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segunda-feira, 23 de junho de 2014

Espanha À La Espanha: Uma Despedida Nostálgica Na Copa 2014

Muitos poderão não dar o devido valor a essa data, mas carrego comigo a nítida impressão de que 23.06.2014 trata-se de um momento na história do futebol que trará influências significativas para os anos que virão. Foi precisamente nesse dia, por volta das 15h, em Curitiba, que se encerrou a participação da seleção espanhola na Copa do Mundo 2014. Uma campanha abreviada pelas derrotas para Holanda e Chile, que causaram surpresa entre os analistas em geral e gerou mal-estar no elenco espanhol em particular. Mas tudo isso deve ser esquecido. Em nome do futebol, que fique registrado cada bom momento que a Espanha proporcionou e ainda proporcionará com a sua filosofia de jogo baseada na posse de bola. O momento é de realizar ajustes já pensando na Eurocopa 2016, mas mais do que isso: pensando na perpetuação de um estilo, o que se dará através de renovações e aperfeiçoamentos. Estilo esse que já se mostrou viável e eficiente. Que é maior do que a cultura do resultado. E que percorreu longas, incríveis e vitoriosas jornadas para ser derrubado com dois tropeços.

O jogo com a Austrália foi marcado por momentos de emoção, como quando David Villa foi substituído e flagrado às lágrimas no banco de reservas - era a despedida de um dos ícones de uma era vitoriosa, cujo ápice foi o título mundial em 2010, quando o camisa sete teve participação destacada. Meus mais respeitosos cumprimentos e gratidão ao Villa por ter jogado nessa Espanha, a qual tive o privilégio de assistir.

O jogo com a Austrália foi marcado por momentos de recordação, pois ver a excelência do desempenho de Andrés Iniesta com a performance igualmente encantadora de Villa fez lembrar dois, quatro, seis anos atrás. Villa distribuiu umas cinco jogadas de efeito só no primeiro tempo. Numa delas, recebeu cruzamento de Juanfran e abriu o placar no Paraná com um golaço de letra. Villa se escreve com cinco letras, digamos que cada uma para um grande lance da fera, que já deixa saudade.

O jogo com a Austrália foi marcado por momentos de reflexão sobre o futuro, o que ficou sugerido ao se ver um jovem da qualidade de Koke desempenhando função em campo muito similar a de um tal Xavi Hernández. Possivelmente seja Koke o sucessor de Xavi na seleção espanhola.

Fernando Torres foi um personagem que juntou quase tudo ao mesmo tempo: trouxe emoção, porque lembrar dele faz lembrarmos de seu companheiro Villa; trouxe recordação, porque vê-lo atuar em grande nível leva a ótimas lembranças de seu auge tanto nos clubes por onde passou quanto pela própria Fúria; e trouxe reflexão sobre o futuro, pois fica aquela dúvida cruel de se o ciclo de El Niño está encerrado ou se ainda seremos agraciados com seu talento por mais alguns anos. O desempenho diante dos australianos é um convite à segunda opção. Sua capacidade técnica, uma intimação.


Foi disparada a melhor atuação da Espanha em solo brasileiro nesse Mundial. Os erros na defesa vistos nas duas rodadas iniciais não se repetiram - a começar pelo seguro goleiro Pepe Reina, que qualificou a saída de bola com os pés. As entradas de Juan Mata, Francesc Fàbregas e David Silva no segundo tempo tornaram a Espanha ainda mais incisiva, sempre com a participação ativa e decisiva do brilhante Iniesta. Foi dele o ótimo passe à la Iniesta para a finalização de Torres à la Torres. Era a Espanha à la Espanha! Após assistência de Fàbregas, Mata fechou o placar. E espero que as portas da seleção espanhola se mantenham abertas para essa proposta. O mesmo público que hoje gritou "eliminado", em provocação hostil, poderá um dia olhar para trás e pensar que poderia ter reagido de maneira diferente quando teve a oportunidade mística e mágica de assistir a Espanha nas arquibancadas de seu país de nascimento numa Copa do Mundo. Se eu estivesse lá no estádio, aplaudiria de pé. Pensar e projetar a Espanha me traz emoção e não tem preço nem nacionalidade essa gratidão. Valeu, Villa! Valeu, Xavi! Valeu, Espanha!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Equipe E Jogada Da Semana

