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domingo, 17 de dezembro de 2017

Análise Da Copa Do Mundo 2018 - Grupo C

Foi realizado no dia primeiro de dezembro o sorteio da fase de grupos para a Copa do Mundo 2018. Analisamos o grupo A e também o grupo B. Chegou a vez de dar alguns pitacos sobre o grupo C. Chave que reúne três seleções entre as doze primeiras do mundo na mais recente divulgação do ranqueamento da FIFA.

Grupo C: França, Austrália, Peru e Dinamarca.

França

Didier Deschamps, capitão da seleção campeã mundial em 1998, conta com uma geração especial. São muitos jogadores talentosos e que estão em ascensão nas suas carreiras. Além desse "material humano" qualificado, a França vai ao Mundial com a credencial de ter sido vice-campeã continental em 2016, numa campanha que, em alguns momentos, comprovou a qualidade técnica da equipe.

França: 9ª colocada no ranqueamento da FIFA.
Talvez o maior desafio do treinador seja saber manejar a jovialidade do elenco. Mbappé (18 anos), Coman (21) e Martial (22) são alguns dos nomes mais badalados na atualidade. E pra quem acha pouco, o potente setor ofensivo dos Bleus conta também com atletas do nível de Giroud, Griezmann e Lacazette. Ou seja, dá para montar diversas combinações de respeito no ataque francês.

A campanha nas Eliminatórias foi sólida: sete vitórias, dois empates e somente uma derrota num grupo que tinha a Suécia e a Holanda como principais rivais. Destaques para as vitórias sobre a Laranja: 1a0, em Amsterdã, e 4a0, em Paris.

Os dezoito gols azuis foram relativamente bem distribuídos: Giroud e Griezmann anotaram quatro; Gameiro, Lemar, Payet e Pogba marcaram duas vezes cada; Matuidi e Mbappé fizeram um. A defesa, aparentemente cada vez mais consistente, cedeu seis gols e foi a menos vazada na chave. Se Deschamps conseguir o ponto de equilíbrio (a meu ver, passa necessariamente pela interação de Matuidi e Pogba entre a marcação e a transição), não há limites para a França nessa Copa. É daquelas seleções que darão gosto de ver jogar.

Austrália

Do relativo amadorismo ao hábito de jogar mundiais: a Rússia-2018 será a quarta Copa do Mundo consecutiva da Austrália, que até então só havia participado em 1974. Nessa caminhada dos Socceros, o passo (leia-se salto de canguru) mais ousado foi possivelmente a filiação à Federação Asiática. Encontraram uma eliminatória mais difícil que a da Oceania mas de uma dificuldade acessível - e mais do que isso, capaz de impulsionar a seleção a um nível mais alto e que lhe trouxesse alguma perspectiva de competir diante de seleções mais tradicionais.

Austrália: 39ª colocada no ranqueamento da FIFA.
Não havendo nenhum nome destacável na nova geração, a realidade é que os australianos têm suas esperanças majoritariamente depositadas nos veteranos Jedinak (meio-campista capitão da equipe aos 33 anos de idade) e Tim Cahill (atacante, 38, e maior goleador na história da seleção com 50 gols).

Tomi Juric, um dos goleadores nas Eliminatórias Asiáticas com cinco gols, atua no futebol suíço e foi campeão na Liga dos Campeões da Ásia em 2014, quando vestia a camisa do Western Sidney Wanderers. Mathew Leckie, meio-campista autor de três gols e duas assistências nas mesmas eliminatórias, atua no Hertha Berlin, estando em sua sétima temporada no futebol alemão. E aí você pergunta: "beleza, quem desses daí resolveu as coisas na repescagem com a seleção de Honduras"? Resposta: nenhum deles, mas o trintão Jedinak, que marcou todos os três gols nos 3a1 em Sydney (a partida de ida havia terminado 0a0).

Peru

36 anos depois, o Peru está de volta a uma Copa do Mundo. Com tantos personagens que compuseram esse roteiro cinematográfico que terá suas próximas locações em território russo, há um protagonista a ser enaltecido: o técnico argentino Ricardo Gareca.

Peru: 11ª colocada no ranqueamento da FIFA.
Uma campanha consistente na Copa América. Uma surpreendente arrancada nas Eliminatórias Sul-Americanas. Uma partida fantástica no jogo de volta na Repescagem. Desde fevereiro de 2015, quando assumiu a seleção peruana após breve passagem pelo Palmeiras, o quatro vezes campeão argentino com o Vélez Sarsfield vem fazendo um trabalho excepcional com La Blanquirroja.

O cerebral Cueva, principal articulador de jogadas, tem sua tarefa facilitada graças às muitas opções de aproximação tanto pelo centro com Flores e Ruidíaz, quanto pelas beiradas - Advíncula e Polo pela direita, Trauco e Farfán pela esquerda. É um time que se movimenta bastante, que esbanja entrosamento e que "não aceita" a marcação adversária, sabendo dela se desvencilhar.

