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terça-feira, 16 de junho de 2015

Equador 2, Bolívia 3, Vento 5

Foto: Jorge Saenz / AP Photo.
A seleção boliviana deu um passo gigante rumo à classificação na Copa América 2015. Em sua primeira vitória na competição no século 21, a equipe abriu incríveis 3a0 no primeiro tempo e, na etapa final, resistiu à pressão equatoriana e à força do vento para conseguir o triunfo em Valparaíso.

A pessoa que começou a acompanhar a partida a partir dos 28 minutos de jogo deve ter tido uma surpresa. Pelo menos eu tive: como é que pode a Bolívia estar fazendo 2a0 no Equador? Pois pode, com gols de Raldes (aos quatro minutos) e de Smedberg-Dalence (aos dezessete). E pode ainda mais porque o goleiro Romel Quiñónez defendia tudo que viesse, inclusive uma finalização dificílima de seu xará de sobrenome, Pedro Quiñónez. Pegou, também, uma cobrança de pênalti (inexistente e repetida) de Enner Valencia. Pênalti que, quando houve, foi convertido (mas não repetido) por Marcelo Moreno - 3a0 Bolívia.

Só que veio o segundo tempo, e com ele a necessária troca de campo. Os ventos passavam a soprar a favor do Equador, que diminuiu a desvantagem aos dois, com Valencia (excelente jogada de Montero). A vida do goleiro Quiñónez não estava fácil: a partida era jogada praticamente inteiramente no campo de defesa boliviano. A essa altura, a pressão já tinha características de tornar o vento um furacão. Aos 37', chute de Bolaños, vento firme e bola na rede. 3a2 no placar. Mas não houve tempo nem pontaria para a derrota virar empate. Quando a pontaria estava boa, Quiñónez estava melhor ainda. Foi o goleiro boliviano a barreira mais difícil para o vento transpôr. Para tristeza do Equador.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Sem Vida Fácil: Chile Vence Equador Em Partida Dura Como Paredes

Imagem extraída de Taringa.net.
Começou bem a Copa América 2015. Teve hino nacional cantado a plenos pulmões pela torcida chilena, repetindo o espetáculo proporcionado ano passado na Copa do Mundo no Brasil. Teve ótima atuação de Alexis Sánchez, jogador mais acionado e inspirado dentro de campo. Teve muito frio na capital Santiago. E teve, também convém dizer, um Equador com atuação surpreendentemente positiva.

No final, o placar de 2a0 reflete apenas parcialmente o que foi a partida. Sim, o Chile até mereceu marcar gols nesse jogo, apesar de não render tudo aquilo que se espera dessa seleção. Só que não, o Equador não merecia sair zerado no placar - a bola de Enner Valencia no travessão, se alguns centímetros mais baixa, daria números mais reais à partida.

Fato é que o Chile tem muito mais a agradecer do que a comemorar nesses três pontos conquistados. Se por um lado começou o jogo em ritmo alucinante, criando duas chances claras com três minutos, por outro só foi capaz de mexer no placar graças a vacilos equatorianos. Bolaños cometeu pênalti tolo em Arturo Vidal, que cobrou e converteu. Ibarra presenteou Sánchez em recuo de bola mal feito, e o atacante do Arsenal serviu Vargas para o segundo gol anfitrião. De gols, nada mais.

O Chile até mostrou coisas boas nessa estréia - e a que mais me agradou foi o ímpeto ofensivo, apresentando não raramente meia dúzia de jogadores nas proximidades da área adversária. Porém, há muito o que acertar na defesa e na distribuição de jogadores pelo meio-campo. Fernández, que entrou no segundo tempo, foi o destaque negativo no jogo: levou cartão amarelo por simulação dentro da área e ainda foi expulso após falta dura que colocou Paredes no chão, nos acréscimos. Já o Equador, que chegou na Copa América com alguns desfalques e até com rótulo de azarão, mostrou força. Força em Paredes. Em Ayovi. E o principal: na postura em geral. Houve momentos em que conseguiu neutralizar o oponente e se sobressair no gramado. Mas pagou pelos erros com uma moeda cara: dois gols e a derrota na partida inaugural. Porém, tem totais condições de, diante de Bolívia e México, buscar os resultados que lhe colocariam na fase quartas-de-final.

