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sexta-feira, 9 de julho de 2021

Dinamarca É Valente, Mas Não Resiste À Inglaterra E A Um Pênalti Duvidoso Em Plena Prorrogação

Pela primeira vez na história da Eurocopa, a Inglaterra consegue chegar na final do torneio. Após o empate por um a um com a Dinamarca, a seleção inglesa triunfou na prorrogação ao marcar o segundo gol em num pênalti bastante duvidoso - e, na base da imposição física e do toque de bola, segurar o resultado que a qualificou para tentar o título inédito.

Acho um erro metodológico focar no pênalti bastante duvidoso. É bem verdade que ele mancha a partida e coloca em dúvida o mérito do English Team num confronto que poderia tranquilamente caminhar para o desempate por penalidades. Porém, analisando a totalidade de um confronto que teve mais de duas horas de jogo, foi flagrante a superioridade técnica e tática dos comandados de Gareth Southgate.

A Dinamarca fez uma Eurocopa a ser lembrada com carinho - tanto pela forma como atuou quanto, principalmente, pela capacidade de superar o episódio marcante ocorrido no primeiro tempo do jogo de estreia. Um episódio que tornou o evento esportivo secundário - até porque, uma Eurocopa pode ser disputada a cada quatro anos, mas uma pessoa - uma vida - é única. E o maior "título" possível nesse torneio foi o fato de Christian Eriksen continuar vivo.

Ingleses começam bem, mas Dinamarca mostra qualidade no contra-ataque

A primeira chegada de ataque mais interessante foi da Inglaterra e aconteceu envolvendo seus dois jogadores que atuam como referência no setor ofensivo. Aos cinco minutos, Harry Kane recebeu pela direita, cruzou em diagonal encontrando Raheem Sterling nas costas de Andreas Christensen, mas o camisa dez não conseguiu alcançar para concluir.

Aos nove, uma jogada de troca de passes de primeira da Dinamarca deu o tom de como essa equipe é bem treinada. Sim, precisamos reverenciar Kasper Hjulmand pelo que vem desempenhando no comando da seleção nórdica. Quando quatro jogadores trocam passes de primeira, acionando um companheiro em contra-ataque, temos que entender que isso tem o dedo do treinador. Na jogada envolvente, Mikkel Damsgaard por pouco não chegou na bola, com Kyle Walker fazendo a proteção para Jordan Pickford recolher.

Aos doze, Kane passou novamente para Sterling - dessa vez pelo lado esquerdo de ataque. Ele carregou pra direita acompanhado por Christensen e chutou fraco, para defesa de Kasper Schmeichel.

Essas duas chegadas de ataque inglesas, onde Kane agia como uma espécie de garçom de Sterling, deram uma boa síntese do posicionamento do camisa nove na maior parte do tempo de jogo. Ele estava usualmente fora da área, misturado com outros meio-campistas, e se mostrando participativo num setor que mostrava alguma carência na capacidade criativa. Essa carência em muito se deve em parte ao próprio treinador Southgate, que se mostra bastante resistente a usar jogadores como Phil Foden e Jack Grealish entre os titulares. 

Dinamarca cresce, aparece e abre o placar em Wembley com o primeiro gol em cobrança de falta nessa edição

Aos catorze minutos, Pierre-Emile Højbjerg chutou rasteiro e parou em defesa de Pickford. No minuto seguinte, uma saída ruim de Pickford - que logo se desculpou com os companheiros - deu origem a uma chegada perigosa da Dinamarca, transformando-se em escanteio.

Passado o susto, a Inglaterra parecia retomar o controle territorial do setor de meio de campo. Mas a Dinamarca tinha seus recursos: aos vinte e quatro, Jannik Vestergaard tirou a bola de Kane no campo defensivo e deu início a um contra-ataque que que chegou até Damsgaard. Ele chutou cruzado buscando o ângulo esquerdo, mas a bola acabou indo para fora.

Aos vinte e seis minutos, Pickford superava uma marca do lendário goleiro Gordon Banks - ele acabava de completar setecentos e vinte e três minutos sem ser vazado pela seleção inglesa. 

Com o recorde estabelecido, veja o que é o futebol: apenas três minutos depois do feito histórico, a Dinamarca tinha uma cobrança de falta. Damsgaard na bola. O mesmo Damsgaard que ficou no quase duas vezes anteriormente. E Damsgaard foi brilhante: ele conseguiu fazer a bola encobrir uma barreira alta (com Kane pulando e não alcançando) e fazer a bola perder altura rapidamente, surpreendendo Pickford, que até resvalou na redonda mas sem ser capaz de evitar o gol. O primeiro gol sofrido por ele nessa Euro. O primeiro gol em cobrança de falta nessa edição. Um belo gol de Damsgaard. Dinamarca um a zero em pleno estádio de Wembley.

Inglaterra reage e alcança o empate ainda no primeiro tempo

Pela primeira vez atrás no placar em todo o andamento da competição - afinal, sequer havia sofrido um único gol até então -, a Inglaterra não demorou a levantar a cabeça, sacodir a poeira e dar a volta por cima.

Aos trinta e sete minutos, um ensaio do gol de empate: Bukayo Saka tocou para Kane pela direita, o camisa nove cruzou e Sterling, de frente para o gol, teve seu chute defendido em excepcional intervenção de Schmeichel.

No minuto seguinte, o que era ensaio virou o gol de empate propriamente dito. E envolvendo os mesmos personagens da trama anterior: Saka recebeu de Kane pela direita e cruzou buscando Sterling, que simplesmente completaria para a rede. Só que Simon Kjær, de carrinho, evitou que a bola chegasse em Sterling - mas não na rede, marcando contra. Um a um em Londres.

Deitado após o carrinho, Simon Kjær vê a bola no fundo da rede. Foto: AFP.


Segundo tempo tem início com equipes alternando possibilidades de gol

Quando Kasper Dolberg recebeu de Joakim Mæhle e teve seu chute rasteiro espalmado por Pickford no canto direito, já havia impedimento no lance. Porém, aquela chegada aos seis minutos mostrava o ímpeto dinamarquês em retomar a liderança no placar.

A Inglaterra não ficava atrás e tratou de responder três minutos depois: aos nove, após Mæhle cometer falta em Kane, Jason Mount foi para a cobrança, levantou na área, Harry Maguire conseguiu cabecear no canto direito e Schmeichel tratou de salvar, espalmando.

Na marca de treze minutos, uma bonita jogada da Dinamarca: Højbjerg avançou pela direita e rolou a bola na direção de Martin Braithwaite, que fez o corta-luz. Na sequência, Dolberg girou e chutou rasteiro, com Pickford fazendo a defesa.

Aos dezoito, era a vez dos ingleses: Sterling carregou pela esquerda, entregou para Saka, que deixou com Mount - o chute foi defendido com segurança por Schmeichel.

Cansaço começa a bater à porta dinamarquesa e três substituições simultâneas são realizadas

Com vinte e um minutos, Hjulmand mexeu triplamente em sua equipe. Saíram Stryger Larsen, Damsgaard e Dolberg para as entradas de Daniel Wass, Yussuf Poulsen e Christian Nørgaard. São três alterações que remetem ao jogo de quartas de final com a República Tcheca, quando as três primeiras mexidas na equipe foram exatamente envolvendo esses jogadores.

Aos vinte e três, foi a vez de Southgate mexer, promovendo a entrada de Jack Grealish no lugar de Saka. E, tal qual ocorreu na partida de oitavas de final diante da Alemanha (curiosamente no mesmo minuto de jogo), Grealish foi para o lado esquerdo e Sterling passou a aparecer mais rotineiramente pela direita.

Inglaterra assume o controle na partida

Aos vinte e sete minutos, Kane abriu o jogo na direita com Mount, que cruzou fechado, com Schmeichel dando um tapa para escanteio em bola que parecia ter o endereço do gol.

Na marca de trinta e dois minutos, Grealish receberia ótima enfiada de bola. Receberia, no futuro do pretérito, pois Christensen se agigantou esticando a perna e fazendo interceptação quase acrobática. Só que a dita acrobacia acabou contundindo o defensor dinamarquês, que precisou ser substituído - Joachim Andersen entrou em seu lugar.

Aos trinta e quatro, Kalvin Phillips tentou de fora da área e a bola saiu à direita. Três minutos depois, Luke Shaw levantou pela esquerda em lance de bola parada e John Stones cabeceou à esquerda.

A quinta substituição de Hjulmand deu-se aos quarenta e dois minutos, tirando Thomas Delaney - jogador que merece os elogios pela partida e pela Eurocopa que realizou - para a entrada de Mathias Jensen.

A Inglaterra mostrava uma condição física bastante superior à Dinamarca, notadamente por Southgate carregar a equipe até o final dos noventa minutos tendo feito apenas aquela troca de Saka por Grealish. E o English Team teve ainda duas oportunidades de marcar nos acréscimos. Aos quarenta e sete minutos, Sterling tinha a bola pela direita, passou para Kane - recuado, como em quase todo o decorrer do jogo - e o camisa nove rolou atrás para Phillips, que chutou de fora, mandando por cima do travessão. Dois minutos depois, aos quarenta e nove, após lance de bola parada pela direita, Maguire, soberano no jogo aéreo, cabeceou no segundo poste e Schmeichel foi buscar no canto direito.

Mais uma vez nessa Euro, a definição da vaga rumava para a prorrogação

Sobrando fisicamente, Inglaterra consegue se impôr. Mas só chega ao gol em lance para lá de duvidoso

Aos três minutos, Kane recebeu pela direita nas costas de Vestergaard e chutou cruzado, para defesaça de Schmeichel com a mão direita.

Pouco após o lance, Southgate trocou Declan Rice e Mount por Jordan Henderson e Phil Foden. Sim, demorou mais de uma hora e meia para o talentoso Foden finalmente ser mandado a campo.

Aos sete, o camisa sete Grealish chutou firme e Schmeichel rebateu.

Os ingleses tinham a bola mas a Dinamarca se defendia bem. Até que, aos onze minutos, Sterling entrou na área pelo lado direito. Era perseguido por Mæhle. Caiu na grama. Assistindo ao vivo, parecia ter havido um toque. Mas ao olhar o lance de novo, e novamente, e mais uma vez, e por outro ângulo, fica muito difícil assegurar que tenha havido qualquer contato capaz de tombar Sterling. Ainda assim, a penalidade foi confirmada. De forma admirável, a seleção dinamarquesa pouco reclamou. Algo que transcende a competitividade e o calor do jogo. A isso, podemos chamar "educação".

Raheem Sterling cai na área - o árbitro holandês Danny Makkelie, que não aparece na foto, diz que houve pênalti. Imagem extraída do Twitter Sensacionalista.

A cobrança do pênalti - que sabe-se lá se foi realmente pênalti - coube a Harry Kane. Existe uma máxima futebolística que diz que pênalti que não é, não entra. Kasper Schmeichel deu uma mãozinha para o ditado popular e defendeu no canto esquerdo. Só que o rebote ficou com o próprio Kane. E, no jargão, não diz nada sobre rebote de pênalti que não é... Dois a um Inglaterra.