O primeiro tempo de partida com a Nova Zelândia, no estádio Nacional de Lima, foi uma aula tática. Com um detalhe: estava ausente o principal nome do futebol peruano, Guerrero, suspenso por uso de substância proibida. O atacante se defende e mantém esperanças de ser inocentado a tempo de reverter a ausência no Mundial (a atual punição de banimento por um ano impede sua participação na próxima Copa). Mas, Gareca conseguiu montar um time que não dependerá de Guerrero para jogar com classe e estilo. A torcida pela presença de Guerrero é mais por uma questão de justiça (a dopagem foi provavelmente por contaminação) do que por necessidade técnica/tática da equipe. E teria, a meu ver, um efeito muito mais moral do que esportivo.

Invicta há dez partidas, a seleção do Peru terá no jogo de estréia um confronto fundamental em suas pretensões no Mundial: a Dinamarca, em dezesseis de junho. Considerando o favoritismo francês e o fato da Austrália ser o adversário menos qualificado no grupo, essa partida é chave. E tenho grandes expectativas de que será um jogaço.

Dinamarca

Se alguém tinha alguma dúvida sobre as capacidades da seleção dinamarquesas, elas foram
suprimidas no jogo derradeiro rumo à Copa: a partida de volta com a Irlanda, pela Repescagem Européia. Após o 0a0 em Copenhaguen, a equipe nórdica se viu atrás no marcador já no sexto minuto em Dublin. E, de virada, aplicou uma goleada de 5a1, com direito a três gols do craque Christian Eriksen.

Dinamarca: 12ª colocada no ranqueamento da FIFA.
E então, dá pra cravar que seja favorita à "segunda vaga" na chave? Não, não dá. Não dá porque fica difícil saber se veremos uma Dinamarca que perde dentro de casa para Montenegro ou uma Dinamarca que aplica 4a0 na Polônia (sim, a única derrota polonesa nas Eliminatórias Européias foi uma goleada de quatro a zero em Copenhaguen). A certeza que fica é que a Dinamarca tem condições de apresentar um bom futebol, restando observar se o equilibrado sistema 4-5-1 do norueguês Åge Fridtjof Hareide será mais ofensivo ou pragmático. Se Nicklas Bendtner será opção para o decorrer do jogo ou titular do time, também é questão incerta. Será dada preferência a um homem de referência dentro da área? A um jogador de mais mobilidade? Poderá se formar uma dupla de frente incluindo ambas as características e teoricamente diminuindo a necessidade de Eriksen se apresentar como finalizador?

Seja como for, por mais que Eriksen seja capaz de decidir partidas (ele marcou oito gols e deu três assistências na fase de grupos nas Eliminatórias Européias, participando diretamente de mais da metade dos vinte gols dinamarqueses), é importante ter em mente que, na Copa, é mais difícil uma andorinha sozinha fazer verão. Se bem que será verão na Rússia...

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Espanha À La Espanha: Uma Despedida Nostálgica Na Copa 2014

Muitos poderão não dar o devido valor a essa data, mas carrego comigo a nítida impressão de que 23.06.2014 trata-se de um momento na história do futebol que trará influências significativas para os anos que virão. Foi precisamente nesse dia, por volta das 15h, em Curitiba, que se encerrou a participação da seleção espanhola na Copa do Mundo 2014. Uma campanha abreviada pelas derrotas para Holanda e Chile, que causaram surpresa entre os analistas em geral e gerou mal-estar no elenco espanhol em particular. Mas tudo isso deve ser esquecido. Em nome do futebol, que fique registrado cada bom momento que a Espanha proporcionou e ainda proporcionará com a sua filosofia de jogo baseada na posse de bola. O momento é de realizar ajustes já pensando na Eurocopa 2016, mas mais do que isso: pensando na perpetuação de um estilo, o que se dará através de renovações e aperfeiçoamentos. Estilo esse que já se mostrou viável e eficiente. Que é maior do que a cultura do resultado. E que percorreu longas, incríveis e vitoriosas jornadas para ser derrubado com dois tropeços.

O jogo com a Austrália foi marcado por momentos de emoção, como quando David Villa foi substituído e flagrado às lágrimas no banco de reservas - era a despedida de um dos ícones de uma era vitoriosa, cujo ápice foi o título mundial em 2010, quando o camisa sete teve participação destacada. Meus mais respeitosos cumprimentos e gratidão ao Villa por ter jogado nessa Espanha, a qual tive o privilégio de assistir.

O jogo com a Austrália foi marcado por momentos de recordação, pois ver a excelência do desempenho de Andrés Iniesta com a performance igualmente encantadora de Villa fez lembrar dois, quatro, seis anos atrás. Villa distribuiu umas cinco jogadas de efeito só no primeiro tempo. Numa delas, recebeu cruzamento de Juanfran e abriu o placar no Paraná com um golaço de letra. Villa se escreve com cinco letras, digamos que cada uma para um grande lance da fera, que já deixa saudade.

O jogo com a Austrália foi marcado por momentos de reflexão sobre o futuro, o que ficou sugerido ao se ver um jovem da qualidade de Koke desempenhando função em campo muito similar a de um tal Xavi Hernández. Possivelmente seja Koke o sucessor de Xavi na seleção espanhola.

Fernando Torres foi um personagem que juntou quase tudo ao mesmo tempo: trouxe emoção, porque lembrar dele faz lembrarmos de seu companheiro Villa; trouxe recordação, porque vê-lo atuar em grande nível leva a ótimas lembranças de seu auge tanto nos clubes por onde passou quanto pela própria Fúria; e trouxe reflexão sobre o futuro, pois fica aquela dúvida cruel de se o ciclo de El Niño está encerrado ou se ainda seremos agraciados com seu talento por mais alguns anos. O desempenho diante dos australianos é um convite à segunda opção. Sua capacidade técnica, uma intimação.


