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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Equipe E Jogada Da Semana

Pela primeira vez na história do Jogada De Efeito, a equipe da semana não está sediada no continente europeu e tampouco no americano. O Tout Puissant Mazembe Englebert, da República Democrática do Congo, conseguiu um grande feito para a história do futebol africano.

Tudo começou na sexta-feira, dia 10 de dezembro de 2010, quando a equipe comandada pelo senegalês Lamine N'Diaye venceu o Pachuca, do México, por 1a0 (gol de Hughes Bedi Mbenza), no estádio Mohammed Bin Zayed. Mas o resultado mais expressivo da competição ainda estava por acontecer em Abu Dhabi: na terça-feira, dia 14, o TP Mazembe venceu o favorito Internacional por 2a0 (gols de Patou Kabangu e Alain Kaluyituka Dioko) e garantiu uma inédita presença africana na final do Mundial de Clubes da FIFA.

Na final, a equipe congolesa não resistiu à força da Internazionale e terminou com o vice-campeonato após a derrota por 3a0. De toda forma, a campanha africana no Mundial é marcante para o futebol internacional. Parabéns, Mazembe!

Jogada da semana

O Napoli parece ter se tornado um time especialista em ganhar partidas nos instantes finais. Nos últimos quatro jogos (todos eles com vitórias napolitanas pelo placar de 1a0), isso aconteceu nada menos do que três vezes. Foi assim com o Palermo (gol de Christian Maggio), com o Steaua Bucareste (gol do uruguaio Edinson Cavani, garantindo a classificação na Liga Europa aos 47 minutos do segundo tempo) e também com o Lecce, que, com novo gol de Edinson Cavani aos 47 minutos da etapa complementar, o Napoli alcançou a vice-liderança na Série A italiana. Para elevar ainda mais a explosão de alegria no estádio San Paolo (palco comum dos três jogos citados), o gol marcado por Cavani nesse domingo foi de extrema beleza.

No vídeo abaixo, perceba dois fatos - além do golaço - que também chamam muita atenção: [1] a empolgação do comentarista e [2] um lance anterior, onde a defesa napolitana evitou o que parecia um gol certo do adversário. As partidas do Napoli, embora (ainda) não tenham sido transformadas em filme, se apresentam como uma ótima opção para quem gosta de um drama com final feliz.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

No Mundial De Clubes, Um Inevitável Fato Histórico


Neste sábado, 18 de dezembro de 2010, teremos uma final inédita no Mundial de Clubes da FIFA. E o ineditismo ganha ainda mais ares de fato histórico se levarmos em consideração que nunca antes uma equipe de um continente que não o sul-americano ou o europeu conseguiu chegar na decisão. O Tout Puissant Mazembe, da República Democrática do Congo e representante do futebol africano, enfrenta a favorita Internazionale de Milão. Talvez trate-se de um favoritismo menos acentuado do que o do Internacional de Porto Alegre na semifinal, adversário superado pelo Mazembe. Para chegar à decisão, o clube congolês também precisou jogar a fase quartas-de-final, momento em que iniciou sua surpreendente trajetória ao derrotar o mexicano Pachuca por 1a0. Ao clube italiano, o percurso até a decisão contou com uma única partida: a goleada sobre os sul-coreanos do Seongnam por 3a0 na fase semifinal.

Nome por nome, camisa por camisa, investimento por investimento, a Internazionale entrará em campo nessa final com a obrigação de vencer. Obrigação que o Internacional também tinha, mas deu no que deu. Ao Mazembe, cabe a tentativa de continuar escrevendo seu nome na história do futebol mundial, restando saber se o último capítulo terá direito ou não ao troféu de campeão. Mas uma coisa é certa: seja com o surpreendente Mazembe, seja com a postulante à "Quadrúplice" Coroa, Abu Dhabi testemunhará um fato histórico.

Disputa pelo 3º lugar

Também no sábado, mas pouco mais cedo, Internacional e Seongnam disputarão o terceiro lugar na Copa do Mundo de Clubes da FIFA. Embora nem uma goleada marcante apague da memória colorada a frustração de não figurar na decisão, o Internacional carrega a responsabilidade de amenizar o impacto da ausência na final com uma atuação de qualidade, o que deverá ser o suficiente para superar a equipe adversária. O Seongnam já cumpriu o seu papel - até bem demais - quando aplicou uma goleada por 4a1 sobre o Al Wahda, equipe anfitriã. Mas, caso Mauricio Molina esteja num dia inspirado, não é demais duvidar que algo de diferente possa acontecer.

