: a bola quicou na grama pedindo para ser chutada, mas caiu para a perna que não é a preferida do atacante.

Barrios, que já demonstrara talento em outras oportunidades, mostrou mais uma de seu repertório ao dar uma caneta em Makoto Hasebe, aos 32 minutos.

Com 34', Néstor Ortigoza resolve sair jogando carregando a bola perto da própria área, perde a posse para Keisuke Honda e deixa a tarefa de recuperação para a defesa paraguaia, que acaba conseguindo. É o típico lance que sugere aquela bronca: "aí não é lugar pra brincar".

Aos 35', nova entrada faltosa de Da Silva, que dessa vez derrubou Honda, e novamente nada de cartão. Na cobrança, Yasuhito Endo colocou na área e Roque Santa Cruz mergulhou para afastar antes que a bola chegasse em Marcus Túlio Tanaka.

Na marca de 39 minutos, Matsui desce veloz pela direita, toca de lado e Honda chuta de primeira, à direita.

O primeiro tempo terminava com o Paraguai detendo 61% da posse mas vendo o Japão criar as melhores chances.

Técnicos mexem, buscam variações táticas, mas nada de gol

Aos 4 minutos, Ortigoza tabela e recebe de volta dominando no peito, entra na área, abre pra direita visando facilitar o chute mas acaba desarmado. Tudo bem, Ortigoza, melhor perder a bola aí do que lá atrás.

Com 8 minutos, cruzamento da direita no ataque japonês, Enrique Vera afasta de cabeça, Yuto Nagatomo pega a sobra e chuta ao gol: a bola desvia na marcação paraguaia e Villar fica com ela. 2 minutos depois, rápido contra-ataque para o Paraguai: Benítez recebe no lado esquerdo da área, chuta e Nakazawa bloqueia.

De Bleeckere mostrou o 1º cartão amarelo do jogo aos 11', após o toque de mão na bola dado por Matsui na subida com Ortigoza.

Na marca de 12 minutos, Ortigoza dá bela enfiada de bola para Benítez, que cruza rasteiro e Nakazawa corta para a lateral. Morel Rodríguez faz o arremesso para Roque Santa Cruz, recebe de volta, cruza na área mas o cabeceio é defendido por Kawashima. No minuto seguinte, Komano arranca pela direita, tem 3 companheiros na área, mas mostra-se fominha e tenta a finalização, mandado chute torto que sai pela lateral esquerda.

Gerardo Martino fez a primeira substituição paraguaia e também do jogo aos 14 minutos: sai o meia Benítez e entra o atacante Nelson Haedo Valdez, ficando agora com 3 homens de frente, tal como utilizou bastante na fase de grupos.

6 minutos depois, Takeshi Okada também faz sua primeira substituição: sai Matsui, com amarelo, e entra Shinji Okazaki, reforçando a presença de área no ataque japonês - experiência bem-sucedida na partida diante da Dinamarca.

Com 21 minutos, bola levantada a partir do lado direito de ataque paraguaio, Kawashima salta para afastar de soco. Para não dizer que o goleiro não achou nada, ele atingiu o companheiro Túlio Tanaka com uma joelhada no queixo, levando-o ao chão. A contusão parecia grave, mas maior era a determinação de Tanaka em ajudar o Japão, retornando ao campo 2 minutos depois evitando movimentar o braço esquerdo.

Na marca de 25 minutos, Komano passa para Honda, que serve Okazaki - o camisa 9 cruza rasteiro e Ortigoza consegue cortar. No mesmo minuto, quando o Paraguai saía em contra-ataque, Nelson Valdez foi puxado por Nagatomo e o camisa 5 recebeu cartão amarelo (o segundo dele na Copa, suspendendo-o em caso de classificação).

Aos 28' aconteceu algo inusitado: se 7 minutos antes Tanaka era atingido por Kawashima, dessa vez foi o zagueiro que acabou dando encontrão no goleiro. Mas, felizmente, tudo bem com ambos.