Foi disparada a melhor atuação da Espanha em solo brasileiro nesse Mundial. Os erros na defesa vistos nas duas rodadas iniciais não se repetiram - a começar pelo seguro goleiro Pepe Reina, que qualificou a saída de bola com os pés. As entradas de Juan Mata, Francesc Fàbregas e David Silva no segundo tempo tornaram a Espanha ainda mais incisiva, sempre com a participação ativa e decisiva do brilhante Iniesta. Foi dele o ótimo passe à la Iniesta para a finalização de Torres à la Torres. Era a Espanha à la Espanha! Após assistência de Fàbregas, Mata fechou o placar. E espero que as portas da seleção espanhola se mantenham abertas para essa proposta. O mesmo público que hoje gritou "eliminado", em provocação hostil, poderá um dia olhar para trás e pensar que poderia ter reagido de maneira diferente quando teve a oportunidade mística e mágica de assistir a Espanha nas arquibancadas de seu país de nascimento numa Copa do Mundo. Se eu estivesse lá no estádio, aplaudiria de pé. Pensar e projetar a Espanha me traz emoção e não tem preço nem nacionalidade essa gratidão. Valeu, Villa! Valeu, Xavi! Valeu, Espanha!

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Tudo Azul Para A Laranja

A Holanda avassaladora da estréia em Salvador diante da Espanha deu lugar a uma Holanda novamente eficiente, mas sem conseguir repetir aquela enorme quantidade de ocasiões de gol vista na partida anterior. Não que os comandados de Van Gaal tenham tido uma grande queda de rendimento, mas a maior dificuldade em confirmar a vitória se deu provavelmente porque a Austrália conseguiu mais uma boa atuação no Mundial. Por falta de sorte para a representante da Oceania (que disputa as eliminatórias asiáticas, é verdade), os australianos não conseguiram o resultado positivo, a exemplo do que ocorreu diante do Chile. Mas o futebol apresentado pelos Socceroos é digno de elogios, pois, com todas as limitações técnicas, apresentou algo mais que aquele estilo antigo de simplesmente alçar bolas para o alto e ver no que vai dar.

No primeiro tempo, dois gols em seqüência. Aliás, dois golaços um atrás do outro. Primeiro, Robben deu arrancada de quase cinqüenta metros e anotou seu terceiro gol na Copa do Mundo, confirmando a ótima fase técnica (o que não é novidade) e física (o que é uma ótima novidade). Craque. Depois, Cahill acertou um chute estupendo, anotando um dos mais belos gols nessa edição do Mundial, o segundo do camisa quatro.

Na etapa final, o jogo teve momentos maravilhosos, principalmente no período entre o pênalti inventado para a Austrália (segundo jogo seguido que a Holanda vê um árbitro anotar um pênalti pra lá de duvidoso a favor do adversário) e a virada holandesa.

Janmaat não aparentou qualquer intenção de tocar com a mão na bola, mas o árbitro argelino Djamel Haïmoudi deu um chega pra lá no bom senso e indicou penalidade (no susto, no grito, sem qualquer convicção, como sugere a imagem do lance). Talvez seja mais fraqueza de personalidade do que má-fé. De toda forma, um perfil perigoso para se apitar jogos.

Se a Austrália virou o jogo aos nove, a Holanda devolveria a virada pouco tempo depois. Aos treze, Van Persie recebeu de Memphis e finalizou ao seu estilo, com força e precisão. Dez minutos mais tarde, Memphis, que entrou no finalzinho do primeiro tempo no lugar do contundido Bruno Martins Indi (que infelizmente deixou o campo para passar a noite no hospital), marcou o terceiro em chute de fora da área. É importante frisar que o gol de Memphis foi uma jogada de contra-ataque após Leckie quase recolocar a Austrália em vantagem no placar.

Essa vitória combinada ao resultado da partida seguinte acabou classificando a Holanda para a fase oitavas-de-final e eliminando os australianos. São duas seleções que vêm fazendo um belo Mundial e colaborando para a alta média de gols na Copa. Para a Austrália, resta "cumprir tabela" com a atual campeã. Para os holandeses, o confronto diante do Chile vale a liderança numa das chaves mais fortes do torneio. Jogará sem Van Persie, que cumprirá suspensão. Talvez seja o momento certo para tentar alguma variação na formação e tentar resgatar o bom futebol de Sneijder, que pode vir a ser um ótimo diferencial para conduzir a Holanda ao sonho do título, afinal, Robben e Van Persie estão voando e o sistema de jogo parece encaixado principalmente para os contra-ataques.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Jogando "Em Casa", Chile Passa Pela Austrália

Depois da chinelada da Holanda sobre a Espanha, chegou a vez dos chilenos estrearem no Mundial para completarem a rodada inaugural no grupo B.

E tudo começou maravilhosamente bem para o Chile. O hino nacional foi contagiante, fazendo crer que Cuiabá era Santiago por uma noite. Nos minutos iniciais, um ritmo alucinante por parte dos comandados de Jorge Sampaoli. Alexis Sánchez abriu o placar e serviu Valdívia para ampliar a contagem, jogando o fino em Mato Grosso. E isso em menos de quinze minutos.