Harry Kane e Phil Foden em êxtase com o gol na prorrogação: a Inglaterra fazia dois a um sobre a Dinamarca. Foto: AFP.

Sem forças para reagir, Dinamarca entra na roda inglesa

No intervalo, uma mexida para cada lado: enquanto a Inglaterra trocava Grealish por Kieran Trippier (sim, senhoras e senhores, mesmo com a flagrante imposição física e superioridade técnica, o treinador Gareth Southgate optou por tirar Grealish de campo, colocar um homem na lateral e centralizar Walker, aumentando o contingente defensivo), o técnico Hjulmand, por sua vez, promoveu a entrada do atacante Jonas Older Wind no lugar do defensor Verstergaard.

Aos oito minutos, uma chegada com Braithwaite que foi frustrada pela boa marcação de Maguire e pela ação de Pickford foi a última ação ofensiva dinamarquesa. A Inglaterra, exercendo domínio territorial e circulando a bola sem qualquer sede de ampliar a vantagem, fazia o tempo passar. E ainda teve, aos quinze, uma situação derradeira, quando Sterling avançou pela direita, deixou Andersen para trás e parou em bloqueio de Schmeichel.

Desta forma, a seleção inglesa chega à sua primeira final de Eurocopa. É a equipe que mais me impressionou pela consistência tática. Tem um jeito de jogar bem definido, sendo sólida na defesa e contando com ótima proteção na dupla Phillips e Rice, gozando de boa qualidade técnica no último terço do gramado. É difícil apontar uma seleção com qualquer espécie de favoritismo na final, mas, analisando friamente, vejo a Inglaterra com maiores possibilidades do que a Itália em Wembley. Aguardemos. Minha maior torcida é para que Southgate não tenha medo de soltar o freio de mão de uma equipe que tem, sim, algo mais a oferecer.

À Dinamarca, meus parabéns. Fez belíssimo papel no torneio. E, graças a Deus, salvaram-se todos. Viva Eriksen!

domingo, 4 de julho de 2021

Dinamarca Vence A República Tcheca, Avança Para A Semifinal E Sonha Repetir 1992

Jogando um futebol ofensivo e procurando rodar a bola no campo de ataque, a Dinamarca deu mais um passo gigante em sua já marcante trajetória na Eurocopa 2020. Com a vitória por dois a um sobre a República Tcheca, a equipe comandada por Kasper Hjulmand garantiu presença na fase semifinal do torneio. Um torneio que começou com o gigantesco susto em torno de Christian Eriksen - felizmente, o atleta de vinte e nove anos sobreviveu ao mal súbito e tem expectativas de um dia retornar aos campos. Porém, o que realmente importa é a vida. Dentro ou fora dos gramados, o camisa dez se faz presente no espírito competitivo da seleção dinamarquesa - e é, antes de tudo, em homenagem a ele que essa equipe se supera e avança mais uma vez.

Logo no início da partida, a Dinamarca abre o placar

Escalada com a mesma formação e os mesmos jogadores da goleada sobre País de Gales na fase oitavas de final, a Dinamarca tomou a iniciativa e foi para cima de uma República Tcheca ligeiramente modificada em relação ao jogo em que venceu a Holanda nas oitavas - dessa vez, o técnico Jaroslav Šilhavý optou por começar o jogo com Jan Bořil na lateral esquerda ao invés de Pavel Kadeřábek.

E se essa Eurocopa vem sendo relativamente tranquila e bem-sucedida com questões relacionadas à arbitragem, dessa vez aconteceu algo desagradável já nos primeiros minutos de partida: numa dividida de bola nas proximidades da linha de fundo, foi assinalado escanteio para a Dinamarca quando deveria ser concedida a posse para a República Tcheca (VAR, cadê você?). E, para piorar, saiu o gol imediatamente após a cobrança: aos quatro minutos, Jens Stryger Larsen fez o levantamento a partir do lado direito, os grandalhões da defesa se deslocaram em direção ao gol, mas a bola chegou mesmo foi no volante Thomas Joseph Delaney, que, gozando liberdade pouco a frente da marca do pênalti, cabeceou bem à vontade para mandar no canto direito. Um a zero para a Dinamarca, com Delaney se tornando o sétimo jogador dinamarquês a marcar gol nessa Euro.

Thomas Delaney comemora: a Dinamarca abria o placar aos quatro minutos de partida em Baku. Foto: DBU FodBold / Divulgação

 

República Tcheca equilibra as ações e jogo fica lá e cá

A primeira chegada mais interessante da República Tcheca se deu pelos pés daquele que vem se mostrando um dos jogadores mais efetivos na Eurocopa - não toca tanto na bola, mas quando o faz, esbanja qualidade tanto no passe quanto na finalização. Sim, estamos falando de Patrik Schick: aos onze minutos, ele recebeu a bola pela direita, fintou Joakim Mæhle do jeito que quis e chutou firme, mas foi bloqueado.

No minuto seguinte, aos doze, Pierre-Emile Højbjerg deu belo lançamento para Mikel Damsgaard, que na finalização conseguiu com um toque sutil tirar do goleiro Tomáš Vaclík. Só que o toque foi sutil demais, e permitiu que outro Tomáš - o zagueiro Kalas - chegasse para evitar o segundo gol dinamarquês.

O jogo era agitado e, mais um minuto passado, mais uma oportunidade: aos treze, após bola levantada e posteriormente ajeitada de cabeça, Petr Ševčík pegou de primeira, mas mandou longe.

Aos dezesseis, foi a vez da Dinamarca: Jens Stryger cruzou da direita e Delaney apareceu para finalizar. Os mesmos envolvidos no lance do gol. Só que, dessa vez, o camisa oito pegou mal na bola, mandando à esquerda.

Quando afirmamos que o jogo era lá e cá, era literalmente lá e cá: aos vinte e um, após o goleiro Kasper Schmeichel errar em lance de saída de bola, Lukáš Masopust foi acionado na esquerda e mandou para Tomáš Holeš na pequena área - Schmeichel, ligado no lance, fez o bloqueio.

Na marca de vinte e seis, Martin Braithwaite tinha a bola pela direita, avançou, levantou a cabeça procurando algum companheiro na área e percebeu que a melhor alternativa era chutar ao gol. Só que o remate foi à esquerda. 

Aos trinta e três, nova chegada dinamarquesa: em contra-ataque, Braithwaite dessa vez apareceu em velocidade pelo lado esquerdo, a bola chegou em Kasper Dolberg na direita, que tentou entregar para Stryger, mas Vaclík pegou.

No minuto seguinte, resposta tcheca: Vladimir Coufal cruzou da direita, Holeš chutou de primeira e Schmeichel encaixou.

Com trinta e seis minutos, Jannik Vestergaard enfiou na direita para Damsgaard, que entrou na área e chutou firme à meia altura, com Vaclík conseguindo rebater.

Lindo cruzamento dá origem ao segundo gol dinamarquês 

Procurando variar as jogadas ofensivas e causando uma canseira na marcação tcheca, a Dinamarca dessa vez avançou com o apoio de Mæhle, que vinha tendo bastante trabalho com as subidas de Coufal pelo seu setor. E Mæhle, um destro que atua pela esquerda, mostrou a melhor versão da sua perna direita as descolar cruzamento espetacular de três dedos aos quarenta e um minutos - a bola passou por Braithwaite e por Kalas, chegando até Dolberg, que completou de primeira para a rede. Dois a zero no placar.

República Tcheca volta diferente - nas peças e na atitude

Jaroslav Šilhavý aproveitou o intervalo para chacoalhar a equipe tcheca, que voltou do vestiário com o atacante Michael Krmenčík no lugar de Masopust e com o meio-campista canhoto Jakub Jankto no lugar de Holeš. Mais do que as boas entradas desses jogadores, a República Tcheca se mostrou determinada a pressionar a Dinamarca no último terço do campo.

Logo com vinte e cinco segundos, Krmenčík já participou ativamente, dando chute forte de fora da área que Schmeichel rebateu. Com 1,91m de altura, careca e esbanjando força física, Krmenčík me lembrou o também atacante tcheco Jan Koller - que, no alto de seus 2,02m, defendeu a seleção entre os anos de 1999 e 2009, formando uma dupla de ataque bem-sucedida com Milan Baroš.

Com um minuto, Antonín Barák quase marcou um belo gol: ele emendou de fora da área pegando na bola de primeira, chutando pro chão, com Schmeichel saltando para espalmar no canto direito.

Só dava República Tcheca: aos dois minutos, Krmenčík levantou a bola e Schick deu de bicicleta, com a bola batendo em Simon Kjær e Schmeichel recolhendo.

Aos três minutos, o goleador da Eurocopa 2020 diminui para os tchecos 

E a pressão tcheca deu resultado: Coufal cruzou da direita e Schick, de primeira, se aproveitou do atraso de Vestergaard para mandar no canto direito, com a precisão que lhe é característica. Era o quinto gol do camisa dez tcheco nessa Euro, igualando-se ao português Cristiano Ronaldo no topo da lista de goleadores nessa edição.

Dinamarca se reorganiza e cria chances

Se alguém achou que a pressão tcheca se estenderia até que saísse o gol de empate, o que ocorreu foi que a seleção dinamarquesa começou a assimilar a nova postura do adversário, reequilibrando a partida. 

Na marca de dez minutos, Coufal foi providencial ao mergulhar para tirar de peixinho uma bola enfiada às suas costas.

Aos treze minutos, Kasper Hjulmand promoveu suas primeiras substituições no jogo: Yussuf Yurari Poulsen no lugar de Dolberg e Christian Thers Nørgaard no lugar de Damsgaard. As mexidas fizeram bem à Dinamarca, principalmente pela participação de Poulsen, bastante ativo no campo de ataque e também contribuindo na defesa.

Aos quinze minutos, Yussuf Poulsen puxou contra-ataque pela esquerda escapando de Coufal, Braithwaite errou o passe, a bola voltou em Poulsen e o camisa vinte preparou o remate - Tomáš Souček foi preciso na intervenção e travou Poulsen no exato momento da finalização. Infelizmente, na continuação do movimento do chute, sobrou trava da chuteira de Poulsen na cabeça de Souček, cortando a orelha do tcheco.

Souček continuou o jogo com um amarrado na cabeça visando conter o sangramento. O aparato não se mostrou dos mais eficazes com o sangue escorrendo pela nuca e manchando a camisa do jogador.

Aos vinte, Šilhavý fez a terceira troca, dessa vez de menor impacto na estrutura do time: saiu o defensor Ondřej Čelůstka e entrou o também defensor Jakub Brabec.

Aos vinte e três, Poulsen arrancou pelo centro e chutou no canto direito, para defesa de Vaclík.

Aos vinte e cinco, quem tratou de fazer substituição foi Hjulmand, mais precisamente na lateral direita, trocando Stryger Larsen por Daniel Wass.

República Tcheca retoma ímpeto ofensivo, Dinamarca contra-ataca e joga fica muito interessante

Aos vinte e seis minutos, após levantamento da direita, Wass não conseguiu afastar, Jankto chutou cruzado do lado esquerdo e Kjær cortou.

