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domingo, 27 de junho de 2021

República Tcheca Tira Proveito De Expulsão, Vence A Holanda E Se Classifica

A República Tcheca, que se classificou em terceiro lugar na sua chave (com uma vitória na estreia, um empate no segundo jogo e uma derrota no fechamento da chave D) surpreendeu a Holanda, que teve cem por cento de aproveitamento na fase de grupos. Com gols de Holeš e Schick, a equipe soube tirar proveito da vantagem numérica conquistada a partir da expulsão de De Ligt e vai às quartas de final na Eurocopa 2020.

Holanda tem ótimo início e flerta com o gol

Logo no primeiro minuto de partida, aquela Holanda que apresentou um ótimo futebol na primeira fase quando se apresentava em Amsterdã, mostrou sua cara em Budapeste: em lance pela esquerda, Memphis passou para Donyell Malen na infiltração e o cruzamento rasteiro quase encontrou Denzel Dumfries. 

Aos dez minutos, a Holanda chegou novamente, dessa vez pelo flanco direito. Mas Pavel Kadeřábek agiu bem ao cortar a bola e o barato na trama entre Memphis e Dumfries.

Por sinal, como é interessante esse ala direito Dumfries! Um jogador que se apresenta frequentemente no campo de ataque e que, como se não bastasse suas importantes aparições como ponta, também se movimenta mais centralizado e até eventualmente caindo um pouco para a esquerda, o que possibilita causar uma confusão generalizada no sistema de marcação tcheco. Foi exatamente isso que ocorreu aos doze minutos: Dumfries recebeu em velocidade infiltrando do centro para a esquerda, escapou do goleiro Tomáš Vaclík mas teve sua tentativa de cruzamento travada por Tomáš Kalas.

República Tcheca diminui os espaços e equilibra o jogo

Após o convincente início de jogo holandês, que reuniu presença no campo de ataque com movimentação, troca de posições, infiltrações e muita intensidade, a República Tcheca conseguiu encontrar uma forma de diminuir os espaços. A equipe se recusava a subir ao último terço de campo quando a Holanda tinha a bola, aumentando a compactação entre as linhas. Quando tinham a bola, os tchecos mostraram que poderiam criar situações interessantes - se não com a mesma desenvoltura do oponente, mas pelo menos com uma presença no ataque a ser levada em consideração.

Aos vinte e um minutos, Vladimír Coufal cruzou da direita e Tomáš Souček desviou com estilo, de peixinho, num mergulho que mandou a bola à direita da meta. Aos vinte e sete, o goleador Patrik Schick chutou de fora da área e Maarten Stekelenburg defendeu na direita.

A Holanda respondeu aos trinta: Malen trocou passe com Dumfries, chutou e Ondřej Čelůstka bloqueou.

Aos trinta e sete, uma das maiores chances no primeiro tempo aconteceu no ataque tcheco: Lukáš Masopust deu ótimo passe para Antonín Barák, que finalizou firme, praticamente de frente com o goleiro, mas viu seu remate ser interceptado em carrinho providencial de Matthijs De Ligt.

No minuto seguinte, uma ótima resposta holandesa: Dumfries se apresentou novamente pela ponta direita, chegou à linha de fundo e cruzou - o goleiro Vaclík salvou com o joelho esquerdo uma bola que rumava para o centro da pequena área, com endereço de entrega para Malen.

Laranja cria chances, mas é castigada por "amarelo que virou vermelho"

No segundo tempo de jogo, a Holanda voltou com atitude similar àquela do início de partida. Aos quatro minutos, Dumfries foi acionado rapidamente em contra-ataque de ligação direta, chegou na bola, avançou e cruzou para Malen. Se Malen tivesse corrido em linha reta ou, preferencialmente, abrisse um pouco para esquerda, teria condições favoráveis para finalizar. Mas ao se deslocar para a direita, perdeu completamente o tempo do lance e não foi capaz de alcançar a bola.

Dois minutos depois, aos seis, Malen teve outra preciosa oportunidade no ataque: ele avançou com a bola dominada, tinha somente o goleiro Vaclík pela frente e, no embalo da arrancada, tentou driblar com um corte para a direita. Mas Vaclík foi esperto e ligeiro para tocar na bola e ainda evitar a sobra que ficaria com Memphis.

