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domingo, 20 de dezembro de 2015

Dia De Graça: Com Arte, Mais Um Título Mundial Do Barça

Imagem extraída de ESPN.com.br
O Barcelona continua fazendo a história acontecer. Pela 3ª vez desde o nada distante ano de 2009, o clube catalão sagra-se campeão mundial de clubes. E o melhor de tudo: jogando aquele futebol que nos acostumamos a ver nos últimos anos.

Neymar, que estava presente naqueles 4a0 de 2011 (só que vestindo a camisa do Santos), dessa vez pôde se divertir na decisão intercontinental. Não chegou a marcar seu gol, mas foi elemento importante na construção do resultado, tendo dado a assistência para o gol inaugural, marcado pelo gênio Lionel Messi. O mesmo Messi, que marcara na prorrogação de 2009 diante do Estudiantes de Verón, que marcou duas vezes diante do Santos de Neymar. O maior futebolista que o mundo já viu. Ou pelo menos que esse blogueiro já viu. Simples assim.

Luisito Suárez, que havia sido o autor dos três gols nos 3a0 na semifinal, anotou mais dois na partida derradeira. Num lance de Busquets, e em outro de Neymar. Goleador absoluto no torneio.

Foto: Yoshizaku Tsuno.
Mas nem só de MSN vive a graça do Barça. Busquets é um volante que esbanja elegância, sem jamais deixar de ser discreto. Iniesta conduz os acontecimentos com uma postura de fazer lembrar o também carequinha Zinedine Zidane. Mascherano e Piqué compõem uma zaga que beira a perfeição. Bravo, com pelo menos duas defesas espetaculares, manteve a meta barcelonista inviolável. Enfim, não dava para o River Plate. Ainda mais para um River Plate com flagrantes limitações técnicas. O grande destaque argentino no Japão foi, sem dúvidas, sua fantástica torcida. A trilha sonora da partida foi o som ambiente do estádio em Yokohama: os cânticos de milhares de apaixonados, que cruzaram os oceanos e que, num intervalo de quatro anos, testemunharam um rebaixamento e um renascimento. Aliás, muitos renascimentos. Coisa típica dos gigantes.


Mais cedo, o japonês Sanfrecce Hiroshima conquistou o terceiro lugar com uma vitória por 2a1 sobre o milionário chinês Guangzhou Evergrande, de Luiz Felipe Scolari.

É um dia feliz para o futebol.

Mais detalhes sobre a partida entre Barcelona e River Plate podem ser vistos na narração em tempo real pelo Tuíter @jogandoagora. A maioria das postagens acompanham a #BarRiv.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Real Mundial E Auckland Histórico

Sábado parei pra assistir os dois jogos derradeiros do Mundial de Clubes 2014: a disputa de terceiro lugar entre Auckland City e Cruz Azul, e a disputa de título entre Real Madrid e San Lorenzo.

Foram dois jogos interessantes. E vamos por partes. Primeiramente, tanto o 1a1 no primeiro jogo (vitória neo-zelandesa nos pênaltis) quanto o 2a0 no segundo foram justos. Uma justiça de precisão quase matemática. Explico daqui a pouco. Em segundo lugar, foi interessante observar o quanto o futebol está aberto a mudanças. Como tudo na vida, aliás. Aquelas imagens pré-concebidas de azarões e favoritos são negligenciadas quando soa o apito e tem início a prática esportiva - o que acho ótimo. Muitos poderiam imaginar que o Cruz Azul, por ser uma equipe do México enfrentando alguém lá da Oceania, venceria o jogo sem maiores transtornos. Enganaram-se. Muitos poderiam imaginar que o Real Madrid, com todo o seu poder financeiro, passaria fácil pelo modesto San Lorenzo. Enganaram-se. Quer dizer, em parte até que foi relativamente fácil. Explico daqui a pouco.

Retornando à "justiça de precisão quase matemática", o jogo entre Auckland e Cruz Azul teve um tempo de cada time. Surpreendentemente, a equipe da Nova Zelândia foi amplamente superior na primeira parte regulamentar e abriu o placar pouco antes do intervalo, em lance com direito a lançamento espetacular de Tade e conclusão consciente de De Vries. De dar gosto. Só que no segundo tempo o cenário mudou. Ambas as equipes mudaram de atitude e o que se viu foi um Cruz Azul sufocando o adversário. Veio o empate em gol de Rojas e só não pintou a virada por causa da grandiosa atuação do goleiro Spoonley.

Precisariam das penalidades para desempatarem definitivamente a disputa de terceiro lugar. E se as primeiras cobranças foram convertidas, coube a Irving desperdiçar a sua. Logo Irving, que fez ótima partida até então. Seria injusto com o defensor, que inclusive evitou gol oponente com bola rolando, que caísse sobre as suas costas o peso da derrota nos pênaltis. Não caberia a expressão "justiça de precisão quase matemática" nessas circunstâncias. Então, Fórmica perdeu sua cobrança logo na seqüência, igualando o número de desperdícios. Duas séries depois, foi a vez de Valadéz não aproveitar. E caiu nos pés do nigeriano Issa a cobrança histórica: bola na rede e, pela primeira vez em todos os tempos, uma equipe da Oceania faturava o terceiro lugar na Copa do Mundo de Clubes. Uma festa para lá de Marrakech.
Imagem extraída de Enlasgardas.
Auckland City celebra o feito histórico: com vitória nos pênaltis, clube neo-zelandês sagrou-se terceiro colocado no Mundial de Clubes 2014.

Se a disputa de terceiro lugar teve um tempo de cada time, a final do torneio teve dois tempos de uma equipe só: o Real Madrid. Por uma questão de "justiça de precisão quase matemática", o clube espanhol marcou um gol em cada parte e faturou o caneco. Só que, por maior que tenha sido a superioridade da equipe branca, é fato que houve dificuldades na construção do resultado. Os gols do jogo sentenciam isso. O placar foi inaugurado em lance de bola parada: após escanteio cobrado por Kroos, Ramos cabeceou para a rede. Pós-intervalo, Bale recebeu de Isco e chutou bola defensável, que passou por baixo de Torrico.

Mas seria simplista dizer que o Real conquistou o troféu intercontinental por causa de um lance de bola parada e de uma falha do goleiro. É claro que, não fossem esses gols, a equipe poderia se complicar e o San Lorenzo, quem sabe?, crescer a ponto de construir a vitória. Mas o time comandado por Carlo Ancelotti mostrou-se hábil em diversas situações. Uma delas, a bola parada que abriu a contagem. Os contra-ataques, rápidos e produtivos, renderam outros bons momentos. E a posse de bola é explicitamente superior a dos tempos de seu antecessor, o português Mourinho. Por falar em lusitano, quem teve atuação abaixo do que se espera foi Cristiano. E, pra coroar sua performance em Marrakech, sequer cumprimentou Platini na premiação e ainda se recusou a dar entrevista. Quando se é mais estrela (no sentido opaco da palavra) do que profissional (no sentido humano do termo), acontece dessas coisas. De resto, parabéns para a sensacional torcida do San Lorenzo. Possivelmente, os adeptos argentinos foram os personagens mais marcantes nesse evento disputado no Marrocos. Ao lado do Auckland, claro, que conseguiu fazer história.
Foto: Christoph Ena / AP.
 Elenco do Real Madrid celebra o título mundial: equipe chegou à 22ª vitória consecutiva diante do San Lorenzo e está perto de recorde histórico.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Mundial De Clubes 2014: Momento De Definições

Imagem extraída da seguinte URL.

O Mundial de Clubes 2014 está rolando no Marrocos e, mesmo antes da final, já podemos declarar uma equipe como "vencedora" no torneio internacional: o Auckland City, da Nova Zelândia.

O time neozelandês conseguiu eliminar o argelino ES Setif com uma vitória por 1a0 (gol de Irving), protagonizando a primeira classificação para a semifinal de um representante da Oceania na história da competição. Na semifinal, se alguém imaginou que o Auckland seria engolido pelo argentino San Lorenzo, se enganou. Se enganou redondamente. A vitória do time do papa Francisco (aniversariante do dia) foi na base do sufoco, talvez até com alguma intervenção miraculosa, em partida que, com direito à prorrogação, terminou 2a1 para o campeão da Libertadores. A equipe neozelandesa irá disputar o terceiro lugar de cabeça erguida. E se o mexicano Cruz Azul (que venceu o australiano Western Sidney por 3a1 antes de levar 4a0 do espanhol Real Madrid) achar que terá moleza, talvez também sucumba diante do surpreendente Auckland.

