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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Entrevista Com Marcos Timóteo

Conforme prometido no início desse mês de fevereiro de 2011 (quando este blógui completou 10 meses de inaugurado), aqui está a mais nova seção do Jogada De Efeito: uma área onde serão feitas entrevistas com pessoas que de alguma maneira tenham algum tipo de ligação com o futebol.

Com alegria e satisfação, venho com prazer anunciar que a "estréia" dessa série de entrevistas foi feita com o simpaticíssimo Marcos Timóteo Rodrigues de Sousa, preparador de goleiros, o qual tive oportunidade de conhecer recentemente através do blógui "Goleiros Mais Goleiros" e que aceitou prontamente participar desse espaço, concedendo gentilmente a entrevista. Uma curiosidade: para quem acredita em coincidência, fui descobrir depois da entrevista que, assim como eu, Marcos Timóteo também é formado em Geografia.

Espero que todos os eventuais leitores que passarem por esse presente tópico possam saborear essa breve conversa, que a mim possibilitou aprendizado como pessoa, como blogueiro e também como mero "curioso do futebol". Divirtam-se!

Apresentando o entrevistado

Nome: Marcos Timóteo Rodrigues de Sousa
Idade: 40 anos
Preparador de Goleiros das categorias de base do Flamengo de Guarulhos/SP
Professor da Faculdade Unicid e Uniban
Especializado em Fisiologia do Esporte
Trabalhou no AD Guarulhos e no Esporte Clube Itaúna/MG
Foi goleiro na década de 1980 nas categorias infantil e juvenil no Nacional e na Portuguesa em São Paulo
Administra o blógui "Goleiros Mais Goleiros" e faz trabalho de "personal trainner" com goleiros e lutadores (Jiu-Jitsu, Judô e Boxe)
Formado em Engenharia de Transportes pela Unicamp

A entrevista

Jogada De Efeito: Muitos analistas do futebol afirmam que o passe é o fundamento básico desse esporte. No trabalho como preparador de goleiros, quais são os atributos mais exigidos do atleta que está treinando?

Marcos Timóteo: Os atributos básicos são variações de defesas rasteira, meia-altura e alta. Cada tipo de defesa tem um tipo de fundamento que é treinado desde as categorias de base até o profissional. Para efetuar estes tipos de defesa é necessário que o goleiro tenha uma boa performance física e técnica. Quanto à questão do passe, acredito que todos os goleiros também devam ter um bom fundamento de jogadas com os pés. Atualmente a boa batida na bola na reposição não é mais um diferencial, e sim, fundamental para as pretensões de um goleiro.

Jogada De Efeito: Na Copa SP de Juniores, o Flamengo conquistou o título (2a1 sobre o Bahia) numa partida que ficou marcada pela grande atuação do goleiro César. Gostaria de saber quais foram os goleiros que mais lhe chamaram atenção na competição e onde eventualmente podem chegar a médio ou longo prazo.

Marcos Timóteo: Realmente o César é um goleiro diferenciado, com certeza ele terá boa carreira. Vários goleiros se destacaram, podemos citar os atletas do Desportivo Brasil, Vitória e América/MG, mas, posso especificamente apontar o goleiro Renan do Bahia, acredito que o clube deva apostar neste jovem atleta.
César, campeão com o Flamengo na Copa São Paulo de Juniores 2011: na visão de Marcos Timóteo, o goleiro terá uma promissora carreira pela frente.

Jogada De Efeito: Recentemente, o treinador Luiz Felipe Scolari deu declarações à imprensa elogiando o jovem goleiro Fábio, que está na base do Palmeiras e que, segundo Felipão, poderá se tornar um dos maiores goleiros da história do clube. Na sua opinião, esse tipo de comentário vindo do treinador da equipe principal desempenha um papel motivacional ou coloca pressão sobre o garoto? Aproveitando o embalo da pergunta, gostaria de saber se considera mais benéfico para um jovem goleiro ser reserva num time de maior expressão ou atuar regularmente em competições menos badaladas.