Dois minutos depois, Barák cobrou falta pela direita e a bola tinha o endereço do "enfaixado" Souček, só que Schmeichel cortou antes e impediu o que seria o iminente gol de empate tcheco.

Aos trinta e dois, uma ótima chegada dinamarquesa: Braithwaite deixou a bola com Wass, que rolou para Poulsen, que chutou e viu Vaclík buscar a finalização com linda defesa no canto esquerdo.

Na marca de trinta e seis, mais Dinamarca no ataque: Christian Nørgaard passou para Poulsen, que entregou de primeira para Mæhle pelo lado esquerdo de ataque. Destro, o camisa cinco arrumou o corpo buscando o canto direito do goleiro - Vaclík defendeu o chute rasteiro com a perna.

Cansaço bate forte dos dois lados e República Tcheca tem uma última oportunidade

Com ambas as seleções já tendo feito as cinco substituições que tinham direito, os últimos minutos foram arrastados pela combinação de pelo menos dois motivos: os times desfigurados pelo acúmulo de alterações e, talvez principalmente, o cansaço de um jogo bastante movimentado.

Aos cinquenta minutos houve, porém, uma chance de empate. A chance derradeira: após levantamento da direita, Kjær afastou parcialmente e Souček pegou a sobra de primeira, chutando à direita.

O apito final do árbitro holandês Björn Kuipers sacramentou a classificação da Dinamarca no estádio olímpico de Baku. Se pensarmos que, em vinte e cinco confrontos anteriores entre as duas seleções, foram somente duas vitórias da Dinamarca (a República Tcheca venceu treze vezes e houve dez empates), o triunfo dinamarquês ganhou ainda mais contornos de feito histórico. 

Dinamarqueses comemoram após o apito final: com a vitória por dois a um sobre a República Tcheca, a seleção campeã continental em 1992 avança para a semifinal vinte e nove anos depois. Imagem extraída de Yahoo! Esportes.

sábado, 26 de junho de 2021

Intensa, Dinamarca Goleia Gales Com Dois Gols De Dolberg E Vai Às Quartas

Abrindo a fase de oitavas de final nessa Eurocopa 2020, País de Gales e Dinamarca se encontraram em Amsterdã. E, se alguém imaginava um confronto decidido nos detalhes, veio a surpresa: uma sapecada dinamarquesa por quatro gols a zero. É a segunda partida consecutiva que a seleção comandada por Kasper Hjulamand marca quatro vezes no mesmo jogo (lembre como foi a goleada por quatro a um sobre a Rússia clicando aqui).

País de Gales começa melhor

Com uma marcação muito bem desenhada desde o campo ofensivo - com um homem mais a frente, seguido por uma linha de três e, imediatamente atrás, outros dois jogadores -, a seleção galesa dificultava enormemente a saída de jogo do adversário. De tal forma que o goleiro Kasper Schmeichel simplesmente não via outra opção a não ser rifar a bola toda vez que a posse estava consigo. E se a marcação de Gales era muito bem feita, o mesmo não se podia dizer da Dinamarca. Aos nove minutos, Gareth Bale recebeu pelo lado direito de ataque e teve a liberdade de arrancar em diagonal, trazendo para a perna esquerda sem ser incomodado por nenhum marcador - o chute saiu com curva e passou perto da trave direita, quase inaugurando a contagem.

Dinamarca equilibra as ações e abre o placar

Conseguindo conter os galeses no último terço de campo e passando a, gradativamente, frequentar um pouco mais o ataque, a Dinamarca superava os maus minutos iniciais e começava a sobressair no jogo. Aos vinte e seis minutos, Mikkel Damsgaard, em jogada pela esquerda, tocou para Kasper Dolberg, que trouxe para a perna direita e, antes da chegada de carrinho de Chris Mepham, conseguiu chutar uma bola que rumou para o canto esquerdo, fora do alcance do goleiro Daniel Ward. Um a zero Dinamarca.

Por pouco, primeiro tempo não termina com vantagem maior para a Dinamarca

Depois de abrir a contagem em Amsterdã, o domínio dinamarquês passou a ser flagrante. A equipe já não era ameaçada em sua defesa. E, no campo ofensivo, duas ótimas chances de gol ocorreram ainda antes do intervalo. Aos trinta e um minutos, numa ótima trama pelo lado esquerdo de ataque, Damsgaard tabelou com Thomas Delaney, levantou a cabeça e cruzou rasteiro para Dolberg, que só não anotou o segundo gol porque Ward impediu. 

Aos quarenta e cinco, após lance iniciado no flanco direito de ataque dinamarquês, um cruzamento levou a bola até o lado oposto: Martin Braithwaite não conseguiu dominar mas acabou permitindo a chegada de Joakim Mæhle, que chutou à direita, na rede pelo lado de fora. A defesa galesa apenas assistiu mais essa oportunidade criada e deve ter comemorado a chegada do intervalo, visando rearrumar a casa a partir dos vestiários.

Logo no início da segunda etapa, o segundo gol da Dinamarca

É bem possível que o treinador Robert Page tenha conseguido identificar o que era preciso modificar na estrutura do time a fim de buscar o empate numa partida onde sua equipe havia começado melhor que o adversário. Mas, tendo identificado ou não, o fato é que logo aos dois minutos a desvantagem foi dobrada: Braithwaite carregou a bola pela direita, cruzou e, na tentativa de cortar, Neco Williams teve a infelicidade de direcionar a bola exatamente para onde estava Dolberg. Mostrando faro de goleador, ele agiu rápido para estufar a rede pela segunda vez. Importante observar nesse lance que, ainda no campo de defesa dinamarquês, houve uma dividida faltosa do zagueiro Simon Kjær no atacante Kieffer Moore. Acho bastante estranho que mesmo com o auxílio tecnológico essa infração tenha sido solenemente ignorada, validando um gol que se apoiou em uma irregularidade digna de invalidá-lo. Aliás, existe alguma irregularidade que deva ser tolerada quando revisada? 

Dolberg comemora: com dois gols no jogo, atacante foi um dos destaques na partida. Imagem extraída da página Bola Na Rede.

 Gales tenta reagir e cria chances

Tentando juntar os cacos de uma desvantagem elástica (era a primeira vez nessa Eurocopa que País de Gales ficava dois gols atrás no placar), a equipe galesa se lançou mais - e melhor - ao campo de ataque. Aos sete minutos, Williams foi acionado na direita e conseguiu unir o útil ao agradável quando, com um ótimo cruzamento, evitou a saída de bola pela linha final. Porém, o cabeceio de Bale para fora acabou tirando uma bola que encontraria o centroavante Moore melhor posicionado do que o capitão.

No minuto seguinte, aos oito, Aaron Ramsey, sumido no jogo, realizou cruzamento da direita buscando Moore - mas a zaga dinamarquesa conseguiu cortar. Aos vinte e um minutos, Joe Allen chutou e Jannik Vestegaard bloqueou.

Com partida sob controle, Dinamarca deslancha e constrói a goleada

Após a assimilação das substituições, a dominância dinamarquesa se intensificou. Isso se deve fundamentalmente pela atitude de uma seleção que se movimenta bastante quando tem a bola, não satisfeita em jogar o básico ou fazer o óbvio. Isto é, mesmo com algumas mexidas questionáveis (não vi nenhum cabimento em tirar Dolberg e, principalmente, Damsgaard de campo), a equipe ainda conseguiu criar, ser intensa e efetiva. 

Aos quarenta minutos, após cobrança curta de escanteio pela direita, Mathias Jensen - um dos que entraram no segundo tempo - levantou para o segundo poste e a bola retornou para a primeira trave, com Braithwaite chutando cruzado, à direita, quase marcando o terceiro.

Dois minutos depois, o terceiro gol se consumou: Mæhle recebeu na direita livre de marcação, arrumou deixando Benjamin Davies no chão e chutou forte no canto esquerdo.

Se já não se vislumbrava uma reação galesa, a expulsão de Harry Wilson após derrubar Mæhle encaminhou de vez a classificação dinamarquesa. A bem da verdade: o cartão vermelho direto num lance sem violência pareceu um exagero do árbitro alemão Daniel Siebert, que poderia tranquilamente advertir com um cartão amarelo naquela situação.

Aos quarenta e oito, com a vantagem numérica de jogadores se juntando à superioridade que já se manifestava antes disso, saiu o gol derradeiro nos quatro a zero: Andreas Cornelius, que entrou bem no jogo, tocou para Braithwaite, que comemorou duas vezes: a primeira, logo depois de estufar a rede; a segunda, minutos depois, com a revisão do VAR que ratificou a legitimidade do lance.

Mesmo sem Poulsen, a Dinamarca mostrou uma força ofensiva muito interessante. Sua presença nas quartas de final é mérito de um ótimo jogo coletivo e carrega um aspecto emocional singular - afinal, cada passo que essa seleção dá na Eurocopa traz consigo a onipresença de Christian Eriksen.

terça-feira, 22 de junho de 2021

Dinamarca Faz Grande Exibição, Goleia A Rússia E Avança Com Ajuda Da Bélgica

Se tem uma coisa que eu acho curiosa nessa Eurocopa 2020 é a questão do "mando de campo". "Mando de campo" que somente pode ser dito entre aspas. E no caso desse jogo entre a "mandante" Rússia e a Dinamarca, a distorção do termo assumiu proporções bizarras. 

Veja só: são onze cidades-sede nessa Euro 2020 - que completa sessenta anos desde a primeira edição da competição. Entre essas onze localidades que recebem jogos, estão a russa São Petersburgo e a dinamarquesa Copenhagen. Acontece que São Petersburgo foi o local de jogo de Finlândia (país localizado bastante próximo dessa cidade histórica) e Bélgica. Portanto, o jogo entre Rússia e Dinamarca se realizou na capital do país nórdico. E com um detalhe a mais: devidos a questões restritivas de deslocamento no espaço geográfico em função de medidas sanitárias para contenção da pandemia, os russos foram impedidos de entrarem na Dinamarca. Ou seja, o "mando de campo" da Rússia foi num estádio onde todo o público presente nas arquibancadas era dos "visitantes" - e tome aspas.

No jogo, a visitante de fato e mandante de direito foi corajosa, tendo chegado ao ataque numa boa situação aos dezessete minutos: Aleksandr Golovin carregou em jogada individual, entortou a marcação de Pierre-Emile Kordt Højbjerg (isso é um nome ou um título?) e chutou rasteiro. Kasper Schmeichel, honrando a genética do pai - o lendário goleiro Peter -, conseguiu rebater e impedir que os russos abrissem o placar em sua casa. Sua, que eu digo, a de Schmeichel e dos demais dinamarqueses.