Só que aos poucos o jogo foi equilibrando. E os australianos começaram a mostrar que não deram a volta ao mundo a passeio, podendo mostrar alguma resistência num grupo dificílimo, onde os Socceroos não têm qualquer obrigação de classificação. No estilo de jogo condizente à estatura e habilidade do time oceânico, veio o gol: cruzamento e conclusão de cabeça.

Até pintou o empate no segundo tempo, em lance parecido, mas dessa vez vimos algo pouco comum: a arbitragem acertou, anulando alegando impedimento. No final, o terceiro gol chileno (Beausejour) selou a vitória até então incerta e já trouxe uma certeza: a partida entre Espanha e Chile terá ares de confronto direto eliminatório. Ou seja: promessa de um jogaço de bola.

domingo, 8 de setembro de 2013

O Que Dizer De Brasil 6a0 Austrália?

Era um Sete De Setembro, data onde se celebra "a independência do Brasil". Mesmo em tempos de ditadura. Nas dependências da arena Mané Garrincha, dezenas de milhares de lugares vagos. Nos arredores, opressão policial sobre manifestantes majoritariamente pacíficos.

Dentro de campo, uma Austrália pregada. Pregada a ponto de não chutar em gol, de não ganhar disputas pelo alto (e olha que eles têm 'tradição' nesse quesito). Vieram para assistir a seleção brasileira jogar. E a seleção brasileira... jogou. Com naturalidade e facilidade, marcou quatro gols em cada tempo (três deles validados) e goleou uma seleção que já está garantida no Mundial, via Eliminatórias Asiáticas. Se jogar desse jeito, será uma participação vexatória do maior país da Oceania. Mas duvido que joguem desse jeito. Como também duvido que a seleção de Felipão repita atuações como a diante dos australianos. Não por falta de capacidade técnica, mas por excesso de zelo defensivo e pela improbabilidade de defrontar com novas defesas tão desorganizadas e desleixadas.

Muito boa a atuação de Ramires, jogador que já deveria ser considerado intocável nesse meio-campo, principalmente após a maravilhosa performance na Copa América 2011. Precisa é ter maiores cuidados nas divididas, pois tanto na seleção quanto no Chelsea o ex-Cruzeiro vem distribuindo entradas imprudentes (para não dizer desleais). Bernard também teve rendimento satisfatório, principalmente se contrastarmos com o desempenho quase nulo de Lucas, que entrou em seu lugar. Neymar, entre acertos e firulas, teve um saldo positivo. Jô e Pato não precisaram de muito contato com a bola para balançarem a rede. Luiz Gustavo, autor de um golaço, é outro que parece à vontade com a camisa amarela e merece a titularidade. Maicon aproveitou as avenidas e fluiu como quis, apresentando-se como sombra ao não muito ensolarado Daniel Alves. Com a defesa firme e o adversário mole, Júlio César foi a Brasília a passeio. Jéfferson, que desfalca o Botafogo no Campeonato Brasileiro, assistiu do banco o goleiro que não joga nem precisar jogar.

O blogueiro assistiu a partida do alto, atrás do gol que no primeiro tempo foi enfeitado por Júlio e no segundo foi defendido (ou não) por Schwarzer. Aliás, bota alto nisso. Era o ingresso menos caro disponível (R$45 a meia-entrada), para um jogo onde cerca de quarenta mil marcaram presença e a renda chegou perto dos quatro milhões de reais. Para onde vai esse dinheiro, só Deus sabe. Em tempos onde Marín preside a CBF e o abuso de autoridade impera ditatorialmente, com privação de direitos básicos de ir e vir e aprovação de Lei Geral da Copa e afins, pode-se ter em mente que o 'investimento' ficará restrito aos poderosos. E o legado ó...

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Sem Encantar, Alemanha Vence E Cruza Com Ingleses

O ótimo futebol apresentado pelos comandados de Joachim Löw nas duas primeiras rodadas - quanto venceram a Austrália por 4a0 e perderam para a Sérvia por 1a0 - não foi visto na partida diante da seleção de Gana, mas a Alemanha fez o suficiente para vencer o jogo por 1a0 e garantir o 1º lugar no grupo. Gana, aliviada com o apito final da partida entre Austrália e Sérvia - mais um gol sérvio tiraria os africanos da zona de classificação -, terminou em segundo lugar na chave e enfrentará os Estados Unidos. Tudo indica que a seleção ganesa será a única representante africana nas oitavas-de-finais da Copa do Mundo 2010: África do Sul, Nigéria e Argélia estão eliminadas, Camarões não tem mais chances de classificação e somente um feito incrível daria a 2ª colocação no grupo G para a Costa do Marfim.

Seguindo o exemplo do grupo C, o desfecho dessa chave também foi emocionante: no jogo vencido pelos australianos por 2a1, a Sérvia tentou, tentou, tentou e ficou muito perto de alcançar o empate que a classificava - a arbitragem do uruguaio Jorge Larrionda ignorou um pênalti a favor dos sérvios nos instantes finais da partida.