Martino sentia o melhor momento do Japão no jogo e promoveu a 2ª substituição na sua seleção, tirando o volante Ortigoza e colocando o meia Édgar Barreto, aos 30 minutos.

3 minutos após a mexida, Valdez passou para Barreto, que chutou de fora e Kawashima encaixou.

Com 35 minutos, Okada respondia ao técnico paraguaio: sai Yuki Abe e entra Kengo Nakamura (não confundir com o camisa 10 Shunsuke Nakamura).

Na marca de 41 minutos, Komano tinha a bola pelo lado direito de ataque mas eis que surge uma segunda Jabulani no gramado, forçando o árbitro a interromper o jogo e reiniciar com bola ao chão. Por "fair play", o Paraguai devolveu a posse.

A última chance do tempo regulamentar foi japonesa: em lance de bola parada, formou-se uma aglomeração na área de Justo Villar aos 46 minutos. Veio o levantamento da direita, deu-se um desvio no meio da área e Tanaka esticou a perna direita tentando completar ao gol, mas não conseguiu alcançar.

Equipes buscam o gol no primeiro tempo da prorrogação

O reinício do jogo após o término do tempo regulamentar teve uma agitação que sugeria a intenção de ambas as seleções em definir a classificação antes das penalidades.

Com 35 segundos, Nakamura recebe bola na direita, põe a bola na área com chute cruzado rasteiro e Antolín Alcáraz corta.

Aos 3 minutos, Martino promoveu a 3ª substituição paraguaia trocando de atacante: Santa Cruz por Óscar Cardozo. No minuto posterior, Valdez passa pra trás, a bola é levantada na área e Barrios nem precisa tirar os pés do chão para cabecear, mas a bola vai direto para defesa de Kawashima.

O Paraguai parecia conseguir, finalmente, conciliar a maior posse de bola (então 70%) com objetividade. Aos 6 minutos, Morel tem a bola pelo lado esquerdo e vai avançando com ela dominada, centralizando a jogada e passando para Valdez, que recebe, se estica para finalizar e chuta para nova defesa de Kawashima, bem no bloqueio.

O Japão respondeu 2 minutos depois em cobrança de falta: Honda bate de três-dedos e o chute cruzado é espalmado por Villar. Com 10', levantamento a partir do lado esquerdo de ataque paraguaio, ninguém finaliza nem ninguém afasta e Barreto tenta marcar dando uma puxada na bola, que vai na rede pelo lado de fora, pouco acima do travessão.

Segundo tempo da prorrogação se resume a vai-e-vem de jogadores em diversos chuveirinhos originados em cobranças de falta

Okada mexeu pela última vez no intervalo, colocando Keiji Tamada no lugar de Okubo - atacante descansado no lugar de atacante exausto.

Se com a bola rolando ninguém arrumava nada, a partida passou a se resumir em idas e vindas de zagueiros para as áreas em lances de bola parada: visando ora fazer o gol da classificação ora defender-se da investida adversária.

Aos 3', Morel levanta praticamente do meio-campo, o cabeceio chega ao gol sem força e Kawashima encaixa. Aos 5', escanteio para o Paraguai pelo lado direito, Da Silva sobe com Hasebe, chega na bola com a nuca e a redonda sai à direita. Com 7' era a vez do Japão, na mesma jogadinha levantada: Endo cobra aberto pro lado esquerdo e Tanaka testa para fora. Ainda com 7 minutos, Endo deu carrinho em Vera e recebeu um amarelo que o tiraria da seqüência da Copa por suspensão automática.

Na marca de 10 minutos, a melhor jogada da prorrogação: contra-ataque japonês pela esquerda, Tamada passa para Okazaki, que devolve de calcanhar e desmonta a defesa paraguaia - Tamada alça na área, mas ninguém aparece para completar ao gol que estava aberto. Com 12', Riveros faz o domínio e leva a mão à bola, recebendo o único cartão amarelo de sua equipe, o 5º e último do jogo.

