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domingo, 8 de abril de 2018

Daria Um Filme: Nos Acréscimos E Nos Pênaltis, Botafogo Vence Vasco E É Campeão Estadual

Alan Ball, Cameron Crowe, Julian Fellowes, Pedro Almodóvar, Sofia Coppola, Charlie Kaufman, Paul Haggis, Bobby Moresco, Michael Arndt, Diablo Cody e Dustin Lance Black.

Vou parar a lista em onze nomes, que é a quantidade de elementos que formam  um time de futebol. Todos aqueles indivíduos mencionados são  roteiristas vencedores do Oscar, prêmio máximo conferido pela indústria cinematográfica.

Vasco e Botafogo, pela final  no Campeonato Estadual 2018, se fosse filmado sem qualquer edição, daria um Oscar de melhor roteiro original para o documentarista que se apropriasse da obra escrita por Deus e roteirizada pelos deuses da bola. Um final impecável: expulsão nos acréscimos, gol no último lance (não é força de expressão, foi  no último lance mesmo) e triunfo definitivo nas cobranças de pênaltis.

Curiosamente, os três personagens citados são os três estrangeiros do cinema. Digo, do Botafogo.

Primeiro, Leo Valencia, meio-campista chileno que recebeu o cartão vermelho aos quarenta e oito minutos do segundo tempo de um jogo que parecia seguir ao zero a zero mesmo que fosse jogado por mais duas horas. Mas mal poderíamos esperar pelos próximos dois minutos...

Depois, Joel Carli, zagueiro argentino que se aventurou de atacante na necessidade de sua equipe marcar um gol. A bola o encontrou e ele a direcionou para a rede. E foi comemorar com o grande público, uma platéia que não caberia em nenhuma sala de reprodução audiovisual e que fez o próprio Maracanã parecer pequeno - os botafoguenses aplaudiam de pé, gritavam a plenos pulmões e festejavam efusivamente o gol que levaria o confronto às penalidades.

Finalmente, Gatito Fernández, goleiro paraguaio que teve em 2017 momentos heróicos na campanha histórica na Copa Libertadores da América. E que reviveu o protagonismo nesse oito de abril de dois mil e dezoito, defendendo duas cobranças e ajudando de maneira decisiva o Botafogo de Futebol e Regatas a ser aquilo que ele é desde 1907: campeão.

E o Oscar de melhor ator vai para... a torcida botafoguense. Por acreditar, até o final, no mais improvável dos roteiros. E por incentivar, desde o início, um elenco que possui limitações. Um filme que muitos alvinegros irão querer assistir de novo.
Elenco do Botafogo posa para a foto antes do jogo derradeiro no Estadual 2018: um campeão que foi herói em cada jogo.

domingo, 14 de abril de 2013

Botafogo Goleia Nova Iguaçu Com Autoridade

Pela sexta rodada no segundo turno no Campeonato Estadual (ou, se preferir, penúltima rodada na Taça Rio), Botafogo e Nova Iguaçu se enfrentaram no estádio Moça Bonita, em Bangu. E a partida, tanto pelo resultado quanto pela performance demonstrada, mostrou que não é por acaso que o Alvinegro de General Severiano está com 100% de aproveitamento nessa etapa do torneio, caminhando firme e fortemente em direção ao título.

Havia algumas coincidências entre os dois elencos. Goleiros titulares se chamam Jéfferson; goleiros reservas se chamam Renan. Mas quem fez a diferença na partida foram os dois estrangeiros que vestiam a camisa listrada botafoguense: o uruguaio Nicolás Lodeiro e o holandês (surinamês) Clarence Seedorf. Brilhantes, ditaram o ritmo na meiuca e foram determinantes no jogo, exibindo talento e precisão.

O primeiro gol aconteceu em jogada iniciada por Seedorf, encaminhada por Lodeiro e concluída por Seedorf. Aliás, muito bem encaminhada por Lodeiro, que avançou em velocidade pela direita, conseguiu resistir ao tranco e cruzou caprichosamente com a perna direita - de cabeça, Seedorf conseguiu o gol.

Eram dezesseis minutos quando o Botafogo abriu o placar e o resultado se manteve até o intervalo. Os Jéffersons tinham participação inversamente proporcionais: enquanto o goleiro do Nova Iguaçu estava a todo momento vendo sua meta ameaçada, o arqueiro botafoguense e da seleção brasileira era mero espectador dos acontecimentos intra-campo. Na segunda etapa, o Nova Iguaçu até esboçou maior participação ofensiva. Mas quem iria às redes seria o envolvente time comandado por Oswaldo de Oliveira.

Aos onze, Bruno Mendes fez jogada individual, chutou na trave direita e Lodeiro aproveitou o rebote. Aos vinte e três, Lodeiro marcou seu segundo gol no jogo, de cabeça. Só que o lance merece destaque pela participação do autor da assistência: em jogada genial, Seedorf fintou a marcação sem sequer tocar na bola e cruzou de maneira irrepreensível. Coisa de craque.

O Nova Iguaçu descontou aos quarenta, quando Dieguinho foi acionado entre os defensores e, livre, chutou rasteiro para a rede. A vitória alvinegra estava sem qualquer ameaça, mas quem disse que o time se dava por satisfeito? Aos quarenta e três, após troca de passes digna de um time bem encaixado, Vitinho anotou o quarto gol da equipe.

Garantido em primeiro lugar no grupo A, o campeão da Taça Guanabara aguarda o segundo colocado no grupo B, que será Resende ou Fluminense. E eles que se cuidem, pois, além de tudo, o Fogão jogará com a vantagem do empate. Sem qualquer risco de rebaixamento nem possibilidade de classificação, o Nova Iguaçu encerra sua participação com o Olaria, já despromovido (a exemplo do Quissamã). O Botafogo, que tem compromisso pela Copa do Brasil na quarta-feira (estréia diante do Sobradinho/DF), tentará manter os 100% no segundo turno (ou Taça Rio, como queira) diante do Volta Redonda, o outro classificado para as semifinais.

domingo, 24 de março de 2013

Alguém Pode Anular O Árbitro?

É desconfortável falar de futebol numa cidade, num estado, num país, num planeta onde o governo manda policiais baterem em indígenas por simplesmente ocuparem um patrimônio histórico dedicado a sua cultura. Mas, já que a Copa do Mundo é nossa, pancada neles. Leia-se "eles" = o povo, "nós" = o poder.

Pela segunda rodada num torneio que carrega o nome daquela cidade antidemocrática, o Botafogo venceu o Madureira em Moça Bonita sem apresentar um futebol brilhante, mas conseguindo criar chances o suficiente para merecer a vitória, contando ainda com o talento do goleiro Jéfferson para não permitir maior sorte ao Tricolor Suburbano.

Porém, infelizmente, o centro das atenções foi a arbitragem chefiada pelo confuso Philip Georg Bennett. Foi uma lambança colossal em cada tempo, só não sendo maior do que a lambança do governo estadual - pelo menos, Philip Georg Bennett não violentou ninguém, embora tenha expulsado um jogador leal por abuso de autoridade.

No primeiro tempo, com o placar zerado, foi marcado pênalti para o Botafogo em lance onde havia impedimento, ignorado por árbitro e auxiliar. Bola colocada na marca, Seedorf preparado para a cobrança e, antes de dar a autorização e em vez de dar a autorização, Philip Bennett (é brasileiro isso?) cancelou tudo e deu a bola ao Madureira. A pergunta é: quem decidiu isso tanto tempo depois?