Disputa pelo 5º lugar
Na disputa pelo 5º lugar, o Pachuca acabou levando a melhor diante do Al Wahda naquele que foi o primeiro confronto decidido nas cobranças de pênaltis. No tempo regulamentar, a equipe mexicana tomou o 2º gol aos 31 minutos do segundo tempo e perdia por 2a0 até os 37 minutos, quando iniciou a reação que levou o time à igualdade em 2a2 (Ismail Matar e Mahmoud Khami puseram os donos da casa em vantagem e dois gols do argentino Dario Cvitanich reestabeleceram o empate). O placar persistiu durante a prorrogação e, nas penalidades, vitória do clube mexicano por 4a2.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Do Congo Para Abu Dhabi: A Zebra Que Vem Quicando

14 de dezembro de 2010 é um dia que entra para a história do futebol africano e mundial: pela primeira vez no Mundial de Clubes da FIFA, uma equipe do continente que sediou a Copa do Mundo deste ano consegue marcar presença na final do torneio intercontinental. Tudo começou com a surpreendente vitória por 1a0 sobre o Pachuca, na fase de quartas-de-final. E quem achou que o passeio da zebra acabaria por ali, não fazia idéia do que ainda estava por vir: o triunfo sobre o Internacional por 2a0 coloca o futebol do Congo na final do Mundial. Tout Puissant Mazembe, muito prazer. Seongnam? Internazionale? Podem vir quente que o Mazembe, no melhor estilo Robert Kidiaba Muteba, já está quicando.

O jogo

O início de partida deve ter levado os telespectadores a imaginarem que a vitória colorada sairia naturalmente: o Internacional tinha mais posse de bola, rondava a área com freqüência e conseguia finalizar ao gol, como em lance aos dez minutos onde o chute de Rafael Sóbis só não entrou porque o goleiro Robert Kidiaba agiu bem para realizar a defesa. Ainda aos dez minutos, o Mazembe respondeu em chute de longa distância: embora a bola tenha ido no meio do gol, o goleiro Renan não teve moleza para evitar que a bomba mandada por Patou Kabangu Mulota explodisse na rede, defendendo em dois tempos.

Se para abrir o placar em jogo de estréia vale qualquer esforço, o Internacional passou a acreditar que o caminho mais simples era através da jogada aérea. Aos 21 minutos, Tinga recebeu passe pelo alto, ajeitou de cabeça para Andrés D'Alessandro e o argentino abriu na direita com Nei: o lateral tratou de fazer cruzamento caprichado pra dentro da área, Tinga chegou antes do goleiro Kidiaba e cabeceou por cima do travessão. A outra grande chance colorada de sair do zero antes do apito de intervalo foi de natureza semelhante: aos 44 minutos, Wilson Matias tocou na direita para Nei e se mandou pro miolo da área para receber ele próprio o cruzamento. A bola foi nele, que com uma bela puxada mandou uma finalização perto da trave, quase marcando um golaço.

As equipes voltaram para o segundo tempo com os mesmos jogadores e a primeira chance foi novamente do clube brasileiro. Em cobrança de falta aos 3 minutos, D'Alessandro tentou encobrir a barreira mas Kabangu saltou no tempo certo para desviar com a cabeça. Se naquele momento Kabangu agiu como defensor, quatro minutos depois ele apareceria no ataque para fazer lindo gol: após bola lançada da esquerda para o centro de ataque, um cabeceio de Narcisse Ekanga Amia para a esquerda ajeitou a redonda para Kabangu. O melhor estava por vir: Kabangu deu uma puxada na bola para evitar a marcação de Índio e Bolívar e, com muita categoria, colocou no canto oposto, mandando um chute no quadrante 10 e abrindo o placar. A transmissão televisiva dividiu atenção na comemoração, sem esquecer de filmar o goleiro Kidiaba e seu festejo singular, literalmente quicando na grande área.
Patou Kabangu, com categoria, chuta cruzado e abre o placar no estádio Mohammed Bin Zayed.

Aos 13 minutos, Kidiaba apareceria novamente na tela, mas dessa vez pelo desempenho enquanto goleiro. Após lançamento vindo do campo de defesa, a marcação do Mazembe desviou para trás e deixou Rafael Sóbis em condição privilegiada: livre dentro da área, o atacante chutou e parou em grande defesa de Kidiaba. No minuto seguinte, Kidiaba defendeu chute rasteiro de Alecsandro, figura pouco acionada na partida.

Com 17 minutos, Celso Roth mandou uma troca dupla de uma só vez: saíram Tinga e Alecsandro para as entradas de Giuliano e Leandro Damião. 2 minutos depois, o Inter conseguiu nova jogada bem trabalhada: no lado esquerdo de ataque, Kléber passou para D'Alessandro que, da linha-de-fundo, cruzou na área e encontrou Rafael Sóbis. O camisa 11 subiu e cabeceou firme, mandando perto do travessão.