No Campeonato Espanhol, um time de reservas não apenas cumpriu tabela diante do Málaga como encerrou a triunfante campanha tricampeã nacional com uma vitória por 3a1. Mas o melhor ficou guardado para o sábado, dia 28 de maio de 2011. Na final da Liga dos Campeões da Europa, o Barcelona fez diante do Manchester United aquilo que fizera diante de Real Madrid na fase semifinal, de Shakhtar Donetsk nas quartas, de Arsenal nas oitavas, e de qualquer um com quem tenha dividido um gramado futebolístico ao longo da temporada: jogou um futebol do mais alto nível. Para coroar uma temporada mais uma vez magnífica, para um clube que entra para a história do esporte mundial como sendo talvez o melhor de sua modalidade. Mas o melhor de tudo é que na próxima temporada tem mais Barcelona de Josep Guardiola, Lionel Messi e (ótima) companhia. Viva o futebol!

Jogada da semana

Gostaria de escolher um dos gols da decisão européia. Foram quatro belos gols, cada um com seu encanto. O de Pedro Rodríguez, abrindo o placar, veio após passe sensacional de Xavi Hernández. O de Wayne Rooney, empatando a partida, deu-se após um chute certeiro no canto direito (embora tenha havido impedimento no lance). O de Lionel Messi, desempatando o jogo, veio para coroar o melhor jogador do mundo na atualidade, que marcara seu primeiro gol em solo inglês justo numa final continental em Wembley. Mas o melhor - pelo menos no meu julgamento - ficou guardado para o final: o último gol da competição, marcado por David Villa. Reveja quantas vezes quiser a finalização desse baita atacante espanhol, goleador da Copa do Mundo 2010 (o da Liga dos Campeões foi Messi).

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Iker Casillas E David Villa Garantem A Espanha


A exemplo de quando empatara na estréia diante da Itália, o Paraguai apresentou um futebol altamente competitivo, de muita pegada, minimização dos espaços e paciência para tentar decidir o jogo num contra-ataque bem sucedido. O diferencial da retranca paraguaia em relação à suíça e à portuguesa é que os sul-americanos exerceram uma marcação por pressão que tinha início já no campo de ataque. Os comandados de Gerardo Martino levaram tais orientações ao limite de suas forças, engrossaram a partida diante da Espanha e poderiam, inclusive, terem saído do estádio Ellis Park com a classificação. Mas o talento de David Villa, artilheiro da Copa com 5 gols, fez a diferença no final.

Espanha com mais de 60% da posse, mas a maior ameaça na primeira etapa foi paraguaia

Tão logo o árbitro guatemalteco Carlos Batres iniciou a partida, ficou perceptível que o Paraguai não iria se sujeitar a aceitar o bom toque de bola espanhol. Os sul-americanos começaram o jogo marcando a saída de bola européia e já tiveram uma chance com 1 minuto de bola rolando: após arremesso lateral, Óscar Cardozo ajeita escorando de cabeça, Jonathan Santana chuta e Iker Casillas defende.

Com 6 minutos, David Villa recebe de Xavier Hernández, rola atrás, Xabier Alonso chuta e ganha escanteio. Após a cobrança pelo lado direito, Xabi Alonso levanta, Paulo Da Silva desvia para fora mas o árbitro Carlos Batres marca tiro-de-meta.

A seleção espanhola dava mais chutões do que em todos os 4 jogos anteriores, mostrando o sucesso da empreitada paraguaia em dificultar a saída dos comandados de Vicente Del Bosque, inquieto na área técnica.