Torcida chilena, uma mensagem: nem só de hino e gols vive o jogo de futebol. Façam festa também com bola rolando. É belo e vocês, quando querem, têm o dom de (en)cantar.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Domínguez Pára A França, Mas Equador Dá Adeus À Copa

A França confirmou seu favoritismo de não-cabeça-de-chave-que-deu-sorte-no-sorteio e terminou em primeiro lugar no grupo E. Após golearem Honduras na estréia e Suíça na segunda rodada, os franceses foram a campo sabendo que um empate diante dos equatorianos era mais que suficiente para sair do Maracanã com a liderança mantida. Confiante na situação e no elenco à disposição, Didier Deschamps montou a seleção com algumas modificações típicas de quem iria aproveitar a ocasião favorável para fazer experiências e poupar jogadores. Sucesso: a França jogou bem, viu-se com opções entre os reservas e o 0a0 ratificou a primeira colocação na chave. Para o Equador, o resultado combinado à goleada suíça sobre os hondurenhos (3a0, com hat-trick de Shaqiri), representou a primeira e única eliminação sul-americana na fase de grupos. Nada que abale a digna campanha dos comandados do colombiano Reinaldo Rueda, que haviam perdido a estréia para a Suíça nos acréscimos e vencido Honduras na segunda rodada.

Com força máxima no jogo (Caicedo entre os suplentes por opção tática), o Equador atuava com dois pontas (Valência pela direita e Montero pela esquerda) e dois atacantes (Arroyo e Enner Valência, autor dos três gols equatorianos no Mundial). Mas tal formação foi devidamente neutralizada pela postura tática francesa: com os flancos protegidos (Sagna atento pela direita e Digne recebendo auxílio de Sissoko na esquerda) e a zona central densamente povoada (Schneiderlin, Pogba e Matuidi atuavam por ali, gerando vantagem numérica em relação a dupla Minda e Noboa), a França conseguiu domínio territorial, domínio na posse de bola e domínio no número de oportunidades criadas. Só que Griezmann, Benzema e companhia encontraram uma forte resistência no sistema defensivo adversário, que contava com Paredes, Guagua, Erazo e Ayoví, além de um paredão chamado Domínguez - o goleiro de 1,93m foi o grande nome no jogo e personagem mais decisivo para a manutenção do placar até o apito final.

No início do segundo tempo, a expulsão de Antônio Valência deixou o Equador em desvantagem numérica. Com um detalhe: aparentemente, a decisão de dar o cartão vermelho no lance partiu de alguém que não o árbitro marfinense Noumandiez Desire Doue. Analisando a repetição do lance, por mais que seja esteticamente feio ver as travas da chuteira de um na perna de outro, a dinâmica da jogada não sugere maldade por parte do camisa sete equatoriano, tornando a decisão do (quarto-)árbitro duplamente contestável - uma pelo rigor, outra pela regra em si, pois diz-se não poder haver influência de terceiros (nem de quartos). De toda forma, o Equador perdia seu capitão naquele momento (que deixou o campo sem dar qualquer reclamação) e teria a missão ingrata de, nessas condições, ganhar da França para buscar a classificação.

O time de Rueda foi paciente, conseguindo a partir da solidez defensiva ameaçar a França em contra-ataques. No melhor deles, Noboa chutou desequilibrado em lance daqueles que não se devem desperdiçar, sobretudo numa situação como essa - talvez se caísse nos pés de Caicedo, que o substituiria nos minutos finais, o Equador tivesse melhor sorte. Só que se há alguma seleção que tem a lamentar pelos gols perdidos, essa é a européia. Seja por questões de pontaria, seja pela atuação maiúscula do goleiro Domínguez, o fato é que parecia não haver qualquer possibilidade de chegar ao gol. De dezesseis finalizações, nove foram no alvo. Só que o alvo parecia ser o arqueiro, de tão bem posicionado que ele estava nos lances.

Agora, o próximo adversário dos Bleus será a Nigéria. Partida para se contar com Valbuena (que fez falta hoje) e com aquele Benzema das duas primeiras rodadas. Talvez seja de se pensar começar com Giroud entre os titulares, opção que sugere mais mobilidade a Benzema. Lembrando que sempre que a França passou pela fase de grupos numa Copa do Mundo, chegou pelo menos até as semifinais.

domingo, 15 de junho de 2014

Suíça Vira Jogo Eletrizante Com Gol Nos Acréscimos

Hoje o blogueiro viveu uma experiência inesquecível, tendo feito sua estréia de corpo presente num jogo de Copa do Mundo. Suíça e Equador proporcionaram uma bela atmosfera no estádio Mané Garrincha, em Brasília. E se dentro de campo a partida foi pra lá de interessante, com direito a um desfecho emocionante, no entorno do estádio o que se viu foi uma tremenda desorganização para o acesso aos respectivos setores. Pouquíssimos funcionários para muitíssimos torcedores e o resultado foi uma fila que andava menos do que deveria pois muitos "espertinhos" encontravam "atalhos".

