A seleção feminina brasileira caiu para as japonesas na fase quartas-de-final nas Olimpíadas de Londres 2012. Analisando friamente a estatística, essa foi a pior campanha olímpica das mulheres do "país do futebol [masculino]". Mas vendo o jogo, é necessário fazer justiça: o time comandado por Jorge Barcellos começou bem a partida, dominou as ações, pressionou o Japão. Não aproveitou nenhuma oportunidade criada e, no momento em que as nipônicas melhoraram em campo e passaram a se sobressair, tiveram a felicidade de abrir o placar, com gol aos vinte e sete minutos, em lance de descuido da última linha de defesa brasileira, que permitiu que Ogimi recebesse cobrança de falta pelas costas da marcação e avançasse bem à vontade em direção à baliza.
A equipe brasileira não reagiu bem ao revés parcial e rumou para o vestiário com um rendimento abaixo daquele que era visto nos primeiros vinte minutos de jogo. Na etapa complementar, Marta continuou sem encantar (a camisa dez tantas vezes nomeada melhor do mundo não era nem sobra de si mesma) e a defesa cometia novas falhas. E foi jogando no erro brasileiro que, novamente aos vinte e sete minutos, o Japão chegou ao gol: Ohno foi lançada, limpou a marcação e finalizou lindamente, mandando no travessão e na rede. 2a0 para as japonesas.
Barcellos tardou a fazer alterações numa equipe visivelmente abatida psicologicamente e, por conseqüência, perdida do ponto de vista tático, contrastando fortemente com os minutos iniciais de partida. Por conta dessa queda de produção e da eficiência japonesa, o resultado acabou sendo justo. O Japão, atual campeão mundial, avança para enfrentar a França na semifinal olímpica. O Brasil já pode, ou melhor, deve, pensar nas Olimpíadas do Rio 2016. E precisará de um planejamento sólido, absolutamente diferente do descaso atual, onde a diferença ao tratamento dado a homens e mulheres nessa modalidade beira o sexismo. Olhando por esse ângulo, o país realmente não merecia uma medalha. Elas, sim, por mesmo diante de tudo isso estarem aí, vestindo a camisa e correndo atrás. Que elenco e nação façam por merecer a conquista do ouro daqui a quatro anos.
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sexta-feira, 3 de agosto de 2012
domingo, 10 de julho de 2011
Com A Cara De Um Brasil E Estados Unidos...
Gol contra, pênalti desperdiçado que a arbitragem manda voltar, expulsão, gol em momento dramático, belas jogadas, belas jogadoras. Tudo isso e algo mais fizeram parte da partida entre Brasil e Estados Unidos, pela fase quartas-de-final no Mundial 2011, na Alemanha. O estádio em Dresden recebeu mais de 25.000 espectadores (a maioria incentivando a seleção estadunidense) e sediou um candidato a jogo mais emocionante da competição, que foi esse empate de 2a2 (1a1 no tempo normal) e que terminou com classificação norte-americana após desempate por pênaltis.
O jogo
Comecei a acompanhar a transmissão pouco depois do gol de empate marcado por Marta. Se por um lado guardo para mim que perdi bastante coisa, por outro tenho convicção de que cada minuto assistido foi interessante.
O Brasil ficou atrás no placar logo no início, pois com um minuto de jogo a defensora brasileira Daiane Menezes Rodrigues, na tentativa de cortar cruzamento rasteiro de Shannon Boxx vindo do lado esquerdo de ataque americano, acabou jogando na própria rede. Um duro golpe para uma defesa que não foi vazada em nenhuma das três partidas disputadas na fase de grupos.
O Brasil quase empatou aos 37 minutos, quando Fabiana se virou pelo lado direito, colocou a bola na área (não sei se tentando cruzar ou efetivamente finalizar) e viu a redonda quicar no travessão.
Veio o segundo tempo e a atacante Cristiane protagonizou duas jogadas individuais. A primeira, aos 7 minutos, tentando driblar duas adversárias na proximidade da linha final, não deu em nada, pois o campo "ficou pequeno" para ela. A segunda, aos 14 minutos, contou com uma finalização que deu trabalho para a bela goleira Hope Solo, que saltou para realizar a defesa em dois tempos.