Nas penalidades, 9 chutes, 8 gols e um travessão no caminho do Japão

Para melhor entender as cobranças, considere o gol dividido em 15 quadrantes: de 1 a 5 na fileira horizontal superior (1 para o ângulo esquerdo, 5 para o ângulo direito), de 6 a 10 a fileira horizontal que caracteriza o chute dado à meia-altura (6 para o canto esquerdo, 10 para o canto direito) e de 11 a 15 para as cobranças rasteiras (11 para o canto esquerdo e 15 para o canto direito). Os chutes no meio do gol seriam nos quadrantes 3 (alto), 8 (meia-altura) e 13 (rasteiro). Quando me referir ao movimento do goleiro para esquerda ou direita é em relação ao próprio goleiro e não ao cobrador.

Barreto mandou no quadrante 11 - Kawashima foi nela mas não alcançou;
Endo, mostrando serenidade antes da cobrança, mandou no quadrante 10 - Villar foi pro outro lado;
Barrios chutou no quadrante 15 - Kawashima chegou perto da bola;
Hasebe cobrou no quadrante 6 - Villar foi pra lá mas não alcançou;
Riveros mandou no quadrante 14 - Kawashima saltou pra direita;
Komano carimbou o travessão na altura do quadrante 2;
Valdez chutou com força no quadrante 3 - Kawashima pulou pra direita;
Honda converteu no quadrante 13 - Villar deslocou-se pra esquerda;
Cardozo mandou no quadrante 11 - Kawashima foi pra esquerda.
Cardozo converte a última penalidade, colocando o Paraguai nas quartas-de-finais pela primeira vez na história das Copas.

domingo, 20 de junho de 2010

Soberano No Jogo, Paraguai Vence E Vê Vaga Perto

A ousadia do técnico argentino Gerardo Martino ao escalar o Paraguai com 3 atacantes aliada à atuação absolutamente apagada de Marek Hamsik foram dois dos fatores que ajudaram a construir mais uma vitória sul-americana nessa Copa do Mundo 2010. Contando com uma aplicação tática e disposição impressionantes por parte de Enrique Daniel Vera Torres, os paraguaios não tiveram dificuldades em superar os eslovacos e chegam na última rodada podendo empatar com a Nova Zelândia que mesmo assim avançam para a próxima fase. A Eslováquia, por sua vez, terá de vencer a Itália para seguir na competição. Mas não será com o futebol apresentado hoje que conseguirão esse feito.

O jogo

Aos 2 minutos, Roque Santa Cruz - novidade entre os titulares, tendo entrado no 2º tempo na partida de estréia - chutou de perto da área, a bola desviou em Peter Pekarík e depois foi espalmada por Jan Mucha.

Aos 17', Claudio Marcelo Morel Rodríguez cobrou falta levantando a bola na área e Antolín Alcáraz Viveros, autor do gol paraguaio na estréia com os italianos, quase alcançou. No minuto seguinte, Cristian Miguel Riveros Núñez chegou chutando de fora da área, para nova defesa do goleiro Mucha.

Com 22 minutos, bonita jogada paraguaia: Justo Wilmar Villar Viveros chuta forte e acaba fazendo lançamento que chega em Lucas Ramón Barrios Arioli. O camisa 19 passa de calcanhar para Vera, recebe de volta, avança e chuta perto do ângulo esquerdo. Aos 24 minutos, Nelson Antonio Haedo Valdez recebe e, mesmo marcado por dois adversários, não se intimida, faz a finta e chuta cruzado, à esquerda.

O domínio paraguaio e o acúmulo de chances foi traduzido em gol aos 27 minutos. Após bola recuperada no campo de ataque, Barrios foi acionado e deu lindo passe para Vera chutar no canto direito, antes da chegada de Jan Durica.

A única chance eslovaca na primeira etapa rendeu uma bronca por parte do goleiro Villar, que não gostou da defesa ter permitido o cabeceio adversário após cobrança de escanteio, em bola que saiu por cima, aos 36 minutos. 2 minutos depois, a Eslováquia volta a vacilar em troca de passes no campo de defesa, Vera leva a melhor na dividida com Kornel Salata e Mucha acaba salvando com o pé direito uma finalização frontal de Roque Santa Cruz.