Infelizmente para milhares de pessoas, só foi possível adentrar nas arquibancadas já com bola rolando. Mas consegui assistir ao pontapé inicial e aos hinos nacionais. Em breve, serão adicionadas imagens e vídeos a essa postagem.

Se alguém imaginava uma Suíça retraída, armando o famoso ferrolho e assistindo os equatorianos jogarem, foi surpreendido por uma seleção européia que procurava fazer a transição ao ataque. Criou mais e melhores chances no primeiro tempo, mas quem alcançou a rede foi o Equador, que em lance de bola parada abriu o placar.

Hitzfeld trocou Shaqiri de posição, tirando-o do flanco direito e trazendo-o para o centro. Mexida simples e eficaz: a Suíça passou a ter mais volume de jogo no campo de ataque. O resultado prático disso só viria depois do intervalo e também em lance de bola parada, quando a equipe alcançou o empate.

A partida mudou de figura, com ambas as seleções querendo o resultado positivo. Se por um lado Inler comandava o meio-campo, por outro Behrami errava mais passes do que o aceitável. O Equador levava perigo principalmente em jogadas de velocidade. Até que... lá vamos nós falar de arbitragem, pela enésima vez nesse Mundial: foi anulado um gol legítimo da Suíça, em lance que a FIFA não teve coragem de mostrar a repetição nos telões, provavelmente ciente do erro da arbitragem.

E o que por um momento parecia rumar para o empate, transformou-se em justiça nos acréscimos: Seferovic, que entrara minutos antes, completou jogada cruzada rasteira da esquerda mostrando oportunismo e posicionamento dignos de um autêntico camisa nove, dando o gol e a vitória aos suíços. O blogueiro comemorou muito e ainda teve a sorte de tocar na bola do gol, que foi chutada para a arquibancada no momento da comemoração.

Essa é uma Suíça que toma gol mas que marca em dobro. Ótimo para quem quer ver bola na rede. Algo que, apesar da arbitragem, tem acontecido bastante nessa Copa do Mundo.

Galeria de imagens e vídeos (registros exclusivos, incorporados em 26.07.2014 - perdoem a demora)
Clima muito agradável antes do início do jogo (o relógio da máquina fotográfica estava cerca de uma hora adiantado: era meio-dia e o jogo começava às 13h)
Linda tarde em Brasília: primeiros minutos de jogo no estádio Mané Garrincha.
 Telão no intervalo, mostrando a superioridade suíça que não refletia no placar parcial.
Encontramos os queijos suíços

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Ataque Compensa Falhas De Júlio César E Brasil Avança Líder

Se o grupo B na Copa América 2011 começou com dois empates em 0a0 na rodada de abertura, o encerramento foi alucinante em termos de quantidade de bola na rede: 12 nos dois jogos (Paraguai e Venezuela empataram por 3a3, além da vitória brasileira sobre o Equador por 4a2). Desta forma, o Brasil avança em 1º lugar na chave e na fase quartas-de-final reencontra o Paraguai, classificado como 2º melhor 3º. Já o Equador despede-se com 1 ponto ganho.

O jogo

Com a marcação funcionando a contento e o ataque mais lento do que o desejado, o Brasil fazia um começo de jogo sem grande inspiração numa partida onde o 0a0 o classificaria como 2º melhor 3º colocado. Ramires já dava indícios de uma nova grande atuação (foi possivelmente o melhor brasileiro em campo diante do Paraguai), exibindo uma consciência tática tanto no deslocamento pelo campo como quando tinha a bola nos pés. E saiu de seus pés uma abertura de jogo para o lado esquerdo, chegando no lateral canhoto André Santos, até então praticamente nada participativo no campo ofensivo: aos 28 minutos, André lançou a bola na área para o espaço vazio e Alexandre Pato direcionou-se até lá, cabeceando com precisão para abrir o placar.

O Equador não tinha grande volume de jogo no campo de ataque, mas chegou ao empate aos 36 minutos: Lúcio não conseguiu afastar uma bola dividida pelo alto, ela chegou em Walter Ayoví e o camisa 10 equatoriano rolou para Felipe Caicedo, que chutou da entrada da meia-lua uma bola que passou por baixo dos braços de Júlio César. Forte e rasteira a finalização de Caicedo, é verdade, mas que poderia - e deveria - ser rebatida por aquele que é considerado por muitos como um dos melhores goleiros na atualidade.