Se é pra falar em jogada individual, então que falemos de Marta Vieira da Silva: aos 19 minutos, a camisa 10 brasileira se livrou de duas adversárias com um único chapéu e caiu na área. Foi marcada penalidade máxima e ainda saiu cartão vermelho para Rachel Buehler. A cobrança aconteceu aos 21 minutos, com Cristiane buscando o canto esquerdo e Hope Solo indo buscar. Mas a árbitra australiana Jacqui Melksham mandou que o pênalti fosse cobrado novamente, dando cartão amarelo para a goleira que realizara a defesa (não vi qualquer irregularidade da camisa 1 no lance, pois seu deslocamento foi lateral, e não para a frente). Então, no minuto posterior, quem pegou a bola e mandou pra rede foi Marta. O Brasil chegava ao empate e passava a atuar com uma jogadora a mais.
Quem viu o jogo a partir daí (caso desse que vos digita) certamente não seria capaz de supôr que as americanas estavam em desvantagem numérica: o time comandado pela sueca Pia Mariane Sundhage envolvia a seleção brasileira, pressionava e freqüentava assiduamente o campo ofensivo. O apito final aos 48 minutos soou mais aliviante para o Brasil do que para os Estados Unidos.
Se o Brasil havia sofrido um gol com um minuto de jogo, eis que encontrou um gol com um minuto de prorrogação: Maurine Dornelles Gonçalves cruzou da esquerda e Marta mostrou grande agilidade, poder de decisão e noção da localização da baliza quando com um único toque desviou a bola, praticamente do vértice esquerdo da pequena área e mandando a redonda até o canto oposto. Gol de quem entende.
Aos 7 minutos os Estados Unidos só não chegaram ao empate porque a goleira brasileira Andréia Suntaque não permitiu: Abby Wambach recolheu a bola na área e soltou lindo chute cruzado, que tinha o endereço do canto direito. Mas tão lindo quanto o chute foi a defesa sensacional que a arqueira de 33 anos conseguiu realizar, espalmando brilhantemente.
Veio o segundo tempo da prorrogação e a seleção estadunidense seguia melhor em campo. É bem verdade que o Brasil conseguia contra-atacar tirando proveito dos espaços concedidos, mas o jogo se apresentava de uma forma que parecia impossível crer que as americanas estavam com uma jogadora a menos que as brasileiras. Foram indicados 3 minutos como acréscimo. E se o jogo teve um gol logo no comecinho, teve outro justamente no finalzinho: aos 16 minutos, Megan Rapinoe recebeu pela esquerda e descolou lançamento maravilhoso praticamente da intermediária. Daí bastou que Andréia não chegasse na bola para que Wambach mostrasse grande oportunismo e completasse de cabeça. 2a2 no placar.
O desempate por pênaltis começou com Andréia indo buscar o chute de Boxx, mas Jacqui Melksham mandou voltar a cobrança (Andréia de fato movimentou-se para a frente, o que é irregular e justificou a decisão da árbitra). Boxx cobrou praticamente da mesma forma, Andréia saltou praticamente da mesma maneira, mas dessa vez a bola estufou a rede. Se Marta, Cristiane e Francielle converteram para o Brasil, as americanas também tiraram proveito de suas cobranças (aliás, a maioria delas muito bem executadas). E quiseram os deuses do futebol que aquele fosse um dia para Daiane Menezes "pagar os seus pecados": a defensora, que marcara um gol contra no início de jogo, desperdiçou a cobrança que lhe coube. E olha que Daiane cobrou bem, muito perto da trave direita, mas viu a goleira Hope Solo atuar magnificamente para espalmar. Se essa bela goleira já aparece bem na foto mesmo sem se mexer, imagina quando intervém de forma fantástica como naquele momento... O desfecho ficou para Alexandra Krieger, que colocou 5a3 na contagem e foi comemorar com as companheiras a classificação estadunidense.
Agora, o telespectador terá um desafio para manter-se concentrado no jogo semifinal, na próxima quarta-feira, em Mönchengladbach: estarão no mesmo campo as belas Louisa Necib (meio-campista francesa, camisa 14) e a goleira americana Hope Solo. A outra vaga na final será disputada entre japonesas e suecas, em Frankfurt, também quarta-feira.
Outros resultados
Sábado
Inglaterra 1a1 França (França avança nos pênaltis)
Alemanha 0a1 Japão (0a0 no tempo normal)
Domingo
Suécia 3a1 Austrália
O jogo
Comecei a acompanhar a transmissão pouco depois do gol de empate marcado por Marta. Se por um lado guardo para mim que perdi bastante coisa, por outro tenho convicção de que cada minuto assistido foi interessante.