Aos 8 minutos, Victor Cáceres cruza da direita e encontra Cristian Riveros livre na área, mas o cabeceio sai por cima. 2 minutos depois, Claudio Morel Rodríguez cobra falta direto, de longe, e isola a bola.

Na marca de 11 minutos, bela jogada espanhola. Mas veja você: era um lance de recuperação da posse de bola. Gerard Piqué desarma Nelson Haedo Valdez próximo da lateral direita com um carrinho limpo, levanta-se e sai jogando sem deixar a bola sair.

Com 14', Santana choca-se com um adversário e sangra pelo nariz. Tudo bem com o paraguaio, que saiu de campo basicamente para trocar a camisa e cuidar do ferimento.

Aos 16 minutos, Sergio Ramos cruza da direita, Morel Rodríguez resvala, Villar tira espalmando e Xabi Alonso pega a sobra chutando de perna trocada, mas manda longe da meta.

4 minutos depois, Morel cobra falta pelo lado direito, pouco a frente da linha que divide o campo, põe na área a Antolín Alcáraz não alcança.

Na marca de 25', Villa vai à linha-de-fundo, cruza rasteiro e Alcáraz chuta para escanteio. 3 minutos depois, Xavi Hernández recebe de Joan Capdevila, dá uma levantadinha e chuta encobrindo Villar, com a bola descaindo pouco depois do travessão.

Com 33 minutos, Casillas repõe com a mão e coloca no peito de Capdevila além do meio do campo, Villa recebe, abre na direita com Andrés Iniesta, que cruza à meia-altura mas ninguém completa.

No minuto seguinte, Nelson Valdez abre na esquerda com Morel, que avança e cruza à meia-altura, mas Santana não consegue alcançar. Mais um minuto passado e a Espanha retorna ao ataque: Xavi abre na esquerda com Villa, que chuta de fora e manda à direita do gol.

A Espanha tinha 61% da posse de bola, mas não conseguia um único chute na direção do gol - os paraguaios, bem na marcação, passaram a se assanhar nos instantes finais da primeira etapa.

Aos 40 minutos, levantamento da direita atravessa a área espanhola e chega em Valdez, que estufa a rede. Porém, a arbitragem interpretou que o salto de Cardozo, no meio da área e sem encostar na bola, caracterizaria participação no lance em posição de impedimento, anulando a jogada.

5 minutos depois, Valdez recebe na esquerda, encara a marcação de Carles Puyol carregando a bola e chuta para fora.

Pênaltis incendeiam a partida na segunda etapa e o final é dramático

Com 1 minuto, bola esticada para Valdez e Casillas recolhe.

Na marca de 5 minutos, a primeira bobeada da defesa paraguaia: Morel e Alcáraz se atrapalham em lance aparentemente sob controle, Villa chega na bola mas acaba não conseguindo efetuar o cruzamento.

Vocês viram em algum momento o termo "Fernando Torres" nessa postagem? O camisa 9 até se esforçava, fazia deslocamentos para participar, mas a realidade é que a postura paraguaia dificultava seu jogo. Vicente Del Bosque também fez essa leitura da partida e, aos 10 minutos, trocou "El Niño" pelo camisa 10 Francesc Fàbregas, aumentando a criatividade no setor de meio-campo.

Aos 12 minutos, escanteio pelo lado esquerdo de ataque paraguaio, a bola viaja e Piqué puxa o braço de Cardozo. O flagrante rendeu uma penalidade máxima e cartão amarelo para o zagueiro. Na cobrança, Cardozo - que convertera a penalidade derradeira nas oitavas-de-final - parou em defesa de Casillas.


Casillas defende a cobrança de Cardozo. Houve invasão de área, mas o jogo seguiu.

