Mostrando postagens com marcador Cruzeiro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cruzeiro. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Porcaria No Parque

O estádio palmeirense recebeu grande público no jogo de ida pelas quartas-de-final na Copa do Brasil 2017, sendo palco de uma bela partida nessa noite de quarta-feira.

Então por que "Porcaria No Parque"?, alguém poderia indagar. Estimado leitor e estimada leitora, depende do que você atribui à palavra "porcaria". Reconhecendo os porcos como animais inteligentes, sensíveis e brincalhões, esse termo contempla a desenvoltura do futebol apresentado pelos comandados de Cuca. Um time alegre, envolvente, que busca o gol coletivamente. Porcos, por sinal, são seres altamente sociáveis.

Porém, o futebol não tem compromisso com a justiça (assim como muitos humanos também não têm, afinal, bastante gente submete porcos a uma vida miserável simplesmente para convertê-los em pedaços de lingüiça, salame, presunto, mortadela...). E o placar do primeiro tempo sentenciava 3a0 para o Cruzeiro, que chegou aos gols em três ótimas tramas, nas suas três finalizações até então. Um duro golpe aos donos da casa, que criavam chances mas não tinham a mesma felicidade no momento de concluir. Mas, ao contrário da sentença de morte nos matadouros - o Brasil mata oficialmente um porco a cada segundo - o futebol permite uma volta por cima. Viria o segundo tempo.

Teve comentarista esportivo que, no intervalo, comparou a atuação do Palmeiras diante do Cruzeiro com a do Brasil diante da Alemanha na fatídica semifinal de 2014. Péssima comparação. Se naquela ocasião a seleção de Felipão levou um baile de bola da equipe de Löw, dessa vez o que se via era uma partida equilibrada, apesar do placar elástico. E tanto o equilíbrio quanto a elasticidade foram rompidos no segundo tempo: o Palmeiras passou a dominar o jogo e o resultado foi refletindo essa predominância.

No final, um 3a3 construído com belo futebol. Uma porcaria de atuação. Infelizmente, durante os 90 minutos em que se disputou essa partida, esse país matou aproximadamente 5400 suínos. Todos inocentes. Todos sencientes. É o 7a1 que não vira notícia nos meios de comunicação. Que não possui apelo popular. E então, é a minha vez de perguntar: como pedir paz no esporte se nos alimentamos diariamente de violência?
Porco: símbolo do Palmeiras, vítima da indústria alimentícia. Imagem disponível em pesquisa no Bing.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Campeonato Brasileiro 2014: E O Cruzeiro Sobrou...

Encerrada mais uma edição de Campeonato Brasileiro. Olhando a tabela de classificação, encontramos pelo menos duas informações que chamam atenção. A primeira: como sobrou o líder e campeão Cruzeiro. Equipe que mais venceu (24 vezes em 38 rodadas), que menos perdeu (apenas meia dúzia de derrotas) e que ficou dez pontos acima do vice-líder e vice-campeão São Paulo. A pontuação cruzeirense foi o dobro da palmeirense, que terminou em 16º lugar com 40 pontos. E é exatamente essa a segunda informação que chama atenção na tabela de classificação: a baixa pontuação do décimo sexto colocado. Matemáticos sentenciavam que para escapar do rebaixamento fossem necessários 45 pontos. Pobres matemáticos esses que acreditam que o futebol seja uma ciência exata! Esse esporte é tão imprevisível quanto a defesa do time de Dorival Júnior. E mesmo se o Palmeiras tivesse perdido na última rodada (empatou quando "precisava" vencer), Vitória e Bahia, com suas derrotas, já salvavam a pele do Porco.

Em 2014, Minas Gerais e Santa Catarina tiveram um ano especial. Cruzeiro campeão da Liga. Atlético campeão da Copa. América 5º colocado na Série B, ficando a um ponto do acesso. Acesso que coube ao catarinense Avaí, que em 2015 se junta ao Figueirense, à Chapecoense e ao Joinville, campeão da Segunda Divisão. É isso mesmo, amante do futebol: Santa Catarina é o estado com o segundo maior número de representantes na Série A do próximo ano, ficando atrás de São Paulo (os quatro "de sempre" mais a recém-promovida Ponte Preta, e na frente do Rio de Janeiro, que terá o retorno do Vasco, trocando de lugar com o recém-rebaixado Botafogo). Dessa vez, parece que o Fluminense não entrará com recurso.
Imagem: UOL.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Equipe E Jogada Da Semana

Campeonato Brasileiro voltando a engrenar (será que "pega no tranco"?) e pré-temporada na Europa reunindo grandes clubes em viagens pelo planeta bola. Não é fácil a vida do amante do futebol semanas após o encerramento de uma Copa do Mundo tão bem jogada. Bate uma saudade... Mas o fato é que tivemos muitos golaços nessa semana! Só no jogo entre Manchester United e Roma, nos Estados Unidos, foram pelo menos três: Rooney chutando no ângulo, Mata dominando e encobrindo o goleiro cheio de categoria e Pjanic de antes do meio-campo. Qualquer um desses três lances seria digno de estar aqui postado.

Mas, porém, contudo, todavia, entretanto, vamos privilegiar nesse momento um jogo oficial. Se na semana anterior mostramos o chutaço de Neto Baiano (relembre), que deu a vitória ao Sport sobre o Botafogo na Ilha do Retiro, dessa vez vamos ao Mineirão. Foi lá que o Cruzeiro atuou brilhantemente no segundo tempo, conseguindo impôr seu jogo sobre o Figueirense para construir uma goleada de 5a0. O primeiro gol após o intervalo (o segundo da equipe de Marcelo Oliveira) saiu em lance sensacional, onde o remate de Marquinhos se deu no melhor estilo "futebol virtual", tamanha arte e precisão. Os deuses do esporte devem ter apertado esquerda-cima-chute-efeito num combo de milésimos de segundo.

Ao Cruzeiro pelo futebol apresentado diante do Figueirense (sobretudo pelo segundo tempo espetacular) e ao Marquinhos pelo voleio no lance do segundo gol, ficam aqui registradas a equipe e a jogada da semana. Mais sobre essa partida, veja o tópico "Líder, Máquina De Minas Goleia Figueirense No Mineirão: 5a0".
Foto: Gualter Naves / Light Press
Cruzeiro comemora chuva de gols no Mineirão: cinco a zero diante do Figueirense e liderança absoluta no Campeonato Brasileiro 2014.

sábado, 26 de julho de 2014

Líder, Máquina De Minas Goleia Figueirense No Mineirão: 5a0

Foto: Rodrigo Clemente / EM / DA Press
O Cruzeiro mostrou-se uma máquina na noite desse sábado no estádio molhadão, digo, Mineirão. E uma máquina moderna, que não enferruja nem embaixo d'água. Foram cinco gols diante do Figueirense, sendo um no primeiro tempo (em pênalti inventado pela arbitragem) e quatro na volta do intervalo, com direito a belíssimas jogadas coletivas e um golaço de Marquinhos após chute espetacular.

Só que a máquina azul demorou para engrenar. Ensaiava um melhor funcionamento toda vez que Marquinhos era acionado no campo de ataque, mas via-se em risco nas ocasiões em que o time catarinense encaixava os contra-ataques. Em dois deles, Pablo teve duas boas situações de abrir o placar em Belo Horizonte, mas em ambos os lances demorou demais para soltar a bola (no primeiro, seu cruzamento parou no goleiro Fábio; no segundo, conseguiu passar pelos dois zagueiros adversários mas se atrapalhou no gramado aquático e perdeu o ângulo para tentar superar o goleiro cruzeirense).

O primeiro tempo dava sinais de terminar sem gols. Até porque Tiago Volpi mostrava segurança para defender mesmo aquelas bolas complicadas, que deslizam na grama molhada e costumam trair os goleiros. Só que o árbitro Gabriel Rodrigues Castro Júnior deu uma mãozinha para os donos da casa. Ou melhor, um apitinho. Ele marcou pênalti em lance normal, aliás, de simulação de Ricardo Goulart. Estilo Fred diante da Croácia na Copa, lembra? Só que nesse caso sem sequer dominar a bola. Quem se encarregou da cobrança do pênalti que não houve foi o jogador mais jovem do Cruzeiro: e Lucas Silva, vinte e um anos, caprichou. A bola tocou na trave e percorreu boa parte da linha final antes de entrar e abrir, oficial e ilegalmente, o placar em Minas Gerais, aos quarenta minutos.

Se a máquina achou o primeiro gol com ajuda do apito, voltou do vestiário usando seus próprios mecanismos para transformar a contestável vitória parcial em goleada convincente. Aos dois, Marquinhos recebeu de Goulart e mandou um voleio sensacional no canto direito. Gol daqueles para concorrer a mais bonito na competição. Três minutos depois, Dedé, que voltava a atuar após dois meses de contusão, cabeceou no canto esquerdo após ótimo cruzamento de Éverton Ribeiro em lance de bola parada. Três a zero.

