Mostrando postagens com marcador República Tcheca. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador República Tcheca. Mostrar todas as postagens

domingo, 4 de julho de 2021

Dinamarca Vence A República Tcheca, Avança Para A Semifinal E Sonha Repetir 1992

Jogando um futebol ofensivo e procurando rodar a bola no campo de ataque, a Dinamarca deu mais um passo gigante em sua já marcante trajetória na Eurocopa 2020. Com a vitória por dois a um sobre a República Tcheca, a equipe comandada por Kasper Hjulmand garantiu presença na fase semifinal do torneio. Um torneio que começou com o gigantesco susto em torno de Christian Eriksen - felizmente, o atleta de vinte e nove anos sobreviveu ao mal súbito e tem expectativas de um dia retornar aos campos. Porém, o que realmente importa é a vida. Dentro ou fora dos gramados, o camisa dez se faz presente no espírito competitivo da seleção dinamarquesa - e é, antes de tudo, em homenagem a ele que essa equipe se supera e avança mais uma vez.

Logo no início da partida, a Dinamarca abre o placar

Escalada com a mesma formação e os mesmos jogadores da goleada sobre País de Gales na fase oitavas de final, a Dinamarca tomou a iniciativa e foi para cima de uma República Tcheca ligeiramente modificada em relação ao jogo em que venceu a Holanda nas oitavas - dessa vez, o técnico Jaroslav Šilhavý optou por começar o jogo com Jan Bořil na lateral esquerda ao invés de Pavel Kadeřábek.

E se essa Eurocopa vem sendo relativamente tranquila e bem-sucedida com questões relacionadas à arbitragem, dessa vez aconteceu algo desagradável já nos primeiros minutos de partida: numa dividida de bola nas proximidades da linha de fundo, foi assinalado escanteio para a Dinamarca quando deveria ser concedida a posse para a República Tcheca (VAR, cadê você?). E, para piorar, saiu o gol imediatamente após a cobrança: aos quatro minutos, Jens Stryger Larsen fez o levantamento a partir do lado direito, os grandalhões da defesa se deslocaram em direção ao gol, mas a bola chegou mesmo foi no volante Thomas Joseph Delaney, que, gozando liberdade pouco a frente da marca do pênalti, cabeceou bem à vontade para mandar no canto direito. Um a zero para a Dinamarca, com Delaney se tornando o sétimo jogador dinamarquês a marcar gol nessa Euro.

Thomas Delaney comemora: a Dinamarca abria o placar aos quatro minutos de partida em Baku. Foto: DBU FodBold / Divulgação

 

República Tcheca equilibra as ações e jogo fica lá e cá

A primeira chegada mais interessante da República Tcheca se deu pelos pés daquele que vem se mostrando um dos jogadores mais efetivos na Eurocopa - não toca tanto na bola, mas quando o faz, esbanja qualidade tanto no passe quanto na finalização. Sim, estamos falando de Patrik Schick: aos onze minutos, ele recebeu a bola pela direita, fintou Joakim Mæhle do jeito que quis e chutou firme, mas foi bloqueado.

No minuto seguinte, aos doze, Pierre-Emile Højbjerg deu belo lançamento para Mikel Damsgaard, que na finalização conseguiu com um toque sutil tirar do goleiro Tomáš Vaclík. Só que o toque foi sutil demais, e permitiu que outro Tomáš - o zagueiro Kalas - chegasse para evitar o segundo gol dinamarquês.

O jogo era agitado e, mais um minuto passado, mais uma oportunidade: aos treze, após bola levantada e posteriormente ajeitada de cabeça, Petr Ševčík pegou de primeira, mas mandou longe.

Aos dezesseis, foi a vez da Dinamarca: Jens Stryger cruzou da direita e Delaney apareceu para finalizar. Os mesmos envolvidos no lance do gol. Só que, dessa vez, o camisa oito pegou mal na bola, mandando à esquerda.

Quando afirmamos que o jogo era lá e cá, era literalmente lá e cá: aos vinte e um, após o goleiro Kasper Schmeichel errar em lance de saída de bola, Lukáš Masopust foi acionado na esquerda e mandou para Tomáš Holeš na pequena área - Schmeichel, ligado no lance, fez o bloqueio.

Na marca de vinte e seis, Martin Braithwaite tinha a bola pela direita, avançou, levantou a cabeça procurando algum companheiro na área e percebeu que a melhor alternativa era chutar ao gol. Só que o remate foi à esquerda. 

Aos trinta e três, nova chegada dinamarquesa: em contra-ataque, Braithwaite dessa vez apareceu em velocidade pelo lado esquerdo, a bola chegou em Kasper Dolberg na direita, que tentou entregar para Stryger, mas Vaclík pegou.

No minuto seguinte, resposta tcheca: Vladimir Coufal cruzou da direita, Holeš chutou de primeira e Schmeichel encaixou.

Com trinta e seis minutos, Jannik Vestergaard enfiou na direita para Damsgaard, que entrou na área e chutou firme à meia altura, com Vaclík conseguindo rebater.

Lindo cruzamento dá origem ao segundo gol dinamarquês 

Procurando variar as jogadas ofensivas e causando uma canseira na marcação tcheca, a Dinamarca dessa vez avançou com o apoio de Mæhle, que vinha tendo bastante trabalho com as subidas de Coufal pelo seu setor. E Mæhle, um destro que atua pela esquerda, mostrou a melhor versão da sua perna direita as descolar cruzamento espetacular de três dedos aos quarenta e um minutos - a bola passou por Braithwaite e por Kalas, chegando até Dolberg, que completou de primeira para a rede. Dois a zero no placar.

República Tcheca volta diferente - nas peças e na atitude

Jaroslav Šilhavý aproveitou o intervalo para chacoalhar a equipe tcheca, que voltou do vestiário com o atacante Michael Krmenčík no lugar de Masopust e com o meio-campista canhoto Jakub Jankto no lugar de Holeš. Mais do que as boas entradas desses jogadores, a República Tcheca se mostrou determinada a pressionar a Dinamarca no último terço do campo.

Logo com vinte e cinco segundos, Krmenčík já participou ativamente, dando chute forte de fora da área que Schmeichel rebateu. Com 1,91m de altura, careca e esbanjando força física, Krmenčík me lembrou o também atacante tcheco Jan Koller - que, no alto de seus 2,02m, defendeu a seleção entre os anos de 1999 e 2009, formando uma dupla de ataque bem-sucedida com Milan Baroš.

Com um minuto, Antonín Barák quase marcou um belo gol: ele emendou de fora da área pegando na bola de primeira, chutando pro chão, com Schmeichel saltando para espalmar no canto direito.

Só dava República Tcheca: aos dois minutos, Krmenčík levantou a bola e Schick deu de bicicleta, com a bola batendo em Simon Kjær e Schmeichel recolhendo.

Aos três minutos, o goleador da Eurocopa 2020 diminui para os tchecos 

E a pressão tcheca deu resultado: Coufal cruzou da direita e Schick, de primeira, se aproveitou do atraso de Vestergaard para mandar no canto direito, com a precisão que lhe é característica. Era o quinto gol do camisa dez tcheco nessa Euro, igualando-se ao português Cristiano Ronaldo no topo da lista de goleadores nessa edição.

