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quinta-feira, 18 de abril de 2013

Heroísmos Numa Quarta-feira Futebolística

Vamos aqui falar sobre três jogos assistidos pelo blogueiro nessa última quarta-feira (ontem, 17.04.2013). Poderiam ser três tópicos diferentes, mas veio a idéia de juntar tudo numa única postagem, compactando o conteúdo e, na medida do possível, estabelecendo relações entre as diferentes partidas.

Seguindo a ordem cronológica dos eventos, comecemos pela fase quartas-de-final na Copa da França, onde Evian e Paris Saint-Germain se enfrentaram em jogo único, decidido somente nas cobranças de pênaltis. No tempo regulamentar, empate em 1a1 (Pastore abriu o placar com um golaço da meia-lua e Khelifa empatou para os donos da casa ainda no primeiro tempo).

Muito superior tecnicamente, tendo montado um time caríssimo e que recentemente conseguiu jogar de igual para igual com o Barcelona, o PSG voltou a atuar de maneira irregular, tal como tive a oportunidade de acompanhar algumas vezes nessa temporada. Sem Lucas (contundido) e com Ménez bastante sumido nas ações ofensivas, a equipe mostrava poucas alternativas para infiltrar na defesa cor-de-rosa, que tinha no brasileiro Betão uma de suas fortalezas para impedir o sucesso de jogadores como Ibrahimovic, Lavezzi (que entrou no segundo tempo) e o próprio autor do gol, Pastore, que não teve grandes facilidades nas proximidades da área.

Com duas ou três belas intervenções, o goleiro Laquait ajudou a levar o aplicado time de Pascal Dupraz às penalidades máximas, defendendo a cobrança de Ibra para se consagrar de vez no confronto que colocou, pela primeira vez na história, o Evian numa semifinal de Coupe de France. Para frustração de um PSG que sonhava com uma dobradinha inédita, restando agora o Campeonato Francês para "salvar" a temporada dos comandados de Carlo Ancelotti, líderes isolados na competição.

Depois de ver a festa de Laquait, Betão e companhia diante de seus torcedores na França, voltamos para o Brasil sem sair do sofá: era estréia do Botafogo na Copa do Brasil. Embalado por oito vitórias consecutivas na temporada (incluindo aí semifinal e final na Taça Guanabara), o Alvinegro jogou no campo do Sobradinho mas com clima de partida dentro de casa, pois a grande maioria presente nas arquibancadas era botafoguense. Seedorf teve grande atuação e a equipe dominou as ações por praticamente todo o tempo de jogo, mas não foi capaz de tirar o zero no placar. E ainda levou um susto no final, pois nos acréscimos levou um gol que veio a ser corretamente anulado, por impedimento de alguns centímetros. O heroísmo nessa partida fica para o esforço dos jogadores do Sobradinho e, em especial, para o goleiro Donizeti, que sempre correspondeu quando exigido, incluindo um lance em que evitou gol contra de Ronaldo, defendendo acrobaticamente. Com sorte, quem sabe a equipe não consegue o feito de sair classificada no Rio de Janeiro? Aliás, com muita sorte, porque tudo leva a crer que o Botafogo estará mais inspirado na partida de volta.

Finalmente, Copa Kevin Libertadores da América 2013. São Paulo, ameaçadíssimo de eliminação, e Atlético Mineiro, garantidíssimo com a melhor campanha na fase de grupos. Duelo colocando em choque times dos excepcionais Ney Franco e Cuca. Jogo com cara de decisão, bastante truncado. No segundo tempo, um pênalti cometido por Leonardo Silva abriu o caminho para a vitória tricolor: Rogério Ceni converteu a cobrança e, mais tarde, uma jogada iniciada por Ganso chegou até Osvaldo e terminou na conclusão de Ademílson. 2a0 e, com a vitória do Arsenal sobre o The Strongest, teremos nas oitavas-de-final... Atlético e São Paulo! Heroísmo? Dessa vez deixo para a torcida são-paulina, que fez bonita festa e abraçou o time. Não estranharia se desse duelo saísse o novo campeão continental...

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Equipe E Jogada Da Semana

Os dois primeiros finais-de-semana de 2013 foram muito positivos para o Manchester City. No sábado, dia 5, a equipe se classificou na Copa da Inglaterra com vitória por 3a0 sobre o Watford (Carlos Tévez, Gareth Barry e Marcos Lopes marcaram os gols). Mas algo muito melhor do que isso ainda estava por vir: no domingo, dia 13, os comandados de Roberto Mancini conseguiram uma vitória histórica sobre o Arsenal. Desde 1975 que o clube não saía vencedor diante desse adversário numa partida realizada em Londres pelo Campeonato Inglês. E essa partida está no blógui, relembre como foi.

Agora, os Citizens continuam caminhando em busca da liderança na Premiership. Dependerão de suas forças e também de tropeços do outro time da cidade, que lidera com relativa folga. Forte o City já mostrou que é. Resta saber se o United "permitirá" ser alcançado. De toda forma, muita coisa ainda vai acontecer nas dezesseis rodadas que restam pela liga nacional. Assim como muita coisa ainda vai acontecer pelo torneio eliminatório, pois a competição está chegando na fase 16-anos-de-final, cujo adversário do Manchester City será Crystal Palace ou Stoke City.

