O que você prefere: um carro zero quilômetro com vários itens de última geração (só que o veículo não tem direção nem consegue engatar a segunda marcha) ou um carro usado que funciona perfeitamente, com direito a direção hidráulica e câmbio automático?
Comparando os elencos de Costa do Marfim e Grécia você entenderá a analogia. De um lado, os consagrados Yaya Touré e Didier Drogba na companhia de jogadores que atuam ou já atuaram em clubes de ponta na Europa, como Gervinho, Kalou e Kolo Touré. De outro lado, os ilustres desconhecidos Holebas, Salpingidis e Samaris, jogadores que requerem uma pesquisa para descobrirmos em que canto atuam ou deixam de atuar.
Só que uma das grandes graças no futebol é que ele não se limita aos nomes, às famas, aos pré-conceitos. Existe permeando tudo isso alguns aspectos imponderáveis e outros concretos, como o sistema de jogo e a organização. Nesse sentido, os gregos comandados pelo português Fernando Santos deram um banho nos marfinenses comandados pelo francês Sabri Lamouchi. Praticamente impecável no ponto de vista tático, a Grécia conseguiu uma vitória histórica em Fortaleza e conseguiu sua primeira classificação para a fase oitavas-de-final numa Copa do Mundo. Um feito que só foi possível porque os jogadores foram heróicos e fiéis. Heroísmo que era flagrante na determinação em cada jogada de ataque ou defesa, fidelidade que era explícita na confiança no modelo de jogo proposto pelo treinador.
E olha que o percurso da Grécia no jogo foi duríssimo. Logo aos onze minutos, Panagiotis Kone precisou ser substituído por motivo de contusão - Andreas Samaris foi o escolhido para entrar em seu lugar. Uma seleção européia, acostumada a temperaturas mais amenas, que gasta uma substituição tão precocemente num jogo que promete ser desgastante, certamente sofre algum tipo de abalo. Pior que isso é ter que fazer nova substituição forçada doze minutos depois: dessa vez quem deixou o gramado foi o goleiro Orestis Karnezis, dando lugar para Panagiotis Glykos. Ouvi vaias vindo das arquibancadas no momento em que Karnezis deixava o campo de jogo e juro que prefiro não entender o que as motivou. Comportamento de gente que não deveria estar num estádio, mas num hospício (com todo respeito à luta antimanicomial).
Duas substituições precoces, calor e um adversário tecnicamente superior. O que fazer para buscar a vitória nessas condições? Jogando bola e sendo organizado. Simples assim. A Grécia jogou bola e foi organizada, às vezes não necessariamente nessa mesma ordem, mas o fato é que por todo o jogo os gregos mostraram mais conjunto, mais unidade, mais sincronia coletiva que os marfinenses. Construiu chances claras, como na jogada de contra-ataque onde Georgios Samaras serviu Jose Holebas e o lateral-esquerdo, que cruzou o campo como se fosse um raio, chutou com a perna direita e acertou o travessão de Boubacar Barry.
Se não foi daquela vez nem de outras, a Grécia merecidamente acabou abrindo o placar no Ceará: após saída de bola errada de Cheikh Tioté, Samaris tabelou com Samaras e mandou para a rede, ajudando a si e aos Samurais, pois naquele momento o Japão também era concorrente à classificação e dependia de um tropeço dos Elefantes para ter chance de avançar.
Veio o segundo tempo e a superioridade tática grega se manteve. Apostando numa defesa sólida e em saídas ligeiras nos contra-ataques, as principais oportunidades de gol eram dos europeus. Lamouchi finalmente abriu mão de um de seus volantes (escolheu tirar Tioté) para colocar Wilfried Bony, tendo no setor ofensivo um quarteto que também incluía Salomon Kalou, Gervinho e Didier Drogba. E foi através de uma assistência de Gervinho, grande destaque da Costa do Marfim nessa Copa, que Bony recebeu na área para empatar o jogo e recolocar os africanos na zona de classificação para a fase oitavas-de-final.
Restavam cerca de quinze minutos mais os acréscimos para os Elefantes confirmarem sua primeira classificação para as oitavas na história das Copas. Só que era exatamente esse o sonho dos gregos: o ineditismo das oitavas. Àquela altura, a Colômbia já era soberana no jogo diante dos japoneses, confirmando o primeiro lugar na chave e a eliminação asiática. Cabia a gregos e marfinenses resolverem no confronto direto com quem ficaria a segunda vaga no grupo C.
No mesmo minuto (o 78º) que Lamouchi trocou o astro Drogba (que não jogou no nível que dele esperamos) por Ismael Diomandé, Santos tirou o capitão Giorgios Karagounis (que teve atuação fantástica tanto pelo esforço no alto dos seus trinta e sete anos quanto pela liderança que exerce dentro das quatro linhas, com direito a chute no travessão) para colocar Theofanis Gekas, outro jogador experiente no elenco da Grécia. Cinco minutos depois, Lamouchi fez o inconcebível, tirando Gervinho de campo e colocando Giovanni Sio.
A bola pune, caro Lamouchi. Nos acréscimos, em descida da Grécia pelo lado esquerdo, Salpingidis cruzou rasteiro buscando Samaras e Sio, ironicamente Sio, calçou o camisa sete dentro da área. Carlos Vera viu e assinalou a penalidade máxima. Os gregos desabaram em comemoração. Era a chance que eles precisavam para arrancarem a classificação. Era tudo o que eles poderiam pedir aos deuses do Olimpo e da bola. E a bola ficou para aquele que sofreu o pênalti: Samaras. Com um chute no canto esquerdo que passou a centímetros das luvas de Barry, a Grécia comemorou o desempate como se fosse um título. Uma classificação épica. Com tamanha organização e entrega, é possível que esse carro usado ainda deixe para trás outros automóveis mais badalados. Fernando Santos já provou que sabe o que está guiando. E os gregos provaram que não estão no Brasil a passeio. Melhor não duvidar de até onde os campeões europeus de 2004 possam chegar.
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terça-feira, 24 de junho de 2014
quinta-feira, 19 de junho de 2014
Como Não Podia Deixar De Ser, Colômbia E Costa Do Marfim Fazem Jogaço Pelo Grupo C
Se o Brasil é o país do futebol, Brasília é a capital da Copa do Mundo.
