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sexta-feira, 15 de junho de 2018

Análise Da Copa Do Mundo 2018 - Grupo H

Após analisar sete chaves da Copa 2018 (leia o que colocamos sobre os grupos A, B, C, D, E, F e G), chegou a vez de nos debruçarmos sobre o oitavo e último grupo, o H.

Nesta chave, a expectativa é que o equilíbrio seja a tônica da disputa. Há quatro continentes representados e, se não houver grandes surpresas, a última rodada tem tudo para ser agitada e emocionante.

Grupo H: Polônia, Senegal, Colômbia e Japão.

Polônia

Com nove gols marcados nos últimos três amistosos (quatro deles anotados por Lewandowski), a Polônia chega ao Mundial na Rússia com o que é possivelmente a sua melhor seleção neste século.

Polônia: 8ª colocada no ranqueamento da FIFA.
Szczęsny e Fabiański somaram experiência após a saída do Arsenal e hoje são dois goleiros mais confiáveis. Na defesa, Piszczek, referência no Borussia Dortmund, é o jogador mais conhecido. A meiuca conta com atletas como Błaszczykowski, Krychowiak, Kurzawa e Zieliński. E a cereja no bolo está nas opções de ataque à disposição de Adam Nawałka: Lewandowski, que dispensa apresentações, Grosicki e Milik.

Na campanha nas Eliminatórias Européias, a única derrota em dez partidas se deu em Copenhaguen, num 4a0 para a Dinamarca. Jogando em casa, venceu todos os jogos, marcando uma média de três gols por partida. Dezesseis do total de vinte e oito gols foram de autoria do maior goleador da qualificatória do Velho Continente: Lewandowski. Em território armênio, o time polonês foi num 4-2-3-1 onde Lewandowski ficou como referência no ataque e saiu de campo com três gols marcados na goleada por 6a1.

O tamanho da ambição polonesa nessa Copa do Mundo não está muito claro. Mas há, ali, um time que tem o direito e o dever de sonhar. Ainda mais com um centroavante que, só do zagueiro oponente pensar em enfrentar, já deve estar a meio caminho de um pesadelo.

Senegal

Senegal: 27ª colocada no ranqueamento da FIFA.
Líder invicto na complicada chave com Burkina Fasso, Cabo Verde e África do Sul, o Senegal chega à sua segunda participação em Mundiais. Na sua primeira, em 2002, uma exibição sensacional, desde a estréia surpreendendo a então atual campeã França até a eliminação com gol de ouro nas quartas diante da Turquia. Daquele time, continua apenas Cissé: o capitão virou treinador. E terá a missão de comandar uma equipe com alguns bons valores individuais, destacando-se o defensor Koulibaly, do Napoli, e o atacante Sadio Mané, do Liverpool.

Após o término das Eliminatórias Africanas, a equipe acumulou quatro amistosos em seqüência sem vitória, incluindo compromissos diante de seleções de menor expressão no cenário internacional, como Uzbequistão (1a1) e Luxemburgo (0a0). Mas o último jogo antes da estréia na Copa pode ter trazido um novo ânimo ao senegaleses: a vitória por 2a0 sobre a Coréia do Sul é daqueles resultados que possuem um efeito moral de retomada de confiança, algo imensurável nas proximidades de um torneio que gera tanta ansiedade.

Se Cissé conseguir obter o máximo de Mané, Senegal automaticamente sobe um nível. E se alguém duvida alguma coisa de uma nação que ajudou a eliminar uma campeã mundial na fase de grupos, é bom rever seus conceitos. São outros jogadores? Sim. Mas é o mesmo espírito e determinação de surpreender. Cissé há de saber passar isso ao elenco.

Colômbia

Colômbia: 16ª colocada no ranqueamento da FIFA.
Embora tenha feito um ótimo Mundial em 2014 - com futebol muito bem jogado e destaque individual para James Rodríguez -, a Colômbia passou muitos sustos na trajetória rumo à Rússia-2018. Para se ter uma idéia, na última rodada das Eliminatórias Sul-Americanas, os comandados de José Pekerman poderiam ter ido parar na repescagem caso o Chile tivesse pontuado diante do Brasil, que já jogava com a ciência do primeiro lugar. E, se somado a isso não tivesse conseguido manter o empate com o Peru, estaria simplesmente fora até da repescagem.

Só que a Colômbia chegou à Rússia e trouxe na bagagem muitos jogadores de qualidade, treinados por um técnico o qual respeito bastante. Pekerman desenvolve uma filosofia ofensiva e conseguiu fazer diversas formações diferentes em que o time colombiano tomava a iniciativa das ações. Apesar desse mérito, há que se considerar que a equipe parece ter uma certa dependência de James, algo que pode atrapalhar o rendimento coletivo em ocasiões onde o camisa 10 esteja mais marcado ou menos inspirado.

De toda forma, Pekerman tem à sua disposição um time ainda mais entrosado e que conta com muitos outros atletas capazes de decidir um jogo em lance individual, como Cuadrado, Bacca e Falcao.

Japão

Japão: 61ª colocada no ranqueamento da FIFA.
Com uma seleção experiente - mais de um terço do elenco é de jogadores com mais de trinta anos de idade -, o Japão chega à Rússia após uma campanha de melhor ataque e melhor defesa em sua chave nas Eliminatórias, alcançando o primeiro lugar e deixando para trás Arábia Saudita, Austrália, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Tailândia.