Se essa boa chegada da Rússia passou a impressão de que a Dinamarca estaria caminhando para mais um resultado adverso no torneio, a impressão começaria a ser desconstruída com um domínio territorial crescente da seleção mandante de fato e visitante de direito. Aos vinte e oito minutos, Højbjerg arriscou de fora da área, Matvei Safonov se esticou e a bola passou perigosamente à direita. Nove minutos depois, era aberto o placar na capital dinamarquesa: possivelmente encorajado pelo ótimo chute do companheiro, Mikkel Damsgaard recebeu de Højbjerg entre as linhas de marcação, arrumou para a perna direita e, antes da chegada de Georgiy Dzhikiya, descolou lindo chute no canto esquerdo. Golaço.

A exemplo do que ocorrera na rodada anterior, diante da Bélgica, a Dinamarca ia novamente ao vestiário com a vantagem de um gol a zero. E talvez a virada concedida naquela partida tenha servido de lição. Bastante atenta em todos os setores do campo, com Simon Kjær liderando uma defesa costumeiramente bem postada - há que se elogiar também as atuações de Andreas Christensen e de Jannik Vestergaard -, a Dinamarca buscava o segundo gol e marcava firme desde o campo ofensivo. Numa dessas, a pressão na saída de bola deu resultado: aos treze, Roman Zobnin teve a infelicidade de, na tentativa de recuar para o goleiro Safonov, acabar presenteando o atacante Yussuf Poulsen, que sequer precisou ajeitar a bola na jogada, bastando empurrá-la para a rede. Dois a zero.

A festa dinamarquesa se multiplicou quando veio a notícia de um gol de Lukaku para abrir a contagem a favor da Bélgica, algo bastante celebrado pelo fato de permitir que a Dinamarca ultrapassasse a Finlândia naquele momento. Só que a euforia rapidamente deu lugar à apreensão: o gol belga foi anulado por marcação de impedimento e, instantes depois, foi concedido pênalti para a Rússia em jogada onde houve tranco de Stryger Larsen em Vyacheslav Karavaev seguido de possível empurrão de Vestergaard em Alexander Sobolev. O centroavante goleador Artem Dzyuba se encarregou da cobrança e mandou no meio do gol, com Schmeichel saltando para a esquerda de forma a não conseguir chegar na bola mesmo esticando a perna direita.

Com um retrospecto histórico amplamente favorável aos russos (foram nove vitórias em dez confrontos diretos diante dos dinamarqueses), o público presente em Copenhagen silenciou como se pressentisse o pior. Mas uma torcida que presenciou um milagre com seu camisa dez Christian Eriksen no primeiro jogo não deveria se abater por nada mais. E, dentro de campo, a seleção da Dinamarca deu a melhor resposta: aos trinta e três minutos, numa pressão intensa, o goleiro Safonov salvou a Rússia uma, duas, três vezes em sequência. Até não conseguir mais: na quarta finalização praticamente consecutiva, Christensen soltou um foguete que viajou direto para o fundo do gol. Três a um.

O clima voltou a ser de euforia absoluta, pois cinco minutos antes a Bélgica marcava o primeiro no jogo diante da Finlândia - dessa vez sem anulação. Um a zero lá e três a um aqui, o que poderia ser melhor? Lukaku marcar o segundo gol belga, aos trinta e cinco, e Joakim Mæhle marcar o quatro dinamarquês, aos trinta e seis. Na comemoração, Mæhle exibiu os dez dedos das mãos, homenageando Eriksen. 

Com o apito final nas duas partidas, a Dinamarca conseguiu confirmar a classificação na segunda colocação após iniciar a rodada na lanterna na chave. Qual o limite do sonho de quem já viu um milagre?

Festa completa em Copenhagen: Dinamarca goleia a Rússia e se classifica para as oitavas na Eurocopa 2020. Imagem extraída de Giro de Notícia.


domingo, 17 de dezembro de 2017

Análise Da Copa Do Mundo 2018 - Grupo C

Foi realizado no dia primeiro de dezembro o sorteio da fase de grupos para a Copa do Mundo 2018. Analisamos o grupo A e também o grupo B. Chegou a vez de dar alguns pitacos sobre o grupo C. Chave que reúne três seleções entre as doze primeiras do mundo na mais recente divulgação do ranqueamento da FIFA.

Grupo C: França, Austrália, Peru e Dinamarca.

França

Didier Deschamps, capitão da seleção campeã mundial em 1998, conta com uma geração especial. São muitos jogadores talentosos e que estão em ascensão nas suas carreiras. Além desse "material humano" qualificado, a França vai ao Mundial com a credencial de ter sido vice-campeã continental em 2016, numa campanha que, em alguns momentos, comprovou a qualidade técnica da equipe.

França: 9ª colocada no ranqueamento da FIFA.
Talvez o maior desafio do treinador seja saber manejar a jovialidade do elenco. Mbappé (18 anos), Coman (21) e Martial (22) são alguns dos nomes mais badalados na atualidade. E pra quem acha pouco, o potente setor ofensivo dos Bleus conta também com atletas do nível de Giroud, Griezmann e Lacazette. Ou seja, dá para montar diversas combinações de respeito no ataque francês.

A campanha nas Eliminatórias foi sólida: sete vitórias, dois empates e somente uma derrota num grupo que tinha a Suécia e a Holanda como principais rivais. Destaques para as vitórias sobre a Laranja: 1a0, em Amsterdã, e 4a0, em Paris.

Os dezoito gols azuis foram relativamente bem distribuídos: Giroud e Griezmann anotaram quatro; Gameiro, Lemar, Payet e Pogba marcaram duas vezes cada; Matuidi e Mbappé fizeram um. A defesa, aparentemente cada vez mais consistente, cedeu seis gols e foi a menos vazada na chave. Se Deschamps conseguir o ponto de equilíbrio (a meu ver, passa necessariamente pela interação de Matuidi e Pogba entre a marcação e a transição), não há limites para a França nessa Copa. É daquelas seleções que darão gosto de ver jogar.

Austrália

Do relativo amadorismo ao hábito de jogar mundiais: a Rússia-2018 será a quarta Copa do Mundo consecutiva da Austrália, que até então só havia participado em 1974. Nessa caminhada dos Socceros, o passo (leia-se salto de canguru) mais ousado foi possivelmente a filiação à Federação Asiática. Encontraram uma eliminatória mais difícil que a da Oceania mas de uma dificuldade acessível - e mais do que isso, capaz de impulsionar a seleção a um nível mais alto e que lhe trouxesse alguma perspectiva de competir diante de seleções mais tradicionais.

Austrália: 39ª colocada no ranqueamento da FIFA.
Não havendo nenhum nome destacável na nova geração, a realidade é que os australianos têm suas esperanças majoritariamente depositadas nos veteranos Jedinak (meio-campista capitão da equipe aos 33 anos de idade) e Tim Cahill (atacante, 38, e maior goleador na história da seleção com 50 gols).

Tomi Juric, um dos goleadores nas Eliminatórias Asiáticas com cinco gols, atua no futebol suíço e foi campeão na Liga dos Campeões da Ásia em 2014, quando vestia a camisa do Western Sidney Wanderers. Mathew Leckie, meio-campista autor de três gols e duas assistências nas mesmas eliminatórias, atua no Hertha Berlin, estando em sua sétima temporada no futebol alemão. E aí você pergunta: "beleza, quem desses daí resolveu as coisas na repescagem com a seleção de Honduras"? Resposta: nenhum deles, mas o trintão Jedinak, que marcou todos os três gols nos 3a1 em Sydney (a partida de ida havia terminado 0a0).

Peru

36 anos depois, o Peru está de volta a uma Copa do Mundo. Com tantos personagens que compuseram esse roteiro cinematográfico que terá suas próximas locações em território russo, há um protagonista a ser enaltecido: o técnico argentino Ricardo Gareca.

Peru: 11ª colocada no ranqueamento da FIFA.
Uma campanha consistente na Copa América. Uma surpreendente arrancada nas Eliminatórias Sul-Americanas. Uma partida fantástica no jogo de volta na Repescagem. Desde fevereiro de 2015, quando assumiu a seleção peruana após breve passagem pelo Palmeiras, o quatro vezes campeão argentino com o Vélez Sarsfield vem fazendo um trabalho excepcional com La Blanquirroja.

O cerebral Cueva, principal articulador de jogadas, tem sua tarefa facilitada graças às muitas opções de aproximação tanto pelo centro com Flores e Ruidíaz, quanto pelas beiradas - Advíncula e Polo pela direita, Trauco e Farfán pela esquerda. É um time que se movimenta bastante, que esbanja entrosamento e que "não aceita" a marcação adversária, sabendo dela se desvencilhar.

O primeiro tempo de partida com a Nova Zelândia, no estádio Nacional de Lima, foi uma aula tática. Com um detalhe: estava ausente o principal nome do futebol peruano, Guerrero, suspenso por uso de substância proibida. O atacante se defende e mantém esperanças de ser inocentado a tempo de reverter a ausência no Mundial (a atual punição de banimento por um ano impede sua participação na próxima Copa). Mas, Gareca conseguiu montar um time que não dependerá de Guerrero para jogar com classe e estilo. A torcida pela presença de Guerrero é mais por uma questão de justiça (a dopagem foi provavelmente por contaminação) do que por necessidade técnica/tática da equipe. E teria, a meu ver, um efeito muito mais moral do que esportivo.

Invicta há dez partidas, a seleção do Peru terá no jogo de estréia um confronto fundamental em suas pretensões no Mundial: a Dinamarca, em dezesseis de junho. Considerando o favoritismo francês e o fato da Austrália ser o adversário menos qualificado no grupo, essa partida é chave. E tenho grandes expectativas de que será um jogaço.

Dinamarca

Se alguém tinha alguma dúvida sobre as capacidades da seleção dinamarquesas, elas foram
suprimidas no jogo derradeiro rumo à Copa: a partida de volta com a Irlanda, pela Repescagem Européia. Após o 0a0 em Copenhaguen, a equipe nórdica se viu atrás no marcador já no sexto minuto em Dublin. E, de virada, aplicou uma goleada de 5a1, com direito a três gols do craque Christian Eriksen.

Dinamarca: 12ª colocada no ranqueamento da FIFA.
E então, dá pra cravar que seja favorita à "segunda vaga" na chave? Não, não dá. Não dá porque fica difícil saber se veremos uma Dinamarca que perde dentro de casa para Montenegro ou uma Dinamarca que aplica 4a0 na Polônia (sim, a única derrota polonesa nas Eliminatórias Européias foi uma goleada de quatro a zero em Copenhaguen). A certeza que fica é que a Dinamarca tem condições de apresentar um bom futebol, restando observar se o equilibrado sistema 4-5-1 do norueguês Åge Fridtjof Hareide será mais ofensivo ou pragmático. Se Nicklas Bendtner será opção para o decorrer do jogo ou titular do time, também é questão incerta. Será dada preferência a um homem de referência dentro da área? A um jogador de mais mobilidade? Poderá se formar uma dupla de frente incluindo ambas as características e teoricamente diminuindo a necessidade de Eriksen se apresentar como finalizador?

Seja como for, por mais que Eriksen seja capaz de decidir partidas (ele marcou oito gols e deu três assistências na fase de grupos nas Eliminatórias Européias, participando diretamente de mais da metade dos vinte gols dinamarqueses), é importante ter em mente que, na Copa, é mais difícil uma andorinha sozinha fazer verão. Se bem que será verão na Rússia...