Marcos Timóteo: Com certeza, a motivação é um dos melhores remédios para o desempenho dos atletas. O goleiro do Palmeiras não pode se iludir e nem ficar apenas na motivação, ele deve trabalhar muito e ficar tranqüilo em relação às cobranças, todos os atletas devem ser cobrados e exigidos, se ele agüentar a pressão, estará pronto para assumir diversos problemas. Sobre a questão da reserva no grande time ou a titularidade em menores clubes penso da seguinte forma. Veja o exemplo do Lauro, atualmente no Internacional. Ele foi titular por um bom tempo na Ponte Preta e logo foi contratado pelo Cruzeiro. Não teve muitas oportunidades no clube mineiro, ou seja, por algum motivo não pode mostrar seu trabalho. Depois vi o Lauro jogando o campeonato paulista como titular do Sertãozinho, perfeito, ele veio para um time de menor expressão e teve paciência. Logo estava no Internacional como titular, perdeu a vaga e pode reconquistá-la. Este é um clássico exemplo de persistência e visão de profissional.
Lauro, hoje no Internacional: "é um clássico exemplo de persistência e visão de profissional".

JdE: Hoje o bom condicionamento físico é parte fundamental para o sucesso do atleta futebolístico. No último Campeonato Brasileiro, um único jogador de linha atuou nas 38 partidas da competição (o argentino Darío Conca, meio-campista do Fluminense e nomeado "Craque do Brasileirão"). Você acha que o calendário atual (que atende a uma demanda televisiva de dois jogos semanais, às vezes sob o sol escaldante do verão brasileiro) pode repercutir negativamente na saúde do atleta? Se sim, como reverter esse cenário?

MT: Realmente, o calendário do futebol brasileiro, em muitas ocasiões, atende aos anseios da televisão e dos anunciantes. Acredito que este tipo de entrave está muito longe das nossas mãos. Nossas que eu digo, preparadores, treinadores e atletas, pois, a briga lá em cima é muito forte. Para resolver este problemão a solução é ter um grande elenco. Um bom elenco com uma boa estrutura logística e médica. Infelizmente é uma das soluções mais rápidas.

JdE: Parece-me raro (mas posso estar enganado) ver um treinador de futebol que na carreira como jogador tenha atuado na posição de goleiro. Como explicar esse "fenômeno", tendo em vista que, pelo menos teoricamente, o goleiro é exatamente aquele indivíduo que assiste a partida de uma posição privilegiada, com a visão quase total do campo à sua frente.

MT: Vamos lembrar alguns nomes que estão em atividade: Leão, Sérgio Guedes, Geninho, PC Gusmão, Zetti, Veloso e Mazzaropi. Tem poucos ex-goleiros atuando em grande clubes como treinador. O goleiro tem uma boa visão de jogo e com grande freqüência sabe se expressar muito bem. Acredito que isso se deva a maior quantidade de atletas de linha em comparação com a quantidade goleiros. Outro fator é que boa parte dos ex-goleiros logo vão trabalhar como preparador de goleiros.

JdE: A pergunta que não podia faltar: quem são, na sua opinião, os melhores jogadores de cada posição na atualidade? Pode escalar o seu "time dos sonhos" com a tática que preferir.

MT: Um time dos "sonhos" ou um time "guerreiro" 4-4-2
Casillas, Maicon, Puyol, Lúcio e Bale. Van Bommel, Xavi, Iniesta e Messi. Neymar e Drogba.
Espanhol Iker Casillas, um dos destaques na Copa do Mundo 2010, é o goleiro titular na escalação de Marcos Timóteo.

Jogada De Efeito: Obrigadão, parabéns pelo trabalho e pelo ótimo blógui. Fique à vontade para deixar uma mensagem para os leitores e amantes do futebol.

Marcos Timóteo: As perguntas foram bem legais e isso faz com exercitamos o nosso cérebro. Além de divertido também faz parte da nossa profissão. Obrigado pela oportunidade e respeito. Parabéns e vida longa ao seu site/blog.

(entrevista realizada entre os dias 30 e 31 de janeiro de 2011)

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Iker Casillas E David Villa Garantem A Espanha


A exemplo de quando empatara na estréia diante da Itália, o Paraguai apresentou um futebol altamente competitivo, de muita pegada, minimização dos espaços e paciência para tentar decidir o jogo num contra-ataque bem sucedido. O diferencial da retranca paraguaia em relação à suíça e à portuguesa é que os sul-americanos exerceram uma marcação por pressão que tinha início já no campo de ataque. Os comandados de Gerardo Martino levaram tais orientações ao limite de suas forças, engrossaram a partida diante da Espanha e poderiam, inclusive, terem saído do estádio Ellis Park com a classificação. Mas o talento de David Villa, artilheiro da Copa com 5 gols, fez a diferença no final.