Após um jogo fantástico entre Suíça e Equador no último domingo, foi a vez de Colômbia e Costa do Marfim se enfrentarem no estádio Mané Garrincha, para delírio do público que coloriu as arquibancadas. Coloriu predominantemente de amarelo, amarelo vivo, de tom colombiano, num jogo de muitas nuances entre a forte seleção sul-americana e a marfinense, que também mostrou grande potencial e diversas qualidades.
O jogo é jogado, como diz o óbvio ditado, mas seu encanto começa antes de a bola rolar. Em caso de Copa do Mundo no Brasil, muito antes de a bola rolar. Desde a atmosfera no entorno do estádio até os hinos nacionais, cada momento carrega consigo um pedaço do eterno e faz perpetuar a magia de um esporte apaixonante, que resiste a qualquer intempérie que possa ousar atingí-lo.
Com bola rolando, tivemos uma partida de contrastes mais fortes que o amarelo e laranja das arquibancadas e o amarelo e verde no campo de jogo: se o primeiro tempo foi por vezes enfadonho, dada a previsibilidade das jogadas trabalhadas de ambas as partes, o segundo trouxe consigo uma bela transformação, com as duas seleções subindo de produção e promovendo um dinamismo que colocou o confronto entre as grandes partidas dessa Copa.
A reconhecida qualidade técnica de jogadores como James Rodríguez e Yaya Touré foram acompanhadas de atuações maiúsculas como as dos defensores Yepes e Zokora e também de dois jogadores que vieram do banco: Quintero (que marcou o segundo gol colombiano) e Drogba (que promoveu uma festa incrível nas arquibancadas, sendo ovacionado pelas múltiplas torcidas no estádio).
No final, a Colômbia viu a sorte lhe sorrir: abriu o placar em lance de bola parada com James Rodríguez e ampliou a diferença em contra-ataque num momento em que os Elefantes eram melhores em campo. Só que a Costa do Marfim descontou através de um golaço de Gervinho e chegou perto de alcançar o empate, esbarrando na defesa colombiana e nas decisões pra lá de esquisitas do árbitro da última final de Copa, o inglês "marombado" Howard Webb.
São duas seleções que vieram para o Mundial e que farão muito bem ao evento se nele permanecerem pelo máximo tempo possível. Seja pelo mar amarelo colombiano com enorme quantidade de adeptos nas arquibancadas, seja pela festa da torcida marfinense, seja pelo belo futebol que ambos os conjuntos mostraram ser capazes de apresentar. Sejamos apreciadores dessa arte que é o futebol. Sejamos cidadãos do mundo. Com muito orgulho e com muito amor.
Após um jogo fantástico entre Suíça e Equador no último domingo, foi a vez de Colômbia e Costa do Marfim se enfrentarem no estádio Mané Garrincha, para delírio do público que coloriu as arquibancadas. Coloriu predominantemente de amarelo, amarelo vivo, de tom colombiano, num jogo de muitas nuances entre a forte seleção sul-americana e a marfinense, que também mostrou grande potencial e diversas qualidades.
O jogo é jogado, como diz o óbvio ditado, mas seu encanto começa antes de a bola rolar. Em caso de Copa do Mundo no Brasil, muito antes de a bola rolar. Desde a atmosfera no entorno do estádio até os hinos nacionais, cada momento carrega consigo um pedaço do eterno e faz perpetuar a magia de um esporte apaixonante, que resiste a qualquer intempérie que possa ousar atingí-lo.
Com bola rolando, tivemos uma partida de contrastes mais fortes que o amarelo e laranja das arquibancadas e o amarelo e verde no campo de jogo: se o primeiro tempo foi por vezes enfadonho, dada a previsibilidade das jogadas trabalhadas de ambas as partes, o segundo trouxe consigo uma bela transformação, com as duas seleções subindo de produção e promovendo um dinamismo que colocou o confronto entre as grandes partidas dessa Copa.
A reconhecida qualidade técnica de jogadores como James Rodríguez e Yaya Touré foram acompanhadas de atuações maiúsculas como as dos defensores Yepes e Zokora e também de dois jogadores que vieram do banco: Quintero (que marcou o segundo gol colombiano) e Drogba (que promoveu uma festa incrível nas arquibancadas, sendo ovacionado pelas múltiplas torcidas no estádio).
No final, a Colômbia viu a sorte lhe sorrir: abriu o placar em lance de bola parada com James Rodríguez e ampliou a diferença em contra-ataque num momento em que os Elefantes eram melhores em campo. Só que a Costa do Marfim descontou através de um golaço de Gervinho e chegou perto de alcançar o empate, esbarrando na defesa colombiana e nas decisões pra lá de esquisitas do árbitro da última final de Copa, o inglês "marombado" Howard Webb.
São duas seleções que vieram para o Mundial e que farão muito bem ao evento se nele permanecerem pelo máximo tempo possível. Seja pelo mar amarelo colombiano com enorme quantidade de adeptos nas arquibancadas, seja pela festa da torcida marfinense, seja pelo belo futebol que ambos os conjuntos mostraram ser capazes de apresentar. Sejamos apreciadores dessa arte que é o futebol. Sejamos cidadãos do mundo. Com muito orgulho e com muito amor.
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domingo, 15 de junho de 2014
Foi Tua Fé Que Te Curou!
Dois mil anos atrás, muito antes de qualquer registro catalogado de prática futebolística ou que possa se assemelhar a esta modalidade esportiva absolutamente apaixonante que é o futebol, passou por esse planeta aquele que pode ser apontado como o maior exemplo de ser humano. Humano pelo que é, por ser. Alguns o idolatram. Outros o veneram. Há quem busque inspiração nesse ícone (re)pensando o que ele faria se estivesse em seu lugar. Tem até os que chegam a duvidar se ele realmente existiu da forma como foi descrito. Fato é que está lá no livro sagrado cultuado pelos cristãos que aquele homem, após operar o que costumamos chamar de milagre, afirmou: "foi a tua fé que te curou".