Marcelo Moreno, homem mais de área do Cruzeiro, não pode reclamar das chances que lhe couberam. Foram pelo menos três situações para o atacante boliviano, que não aproveitou nenhuma e foi substituído aos vinte e quatro, dando lugar a Marlone. Dois minutos antes, Dagoberto havia entrado no lugar de Marquinhos. A máquina comandada por Marcelo Oliveira mostrava contar com ótimas peças de reposição, a ponto da gente não ter a exata certeza de o que ali é titular ou reserva. São, de fato, um elenco. E o nível de jogo do Cruzeiro subiu. O treinador do Figueirense, Argel Fucks, parecia perceber que seu time estava meio que na situação do seu sobrenome. Naquela altura, já tendo feito duas mexidas (Pablo por Everaldo e Cereceda por Felipe), montava o time buscando a solidez necessária para não levar mais gols em sua estréia no retorno ao clube.

Só que a máquina de Minas estava calibrada. Aos vinte e sete, em lindo contra-ataque, Éverton Ribeiro levantou esbanjando consciência e Ricardo Goulart mostrou uma das razões de ser o maior goleador nessa edição no torneio, aproveitando sem dar chance para o goleiro. Aos trinta e quatro, em nova descida pelo flanco direito, foi a vez de Mayke (que entrara no lugar de Ceará), cruzar para a conclusão de Dagoberto. Cinco a zero. O Figueira ainda colocou Leandro Silva no lugar de Luan. E deve ter dado graças a Deus do jogo ter terminado aos quarenta e sete. Porque só a ação do apito final para parar uma máquina que funcionava tão bem. O mesmo apito que, no primeiro tempo, a ajudou a engrenar.

Outros resultados
Santos 3a0 Chapecoense
Criciúma 1a3 Vitória

As defesas catarinenses ajudando a subir a média de gols no campeonato...

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Um Cruzeiro Para O Título Brasileiro

Desde a primeira rodada no Campeonato Brasileiro 2013, nenhuma vez a situação do líder teve contornos de hegemonia como agora, após vinte e duas jornadas disputadas. O Cruzeiro, com quarenta e nove pontos, abriu mais três em relação ao vice-líder (totalizando sete de diferença) e com a moral de ter conseguido um 3a0 no confronto direto. Se o Botafogo tem condições de tirar essa diferença e reassumir a ponta na tabela de classificação? Sem dúvidas. Estamos falando de uma liga altamente competitiva, o que confirma a possibilidade de uma reviravolta ao mesmo tempo que coloca o atual primeiro colocado numa situação bastante favorável, dada a dificuldade de se "correr atrás do prejuízo" em meio a tantos confrontos marcados pelo equilíbrio.

Se no parágrafo inicial só falou-se em Cruzeiro e Botafogo, cabe destacar que essa não é uma disputa bipolarizada entre mineiros e cariocas. Mais abaixo na tabela e ao sul no território nacional, estão Grêmio, Atlético Paranaense e Internacional, também postulantes ao título. Chances menores que os dois primeiros colocados, obviamente, mas existentes. Mas muita coisa pode acontecer, até porque nesse mês ainda temos um Inter e Cruzeiro; no próximo, um Botafogo e Grêmio. E muitos outros pontos em aberto antes, entre e depois desses jogos. O que torna ainda mais interessante o torneio de pontos corridos. Pontos altamente concorridos.

Mas, então, a vantagem do Cruzeiro é essa de sete pontos? Sim. Mas há algo mais: a regularidade da equipe comandada por Marcelo Oliveira e a eficiência ofensiva deste elenco são duas credenciais que acentuam as possibilidades de conquista. E houve um mal que veio para bem: com a eliminação relativamente precoce na Copa do Brasil (caiu para o Flamengo na fase oitavas-de-final), a Raposa guardará suas energias para um único torneio, enquanto outros adversários, como o próprio Botafogo, encontram pela frente um calendário menos generoso com descansos e treinamentos. É improvável - e até mesmo inviável - imaginar que o Alvinegro possa relegar a Copa do Brasil a segundo plano, notadamente quando tem pela frente um de seus maiores rivais, justamente o algoz do Cruzeiro na competição eliminatória.

Copa do Brasil que ainda reserva encontros entre Grêmio e Corinthians, Atlético Paranaense e Internacional, Goiás e Vasco. Perceba como de todos os cinco primeiros colocados no Brasileirão, somente o líder Cruzeiro não está dividindo esforços entre duas competições. Hoje, o pitaco mais prudente é cravar o atual vice-campeão mineiro como maior candidato ao título brasileiro. Mas mais prudente ainda talvez seja deixar rolar sem pitaquear, pois há muita água por onde navegar. Um cruzeiro para o título brasileiro.

sábado, 3 de agosto de 2013

Estamos Aqui

Vinte e um dias depois, estamos de volta com uma postagem no blógui. O usuário de longa data sabe muito bem que as publicações nessa página obedecem uma freqüência mais assídua do que as dos tempos recentes e o blogueiro pede desculpas por não vir mantendo aquela gostosa rotina de tópicos novos. Mas cá estamos e, sem mais delongas, falemos de futebol.

Tivemos Cuca, Ronaldinho e Atlético Mineiro campeões continentais, fato que acho ótimo para o futebol. Primeiramente, pelo fato de o melhor técnico brasileiro das últimas décadas estar conquistando tão relevante torneio internacional - parabéns, Cuca! Em segundo lugar, por Ronaldinho Gaúcho, maior craque brasileiro em atividade, conseguindo conciliar dedicação profissional com aquela velha e conhecida arte de jogar bola que pouquíssimos conseguem fazer como ele - parabéns, Ronaldinho! E por último, ao Clube Atlético Mineiro, mais um campeão inédito de Libertadores - parabéns, Atlético!

A saída de Abel Braga do Fluminense (Luxemburgo assumiu após cerca de um mês desempregado) é outro daqueles casos que mostram o imediatismo no futebol. Atual campeão brasileiro, Abel deixa o cargo após desapontantes participações em todos os torneios disputados em 2013. Mas o futebol do Flu é aquele de sempre... burocrático. Quando ganhava jogos e campeonatos, tava tudo certo, né, tricolores? Procurar alguém que assuma o comando técnico com uma filosofia de jogo que vá além do mísero futebol-resultado é algo que ainda não entrou na cultura esportiva tupiniquim. Digo ainda porque sou otimista e acredito que muitos Cucas ainda surgirão.

No mais, hoje assisti dois jogos. Em Londres, o ótimo amistoso pré-temporada entre Arsenal e Napoli terminou empatado em 2a2, com a mesma rede sendo estufada quatro vezes. Partida movimentada, com o Arsenal mostrando aquela qualidade de posse de bola típica de um time (muito bem) treinado por Arsène Wenger, diante de um Napoli que conservou a agilidade de contra-atacar mesmo com a troca de Walter Mazzarri por Rafa Benítez. O uruguaio Edinson Cavani provavelmente fará falta ao clube celeste, mas não é prudente duvidar da capacidade do argentino Gonzalo Higuaín. Insigne também é boa opção, mostrando oportunismo no gol inaugural. Pelo lado londrino, seria interessante a equipe buscar um nome de impacto para o setor ofensivo. Apesar do golaço de Giroud.

Ah! O outro jogo que vi hoje foi a vitória do Cruzeiro sobre o Coritiba, no reencontro do treinador Marcelo Oliveira com o Alviverde Paranaense. A partida foi relativamente equilibrada, mas o Coxa sentiu a ausência de Alex. Lincoln e Bottinelli não deram conta da armação de jogadas e o jogador mais influente no resultado acabou sendo o goleiro Vanderlei, com diversas defesas difíceis que mantiveram o 1a0 cruzeirense, em gol que saiu no início, com Luan completando cruzamento de Mayke, aos onze. Amanhã, o Botafogo pode retomar a liderança no Campeonato Brasileiro se sair vencedor no clássico com o Vasco. Outro jogo interessante na rodada é o Gre-Nal, num confronto entre os ex-jogadores Renato Gaúcho e Dunga.

Saudações futebolísticas.

sábado, 1 de junho de 2013

Botafogo Vence Cruzeiro Com Lodeiro Já Deixando Saudades

Botafogo e Cruzeiro são dois times a se prestar atenção nessa temporada 2013. Começaram muito bem nas três competições e apostam no trabalho de dois treinadores qualificados para conseguirem ficar, se não no topo, próximo a ele na campanha nesse Campeonato Brasileiro, que está no momento em sua terceira rodada de um total de trinta e oito.

Somando-se Estadual e Copa do Brasil, apenas uma derrota de cada clube até aqui (o Botafogo para o Flamengo, em partida que em nada comprometeu a Taça Guanabara, e o Cruzeiro para o Atlético, sendo determinante para o vice-campeonato). No Brasileiro, ambos vinham de uma vitória em casa e um empate na condição de visitante. Encontraram-se em Volta Redonda e quem levou a melhor foi o Botafogo: 2a1, com bela atuação no segundo tempo.

O Alvinegro, ainda misteriosamente sem poder utilizar o Engenhão (há quem diga que a Prefeitura do Rio de Janeiro está fazendo um complô contra o Glorioso), mandou seu jogo para o estádio da Cidadania. E se deu bem, mantendo os 100% de aproveitamento naquele campo na presente temporada. O primeiro tempo teve mais chances cruzeirenses, embora o Botafogo tenha até saído na frente, através de Lodeiro, aproveitando rebote de Fábio após chute de Vitinho. Mas o time visitante correu atrás e fez por merecer a igualdade, conquistada em lance onde a sorte sorriu para Anselmo Ramón: a finalização desviou em Bolívar, bateu na trave e só entrou depois de bater nas costas do goleiro Renan, que minutos atrás havia operado dois milagres seqüenciais diante do próprio Anselmo.