O Botafogo chegou ao gol ainda antes do intervalo, em lance de bola parada: Seedorf cruzou e Dória desviou de cabeça para a rede. Dessa vez, sem anulações posteriores. Estava oficialmente aberto o placar em Moça Bonita.

Veio a segunda etapa e Jean, cara-a-cara com Jéfferson, não desperdiçou a chance e empatou o jogo. Mas o Alvinegro de General Severiano reagiu bem, desempatando a partida menos de dez minutos mais tarde: Rafael Marques dividiu com o goleiro e Seedorf aproveitou a sobra para recolocar os botafoguenses em vantagem no placar. Sem anulação, vale ressaltar.

Clarence Seedorf atuava bem, como de hábito. Era o maior organizador das jogadas ofensivas e colaborava constantemente na recomposição defensiva. Nos acréscimos, um possível mal-entendido na leitura da substituição fez subir a placa com o seu número quando Cidinho já havia deixado o campo contundido. A saída do holandês demorou mais do que o comum, rendendo-lhe o amarelo.

Pois é, a situação poderia terminar daquela forma que não haveria (novos) maiores transtornos. Mas o tal Georg Bennett queria mesmo ser o centro das atenções e tratou de dar mais um amarelo para o craque holandês, dando o primeiro cartão vermelho na carreira da fera nascida no Suriname (há quem diga que ele foi expulso uma vez pelo Milan, mas desconheço a oficialidade dessa informação).

Mas quem acha que a anulação do pênalti foi a única, não esqueçam daquele ditado: "há coisas que só acontecem ao Botafogo". A diretoria alvinegra promete pedir a anulação da expulsão tendo como base as imagens referentes ao fato. Até porque, convenhamos, deve ter sido através de imagens que aquele pênalti foi anulado...

quinta-feira, 21 de março de 2013

Crise Pouca É Bobagem: Nova Iguaçu 2a0 Vasco

A situação não está nada agradável para os vascaínos. Com atuação beirando a displicência (daquelas que deixam a dúvida se a intenção não seria a de derrubar o treinador), a equipe foi derrotada pelo Nova Iguaçu pelo placar de 2a0, no horrendo gramado do estádio da Cidadania, em Volta Redonda.

Não bastando o resultado ruim, a atuação tenebrosa e a superfície horrorosa, talvez o pior fato da noite cruz-maltina tenha sido a participação da torcida nas arquibancadas, que hostilizou elenco e treinador desde antes de sair o primeiro gol até depois do apito final.

Léo Salino marcou ambos os gols da partida, um em cada tempo: primeiro, aproveitando liberdade após falha flagrante de marcação da defesa do Vasco; depois, com lindo chute de fora da área. É apenas o segundo jogo do time comandado por Gaúcho na Taça Rio e a situação já é complicada, pois o clube não pontuou e pode ver adversários abrirem seis pontos já nessa segunda rodada.

Prefiro acreditar que o futebol apresentado pelo Vasco hoje não tenha sido "planejado": nem por um treinador que já mostrou preferência por se defender (foi demasiadamente cauteloso na final da Taça Guanabara) nem por um elenco que possa estar desejando se livrar dele. Há outras maneiras mais honestas de reivindicar mudanças de comando técnico.

O Nova Iguaçu, que nada tem a ver com isso, venceu. Não encantou, longe disso, mas mereceu a vitória. Está mais do que aberta a possibilidade de termos um time de menor expressão na fase semifinal na Taça Rio 2013. E o Vasco, bem, o Vasco... talvez esteja pagando seus pecados pelo tratamento dispensado ao competente Cristóvão Borges, injustamente hostilizado por considerável parcela de torcedores.

sábado, 16 de março de 2013

Campeão Na Taça Guanabara Estréia Goleando Na Taça Rio

O Botafogo começou muito bem a sua caminhada na busca pelo título estadual. Primeiro, faturando a Taça Guanabara. Depois, estreando com goleada na Taça Rio. A equipe não teve dificuldades para vencer o Quissamã num vazio estádio Engenhão em partida que contou com dois fatos raríssimos: Clarence Seedorf perdeu um gol sem goleiro e Rafael Marques marcou um gol. Foi o primeiro do camisa vinte, que fazia sua vigésima primeira aparição com a camisa botafoguense e foi bastante celebrado pelo elenco.

A equipe do Quissamã, que melhorou de rendimento após a chegada do treinador Gabriel Vieira (uma vitória e dois empates nos três jogos disputados com ele no comando), fez uma preparação de vinte e um dias, aproveitando o "recesso forçado" entre as partidas eliminatórias no primeiro turno e a estréia no segundo. Mas desde o início a equipe se viu envolvida pelo adversário, embora até tenha conseguido criar uma chance clara, quando parou em grande defesa do goleiro Jéfferson. Júlio César, que já havia dado um chute que tocou na trave esquerda, abriu o placar aos trinta minutos, em nova finalização de fora da área.

Mas foi no segundo tempo que o Fogão deslanchou. Aos dois mintuos, Seedorf protagonizou lance incrível, principalmente se tratando de alguém da sua categoria: em contra-ataque veloz, Nicolás Lodeiro ficou de frente para o goleiro após receber ótima enfiada de Fellype Gabriel e rolou para o holandês apenas empurrar para a rede. Só que... bola para fora.

Na volta da parada técnica do segundo tempo, o lateral-direito Lucas finalmente deu as caras no campo ofensivo. Aos vinte e três, ele tocou para Rafael Marques e o atacante passou no capricho para o uruguaio Lodeiro marcar o segundo gol alvinegro na partida. Aos vinte e oito, Rafael Marques voltou a agir como "garçom" e dessa vez fez a assistência para Fellype Gabriel anotar o terceiro, transformando a vitória em goleada.

Oswaldo pôde mexer no time de maneira a experimentar jogadores que não vinham sendo utilizados com frequência (casos de Rodrigo Defendi e Lucas Zen). Na última alteração, trocou Seedorf por Bruno Mendes - o craque holandês foi aplaudido, com mais uma bela atuação, apesar do incrível gol perdido. E, logo depois, aconteceu o grande fato da noite: Rafael Marques recebeu passe rasteiro e pegou bem na bola, de primeira, cruzado, no canto esquerdo, fechando o placar e comemorando seu primeiro gol no Botafogo. Foi a cereja no topo do bolo de uma grande atuação do atacante.

E assim começa a Taça Rio para o campeão na Taça Guanabara. Desde 1987 (26 anos) que o Glorioso não perde uma estréia nesse torneio. Quem poderá desafiá-lo?

segunda-feira, 11 de março de 2013

Não Podes Perder Nem Empatar Com Ninguém: Botafogo Campeão Na Taça Guanabara 2013

Vasco e Botafogo coloriram o Engenhão de preto e branco numa linda tarde de domingo. Em campo, duas equipes que integravam - e continuarão integrando - o grupo A no Campeonato Estadual 2013. Por ter feito melhor campanha naquela fase, o Vasco jogava com a vantagem de poder empatar para ser campeão. Só que deu Botafogo. Foi a vitória do time que mais procurou atacar, que mais buscou o gol, que teve maior volume de jogo, que mostrou-se mais preparado técnica e taticamente para levantar a taça Guanabara 2013.

