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sábado, 18 de junho de 2016

Bélgica Voa Sobre O Campo De Bordeaux E Aplica 3a0 Na Irlanda

Vinda de uma derrota para a Itália na estréia, a Bélgica mostrou sua força diante da Irlanda. No primeiro tempo, contei pelo menos dez ocasiões de gol construídas pelos belgas no persistente zero a zero. Isso, senhoras e senhores, é mostrar sua força. Precisamos nos destituir da idéia de que ser forte no futebol é ganhar jogos ou títulos. Vamos passar a incorporar a noção de que a força está mais nos procedimentos que nos resultados. E a Bélgica procedeu muito bem, obrigado. Tudo bem que a adversária não era uma potência continental, mas valorizemos uma Irlanda que estreou com boa atuação no empate diante da Suécia.

Essa foi a segunda vez na história que a Bélgica atuou em Bordeaux. A anterior - e até então única - havia sido na Copa do Mundo de 1998. Cá está um vídeo com alguns lances do 2a2 com o México, na fase de grupos. Os dois gols belgas foram marcados por Marc Wilmots, hoje técnico da seleção.



De lá para cá, se passaram 18 anos. E Wilmots teve a sorte de ser o comandante de Hazard, De Bruyne e companhia, nessa que é provavelmente a mais talentosa geração futebolista do país em toda a história. Os 3a0 foram construídos com relativa naturalidade. Principalmente depois que o primeiro gol, marcado por Lukaku em finalização precisa, trouxe a Irlanda para o campo de ataque. Apareceram espaços que antes eram mais escassos e Witsel, de cabeça, marcou o segundo. A incrível capacidade de contra-atacar em alta velocidade rendeu momentos sensacionais no jogo, sendo o ápice o terceiro gol: Meunier recuperou a bola a alguns metros da bandeira de escanteio do lado direito de sua defesa, acionou Hazard e o camisa dez passou como um raio pela marcação adversária e também pelo auxiliar de arbitragem que acompanhava o lance. Depois, rolou caprichosamente para Lukaku marcar o segundo.

Vestindo vermelho como a Espanha, a Bélgica repetiu a Fúria: somente elas conseguiram marcar três vezes num mesmo jogo nessa Euro-2016. Somente Lukaku e Morata fizeram dois na mesma partida. E se somente a Espanha tem aquela beleza característica no seu toque de bola, a Bélgica mostra sua força a cada vez que tem espaço disponível no gramado. Sorte de quem estava hoje em Bordeaux. Seja comandando a Bélgica na beira do gramado, seja assistindo uma grande atuação.
Após receber de De Bruyne, Lukaku finaliza com precisão para abrir o placar em Bordeaux. Imagem extraída de Republica.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Irlanda Joga Bem, Mas Cede Empate À Suécia

Num grupo que tem como protagonistas a qualificada Bélgica e a tradicional Itália, irlandeses e suecos eram meros coadjuvantes. Mas proporcionaram um jogo interessante em Paris. Quem aguardava ver Ibrahimovic desequilibrando acabou vendo o goleiro Isaksson sendo o grande destaque da Suécia, explicitando a superioridade da Irlanda na partida.

Porém, foi justamente após conseguir passar pela muralha sueca (belo gol de Hoolahan, no início do segundo tempo), que a Irlanda passou a diminuir a intensidade. Mesmo assim, teve chances de alcançar o segundo gol. Só não esperavam que marcariam... contra. Em lance de Ibra pela esquerda, Clark cabeceou contra o próprio patrimônio. E o pior é que goi outro belo gol.

