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terça-feira, 12 de junho de 2018

Análise Da Copa Do Mundo 2018 - Grupo F

Vamos analisar o grupo F da Copa do Mundo 2018 (leia o que colocamos sobre os grupos A, B, C, D e E).

Nele, estão quatro seleções que aparecem rotineiramente em mundiais, incluindo a atual campeã e também aquela que surpreendeu nas Eliminatórias ao deixar pelo caminho as tradicionais Holanda e Itália.

Grupo F: Alemanha, México, Suécia e Coréia do Sul.

Alemanha

Alemanha: 1ª colocada no ranqueamento da FIFA.
Revolucionada desde a chegada de Joachim Löw e rejuvenescida nesses últimos anos, a Alemanha tem muitos ingredientes que sugerem favoritismo ao penta. É bem verdade que a convocação trouxe algumas discordâncias, sendo provavelmente a maior delas a ausência de Sané, jovem promessa/realidade treinada por Josep Guardiola no Manchester City. Mas a realidade é que os alemães têm todos os motivos para confiar em sua seleção na Rússia.

Com uma campanha sólida nas Eliminatórias (com direito a 6a0 sobre a Noruega), com a bem-sucedida estratégia de usar a Copa das Confederações para possibilitar maior rodagem e experiência a atletas menos aproveitados e, principalmente, com um elenco qualificado técnica, tática e mentalmente, só duvida desta Alemanha quem não conhece esta Alemanha.

O radar do futebol arte há de apitar forte quando este time estiver em campo. Começamos a nos acostumar com isso desde 2010. E tivemos o desfrute de uma das maiores aulas no Mineirão, naquela memorável semifinal em 2014 que alguns, equivocadamente, chamam de "apagão". Aqueles 7a1 são o oposto: são luz. Que o ascendente futebol alemão possa continuar iluminando os gramados pelo mundo. Chegou a vez da Rússia.

México

A classificação sem maiores sustos - o oposto do cenário visto para a Copa 2014 - dá ao México maior tranqüilidade na preparação para este Mundial. Só que o recente escândalo envolvendo jogadores e prostitutas colocou a seleção nacional em maus lençóis, virando assunto não-esportivo e alimentando a engrenagem sensacionalista de setores midiáticos.
México: 15ª colocada no ranqueamento da FIFA.

Naquilo que tange ao campo de jogo, Juan Carlos Osorio leva para a Rússia um grupo experiente. Os 3 goleiros somam 104 anos de idade. Na zaga, o imortal Rafael Márquez nos brindará com seu talento e elegância novamente. No meio, o bom futebol está Guardado. No ataque, Peralta e Hernández marcam presença ao lado de Giovani dos Santos e Carlos Vela (aos 29 anos de idade e perto de tantos trintões, podem ser considerados dois meninos).

O único gol marcado nos últimos quatro amistosos levantam suspeitas sobre a efetividade do setor ofensivo da equipe, o que contrapõe uma defesa que foi vazada em apenas duas partidas nos últimos sete compromissos. A estréia com a Alemanha tem pelo menos uma coisa boa: dará aos mexicanos o direito de arriscar, pois uma derrota seria um resultado normal. Pontuando nessa partida, abre caminho para a classificação, que tem tudo para ser decidida somente na rodada derradeira, com a disciplinada seleção sueca. E é sempre bom ter em mente o seguinte: esse grupo cruza com o "do Brasil" e, se tem uma seleção que não tem medo da "Amarelinha", essa seleção é a mexicana...

Suécia

Com a autoconfiança de quem sobreviveu a um grupo com França e Holanda - eliminando a Itália na repescagem - e com a união de um grupo que superou todas as dificuldades sem sua principal estrela, a Suécia chega à Rússia com muitos motivos para acreditar em surpreender.

Suécia: 24ª colocada no ranqueamento da FIFA.
Os dois amistosos zerados realizados nesse mês (0a0 com Dinamarca e Peru) talvez sugiram ajustes para fortalecer um ataque habituado a marcar poucos gols. A boa notícia é que, em mais de 180 minutos de confronto, os suecos somente precisaram de um único gol para eliminar os italianos.

A Suécia tem na experiência de Toivonen, Larsson e Svensson, além do talento de Forsberg, seus principais trunfos no campo de ataque. Mas é a consistência coletiva o diferencial que pode fazer a equipe nórdica incomodar as outras três seleções nessa chave. No pouco que assisti no amistoso diante dos peruanos, foi notória a capacidade de conter o ímpeto de um adversário com vocação ofensiva, conseguindo bloquear os flancos e povoar o centro sem gerar grandes espaços ao adversário, além de ter relativo êxito em sair para o jogo com objetividade.

De destaque, fico com a declaração do treinador Janne Andersson sobre Zlatan Ibrahimovic: "Assim que Zlatan anunciou a aposentadoria depois da Eurocopa, comecei a planejar a seleção sem ele. Comecei a pensar no time sem ele. É um jogador que respeito muito, mas quis priorizar a equipe que classificou a Suécia para a Copa. Tira muito da minha energia esse tanto de perguntas sobre o Zlatan".