Após o intervalo, Oswaldo conseguiu encaixar um meio-de-campo que sentia demais a ausência de Fellype Gabriel. E acertou o posicionamento sem necessitar substituir ninguém, o que leva a crer que a conversa no vestiário tenha sido boa. Num lance pela direita, Nílton cometeu pênalti em Lucas - Lodeiro cobrou mal, mas estufou a rede, desempatando a partida e indo para a Copa das Confederações representar o Uruguai com a sensação de dever cumprido. Por falar em Copa das Confederações, Botafogo e Cruzeiro têm mais dois compromissos antes da pausa para o torneio internacional. O Alvinegro de General Severiano jogará fora de casa diante de Bahia (quarta) e Ponte Preta (sábado), enquanto a Raposa receberá, nas mesmas respectivas datas, o Corinthians e o Internacional.

Qualquer pitaco a essa altura é prematuro, notadamente levando-se em consideração a possibilidade de negociação de jogadores, o que acaba modificando elencos e prognósticos. Mas são dois times que tendem a ficar na parte de cima da tabela. O Botafogo aparenta um melhor entrosamento, até porque seu time joga junto há mais tempo que o do Cruzeiro. Ambos os treinadores de sobrenome Oliveira - o botafoguense Oswaldo e o cruzeirense Marcelo - certamente saberão usar o período sem jogos oficiais para aperfeiçoar determinadas situações em seus times. Talvez a mais urgente, para o Cruzeiro, seja fortalecer o jogo pelos flancos. Para o Botafogo, resolver as pendências salariais e a questão do estádio. Embora, diga-se, o elenco esteja sendo altamente profissional e o time venha se saindo bem atuando em Volta Redonda. É mais por uma questão de justiça e logística mesmo.

domingo, 16 de setembro de 2012

Pouco Inspirados, Cruzeiro E Vasco Apenas Empatam

Cruzeiro e Vasco empataram em Varginha, pela 25ª rodada no Campeonato Brasileiro 2012. A torcida cruzeirense, insatisfeita, entoou nos últimos minutos de jogo os dizeres "Adeus, Roth". Já os vascaínos, que recentemente testemunharam uma troca de treinador (Marcelo Oliveira assumiu após a saída de Cristóvão Borges), comemoram um ponto conquistado fora de casa mas lamentam o fato de não terem conseguido uma vitória que esteve mais perto de si que do adversário.

Se para o Cruzeiro o duelo poderia ser visto como um confronto direto por vaga na Libertadores-2013, a equipe celeste perdeu a oportunidade de se aproximar do G4, mantendo-se a oito pontos do Vasco, quarto colocado. Vasco que, devido às derrotas de Fluminense e Atlético Mineiro, termina a rodada um ponto mais próximo ao topo da tabela (está a dez pontos do Tricolor Carioca e a oito do Galo, que tem um jogo a menos).

Pelo futebol apresentado, acho pouco provável que o Cruzeiro consiga arrancar em direção à Libertadores e o Vasco ao título, faltando treze rodadas para o encerramento do campeonato. No próximo domingo, às quatro da tarde, Cruzeiro e Vasco atuarão no mesmo estado, quando visitarão, respectivamente, o São Paulo e a Ponte Preta.

O jogo

As coisas começaram dando certo para os cruzeirenses, que abriram o placar aos três minutos em lance onde Renato Silva cabeceou para a própria rede numa tentativa de cortar o cruzamento de Éverton. Aos oito, Wallyson quase ampliou, parando em defesa de Fernando Prass.

Só que o Vasco conseguiu chegar ao empate: aos vinte e sete minutos, Juninho Pernambucano cobrou falta para a área, Fábio deu um soco na bola incapaz de afastar o perigo e Nilton aproveitou o rebote. 1a1 no placar.

A maior chance de desempate antes do intervalo foi dos visitantes, com o equatoriano Carlos Tenório cabeceando bem e Fábio intervindo de maneira ainda melhor, fazendo difícil defesa. No segundo tempo, Tenório teve nova oportunidade e desperdiçou de forma incrível: após driblar Fábio, chutou torto, para fora. Aos quinze, o Cruzeiro respondeu com Wellington Paulista, outro a parar em grande defesa de Prass.

O Vasco tinha mais volume de jogo, mas eram escassas as tramas de jogadas que envolvessem o sistema defensivo oponente, fato que justificou a persistência do empate até o apito final. Aos trinta e oito, um lance que faço questão de comentar: após tentativa de lançamento do argentino Walter Montillo, Prass dominou a bola no peito para somente depois pegar com as mãos. Um pouco de arte num jogo de pouquíssima inspiração. Mas eis que Wellington Paulista foi reclamar acintosamente com o goleiro adversário, provavelmente alegando que aquilo tenha sido algum tipo de provocação. Ora, Wellington, provocação é maltratar a bola - provocação com quem quer ver um jogo bem jogado. Cuide mais do seu relacionamento com a redonda antes de se indignar tão gratuita e inoportunamente.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Seedorf Dá Show E Estrela Solitária Brilha Em Minas

A 22ª rodada do Campeonato Brasileiro 2012 provavelmente ficará marcada por uma das maiores atuações individuais até o momento na competição. Bastante desfalcado e atravessando momento nada empolgante na temporada, o Botafogo foi até Minas Gerais enfrentar um Cruzeiro que se mostrava em ascensão. Resultado: show de Clarence Seedorf e vitória de virada do Alvinegro.

O Botafogo começou a partida no ataque, com a parceria entre Andrezinho e Seedorf conduzindo o meio-campo para o ataque, muitas das vezes prensando a defesa cruzeirense. Mas quem abriu o placar foram os donos da casa: após lançamento nas costas de um Fábio Ferreira absolutamente fora do tempo de bola, Borges chutou, Renan rebateu e Tinga marcou no rebote, da meia-lua, livre de marcação. 1a0 Cruzeiro, aos dezenove minutos.

Mas a reação botafoguense viria ainda no primeiro tempo, com dois gols do craque holandês num intervalo de dois minutos. Aos trinta e quatro, um golaço: Fellype Gabriel lançou no espaço vazio e Seedorf se projetou no tempo exato para finalizar de primeira, mostrando precisão tanto na leitura do lance quanto no remate em gol. Obra-prima digna dos grandes camisas dez - como é o caso de Clarence.

No minuto seguinte, a virada: após bola lançada, Fellype Gabriel dominou mal e Seedorf, novamente estupendo na capacidade de antever a jogada, partiu para pegar de primeira na bola, mandando rasteiro entre o goleiro Fábio e a trave direita. Gol típico dos astutos centroavantes - que não é o ofício de Clarence, mas que ele pode muito bem desempenhar.

Veio o segundo tempo e com ele o blogueiro passou a revezar um pouco a transmissão da partida com a do debate para a prefeitura no Rio de Janeiro. E enquanto Marcelo Freixo se mostrava o mais bem preparado dos debatedores para ser prefeito, Seedorf continuava perfeito: aos dez minutos, a fera nascida no Suriname partiu em velocidade com uma explosão formidável, recolheu a bola já deixando Leandro Guerreiro para trás e deu assistência primorosa para Jádson, que driblou Fábio e mandou para a rede. 3a1 Botafogo e festa da minoria no estádio Independência. Uma minoria feliz da vida, pois nada ali foi maior do que a atuação de Clarence Clyde Seedorf.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Cruzeiro Vira Após "Apagão" Alvinegro No 2º Tempo

O Botafogo recebeu o Cruzeiro no estádio Engenhão para conservar a liderança no Campeonato Brasileiro, fez ótimo primeiro tempo, abriu 2a0 na etapa complementar mas acabou frustrando a pequena torcida que compareceu ao estádio na chuvosa noite de quinta-feira, pois a equipe da casa levou a virada após ter uma flagrante queda de rendimento no jogo.

Oswaldo de Oliveira montou um time leve, usando elementos de boa velocidade para ocupar os lugares dos desfalques da equipe para a partida. O meio-campo com Jádson, Renato, Maicosuel, Andrezinho e Vítor Júnior tinha bastante fluidez e a todo momento conseguia fazer a bola chegar em Herrera. O quarteto de volantes escalado por Celso Roth era envolvido pela rapidez alvinegra e o que se via era um rodízio de faltas cometidas e uma omissão do árbitro gaúcho Fabrício Neves Corrêa, de péssima performance do ponto de vista técnico e disciplinar, apitando o jogo distante do lance da bola e sem o menor critério para marcação de faltas e distribuição de cartões. Ou seja, trágico.

Aos vinte minutos, Vítor Júnior cobrou escanteio pela direita e Amaral, um dos volantes de Roth, cabeceou contra a própria meta, abrindo o placar no Rio de Janeiro. E o jogo só foi para o intervalo com a manutenção do 1a0 porque o Botafogo não aproveitou outras oportunidades de gol, já que a todo momento conseguia rondar a área cruzeirense.