Dinamarca se reorganiza e cria chances

Se alguém achou que a pressão tcheca se estenderia até que saísse o gol de empate, o que ocorreu foi que a seleção dinamarquesa começou a assimilar a nova postura do adversário, reequilibrando a partida. 

Na marca de dez minutos, Coufal foi providencial ao mergulhar para tirar de peixinho uma bola enfiada às suas costas.

Aos treze minutos, Kasper Hjulmand promoveu suas primeiras substituições no jogo: Yussuf Yurari Poulsen no lugar de Dolberg e Christian Thers Nørgaard no lugar de Damsgaard. As mexidas fizeram bem à Dinamarca, principalmente pela participação de Poulsen, bastante ativo no campo de ataque e também contribuindo na defesa.

Aos quinze minutos, Yussuf Poulsen puxou contra-ataque pela esquerda escapando de Coufal, Braithwaite errou o passe, a bola voltou em Poulsen e o camisa vinte preparou o remate - Tomáš Souček foi preciso na intervenção e travou Poulsen no exato momento da finalização. Infelizmente, na continuação do movimento do chute, sobrou trava da chuteira de Poulsen na cabeça de Souček, cortando a orelha do tcheco.

Souček continuou o jogo com um amarrado na cabeça visando conter o sangramento. O aparato não se mostrou dos mais eficazes com o sangue escorrendo pela nuca e manchando a camisa do jogador.

Aos vinte, Šilhavý fez a terceira troca, dessa vez de menor impacto na estrutura do time: saiu o defensor Ondřej Čelůstka e entrou o também defensor Jakub Brabec.

Aos vinte e três, Poulsen arrancou pelo centro e chutou no canto direito, para defesa de Vaclík.

Aos vinte e cinco, quem tratou de fazer substituição foi Hjulmand, mais precisamente na lateral direita, trocando Stryger Larsen por Daniel Wass.

República Tcheca retoma ímpeto ofensivo, Dinamarca contra-ataca e joga fica muito interessante

Aos vinte e seis minutos, após levantamento da direita, Wass não conseguiu afastar, Jankto chutou cruzado do lado esquerdo e Kjær cortou.

Dois minutos depois, Barák cobrou falta pela direita e a bola tinha o endereço do "enfaixado" Souček, só que Schmeichel cortou antes e impediu o que seria o iminente gol de empate tcheco.

Aos trinta e dois, uma ótima chegada dinamarquesa: Braithwaite deixou a bola com Wass, que rolou para Poulsen, que chutou e viu Vaclík buscar a finalização com linda defesa no canto esquerdo.

Na marca de trinta e seis, mais Dinamarca no ataque: Christian Nørgaard passou para Poulsen, que entregou de primeira para Mæhle pelo lado esquerdo de ataque. Destro, o camisa cinco arrumou o corpo buscando o canto direito do goleiro - Vaclík defendeu o chute rasteiro com a perna.

Cansaço bate forte dos dois lados e República Tcheca tem uma última oportunidade

Com ambas as seleções já tendo feito as cinco substituições que tinham direito, os últimos minutos foram arrastados pela combinação de pelo menos dois motivos: os times desfigurados pelo acúmulo de alterações e, talvez principalmente, o cansaço de um jogo bastante movimentado.

Aos cinquenta minutos houve, porém, uma chance de empate. A chance derradeira: após levantamento da direita, Kjær afastou parcialmente e Souček pegou a sobra de primeira, chutando à direita.

O apito final do árbitro holandês Björn Kuipers sacramentou a classificação da Dinamarca no estádio olímpico de Baku. Se pensarmos que, em vinte e cinco confrontos anteriores entre as duas seleções, foram somente duas vitórias da Dinamarca (a República Tcheca venceu treze vezes e houve dez empates), o triunfo dinamarquês ganhou ainda mais contornos de feito histórico. 

Dinamarqueses comemoram após o apito final: com a vitória por dois a um sobre a República Tcheca, a seleção campeã continental em 1992 avança para a semifinal vinte e nove anos depois. Imagem extraída de Yahoo! Esportes.

domingo, 27 de junho de 2021

República Tcheca Tira Proveito De Expulsão, Vence A Holanda E Se Classifica

A República Tcheca, que se classificou em terceiro lugar na sua chave (com uma vitória na estreia, um empate no segundo jogo e uma derrota no fechamento da chave D) surpreendeu a Holanda, que teve cem por cento de aproveitamento na fase de grupos. Com gols de Holeš e Schick, a equipe soube tirar proveito da vantagem numérica conquistada a partir da expulsão de De Ligt e vai às quartas de final na Eurocopa 2020.

Holanda tem ótimo início e flerta com o gol

Logo no primeiro minuto de partida, aquela Holanda que apresentou um ótimo futebol na primeira fase quando se apresentava em Amsterdã, mostrou sua cara em Budapeste: em lance pela esquerda, Memphis passou para Donyell Malen na infiltração e o cruzamento rasteiro quase encontrou Denzel Dumfries. 

Aos dez minutos, a Holanda chegou novamente, dessa vez pelo flanco direito. Mas Pavel Kadeřábek agiu bem ao cortar a bola e o barato na trama entre Memphis e Dumfries.

Por sinal, como é interessante esse ala direito Dumfries! Um jogador que se apresenta frequentemente no campo de ataque e que, como se não bastasse suas importantes aparições como ponta, também se movimenta mais centralizado e até eventualmente caindo um pouco para a esquerda, o que possibilita causar uma confusão generalizada no sistema de marcação tcheco. Foi exatamente isso que ocorreu aos doze minutos: Dumfries recebeu em velocidade infiltrando do centro para a esquerda, escapou do goleiro Tomáš Vaclík mas teve sua tentativa de cruzamento travada por Tomáš Kalas.

República Tcheca diminui os espaços e equilibra o jogo

Após o convincente início de jogo holandês, que reuniu presença no campo de ataque com movimentação, troca de posições, infiltrações e muita intensidade, a República Tcheca conseguiu encontrar uma forma de diminuir os espaços. A equipe se recusava a subir ao último terço de campo quando a Holanda tinha a bola, aumentando a compactação entre as linhas. Quando tinham a bola, os tchecos mostraram que poderiam criar situações interessantes - se não com a mesma desenvoltura do oponente, mas pelo menos com uma presença no ataque a ser levada em consideração.

Aos vinte e um minutos, Vladimír Coufal cruzou da direita e Tomáš Souček desviou com estilo, de peixinho, num mergulho que mandou a bola à direita da meta. Aos vinte e sete, o goleador Patrik Schick chutou de fora da área e Maarten Stekelenburg defendeu na direita.

A Holanda respondeu aos trinta: Malen trocou passe com Dumfries, chutou e Ondřej Čelůstka bloqueou.

Aos trinta e sete, uma das maiores chances no primeiro tempo aconteceu no ataque tcheco: Lukáš Masopust deu ótimo passe para Antonín Barák, que finalizou firme, praticamente de frente com o goleiro, mas viu seu remate ser interceptado em carrinho providencial de Matthijs De Ligt.

No minuto seguinte, uma ótima resposta holandesa: Dumfries se apresentou novamente pela ponta direita, chegou à linha de fundo e cruzou - o goleiro Vaclík salvou com o joelho esquerdo uma bola que rumava para o centro da pequena área, com endereço de entrega para Malen.