Talvez o destino fosse diferente se Carlos Alberto tivesse concluído na parte interna da rede um lance ainda nos primeiros minutos de jogo. Só que não. Talvez nem Carlos Alberto nem nenhum vascaíno, por mais pessimista que pudesse ser, poderia imaginar que aquela oportunidade de gol seria a maior do time em toda a partida. O Botafogo dominou territorialmente, se impôs. E o gol do título tardou, mas veio: aos trinta e cinco minutos do segundo tempo, uma jogada iniciada por Seedorf pela esquerda terminou com assistência de Bolívar (que recebeu cruzamento de Júlio César) para a finalização precisa de Lucas.

Perceberam como o Botafogo pressionava? A bola passou pelo maestro holandês e por três jogadores que teoricamente compõem a linha de defesa, envolvendo um zagueiro e ambos os laterais. O Alvinegro mostrou que a melhor maneira de se defender é atacando. Manteve a bola longe do goleiro Jéfferson e deu muito trabalho para o goleiro Alessandro. No final, o Vasco enfim tirou a máscara que o assemelhava a um clube pequeno e foi para cima. Faltava organização, é verdade, mas pelo menos havia coragem. Coragem que não era vista anteriormente, num time que chegou ao cúmulo de simular lesões (até Dedé o fez) e retardar toda e qualquer reposição de bola em jogo (que o diga o goleiro Alessandro).

Houve tempo para um gol anulado de Renato Silva (o vídeo abaixo não tira dúvida nenhuma, mas deixa a certeza de que foi um momento dos mais emocionantes no torneio). Houve tempo também para defesa de Jéfferson, em nova cobrança de falta de Fellipe Bastos. Muito pouco. Mesmo para alguém que "jogava pelo empate". Parabéns, Botafogo, merecidamente campeão na Taça Guanabara 2013.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Equipe E Jogada Da Semana

Nem os mais fanáticos torcedores do Real Madrid devem estar animados com relação ao Campeonato Espanhol, até porque o time de José Mourinho está com treze pontos a menos que o Barcelona e encontra-se atrás também do Atlético de Madrid na tabela classificatória.

Mas, a julgar pela semana que acabou de passar, até os merengues mais pessimistas devem conservar esperanças num final de temporada vitorioso. Começou com uma vitória sobre o Deportivo La Coruña (2a1, no estádio El Riazor, pelo Campeonto Espanhol) e terminou de maneira ainda mais empolgante, vencendo o Barcelona por 2a1 no estádio Santiago Bernabéu, também pelo Espanhol. Mas o feito mais incrível ocorreu na terça-feira, entre um jogo e outro: foi com uma vitória por 3a1 em pleno Camp Nou que a equipe avançou para a final na Copa do Rei (havia empatado a ida na semifinal em 1a1).

Com a autoestima elevada após os resultados recentes, resta saber o que o Real Madrid conseguirá fazer em Old Trafford, diante do Manchester United, no jogo de volta pela fase oitavas-de-final na Liga dos Campeões da Europa, dia cinco de março. A ida, no Bernabéu, terminou 1a1. Mas quem arrancou uma classificação jogando em Barcelona pode conseguir também em Manchester.

Jogada da semana

Numa partida com cara de decisão de campeonato, Flamengo e Botafogo fizeram jogo movimentado no Engenhão. Esse lance, nos acréscimos do segundo tempo, explica um pouco da emoção que foi o encontro pela semifinal na Taça Guanabara.

De Jéfferson para Gabriel, de Gabriel para Vitinho e de Vitinho para a rede. 2a0 Botafogo e fim de um tabu.

domingo, 3 de março de 2013

Fim Do Tabu: Botafogo Vence E Elimina Flamengo No Engenhão

Depois de o Vasco passar pelo Fluminense com uma vitória por 3a2 no sábado, foi a vez de o Botafogo vencer o Flamengo (2a0) e se classificar para fazer uma final alvinegra na Taça Guanabara 2013. Os gols da partida aconteceram em momentos extremos: Júlio César abriu o placar com um minuto de jogo e Vitinho decretou a classificação marcando aos quarenta e oito do segundo tempo.

O resultado coloca um ponto final num tabu que incomodava os botafoguenses: jamais o clube havia vencido o rival rubronegro em partidas realizadas no estádio Engenhão. Haviam sido três derrotas e oito empates até então. Quiseram os deuses do futebol que a primeira vitória acontecesse numa data marcante, pois 03.03.2013 é a data em que Zico, maior ídolo flamenguista, completa 60 anos.

Um clássico de caráter eliminatório em jogo único tem algo especial, que extrapola as partidas "comuns". No caso, o empate beneficiava o Flamengo, por ter feito melhor campanha na fase de grupos. Vantagem considerável, notadamente pelo fato de essas duas equipes empatarem diversas vezes nos confrontos diretos recentes. Só que um gol-relâmpago do Botafogo certamente surpreendeu.

Ao longo de todo o primeiro tempo, o Flamengo até teve mais a posse de bola, mas quem sabia o que fazer com ela era a equipe comandada por Oswaldo de Oliveira, que chegou o dobro de vezes até a linha-de-fundo (10a5) e foi o único time a chutar em gol (6a0 em finalizações). A contusão de Andrezinho e a opção por Gabriel trouxe um Botafogo mais combativo para o segundo tempo.

No intervalo, Dorival Júnior mexeu duplamente no Flamengo: saíram Elias e Carlos Eduardo, entraram Renato Abreu e Rodolfo. E se Jéfferson foi espectador no primeiro tempo, passou a personagem central na etapa final. Foram pelo menos três defesaças desse ótimo goleiro, incluindo aí duas cara-a-cara com o goleador Hernane.

O Flamengo tornou-se visivelmente mais ofensivo após a última substituição de Dorival, quando colocou Gabriel no lugar de Cáceres. Oswaldo não se abdicou do ataque, colocando Vitinho no lugar de Lodeiro. E Vitinho entrou em campo para ter atuação destacada, semeando o pânico na esburacada defesa de um adversário que se lançava alucinadamente ao ataque deixando espaços atrás.

Jéfferson e Felipe evitaram o empate e a ampliação da diferença numa partida lá e cá. No final, Oswaldo trocou Júlio César, autor do gol único, pelo zagueiro André Bahia, ex-Flamengo. Até o goleiro Felipe frequentava a área botafoguense nos acréscimos tentando o gol. E o gol saiu, só que não a favor do Fla: em mais um contra-ataque ligeiro, Vitinho recebeu e, sem goleiro, aproveitou.

Dois a zero Botafogo e festa para a torcida que pôde, finalmente, ver o seu time vencer o Flamengo no Engenhão. No próximo domingo, Vasco e Botafogo farão a final na Taça Guanabara, garantindo uma tarde em preto-e-branco no estádio. Flamengo e Fluminense, mais badalados na prévia da fase semifinal, farão o clássico Fla-Flu somente mais pra frente, pela fase de grupos na Taça Rio...
Lucas se ajoelha em agradecimento: vitória do Botafogo sobre o Flamengo foi a primeira na história do estádio Engenhão e leva o Glorioso para a final na Taça Guanabara 2013.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Time Da Virada Vence E Passa Em Primeiro

O Vasco da Gama, que tinha tudo e mais um pouco para terminar a Taça Guanabara na condição de vice-líder no grupo A, conseguiu a classificação para a semifinal como primeiro colocado em sua chave. Numa rodada em que todos os quatro clubes da Série A nacional marcaram dois gols cada (o Flamengo não foi vazado pelo Olaria no sábado enquanto, no domingo, Botafogo e Fluminense empataram com Boavista e Madureira, respectivamente), o Vasco saiu atrás mas conseguiu a virada pra cima do Duque de Caxias, em Macaé.