Coréia do Sul

Embora classificada de maneira direta com o segundo lugar em seu grupo nas Eliminatórias Asiáticas, a Coréia do Sul suou para chegar à Rússia. O 0a0 na rodada derradeira, no Uzbequistão, selou uma classificação que estaria ameaçada em caso de derrota, pois levaria os sul-coreanos, na melhor das hipóteses, à repescagem.

Coréia do Sul: 57ª colocada no ranqueamento da FIFA.
O atacante Son Heung-Min, há três temporadas no Tottenham, é o jogador que vive momento de maior destaque na seleção. Seu faro goleador na Premiership não é novidade, pois se mantém presente desde os tempos da Bundesliga, onde vestiu as camisas do Hamburgo e do Bayer Leverkusen. No setor de meio-campo, mais um jogador que atua no futebol inglês: Ki Sung-Yeung, do Swansea City. Mas se me perguntar como joga a equipe treinada por Shin Tae-Young, não saberei responder. E, considerando que houve somente uma vitória nos últimos seis jogos oficiais, é possível que o próprio treinador possa estar usando esses dias na Rússia para reformular a formação do time.

Guardo ótimas lembranças da Coréia do Sul na época em que a cultura holandesa de atuar com três atacantes permeou o paradigma futebolísitco do país, que teve Guus Hiddink e Dick Advocaat como alguns de seus técnicos. Vamos ver como a seleção se comporta nesse Mundial. O grupo é difícil, mas uma boa estréia diante da Suécia pode dar esperanças a um país que, entre méritos e apitos, chegou a uma semifinal de Copa do Mundo dezesseis anos atrás, para euforia de seus torcedores.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Bélgica Avança Com Autoridade E Dá Sinais De Que Pode Fazer Mais

Aquela que se apresentava antes da Copa como a mais qualificada geração na história do futebol belga está mostrando que as expectativas em torno de si não são exageradas. Marc Wilmots, maior goleador da Bélgica em Mundiais, treina uma equipe que prima pela consistência tática, se diferencia pela qualidade do elenco e se credencia ao título também pelos talentos individuais que permeiam todos os setores no campo.

Diante da Coréia do Sul, em São Paulo, o empate serviria aos europeus para confirmarem a primeira colocação na chave sem depender de um tropeço argelino diante dos russos. A dedicação sul-coreana e a expulsão de Defour ainda no primeiro tempo tornaram um jogo típico de cumprimento de tabela como um valioso teste em torno de uma seleção que quer fazer história. Bem comportada mesmo em desvantagem numérica - a ponto de sequer parecer que jogava com um homem a menos -, a Bélgica teve sua atuação menos oscilante até agora na Copa. E isso tudo com Kompany e Vermaelen machucados, Alderweireld, Witsel, De Bruyne e Lukaku poupados, e Hazard entrando no final basicamente para participar da festa. Da festa e do feito: pela primeira vez, os belgas terminam uma fase de grupos com três vitórias em três partidas.

Um futebol econômico em beleza, alguns poderão alegar. E esse blogueiro há de concordar: pela quantidade de talentos à disposição do treinador, dá para exigir mais graça na apresentação dos belgas. Só que numa Copa marcada pela competitividade, não há vitória que venha de graça. O 1a0 no Itaquerão foi conquistado com suor. Até porque atuar o segundo tempo inteiro com um jogador a menos aumenta o esforço dos remanescentes no gramado. Vertonghen foi um ótimo exemplo disso: não limitado à tarefa de fechar a defesa pelo lado esquerdo, o zagueiro-lateral surgiu como elemento-surpresa no ataque aos trinta e um minutos na etapa final para aproveitar o rebote de Kim Seung-Jyu e marcar o único gol no jogo.

Mertens mostrou-se como principal elemento ofensivo na ausência de Hazard, conseguindo explorar cada espaço vazio que a ele se apresentava. Faltou apenas conseguir colocar a bola no espaço vazio que chamamos de gol, mas a pontaria do meia napolitano e a atuação do goleiro sul-coreano dificultaram essa empreitada do camisa catorze belga. Foi uma Bélgica que melhorou após a saída de Mertens. E não porque ele tenha jogado mal, mas porque Origi entrou em campo agregando habilidade e velocidade no ataque a ponto de transformar o jogo como um todo. Talvez seja esse o grande trunfo de Wilmots para os jogos eliminatórios, a começar pelas oitavas-de-final diante dos Estados Unidos: Divock Origi.

Sem Origi, a Bélgica perdia para a Argélia na estréia. Após a sua entrada aos doze minutos no segundo tempo, virou o jogo.

Na segunda rodada, belgas e russos empatavam sem gol. Origi foi a campo novamente aos doze minutos no segundo tempo. Resultado: 1a0 Bélgica, gol dele.

Nessa terceira rodada, o crescimento de intensidade da seleção belga após a entrada de Origi por volta dos quinze minutos no segundo tempo foi perceptível. O gol de Vertonghen, conseqüência.