Cientes de que o empate não adiantava o lado de ninguém, ambas as equipes buscaram a vitória no final. Porém, além dos bem postados sistemas defensivos, a falta de capacidade criativa de ambos os lados selaram a manutenção da igualdade.
O'Shea e Ibrahimovic disputam a bola: astro sueco, ex-PSG, não teve facilidades em Paris. Imagem extraída de Oriente 20.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Espetáculo Espanhol Promove Maior Goleada Na Euro 2012 E Elimina Irlanda

É difícil saber por onde começar. Na verdade, nem sei. O fato é que a Espanha, jogo após jogo, confirma e aumenta a certeza de que se trata da seleção que melhor representa o bom futebol na atualidade. Nessa quinta-feira, diante de uma aplicada Irlanda, a equipe comandada por Vicente del Bosque voltou a encantar e, por esbarrar em diversas defesas do goleiro Shay Given, teve de se contentar com... uma goleada por 4a0.

O jogo

Mais uma vez, a cidade de Gdansk teve o privilégio de sediar um jogo da melhor seleção de futebol das últimas décadas. Uma seleção que começa com um bom goleiro, Iker Casillas, que com um minuto espalmou chute de Simon Cox no canto direito. Casillas trabalharia naquele momento para praticamente não mais ser visto em ação, tamanho o domínio que se estabeleceria.

Aos três minutos e vinte e dois segundos, o atacante Fernando Torres, um dos melhores do mundo na posição, marcou o gol mais rápido da Espanha na história das Eurocopas. Andrés Iniesta - que dispensa comentários, que jogador! - tocou para David Silva, que foi desarmado parcialmente pela parede irlandesa postada na grande área. Só que Torres estava presente e não titubeou: recuperou a bola tomando-a de Richard Dunne, passou por Stephen Ward e finalizou com firmeza, no alto, estufando a rede.

A contagem estava aberta, o que de certa maneira tira um peso diante de um adversário com preferência por se retrancar. Se isso facilitou ou não o jeito de jogar espanhol não saberei precisar, mas posso garantir que a Espanha seguiu focada em conservar seu estilo de jogo e a continuar criando ocasiões de gol. Aos seis minutos, Xabi Alonso perdeu a bola, recuperou e deu para Silva, que ajeitou pra perna esquerda e chutou - Given encaixou.

Se no lance anterior a jogada deu-se num perde-ganha de posse de bola protagonizado por Alonso, no minuto posterior a chegada foi de um jeito diferente: Xavi Hernández lançou com aquela precisão que o caracteriza, Álvaro Arbeloa escorou de cabeça próximo à linha final e Torres mandou à esquerda, quase marcando o segundo gol. Aos oito, Keith Andrews pegou sobra de bola afastada parcialmente por Gerard Piqué, dominou, chutou e a bola saiu à direita após desvio em Piqué.

E se Piqué naquele momento protegia a meta espanhola - tarefa que se espera de um zagueiro -, aos quinze minutos o defensor se apresentou no ataque, ganhou  a disputa pela bola, chutou de fora e Given segurou. Aos vinte e dois minutos, Iniesta recebeu, avançou e chutou forte - Given espalmou.

Entre tantas trocas de passes, tantas aproximações do gol, tanto encantamento de uma seleção de técnica bem apurada, tática bem trabalhada e filosofia de jogo bem implementada, houve espaço também para o bizarro. Com vocês, o árbitro português Pedro Proença (o mesmo da final da Liga dos Campeões da Europa): aos trinta e quatro minutos, o cidadão do apito esteve posicionado em local impróprio e acabou derrubando Andrews, em lance onde a bola voltou à Espanha. Fosse Pedro Proença um jogador, era falta para cartão. No minuto seguinte, Robbie Keane derrubou Iniesta e recebeu cartão amarelo do outrora infrator árbitro do jogo.