Desta forma, teremos como cruzamentos semifinais Vasco e Fluminense (Vasco com a vantagem do empate) e Flamengo e Botafogo (Flamengo com a vantagem do empate). O Duque de Caxias, que em alguns momentos dava pinta de vencer o jogo, amargou nova derrota e terminou o turno como lanterna no grupo B, com a terceira pior campanha no geral.

O jogo

Por mais que todos saibamos que o Campeonato Estadual no Rio de Janeiro tenha um abismo entre os quatro clubes mais ricos e os doze menos badalados, o que se viu no primeiro tempo em Macaé foi uma equipe do Duque de Caxias superior ao Vasco da Gama. Isso mesmo, superior. Se não tecnicamente, pelo menos no comportamento tático e, sobretudo, na disposição demonstrada.

Nove minutos depois de a bola começar a rolar, o atacante Charles Chad teve grandiosa oportunidade de abrir o placar, em lance semelhante àquele fatídico Corinthians e Vasco, quando Cássio foi buscar a finalização de Diego Souza, em 2012, pela Copa Libertadores da América daquele ano. Só que Charles, com um péssimo chute, facilitou a ação para o goleiro Alessandro, que pegou com tranquilidade.

Mas os deuses do futebol foram generosos com Charles, que nove minutos depois teve nova chance clara, dessa vez aproveitando o cruzamento de Leandro Cruz e mandando para a rede, se antecipando ao zagueiro Renato Silva e ao goleiro Alessandro. 1a0 Duque de Caxias.

E o Caxias só não foi para o vestiário com uma vantagem maior porque a arbitragem comandada por André Rodrigo Rocha inventou impedimento em lance onde Leandro Cruz marcaria o segundo gol, aos trinta e nove minutos.

O Vasco voltou para o segundo tempo mais ligado e a defesa passou a conceder menos espaços aos atacantes adversários. Com duas bolas na trave (uma de Bernardo cobrando falta e outra de Dakson, que entrara no lugar de Dieyson), o Clube da Colina dava sinais de melhora. Mas mesmo assim, o Duque de Caxias esteve muito perto de balançar a rede novamente: aos vinte e três, Leandro Cruz voltou a efetuar cruzamento pelo flanco esquerdo e Charles Chad, em ótima condição, não tirou proveito da falha de Renato Silva, chutando para fora e desperdiçando o que seria o segundo gol (moralmente, o terceiro, não esquecendo da anulação no lance de Leandro Cruz no primeiro tempo).

Não ampliou a diferença aos vinte e três, tomou o empate aos vinte e nove. Realidade dura para os comandados de Mário Júnior: após bela jogada individual de Carlos Alberto, Fernando rebateu, a zaga não afastou e Bernardo conseguiu mandar para dentro, cabeceando após chute de Dakson. 1a1.

E se o meia estava contente naquele momento (chegou a tirar a camisa na comemoração, recebendo cartão amarelo), o que dizer cinco minutos depois, com o gol da virada? Aos trinta e quatro, Carlos Alberto acertou o travessão e Bernardo aproveitou o rebote. 2a1 Vasco.

Torcedores presentes no estádio Cláudio Moacyr cantarolavam "ô Urubu, pode esperar, a sua hora vai chegar". Curiosamente, o encontro entre Bacalhau e Urubu só aconteceria se o Vasco fosse vice-líder no grupo A. Mas os vascaínos, talvez sem contar com o tropeço do Botafogo diante do Boavista, terminaram líderes, e por isso enfrentam o Fluminense. Seria aquele cântico um complexo de vice ou a antecipação da final? Veremos o que acontece em cada semifinal.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Seedorf Comanda E Botafogo Vira Sobre O Resende

O Botafogo quase foi para o carnaval com um vexame nas costas. Quase. Jogou um primeiro tempo apático, permitindo dois gols ao limitado time do Resende e outras oportunidades claras que poderiam encaminhar uma goleada para a equipe visitante.

Não tomou o terceiro gol antes do intervalo. Pelo contrário, numa rara jogada interessante produzida no campo de ataque, diminuiu a desvantagem. E, no segundo tempo, a equipe comandada por Oswaldo de Oliveira dominou as ações, impôs seu jeito de jogar e venceu de virada.

A partida serviu para sublinhar algumas coisas que já não são novidade para muita gente. A primeira é que, por mais frágil que possa ser um time, não existe essa de time bobo no futebol. Com uma marcação frouxa e vacilante na tentativa de fazer linha-de-impedimento, o Botafogo viu por diversas vezes os atacantes do Resende saírem na cara do goleiro Jéfferson. Jéfferson cometeu um pênalti num desses lances, ignorado pela arbitragem. Nada pôde fazer quando Marcel chutou no canto direito, abrindo o placar. Teve trabalho para evitar que novas enfiadas de bola resultassem em novos gols. E ainda foi vazado mais uma vez, em penalidade máxima cometida por Bolívar e convertida por Elias.

A segunda coisa que não é novidade para quem acompanha futebol com um mínimo de bom senso é que há diferenças grotescas no nível técnico entre as equipes que disputam a Série A nacional e as de divisões inferiores, exacerbadas no advento dos Campeonatos Estaduais. O Botafogo precisou pura e simplesmente impôr seu jogo para marcar gol atrás de gol, mudar o panorama da partida e terminar o jogo de maneira tranquila, o que dificilmente ocorreria diante de um oponente mais qualificado, até porque não é nada fácil virar uma partida quando se tem dois gols de prejuízo. Mas tanto Botafogo quanto Resende fizeram parecer fácil essa reviravolta no resultado.

E aí é que quero entrar na terceira coisa que não é novidade para os amantes e apreciadores do bom futebol: Seedorf é um gênio da bola. Marcou o seu em lance onde mostrou o que se espera de um jogador no momento da finalização: recebeu a bola, preparou para o remate e mandou na rede. Ótimo para semear um clima menos tenso no vestiário, até porque, conforme vimos nessa semana, Oswaldo de Oliveira anda com os nervos exaltados (há quem diga que ele é assim há muito tempo, enganando-se quem acredita na imagem de um treinador ponderado e tranquilo).

E o papo deve ter sido bom, pois já com um minuto no segundo tempo veio o empate botafoguense. Seedorf é um jogador tão especial, que até quando erra, acerta: a bola foi cruzada, o camisa dez furou a tentativa de voleio e a bola chegou limpa para Márcio Azevedo, que trouxe para a perna direita (!) e mandou pra rede. Se Seedorf pode furar, um canhoto pode marcar com a perna direita, né?

O que não pode parar é o show do holandês, que recuperou a posse de bola no campo de ataque, deu uma caneta no adversário com quem dividiu o lance e fez a assistência para Cidinho marcar o terceiro, o da virada.  Quem fechou a conta foi Sassá, que entrou no lugar de Bruno Mendes e anotou o quarto gol alvinegro.

A torcida do Botafogo, que compareceu em número pífio ao Engenhão (menos de três mil presentes) agora tem dez dias para descansar, se divertir, gastar e juntar dinheiro até a próxima partida da equipe, que será daqui a dez dias, com o Flamengo. Não há momento mais adequado do que esse para o botafoguense mostrar-se ao lado do time e apoiar. Ponha na agenda, alvinegro: dia dezessete de fevereiro, domingo, no Engenhão, clássico com o Flamengo. Pode ser pra selar a classificação na fase semifinal na Taça Guanabara 2013. E, mais importante que isso, para selar a paz com um treinador que parece pressionado até quando as coisas dão indícios de caminharem bem.