O meio-campo possui jogadores de qualidade, como Hasebe, Honda e Kagawa. Na goleada sobre o Paraguai por 4a2, somente Kagawa atuou, marcando o último gol no amistoso realizado esta semana, além de ter dado as assistências nos dois primeiros gols da equipe.

Se por um lado Haraguchi foi o goleador da equipe nas Eliminatórias (quatro gols), por outro, não é garantido que ele seja escolhido, pois a concorrência com o veterano Okazaki é forte. O que parece mais garantido é que, na cabeça de Akira Nishino - no cargo de treinador da seleção desde abril -, ou joga um, ou joga outro: a equipe vem se desenhando numa formação com três meias abastecendo um homem de referência.

O Japão, por ter no futebol brasileiro uma inspiração, é uma seleção que me desperta particular curiosidade em ver jogar. Não que eu reserve grandes expectativas de ver os japoneses avançando na Copa do Mundo 2018. Mas adoraria vê-los desenvolvendo um jogo de ataque, naquele estilo que consagrou a seleção brasileira e que, infelizmente, se tornou mais objeto de memória do que de modelo programático para montar os times da CBF. Talvez o Japão possa nos representar. Vamos acompanhar.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Grécia E Japão Empatam: Decisão Fica Para Última Rodada

De um lado, a técnica e ofensividade de uma seleção japonesa que aceita se expor defensivamente em nome de um maior volume de jogo no campo de ataque.

De outro, o vigor e consistência de uma seleção grega que se coloca postada de tal maneira a tentar dar cada passo com o comprimento exato necessário a fim de atingir seus objetivos.

Para ilustrar as afirmações anteriores, vai aqui uma estatística auto-explicativa de dois momentos diferentes da partida. Com dezesseis minutos de jogo, o Japão havia trocado 132 passes no jogo, enquanto a Grécia havia realizado 26 trocas de passes. Aos quarenta e oito minutos do segundo tempo (isto é, instantes antes do apito final), a contagem acumulada era de 533 passes japoneses para 172 gregos.

É claro que são momentos diferentes e os números ilustram, mas não traduzem a totalidade de um jogo. Ainda por cima, houve a expulsão de Katsouranis aos trinta e sete do primeiro tempo. Só que dá tranqüilamente para girar a reflexão dessa partida em torno dessa estatística. Não vou fazê-lo, mas que dá, dá.

Fato é que o treinador português Fernando Santos conseguiu ser muito feliz na arte de mexer num time que passou a jogar com um homem a menos. Não um homem qualquer, mas o capitão da equipe, figura das mais experientes no elenco. Detalhe: minutos antes da expulsão do cabeça-de-área pelo segundo cartão amarelo, o atacante Mitroglou precisou sair de campo por sentir uma contusão. Naquele momento, Fernando Santos havia colocado Gekas em seu lugar. E não titubeou em realizar a segunda substituição ainda no primeiro tempo, trazendo para campo Karagounis no lugar de Fetfatzidis. Uma alteração magistral, de tão simples e funcional: Santos tratou de repôr no gramado de Natal não um jogador com características técnicas parecidas com a do atleta expulso, mas sim de realocar alguém experiente, para conduzir o time mentalmente dentro de campo. Karagounis era o cara para desempenhar esse papel e o que se viu foi uma Grécia valente, encarando de maneira heróica os Samurais, que estavam em maior número.

E se o Japão teve lá suas chances de vencer o jogo - principalmente após as entradas de Endo e Kagawa, o fato é que o goleiro Kawashima teve pelo menos duas participações relevantes para não permitir o gol grego. O 0a0 acabou se mantendo até o final e, mais do que a igualdade no placar, o que se mantém é a esperança de asiáticos e europeus em buscarem a segunda vaga num grupo que tem um sul-americano já classificado e um africano perto de conseguir avançar (mais cedo, a Colômbia venceu a Costa do Marfim por 2a1 por esse mesmo grupo C). Mas é bom não duvidar de heróis e samurais. Muito menos numa Copa do Mundo. Que venha a terceira rodada.

domingo, 15 de junho de 2014

Foi Tua Fé Que Te Curou!

Dois mil anos atrás, muito antes de qualquer registro catalogado de prática futebolística ou que possa se assemelhar a esta modalidade esportiva absolutamente apaixonante que é o futebol, passou por esse planeta aquele que pode ser apontado como o maior exemplo de ser humano. Humano pelo que é, por ser. Alguns o idolatram. Outros o veneram. Há quem busque inspiração nesse ícone (re)pensando o que ele faria se estivesse em seu lugar. Tem até os que chegam a duvidar se ele realmente existiu da forma como foi descrito. Fato é que está lá no livro sagrado cultuado pelos cristãos que aquele homem, após operar o que costumamos chamar de milagre, afirmou: "foi a tua fé que te curou".

Mas caro blogueiro, o que isso tem a ver com o jogo entre Costa do Marfim e Japão? Entrei aqui pra discutir a religião cujo templo é o estádio, onde está a relação? Estimadas leitoras e estimados leitores, a relação é completa e intrínseca. No templo de Recife, que recebeu sua primeira missa nessa Copa do Mundo 2014, marfinenses e japoneses - além, é claro, de brasileiros -, marcaram presença nas arquibancadas. Durante o ritual, viram-se danças, gritos, comemorações, lamentos. De tudo um tanto. E a celebração começou melhor para os asiáticos, que abriram o placar com um lindo chute de Honda. O transcorrer do primeiro tempo mostrou um universo de possibilidades para os dois lados. Yaya Touré aparecia pouco, de tão bem marcado que era. Mas o pouco que aparecia já criava boas situações para os africanos. Pelo lado nipônico, os avanços dos laterais Uchida e Nagatomo complicavam a defesa marfinense, já bastante ocupada para tentar deter Honda, Kagawa e Okazaki.