Final entre San Lorenzo e Real Madrid

Para a disputa pelo título, o favorito é o Real Madrid. Atravessa um grande momento, estando próximo de igualar o recorde mundial de 24 vitórias consecutivas do Coritiba, além de contar com um elenco tecnicamente forte e taticamente consistente. Reitero aqui os elogios a mais um grande trabalho realizado pelo treinador italiano Carlo Ancelotti.

O San Lorenzo tem totais condições de criar dificuldades aos merengues, e para isso contam com um time determinado (os jogadores jamais entregam os pontos, vide a própria campanha na Libertadores, quando chegaram a ser lanternas no grupo que tinha Botafogo, Unión Española e Independiente Del Valle), com atletas de boa qualidade técnica (Más, Buffarini, Villalba e Matos são alguns exemplos), com uma torcida entusiasmada (simplesmente contagiante a participação dos adeptos em Marrakech, pela semifinal) e... tchan, tchan, tchan, tchan... com o papa Francisco. Pensando bem, será que o Real é realmente favorito?

Separe o sábado com carinho: às 14e30 tem Auckland City e Cruz Azul; e às 17e30 rola a bola para San Lorenzo e Real Madrid.

Ah! A disputa de quinto lugar rolou ontem: após empate por 2a2 que persistiu até a prorrogação, o ES Setif superou o Western Sidney nos pênaltis, por 5a4, após oito cobranças de cada lado.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Resumão Do Mundial De Clubes 2013 - Bayern Campeão, Raja Surpresa

Para não deixar passar em branco, aqui estamos para abordar brevemente o Mundial de Clubes 2013. Torneio que teve uma grande surpresa: o Raja Casablanca, representante do país-sede. Ou seja, único participante que não faturou um título continental.

Estreou na competição vencendo o campeão da Oceania - o Auckland City - por 2a1. Até aí, nada demais, pois o futebol que se joga entre clubes na Oceania carece de tradição (embora recentemente a liga australiana tenha recebido Alessandro Del Piero como jogador, o que por si só já gera um salto de qualidade ou pelo menos de atratividade para a modalidade naquele país). Na fase quartas-de-final, uma vitória sobre o mexicano Monterrey, na prorrogação, surpreendeu bastante gente. E colocou o Raja na reta do Atlético. E deu Marrocos em Marrakech. Uma vitória convincente e justa, por 3a1, acabou com o (mais novo) sonho atleticano. Fez os brasileiros voltarem a pronunciar o nome 'Mazembe'. Um feito histórico para o futebol marroquino.

Então, veio a final. E é hora de falarmos do Bayern de Munique. De Josep Guardiola. O Bayern de Guardiola jogou muita bola. Cometeu erros na defesa, mais até do que se espera de um time bem organizado, mas não pagou caro por isso, pois o Casablanca não estava num dia dos mais inspirados em termos de finalização. Com gols dos brasileiros Dante e Thiago, os bávaros celebraram o tricampeonato intercontinental. Também foi o terceiro troféu mundial de Pep, que havia faturado as outras duas vezes com o Barcelona. Esse casamento entre Bayern e Guardiola começou há menos de um semestre e a verdade é que as expectativas estão lá em cima. É a "máquina vermelha", fortíssima candidata a levantar o caneco na Bundesliga e na Liga dos Campeões da Europa. O que engrandece ainda mais o feito do Raja Casablanca, que conseguiu chances claras para pelo menos forçar uma prorrogação diante do Gigante da Baviera.

O Galo, que assegurou o terceiro lugar após vitória sobre o chinês Guangzhou Evergrande por 3a2 (em jogo de duas viradas, com o último gol saindo nos acréscimos), se despede de Cuca, que vai exatamente para a China. O Guangzhou, que no Mundial venceu o Al Ahly, do Egito, e depois perdeu para o Bayern, é multicampeão naquelas terras. Mas quem está preocupado com isso agora é o Cuca. Ao Atlético, com Autuori, cabe a difícil missão de conquistar novamente a América. Não será simples, mas Cuca já mostrou a este clube qual é o caminho da glória continental. Caminho que o próprio Autuori já percorrera em duas ocasiões. Portanto, cabeça erguida, Galo! E boa sorte do outro lado do mundo, Cuca!

De resto, cabe parabenizar o Raja Casablanca pela surpreendente campanha (sua torcida foi um espetáculo à parte) e parabenizar o Bayern de Munique pelo futebol apresentado, com o padrão Pep de qualidade. Resumidamente, é isso. Até o fechamento desta postagem, o Fluminense não entrou com recurso contra Auckland, Al Ahly, Monterrey, Guangzhou, Atlético, Raja nem Bayern.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Equipe E Jogada Da Semana

O Sport Club Corinthians Paulista vivenciou nos últimos dias o que foi provavelmente a semana mais especial na história centenária da instituição. Desde a chegada ao Japão (onde milhares de corinthianos desembarcaram para representar milhões de torcedores do clube) até o momento em que o troféu do Mundial foi erguido, passando pelas vitórias sobre Al Ahly e Chelsea. Uma semana mágica. Para ficar eternamente dentro de muitos corações.

Jogada da semana

Napoli e Bologna jogavam no estádio San Paolo, pelo encerramento na 17ª rodada no Campeonato Italiano 2012-3. E veja só o que fez Kone, aos quarenta minutos do segundo tempo...

domingo, 16 de dezembro de 2012

Mundo De Loucos. Por Ti, Corinthians

Yokohama foi sede de um dos dias mais especiais na história do Sport Club Corinthians Paulista. Diante do atual campeão europeu de clubes - o Chelsea -, o "Bando de Loucos" conquistou o título mundial 2012. Partida dificílima, onde o Alvinegro do Parque São Jorge fez-se valer daquela consistência tática apresentada na Copa Libertadores da América desse ano.

São muitos os personagens da épica conquista corinthiana. O lateral Alessandro, por exemplo, foi de uma entrega descomunal para cumprir a missão de neutralizar o hábil belga Eden Hazard. O volante Paulinho jogou por si e, em alguns momentos, por Ralf, que não esteve no melhor de seus dias. E o que dizer da aplicação de Danilo? Parecia ocupar espaços diferentes ao mesmo tempo! Jorge Henrique foi uma decisão acertada de Tite, desempenhando uma função que nem três Douglas seriam capazes de fazer. Paolo Guerrero... esse é um predestinado - o mais paulistano dos peruanos, a partir desta data. Poderia aqui citar os nomes de cada membro que viajou para o Japão representando uma multidão de torcedores. Mas há um nome em especial. O heróico goleiro Cássio. Aquele mesmo, responsável direto pela classificação para a semifinal na Libertadores (memorável defesa em finalização de Diego Souza, no segundo tempo no Pacaembu). Dessa vez, Cássio foi além. Foi ao além, talvez. Três, possivelmente quatro, alguns dirão cinco defesas miraculosas. A intervenção no chute cruzado de Victor Moses foi alguma coisa de outro mundo. Mundo que, até segunda ordem, é do Sport Club Corinthians Paulista.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Chelsea Vence, Convence E Ganha Moral Pra Final Do Mundial

A quase unânime opinião de que o Monterrey daria mais trabalho ao Chelsea do que o Al Ahly ao Corinthians foi frustrada após a realização das semifinais. Enquanto os egípcios deram uma canseira na equipe de Tite e quase levaram o jogo para a prorrogação, os mexicanos sucumbiram a um adversário explicitamente superior, que se deu ao luxo de terminar a partida em ritmo de treinamento.

E olha que os Azuis jogaram desfalcados de uma peça-chave: o brasileiro Ramires, que assistiu do banco de reservas o compatriota David Luiz desempenhar bem a função de volante. Com cinco minutos de partida, David Luiz já tinha dado um chute perigoso e efetuado uma bela enfiada de bola para Hazard, que quase resultou no primeiro gol do jogo.