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Dinamarca Busca Empate Mas Portugal Consegue Vencer No Final

Para embolar de vez o grupo mais forte nessa edição de Eurocopa, Portugal venceu a Dinamarca por 3a2 na cidade de Lviv e igualou sua campanha a dos dinamarqueses: agora, ambas as seleções têm três pontos, três gols marcados e três sofridos. Esse foi o primeiro jogo na Euro 2012 onde duas seleções marcaram mais de um gol na mesma partida. Na rodada derradeira, Portugal buscará a classificação diante da Holanda, enquanto a Dinamarca medirá forças com a Alemanha.

O jogo

Embalada pela surpreendente vitória sobre os holandeses na estréia, a Dinamarca começou a partida no ataque e com três minutos de jogo já conquistava o terceiro escanteio consecutivo. Na aproximação mais perigosa, Eriksen teve o chute travado por Pepe.

Zimling fazia uma boa partida, protegendo a linha de defesa e mostrando qualidade na execução dos lançamentos tentados, como quando acionou Rommedahl no flanco direito. Só que aos catorze minutos o forte camisa vinte e um dinamarquês gesticulou pedindo substituição, provavelmente com alguma distensão muscular. Morten Olsen escolheu Jakob Poulsen para entrar em seu lugar, concretizando a mexida dois minutos depois.

Aos dezessete minutos, o badalado Cristiano Ronaldo teve sua primeira oportunidade de gol no jogo, mas não aproveitou a finalização após rebote do goleiro Andersen em chute de Raul Meireles, mandando à direita. Três minutos depois, Cristiano Ronaldo sofreu falta de Kjaer na esquerda e ele próprio cobrou, mandando por cima e frustrando aqueles companheiros de equipe que aguardavam um cruzamento na área. Aos vinte e três minutos, uma nova falta pela esquerda do ataque português foi dessa vez cobrada por Miguel Veloso, que colocou na área, Postiga dividiu com dois adversários e Portugal ganhou escanteio. Nascia ali o primeiro gol do jogo: João Moutinho cobrou o córner, Pepe se antecipou à marcação e também a Nani e subiu bem, cabeceando antes do primeiro poste para marcar o primeiro gol português na Eurocopa 2012.

Cristiano voltou a tentar em lance de bola parada, dessa vez com a cobrança de falta desviando na barreira e saindo por cima, aos trinta e três minutos. Dois minutos depois, aos trinta e cinco, saiu o segundo gol lusitano: Nani recebeu pela direita, deu o passe rasteiro e Hélder Postiga foi preciso na finalização, completando de primeira e mandando no alto, estufando a rede. 2a0 Portugal.

Atrás no placar e naquele momento com saldo negativo, a Dinamarca foi ao ataque. Aos trinta e sete, Eriksen chutou de fora no canto esquerdo e o goleiro Rui Patrício foi buscar, mantendo sua rede guardada. Mas aos quarenta minutos, nem Rui Patrício nem ninguém de Portugal pôde evitar que a bela jogada dinamarquesa tomasse o rumo do gol: Kjaer lançou da esquerda invertendo jogo na direita, Jacobsen cruzou aberto, Krohn-Dehli ajeitou de cabeça encobrindo Rui Patrício e quem apareceu para concluir, também com cabeceio, foi Bendtner.

Já no minuto seguinte ao gol que diminuía a diferença no placar, a Dinamarca quase empatou, mas Rui Patrício segurou o cabeceio de Kjaer. Aos quarenta e três, Kjaer apareceu bem para evitar o terceiro gol português: Nani cruzou da direita, Postiga dividiu com Andersen e o participativo defensor dinamarquês afastou tendo Cristiano no encalço.

O segundo tempo teve início e Portugal se apresentava buscando o ataque, não se acomodando com a vantagem no placar. Aos quatro minutos, um toque que passou por Kjaer chegou até Cristiano Ronaldo que, livre de marcação, só tinha o goleiro à sua frente. E o camisa sete chutou em cima de Andersen, desperdiçando grande chance. Na marca de sete minutos, Nani carregou diante de Simon Poulsen, tentou cruzar fechado e a bola foi recolhida por Andersen. Aos nove, Agger conseguiu efetuar lindo desarme em Postiga, dando um carrinho limpo para corrigir o erro de Poulsen.

A Dinamarca tinha dificuldades no setor de criação e parecia que a situação pioriaria: aos treze minutos, Rommedahl caiu no gramado após lance em que era lançado por Kjaer. Olsen não viu outra alternativa a não ser fazer sua segunda substituição forçada, trazendo para campo o habilidoso Mikkelsen, que atuaria também aberto pelo lado direito. Só que Mikkelsen entrou bem no jogo e melhorou a movimentação da equipe no ataque. Aos dezesseis minutos, Kvist recolheu sobra de bola após cruzamento da direita e, de primeira, emendou belo chute que passou perto do ângulo esquerdo, no que seria um golaço. Aos dezoito, o capitão Agger voltou a mostrar serviço na defesa, cortando tentativa de passe de Cristiano para Postiga - na seqüência, Andersen afastou. Logo depois, Postiga deu lugar a Nélson Oliveira, na primeira substituição de Paulo Bento na partida.

Com vinte e três minutos, a transmissão televisiva divulgou as informações de que a posse de bola era dinamaquesa em 59% do tempo, com a equipe nórdica tendo trocado 350 passes para 169 dos lusitanos, isto é, praticamente o dobro. Muito disso se deve ao fato de que Portugal fazia uma ligação direta onde o defensor Bruno Alves rifava a bola para a frente, enquanto os defensores dinamarqueses, muito mais apurados no passe, executavam lançamentos e inversões de jogo na maioria das vezes esbanjando precisão. Mesmo com esse diferencial, o jogo era equilibrado. Aos vinte e cinco minutos, Nélson Oliveira chutou de fora e Andersen pegou - Oliveira pediu desculpas por não ter optado pelo passe no lance. No minuto posterior, Bendtner dominou, trouxe para a esquerda e chutou cruzado à direita. Aos trinta e dois minutos, Nani entregou para Cristiano e o "jogador mais caro do mundo" ficou livre para fazer o que quisesse diante do goleiro Andersen. Um corte para a esquerda seguido do chute seria uma solução prática. Mas Cristiano, aparentemente tão desenvolto em lances no meio-campo e cheio de recursos técnicos, chutou para fora de maneira bisonha, mandando à esquerda. No ataque seguinte da Dinamarca, saiu o gol de empate: aos trinta e quatro, Jacobsen cruzou da direita, Pepe acompanhou a bola sem conseguir alcançá-la (reza a cartilha que quem tem que ser marcado é o adversário, e não a bola) e Bendtner, livre de marcação, cabeceou firme para a rede. Rui Patrício até conseguiu tocar na bola, mas sem evitar o gol. 2a2 no placar.

Portugal queria retomar a frente no marcador e teve chance aos trinta e oito, quando Cristiano Ronaldo, dessa vez bem marcado por Jacobsen e Agger, chutou fraco e parou em defesa de Andersen. Aos trinta e nove, Paulo Bento realizou a segunda substituição, trocando Raul Meireles por Silvestre Varela. Varela é aquele mesmo que entrou no segundo tempo de estréia e perdeu chance quando estava cara-a-cara com Neuer. Só que, dessa vez, a sorte lhe sorriu: aos quarenta e um, Fábio Coentrão cruzou da esquerda, Cristiano não foi na bola, Varela capou na tentativa com a perna esquerda mas teve a felicidade de contar com uma segunda oportunidade, dessa vez convertendo em chute de direita, estufando a rede no canto esquerdo.

Paulo Bento, então, tratou de convidar os portugueses a concentrarem as atenções na defesa, trocando Nani por Rolando, aos quarenta e três. Aos quarenta e cinco, Olsen fez a última alteração ao trocar Krohn-Dehli por Schone. Com quarenta e seis, Cristiano parou contra-ataque dinamarquês cometendo falta por trás em Kvist e recebendo cartão amarelo. Aos quarenta e oito, a última investida da Dinamarca na busca pelo empate: em jogada trabalhada de diversas trocas de passe, Mikkelsen recebeu de Jacobsen, deu para Schone na direita e o chute saiu por cima.

Dinamarca e Portugal jogarão a última rodada na fase de grupos dependendo de si para avançar. Resta saber como se comportarão diante de alemães e holandeses, adversários que também entrarão em campo buscando a classificação.

sábado, 9 de junho de 2012

Holanda Joga Bem, Mas Paga Pelo Desperdício: 1a0 Dinamarca

Apareceu a primeira surpresa na Eurocopa 2012. Por se tratar de um grupo com quatro seleções de boa qualidade, não chega a ser uma zebra daquelas que cause grande espanto, mas pouca gente esperava uma vitória dinamarquesa pra cima da Holanda na estréia dessas seleções no torneio continental. E, a bem da verdade, a Dinamarca teve sorte durante o jogo realizado em Kharkiv, no estádio do ucraniano Metalist: a Holanda criou muito mais chances, teve mais a bola e poderia ter um pênalti marcado a seu favor aos 43 minutos do segundo tempo, mas o árbitro esloveno Damir Skomina ignorou a infração cometida.

A primeira chegada ao ataque até foi da Dinamarca, com Agger cabeceando após cobrança de falta pela direita e Stekelenburg segurando, com um minuto de jogo. Mas a Holanda responderia já no minuto seguinte e mostraria grande superioridade dentro de campo. Começou com finalização de Willems, que chutou por cima após receber a bola de Van der Wiel. Aos quatro, Sneijder fez a bola viajar até o lado direito, Van Persie escorou de cabeça e Afellay emendou à esquerda. Aos seis minutos, Robben recebeu de Sneijder no lado esquerdo, cruzou rasteiro e o desvio de Kjaer fez a bola chegar limpa para Van Persie, mas o chute saiu à direita da meta.

Com boa movimentação no setor de ataque, os holandeses conseguiam envolver o sólido sistema defensivo dinamarquês e as chances continuavam aparecendo. Aos nove minutos, Afellay recebeu na esquerda, fintou Jacobsen e chutou por cima. No minuto seguinte, Van Persie lançou Sneijder nas costas de Kjaer e o camisa 10 cabeceou à esquerda, provavelmente tentando encontrar algum companheiro na área. Aos treze minutos quem finalizou foi Van Bommel, mas o chute forte dado após sobra de escanteio saiu por cima.

Depois de tantas investidas com remates sem direção, era chegada a hora do goleiro dinamarquês trabalhar. Aos quinze minutos, Robben recebeu na direita, carregou em diagonal, chutou rasteiro e Andersen pegou. A Dinamarca respondeu com Rommedahl no minuto seguinte, mas Stekelenburg evitou o pior ao interceptar a tentativa de cruzamento vinda do lado direito. O jogo parecia não parar e, mais um minuto corrido no relógio, nova ocasião de gol: Robben tabelou bonito com Van Persie, avançou e tocou de lado uma bola que tinha tudo para ser concluída em gol por um dos dois holandeses que apareciam livres, mas a defesa dinamarquesa conseguiu interceptar no último momento. Aos vinte e dois, Robben carregou, passou para Van Persie e o camisa 16 girou bem, mas chutou à direita.