A Coréia do Sul tentou buscar o empate. E se já falamos de tantos jogadores de qualidade na Bélgica, graças aos sul-coreanos podemos agora falar de mais um: Courtois. O ótimo goleiro, menos vazado e campeão espanhol com o Atlético de Madrid, realizou pelo menos duas grandes defesas para assegurar a vitória e os 100% de aproveitamento. A Bélgica, como todo grande time que se preze, começa com um grande goleiro. Tem uma defesa forte. Um meio-campo versátil. Um ataque com boas alternativas. Se Wilmots conseguir transformar o peso da responsabilidade de fazer história no compromisso espontâneo de cada um render o máximo de si em nome da equipe, é possível que a leve seleção belga passe flutuando pelos adversários. E alcance o céu. Quem sabe numa noite estrelada no Rio de Janeiro?

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Em Jogão De Dois Tempos Distintos, Argélia Vence Partida De Seis Gols

Regra número 1 do manual do amante do futebol: nunca nem jamais subestime um jogo pelo nome dos times que estão em campo (onde lê-se "nome", entender no sentido de "tradição", "fama", "histórico").

Argélia e Coréia do Sul são duas seleções sem qualquer tradição em Copas do Mundo. Quer dizer, a Coréia até conseguiu o feito histórico de chegar às semifinais no Mundial de 2002, quando foi sede ao lado do Japão, e trouxe alguma fama para o futebol asiático no geral e para si em particular.

Para a Copa 2014, sul-coreanos e argelinos vieram sem ser tratados com grande atenção. E o jogo entre eles, conseqüentemente, foi encarado como "mais um" no torneio. Não deveria. Nunca nem jamais deveria. Primeiro, por uma questão de respeito às equipes. Depois, em respeito à regra número 1 do manual do amante do futebol.

Fato é que tivemos no estádio Beira-Rio um jogo interessantíssimo e dos mais dinâmicos de toda a Copa até agora. Com um primeiro tempo pra lá de eficiente, a equipe africana comandada pelo bósnio Vahid Halihodzic criou situações pelo alto, por baixo, em diagonal, fazendo tabela, em jogada individual. O saldo disso foi um placar de 3a0 ainda no primeiro tempo: Islam Slimani, Rafik Halliche e Abdelmoumene Djabou marcaram nas respectivas assistências de Carl Medjani, Djabou e Slimani.

Só que a Coréia apática que rumou para o vestiário foi substituída por uma Coréia determinada na volta do intervalo. Provavelmente a conversa de Hong Myung-Bo com seus jogadores foi assimilada. Gostaria muito de saber o que foi dito para tamanha transformação, e sem ter a mínima noção do teor do diálogo, já fico imaginando como deve ser a tradução de "vergonha na cara" em sul-coreano.

Aos quatro minutos, após lançamento de Ki Sung-Yong, Son Heung-Min dominou com as costas de maneira involuntária (ou, se de propósito, temos um mágico vestindo a camisa nove vermelha), girou bonito para escapar dos três argelinos que o vigiavam e chutou rasteiro, entre as pernas do goleiro M'Bolhi.

A intensidade sul-coreana era tamanha que o jogo já era outro. Só que a Argélia conseguiu chegar ao quarto gol em jogada maravilhosa entre dois jogadores:Yacine Brahimi e Sofiane Feghouli. Aos dezesseis, Feghouli carregou a bola com habilidade, foi criando espaços e tabelou com o companheiro. Após receber a bola de volta, o camisa dez rapidamente enfiou para Brahimi finalizar e reestabelecer a diferença de três gols no placar.

Naquele momento, os 4a1 pareciam decretar a vitória definitivamente. Mas a hipótese do papo do vestiário é séria: a Coréia do Sul não se abateu e continuou com a pegada vista nos minutos iniciais de segundo tempo. Aos vinte e seis, Lee Keun-Ho encontrou Koo Ja-Cheol e o camisa treze encontrou a rede, diminuindo para 4a2. Halihodzic mexeu três vezes na Argélia, talvez não para necessariamente segurar o resultado, mas principalmente para encontrar alguma maneira de fazer seu time jogar mais perto do que jogou nos primeiros quarenta e cinco minutos e sair do sufoco estabelecido pelos adversários. Ghilas, Lacen e Belkalem foram os escolhidos. Mas a Coréia, entre uma alteração e outra do oponente, continuou melhor. E se o 4a2 se manteve até o final, a Argélia tem que agradecer ao goleiro M'Bolhi, que fez pelo menos duas defesas fantásticas para não permitir novas alterações no placar.

A Argélia está a uma vitória da classificação - talvez um empate sirva diante da já classificada Bélgica (caso sul-coreanos e russos empatem, argelinos avançam mesmo em caso de derrota). A Coréia do Sul não pode nem pensar em empatar: precisa vencer a Rússia e torcer pelos belgas diante dos argelinos. Se argelinos e sul-coreanos renderem em seus jogos o que renderam na metade do tempo em que foram superiores um ao outro nessa partida, teremos duas partidas obrigatórias para assistirmos na rodada derradeira no grupo H. Pena que aconteçam ao mesmo tempo.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Após Falha De Akinfeev E Alterações De Capello, Rússia Reage E Empata Com A Coréia Do Sul

Para fechar a primeira rodada na Copa do Mundo 2014, nada como um jogo que traga algo de diferente, não é verdade? Russos e sul-coreanos diferem-se entre si desde suas características físicas até a maneira de jogar. O estilo leve e veloz dos asiáticos contrasta com o jogo viril do maior país do mundo, que conta com um italiano de mão cheia no comando, o treinador Fábio Capello.

