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sábado, 12 de janeiro de 2013

Walters Acaba Com Seu Estoque De Azar

Até então invicto dentro de casa na presente temporada, o aplicado time do Stoke City conheceu sua primeira derrota no Britannia Stadium. O jogo com o Chelsea envolvia duas das três defesas menos vazadas na Premiership 2012-3 e se alguém imaginava um placar apertado, se surpreendeu. É bem verdade que o momento do Stoke já foi melhor defensivamente (a equipe sofreu três gols em cada um dos seus dois jogos anteriores válidos pelo Campeonato Inglês), mas não resta dúvidas de que a goleada azul pelo placar de 4a0 foi impactante.

Aí o estimado leitor e a estimada leitora desse espaço perguntam ao blogueiro: como explicar esse resultado para um time até então invicto dentro de casa e com uma defesa de estatísticas respeitáveis? Caros e caras, a partida em Stoke-on-Trent foi totalmente atípica. E quando digo atípica, é porque efetivamente foge dos padrões pré-estabelecidos de normalidade.

Como era de se esperar, o time comandado pelo galês Toni Pulis concentrou suas atenções no campo defensivo. Só que a retranca montada para resistir à superioridade técnica adversária não limitava a equipe a apenas se defender. Tanto é que, aos sete minutos, os donos da casa tiveram grande chance de sair na frente no placar, mas o trinitário Kenwyne Jones chutou para fora, perto da trave esquerda. A partida era equilibrada, nivelada pela aplicação dos defensores do Stoke. Jogadores de porte físico avantajado mas sem muito trato com a bola, salvo uma ou outra exceção.

O zero a zero que persistia no placar não era mérito "apenas" da barreira humana que o Stoke estabelecia diante do Chelsea. Havia também uma muralha ambulante situada nos metros finais de gramado. Com duas defesaças - ambas usando a perna direita para impedir que a bola entrasse -, o goleiro bósnio Asmir Begovic conservava o empate sem gol, parando finalizações de Frank Lampard e Demba Ba. Mas ele não poderia parar Jonathan Walters, seu companheiro de time. Nos acréscimos do primeiro tempo, o voluntarioso jogador irlandês chegou em alta velocidade para impedir que o cruzamento de Cesar Azpilicueta encontrasse Juan Mata. Se a idéia era impedir a finalização do espanhol, missão cumprida. Mas o que Walters não esperava era que seu mergulho pretensamente salvífico pudesse estufar a própria rede, marcando um a zero para os oponentes. Coisas da vida, jogo que segue.

Na segunda etapa, os times retornaram com as mesmas formações e as mesmas pré-disposições a atacar e defender. Ou seja, era basicamente o Chelsea tentando infilitrar na defesa (na maioria das vezes sem qualquer êxito) e o Stoke segurando as investidas adversárias. O time da casa marcava muito. Marcava em cima de quem tivesse a posse de bola. Marcava terreno para fazer a cobertura. Marcava até a sombra, se assim fosse possível. E, de tanto marcar, Walters marcou... contra. Pela segunda vez no jogo. Dessa vez, o cruzamento encontraria Lampard. Não encontrou, pois o implacável Walters colocou a cabeça na bola. Para infelicidade pessoal e coletiva, gol contra novamente. Coisas da vida, jogo que segue.

Diferentemente do gol (contra) anterior, dessa vez o Stoke City não tinha um intervalo de quinze minutos para respirar e repensar o jogo. Provavelmente abalados com a azarada coincidência de um jogador do time vazar a própria meta por duas vezes na mesma partida, o Stoke sucumbiu ao Chelsea. Um minuto após o segundo gol (contra), foi cometido pênalti em Mata, numa jogada em que tanto Robert Huth (grandalhão alemão, com passagem pelo Chelsea) quanto Ryan Shawcross cercaram o camisa dez sem conseguir desarmá-lo. Pelo menos não na bola. Lampard encheu o pé e estufou a rede, mandando a bola alguns centímetros abaixo do travessão. 3a0 Chelsea.

Lampard teve nova chance de marcar, mas o goleiro Begovic realizou mais uma defesa espetacular, dessa vez com os braços. E como o jogo era atípico mesmo, aconteceu (mais) uma novidade para o Stoke City na temporada corrente: o time levou um gol de fora da área. Foi o belga Eden Hazard o autor do feito, acertando lindo chute no canto direito, sem dar chance de defesa para Begovic. 4a0.

Cada treinador mexeu três vezes em seus jogadores. Fernando Torres havia entrado minutos antes do quarto gol, substituindo Ba. Depois, Rafa Benítez ainda colocou John Terry (retornando de lesão, recebeu de Mata a braçadeira de capitão no momento da alteração) e o português Paulo Ferreira no lugar de Azpilicueta. Pulis tirou Charlie Adam (que deu belo chute de fora, espalmado por Petr Cech), Jones e Matthew Etherington - entraram Dean Whitehead, Cameron Jerome e Michael Kightly. Mas, um personagem central permanecia em campo. Ele: Walters. Walters, jogador com o recorde atual de partidas consecutivas na Premiership, atuando pelo 73º jogo em sequência na competição. Nenhum outro jogador de linha se iguala a Walters. E para mostrar que é realmente um jogador "diferente", Walters entrou na área e caiu após chegada de Terry. Pênalti.