O Brasil ficou atrás no placar logo no início, pois com um minuto de jogo a defensora brasileira Daiane Menezes Rodrigues, na tentativa de cortar cruzamento rasteiro de Shannon Boxx vindo do lado esquerdo de ataque americano, acabou jogando na própria rede. Um duro golpe para uma defesa que não foi vazada em nenhuma das três partidas disputadas na fase de grupos.
O Brasil quase empatou aos 37 minutos, quando Fabiana se virou pelo lado direito, colocou a bola na área (não sei se tentando cruzar ou efetivamente finalizar) e viu a redonda quicar no travessão.
Veio o segundo tempo e a atacante Cristiane protagonizou duas jogadas individuais. A primeira, aos 7 minutos, tentando driblar duas adversárias na proximidade da linha final, não deu em nada, pois o campo "ficou pequeno" para ela. A segunda, aos 14 minutos, contou com uma finalização que deu trabalho para a bela goleira Hope Solo, que saltou para realizar a defesa em dois tempos.
Se é pra falar em jogada individual, então que falemos de Marta Vieira da Silva: aos 19 minutos, a camisa 10 brasileira se livrou de duas adversárias com um único chapéu e caiu na área. Foi marcada penalidade máxima e ainda saiu cartão vermelho para Rachel Buehler. A cobrança aconteceu aos 21 minutos, com Cristiane buscando o canto esquerdo e Hope Solo indo buscar. Mas a árbitra australiana Jacqui Melksham mandou que o pênalti fosse cobrado novamente, dando cartão amarelo para a goleira que realizara a defesa (não vi qualquer irregularidade da camisa 1 no lance, pois seu deslocamento foi lateral, e não para a frente). Então, no minuto posterior, quem pegou a bola e mandou pra rede foi Marta. O Brasil chegava ao empate e passava a atuar com uma jogadora a mais.
Quem viu o jogo a partir daí (caso desse que vos digita) certamente não seria capaz de supôr que as americanas estavam em desvantagem numérica: o time comandado pela sueca Pia Mariane Sundhage envolvia a seleção brasileira, pressionava e freqüentava assiduamente o campo ofensivo. O apito final aos 48 minutos soou mais aliviante para o Brasil do que para os Estados Unidos.
Se o Brasil havia sofrido um gol com um minuto de jogo, eis que encontrou um gol com um minuto de prorrogação: Maurine Dornelles Gonçalves cruzou da esquerda e Marta mostrou grande agilidade, poder de decisão e noção da localização da baliza quando com um único toque desviou a bola, praticamente do vértice esquerdo da pequena área e mandando a redonda até o canto oposto. Gol de quem entende.
Aos 7 minutos os Estados Unidos só não chegaram ao empate porque a goleira brasileira Andréia Suntaque não permitiu: Abby Wambach recolheu a bola na área e soltou lindo chute cruzado, que tinha o endereço do canto direito. Mas tão lindo quanto o chute foi a defesa sensacional que a arqueira de 33 anos conseguiu realizar, espalmando brilhantemente.
Veio o segundo tempo da prorrogação e a seleção estadunidense seguia melhor em campo. É bem verdade que o Brasil conseguia contra-atacar tirando proveito dos espaços concedidos, mas o jogo se apresentava de uma forma que parecia impossível crer que as americanas estavam com uma jogadora a menos que as brasileiras. Foram indicados 3 minutos como acréscimo. E se o jogo teve um gol logo no comecinho, teve outro justamente no finalzinho: aos 16 minutos, Megan Rapinoe recebeu pela esquerda e descolou lançamento maravilhoso praticamente da intermediária. Daí bastou que Andréia não chegasse na bola para que Wambach mostrasse grande oportunismo e completasse de cabeça. 2a2 no placar.
Nem Andréia nem Daiane: quem chega na bola é Wambach, que empata a partida no fechar das cortinas e proporciona momento memorável na disputa entre Brasil e Estados Unidos.
Goleira americana Hope Solo salta ao canto direito e faz linda defesa na cobrança de Daiane.
Agora, o telespectador terá um desafio para manter-se concentrado no jogo semifinal, na próxima quarta-feira, em Mönchengladbach: estarão no mesmo campo as belas Louisa Necib (meio-campista francesa, camisa 14) e a goleira americana Hope Solo. A outra vaga na final será disputada entre japonesas e suecas, em Frankfurt, também quarta-feira.