Veio o segundo tempo e o Brasil tomava a iniciativa contando basicamente com dois recursos: o domínio territorial na altura do círculo central (zona que parecia propriedade particular de Ramires) e boas subidas de Maicon pelo flanco direito, sempre dando trabalho à defesa equatoriana. Aos 3 minutos, Ramires carregou a bola dominada, passou para Paulo Henrique Ganso e este deu para Neymar, que deu continuidade à jogada fazendo o mais simples - tirando do goleiro Marcelo Elizaga para estufar a rede.

O resultado de 2a1 indicava a necessidade de um sorteio para decidir o desempate entre Brasil e Venezuela na liderança da chave (ambos naquele momento estavam com 5 pontos, 4 gols marcados e 3 gols concedidos, além de terem empatado por 0a0 no confronto direto). Mas, aos 13 minutos, uma nova finalização de Caicedo acabou com as possibilidades de o 1º lugar ser resolvido nessas condições: o camisa 9 recebeu de Christian Noboa na entrada da meia-lua, fintou Thiago Silva e, da entrada da área, mandou mais um chute rasteiro. Bola difícil de ser defendida, sobretudo se o goleiro resolver mergulhar sobre ela - o mais simples parecia ser colocar a chuteira na bola e rebatê-la para onde quer que fosse, desde que impedindo que ela tomasse o rumo da rede. De toda forma, menos grave que a falha no outro lance.

O Brasil não demorou a reagir ao segundo empate cedido na partida, conseguindo retornar à frente no placar aos 15 minutos: Robinho tocou para Paulo Henrique, que deixou com Neymar (nesse momento os torcedores santistas devem ter recordado algum momento positivo na história recente do clube) e o camisa 11 teve a atitude de chutar ao gol. Marcelo Elizaga "bateu-roupa" e, atento ao rebote, Alexandre Pato conseguiu chutar um objeto redondo que estava entre um tanto de pernas adversárias, contando com a sorte para vê-lo entrar no canto esquerdo.

Maicon já havia realizado cruzamentos interessantes, feito tabelas, se apresentado, enfim, fazendo em larga escala o que pouco viu-se Daniel Alves fazer nas rodadas anteriores. E, aos 26 minutos, teve sua grande atuação premiada com uma assistência para o 4º gol do Brasil: o camisa 13 desceu pelo lado direito, escapou da marcação na base do vigor físico (resistiu a um tranco mantendo-se firme) e, já dentro da área, tocou para que Neymar concluísse a jogada. Não tinha como o jovem atacante santista não abraçar o lateral interista.

O futebol apresentado pelo Brasil nessa noite de quarta-feira pode não ter sido dos mais convincentes, mas, no conjunto dos 90 minutos, foi a melhor atuação da equipe na fase de grupos. O suficiente para passar pelo Paraguai nas quartas? Talvez. Principalmente se não dependermos de Júlio César.

Outros resultados (entre parênteses a classificação final no grupo)

Domingo

Colômbia (1º A) 2a0 Bolívia (4º A)

Segunda-feira

Argentina (2º A) 3a0 Costa Rica (3º A)

Terça-feira

Chile (1º C) 1a0 Peru (3º C)
Uruguai (2º C) 1a0 México (4º C)

Quarta-feira

Paraguai (3º B) 3a3 Venezuela (2º B)
Brasil (1º B) 4a2 Equador (4º B)

Eis os duelos na fase quartas-de-final

Sábado: Colômbia e Peru; Argentina e Uruguai.
Domingo: Brasil e Paraguai; Chile e Venezuela.

Algumas curiosidades na fase de grupos

Maior número de gols marcados: Brasil (6).
Menor número de gols marcados: Bolívia e México (1).
Maior número de gols concedidos: Bolívia, Paraguai e Equador (5).
Menor número de gols concedidos: Colômbia (0).
Melhor campanha: Colômbia (2 vitórias, 1 empate, 3 gols marcados).
Pior campanha: México (3 derrotas, 1 gol marcado, 4 gols concedidos).
Goleador: Sérgio Agüero (Argentina), com 3.
Jogador mais indisciplinado: Ronald Rivero (Bolívia), com 2 cartões amarelos e uma expulsão.
Mais assistências: PH Ganso (Brasil), Michael Guevara (Peru) e Lionel Messi (Argentina), com duas.
- As únicas equipes que não empataram foram a Costa Rica e o México (ambas estão eliminadas).
- As únicas equipes com saldo de gol zero foram o Paraguai e o Peru (ambas avançam em 3º no grupo).
- O Paraguai é o único classificado que ainda não venceu no torneio.
- O Peru é a única equipe classificada que não está invicta.
- O blogueiro terá o prazer de assistir diretamente no estádio Ciudad de La Plata a partida pela fase quartas-de-final entre Brasil e Paraguai (domingo, 17.07.2011) e espera possibilitar uma postagem bem bacana sobre o jogo.