E o encontro em Cuiabá, com todos esses ingredientes, não poderia deixar de ser interessante. Principalmente no segundo tempo, quando a maior intensidade da Rússia obrigou o goleiro Jung Sung-Ryong a participar ativamente do jogo. Só que a Coréia do Sul também buscava a vitória, o que deixava o jogo lá e cá. Para infelicidade do ótimo arqueiro Igor Akinfeev, um chute de Lee Keun-Ho acabou escorregando em suas luvas e caracterizando uma falha bisonha. Acontece com os melhores do mundo, e para desolação do camisa um russo, aconteceu com ele em plena estréia de Copa.

A partir daí, a Rússia se lançou definitivamente ao ataque para buscar retomar a igualdade no marcador. Capello foi muito feliz nas substituições, trazendo Dzagoev, Kerzhakov e Denisov e aumentando o poder ofensivo da equipe. Em bate-rebate na área sul-coreana, Kerzhakov conseguiu concluir o lance mandando para a rede e reestabelecendo o empate no Mato Grosso.

Hong Myung-Bo, ex-jogador da Coréia do Sul e atual treinador da equipe, procurou alternativas para conter o ímpeto adversário e retomar a frente no placar. Mas os esforços de ambas as seleções acabaram anulando uma a outra e o 1a1 se manteve até o apito final. Está tudo aberto no grupo liderado pela Bélgica. Que venham as próximas rodadas!

terça-feira, 7 de agosto de 2012

De Novo, Brasil Vence De Três E Sem Convencer

Vinte e quatro anos depois da presença na final olímpica em Seul-1988, o Brasil retorna a uma disputa pela medalha de ouro. O título inédito para a modalidade será disputado diante do México, que passou pelo Japão com uma vitória de virada, por 3a1. A seleção brasileira, que também enfrentou uma equipe asiática na fase semifinal, goleou por 3a0 em partida onde foi, novamente, beneficiada pela arbitragem européia.

Curiosamente, esse foi o quinto jogo - em cinco disputados nessas Olimpíadas - que a equipe marcou três gols na mesma partida.

A Coréia do Sul, que conseguiu dominar o jogo em seus primeiros minutos, não abriu o placar por detalhes. Aos poucos, a seleção brasileira melhorou em campo (leia-se passou a contra-atacar com mais perigo), e conseguiu inaugurar o marcador aos trinta e sete minutos, quando Rômulo recebeu de Oscar após jogada iniciada por Neymar e chutou rasteiro, no canto esquerdo, dando chance mas não defesa ao goleiro Lee Beom-Young, que falhou na tentativa de defender com a perna esquerda.

Mantidas as formações no intervalo, Mano Menezes continuou fazendo uso de três volantes (Sandro, Rômulo e Alex Sandro) e parecia não se esforçar em impôr um estilo de jogo baseado na posse de bola. Pelo contrário: o Brasil se fechava atrás e, pouco compacto, apostava no talento de Oscar, Neymar e Leandro Damião mais à frente.

Jogando com a bola e buscando o ataque, a Coréia tinha tudo para empatar a partida aos três minutos em cobrança de pênalti. Mas a tal cobrança jamais aconteceu, graças ao árbitro tcheco Pavel Kralovec, que ignorou, mesmo bem posicionado, a penalidade cometida por Sandro em Kim Bo-Kyung. Sem ter nada a ver com isso (quer dizer, vai saber...) a seleção brasileira foi lá e marcou mais dois gols, ambos contando com o oportunismo de Damião, goleador no torneio olímpico com seis gols.

Após a larga vantagem no placar, Mano realizou uma substituição de cada vez. Colocou Hulk no lugar de Marcelo, deslocando Alex Sandro para a lateral-esquerda e passando a jogar com dois volantes em vez de três, aos trinta minutos do segundo tempo. Dois minutos após, trocou Damião por Alexandre Pato. Mais cinco passados, pôs Bruno Uvini no lugar de Juan. Lucas e Ganso no banco permaneceram. E o futuro tático do futebol brasileiro treme com a possibilidade de ver uma seleção com cara de time de pelada avançar em direção a uma conquista inédita.

Será muito melhor, acredita este blogueiro, que a façanha dourada aconteça nas Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016, e de preferência com a equipe sendo treinada de forma condizente às tradições daquela camisa amarela.

domingo, 27 de junho de 2010

Suárez Decide E Uruguai É 1º Sul-Americano Nas Quartas

20 anos após retornar às oitavas da Copa do Mundo, o Uruguai de Oscar Tabárez segue fazendo história e marca presença nas quartas-de-finais do Mundial - um feito que não ocorria desde 1970.