Mas caro blogueiro, o que isso tem a ver com o jogo entre Costa do Marfim e Japão? Entrei aqui pra discutir a religião cujo templo é o estádio, onde está a relação? Estimadas leitoras e estimados leitores, a relação é completa e intrínseca. No templo de Recife, que recebeu sua primeira missa nessa Copa do Mundo 2014, marfinenses e japoneses - além, é claro, de brasileiros -, marcaram presença nas arquibancadas. Durante o ritual, viram-se danças, gritos, comemorações, lamentos. De tudo um tanto. E a celebração começou melhor para os asiáticos, que abriram o placar com um lindo chute de Honda. O transcorrer do primeiro tempo mostrou um universo de possibilidades para os dois lados. Yaya Touré aparecia pouco, de tão bem marcado que era. Mas o pouco que aparecia já criava boas situações para os africanos. Pelo lado nipônico, os avanços dos laterais Uchida e Nagatomo complicavam a defesa marfinense, já bastante ocupada para tentar deter Honda, Kagawa e Okazaki.
Foi então que veio o segundo tempo. A Costa do Marfim queria sair da situação de derrota na estréia mas não encontrava fórmulas para alcançar o objetivo. Naquela altura, seria tão simples como fazer um paralítico andar, um cego enxergar, um morto reviver. Foi então que o treinador francês Sabri Lamouchi chamou Didier Drogba para sair do banco e adentrar no altar. Aos dezessete minutos, Drogba colocou os pés no gramado. Aos dezenove, a Costa do Marfim empatou o jogo. Aos vinte e um, conseguiu a virada. Se foram dois gols de Drogba que resolveram a parada? Nada disso! Bony e Gervinho, atacantes que estavam em campo desde o apito inicial, marcaram para a seleção africana. Mas Drogba estava lá. A referência, a inspiração, o ídolo de uma nação. O que faz tudo ser diferente. Pois os marfinenses acreditam em Drogba. E, em verdade vos digo, foi a tua fé que te curou.
Mas caro blogueiro, o que isso tem a ver com o jogo entre Costa do Marfim e Japão? Entrei aqui pra discutir a religião cujo templo é o estádio, onde está a relação? Estimadas leitoras e estimados leitores, a relação é completa e intrínseca. No templo de Recife, que recebeu sua primeira missa nessa Copa do Mundo 2014, marfinenses e japoneses - além, é claro, de brasileiros -, marcaram presença nas arquibancadas. Durante o ritual, viram-se danças, gritos, comemorações, lamentos. De tudo um tanto. E a celebração começou melhor para os asiáticos, que abriram o placar com um lindo chute de Honda. O transcorrer do primeiro tempo mostrou um universo de possibilidades para os dois lados. Yaya Touré aparecia pouco, de tão bem marcado que era. Mas o pouco que aparecia já criava boas situações para os africanos. Pelo lado nipônico, os avanços dos laterais Uchida e Nagatomo complicavam a defesa marfinense, já bastante ocupada para tentar deter Honda, Kagawa e Okazaki.
Foi então que veio o segundo tempo. A Costa do Marfim queria sair da situação de derrota na estréia mas não encontrava fórmulas para alcançar o objetivo. Naquela altura, seria tão simples como fazer um paralítico andar, um cego enxergar, um morto reviver. Foi então que o treinador francês Sabri Lamouchi chamou Didier Drogba para sair do banco e adentrar no altar. Aos dezessete minutos, Drogba colocou os pés no gramado. Aos dezenove, a Costa do Marfim empatou o jogo. Aos vinte e um, conseguiu a virada. Se foram dois gols de Drogba que resolveram a parada? Nada disso! Bony e Gervinho, atacantes que estavam em campo desde o apito inicial, marcaram para a seleção africana. Mas Drogba estava lá. A referência, a inspiração, o ídolo de uma nação. O que faz tudo ser diferente. Pois os marfinenses acreditam em Drogba. E, em verdade vos digo, foi a tua fé que te curou.
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domingo, 3 de fevereiro de 2013
Vida Longa, Super Águias!
Royal Bafokeng, sede de seis jogos na última Copa do Mundo, recebeu hoje o que pode ter sido um dos melhores jogos na Copa Africana de Nações 2013. A favorita Costa do Marfim, líder no grupo D, primeira seleção a se classificar para a fase quartas-de-final no torneio continental, invicta há 25 jogos contra seleções africanas, foi surpreendida pela jovem seleção nigeriana, que conta com uma média de idade em torno de 23 anos e que passou pela fase de grupos na base do sufoco.
O jogo foi equilibrado, com os marfinenses demonstrando maior organização tática e mais coesão para defender e atacar. Porém, a Nigéria em momento algum se mostrou intimidada diante do forte oponente que tinha pela frente, conseguindo por muitas vezes medir forças em pé de igualdade aos teoricamente favoritos. Foi num erro de saída de jogo da Costa do Marfim que a Nigéria quase abriu o placar: Ideye passou para Emenike e o atacante, em condição legal e a cerca de dois passos da quina da pequena área, isolou o remate.
A Costa do Marfim era sólida, com Zokora protegendo bem a defesa, Yaya Touré e Tioté ajudando na transição, Kalou e Gervinho procurando abrir espaços para que Drogba pudesse aproveitar. Era um desenho tático interessante, pois os nigerianos contavam com Ambrose e Echiejile atuando muito bem pelos flancos da defesa, praticamente anulando as figuras de Gervinho e Kalou. Obi Mikel, Onazi e Mba impunham resistência às aproximações de Yaya e Tioté, com Moses sendo a principal peça ofensiva para acionar Ideye e Emenike.
Sair na cara dos goleiros não era nada simples, e o jeito foi tentar o gol a distâncias maiores. Moses chutou com muita força uma bola que foi rebatida por Boubacar "Copa" Barry. Aos quarenta e dois, em novo remate violento de fora da área, a Nigéria abriu o placar: Moses cobrou falta rolando de lado, a barreira marfinense abriu e Emenike encheu o pé, estufando a rede num chute que pareceu atravessar as luvas de Barry. Seria um ato leviano responsabilizar o arqueiro, mesmo com a bola indo praticamente em cima dele: com a barreira abrindo e um objeto esférico viajando àquela espantosa velocidade, convém ponderar e parabenizar Emenike pela rara felicidade na finalização. 1a0 Nigéria.