Abraços.

domingo, 10 de julho de 2011

Uma Nova Dose De Vinho Tinto

Depois de estrear jogando de igual para igual com a seleção brasileira, a Venezuela tornou-se a primeira seleção a vencer um jogo no grupo B pela Copa América 2011. E ao contrário de algumas outras seleções - que quando saem na frente preferem adotar a cautela como estratégia (ver Brasil 2a2 Paraguai) -, a equipe venezuelana manteve-se firme na empreitada de atacar o adversário, mostrando aos equatorianos e a quem mais quisesse ver que o outrora "saco de pancadas" é hoje uma seleção em franca ascensão e que merece atenção. A simpatia deste blogeiro ela já tem de longa data.

O jogo

Apostando num jogo coletivo já visto na partida de estréia, a Venezuela foi a campo mostrando-se bem à vontade e chegava a ditar o ritmo do jogo diante dos equatorianos, que tinham dificuldades em conter os deslocamentos de Juan Fernando Arango Sáenz e Giancarlo Gregorio Maldonado Marrero, figuras de intensa participação no primeiro tempo. Quando tinha a bola consigo, o Equador era mais agudo quando as jogadas envolviam Christian Rogelio Benítez Betancourt e Felipe Salvador Caicedo Corozo, jogadores de vigor físico e explosão, características que redobravam o trabalho de uma zaga que tinha o lento Oswaldo Augusto Vizcarrondo Araújo tentando se desdobrar para dar conta de proteger a meta defendida por Renny Vicente Vega.

Apesar de o jogo contar com duas seleções focadas em atacar, os goleiros foram participar mais ativamente da partida somente na etapa complementar - e tanto Renny Vega quanto Marcelo Ramón Elizaga Ferrero (destaque na estréia entre Equador e Paraguai) apresentaram qualidades debaixo das traves. Precisáva-se de algo especial para sair um gol entre duas equipes que vinham de empate por 0a0. E isso foi ocorrer aos 16 minutos do segundo tempo: após envolvente troca de passes, Nicolás Ladislao Fedor Flores rolou para César Eduardo González Amáis. E eis que o camisa 11 acertou um chute daqueles raríssimos, pegando em cheio na bola e mandando diretamente na gaveta. Com um golaço, estava aberta a contagem no estádio Padre Ernesto Martearena, na província de Salta.

Para melhorar sua situação, o Equador não tinha outra solução a não ser partir pra cima da Venezuela. E chegou muito perto da igualdade no placar em sensacional jogada individual de Felipe Caicedo: o camisa 9 fez fila na defesa venezuelana dando poucos toques na bola e escapando de três adversários. O único vacilo de Caicedo foi no que parecia ser o momento mais simples do lance - a finalização. A bola acabou sendo chutada sem força e facilitando o trabalho de Vega, que segurou sem maiores transtornos.

Com pouco poder de criação, os equatorianos passaram a insistir em bolas alçadas para tentar melhor sorte no jogo. Além do insucesso nessas tentativas aéreas, o Equador ainda era posto em dificuldade quando os venezuelanos partiam para o ataque, na maioria das vezes mantendo a bola no chão e, naquela altura, contando com o ágil meio-campista Jesús Manuel Meza Moreno, que a todo momento encostava no ataque e causava dificuldades à defesa equatoriana. No final das contas, manteve-se o 1a0 e fez-se a alegria da Venezuela. Das equipes que vi jogar até o momento, "La Vinotinto" pode ser considerada a "sensação" da competição. Sabe lidar com as próprias limitações e se fortalece na combinação de suas partes, formando um todo bastante coeso e capaz de manter-se competitivo. Pode aprontar muito mais em solo argentino o time de César Farías.

domingo, 3 de julho de 2011

Marcelo Elizaga Salva A Pátria Equatoriana

Nada de gol na primeira rodada pelo grupo B na Copa América 2011. Se na partida entre Brasil e Venezuela foram diversos os fatores para o placar seguir inalterado (vide postagem), no encontro entre Paraguai e Equador houve um personagem preponderante para que a rede não balançasse: o goleiro equatoriano Marcelo Ramón Elizaga Ferrero, de 39 anos de idade e vinculado ao Deportivo Quito. A julgar pelo desempenho de ambas as equipes - principalmente a paraguaia -, a missão brasileira de passar de fase não será nada fácil.