Outros resultados
Sábado
Inglaterra 1a1 França (França avança nos pênaltis)
Alemanha 0a1 Japão (0a0 no tempo normal)
Domingo
Suécia 3a1 Austrália
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sábado, 9 de julho de 2011
Bonito De Se Ver: França Vence Inglaterra E Está Na Semifinal
Empatando o jogo aos 42 minutos do segundo tempo e mais inteira fisicamente durante a prorrogação, a seleção francesa conseguiu a classificação para a fase semifinal no Mundial Feminino 2011 apenas no desempate por penalidades, eliminando a Inglaterra e aguardando a vencedora entre Brasil e Estados Unidos da América, que duelam nesse domingo.
O jogo
Já inicio o relato dos acontecimentos esclarecendo que só comecei a acompanhar a partida por volta dos 30 minutos do segundo tempo, quando a Inglaterra vencia por 1a0. E valeu demais ter visto o desenrolar do jogo a partir de então, pois não faltaram emoções e momentos interessantes nessa partida vibrante e intensa.
Com 12 minutos no segundo tempo, a seleção inglesa conseguiu abrir o placar através de bonito chute descolado por Jill Louise Scott, meio-campista de 24 anos e que atua no Everton: a camisa 4 escapou de uma marcação dupla que a acompanhava e tinha a opção do passe para a direita, mas foi feliz em optar pelo remate de fora da área, encobrindo a goleira Celine Deville e abrindo o placar no estádio Bay Arena, em Leverkusen.
A França jogava melhor (segundo comentários de terceiros, já era superior antes mesmo de levar o gol) e passou a encantar esse que vos digita, que contemplava empolgado a boa troca de passes e construções de jogadas que envolviam todo o sistema defensivo inglês - e olha que a Inglaterra dedicava cerca de oito jogadoras à marcação, estabelecendo duas linhas de quatro na última terça parte de gramado, sendo prensada pelas constantes investidas francesas.
A camisa 14 Louisa Necib esbanjava beleza física e capacidade técnica, desfilando pelo gramado seus belos traços naturais e sua aptidão em pegar bem na bola, num estilo de jogo semelhante ao do inglês David Beckham. Apesar de seu bom desempenho dentro das quatro linhas, Necib veio a ser substituída pelo treinador Bruno Bini (o que considero um equívoco) e deu lugar para Sandrine Bretigny.
A França havia criado pelo menos três chances daquelas que por detalhe não terminam em gol, e quando o relógio marcava 41 minutos e 55 segundos, uma sobra de bola muito bem chutada por Elise Bussaglia tomou um rumo que deu ao placar uma cara mais próxima à realidade da partida. Golaço da meio-campista de 25 anos (apenas seis dias mais velha que o blogueiro), jogadora do Paris Saint-Germain.
Veio a prorrogação, e se por um lado a França não adotou a mesma intensidade de quando partia para cima na busca pelo empate, a Inglaterra se via em situação complicada, pois estava visivelmente mais debilitada fisicamente (a camisa 10 Kelly Jayne Smith, de 32 anos de idade, foi heróica por permanecer em campo até o apito final, deslocando-se mancando pelo gramado, ciente de que naquela altura a treinadora Hope Powell já havia realizado as três substituições permitidas pelo regulamento).
O jogo precisou ir para as penalidades máximas, último recurso do futebol atual nas competições da FIFA para decretar um vencedor e um perdedor numa partida eliminatória. Considero um mecanismo bastante problemático, pois transforma um esporte coletivo em duelo de mérito basicamente individual. Mas quiseram os deuses do futebol que o desenrolar das cobranças classificassem exatamente a equipe que jogou melhor na maior parte do tempo, para alegria das francesas e satisfação do blogueiro, que dá os parabéns à França e também à Inglaterra, que foi até o limite de suas forças para manter a esperança numa vaga.