Primeiro gol que saiu aos dezesseis minutos, naquela que foi a primeira participação efetiva de Ashley Cole no campo de ataque. O lateral-esquerdo se apresentou, tabelou com Oscar recebendo toque de calcanhar e serviu Juan Mata, que finalizou bem, no canto direito. 1a0 Chelsea em linda trama de jogada.

O Chelsea teve novas chances de gol, mas aos poucos o Monterrey foi encaixando melhor a marcação e dificultando o poder de criação dos comandados de Rafa Benítez. Até o intervalo. Na volta, não durou vinte segundos a continuidade do placar: após jogada individual de Eden Hazard pela esquerda, Fernando Torres recebeu, ajeitou com dois toques na bola e chutou para marcar o segundo.

A intensidade do Chelsea parecia ininterrupta e o terceiro gol saiu aos dois minutos. Em jogada espanhola envolvendo os dois autores dos gols, Torres inverteu com estilo para Mata, que recebeu na direita, buscou Oscar e Chavez acabou marcando contra. 3a0 Chelsea.

A tônica da partida continuava a mesma: o Chelsea presente no campo de ataque, tocando a bola. Com o placar confortável, Benítez foi promovendo alterações provavelmente mais pensando na final com o Corinthians do que nos minutos que restavam com o Monterrey. Aos poucos, os mexicanos foram se sobressaindo, chegando a ter mais tempo de posse de bola.

O atacante Aldo de Nigris era acionado rotineiramente, mas não conseguia passar por Petr Cech. Foram pelo menos três intervenções do arqueiro para evitar chances claras de gol do camisa nove. Mas o jogo limpo do Monterrey - digno de elogios - foi premiado com um gol de honra, nos acréscimos. E só podia ser dele: De Nigris, que recebeu pela direita e, dessa vez, venceu Cech.

Mas quem saiu vitorioso mesmo na noite de Yokohama foi o o futebol. Depois de tanta pancadaria na(s) final(is) da Copa Sul-Americana, um alento ver uma partida onde o foco é exclusivamente a bola. Que, por sinal, foi muito bem tratada na maior parte do tempo.

Confira como foi a transmissão da partida em tempo real, pelo @jogandoagora #MonChe.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Guerrero Do Parque São Jorge

Ele não estava na campanha do título na Copa Libertadores da América 2012. E, com uma contusão a algumas semanas do Mundial, tinha sua presença colocada em dúvida para essa partida semifinal. Dúvida que não habitou a cabeça dele próprio, pois sempre deu declarações de que estava bem e à disposição do treinador. E Paolo honrou o sobrenome. Saiu de sua cabeça a única bola que tomou o rumo da rede. Douglas cruzou de três dedos e o centroavante peruano cumpriu o ofício goleador.

Mas o que dizer do conjunto do Corinthians na partida diante do Al Ahly? Organizado do início ao fim, o time comandado por Tite foi timidamente superior durante um primeiro tempo equilibrado. Na etapa complementar, desabou após a entrada de Aboutrika no lugar de El Said, com menos de dez minutos. Aboutrika tem boa técnica, mostrando-se um jogador diferenciado pela simples forma como pega na bola. Tem visão. Tem categoria. Tem experiência. Mas um time como o Corinthians não pode nem deve se deixar dominar de tal maneira após uma mudança de jogadores no adversário. Nem que fosse o Lionel Messi entrando no gramado. Principalmente porque, do lado de lá, não estava nenhum Barcelona. Então fica a pergunta: até que ponto a entrada de Aboutrika melhorou o Al Ahly e até que ponto a melhora do Al Ahly fez desabar o desempenho corinthiano?

Fato é que os egípcios dominaram a etapa complementar e tiveram pelo menos três chances claras de gol. Três chances talvez mais claras do que o próprio lance do gol de Guerrero. Azar do Al Ahly que, num jogo onde vinte e oito atletas foram utilizados, quiseram os deuses do futebol que o herói na noite japonesa fosse um estrangeiro. Sorte do Corinthians que ele estava do lado brasileiro. É bem como dizem: São Jorge, santo Guerrero.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Al Ahly Na Rota Do Bando De Loucos

Com uma vitória por 2a1 sobre o Sanfrecce Hiroshima, o Al Ahly garantiu presença na fase semifinal no Mundial de Clubes 2012. Isso quer dizer que teremos os brasileiros do Corinthians duelando com os egípcios do Al Ahly, em partida agendada para a cabalística data de 12.12.12.

Dizer que o Al Ahly de bobo não tem nada é redundância clichezística. Primeiramente porque a categoria dos bobos está em vias de extinção no futebol profissional. Depois, porque para marcar presença na Copa do Mundo de Clubes, há que se ter algum tipo de mérito. O do Al Ahly, a julgar principalmente pelo segundo tempo de partida na noite japonesa (manhã brasileira), está na experiência de seu elenco. Se por um lado o Hiroshima esbanjava velocidade e deslocamento pelo gramado, a equipe comandada por Hossam El Badry era fiel a um estilo de jogo mais lento, mas de bastante noção do que fazer - e quando fazer - com a bola. O gol da vitória foi marcado pelo veterano Mohamed Aboutrika, que começou a partida na condição de suplente. Outro que entrou com o jogo em andamento foi Trezeguet. Mas não se engane: esse não é aquele francês com passagem marcante pela Juventus.  Com dezoito anos de idade, entrou para atuar aberto pelo lado direito ofensivo.

Invicto há sete partidas (a última derrota foi para o Tout Puissant Mazembe, velho conhecido dos colorados), o time egípcio parece pecar um pouco pela previsibilidade na transição ao ataque e pelo ineficaz sistema de marcação na última linha de defensores. Quer dizer, não sei se o desempenho da equipe diante dos japoneses era regra ou exceção. Mas o fato é que terão de jogar mais que isso para fazerem frente aos comandados de Tite.

Na outra chave, o Monterrey, que passou pelo Ulsan com vitória por 3a1, enfrenta o Chelsea, que viajou ontem após a vitória por 3a1 sobre o Sunderland, pela Premiership.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Equipe E Jogada Da Semana

 
A história que se escreve nas cores azul e grená segue com novos capítulos. Entre os dois últimos finais-de-semana, o épico Barcelona de Josep Guardiola entrou em campo três vezes. Primeiro, uma visita ao estádio Santiago Bernabéu para aplicar 3a1 sobre o Real Madrid - e de virada. Depois, viagem para o Japão e estréia no Mundial de Clubes 2011 com goleada por 4a0 sobre o Al Sadd, de Doha, Catar. Naquela partida semifinal, David Villa sofreu grave lesão e deverá desfalcar o Barça por cerca de um semestre (o reserva imediato, Alexis Sánchez, também se contundiu e não pôde jogar a final com o Santos). Veio, então, o domingo, dezoito de dezembro de dois mil e onze. Data para ser lembrada no calendário esportivo em geral e futebolístico em especial: com uma aula de bola, o Barcelona esmagou o Santos com 71% a 29% na posse de bola e 4a0 no número de gols, sagrando-se campeão mundial 2011. Histórico. E que venham muitos outros capítulos.

Jogada da semana

Recordar do mágico domingo em que o Barcelona ensinou a quem quisesse aprender como se joga uma equipe campeã de fato e de direito é um prazer. E, por esse gol que abriu a contagem no estádio internacional de Yokohama, torna-se um dever. Com linda assistência de Xavi Hernández e belíssima conclusão de Lionel Messi, o Barça fazia naquele momento o primeiro gol da partida final pelo Mundial de Clubes 2011. Aprecie sem moderação.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Um Campeão Como Deve Ser: Viva O Barcelona De Guardiola

Hoje o mundo da bola aprendeu uma lição. A sala de aula era o estádio Nissan, em Yokohama, que registrou 68.166 alunos presentes nas arquibancadas. Outras centenas de milhões de pessoas acompanharam o aulão à distância, em todos os continentes do planeta.

Ministrando a aula estava o Barcelona de Josep Guardiola, com mais uma demonstração de que o futebol, esse tão apaixonante esporte inventado pelos bretões, vai muito além da mera prática esportiva - é uma manifestação artística. E, com atores do mais alto nível como são esses personagens que compõem o elenco barcelonista, o resultado só poderia ser um espetáculo.