O jogo

Admirador confesso do técnico Marcelo "El Loco" Bielsa, o também argentino Gerardo Martino honrou a alcunha de discípulo de seu compatriota: armou um Paraguai solto, arisco, envolvente, dinâmico e buscando o ataque a todo momento. Com uma dupla de ataque que se movimentava bastante - Lucas Barrios por ambos os flancos e Roque Santa Cruz mais pela zona central - e com as constantes aproximações de outros jogadores (Édgar Barreto, Néstor Ortigoza e Marcelo Estigarribia pareciam incansáveis indo e voltando ao ataque), o time paraguaio foi envolvendo o Equador com relativa naturalidade. Mas os comandados de Reinaldo Rueda também mostravam seus recursos, encaixando contra-ataques velozes (como um aos 21 minutos, quando "Chucho" Benítez passou como quis por Paulo da Silva, driblou também o goleiro Justo Villar, mas ficou sem ângulo para a finalização) e soltando chutes na maioria das vezes muito bem direcionados, principalmente quando saíam dos pés de Segundo Castillo.
Antes do final do primeiro tempo, uma contusão em Barreto forçou a primeira substituição paraguaia. Dizem que "há males que vêm para o bem". E acho que esse dito popular foi encarnado pela entrada de Enrique Vera aos 38 minutos: o meio-campista conseguiu se sair ainda melhor que o camisa 8, dando maior movimentação ao time e parecendo desdobrar-se dentro de campo ao desempenhar com maestria a função de proteger a defesa e sair para o jogo com notável qualidade. Foi no embalo da boa atuação de Vera que o Paraguai passou a dominar a partida no segundo tempo, contando com a subida de produção de Estigarribia para fortalecer as jogadas pelo lado esquerdo. Mas bastou um atleta equatoriano para frustrar a tentativa paraguaia de chegar à vitória: o arqueiro Elizaga. Se na primeira etapa o camisa 1 já havia realizado grandes defesas (aos 12 minutos pegou chute de Barreto dado praticamente da marca do pênalti, após linda jogada individual de Estigarribia, e aos 18 minutos foi buscar finalização de Ortigoza dada da pequena área no canto esquerdo), na etapa complementar Elizaga foi ainda mais espetacular ao conseguir catar um cabeceio certeiro de Roque Santa Cruz no canto esquerdo, após nova linda jogada de Estigarribia. Em outras palavras, se foi um pecado o Paraguai não conseguir chegar ao gol da vitória, por outro lado foi muito bacana ver o poder que tem uma atuação impecável de um goleiro em simplesmente salvar a equipe da derrota. Deu gosto de ver.
Marcelo Elizaga em ação durante a partida entre Paraguai e Equador: aos 39 anos de idade, arqueiro equatoriano foi decisivo para a manutenção do 0a0 com uma performance irretocável.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Brasil Passa Perrengue Mas Vence O Equador: 1a0

Com o habitual pequeno público presente no estádio da Universidade Nacional San Agustín e o estado do gramado "pra lá de Marrakech" (provavelmente devido à seqüência de jogos no mesmo campo), o Brasil somou 3 pontos diante dos equatorianos e praticamente garantiu a vaga nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012.

A partida foi equilibrada e houve tantas oportunidades para ambos os lados que o placar de 1a0 esconde a trabalheira que tiveram os goleiros Gabriel e Jaramillo, além também dos sistemas defensivos, diversas vezes envolvidos pelas jogadas adversárias.

O jogo

A partida entre essas duas seleções na fase de grupos (a qual foi intitulada "Valeu Pela Vitória, Não Pelo Futebol") mostrou a mim uma característica do time equatoriano que se confirmou no reencontro com o Brasil no hexagonal final: não ter vergonha de chutar a gol. Talvez em função dos desfalques na zaga (Bruno Uvini está fora do Sul-Americano após fraturar a fíbula direita diante da Argentina e Juan cumpre suspensão após expulsão naquela mesma partida), o Brasil cedeu muitos espaços para o Equador ora trabalhar a bola, ora arriscar de longe. A primeira investida deu-se aos 5 minutos, quando Juan Ramón Cazares Sevillano chutou de fora da área e Gabriel encaixou. Mas aos 7 minutos a seleção brasileira conseguiu abrir o placar: Oscar cobrou falta pela direita com um levantamento e Casemiro apareceu em liberdade para cabecear na pequena área. 1a0 Brasil.