Nos pênaltis, a França abriu a série desperdiçando a cobrança (Camille Abily buscou o canto direito mas parou em linda defesa de Karen Louise Bardsley, que saltou e encaixou a bola), mas depois conseguiu converter todos os chutes seguintes, alguns deles em exímias cobranças. Pelo lado inglês, Kelly Smith contrariou a tese de que não é recomendado indicar alguém fisicamente exausto para cobrar uma penalidade, convertendo com precisão no canto esquerdo. Mas Claire Laurent Rafferty (que entrou no segundo tempo de partida) e Ellen Toni White (que teve boa atuação, inclusive salvando um gol francês no tempo regulamentar ao mergulhar e desviar de cabeça) não foram felizes em suas cobranças.
Outro resultado
Alemanha 0a1 Japão (gol marcado no segundo tempo da prorrogação)
O vencedor de Suécia e Austrália enfrenta o Japão. A outra semifinal será entre a França e o vencedor de Brasil e Estados Unidos.
O jogo
Já inicio o relato dos acontecimentos esclarecendo que só comecei a acompanhar a partida por volta dos 30 minutos do segundo tempo, quando a Inglaterra vencia por 1a0. E valeu demais ter visto o desenrolar do jogo a partir de então, pois não faltaram emoções e momentos interessantes nessa partida vibrante e intensa.
Com 12 minutos no segundo tempo, a seleção inglesa conseguiu abrir o placar através de bonito chute descolado por Jill Louise Scott, meio-campista de 24 anos e que atua no Everton: a camisa 4 escapou de uma marcação dupla que a acompanhava e tinha a opção do passe para a direita, mas foi feliz em optar pelo remate de fora da área, encobrindo a goleira Celine Deville e abrindo o placar no estádio Bay Arena, em Leverkusen.
A França jogava melhor (segundo comentários de terceiros, já era superior antes mesmo de levar o gol) e passou a encantar esse que vos digita, que contemplava empolgado a boa troca de passes e construções de jogadas que envolviam todo o sistema defensivo inglês - e olha que a Inglaterra dedicava cerca de oito jogadoras à marcação, estabelecendo duas linhas de quatro na última terça parte de gramado, sendo prensada pelas constantes investidas francesas.
A camisa 14 Louisa Necib esbanjava beleza física e capacidade técnica, desfilando pelo gramado seus belos traços naturais e sua aptidão em pegar bem na bola, num estilo de jogo semelhante ao do inglês David Beckham. Apesar de seu bom desempenho dentro das quatro linhas, Necib veio a ser substituída pelo treinador Bruno Bini (o que considero um equívoco) e deu lugar para Sandrine Bretigny.
A França havia criado pelo menos três chances daquelas que por detalhe não terminam em gol, e quando o relógio marcava 41 minutos e 55 segundos, uma sobra de bola muito bem chutada por Elise Bussaglia tomou um rumo que deu ao placar uma cara mais próxima à realidade da partida. Golaço da meio-campista de 25 anos (apenas seis dias mais velha que o blogueiro), jogadora do Paris Saint-Germain.
Veio a prorrogação, e se por um lado a França não adotou a mesma intensidade de quando partia para cima na busca pelo empate, a Inglaterra se via em situação complicada, pois estava visivelmente mais debilitada fisicamente (a camisa 10 Kelly Jayne Smith, de 32 anos de idade, foi heróica por permanecer em campo até o apito final, deslocando-se mancando pelo gramado, ciente de que naquela altura a treinadora Hope Powell já havia realizado as três substituições permitidas pelo regulamento).
O jogo precisou ir para as penalidades máximas, último recurso do futebol atual nas competições da FIFA para decretar um vencedor e um perdedor numa partida eliminatória. Considero um mecanismo bastante problemático, pois transforma um esporte coletivo em duelo de mérito basicamente individual. Mas quiseram os deuses do futebol que o desenrolar das cobranças classificassem exatamente a equipe que jogou melhor na maior parte do tempo, para alegria das francesas e satisfação do blogueiro, que dá os parabéns à França e também à Inglaterra, que foi até o limite de suas forças para manter a esperança numa vaga.
Nos pênaltis, a França abriu a série desperdiçando a cobrança (Camille Abily buscou o canto direito mas parou em linda defesa de Karen Louise Bardsley, que saltou e encaixou a bola), mas depois conseguiu converter todos os chutes seguintes, alguns deles em exímias cobranças. Pelo lado inglês, Kelly Smith contrariou a tese de que não é recomendado indicar alguém fisicamente exausto para cobrar uma penalidade, convertendo com precisão no canto esquerdo. Mas Claire Laurent Rafferty (que entrou no segundo tempo de partida) e Ellen Toni White (que teve boa atuação, inclusive salvando um gol francês no tempo regulamentar ao mergulhar e desviar de cabeça) não foram felizes em suas cobranças.