Espanha com mais de 60% da posse, mas a maior ameaça na primeira etapa foi paraguaia

Tão logo o árbitro guatemalteco Carlos Batres iniciou a partida, ficou perceptível que o Paraguai não iria se sujeitar a aceitar o bom toque de bola espanhol. Os sul-americanos começaram o jogo marcando a saída de bola européia e já tiveram uma chance com 1 minuto de bola rolando: após arremesso lateral, Óscar Cardozo ajeita escorando de cabeça, Jonathan Santana chuta e Iker Casillas defende.

Com 6 minutos, David Villa recebe de Xavier Hernández, rola atrás, Xabier Alonso chuta e ganha escanteio. Após a cobrança pelo lado direito, Xabi Alonso levanta, Paulo Da Silva desvia para fora mas o árbitro Carlos Batres marca tiro-de-meta.

A seleção espanhola dava mais chutões do que em todos os 4 jogos anteriores, mostrando o sucesso da empreitada paraguaia em dificultar a saída dos comandados de Vicente Del Bosque, inquieto na área técnica.

Aos 8 minutos, Victor Cáceres cruza da direita e encontra Cristian Riveros livre na área, mas o cabeceio sai por cima. 2 minutos depois, Claudio Morel Rodríguez cobra falta direto, de longe, e isola a bola.

Na marca de 11 minutos, bela jogada espanhola. Mas veja você: era um lance de recuperação da posse de bola. Gerard Piqué desarma Nelson Haedo Valdez próximo da lateral direita com um carrinho limpo, levanta-se e sai jogando sem deixar a bola sair.

Com 14', Santana choca-se com um adversário e sangra pelo nariz. Tudo bem com o paraguaio, que saiu de campo basicamente para trocar a camisa e cuidar do ferimento.

Aos 16 minutos, Sergio Ramos cruza da direita, Morel Rodríguez resvala, Villar tira espalmando e Xabi Alonso pega a sobra chutando de perna trocada, mas manda longe da meta.

4 minutos depois, Morel cobra falta pelo lado direito, pouco a frente da linha que divide o campo, põe na área a Antolín Alcáraz não alcança.

Na marca de 25', Villa vai à linha-de-fundo, cruza rasteiro e Alcáraz chuta para escanteio. 3 minutos depois, Xavi Hernández recebe de Joan Capdevila, dá uma levantadinha e chuta encobrindo Villar, com a bola descaindo pouco depois do travessão.

Com 33 minutos, Casillas repõe com a mão e coloca no peito de Capdevila além do meio do campo, Villa recebe, abre na direita com Andrés Iniesta, que cruza à meia-altura mas ninguém completa.

No minuto seguinte, Nelson Valdez abre na esquerda com Morel, que avança e cruza à meia-altura, mas Santana não consegue alcançar. Mais um minuto passado e a Espanha retorna ao ataque: Xavi abre na esquerda com Villa, que chuta de fora e manda à direita do gol.

A Espanha tinha 61% da posse de bola, mas não conseguia um único chute na direção do gol - os paraguaios, bem na marcação, passaram a se assanhar nos instantes finais da primeira etapa.

Aos 40 minutos, levantamento da direita atravessa a área espanhola e chega em Valdez, que estufa a rede. Porém, a arbitragem interpretou que o salto de Cardozo, no meio da área e sem encostar na bola, caracterizaria participação no lance em posição de impedimento, anulando a jogada.

5 minutos depois, Valdez recebe na esquerda, encara a marcação de Carles Puyol carregando a bola e chuta para fora.

Pênaltis incendeiam a partida na segunda etapa e o final é dramático

Com 1 minuto, bola esticada para Valdez e Casillas recolhe.

Na marca de 5 minutos, a primeira bobeada da defesa paraguaia: Morel e Alcáraz se atrapalham em lance aparentemente sob controle, Villa chega na bola mas acaba não conseguindo efetuar o cruzamento.

Vocês viram em algum momento o termo "Fernando Torres" nessa postagem? O camisa 9 até se esforçava, fazia deslocamentos para participar, mas a realidade é que a postura paraguaia dificultava seu jogo. Vicente Del Bosque também fez essa leitura da partida e, aos 10 minutos, trocou "El Niño" pelo camisa 10 Francesc Fàbregas, aumentando a criatividade no setor de meio-campo.