Com atitude e velocidade na volta do vestiário, a Costa do Marfim reagiu logo no início do segundo tempo. Com dezesseis segundos, Kalou recebeu centralizado e chutou para fora, em rápida trama ofensiva. Aos quatro minutos, o talento de Drogba encaminhou o empate. Primeiro, o atacante recém-contratado pelo Galatasaray recebeu uma cobrança de lateral e, de costas pra marcação, girou aplicando uma caneta no adversário, caindo no gramado caracterizando falta, assinalada pelo árbitro argelino Djamel Haïmoudi. A falta era praticamente colada à linha da grande da área, numa espécie de mini-escanteio. Na cobrança, Drogba. Aí, quando você pensa que o mais apropriado era Drogba estar na área para concluir o lance, afinal, trata-se de um "fazedor de gols", a precisão do cruzamento-passe justifica tudo: o camisa onze colocou a bola na medida para Tioté, livre de marcação, cabecear pra rede sem sequer precisar tirar os pés do chão. 1a1.
Foi um erro raro de marcação nigeriana e aquilo custou a cessão do empate. Costa do Marfim cresceu na partida e passou a se sobressair territorialmente, mas, nas raras oportunidades em que conseguia se desvencilhar da forte marcação adversária, esbarrava no goleiro Vincent Enyeama. Cada segundo que corria no relógio fazia cada vez mais aproximar a partida da prorrogação, a exemplo do que ocorreu entre África do Sul e Mali. Aliás, essa Copa da África está com o equilíbrio ilustrado na grande quantidade de empates, que representam mais da metade no total de partidas. E esse parecia ser mais um.
Parecia. Aos trinta e dois minutos, Sunday Mba carregou a bola e, diante da linha de defensores à sua frente, tratou de definir o lance sem tentar infiltrar na marcação, até porque tal empreitada já se demonstrava uma tarefa inglória há algum tempo. E, com um pouco (ou um tanto) de sorte, o chute desviou num dos marcadores e traiu o goleiro Copa, que viu-se fora do tempo da bola e não conseguiu evitar que a trajetória o encobrisse. 2a1 Nigéria.
O francês Sabri Lamouchi já havia trocado Kalou por Gradel e, após o gol de desempate, tratou de aumentar o poderio ofensivo, promovendo a entrada de Lacina Traoré no lugar de Romaric. Stephen Keshi, por sua vez, trouxe Yobo para o lugar de Moses, caminhando no sentido contrário. Mas a jovem Nigéria não tratou de limitar-se ao campo defensivo, esbanjando maturidade na troca de passes no ataque, administrando a posse e o cronômetro. Parecia muito mais uma seleção veterana cheia de fôlego do que uma "olímpica" supostamente afobada.
Pode não ser uma seleção que conte com talentos da magnitude de um Okocha, de um Amokachi, de um Ikpeba, de um Kanu. Mas é grande. É da envergadura das Super Águias. E, mais do que nunca, merece respeito.
O jogo foi equilibrado, com os marfinenses demonstrando maior organização tática e mais coesão para defender e atacar. Porém, a Nigéria em momento algum se mostrou intimidada diante do forte oponente que tinha pela frente, conseguindo por muitas vezes medir forças em pé de igualdade aos teoricamente favoritos. Foi num erro de saída de jogo da Costa do Marfim que a Nigéria quase abriu o placar: Ideye passou para Emenike e o atacante, em condição legal e a cerca de dois passos da quina da pequena área, isolou o remate.
A Costa do Marfim era sólida, com Zokora protegendo bem a defesa, Yaya Touré e Tioté ajudando na transição, Kalou e Gervinho procurando abrir espaços para que Drogba pudesse aproveitar. Era um desenho tático interessante, pois os nigerianos contavam com Ambrose e Echiejile atuando muito bem pelos flancos da defesa, praticamente anulando as figuras de Gervinho e Kalou. Obi Mikel, Onazi e Mba impunham resistência às aproximações de Yaya e Tioté, com Moses sendo a principal peça ofensiva para acionar Ideye e Emenike.
Sair na cara dos goleiros não era nada simples, e o jeito foi tentar o gol a distâncias maiores. Moses chutou com muita força uma bola que foi rebatida por Boubacar "Copa" Barry. Aos quarenta e dois, em novo remate violento de fora da área, a Nigéria abriu o placar: Moses cobrou falta rolando de lado, a barreira marfinense abriu e Emenike encheu o pé, estufando a rede num chute que pareceu atravessar as luvas de Barry. Seria um ato leviano responsabilizar o arqueiro, mesmo com a bola indo praticamente em cima dele: com a barreira abrindo e um objeto esférico viajando àquela espantosa velocidade, convém ponderar e parabenizar Emenike pela rara felicidade na finalização. 1a0 Nigéria.
Com atitude e velocidade na volta do vestiário, a Costa do Marfim reagiu logo no início do segundo tempo. Com dezesseis segundos, Kalou recebeu centralizado e chutou para fora, em rápida trama ofensiva. Aos quatro minutos, o talento de Drogba encaminhou o empate. Primeiro, o atacante recém-contratado pelo Galatasaray recebeu uma cobrança de lateral e, de costas pra marcação, girou aplicando uma caneta no adversário, caindo no gramado caracterizando falta, assinalada pelo árbitro argelino Djamel Haïmoudi. A falta era praticamente colada à linha da grande da área, numa espécie de mini-escanteio. Na cobrança, Drogba. Aí, quando você pensa que o mais apropriado era Drogba estar na área para concluir o lance, afinal, trata-se de um "fazedor de gols", a precisão do cruzamento-passe justifica tudo: o camisa onze colocou a bola na medida para Tioté, livre de marcação, cabecear pra rede sem sequer precisar tirar os pés do chão. 1a1.
Foi um erro raro de marcação nigeriana e aquilo custou a cessão do empate. Costa do Marfim cresceu na partida e passou a se sobressair territorialmente, mas, nas raras oportunidades em que conseguia se desvencilhar da forte marcação adversária, esbarrava no goleiro Vincent Enyeama. Cada segundo que corria no relógio fazia cada vez mais aproximar a partida da prorrogação, a exemplo do que ocorreu entre África do Sul e Mali. Aliás, essa Copa da África está com o equilíbrio ilustrado na grande quantidade de empates, que representam mais da metade no total de partidas. E esse parecia ser mais um.
