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sábado, 28 de outubro de 2017

Mali Joga Mais, Mas Brasil Vence E É 3º No Mundial Sub-17

Havia lido e ouvido alguns comentários positivos sobre a equipe brasileira no Mundial Sub-17. Apenas hoje, na derradeira apresentação, acompanhei uma partida da seleção. E simplesmente não gostei do que vi.

O time comandado por Carlos Amadeu era organizado em suas linhas (por vezes inclusive formando uma linha de cinco na defesa, algo raríssimo de se ver no Brasil). Procurava sair para o jogo em velocidade. Mas quase sempre havia algo a atrapalhar o rendimento da transição ao ataque.

Em algumas situações, o individualismo atrasava o lance - Lincoln se mostrou um especialista em prender a bola nos momentos em que mais se fazia necessário soltá-la para um companheiro.

Em outras situações, faltava exatamente dar aquela aproximação para a tabela, a triangulação, a infiltração - Paulinho se mostrava o mais lúcido nesse sentido, com Marcos Antônio também se apresentando para participar, mas a química geral não dava muito certo. Não sei se o desempenho seria diferente caso ainda houvesse chance de título. Mas uma disputa de terceiro lugar ainda é um evento a ser tratado com mais zelo do que mostrava a atuação brasileira.

Fato é que, chance de gol por chance de gol, era Mali quem tinha mais a lamentar pelo zero a zero. Chutes que passaram perto da trave; defesas do goleiro Gabriel Brazão; passes a atravessar a pequena área brasileira. Eram muitos elementos que mostravam o selecionado africano como merecedor da vitória.

Porém, o futebol, que passa longe de ser uma ciência exata, aprontou das suas. Num chute errado de Alan Souza (daqueles que saem tão fraco que mais parecem uma bola recuada), o goleiro Youssouf Koita teve a infelicidade de permitir que a bola passasse por si. Provavelmente por ser um lance aparentemente tão simples, o "Koitado" imaginou que era só puxar a bola e sair jogando. Nada feito. O "puxar" a bola não aconteceu e, como ele sequer abaixou as pernas para fazer o bloqueio, a redonda tomou o rumo da rede.

Depois do fatídico lance, Mali buscou o empate em jogadas frontais e também lateralizadas. Não chegou a ser uma pressão das mais intensas, mas serviu para mostrar que o Brasil tem muito a melhorar na sua forma de se defender e de contra-atacar. Passou sustos. Mas, no final, encaixou uma boa troca de passes com a defesa adversária aberta e conseguiu o segundo gol, com Yuri Alberto, que entrara no lugar de Lincoln.

Não sei quantos desses garotos estarão em Tóquio-2020 ou no Catar-2022. Mas a sensação que ficou é que há muito o que evoluir. Craque, não vi nenhum. Mas Paulinho, pelo menos, deixou ótima impressão.
Meio-campista Paulinho mostrou bastante qualidade e maturidade acima da média. Foto: Dibyangshu Sarkar / AFP.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Mali Vence Gana E É Bronze - Uma Lição De Ouro

A exemplo do que aconteceu na edição passada de Copa da África, Mali e Gana jogaram a disputa de terceiro lugar no continente. E, novamente, deu Mali. A vitória por 3a1 foi construída numa partida aberta, onde as duas seleções se mostraram com preferências a atacar do que defender.

O jogo estava equilibrado, mas, ao contrário daquele equilíbrio "estudado", esse era dinâmico. Melhor para o espectador, que vê mais chances de gol sendo criadas. Aos vinte minutos, Mamadou Samassa abriu o placar: Adama Tamboura avançou pela esquerda, cruzou na medida e, entre a marca do pênalti e a linha da pequena área, Samassa mergulhou para marcar de cabeça, no canto esquerdo, seu segundo gol no torneio.

Gana não se abalou pela desvantagem no placar e teve oportunidades para empatar ainda no primeiro tempo. Não aproveitou nenhuma delas. Na volta do intervalo, viu-se em situação complicada na partida quando Seydou Keita, aos dois minutos, ampliou a diferença no placar: em jogada pelo lado direito, Ousmane Coulibaly cruzou rasteiro e o capitão completou para a rede, mais ou menos na mesma região em que Samassa havia inaugurado o marcador, só que na área oposta. Mali 2a0.