Laranja cria chances, mas é castigada por "amarelo que virou vermelho"

No segundo tempo de jogo, a Holanda voltou com atitude similar àquela do início de partida. Aos quatro minutos, Dumfries foi acionado rapidamente em contra-ataque de ligação direta, chegou na bola, avançou e cruzou para Malen. Se Malen tivesse corrido em linha reta ou, preferencialmente, abrisse um pouco para esquerda, teria condições favoráveis para finalizar. Mas ao se deslocar para a direita, perdeu completamente o tempo do lance e não foi capaz de alcançar a bola.

Dois minutos depois, aos seis, Malen teve outra preciosa oportunidade no ataque: ele avançou com a bola dominada, tinha somente o goleiro Vaclík pela frente e, no embalo da arrancada, tentou driblar com um corte para a direita. Mas Vaclík foi esperto e ligeiro para tocar na bola e ainda evitar a sobra que ficaria com Memphis.

O futebol, às vezes, é cruel com equipes que atacam, produzem, finalizam mas não aproveitam. Aos oito minutos, o jogo mudaria de uma forma que a Holanda não planejava: De Ligt escorregou em lance com Schick e, evitando que o camisa dez ficasse cara a cara com Stekelenburg,colocou a mão na bola. O árbitro indicou a infração e puniu o zagueiro com um cartão amarelo. Mas a arbitragem que gerenciava o recurso tecnológico chamou o russo Sergey Karasev para checar o monitor. Assistindo a repetição do lance, não teve como não ver que era efetivamente uma chance de gol. E Karasev expulsou De Ligt.

Aproveitando vantagem numérica, tchecos abrem o placar 

Frank De Boer optou por trocar um atacante por outro, tirando Malen e colocando Quincy Anton Promes. Tudo bem que Malen já não fazia por merecer seu lugar no campo, mas o gargalo holandês passava a ser o setor defensivo, desfalcado de um zagueiro após a expulsão de seu camisa três. E a República Tcheca soube explorar essa deficiência.

Aos dezoito minutos, Kadeřábek avançou pela esquerda, levantou a cabeça, chutou cruzado e Dumfries colocou a perna esquerda numa bola que tinha o endereço do gol. 

Aos vinte e dois, saiu o gol tcheco: em bola levantada após cobrança de falta pela direita (quase na marca do escanteio), a redonda viajou até o flanco oposto em plena pequena área, Stekelenburg não interveio, Kalas cabeceou pro meio da confusão e Tomáš Holeš, aproveitando o goleiro fora de posição, cabeceou para a rede. Um a zero para a República Tcheca na capital da Hungria. 

Autor do primeiro gol, Tomáš Holeš comemora. Imagem extraída de Meia Hora.

 

Lançada ao ataque, defesa holandesa se desguarnece e tchecos marcam o segundo gol

Se com o jogo empatado De Boer trocou um atacante por outro, com a desvantagem no placar a mexida foi ainda mais ousada no cenário de dez contra onze: aos vinte e sete, saiu o volante Marten De Roon, entrou o centroavante Wout Weghorst.

A Holanda não tinha muito o que fazer a não ser se arriscar no ataque. Aos trinta e um, Dumfries subiu novamente, cruzou rasteiro da direita e a bola atravessou a área tcheca. No mesmo minuto, Tomáš Souček chutou de fora e Stekelenburg pegou no canto direito. Era o recado tcheco: vocês atacam, a gente contra-ataca. Aos trinta e dois, foi a vez de Barák servir Masopust, que chutou colocado na esquerda e Stekelenburg segurou.

Na marca de trinta e quatro minutos, o contra-ataque tcheco foi certeiro: Holeš recebeu na esquerda - um setor escancarado com o acúmulo de acontecimentos, incluindo expulsão de De Ligt, saída de De Roon e subidas recorrentes de Dumfries -, arrancou no espaço vazio e tocou para Schick completar para o gol. O quarto dele nessa Eurocopa 2020.

Com uma situação confortável no jogo, os comandados de Jaroslav Šilhavý administraram a vantagem e o tempo no relógio. E quase marcaram o terceiro aos quarenta e três: Adam Hložek, que entrara minutos antes no lugar de Petr Ševčík, passou para Barák, que não conseguiu dominar.

A Holanda se despede da Euro 2020 nas oitavas após ganhar todas as partidas na fase de grupos. A derrota não deve ser encarada como uma tragédia no trabalho tático. Ao contrário. Ela sinaliza o quanto a competitividade atual pune uma equipe em desvantagem numérica. E que, em cenários como esse, às vezes se faz necessário abrir mão de uma ofensividade característica e reposicionar as peças de forma a procurar minimizar os prejuízos. 

A República Tcheca, por sua vez, avança para enfrentar a Dinamarca. A tendência é que a iniciativa do jogo seja dinamarquesa - uma seleção que, a exemplo da holandesa, também apresenta bastante movimentação e posse de bola. Mas o recado está dado: se vacilar, Schick e companhia não costumam perdoar.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Croácia Tem Boa Atuação, Abre 2a0, Mas Cede Empate Aos Tchecos No Fim

Após sair o primeiro 0a0 na Euro-2016 e termos o fraco 1a0 da Itália sobre a Suécia, o torneio continental conheceu sua partida de mais gols na tarde de hoje, em Saint-Ètienne. Tudo isso graças à iniciativa da ótima seleção croata e à reação dos tchecos, que não se entregaram em momento algum. O 2a2 coroa, mais do que uma ou outra equipe, o futebol como o esporte apaixonante que é.

Croatas comemoram e esbanjam união: Srna foi reverenciado. Foto: Getty.
E se paixão tem nome e sobrenome, hoje ela atende por Darijo Srna: o camisa 11 croata, que foi ao funeral
de seu pai nessa semana e voltou para a França determinado a ajudar a seleção de seu país, protagonizou das cenas mais lindas nessa Eurocopa, quando foi às lágrimas durante o hino nacional da Croácia. Com o jogo em andamento, foi homenageado pelos companheiros tanto na ocasião do gol de Perisic quando do de Rakitic, em dois lances de recuperação de posse de bola no campo de ataque.

Mas a República Tcheca atenuou as celebrações croatas: diminuiu a desvantagem para um gol aos vinte e nove minutos no segundo tempo, quando Skoda completou após passe de trivela de Rosický, e empatou a partida em cobrança de pênalti de Necid nos acréscimos. A mesma República Tcheca, que lamentara o gol espanhol nos últimos minutos na estréia, dessa vez comemorou o empate no fechar das cortinas. A prova de que o mundo da bola dá voltas está aí e também no camisa 10 Rosický: após seguidos erros de passe no primeiro tempo, é formidável ver sair de seus pés uma assistência genial. E por falar em genialidade, talvez se o outro camisa 10 não tivesse precisado sair de campo quando sua seleção vencia por 2a0 (aparentemente sentindo algo muscular), os croatas estariam nesse momento comemorando a classificação. Fica a expectativa de um Croácia e Espanha sensacional na última rodada. De preferência, com Modric em campo em tempo integral.

P.S.: o episódio dos rojões lançados sobre o gramado, forçando a paralisação do jogo quando a Croácia vencia por 2a1, é daqueles eventos que fazem a gente pensar, preocupado: até quando?