Na vitória por 2a1 sobre os sul-coreanos na partida disputada em Port Elizabeth, os uruguaios passaram momentos de dificuldades, sofreram seu primeiro gol na África do Sul, mas conseguiram retomar a tranqüilidade necessária para chegar a um triunfo onde a participação do atacante Luis Suárez foi decisiva. O camisa 9 chega aos 3 gols na competição e divide a artilharia com o argentino Gonzalo Higuaín, o eslovaco Róbert Vittek e o espanhol David Villa.

Falha da defesa asiática no início do jogo foi o maior diferencial de um primeiro tempo equilibrado

Logo aos 4 minutos, um lance de bola parada quase levou a Jabulani pela primeira vez para dentro do gol uruguaio: Park Chu-Young cobrou caprichosamente pelo lado esquerdo e mandou direto para a trave direita de Fernando Muslera, que ficou apenas na torcida.

No minuto seguinte, um arremesso lateral pelo lado esquerdo de ataque uruguaio colocou a bola dentro da área sul-coreana: Suárez e Edison Cavani disputaram com a defesa e a bola sobrou para Diego Forlán, que chutou e o goleiro Jung Sung-Ryong encaixou.

Já na marca de 7 minutos, o primeiro gol do jogo: Forlán abriu na direita com Cavani, que fez a inversão na esquerda devolvendo a bola para o camisa 10. Forlán cortou a marcação trazendo a bola para trás e cruzou à meia-altura atravessando toda a área. Haviam 5 jogadores sul-coreanos - além do goleiro - dentro da área, mas a bola passou por todos eles e encontrou a chuteira direita de Suárez, que não desperdiçou a chance e mandou para dentro.

A Coréia do Sul parecia ter sentido o impacto do gol precoce: além de não levar perigo com a posse de bola, mostrava-se vulnerável aos contra-ataques.

Um deles aconteceu aos 12 minutos, quando Cavani arrancou pela direita e abriu na esquerda com Suárez, que foi bloqueado ao tentar se livrar de Cha Du-Ri. Egídio Arévalo pegou a sobra chutando por cima.

Aos 26', Suárez teria chance real de fazer o segundo, mas foi parado pela arbitragem em impedimento mal marcado.

3 minutos depois, Cavani errou passe no meio-campo, Park Ji-Sung partiu em velocidade pela esquerda, cruzou rasteiro e Arévalo afastou. A Coréia do Sul dava sinais de melhora: aos 31 minutos, Chu-Young carrega da direita para o centro e chuta cruzado de canhota, mandando à direita do gol. 5 minutos depois, Chu-Young roubou a bola na esquerda e cruzou para a área - Muslera recolheu.

Na marca de 37 minutos, o alemão Wolfgang Stark aplicou o primeiro cartão amarelo da partida após carrinho de Kim Jung-Woo em Cavani. Forlán cobrou a infração para a área e Suárez cabeceou entre dois adversários para defesa de Sung-Ryong.

3 minutos depois, o lateral direito Du-Ri deu bonito chute da intermediária - a bola fez um movimento de subida e descaída, mas acabou indo por cima do travessão. Mais três minutos passados, resposta uruguaia: Suárez passou para Diego Pérez, que chapelou a marcação e chutou - a bola bateu no braço aberto de Ki Sung-Yong, mas a arbitragem interpretou como toque involuntário e não marcou pênalti. No minuto seguinte, Chu-Young cobrou falta na barreira uruguaia e Du-Ri pegou o rebote chutando por cima da meta.

Coreanos impõem grande pressão e chegam ao empate. Mas quem tem Suárez...

A partida teve início para o segundo tempo com duas modificações. Uma promovida por Tabárez: saiu Diego Godín para a entrada de Mauricio Victorino. A outra proporcionada por São Pedro: passou a chover no estádio Nelson Mandela Bay.

Aos 3 minutos, Suárez tem a bola pelo centro e Cavani se apresenta à direita para receber em boas condições. Porém, o camisa 9 decide chutar de fora e Sung-Ryong encaixa.

2 minutos depois, a Coréia do Sul chegou bem: Lee Young-Pyo avança pela esquerda, cruza baixo, Chu-Young deixa passar e Jorge Fucile corta antes da finalização. No minuto seguinte, bola alçada para a área uruguaia, Chu-Young pega a sobra de Diego Lugano ainda dentro da área e chuta por cima.

Na marca de 9 minutos, mais Coréia no ataque: Ji-Sung se livra de Lugano pela esquerda e manda rasteiro para o lado direito - o chute de Chu-Young vai em Victorino. 3 minutos depois, Du-Ri cruza da direita, Ji-Sung cabeceia antes da chegada de Lugano e Muslera salta para segurar no canto esquerdo.

Com 15 minutos, Huh Jung-Moo realiza a primeira troca em sua equipe: sai Kim Jae-Sung e entra Lee Dong-Gook.

E, quando o Uruguai parecia poder respirar após seguidos momentos de pressão, veio o gol de empate aos 22 minutos. Lugano cometeu falta pelo lado esquerdo de ataque sul-coreano ao derrubar Ji-Sung. Veio o levantamento na área, Victorino cabeceou sem conseguir afastar o perigo e Lee Chung-Yong chegou antes de Lugano para cabecear ao gol - Muslera decidiu sair para tentar dividir com o camisa 17 mas também atrasou.