Parabéns e obrigado, Barcelona. O domingo futebolístico foi agraciado com mais essa encantadora performance de um grupo que encanta o mundo há algum tempo. E é um prazer viver nesse tempo.

O jogo (leia-se "A aula")

O domínio azul-grená foi do primeiro ao último instante de partida. O melhor jogador santista em campo começou a se destacar com duas defesas em seqüência, aos doze minutos: primeiro espalmando chute cruzado de Lionel Messi e depois rebatendo a finalização de Thiago Alcântara, se redimindo do rebote proporcionado no lance. Ainda aos doze, Andrés Iniesta chutou de fora da área e mandou à direita.

O Santos descolou sua primeira finalização aos catorze minutos: Borges caiu em disputa com Gerard Piqué e o árbitro uzbeque Ravshan Irmatov apitou falta na proximidade da área. Na cobrança, Neymar rolou para Paulo Henrique Ganso e o chute do meio-campista saiu à esquerda, sem assustar. Dois minutos depois, aos dezesseis, o placar seria aberto com um golaço no estilo Barcelona. Troca de passes de um time que valoriza a posse de bola sem abrir mão da objetividade, domínio de bola e assistência dignas de um Xavi Hernández e finalização com o selo Messi de qualidade. Prefiro mostrar em vídeo do que narrar com palavras esse primor de jogada.


Com vinte minutos de aula, o Barcelona detinha 74% da posse de bola. Envolvia o Santos como quem enfrentasse um time qualquer, podendo fazer-nos esquecer que do outro lado haviam jogadores do nível de Arouca, Ganso e Neymar (naquele momento, Elano estava no banco). Aos vinte e três, tome 2a0 Barça: após intensa troca de passes, Daniel Alves recebeu na direita e deu a bola para Xavi, que dominou e, praticamente da marca do pênalti, chutou para a rede.


Dois minutos após marcar o segundo, quase saiu o terceiro: Messi tabelou com Francesc Fàbregas e Edu Dracena apareceu para evitar que a bola retornasse ao craque argentino, cortando em escanteio. No minuto seguinte, o Santos ensaiou um momento condizente com aquilo que se esperava da equipe campeã da Libertadores: de Henrique para Ganso, de Ganso para Borges e de Borges para defesa de Victor Valdés. Valdés voltaria a fazer uma defesa no minuto posterior, aos vinte e sete, recolhendo em dois tempos o que parecia ser uma tentativa de cruzamento de Borges (mas a julgar pela falta de companheiros na área adversária, talvez tenha sido um chute ao gol).

Organizado, bem postado, veloz, envolvente e algo mais, o Barcelona respondeu - se é que posso chamar de resposta, até porque em alguns momentos parecia só haver um time em campo. Aos vinte e oito minutos, Cesc Fàbregas apareceu livre e em posição legal na área oponente e finalizou mandando no poste direito. Aos trinta quem chutou foi Dani Alves, mas a bola passou à direita. O desenho do jogo era claro como um mais um são dois: se as coisas seguissem naquele rumo, sem maiores alterações, teríamos uma goleada histórica em plena decisão do Mundial de Clubes. Contundido, o lateral-direito Danilo deu lugar para o meio-campista Elano com meia hora de aula barcelonista.

Aos trinta e três, uma troca de passes envolvendo Xavi, Messi, Iniesta e Fàbregas bagunçou aquilo que muitos chamariam de defesa, mas o impedimento marcado parou o ataque. Só que nada nem ninguém pararia o terceiro gol, aos quarenta e quatro: uma avanlanche bicolor envolvendo Messi, Daniel Alves e Thiago terminou na conclusão de Cesc. Se nas palavras é difícil transmitir tamanha intensidade, tome vídeo-aula.


Pausa para o intervalo. E não demorou meio minuto para vermos que o segundo tempo de aula nos ajudaria a recordar a magia do primeiro: Cesc recuperou a bola às custas de Edu Dracena, passou para Messi, recebeu de volta e chutou. Rafael Cabral conseguiu fazer bonita defesa no canto esquerdo.

Com um minuto, o Santos chegou ao ataque: Borges recebeu de Ganso na direita, cruzou e Neymar cabeceou por cima. Tanto Borges era acompanhado de perto por Eric Abidal como Neymar era seguido por Daniel Alves, em mais uma mostra que atacar com freqüência combina com marcação bem realizada. Aliás, a impressionante disciplina tática dos comandados de "Pep" Guardiola no jogo sem bola também são um capítulo importante nessa aula de futebol ensinada pelo Barcelona: sem cometer sequer mais faltas que o adversário, o time catalão consegue dificultar a troca de passes oponente e rapidamente voltar a ter a bola consigo.

E a pressão voltou a se estabelecer. Aos seis, Messi arrancou escapando de Neymar e também de Durval, abriu na esquerda, Thiago Alcântara cruzou, Daniel Alves chegou de peixinho e a defesa santista quase marcou contra. Aos oito, Cesc acionou Messi com belo cruzamento, a fera argentina dominou e chutou, mas o goleiro Rafael conseguiu bloquear. O Santos tentou aos nove, com Borges, mas o chute foi bloqueado pela correta marcação do melhor time do mundo. Aos dez, tome Barça de volta ao ataque: Iniesta recebeu de Xavi, tabelou com Cesc Fàbregas e chutou cruzado, mandando à direita. Naquele mesmo minuto, Guardiola trocaria Piqué por Javier Mascherano.

O Santos teve boa chegada aos onze: Ganso deu ótimo passe para Neymar que, de frente pro gol, parou em bela defesa de Valdés. Com quinze minutos, Arouca iniciou contra-ataque que passou também por Léo, Neymar e Elano, sendo que a conclusão deste último foi desviada em escanteio.

Com o cronômetro indicando vinte minutos no segundo tempo, veio a informação de que naquele momento 73% do tempo da posse de bola era de um time só. Ou seja, praticamente 3 vezes mais que o time que assistia a aula.

Aos vinte e três, Messi surgiu de frente com Rafael com tamanha velocidade na jogada barcelonista que pode parecer que o camisa dez se teletransportou para aquele local onde se encontrava no momento em que foi marcado impedimento. Novo impedimento foi anotado aos vinte e seis minutos, com Messi recebendo de Iniesta e passando para Daniel. Aos trinta e dois, sem impedimento, quem interviu para evitar o que poderia ser mais um gol catalão foi o goleiro Rafael, cortando o passe que ia de Thiago para Cesc. Foi o último momento de Thiago Alcântara, que deu lugar para Pedro Rodríguez aos trinta e dois minutos - naquele mesmo instante, o Santos trocava Borges por Alan Kardec. Tudo isso sob um cenário onde o tempo de posse de bola estava em 72% pró-Barcelona e o placar em 3a0.

Um minuto depois de entrar em campo, Pedro acertou a trave direita santista, quase marcando o quarto. Se não saiu naquele chute, aconteceu dois minutos mais tarde: aos trinta e seis, um contra-ataque fulminante barcelonista teve passe de Daniel Alves para conclusão do melhor jogador do mundo, driblando o goleiro e mandando pra dentro. Um gran finale para uma grande atuação.


Perceba que no vídeo acima, enquanto o Barça celebrava o quarto gol, o treinador do Santos optava por trocar Paulo Henrique Ganso por Íbson. Aos trinta e nove minutos, o capitão Carles Puyol deu lugar para Andreu Fontás, defensor de vinte e dois anos. A goleada já estava consumada, o apito iria soar como aquele alarme que indica o final da aula, mas o Barcelona, insaciável, teria mais um ataque: aos quarenta e três, Dani - muito mais um ponta do que um lateral - tabelou com Pedro e chutou por cima da barra horizontal. Irmanov deu apenas um minuto de acréscimo. Um estraga-prazer, seria muito mais saboroso se tivéssemos mais tempo de jogo, digo, de aula. Mas a lição foi passada. Que todos tenham aprendido.

Encerro esse texto transcrevendo o que disseram Neymar e Walter Casagrande Júnior após o término do espetáculo.