Os comandados de James Appiah não tinham muito mais o que fazer em Porto Elizabeth a não ser se mandar de maneira mais incisiva ao ataque para tentar pelo menos um empate que levaria o jogo para a prorrogação. Era difícil penetrar na defesa bem montada pelo francês Patrice Carteron, que tinha dois Coulibalys por ali formando o miolo de zaga (o jovem Salif, de dezenove anos, e o experiente Adama, de trinta e dois). Mas o árbitro Eric Arnaud Otogo-Castane, do Gabão, tratou de dar uma ajuda para Gana, marcando pênalti de Salif em lance onde foi colocado o peito na bola, e não a mão.

Wakaso Mubarak, com os mesmos quatro gols do nigeriano Emenike, tinha a chance de se isolar como goleador na competição aos doze minutos do segundo tempo. Mas isolou a cobrança de pênalti. Se nem com a ajuda da arbitragem os ganeses conseguiram "entrar novamente" no jogo, então o goleiro malinês Soumbeïla Diakité tratou de aumentar a emoção na partida. Soltando bolas levantadas na área, o arqueiro foi passando uma certa insegurança, apesar de realizar importantes intervenções, como quando rebateu bola difícil no canto direito. Até que, aos trinta e seis, veio a maior das falhas de Diakité na partida e na Copa Africana como um todo: Kwadwo Asamoah chutou de fora da área, a bola não desviou em ninguém e, mesmo assim, o goleirão foi mais para o canto do que a trajetória da bola, mostrando-se fora do tempo e do espaço, vendo a rede ser estufada atrás de si. Um chute bem dado, com toda certeza, mas plenamente defensável. Faz parte, acontece.

No final, Gana até ensaiou uma pressão para buscar o empate, mas quem chegou ao gol foi Mali: aos quarenta e oito, Sigamary Diarra, que entrara cerca de vinte minutos antes no lugar de Samassa, não desperdiçou a chance e marcou o terceiro gol malinês. 3a1, placar final no estádio Nelson Mandela.


Gana, que tem uma seleção qualificada e de alguns bons valores individuais, apresentou um futebol de forte padrão de jogo e disciplina tática, mas por muitas das vezes com uma rigidez que inibiu a criatividade típica nas seleções africanas. Um jeito de jogar que não me agrada muito, mas um trabalho bem feito no ponto de vista de se conseguir estabelecer uma certa regularidade no estilo de jogo da equipe, minimizando as oscilações. Caiu na semifinal para Burkina Faso (nos pênaltis) e só foi perder a invencibilidade para Mali, nessa disputa de terceiro lugar. Porém, insisto que, a julgar pelo que vi na partida de quartas-de-final onde Gana venceu Cabo Verde por 2a0, seria mais legal se a seleção cabo-verdiana tivesse conseguido avançar.

Mali, que na fase de grupos estreou vencendo Níger (1a0), depois perdeu para a própria seleção de Gana (1a0) e conseguiu a classificação empatando com Congo (2a2), teve como um dos seus melhores momentos no torneio o triunfo nos pênaltis sobre a anfitriã África do Sul, após empate por 1a1 nos mais de cento e vinte minutos jogados. Caiu para a Nigéria na semifinal (4a1) mas se despede de cabeça erguida, vencendo Gana e levando um pouco de alegria a um país que atravessa o sombrio cenário da guerra civil. Parabéns, Mali.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Na Final Da Copa Da África, Com Vocês, A Boa E Nova Nigéria

Quem te viu, quem te vê, Nigéria. Após uma participação pra lá de tenebrosa na fase de grupos, parece que a seleção comandada por Stephen Keshi encontrou, enfim, uma maneira de jogar. De jogar bem, melhor dizendo. Não bastando o feito de eliminar a favorita Costa do Marfim na fase quartas-de-final, as Super Águias parecem mais prontas do que nunca para alçar vôos ainda maiores na Copa Africana de Nações 2013, encaixando goleada de 4a1 sobre Mali com incrível eficiência nas jogadas de contra-ataque.

É bem verdade que a sorte sorriu para os nigerianos, bastando um rápido olhar por determinadas finalizações que, se para um lado terminavam na rede, para o outro passavam perto da trave. Mas não foi isso que determinou o destino do jogo. Há que se exaltar aqui o talento de Victor Moses, que fez ótimo primeiro tempo, tomando conta do flanco direito de ataque, por onde protagonizou a jogada maravilhosa que originou o primeiro gol, aos vinte e quatro minutos: um drible desconcertante pra cima de Adama Tamboura e um cruzamento-passe encontrando Uwa Echiejile livre para, de peixinho, estufar a rede.