O jogo

A suspensão de Miroslav Klose e o fraco futebol de Holger Badstuber justificaram duas mudanças na seleção alemã, com Löw promovendo as entradas de Jérôme Boateng na lateral esquerda e do atacante brasileiro Claudemir Jerônimo Barreto, o Cacau. Logo com 2 minutos, o jogador natural de Santo André teve uma chance, quando recebeu passe de Thomas Müller, avançou pela direita e chutou para defesa de Richard Kingson. Aos 4 minutos, Müller cruzou rasteiro da direita, mas muito fechado - Kingson recolheu. No minuto seguinte, Gana chegou pela primeira vez: Kevin-Prince Boateng, irmão do camisa 20 alemão, passou a bola para Asamoah Gyan, que adiantou demais no domínio e permitiu que o goleiro Manuel Neuer chegasse para defender.

Aos 9 minutos, Mesut Özil toca na passagem de Lukas Podolski, que cruza rasteiro: Jonathan Mensah acaba desviando contra o patrimônio e Kingson realiza difícil defesa. 4 minutos depois, boa trama ganesa: Kwadwo Asamoah passa para André Ayew Pelé que, perto da linha-de-fundo, rola atrás para Gyan, mas Bastian Schweinsteiger chega a tempo de fazer lindo desarme e impedir o chute do artilheiro de Gana.

No estádio Mbombela, a Sérvia buscava o primeiro gol: com 13 minutos, Milos Krasic avançava pela direita, tirava de Mark Schwarzer com um drible para o lado, mas chutava para fora.

Aos 15', no estádio Soccer City, Gana chega novamente: Asamoah avança pela esquerda, cruza à meia-altura para Gyan e o zagueiro Arne Friedrich tira as duas pernas do chão, interceptando bonito, quase acrobaticamente.

A Sérvia tinha nova grande chance no outro jogo aos 22 minutos: o lateral Branislav Ivanovic recebeu na área australiana, se livrou da marcação e ficou cara-a-cara com Schwarzer. O camisa 6 chutou cruzado e com força, mas parou em brilhante intervenção do goleiro, que defendeu com o braço direito. O 0a0 em ambos os jogos classificava Gana em primeiro e Alemanha em segundo.

De volta ao Soccer City, aos 24 minutos Cacau passou para Özil avançar em liberdade, mas Kingson saiu bem e defendeu melhor ainda, evitando o gol do camisa 8 com os pés. No minuto seguinte, Gana respondeu e quase abriu o placar: escanteio pelo lado direito, Gyan subiu no primeiro pau e cabeceou cruzado - a bola passou pelo goleiro Neuer e foi salva pelo lateral Philipp Lahm, com o peito, na altura da trave direita. Aos 27', Ayew tem a bola pela direita e cruza fechado demais, com Neuer recolhendo. Na marca de 29 minutos, Müller passou para Sami Khedira, que serviu Cacau de primeira - o camisa 19 chutou cruzado no canto esquerdo para nova defesa de Kingson. 2 minutos depois, nova resposta de Gana: Ayew ginga e dribla Boateng, faz o cruzamento na área e Prince cabeceia se antecipando à marcação, mandando à direita do gol.

A rede balançava aos 37 minutos no estádio Mbombela, mas a anulação do gol sérvio foi acertada: após jogada individual de Milan Jovanovic, Krasic finalizou em posição de impedimento.

No Soccer City, o jogo diminuiu de ritmo nos minutos que antecediam o intervalo, se limitando a um lance em que Prince encarou a marcação de seu irmão alemão e cruzou na área, aos 45 minutos, mas o cabeceio ganês saiu por cima. Carlos Eugênio Simon conduzia a partida sem erros, aplicando dois cartões amarelos (Ayew aos 39' e Müller aos 42') e ambas as equipes jogavam de forma que não gerasse estresse na arbitragem quanto ao aspecto disciplinar.

Na volta para a segunda etapa, as equipes mantiveram a mesma formação e foram reimprimindo o ritmo que as proporcionou diversas chances de gol até então. Aos 40 segundos, Khedira rolou atrás e Podolski tentou de muito longe, isolando. Com 5 minutos, Asamoah ficou cara-a-cara com Neuer, que conseguiu espalmar.

No outro jogo, a Sérvia seguia tentando o gol que naquela altura lhe daria uma vaga: aos 6 minutos, Nikola Zigic recebeu pelo lado esquerdo da área, dominou, ajeitou e chutou por cima.

O placar de 0a0 estava pedindo para ser alterado nos dois estádios. E, aos 14 minutos, Özil atendeu: Müller tem a bola na direita e rola para Özil no centro. O camisa 8, de apenas 21 anos, recebeu a redonda, olhou para o gol, ajeitou com carinho e, próximo da meia-lua, mandou um chute que levou a Jabulani para o canto direito de Kingson, infeliz no golpe-de-vista. Naquele momento, Alemanha e Gana trocavam de posição na chave.

No minuto seguinte, Ayew cruzou da esquerda, Prince Tagoe cabeceou para baixo e Boateng cortou com o tornozelo direito, afastando o perigo. Aos 18', o sérvio Milovan Rajevac mexia pela primeira vez na equipe de Gana, trocando Tagoe por Sulley Ali Muntari.

No estádio Mbombela, Mark Bresciano chutou de perto da meia-lua e viu Vladimir Stojkovic rebater, aos 18 minutos. Para os australianos, a missão naquele momento era não somente sair do 0a0, como conseguir recuperar o saldo de gols - precisavam marcar pelo menos 4 vezes.