Francesas celebram a classificação: equipe foi buscar o empate aos 42 minutos do segundo tempo e começou a disputa por pênaltis em desvantagem.
Alemanha 0a1 Japão (gol marcado no segundo tempo da prorrogação)
O vencedor de Suécia e Austrália enfrenta o Japão. A outra semifinal será entre a França e o vencedor de Brasil e Estados Unidos.
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quarta-feira, 6 de julho de 2011
Brasileiras 100% Classificadas
Pela 3ª rodada na fase de grupos do Mundial feminino 2011, Brasil e Guiné Equatorial se encontraram no estádio Commerzbank-Arena, em Frankfurt, na Alemanha. Após um primeiro tempo pouco atraente, as meninas brasileiras deslancharam na etapa complementar e asseguraram o 1º lugar na chave com 100% de aproveitamento, vencendo o jogo por 3a0. A seleção da Guiné Equatorial, aplicada taticamente mas limitada tecnicamente, conheceu sua terceira derrota na competição e despediu-se do torneio na lanterna do grupo D.
O jogo
Se excluíssemos da partida o primeiro tempo e começássemos a analisá-la a partir da volta do intervalo, muito pouco seria perdido. Tudo bem que o blogueiro só foi começar a acompanhar a transmissão com 29 minutos no cronômetro, mas a julgar pelos comentários de Neto (que a bem da verdade não costumam servir de parâmetro) e pela falta de entusiasmo de Luciano do Valle, é como se o Brasil só fosse acordar para o jogo a partir do segundo tempo. Marta estava sempre bem marcada por Bruna e o resto da seleção parecia carecer de criatividade e também de empenho, talvez por influência de já entrarem em campo classificadas à próxima fase. Do time adversário, além da aplicação tática - especialmente de Bruna - merece destaque a habilidade da camisa 10 da equipe, a capitã Genoveva Añonma, de 20 anos de idade e bastante consciente no trato com a bola.
Veio a segunda etapa, e com ela o crescimento flagrante no rendimento brasileiro - apesar de não chegar a apresentar um futebol encantador. Aos 3 minutos, um golaço: Érika pegou sobra de bola, chapelou a adversária com a perna direita e emendou um voleio com a perna esquerda sem deixar a redonda sequer ir de encontro ao gramado. Fiquei particularmente contente com a obra-prima pelo fato de vir de uma figura bastante simpática, que tive a felicidade de conhecer semanas atrás durante o festival de cinema sobre futebol denominado "CineFoot".
Passados mais cinco minutos e foi a vez de Cristiane desencantar na competição: Marta desceu pela esquerda em velocidade, gesticulou pedindo a aproximação no primeiro poste e mandou a bola ali. Cristiane parece ter entendido o recado e concluiu o lance direitinho, mandando pro fundo da rede.
Com a vitória aparentemente sob controle (salvo um ou outro ataque guineense, o sistema defensivo não teve tanto trabalho para conter as investidas adversárias), a seleção brasileira administrou a partida retornando próximo ao ritmo melancólico visto no primeiro tempo. A arbitragem já havia apontado 3 minutos como acréscimo, o 2a0 parecia consolidado, mas eis que Marta conseguiu escapar da implacável marcação de Bruna, entrando na área e sofrendo pênalti da camisa 2. Se alguém pensou que a melhor jogadora da modalidade fosse pegar a bola e reforçar suas estatísticas pessoais, surpreendeu-se quando viu Cristiane na cobrança - a atacante marcou seu 2º gol no jogo e no torneio. Ainda houve tempo para Añonma cair na área pedindo pênalti. Até gostaria de ver um gol de honra da esforçada equipe guinéu-equatoriana, mas a árbitra alemã orientou que o jogo seguisse e, segundos depois, decretou o encerramento da partida.
Muitos afirmam que "o Brasil é o país do futebol". Se for, talvez seja o do masculino. Só. Porque enquanto "nossas" meninas suam a camisa na Alemanha na disputa de um Mundial, o que mais se vê na imprensa esportiva brasileira é comentário a respeito da Copa América, disputada na Argentina. Até sobre as obras para 2014 ouve-se falar mais. Enfim, boa sorte a essa equipe, que representa uma pátria cujos filhos deste solo não lhe prestam a devida homenagem.