O segundo tempo veio sem qualquer substituição e a Eslováquia seguia sem oferecer perigo, apesar de ter 51% da posse de bola. A única coisa de diferente que aconteceu na primeira metade da segunda etapa foi a entrada dura de Vladimir Weiss em Roque Santa Cruz, aos 20', com o árbitro Eddy Maillet deixando o jogo seguir. Depois, uma substituição para cada lado: aos 22', Valdez por Aureliano Torres; e aos 24', Stanislav Sestak por Filip Holosko.

Com 26 minutos, Roque Santa Cruz recebeu passe de Torres, cruzou para trás e Vera apareceu para cabecear rente à trave direita. No minuto seguinte, Torres recebeu na esquerda, avançou e chutou por cima.

Se a Eslováquia não chegava no ataque, pelo menos conseguiu uma jogada de efeito no campo de defesa, quando aos 34 minutos Weiss limpou o lance com um 360º ao estilo Zinedine Zidane. Seguiram-se mais duas substituições, novamente uma para cada lado: Barrios por Óscar René Cardozo Marín e Salata por Miroslav Stoch.

Aos 40 minutos, bola parada a favor dos paraguaios. Após o levantamento na área, Paulo César da Silva Barrios "roubou" a bola do companheiro Cardozo, mas sabia o que estava fazendo: rolou atrás para Riveros, que, da entrada da área, deu chute colocado no canto direito para fazer 2a0.

Com o jogo resolvido, Martino fez sua 3ª substituição aos 42': Vera, o melhor jogador em campo, saiu para dar lugar a Édgar Osvaldo Barreto Cáceres. Nos acréscimos, o "espectador privilegiado" Villar foi convidado a mostrar serviço: Robert Vittek recebeu no comando de ataque, arrumou pro pé direito e chutou de fora para bonita defesa do goleiro.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Arbitragem Omissa E Bola Parada Marcam Itália E Paraguai

Italianos e paraguaios fizeram o 2º duelo que colocou europeus e sul-americanos em lados opostos. E, a exemplo de França e Uruguai, a partida terminou empatada. Sem conseguirem arrumar grandes coisas com a bola rolando, ambas as seleções fizeram a festa de suas torcidas em lances de bola parada, que decretaram o 1a1 no placar.

Logo com 24 segundos de partida, o mexicano Benito Archundia deu sinais de que não é um árbitro que zela pela integridade física dos atletas: Riccardo Montolivo sofreu entrada violentíssima e o cidadão encarregado da responsabilidade de apitar o jogo sequer assinalou falta. Talvez em represália a essa complacência com a violência, a partida passou a ser contemplada com uma chuva que precipitava dos céus.

O jogo seguiu truncado e pegado até os 18 minutos, quando Paulo César da Silva Barrios acompanhou Alberto Gilardino e o impediu de alcançar o cruzamento realizado por Gianluca Zambrotta, mostrando que a marcação paraguaia seria implacável, no melhor estilo italiano.

Aos 21', Enrique Daniel Vera Torres errou na saída de bola e com o agravante de ser o último homem. Montolivo recuperou, avançou, mas acabou chutando sem força suficiente para superar o goleiro Justo Wilmar Villar Viveros. Aos 22' o Paraguai chegou bem, mas o chute de Aureliano Torres saiu prensado no gramado e saiu ao lado da trave esquerda. Aos 23' a Itália chegou mais uma vez: Simone Pepe levantou na área, a defesa paraguaia afastou, Claudio Marchisio recuperou pelo flanco esquerdo e novamente a bola foi levantada na área, mas o cabeceio de Gilardino foi para fora.