Veio o segundo tempo e com ele uma mudança no panorama de partida. O Cruzeiro melhorou, conseguiu encaixar melhor o seu jogo e a fera Montillo passou a se destacar em campo. O jovem goleiro botafoguense Milton Raphael mostrava segurança quando exigido, o que deve ser valorizado não apenas pelo fato de este ser o 3º goleiro alvinegro (Jéfferson está com a seleção brasileira e Renan, machucado), mas também porque o gramado úmido torna-se traiçoeiro nos remates que chegam quicando. Aos 24 minutos, o Botafogo saiu rapidamente em contra-ataque, com Renato passando para Vítor Júnior e este servindo Herrera, que arrancou e chutou colocado, marcando 2a0 e proporcionando alegria aos botafoguenses.

Só que um jogo que tinha tudo para terminar em vitória foi se complicando em curto intervalo de tempo: justo no momento em que o Cruzeiro mais precisava se expôr, o Botafogo menos soube trabalhar a bola e tirar proveitos dos espaços deixados na defesa. E a pressão cruzeirense era forte: Fabinho acertou a trave, Milton Raphael salvou finalização de Anselmo Ramón e, finalmente, aos 28 minutos o time mineiro conseguiu marcar, através de Anselmo Ramón, de cabeça, aproveitando cruzamento de Mateus. Já no minuto seguinte, foi a vez de Anselmo Ramón cruzar e Éverton mandar pra rede, empatando o jogo.

A torcida cruzeirense presente no setor Sul do estádio fazia a festa e o Botafogo ia mergulhando na apatia de quem sentia o golpe de ceder o empate tão repentinamente. E a virada acabou acontecendo: aos trinta e três minutos, foi marcado pênalti na dividida do goleiro Milton Raphael com Montillo. Wellington Paulista foi pra bola e marcou o terceiro dos visitantes, sendo discreto na comemoração em respeito a um clube pelo qual conserva carinho.

O Alvinegro se mandou ao ataque para tentar o empate, mas naquela altura seu futebol já não era tão envolvente quanto o do primeiro tempo, facilitando o trabalho do sistema defensivo cruzeirense que, mesmo assim, levou alguns sustos.

O Cruzeiro, que entre 2010 e 2011 "aprendeu" a jogar de maneira ofensiva quando agraciado pela presença do técnico Cuca na Toca da Raposa, mostrou-se muito melhor quando Roth "soltou" o time, colocando Éverton, Fabinho e Anselmo Ramón em campo. Resta saber se o treinador atual, conhecido por curtir uma retranca, irá manter-se fiel a um time carregado de volantes ou se tentará reestabelecer no Cruzeiro aquela que parece ser a aptidão de um time que virou o jogo quando passou a focar mais no ataque que na defesa. Já o Botafogo de Oswaldo, se repetisse a performance vista no primeiro tempo, provavelmente estaria, nesse exato momento, na liderança da competição.

domingo, 30 de outubro de 2011

Botafogo Volta A (Con)Vencer E Reacende Esperança De Título

O Botafogo deixou para trás as recentes três derrotas consecutivas na temporada (no Brasileiro para Santos e Avaí, na Sul-Americana para Santa Fé), reencontrou as vitórias superando o Cruzeiro no estádio Engenhão e animou sua torcida, que viu uma boa atuação de um time que, na maior parte do tempo, ditou o ritmo dos acontecimentos. O gol foi marcado pelo atacante uruguaio Sebastián "El Loco" Abreu, que ao final da partida criticou o estado do gramado - das arquibancadas já era perceptível que o campo de jogo estava longe das condições ideais para a prática futebolística, que o diga quem pisava naquela superfície.

O jogo

O domínio territorial botafoguense foi flagrante, mas a correta marcação cruzeirense dificultava uma aproximação alvinegra da meta defendida pelo goleiro Fábio. Focado na defesa, o time mineiro conseguia conter as investidas dos donos da casa mas não oferecia perigo nos contra-ataques, até porque a bola costumava chegar até o meia argentino Walter Montillo mais quadrada do que redonda. As chances de gol no primeiro tempo foram pelo menos três, todas do Glorioso. O atacante argentino Germán Herrera teve duas passando por seus pés, mas foi infeliz em ambas as conclusões: na segunda delas, enganando este blogueiro e muitos outros torcedores, que viram a bola na rede mas somente depois foram verificar que a o contato deu-se pelo lado externo. Uma outra chance alvinegra deu-se em lance para lá de polêmico, quando uma bola chutada para trás só não terminou em épico gol contra porque Fábio agarrou com as mãos. Recuo intencional? Vai saber... O fato é que o Cruzeiro salvou-se mais uma vez, no meio de tanta pressão do Botafogo.

No segundo tempo, a pressão se intensificou e o gol finalmente aconteceu aos nove minutos: Elkeson cruzou a partir do lado esquerdo e "Loco" Abreu cabeceou como manda o figurino. 1a0 Botafogo. A até então apreensiva torcida local passou a se soltar nas arquibancadas e a cantar alto, empurrando o time ao ataque. O lateral-direito Alessandro teve atuação destacada tanto no apoio quanto na marcação e foi ovacionado pela massa quando esticou a perna e interviu para impedir uma clara chance de empate celeste. "Ah! É Alessandro!" foi ouvido vigorosamente no setor Leste Inferior. O Cruzeiro até conseguiu aumentar o volume de jogo, mas toda bola que chegava ao gol era defendida pelo goleiro Jéfferson, sempre esbanjando segurança e dando sua contribuição no resultado.

A empreitada cruzeirense anti-rebaixamento terá um novo capítulo no estádio Engenhão, dessa vez diante do Flamengo, dia seis de novembro. E por falar em Engenhão, é aí mesmo que, no dia anterior, o Botafogo recebe o Figueirense, em mais um passo na caminhada rumo ao título brasileiro. Que, até lá, alguma providência seja tomada em relação ao desgastado gramado.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Fases Se Confirmam: Fla Vence Outra E Zeiro Perde Novamente

Nem parecia que no passado recente o Cruzeiro acumulara 6 vitórias consecutivas em partidas com o Flamengo. Em plena Arena do Jacaré, o time da casa foi por diversas vezes envolvido pelo qualificado toque de bola rubronegro e acabou sendo derrotado diante de quase 15.000 pagantes, na segunda derrota cruzeirense dentro de casa nesse Campeonato Brasileiro (a primeira e até então única havia acontecido na rodada passada, quando foi superado pelo Botafogo também por 1a0). O Flamengo, que em 2011 não perdeu uma única partida na condição de visitante, segue como a única equipe invicta na competição e encontra-se atrás somente do Corinthians (que lidera com um ponto de frente e um jogo em débito).

O jogo

O primeiro tempo de partida mostrou claramente uma grande diferença entre os times comandados por Joel Santana e Vanderlei Luxemburgo: enquanto a equipe montada por Joel atuava quase que exclusivamente no farto talento do meia argentino Walter Montillo para criar chances, o time de Luxemburgo mostrava um jogo coletivo muito bem entrosado, esbanjando trocas de passes que utilizavam muito mais do que Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves, mas também figuras como o argentino Darío Bottinelli, além de Renato Abreu, Leonardo Moura e Júnior César.

Os melhores remates nos primeiros 45 minutos de partida aconteceram de fora da área. Diego Renan, aos 17 minutos, chutou uma bola que foi reta e passou perto do ângulo direito. Aos 31', Renato cobrou falta de longa distância e o chute forte só não estufou a rede porque Fábio interviu com uma bonita defesa. Mas o melhor mesmo ficou guardado para os acréscimos da primeira etapa: aos 46, Leonardo Moura acionou Thiago Neves pela direita e este passou de lado para Ronaldinho. O camisa 10 escapou rapidamente da marcação e imediatamente serviu Deivid, numa espécie de "agora é contigo, centroavante". Dominando a bola já ajeitando pro chute, o camisa 9 fez o que se esperava de alguém que atue naquela função e não vacilou, abrindo o placar em Sete Lagoas.

Veio o segundo tempo e o time da casa cresceu de rendimento - não que o jogo coletivo da equipe celeste tenha evoluído tanto assim, mas principalmente porque passou a aparecer de forma mais contundente o talento individual de Montillo. As entradas dos atacantes Ortigoza e Sebá (aos 20 minutos, nos lugares de Éverton e Reis) aumentaram o poder de penetração dos donos da casa, que seguiam contando prioritariamente com a habilidade e visão de jogo de seu camisa 10 para causar tumulto na defesa adversária. Luxa reagiu explicitando medo, trocando Deivid pelo chileno Gonzalo Fierro, depois Bottinelli por Luiz Philipe e mais tarde Léo Moura por Jean (o lateral-direito saiu por motivos clínicos). Se por um lado o Cruzeiro partiu em busca do empate e até carimbou o travessão perto do final do jogo (Montillo cobrou falta e quase fez), o Flamengo poderia muito bem ter saído de campo com um resultado mais dilatado, tendo inclusive um contra-ataque erradamente anulado pela arbitragem, que deu impedimento de Ronaldinho onde a posição era regular. Na maior das chances, Fierro chutou firme aos 40 minutos e a bola carimbou as duas traves (primeiro a esquerda e depois a direita) antes de ser afastada pela defesa cruzeirense.

sábado, 4 de junho de 2011

Fluminense Vence Mas Não Convence

Fluminense e Cruzeiro jogaram num frio e chuvoso estádio do Engenhão para um público de pouco mais de 6.000 espectadores presentes nas arquibancadas. Embora a equipe visitante tenha feito uma partida de maior qualidade que os donos da casa, foi o Tricolor das Laranjeiras quem acabou conseguindo os três pontos: com dois gols do atacante Rafael Moura, o time dirigido por Leomir, auxiliar de Abel Braga, venceu a partida por 2a1. O Fluminense, que havia estreado com derrota, chega a sua segunda vitória na competição enquanto o Cruzeiro soma somente um ponto nessas 3 rodadas.