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Quando Um É Bem Maior Que Zero: Espanha Vence República Tcheca

Matematicamente, a diferença entre 1 (um) e 0 (zero ), é sempre igual a um. Futebolisticamente, essa diferença é variável. Hoje, entre Espanha e República Tcheca, em Toulouse, a diferença entre um e zero foi:

(I) mais que o dobro de tempo de posse de bola;
(II) mais que o dobro de finalizações;
(III) mais que o triplo de passes completados.

Com tudo isso, nossa imprensa medíocre ainda reserva "profissionais" como o comentarista Neto, que num determinado momento no segundo tempo, com o placar parcial de zero a zero, afirmou que 'o toque da Espanha enche o saco'.

Caro Neto, o que "enche o saco" é ouvir seus comentários. O toque da Espanha engrandece o futebol. E é por pessoas como você que o futebol brasileiro passa pelo momento atual.

Saudações iniestianas a todos o amantes do futebol arte. E viva o toque de bola espanhol.
Espanhóis comemoram o gol de Piqué, aos quarenta e dois minutos do segundo tempo. Foto: Getty.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Mostrando Autoridade, Portugal Vence E Chega Na Semifinal

Após passar em segundo lugar no grupo mais difícil na fase anterior, Portugal enfrentou a República Tcheca (líder em sua chave) e venceu a partida com espantosa autoridade. O placar de 1a0 não reflete o tamanho da superioridade portuguesa no estádio Narodowy, em Varsóvia, capital da Polônia.

O jogo (confira como foi a transmissão da partida em tempo real)

A exemplo de quando enfrentaram os gregos na segunda rodada pela fase de grupos, os tchecos começaram a partida no ataque, estabelecendo forte pressão com e sem o uso da bola. E, para aumentar a semelhança em relação àquele jogo, a equipe da República Tcheca não conseguiu manter-se soberana e acabou vendo o adversário crescer na partida a ponto de tomar conta territorialmente. A diferença é que, dessa vez, os comandados de Michel Bílek não conseguiram marcar gols quando estavam no ataque. Naquela que me pareceu a maior chance tcheca de abrir o placar no primeiro tempo, aos dezessete minutos, Vladimir Darida - substituto do lesionado Tomas Rosický - desceu pela direita, cruzou e Milan Baros por muito pouco não conseguiu completar ao gol.

Portugal demorou cerca de vinte minutos para "se encontrar" em campo, mas depois que isso ocorreu, o domínio foi notório. Cristiano Ronaldo teve três chances para tirar o zero do placar antes do intervalo: aos vinte e quatro, ficou de frente para o gol e chutou forte, parando em defesaça de Petr Cech (antes da conclusão, foi flagrada falta do português sobre Mchal Kadlec); aos trinta e dois, uma bicicleta passou à esquerda; e aos quarenta e cinco, o chute após lançamento primoroso de Raul Meireles encontrou a trave esquerda.

O segundo tempo manteve a tônica dos últimos minutos da etapa inicial, com os portugueses atacando a todo momento e os tchecos encontrando sérias dificuldades para se defenderem, principalmente quando a bola passava por Nani, figura bastante acionada pelo flanco direito. Aos doze minutos, Nani chutou de fora da área e Cech rebateu. Na seqüência, Nani cruzou e Hugo Almeida - que entrou em campo aos trinta e nove, pois Helder Postiga saiu de maca) - marcou de cabeça. Só que a arbitragem flagrou impedimento no lance, anulando corretamente o gol.

A República Tcheca conseguiu dar uma respirada aos catorze minutos, avançando pela esquerda com Baros mas vendo a defesa portuguesa afastar o perigo. Aos quinze, Bílek trocou Darida por Jan Rezek, uma substituição estranha na medida em que Darida era mais participativo do que o hábil Vaclav Pilar (talvez o treinador apostasse que Pilar fosse subir de produção, algo que não se confirmou). Aos dezessete, Baros, figura isolada no ataque, resolveu voltar um pouco mais e conseguiu um remate de fora da área, que acabou saindo por cima da meta.

Não demorou para o Portugal retomar o domínio nas ações. Aos dezoito, uma sobra de bola afastada por Tomás Sivok chegou até João Moutinho e o que se viu foi algo lindo: primeiro, o chute do meio-campista português, que saiu com força e efeito; segundo, a defesaça praticada pelo goleiro tcheco Cech, que conseguiu espalmar no alto.

A trinca de meio-campistas portugueses composta por Miguel Veloso, Moutinho e Meireles ditava o ritmo dos acontecimentos, com Raul Meireles orquestrando as jogadas de ataque. Aos vinte e oito, Meireles passou para Nani na direita e o cruzamento desviou na marcação, passando rente ao ângulo direito. Petr Jiracek era, ao lado do seu xará goleiro, a figura mais lúcida na seleção tcheca, praticamente jogando sozinho na tentativa de acionar Baros e conduzir a equipe ao ataque. Muito pouco para quem enfrentava um adversário que a todo momento pleiteava o gol. E o gol, finalmente, aconteceu. Aos trinta e quatro, Nani voltou a cruzar a partir da direita, Cristiano se antecipou à marcação de Gebre Selassie e cabeceou firme, estufando a rede. 1a0 Portugal e terceiro gol de Ronaldo na Eurocopa 2012, igualando-se ao russo Dzagoev, ao croata Mandzukic e ao alemão Mario Gómez na lista de goleadores.

Restavam pouco mais de dez minutos para a República Tcheca buscar o empate, mas quem seguiu criando oportunidade de balançar a rede foi Portugal. Aos trinta e sete, João Pereira recebeu de Nani, chutou à meia-altura, Cristiano fugiu da bola e Cech espalmou à esquerda. Foi então que Paulo Bento tratou de realizar suas duas últimas substituições permitidas, inibindo o poder de criação de uma seleção que atuava muito bem. Aos trinta e oito, Nani deu lugar para Custódio. Aos quarenta e dois, Raul Meireles, a meu ver o melhor em campo, saiu para a entrada de Rolando. Entre uma alteração portuguesa e outra, Bílek trocou Tomás Hübschman por Tomás Pekhart. Uma pena que o melhor Tomás tcheco, Rosický, estivesse sem condições clínicas para ajudar uma equipe sem inspiração. O jeito foi assistir do banco a classificação portuguesa.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Eurocopa 2012: Pitacos Para As Quartas-de-final

Após os vinte e quatro jogos disputados na fase de grupos, os amantes do futebol foram agraciados pelo fato de ter saído gol em todas as partidas. Destaco três gols. Na primeira rodada, no jogo em que a Rússia goleou a República Tcheca, Roman Pavlyuchenko fez linda jogada individual e concluiu com remate que foi parar no ângulo direito de Petr Cech. Na terceira, o gol espanhol na triangulação entre Francesc Fàbregas, Andrés Iniesta e Jesús Navas foi daquelas jogadas que mostram o quão é vistoso o estilo de jogo dessa seleção, que teve muitas dificuldades para vencer a Croácia por 1a0 (esse gol saiu aos 42 minutos no 2º tempo). E, também na terceira rodada, saiu um golaço do sueco Zlatan Ibrahimovic, abrindo caminho para a vitória por 2a0 sobre a França com um lindo voleio no canto direito.

É chegada a hora da fase quartas-de-final. Vamos aos pitacos.