De volta ao Soccer City, onde Gana teve boa chance aos 20 minutos: Gyan recebeu na área, passou de calcanhar, Ayew chutou forte e Lahm tirou de carrinho. No minuto seguinte, primeira substituição pelo lado alemão: Piotr Trochowski no lugar de Müller.

Aos 23 minutos, foi a vez do estádio Mbombela ter seu pedido de gol atendido. Após lançamento da direita, Timothy Cahill cabeceou no canto direito para superar Stojkovic e surpreender os sérvios, fazendo 1a0 para a Austrália. Os "Socceroos" iam atrás de mais 3 gols.

Também aos 23', Cacau chutava de fora da área, pelo lado esquerdo, e Kingson espalmava para a frente. Com 27 minutos, a 2ª substituição alemã: Boateng por Marcell Jansen.

Enquanto isso, na marca de 28 minutos no estádio Mbombela, os australianos chegavam ao segundo gol: Brett Trevor Holman - que entrara na segunda etapa - avançou pelo meio com a Jabulani e chutou de fora, no canto direito. Com o 2a0, a Austrália ficava a 2 gols de uma outrora inacessível segunda vaga.

Aos 33', Gana tentou empatar em chute de fora da área, mas Neuer encaixou o remate de Anthony Annan. 2 minutos depois, uma troca para cada lado: Schweinsteiger por Toni Kroos e Gyan por Matthew Amoah.

A partida teve seqüência com ambas as equipes levantando o pé do acelerador e cadenciando o jogo. É bem capaz que isso tenha ocorrido devido ao desgaste físico - Özil era um que se arrastava pelo gramado - mas aparentemente o fato preponderante para a diminuição no ritmo do jogo era o temor por um eventual gol adversário. A Alemanha, cedendo o empate, perdia a liderança mas permanecia na zona de classificação. Já Gana, em caso de um segundo gol sofrido, ficaria a um gol australiano de poder dar adeus ao Mundial. Alguns poderiam até supôr que Gana não faria muita questão de conseguir um gol a fim de evitar cruzar com a Inglaterra, já confirmada como segunda colocada no grupo C.

E acontecia exatamente o oposto no estádio Mbombela: a partida ficava em ritmo frenético, com ambas as seleções buscando os gols que lhe interessavam. O medo da eliminação era absolutamente insignificante perto da esperança de seguir vivo na Copa, e lá iam sérvios e australianos ao ataque. Aos 38 minutos, Marko Pantelic - que entrara no lugar de Zigic - pegou rebote de Schwarzer e fez o primeiro gol sérvio. Com o placar de 2a1 combinado ao 1a0 na partida entre alemães e ganeses, a Sérvia passava a precisar de um único gol para chegar ao 2º lugar no grupo D. No minuto seguinte, lançamento para Pantelic. O camisa 9 voltou a balançar a rede, mas o impedimento foi flagrado e o gol corretamente anulado. Aos 41', a Austrália chegou ao ataque em lançamento para Joshua Blake Kennedy, que cortou a marcação e chutou perto da trave direita. Emoção pouca é bobagem! Aos 45 minutos, o lance-capital do confronto e da definição do grupo D: bola levantada na área australiana e Tim Cahill põe o braço na Jabulani - Jorge Luis Larrionda mandou o jogo seguir. A conversão do pênalti daria o gol que faltava para a Sérvia. Mas o jogo seguiu. E, com ele, a eliminação de sérvios e australianos. E olha que os sérvios ainda tentaram mais uma vez, aos 46', quando Jovanovic passou para Pantelic, que chutou por cima e foi novamente flagrado em impedimento. A mão de Cahill, porém, ninguém flagrou...
Cahill comemora o 1º gol do jogo: o experiente jogador de meio-campo foi expulso na estréia e colocou o braço na bola aos 45 minutos do segundo tempo, em lance que poderia dar a vaga para a Sérvia.

No Soccer City, mais uma substituição pelo lado de Gana, saindo Ayew para a entrada de Dominic Adiyiah. Quando Simon apitou o encerramento do jogo e chegou a informação de que Larrionda também encerrara a outra partida, Gana pôde respirar aliviada e celebrar a classificação. De quebra, escapou da Inglaterra.
Jogadores vibram com a confirmação da vaga: Gana pode ser o único africano a se classificar, nessa que é sua segunda presença consecutiva na fase de oitavas-de-finais.

sábado, 19 de junho de 2010

Australianos Resistem À Desvantagem Numérica E À Pressão De Gana

Sob os olhares do técnico alemão Joachim Löw - que acompanhava os acontecimentos no estádio Royal Bafokeng com papelzinho na mão -, Gana e Austrália tiveram a chance de vencer o jogo que terminou empatado em 1a1. Se por um lado a situação da Austrália pode ser considerada mais delicada, por outro pode-se dizer que os africanos não tiraram o devido proveito por jogarem cerca de 75% do tempo em vantagem de 11 homens contra 10 (Roberto Rosetti expulsou Harry Kewell com 24 minutos de jogo, no que pode ter sido a despedida do astro australiano em Copas do Mundo).

Após a conclusão da segunda rodada no grupo D, Gana se classifica empatando com a Alemanha de Löw. A Austrália medirá forças com a Sérvia buscando a vitória e, em caso de tropeço de Gana, terá de correr atrás para recuperar-se no saldo de gols.