O jogo

A caminho do estádio - cheguei com bola rolando basicamente devido a um atraso no serviço ferroviário - ouvia pela transmissão radialista que o Fluminense atacava no início de jogo. Do lado de fora, dava para ouvir alguns gritos típicos de quando a jogada passava perto de terminar em gol. Porém, tão logo tive a oportunidade de pôr os olhos no gramado, o que vi foi um Cruzeiro amplamente dominante, conduzido pelo meio-campista Leandro Guerreiro, de longe o melhor jogador em campo.

A bem da verdade, a superioridade cruzeirense - que fazia parecer que o clube mineiro jogava dentro de casa - não chegou a se refletir numa pressão arrebatadora, até porque o Fluminense conseguia afastar o perigo que rondava a sua meta revezando bicões para onde o nariz apontava e pontapés nos adversários (um dos mais desleais foi o cometido por Mariano, que rendeu cartão amarelo ao lateral). E, num lance de bola parada, quiseram os deuses do futebol que a equipe que menos jogava e mais batia abrisse a contagem: foi nos instantes finais do primeiro tempo que Rafael Moura, vulgo "He-Man", mostrou ter a força quando o assunto é cabeceio, mandando pro fundo da rede após levantamento de Deco.

O Cruzeiro voltou do intervalo com duas caras novas: entraram os atacantes Brandão e Anselmo nos lugares de Éverton e Thiago Ribeiro. Gilberto passou a atuar mais aberto pelo flanco esquerdo, mas a apagada atuação desse bom jogador comprometeu a armação de jogadas cruzeirenses, que dependia basicamente de Leandro Guerreiro e do craque argentino Montillo para elaborar jogadas ao trio de frente, que contava com um Wallyson também longe dos seus melhores dias.

Premiado pela postura ofensiva, o Cruzeiro chegou ao empate aos 21 minutos. Após bela troca de passes em velocidade em contra-ataque iniciado por Brandão, Wallyson tocou para Anselmo completar para o gol. 1a1 e festa dos torcedores presentes no setor Norte do estádio.

O gol que reestabelecia a igualdade no placar poderia ser aquela injeção de ânimo que conduziria o Cruzeiro à virada no Rio de Janeiro. Poderia. O que na prática ocorreu foi um Fluminense mais determinado em voltar à frente no marcador. E não demorou a conseguir: aos 26 minutos, um erro de marcação permitiu que Rafael Moura recebesse em liberdade um passe de Valência e chutasse cruzado, marcando seu 2º gol no jogo e igualando-se ao companheiro Fred como goleador tricolor na presente temporada (Fred não atuou pois estava servindo a seleção brasileira, que mais cedo empatou sem gol com a Holanda, em amistoso em Goiânia).

Aos 37 minutos, Deco cobrou uma falta que descaiu e carimbou a parte superior do travessão. As trocas de Darío Conca por Souza, de Rodriguinho por Araújo e de Rafael Moura por Marquinho apontavam qual era a intenção do Fluminense para os minutos finais: povoar o meio-campo com elementos de maior poder de marcação e segurar o resultado do jeito que fosse possível. Embora não fosse o plano tricolor, a partida teve mais emoções nos acréscimos: após lance de bola parada, o Cruzeiro por muito pouco não chegou ao empate após bate-rebate na área do Fluminense. No contra-ataque, quase saiu o que seria o 3º gol do Flu, mas o goleiro Rafael (substituindo Fábio, que estava com a seleção brasileira) conseguiu intervir. Abaixo, vídeo exclusivo dos instantes finais da partida, com uma chance clara de gol para cada lado.

Da próxima vez, pensarei com mais cuidado se ir de trem é a melhor opção. E, em condições climatológicas semelhantes, levarei casaco e guarda-chuva.

Outros resultados

Palmeiras 1a0 Atlético Paranaense
Ceará 2a2 Botafogo
Figueirense 2a0 Atlético Goianiense

As 3ª rodada se completa com 5 jogos no domingo e 1 na quarta-feira.

domingo, 15 de maio de 2011

Parceria Cuca-Cruzeiro Conquista Título Mineiro

Ficou em boas mãos o título estadual de Minas Gerais 2011. Detentor de uma campanha vitoriosa - recheada de goleadas - e exibidor de um futebol elogiado dentro e fora do território mineiro, o Cruzeiro Esporte Clube sagrou-se campeão estadual pela 36ª vez na história após vencer o Atlético por 2a0 num estádio Arena do Jacaré absolutamente tomado pela torcida cruzeirense. O merecido triunfo dá um certo alívio na dor pela surpreendente eliminação na fase oitavas-de-final da Copa Libertadores e renova as esperanças para o que pode ser um ótimo Campeonato Brasileiro aos comandados de Cuca, atuais vice-campeões da competição.

O jogo

Abrindo mão de laterais de origem e escalando um time com boa saída de bola, Cuca convidou sua equipe a fazer aquilo que é marca registrada desse excelente técnico: atacar o adversário. Mesmo desfalcado pelo suspenso Montillo (expulso de maneira polêmica no jogo de ida), o setor de criação cruzeirense dava conta do recado com as boas participações de Gilberto e Roger, além das movimentações de Wallyson e Thiago Ribeiro, fomando um quarteto ofensivo que por diversas vezes envolveu a defesa atleticana. Serve de exemplo um lance aos dois minutos de partida: Gil recuperou a posse de bola e iniciou o contra-ataque tocando para Gilberto. O jogador passou para Thiago Ribeiro, que deu para Wallyson. Na disputa no interior da área, Wallyson caiu e a bola foi recolhida por Thiago Ribeiro, que cruzou da esquerda mas ninguém surgiu para completar. Faltou citar o nome de Roger, né? Aos 22 minutos, Thiago Ribeiro alçou a bola da direita, Serginho não fez a interceptação, Roger acreditou no lance e completou, mas o goleiro Renan Ribeiro estava ligado e praticou a defesa.

A boa partida que faziam os "donos da casa" (entre aspas porque o campo em Sete Lagoas é de uso de ambos os clubes, mas nessa segunda partida decisiva o público de 17.384 pagantes era inteiramente alvi-celeste) era também por méritos defensivos, já que Leandro Guerreiro, Victorino e Gil conseguiam levar vantagem em grande parte dos lances em que eram exigidos. Este último merece destaque por uma participação aos 32 minutos, quando travou o atacante Magno Alves no momento exato para evitar que o remate seguisse em direção ao gol, comemorando a intervenção em favor de sua equipe. As escapadas do Atlético eram, basicamente, na velocidade de contra-ataques buscando Magno Alves, que ficava no limite da linha de impedimento e causava dificuldades ao auxiliar encarregado de acompanhar essas investidas atleticanas (inclusive cometendo pelo menos um erro ao marcar uma posição irregular quando esta era legal).

Dominado pelo adversário, Dorival Júnior decidiu trazer o Atlético modificado para o segundo tempo e realizou duas trocas de jogadores no intervalo: Renan Oliveira por Cláudio Leleu (que deu novo ânimo ao ataque alvinegro) e Mancini (inoperante e explicitando nervosismo) por Richarlyson. O Cruzeiro de Cuca retornou idêntico e seguia buscando o gol necessário para o título mineiro. Aos 11 minutos, Thiago Ribeiro rolou achando Roger na área e o meia chutou cruzado, mandando pertinho da trave direita. E com 13 minutos Dorival já gastaria sua última substituição: Guilherme Santos por Bernard.

Quando o relógio apontava 18 minutos no segundo tempo, o Cruzeiro, que já era ofensivo, ganhou mais um atacante com a entrada de André Dias no lugar de Éverton. Porém, quem levaria grande perigo seria o Galo: aos 21', Leandro Guerreiro presenteou Magno Alves ao sair jogando com um passe errado, o atacante avançou, chutou e Fábio conseguiu chegar na bola para defender, com dificuldades. Aos 24 minutos, André Dias teve grande chance de abrir o placar: recebeu de Thiago Ribeiro e chutou, mas sendo abafado pelo goleiro Renan Ribeiro. Por falar em goleiro, no minuto seguinte o cruzeirense Fábio teve participação sensacional: deixou a área para atuar como um líbero e não apenas fez a intervenção providencial como ainda driblou um adversário antes de sair jogando com a maior naturalidade.