Não se sabe se o gol acalmou os sul-coreanos ou se despertou os uruguaios. Talvez as duas coisas, talvez nenhuma delas - de repente era uma tendência natural do desenrolar do jogo. O fato é que, aos poucos, a seleção sul-americana foi adquirindo o controle das ações da partida.

No minuto seguinte ao empate, Du-Ri recebeu cartão por entrada em Álvaro Pereira. Na cobrança, Forlán colocou na área e a bola foi viajando ao gol - Sung-Ryong encaixou com as duas chuteiras dentro do gol mas o peito inclinado para dentro do campo, quase dando chance para o azar. Aos 25', Chung-Yong recebeu pela direita e chutou fraco, facilitando a defesa de Muslera. Aos 27', Cavani passou para Suárez, que mandou ao gol e Sung-Ryong espalmou - Forlán fechava pelo meio. No minuto seguinte, Fucile rifou a bola a partir da intermediária, Suárez chegou livre e cabeceou pro chão, mandando à direita.

Tabárez fez a segunda troca uruguaia: Pereira por Nicolás Lodeiro, jogador que foi expulso alguns minutos depois de entrar em campo na estréia diante dos franceses.

Aos 29 minutos, grande jogada do Uruguai: de Pérez para Cavani, deste para Maximiliano Pereira e dele para Forlán, que chutou e Sung-Ryong fez a defesa.

5 minutos depois, o desempate: Forlán cobra escanteio pelo lado direito e a defesa afasta de cabeça. Na seqüência, Lodeiro dá a bola para Suárez, que trás em diagonal para trás cortando a marcação de Jung-Woo e chuta cruzado, colocado, à meia-altura, com a bola batendo na trave esquerda antes de entrar.

Aos 37', Pérez protagonizou uma cena que refletia o espírito uruguaio: brigou pela bola, perdeu o equilíbrio, acreditou no lance e foi impedido faltosamente por Cho Yong-Hyung. Cartão amarelo para o sul-coreano, que teve trabalho para derrubar o camisa 15.

Na marca de 39', Suárez deixava o gramado para ser substituído pelo meio-campo Álvaro Fernández.

Aos 40', Lodeiro tentou enfiada de bola para Cavani mas Sung-Ryong saie bem e recolheu. No minuto seguinte, chance de novo empate: Dong-Gook recebeu enfiada precisa de Ji-Sung, ficou cara-a-cara com o goleiro e chutou rasteiro - Muslera defendeu parcialmente, a bola passou por ele mas Lugano apareceu para colocar ordem na casa. Parece que os sul-coreanos sentiram que não haveria chance similar a essa para tentar a igualdade no placar. Como efetivamente não houve, pois a última oportunidade de gol da partida foi do time de azul-e-preto: aos 45', Férnandez cruzou baixo a partir do lado direito, Lodeiro não alcançou e Sung-Ryong pegou a bola.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Higuaín Desencanta Com Hat-trick E Argentina Goleia

A Argentina voltou a apresentar um belo futebol, foi pra cima do adversário, criou as ocasiões de gol e conquistou um resultado que a coloca muito perto das oitavas-de-finais. Houve gol de bola parada, gol irregular, gol de contra-ataque e gol administrando a posse de bola. A Coréia do Sul ameaçou em raras oportunidades e somente chegou ao gol graças a um descuido da zaga argentina em lance isolado. Perguntado por um jornalista sobre uma manchete para caracterizar o jogo, Diego Armando Maradona sugeriu: "Argentina jogou uma grande partida e foi implacável".

Se na estréia Gonzalo Higuaín ora falhava na pontaria, ora esbarrava na grande atuação do goleiro nigeriano, dessa vez o camisa 9 argentino saiu da partida demonstrando oportunismo e assumindo a artilharia isolada na Copa do Mundo 2010, com 3 gols.

O jogo

Com 3 minutos, Carlos Alberto Tévez passou para Ángel Di María, que chutou à direita do gol. Aos 7 minutos, Lionel Messi recuperou a posse de bola no campo de ataque, passou para Carlitos Tévez, que tocou para Higuaín chutar para fora em lance que sugeria um cruzamento. Aos 14', Di María foi agarrado pelo lateral direito Oh Beom-Seok: falta. Messi cobrou e, na linha da pequena área, a Jabulani encontrou a caneleira de Park Chu-Young e foi parar dentro do gol sul-coreano.

Com 22 minutos, Walter Samuel - que havia sentido a coxa minutos antes - deu lugar a Nicolás Andrés Burdisso.