Era boa a atuação holandesa e o gol parecia cada vez mais perto de acontecer. E ele acabou acontecendo, só que para o lado menos provável: aos vinte e três minutos, Simon Poulsen avançou pelo lado esquerdo, a bola bateu em Van der Wiel e chegou até Krohn-Dehli, que foi ágil e esperto para com um único toque na bola escapar de dois marcadores, finalizando o lance com um chute rasteiro que passou por entre as pernas de Stekelenburg. 1a0 Dinamarca.

O gol sofrido não abateu os comandados de Bert van Marwijk e a Holanda seguiu o jogo com a bola e criando oportunidades de gol. Aos vinte e oito, Vlaar cabeceou à direita após escanteio cobrado por Robben pelo lado direito. Aos trinta e cinco, quase saiu o empate: Andersen saiu jogando errado, Robben recolheu a bola, avançou, arrumou pro chute e carimbou caprichosamente a trave direita. Três minutos depois, Afellay escapou de Agger e chutou por cima.

Apesar de pressionada no campo de defesa, a Dinamarca conseguia escapar de vez em quando. Aos trinta e nove minutos, Bendtner abriu na direita com Jacobsen, o lateral cruzou e Zimling não foi feliz na finalização, chutando mascado uma bola que poderia chegar em Krohn-Dehli. Dois minutos depois, Krohn-Dehli chutou rasteiro de fora da área e Stekelenburg defendeu no canto esquerdo. No minuto seguinte, a Holanda chegou bem quando Sneijder recolheu sobra de lançamento, serviu Van Persie, o camisa 16 não dominou como gostaria mas mesmo assim conseguiu se virar para finalizar, parando no goleiro Andersen. Na seqüência, Sneijder colocou para fora. A Dinamarca teve uma última oportunidade antes do intervalo, mas o escanteio pela direita que bateu em Bendtner acabou seguro por Stekelenburg.

As equipes voltaram com os mesmos jogadores para o segundo tempo, e se a Holanda havia pressionado na etapa inicial, retornou do intervalo estabelecendo um domínio total e absoluto. Para se ter uma idéia da ampla superioridade da seleção laranja, foram sete chances de gol nos primeiros sete minutos. Van Persie, goleador na última edição da Premiership após fazer bela temporada com a camisa do Arsenal, desperdiçou duas delas. O cronômetro avançava e a Holanda mais ainda, com novas oportunidades de gol surgindo. Wesley Sneijder tinha atuação destacada no meio-campo, descolando passes e lançamentos precisos para servir os companheiros, mas o desperdício seguia imperando na hora das finalizações.

Aos vinte e cinco minutos, Van Marwijk tratou de fazer uma dupla substituição: saíram De Jong e Afellay, entraram Van der Vaart e Huntelaar. Van der Vaart entrou no jogo e logo mostrou serviço, aparecendo em dois lances que terminaram um sendo afastado pela defesa e outro saindo por cima. Morten Olsen resolveu mexer na Dinamarca e, aos vinte e oito, trocou Eriksen por Schone. Ainda na marca de vinte e oito minutos, Sneijder deu enfiada de bola deslumbrante com uma trivela certeira para Huntelaar - o camisa 9 parou no goleiro Andersen, que ainda conseguiu chegar antes de Van Persie no rebote para salvar a Dinamarca. Cada treinador mexeria mais uma vez em suas equipes: Olsen, aos trinta e oito, trocou Rommedahl (que deixou o campo irritado) por Mikkelsen; Bert, no minuto posterior, colocou Kuyt no lugar de Van der Wiel. Achei bacana por parte do treinador holandês manter a confiança em Van Persie, mesmo numa tarde onde as coisas não iam bem para o jogador.

Com Sneijder, Kuyt, Van der Vaart, Robben, Van Persie e Huntelaar juntos, a presença da Holanda no campo de ataque era marcante. Aos quarenta e três, Huntelaar disputou a bola dentro da área e Jacobsen fez a interceptação esticando o braço até a bola - pênalti não marcado pela arbitragem, para indignação dos holandeses. A Holanda não se deu por vencida e chegou mais duas vezes, mas as duas jogadas aéreas terminaram em cabeceios para fora. Dizem que os números são frios, mas há alguns dados estatísticos que ilustram bem o que foi o jogo. Veja só esses: Holanda e Dinamarca deram, cada uma, oito chutes na direção do gol. Agora note a quantidade de remates que foram para fora: 20 da Holanda, 0 da Dinamarca.

Se a Holanda conseguir novas atuações desse nível e melhorar a pontaria, ou irá descolar goleadas históricas ou consagrará goleiros adversários. A Dinamarca, para seguir surpreendendo, terá de manter a eficiência na hora de concluir o lance e melhorar um pouco a proteção à defesa - ou torcer para que a sorte volte a lhe sorrir, sobretudo se encontrar um adversário com poderio ofensivo similar ao holandês.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Eurocopa 2012: Pitacos Para O Grupo B

Como você já deve saber, a Euro 2012 terá início no próximo dia oito e reunirá dezesseis seleções divididas em quatro grupos. Na edição 2008, a Espanha se sagrou campeã do continente de maneira convincente. O que será que os deuses do futebol nos reservarão em solos polonês e ucraniano? Vamos descobrir em breve. No tópico anterior, abordamos o grupo A (Polônia, Grécia, Rússia e República Tcheca). Agora é a vez de adentrarmos no grupo B.

Grupo B: Holanda, Dinamarca, Alemanha e Portugal.

Não é somente o "grupo da morte". É, talvez, o grupo mais forte da história recente do futebol mundial. Faz lembrar aquele grupo da Euro 2008, que contava com Holanda, França, Itália e Romênia. Essa é uma chave que promete emoções e, principalmente, boas partidas de futebol.

Com três goleiros de qualidade, uma defesa experiente, um meio-campo criativo e combativo e um ataque avassalador. É assim que a Holanda de Bert van Marwijk se apresenta para a Eurocopa 2012 e, não por acaso, figura entre as favoritas ao título.

São muitos os jogadores de técnica apurada no selecionado holandês e dá gosto ver atletas como Wesley Sneijder, Arjen Robben e Dirk Kuyt preenchendo os espaços no gramado trajando o mesmo uniforme. Mas, a julgar pela temporada 2011-2, a principal esperança da Laranja no torneio reside no desempenho de Robin van Persie, goleador na Premiership (30 gols com a camisa do Arsenal) e, possivelmente, o atual melhor centroavante do mundo (isso se não considerarmos Lionel Messi um centroavante ou mesmo alguém desse mundo). A estréia será diante da Dinamarca, curiosamente a mesma adversária na estréia pela Copa do Mundo 2010. Pitaco: a Holanda avança de fase.

Com um elenco experiente e um treinador que conhece como poucos o futebol do país, a Dinamarca chega na Euro 2012 como grande zebra no grupo B. E se um time que conta com o talentoso Christian Eriksen, o hábil Dennis Rommedahl e o oportunista Nicklas Bendtner pode ser chamado de zebra, você imagina o quão forte é a chave em questão. No amistoso diante do Brasil, os comandados de Morten Olsen melhoraram de rendimento após as entradas  de Thomas Kahlenberg e Rommedahl, restando saber se o treinador escolherá usá-los entre os onze iniciais. Pitaco: a Dinamarca não se classifica.

Alemanha. Tá aí uma seleção que merece atenção especial. Tradicionalmente uma equipe de futebol truculento e pragmático, usando e abusando da força física para fazer os resultados que a interessavam. Mas, depois que um certo Joachim Löw deu o ar da graça, o jogo apresentado pelos alemães teve uma transformação formidável. Talvez seja atualmente um dos maiores expoentes do futebol-arte, com apresentações encantadoras em pelo menos três partidas no Mundial da África do Sul 2010. Atual vice-campeã continental, a vistosa Alemanha de Löw buscará o título. Mas o caminho não será simples, a começar pelo forte grupo que lhe foi sorteado. Com muitos jovens talentos sob o comando de um treinador dos mais competentes, tudo leva a crer que, independentemente do resultado, a Alemanha fará bonito na Eurocopa. Pitaco: a Alemanha avança de fase.

A seleção portuguesa chega na Euro 2012 sem convencer. Talentos individuais existem - vide Fábio Coentrão, Cristiano Ronaldo e Nani. Mas parece que Paulo Bento segue a linha de seus antecessores em dar muito maior atenção à marcação do que à criação de jogadas, o que vejo como um desperdício de um material humano de qualidade à disposição do treinador. Os últimos três amistosos incluem dois empates sem gol com Polônia e Macedônia e uma derrota por 3a1 para a Turquia. Tem todo o direito de sonhar com algo interessante na competição - a geração portuguesa conta com atletas talentosos -, mas se quiser saber o que eu acho... Pitaco: o Portugal não se classifica.

Na próxima postagem será a vez de analisarmos o grupo C.

sábado, 26 de maio de 2012

Dinamarca Facilita No 1º Tempo E Brasil Vence Amistoso Na Alemanha

A seleção brasileira muito mais se aproveitou de erros cometidos pelos dinamarqueses do que propriamente usufruiu de um bom futebol praticado por si. E, desta forma, construiu uma tranqüila vitória por 3a1, indo para o intervalo com uma vantagem de 3 gols e sofrendo um que foi marcado em condição irregular.

O Brasil de Mano Menezes veio montado com um olhar olímpico, usando diversos jogadores com idade sub-23 e que provavelmente estarão em Londres. Já a Dinamarca de Morten Olsen foi a campo na cidade de Hamburgo (Alemanha) com um elenco que provavelmente representará o país durante a Eurocopa 2012, na Polônia e na Ucrânia. E, a julgar pelo desenrolar dos acontecimentos, pela proximidade do evento e pela força do grupo B, a equipe dificilmente conseguirá avançar diante de Portugal, Holanda e Alemanha.

Os destaques da partida realizada na Imtech Arena me pareceram poucos. Uma coisa que funcionou bem foi a marcação-pressão brasileira, notadamente nos primeiros minutos de partida. O comprometimento de jogadores como Lucas, Oscar, Hulk e Damião dificultaram a saída de bola dinamarquesa, ajudando o adversário a se complicar. Foi numa parceria entre Hulk e Oscar que saiu o segundo gol, marcado contra por Niki Zimling, aos doze minutos. Antes disso, aos sete, um chute de longa distância de Hulk colocou o experiente goleiro Thomas Sorensen em maus lençóis, fazendo a bola passar por baixo dos braços do camisa 1. O outro camisa 1, Jéfferson, teve até mais trabalho que os dois goleiros utilizados pela Dinamarca, mas saiu-se muito bem. Foram pelo menos duas defesas plasticamente bonitas e outras intervenções que ajudaram a seleção a não ceder gols ao oponente, principalmente no segundo tempo. Quer dizer, até houve um gol dinamarquês, mas a boa jogada de Zimling que terminou em conclusão de Nicklas Bendtner deveria ter sido invalidada por impedimento. O atacante portista Givanildo, vulgo Hulk, teve como maior momento o belo terceiro gol brasileiro, ainda na etapa inicial. Em contra-ataque aproveitando nova falha adversária (boa recuperação de bola de Oscar), o camisa 20 avançou, limpou a marcação e concluiu com frieza, em oportunismo não exibido pelo centroavante Leandro Damião.