Não bastando o talento de Moses, a Nigéria tem outros elementos relevantes em sua equipe. Emmanuel Emenike, centroavante de porte físico avantajado, era importante referência no ataque. Aos vinte e nove, foi dele que veio a assistência para o gol de Brown Ideye. Lance de sorte, pois tudo levava a crer que aquela bola dividida com goleiro e zagueiro adversários não iria terminar na rede. Mas terminou, em prêmio para o esforço, aos vinte e nove.

Ainda antes do intervalo, a vitória ganhou contornos de goleada: aos quarenta e três, Emenike cobrou falta, a bola desviou na barreira e foi no contrapé do goleiro Mamadou Samassa, entrando caprichosamente no canto esquerdo, isolando Emenike no topo da lista de goleadores no torneio, com quatro marcados.

Embora abatida pelo inesperado revés, a seleção de Mali não se entregou, fato que embelezou o jogo e valorizou o espetáculo. Marcando em linha, a defesa malinesa permitiu que a enfiada de bola de John Obi Mikel encontrasse Ahmed Musa livre, e o camisa sete, que havia entrado no lugar de Moses, chutou por entre as pernas de Samassa. 4a0 no placar.

Seydou Keita não fazia uma partida em nível próximo ao que dele se espera, e creio que isso possa ter afetado o rendimento coletivo em geral. Mas o fato é que Mali melhorou depois das entradas dos atacantes Cheick Diarra e Cheick Diabaté. E melhorou tanto que fica difícil entender até que ponto foi a Nigéria que diminuiu sua intensidade na partida e até que ponto seja aceitável que esses dois "Cheicks" possam ser reservas no time de Patrice Carteron.

Vincent Enyeama, excepcional goleiro nigeriano, evitou pelo menos dois gols de Mali. Mas não evitou que o zero fosse mantido: aos vinte e nove, em jogada envolvendo aqueles dois atacantes vindos do banco, Diabaté conduziu bem a bola pela esquerda e serviu Diarra, que completou de primeira, com categoria, no canto esquerdo.

Mais incisiva, Mali pressionou em busca de novo(s) gol(s). Sem sucesso. No fundo, já deviam estar conformados com a eliminação após a margem de diferença no placar ter se dilatado tanto. Mas podem - e devem - ter a consciência de que fizeram um jogo de tal maneira que é muito mais razoável apontar virtudes no lado vencedor do que fraquezas no lado derrotado. Que a autoestima da população daquele país se eleve. Ninguém merece viver em meio a uma guerra civil. O que Mali realmente precisa no momento é de paz, paz que será uma conquista muito maior do que qualquer coisa que um torneio de futebol possa proporcionar.

Quanto à jovem seleção nigeriana, a presença na final continental é um feito de respeito. Sua última presença numa final foi em 2000, quando perdeu nos pênaltis para Camarões. Campeã pela última vez em 1994, a Nigéria tem a chance de estabelecer um recorde pessoal para Keshi, que pode ser o primeiro a faturar a Copa Africana de Nações como jogador (condição vivida em 94) e como treinador (sua função em 2013).

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Olha Keita Na Semifinal: É Mali, Que Elimina Anfitriã

Não teve vida longa a seleção anfitriã na Copa Africana de Nações 2013. Mas, diferentemente de 2010, dessa vez a África do Sul até teve um desempenho satisfatório, conseguindo uma participação, no mínimo, honrosa. Foram três empates e uma vitória na invicta campanha, caindo na fase quartas-de-final após desempate nas penalidades máximas com Mali.

Mali que, na maior parte do tempo nesse jogo em Durban, conseguiu controlar as investidas adversárias, mas sem demonstrar grandes qualidades ofensivas. Esperáva-se mais de jogadores como Mohamed Sissoko e Seydou Keita, mas, de toda forma, a equipe conseguiu buscar o empate (gol do próprio Keita) e arrancar a classificação nos pênaltis.

O destaque acabou sendo o goleiro malinês Soumbeïla Diakité, que defendeu duas cobranças - Dean Furman e May Mahlangu escolheram o canto direito e não conseguiram superar o arqueiro, que foi buscar. Ainda houve uma cobrança de Lehlohonolo Majoro, para fora: somente Siphiwe Tshabalala conseguiu converter pelo lado sul-africano, enquanto Cheick Diabaté, Adama Tamboura e Mahamane Traoré garantiram os 100% de aproveitamento de Mali nas penalidades.