O jogo

Aos 6 minutos de jogo, Kevin-Prince Boateng recuperou a bola, enganou a marcação australiana com uma travada e chutou, à direita do gol. Com 10 minutos, Anthony Annan cometeu falta que daria origem ao gol australiano: a 29 metros de distância do gol, Mark Bresciano cobrou com a malandragem de forçar o quique da bola perto do goleiro, Richard Kingson caiu na cilada ao tentar encaixar e não deu outra - o goleirão bateu-roupa. No rebote, aquele mesmo Annan que cometera a falta não acompanhou o avanço de Brett Holman e o camisa 14 da Austrália acabou premiado por acreditar no lance, marcando gol no rebote.

Os comandados de Milovan Rajevac não se abateram e seguiram o jogo buscando o ataque. Aos 19 minutos, André Ayew Pelé se livrou de David Carney mas o chute acabou desviando em escanteio. 4 minutos depois foi a vez de Asamoah Gyan tentar o lance individual, invadir a área e também ganhar um escanteio. Escanteio esse que originou o desenrolar das ações para o gol de empate: após a cobrança, com 24 minutos, Ayew não se intimidou com a proximidade de dois marcadores e, mesmo "prensado" na linha-de-fundo, fez belíssima jogada individual e cruzou rasteito. Gyan era derrubado dentro da área - o árbitro italiano ou não viu ou deu vantagem - e a bola chegava em Jonathan Mensah, que chutou e a bola foi de encontro ao braço direito de Kewell, em cima da linha final - Rosetti viu e interpretou como pênalti, expulsando o camisa 10. Na cobrança, Gyan mandou a Jabulani rasteira e à esquerda, deslocando Mark Schwarzer. Foi uma penalidade cobrada de forma oposta à da estréia, quando chutou alto e à direita, também com sucesso.

Aos 26 minutos, Gana já estava novamente no ataque: Prince Tagoe recebeu na área, ajeitou com a perna direita, chutou com a esquerda e a bola saiu à direita. Na marca de 43', último ataque perigoso antes do intervalo: Boateng recebeu pela direita, avançou e chutou cruzado para grande defesa de Schwarzer. Era a 9ª finalização ganense contra duas australianas (ambas no mesmo lance de gol).

O segundo tempo começou como terminou o primeiro, isto é, com Gana tomando a iniciativa. Com 1 minutinho, Kwadwo Asamoah recebeu no círculo central, carregou e experimentou um chute que saiu à esquerda. Aos 5', Gyan recebeu passe de primeira e chutou rasteiro, da meia-lua, com Schwarzer fazendo nova defesa.

Na marca de 10 minutos, Rajevac promoveu a primeira substituição do jogo: Tagoe por Quincy Owusu-Abeyie. Aos 17', Boateng arriscou da intermediária e Schwarzer acompanhou a bola sair à direita. No minuto seguinte quem tentou chute de longe foi Mensah, também errando o alvo.

Pim Verbeek tentou uma trégua no bombardeio adversário e mexeu na Austrália aos 20 minutos: Bresciano saiu e Scott Chipperfield entrou. Entrou e já participou no minuto seguinte: abertura de bola na direita, cruzamento pra dentro da área e cabeceio de Chipperfield, por cima do travessão. Gana respondeu de imediato: Gyan carregou pela direita, chutou cruzado e Asamoah quase conseguiu alcançar para completar. Depois de novo susto, nova mexida: Joshua Blake Kennedy na vaga de Holman.

Aos 24 minutos, Gana chegava mais uma vez: Ayew recebeu na área, rolou para trás e Abeyie bateu colocado, mas por cima da meta. Aos 25', Boateng deu passe para o espaço vazio, Gyan chegou na bola e chutou à direita do gol. A Austrália reagiu aos 26': Kennedy recebeu na área, chutou e Kingson rebateu - Brett Emerton pegou o rebote mas não foi feliz na finalização, chutando para defesa de Kingson.

Depois, sucederam 3 substituições: aos 31', Asamoah por Sulley Ali Muntari; aos 39', Luke Wilkshire por Nikita Rukavytsya; e aos 42', Boateng por Matthew Amoah. As últimas 3 chances da partida foram todas de Gana: aos 44', Muntari cobrou falta da esquerda para cabeceio de Mensah, que saiu à esquerda; aos 45', Abeyie chutou de fora e Schwarzer espalmou; e aos 46' Muntari chutou cruzado uma bola que passou perto do ângulo direito.

Os australianos ouviram o apito final como o boxista que, contra as cordas, vibra com o soar do gongo que evita o nocaute iminente, numa resistência heróica.

domingo, 13 de junho de 2010

Amantes Do Futebol Arte, Eu Vos Apresento... A Alemanha!

Queridos e queridas, hoje, domingo, 13 de junho de 2010 é uma data histórica para o futebol. Coloquem em suas agendas que, a partir desta data, devemos rever os nossos conceitos sobre o que é o "estilo alemão" de se praticar esse que é o esporte mais popular no planeta. Aquele jogo pragmático, robótico, que abusa da força física e do chuveirinho - com inegável eficiência - deu lugar a um estilo de jogo envolvente, de bola rolando no gramado, de pé em pé, alternando cadência com velocidade e, o que é melhor, sem perder a eficiência que é característica à essa seleção tri-campeã mundial.

