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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Fluminense Começa 2011 Como Terminou 2010: 1a0

Dando seqüência à rodada dupla de quinta-feira no Engenhão (mais cedo jogaram Botafogo e Duque de Caxias), o Fluminense passou por momentos adversos (tomando pressão do adversário e ficando por cerca de 20 minutos com um jogador a menos) mas acabou contando com um gol de Fred e com a própria trave para garantir a vitória por 1a0 sobre o Bangu. Foi o mesmo placar do triunfo tricolor na última vez em que atuou no estádio, em partida que será recordada por gerações de torcedores da equipe.

O jogo

O Fluminense começou a partida com maior volume de jogo, criando algumas chances. Mas foi o ataque banguense que conseguiu os principais lances da primeira etapa: com um time ágil nos contra-ataques e demonstrando talento nas tentativas de jogadas individuais, o Alvirrubro da Zona Oeste passou a pressionar o Tricolor das Laranjeiras (por pelo menos duas vezes tendo ficado perto de abrir o placar, sem contar o lance em que me pareceu haver pênalti a favor dos banguenses, negado pelo árbitro Péricles Bassols). Um chute de Ricardinho aos 37 minutos, por exemplo, passou muito perto da trave esquerda. Pouco depois, Ricardo Berna precisou agir rápido para interceptar uma enfiada de bola buscando Somália.

A preponderância do Bangu ocorria dentro e fora das quatro linhas: no Setor Norte do Engenhão, torcedores botafoguenses que decidiram permanecer no estádio apoiavam o time com fervor, silenciando a torcida tricolor (que, embora em maior número, não conseguia responder à altura). Aos 38 minutos, Souza cometeu nova falta e foi expulso pelo segundo cartão amarelo. O apito de intervalo parece ter vindo em boa hora para o Fluminense: Muricy Ramalho teria um tempinho para tentar reordenar a casa.

Durante o intervalo, a torcida do Fluminense manifestou-se de uma forma não vista em momento algum no primeiro tempo. Washington, atacante recém-aposentado, saudou os torcedores e foi ovacionado com cânticos como "Coração Valente, guerreiro tricolor... Washington é matador" e um emocionante "Ô ô ô... ô ô ô ô... muito obrigado".
Washington teve duas passagens pelo Fluminense: aposentado, foi homenageado pelos tricolores no estádio Olímpico João Havelange, local onde conquistou o Campeonato Brasileiro 2010.

Lá dos vestiários os jogadores não devem ter conseguido ouvir esse bonito momento que ocorria no gramado, mas parece que a ocasião contagiou o Fluminense, que veio forte para a etapa complementar e passou a controlar a partida. Em 17 minutos, Muricy já havia realizado as 3 substituições a que tinha direito: Júlio César por Carlinhos, Mariano por Marquinhos e Deco por Rodriguinho. Vale colocar que, aos 12 minutos, o zagueiro Raphael foi expulso de campo também pelo segundo cartão amarelo, reestabelecendo a igualdade numérica entre os times.

Na volta da parada técnica (tempo de 60 segundos concedido por volta dos 21 minutos), Gum completou de cabeça uma cobrança de escanteio e mandou a bola perto da trave direita. A resposta banguense foi ainda mais contundente: Thiago Galhardo apareceu na área completando de cabeça uma bola cruzada e mandou no travessão tricolor.

Com 27 minutos, nova chance do Bangu: Pipico escapou de três adversários, chutou e Ricardo Berna evitou o gol que abriria o placar. Aos 36 minutos, o gol do jogo: Tartá carregou a bola pela esquerda, cruzou no segundo pau e a bola encontrou-se com o goleador Fred, que com um cabeceio no contrapé de Thiago Leal conseguiu tirar o zero do placar.

Abatido com o gol sofrido, por pouco o Bangu não concedeu o segundo: aos 42 minutos, Fred cobrou falta pela esquerda e só não estufou a rede mais uma vez porque Thiago realizou grande defesa, espalmando o chute.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Valeu, Coração Valente!