A Irlanda teve mais uma jogada de ataque aos quarenta e quatro, quando Keane recebeu de Cox e teve o chute bloqueado em Piqué. Mas o irlandês que mais apareceria até o final do primeiro tempo seria aquele que veste luvas. Aos quarenta e um, Silva recebeu na meia-lua e entregou para Xavi, que ajeitou e buscou o canto esquerdo - Given defendeu. Dois minutos depois, a bola rolada na direita chegou até Arbeloa, que teve o chute desviado na marcação e rebatido por Given. Na seqüência, Xavi chutou e Dunne bloqueou. Aos quarenta e seis, no último ato pré-intervalo, Xavi cobrou  uma falta sofrida por Silva (no lance, Glenn Whelan recebeu cartão amarelo) colocando a bola na área, Iniesta pegou a sobra e chutou bem, com Given espalmando por cima e salvando a pátria irlandesa mais uma vez.

No intervalo, Giovanni Trapattoni, o treinador italiano que comanda a Irlanda (mais velho treinador da história da Eurocopa), trocou Cox por Jonathan Walters. E se Given terminou o primeiro tempo tendo que mostrar serviço para evitar gols espanhóis, começou a etapa complementar da mesma forma. Aos dois minutos, a abertura na direita chegou até Arbeloa, que chutou à meia-altura e Given espalmou. Como não é toda hora que dá para realizar a defesa, aos três minutos saiu o segundo gol espanhol: Torres chutou da esquerda, Given rebateu pra frente, Silva recolheu a sobra, fintou Ward - que ficou estatelado na grama - e concluiu a jogada colocando a bola entre as pernas de Dunne, no rumo do canto direito. 2a0.

Aos oito minutos, Alonso recebeu cartão amarelo pela falta cometida em Walters, que fintara o volante. No minuto posterior, Xavi pegou bonito na bola e Given conseguiu dar ainda mais beleza ao lance ao levar os dedos da mão direta até o objeto esférico, impedindo o terceiro gol com uma linda intervenção. Aos doze, erro da arbitragem ao marcar impedimento de Torres em enfiada de bola onde Dunne dava condição ao atacante - de toda forma, Given realizaria a defesa (não que eu seja um vidente, até porque apostaria em gol de Torres, é que os dois deram continuidade ao lance mesmo).

É bom demais ver um atacante do nível de Fernando Torres esbanjando boa forma física. As jogadas acontecem com ainda mais naturalidade e o espetáculo fica mais bonito. Aos dezesseis, o camisa nove espanhol estava de costas para o gol e deu de calcanhar - a bola bateu em Sean St. Ledger e voltou em Torres, que rolou atrás e Sergio Busquets mandou perto da trave direita.

Pendurado com o cartão amarelo recebido aos oito minutos, Alonso saiu para a entrada de Javi Martínez, aos dezenove. Aos vinte e um, uma jogada de Aiden McGeady pela esquerda quase contou com a colaboração de dois companheiros de clube: é que Casillas e Sergio Ramos foram para a mesma bola no cruzamento pelo alto, com Casillas acertando a cabeça de Ramos e Ramos acertando a bola. No fim, todos a salvo. Aos vinte e quatro minutos, o terceiro gol da Espanha: Iniesta disputou a bola no meio, ela foi recolhida por Silva e de seus pés saiu ótima enfiada de bola para acionar Torres, que avançou e pôs no canto esquerdo de maneira arrebatadora e fulminante. 3a0, com a marca de El Niño.

Com uma atuação maiúscula, fazendo lembrar o auge na carreira - sabe-se lá quando foi, é ou será o auge na carreira de um atleta que parece sempre capaz de evoluir e surpreender -, Torres deixou o campo aos vinte e oito minutos, dando lugar ao camisa dez Francesc Fàbregas.

Aos vinte e nove, Casillas voltaria a entrar em contato com a bola e a aparecer na transmissão do jogo, espalmando chute cruzado de Keane à esquerda. No minuto seguinte, Martínez deu carrinho em direção à bola que estava sob controle de Whelan, recebendo o segundo cartão amarelo espanhol. Naquele mesmo minuto, Damien Duff saiu para a entrada de James McClean. Duff é um dos jogadores mais conhecidos internacionalmente entre os convocados irlandeses, mas praticamente não foi visto em campo. Dado o grande nível de exibição visto na seleção espanhola, prefiro não cravar aqui que Duff pouco apareceu por estar numa noite infeliz. Talvez tenha feito o possível.