Entre Buracos E Adversários, Flamengo Goleia Friburguense

Foi fácil demais para o Flamengo vencer o Friburguense na noite de quarta-feira, abrindo a sexta rodada no Campeonato Estadual do Rio de Janeiro 2013. A fragilidade da equipe de Nova Friburgo era flagrante, mas há que se elogiar também aqueles que ajudaram a construir o resultado para o Rubronegro da Gávea.

Autor dos dois primeiros gols, Hernane isolou-se ainda mais como goleador no torneio, agora com sete. Foram dois gols logo no início. Aos cinco minutos, aproveitou-se de saída mal-sucedida do goleiro Afonso após cobrança de escanteio pelo lado direito e mandou para a rede. Aos onze, novo cruzamento da direita, só que dessa vez com bola rolando e, em vez de vacilo do goleiro, foi o sistema defensivo como um todo que facilitou a vida de Hernane, que novamente concluiu na rede. Dois gols muito simples, dois gols muito tranquilos, mas ultimamente o simples e o tranquilo vinham sendo bastante complexos para os centroavantes do Flamengo, com direito a gols perdidos por Deivid e Vágner Love que podíamos chamar de absurdos. Muito menos badalado que aqueles dois, Hernane vai cumprindo o ofício de atacante.

Mas quem realmente roubou a cena em Macaé foi o jovem Rafinha. Autor da assistência para o segundo gol de Hernane, ele ainda marcaria um golaço aos sete minutos do segundo tempo e faria o passe para Cléber Santana fechar a goleada, oito minutos mais tarde. Se no Flamengo muito se falava de jovens como Adryan e Thomás, é Rafinha quem está se apresentando como maior promessa ofensiva no clube. Tudo bem, o Estadual não serve de parâmetro para um Campeonato Brasileiro, por exemplo, o adversário esteve muito longe de impôr alguma dificuldade etc e tal. Mas talento a gente identifica em qualquer campo. Inclusive no gramado horroroso de Macaé. Partidaça de Rafinha, olho nele.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Jogando Bonito, Botafogo Goleia Audax Em Moça Bonita

Estádio Proletário Guilherme da Silveira Filho, mais conhecido pelo nome de Moça Bonita. Sede do Bangu Atlético Club, tradicional agremiação esportiva na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro - o Bangu é o último clube além dos quatro grandes que integram a Série A nacional a ser campeão estadual, feito conquistado no ano de 1966 (já havia faturado o torneio em 1933).

Fazendo uso do transporte ferroviário, o blogueiro partiu para lá e foi assistir a partida entre Audax Rio, "sensação dos pequenos" nas primeiras rodadas do Estadual 2013, e Botafogo, atual vice-campeão na competição. Dois times invictos na temporada: o Audax com duas vitórias e um empate; o Botafogo com uma vitória e dois empates.

Se houve equilíbrio no duelo válido pela quarta rodada na Taça Guanabara? Coisíssima nenhuma. Do início ao fim, domínio alvinegro no campo banguense. Era perceptível a fragilidade técnica do time do Audax, mas o que realmente importava era admirar o excelente nível de exibição botafoguense. Falo aqui de uma equipe escalada com uma linha de quatro na defesa, onde os laterais alternavam subidas ao ataque (o direito, Gilberto, se apresentava mais que o esquerdo, Márcio Azevedo). De uma equipe com um volante com grande poder de marcação e boa saída de bola - Marcelo Mattos, que tomava conta dos setores por onde transitava. De uma equipe com quatro meias que trocavam de posição, sendo possível ver Fellype Gabriel e Andrezinho revezando a função de segundo volante, Vitinho circulando pelos dois flancos e também pela parte central e Bruno Mendes, geralmente a referência ofensiva, recuando para permitir a inflitração de um companheiro, na maioria das vezes o hábil Vitinho. O goleiro Jéfferson e os zagueiros Antônio Carlos e Bolívar quase não precisavam participar. Mas faltou citar o nome de um jogador. Faltou citar o nome do jogador da partida: Nicolás Lodeiro, meio-campista uruguaio que teve atuação destacada, sobretudo no primeiro tempo.

Lodeiro abriu o placar com um golaço de fora da área (assista a comemoração aqui e sinta um pouco da atmosfera do estádio) e deu o passe para Fellype Gabriel marcar o segundo. No segundo tempo, o domínio alvinegro se manteve e outros dois gols aconteceram: Bruno Mendes anotou o terceiro, aproveitando rebote após finalização de Vitinho, e Bolívar fechou a conta, chegando ao terceiro gol em 2013, ótima marca para um homem de defesa. A festa ficou completa para o botafoguense que compareceu ao estádio quando Clarence Seedorf adentrou o gramado, adicionando categoria a uma partida que já estava resolvida em termos de resultado, mas que passou a ganhar algo mais com o deslumbrante talento do holandês. Qualquer viagem é válida para se ver atuações como essa.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Equipe E Jogada Da Semana

No emocionante grupo A na Copa Africana de Nações, a seleção de Cabo Verde conquistou o segundo lugar na chave com uma campanha invicta. Estreou empatando com a anfitriã África do Sul (0a0), depois empatou com a seleção de Marrocos (1a1) e, finalmente, venceu Angola com uma virada onde o gol da classificação saiu nos acréscimos do segundo tempo.

O feito cabo-verdiano é digno dos mais ressoantes aplausos. O país, com cerca de meio milhão de habitantes, participa pela primeira vez na competição continental. Nas Eliminatórias, conseguiu a proeza de passar pela respeitada seleção de Camarões. E agora, em solo sul-africano, aparece para o mundo como exemplo de superação. E o que é melhor: jogando um belo futebol!

É difícil prever até onde essa seleção pode chegar na Copa da África. Mas o trabalho do treinador Lúcio Antunes tem que ser exaltado. A habilidade de jogadores como Ryan Mendes e Platini somada à determinação de toda uma nação que vem passando por cima de qualquer dificuldade que se apresente fazem de Cabo Verde a mais grata surpresa no torneio. Conquistou um torcedor brasileiro.

Jogada da semana

No primeiro clássico carioca em 2013, Botafogo e Fluminense empataram o jogo no estádio Engenhão. E vem dessa partida a jogada da semana. Perceba no vídeo como o lance estava confuso no início, num bate-rebate onde a bola não era de ninguém. O lance que era confuso, tornou-se limpo. A bola que não era de ninguém, encontrou alguém que a merecesse chamar de "minha". Com vocês, a genialidade de Clarence Seedorf, que com apenas dois toques na bola (dois toques de primeira), arrumou a jogada e deixou a redonda, a "sua" redonda na medida para Bolívar marcar o gol de empate.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Botafogo E Fluminense Empatam O Primeiro Clássico Carioca De 2013: 1a1

O Campeonato Estadual no Rio de Janeiro teve na noite do último domingo de janeiro o seu primeiro clássico no ano de 2013. O jogo envolvia simplesmente os atuais campeão e vice na competição. Mesmo assim, público de 10.500 pessoas, o que corresponde a cerca de 25% da capacidade do estádio Olímpico no Engenho de Dentro. Sinal de que o torneio necessita de reformulação em seu modelo de disputa.