República Tcheca e Portugal
Tchecos e portugueses correram atrás da classificação após estrearem com derrota na Euro 2012 (para russos e alemães, respectivamente). Nas rodadas seguintes, conseguiram duas vitórias para chegarem até aqui. O fato de a República Tcheca não enfrentar as temidas Alemanha (líder no grupo B) e Holanda (lanterna na mesma chave) deve aumentar as esperanças de retornar a uma semifinal de Eurocopa, coisa que aconteceu pela última vez em 2004. Já Portugal, que naquela edição de 2004 chegou até a final, ganha credencial na competição pelo fato de ter sobrevivido ao "grupo da morte". Particularmente, acho que será interessante o duelo pelo flanco direito tcheco e esquero português, que envolverá jogadores como Gebre Selassie, Tomas Rosický, Fabio Coentrão e Cristiano Ronaldo. Quer dizer, Rosický está com uma lesão no tendão de Aquiles e dificilmente atue. Mas fica a torcida de vê-lo em campo. Pitaco: dá República Tcheca.

Alemanha e Grécia
Esse é o duelo da fase quartas-de-final onde há maior grau de favoritismo para um dos lados. A Alemanha, com 100% de aproveitamento no grupo mais difícil da Euro (venceu Portugal, Holanda e Dinamarca), enfrenta a Grécia (empatou com a Polônia, perdeu para a República Tcheca e venceu a Rússia). A tudo isso soma-se o fato de que os gregos não contarão com um jogador importantíssimo, o camisa dez e capitão Giorgios Karagounis, suspenso pelo segundo cartão amarelo (pra variar, amarelo esse recebido em lance polêmico). Os alemães, finalistas na edição passada, querem avançar em direção ao título europeu e coroar um trabalho muito bem realizado por Joachim Löw. Os gregos, campeões históricos duas edições atrás, sonham repetir aquele feito incrível e provar que, quando os deuses desejam, o raio pode cair duas vezes no mesmo lugar. Pitaco: dá Alemanha.

Espanha e França
Atual campeã do continente e do planeta, a Espanha tem diante da França um desafio: vencer pela primeira vez esse adversário em jogos de Eurocopa/Mundial (nos seis encontros anteriores, cinco vitórias francesas e um empate). Vicente del Bosque chegou a declarar que, na derrota por 3a1 nas oitavas-de-final na Copa 2006, os espanhóis teriam subestimado os franceses. A seleção da França está em reconstrução, com muitos jogadores interessantes e desenvolvendo bom toque de bola, principalmente quando a redonda passa por Samir Nasri, Franck Ribèry e Karim Benzema. Mas no assunto toque de bola a Espanha é referência mundial. Promessa de um grande jogo. Pitaco: dá Espanha.

Inglaterra e Itália
Eis um grande clássico do futebol europeu e mundial. São duas seleções onde a tradição não se faz presente apenas na história: o velho estilo de jogo britânico de ligação direta, cruzamentos e cabeceios vem sendo praticado à exaustão nessa Eurocopa, enquanto a Itália segue apostando na solidez defensiva para procurar o resultado positivo. Duas equipes que não me agradam pelo estilo de jogo adotado, mas que, quando bem encaixadas, são difíceis de ser batidas por quem quer que seja. Embora ingleses e italianos tenham elementos que podem decidir a partida num lance individual - notadamente pela precisão de jogadores como Steven Gerrard e Andrea Pirlo -, tudo leva a crer que passará a equipe que estiver mais firme coletivamente. Pitaco: dá Itália.

Na torcida para que tenhamos muito o que falar sobre gols e jogadas de efeito e, se possível, nada a comentar a respeito de arbitragem.

sábado, 16 de junho de 2012

República Tcheca Vence Polônia, Avança Na Euro E Frustra Dono Da Casa

A torcida polonesa se manifestou, o time começou o jogo no ataque e os esforços na busca pela classificação duraram até o apito final do árbitro escocês Craig Thomson. Mas aqueles que sorriram no estádio Miejski, em Wroclaw, foram os tchecos: com uma vitória por 1a0 (gol marcado por Petr Jiracek, aos vinte e seis minutos do segundo tempo), a seleção comandada por Michal Bílek alcançou não somente a classificação para a fase quartas-de-final na Eurocopa 2012 como também terminou na condição de líder no equilibrado grupo A. Quem imaginaria a República Tcheca avançando em primeiro lugar após estrear no torneio sendo goleada por 4a1 para os russos? E por falar na Rússia, a seleção comandada pelo holandês Dick Advocaat, que começou tão bem a competição, acabou recebendo um "presente de grego" na última rodada, sendo derrotada pela Grécia (1a0, gol de Giorgos Karagounis nos acréscimos do primeiro tempo) e dando adeus à Euro. A Polônia terminou na lanterna, com dois pontos ganhos. Os gregos mais supersticiosos devem estar eufóricos: em 2004, a Grécia se classificou como segunda colocada no grupo A, que também contava com a Rússia...

O jogo

A exemplo da partida entre a co-anfitriã Ucrânia diante da França (disputada ontem, em Donetsk), choveu no campo de jogo. Só que São Pedro foi menos intenso dessa vez e não houve necessidade de interromper a partida. Partida essa que começou sob um domínio polonês que durou cerca de vinte minutos.

Com um minuto, Ludovic Obraniak cobrou falta pela direita e a bola acabou sobrando para Dariusz Dudka, que pegou de bicicleta e mandou à esquerda, acertando a rede pelo lado externo. Aos três, a República Tcheca teve chance: Gebre Selassie tirou a bola de Sebastian Boenisch, cruzou da direita, a bola desviou na marcação e Vaclav Pilar não conseguiu acertar a tentativa de finalização. Aos cinco, Obraniak voltou a cobrar falta pela direita e dessa vez tratou de mandar direto, acertando a rede pelo lado de fora, com Petr Cech apenas olhando a bola à sua esquerda.

Obraniak não era somente o homem dos lances de bola parada pela direita: aos sete minutos, pelo lado esquerdo e com bola rolando, o camisa dez polonês acionou Jakub Blaszczykowski em liberdade, mas Cech fechou o ângulo e bloqueou o remate. Aos nove minutos foi a vez de Robert Lewandowski aparecer para finalizar: o camisa nove recebeu acompanhado pela marcação de Selassie, trouxe para a esquerda e chutou torto, à direita, após vacilo tcheco na saída de bola. Aos doze, Obraniak cobrou falta pela direita, Michal Kadlec rebateu e Boenisch mandou à esquerda. Com catorze, Eugen Polanski recebeu na direita e chutou forte da entrada da área, mandando por cima sem nem olhar para o gol antes de bater na bola. Na marca de vinte e um minutos, Boenisch mostrou qualidade no chute de fora da área, pegando na bola com força e mandando com efeito, no canto direito - mas qualidade é o que não falta ao goleiro Cech, que foi até lá e abafou.