O ritmo espanhol diminuiu, com as chances aparecendo com menor freqüência. Aos trinta e dois, Xavi cobrou falta por cima. Aos trinta e quatro, Iniesta deu lugar a Santiago Cazorla. Trapattoni também mexeu: tirou Whelan, colocou Paul Green. Talvez impulsionada pelo ânimo renovado pela entrada de um novo jogador, a Espanha chegou ao quarto gol. Cazorla recebeu, chutou no canto esquerdo e Given espalmou. Na cobrança de escanteio pela direita, Silva passou para Fàbregas, que fez o resto: dominou, ajeitou pro chute e soltou um remate forte e cruzado, que bateu na trave direita com extrema força e foi parar na rede.

Com 4a0 no placar e um baile de bola, a Espanha teve uma performance formidável em Gdansk. A última anotação feita por esse entusiasta do futebol arte foi uma entrada de carrinho de St. Ledger em Silva, que rendeu cartão amarelo ao irlandês. Mas poderia adicionar uma outra frase: hoje, tive o prazer de ver mais uma vez essa Espanha jogar.

Outro resultado

Quinta-feira (Grupo C)
Itália 1a1 Croácia

Situação no grupo

Espanha (4 pontos, saldo 4) e Croácia (4 pontos, saldo 2) fazem confronto direto pelo primeiro lugar no grupo, onde o empate dá a liderança aos espanhóis. Itália (2 pontos) precisa necessariamente vencer a já eliminada Irlanda (0) para ter chance de chegar ao segundo lugar. Como o primeiro critério de desempate é o confronto direto, um empate a partir de 2a2 classifica Espanha e Croácia, independentemente do que a Itália venha a fazer diante da Irlanda. O curioso é imaginar vitória italiana e empate por 1a1 entre espanhóis e croatas: haveria um tríplice empate nesse caso.

domingo, 10 de junho de 2012

Croácia Desmonta Ferrolho Irlandês E Marca Três

A cidade polonesa de Poznan e o estádio Miejski sediaram uma partida interessante disputada entre Irlanda e Croácia, na noite desse domingo. O duelo foi bastante movimentado, com ambas as seleções conseguindo alternar momentos de domínio territorial no confronto e, algumas das vezes, envolvendo-se em disputas de bola mais vigorosas que o que estamos habituados a ver nessa modalidade esportiva que chamamos de futebol. A julgar pelo fato de a Irlanda ter ido a campo com uma invencibilidade de catorze jogos, período no qual sofreu apenas dois gols, o feito croata de sair com uma vitória de 3a1 torna-se digno de atenção especial.

O jogo

Partindo para o ataque, a Croácia teve sua postura ofensiva premiada com o gol mais rápido nessa edição da Eurocopa: aos dois minutos, o capitão Srna cruzou da direita e Mandzukic, bem posicionado, usufruiu de liberdade na grande área para cabecear no canto esquerdo, superando o goleiro Given. 1a0 Croácia.

Certamente não estava nos planos irlandeses se ver atrás no placar tão rapidamente, e os comandados de Giovanni Trapattoni não tinham outra alternativa a não ser abandonar a habitual postura defensivista e ocupar o campo de ataque. Com a posse de bola, muito pouco era produzido pela seleção da Irlanda. Mas o recurso da bola parada mostrou sua eficácia aos dezoito minutos: McGeady cobrou falta pela esquerda colocando a bola na área, Schildenfeld não conseguiu alcançá-la e Sean St. Ledger antecipou-se a Corluka, cabeceando no canto esquerdo de Pletikosa. 1a1 no placar.