"Hoje, aqui, aprendemos a jogar futebol" (Neymar)
"É o futebol arte que joga e que ganha. É só se espelhar nisso daí" (Casagrande)

domingo, 11 de dezembro de 2011

Mundial De Clubes 2011

O Mundial de Clubes 2011 começou na quinta-feira, dia oito (vitória do japonês Kashiwa Reysol sobre o neo-zelandês Auckland City, 2a0) e nesse domingo conheceu os cruzamentos semifinais do torneio.

De um lado, o Santos, campeão da Copa Libertadores da América 2011, enfrenta o Kashiwa Reysol (que após eliminar o Auckland City passou pelo mexicano Monterrey nos pênaltis, depois de igualdade em 1a1 no tempo normal e na prorrogação).

De outro lado, o Barcelona, campeão da Liga dos Campeões da Europa 2010-1, enfrenta o Al Sadd: a equipe do Catar venceu o tunisiano Espérance Sportive de Tunis (2a1).

Para podermos assistir a um duelo entre o Santos de Neymar e Paulo Henrique Ganso com o Barcelona de Lionel Messi e Francesc Fàbregas (para só citar duas feras de um timaço que encanta o mundo), os comandados de Muricy Ramalho e Josep Guardiola terão de confirmar dentro de campo o amplo favoritismo que carregam para as partidas semifinais. Coisa que o Internacional não conseguiu no ano passado.

Mas uma coisa é certa: algum brasileiro será campeão interclubes no próximo domingo. No elenco do Kashiwa Reysol há três tupiniquins (os meio-campistas Jorge Wágner e Leandro Domingues, além do treinador Nelsinho Baptista) e o próprio Al Sadd conta com um sujeito dessas terras (o atacante Leandro, natural de São Paulo). Mas o mais provável é que veremos nomes como Daniel Alves, Adriano e Maxwell, todos laterais do Barcelona, acariciando o troféu internacional.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Equipe E Jogada Da Semana

Pela primeira vez na história do Jogada De Efeito, a equipe da semana não está sediada no continente europeu e tampouco no americano. O Tout Puissant Mazembe Englebert, da República Democrática do Congo, conseguiu um grande feito para a história do futebol africano.

Tudo começou na sexta-feira, dia 10 de dezembro de 2010, quando a equipe comandada pelo senegalês Lamine N'Diaye venceu o Pachuca, do México, por 1a0 (gol de Hughes Bedi Mbenza), no estádio Mohammed Bin Zayed. Mas o resultado mais expressivo da competição ainda estava por acontecer em Abu Dhabi: na terça-feira, dia 14, o TP Mazembe venceu o favorito Internacional por 2a0 (gols de Patou Kabangu e Alain Kaluyituka Dioko) e garantiu uma inédita presença africana na final do Mundial de Clubes da FIFA.

Na final, a equipe congolesa não resistiu à força da Internazionale e terminou com o vice-campeonato após a derrota por 3a0. De toda forma, a campanha africana no Mundial é marcante para o futebol internacional. Parabéns, Mazembe!

Jogada da semana

O Napoli parece ter se tornado um time especialista em ganhar partidas nos instantes finais. Nos últimos quatro jogos (todos eles com vitórias napolitanas pelo placar de 1a0), isso aconteceu nada menos do que três vezes. Foi assim com o Palermo (gol de Christian Maggio), com o Steaua Bucareste (gol do uruguaio Edinson Cavani, garantindo a classificação na Liga Europa aos 47 minutos do segundo tempo) e também com o Lecce, que, com novo gol de Edinson Cavani aos 47 minutos da etapa complementar, o Napoli alcançou a vice-liderança na Série A italiana. Para elevar ainda mais a explosão de alegria no estádio San Paolo (palco comum dos três jogos citados), o gol marcado por Cavani nesse domingo foi de extrema beleza.

No vídeo abaixo, perceba dois fatos - além do golaço - que também chamam muita atenção: [1] a empolgação do comentarista e [2] um lance anterior, onde a defesa napolitana evitou o que parecia um gol certo do adversário. As partidas do Napoli, embora (ainda) não tenham sido transformadas em filme, se apresentam como uma ótima opção para quem gosta de um drama com final feliz.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

No Mundial De Clubes, Um Inevitável Fato Histórico


Neste sábado, 18 de dezembro de 2010, teremos uma final inédita no Mundial de Clubes da FIFA. E o ineditismo ganha ainda mais ares de fato histórico se levarmos em consideração que nunca antes uma equipe de um continente que não o sul-americano ou o europeu conseguiu chegar na decisão. O Tout Puissant Mazembe, da República Democrática do Congo e representante do futebol africano, enfrenta a favorita Internazionale de Milão. Talvez trate-se de um favoritismo menos acentuado do que o do Internacional de Porto Alegre na semifinal, adversário superado pelo Mazembe. Para chegar à decisão, o clube congolês também precisou jogar a fase quartas-de-final, momento em que iniciou sua surpreendente trajetória ao derrotar o mexicano Pachuca por 1a0. Ao clube italiano, o percurso até a decisão contou com uma única partida: a goleada sobre os sul-coreanos do Seongnam por 3a0 na fase semifinal.

Nome por nome, camisa por camisa, investimento por investimento, a Internazionale entrará em campo nessa final com a obrigação de vencer. Obrigação que o Internacional também tinha, mas deu no que deu. Ao Mazembe, cabe a tentativa de continuar escrevendo seu nome na história do futebol mundial, restando saber se o último capítulo terá direito ou não ao troféu de campeão. Mas uma coisa é certa: seja com o surpreendente Mazembe, seja com a postulante à "Quadrúplice" Coroa, Abu Dhabi testemunhará um fato histórico.

Disputa pelo 3º lugar

Também no sábado, mas pouco mais cedo, Internacional e Seongnam disputarão o terceiro lugar na Copa do Mundo de Clubes da FIFA. Embora nem uma goleada marcante apague da memória colorada a frustração de não figurar na decisão, o Internacional carrega a responsabilidade de amenizar o impacto da ausência na final com uma atuação de qualidade, o que deverá ser o suficiente para superar a equipe adversária. O Seongnam já cumpriu o seu papel - até bem demais - quando aplicou uma goleada por 4a1 sobre o Al Wahda, equipe anfitriã. Mas, caso Mauricio Molina esteja num dia inspirado, não é demais duvidar que algo de diferente possa acontecer.

Disputa pelo 5º lugar
Na disputa pelo 5º lugar, o Pachuca acabou levando a melhor diante do Al Wahda naquele que foi o primeiro confronto decidido nas cobranças de pênaltis. No tempo regulamentar, a equipe mexicana tomou o 2º gol aos 31 minutos do segundo tempo e perdia por 2a0 até os 37 minutos, quando iniciou a reação que levou o time à igualdade em 2a2 (Ismail Matar e Mahmoud Khami puseram os donos da casa em vantagem e dois gols do argentino Dario Cvitanich reestabeleceram o empate). O placar persistiu durante a prorrogação e, nas penalidades, vitória do clube mexicano por 4a2.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Do Congo Para Abu Dhabi: A Zebra Que Vem Quicando

14 de dezembro de 2010 é um dia que entra para a história do futebol africano e mundial: pela primeira vez no Mundial de Clubes da FIFA, uma equipe do continente que sediou a Copa do Mundo deste ano consegue marcar presença na final do torneio intercontinental. Tudo começou com a surpreendente vitória por 1a0 sobre o Pachuca, na fase de quartas-de-final. E quem achou que o passeio da zebra acabaria por ali, não fazia idéia do que ainda estava por vir: o triunfo sobre o Internacional por 2a0 coloca o futebol do Congo na final do Mundial. Tout Puissant Mazembe, muito prazer. Seongnam? Internazionale? Podem vir quente que o Mazembe, no melhor estilo Robert Kidiaba Muteba, já está quicando.

O jogo

O início de partida deve ter levado os telespectadores a imaginarem que a vitória colorada sairia naturalmente: o Internacional tinha mais posse de bola, rondava a área com freqüência e conseguia finalizar ao gol, como em lance aos dez minutos onde o chute de Rafael Sóbis só não entrou porque o goleiro Robert Kidiaba agiu bem para realizar a defesa. Ainda aos dez minutos, o Mazembe respondeu em chute de longa distância: embora a bola tenha ido no meio do gol, o goleiro Renan não teve moleza para evitar que a bomba mandada por Patou Kabangu Mulota explodisse na rede, defendendo em dois tempos.