Jogada da semana

Aí vai uma cobrança de pênalti cuja trajetória da bola beirou o sobrenatural. Aconteceu no primeiro tempo de jogo entre Arsenal e Manchester City. Se Edin Dzeko tivesse soprado forte, talvez a bola entrasse...

quinta-feira, 22 de março de 2012

Com Azar E Sorte, Botafogo Passa Pelo Treze

Dizem que botafoguense é um tipo supersticioso. Evidente que a alcunha é generalista e leviana, mas não há como negar que é bastante fácil encontrar elementos que reforçem a máxima. O clube que, ao apresentar Sebastián "El Loco" Abreu como reforço, em 2010, fez o uruguaio receber das mãos de Mário Jorge Lobo Zagallo a camisa com o número 13, encarou na noite de ontem o adversário paraibano que carrega esse número primo como nome institucional. E acreditem: na Paraíba, a rivalidade entre o Treze e equipes como o Botafogo e o Campinense levaram esses dois últimos a não utilizar o número 13 entre seus jogadores. No próprio Treze, a camisa 13 é dedicada exclusivamente aos torcedores, não sendo vestida por nenhum atleta.

Superstições à parte, vamos falar do jogo realizado no estádio Engenhão: após empate por 1a1 no tempo regulamentar (o mesmo resultado visto na partida de ida, em João Pessoa), a equipe carioca conseguiu a classificação para a segunda fase na Copa do Brasil 2012 após disputa por pênaltis. E o negócio foi dramático: Renato e "Loco" Abreu desperdiçaram suas cobranças. Mas, no final, uma "cavadinha" (veja só!) defendida por Jéfferson selou a vaga aos botafoguenses. O próximo adversário do Glorioso na competição eliminatória é o Guarani, que passou pelo Brasiliense na primeira fase.

O jogo

Conforme esperado, o Botafogo iniciou a partida atacando. Só que o que poucos poderiam imaginar (talvez nem os mais fanáticos torcedores do Treze), é que o time visitante fosse, com menos de três minutos de jogo, conseguir abrir o placar no Rio de Janeiro. O chute de Amaral Rosa veio de longa distância e provavelmente não causaria grandes dificuldades ao goleiro Jéfferson, mas o desvio em Fábio Ferreira mudou o rumo da coisa e o arqueiro botafoguense viu-se em maus lençóis, não conseguindo alcançar a bola que tomou o caminho da rede.

E o Botafogo não reagiu bem ao golpe sofrido. Nervoso, o time confundia "pressa" com "velocidade", e ia ao campo ofensivo muitas das vezes sem conseguir "pensar a jogada". Mesmo assim, chances surgiram. Aos doze minutos, um chute de Herrera rendeu escanteio ao Alvinegro. Na cobrança, a bola chegou até Abreu, que desviou servindo Antônio Carlos. O zagueiro chutou e a bola bateu em seu companheiro Fellype Gabriel. No rebote, nova finalização de Antônio Carlos e, incrivelmente, novamente a redonda chocou-se a Fellype Gabriel, que naquele momento agia como zagueiro do Treze.

Aos vinte e um minutos, veio o gol de empate: Renato colocou a bola na área em cobrança de falta pelo lado esquerdo e Abreu foi no tempo exato para, soberano, subir e cabecear para a rede, antecipando-se ao goleiro Beto. E se Beto mostrou-se vacilante nas saídas de gol, o arqueiro do Treze passaria a se tornar personagem de destaque no duelo. Foram defesas em chutes de Andrezinho (um em remate frontal e outro em cobrança de falta), intervenção cara-a-cara com Herrera (impedindo duas vezes consecutivas que o argentino virasse o jogo) e uma atuação que parecia dar maior segurança ao time visitante. Quando atacava, o Treze até conseguia causar perigo, como em chute de Carlos Alberto aos trinta e um minutos, que desviou e passou perto da trave.

No segundo tempo, Oswaldo de Oliveira optou voltar com Jóbson no lugar de Herrera. E no primeiro minuto, um chute do jogador que acabara de entrar bateu no braço de Ânderson, com o árbitro Ronan Marques da Rosa, de Santa Catarina, alegando toque involuntário e não marcando penalidade máxima no lance. Aos quatro, Carlos Alberto quase marcou o segundo dos visitantes: ele arrancou desde o campo de defesa, passou por Marcelo Mattos como quis e chutou à esquerda. O Treze teria nova chance de se aproximar da classificação aos dezessete (isto é, treze minutos depois): nas costas de Marcelo Mattos, Thiago Cunha recebeu boa enfiada de bola e, livre, chutou para fora. De resto, falar do Treze era basicamente falar do goleiro Beto. Ele defendeu chute cruzado de Jóbson e evitou que pelo menos duas finalizações de Abreu terminassem em gol. E foram intervenções espetaculares: numa, espalmando no canto direito após a bola quicar e ganhar altura; noutra, em cabeceio do uruguaio, saltando ao canto esquerdo para espalmar com ambas as luvas. Aos quarenta e um minutos, o arqueiro partiu para cobrar um "tiro-de-meta" e caiu no gramado. Pediu atendimento alegando cãimbras, mas, após cerca de dois minutos de jogo parado, efetuou a cobrança com um chute que atravessou a metade da extensão do gramado. Recuperação rápida ou catimba clássica? O fato é que o Botafogo seguiu pressionando, mas, para passar por Beto, precisaria ser via desempate por pênaltis. Renato e Abreu não conseguiram superar a muralha paraibana, mas, no final das contas, o Botafogo venceu a série por 3a2. Na cobrança derradeira, o goleiro Jéfferson pegou a cobrança de Léo Rocha, que resolveu cobrar o pênalti de um modo que nem o "Loco" optou: de "cavadinha". E ainda ouviu do vibrante arqueiro: "Aqui não!". Não mesmo. Botafogo passa tem treze letras.
 
Lance derradeiro do confronto eliminatório em dois momentos: acima, Jéfferson espalma a cobrança de Léo Rocha, garantindo a classificação alvinegra; abaixo, goleiro dá o recado ao adversário sobre a opção em cobrar com "cavadinha": "Aqui, não!"