No dia 1º de abril de 2011, quando o Jogada De Efeito completará 1 ano no ar, Washington Stecanela Cerqueira completará 36 de vida. Enquanto este blógui está buscando humildemente o seu espaço no mundo virtual, o "Coração Valente" anunciou, ontem, a despedida do futebol profissional.

E aí você pergunta: "mas e daí?". Realmente, aposentar-se do futebol é um fato comum: para retirar-se, basta um dia ter iniciado a carreira. Mas para o centroavante que é o protagonista nesse tópico, alguns ingredientes tornaram o fato especial, dignos de uma postagem.

Nascido em Brasília no ano de 1975, Washington teve dois clubes na juventude: o Brasília (1989-90) e o Caxias (1991-2). Em 1993, iniciou no próprio Caxias a carreira como profissional. Mas foi somente no período em que vestiu a camisa da Ponte Preta (entre 2000 e 2002) que Washington passou a se destacar no âmbito nacional. Com 34 gols em 50 jogos com a Macaca, chamou a atenção de clubes estrangeiros e foi negociado com os turcos do Fenerbahçe, onde marcou 10 gols em 12 partidas. No retorno ao Brasil, um fatídico exame médico mudaria o curso da carreira do atleta: ao ser examinado no Atlético Paranaense, Washington foi reprovado no diagnóstico cardiovascular, submetendo-se a uma cirurgia de cateterismo. Talvez para uma pessoa comum aquele seria o fim da jornada como futebolista profissional. Mas não para o "Coração Valente": após um ano de trabalho de recuperação, Washington voltou a atuar em 2004. E o que aconteceu? Simplesmente o camisa 9 marcou 34 gols em 38 jogos com o Furacão e tornou-se o maior goleador de uma edição de Campeonato Brasileiro.

Isso daí já dava um roteiro cinematográfico, mas Washington conseguiu ainda tornar-se ídolo no Fluminense, por onde teve duas passagens (a primeira em 2008, quando teve participação determinante na campanha vice-campeã na Copa Libertadores, e a derradeira em 2010, longe de ter a mesma eficiência, mas ainda nas graças da torcida tricolor graças ao título brasileiro).

Contesto a capacidade técnica de Washington, acho-o um jogador com grandes limitações. E isso também ajuda a aumentar a minha admiração por ele: mesmo longe de ser um craque e com situações adversas no seu quadro clínico, Washington conseguiu uma carreira recheada de grandes feitos. O depoimento de Thiago Silva, hoje no Milan mas que em 2008 jogou no mesmo Fluminense de Washington, reforça a idéia da grande pessoa que é Washington. O defensor "rossonero" disse que Washington serviu-lhe de inspiração quando teve diagnosticado um quadro de tuberculose.
"O que ele passou na vida, superando o problema no coração e voltando a jogar, dificilmente alguém conseguiria suportar. Ele foi um dos meus maiores exemplos quando eu tive tuberculose (2005), e uma médica disse que não teria mais condições de jogar futebol. Eu lembrava daquele cara da Ponte Preta, do Atlético Paranaense. Se ele superou, eu conseguiria superar também".
E Thiago Silva completou dizendo o seguinte.
"Eu nunca vou esquecer do Washington, daqueles jogos contra o Boca, contra o São Paulo, de toda a nossa convivência. Ele é tão iluminado que deixou o Flu, voltou e conseguiu reconquistar nossa torcida. Queria deixar um grande abraço e dizer que ele vai deixar saudades".
Diante dessas palavras, nada mais a acrescentar. Apenas um agradecimento: valeu, Coração Valente!
Washington, abraçado pelas filhas, desaba em lágrimas na coletiva onde anunciou sua repentina aposentadoria: jogador limitado tecnicamente, mas de grandes conquistas futebolísticas e incríveis superações de obstáculos.