A partida em si envolveu dois times desfalcados. O Fluminense mais que o Botafogo: não teve jogadores como Gum, Edinho, Deco e Fred, enquanto o Alvinegro não contou com Lucas nem Renato. Mesmo assim, o atual campeão brasileiro conseguiu desenvolver o seu jogo, até porque o estilo proposto por Abel Braga não tem nenhuma complexidade: marcação firme e saída em velocidade. O Botafogo esteve mais perto de abrir o placar, colocando Diego Cavalieri para trabalhar mais do que o Fluminense fazia em relação a Jéfferson. Só que quem abriu a contagem foi mesmo o Tricolor: Wellington Nem escapou pela direita aproveitando espaço concedido por Márcio Azevedo, tabelou com Bruno e chutou rasteiro, no canto esquerdo.

No segundo tempo, o Fluminense quase ampliou em toque de letra de Valência, defendido por Jéfferson. O excelente goleiro botafoguense ainda voltou a salvar a equipe em lance onde agiu espetacularmente, abafando remate de Wellington Nem e rebatendo a sobra de Jean. E se o Flu não conseguiu aumentar a diferença nessas oportunidades, passou a se ver em apuros com a atuação maiúscula de Clarence Seedorf, que entrou em campo aos sete minutos do segundo tempo. Já na primeira participação da fera nascida no Suriname, inversão de jogo digna de craque: sem olhar, abriu na direita com precisão espantosa. E o gol de empate deu-se em jogada do genial camisa 10 vindo do Milan: Seedorf tocou de lado de primeira, recebeu de volta e, em novo toque de primeira, lançou Bolívar na área. O zagueiro cabeceou para a rede e marcou seu segundo gol na temporada.

O jogo foi perdendo fluidez e ganhando nervosismo, com o acontecimento mais tenso envolvendo dois estrangeiros: Valência se descontrolou e agrediu Seedorf com uma cabeçada. Armou-se um princípio de tumulto, logo contornado graças a atitudes como as de Wágner e Marcelo Mattos, que chegaram para apartar. O árbitro aplicou um cartão amarelo para o colombiano e outro para o holandês. E a partida seguiu, com os ânimos um pouco menos exaltados, mantendo-se os vinte e dois jogadores em campo e os dois gols no placar.

3º colocado no grupo A, o Botafogo tem como próximo adversário o Audax Rio. Já o Fluminense, que lidera o grupo B com o mesmo número de pontos de Flamengo e Audax, enfrenta o Friburguense. Curiosamente, como os times de um grupo enfrentam nessa fase os times da chave oposta, uma vitória de Botafogo e Fluminense nessas respectivas partidas irá ajudá-los mutuamente. O que falta é ajudar o torcedor a encontrar motivos suficientes para marcar presença nos estádios.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Pela 31ª Vez, Fluminense É Campeão Estadual

Numa tarde fria e chuvosa no Rio de Janeiro, o Fluminense venceu o Botafogo por 1a0 no estádio Engenhão e conquistou seu 31º título estadual (já havia vencido a primeira partida das finais pelo placar de 4a1). O resultado confirmou os momentos opostos vividos pelas instituições que disputaram o título: enquanto o Fluminense atravessa ótima fase, garantindo o caneco estadual e marcando presença na fase quartas-de-final na Copa Libertadores da América, o Botafogo sofreu sua terceira derrota consecutiva, já tendo dado adeus à Copa do Brasil na última quarta-feira.

O triunfo tricolor deu ao Rio de Janeiro seu 3º campeão diferente nas últimas 3 edições do Campeonato Estadual, uma vez que o torneio foi vencido em 2010 pelo Botafogo e em 2011 pelo Flamengo. O último título da equipe das Laranjeiras na competição datava de sete anos atrás.

O jogo

Os primeiros minutos de partida foram de intensa pressão do Botafogo. E isso nada mais era do que o esperado para o duelo, uma vez que a equipe alvinegra já entrava em campo com uma desvantagem de três gols. A maior chance da equipe comandada por Oswaldo de Oliveira abrir o placar e diminuir o prejuízo deu-se aos sete minutos, quando Maicosuel passou para "Loco" Abreu e o uruguaio, livre, chutou para grande defesa de Diego Cavalieri. No minuto seguinte, o Fluminense teve oportunidade claríssima, mas Jéfferson realizou magistral defesa na finalização de Rafael Moura.

A boa atuação do jovem volante Jádson (o jogador de 18 anos foi titular porque Marcelo Mattos, lesionado, não foi relacionado para a partida) inibia o setor de criação tricolor, que esbarrava na marcação acirrada do botafoguense. Aos trinta e um minutos, Elkeson cobrou falta fugindo da barreira e o chute forte passou perto da trave esquerda. Veio o segundo tempo, e Oswaldo de Olveira optou por voltar com Herrera no lugar do irregular Elkeson. Abel Braga manteve a formação anterior (já havia substituído Deco, que deixou o campo sentindo dores, dando lugar para Wagner) e o Fluminense foi equilibrando as ações.

O Botafogo chegou perto do gol aos cinco minutos (Márcio Azevedo recebeu uma cobrança rápida de falta de Abreu mas chutou por cima) e aos treze (Herrera pegou sobra de bola mas teve o remate defendido por Cavalieri). Coube ao Fluminense ser eficiente e marcar 1a0 aos dezessete: Carlinhos escapou pelo lado esquerdo, cruzou rasteiro e Rafael Moura chegou junto com Thiago Neves. É bem verdade que quem comemorou de maneira mais festiva foi o "He-Man", mas guardo a sensação de que a perna que finalizou o lance era de Thiago. De toda forma, gol do Fluminense e vantagem ainda mais dilatada na soma dos resultados.

O cronômetro avançava e, com ele, aumentavam os festejos da torcida tricolor. Aos botafoguenses, o que já era difícil com onze jogadores ficou definitivamente complicado após a expulsão de Maicosuel, por entrada destemperada em Rafael Moura. E por muito pouco não saiu o segundo gol do Fluminense, que teve ótimas chances bloqueadas por Jéfferson e Márcio Azevedo. Aí está o Flu, que mostra força no elenco ao jogar desfalcado de elementos como Diguinho, Wellington Nem e Fred. E como time vencedor não tem muito tempo para descanso, já é hora de pensar no Boca Juniors.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Equipe E Jogada Da Semana

O último título do Manchester City na Premiership data de quarenta e quatro anos atrás. Mas tudo leva a crer que esse período sem conquistar o Campeonato Inglês terá um fim no próximo domingo, quando o time receberá o Queens Park Rangers para confirmar o caneco através de uma vitória simples.

Os dois últimos compromissos dos Citizens não foram nada simples. Na segunda-feira, dia trinta de abril, o duelo de Manchester colocou frente a frente líder e vice-líder na tabela de classificação da primeira divisão. Melhor para os comandados de Roberto Mancini, que alcançaram a vitória dentro de casa e assumiram a liderança na competição. No domingo seguinte (dia seis de maio), a equipe teve outra parada duríssima e novamente saiu-se bem: conseguiu vencer o Newcastle em St. James Park (2a0, com os dois gols tendo sido marcados no segundo tempo pelo volante marfinense Yaya Touré).

Muita grana foi investida nesse time desde a aquisição feita alguns anos atrás por seu bilionário atual proprietário. E, se não ocorrer nenhum grande imprevisto, o City tem tudo para celebrar uma conquista que não vem há quase meio século. Há um ditado que afirma que "dinheiro não compra felicidade". Concordo. Mas, nesse caso específico, é inegável que as libras e mais libras investidas estão ajudando a promover a alegria daqueles que vestem azul em Manchester.