A chuva apertava e o jogo tcheco finalmente encaixava. Não sei o quanto cada coisa influenciou no andamento da partida, mas o fato é que a Polônia já não mais se sobressaía em campo.  Aos trinta e três minutos, Selassie avançou pela direita, cruzou rasteiro e a defesa polonesa afastou. Aos trinta e seis, Jaroslav Plasil lançou Milan Baros que, em posição legal (Boenisch dava condição), esticou a perna mas não alcançou a bola. A República Tcheca era melhor naquele momento e seguia pressionando: aos trinta e oito, Pilar avançou pela esquerda, tocou atrás, Plasil ajeitou pro chute e, no momento da finalização, escorregou o pé de apoio na grama molhada, com o remate desviando em Damien Perquis e sendo defendido por Przemyslaw Tyton. Aos quarenta, Tomás Hübschman passou para Pilar, que ajeitou e chutou uma bola que bateu em seu companheiro Petr Jiracek - a rebatida retornou em Pilar, que chutou novamente e dessa vez a bola chegou ao gol, sendo defendida por Tyton. No minuto seguinte, a Polônia respondeu em jogada onde Lewandowski avançou pela esquerda, tocou de lado, Rafal Murawski chutou da meia-lua e a bola desviou em Kadlec, saindo à esquerda.

O segundo tempo teve início e as duas equipes buscaram o ataque. Também pudera: com a vitória parcial da Grécia sobre a Rússia, o empate já não servia mais para os tchecos, que até então estariam se classificando com o 0a0. Portanto, o jogo estava naquela altura envolvendo duas seleções que necessitavam da vitória para avançar na Euro. Aos dez minutos, Franciszek Smuda realizou a primeira substituição na Polônia e na partida: saiu Polanski (que recebera cartão amarelo por carrinho em Pilar, no início da etapa complementar) e entrou Kamil Grosicki.

Os tchecos pareciam ter encontrado uma forma de jogar capaz de conciliar investidas ao ataque com proteção à defesa, fato que foi fazendo sumir do jogo elementos outrora muito participativos na Polônia, tais como Obraniak, Blaszczykowski e Lewandowski. Aos dezessete minutos, Plasil cobrou falta pela direita e Selassie cabeceou por cima. Dois minutos depois, Plasil voltou a cobrar falta (dessa vez pelo outro lado), Tomás Sivok cabeceou pro chão e Tyton teve a felicidade de estar posicionado no melhor lugar possível, conseguindo manter o corpo em frente à bola e, na seqüência, tendo o reflexo e a agilidade de afastar o rebote de soco. Aos vinte e dois, Baros recebeu de Jiracek pela esquerda em rápido contra-ataque, trouxe para dentro e chutou rasteiro de fora da área uma bola que foi defendida mais uma vez por Tyton. De tanto tentar e criar chances, a República Tcheca chegou ao gol. E em jogada que muito lembrou a anterior: aos vinte e seis minutos, Baros passou para Jiracek em rápido contra-ataque pela esquerda, e Jiracek trouxe para dentro, cortando Marcin Wasilewski e chutando rasteiro, cruzado, no canto esquerdo. Isto é, os mesmos atores tchecos do contra-ataque anterior, apenas com as funções alternadas. 1a0 República Tcheca.

Smuda tratou de imediatamente após o gol mexer em sua equipe: aos vinte e sete, saíram Murawski e Obraniak, entraram Adrian Mierzejevswi e Pavel Brozek. Mas a República Tcheca seguia melhor, com Baros conseguindo infiltrar na defesa polonesa seguidas vezes. Aos vinte e nove, o hábil atacante tcheco faria o segundo gol, mas foi marcado impedimento. Aos trinta e um, Cech fez ligação direta com o ataque e Baros estava prestes a chegar na bola de frente com o gol, mas Tyton foi astuto e ligeiro, abandonando a área para afastar o perigo.

Ia se aproximando o final do jogo e aí Bílek foi mexendo na equipe, em trocas para lá de esquisitas. Primeiro, aos trinta e oito minutos, o treinador trocou Jiracek por Frantisek Rajtoral. Depois, aos quarenta e dois, tirou Pilar para colocar Jan Rezek. A República Tcheca mal conseguia trocar passes no campo de ataque e, aos quarenta e cinco, Bílek colocou Toma Peckhart no lugar de Baros. Foram indicados quatro minutos como acréscimo e tudo que os tchecos queriam era fazer o cronômetro correr. Mas a ausência dos três jogadores substituídos reduziram a capacidade da equipe em manter a bola consigo. Aos quarenta e oito, um susto: após levantamento na área a partir do flanco direito, a bola parecia tomar o rumo do gol, sendo desviada por Kadlec quando Cech já estava fora do lance. Na seqüência, a defesa tcheca conseguiu afastar.

O apito derradeiro colocou um ponto final na participação polonesa nessa Euro 2012, que só não volta para casa pelo fato de já estar nela. Classificados em primeiro lugar, a República Tcheca mostrou que não é uma seleção dependente do talento de Tomás Rosický, que não jogou diante dos poloneses. Jogadores como Jiracek, Pilar e Baros, além do ótimo goleiro Cech, podem ajudar a conduzir a equipe novamente a uma semifinal de Eurocopa, seguindo o exemplo de 2004. E por falar em 2004, a outra seleção classificada no grupo A - a Grécia - sonha reviver aquele ano glorioso. E é bom não duvidar de um sonho que se sonha junto...

terça-feira, 12 de junho de 2012

Após Início Arrebatador, República Tcheca Vence Grécia Na Euro 2012

Grécia e República Tcheca abriram a segunda rodada na Eurocopa 2012 com uma partida de três gols no estádio Miejski, em Wroclaw, Polônia. Melhor para os tchecos, que abriram dois a zero com cinco minutos de jogo (estabelencendo um recorde histórico na competição) e, mesmo depois de verem os gregos dominarem a partida territorialmente, saíram com uma vitória por dois a um.

O jogo

Desfalcada de Sokratis Papasthatopoulos (expulso injustamente na estréia diante da Polônia) e Avram Papadopoulos (que se lesionou naquele mesmo jogo), a Grécia foi uma presa fácil para o bem articulado sistema ofensivo tcheco nos minutos iniciais. Com dois minutos e quinze segundos, saiu o primeiro gol (o mais rápido nessa Euro 2012): a República Tcheca recuperou a posse de bola no campo de ataque, Hübschman enfiou caprichosamente para Jiracek e o camisa dezenove ajeitou e finalizou rasteiro uma bola que ainda foi tocada pelo goleiro Chalkias antes de entrar. E os gregos sequer tiveram tempo para assimilarem o golpe: aos cinco minutos, Petr Cech mandou a bola para a frente, Rosický recolheu e enfiou para Selassie. O primeiro jogador preto da história da seleção tcheca deu um passe rasteiro que foi desviado por Chalkias mas chegou até Pilar, que mesmo marcado por Katsouranis conseguiu dar um jeito de empurrar a bola para a rede. 2a0 República Tcheca em tempo recorde nas edições de Eurocopa.

Presente no campo de ataque e desenvolta com a posse de bola, a República Tcheca dava pinta de que poderia rapidamente zerar o saldo de gols no torneio (estreou com derrota por 4a1 para a Rússia). Mas a Grécia foi começando a equilibrar o jogo. Aos sete minutos, os gregos recuperaram a posse de bola após tabela mal-sucedida entre Rosický e Baros, e contra-ataque chegou até Salpingidis, que fez alguma coisa entra um chute e um cruzamento, colocando Cech para trabalhar - o arqueiro tcheco fez a defesa na bola rasteira. Aos dezoito minutos, Pilar recebeu na esquerda seguido por Maniatis, chutou marcado por Katsouranis e mandou a bola à direita da meta... Aos vinte minutos, Chalkias recebeu recuo de bola e a mandou para fora, dando sinais de que não permaneceria em campo. Conversou com o árbitro francês Stéphane Lannoy (em qual idioma não faço a menor idéia) e, aos vinte e dois minutos, deixou as quatro linhas e deu lugar ao goleiro reserva Sifakis. Seguindo os preceitos do "jogo limpo", os tchecos devolveram a posse de bola aos gregos.