A Coréia do Sul não conseguia se aproximar do gol de Sergio Romero e os chutes de fora da área não ofereciam perigo. A Argentina, pelo contrário, tramava boas jogadas e instalava o pânico na defesa asiática, que recorria a parar as jogadas com falta. Numa delas, aos 27', Messi foi derrubado por Cho Yong-Hyung, a 29 metros do gol. Na cobrança, o camisa 10 passou da bola e rolou para trás com a sola da chuteira para Tévez soltar um foguete que passou muito perto do travessão. Beom-Seok era o exemplo mais fiel do nervosismo sul-coreano, errando saída de bola e passe curto em intervalo inferior a um minuto. E foi um minutinho após o segundo desperdício da posse de bola do camisa 2 que a Argentina chegou ao 2º gol, nascido novamente com a bola parada, em falta cometida por Kim Jung-Woo em Tévez. Maximiliano Rubén Rodríguez cobrou curto para Messi, recebeu de volta e colocou a bola na área. Burdisso, de costas para o gol, cabeceou para trás e a redonda encontrou Higuaín em posição legal, que não desperdiçou e marcou também usando a cabeça.

Aos 39', Higuaín avançou com a bola pela direita e cruzou na área. Jung Sung-Ryong espalmou mas sem afastar o perigo: a bola sobrou para Di María, que caprichou num chute que somente não entrou devido a boa defesa de Sung-Ryong. 5 minutos depois, Messi protagonizou maravilhosa jogada quando recebeu de Tévez, se livrou de 3 marcadores dando 3 toques na bola, arrumou e chutou perto da trave esquerda.

Aos 45 minutos os sul-coreanos acharam um gol: o goleiro rifou a bola da própria grande área e Chu-Young ajeitou de cabeça. A bola foi para domínio de Martín Gastón Demichelis, que se descuidou no lance e acabou permitindo que Lee Chung-Yong recuperasse a bola e estufasse a rede de Romero.

Na volta do intervalo, substituição por parte de Huh Jung-Moo: Ki Sung-Yong por Kim Nam-Il. Mas era a Argentina quem continuava ditando o ritmo da música. Aos 6 minutos, Tévez deu belo passe para Di María, que serviu Higuaín para uma defesaça do goleiro Sung-Ryong. Aos 8', Tévez recebeu na esquerda, avançou, chutou a um passo da linha da grande área e Sung-Ryong rebateu.

Na marca de 12 minutos, a Coréia do Sul teve sua única chance real de empatar a partida e ameaçar o triunfo argentino. Em contra-ataque sensacional, bela troca de passes entre Chu-Young e Yeom Ki-Hun que teve início na altura do meio do campo e seguiu em velocidade com a finalização passando perto da trave esquerda.

Com 29 minutos, Maradona tirou Tévez e colocou Sergio Leonel Agüero del Castillo para fazer sua estréia no Mundial. E ela foi em grande estilo. 2 minutos depois, linda troca de passes entre Messi e Agüero, com o camisa 10 recebendo cara-a-cara com o goleiro sul-coreano, que rebateu o chute. A bola retornou aos pés de Messi, que dessa vez finalizou acertando a trave. Quase como na lei do magnetismo, a redonda encontrou Higuaín totalmente livre, porém em impedimento não flagrado, que limitou-se a dar um toquinho e ampliar a vantagem.

3 minutos depois veio o 4º gol argentino: Messi deu lindo passe para Agüero, que, com o lado de fora do pé, deu cruzamento magistral para Higuaín cabecear no contrapé de Sung-Ryong. No minuto seguinte, o novo artilheiro da Copa dava lugar a Mario Áriel Bolatti.

Aos 46' o genro de Maradona quase fez o dele: Messi roubou a bola, passou para Agüero e este arrancou em velocidade dando dois cortes em Lee Jung-Soo e chutando alto e cruzado, rente à trave direita. Seria a azeitona na empada de alguém que mostrou em menos de 20 minutos mais futebol do que muitos em partidas inteiras.

Alguns imaginavam que a ausência de Juan Sebastián Verón no jogo de hoje levaria Maradona a fechar um pouco mais o time, colocando Burdisso na linha de zaga e adiantando Jonás Manuel Gutiérrez para a função de volante. Ledo engano: "Don Diego" tornou sua seleção ainda mais ofensiva optando por Maxi Rodríguez e o que se viu foi mais uma exibição encantadora da equipe.

sábado, 12 de junho de 2010

Sul-coreanos E Argentinos Largam Na Frente No Grupo B

A Coréia do Sul usou e abusou da velocidade que lhe é característica mas acabou vencendo o jogo aproveitando-se das falhas da Grécia.

Com 2 minutos de jogo, a primeira chance clara de gol: escanteio cobrado pelo capitão Giorgos Karagounis e conclusão de Vasilis Torosidis para fora. Aos 6', o gol sul-coreano: em cobrança de falta realizada próxima a marca de escanteio, a bola viajou para dentro da pequena área da Grécia. Lá estavam 5 jogadores europeus e 3 asiáticos, mas a Jabulani chegou limpinha para Lee Jung Soo, livre, escorar para dentro e abrir o placar.

Depois, 3 erros consecutivos da arbitragem do neo-zelandês Michael Hester. Aos 14' ele ignorou pênalti a favor da Coréia; aos 21', empurrão na meia-lua que daria falta perigosa para a Grécia, também ignorado; e aos 24' Park Ji-Sung ficou cara-a-cara com o goleiro Alexandros Tzorvas, mas o árbitro enxergou falta no lance.