Foi só ser reestabelecida a igualdade na contagem de gols para a tônica do jogo retornar àquela vista nos minutos iniciais, isto é, de ataque croata contra defesa irlandesa. Modric e Srna se destacavam na partida, conseguindo dar boa fluidez às jogadas ofensivas da equipe comandada por Slaven Bilic. Mas quem colocaria Given para trabalhar seria Perisic: aos vinte e um minutos, o camisa vinte croata chutou e o goleiro irlandês saltou para espalmar no canto esquerdo. Aos vinte e cinco, Perisic tinha boa possibilidade de chutar mas acabou optando pelo passe após bola rebatida que voltou em si, decisão que não foi a melhor para os croatas, terminando interceptada pela defesa irlandesa.

O domínio da Croácia era explícito: aos trinta e dois minutos, Modric tabelou com Srna e pegou de primeira, dando bonito chute que acabou defendido pelo bem posicionado Given. Três minutos depois, Jelavic saiu-se bem em disputa de bola pelo alto e Perisic recolheu a sobra emendando remate que passou à esquerda. Aos trinta e nove, Jelavic voltou a aparecer em jogada área, dessa vez cabeceando à direita da meta. Com tamanha pressão, a Croácia conseguiu chegar ao segundo gol: aos quarenta e dois minutos, Modric limpou o lance, chutou, e o desvio da defesa para trás acabou virando uma assistência para Jelavic que, pelo chão, recolocou a Croácia em vantagem no marcador, tirando do goleiro Given.

Antes do final do primeiro tempo, a Croácia teve nova oportunidade: aos quarenta e sete, Perisic cruzou e Rakitic cabeceou mandando por cima. O apito de intervalo dado pelo holandês Bjorn Kuipers convidou os jogadores a tomarem o rumo dos vestiários e tanto Trapattoni quanto Bilic decidiram voltar a campo com o mesmo elenco que iniciou a partida. E o segundo tempo começou quente: logo com um minuto, o joelho de Whelan nas costas de Perisic era um indício do que teríamos pela frente em Poznan. E, para esquentar ainda mais o jogo, já aos dois minutos saiu o terceiro gol croata: Perisic levantou da esquerda, Mandzukic cabeceou bem e a partir dali a sorte lhe sorriu, pois a redonda tocou na trave esquerda, na parte de trás da cabeça de Given e entrou. Vida de goleiro pode ser irônica: se Given não tivesse saltado tão bem na tentativa de buscar a bola, provavelmente a trave teria salvo a Irlanda. Mas quiseram os deuses do futebol que o arqueiro acabasse desviando involuntariamente para a própria meta, para alegria de Mandzukic e dos croatas.

A Croácia parecia disposta a transformar a vitória em goleada e aos quatro minutos a defesa irlandesa conseguiu rebater um remate de primeira dado por Srna após cobrança de escanteio pela esquerda. Trapattoni resolveu mexer na equipe e aos oito minutos trocou Doyle por Walters e McGeady por Simon Cox. Cox rapidamente mostrou que ajudaria a Irlanda na tarefa de aproximar os meio-campistas dos atacantes e ainda aos oito minutos arriscou chute que passou por cima.

Venho falando neste blógui sobre os seguidos erros de arbitragem, e infelizmente não tenho observado muita repercussão a esse respeito. Aos dezessete minutos, Schildenfeld cometeu falta em Robbie Keane dentro da área, o que caracteriza a penalidade máxima no futebol. Nesse lance especificamente, não culpo o árbitro pela não-marcação, pois da posição onde se encontrava era difícil ter certeza do ocorrido. Mas, se a FIFA tivesse incorporado o recurso tecnológico para casos como esse, a justiça seria feita e o jogo seguiria do jeito que deveria. Mas parece que Joseph Blatter tem outras prioridades...