Sifakis já seria convidado a trabalhar de maneira efetiva aos vinte e oito minutos, quando espalmou chutou de Rosický no canto direito. Aos quarenta, sairia o primeiro gol da Grécia: Torosidis cobrou falta pela direita colocando a bola na área, Fotakis cabeceou no canto direito, mas a comemoração grega foi frustrada pela correta marcação de impedimento, digna de elogios ao auxiliar, que teve olho clínio para perceber a pequena margem que deixava Fotakis em posição irregular no lance. No minuto seguinte, Jiracek recebeu na direita marcado por Holebas e chutou por cima.

No intervalo, Fernando Santos e Michal Bílek mexeram em seus times. Na Grécia, entrava Gekas no lugar de Fotakis, substituição compreensível, até porque Gekas foi titular na partida de estréia. Já Bílek tomou uma decisão esquisita, trocando Rosický por Kolar. E quando digo esquisito é porque não visualizei nada de ordem física no hábil capitão tcheco, o que me parece a única possibilidade de tirar de campo um jogador de sua qualidade e de sua importância no esquema tático da equipe - vide o lance do segundo gol.

No primeiro minuto de segundo tempo, uma boa investida de Selassie pela direita quase terminou na rede: o lateral filho de pai etíope apoiou com velocidade, invadiu a área, dividiu mas Baros não conseguiu fazer o domínio na seqüência. Aos sete minutos, uma infelicidade do ótimo goleiro Cech renovou o ânimo grego na partida: Samaras fez um passe que dava toda a pinta de ser recolhido tranqüilamente pelo arqueiro, mas Cech vacilou - talvez pela aproximação repentina de um defensor de sua equipe, que pode tê-lo causado preocupação acerca de um eventual desvio no curso da bola - e permitiu que a redonda escorregasse por suas luvas. Gekas, que não tinha nada com isso, aproveitou e mandou para dentro.

Se foi aquele lance específico que animou os gregos e que abateu os tchecos eu não posso afirmar, mas que o jogo passou a ser dominado pela Grécia, isso não resta a menor dúvida. Acontece que a opção da equipe foi a de colocar a bola na área pelo auto de maneira exaustiva. Samaras era a principal referência para esse jogo aéreo, mas a maioria das investidas eram sem sucesso. Aos quinze minutos, Karagounis cobrou falta levantando na área, Cech afastou, a bola voltou e a finalização foi bloqueada na defesa tcheca.

Aos dezoito minutos, Pekhart era colocado em campo no lugar de Baros, que naquele momento jogava muito isolado do restante de um time que parecia disposto a apenas se defender. Aos vinte e dois minutos, Muniatis recebeu pela direita e seu chute saiu à esquerda. Três minutos depois, o português Fernando Santos trocou Fortounis por Mitroglou. No minuto seguinte, Karagounis chutou de fora e Gekas buscou a sobra da rebatida, sendo marcado impedimento onde não havia.

O jogo seguiu de maneira arrastada, com a Grécia num deserto de criatividade, que mesmo com 55% do tempo de posse de bola, muito pouca coisa de interessante conseguia fazer com ela. Os tchecos, que tão bem haviam começado a partida, praticamente não passavam do meio-campo. E pareciam nem querer se opôr a isso, afinal, a bola nos pés da Grécia não incomodava a meta defendida por Cech. Aos quarenta e cinco, Kolar, que entrou no intervalo no lugar de Rosický, deixou o campo para dar a vez a Rajtoral. Foi o último evento digno de nota numa partida que, duas edições de Euro atrás, marcava uma das semifinais no torneio. Com esse futebol de hoje, um lugar nas quartas pode ser encarado como lucro.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Com Show De Arshavin, Rússia Estréia Goleando República Tcheca

Guiada por uma atuação espetacular de Andrey Arshavin, a Rússia sapecou uma goleada de 4a1 pra cima da República Tcheca, assumindo a liderança no grupo A da Euro 2012. Apesar do capitão e camisa 10 ter sido o protagonista na partida, há que se exaltar também o poderoso jogo coletivo da equipe comandada pelo holandês Dick Advocaat: os russos sabiam exatamente o que fazer com a bola nos pés, com destaque para os contra-ataques fulminantes, fazendo lembrar a Alemanha de Joachim Low na Copa do Mundo 2010.

O jogo (confira como foi a transmissão da partida em tempo real)

Dizer que a intensidade da partida podia ser flagrada desde pouco depois de a bola ter começado a rolar no estádio Miejski não é nenhum exagero. Logo aos dois segundos, tivemos a primeira falta cometida no jogo. Aos vinte e três segundos, a segunda infração. Mas engana-se quem pensa que estamos aqui falando de um confronto faltoso. Muito pelo contrário: russos e tchecos fizeram uma partida limpa, onde o árbitro inglês Howard Webb sequer precisou tirar os cartões do bolso.

Nos primeiros minutos, a República Tcheca até conseguiu marcar presença no campo de ataque, mas sem necessariamente estabelecer uma pressão pra cima da defesa adversária. A primeira grande chance deu-se na primeira boa chegada da Rússia: aos treze minutos, Zhirkov recebeu ótimo passe de Arshavin pelo lado esquerdo, cruzou rasteiro e a finalização saiu à esquerda. Era o anúncio de que o gol logo sairia, como saiu no minuto seguinte: em contra-ataque maravilhoso, Zyryanov cruzou da direita com precisão, Kerzhakov cabeceou no contrapé de Petr Cech carimbando a trave esquerda e, no rebote, Dzagoev encheu o pé para estufar a rede. 1a0 Rússia.

E para deleite dos amantes do futebol arte, muitos outros contra-ataques belíssimos aconteceriam ao longo da partida. Aos dezoito minutos, ele foi iniciado por Arshavin no campo de defesa e terminou com chute de Dzagoev, que passou à esquerda, quase resultando no segundo gol. Dessa forma, a Rússia postou-se em campo de modo a valorizar a saída em contra-ataque, dando campo aos tchecos. É claro que essa história de dar campo ao oponente é um negócio perigoso, e de fato a República Tcheca quase chegou ao empate aos vinte e um minutos: Pilar cruzou da esquerda buscando Rezek, mas Zhirkov conseguiu cortar em escanteio. Dois minutos depois, os russos responderam marcando o segundo gol: em nova saída rápida para o ataque, Arshavin deu passe magistral para deixar Shirokov na cara de Cech, e o camisa meia dúzia não desperdiçou, dando sutil toque para tirar do goleirão. 2a0 Rússia.

Aos vinte e seis minutos, houve um lance de pênalti, não marcado por Webb: Plasil fez a carga sobre Arshavin dentro da área, mas o árbitro inglês entendeu como lance normal. Arshavin estava inspirado e, aos vinte e oito, fez jogada individual pela direita, cruzou à meia-altura, mas ninguém chegou na bola para concluir o lance.