Para não dizer que apenas ele, Sóbis, desperdiçava as chances criadas, foi incrível a oportunidade que teve Giuliano aos 23 minutos: o jogador recebeu sem marcação e, já na grande área, chutou cruzado com a parte interna do pé, possibilitando nova grande defesa de Kidiaba. Na marca de 27 minutos, o Inter teve chance em lance de bola parada pelo lado esquerdo (nota: a arbitragem do holandês Bjorn Kuipers errou ao dar toque de mão, pois o que caracteriza a infração é a intenção, que não houve). Na cobrança, Sóbis mandou um toque rasteiro e, a alguns centímetros da marca do pênalti e sem marcação, D'Alessandro finalizou de primeira, mas sem pegar na bola como gostaria, mandando o chute à esquerda da meta.

Aos 30 minutos, Roth, precisando buscar o resultado, fez uma substituição vazia de ousadia, no melhor estilo "seis por meia dúzia", colocando o jovem Oscar no lugar do participativo Rafael Sóbis. Naquela altura do jogo, poderia abrir mão de um dos volantes ou até arriscar algo de diferente, como por exemplo tirar o zagueiro Índio, recuar Pablo Guiñazú para fazer dupla com Bolívar e deixar Wilson Matias como primeiro volante, dessa forma contando com mais peças ofensivas. Mas isso parece muito para Roth.

Com 33 minutos, Nei recebeu, levou a bola pra perna esquerda e chutou perto da trave esquerda. Aos 39 minutos, Lamine N'Dyaie mexeu pela primeira (e única) vez: saiu Patou Kabangu, autor do gol, e entrou Deo Kanda A Mukok. No minuto seguinte, Kidiaba, o goleiro que apareceu no jogo pelas grandes defesas e pela comemoração espalhafatosa, mostrou que seu repertório não tem fim: após realizar nova intervenção, o camisa 1 recolocou a bola em jogo fazendo conexão direta com Alain Kaluyituka Dioko no campo ofensivo. Daí em diante, Kaluyituka cuidou do resto com grande competência, encarando a marcação de Guiñazú e chutando rasteiro na paralela, preciso, perto da trave direita, sem dar chance de defesa para o goleiro Renan. Tome comemoração africana: com o autor do gol, no banco de reservas, nas arquibancadas e, claro, na grande área do Mazembe, onde Kidiaba foi, sem dúvida, o dono do pedaço.
Robert Kidiaba, quicando no gramado, celebra os gols e a classificação do Mazembe: comemoração excêntrica de um dos melhores jogadores em campo.

Enquanto o Internacional permanece em Abu Dhabi com a dor de disputar o 3º lugar no próximo dia 18, na mesma data o continente africano celebrará uma inédita presença na final da competição. Muitos lembrarão de Camarões-1990, Senegal-2002 ou mesmo Gana-2010, seleções presentes na fase de quartas-de-final em Copas do Mundo. Nigéria-1996, ouro olímpico, também merece recordação. Mas penso que o maior feito futebolístico africano até a presente data possa ter acontecido nessa vitória do congolês Mazembe sobre o brasileiro Internacional. Com um detalhe: ainda não acabou.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Mundial De Clubes 2010

Terá início nessa quarta-feira, dia 8 de dezembro, o Mundial Interclubes, competição organizada pela FIFA e que encontra-se na 7ª edição. Tudo indica que Internacional de Porto Alegre e Internazionale de Milão disputarão o título no próximo dia 18, mas para isso as equipes campeãs da Copa Libertadores da América e da Liga dos Campeões da Europa terão de enfrentar adversários que irão aos Emirados Árabes Unidos com o intuito de fazerem o papel de zebra.

Conheça um pouco mais das equipes participantes da Copa do Mundo de Clubes FIFA 2010.

Al Wahda (campeão nacional 2010 do país-sede)
A equipe da casa tem no experiente atacante brasileiro Fernando Baiano, de 31 anos, a sua maior esperança de gols. Na atual temporada, o time aparece na 4ª colocação após oito rodadas disputadas na Série A local e adivinha quem é o artilheiro da equipe: o próprio Fernando Baiano, com 6 gols marcados. Há outros três estrangeiros no elenco do Al Wahda: os meio-campistas brasileiros Magrão (31 anos, ex-Internacional) e Hugo (30 anos, ex-Grêmio), além do atacante marfinense Modibi Diarra, de 27 anos.