Sem muita demora, a Espanha foi ao ataque: Villa partiu com a bola em direção ao gol até ser derrubado por Alcáraz dentro da área: pênalti e cartão amarelo para o zagueiro, que estava na condição de último homem. O cronômetro marcava 15 minutos quando Alonso convertia a cobrança no quadrante 6 e Justo Villar caía para o canto esquerdo. Mas, denunciando invasão espanhola, Carlos Batres ordenou que se repetisse a cobrança. Detalhe: no pênalti paraguaio houve invasão até mais acentuada. Então, aos 16', Alonso retorna para a marca de cal: dessa vez, chutou rasteiro no canto direito e Villar saltou conseguindo espalmar. No rebote, Cesc Fàbregas chega na bola, dribla Villar e é agarrado nas canelas pelo goleiro, sendo derrubado em pênalti ignorado por Batres. Na seqüência, Da Silva consegue afastar próximo da linha final um chute que tinha o endereço da rede.


Instantes após defender a cobrança de Alonso (14), Villar derruba Fàbregas mas a nova penalidade é ignorada pela arbitragem.

Com 17', Iniesta recebe na esquerda da área, chuta cruzado e Villar espalma. No minuto seguinte, a primeira substituição de Martino: Édgar Barreto por Enrique Vera.

Na marca de 24 minutos, Capdevila cruza rasteiro da esquerda e Iniesta, da meia-lua, manda de primeira, por cima do travessão. 2 minutos depois, Xavi cobra falta da esquerda e Villar vai além da trave para dar um tapa em escanteio.

Aos 27 minutos, mudança no ataque paraguaio: Valdez sai e quem entra é Roque Santa Cruz.

O momento espanhol era superior e o gol ia amadurecendo. Com 29', Fàbregas bloqueia uma bola que seria afastada pela defesa paraguaia e Xavi pega a sobra de primeira, pondo à direita do gol. No mesmo minuto, Del Bosque resolveu colocar velocidade e poder-de-fogo, fazendo uma troca interessante: Alonso por Pedro Rodríguez.

Na marca de 33 minutos, Capdevila faz o cruzamento, a bola passa por dois paraguaios mas também por Villa.

Aos 37', o gol. Iniesta recebe, passa por dois adversários e cria um clarão na defesa paraguaia: o camisa 6 rola caprichosamente para Pedro na direita, que chuta cruzado e carimba a trave direita. No rebote, Villa tem à sua frente a baliza aberta com Da Silva situado entre as traves: o camisa 7 chuta colocado, acerta a trave esquerda, a bola percorre a linha-de-fundo sob os olhares de Da Silva, beija a trave direita e vai para a rede. Dificilmente poderia ser mais chorado.

David Villa no lance do gol da partida: a bola foi nas duas traves antes de cruzar a linha final.

No minuto posterior, uma troca para cada lado: Puyol por Carlos Marchena e Cáceres por Lucas Barrios.

Com 39 minutos, Villa pega bola rebatida após chute de Iniesta e chuta perto do ângulo esquerdo. Na marca de 43', os atacantes paraguaios que entraram no segundo tempo tiveram a chance de empatar a partida: Barrios recebeu pela direita, chutou firme, Casillas rebateu, Santa Cruz pegou o rebote e soltou o pé, parando em defesa salvadora do camisa 1 espanhol.

Aos 44', contra-ataque da Espanha pela direita, Pedro centraliza com Villa, que chuta cruzado e Villar defende. Com 47 minutos, Santana e Ramos vão disputar uma bola à meia-altura - o paraguaio levanta a perna e o espanhol abaixa a cabeça. Resultado: canelada no rosto, sangue, faixa para estancar e segue o jogo rumo ao apito final de uma classificação suada, sangrada e sofrida, onde o melhor time avançou mais uma vez.

terça-feira, 29 de junho de 2010

A Festa É Espanhola, Com Certeza

Jogando o bom futebol que apresenta ao mundo desde os tempos da Eurocopa 2008, a Espanha encarou a retranca portuguesa, rodou a bola, buscou alternativas e marcou com o artilheiro David Villa - em posição de impedimento - o gol da classificação para a fase de quartas-de-final. Portugal despede-se da Copa com esse único gol sofrido.