Foi então que veio o segundo tempo. A Costa do Marfim queria sair da situação de derrota na estréia mas não encontrava fórmulas para alcançar o objetivo. Naquela altura, seria tão simples como fazer um paralítico andar, um cego enxergar, um morto reviver. Foi então que o treinador francês Sabri Lamouchi chamou Didier Drogba para sair do banco e adentrar no altar. Aos dezessete minutos, Drogba colocou os pés no gramado. Aos dezenove, a Costa do Marfim empatou o jogo. Aos vinte e um, conseguiu a virada. Se foram dois gols de Drogba que resolveram a parada? Nada disso! Bony e Gervinho, atacantes que estavam em campo desde o apito inicial, marcaram para a seleção africana. Mas Drogba estava lá. A referência, a inspiração, o ídolo de uma nação. O que faz tudo ser diferente. Pois os marfinenses acreditam em Drogba. E, em verdade vos digo, foi a tua fé que te curou.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Eficiente, Japão Elimina Brasil No Futebol Feminino

A seleção feminina brasileira caiu para as japonesas na fase quartas-de-final nas Olimpíadas de Londres 2012. Analisando friamente a estatística, essa foi a pior campanha olímpica das mulheres do "país do futebol [masculino]". Mas vendo o jogo, é necessário fazer justiça: o time comandado por Jorge Barcellos começou bem a partida, dominou as ações, pressionou o Japão. Não aproveitou nenhuma oportunidade criada e, no momento em que as nipônicas melhoraram em campo e passaram a se sobressair, tiveram a felicidade de abrir o placar, com gol aos vinte e sete minutos, em lance de descuido da última linha de defesa brasileira, que permitiu que Ogimi recebesse cobrança de falta pelas costas da marcação e avançasse bem à vontade em direção à baliza.

A equipe brasileira não reagiu bem ao revés parcial e rumou para o vestiário com um rendimento abaixo daquele que era visto nos primeiros vinte minutos de jogo. Na etapa complementar, Marta continuou sem encantar (a camisa dez tantas vezes nomeada melhor do mundo não era nem sobra de si mesma) e a defesa cometia novas falhas. E foi jogando no erro brasileiro que, novamente aos vinte e sete minutos, o Japão chegou ao gol: Ohno foi lançada, limpou a marcação e finalizou lindamente, mandando no travessão e na rede. 2a0 para as japonesas.

Barcellos tardou a fazer alterações numa equipe visivelmente abatida psicologicamente e, por conseqüência, perdida do ponto de vista tático, contrastando fortemente com os minutos iniciais de partida. Por conta dessa queda de produção e da eficiência japonesa, o resultado acabou sendo justo. O Japão, atual campeão mundial, avança para enfrentar a França na semifinal olímpica. O Brasil já pode, ou melhor, deve, pensar nas Olimpíadas do Rio 2016. E precisará de um planejamento sólido, absolutamente diferente do descaso atual, onde a diferença ao tratamento dado a homens e mulheres nessa modalidade beira o sexismo. Olhando por esse ângulo, o país realmente não merecia uma medalha. Elas, sim, por mesmo diante de tudo isso estarem aí, vestindo a camisa e correndo atrás. Que elenco e nação façam por merecer a conquista do ouro daqui a quatro anos.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Paraguai-Japão Separados Pelo Travessão

No segundo duelo de oitavas-de-final entre América do Sul e Ásia, os sul-americanos conseguiram levar seu 4º representante para a próxima fase, ficando pela primeira vez na história das Copas com mais candidatos que a Europa (3) nessa altura do torneio. Os japoneses se despedem de cabeça erguida, jogando sem qualquer temor dos adversários e vendendo muito caro a classificação, definida nos detalhes das penalidades. Os paraguaios festejam o feito inédito de chegarem nas quartas-de-finais do Mundial.

Japão mostra saber jogar sem a bola

A partida que ficaria por mais de duas horas no 0a0 quase teve um gol-relâmpago: com 15 segundos de bola rolando, a defesa paraguaia sai jogando errado, Yoshito Okubo intercepta e chuta à direita do gol de Justo Villar.

Com 1 minuto, Daisuke Matsui dá carrinho feio e escapa de receber um cartão amarelo, que permaneceu no bolso do árbitro belga Frank De Bleeckere.

Aos 2 minutos, Yuichi Komano tem a bola pela direita, chuta de fora da área e Villar encaixa.

Com 4 minutos, Paulo Da Silva deu carrinho por trás em Okubo e Frank De Bleeckere apitou falta, seguindo o critério que demonstrou anteriormente.

Aos 6 minutos, Roque Santa Cruz, aberto pelo canto direito, tenta lançar pra área e a bola volta nele, que domina no peito, cruza, Edgar Benítez e Komano sobem para a disputa mas ninguém leva vantagem no lance e a bola sai em arremesso lateral.

Na marca de 9 minutos, Eiji Kawashima segura bola levantada na área e prontamente faz bom lançamento ligando contra-ataque, mas Matsui não consegue passar pela marcação adversária.

Nos primeiros 15 minutos de jogo já tínhamos o desenho do que aconteceria por praticamente toda a partida: o Paraguai mais tempo com a bola (naquela altura 60% da posse) e o Japão abusando daquilo que tem de melhor, que é a saída em velocidade.