Outros resultados (entre parênteses a classificação final em cada grupo)
Terça-feira
Inglaterra (1ºB) 2a0 Japão (2ºB)
Nova Zelândia (4ºB) 2a2 México (3ºB)
França (2ºA) 2a4 Alemanha (1ºA)
Canadá (4ºA) 0a1 Nigéria (3ºA)
Quarta-feira
Austrália (2ºD) 2a1 Noruega (3ºD)
Suécia (1ºC) 2a1 Estados Unidos (2ºC)
Coréia do Norte (3ºC) 0a0 Colômbia (4ºC)
O jogo
Se excluíssemos da partida o primeiro tempo e começássemos a analisá-la a partir da volta do intervalo, muito pouco seria perdido. Tudo bem que o blogueiro só foi começar a acompanhar a transmissão com 29 minutos no cronômetro, mas a julgar pelos comentários de Neto (que a bem da verdade não costumam servir de parâmetro) e pela falta de entusiasmo de Luciano do Valle, é como se o Brasil só fosse acordar para o jogo a partir do segundo tempo. Marta estava sempre bem marcada por Bruna e o resto da seleção parecia carecer de criatividade e também de empenho, talvez por influência de já entrarem em campo classificadas à próxima fase. Do time adversário, além da aplicação tática - especialmente de Bruna - merece destaque a habilidade da camisa 10 da equipe, a capitã Genoveva Añonma, de 20 anos de idade e bastante consciente no trato com a bola.
Veio a segunda etapa, e com ela o crescimento flagrante no rendimento brasileiro - apesar de não chegar a apresentar um futebol encantador. Aos 3 minutos, um golaço: Érika pegou sobra de bola, chapelou a adversária com a perna direita e emendou um voleio com a perna esquerda sem deixar a redonda sequer ir de encontro ao gramado. Fiquei particularmente contente com a obra-prima pelo fato de vir de uma figura bastante simpática, que tive a felicidade de conhecer semanas atrás durante o festival de cinema sobre futebol denominado "CineFoot".
Passados mais cinco minutos e foi a vez de Cristiane desencantar na competição: Marta desceu pela esquerda em velocidade, gesticulou pedindo a aproximação no primeiro poste e mandou a bola ali. Cristiane parece ter entendido o recado e concluiu o lance direitinho, mandando pro fundo da rede.
Com a vitória aparentemente sob controle (salvo um ou outro ataque guineense, o sistema defensivo não teve tanto trabalho para conter as investidas adversárias), a seleção brasileira administrou a partida retornando próximo ao ritmo melancólico visto no primeiro tempo. A arbitragem já havia apontado 3 minutos como acréscimo, o 2a0 parecia consolidado, mas eis que Marta conseguiu escapar da implacável marcação de Bruna, entrando na área e sofrendo pênalti da camisa 2. Se alguém pensou que a melhor jogadora da modalidade fosse pegar a bola e reforçar suas estatísticas pessoais, surpreendeu-se quando viu Cristiane na cobrança - a atacante marcou seu 2º gol no jogo e no torneio. Ainda houve tempo para Añonma cair na área pedindo pênalti. Até gostaria de ver um gol de honra da esforçada equipe guinéu-equatoriana, mas a árbitra alemã orientou que o jogo seguisse e, segundos depois, decretou o encerramento da partida.
Muitos afirmam que "o Brasil é o país do futebol". Se for, talvez seja o do masculino. Só. Porque enquanto "nossas" meninas suam a camisa na Alemanha na disputa de um Mundial, o que mais se vê na imprensa esportiva brasileira é comentário a respeito da Copa América, disputada na Argentina. Até sobre as obras para 2014 ouve-se falar mais. Enfim, boa sorte a essa equipe, que representa uma pátria cujos filhos deste solo não lhe prestam a devida homenagem.
Outros resultados (entre parênteses a classificação final em cada grupo)
Terça-feira
Inglaterra (1ºB) 2a0 Japão (2ºB)
Nova Zelândia (4ºB) 2a2 México (3ºB)
França (2ºA) 2a4 Alemanha (1ºA)
Canadá (4ºA) 0a1 Nigéria (3ºA)
Quarta-feira
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Suécia (1ºC) 2a1 Estados Unidos (2ºC)
Coréia do Norte (3ºC) 0a0 Colômbia (4ºC)
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