O futebol, às vezes, é cruel com equipes que atacam, produzem, finalizam mas não aproveitam. Aos oito minutos, o jogo mudaria de uma forma que a Holanda não planejava: De Ligt escorregou em lance com Schick e, evitando que o camisa dez ficasse cara a cara com Stekelenburg,colocou a mão na bola. O árbitro indicou a infração e puniu o zagueiro com um cartão amarelo. Mas a arbitragem que gerenciava o recurso tecnológico chamou o russo Sergey Karasev para checar o monitor. Assistindo a repetição do lance, não teve como não ver que era efetivamente uma chance de gol. E Karasev expulsou De Ligt.

Aproveitando vantagem numérica, tchecos abrem o placar 

Frank De Boer optou por trocar um atacante por outro, tirando Malen e colocando Quincy Anton Promes. Tudo bem que Malen já não fazia por merecer seu lugar no campo, mas o gargalo holandês passava a ser o setor defensivo, desfalcado de um zagueiro após a expulsão de seu camisa três. E a República Tcheca soube explorar essa deficiência.

Aos dezoito minutos, Kadeřábek avançou pela esquerda, levantou a cabeça, chutou cruzado e Dumfries colocou a perna esquerda numa bola que tinha o endereço do gol. 

Aos vinte e dois, saiu o gol tcheco: em bola levantada após cobrança de falta pela direita (quase na marca do escanteio), a redonda viajou até o flanco oposto em plena pequena área, Stekelenburg não interveio, Kalas cabeceou pro meio da confusão e Tomáš Holeš, aproveitando o goleiro fora de posição, cabeceou para a rede. Um a zero para a República Tcheca na capital da Hungria. 

Autor do primeiro gol, Tomáš Holeš comemora. Imagem extraída de Meia Hora.

 

Lançada ao ataque, defesa holandesa se desguarnece e tchecos marcam o segundo gol

Se com o jogo empatado De Boer trocou um atacante por outro, com a desvantagem no placar a mexida foi ainda mais ousada no cenário de dez contra onze: aos vinte e sete, saiu o volante Marten De Roon, entrou o centroavante Wout Weghorst.

A Holanda não tinha muito o que fazer a não ser se arriscar no ataque. Aos trinta e um, Dumfries subiu novamente, cruzou rasteiro da direita e a bola atravessou a área tcheca. No mesmo minuto, Tomáš Souček chutou de fora e Stekelenburg pegou no canto direito. Era o recado tcheco: vocês atacam, a gente contra-ataca. Aos trinta e dois, foi a vez de Barák servir Masopust, que chutou colocado na esquerda e Stekelenburg segurou.

Na marca de trinta e quatro minutos, o contra-ataque tcheco foi certeiro: Holeš recebeu na esquerda - um setor escancarado com o acúmulo de acontecimentos, incluindo expulsão de De Ligt, saída de De Roon e subidas recorrentes de Dumfries -, arrancou no espaço vazio e tocou para Schick completar para o gol. O quarto dele nessa Eurocopa 2020.

Com uma situação confortável no jogo, os comandados de Jaroslav Šilhavý administraram a vantagem e o tempo no relógio. E quase marcaram o terceiro aos quarenta e três: Adam Hložek, que entrara minutos antes no lugar de Petr Ševčík, passou para Barák, que não conseguiu dominar.

A Holanda se despede da Euro 2020 nas oitavas após ganhar todas as partidas na fase de grupos. A derrota não deve ser encarada como uma tragédia no trabalho tático. Ao contrário. Ela sinaliza o quanto a competitividade atual pune uma equipe em desvantagem numérica. E que, em cenários como esse, às vezes se faz necessário abrir mão de uma ofensividade característica e reposicionar as peças de forma a procurar minimizar os prejuízos. 

A República Tcheca, por sua vez, avança para enfrentar a Dinamarca. A tendência é que a iniciativa do jogo seja dinamarquesa - uma seleção que, a exemplo da holandesa, também apresenta bastante movimentação e posse de bola. Mas o recado está dado: se vacilar, Schick e companhia não costumam perdoar.