Com 19 minutos, Lucas Barrios toma a iniciativa no comando de ataque, passa e recebe de volta, entra na área, dá bonito giro para se livrar de Komano e também de Yuji Nakazawa, chuta ao gol mas Kawashima consegue bloquear com bela defesa.

No minuto seguinte, uma resposta contundente dos japoneses: Matsui pega de primeira uma sobra de bola no ataque e manda chute de curva que carimba o travessão.

Aos 27', Claudio Morel Rodríguez cobra escanteio pela esquerda, paraguaios e japoneses disputam no ar mas quem vê a bola na sua frente é Roque Santa Cruz, que chuta de canhota perto da trave esquerda. Foi muita sorte e falta dela ao mesmo tempo: a bola quicou na grama pedindo para ser chutada, mas caiu para a perna que não é a preferida do atacante.

Barrios, que já demonstrara talento em outras oportunidades, mostrou mais uma de seu repertório ao dar uma caneta em Makoto Hasebe, aos 32 minutos.

Com 34', Néstor Ortigoza resolve sair jogando carregando a bola perto da própria área, perde a posse para Keisuke Honda e deixa a tarefa de recuperação para a defesa paraguaia, que acaba conseguindo. É o típico lance que sugere aquela bronca: "aí não é lugar pra brincar".

Aos 35', nova entrada faltosa de Da Silva, que dessa vez derrubou Honda, e novamente nada de cartão. Na cobrança, Yasuhito Endo colocou na área e Roque Santa Cruz mergulhou para afastar antes que a bola chegasse em Marcus Túlio Tanaka.

Na marca de 39 minutos, Matsui desce veloz pela direita, toca de lado e Honda chuta de primeira, à direita.

O primeiro tempo terminava com o Paraguai detendo 61% da posse mas vendo o Japão criar as melhores chances.

Técnicos mexem, buscam variações táticas, mas nada de gol

Aos 4 minutos, Ortigoza tabela e recebe de volta dominando no peito, entra na área, abre pra direita visando facilitar o chute mas acaba desarmado. Tudo bem, Ortigoza, melhor perder a bola aí do que lá atrás.

Com 8 minutos, cruzamento da direita no ataque japonês, Enrique Vera afasta de cabeça, Yuto Nagatomo pega a sobra e chuta ao gol: a bola desvia na marcação paraguaia e Villar fica com ela. 2 minutos depois, rápido contra-ataque para o Paraguai: Benítez recebe no lado esquerdo da área, chuta e Nakazawa bloqueia.

De Bleeckere mostrou o 1º cartão amarelo do jogo aos 11', após o toque de mão na bola dado por Matsui na subida com Ortigoza.

Na marca de 12 minutos, Ortigoza dá bela enfiada de bola para Benítez, que cruza rasteiro e Nakazawa corta para a lateral. Morel Rodríguez faz o arremesso para Roque Santa Cruz, recebe de volta, cruza na área mas o cabeceio é defendido por Kawashima. No minuto seguinte, Komano arranca pela direita, tem 3 companheiros na área, mas mostra-se fominha e tenta a finalização, mandado chute torto que sai pela lateral esquerda.

Gerardo Martino fez a primeira substituição paraguaia e também do jogo aos 14 minutos: sai o meia Benítez e entra o atacante Nelson Haedo Valdez, ficando agora com 3 homens de frente, tal como utilizou bastante na fase de grupos.

6 minutos depois, Takeshi Okada também faz sua primeira substituição: sai Matsui, com amarelo, e entra Shinji Okazaki, reforçando a presença de área no ataque japonês - experiência bem-sucedida na partida diante da Dinamarca.

Com 21 minutos, bola levantada a partir do lado direito de ataque paraguaio, Kawashima salta para afastar de soco. Para não dizer que o goleiro não achou nada, ele atingiu o companheiro Túlio Tanaka com uma joelhada no queixo, levando-o ao chão. A contusão parecia grave, mas maior era a determinação de Tanaka em ajudar o Japão, retornando ao campo 2 minutos depois evitando movimentar o braço esquerdo.

Na marca de 25 minutos, Komano passa para Honda, que serve Okazaki - o camisa 9 cruza rasteiro e Ortigoza consegue cortar. No mesmo minuto, quando o Paraguai saía em contra-ataque, Nelson Valdez foi puxado por Nagatomo e o camisa 5 recebeu cartão amarelo (o segundo dele na Copa, suspendendo-o em caso de classificação).

Aos 28' aconteceu algo inusitado: se 7 minutos antes Tanaka era atingido por Kawashima, dessa vez foi o zagueiro que acabou dando encontrão no goleiro. Mas, felizmente, tudo bem com ambos.

Martino sentia o melhor momento do Japão no jogo e promoveu a 2ª substituição na sua seleção, tirando o volante Ortigoza e colocando o meia Édgar Barreto, aos 30 minutos.

3 minutos após a mexida, Valdez passou para Barreto, que chutou de fora e Kawashima encaixou.

Com 35 minutos, Okada respondia ao técnico paraguaio: sai Yuki Abe e entra Kengo Nakamura (não confundir com o camisa 10 Shunsuke Nakamura).

Na marca de 41 minutos, Komano tinha a bola pelo lado direito de ataque mas eis que surge uma segunda Jabulani no gramado, forçando o árbitro a interromper o jogo e reiniciar com bola ao chão. Por "fair play", o Paraguai devolveu a posse.