Classificada, a seleção comandada pelo francês Patrice Canteron mostrou regularidade durante a partida, oscilando pouco diante de uma animada equipe da casa. A África do Sul, empurrada por um estádio lotado a apoiar o time, criou as maiores chances de gol, mas sem exercer uma pressão sobre o adversário. O incansável e voluntarioso defensor Furman, o versátil volante Reneilwe Letsholonyane e o dinâmico meia-atacante Mahlangu foram alguns dos destaques da equipe, que mostrou alguma evolução em relação ao Mundial, mas ainda carece de jogadores mais talentosos, principalmente no ataque. De toda forma, parece positivo o trabalho desenvolvido por Gordon Igesund, que viu em Durban, sua cidade natal, o fim de um sonho sul-africano.

Mali terá pela frente o vencedor do duelo entre Costa do Marfim e Nigéria. Pelo que vi dessas duas seleções, Mali seria zebra diante dos Elefantes e favorita diante das Águias. Independentemente de quem passe, uma coisa é certa para a seleção que acaba de eliminar a África do Sul: as vuvuzelas soprarão contra...

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Eficiente E Ajudada, Gana Vence Mali Por 1a0

Gana e Mali fizeram duelo equilibrado no estádio Nelson Mandela Bay. A grande questão que se coloca sobre a vitória ganesa por 1a0 (gol de Wakaso Mubarak, cobrando pênalti aos trinta e sete minutos de jogo) é a seguinte: será que as coisas aconteceriam da mesma forma caso o árbitro marfinense Noumandiez Desire Doue tivesse aplicado a regra em lance-chave aos cinco minutos de partida? A pergunta é praticamente retórica: provavelmente, não.

O lance em questão deu-se quando Mali se lançou ao ataque e o sistema defensivo de Gana vacilou, em especial o goleiro Fatawu Dauda, que escorregou na saída da área e, fora dos limites da mesma, evitou a finalização de Cheick Diabate pegando a bola com a mão. Lance característico de cartão vermelho para o goleiro, por impedir ilegalmente uma ocasião clara e evidente de gol. Acontece que o árbitro Noumadiez Doue deu cartão amarelo, beneficiando Gana a permanecer com onze jogadores no gramado, para revolta do capitão malinês Seydou Keita, ex-Barcelona e um dos melhores em campo.

Na cobrança de falta originada nesse lance, Keita colocou a bola caprichosamente no canto direito. Talvez um gol para Mali nesse momento fosse uma espécie de redutor das injustiças, mas quiseram os deuses do futebol que a redonda passasse para fora, perto da trave direita. Aliás, muito perto da trave direita.

Mali era mais arisca e impunha maior velocidade, com Keita organizando bem as jogadas. Mas Gana, aos poucos, foi conseguindo encaixar seu jogo. O jogo de Gana, aliás, não é lá um jogo daqueles que estamos acostumados a ver no continente africano: trata-se de uma equipe calculista, bem distribuída em campo e que ataca com cautela típica das mais tradicionais escolas européias. Numa dessas investidas da tática e técnica equipe comandada por James Appiah, pintou um pênalti. Wakaso Mubarak cobrou firme no canto esquerdo e Mamadou Samassa acertou o lado, mas sem conseguir chegar na bola. 1a0 Gana em Porto Elizabeth, cidade onde a Holanda venceu e eliminou o Brasil na Copa 2010.

No segundo tempo, o ritmo imposto por Gana e pelas recíprocas entradas faltosas ditaram um andamento lento na partida. Diria até entediante. O estádio, com público de fazer lembrar a rotina do Engenhão, foi outro ponto negativo. Deu saudades do som das vuvuzelas. De toda forma, acho que devemos ter em mente que por mais que haja muita qualidade pela seleção de Gana (há no elenco diversos jogadores que ajudaram a levar a seleção até as quartas no Mundial 2010), precisa-se ressaltar a relevância daquele lance aos cinco minutos, o lance do vermelho que virou amarelo. São ruins as primeiras impressões que esse blogueiro vai tendo da arbitragem na Copa das Nações Africanas, o que remete a um cenário global onde as questões do apito não caminham bem.

Com a vitória, Gana lidera o grupo B, que hoje terá ainda o duelo entre Congo e Níger. Na última rodada, Gana se classificará mesmo empatando com Níger. Mali depende apenas de si: se vencer o Congo, garante vaga na fase quartas-de-final. Passe quem passar, que possamos falar mais de gols e jogadas de efeito do que de árbitros e auxiliares.