Parecia. Aos trinta e dois minutos, Sunday Mba carregou a bola e, diante da linha de defensores à sua frente, tratou de definir o lance sem tentar infiltrar na marcação, até porque tal empreitada já se demonstrava uma tarefa inglória há algum tempo. E, com um pouco (ou um tanto) de sorte, o chute desviou num dos marcadores e traiu o goleiro Copa, que viu-se fora do tempo da bola e não conseguiu evitar que a trajetória o encobrisse. 2a1 Nigéria.
O francês Sabri Lamouchi já havia trocado Kalou por Gradel e, após o gol de desempate, tratou de aumentar o poderio ofensivo, promovendo a entrada de Lacina Traoré no lugar de Romaric. Stephen Keshi, por sua vez, trouxe Yobo para o lugar de Moses, caminhando no sentido contrário. Mas a jovem Nigéria não tratou de limitar-se ao campo defensivo, esbanjando maturidade na troca de passes no ataque, administrando a posse e o cronômetro. Parecia muito mais uma seleção veterana cheia de fôlego do que uma "olímpica" supostamente afobada.
Pode não ser uma seleção que conte com talentos da magnitude de um Okocha, de um Amokachi, de um Ikpeba, de um Kanu. Mas é grande. É da envergadura das Super Águias. E, mais do que nunca, merece respeito.
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sábado, 26 de janeiro de 2013
Elefantes Esmagam Tunísia: 3a0
Respeitável público, a seleção da Costa do Marfim deixou ótimas impressões nesse blogueiro. Não apenas pelo já sabido forte elenco à disposição do francês Sabri Lamouchi, que conta com diversos jogadores titulares em seus respectivos clubes em torneios como a poderosa Premiership (o Campeonato Inglês), mas sobretudo pela maneira como consegue impôr ao jogo o ritmo desejado pelo time. Começou a partida em ritmo acelerado, mesclando jogadas pelo centro com investidas pelos flancos, marcou 1a0, diminuiu o ritmo, manteve a Tunísia longe de sua área, até que, no final, tratou de transformar a vitória em goleada. Há uma ou outra coisa a ser melhorada na equipe marfinense, mas pelo conjunto geral da obra, estamos aqui falando de uma fortíssima candidata ao título nessa Copa das Nações Africanas 2013.
Pra início de conversa, há que se dizer que o (aparentemente) simples fato de se colocar Didier Drogba no banco e se optar por Salomon Kalou entre os titulares já deve ter causado um impacto no que seria o jogo, principalmente os primeiros minutos de jogo. Afinal, qual tunisiano poderia imaginar o astro Drogba na condição de suplente? Com isso, a Costa do Marfim ganhou mobilidade no ataque e rapidamente conseguiu colocar a defesa adversária na roda, em apuros com tamanha troca de passes. Lacina Traoré e Gervinho se destacavam, conseguindo desenvolver a maioria das principais jogadas de ataque. Talvez todas, se bobear. E a abertura do placar acabou se dando em jogada linda envolvendo os dois: após rápida tabela com direito a toque de letra desconcertante de Traoré, Gervinho saiu na cara do goleiro e não desperdiçou, estufando a rede no canto esquerdo, aos vinte minutos.
A Tunísia não conseguia reagir para buscar o empate, até porque o setor de meio-campo marfinense era soberano territorialmente: Christian Romaric, Didier Zokora, Cheikh Tioté e Yaya Touré compunham o setor de maneira que a Costa do Marfim conseguia manter o controle das ações por completo. Talvez, se optasse por acelerar a transição ao ataque e retomar o ritmo percebido nos minutos iniciais, pudesse ter mais chances de ir para o intervalo com maior vantagem no placar. No segundo tempo, uma outra boa jogada envolvendo Gervinho terminaria em gol, mas o auxiliar errou ao marcar impedimento do jogador do Arsenal. Não havia e esse não foi o único erro do cidadão senegalês, que, a exemplo da defesa tunisiana, parecia não conseguir acompanhar o dinâmico ataque marfinense.
Porém, nem tudo são flores na seleção laranja: aos trinta e sete minutos, Tioté foi ao tornozelo de Youssef Msakini em entrada violenta. Para sorte do camisa sete da Tunísia, seu destino não foi o mesmo de Elano na Copa do Mundo 2010, que teve sua participação no torneio também realizado em solo sul-africano após dividida com o mesmo Tioté. Msakini foi atendido e conseguiu continuar não apenas na competição, como também no jogo. E dois minutos depois, participou de ótima jogada de ataque, que começou pela esquerda, foi ao lado direito e retornou após Tioté rebater mal (veja só), sobrando para Saber Khalifa, que emendou de voleio e parou em defesa de Boubacar Barry, bem posicionado.
No futebol as coisas acontecem muito depressa e a chance que uma seleção tem de empatar a partida, quando não aproveitada, pode não se repetir jamais. E foi o que aconteceu. Dois minutos depois daquela oportunidade tunisiana, Costa do Marfim se lançou ao ataque e tratou de marcar o segundo gol: após passe de Siaka Tiéné, Yaya dominou, arrumou e chutou. Tudo com o máximo de simplicidade e eficiência, mandando a bola caprichosamente no canto esquerdo, com a parte interna do pé, numa finalização que muitos não conseguem colocar aquela força nem pegando de bico. Golaço.
Enquanto a seleção marfinense comemorava o gol que naquele momento encaminhava a segunda vitória dos Elefantes na competição, Lamouchi conversava na beira de campo com Didier Ya Konan, preparando a última substituição no jogo (já havia colocado Drogba no lugar de Traoré e Max-Alain Gradel no lugar de Kalou). Ya Konan acenava positivamente com a cabeça, como quem concordasse com tudo que o treinador dizia. Parecia até algo do tipo: "deixa eu entrar logo em campo, a parada já tá resolvida e eu só quero participar da festa". Então, que tal "participar da festa" sendo abraçado pelos companheiros? Aos quarenta e quatro, Ya Konan recebeu assistência de Gervinho e chutou rasteiro, no canto direito, marcando o terceiro da equipe.