Aos 9 minutos, uma saída de bola equivocada por parte do equatoriano Mario Alberto Pineida Martínez (faça-se justiça: trata-se de um jogador que no geral distribui passes com qualidade) deu a bola de presente para Oscar, que avançou e serviu Diego Maurício. O atacante ficou cara-a-cara com o goleiro John Jaramillo e desperdiçou a oportunidade chutando à esquerda.

Mostrando que o ritmo de jogo era intenso, lá foi o Equador ao ataque aos 11 minutos, quase empatando a partida em duas ocasiões: primeiro, a bola passou pelo goleiro Gabriel mas foi cortada por Danilo e depois o chute de Fernando Gaibor passou perto da trave esquerda, em lance onde Gabriel saltou mas não apresentou condições de fazer a defesa caso a bola tivesse o endereço da rede. 6 minutos depois, uma jogada iniciada com passe de trivela de Pineida pela direita terminaria novamente passando por Gabriel e, mais uma vez, sendo interceptada pela defesa brasileira.

O Brasil responderia aos 26 minutos, e em dose dupla: primeiro, Lucas avançou driblando pelo lado esquerdo, chutou rasteiro e Jaramillo rebateu; depois, Diego Maurício recebeu de Lucas em liberdade, chutou cruzado e Jaramillo defendeu mais uma vez. Com 32 minutos, Diego Maurício finalmente balançaria a rede, mas a posição de impedimento do atacante no rebote do chute de Casemiro foi flagrada, anulando a jogada. Casemiro, por sinal, voltaria a chutar aos 37 e aos 39 minutos, mandando primeiro a bola por cima do travessão e depois parando em defesa de Jaramillo.

Movido pela determinação de buscar o resultado, o treinador Sixto Rafael Vizuete Toapanta tratou de fazer duas mexidas no intervalo, trocando dois meio-campistas por dois atacantes: Marcos Caicedo e Marlon de Jesus entraram nos lugares de Jonathan de la Cruz e Juan Cazares.

O segundo tempo começou lá e cá, com ambos os times tirando proveito dos espaços que tinham para jogar. Aos 15 minutos, Alex Renato Ibarra Mina cruzou da direita e Gaibor desviou de cabeça mandando perto da trave direita, quase empatando a partida. O quase que valia para o empate passou dois minutos depois a valer para a ampliação da diferença: Lucas recebeu em velocidade, escapou de três adversários e, desequilibrado, teve a finalização abafada por Jaramillo.

Aos 18 minutos, Willian José deu lugar para Henrique na seleção brasileira. 4 minutos depois de entrar em campo, Henrique deu chute cruzado que passou perto da trave esquerda. Mas antes disso, aos 21 minutos, o Equador ficou próximo de igualar o marcador: Caicedo cortou Danilo pela esquerda, passou também por Saimon, cruzou por baixo e Edson Eli Montaño Angulo chutou, mas foi travado por Romário. Com 23 minutos, Danilo deixaria o campo para a entrada de Galhardo, que seria a próxima vítima de Caicedo nas investidas pelo lado esquerdo.

Aos 28 minutos, De Jesus recebeu de Edson Montaño, girou, chutou no canto direito e Gabriel defendeu. Percebendo a superioridade equatoriana e a inoperância de Diego Maurício, Ney Franco trocou o atacante pelo meio-campista Alan Patrick aos 30 minutos, em substituição praticamente simultânea à 3ª equatoriana, que consistiu na troca de Ibarra pelo também atacante Cristian Pinilla.

É bem verdade que Henrique teve duas chances de gol (parando em defesa de Jaramillo aos 37 minutos e chutando para fora aos 44 minutos, quando era acompanhado por John Narvaez), mas os minutos finais ficaram concentrados no campo de defesa do Brasil. Contabilizei 3 chances para o Equador: aos 34 minutos, Montaño recebeu livre, girou, chutou e Gabriel rebateu; aos 36 minutos, após cobrança de escanteio pela esquerda a bola passou por Saimon e De Jesus mandou à direita; e aos 38 minutos De Jesus tocou atrás, Caicedo chutou cruzado e a bola passou à esquerda.