Se para abrir o placar em jogo de estréia vale qualquer esforço, o Internacional passou a acreditar que o caminho mais simples era através da jogada aérea. Aos 21 minutos, Tinga recebeu passe pelo alto, ajeitou de cabeça para Andrés D'Alessandro e o argentino abriu na direita com Nei: o lateral tratou de fazer cruzamento caprichado pra dentro da área, Tinga chegou antes do goleiro Kidiaba e cabeceou por cima do travessão. A outra grande chance colorada de sair do zero antes do apito de intervalo foi de natureza semelhante: aos 44 minutos, Wilson Matias tocou na direita para Nei e se mandou pro miolo da área para receber ele próprio o cruzamento. A bola foi nele, que com uma bela puxada mandou uma finalização perto da trave, quase marcando um golaço.

As equipes voltaram para o segundo tempo com os mesmos jogadores e a primeira chance foi novamente do clube brasileiro. Em cobrança de falta aos 3 minutos, D'Alessandro tentou encobrir a barreira mas Kabangu saltou no tempo certo para desviar com a cabeça. Se naquele momento Kabangu agiu como defensor, quatro minutos depois ele apareceria no ataque para fazer lindo gol: após bola lançada da esquerda para o centro de ataque, um cabeceio de Narcisse Ekanga Amia para a esquerda ajeitou a redonda para Kabangu. O melhor estava por vir: Kabangu deu uma puxada na bola para evitar a marcação de Índio e Bolívar e, com muita categoria, colocou no canto oposto, mandando um chute no quadrante 10 e abrindo o placar. A transmissão televisiva dividiu atenção na comemoração, sem esquecer de filmar o goleiro Kidiaba e seu festejo singular, literalmente quicando na grande área.
Patou Kabangu, com categoria, chuta cruzado e abre o placar no estádio Mohammed Bin Zayed.

Aos 13 minutos, Kidiaba apareceria novamente na tela, mas dessa vez pelo desempenho enquanto goleiro. Após lançamento vindo do campo de defesa, a marcação do Mazembe desviou para trás e deixou Rafael Sóbis em condição privilegiada: livre dentro da área, o atacante chutou e parou em grande defesa de Kidiaba. No minuto seguinte, Kidiaba defendeu chute rasteiro de Alecsandro, figura pouco acionada na partida.

Com 17 minutos, Celso Roth mandou uma troca dupla de uma só vez: saíram Tinga e Alecsandro para as entradas de Giuliano e Leandro Damião. 2 minutos depois, o Inter conseguiu nova jogada bem trabalhada: no lado esquerdo de ataque, Kléber passou para D'Alessandro que, da linha-de-fundo, cruzou na área e encontrou Rafael Sóbis. O camisa 11 subiu e cabeceou firme, mandando perto do travessão.

Para não dizer que apenas ele, Sóbis, desperdiçava as chances criadas, foi incrível a oportunidade que teve Giuliano aos 23 minutos: o jogador recebeu sem marcação e, já na grande área, chutou cruzado com a parte interna do pé, possibilitando nova grande defesa de Kidiaba. Na marca de 27 minutos, o Inter teve chance em lance de bola parada pelo lado esquerdo (nota: a arbitragem do holandês Bjorn Kuipers errou ao dar toque de mão, pois o que caracteriza a infração é a intenção, que não houve). Na cobrança, Sóbis mandou um toque rasteiro e, a alguns centímetros da marca do pênalti e sem marcação, D'Alessandro finalizou de primeira, mas sem pegar na bola como gostaria, mandando o chute à esquerda da meta.

Aos 30 minutos, Roth, precisando buscar o resultado, fez uma substituição vazia de ousadia, no melhor estilo "seis por meia dúzia", colocando o jovem Oscar no lugar do participativo Rafael Sóbis. Naquela altura do jogo, poderia abrir mão de um dos volantes ou até arriscar algo de diferente, como por exemplo tirar o zagueiro Índio, recuar Pablo Guiñazú para fazer dupla com Bolívar e deixar Wilson Matias como primeiro volante, dessa forma contando com mais peças ofensivas. Mas isso parece muito para Roth.

Com 33 minutos, Nei recebeu, levou a bola pra perna esquerda e chutou perto da trave esquerda. Aos 39 minutos, Lamine N'Dyaie mexeu pela primeira (e única) vez: saiu Patou Kabangu, autor do gol, e entrou Deo Kanda A Mukok. No minuto seguinte, Kidiaba, o goleiro que apareceu no jogo pelas grandes defesas e pela comemoração espalhafatosa, mostrou que seu repertório não tem fim: após realizar nova intervenção, o camisa 1 recolocou a bola em jogo fazendo conexão direta com Alain Kaluyituka Dioko no campo ofensivo. Daí em diante, Kaluyituka cuidou do resto com grande competência, encarando a marcação de Guiñazú e chutando rasteiro na paralela, preciso, perto da trave direita, sem dar chance de defesa para o goleiro Renan. Tome comemoração africana: com o autor do gol, no banco de reservas, nas arquibancadas e, claro, na grande área do Mazembe, onde Kidiaba foi, sem dúvida, o dono do pedaço.
Robert Kidiaba, quicando no gramado, celebra os gols e a classificação do Mazembe: comemoração excêntrica de um dos melhores jogadores em campo.

Enquanto o Internacional permanece em Abu Dhabi com a dor de disputar o 3º lugar no próximo dia 18, na mesma data o continente africano celebrará uma inédita presença na final da competição. Muitos lembrarão de Camarões-1990, Senegal-2002 ou mesmo Gana-2010, seleções presentes na fase de quartas-de-final em Copas do Mundo. Nigéria-1996, ouro olímpico, também merece recordação. Mas penso que o maior feito futebolístico africano até a presente data possa ter acontecido nessa vitória do congolês Mazembe sobre o brasileiro Internacional. Com um detalhe: ainda não acabou.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Interistas Que Abram O Olho: Os Asiáticos Vêm Aí

Se o Al Wahda contou com boa performance do trio brasileiro Magrão-Hugo-Fernando Baiano para golear na estréia o Hekari United, ao Seongnam bastou a grande atuação do colombiano Mauricio Molina (ex-Santos) para passar por cima do time da casa. O camisa 11, vestido todo de branco tal como quando desfilava seu talento pelos gramados brasileiros, marcou o primeiro gol do jogo e participou dos outros três, sendo o destaque da rápida equipe sul-coreana na goleada por 4a1. Agora, o Seongnam pega a Internazionale na quarta-feira, em duelo que vale vaga na final do Mundial. Na mesma data, no mesmo estádio, mas um pouco mais cedo, o time da casa disputa o 5º lugar com o Pachuca, do México. Por falar em estádio, o Sheikh Zayed Sports City, com capacidade para 49.500 espectadores, recebeu um público de 30.625, repetindo o alto número de lugares vagos da partida de abertura.

O jogo

Não foi preciso esperar quase nada para perceber que a moleza vista na estréia não se repetiria ao time local. Bem organizado em campo, atacando com velocidade e até mesmo demonstrando lances de habilidade individual, o Seongnam foi pra cima do Al Wahda. Aos 2 minutos, o atacante montenegrino Dzenan Radoncic escapou da marcação com velocidade e força física, chutou cruzado e o goleiro Adel Al Hosani foi convidado a trabalhar, espalmando bem a finalização. Aos 3 minutos, um passe em profundidade a partir do círculo central iria ser recolhido por Adel Al Hosani, mas antes que o goleiro de 21 anos pudesse chegar na bola, o defensor Hamdan Al Kamali, na tentativa de afastar, acabou presenteando Mauricio Molina, que, da meia-lua, chutou com o peito do pé esquerdo para estufar a rede e abrir o placar.

Aos 11 minutos, o Al Wahda quase chegou ao empate também em função de um lance com falta de comunicação entre goleiro e zagueiro, mas a bola enfiada por Ismail Matar acabou sendo defendida por Jung Sung-Ryong. Com 15 minutos, Molina buscou Radoncic, mas faltou habilidade ao jogador de 1,93m, que acabou desarmado por Hamdan Al Kamali, de certa forma se redimindo do vacilo no lance do gol. Na marca de 23 minutos, Hugo deu o ar da graça ao tentar marcar gol olímpico e Sung-Ryong espalmar de forma providencial. 3 minutos depois, Sung-Ryong nada poderia fazer: Fernando Baiano tocou atrás e se mandou pra área sugerindo um cruzamento. Foi o que fez Eisa Al Marzouqi: a bola foi na cabeça do camisa 9, que mostrou oportunismo para mandá-la pro fundo do gol e empatar a partida.