A seleção brasileira volta a campo na terça-feira para enfrentar os Estados Unidos, em nova partida amistosa. Ainda enfrentará México e Argentina. Já os dinamarqueses duelam com os australianos, dia dois de junho, no último jogo amistoso antes da estréia na Eurocopa 2012, maracada para o dia nove, diante da atual vice-campeã mundial, a Holanda.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Japão Vence, Consolida 2º Lugar E Pega O Paraguai

Duas cobranças de falta certeiras ainda no primeiro tempo e uma obediência tática primorosa que dificultava as investidas adversárias. Com esses dois requisitos, o Japão venceu a Dinamarca com autoridade e, desde que abriu o placar no estádio Royal Bafokeng, jamais viu a sua classificação colocada em risco. É a segunda vez que os japoneses avançam para as oitavas-de-finais (a outra foi em 2002, quando sediaram com a Coréia do Sul). Já os dinamarqueses, se não eram franco favoritos a conquistar uma vaga, no mínimo deixaram a sensação de que poderiam ter rendido mais em solo sul-africano.

O jogo

Aos 2 minutos, Simon Busk Poulsen tabelou com Jon Dahl Tomasson e chutou por cima. Aos 6', nova chegada dinamarquesa contando com esses dois jogadores: Simon Poulsen tabelou com Thomas Kahlenberg e cruzou, mas Tomasson não alcançou a bola através da puxada, contentando-se com escanteio. Na cobrança, Dennis Rommedahl cruzou e Per Billeskov Kroldrup completou no segundo pau, mandando à direita do gol.

O árbitro sul-africano Jerome Damon demonstrou ter ciência que o empate era benéfico ao Japão e tratou de agir para coibir o retardamento da bola em jogo já com 11 minutos do primeiro tempo: Yasuhito Endo demorou para cobrar uma falta e recebeu cartão amarelo.

Aos 12 minutos, a primeira chegada japonesa por muito pouco não terminou em gol: Yoshito Okubo lançou da esquerda, Daisuke Matsui se antecipou ao goleiro, tirou os dois pés do chão e desviou no ar - Thomas Sorensen fez linda defesa com a perna. Ainda aos 12' o Japão chegou novamente: Matsui passou reto enfiando para Makoto Hasebe, que chutou perto do ângulo esquerdo. A resposta dinamarquesa foi à altura: no minuto seguinte, Tomasson recebeu na esquerda, entrou na área e chutou cruzado, para fora. Por falar em altura, a média de estatura da seleção dinamarquesa é 9 centímetros maior que a japonesa.

Na marca de 16 minutos, falta para o Japão. A distância é considerável, mas quem está na bola é Keisuke Honda - quem acompanha os jogos do CSKA Moscou deve ter uma idéia de que a intermediária parece mais perto da linha-de-fundo quando esse jogador parte pra cobrança. E lá foi ele. O chute não saiu muito forte, mas também nem precisava. Teve a direção e fez a curva necessárias para sair da barreira, fugir do alcance de Sorensen e não ir para além da baliza. É até possível responsabilizar o goleiro, mas cabe dar os méritos para Honda, que se entendeu com a Jabulani. 1a0 Japão.

Aos 21', Christian Bager Poulsen lança Tomasson, o atacante não chuta mas mesmo assim o lance causa dificuldades ao goleiro Eiji Kawashima, que espalma. Por demorar a cobrar arremesso lateral, o novo cartão amarelo do jogo por motivos de "cera" - antes cedo do que nunca - vai para Yuto Nagatomo, com 25 minutos.

Na marca de 28 minutos, Kroldrup empurra Okubo e é amarelado. Falta frontal para o Japão, a 27 metros do gol. Honda, mais distante da bola, e Endo tomam posição para a cobrança. Dessa vez quem cobrou foi o camisa 7. Inapelável: pé direito, colocado, no canto esquerdo, sem chance de defesa para Sorensen.

Morten Olsen promove a primeira substituição já aos 33 minutos: sai o experiente Lars Martin Jorgensen para a entrada de mais um Poulsen, o Jakob Bendix Uhd.

A Dinamarca tinha mais a bola (60%), mas quem chegava com mais facilidade era o Japão. Aos 41 minutos, abertura na direita, levantamento na área e Okubo tenta o voleio, mas acaba dando de canela na redonda. Aos 43 minutos, Christian Poulsen recebe de fora da área e chega chutando - a bola tinha o endereço do ângulo, mas Kawashima teve tempo hábil de segurar com firmeza. No mesmo minuto o Japão respondeu com Yuichi Komano, que avançou pela direita, chutou alto e Sorensen mandou para escanteio.

As equipes voltaram para a segunda etapa com o Japão podendo administrar uma vantagem relativamente confortável: venciam por 2a0, jogavam com a vantagem do empate e tinham o controle do jogo. Para a Dinamarca, a irremediável missão de correr atrás do prejuízo e aceitar se expôr aos contra-ataques japoneses.

Aos 2 minutos, a vitória quase tomou rumo de goleada: Endo cobrou falta levantando a bola na área e quase marcou ao estilo Ronaldinho Gaúcho naquele gol em 2002 diante de David Seaman (quartas-de-finais, Brasil 2a1 Inglaterra). Mas Sorensen conseguiu tocar na bola o suficiente para desviá-la para a trave, evitando por pouco o que seria o terceiro gol em cobrança de falta no mesmo jogo.

Com 5 minutos, cruzamento dinamarquês pelo lado direito, Tomasson dá leve desvio e a bola passa por Nicklas Bendtner e Kahlenberg. Aos 6', mais Dinamarca: Lars Christian Jacobsen levanta, Bendtner resvala e Tomasson chega dividindo com Hasebe e Kawashima - escanteio. 2 minutos depois, Nagatomo decidiu arrancar com a bola de onde estava (na altura do meio do campo e próximo da linha lateral esquerda), avançou em diagonal e chutou por cima.

Aos 10 minutos, Olsen realiza a 2ª substituição, tirando o defensor Kroldrup para colocar o avante Soren Larsen.

Na marca de 13 minutos, Rommedahl passa para Kahlenberg, que dá atrás para Jakob Poulsen chutar forte, à meia-altura: Kawashima espalma para a lateral. No minuto seguinte, Daniel Munthe Agger cobrou falta colocado e Kawashima mostrou segurança ao defender no canto esquerdo. Com 19', Daniel Agger cobra arremesso lateral na muvuca da grande área e Jerome Damon inventa falta de Bendtner. Um minuto depois, Sorensen voltou a trabalhar ao encaixar chute à meia-altura, de fora da área, dado por Okubo. Se antes o juíz inventou falta de Bendtner, dessa vez o camisa 11 saltou na jogada aérea abrindo o braço, atingindo Yuji Nakazawa e recebendo cartão amarelo.

Com 22 minutos, o jovem meio-campo de 18 anos Christian Dannemann Eriksen - que entrara 5 minutos antes no lugar de Kahlenberg, na 3ª e última substituição dinamarquesa - pegou sobra de bola e chutou perto do ângulo esquerdo. 2 minutos depois, Rommedahl recebeu presente do adversário e passou para Tomasson dar uma furada daquelas que subsidiam o debate em torno do seu talento. Aos 27', Nagatomo pega a bola pelo lado esquerdo, trás para o centro e chuta para defesa de Sorensen.

Com 28 minutos, Takeshi Okada fez a primeira troca japonesa: Matsui por Shinji Okazaki. Aos 32', Okazaki participou ao cabecear levantamento de Okubo, mas parou em defesa de Sorensen.

A Dinamarca seguia com a bola nos pés (61% naquele momento), mas era difícil vislumbrar como reverter aquele placar. Aos 33', Larsen recebeu bola alçada, girou e carimbou o travessão. No minuto seguinte, Hasebe deu à Dinamarca a grande chance de sair do zero: cometeu pênalti. Tomasson partiu, parou em defesa de Kawashima, mas conferiu no rebote.

Se a Dinamarca acreditou numa improvável reviravolta, os japoneses deram o golpe final aos 42 minutos: de Okubo para Honda, drible em Rommedahl e assistência para Okazaki dar números finais.

De resto, uma substituição aos 45' (Endo por Junichi Inamoto), uma chance para a Dinamarca aos 46' (Agger chutou mas a defesa japonesa desviou para escanteio) e uma chance para o Japão aos 48' (Honda recebeu, carregou e chutou por cima).

domingo, 20 de junho de 2010

Camarões Paga O Preço Do Desperdício Diante Da Dinamarca

Quem foi ao estádio de Pretória assistir Camarões e Dinamarca certamente presenciou um dos melhores jogos da Copa do Mundo 2010. Com ambas as seleções buscando o gol - o que parece algo óbvio, mas não é -, o que se viu foi uma partida eletrizante e cheia de alternativas. Camarões saiu na frente aproveitando erro na saída de bola dinamarquesa, mas acabou levando a virada e, apesar do esforço, não evitou a derrota e tornou-se a primeira seleção sem chances de classificação para a próxima fase. O resultado também garantiu a presença holandesa nas oitavas-de-finais, com o jogo entre Japão e Dinamarca, na última rodada da primeira fase, sendo o confronto direto pela outra vaga - a seleção asiática tem a vantagem de poder empatar para avançar.

O jogo

A partida foi aberta desde o início, com as seleções atacando e sendo atacadas já de início. O primeiro gol não demorou a sair e aconteceu em erro primário na saída de bola: aos 10 minutos, Christian Poulsen saiu jogando errado, Pierre Achille Webó Kouamo recuperou pelo lado esquerdo de ataque e passou para Samuel Eto'o mostrar todo seu oportunismo, chutando no contrapé de Thomas Sorensen.

Já aos 12 minutos, Camarões teve chance de ampliar quando Achille Emana Edzimbi pegou a sobra e chutou à direita. 4 minutos depois, resposta dinamarquesa: Jesper Gronkjaer recebeu passe que veio da linha-de-fundo, chutou cruzado e a bola saiu em escanteio. Aos 19', no mesmo minuto em que Camarões teve chute à meia-altura defendido por Sorensen, a Dinamarca chegou mais uma vez: Dennis Rommedahl cruzou rasteiro e Jon Dahl Tomasson chegou dividindo com o goleiro Souleymanou Hamidou, mas sem conseguir o gol.

Sentindo o melhor momento dos adversários, Eto'o pedia que seus compatriotas marcassem a saída de bola dinamarquesa para dificultar o trabalho dos meio-campistas. Aos 28', chance para Camarões: Emana avançou com a bola dominada, teve opção de passe, mas preferiu definir sozinho e chutou por cima da meta. A Dinamarca respondeu no minuto seguinte: Nicklas Bendtner encontrou Lars Jacobsen pelo lado direito da área e o camisa 6 chutou direto pro gol, por cima do travessão.