Aos 27', em lance não atrapalhado pelo juíz, a Coréia do Sul encaixou rápido contra-ataque, que só não foi mortal pois Tzorvas defendeu a finalização de Park Chu-Young.

No intervalo, Rehhagel trocou Karagounis por Christos Patsatzoglou, passando a braçadeira de capitão para o atacante Angelos Charisteas.

Novamente na marca de 6 minutos, gol da Coréia: Loukas Vyntra vacilou no domínio de bola ainda no campo de defesa, Park Ji-Sung recuperou a bola e avançou para fazer belo gol.

Insatisfeito com a inoperância dos seus atacantes, Rehhagel mexeu mais duas vezes nos homens de frente: saíram Georgios Samaras e Charisteas para as entradas de Dimitris Salpingidis e Pantelis Kapetanos. A braçadeira de capitão rumou para o 3º dono, o meia Kostas Katsouranis.

E aos 17' a Coréia chegou muito perto do 3º gol, com o camisa 10 Park Chu-Young cabeceando rente ao ângulo outro cruzamento certeiro.

A partir daí, a seleção grega finalmente conseguiu pressionar e foi pra cima do adversário. Aos 22', Gekas recebeu lançamento dominando no peito e emendando uma bicicleta que saiu por cima do gol. 2 minutos depois, Salpingidis cabeceou para defesa de Jung Sung-Ryong. Na seqüência, Salpingidis limpou a jogada e rolou para Kapetanos, que finalizou por cima. A Grécia era só ataque e aos 25' Giorgios Seitaridis cruzou em altura baixa na direção de Salpingidis, que chutou mas viu a bola ser desviada para escanteio no meio do caminho.

Na marca de 35 minutos, a grande chance grega: Seitaridis passou para Theofanis Gekas, que chutou para bela defesa do goleiro, dando origem ao 11º escanteio da Grécia na partida.

Após esse lance, a Coréia do Sul retomou o controle do jogo. Sem conseguir penetrar na defesa adversária, Park Chu-Young chutou de fora da área para defesa de Tzorvas, aos 36'. Com 40 minutos, foi a vez do goleiro grego defender chute de Lee Chung-Young.

Cada time teve suas chances de gol, 50% da posse de bola, mas a Coréia acabou conseguindo ser mais organizada e produtiva do que a Grécia, que vai sentindo o peso de um tabu: ainda não marcou gol em Copa.

Argentina 1a0 Nigéria
O jogo foi eletrizante, com ambas as seleções mantendo o foco em atacar o adversário. Logo aos 2 minutos, Victor Obinna avançou nas costas de Martin Demichelis para soltar um foguete cruzado, mas sem direção. No minuto seguinte, a resposta: Lionel Messi arrancou em velocidade e rolou para Gonzalo Higuaín, que chutou para fora. Aos 5', Messi mirou o ângulo, a bola tinha o endereço exato, mas Vincent Enyeama vôou para mandar para escanteio. E foi após cobrança de escanteio que veio o gol do jogo: Juan Sebastián Verón fez o cruzamento e Gabriel Heinze mergulhou, livre, para mandar a bola no ângulo.

Com 9 minutos, Walter Samuel errou na saída de bola, armou o contra-ataque adversário, mas recuperou-se na jogada mandado para escanteio. A outra chance nigeriana na primeira etapa deu-se em chute cruzado de Chinedu Obasi, para fora, aos 27'. De resto, tudo o que se via era pressão argentina e grandes defesas de Enyeama: aos 20', Messi deu passe açucarado para Higuaín parar em defesa do goleiro e aos 36' Messi cobrou falta para Ángel Dí Maria, recebeu de volta e chutou com precisão, buscando o ângulo,para nova defesaça de Enyeama.

Na segunda etapa, o jogo incrivelmente seguia um ritmo frenético, com chances para ambos os lados. Destaques para um veloz contra-ataque argentino, aos 19', quando Carlitos Tévez avançou de uma intermediária até a outra, rolou para Messi que chutou raspando a trave. 6 minutos depois, Taye Taiwo chutou cruzado rente à trave esquerda de Sergio Romero - o jogador nigeriano sentiu uma contusão após o lance e saiu substituído por Kalu Uche. Na marca de 36', tanto a Argentina teve a chance de garantir a vitória quanto a Nigéria de alcançar o empate. Primeiro, linda tabela entre Dí Maria e Messi, que parou novamente em defesa de Enyeama. Na seqüência, triangulação entre Obafemi Martins, Yakubu Aiyegbeni e Uche, que chutou para fora.

Sentindo o perigo, Diego Armando Maradona trocou, aos 40', Di María por Nicolas Burdisso. E a última chance nigeriana deu-se no minuto seguinte, de fora da área, quando Aiyegbeni arriscou e quase colocou a Jabulani onde a coruja dorme.

A Argentina demonstrou forte poder ofensivo e só não saiu do estádio Ellis Park com uma chuvarada de gols porque a atuação de Vincent Enyeama foi simplesmente espetacular. A Nigéria, embora muitas vezes bombardeada, mostrou qualidades que a credenciam a buscar a vitória nos dois próximos compromissos.