A última chance do tempo regulamentar foi japonesa: em lance de bola parada, formou-se uma aglomeração na área de Justo Villar aos 46 minutos. Veio o levantamento da direita, deu-se um desvio no meio da área e Tanaka esticou a perna direita tentando completar ao gol, mas não conseguiu alcançar.

Equipes buscam o gol no primeiro tempo da prorrogação

O reinício do jogo após o término do tempo regulamentar teve uma agitação que sugeria a intenção de ambas as seleções em definir a classificação antes das penalidades.

Com 35 segundos, Nakamura recebe bola na direita, põe a bola na área com chute cruzado rasteiro e Antolín Alcáraz corta.

Aos 3 minutos, Martino promoveu a 3ª substituição paraguaia trocando de atacante: Santa Cruz por Óscar Cardozo. No minuto posterior, Valdez passa pra trás, a bola é levantada na área e Barrios nem precisa tirar os pés do chão para cabecear, mas a bola vai direto para defesa de Kawashima.

O Paraguai parecia conseguir, finalmente, conciliar a maior posse de bola (então 70%) com objetividade. Aos 6 minutos, Morel tem a bola pelo lado esquerdo e vai avançando com ela dominada, centralizando a jogada e passando para Valdez, que recebe, se estica para finalizar e chuta para nova defesa de Kawashima, bem no bloqueio.

O Japão respondeu 2 minutos depois em cobrança de falta: Honda bate de três-dedos e o chute cruzado é espalmado por Villar. Com 10', levantamento a partir do lado esquerdo de ataque paraguaio, ninguém finaliza nem ninguém afasta e Barreto tenta marcar dando uma puxada na bola, que vai na rede pelo lado de fora, pouco acima do travessão.

Segundo tempo da prorrogação se resume a vai-e-vem de jogadores em diversos chuveirinhos originados em cobranças de falta

Okada mexeu pela última vez no intervalo, colocando Keiji Tamada no lugar de Okubo - atacante descansado no lugar de atacante exausto.

Se com a bola rolando ninguém arrumava nada, a partida passou a se resumir em idas e vindas de zagueiros para as áreas em lances de bola parada: visando ora fazer o gol da classificação ora defender-se da investida adversária.

Aos 3', Morel levanta praticamente do meio-campo, o cabeceio chega ao gol sem força e Kawashima encaixa. Aos 5', escanteio para o Paraguai pelo lado direito, Da Silva sobe com Hasebe, chega na bola com a nuca e a redonda sai à direita. Com 7' era a vez do Japão, na mesma jogadinha levantada: Endo cobra aberto pro lado esquerdo e Tanaka testa para fora. Ainda com 7 minutos, Endo deu carrinho em Vera e recebeu um amarelo que o tiraria da seqüência da Copa por suspensão automática.

Na marca de 10 minutos, a melhor jogada da prorrogação: contra-ataque japonês pela esquerda, Tamada passa para Okazaki, que devolve de calcanhar e desmonta a defesa paraguaia - Tamada alça na área, mas ninguém aparece para completar ao gol que estava aberto. Com 12', Riveros faz o domínio e leva a mão à bola, recebendo o único cartão amarelo de sua equipe, o 5º e último do jogo.

Nas penalidades, 9 chutes, 8 gols e um travessão no caminho do Japão

Para melhor entender as cobranças, considere o gol dividido em 15 quadrantes: de 1 a 5 na fileira horizontal superior (1 para o ângulo esquerdo, 5 para o ângulo direito), de 6 a 10 a fileira horizontal que caracteriza o chute dado à meia-altura (6 para o canto esquerdo, 10 para o canto direito) e de 11 a 15 para as cobranças rasteiras (11 para o canto esquerdo e 15 para o canto direito). Os chutes no meio do gol seriam nos quadrantes 3 (alto), 8 (meia-altura) e 13 (rasteiro). Quando me referir ao movimento do goleiro para esquerda ou direita é em relação ao próprio goleiro e não ao cobrador.

Barreto mandou no quadrante 11 - Kawashima foi nela mas não alcançou;
Endo, mostrando serenidade antes da cobrança, mandou no quadrante 10 - Villar foi pro outro lado;
Barrios chutou no quadrante 15 - Kawashima chegou perto da bola;
Hasebe cobrou no quadrante 6 - Villar foi pra lá mas não alcançou;
Riveros mandou no quadrante 14 - Kawashima saltou pra direita;
Komano carimbou o travessão na altura do quadrante 2;
Valdez chutou com força no quadrante 3 - Kawashima pulou pra direita;
Honda converteu no quadrante 13 - Villar deslocou-se pra esquerda;
Cardozo mandou no quadrante 11 - Kawashima foi pra esquerda.
Cardozo converte a última penalidade, colocando o Paraguai nas quartas-de-finais pela primeira vez na história das Copas.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Japão Vence, Consolida 2º Lugar E Pega O Paraguai

Duas cobranças de falta certeiras ainda no primeiro tempo e uma obediência tática primorosa que dificultava as investidas adversárias. Com esses dois requisitos, o Japão venceu a Dinamarca com autoridade e, desde que abriu o placar no estádio Royal Bafokeng, jamais viu a sua classificação colocada em risco. É a segunda vez que os japoneses avançam para as oitavas-de-finais (a outra foi em 2002, quando sediaram com a Coréia do Sul). Já os dinamarqueses, se não eram franco favoritos a conquistar uma vaga, no mínimo deixaram a sensação de que poderiam ter rendido mais em solo sul-africano.