Hekari United (campeão 2009-10 da Liga dos Campeões da OFC)
Eis aí o que pode ser considerado o grande azarão dessa edição. Representando o futebol da Oceania, essa equipe da Papua Nova Guiné conta com um único jogador nascido fora do continente: o meio-campista japonês e de nacionalidade alemã Yuki Richard Stalph, de 26 anos. Os demais atletas do elenco são da própria Papua Nova Guiné, Fiji ou Ilhas Salomão. Estreará diante do Al Wahda nessa quarta-feira e, caso consiga a proeza de seguir em frente, duelará com o Seongnam na fase seguinte.

Seongnam (campeão 2010 da Liga dos Campeões da AFC)
Contando com a experiência de alguns jogadores que disputaram a Copa do Mundo 2010 (como por exemplo o goleiro Jung Sung-Ryong, de 25 anos), o representante do continente asiático é praticamente todo formado por jogadores sul-coreanos. São apenas 3 exceções: o defensor australiano Sasa Ognenovski (de 31 anos e 195 centímetros de altura), o meio-campista colombiano Mauricio Molina (de 30 anos de idade e vice-artilheiro da equipe na temporada, com 11 gols marcados) e o atacante montenegrino Dzenan Radoncic (27 anos e artilheiro do time na temporada, com 12 gols). Ingressará na competição na fase de quartas-de-final e, caso passe pelo vencedor de Al Wahda e Hekari United, será o adversário da Internazionale no dia 15 de dezembro.

Tout Puissant Mazembe (campeão 2010 da Liga dos Campeões da África)
Traduzindo para o português: Todo Poderoso Mazembe. Pelo menos no nome, essa equipe da República Democrática do Congo já impõe respeito. Todo o elenco é de origem africana: além do Congo, há atletas nascidos na Zâmbia, no Zimbabwe e na República Centro-Africana. O técnico Lamine N'Diaye, de 54 anos de idade, é senegalês. Para "Os Corvos" enfrentarem o Internacional no dia 14, terão a difícil tarefa de passar pelo Pachuca no dia 10.

Pachuca (campeão 2009-10 da Liga dos Campeões da CONCACAF)
Embora apenas 3º colocado no grupo B do Campeonato Mexicano, o Pachuca está invicto há 5 jogos na temporada e entra como favorito no duelo com o TP Mazembe. O time comandado pelo argentino Pablo Marini mescla a juventude mexicana com a experiência de jogadores estrangeiros, como é o caso do goleiro colombiano Miguel Angel Calero Rodríguez (31 anos), do defensor argentino Javier Munoz (30) e do meio-campista argentino Damian Manso (31). No ataque, os três goleadores da equipe são todos estrangeiros: Dario Cvitanich (argentino de 26 anos, marcou 8 gols), Edgar Benítez (paraguaio de 23 anos, marcou 6 vezes) e Franco Arizala (colombiano de 24 anos, tem 5 gols anotados na Série A mexicana).

Internazionale (campeão 2009-10 da Liga dos Campeões da UEFA)
Vencedora da Tríplice Coroa na temporada passada, a Inter de Milão atravessa momento adverso na presente temporada, ocupando o 5º lugar na Série A a 10 pontos de distância do líder Milan. O trabalho do treinador espanhol Rafael Benítez está sendo questionado e o próprio presidente interista Massimo Moratti declarou que espera que, a partir do título mundial, as coisas mudem positivamente para a equipe. É ou não é muita pressão? Dentro de um elenco recheado de grandes nomes, destacam-se o holandês camisa 10 Wesley Sneijder, o camaronês Samuel Eto'o e a legião brasileira (Júlio César, Maicon, Lúcio e Thiago Motta - Philippe Coutinho e Mancini não estarão relacionados na competição).

Internacional (campeão 2010 da Copa Libertadores da América)
Buscando o segundo título mundial em 5 anos, o Inter de Porto Alegre vai aos Emirados Árabes Unidos mais favorito do que em 2006, quando superou o Barcelona de Ronaldinho Gaúcho com um gol de Adriano Gabiru. O setor colorado de maior qualidade é o meio-campo, que conta com os argentinos Pablo Guinãzú e Andrés D'Alessandro, além dos brasileiros Tinga e Giuliano, reserva que foi nomeado o melhor jogador na atual edição da Libertadores. No ataque, o oportunismo de Alecsandro e o talento de Rafael Sóbis alimentam as esperanças gaúchas em torno de um bicampeonato.

Então é isso. Dessa quarta-feira (8 de dezembro de 2010, data da estréia) até o dia da final (domingo, 18 de dezembro de 2010), estaremos atentos aos acontecimentos da Copa do Mundo de Clubes. Que o bom futebol desfile soberano pelos gramados de Abu Dhabi!