Os tunisianos até tiveram duas chances de diminuir a desvantagem e amenizar o prejuízo no saldo de gols, mas pararam em duas defesas de Barry: aos quarenta e seis, no mais puro reflexo após cabeceio para o chão e, no minuto seguinte, em chute rasteiro de média distância. Mas a Tunísia não tem muito o que lamentar, pois encarou um adversário visivelmente superior e, mesmo com o revés, a seleção comandada por Sami Trabelsi depende apenas de si para avançar às quartas-de-final, uma vez que estreou vencendo a Argélia (1a0). Costa do Marfim, com vinte e seis jogos de invencibilidade e a classificação encaminhada (se a Argélia não vencer Togo no jogo que completa a segunda rodada, já entrará em campo classificada), deve ser vista pelos outros quinze participantes como o maior adversário a ser superado. Na opinião deste blogueiro, já é.
Pra início de conversa, há que se dizer que o (aparentemente) simples fato de se colocar Didier Drogba no banco e se optar por Salomon Kalou entre os titulares já deve ter causado um impacto no que seria o jogo, principalmente os primeiros minutos de jogo. Afinal, qual tunisiano poderia imaginar o astro Drogba na condição de suplente? Com isso, a Costa do Marfim ganhou mobilidade no ataque e rapidamente conseguiu colocar a defesa adversária na roda, em apuros com tamanha troca de passes. Lacina Traoré e Gervinho se destacavam, conseguindo desenvolver a maioria das principais jogadas de ataque. Talvez todas, se bobear. E a abertura do placar acabou se dando em jogada linda envolvendo os dois: após rápida tabela com direito a toque de letra desconcertante de Traoré, Gervinho saiu na cara do goleiro e não desperdiçou, estufando a rede no canto esquerdo, aos vinte minutos.
A Tunísia não conseguia reagir para buscar o empate, até porque o setor de meio-campo marfinense era soberano territorialmente: Christian Romaric, Didier Zokora, Cheikh Tioté e Yaya Touré compunham o setor de maneira que a Costa do Marfim conseguia manter o controle das ações por completo. Talvez, se optasse por acelerar a transição ao ataque e retomar o ritmo percebido nos minutos iniciais, pudesse ter mais chances de ir para o intervalo com maior vantagem no placar. No segundo tempo, uma outra boa jogada envolvendo Gervinho terminaria em gol, mas o auxiliar errou ao marcar impedimento do jogador do Arsenal. Não havia e esse não foi o único erro do cidadão senegalês, que, a exemplo da defesa tunisiana, parecia não conseguir acompanhar o dinâmico ataque marfinense.
Porém, nem tudo são flores na seleção laranja: aos trinta e sete minutos, Tioté foi ao tornozelo de Youssef Msakini em entrada violenta. Para sorte do camisa sete da Tunísia, seu destino não foi o mesmo de Elano na Copa do Mundo 2010, que teve sua participação no torneio também realizado em solo sul-africano após dividida com o mesmo Tioté. Msakini foi atendido e conseguiu continuar não apenas na competição, como também no jogo. E dois minutos depois, participou de ótima jogada de ataque, que começou pela esquerda, foi ao lado direito e retornou após Tioté rebater mal (veja só), sobrando para Saber Khalifa, que emendou de voleio e parou em defesa de Boubacar Barry, bem posicionado.
No futebol as coisas acontecem muito depressa e a chance que uma seleção tem de empatar a partida, quando não aproveitada, pode não se repetir jamais. E foi o que aconteceu. Dois minutos depois daquela oportunidade tunisiana, Costa do Marfim se lançou ao ataque e tratou de marcar o segundo gol: após passe de Siaka Tiéné, Yaya dominou, arrumou e chutou. Tudo com o máximo de simplicidade e eficiência, mandando a bola caprichosamente no canto esquerdo, com a parte interna do pé, numa finalização que muitos não conseguem colocar aquela força nem pegando de bico. Golaço.
Enquanto a seleção marfinense comemorava o gol que naquele momento encaminhava a segunda vitória dos Elefantes na competição, Lamouchi conversava na beira de campo com Didier Ya Konan, preparando a última substituição no jogo (já havia colocado Drogba no lugar de Traoré e Max-Alain Gradel no lugar de Kalou). Ya Konan acenava positivamente com a cabeça, como quem concordasse com tudo que o treinador dizia. Parecia até algo do tipo: "deixa eu entrar logo em campo, a parada já tá resolvida e eu só quero participar da festa". Então, que tal "participar da festa" sendo abraçado pelos companheiros? Aos quarenta e quatro, Ya Konan recebeu assistência de Gervinho e chutou rasteiro, no canto direito, marcando o terceiro da equipe.
Os tunisianos até tiveram duas chances de diminuir a desvantagem e amenizar o prejuízo no saldo de gols, mas pararam em duas defesas de Barry: aos quarenta e seis, no mais puro reflexo após cabeceio para o chão e, no minuto seguinte, em chute rasteiro de média distância. Mas a Tunísia não tem muito o que lamentar, pois encarou um adversário visivelmente superior e, mesmo com o revés, a seleção comandada por Sami Trabelsi depende apenas de si para avançar às quartas-de-final, uma vez que estreou vencendo a Argélia (1a0). Costa do Marfim, com vinte e seis jogos de invencibilidade e a classificação encaminhada (se a Argélia não vencer Togo no jogo que completa a segunda rodada, já entrará em campo classificada), deve ser vista pelos outros quinze participantes como o maior adversário a ser superado. Na opinião deste blogueiro, já é.
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segunda-feira, 21 de junho de 2010
Mesclando Arte, Malícia E Maldade, Brasil Garante Vaga
Diante de um Soccer City com público de 84.455 espectadores, os comandados de Dunga viveram momentos de seleção brasileira - seja pelas jogadas bem tramadas a partir da aproximação de Robinho e Kaká, seja pelo "apito amigo" do francês Stephane Lannoy. O que não combina com a camisa amarela, nem com futebol e muito menos com Copa do Mundo é a confusão entre jogadores, que nasceu em jogadas duras de brasileiros e marfinenses e somente se acentuou devido ao acesso de "estrelinha" por parte de Kaká, que aplicou uma cotovelada desleal em Abdul Kader Keita.O resultado de 3a1 faz do Brasil a terceira seleção a alcançar duas vitórias e a segunda a já garantir vaga para as oitavas-de-finais. A missão dos comandados de Sven-Göran Eriksson se complicou, pois não deverá depender apenas de seus esforços na última rodada para avançar de fase.