O jogo

Aos 2 minutos, Simon Busk Poulsen tabelou com Jon Dahl Tomasson e chutou por cima. Aos 6', nova chegada dinamarquesa contando com esses dois jogadores: Simon Poulsen tabelou com Thomas Kahlenberg e cruzou, mas Tomasson não alcançou a bola através da puxada, contentando-se com escanteio. Na cobrança, Dennis Rommedahl cruzou e Per Billeskov Kroldrup completou no segundo pau, mandando à direita do gol.

O árbitro sul-africano Jerome Damon demonstrou ter ciência que o empate era benéfico ao Japão e tratou de agir para coibir o retardamento da bola em jogo já com 11 minutos do primeiro tempo: Yasuhito Endo demorou para cobrar uma falta e recebeu cartão amarelo.

Aos 12 minutos, a primeira chegada japonesa por muito pouco não terminou em gol: Yoshito Okubo lançou da esquerda, Daisuke Matsui se antecipou ao goleiro, tirou os dois pés do chão e desviou no ar - Thomas Sorensen fez linda defesa com a perna. Ainda aos 12' o Japão chegou novamente: Matsui passou reto enfiando para Makoto Hasebe, que chutou perto do ângulo esquerdo. A resposta dinamarquesa foi à altura: no minuto seguinte, Tomasson recebeu na esquerda, entrou na área e chutou cruzado, para fora. Por falar em altura, a média de estatura da seleção dinamarquesa é 9 centímetros maior que a japonesa.

Na marca de 16 minutos, falta para o Japão. A distância é considerável, mas quem está na bola é Keisuke Honda - quem acompanha os jogos do CSKA Moscou deve ter uma idéia de que a intermediária parece mais perto da linha-de-fundo quando esse jogador parte pra cobrança. E lá foi ele. O chute não saiu muito forte, mas também nem precisava. Teve a direção e fez a curva necessárias para sair da barreira, fugir do alcance de Sorensen e não ir para além da baliza. É até possível responsabilizar o goleiro, mas cabe dar os méritos para Honda, que se entendeu com a Jabulani. 1a0 Japão.

Aos 21', Christian Bager Poulsen lança Tomasson, o atacante não chuta mas mesmo assim o lance causa dificuldades ao goleiro Eiji Kawashima, que espalma. Por demorar a cobrar arremesso lateral, o novo cartão amarelo do jogo por motivos de "cera" - antes cedo do que nunca - vai para Yuto Nagatomo, com 25 minutos.

Na marca de 28 minutos, Kroldrup empurra Okubo e é amarelado. Falta frontal para o Japão, a 27 metros do gol. Honda, mais distante da bola, e Endo tomam posição para a cobrança. Dessa vez quem cobrou foi o camisa 7. Inapelável: pé direito, colocado, no canto esquerdo, sem chance de defesa para Sorensen.

Morten Olsen promove a primeira substituição já aos 33 minutos: sai o experiente Lars Martin Jorgensen para a entrada de mais um Poulsen, o Jakob Bendix Uhd.

A Dinamarca tinha mais a bola (60%), mas quem chegava com mais facilidade era o Japão. Aos 41 minutos, abertura na direita, levantamento na área e Okubo tenta o voleio, mas acaba dando de canela na redonda. Aos 43 minutos, Christian Poulsen recebe de fora da área e chega chutando - a bola tinha o endereço do ângulo, mas Kawashima teve tempo hábil de segurar com firmeza. No mesmo minuto o Japão respondeu com Yuichi Komano, que avançou pela direita, chutou alto e Sorensen mandou para escanteio.

As equipes voltaram para a segunda etapa com o Japão podendo administrar uma vantagem relativamente confortável: venciam por 2a0, jogavam com a vantagem do empate e tinham o controle do jogo. Para a Dinamarca, a irremediável missão de correr atrás do prejuízo e aceitar se expôr aos contra-ataques japoneses.

Aos 2 minutos, a vitória quase tomou rumo de goleada: Endo cobrou falta levantando a bola na área e quase marcou ao estilo Ronaldinho Gaúcho naquele gol em 2002 diante de David Seaman (quartas-de-finais, Brasil 2a1 Inglaterra). Mas Sorensen conseguiu tocar na bola o suficiente para desviá-la para a trave, evitando por pouco o que seria o terceiro gol em cobrança de falta no mesmo jogo.

Com 5 minutos, cruzamento dinamarquês pelo lado direito, Tomasson dá leve desvio e a bola passa por Nicklas Bendtner e Kahlenberg. Aos 6', mais Dinamarca: Lars Christian Jacobsen levanta, Bendtner resvala e Tomasson chega dividindo com Hasebe e Kawashima - escanteio. 2 minutos depois, Nagatomo decidiu arrancar com a bola de onde estava (na altura do meio do campo e próximo da linha lateral esquerda), avançou em diagonal e chutou por cima.

Aos 10 minutos, Olsen realiza a 2ª substituição, tirando o defensor Kroldrup para colocar o avante Soren Larsen.

Na marca de 13 minutos, Rommedahl passa para Kahlenberg, que dá atrás para Jakob Poulsen chutar forte, à meia-altura: Kawashima espalma para a lateral. No minuto seguinte, Daniel Munthe Agger cobrou falta colocado e Kawashima mostrou segurança ao defender no canto esquerdo. Com 19', Daniel Agger cobra arremesso lateral na muvuca da grande área e Jerome Damon inventa falta de Bendtner. Um minuto depois, Sorensen voltou a trabalhar ao encaixar chute à meia-altura, de fora da área, dado por Okubo. Se antes o juíz inventou falta de Bendtner, dessa vez o camisa 11 saltou na jogada aérea abrindo o braço, atingindo Yuji Nakazawa e recebendo cartão amarelo.