Retornando ao jogo, aos vinte e um minutos Cox e Mandzukic se atracaram de modo que a disputa pela bola mais parecia um embate de alguma dessas artes marciais - ambos sobreviveram sem ferimentos nem cartões. No minuto posterior, um levantamento na área terminou com defesa de Pletikosa após cabeceio de Dunne. Vendo a Irlanda crescer, Bilic mexeu na Croácia: saiu o atacante Jelavic para a entrada do meia Kranjcar, aos vinte e seis. Três minutos depois, Trapattoni fez a última substituição a que tinha direito: saiu Robbie Keane, entrou Shane Long. Por mais que a partida do veterano camisa 10 não fosse das melhores, creio que sua presença em campo era válida - nada contra Long, que poderia ser colocado no lugar de outro jogador.

Aos trinta e dois minutos, a Croácia teve grande chance de chegar ao quarto gol: Rakitic tabelou com Srna e chutou mandando a bola perto da trave esquerda. A resposta da Irlanda veio dois minutos depois: aos trinta e quatro, Duff cruzou e Andrews cabeceou, com Pletikosa realizando a defesa na esquerda.

A Irlanda precisava correr atrás de pelo menos dois gols para poder pontuar na estréia, mas mesmo assim a posse de bola era 56% do tempo pertencente aos croatas. De toda forma, mais na base do abafa do que qualquer outra coisa, a Irlanda conseguia impôr perigo: aos trinta e cinco, Andrews pegou sobra de bola e mandou de primeira, à esquerda. Aos quarenta e um quem correu perigo foi Pletikosa, que foi atingido no rosto pelo braço de Long. Na seqüência, Whelan cabeceou por cima.

Aos quarenta e quatro, o jogo ganhou em brasilidade, pois Bilic pôs Eduardo da Silva, atacante canhoto natural do Rio de Janeiro, no lugar de Perisic. Mas Dudu pouco participaria da partida, já que os últimos minutos se concentraram no campo de defesa croata e de ataque irlandês. Aos quarenta e cinco, um escanteio cobrado pela direita chegou até Andrews, que estava absolutamente sozinho e sequer precisou sair da grama para efetuar o cabeceio, mandando a bola caprichosamente rente à trave esquerda, no último lance de maior perigo do jogo.

A vitória croata deu-se na base de um ataque intenso, conduzido pelo talento de Modric e pela constante participação de Srna, jogadores que foram muito bem auxiliados por Rakitic e Perisic. Para se classificarem num grupo que conta com Espanha e Itália, será importante que esses elementos continuem funcionando bem e que a defesa consiga encontrar uma solidez que em muitos momentos não foi vista diante da Irlanda. Já os irlandeses terão a difícil missão de tentar somar seis pontos contra aqueles adversários, e não será sofrendo três gols por jogo que isso deverá acontecer. De toda forma, devemos ter em mente que Trapattoni deverá trabalhar forte para recuperar a força defensiva que marcou os últimos jogos da seleção que antecederam essa estréia. Lá na frente, Duff e Keane precisarão render mais do que o visto nesse domingo para alavancarem a esperança dos torcedores da Irlanda.

Outros resultados

Sexta-feira (Grupo A)
Polônia 1a1 Grécia
Rússia 4a1 República Tcheca

Sábado (Grupo B)
Holanda 0a1 Dinamarca
Alemanha 1a0 Portugal

Hoje (Grupo C)
Espanha 1a1 Itália

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Eurocopa 2012: Pitacos Para O Grupo C

Você possivelmente já percebeu que este blógui está no clima da Eurocopa 2012, torneio continental realizado de quatro em quatro anos cuja próxima edição terá início nessa sexta-feira, dia oito de junho. São dezesseis seleções separadas em quatro chaves, com duas de cada seguindo para as quartas-de-final.

Nos dois tópicos anteriores, pitaqueamos a respeito do grupo A (Polônia, Grécia, Rússia e República Tcheca) e do grupo B (Holanda, Dinamarca, Alemanha e Portugal). Dando seqüência às análises referentes à fase de grupos na Eurocopa 2012, chegou a hora de abordarmos o grupo C.