Espanha começa arrasadora, pára em Eduardo, e Portugal cresce aos poucos

Com 1 minuto de bola rolando, Fernando Torres recebe na esquerda, bate cruzado à meia-altura e o goleiro Eduardo Carvalho espalma. No minuto seguinte, David Villa recebe também pelo lado esquerdo, carrega, chuta cruzado e rasteiro, mas Eduardo espalma mais uma vez.

Aos 5 minutos, Torres recebe lançamento no flanco direito, domina no peito e parte pra cima da marcação de Fábio Coentrão: o camisa 9 dá uma meia-lua no ala-esquerdo e o português vai ao corpo do espanhol, em lance de pênalti que o árbitro argentino Héctor Baldassi ignorou.

Na marca de 6 minutos, Villa está com a bola pela esquerda, encara a marcação de Ricardo Costa e chuta rasteiro, parando em nova defesa do goleiro Eduardo, que rebate. 3 minutos depois, Tiago Mendes abre em diagonal para o lado direito visando a ultrapassagem de Ricardo Costa, o camisa 21 chega na bola mas não consegue levar vantagem sobre a defesa espanhola, com o cruzamento saindo fraco e tranqüilo para que Iker Casillas recolhesse.

Com 11 minutos, Xavi Hernández cobra curto um escanteio pelo lado direito, Torres recebe e já gira o corpo para chutar ao gol, mandando por cima do travessão. 5 minutos depois, Cristiano Ronaldo cobrou de forma direta uma falta pelo lado esquerdo e Casillas encaixou.

A Espanha seguia com a bola (62%), mas a intensidade dos minutos iniciais já não era mais vista. Aos 20 minutos, Fábio Coentrão carrega, dribla, passa de lado para Hugo Almeida, que rola para Tiago: camisa 19 chuta com força, Casillas espalma para o alto e ainda volta a intervir no lance evitando possível conclusão de Hugo Almeida.

Aos 27 minutos, Cristiano Ronaldo cobra falta da intermediária e Casillas rebate com o peito após armar-se para encaixar a bola. No minuto seguinte, Villa recebe na esquerda, passa por Ricardo Costa e manda uma bola fechada que cai na rede externa da baliza portuguesa.

Na marca de 38 minutos, Raul Meireles cruza da esquerda, Hugo Almeida dá leve desvio de cabeça e manda à esquerda do gol, tirando Joan Capdevila e Cristiano Ronaldo da jogada. 3 minutos depois, lançamento armando contra-ataque português, Simão Sabrosa surge sozinho e Casillas sai no tempo certo para afastar de carrinho. Com 42', a última chance da primeira etapa: Coentrão recolhe na esquerda, olha pra área e cruza para Tiago, que cabeceia à direita.

Jogo coletivo perfeito e talento individual são coroados no lance do gol

Aos 6 minutos, Hugo Almeida centra a partir da esquerda e Carles Puyol corta com a perna direita, mandando perto da trave esquerda, para susto e alívio espanhol em fração de segundo.

Na marca de 13 minutos, Vicente Del Bosque e Carlos Queiroz promovem as primeiras substituições na partida: Torres por Fernando Llorente e Hugo Almeida por Danny.

Com 15 minutos, Sergio Ramos dá boa enfiada de bola para Llorente, que finaliza com um peixinho frontal defendido brilhantemente por Eduardo. Ainda aos 15', Villa recebe na esquerda, ajeita e chuta rente à trave esquerda.

No minuto seguinte, jogada sensacional com o registro da filosofia de jogo da atual geração espanhola. São muitas trocas de passes nas proximidades da área portuguesa, com a bola circulando pelo gramado da Cidade do Cabo de pé em pé. Num determinado momento, a Jabulani chega em Andrés Iniesta, que passa com o corpo de lado para Xavi, que por sua vez entrega de calcanhar para Villa (adiantado alguns centímetros em relação ao penúltimo homem de defesa). O camisa 7 recebe, chuta, Eduardo rebate, a bola volta na fera e dessa vez não tem jeito: finalização pra dentro do gol, após dar um toquinho no travessão. É o 4º de Villa no Mundial, igualando-se no topo da lista de goleadores com o argentino Gonzalo Higuaín e com o eslovaco Róbert Vittek.