Jogada da semana

A jogada da semana vem do Rio de Janeiro. E, para valorizar ainda mais o feito, ocorreu na primeira partida da final estadual, disputada entre Fluminense e Botafogo. Confira como Fred concluiu a jogada que dava, naquele momento, o gol de empate ao seu time. Típico de quem entende da coisa.

domingo, 6 de maio de 2012

Fluminense Larga (Muito) Na Frente Em Decisão Estadual

O Clássico Vovô, que marcou uma final de Campeonato Estadual pela última vez no ano 1971, retomou o protagonismo no Rio de Janeiro e teve sua partida de ida dominada pelo Fluminense. A vitória por 4a1 deu ao Tricolor das Laranjeiras a significativa vantagem de se tornar campeão mesmo em caso de derrota por dois gols de diferença no próximo domingo. Para o Botafogo reverter a situação, precisará golear o adversário por pelo menos quatro gols de margem - em caso de vitória por três gols, o título será decidido nos pênaltis.

Essa foi a primeira vez que o Fluminense venceu o Botafogo no estádio Engenhão. De quebra, o time comandado por Abel Braga ainda acabou com a invencibilidade do Alvinegro dirigido por Oswaldo de Oliveira - a partir de hoje, pode-se dizer que não há mais nenhum time invicto nas séries A e B brasileiras nesse ano de 2012.

O jogo

As coisas começaram bem para o Botafogo, que iniciou a partida buscando o ataque e não tardou para marcar 1a0: aos oito minutos, o camisa oito Renato pegou de primeira uma sobra de bola originada em cruzamento de Fellype Gabriel e mandou no canto direito. Belo gol para abrir a contagem na final estadual.

Mas o rendimento do Alvinegro de General Severiano foi caindo a ponto de ver-se em campo um time que sequer era sombra daquele que venceu o Vasco na final da Taça Rio. Um pouco pela postura do Fluminense e um tanto pelos erros do próprio Botafogo, que desperdiçava a posse de bola em lances que se complicavam sem qualquer cabimento.

O Tricolor ia chegando com mais freqüência ao ataque, descolando finalizações atrás de finalizações. Parou em Jéfferson, carimbou Antônio Carlos, chutou para fora. Mas, aos quarenta e três minutos, a insistência na busca pelo gol foi recompensada não com um gol qualquer, mas com uma pintura de Fred: após cruzamento de Thiago Neves, o camisa nove emendou uma bicicleta improvável, pegando na veia e mandando a redonda no canto direito. Golaço e 1a1 no placar.

A partida foi para o intervalo após um primeiro tempo onde o Flu era flagrantemente superior dentro das quatro linhas. As jogadas pela esquerda com Carlinhos criavam dificuldades à defesa botafoguense, que tinha o lateral-direito Lucas pendurado com cartão amarelo e bastante perdido no combate aos adversários que caíam pelo seu setor. Oswaldo manteve o mesmo time para a segunda etapa e o Botafogo quase desempatou aos seis minutos, quando Sebastián "El Loco" Abreu, mesmo agarrado por Leandro Euzébio em lance de pênalti não marcado, cabeceou parando em defesa de Diego Cavalieri.

Quem não tinha mais como manter Lucas em campo era o árbitro Luís Antônio Silva Santos: aos dez minutos, o camisa dois calçou Thiago Neves impedindo contra-ataque tricolor e recebeu o segundo cartão amarelo, sendo corretamente expulso. Se naquele momento o Fluminense conquistava uma vantagem numérica no gramado, dois minutos depois passou a obter vantagem também no placar: Deco serviu Rafael Sóbis com belo passe e a jogada foi concluída com uma bela finalização do camisa vinte e três, no ângulo direito. Era a  virada do Fluminense.

Objetivo na construção de jogadas e sabendo explorar os espaços vazios, o Flu não demorou para marcar o terceiro gol: Thiago Neves passou para Sóbis e, após driblar Jéfferson, ele marcou seu segundo gol na partida. 3a1. O gol foi sucedido imediatamente pela parada técnica prevista em regulamento. Fellype Gabriel, deslocado para a lateral-direita, até saiu-se bem por ali. O Botafogo tentava compensar a desvantagem no número de jogadores na base do esforço e dedicação e a partida seguiu movimentada. Melhor para o Fluminense: com o jovem e veloz Marcos Júnior em campo, o Tricolor chegou ao quarto gol em bela jogada, envolvendo Deco, Rafael Sóbis, Fred e o jogador que entrara no segundo tempo, que não desperdiçou a oportunidade.

Os gritos de "olé" deram o tom antes do apito final e deixaram a impressão de que o título estadual de dois mil e doze, embora não definido, está pra lá de encaminhado. Agora, Fluminense e Botafogo voltam suas atenções para suas respectivas eliminatórias de oitavas-de-final: na quinta-feira, o Flu joga com o Internacional, pela Libertadores (0a0 na ida); na quarta-feira, o Botafogo encara o Vitória (1a1 na ida), pela Copa do Brasil. Ambos os jogos serão disputados no Engenhão.

domingo, 29 de abril de 2012

Invicto Em 2012, Botafogo Vence Vasco E É Campeão Na Taça Rio

Num Engenhão 100% alvinegro, quem fez a festa no estádio foi a metade que tinha como emblema a estrela solitária. Por sinal, essa conquista da Taça Rio 2012 representa o primeiro título botafoguense na casa que administra desde o ano 2007.

A vitória por 3a1 sobre o Vasco confirma a boa temporada que vem sendo feita pelo Botafogo, que mantém-se invicto no ano, e coroa o belo início de trabalho do técnico Oswaldo de Oliveira, que vai implementando sua filosofia de trabalho e conquistando os exigentes torcedores com bons resultados e boas atuações.

O primeiro gol saiu no começo de partida, com participação relevante de uma gandula: ao entregar rapidamente a bola para Maicosuel, o camisa sete cobrou o arremesso lateral para Márcio Azevedo e este explorou a brecha deixada pela defesa vascaína, cruzando na medida para que Sebastián "El Loco" Abreu concretizasse a abertura no placar.

Os comandados de Cristóvão Borges não pareciam ter se abalado com o acontecimento e foram criando chances para tentar reestabelecer a igualdade no marcador. O sistema defensivo botafoguense, embora às vezes envolvido pelas trocas de passe oponentes, foi se encaixando e o público passou a ver grandes atuações de Antônio Carlos, Márcio Azevedo e, principalmente, de Fellype Gabriel, que substituiu Renato (contunido na semifinal diante do Bangu) na função de segundo volante e teve performance formidável.

Se no parágrafo anterior não foi citado o nome de Fábio Ferreira - que também marcava bem -, o nome do zagueiro entra agora como o autor da assistência para o segundo gol. No final do primeiro tempo, Elkeson cobrou falta levantando a bola na área e o camisa quatro cabeceou para Abreu simplesmente concluir o lance para o gol.

Com a desvantagem de 2a0, Cristóvão preparou uma dupla mexida no intervalo. Allan entrou, Alecsandro saiu; Felipe saiu, Juninho entrou. Analisando friamente, o Vasco perdia um elemento de ataque, com Diego Souza sendo adiantado para a função de centroavante e formando dupla de frente com Éder Luís, quando no primeiro tempo era mais responsável por, ao lado de Felipe, servir a ambos. E o Botafogo nem deu tempo ao Vasco de respirar essa nova formação tática, pois Maicosuel foi lançado e não desperdiçou a oportunidade, chutando cruzado e marcando 3a0.

A festa tomava conta dos setores Norte e Oeste e o avançar do cronômetro foi trazendo gritos de "olé", "vice de novo" e o tradicional "é campeão". Carlos Alberto, que entrou como última substituição de Cristóvão (Fágner deixou o campo, depois de levar muita canseira de Maicosuel), marcou o gol de honra cruzmaltino.