A comemoração dos donos da casa não durou 3 minutos: aos 29', Molina cobrou escanteio pelo lado esquerdo e o capitão Sasa Ognenovski aproveitou-se da indecisão do goleiro Adel, da liberdade em que se encontrava e também da estatura de 1,95m para cabecear e recolocar o Seongnam em vantagem.

Na marca de 36 minutos, o Al Wahda teve o que seria sua única chance de empatar antes do intervalo: em jogada individual pelo lado esquerdo, Hugo escapou de Kim Sung-Hwan, passou por Ko Jae-Sung, chutou rasteiro e Sung-Ryong bloqueou para escanteio.

Houve tempo do Seongnam chegar por mais duas vezes no primeiro tempo. Aos 40 minutos, Choi Sung-Kuk lançou Radoncic, o montenegrino não alcançou mas fez questão de aplaudir o companheiro. Aos 45', levantamento da intermediária e Choi cabeceou por cima, dessa vez para insatisfação de Radoncic, que poderia receber a bola em melhores condições. Entre um lance e outro, o treinador Shin Tae-Yong foi forçado a substituir: saiu Cheon Kwang-Jin (que aparentemente sofreu uma contusão no joelho) e entrou Jo Jae-Cheol.

Na volta para o segundo tempo, o Seongnam, mesmo em ritmo menos acelerado, continuava levando perigo. Aos 8 minutos, Radoncic ficou cara-a-cara com Adel mas chutou em cima do goleiro. O primeiro cartão amarelo mostrado na partida saiu dois minutos depois e foi para Jo, que entrara no final do primeiro tempo: o camisa 30 derrubou Fahed Masoud e foi punido pelo árbitro peruano Victor Carrillo. Aos 13 minutos, Matar fez embaixadinha diante da marcação adversária, Cho Byung-Kuk o desarmou chutando a bola contra seu corpo e quase colocou o goleiro em apuros: a bola voltou mas acabou sendo defendida por Sung-Ryong.

Com 15 minutos, Adel cobrou tiro-de-meta e a bola chegou em Matar: Ognenovski cortou a investida do camisa 10 com o braço e recebeu cartão amarelo. Na cobrança, Fernando Baiano colocou tentando encobrir a barreira mas a bola foi bloqueada pelo próprio Ognenovski, que saltou para tirar com a cabeça. No escanteio originado nesse mesmo lance, Masoud cobrou pelo lado esquerdo, Hugo se apresentou no primeiro pau para cabecear e Sung-Ryong encaixou. Foi a última participação de Masoud, que aos 18 minutos foi substituído por Saeed Al Kathiri.

Percebendo o ímpeto ofensivo do time da casa por buscar o empate, Shin Tae-Yong decidiu mudar as coisas na sua equipe e mexeu no ataque, trocando a presença de área de Radoncic pela velocidade de Song Ho-Young aos 23 minutos. Dois minutos depois da troca, o treinador deve ter se sentido um gênio, pois em lance de contra-ataque veloz, o Seongnam chegaria ao 3º gol. Matar cobrou falta por baixo, a bola foi bloqueada e estava armado o contra-golpe asiático: Molina carregou pelo centro, atraiu a marcação adversária, abriu o jogo no lado esquerdo, recebeu de volta no comando de ataque e tocou de lado, dessa vez para o lado direito, encontrando Choi em liberdade para superar Adel com um chute cruzado à meia-altura.

No minuto seguinte ao gol, Matar tentou recolocar o Al Wahda na partida em um chute de fora da área: Sung-Ryong amorteceu com as luvas, se atrapalhou, mas a bola não entrou. O 3a1 no placar abalou o time da casa, que parecia já aceitar o revés. Uns dizem que "não basta vencer, é preciso humilhar o adversário". Concordando ou não com isso, o fato é que Molina tratou de fazer uma jogada de efeito: aos 30 minutos, o colombiano passou por dois oponentes pelo flanco direito, chegou à linha final e cruzou de letra. Adel encaixou sem dificuldades, mas a jogada mostrou a confiança de Molina na vitória e na própria capacidade técnica. 5 minutos depois, Molina tratou de trocar o espetáculo do lance anterior pela precisão: o camisa 11 cobrou falta com firmeza buscando o miolo da área e encontrou Cho Dong-Geon livre para cabecear tirando do goleiro Adel. 4a1 Seongnan, liquidando qualquer possibilidade de reação a um adversário que já sentira o terceiro gol.

Ainda haveria um chute de Song para fora, uma intervenção de cada goleiro e uma mexida para cada lado (Molina, o nome do jogo, por Kim Jin-Ryong e Magrão, mal na partida, por Khalid Al Marzouqi) mas o resultado final foi aquele mesmo. Justo, vale dizer.

Outro resultado

Sexta-feira: Tout Puissant Mazembe 1a0 Pachuca.

Com esse resultado, a equipe da República Democrática do Congo faz a outra semifinal do Mundial de Clubes com o Internacional. O Pachuca, como dito anteriormente, disputa o 5º lugar com o Al Wahda.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Al Wahda Vence Apoiado Em Tripé Brasileiro

O estádio Mohammed Bin Zayed estava com mais lugares vagos do que a ocasião merecia (23.895 presentes onde cabiam 40.000 pessoas), mas o time da casa estreou bem no Mundial de Clubes 2010, foi superior por quase todo o tempo e, contando com boa atuação do trio brasileiro Magrão-Hugo-Fernando Baiano, construiu a vitória por 3a0 sobre a limitada equipe do Hekari United. Agora, o Al Wahda terá pela frente o Seongnam, da Coréia do Sul, no dia 11. A equipe da Papua Nova Guiné retorna para a Oceania com, pelo menos, uma carga de experiência internacional na bagagem.

O jogo

Com uma marcação intensa na zona por onde circulava a bola (às vezes com dois jogadores na sobra), o Hekari United mostrou que pela disciplina tática e disposição poderia equilibrar a partida diante de um adversário tecnicamente superior. E inclusive criou as primeiras chances da partida: aos 4 minutos, Kema Jack foi lançado mas, já na pequena área, não alcançou a bola na tentativa de cabeceio. No minuto seguinte, escanteio pelo lado direito de ataque: Henry Fa'arodo cobra e Pita Baleitoga Senibiaukula, livre de marcação, cabeceia com estilo, só não abrindo o placar pois havia um defensor do Al Wahda encostado no poste esquerdo para evitar que a bola tomasse o rumo da rede.

Sem conseguir fugir da implacável marcação adversária, o Al Wahda só foi arrumar um chute a gol aos 7 minutos através de uma cobrança de falta próxima do círculo central: Basheer Saeed mandou por cima. Somente aos 14 minutos veio a primeira chegada do time da casa com bola rolando: após bola alçada, Fernando Baiano amorteceu no peito de costas pro gol, fez o giro e chutou forte - o goleiro Simione Tamanisau defendeu com dificuldades. No minuto seguinte, Magrão iniciou contra-ataque passando para Hugo, o camisa 80 arrancou em velocidade e deu ótimo passe em diagonal na direita para Fernando Baiano, que parou em grande defesa de Tamanisau.

Diferentemente dos minutos iniciais, agora era o Hekari United que não conseguia aproximação da área adversária. Tentando de longe, Fa'arodo chutou torto e mandou à direita, aos 20 minutos. No minuto seguinte, o mesmo Fa'arodo carregou pela esquerda e, com a opção de passe para a área (Malakai Tiwa se apresentava em condições), preferiu fazer tudo sozinho e acabou mandando um chute cruzado que foi longe do gol.