Aos 27 minutos, Fabrício foi colocado no lugar de Henrique para aquela que era a segunda substituição de Cuca no jogo. O 0a0 não interessava ao Cruzeiro e por muito pouco a situação não ficou ainda pior para a Raposa: aos 28 minutos, Magno Alves foi novamente acionado numa daquelas enfiadas de bola entre os defensores cruzeirenses. Em posição legal e totalmente livre de marcação, Magno avançou, ficou de frente com Fábio, preparou o corte pro lado direito e... o goleiro cruzeirense agiu espetacularmente para desarmar o atacante com um tapa na bola. Anotem, naquele momento o Cruzeiro fazia 1a0 sem saber.

Então, na marca de 30 minutos no segundo tempo em Sete Lagoas, o placar foi finalmente inaugurado. Inaugurado pelo time que mais buscava o ataque. Inaugurado por um jogador que buscava o jogo e não poupava esforços de atuar pelo coletivo. Inaugurado pelo Cruzeiro. Inaugurado por Wallyson. Inaugurado em jogada onde o atacante recebeu pelo lado esquerdo, encarando e ao mesmo tempo escapando da marcação de Serginho até chutar rasteiro, na paralela, colocando a bola no canto direito. Estava inaugurada uma festa generalizada nas arquibancadas.

Com 33 minutos, Cuca realizou a última mexida: saiu Roger, que deixou o campo celebrando com companheiros e torcedores, e entrou o zagueiro Léo. O Cruzeiro recuava, certo? Errado. O Cruzeiro seguia buscando atacar o adversário. Aos 35 minutos, Wallyson só não marcou o 2º gol em chute firme e no alto pelo lado direito porque Renan Ribeiro fez grande defesa para escanteio. Aos 36 foi a vez de Leandro Guerreiro se apresentar no ataque e, perto da linha-de-fundo pelo lado direito, chutar ao gol e parar em nova espalmada de Renan.

Dos 40 minutos até o início dos acréscimos do áribtro Wilson Luiz Seneme, problemas na transmissão do sinal fizeram com que esse blogueiro ficasse sem notícias do que acontecia dentro das quatro linhas. Triste, né? Mas quem estava feliz da vida era o torcedor cruzeirense, principalmente o que acompanhava o jogo sem ser pelo PFC: é que, nesse meio-tempo, Gilberto cobraria falta para fazer 2a0 e decretar o título estadual. Foi aguardar o apito final (além, é claro, da volta do sinal) e ver a massa cruzeirense festejando o caneco. Antes disso, Roger ainda aprontou mais uma de suas estripulias: resolveu deixar o banco de suplentes e, com a camisa amarrada em punho e sacodida acima da cabeça, deu uma "volta olímpica antecipada" para festejar com a eufórica torcida que lotava as arquibancadas. Tudo bem, Roger. Dessa vez a sua conduta e a conseqüente expulsão não prejudicaram a equipe...
Elenco celebra erguendo o técnico Cuca às alturas: melhor futebol do Brasil conquista merecido título estadual e ratifica o grande trabalho do comandante.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

No Meio Do Caminho Tinha O Once Caldas

Os amantes do futebol arte experienciaram sensações opostas de terça para quarta-feira. Primeiro, a deliciosa classificação barcelonista para a final da Liga dos Campeões da Europa. Depois, a amarga eliminação cruzeirense na fase oitavas-de-final da Copa Libertadores da América.

O surpreendente adeus do Cruzeiro a uma competição onde a equipe mineira encantou pela belíssima performance apresentada até então pode, talvez, ser explicada através de um paralelo com o Barcelona. Enquanto os comandados de Josep Guardiola conseguiram seguir fiéis ao estilo de jogo baseado num toque de bola apurado e que deixa o adversário na roda - o suficiente para administrar a vantagem diante do forte Real Madrid -, o time comandado por Cuca acabou não conseguindo emplacar uma atuação à altura das exibidas anteriormente, deixando-se dominar por um adversário valente, qualificado, ofensivo e determinado chamado Once Caldas.

Mas até que ponto era vontade do Cruzeiro "permitir" a superioridade do time colombiano em pleno estádio Joaquim Henrique Nogueira? Ponto nenhum. Seguindo o parelelo com o Barça, podemos comparar os desempenhos dos dois jogadores que talvez mais se destacam nessas equipes: enquanto Lionel Messi fez novamente uma grande partida tanto no aspecto técnico quanto no tático e no disciplinar, Roger Flores foi comprometedor em sua "participação" pelo Zeiro. Não bastasse a inoperância com a bola nos pés, o meia cruzeirense foi expulso de campo de forma estúpida, aos trinta minutos de jogo. Com a partida ainda em andamento e com um resultado que classificava o Cruzeiro, este blogueiro que vos digita já defendia uma punição exemplar ao jogador, incluindo uma rescisão contratual: dar um carrinho por trás no meio do campo quando já se tem um cartão amarelo é falta de compromisso com o grupo, é falta de profissionalismo. Entendem por que jogadores do talento de Roger não alcançam vôos maiores na carreira e por que craques como Messi são eternizados na história do futebol?

Prosseguindo no paralelo que classificou o Barcelona e eliminou o Cruzeiro, vamos falar dos times adversários. O Real Madrid, embora mais ofensivo do que no patético jogo de ida (quando atuou com 3 volantes e terminou o jogo sem um único centroavante de ofício), não chegou nem perto do futebol apresentado pelo Once Caldas na noite de quarta-feira. Impulsionado pela exibição de altíssimo nível de Wason Libardo Rentería Cuesta, atacante de 25 anos e que teve passagem de relativo destaque pelo Internacional (onde atuou entre 2005 e 2006), o time dirigido por Juan Carlos Osorio Arbeláez manteve-se focado no ataque e a todo momento buscava aproximar a bola da baliza adversária. As aparições de Wason Rentería nas costas do lateral-direito Pablo proporcionavam boas chances ao ousado time visitante, que tinha também em Dayro Mauricio Moreno Galindo, outro atacante de 25 anos, uma boa alternativa para as jogadas de ataque.

Veja como são as coisas: a fórmula encontrada pelo Once Caldas para "parar" o Cruzeiro não foi através de um jogo defensivo e que anulasse os elementos criativos celestes, mas exatamente o contrário. Foi valorizando o talento presente no elenco da equipe visitante que o clube campeão continental em 2004 conseguiu desenvolver seu jogo e arrancar para uma classificação heróica, tendo-se em vista que a equipe perdeu o jogo de ida dentro de casa por 2a1 e enfrentava ninguém menos do que o time de melhor campanha na fase de grupos.

Os gols saíram no segundo tempo. Primeiro com Diego Armando Amaya Solano, defensor de 25 anos de idade que aos 21 minutos cabeceou no ângulo esquerdo, aproveitando escanteio e superando o ótimo goleiro Fábio. Aos 25 minutos, um bate-rebate impressionante na área cruzeirense (com direito a um chute na trave quando sequer havia goleiro) terminou com um chute preciso de Dayro Moreno no canto esquerdo. Tudo isso com 10 jogadores para cada lado, pois aos 10 minutos da segunda etapa Carlos Mario Carbonero Mancilla foi expulso por agressão em Henrique.

O Cruzeiro também faria gol nesse jogo, gol num momento-chave da partida, quando o time da casa partia pra cima para buscar o resultado, tendo realizado as 3 substituições de direito (Everton no lugar do argentino Ernesto Antonio Farías, Dudu no lugar do paraguaio Jose Maria Ortigoza Ortiz e André Diaz no lugar do valente Henrique). Porém, o golaço de Gilberto foi incorretamente invalidado pela arbitragem, que alegou impedimento do camisa 7 cruzeirense aos 37 minutos do segundo tempo. Não bastasse o nervosismo do próprio time e a bela atuação do adversário, o Cruzeiro também enfrentava essa que parece ser uma sina do técnico Cuca: a incompetência daqueles que dizem se valeu ou não valeu. Cuca que ainda protagonizou uma cena triste, onde acabou dando um encontrão em Rentería e o jogador colombiano reclamou agressão. Se conheço alguma coisa desse sujeito chamado Alexis Stival, garanto que ele não teve qualquer intenção de machucar o jogador adversário. Nenhuma intenção. Zero. Aconteceu. Era o Once Caldas, tal como em 2004, no caminho de Cuca.

E assim terminou a participação do time de melhor futebol da competição. É como se os deuses do futebol adiassem um encontro entre Cuca e Guardiola. A gente espera.

domingo, 3 de abril de 2011

No mineiro, Cruzeiro praticamente consolida liderança ao comando de Montillo

Quase todo jogo na Arena do Jacaré com mando de campo do Cruzeiro terminou em goleada celeste este ano. Os comandados de Cuca estão avassaladores. E hoje, em mais uma bela atuação do camisa 10 Montillo, a equipe belohorizontina fez um belo jogo contra o Guarani de Divinopólis. 4x1 com direito a show do argentino.

Pela primeira vez no ano de 2011 o Cruzeiro jogou de branco, estreando o uniforme 2 da temporada 2011. E a estreia deu sorte. Tal como a estreia da camisa com o "v", que resultou numa goleada sobre o Estudiantes, o uso da cor branca como predominante trouxe sorte a raposa. Vamos ao jogo:

Além da estreia do novo uniforme, o Cruzeiro tinha mais uma novidade em campo: a titularidade do paraguaio Ortigoza, jogando com 9, que vinha perteçendo a Welligtom Paulista que ainda esta semana deve deixar Minas para assinar com o Palmeiras.