No final, um Botafogo combativo sem a bola e objetivo quando com ela sagrou-se campeão da Taça Rio e agora decidirá o título estadual diante do Fluminense, campeão da Taça Guanabara. Mas, antes do primeiro jogo de uma final de 180 minutos, tem o jogo de ida das oitavas-de-final da Copa do Brasil, enfrentando quarta-feira o Vitória, em Salvador. Se o título na Taça Rio leva à disputa do caneco estadual, a conquista na Copa do Brasil leva à disputa da Copa Libertadores da América. O Vasco sabe muito bem disso e já deve estar pensando no confronto com o Lanús.

domingo, 22 de abril de 2012

Vasco Vence Flamengo De Virada E De Novo

Que "o Vasco é o time da virada", muita gente já sabe - seja de já ter ouvido esse cântico da torcida cruzmaltina, seja por ter passado nesse blógui anteriormente. E, a exemplo do ocorrido na semifinal da Taça Guanabara, a equipe comandada por Cristóvão Borges virou o jogo pra cima do Flamengo de Joel Santana e marcará presença numa final de turno no Campeonato Estadual.

A partida teve ritmo frenético, sobretudo no primeiro tempo. O Flamengo teve a felicidade de aproveitar sua primeira oportunidade de gol: no terceiro minuto de jogo, uma trama rápida e precisa envolvendo Ronaldinho Gaúcho (que fez o lançamento), Kléberson (que deu a assistência com um toque de primeira) e Vágner Love (que dominou e chutou para a rede) colocou o 1a0 no placar no Engenhão.

A resposta vascaína foi ligeira, e só não rendeu o empate no minuto seguinte porque Júnior César evitou que a bola chutada por Éder Luís atravessasse a linha derradeira. O Vasco só fazia subir de rendimento e pressionar o Flamengo. O prêmio pela superioridade em campo veio aos treze minutos: Felipe chutou de fora da área e Éder Luís aproveitou o rebote do goleiro rubro-negro. 1a1.

Por falar em chutes de fora da área, faz-se necessário citar um terceiro Felipe: o volante de sobrenome Bastos. A força e precisão nos remates de longa distância deste jogador chegam a impressionar. Até cobrança de falta de antes da intermediária ele estava mandando direto pro alvo, obrigando o goleiro que lhe é xará a intervir. Mas foi do Felipe camisa seis, e não de Bastos, o gol da virada: aos quarenta e um minutos, quando o Vasco seguia melhor em campo, o jogador calvo chutou no canto esquerdo, mas tão no canto esquerdo, que a bola bateu naquela trave e foi encontrar a rede no canto oposto. 2a1, virada vascaína.

Aos quarenta e quatro minutos, houve pênalti de Welinton em Rodolfo naqueles lances de escanteio, tão rotineiros no futebol. Achei curioso o comentário de Arnaldo Cezar Coelho a respeito do lance e até tomei nota: "agarra-agarra sempre há, mas houve agarra-agarra". O agarra-agarra comentado por Arnaldo, ex-árbitro que inclusive apitou a final da Copa do Mundo de 1982, nada mais era que Welinton agarrando e Rodolfo sendo agarrado. Em 2008, o árbitro Marcelo de Lima Henrique (o mesmo escalado para essa partida que estamos aqui analisando), marcou pênalti de Ferrero no agarra-agarra com Fábio Luciano. A diferença básica é que a camisa puxada era do Flamengo, na então final da Taça Guanabara.

No início do segundo tempo, Alecsandro recebeu de Thiago Feltri, tocou na bola forte demais e caiu em choque com o goleiro Felipe. Pênalti marcado, em lance difícil de atestar ter havido a infração. Mas como os flamenguistas poderiam reclamar de algo, pergunto. Na cobrança, Felipe mandou a bola pro lado esquerdo e Felipe mandou-se para o lado direito. 3a1 Vasco.

Mas o Flamengo tinha a seu serviço o melhor jogador da noite: Kléberson. Aos sete minutos, o meio-campista campeão mundial com a seleção brasileira em 2002, descolou chute maravilhoso de longa distância e superou o goleiro Fernando Prass. Chute tão bem dado que mesmo se o arqueiro vascaíno estivesse melhor posicionado, dificilmente conseguiria evitar que a bola tomasse o rumo da rede.

O placar de 3a2 deixava tudo em aberto, mas Joel Santana complicou as coisas aos vinte e nove minutos, quando trocou Kléberson por Renato Abreu, numa troca dupla que também envolveu a entrada de Negueba no lugar de Luiz Antônio (no intervalo, havia trocado Muralha por Darío Bottinelli). Mesmo com a mudança radical no setor de meio-campo e a saída de Kléberson, o Flamengo teve chances de empatar a partida. Uma das mais agudas ocorreu após descida de Leonardo Moura pela direita, com Ronaldinho Gaúcho chegando de carrinho para tentar completar o cruzamento, mas não conseguindo desviar o curso da bola para dentro da baliza.

Coube ao Vasco administrar a vantagem, algo que foi feito da melhor maneira possível: atacando o Flamengo. A entrada de Carlos Alberto deu nova dinâmica ao ataque vascaíno, mas nenhuma oportunidade foi convertida - nem precisava, a virada já estava consumada. Agora, Botafogo e Vasco decidem a Taça Rio 2012. O Fluminense, que faturou a Taça Guanabara mas não avançou para a semifinal na Taça Rio, aguarda o campeão para a decisão do título estadual. O Flamengo, eliminado na fase de grupos da Libertadores e fora da decisão do segundo turno estadual, aguarda o início do Campeonato Brasileiro para voltar a atuar em uma partida oficial.

Outro resultado

Sábado
Bangu 2a4 Botafogo

Superior, Botafogo Passa Pelo Bangu Em Noite De Abreu

O Botafogo é o primeiro finalista na Taça Rio 2012 - o segundo turno do Campeonato Estadual no Rio de Janeiro. A vaga na decisão foi conquistada com vitória por 4a2 sobre o Bangu, com direito a hat-trick de Sebastián "El Loco" Abreu. O camisa treze uruguaio ainda perdeu um pênalti (o sexto dos últimos sete cobrados por ele) e foi substituído por Germán Herrera, sendo ovacionado pelos botafoguenses.

A partida foi dominada pelo Alvinegro de General Severiano que, empurrado por uma animada torcida, marcou presença no campo de ataque. O Bangu, em lua-de-mel com uma torcida que dias atrás temia pelo rebaixamento, teve dificuldades de encontrar sua melhor maneira de jogar, mas nem por isso os banguenses presentes no setor Sul do estádio Engenhão desanimaram.

O Botafogo, embora vitorioso no duelo tanto no desempenho quanto no resultado final, cometeu alguns vacilos que, se não corrigidos até o próximo domingo, poderão lhe custar o título da competição e o direito de jogar as finais com o Fluminense (campeão no primeiro turno, a Taça Guanabara). Um desses vacilos atende pelo nome de Elkeson, que teve atuação apática e quase comprometedora.

Agora, o Botafogo aguarda o vencedor do duelo entre Flamengo e Vasco, que se enfrentam nesse domingo, no mesmo estádio. O Bangu, embora eliminado, deve comemorar a transformação vivida após a chegada do treinador Cleimar Rocha: de lanterna sem pontuar na Taça Guanabara a líder no grupo B na Taça Rio. Um trabalho curto mas que merece ser elogiado pelos frutos terem sido colhidos tão depressa.