O primeiro cartão amarelo do Mundial de Clubes 2010 saiu aos 26 minutos, quando Abraham Iniga cometeu falta em Haider Alo Ali. Um minuto depois, Hugo cobrou escanteio pelo lado esquerdo, Magrão foi livre até a bola mas cabeceou por cima do travessão. Aos 30 minutos, Hugo levou o braço direito à bola e também recebeu um cartão amarelo. Ainda na marca de 30, grande jogada do Al Wahda: Ismail Matar faz belo corta-luz, a bola chega em Fernando Baiano e o brasileiro toca de volta em Matar, que chuta cruzado, perto da trave esquerda.

Se soltando mais no jogo e encaixando jogadas como aquela, o Al Wahda dava sinais de que o gol estava pronto para sair. E, aos 39 minutos, aconteceu. O chato é que a jogada se originou em erro de arbitragem, pois não foi marcado impedimento anterior. Mas vamos ao lance: bola levantada da direita, Mahmoud Khamis amorteceu ajeitando atrás e Hugo apareceu batendo firme, de primeira, no canto esquerdo. Bela finalização do brasileiro para um belo primeiro gol no Mundial.

Aos 43 minutos, veio o segundo: após bela enfiada de bola de Fahed Masoud, Fernando Baiano cuidou do resto - adiantou ajeitando pro chute e mandou uma finalização rasteira, entre o goleiro e a trave esquerda.

Com a vantagem de 2a0 obtida no final do primeiro tempo, o time da casa passou a usufruir de espaços cedidos por um adversário que se via na necessidade de se mandar ao ataque. Dessa forma, pintaram duas chances de gol nos primeiros 9 minutos da etapa complementar (na primeira a bola passou perto enquanto na segunda o goleiro fez grande defesa). Com 17 minutos aconteceu a primeira substituição no Mundial 2010: Masoud por Abdulraheem Jumaa. E, oito minutos após entrar, Jumaa estava no lugar certo para deixar sua marca: Hugo cruzou da esquerda, o zagueiro Koriak Upaig e o goleiro Tamanisau não se entenderam e a bola sobrou limpinha para Jumaa apenas completar: 3a0 Al Wahda.

Mesmo diminuindo o ritmo e administrando a vantagem, o Al Wahda ainda levava perigo. Tentando o gol de honra sem temer sofrer o 4º, o máximo que o Hekari United conseguiu foi um chute de Jack, que desviou e passou perto da trave esquerda, aos 35 minutos. De resto, se por um lado o gol de honra não saiu, por outro ficou de bom tamanho a goleada não ter sido estendida.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Mundial De Clubes 2010

Terá início nessa quarta-feira, dia 8 de dezembro, o Mundial Interclubes, competição organizada pela FIFA e que encontra-se na 7ª edição. Tudo indica que Internacional de Porto Alegre e Internazionale de Milão disputarão o título no próximo dia 18, mas para isso as equipes campeãs da Copa Libertadores da América e da Liga dos Campeões da Europa terão de enfrentar adversários que irão aos Emirados Árabes Unidos com o intuito de fazerem o papel de zebra.

Conheça um pouco mais das equipes participantes da Copa do Mundo de Clubes FIFA 2010.

Al Wahda (campeão nacional 2010 do país-sede)
A equipe da casa tem no experiente atacante brasileiro Fernando Baiano, de 31 anos, a sua maior esperança de gols. Na atual temporada, o time aparece na 4ª colocação após oito rodadas disputadas na Série A local e adivinha quem é o artilheiro da equipe: o próprio Fernando Baiano, com 6 gols marcados. Há outros três estrangeiros no elenco do Al Wahda: os meio-campistas brasileiros Magrão (31 anos, ex-Internacional) e Hugo (30 anos, ex-Grêmio), além do atacante marfinense Modibi Diarra, de 27 anos.

Hekari United (campeão 2009-10 da Liga dos Campeões da OFC)
Eis aí o que pode ser considerado o grande azarão dessa edição. Representando o futebol da Oceania, essa equipe da Papua Nova Guiné conta com um único jogador nascido fora do continente: o meio-campista japonês e de nacionalidade alemã Yuki Richard Stalph, de 26 anos. Os demais atletas do elenco são da própria Papua Nova Guiné, Fiji ou Ilhas Salomão. Estreará diante do Al Wahda nessa quarta-feira e, caso consiga a proeza de seguir em frente, duelará com o Seongnam na fase seguinte.

Seongnam (campeão 2010 da Liga dos Campeões da AFC)
Contando com a experiência de alguns jogadores que disputaram a Copa do Mundo 2010 (como por exemplo o goleiro Jung Sung-Ryong, de 25 anos), o representante do continente asiático é praticamente todo formado por jogadores sul-coreanos. São apenas 3 exceções: o defensor australiano Sasa Ognenovski (de 31 anos e 195 centímetros de altura), o meio-campista colombiano Mauricio Molina (de 30 anos de idade e vice-artilheiro da equipe na temporada, com 11 gols marcados) e o atacante montenegrino Dzenan Radoncic (27 anos e artilheiro do time na temporada, com 12 gols). Ingressará na competição na fase de quartas-de-final e, caso passe pelo vencedor de Al Wahda e Hekari United, será o adversário da Internazionale no dia 15 de dezembro.

Tout Puissant Mazembe (campeão 2010 da Liga dos Campeões da África)
Traduzindo para o português: Todo Poderoso Mazembe. Pelo menos no nome, essa equipe da República Democrática do Congo já impõe respeito. Todo o elenco é de origem africana: além do Congo, há atletas nascidos na Zâmbia, no Zimbabwe e na República Centro-Africana. O técnico Lamine N'Diaye, de 54 anos de idade, é senegalês. Para "Os Corvos" enfrentarem o Internacional no dia 14, terão a difícil tarefa de passar pelo Pachuca no dia 10.

Pachuca (campeão 2009-10 da Liga dos Campeões da CONCACAF)
Embora apenas 3º colocado no grupo B do Campeonato Mexicano, o Pachuca está invicto há 5 jogos na temporada e entra como favorito no duelo com o TP Mazembe. O time comandado pelo argentino Pablo Marini mescla a juventude mexicana com a experiência de jogadores estrangeiros, como é o caso do goleiro colombiano Miguel Angel Calero Rodríguez (31 anos), do defensor argentino Javier Munoz (30) e do meio-campista argentino Damian Manso (31). No ataque, os três goleadores da equipe são todos estrangeiros: Dario Cvitanich (argentino de 26 anos, marcou 8 gols), Edgar Benítez (paraguaio de 23 anos, marcou 6 vezes) e Franco Arizala (colombiano de 24 anos, tem 5 gols anotados na Série A mexicana).

Internazionale (campeão 2009-10 da Liga dos Campeões da UEFA)
Vencedora da Tríplice Coroa na temporada passada, a Inter de Milão atravessa momento adverso na presente temporada, ocupando o 5º lugar na Série A a 10 pontos de distância do líder Milan. O trabalho do treinador espanhol Rafael Benítez está sendo questionado e o próprio presidente interista Massimo Moratti declarou que espera que, a partir do título mundial, as coisas mudem positivamente para a equipe. É ou não é muita pressão? Dentro de um elenco recheado de grandes nomes, destacam-se o holandês camisa 10 Wesley Sneijder, o camaronês Samuel Eto'o e a legião brasileira (Júlio César, Maicon, Lúcio e Thiago Motta - Philippe Coutinho e Mancini não estarão relacionados na competição).

Internacional (campeão 2010 da Copa Libertadores da América)
Buscando o segundo título mundial em 5 anos, o Inter de Porto Alegre vai aos Emirados Árabes Unidos mais favorito do que em 2006, quando superou o Barcelona de Ronaldinho Gaúcho com um gol de Adriano Gabiru. O setor colorado de maior qualidade é o meio-campo, que conta com os argentinos Pablo Guinãzú e Andrés D'Alessandro, além dos brasileiros Tinga e Giuliano, reserva que foi nomeado o melhor jogador na atual edição da Libertadores. No ataque, o oportunismo de Alecsandro e o talento de Rafael Sóbis alimentam as esperanças gaúchas em torno de um bicampeonato.

Então é isso. Dessa quarta-feira (8 de dezembro de 2010, data da estréia) até o dia da final (domingo, 18 de dezembro de 2010), estaremos atentos aos acontecimentos da Copa do Mundo de Clubes. Que o bom futebol desfile soberano pelos gramados de Abu Dhabi!