Aos 24 minutos, Iniesta abre na direita, Sergio Ramos chega e chuta cruzado - Eduardo espalma.

Sem esperar muito mais, Queiroz usa suas duas últimas substituições de uma vez: saem Pepe e Simão, entram Pedro Mendes e Liédson.

Na marca de 28 minutos do segundo tempo dessa oitavas-de-final, Xabi Alonso recebe o primeiro cartão amarelo espanhol na Copa do Mundo 2010 após carrinho em Pedro Mendes.

3 minutos depois, Villa chuta de fora pelo lado esquerdo e a bola chega firme e forte, rumo ao quadrante 2, sendo espalmada por Eduardo. Com 34', Tiago calça Villa e recebe o 2º amarelo da partida.

Aos 41 minutos, Villa lança do lado esquerdo para o centro encontrando Llorente, que manda um cabeceio rente à trave esquerda. No minuto seguinte, a 2ª subsituição de Del Bosque: Villa por Pedro Rodríguez.

Ainda na marca de 42 minutos, a defesa espanhola bloqueia bravamente chute cruzado do ataque português. No minuto seguinte, Portugal alça bola na área e, fora do tempo de disputa, Ricardo Costa atinge Capdevila com o cotovelo, sendo expulso pela agressão.

Daí pro final, a Espanha manteve-se segura mesmo quando sob pressão e saía jogando com a bola no chão. Com 47', Carlos Marchena foi convidado a participar da festa e entrou no lugar de Alonso.

Espanha E Portugal Navegam Ao Descobrimento

Duas nações que cruzavam oceanos séculos atrás na busca por riquezas de além-mar hoje estão aportadas na África do Sul. O objeto cobiçado por espanhóis e portugueses é dourado, mas não pode - ou pelo menos não deve - ser conquistado através da negociação com os nativos: para alcançar o troféu de campeão mundial, Espanha e Portugal precisarão jogar bola. Muita bola.

A partida de hoje na Cidade do Cabo, extremo sul de um continente explorado e colonizado pelos "desbravadores", reúne duas seleções de respeito no futebol internacional. A portuguesa conta com o talento de Cristiano Ronaldo para avançar às quartas-de-finais e tentar, pelo menos, repetir a boa performance obtida na Copa 2006, quando terminou em 4º lugar. A espanhola, atual campeã européia, conta com um elenco deslumbrante e tem todas as credenciais para buscar o título inédito.

Se futebol fosse uma ciência exata, ficaria à vontade para cravar um triunfo espanhol - e com boa margem de gols. Mas tudo se decide em 90 minutos (às vezes precisa-de de mais tempo) e, certamente, nem espanhóis nem portugueses trocariam o sonho da Copa do Mundo pelas especiarias da Índia nem pelo ouro da África. O que eles mais querem descobrir, atualmente, é o gosto de levantar a taça: o percurso tem a etapa de hoje e ainda outras 3, mas somente um sobreviverá para seguir a viagem pelos gramados sul-africanos. Retornar para as suas pátrias? Hoje não, obrigado.

Andrés Iniesta, David Villa e Cristiano Ronaldo são algumas das atrações da partida que fecha as oitavas-de-finais com chave-de-ouro.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Espanha Domina E Vence Com Dois De David Villa

A Espanha, mais uma vez, sobrou em campo. Porém, diferentemente da partida de estréia, do outro lado estava uma seleção com fragilidades defensivas perceptíveis. Houve também outro fator que fez a diferença: David Villa Sánchez. Inspirado nas jogadas individuais e servindo bem os companheiros, o camisa 7 compensou a fraca atuação de Fernando José Torres Sanz e, mesmo desperdiçando pênalti quando o jogo já estava resolvido, foi o melhor jogador no campo do estádio Ellis Park.