3 minutos depois, a Dinamarca chegava ao empate. Simon Kjaer, do campo de defesa, lançou maravilhosamente a bola para Rommedahl, que cruzou rasteiro para Bendtner marcar de carrinho.

Aos 36', Camarões tentava o desempate: Gérémi Sorele N'Djitap Fotso recebeu invertida de bola na direita e tratou de cruzar de primeira, mas a defesa conseguiu cortar antes da chegada de Eto'o. 5 minutos depois, a Dinamarca quase chega à virada: Rommedahl roubou de Alexandre Dimitri Song-Billong no círculo central, tabelou com Bendtner, limpou o zagueiro e chutou para defesa de Souleymanou. Tomasson apareceu para pegar a sobra e chutou forte, com a bola explodindo na defesa - na seqüência, mais um chute, dessa vez por cima do gol. Camarões responde imediatamente e tem duas chances claras. Na primeira, Eto'o acertou a trave direita. Na segunda, Emana recebeu, passou entre dois defensores do jeito que quis e chutou para defesa se Sorensen - a bola ainda voltou em Emana e saiu pela linha-de-fundo, à direita.

Apito final para um primeiro tempo fantástico, onde tivemos gols, defesas dos goleiros, bola na trave, muita emoção e poucas faltas (5 cometidas pelos europeus e 3 pelos africanos).

Na volta para a segunda etapa, Morten Olsen trocou Daniel Jensen por Martin Jorgensen. Paul Le Guen também fez uma susbstituição, trocando Eyong Tarkang Enoh por Jean Makoun. E o início de segundo tempo foi frenético! Com 50 segundos, escanteio pelo lado direito a favor de Camarões, Stéphane M'Bia Etoundi apareceu na 1ª trave e cabeceou para bela defesa de Sorensen. Aos 2 minutos, Gérémi cruzou da direita, Webó deixou a bola passar e Benoît Assou-Ekotto chegou chutando, com a defesa salvando de carrinho.

A Dinamarca pôde respirar e incomodar aos 4 minutos: Daniel Agger cobrou falta na barreira, Kjaer pega a sobra de primeira e chuta uma bola que foi espalmada por Souleymanou. A arbitragem não viu o desvio e marcou tiro-de-meta.

Camarões retomaria o controle das ações e partiria em busca da vitória. Aos 12', Emana passou para Eto'o, o camisa 9 mandou na área para Webó, que chutou e isolou. Aos 15', Camarões chegava pelo lado esquerdo, mas não deu certo a tentativa entre Ekotto e Webó. No contra-ataque, a Dinamarca foi feliz e não desperdiçou: Rommedahl avançou pela direita, cortou Makoun e chutou cruzado, sem defesa para Souleymanou.

Antes buscando a vitória para ficar em melhor situação no grupo, Camarões agora corria atrás do gol de empate para seguir com esperanças no Mundial. Aos 17 minutos, M'Bia recebeu de Emana e cruzou para Webó, que subiu bem e cabeceou à direita. 3 minutos depois, Eto'o recebeu pela direita na altura da linha final e cruzou rasteiro para trás: Makoun chegou chutando de primeira, mas mandou por cima. Olsen, então, partiu para sua segunda alteração de jogadores: Gronkjaer por Thomas Kahlenberg.

Aos 23 minutos, Camarões trocou passes até Eto'o servir Emana, que chutou à esquerda. A Dinamarca respondeu aos 25', mostrando que ia atrás de um 3º gol a fim de poder jogar pelo empate na 3ª rodada: Rommedahl recebeu boa enfiada de bola e passou açucarado para Tomasson, que parou em defesaça de Souleymanou.

Com 27 minutos, Le Guen fez uma segunda troca: saiu o defensor Sébastien Aymar Bassong Nguena, pendurado com cartão amarelo, para a entrada do avante Mohammadou Idrissou. No minuto seguinte, Song recebeu, carregou para o pé direito e chutou de fora da área, por cima. Aos 30', uma entrada forte de M'Bia em Kahlenberg rendeu ao camaronês um cartão amarelo. Camarões chegou novamente aos 31': Emana recebeu a Jabulani, entrou na área, chutou cruzado e Sorensen salvou a pátria dinamarquesa.

Aos 33', a última cartada de Le Guen foi mexer no ataque: Webó por Vincent Paté Aboubakar. 1 minuto após a mexida, escanteio para Camarões pelo lado direito, Idrissou saltou e cabeceou por cima. E 1 minuto após essa finalização, lá vinha a Dinamarca: Tomasson passou a redonda para Bendtner, que chutou para defesa de Souleymanou.

Camarões seguia suas investidas buscando o gol: aos 36', Eto'o passou para Emana, a defesa dinamarquesa fez o desarme mas a sobra ficou com Aboubakar, que encheu o pé e a bola acabou batendo com força no rosto de Poulsen. Aos 39', Makoun, pelo lado direito, levantou na área e a bola acabou chegando para Idrissou, que cabeceou por cima. Olsen fez a 6ª e última substituição, tirando Tomasson para colocar Jakob Bendiz Uhd Poulsen e ganhar força no meio-campo. De fato, a partir daí a Dinamarca não teve mais grandes sustos - como se não bastassem todos os anteriores - e o último fato relevante na partida foi o cartão amarelo para Kjaer, que cumprirá suspensão na próxima decisão da seleção alvirrubra, diante dos japoneses.

Os camaroneses lamentam a eliminação precocemente anunciada no continente que abriga a sua nação. Porém, têm totais condições de se despedirem de cabeça erguida na partida diante da já classificada Holanda.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Essa Laranja Pode Dar Um Belo Suco!

Em um dos jogos mais aguardados pela primeira rodada da Copa 2010, Holanda e Dinamarca se encontraram no Soccer City. Os holandeses souberam impôr seu jogo, criaram mais chances, mas não conseguiram ser tão envolventes como provavelmente seriam caso Arjen Robben estivesse em campo. Mesmo com a derrota, não é razoável dizer que os dinamarqueses sejam carta fora do baralho. Pelo contrário, apresentaram jogadores interessantes na defesa, no meio e no ataque, em alguns momentos desenvolvendo boas jogadas.

A primeira finalização do jogo aconteceu aos 5 minutos, quando Wesley Sneijder cobrou falta da intermediária direto para fora. A resposta dinamarquesa veio no minuto seguinte e na mesma moeda: em bola parada, Thomas Enevoldsen isolou a redonda.

Com bola rolando, a Holanda chegou com perigo aos 9', quando Dirk Kuyt chutou cruzado, da entrada da área, para defesa de Thomas Sorensen, em dois tempos. Com 19 minutos, Robin van Persie recebe no comando de ataque, limpa a jogada e rola para Rafael Ferdinand van der Vaart, que vê seu chute ser bloqueado por Daniel Agger. No minuto seguinte, Rafael van der Vaart recebeu passe de Mark van Bommel, girou sobre a bola e chutou colocado, para fora. 1 minuto depois e era vez da Dinamarca se lançar ao ataque, quando Enevoldsen tentou resolver tudo sozinho, arrancando com a bola dominada mas chutando mal. Na marca de 27', os dinamarqueses chegaram bem: cruzamento de Dennis Rommedahl para Nicklas Bendtner, que cabeceou com liberdade mas desperdiçou, mandando a bola à direita do gol. 5 minutos mais tarde a Holanda encaixou uma boa seqüência de troca de passes, mas a bola desviou em Agger e foi para escanteio. No contra-ataque, grande inversão de bola de Enevoldsen para Rommedahl, que recebeu em boas condições mas chutou em cima de Maarten Stekelenburg. Aos 36', Bendtner dá belo passe para Rommedahl, que chuta para grande defesa de Stekelenburg. Passados 6 minutos e a Holanda quase inaugura o marcador: Kuyt manda para a área, a bola chega nos pés de van Persie, que cortou o zagueiro uma vez para a esquerda e outra para a direita mas acabou batendo para fora. Talvez tivesse melhor sorte se finalizasse após o primeiro corte, até porque sua maior precisão está na perna esquerda.

Se entre tantas chances a bola não entrou no 1º tempo, na volta do intervalo a Holanda acabou contando com uma "ajudinha" dos dinamarqueses: van Persie fez boa jogada pela esquerda, cruzou na área e Simon Poulsen tentou afastar de cabeça. A bola acabou batendo nas costas de Agger antes de ir dormir no fundo do gol de Sorensen: 1a0 Holanda.

A partir daí, a Holanda se sentiu mais a vontade no gramado e passou a chegar com mais facilidade na área adversária. Aos 6 minutos, van Persie recebeu grande passe, mas adiantou demais na hora de dominar e viu a Jabulani ser abraçada por Sorensen.

Aos 10', Morten Olsen decidiu realizar a 1ª troca: saiu Enevoldsen para a entrada de Jesper Gronkjaer. Com 13 minutos, van der Vaart recebeu a bola pelo alto e surpreendeu ao escorá-la direto para o gol - talvez sem querer -, para bonita defesa de Sorensen. Na marca de 15 minutos van Persie teve a sorte de contar com a benevolência do árbitro francês Stephane Lannoy: já com cartão amarelo recebido na primeira etapa, o camisa 9 holandês deu seqüência a um lance mesmo após marcado o impedimento. Alegou não ter conseguido ouvir o soar do apito - algo que realmente deve ser dificultado num ambiente recheado de vuvuzelas - e o juíz optou por não expulsar o atacante de jogo.

Inoperante na segunda etapa, Bendtner deu lugar a Mikkel Beckmann, aos 16 minutos. Com 21', a primeira substituição na Holanda: Bert van Marwijk trocou van de Vaart por Eljero Elia. Logo aos 23', Elia deu seu cartão de visitas ao driblar dois dinamarqueses com drible desconcertante, próximo à linha lateral.

Com 27 minutos, van Bommel surge como elemento surpresa no setor direito e chuta para defesaça de Sorensen. 4 minutos depois, van Persie sai de jogo para dar lugar a Ibrahim Afellay.

Aos 36', Sneijder recebe a bola na direita, dá dois toques na bola para centralizar a jogada e chuta: a redonda desvia no percurso e quica no travessão dinamarquês. 3 minutos mais tarde, Sneijder enfia para Elia, que chuta consciente: Sorensen toca na bola, desviando-a para a trave. Na seqüência, Kuyt foi mais esperto que os dois defensores adversários e pegou o rebote para empurrar para dentro: 2a0.

Com 42', a última mexida na Holanda: se Nigel de Jong não saiu de campo expulso por uma entrada violenta, o técnico acabou tirando o camisa 8 ele próprio, para colocar em seu lugar Demy de Zeeuw. Ainda aos 42', bola centralizada e Afellay teve a chance de ampliar a diferença em finalização frontal, mas Simon Poulsen salvou em cima da linha. Foi a primeira derrota dinamarquesa numa estréia de Copa do Mundo.