Os primeiros 15 minutos de jogo, a pressão foi total do time do Guarani. Logo aos dois minutos, Carlos Cesar da equipe visitante apareçeu na área pra chutar cruzado e ver Fábio fazer boa defesa. Com mais dois minutos de jogo, a equipe de Dininopólis marcariam o primeiro gol do jogo. Em escanteio cobrado por Luís Fernando (jogador que veio das categorias de base cruzeirenses) Paulo César aproveitaria uma falha de Gil e Leandro Guerreiro na defesa pra subir sozinho e testar a rede o primeiro gol do jogo. 1x0 Guarani.

A parcial derrota acendeu o Cruzeiro, que até então jogava pior, um minuto posterior ao gol tomado, em bola lançanda na área, Gil ajeita pra Leandro Guerreiro mandar rente a meta. E se o zagueiro Gil queria se redimir da falha que resultou o gol da parcial da derrota, conseguiu. Aos 21 minutos do primeiro tempo em falta cobrada por Montillo o zagueiro celeste anotaria o segundo gol de cabeça no jogo, e primeiro do Cruzeiro, empatando o duelo na Arena do Jacaré.

E com apenas mais um minuto de jogo veio a virada. Ortigoza faz boa jogada toca pra Montillo na entrada da área, o suficiente pro argentino levantar a cabeça driblar dois adversários e chutar no ângulo. Belo Gol. O camisa 10 prestaria uma bela homenagem ao filho mostrando uma camisa com os dizeres: Fuerza Santi, papa te ama. (O cruzeirense vive drama pessoal na vida, pois seu filho de quase dois anos sofre constantemente com problemas de saúde)

A partir dae o domínio foi todo celeste, o time criava boas chanches, mais pecava no ultimo passe. O terçeiro gol todavia, não demorou a sair e veio aos 34 com Thiago Ribeiro, que pra variar, recebeu passe de Montillo na segunda assistência do argentino na partida. O Guarani que jogava bem, chegou a assustar aos 44, mas Fábio faria mais uma bela defesa pra ter seu nome exaltado pela torçida.

O segundo tempo começou com duas alterações na equipe do Cruzeiro, saíram o polivalente Marquinhos Paraná e o experiente Gilberto para as entradas de Everton e Diego Renam. Até os primeiros 15 minutos inicias do segundo tempo o jogo permaneceria travado no meio de campo. Aos 16 Montillo teria uma boa chanche para coroar de vez a sua partida, mais a bola passaria a cima do gol. Pra variar ainda veriamos uma bela defesa de Fábio aos 20 do segundo tempo... Suficiente para os gritos de "Melhor goleiro do Brasil" ecoarem no estádio.

Aos 23 Cuca anuncia a mudança. Wallyson entraria no lugar de Ortigoza. Deu tempo do camisa 9 chutar cruzado pra defesa do goleiro adversário, mas o paraguaio ficou devendo o gol, e deixando em aberto a dispusta pela 9 no Cruzeiro (Além dele, a briga conta com o recem chegado Brandão. Farias, Reis e André Dias). Mas se Cuca sofre pra firmar um camisa 9, o mesmo não podemos dizer do segundo atacante. Com Thiago Ribeiro em excelente fase, o treinador ainda vê Wallyson fazendo uma bela temporada, o jovem atacante além de fazer gols, tem se mostrado um excelente garçom. Mais hoje foi com um belo gol que ele presentou o treinador e a torçida azul, aos 29 ele recebeu passe na entrada da área, correu pela lateral e fez um belo gol quase sem ângulo. Placar fechado e festa cruzeirense na Arena do Jacaré.

O resultado praticamente consolida a liderança do Cruzeiro, que fica com 5 pontos de vantagem ao vice líder Atlético-MG. Confira a classificação do mineiro a duas rodadas do fim:


1
Cruzeiro
25








2
Atlético-MG
20








3
América-MG
19








4
América TO
18








5
Villa Nova-MG
15








6
Tupi-MG
12








7
Uberaba
10








8
Caldense
10








9
Guarani-MG
7








10
Funorte
5








11
Democrata GV
4








12
Ipatinga
4








*Lembrando que pelo formato da disputa do mineiro, os 4 primeiros se classificam as semi-finais, e os dois ultimos são rebaixados ao modulo II.


O Cruzeiro agora folga 10 dias, e se prepara pro confronto contra o Estudiantes, pela ultima rodada do grupo 7 na libertadores, onde o time celeste já tem a liderança praticamente assegurada.

sexta-feira, 4 de março de 2011

OS BRASILEIROS NA LIBERTADORES 2011


Libertadores é um campeonato a parte. Parece que todos os times da América jogam cada jogo como se fosse o mais importante da história. Até agora a competição mais importante do continente tem garantido jogos de bastante emoção. (Quem viu Velez e Universidade Católica vai concordar definitivamente.) Destacamos sempre aos brasileiros e argentinos, tempero maior da competição. Embora nenhum time, ainda tenha demonstrado um futebol digno de favoritismo, (talvez a exceção do Cruzeiro), os times da terra tupiniquim moldam seus caminhos.



Vamos começar pelo Fluminense, o tricolor das laranjeiras, tem a situação mais desesperadora de todos, tendo feitos apenas dois pontos de 9 disputados, sendo estes em jogos dentro de casa, o nosso pó de arroz se vê com a complicada missão de recuperar uma desvantagem de 4 pontos, em apenas 3 jogos... Impossível? Bom isso foi o que disseram sobre esse mesmo time, a dois anos, sobre a chance de escapar do rebaixamento. Duvidar da capacidade de reação do Fluminense parece dar força a esse, e o time ressurge com uma fome de vitória inenarrável. É o que acreditam os tricolores, ainda mais sabendo o poder de um time regido por Conca. Não duvidar do fluminense é basicamente uma orientação fundamental a todos times do mundo... Embora, o caminho aponte uma eliminação, o tricolor tem histórico de reação. Mas pros secadores do flu de plantão sempre é bom lembrar: O tricolor só passou da primeira fase da libertadores, uma vez na sua história.

O Grêmio: Bah tchê, como esse time parece ter sorte com sorteio nas libertadores, depois de atropelar o Liverpool do Uruguai, o tricolor gaúcho tem tudo pra ser líder numa chave teoricamente tranquila... Mas como mostrou o Junior Barranquila, libertadores é um campeonato diferente, imprevisível. Enfim como sempre, se tratando dos gaúchos, temos um importante fator ao seu lado: Sua tradição: O Grêmio simplesmente tem 4 finais de libertadores, 2 títulos. É algo diferente, é como se o futebol conspirasse para manter tal competição e o time sempre unidos. E se a história conspira pra ajudar o grêmio, é sinal de merecimento, de tradição. Já considero o Grêmio nas oitavas. Adversário a ser temido para quem o encontrar em seu caminho. Ganhar do Grêmio no Olímpico é uma glória, um mérito tão grande quanto a dificuldade de acontecer.

Quanto ao paulista, sendo sincero, se alguém hoje me convidar pra assistir um jogo do Santos na libertadores, pensaria mil vezes antes de aceitar. Fato é que Adilson o transformou num time previsível. Sério, atualmente um time que escala diogo como titular, tá de brincadeira com o torçedor. Todavia, o alvinegro praiano tem em seu elenco um time de dar inveja: Neymar, Elano, Jonantham, Dracena, sem contar na volta de Ganso. Um novo técnico pode melhorar o conjunto de jogo, trazer de volta o futebol Santástico... Espero muito do Santos, que escalado com os titulares tem o melhor time do brasil, mas até agora, esse futebol burocrático não convence ninguém.

Cruzeiro, 77% de aproveitamento, 9 gols marcados, nenhum sofrido. Líder de um grupo super difícil. Credenciado ao titulo, que conquistaria pela terceira vez, o histórico da raposa ainda mostra que o time nunca foi eliminado na primeira fase, e em 2011, também não deve ser. O Cruzeirense está alegre e confiante. Não é pra menos, as vezes tenho a impressão que o Cruzeiro foi feito pra Libertadores, e a Libertadores pro Cruzeiro. São jogos a parte, são jogos que valem a pena ver. O técnico Cuca deu um padrão de jogo aos celestes incrível, prezando o ataque o e o gol. É um time pra se temer. Mas é libertadores, tudo pode acontecer; o próprio Cruzeiro, conseguiu seu ultimo titulo, depois de iniciar a competição perdendo os três primeiros jogos. Ser o melhor time da primeira fase da libertadores não parece credenciar time nenhum a nada. Embora, tradição credencie, e isso, o Cruzeiro tem. E tem mais do que qualquer outro brasileiro da atual disputa. Não é a toa que o chamam de La Bestia Negra das Américas!