Honduras tornou-se a 3ª e última seleção a chegar na última rodada da fase de grupos sem chances de classificação. Mas, caso pontue diante da Suíça, poderá definir um novo rumo para o Mundial, classificando Chile e Espanha para a próxima fase. Em caso de nova derrota, a partida entre chilenos e espanhóis será nada mais, nada menos, que um confronto direto por vaga nas oitavas-de-finais. Como as seleções de mesmo grupo entrarão em campo simultaneamente, o jogo entre sul-americanos e europeus tem tudo para ser o duelo mais atraente de toda a primeira fase.

O jogo

Vicente del Bosque decidiu modificar duas peças em relação ao onze iniciais da estréia: Iniesta e David Silva deram lugar a Jesús Navas e Fernando Torres. O jeito de jogar, porém, era conservado e a Espanha foi pra cima desde o início.

Com 4 minutos jogados, David Villa já dava mostras do que viria pela frente: pelo lado esquerdo, deu bom passe para Fernando Torres. Mas o camisa 9, também dando mostras do que seria sua performance, chutou fraco para defesa de Noel Eduardo Valladares Bonilla.

Aos 6 minutos, Villa chutou de fora e a bola foi no travessão. Na marca de 8 minutos, Xavi Hernández Creus cobrou falta pela esquerda levantando a bola na área: Sergio Ramos García deslocou-se para receber e foi empurrado por Sergio Giovany Mendoza Escobar, mas a arbitragem do japonês Yuichi Nishimura não viu o pênalti.

As coisas aconteciam de 2 em 2 minutos: na marca de 10', novo levantamento de Xavi vindo da esquerda e Sergio Ramos dessa vez consegue chegar na bola, mas o cabeceio vai por cima do travessão. Na queda pela disputa no alto, o goleiro Noel Valladares chocou o rosto com o joelho do espanhol e precisou de atendimento. Felizmente, tudo bem.

Aos 13 minutos, Villa recebe inversão na esquerda, finta Mendoza e chuta para fora. Com 16', Honduras esboçou um ataque: tabela entre Walter Julián Martínez Ramos e Óscar David Suazo Velázquez, mas Iker Casillas Fernández saiu para interceptar. A resposta espanhola foi imediata: Gerard Piqué Bernabéu lançou Villa no lado esquerdo de ataque, o camisa 7 mostrou habilidade e objetividade ao passar entre Amado Guevara e Mendoza, cortou Osmán Danilo Chávez Guity e chutou colocado, cruzado, no alto, tirando do goleiro Valladares e marcando um golaço.

Na marca de 19 minutos, Villa driblou Mendoza e dessa vez foi derrubado. Falta que Xavi cobrou na cabeça de Ramos, mas o lateral havia empurrado Maynor Alexis Figueroa Róchez, em falta dessa vez flagrada pelo árbitro Nishimura. Aos 23 minutos, Jesús Navas González pega sobra e cruza certeiro para Xavi, que não alcança por uma questão de centímetros - talvez milímetros.

Com 32 minutos, Ramos dá meia-lua ("drible-da-vaca") pelo setor direito e cruza para Torres, que cabeceia para o chão e vê a bola sair por cima do travessão. No minuto seguinte, Torres recupera a posse após erro na saída de bola hondurenha, entra na área e chuta por cima.

Aos 39', Jesús Navas recebe de Xabier Alonso Olana e tenta servir Villa, mas a defesa hondurenha consegue cortar para escanteio. Um minuto depois, instalou-se um bate-boca na área hondurenha: com a bola parada, Emilio Arturo Izaguirre Girón pisou em Villa, que revidou com um tapa na face. Após alguma discussão, o jogo seguiu como se nada tivesse acontecido.

Na marca de 45', em contra-ataque, Villa recebeu com espaço pelo lado esquerdo, tocou para Torres na área e a finalização foi na marcação hondurenha, na última chance antes do intervalo.