O jogo
Com uma formação em 4-2-3-1, dando liberdade para Elano Blumer e recuando Robinho para dialogar com Kaká, a seleção brasileira logo deu sinais de que o desenho tático era bastante apropriado para jogar no erro do adversário: com 40 segundos de bola rolando, Kaká puxou contra-ataque com uma arrancada que lhe é característica e Robinho tentou fazer por cobertura, chutando por cima do travessão.
A partir daí, o domínio africano era perceptível e o Brasil ficava muitas vezes na roda. Aos 14 minutos, o capitão Lucimar da Silva Ferreira cometeu falta no também capitão Didier Drogba próximo da linha lateral esquerda e conversou bastante com o árbitro. Emmanuel Eboué levantou fechado na área, muitos atletas subiram para a disputa mas aparentemente quem afastou o perigo foi o goleiro Júlio César Soares de Espíndola.
Com 17 minutos, Maicon Douglas Sisenando avançou na base da correria paralelamente à linha lateral e lucrou um escanteio. Após a cobrança, Gilberto chutou, a bola rebateu na defesa marfinense e Robinho isolou a sobra.
Aos 24 minutos, jogada com cara e espírito de seleção brasileira. Robinho passou para Luís Fabiano, que tocou de calcanhar para Kaká. O camisa 10 levou vantagem na dividida, se livrando da marcação e dando assistência para Luís Fabiano Clemente chutar forte e alto, sem defesa para Boubacar Barry. Estava dado o fim de um jejum pessoal de 6 jogos sem marcar gol.
Na marca de 30 minutos saiu o primeiro cartão amarelo da partida, dado para Siaka Tiéné por entrada em Elano.
Com 36', a Costa do Marfim chegou pelo flanco direito, mas o cruzamento fechado de Guy Roland Demel foi recolhido pelo goleiro Júlio César. No minuto seguinte, Júlio César trabalhou bem ao encaixar chute de longa distância, em lance dificultado pelo quique da bola à sua frente.
Aos 40', Eboué tentou de fora da área, a bola desviou em Juan Silveira dos Santos mas a arbitragem marcou tiro-de-meta. 2 minutos depois, Luís Fabiano subiu para disputar a bola pelo alto e deixou o cotovelo em Aruna Dindane, que precisou ser atendido fora de campo.
Teve início a segunda etapa, novamente com iniciativa marfinense. Aos 4 minutos, Demel colocou na área e Lúcio tirou o corpo, deixando para Júlio César agarrar e mostrando que os dois se entendem muito bem mesmo em lances que exigem resposta rápida. A resposta brasileira veio no mesmo minuto e terminou em uma obra-de-arte pintada de maneira irregular. Luís Fabiano disputou bola com a defesa marfinense tirando vantagem do uso do braço esquerdo para se livrar de Didier Zokora com um chapéu. Na seqüência, outra linda chapelada em outro marcador, novo uso do braço - dessa vez o esquerdo - e finalização de perna esquerda para superar Barry, num dos mais belos gols irregulares da história das Copas. Curiosamente, após o gol ter sido incorretamente validado, o árbitro Lannoy conversou com o camisa 9 e apontou para o braço, insinuando irregularidade, mas Luís Fabiano balançou a cabeça negativamente e apontou para o peito, arrancando um largo sorriso do homem do apito. O 2a0 já estava no placar.
Aos 7 minutos, Felipe Melo de Carvalho esticou a perna em disputa de bola e deixou a chuteira no peito de Dindane. No minuto seguinte, Dindane cruzou da direita e Drogba cabeceou cruzado, perto da trave esquerda. Eriksson trocou Dindane por Gervais Yao Kouassi, vulgo Gervinho. E a partir dessa mexida o Brasil cresceu no jogo.
Com 14 minutos, Elano tentou chute de fora da área, mandando a bola à direita. Aos 15', Robinho passou para Kaká que, de dentro da área, chutou em cima do goleiro Barry. No minuto seguinte não teve jeito: Michel Bastos passou para Kaká, que encarou a marcação de Kolo Habib Touré carregando a redonda até a linha final e rolou atrás no capricho para Elano, que chutou no canto esquerdo para fazer o terceiro gol brasileiro.
Aos 21 minutos, uma substituição para cada lado: Elano, machucado após levar pisão de Cheikh Ismael Tioté na canela direita, deu lugar a Daniel Alves da Silva; e Salomon Armand Magloire Kalou, pouco acionado, saiu para entrada de Keita.
Na marca de 24', Maicon deu caneta em Tioté e chutou na rede pelo lado de fora. No minuto seguinte, novo erro de arbitragem em lance importante: Lúcio puxou a camisa de Drogba dentro da área e depois cortou pela linha-de-fundo, com Lannoy marcando escanteio.
Aos 26', a última troca de jogadores na Costa do Marfim: saiu Eboué para entrada de Christian Koffi N'Dri, apelidado de Romaric. Nesse mesmo minuto, Romaric arriscou de fora da área e já pôs Júlio César para trabalhar, espalmando pro lado. 3 minutos depois, Daniel Alves chutou fraco de fora da área, facilitando a defesa de Barry. Ainda aos 29', Keita foi amarelado por entrada dura em Michel Bastos.
Aos 33 minutos, Gnégnéri Yaya Touré deu enfiada de bola certeira para Drogba que, em liberdade, cabeceou com precisão no canto esquerdo para fazer o gol marfinense, no que foi o primeiro gol africano em jogos diante da seleção brasileira na história das Copas.
Na marca de 39 minutos, Kaká empurrou marfinense com a bola fora de jogo e foi amarelado. Detalhe: pouco antes o camisa 10 havia dado empurrão em Yaya Touré também com a bola parada. Aos 40' quem levou cartão amarelo foi Tioté, por entrada em Luís Fabiano. No minuto seguinte, Kaká mostrou definitivamente estar nervoso e aplicou uma cotovelada desleal em Keita, mais uma vez fora do lance de bola. O senhor Stephane Lannoy deu apenas o cartão amarelo, mas como era o segundo recebido por Ricardo Izecson dos Santos Leite, o Brasil passou a jogar (ou bater?) com 10 homens.