Ao mesmo tempo que o empate me parecia um placar mais justo, seria mais interessante para a última rodada porque enfrentaríamos o Uruguai na necessidade de vencer o jogo. Mas a persistência do 1a0 até o apito final do árbitro peruano Victor Carrillo deu ao Brasil o direito de garantir ingresso em Londres-2012 com um empate diante dos uruguaios. E com um (teórico) facilitador: a Celeste já está garantida na próxima Olimpíada, selando seu retorno olímpico após 84 anos de afastamento. Será que teremos um "jogo de compadres"? A Argentina, que antes de mais nada precisará vencer a Colômbia para seguir sonhando, torcerá para o Uruguai...

Outros resultados

Colômbia (6º) 1a3 (5º) Chile
Argentina (3º) 0a1 (1º) Uruguai

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Valeu Pela Vitória, Não Pelo Futebol

A seleção brasileira sub-20 fechou sua participação no grupo B com uma vitória por 1a0 sobre o Equador, em partida onde a equipe comandada pelo técnico Ney Franco passou longe de apresentar um futebol convincente. Com a cabeça voltada para o hexagonal final - que terá início dia 31 de janeiro -, Ney optou por escalar o time com diversos reservas (foram nove no total) e com isso evitar suspensões disciplinares para a próxima partida.

O jogo (confira como foi a transmissão da partida em tempo real)

Liguei o televisor aos 18 minutos do primeiro tempo, desafiei o sono e fui assistir a partida entre Equador e Brasil. Aos 24 minutos, me senti premiado: com uma sensacional triangulação pela zona central, Oscar desmontou a marcação equatoriana com um toque de calcanhar e Henrique, que já havia participado da jogada anteriormente, apareceu para finalizar com um chute cruzado no canto esquerdo, fazendo 1a0 em grande estilo.

Oscar, dois minutos depois da assistência, abusou da habilidade: em lance próximo da linha lateral esquerda, o camisa 11 colocou a bola entre as pernas de Arroyo. Mais três minutos corridos no cronômetro e o árbitro argentino Diego Abal - que vestia camisa, calção e meiões vermelhos - incorporou o espírito do seu uniforme monocromático, expulsando o camisa 10 equatoriano Cazares.

Um belo gol brasileiro, jogadas de efeito e vantagem numérica dentro de campo induziam a pensar que a parada seria fácil e que o jogo se encaminharia para mais uma goleada tupiniquim. Engano. A partida foi para o intervalo e voltou dele com a seleção apresentando um futebol de pouco empenho para ampliar a diferença no placar. Lucas, que havia entrado em campo aos 8 minutos da etapa complementar, logo recebeu um cartão amarelo e acabou substituído aos 18 minutos, seguindo aquele raciocínio de preservar o elenco para a estréia no hexagonal.

Aos 28 minutos, Henrique recebeu sobra de bola pelo lado direito e, cara-a-cara com o goleiro, chutou firme e Jaramillo realizou grande defesa. Na marca de 30 minutos, resposta do Equador: Montaño chutou de fora da área, a bola teve leve desvio na marcação brasileira, encobriu o goleiro Aleksander e carimbou o travessão. Susto maior viria dois minutos depois quando o mesmo Montaño foi lançado, arrancou livre de marcação, driblou Aleksander, perdeu o ângulo, retornou com a bola dominada e chutou com força, para fora.

Após essas duas chances que iriam render o segundo empate concedido consecutivamente (o Brasil já havia permitido a igualdade à Bolívia na rodada passada), parece que os comandados de Ney Franco deram uma acordada no jogo. Aos 33 minutos, Diego Maurício, um dos jogadores mais apagados da seleção brasileira, arrancou pela esquerda e soltou chute cruzado, que passou não muito longe da trave esquerda. Dois minutos mais tarde, Willian José - que entrou no segundo tempo no lugar de Zé Eduardo -, deu chute forte de perto da meia-lua e mandou a bola pertinho da trave esquerda. A seleção equatoriana tentou estabelecer uma pressão e chegou a colocar a sufocar a defesa do Brasil aos 40 minutos, mas a última chance de gol foi brasileira: aos 47 minutos, Diego Maurício fez jogada individual pela esquerda, chutou rasteiro e Jaramillo rebateu. Impedido, Willian José cabeceou no travessão.

Creio que o time considerado titular por Ney Franco irá jogar muito mais do que isso no hexagonal que se aproxima. Digo isso porque confio no potencial desses jogadores e também porque trata-se de uma necessidade da equipe, pois com essa performance vista com o Equador, a vaga nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, estará em risco.