Reynaldo Rueda voltou para a segunda etapa com uma substituição: o meio-campo Roger Espinoza Ramírez deu lugar ao atacante Georgie Wilson Welcome Collins. Perdendo um homem de meio para isolar mais um no ataque, Honduras estava condenada a ser (ainda mais) envolvida pelo bom toque de bola espanhol.

Aos 5 minutos, a Espanha encaixou belo contra-ataque para chegar ao 2a0: Xabi Alonso carregou a Jabulani e abriu na direita com Navas. Espanhóis e hondurenhos disputavam espaço na grande área e somente um cidadão teve a idéia de pedir a bola fora dela: Navas viu e passou a redonda para ele. Era David Villa, que, da meia-lua, chutou e contou com o leve desvio em Chávez para superar Valladares.

Aos 6', Sergio Ramos carrega, tem a opção de passar para Torres, mas prefere chutar ele próprio, à esquerda do gol. No minuto seguinte, Navas vai levando a bola para o centro, mas chuta onde estava posicionado o goleiro Valladares, que encaixa.

Com 9 minutos, Xavi inicia contra-ataque roubando bola na defesa e, perto da área hondurenha, recebe passe de calcanhar de Torres, abre na esquerda: Navas cruza mas a defesa hondurenha consegue mandar para escanteio.

Na marca de 15 minutos, Navas avança pelo lado direito e, dentro da área, interrompe a corrida, sendo calçado por Izaguirre - pênalti. Na cobrança, Villa manda a bola para o lado esquerdo, Valladares pula para o direito, mas a redonda vai fora, rente à trave.

Após o lance, a segunda substituição hondurenha: Danilo Elvis Turcios Funes por Ramón Fernando Núñez Reyes. 2 minutos depois, David Suazo carregou a bola pelo comando de ataque, teve opção de passe mas preferiu chutar, mandando à direita.

Aos 20', a primeira substituição pelo lado espanhol: entrou Francesc Fàbregas Soler no lugar de Xavi. E a entrada do camisa 10 deu nova dinâmica à Fúria: segundos após entrar em campo, recebeu bom lançamento, driblou o goleiro Valladares e chutou para o gol - Chávez tirou de carrinho. Na cobrança do escanteio, Cesc Fàbregas rolou curto para Navas levantar: a defesa hondurenha afastou e Ramos chutou a sobra de primeira, para novo escanteio após desvio.

Para imprimir ainda mais velocidade, Del Bosque tirou Torres e colocou Juan Manuel Mata García, aos 24 minutos. Aos 27', Navas passou para Mata, que tentou de fora e mandou por cima. 2 minutos depois, Villa abre na direita com Navas, pede de volta e Navas atende, mas o passe sai forte demais.

Com 31', a última mexida da Espanha foi uma troca na lateral direita: Ramos deu lugar a Álvaro Arbeloa Coca. A seleção espanhola tirou o pé do acelerador e passou a aceitar o jogo de Honduras. Ainda na marca de 31', Núñez chutou de fora e a bola foi à direita. Aos 36', Guevara cruzou e o cabeceio de Welcome foi à direita da meta. No minuto seguinte, uma chance para cada lado: Figueroa apareceu para desviar cruzamento vindo da esquerda e que tinha Villa como alvo; na seqüência, Mendoza cruzou na área e Arbeloa cabeceou para ceder escanteio.

Aos 38', a última substituição da partida foi de um atacante por outro: o camisa 11 Suazo deu lugar a Jerry Nelson Palacios Suazo, com a número 10.

Na marca de 41 minutos, Navas recebeu bola na direita, arrancou com ela dominada e serviu Villa, que dominou, chutou e viu Mendoza cortar no carrinho. 3 minutos depois, Mata passou para Alonso e receberia de volta, mas Valladares chegou antes e ficou com a bola.

Está concluída a 2ª rodada da 1ª fase da Copa do Mundo 2010.