A saída de Kaká amansou o jogo em termos de violência e a partida seguiu sem novos transtornos quanto ao aspecto disciplinar. Aos 43 minutos, Tiéné parece ter tentado lançamento longo, mas o que quer que tenha sido, a Jabulani acabou chegando ao gol brasileiro e Júlio César deu um tapinha para escanteio. 3 minutos depois, bela jogada da Costa do Marfim: lançamento para o setor direito de ataque, Keita escora pra trás na direção de Drogba mas Júlio César mergulha para afastar de soco, evitando que a bola encontrasse o artilheiro.
Talvez temendo um desfecho que o complicasse (ainda mais), o árbitro Lannoy apontou apenas 3 minutos de acréscimo ao tempo regulamentar, num segundo tempo que teve até então 3 gols, 4 substituições, atendimento médico dentro de campo e confusões entre jogadores.
Aos 47', Carlos Caetano Bledorn Verri promoveu a segunda alteração na seleção brasileira, trocando o camisa 11 Róbson de Souza por Ramires Santos do Nascimento. O último chute a gol foi brasileiro e aconteceu aos 48 minutos: Dani Alves cobrou falta à meia-altura para defesa segura de Barry.
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terça-feira, 15 de junho de 2010
Marfinenses Mostram Personalidade, Mas Jogo Fica No Zero
Em jogo que interessa diretamente à seleção brasileira, Costa do Marfim e Portugal fizeram a abertura do grupo G na Copa do Mundo 2010. O placar de 0a0 se manteve do início ao fim, mas não faltaram emoções num jogo que foi, na maior parte do tempo, dominado pela equipe que trajava laranja claro: os marfinenses eram gigantes na marcação, ágeis na troca de passe e objetivos nos contra-ataques, tendo merecido sorte melhor do que a traduzida pelo resultado.O início de partida foi eletrizante, com Portugal tomando a iniciativa e vendo Cristiano Ronaldo chamar a responsabilidade - ou os holofotes - para si. Aos 6 minutos, Didier Zokora deu carrinho frontal em Cristiano e foi punido com o cartão amarelo do árbitro uruguaio Jorge Luis Larrionda. Era o prenúncio de um jogo que seria "pegado". Aos 10', Cristiano Ronaldo deu corte seco, de letra, e bateu de fora da área, acertando a trave direita do goleiro Boubacar Barry. 2 minutos depois, Cristiano inventou de dar outro toque de letra, dessa vez desnecessário, e acabou armando o contra-ataque adversário. Ainda aos 12 minutos, com a bola recuperada por Portugal, Cristiano recebeu e foi desarmado, em carrinho limpo. No minuto seguinte, o primeiro chute africano: Siaka Tiéné cobrou falta pela esquerda, para fora. 3 minutos depois, contra-ataque para Costa do Marfim: em rápida e objetiva troca de passes curtos, Tiéné recebeu e chutou, novamente para fora.
O jogo não teve mais oportunidades claras de gol na primeira etapa, mas seguia quente. Aos 20 minutos, Guy Roland Demel deu carrinho faltoso em Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro. Jorge Larrionda mandou o jogo seguir, mas teve que interromper a partida para dar um cartão amarelo para Demel e outro para Cristiano, que se desentenderam no lance e não tiveram pudores em discutir. 8 minutos mais tarde e Larrionda ignorou pisão criminoso de Pedro Miguel da Silva Mendes em Emmanuel Eboué, que precisou de atendimento médico.
Apesar dos erros de uma arbitragem que não coibia a violência, o jogo foi para o intervalo sem maiores transtornos e voltou melhor e mais limpo na segunda etapa, quando a Costa do Marfim definitivamente assumiu as rédeas da partida.
Com 1 minuto, Gervais Yao Kouassi, o "Gervinho", fez jogada individual pela esquerda e bateu cruzado, com grande perigo, mas a bola atravessou a área portuguesa e saiu. Na marca de 3 minutos, Salomon Kalou, frente a frente com o gol, quase alcançou levantamento na área. 5 minutos depois, Kalou recebeu a Jabulani após jogada individual de Yaya Touré e chutou para defesa de Eduardo dos Reis Carvalho.
Carlos Queiroz, provavelmente assustado com a pressão, decidiu colocar sangue novo na equipe e trocou Daniel Miguel Alves Gomes, o "Danny", por Simão Pedro Fonseca Sabrosa.
E Portugal chegou com perigo 3 minutos depois, aos 12', em jogada brasileira: Anderson Luís de Souza, o "Deco", avançou e cruzou para Liédson da Silva Muniz, que parou em defesa de Barry. A resposta marfinense não demorou nem 2 minutos: Gervinho completou levantamento na área, mas por cima do gol.
Aos 18', Portugal fez sua segunda alteração: Deco por Tiago Cardoso Mendes. 2 minutos depois, Sven-Göran Eriksson fez sua primeira substituição: Kalou deu lugar a ninguém menos que Didier Drogba, lesionado no braço e, alguns dias atrás, considerado "corte certo" para a Copa.
No minuto seguinte a entrada de Drogba, Yaya Touré recebeu e chegou chutando, mas a bola foi para fora.
Aos 27', Cristiano Ronaldo, pendurado com o amarelo que recebera na primeira etapa, deu seqüência a uma jogada parada pela arbitragem e foi poupado de receber o 2º cartão e deixar sua seleção com um jogador a menos.
Com 32 minutos, Raul José Trindade Meireles recebeu passe lateral e chutou de primeira, à direita da meta. 2 minutos depois, Cristiano cobrou falta sofrida por ele próprio, mas a bola subiu mais do que ele desejava. Aos 36' e aos 42', a última mexida de cada seleção: Gervinho por Abdulkader Keita e Raul Meireles por Ruben Filipe Marques Amorim.
As duas últimas chances do jogo foram africanas. Aos 44', Tiéne pegou a sobra isolando a bola e aos 45', a melhor oportunidade: Keita passou para Drogba que, apostando na chegada de um companheiro, centralizou a bola. Mas ninguém chegou para completar. Era a típica bola que, de alguém do nível de Drogba, merecia ser chutada diretamente para o gol, apesar da dificuldade.
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