A República Tcheca tentava reencontrar seu jogo e até chegou a ter alguns momentos de pressão pra cima da defesa russa, mas o goleiro Malafeev mostrava segurança nas intervenções que lhe cabiam. E se os tchecos tinham dificuldade para criar as ocasiões de gol, os russos iam para o ataque quase sempre de maneira avassaladora: aos trinta e dois minutos, Zyryanov tocou rasteiro e Kerzhakov finalizou mandando por cima da barra horizontal. Com ritmo menos acelerado que o visto até então, o jogo rumou para o intervalo com a manutenção do placar de 2a0. Então, Michal Bílek tratou de mexer na equipe: trocou Rezek por Hubschman e conseguiu transformar o jeito de jogar da equipe. Com essa mudança de um atacante por um volante, Bílek deu maior liberdade para Plasil, Jiracek, Rosický e Pilar enconstarem em Baros. E o dedo do treinador teve resultado prático aos seis minutos: Plasil deu passe sensacional para Pilar, que driblou o goleiro Malafeev e mandou para a rede, marcando o primeiro gol da República Tcheca.

Os tchecos realmente melhoraram na partida, mostrando maior organização com e sem a bola. Só que os comandados de Dick Advocaat foram encontrando um jeito de jogar para reestabelecer o domínio na partida e a Rússia foi crescendo novamente no jogo. Aos dezessete, Zyryanov recebeu de Arshavin e chutou por cima. Aos dezoito, Arshavin fez nova grande jogada ao carregar a bola e entregá-la para Kerzhakov, que chutou cruzado e para fora, à direita. Só dava Rússia e só dava Arshavin: no minuto seguinte, o camisa 10 tocou na passagem de Zhirkov, que cruzou e a defesa tcheca conseguiu interceptar. Com vinte e dois minutos, Kerzhakov recebeu pela direita e voltou a falhar no remate, chutando com força de mais e direção de menos. Aos vinte e quatro, nova investida russa terminou em conslusão errada de Kerzhakov, dessa vez chutando torto e mandando à direita. Advocaat tratou de tomar uma atitude e trocou Kerzhakov por Pavlyuchenko, mexida que ajudaria a Rússia a transformar a vitória em goleada.

Aos trinta e três minutos, uma boa troca de passes da Rússia chegou até Pavlyuchenko, que enfiou sob medida para Dzagoev e o camisa dezessete tratou de marcar seu segundo gol no jogo, isolando-se na lista de goleadores na Eurocopa 2012. 3a1 Rússia. E, três minutos depois, na marca de trinta e seis no segundo tempo, saiu o gol mais bonito na partida e, desde já, candidato a gol mais bonito no torneio: Pavlyuchenko recebeu pela esquerda, limpou o lance diante dos marcadores que o acompanhavam e tratou de chutar com precisão. Cech resvalou na bola, mas sem conseguir evitar que ela entrasse no gol, indo parar no ângulo direito.

Nos acréscimos, a República Tcheca faria lindo gol para diminuir a diferença no placar, mas foi flagrado impedimento após bela troca de passes que terminou na rede. Mais do que o expressivo resultado de 4a1, diria que a Rússia mostrou um futebol que permite a essa seleção sonhar com uma Eurocopa tão boa - ou quem sabe até melhor - que aquela espetacular vista em 2008, quando também foram liderados por um Arshavin estupendo. Os tchecos precisam levantar a cabeça e não desanimar com o revés na estréia: o time tem qualidades, que apareceram mais depois que Pilar passou a ser melhor utilizado na partida.

Outro resultado
Polônia 1a1 Grécia

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Eurocopa 2012: Pitacos Para O Grupo A

Antes de mais nada, que fique bem claro que a pessoa que digita esse texto tem profundo apreço pela Eurocopa. Apreço tão grande que é particularmente empolgante falar a respeito desse torneio. Na edição passada, as performances de Espanha, Rússia e Holanda foram altamente benéficas para o futebol mundial no sentido de que essas três seleções apresentaram um jogo ofensivo, envolvente, audacioso. E se deram bem: a Holanda caiu para a Rússia nas quartas (após fazer uma primeira fase sensacional num grupo com Itália, França e Romênia), a Rússia caiu para a Espanha na semi, e a Fúria sagrou-se campeã continental com totais méritos. Isso sem falar na vice-campeã Alemanha, do revolucionário Joachim Low, que transformou uma seleção pragmática em algum esporte parecido com futebol numa equipe encantadora, haja visto a Copa do Mundo 2010.

Agora é hora de conhecer os quatro grupos, cada um deles com quatro selecionados. E, é claro, pitaquear. Por mais perigoso que isso possa ser.

Grupo A: Polônia, Grécia, Rússia e República Tcheca.

Aí está uma chave que não conta com nenhuma potência do futebol europeu na atualidade. Por esse motivo, tudo leva a crer que poloneses, gregos, russos e tchecos disputarão as duas vagas até os últimos minutos da última rodada.

A vantagem polonesa reside no fator campo: por ser um dos países-sede, a seleção comandada por Franciszek Smuda deverá contar com a presença maciça de seus compatriotas nas arquibancadas, o que pode ser um fator positivo para estimular essa limitada seleção a superar seus primeiros oponentes.

O goleiro Wojciech Szczesny, em franca ascensão e hoje titular incontestável no Arsenal, é um dos pontos fortes da equipe. Jakub Blaszczykowski e Robert Lewandowski, jogadores de meio-campo e ataque, respectivamente, também têm qualidade e podem ajudar o time na busca por uma vaga na fase eliminatória. O adversário teoricamente mais fraco será justamente o de estréia, isto é, para se tornar plausível a classificação polonesa, parece fundamental que o time da casa vença os gregos no dia oito. Pitaco: a Polônia não se classifica.

A Grécia, surpreendente campeã na edição 2004, traz para a Euro2012 um selecionado com número considerável de jogadores presentes na última Copa do Mundo. E isso pode ser um diferencial benéfico: a experiência internacional. Os 35 anos do meio-campista Giorgios Karagounis deverão ditar o rimto da meiuca grega, que conta com jogadores como Gekas, Samaras e Salpingidis para colocar a bola na rede. Defensivamente, será um desafio brutal exigir que o português Fernando Costa consiga a mesma consistência alcançada por Otto Rehaggel. Tão brutal que é melhor nem contar com isso. Pitaco: a Grécia não se classifica.

Os russos, que fizeram bonito na edição 2008 quanto comandados pelo holandês Guus Hiddink, voltam para a Eurocopa com outro treinador daquele país: Dick Advocaat. Nomes como os de Andrey Arshavin (sensacional na Euro2008), Marat Izmailov e Yuri Zhirkov dão uma qualidade respeitável ao setor de meio-campo. E, lá na frente, se Roman Pavlyuchenko estiver inspirado, há que se considerar a Rússia como um adversário dos mais perigosos. Pitaco: a Rússia avança de fase.

Fechando o grupo A, temos a República Tcheca, do grande goleiro Petr Cech e do hábil meia Tomás Rosický. Tudo bem, os tchecos não têm nessa geração jogadores como Galasek, Poborsky e Nedved, mas o treinador Michal Bílek pode contar com dois elementos interessantes no ataque: o ótimo Milan Baros e o jovem Tomas Necid. Resta saber se essa espinha-dorsal é sólida o suficiente para conduzir os tchecos às fases seguintes. Pitaco: a República Tcheca avança de fase.

Na próxima postagem, abordaremos o grupo B.