Aos 12 minutos, escanteio pelo lado esquerdo de ataque paraguaio, a bola viaja e Piqué puxa o braço de Cardozo. O flagrante rendeu uma penalidade máxima e cartão amarelo para o zagueiro. Na cobrança, Cardozo - que convertera a penalidade derradeira nas oitavas-de-final - parou em defesa de Casillas.


Casillas defende a cobrança de Cardozo. Houve invasão de área, mas o jogo seguiu.

Sem muita demora, a Espanha foi ao ataque: Villa partiu com a bola em direção ao gol até ser derrubado por Alcáraz dentro da área: pênalti e cartão amarelo para o zagueiro, que estava na condição de último homem. O cronômetro marcava 15 minutos quando Alonso convertia a cobrança no quadrante 6 e Justo Villar caía para o canto esquerdo. Mas, denunciando invasão espanhola, Carlos Batres ordenou que se repetisse a cobrança. Detalhe: no pênalti paraguaio houve invasão até mais acentuada. Então, aos 16', Alonso retorna para a marca de cal: dessa vez, chutou rasteiro no canto direito e Villar saltou conseguindo espalmar. No rebote, Cesc Fàbregas chega na bola, dribla Villar e é agarrado nas canelas pelo goleiro, sendo derrubado em pênalti ignorado por Batres. Na seqüência, Da Silva consegue afastar próximo da linha final um chute que tinha o endereço da rede.


Instantes após defender a cobrança de Alonso (14), Villar derruba Fàbregas mas a nova penalidade é ignorada pela arbitragem.

Com 17', Iniesta recebe na esquerda da área, chuta cruzado e Villar espalma. No minuto seguinte, a primeira substituição de Martino: Édgar Barreto por Enrique Vera.

Na marca de 24 minutos, Capdevila cruza rasteiro da esquerda e Iniesta, da meia-lua, manda de primeira, por cima do travessão. 2 minutos depois, Xavi cobra falta da esquerda e Villar vai além da trave para dar um tapa em escanteio.

Aos 27 minutos, mudança no ataque paraguaio: Valdez sai e quem entra é Roque Santa Cruz.

O momento espanhol era superior e o gol ia amadurecendo. Com 29', Fàbregas bloqueia uma bola que seria afastada pela defesa paraguaia e Xavi pega a sobra de primeira, pondo à direita do gol. No mesmo minuto, Del Bosque resolveu colocar velocidade e poder-de-fogo, fazendo uma troca interessante: Alonso por Pedro Rodríguez.

Na marca de 33 minutos, Capdevila faz o cruzamento, a bola passa por dois paraguaios mas também por Villa.

Aos 37', o gol. Iniesta recebe, passa por dois adversários e cria um clarão na defesa paraguaia: o camisa 6 rola caprichosamente para Pedro na direita, que chuta cruzado e carimba a trave direita. No rebote, Villa tem à sua frente a baliza aberta com Da Silva situado entre as traves: o camisa 7 chuta colocado, acerta a trave esquerda, a bola percorre a linha-de-fundo sob os olhares de Da Silva, beija a trave direita e vai para a rede. Dificilmente poderia ser mais chorado.

David Villa no lance do gol da partida: a bola foi nas duas traves antes de cruzar a linha final.

No minuto posterior, uma troca para cada lado: Puyol por Carlos Marchena e Cáceres por Lucas Barrios.

Com 39 minutos, Villa pega bola rebatida após chute de Iniesta e chuta perto do ângulo esquerdo. Na marca de 43', os atacantes paraguaios que entraram no segundo tempo tiveram a chance de empatar a partida: Barrios recebeu pela direita, chutou firme, Casillas rebateu, Santa Cruz pegou o rebote e soltou o pé, parando em defesa salvadora do camisa 1 espanhol.

Aos 44', contra-ataque da Espanha pela direita, Pedro centraliza com Villa, que chuta cruzado e Villar defende. Com 47 minutos, Santana e Ramos vão disputar uma bola à meia-altura - o paraguaio levanta a perna e o espanhol abaixa a cabeça. Resultado: canelada no rosto, sangue, faixa para estancar e segue o jogo rumo ao apito final de uma classificação suada, sangrada e sofrida, onde o melhor time avançou mais uma vez.