Por fim, o atual campeão; Internacional. E bota internacional nisso. o atual dono da taça, confia em seus jogadores estrangeiros para o tricampeonato. E é sério candidato, nos últimos 5 anos, o colorado escreveu uma história que muitos times em cem anos não conseguem chegar nem perto. E essa história do Inter ainda está sendo escrita, desenhada a cada jogo de libertadores. Não é simples jogar contra o atual campeão. Na contra mão, caminha a desconfiança no trabalho de Celso Roth, e suas escalações tida como retranqueiras. Vale lembrar que uma libertadores, não é ganha por qualquer time, por qualquer jogador, por qualquer técnico. O Inter se credencia por ter um elenco cheio de jogadores vitoriosos na América. E se isso não faz do time o mais sério e temido candidato, nada mais faz.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Cuca Comanda Uma Aula De Futebol Diante Do Estudiantes: 5a0

Um time escalado com foco no ataque. Um estilo de jogo envolvente. Um primoroso esquema de marcação. Dois talentos individuais para bagunçar a defesa adversária. Foi mais ou menos com essa receita que o "mestre" Cuca preparou um Cruzeiro encantador e arrasador, que com total merecimento aplicou uma goleada de 5a0 na estréia celeste na Copa Libertadores. O adversário era o Estudiantes, campeão na edição 2009 diante do próprio clube mineiro, um oponente qualificado mas que simplesmente não tinha muito o que fazer diante da memorável exibição da equipe da casa. Os repetidos e ecoantes cânticos de "olê, olê, olê, olá... Cuca, Cuca!" retrataram muito bem a relação campo-arquibancada, numa justa homenagem dos torcedores cruzeirenses para um técnico de primeira linha, fiel representante do futebol ofensivo.

O jogo

Muitos treinadores teriam aquela "pulga-atrás-da-orelha" de como escalar um time que conta no elenco com jogadores como Gilberto, Montillo e Roger, todos aptos à criação de jogadas. Usar qual dos três? Deixar quem deles no banco? Pois Cuca mostrou ser possível e viável utilizar-se de todos eles ao mesmo tempo. Com Gilberto atuando pelo flanco esquerdo e a dupla Montillo-Roger deslocando-se por praticamente toda a extensão do campo de ataque, o Cruzeiro não demorou a sufocar o Estudiantes.

Com 56 segundos de bola rolando, um desarme de Wellington Paulista próximo da área argentina passou pelos pés de Roger e chegou até Wallyson, que finalizou da proximidade da meia-lua e, após desvio na marcação, viu a bola subir e encobrir o goleiro Agustín Ignacio Orión. 1a0 Cruzeiro.

A equipe visitante, que contava com o talento de Juan Sebastián Verón no meio-campo, tentava buscar a igualdade ora com bolas levantadas na área (como em cobrança de falta pela esquerda aos seis minutos, que terminou em defesa de Fábio), ora com lançamentos longos (como em lance aos oito minutos em que Fábio vacilou ao sair da área mas a defesa cruzeirense deu conta de cortar a finalização).

Lembra da frase 'dois talentos individuais para bagunçar a defesa adversária'? Pois ela ganhou forma aos 17 minutos, quando o argentino Walter Damián Montillo recuperou a bola na defesa, avançou com ela dominada e passou para Roger, que carregou e chutou na paralela, estufando a rede no canto direito. 2a0 Cruzeiro.

No minuto seguinte, Verón tentou diminuir o prejuízo com chute de fora da área, defendido por Fábio. O experiente meio-campista parecia perceber que seria difícil penetrar na defesa cruzeirense, muito bem representada pela dupla formada por Gil e o uruguaio Victorino.

Novas finalizações de Montillo (uma defendida por Orión aos 22 minutos e outra passando perto da trave direita após toque por cobertura aos 23 minutos) davam mostras de que estávamos na iminência de uma goleada. E aos 38 minutos, veio o 3° gol: em contra-ataque veloz e certeiro, três jogadores do Cruzeiro ficaram diante de dois do Estudiantes. Para aumentar o drama do time argentino, quem carregava a bola era Roger e quem se apresentava para receber era Montillo. E não deu outra: o argentino recebeu o passe, dominou ajeitando, driblou o goleiro e mandou pra dentro. Golaço.

Pra fechar o primeiro tempo com estilo, Roger tratou de chapelar um adversário aos 44 minutos com um toque desconcertante. O próprio Roger deve ter sentido o tom da humilhação e preferiu nem dar continuidade ao lance, talvez temendo uma resposta de ordem física (já que de ordem técnica seria difícil responder à altura).

Veio o segundo tempo e o espetáculo teve continuidade: aos 14 minutos, o Cruzeiro trocava passes fazendo valer aquela frase 'um estilo de jogo envolvente' e Montillo pegou de primeira uma bola afastada pela defesa, soltando um chute cruzado que quicou antes de chegar ao gol e dificultou a ação de Orión. 4a0 Cruzeiro, em novo belo gol de Montillo.

Trocando Gilberto por Diego Renan (aos 20 minutos), Roger por Dudu (aos 25) e Wellington Paulista por Thiago Ribeiro (aos 32 minutos), Cuca colocava três elementos novos e mantinha o time com uma aplicação tática sensacional. Quando apontei 'um primoroso esquema de marcação', estava me referindo a uma dinâmica de jogo que simplesmente não permitia ao Estudiantes que trocasse passe. Os deslocamentos de Henrique e Marquinhos Paraná aliados à disposição impressionante de Wallyson foram fundamentais para que essa tática funcionasse e o Cruzeiro rapidamente recuperasse a posse de bola. E se Wallyson havia aberto o placar no primeiro minuto, foi dele o gol que fechou a conta: aos 37 minutos, Thiago Ribeiro recebeu na direita, cruzou rasteiro, a bola rebateu na defesa do Estudiantes e foi de encontro ao voluntarioso atacante (ou seria um ala/meia?) para tomar o rumo da rede.

Com uma atuação coletiva altamente eficaz e as performances praticamente irrepreensíveis de Roger e Montillo, o Cruzeiro de Cuca apresenta-se como sério candidato ao título continental. O que, para os amantes do futebol ofensivo, seria muito legal.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Último Desafio Do Campeão Brasileiro É Alviverde

Não precisa de bola de cristal nem de poder sobrenatural para fazer a afirmação que dá o título a esse tópico. A disputa pelo troféu de campeão brasileiro em 2010 está entre Fluminense (que enfrenta o Guarani no Engenhão), Corinthians (que duela com o Goiás no Serra Dourada) e Cruzeiro (que atua diante do Palmeiras em Sete Lagoas).

Nesse último desafio na corrida pelo título, a vantagem do líder Fluminense é a de depender somente de si. Dentro de casa, o Tricolor das Laranjeiras venceu 11 dos 18 jogos disputados. Contra os alviverdes, foram dois empates (1a1 tanto com o Palmeiras quanto com o Goiás).

Dependendo de um tropeço do Flu, o Corinthians precisará vencer em Goiânia (caso apenas empate, dependerá de derrota do líder além de também torcer contra o Cruzeiro). Na situação de visitante, o Timão venceu 4 das 18 partidas disputadas. Contra os alviverdes, foram dois empates (1a1 com o Palmeiras e 0a0 com o Guarani).

Com apenas a vitória lhe interessando e ainda necessitando de tropeços tanto do Fluminense quanto do Corinthians, o Cruzeiro venceu 10 dos 18 jogos como mandante. Duas dessas vitórias foram diante dos alviverdes (1a0 no Goiás e 4a2 no Guarani).

Verde, a cor da esperança. Mais que os tricolores - que, pelo menos por ora, não precisam disso -, corinthianos e cruzeirenses serão um tanto alviverdes nesse domingo. Em tempo: roupa verde combina com mala branca?

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Equipe E Jogada Da Semana

Cuca vem demonstrando - e não é de hoje nem de ontem - uma grande capacidade de fazer equipes que jogam bonito, com arte e que conseguem ser altamente competitivas. Os títulos expressivos na carreira ainda são escassos, mas o atual Cruzeiro Esporte Clube dirigido pelo técnico curitibano de 47 anos mostra-se em grande momento na Série A 2010. As duas vitórias conquistadas semana passada (1a0 sobre o Goiás, fora de casa, e 1a0 sobre o Fluminense, em Uberlândia) fizeram da equipe celeste a nova líder da competição. A vitória sobre o Tricolor, de Muricy Ramalho (agora vice-líder), embala definitivamente um seríssimo candidato ao título. Se no domingo a equipe superou o então líder do torneio, a próxima parada é dificílima: os cruzeirenses vão ao Olímpico para jogar com o Grêmio, no jogo entre as duas melhores campanhas no segundo turno. Mas o Cruzeiro de Cuca parece apto para qualquer desafio.

Jogada da semana

O Atlético Goianiense foi ao Pacaembu e surpreendeu o Corinthians com uma vitória por 4a3. Adílson Batista pediu demissão do comando do Timão após o "vexame". O fato é que os comandados de René Simões estão conseguindo mostrar forças de escapar da zona de descenso, o que coloca pressão na equipes situadas pouco acima daquela indesejável área da tabela de classificação. A jogada da semana saiu nesse jogo, num golaço de Marcão. A finalização em si não teve nada de especial, mas a construção, a troca de passes que culminou com o gol mostraram um jogo coletivo belíssimo. O lance pode ser visto no línqui a seguir e, de brinde, você pode ver outros belos gols que rolaram nesse final-de-semana pelos gramados brasileiros: belos gols na rodada do Campeonato Brasileiro. Vamos ver se o leitor também preferirá a jogada atleticana.