Com 22 minutos, o jovem meio-campo de 18 anos Christian Dannemann Eriksen - que entrara 5 minutos antes no lugar de Kahlenberg, na 3ª e última substituição dinamarquesa - pegou sobra de bola e chutou perto do ângulo esquerdo. 2 minutos depois, Rommedahl recebeu presente do adversário e passou para Tomasson dar uma furada daquelas que subsidiam o debate em torno do seu talento. Aos 27', Nagatomo pega a bola pelo lado esquerdo, trás para o centro e chuta para defesa de Sorensen.

Com 28 minutos, Takeshi Okada fez a primeira troca japonesa: Matsui por Shinji Okazaki. Aos 32', Okazaki participou ao cabecear levantamento de Okubo, mas parou em defesa de Sorensen.

A Dinamarca seguia com a bola nos pés (61% naquele momento), mas era difícil vislumbrar como reverter aquele placar. Aos 33', Larsen recebeu bola alçada, girou e carimbou o travessão. No minuto seguinte, Hasebe deu à Dinamarca a grande chance de sair do zero: cometeu pênalti. Tomasson partiu, parou em defesa de Kawashima, mas conferiu no rebote.

Se a Dinamarca acreditou numa improvável reviravolta, os japoneses deram o golpe final aos 42 minutos: de Okubo para Honda, drible em Rommedahl e assistência para Okazaki dar números finais.

De resto, uma substituição aos 45' (Endo por Junichi Inamoto), uma chance para a Dinamarca aos 46' (Agger chutou mas a defesa japonesa desviou para escanteio) e uma chance para o Japão aos 48' (Honda recebeu, carregou e chutou por cima).

sábado, 19 de junho de 2010

Sem Decolar, Holanda Vence E Mantém A Ponta

A seleção holandesa entrou em campo no estádio Moses Mabhida, em Durban, e novamente demonstrou grande capacidade de manter a posse de bola sob seus domínios. Porém, era notória a dificuldade dos comandados de Bert van Marwijk em infiltrar na fechada defesa montada por Takeshi Okada. O melhor estava guardado para a segunda etapa, com a Holanda abrindo o placar e o Japão resolvendo sair um pouco mais para o jogo, proporcionando espaço para os contra-ataques.

O jogo

Com 3 minutos de partida, a primeira boa jogada aconteceu através da bela tabelinha entre Rafael vai der Vaart e Robin van Persie, que cruzou fechado e a defesa japonesa afastou o perigo. 5 minutos depois, falta para a Holanda pela esquerda, não muito longe da área: os jogadores se posicionaram aguardando cruzamento mas Wesley Sneijder bateu direto, por cima do travessão.

Nos primeiros 10 minutos de jogo, a posse de bola era de 80% para um lado e 20% para outro, ratificando a filosofia da escola holandesa.

Aos 11', a primeira chegada japonesa: Yuto Nagatomo pegou sobra de bola e soltou um chute cruzado de fora da área, com a bola saindo à esquerda da trave. Após esse lance, a partida amornou e era resumida basicamente em troca de passes de jogadores de laranja, mas sem criar algo que levasse perigo aos asiáticos. Aos 32 minutos, o Japão conseguiu uma finalização: Keisuke Honda cabeceou por cima após cruzamento em lance de bola parada. 3 minutos mais tarde, o argentino Héctor Baldassi aplicou o que seria o único cartão amarelo da partida, após a entrada de Gregory van der Wiel em Daisuke Matsui. Na cobrança, Yasuhito Endo levantou na área e Marcus Túlio Tanaka cabeceou à direita. Aos 37', bonito lance: Matsui recebeu a bola próximo da área, levantou a redonda com a perna direita e chutou ao gol com a perna esquerda, para defesa de Stekelenburg.

Para não dizer que Eiji Kawashima não trabalhou no primeiro tempo, aos 45 minutos van der Vaart recebeu de Dirk Kuyt e chutou, mas o goleiro encaixou.

Seguindo o exemplo da estréia, a Holanda voltou melhor no segundo tempo. Aos 2 minutos, Giovanni van Bronckhorst cruzou, van Persie posicionou-se bem e cabeceou - Kawashima defendeu. Aos 7 minutos, novo cruzamento vindo do lado esquerdo. Dessa vez van Persie disputou pelo chão com a defesa adversária e rolou para trás: Sneijder encheu o pé e superou Kawashima, que acabou saltando além da linha da bola e não conseguiu desviar a Jabulani para onde queria. Difícil planejar uma defesa em chute a 142 quilômetros horários.

Era o que o jogo precisava para ficar mais atraente, pois a partir daí o Japão passou a ter menos vergonha de atacar. Aos 10 minutos, Yoshito Okubo carregou a redonda, chutou de fora e Stekelenburg defendeu. No minuto seguinte, Okubo tentou pelo lado esquerdo e o remate saiu por cima. Aos 14', Endo cobrou falta na área e o desvio de cabeça não foi fraco o bastante para permitir um novo desvio e nem forte o suficiente para superar Stekelenburg, que realizou a defesa.