Senhoras e senhores, meninas e meninos de todas as idades, pênalti para o Stoke City no fim de partida. Era o gol de honra se encaminhando. A derrota - a primeira dentro de casa nessa temporada -, já estava consumada. E quem vai para a bola, promovendo empolgação dos torcedores locais, é Walters. E, para não deixar dúvidas de que se tratava de um jogo atípico, Walters tornou tudo ainda mais especial: encheu o pé - mais ou menos como fizera Lampard - e mandou a bola alguns centímetros acima do que gostaria. A redonda explodiu no travessão e tomou o rumo do céu. Quem também deverá ir para o céu é Walters. A julgar pela partida de hoje, ele pagou todos os seus pecados. Coisas do jogo, vida que segue.

sábado, 24 de março de 2012

Com Belos Chutes De Crouch E Yaya, Stoke E Manchester City Empatam Por 1a1

Na 30ª rodada na Premiership, Stoke City e Manchester City empataram em 1a1 no estádio Britannia. A equipe visitante chega a liderança na competição, mas pode ver o Manchester United retomar a ponta já abrindo 3 pontos de frente (o rival vermelho pega o Fulham, na segunda-feira, em Old Trafford). Aliás, a campanha dos Citizens no Campeonato Inglês é uma coisa dentro de casa e outra coisa fora: venceu todos os catorze jogos disputados como mandante e, na condição de visitante, soma vinte e oito pontos em quarenta e oito possíveis. Já o Stoke, atual 12º colocado, está numa zona tão confortável na tabela de classificação que ouso dizer que o clube já pode iniciar o planejamento para a próxima temporada. Temporada essa que será na Premiership, mas fora das competições européias.

O jogo

Embora não haja qualquer dúvida da diferença técnica entre as duas equipes, o Stoke conseguiu na maior parte do tempo equilibrar as ações através de uma postura atenta e saída em velocidade na transição para o ataque. O City, que recentemente deu adeus à Liga Europa, concentrava na Premiership a "salvação" da presente temporada, mas o desfalque do contundido Sergio Agüero dificultava as coisas para o forte time comandado por Roberto Mancini. De toda forma, surgiram oportunidades. No primeiro tempo, destacam-se duas chegadas que terminaram em cabeceios de Edin Dzeko para fora: aos vinte e sete minutos, Samir Nasri levantou e o bósnio mandou à esquerda; cinco minutos depois Nasri e Gaël Clichy, ambos franceses ex-Arsenal, tabelaram pela esquerda e o lateral cruzou para Dzeko finalizar por cima da meta.

Joe Hart foi pouco - ou nada - incomodado na etapa inicial, mas aos treze minutos do segundo tempo foi surpreendido. Creio que não só ele, como a maioria dos espectadores. Tudo começou com um lançamento longo do goleiro bósnio Asmir Begovic - compatriota de Dzeko. A bola viajou e chegou até Peter Crouch, que cabeceou amortecendo a redonda. Na seqüência, Jermaine Pennant - que entrara no lugar de Cameron Jerome - devolveu para Crouch também utilizando-se de um cabeceio. Fora da área, o grandalhão de dois metros de altura dominou a bola e tratou de emendar um chute maravilhoso, que tomou o rumo do canto direito e estufou a rede adversária, levando os adeptos do Stoke à loucura. Quem imaginaria que um jogador que tem no cabeceio e na presença de área suas maiores características pudesse aprontar uma dessa? Então, tome 1a0 no placar.

Se o empate já não era um resultado a comemorar, a derrota parcial soava muito mal para o Manchester City. Mancini tratou de colocar Adam Johnson, tirando o espanhol David Silva de campo (por mais que o meia não fizesse grande partida, creio que seria melhor para o City mantê-lo no jogo). Depois, pôs Carlos Tévez no lugar de Gareth Barry, numa substituição que considero acertada (porém, tardia). Se alguém imaginava que o City fosse alcançar o gol de empate via troca de passes, jogada de ultrapassagem, lance de linha-de-fundo ou algo assim, se decepcionou. As jogadas até foram tentadas, mas ou Dzeko não aproveitava ou algum detalhe fazia com que a posse de bola retornasse ao Stoke. Só que o empate aconteceu. E se não veio de nenhuma daquelas formas mencionadas, o volante marfinense Yaya Touré tratou de chutar firme, da intermediária, uma bola que desviou na marcação e ainda foi tocada por Begovic antes de estufar a rede. 1a1 no placar, aos trinta minutos do segundo tempo.

A partida se aproximava do final e a tendência era vermos o City esmagando o adversário na busca pelo gol da virada. Tendência que, na prática, não se confirmou: o Stoke criou boas chances e ficou perto de retomar a frente no placar, chegando inclusive a marcar o segundo gol - só que o árbitro Howard Webb (aquele mesmo que apitou a final da Copa do Mundo 2010) apitou antes mesmo da conclusão de Ryan Shawcross, ratificando a saída de bola apontada pelo auxiliar, que viu uma parábola na cobrança de escanteio.

Vamos ver se o Manchester United confirma o favoritismo diante do Fulham e coloca três pontos de vantagem na liderança inglesa. O torneio promete um final bastante disputado, notadamente pelo fato de na antepenúltima rodada termos um duelo entre City e United, no estádio onde os comandados de Roberto Mancini conservam 100% de aproveitamento na competição.