Grupo C: Espanha, Itália, Irlanda e Croácia.

Essa chave tem como grande atrativo o encontro entre as duas últimas campeãs mundiais, que duelarão logo na estréia. Tudo leva a crer que, caso haja um vencedor nesse jogo entre Espanha e Itália, a equipe vitoriosa dará passo largo rumo à classificação, notadamente por ser difícil imaginar que Irlanda e Croácia consigam o feito de avançarem juntas.

Atual campeã européia e mundial e partidária de um estilo de jogo dos mais belos na atualidade, onde a posse de bola é valorizada à exaustão e a marcação funciona de maneira a recuperar a redonda o mais rapidamente possível, a seleção espanhola de Vicente Del Bosque é o que há de mais parecido com o Barcelona eternizado por Josep Guardiola. Os desfalques de Carles Puyol e David Villa são impactantes, até porque tratam-se de dois jogadores donos de suas respectivas posições. Mas a talentosíssima geração espanhola e a fidelidade a um sistema de jogo vistoso e funcional têm todas as condições de superarem essas ausências e conduzirem a Espanha ao bicampeonato continental. O fato é que, independentemente de até onde irá essa equipe brilhante, ninguém mais tem a insana audácia de rotulá-la de "amarelona". Pitaco: a Espanha avança de fase.

A tradicional seleção italiana, que vem vivendo altos e baixos nos últimos anos, chega a essa Eurocopa como um caso à parte. O time é experiente, contando com pouca renovação desde o tetracampeonato mundial em 2006, e ninguém duvida da capacidade dos comandados de Cesare Prandelli no momento de decidir - a hora da decisão parece estar no sangue dos italianos. Só que o time está sob clima tenso, às voltas com escândalos de manipulação de resultados, com direito a corte de jogador e casos de cadeia. Se a máfia, digo, se a equipe italiana conseguir transcender esse tumulto psicológico, poderá fazer-se valer de sua camisa tão respeitada e seguir em frente na competição. Mas, mesmo dentro das quatro linhas, o momento da Azzurra está longe de gerar entusiasmo. Pitaco: a Itália não se classifica.

A Irlanda, aquela seleção que chorou a ausência na Copa 2010 após o gol irregular francês na Repescagem (quem não lembra do toque de Thierry Henry com o braço antes de dar a assistência para William Gallas, em plena prorrogação?), vem para a Euro2012 comandada pelo italiano Giovanni Trapattoni, treinador com grande capacidade de montar verdadeiros ferrolhos e dificultar enormemente as investidas adversárias. No papel, nomes de jogadores que mostraram ao futebol a sua qualidade, tais como o goleiro Given, o defensor O'Shea, o meia Duff e o atacante Robbie Keane. Pode parecer pouco para aprontar num torneio como a Eurocopa, mas um time dirigido por Trapattoni costuma, muitas das vezes, não precisar de mais do que um golzinho para alcançar as vitórias. Pitaco: a Irlanda não se classifica.

Os croatas completam a chave com uma seleção interessante. Além de jogadores de boa técnica e experiência internacional, a equipe comandada por Slaven Bilic conta com o talentoso Luka Modric, meio-campista que teve ótima performance na Eurocopa passada. Niko Kranjcar é outro jogador de meio-campo com técnica apreciável e pode oferecer a bola aos atacantes a qualquer momento, fortalecendo o setor de criação. Lá na frente, o brasileiro de nascimento Eduardo da Silva aparece como maior esperança de gols para uma seleção que sonha reviver as glórias dos tempos de Davor Suker e companhia, quando terminou em 3º lugar no Mundial 1998. Pitaco: a Croácia avança de fase.

Encerraremos a prévia da fase de grupos na Eurocopa2012 na próxima postagem, que abordará o grupo D.