Joachim Löw, assistente de Jürgen Klinsmann na Copa passada, é o nome da fera que rege essa orquestra, uma música para os olhos do amante do bom futebol. Estamos falando aqui de uma nova Alemanha, como na época da queda do Muro de Berlin. Se a Copa terminasse hoje, poderíamos dizer que o saldo mais positivo desse megaevento em solo sul-africano foi o que Löw proporcionou nessa estréia. É uma verdadeira ruptura com os padrões alemães de se jogar futebol, um padrão que faz muitos de nós - inclusive esse que vos digita - a chamar o jogo alemão de "algo muito parecido com futebol, mas que não é futebol". Hoje, o que se viu no estádio Moses Mabhida foi futebol, sim, senhoras e senhores. Futebol do mais alto nível. Joachim Löw, muito prazer. Sou seu mais novo admirador.

Com 3 minutos de partida, a primeira grande chance do jogo. E foi australiana: após cobrança de escanteio, bate-rebate na área alemã. Houve cabeceio e chute que tinham o endereço da rede, mas em ambas as finalizações Philipp Lahm salvou. Além desse lance, a Austrália teve mais duas chances, nos minutos 18 e 19 da etapa inicial: Jason Culina cabeceou cruzamento para fora e Richard Garcia chutou também para fora a bola que recebeu na área. De resto, show alemão.

Aos 6', Miroslav Klose encontrou espaço, avançou com a redonda e chutou da entrada da área para defesa de Mark Schwarzer. Na seqüência, Mesut Özil emendou de primeira, mas a bola desviou na defesa da Austrália e foi para escanteio.

Com 8', em intensa pressão alemã, a bola circula pela área adversária em trocas de passes precisos, até que Thomas Müller rola para trás e Lukas Podolski enche o pé, com a Jabulani desviando na luva de Schwarzer e indo dormir no fundo da rede a uma velocidade de 156 quilômetros horários. Na Alemanha, uma bola nessa velocidade circularia pelas "autobans" (rodovias sem limites de velocidade) e ainda realizaria ultrapassagens.

Na marca de 22', Müller volta a tocar na direção de Podolski, que dessa vez se estica todo mas não alcança. No minuto seguinte, maravilhosa troca de passes da seleção alemã. Podolski recebeu bola açucarada, passou de primeira para Klose que tratou de finalizar também de prima, com a bola indo caprichosamente para fora, à esquerda de Schwarzer.

Com 26 minutos, Lahm realizou cruzamento - leia-se passe pelo alto - para Klose marcar seu 11º gol em Copas, igualando a marca de Klinsmann.

Aos 30', mais Alemanha: Özil recebeu em posição legal, avançou e deu um toque sutil, encobrindo Schwarzer. Mas a bola foi providencialmente afastada pela zaga australiana. A Alemanha fazia o jogo parecer fácil: aos 38', Lahm recebeu lindo passe e cruzou para Sami Khedira cabecear para fora. Passa-se um minuto: Podolski dá bela enfiada de bola para Özil, que dribla o goleiro mas acaba perdendo o alcance da bola, que sai pela linha de fundo.

Na volta do intervalo, a primeira chance de gol foi também a única da Austrália no segundo tempo: aos 6', Brett Holman - que entrara no lugar de Vincenzo Grella - fez jogada individual e chutou para fora.

Aos 8', Özil inicia a jogada, que é aberta no lado direito de ataque alemão, Lahm centraliza, Özil faz o corta-luz e Müller chuta colocado, por cima do travessão. Quase um golaço. 3 minutos depois, Tim Cahill deu carrinho em Bastian Schweinsteiger, recolheu as pernas para não machucar o adversário, mas acabou atingindo-o. O mexicano Marco Antonio Rodríguez Moreno mostrou rigor e levantou o cartão vermelho, na primeira expulsão direta da Copa 2010.

Com 11 contra 10, ficava a certeza de que a festa alemã ficaria mais animada. Aos 13', Khedira finalizou para defesa de Schwarzer. 1 minutinho depois, Klose ficou cara-a-cara com o arqueiro australiano, chutou para boa defesa do goleiro, pegou o rebote e passou na direção de Khedira, que não alcançou a bola para empurrá-la para dentro. A Alemanha fazia uma "blitz": um minuto depois, Podolski chutou de média-distância e Schwarzer defendeu batendo-roupa.

Com 20', sensacional tabela dos poloneses naturalizados alemães: de Podolski para Klose, de Klose para Podolski, de Podolski para Klose mais uma vez e chute do camisa 11 para fora.

Aos 21', Podolski carrega a bola, passa para Müller, que corta Scott Chipperfield e chuta cruzado, certeiro, com a bola beijando a trave antes de entrar: 3a0 Alemanha.

Löw troca, então, Klose pelo brasileiro Jerônimo Maria Barreto Claudemir da Silva, o "Cacau". Em sua primeira participação, Cacau recebeu cruzamento de Holger Badstuber para marcar o quarto gol alemão, aos 24'.

Löw ainda realizou duas substituições: Özil por Mario Gómez (28') e Podolski por Marko Marin (30'). Foi somente aguardar o apito final. Ou seria o fechar das cortinas?