Se o negócio é levantar na área, então o Paraguai mostrou para a Itália como é que se faz. Aos 38', o juíz inventou falta a favor da equipe sul-americana, em lance que Giorgio Chiellini era absolutamente inocente na queda de Nelson Antonio Haedo Valdez. Torres fez a cobrança com precisão e mais preciso ainda foi o salto e o cabeceio de Antolin Viveros Alcáraz, que colocou a Jabulani fora de alcance para o goleiro, mesmo se tratando de Gianluigi Buffon. A bela imagem proporcionada pela câmera lenta mostrou que não houve erro de marcação da boa defesa italiana, pois Fabio Cannavaro e Daniele de Rossi também saltaram no lance - méritos para o cruzamento de Torres e a movimentação de Alcáraz, mas que seja colocado na conta de Archundia.

No intervalo, por motivos físicos, Marcello Lippi "queimou" uma substituição, trocando o goleiro Buffon por Federico Marchetti. A preponderância italiana na segunda etapa foi tamanha que Marchetti não seria exigido uma única vez. Tudo que o Paraguai criou de algum perigo aconteceu aos 6', aos 9' e aos 20': primeiro, Vera pegou a sobra de cobrança de escanteio isolando a bola; depois, o próprio Vera voltou a aparecer no ataque para pegar outra sobra e chutar perto; por último, Lucas Ramón Barrios foi até a linha-de-fundo e rolou para Jonathan Santana, que não conseguiu pegar bem na Jabulani. De resto, só Itália.

Aos 7', Zambrotta levantou na área e por pouco a bola não foi alcançada acrobaticamente por Pepe, que saltou do jeito que dava, sem sucesso. Com 10', imediatamente respondendo ao perigoso chute de Vera já mencionado, Montolivo tentou resolver em jogada individual, mas foi perdendo o equilíbrio e o chute foi tranqüilamente defendido por Justo Villar. 3 minutos depois, procurando melhor conexão entre meio e ataque, Lippi trocou Marchisio por Mauro Germán Camoranesi. Bastou 1 minuto em campo para Camoranesi dar belo cruzamento para a área, mas Villar chegou na redonda antes de Pepe, que fatalmente faria o gol. No minuto seguinte, Gerardo Daniel Martino decidiu mexer no time e colocou Santana no lugar de Torres.

Com 16 minutos, eis que surge o primeiro cartão amarelo das mãos de Archundia: Victor Javier Cáceres deu violento carrinho em Montolivo, justificando inclusive uma expulsão.

1 minuto depois, o gol de empate. Se não vai com a bola rolando, dá-lhe escanteio. Pepe partiu pra cobrança, cruzou fechado e Villar não achou nada. De Rossi mostrou grande reflexo e esticou a perna para colocar a bola no fundo do gol e deixar tudo igual.

Entre o minuto 23 e o 30, ambos os técnicos decidiram colocar sangue novo no setor de ataque. Martino trocou Valdez por Roque Santa Cruz (23') e Barrios por Oscar Cardozo (30') enquanto Lippi colocou Antonio di Natale no lugar de Gilardino, aos 27'. Nesse meio tempo, nada foi criado, mas Camoranesi não "perdeu viagem" ao atingir Vera, em velocidade, e também levar o amarelo.

Aos 34', Pepe conduziu a bola e, ciente da dificuldade em penetrar na zaga paraguaia, chutou de fora, para defesa de Villar. 3 minutos mais tarde foi a vez de De Rossi rolar para Montolivo que, da intermediária, deu bonito chute: Villar mergulhou para espalmar em escanteio.

No minuto seguinte, Camoranesi, pendurado com o cartão amarelo, deu carrinho por trás. Archundia marcou a falta mas o camisa 16 seguiu em campo.

Com o resultado e o desempenho apresentados, a Azzurra dá fortes sinais de que, embora com o espírito de campeã, necessitará de algo mais para defender o caneco. A presença de Andrea Pirlo, atualmente contundido, seria um grande passo nessa direção. De toda forma, com a escassa criatividade do setor de meio-campo, parece injustificável a não-convocação de atletas do calibre de Alessandro Del Piero e Francesco Totti.