Com 18 minutos, a primeira substituição: saía Matsui para a entrada de Shunsuke Nakamura. 1 minuto depois, Okubo recebeu pelo lado esquerdo de ataque e chutou a bola, novamente sem direção. Aos 23', boa chegada dos japoneses: Yuichi Komano recebeu na direita, levantou a cabeça e cruzou rasteiro - van der Wiel apareceu para cortar antes que a bola chegasse em Honda. No minuto seguinte, Okubo cruzou da esquerda e Joris Mathijsen fez corte providencial.

Para dar velocidade aos contra-ataques, van Marwijk trocou van der Vaart por Eljero Elia, aos 26 minutos. E o contra-ataque aconteceu 3 minutos depois, mas o passe de van Persie permitiu o corte da defesa japonesa.

Aos 31', dupla troca pelo lado nipônico: Makoto Hasebe por Shinji Okazaki e Okubo por Keiji Tamada. Com 32 minutos, Elia tentou enfiada de bola para van Persie, mas Kawashima chegou primeiro.

A Holanda seguia tendo mais tempo de bola (61% da posse) mas dessa vez tinha mais espaço para trabalhá-la e acionar os atacantes. Aos 37', Sneijder deixou o campo para a entrada de Ibrahim Afellay. E o camisa 20 já apareceria em condições de marcar dois minutos depois: Elia acertou na enfiada de bola para Afellay, que avançou em velocidade e chutou na saída do goleiro, que defendeu bem.

Aos 42', a última substituição da Holanda e do jogo: van Persie por Klaas-Jan Huntelaar. No mesmo minuto, grande chance para o segundo gol holandês: Kuyt passou para Huntelaar, que agil bem para deixar a bola com Afellay e colocá-lo na cara do goleiro - Kawashima abafou o chute e na seqüência a dupla Tanaka e Yuji Nakazawa mandou para escanteio.

O Japão teve chance do empate aos 45 minutos: Okazaki recebeu lançamento e, de dentro da área, chutou rente ao travessão.

O resultado fez da Holanda a 2ª seleção a ganhar seus dois primeiros jogos na Copa (algo conseguido, até então, apenas pela Argentina).

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Em Jogo Lealmente Brigado, Japão Estréia Vencendo Camarões

No outro jogo pela primeira rodada no grupo E, o Japão conheceu sua primeira vitória em estréia de Copa às custas da primeira derrota camaronesa nessa mesma condição. Com um desenho tático interessante e aparentemente bem menos inocente do que em Mundiais anteriores, os japoneses mostraram qualidades para conseguir garantir a vitória, apesar do esforço de Camarões na busca pelo gol de empate.

A primeira chegada de perigo foi africana: aos 7 minutos, Pierre Achille Webo foi até a linha de fundo, rolou para trás, mas a zaga japonesa interviu para afastar. O Japão chegaria pela primeira vez aos 16', quando Daisuke Matsui tentou cruzamento mas a bola foi diretamente para o gol: Souleymanou Hamidou estava atento e realizou a defesa.

O jogo estava escasso em reais oportunidades de gol, com apenas mais 2 lances dignos de nota no primeiro tempo. Aos 37', Jean-Eric Maxim Choupo-Moting rolou para Eyong Enoh chutar de primeira, com Eiji Kawashima encaixando. Aos 38', o gol: Matsui recebeu no lado direito de ataque, deu corte para trás e cruzou certeiro, de perna esquerda, na direção de Keisuke Honda. Ele recebeu em liberdade, dominou e chutou, também de esquerda, para estufar a rede camaronesa.

No segundo tempo a partida ganhou emoção, com chances para o Japão ampliar e para Camarões chegar ao empate. Aos 2 minutos, inversão de jogo no ataque japonês, Yoshito Okubo recolhe na esquerda, parte pra cima de Stéphane M'Bia Etoundi e sofre falta perto da área. Na cobrança, Webo corta o cruzamento com o ombro esquerdo. Aos 3', Samuel Eto'o fez linda jogada pelo lado direito, se livrou de 3 adversários e, mesmo agarrado por Yuki Abe, rolou caprichosamente para Choupo-Moting chutar de primeira, perto do ângulo direito. 5 minutos depois, M'Bia recebe na direita, cruza de primeira e Webo sobe bem, mas cabeceia para fora. Naquela altura só dava Camarões: aos 11', Choupo-Moting carregou e tentou resolver sozinho, mas o chute não foi bom.

O jogo poderia ser ainda mais eletrizante não fosse o número elevado de faltas cometidas. Porém, nenhuma das seleções era desleal: o primeiro cartão amarelo saiu aos 26', em falta simples de Nicolas N'Koulou em Shinji Okazaki.

Aos 36', Makoto Hasebe chutou cruzado, Souleymanou espalmou e, impedido, Okazaki acertou a trave no rebote. Na marca de 40 minutos, M'Bia viu espaço a sua frente e decidiu soltar uma pancada: a Jabulani explodiu no travessão japonês. Na seqüência, novo chute de fora que desviou no caminho para facilitar a defesa do goleiro. No minuto seguinte, Honda deu chute aparentemente fácil, mas o goleiro camaronês quase repetiu a falha de seus colegas de profissão nos 2 dias anteriores: acabou defendendo em dois tempos.

Aos 47', o experiente Gérémi Sorele N'Djitap Fotso - que entrara no 2º tempo, aos 29' - cruzou com precisão e Webo parou em grande defesa de Kawashima. No lance, o juíz marcou a 47ª falta do jogo, supostamente cometida por Eto'o. Asiáticos e africanos medirão forças com os europeus, na tentativa de seguir para a próxima fase.